{"id":12892,"date":"2023-04-08T06:59:07","date_gmt":"2023-04-08T09:59:07","guid":{"rendered":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=12892"},"modified":"2023-04-08T06:59:07","modified_gmt":"2023-04-08T09:59:07","slug":"entre-a-fe-na-razao-e-a-razao-da-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/entre-a-fe-na-razao-e-a-razao-da-fe\/","title":{"rendered":"Entre a f\u00e9 na raz\u00e3o e a raz\u00e3o da f\u00e9"},"content":{"rendered":"<h2><strong><span style=\"color: #0000ff;\">Entre a f\u00e9 na raz\u00e3o e a raz\u00e3o da f\u00e9<\/span><\/strong><\/h2>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Cesar Boschetti<\/span><\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/www.geae.net.br\/images\/Artigos-Gerais\/razao-fe.JPG\" width=\"369\" height=\"184\" \/><\/p>\n<p>Qual \u00e9 o sentido da vida?<\/p>\n<p>E a morte?<\/p>\n<p>O que \u00e9 a morte?<\/p>\n<p>Haver\u00e1 algo al\u00e9m da morte?<\/p>\n<p>Haver\u00e1 algo al\u00e9m do mundo material que conhecemos?<\/p>\n<p>Ou ser\u00e1 a morte apenas e t\u00e3o somente a inexor\u00e1vel extin\u00e7\u00e3o, total, absoluta e definitiva de uma exist\u00eancia sem nexo?<\/p>\n<p>Que dizer do sofrimento? Qual o sentido do sofrimento? Por que uns sofrem mais que outros? Por que certas coisas s\u00e3o amadas por alguns e odiadas por outros? Por que existe o mal?<\/p>\n<p>Por que a enorme diversidade de filosofias e ideologias, ora afinadas entre si, promovendo a paz, a fraternidade e o progresso, ora completamente antag\u00f4nicas, ensejando conflitos, guerras e destrui\u00e7\u00e3o? Por que somos t\u00e3o iguais e, ao mesmo tempo, t\u00e3o diferentes uns dos outros?<\/p>\n<p>A raz\u00e3o pode nos dizer alguma coisa acerca disso tudo?<\/p>\n<p>O que \u00e9 raz\u00e3o afinal de contas?<\/p>\n<p>E a f\u00e9&#8230;? O que \u00e9 a f\u00e9?<\/p>\n<p>Podemos ter f\u00e9 na raz\u00e3o?<\/p>\n<p>Qual a origem da raz\u00e3o? Ter\u00e1 ela desabrochado na mente do homem macaco sem qualquer germe anterior de f\u00e9? E a f\u00e9? Ter\u00e1 a f\u00e9 surgido na consci\u00eancia do homem macaco sem qualquer interfer\u00eancia de alguma forma de exame ou questionamento antecedente? Ser\u00e1 que no universo da mente humana \u00e9 poss\u00edvel estabelecer uma fronteira clara e objetiva entre raz\u00e3o e f\u00e9? Ser\u00e1 que esses dois aspectos da natureza humana podem ser isolados um do outro? Ser\u00e1 que em nosso c\u00e9rebro existem neur\u00f4nios que lidam somente com a raz\u00e3o e neur\u00f4nios que lidam somente com a f\u00e9? E se assim for, qual a origem dessa diferen\u00e7a? Por que a sele\u00e7\u00e3o natural n\u00e3o eliminou um deles? Ser\u00e1 que o homem macaco teria sa\u00eddo das cavernas e chegado \u00e0s metr\u00f3poles de hoje, s\u00f3 com os neur\u00f4nios da raz\u00e3o? Ou s\u00f3 com os neur\u00f4nios da f\u00e9? Ser\u00e1 que f\u00e9 e raz\u00e3o s\u00e3o frutos de meras rea\u00e7\u00f5es f\u00edsico-qu\u00edmicas dentro do c\u00e9rebro humano?<\/p>\n<p>E a imagina\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>O que \u00e9 isso? O que nos leva a imaginar coisas e sonhar com elas? De que modo, raz\u00e3o, f\u00e9 e imagina\u00e7\u00e3o interagem na mente humana? De que modo raz\u00e3o, f\u00e9 e imagina\u00e7\u00e3o se combinam e d\u00e3o subst\u00e2ncia \u00e0 criatividade humana em sua busca por um sentido na vida? De que modo raz\u00e3o, f\u00e9 e imagina\u00e7\u00e3o d\u00e3o forma aos nossos preconceitos, ao nosso ego\u00edsmo e ao nosso potencial como agentes de transforma\u00e7\u00e3o? Qual a origem das diferentes concep\u00e7\u00f5es de Mundo? Por que essas concep\u00e7\u00f5es precisam competir entre si? Onde estar\u00e1 a verdade?