{"id":12934,"date":"2023-04-20T09:39:55","date_gmt":"2023-04-20T12:39:55","guid":{"rendered":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=12934"},"modified":"2023-04-20T09:39:55","modified_gmt":"2023-04-20T12:39:55","slug":"as-tristezas-e-alegrias-do-morrer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/as-tristezas-e-alegrias-do-morrer\/","title":{"rendered":"As tristezas e alegrias do morrer"},"content":{"rendered":"<h2><strong><span style=\"color: #0000ff;\">As tristezas e alegrias do morrer<\/span><\/strong><\/h2>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">Wilson Garcia<\/span><\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/3.bp.blogspot.com\/-6lWuUNJ-JNs\/UDQ0lNmawUI\/AAAAAAAAAZA\/8mn2H0mqZwY\/s1600\/Morte+para+n%C3%B3s.jpg\" alt=\"Ligados na Rede e Conectados com a Verdade: Qual a sua Vis\u00e3o sobre a Morte?\" width=\"379\" height=\"280\" \/><\/p>\n<p>Indigno-me quando companheiro de cren\u00e7as fala da morte como o fato triste. Contento-me quando um indiv\u00edduo de outras perspectivas espiritualistas chora a morte. Compreendo quando um materialista convicto se coloca indiferente \u00e0 morte e consolo-me quando algu\u00e9m comenta a morte como partida.<\/p>\n<p>A morte espreita a vida, mas a vida renova a morte.<\/p>\n<p>Tenho diante de mim tr\u00eas fatos: a contund\u00eancia do inc\u00eandio de Santa Maria, a partida de uma figura conhecida do esporte brasileiro e a despedida de uma dirigente de centro esp\u00edrita pernambucano conhecida em nossos meios.<\/p>\n<p>Tr\u00eas fatos, distintos, tr\u00eas rea\u00e7\u00f5es, distintas.<\/p>\n<p>Confesso que fiquei chocado quando recebi a not\u00edcia da partida da dirigente esp\u00edrita. A mensagem quase desconhecia a vida e dizia, implac\u00e1vel, mais ou menos assim: comunico com muita tristeza que nossa irm\u00e3\u2026 faleceu hoje.<\/p>\n<p>Uma agress\u00e3o \u00e0 vida, que atingiu em cheio a minha, j\u00e1 combalida. Como se pode desconhecer o dia seguinte do esp\u00edrito, o alvorecer do seu acordar, os reencontros, as alegrias das redescobertas, a sensa\u00e7\u00e3o de al\u00edvio do pesado fardo deixado para tr\u00e1s?<\/p>\n<p>Que a tristeza preencha os espa\u00e7os mentais dos carentes de vida compreendo. Na perspectiva do nada ou da d\u00favida, na rela\u00e7\u00e3o inocente, ing\u00eanua com o destino, na incompreens\u00e3o da imortalidade que preserva a individualidade, compreendo.<\/p>\n<p>O inverso disso n\u00e3o, n\u00e3o compreendo.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da dirigente \u00e9 admir\u00e1vel. Dedica\u00e7\u00e3o, servi\u00e7os, diligenciamento constante da solidariedade, supera\u00e7\u00e3o, procura permanente das virtudes, demonstra\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca da postura moral, senso de justi\u00e7a, amor em crescimento. Em suma, vida. Como n\u00e3o comungar com alegria do futuro imediato que lhe reserva imensas satisfa\u00e7\u00f5es. Como imaginar que uma partida assim deixa de ser vida?<\/p>\n<p>A contund\u00eancia do fogo de Santa Maria tem sua realidade pr\u00f3pria. O fogo, a fuma\u00e7a, o descaso p\u00fablico, a irresponsabilidade, a perda instant\u00e2nea das vidas jovens, o desaparecimento dos sonhos, o drama terr\u00edvel dos pais e m\u00e3es, tudo isso gera um horror coletivo e pessoal. Num \u00e1timo, parece que o existir desaparece, e com ele tudo o que o futuro poderia reservar.