{"id":13021,"date":"2023-05-18T12:01:24","date_gmt":"2023-05-18T15:01:24","guid":{"rendered":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=13021"},"modified":"2023-05-18T12:01:24","modified_gmt":"2023-05-18T15:01:24","slug":"cultura-espirita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/cultura-espirita\/","title":{"rendered":"Cultura Esp\u00edrita"},"content":{"rendered":"<h2><strong><span style=\"color: #0000ff;\">Cultura Esp\u00edrita<\/span><\/strong><\/h2>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">Jos\u00e9 Herculano Pires<\/span><\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/www.fundacaoherculanopires.org.br\/images\/biografiaherculano.jpg\" alt=\"Biografia\" \/><\/p>\n<p>A Cultura Esp\u00edrita, como observou Humberto Mariotti, fil\u00f3sofo e poeta esp\u00edrita argentino, \u00e9 uma realidade bibliogr\u00e1fica, edificada no plano das pesquisas e dos estudos. Socialmente se reduzia uma parte m\u00ednima do movimento esp\u00edrita mundial, pois a maioria dos esp\u00edritas a desconhece. Compreende-se que isso acontece em consequ\u00eancia das campanhas deformadoras e difamat\u00f3rias das Igrejas e das Institui\u00e7\u00f5es Cient\u00edficas, especialmente as de Medicina, contra o Espiritismo. Mas grande parte da culpa cabe aos pr\u00f3prios esp\u00edritas cultos, que, em sua maioria, se mostraram displicentes, por acomoda\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita ou pregui\u00e7a mental. Por outro lado, a vaidade e o pedantismo intelectual, de muitos esp\u00edritas os afastaram das pesquisas sobre os mais importantes aspectos da doutrina, para se entregarem a elucubra\u00e7\u00f5es pessoais gratuitas, dispersivas e n\u00e3o raro absurdas. O desejo vaidoso de brilhar aos olhos vazios do mundo levou muitos deles a querer adaptar o Espiritismo \u00e0s conquistas cient\u00edficas modernas, ao inv\u00e9s de mostrarem a subordina\u00e7\u00e3o dessas conquistas ao esquema doutrin\u00e1rio. Outros quiseram atrevidamente atualizar a doutrina e outros ainda se aventuraram a corrigir Kardec. Essas atitudes n\u00e3o deram o proveito pessoal que desejavam e serviram apenas para incentivar as mistifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Toda nova cultura nasce da anterior. Das culturas anteriores nasceu a cultura moderna, carregada de contribui\u00e7\u00f5es antigas. Mas o aceleramento da evolu\u00e7\u00e3o cultural a partir da II Guerra Mundial fez eclodir quase de surpresa a Era Tecnol\u00f3gica. O materialismo atingiu o seu \u00e1pice e explodiu para que as entranhas da mat\u00e9ria revelassem o seu segredo. E esse segredo confirmou a validade da Cultura Esp\u00edrita marginalizada no plano bibliogr\u00e1fico. Come\u00e7ou assim o desabrochar de uma Nova Civiliza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a Civiliza\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito. &#8220;A finalidade da Educa\u00e7\u00e3o \u2014 escreveu Hubert \u2014 \u00e9 instalar na Terra, pela solidariedade de consci\u00eancias, a Rep\u00fablica dos Esp\u00edritos&#8221;. Essa foi a proclama\u00e7\u00e3o da Nova Era, feita na Fran\u00e7a de Kardec, na Paris da sua batalha pelo Espiritismo.<\/p>\n<p>Mas para que uma civiliza\u00e7\u00e3o se desenvolva \u00e9 necess\u00e1ria a integra\u00e7\u00e3o dos homens nos seus princ\u00edpios e pressupostos. Uns e outros se encontram nos livros de Kardec, mas se esses livros n\u00e3o forem realmente estudados, investigados na intimidade pro\u00adfunda dos textos e transformados em pensamento vivo na realidade social, a civiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o passar\u00e1 de uma utopia ou de uma deforma\u00e7\u00e3o da realidade sonhada. Por mais fr\u00e1gil e ef\u00eamero que seja o homem na sua exist\u00eancia, \u00e9 ele que d\u00e1 vida ao presente e ao futuro, \u00e9 ele o demiurgo que modela os mundos. Para o homem esp\u00edrita construir a Civiliza\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito \u00e9 necess\u00e1rio que a viva em si mesmo, na sua consci\u00eancia e na sua carne, pois \u00e9 nesta que a rela\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia com o mundo se realiza. E para isso n\u00e3o bastam os livros, \u00e9 necess\u00e1rio o concurso de todos os meios de comunica\u00e7\u00e3o: a palavra, a imprensa, o r\u00e1dio, a televis\u00e3o, e mais ainda, a pr\u00e1tica intensiva e coletiva dos princ\u00edpios doutrin\u00e1rios de maneira correta e fiel. Se o homem esp\u00edrita de hoje n\u00e3o compreender isso e dormir sobre os louros liter\u00e1rios, a Civiliza\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita abortar\u00e1 ou ser\u00e1 transformada numa simples caricatura da f\u00f3rmula proposta, como aconteceu com o Cristianismo. \u00c9 disto que os esp\u00edritas precisam tomar consci\u00eancia com urg\u00eancia. Ou acordam para a gravidade do problema ou ser\u00e3o esmagados pelo avan\u00e7o irrefre\u00e1vel dos acontecimentos no tempo.