<\/p>\n<p>E por a\u00ed segue uma montanha de d\u00favidas, inquieta\u00e7\u00f5es e ang\u00fastias que n\u00e3o acabam nunca.\u00a0 Essa montanha est\u00e1 e estar\u00e1 sempre \u00e0 nossa frente nos caminhos da vida. Mostra toda a sua pujan\u00e7a nos momentos mais inesperados, afrontando nossa intelig\u00eancia e nossos sentimentos, trazendo \u00e0 tona toda a nossa ignor\u00e2ncia sobre a vida e sobre o universo, ao mesmo tempo que revela nossa incr\u00edvel capacidade inquiridora. Isto nos remete \u00e0 S\u00f3crates que, h\u00e1 cerca de 2500 anos, com muita humildade reconhecia &#8211; \u201cs\u00f3 sei que nada sei\u201d.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que as coisas mudaram de l\u00e1 para c\u00e1?<\/p>\n<p>Encaremos a verdade! A filosofia n\u00e3o nasceu com os gregos nem com os antigos s\u00e1bios do oriente. Precisamos entender que a filosofia, a f\u00e9 e a ci\u00eancia, como manifesta\u00e7\u00f5es do esp\u00edrito humano, nasceram juntas, completamente entrela\u00e7adas, no momento que o homem macaco se espantou e se amedrontou diante das manifesta\u00e7\u00f5es de uma natureza desconhecida e assustadora que, de repente, se descortinou ante sua tosca percep\u00e7\u00e3o rec\u00e9m desperta. Era tudo muito confuso. Seu c\u00e9rebro primitivo tentava em v\u00e3o dar algum sentido ao que via e sentia. Um sentimento estranho deve ter se apoderado desse nosso tatarav\u00f4 meio homem meio macaco. Algo come\u00e7ava a martelar no interior de sua cabe\u00e7a. Um misterioso desejo de querer entender o que via e o que sentia dentro de si. Foi neste momento que nasceram os deuses, os dem\u00f4nios e as d\u00favidas. A bendita d\u00favida que nos esmaga contra o desconhecido, mas tamb\u00e9m nos empurra para o futuro e para novos horizontes.<\/p>\n<p>As quest\u00f5es filos\u00f3ficas da exist\u00eancia, como Deus, alma, morte, prop\u00f3sito da vida, justi\u00e7a, o bem e o mal. S\u00e3o quest\u00f5es desafiadoras. Nos acompanham desde tempos imemoriais e, provavelmente, continuar\u00e3o nos acompanhando pelos s\u00e9culos e s\u00e9culos vindouros.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do homem tem sido uma formid\u00e1vel sucess\u00e3o de sucessos e fracassos, hero\u00edsmo e covardia, amor e \u00f3dio, trevas e luzes, que bem representam as diversas facetas do esp\u00edrito humano. \u00c9 assim que caminha a humanidade.<\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o de que o homem e o mundo s\u00e3o sistemas constitu\u00eddos de partes que conversam entre si, se afetando mutuamente, e n\u00e3o mais por um conjunto de pe\u00e7as que podem ser separadas e analisadas isoladamente para compreens\u00e3o do todo, abre novas perspectivas para o entendimento do mundo e da vida. A antiga vis\u00e3o reducionista, d\u00e1 lugar a uma vis\u00e3o sist\u00eamica da realidade complexa.<\/p>\n<p>Raz\u00e3o e f\u00e9 continuam sendo formas diferentes de percep\u00e7\u00e3o da realidade. Continua n\u00e3o sendo poss\u00edvel mistur\u00e1-las, mas n\u00e3o h\u00e1 oposi\u00e7\u00e3o nem conflito. Se a hist\u00f3ria do homem atravessou trevas e luzes, paz e guerra, atrasos e progressos, n\u00e3o foi por conta dos indiv\u00edduos serem mais ou menos religiosos ou racionais.