<\/p>\n<p>Compreendo a tristeza. A vida acaba sem acabar em instantes assim, foge, deixa \u00e0 mostra nossas fragilidades, cria um espa\u00e7o vazio que parece n\u00e3o poder ser preenchido, traduz perdas irrepar\u00e1veis. Estamos todos tristes pelo ceifar da alegria. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ficar indiferente, nem deixar de gritar o grito da vida contra aqueles que fabricam no sil\u00eancio do lucro e da venda da consci\u00eancia a morte sorrateira.<\/p>\n<p>Jamais pediria aqui uma alegria devida acima. Seria substituir a consci\u00eancia por uma cruel racionalidade.<\/p>\n<p>A morte do esportista tem outras conota\u00e7\u00f5es. Ele se foi em idade considerada justific\u00e1vel, e partiu depois de amargar os efeitos de uma doen\u00e7a asfixiante. Mas a vida finda parecia a vida em come\u00e7o.<\/p>\n<p>Amigos lamentaram, amigos informaram, amigos souberam. Um houve que, excepcionalmente, refletiu sobre as rela\u00e7\u00f5es que teve com o esportista, afirmando ter nele um exemplo de amizade familiar, e concluiu que mais valem as boas rela\u00e7\u00f5es, porque a morte prova nada ter valor maior. A tristeza que refletiu n\u00e3o era a tristeza do desespero, mas da compreens\u00e3o, da conforma\u00e7\u00e3o, da perspectiva que se abriu.<\/p>\n<p>A morte pode ser alegria, mas a alegria nunca ser\u00e1 a morte. A vida n\u00e3o pode ser a tristeza e a tristeza jamais ser\u00e1 a vida. A tristeza \u00e9 morte, desaparecimento, fim, destrui\u00e7\u00e3o, fatalismo. A vida \u00e9 fim e recome\u00e7o.<\/p>\n<p>Meu filho partiu sem conhecer a vida; meu irm\u00e3o partiu na entrada da maturidade. A saudade, a separa\u00e7\u00e3o, a ruptura n\u00e3o esperada. Antes, quando ainda imberbe, meu pai se foi. Muito tempo depois, minha envelhecida m\u00e3e. Mas quando meu irm\u00e3o ressurgiu das cinzas, espontaneamente, para traduzir suas experi\u00eancias do p\u00f3s-morte, percebi que a vida permanece com uma for\u00e7a desconhecida dos humanos. E acertei minhas contas com a alegria e a tristeza.<\/p>\n<p>Uma amiga partiu no apogeu dos sonhos, aos 44 anos. Padeceu, negou, desesperou, revoltou. Um sofrimento atroz de minha tristeza a causa. Anos depois, retornou calma, para reafirmar a vit\u00f3ria da vida e agradecer a paci\u00eancia dos amigos.<\/p>\n<p>Eu vi de longe as labaredas que consumiram o circo de Niter\u00f3i, e de perto assisti as mesmas labaredas a consumir o Andraus e o Joelma em S\u00e3o Paulo. O desespero rondou-me e os gritos de revolta estiveram sempre presentes em meu espa\u00e7o.<\/p>\n<p>A vida \u00e9 mais, muito mais do que aparenta e a morte \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o da vida. A morte e a tristeza, quando se irmanam, tornam a vida uma morte. E mortificam quem morre. Eu poderia aumentar o sofrer de minha amiga com minha dor, mas resolvi estancar o meu sofrer ao entender que ela merecia continuar viva.<\/p>\n<p>Eu sou filho do espiritismo de raz\u00e3o kardequiana. E voc\u00ea?<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.expedienteonline.com.br\/as-tristezas-e-alegrias-do-morrer\/\">Blog do WGarcia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As tristezas e alegrias do morrer Wilson Garcia Indigno-me quando companheiro de cren\u00e7as fala da morte como o fato triste. Contento-me quando um indiv\u00edduo de outras perspectivas espiritualistas chora a morte. 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