<\/p>\n<p>F\u00e9 \u00e9 um sentimento, um encontro do indiv\u00edduo consigo mesmo, uma interroga\u00e7\u00e3o \u00edntima, uma busca compulsiva por supera\u00e7\u00e3o. F\u00e9 \u00e9 um desejo interior de vencer as vicissitudes da vida. Um anseio de sobrepujar o sofrimento e domar a morte. Um clamor por algo que preencha os vazios de nossa alma. F\u00e9 \u00e9 um desejo ousado de ver e ir al\u00e9m do horizonte. Um misto de esperan\u00e7a e confian\u00e7a que a vida seja mais que um simples existir ef\u00eamero sem nexo e por isto vale a pena ser vivida. Essa f\u00e9 abstrata, subjetiva, inexplic\u00e1vel, rebelde aos ditames da raz\u00e3o e que parece nos instigar a olhar acima do bem e do mal, \u00e9, parcialmente, objetivada pelas diversas religi\u00f5es. O cristianismo, o juda\u00edsmo e o islamismo, por exemplo, dentre uma multid\u00e3o de outros sistemas, s\u00e3o tentativas de objetiva\u00e7\u00e3o da f\u00e9. Tentativas de reduzir a abstra\u00e7\u00e3o metaf\u00edsica da f\u00e9 a algo mais pr\u00f3ximo de nossas necessidades imediatas, por meio de dogmas e ritos capazes de produzir um conforto psicol\u00f3gico mais imediato. Aqui n\u00e3o cabem discuss\u00f5es ou cr\u00edticas. Estamos no campo das necessidades subjetivas. Todos os sistemas, s\u00e3o igualmente v\u00e1lidos e ricos em simbolismo, significa\u00e7\u00e3o e nobreza de valores. O problema surge com o ego\u00edsmo humano que enseja os preconceitos e as distor\u00e7\u00f5es interpretativas.<\/p>\n<p>Na verdade, o ego\u00edsmo j\u00e1 teve sua import\u00e2ncia na evolu\u00e7\u00e3o do ser humano. O ego\u00edsmo est\u00e1 atrelado ao instinto de preserva\u00e7\u00e3o do homem. Foi importante no princ\u00edpio e, talvez hoje, ainda tenha algum papel em situa\u00e7\u00f5es muito espec\u00edficas, mas cada vez mais revela-se como um sentimento negativo que obsta a coopera\u00e7\u00e3o e a solidariedade entre os homens. N\u00f3s humanos n\u00e3o fomos feitos para vivermos isolados. Desde o princ\u00edpio a natureza mostrou que t\u00ednhamos mais chances de sobreviver se nos reun\u00edssemos, cooperativamente, em grupos. Al\u00e9m disso, a cobi\u00e7a fermentada pelo ego\u00edsmo, leva o homem a explorar irracionalmente os recursos naturais e menosprezar outros seres humanos socialmente fragilizados. Isso vem produzindo a exaust\u00e3o de v\u00e1rios recursos minerais, vegetais e animais do planeta, al\u00e9m de contribuir para uma desigualdade social cada vez maior. Desnecess\u00e1rio dizer que, polui\u00e7\u00e3o, v\u00edrus, bact\u00e9rias e eventos clim\u00e1ticos mais violentos ter\u00e3o presen\u00e7a cada vez maior em meio \u00e0 uma sociedade humana cada vez mais mesquinha e materialista.<\/p>\n<p>Isso tudo \u00e9 reflexo da falta de humildade e ignor\u00e2ncia do homem. Humildade, bem ao contr\u00e1rio da percep\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria, n\u00e3o \u00e9 se apequenar diante do outro, mas sim estar de mente aberta para ouvir o outro. Humildade vem de humos, que significa solo f\u00e9rtil. Ser humilde significa estar aberto ao autoconhecimento e o reconhecimento que, al\u00e9m das apar\u00eancias, somos todos iguais em potencialidades. O resultado do ego\u00edsmo \u00e9 o desequil\u00edbrio ambiental e a p\u00e9ssima e injusta distribui\u00e7\u00e3o de oportunidades.<\/p>\n<p>O ego\u00edsmo e a cobi\u00e7a nos conduzem \u00e0 ilus\u00e3o de poder. Ilus\u00e3o de que n\u00e3o dependemos dos outros. Esse \u00e9 um terr\u00edvel engano. Uma vis\u00e3o mesquinha e estreita da vida e do mundo, conduzindo-nos a um jogo sujo de poder pelo poder.<\/p>\n<p>Este jogo sujo n\u00e3o tem limites. Nada que seja bom est\u00e1 imune a ser usado para o mal. Do sacro ao profano, do simples ao complexo, do rem\u00e9dio ao veneno, tudo pode ser usado para o bem e para o mal. O exemplo mais recente est\u00e1 na tecnologia da informa\u00e7\u00e3o. A internet \u00e9 um formid\u00e1vel instrumento para exerc\u00edcio da liberdade e divulga\u00e7\u00e3o de conhecimentos. Mas \u00e9 tamb\u00e9m um poderoso canal para propaga\u00e7\u00e3o de mentiras, desinforma\u00e7\u00e3o e invas\u00e3o de privacidade, com gente de m\u00e1 f\u00e9 ludibriando gente de boa f\u00e9. Onde estar\u00e1 o mal? Nos avan\u00e7os cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos? Na f\u00e9 nos benef\u00edcios destes avan\u00e7os para o progresso do ser humano? Na possibilidade da exist\u00eancia de Deus e da alma? Em meio aos que acreditam? Em meio aos que n\u00e3o acreditam? Onde estar\u00e1 o mal? Ser\u00e1 que estamos buscando respostas fazendo as perguntas certas?<\/p>\n<p>Raz\u00e3o e f\u00e9 s\u00e3o partes do mesmo sistema mental humano. Quer se queira ou n\u00e3o, os componentes racionais, emocionais e espirituais coabitam o mesmo \u201cespa\u00e7o mental\u201d e interagem de forma complexa e sutil. Foi com essa estrutura mental que chegamos onde chegamos. E isto \u00e9 um fato. No livro da natureza j\u00e1 h\u00e1 muita coisa bem compreendida e explicada pela ci\u00eancia. N\u00e3o h\u00e1 mais lugar para milagres nem para um deus feito a semelhan\u00e7a do homem. Mas a ci\u00eancia ainda est\u00e1 longe de conhecer os limites da natureza. Provavelmente, nunca venhamos a conhec\u00ea-los. Basta atentarmos que no universo h\u00e1 um n\u00famero infinito de gal\u00e1xias cada qual com bilh\u00f5es de estrelas. A nossa Via L\u00e1ctea \u00e9 uma modesta gal\u00e1xia que abriga em sua periferia nosso modesto sistema solar. Existem gal\u00e1xias a bilh\u00f5es e bilh\u00f5es de anos luz de n\u00f3s. S\u00e3o partes da natureza cuja luz, ou seja, a informa\u00e7\u00e3o de sua exist\u00eancia ainda n\u00e3o chegou at\u00e9 n\u00f3s e quando chegar, talvez j\u00e1 n\u00e3o existam mais ou nosso sistema solar tamb\u00e9m j\u00e1 possa estar extinto. N\u00f3s, humanos, somos menos que bact\u00e9rias caminhando sobre uma part\u00edcula de poeira c\u00f3smica em um canto perdido do Universo. Somos um paradoxo. Um quase nada capaz de a tudo questionar. Beira o irracional que n\u00e3o tenhamos humildade e n\u00e3o sintamos admira\u00e7\u00e3o diante desse quadro, fant\u00e1stico. A. Einstein demonstrou sua sabedoria quando certa feita, humildemente, reconheceu que <em><span style=\"color: #ff0000;\">&#8220;por detr\u00e1s da mat\u00e9ria h\u00e1 algo de inexplic\u00e1vel\u201d<\/span><\/em>. E se n\u00e3o quisermos tirar os p\u00e9s do ch\u00e3o e voar pelas estrelas, basta refletirmos sobre o universo de nossa mente, t\u00e3o pouco conhecido quanto o universo das gal\u00e1xias. \u00c9 irracional considerar as coisas da natureza que ignoramos que, diga-se, s\u00e3o muito mais do que possamos imaginar, como coisas fora da natureza, isto \u00e9, como sobrenatural. \u00c9 pura arrog\u00e2ncia e tolice essa vis\u00e3o. E vale notarmos que nossa pequenez diante do universo das gal\u00e1xias e diante do universo da mente humana n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de humildade. \u00c9 tamb\u00e9m uma realidade factual.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia de Deus e do esp\u00edrito s\u00e3o possibilidades. Crer nessas possibilidades \u00e9 um ato de f\u00e9. N\u00e3o h\u00e1 como submeter essas quest\u00f5es \u00e0 Ci\u00eancia convencional que n\u00e3o disp\u00f5e de instrumentos nem para aprovar nem para reprovar. S\u00e3o quest\u00f5es fora dos dom\u00ednios da Ci\u00eancia convencional. Mas n\u00e3o s\u00e3o quest\u00f5es irracionais nem sobrenaturais. O fato de n\u00e3o serem racionaliz\u00e1veis da mesma forma que s\u00e3o os objetos ordin\u00e1rios, n\u00e3o significa que n\u00e3o possam estar abertas \u00e0 cr\u00edtica racional para que n\u00e3o conflitem com o que j\u00e1 est\u00e1 bem estabelecido pela ci\u00eancia. Esta forma de f\u00e9, que poder\u00edamos chamar de f\u00e9 autocr\u00edtica, f\u00e9 aberta ou f\u00e9 raciocinada, como dizia A. Kardec em suas obras, n\u00e3o \u00e9 ing\u00eanua, nem cega nem anticient\u00edfica. Estando aberta \u00e0 cr\u00edtica, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 dogm\u00e1tica no sentido ordin\u00e1rio do termo. Observe que, a nega\u00e7\u00e3o pura e simples de possibilidades fora dos dom\u00ednios da Ci\u00eancia convencional \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de f\u00e9, pois n\u00e3o pode ser autenticada nem falsificada pela ci\u00eancia.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia ou a raz\u00e3o n\u00e3o podem racionalizar a f\u00e9, mas podem estabelecer contornos racionais dentro dos quais a f\u00e9 tenha seu espa\u00e7o. Por outro lado, a f\u00e9 n\u00e3o pode dirigir a raz\u00e3o, mas pode fornecer elementos de amor, de humildade e, por paradoxal que possa parecer, de ousadia para o trabalho da raz\u00e3o. A ci\u00eancia n\u00e3o avan\u00e7a apenas apoiada na cataloga\u00e7\u00e3o de observa\u00e7\u00f5es emp\u00edricas. Mas avan\u00e7a sobretudo com a proposi\u00e7\u00e3o de hip\u00f3teses, com frequ\u00eancia ousadas que, posteriormente, devem ser validadas ou falsificadas. Essas proposi\u00e7\u00f5es, em primeira m\u00e3o, envolvem acreditar em algo que ainda n\u00e3o foi demonstrado nem falso nem verdadeiro. \u00c9 ter f\u00e9 em uma ideia.<\/p>\n<p>A busca por sentido na vida n\u00e3o precisa pressupor a exist\u00eancia de Deus e ou de uma consci\u00eancia ou alma que sobreviva \u00e0 morte do corpo f\u00edsico. Mas s\u00e3o premissas poderosas e ricas em significa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o s\u00e3o dogmas no sentido convencional. Contemplar essas possibilidades e refletir sobre suas poss\u00edveis consequ\u00eancias dentro do princ\u00edpio de uma f\u00e9 aberta n\u00e3o \u00e9 um dogma, j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 incondicional e abre-se \u00e0 cr\u00edtica e ao balizamento racional. Mas \u00e9 uma express\u00e3o de f\u00e9. Uma f\u00e9 que n\u00e3o se op\u00f5e \u00e0 ci\u00eancia, mas busca complementar e ampliar nosso entendimento sobre a vida. Buscar outras possibilidades \u00e9 perfeitamente v\u00e1lido. A f\u00e9 n\u00e3o precisa de cercas religiosas, apenas de aten\u00e7\u00e3o aos caminhos j\u00e1 tra\u00e7ados pela raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Na verdade, a perspectiva que haja algo mais em n\u00f3s humanos, al\u00e9m de carne e ossos, vem ganhando relev\u00e2ncia cient\u00edfica cada vez maior. O volume de eventos muito bem documentados de experi\u00eancias de quase morte (EQM) vem crescendo rapidamente em todo o mundo. S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es onde o indiv\u00edduo, clinicamente morto, por uma parada cardiorrespirat\u00f3ria, por exemplo, e, portanto, impossibilitado de registrar qualquer informa\u00e7\u00e3o ao seu redor, d\u00e1 testemunho preciso de fatos ocorridos durante os instantes que permaneceu clinicamente morto. Esse testemunho, inclusive, pode referir-se a lugares externos \u00e0quele na qual se encontrava sob atendimento. Isso mostra claramente que a consci\u00eancia do ser humano n\u00e3o est\u00e1 presa ao corpo e pode continuar existindo fora dele. H\u00e1 muitos estudos em curso e muito ainda precisa ser elucidado, mas os ind\u00edcios de existir algo mais al\u00e9m de carne e ossos em n\u00f3s humanos s\u00e3o cada vez maiores. Isso sem falarmos nas experi\u00eancias medi\u00fanicas existentes desde sempre em meio \u00e0 humanidade. Essas manifesta\u00e7\u00f5es atingiram seu \u00e1pice em meados do s\u00e9culo XIX na Fran\u00e7a. Foram meticulosa e sistematicamente estudadas por Kardec, inclusive com controle estat\u00edstico de coer\u00eancia entre manifesta\u00e7\u00f5es provenientes de in\u00fameras fontes diferentes de lugares diferentes e desconhecidas entre si. Kardec n\u00e3o era m\u00edstico. Ao contr\u00e1rio, tinha forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e atitude racional.<\/p>\n<p>De outro lado, a conduta do indiv\u00edduo frente a seus semelhantes e frente ao mundo, isto \u00e9, a postura moral e \u00e9tica do indiv\u00edduo, tamb\u00e9m n\u00e3o requer a figura de Deus como b\u00fassola. A conduta moral e \u00e9tica do homem pode ser balizada por um princ\u00edpio muito simples &#8211; n\u00e3o fazer aos outros o que n\u00e3o se quer para si &#8211; ou seu corol\u00e1rio &#8211; fazer aos outros o que gostaria que fosse feito para si. Este \u00e9 um princ\u00edpio elementar consequente da intelig\u00eancia humana, consequente da capacidade de an\u00e1lise e delibera\u00e7\u00e3o, consequente do livre arb\u00edtrio e, cada vez mais, consequente da consci\u00eancia de ser parte ativa de um sistema maior, Gaia, a M\u00e3e Terra. A moral e a \u00e9tica s\u00e3o valores operacionais fundamentais do indiv\u00edduo em rala\u00e7\u00e3o ao mundo que o cerca. Mas as quest\u00f5es existenciais v\u00e3o al\u00e9m disto. A necessidade emocional de haver um sentido para a vida, vai muito al\u00e9m do problema da \u00e9tica e da moral. O indiv\u00edduo pode viver de modo \u00e9tico pleno, sem prejudicar ningu\u00e9m, sendo \u00fatil de algum modo ao pr\u00f3ximo e \u00e0 sociedade, em perfeita sintonia com o progresso, mas ser\u00e1 como um aut\u00f4mato, vazio, sem um sentimento de que, de alguma forma, sua exist\u00eancia tem uma finalidade que n\u00e3o meramente operacional e ef\u00eamera. A expans\u00e3o da consci\u00eancia exige algo mais. Aqui entramos novamente nos dom\u00ednios da f\u00e9 e dos sonhos.<\/p>\n<p>O sonho, por sua vez, \u00e9 um motor poderoso do progresso. Envolve riscos e isso os torna ainda mais instigantes e atraentes. O risco de errar e fracassar, n\u00e3o deve ser motivo de tristeza ou des\u00e2nimo. \u00c9 dif\u00edcil lidar com isto, mas cair, levantar, renovar for\u00e7as e seguir em frente faz parte da f\u00e9 raciocinada. \u00c9 da natureza humana. Somente a f\u00e9 pode trazer conforto para os reveses da vida e continuar nos impulsionando a seguir em frente. Vale anotarmos que f\u00e9 e sonho caminham de m\u00e3os dadas.<\/p>\n<p>A f\u00e9 idealiza estradas para destinos desconhecidos. \u00c0 ci\u00eancia cabe planejar e abrir essas estradas.<\/p>\n<p>O universo da f\u00e9 natural, apesar de diferir do universo convencional das religi\u00f5es institucionalizadas em torno de dogmas, ritos e hierarquias sacerdotais, n\u00e3o deixa de ser complexo e tamb\u00e9m vulner\u00e1vel aos preconceitos, ao fanatismo e ao jogo de interesses. Essa \u00e9 a grande dificuldade para o estabelecimento de uma alian\u00e7a positiva entre f\u00e9 e ci\u00eancia. Mas a f\u00e9, uma vez liberta das amarras religiosas tradicionais, por sua abrang\u00eancia, tem mais chances de dialogar com a ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Um fato curioso \u00e9 a n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o da f\u00e9 como sentimento universal comum a todos os seres humanos por uma parcela expressiva de c\u00e9ticos. Muitos alegam n\u00e3o necessitarem de Deus nem da exist\u00eancia da alma para darem sentido \u00e0 suas vidas. Aqui n\u00e3o h\u00e1 o que discutir. Do mesmo modo, muitos alegam n\u00e3o haver qualquer sentido a ser buscado, portanto, menor ainda a necessidade da f\u00e9. Dizem-se pessoas cujo sentimento da f\u00e9 \u00e9 completamente inexistente ou ausente. Tamb\u00e9m aqui n\u00e3o cabe discuss\u00e3o, entretanto, racionalmente falando, n\u00e3o se trata de inexist\u00eancia de f\u00e9. Trata-se de uma express\u00e3o diferente de f\u00e9. f\u00e9 na raz\u00e3o pura. F\u00e9 que a ci\u00eancia basta para explicar o mundo como ele \u00e9. F\u00e9 que a consci\u00eancia humana \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o exclusiva de liga\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas e nada mais que isso. S\u00e3o coisas que a ci\u00eancia n\u00e3o pode at\u00e9 o momento corroborar nem reprovar e h\u00e1 fortes ind\u00edcios que esteja ainda bem longe disso.<\/p>\n<p>O ceticismo cient\u00edfico que n\u00e3o permite que a ci\u00eancia opere fora dos limites seguros do universo material \u00e9 crit\u00e9rio de trabalho. O ceticismo dogm\u00e1tico que adota a ci\u00eancia como possibilidade \u00fanica de acesso aos mist\u00e9rios do Universo resulta no que se convencionou chamar de cientificismo. Tamb\u00e9m n\u00e3o cabe discuti-lo, mas n\u00e3o faz sentido dizer que n\u00e3o haja a\u00ed uma forma de f\u00e9. Por isto, a percep\u00e7\u00e3o que o homem \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o complexa, misteriosa, insepar\u00e1vel e \u00fanica de raz\u00e3o, de imagina\u00e7\u00e3o, de emo\u00e7\u00e3o e de f\u00e9 \u00e9 uma chave importante para o futuro da humanidade. \u00c9 puro ego\u00edsmo negar poss\u00edveis di\u00e1logos entre esses diferentes aspectos da percep\u00e7\u00e3o humana. Uma real aus\u00eancia de qualquer express\u00e3o de f\u00e9 ou, se quiser, esperan\u00e7a relativa ao futuro, resultaria em um desencanto total com a exist\u00eancia. Conduziria o indiv\u00edduo \u00e0 uma depress\u00e3o profunda e, possivelmente, irrevers\u00edvel. Seria a anula\u00e7\u00e3o do ser, do sonhar, do almejar e do ousar. Seria a nega\u00e7\u00e3o de uma exist\u00eancia consciente e inquiridora. Seria um suic\u00eddio intelectual e psicol\u00f3gico. \u00c9 importante acreditar, cultivar alguma forma de f\u00e9 em valores pelos quais se acredite que valha a pena viver. A satisfa\u00e7\u00e3o pura e simples dos apetites animais pode satisfazer momentaneamente, mas jamais conduzir\u00e1 o esp\u00edrito humano \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o plena de todos as suas aspira\u00e7\u00f5es e potencialidades.<\/p>\n<p>A mente humana, a vida e o universo que nos cerca, s\u00e3o complexos demais para serem apreciados somente pelo filtro da raz\u00e3o. O esp\u00edrito humano n\u00e3o tem na raz\u00e3o, na imagina\u00e7\u00e3o e na f\u00e9 tr\u00eas motores distintos que podem ser ligados ou desligados e usados separadamente conforme se queira. Trata-se de um \u00fanico motor que funciona a partir da intera\u00e7\u00e3o precisa e misteriosa desses tr\u00eas componentes. Somos um sistema complexo cujo estudo das partes isoladas n\u00e3o permitem uma compreens\u00e3o adequada do todo. Esse antigo paradigma est\u00e1 praticamente abandonado com a ascens\u00e3o do pensamento sist\u00eamico.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se muda de paradigma de uma hora para outra. Muitas ideias criam ra\u00edzes profundas, sobretudo em terrenos inundados por preconceitos. Um di\u00e1logo entre ci\u00eancia e f\u00e9 vem se mostrando cada vez mais vi\u00e1vel e necess\u00e1rio apesar de muitas barreiras ainda existentes. Cada vez mais se percebe que ci\u00eancia e f\u00e9 n\u00e3o s\u00e3o campos opostos. S\u00e3o campos distintos, n\u00e3o se misturam, mas se completam. Essa nova vis\u00e3o vem sendo cada vez mais bem acolhida inclusive por c\u00e9ticos. Apesar disto, a intoler\u00e2ncia velada ou explicita entre crentes e descrentes ainda existe. Para muitos crentes os descrentes seriam indiv\u00edduos inclinados ao hedonismo, ego\u00edstas e alheios ao amor e compaix\u00e3o. Por outro lado, para muitos descrentes, os crentes seriam indiv\u00edduos ing\u00eanuos de pouca intelig\u00eancia, acovardados diante das vicissitudes da vida real ou hip\u00f3critas disfar\u00e7ados de bons filhos tementes a um Pai inexistente.<\/p>\n<p>Dentre os crentes tamb\u00e9m n\u00e3o faltam preconceitos entre as diversas manifesta\u00e7\u00f5es de f\u00e9 religiosa, cada qual reivindicando para sua seara o caminho da salva\u00e7\u00e3o. Do mesmo modo, a desarmonia e disson\u00e2ncia gra\u00e7a em meio aos descrentes, cuja f\u00e9 na raz\u00e3o oscila entre o ceticismo l\u00facido e autocr\u00edtico ao fundamentalismo negacionista exacerbado. Por tudo isso precisamos compreender que a f\u00e9 natural, aberta ou raciocinada, se coloca acima dessas mazelas irracionais e pode ensejar a harmonia entre f\u00e9, raz\u00e3o, emo\u00e7\u00e3o e imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pode n\u00e3o parecer, mas novas e espl\u00eandidas perspectivas poder\u00e3o se abrir para o futuro de um homem novo, mais humilde, de mente aberta, mais tolerante e menos preconceituoso. O assunto \u00e9 vasto e n\u00e3o se esgota em algumas poucas p\u00e1ginas. Os desafios s\u00e3o enormes, mas as possibilidades s\u00e3o magn\u00edficas.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.geae.net.br\/publicacoes\/publicacoes-espiritas\/artigos-gerais\/entre-a-fe-na-razao-e-a-razao-da-fe\">Grupo de Estudos Avan\u00e7ados Esp\u00edritas<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre a f\u00e9 na raz\u00e3o e a raz\u00e3o da f\u00e9 Cesar Boschetti Qual \u00e9 o sentido da vida? E a morte? O que \u00e9 a morte? Haver\u00e1 algo al\u00e9m da morte? Haver\u00e1 algo al\u00e9m do mundo material que conhecemos? 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