<\/p>\n<p>A id\u00e9ia comodista de que Deus faz e n\u00f3s desfrutamos ou suportamos n\u00e3o tem lugar no Espiritismo. Pelo contr\u00e1rio, neste se sabe que o fazer de Deus no mundo humano se realiza atrav\u00e9s dos homens capazes de captar a sua vontade e execut\u00e1-la. N\u00e3o h\u00e1 milagres nem a\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas na Natureza, onde a vontade de Deus se cumpre atrav\u00e9s dos Esp\u00edritos, desde o controle das forma\u00e7\u00f5es at\u00f4micas at\u00e9 o crescimento dos vegetais. Dizia Talles de Mileto, o fil\u00f3sofo vidente, que o mundo est\u00e1 cheio de deuses que trabalham em toda a Natureza, e deuses, para os gregos, eram esp\u00edritos. Kardec repetiu em outros termos e de maneira mais expl\u00edcita e minuciosa essa mesma verdade. No mundo humano os Esp\u00edritos se encarnam, fazem-se homens para model\u00e1-lo. Cada esp\u00edrito encarnado tr\u00e1s consigo sua tarefa e a sua responsabilidade individual e intransfer\u00edvel. O que n\u00e3o cumpre o seu dever, fracassa. N\u00e3o h\u00e1 outra alternativa. O fracasso da maioria dos crist\u00e3os resultou na fal\u00eancia quase total do Cristianismo. O que se salvou foi o pouco que alguns fizeram. E a partir desse pouco, dois mil anos depois da prega\u00e7\u00e3o do Cristo e do seu exemplo de abnega\u00e7\u00e3o total, foi que Kardec partiu para a arrancada esp\u00edrita. O exemplo da Fran\u00e7a \u00e9 uma advert\u00eancia aos brasileiros. A hipnose materialista absorveu os franceses no imediato e o Espiritismo quase se apagou de todo nos campos arroteados por Kardec, Denis, Flammarion, Delanne e tantos outros. A intensa e comovente batalha de L\u00e9on Denis, na Fran\u00e7a e em toda a Europa, nos congressos esp\u00edritas e espiritualistas de fins do s\u00e9culo XIX e primeiro quarto do nosso s\u00e9culo foi contra as infiltra\u00e7\u00f5es de doutrinas estranhas, de espiritualismos rebarbativos, no meio esp\u00edrita. Foi gigantesco o esfor\u00e7o do famoso Druida da Lorena, como Conan Doyle o chamava, para mostrar que o Espiritismo era uma nova concep\u00e7\u00e3o do homem e da vida, que n\u00e3o se podia confundir com as escolas espiritualistas ancestrais, carregadas de supersti\u00e7\u00f5es e princ\u00edpios individualmente afirmados ou provindos de tradi\u00e7\u00f5es long\u00ednquas, sem nenhuma base de crit\u00e9rio cient\u00edfico. O mesmo acontece hoje entre n\u00f3s, sob a complac\u00eancia de institui\u00e7\u00f5es representativas da doutrina e o apoio fan\u00e1tico de l\u00edderes carism\u00e1ticos, piegos espirituais e alucinados mentais a dirigir multid\u00f5es de cegos.<\/p>\n<p>Todas as tentativas de corre\u00e7\u00e3o dessa situa\u00e7\u00e3o perigosa se chocam com a frieza irrespons\u00e1vel dos que se dizem respons\u00e1veis pelo desenvolvimento doutrin\u00e1rio. E a passividade da mas\u00adsa esp\u00edrita, anestesiada pelo sonho da salva\u00e7\u00e3o pessoal, do valor m\u00e1gico da toler\u00e2ncia bastarda, da cren\u00e7a ing\u00eanua do valor sobrenatural das esmolas p\u00edfias (o \u00f3bolo da vi\u00fava dado por casais de contas comuns nos bancos), vai minando em sil\u00eancio o legado de Kardec. O medo do pecado que sa\u00ed da boca, da pena ou das teclas \u2014 enquanto se come e bebe \u00e0 farta, semeiam-se migalhas aos pobres e dorme-se na bem-aventuran\u00e7a das longas digest\u00f5es \u2014 faz desaparecer do meio esp\u00edrita o di\u00e1logo do passado recente, substituindo o coro dos debates pelo sil\u00eancio m\u00edstico das bocas-de-siri. Ningu\u00e9m fala para n\u00e3o pecar e peca por n\u00e3o falar, por n\u00e3o espantar pelo menos com um grito as aves daninhas e agoureiras que destroem a seara.<\/p>\n<p>A imprensa esp\u00edrita, que devia ser uma labareda, \u00e9 um foco de infesta\u00e7\u00e3o, semeando as mistifica\u00e7\u00f5es de Roustaing, Ramatis e outras, ou chovendo no molhado com a repeti\u00e7\u00e3o cansativa de velhos e surrados slogans, enquanto as terras secas se esterilizam abandonadas. O \u00f3bolo da vi\u00fava n\u00e3o cai nos cofres do Templo, mas nos desv\u00e3os do ch\u00e3o rachado pela secura maior dos cora\u00e7\u00f5es, como lembrou Const\u00e2ncio Vigil.<\/p>\n<p>\u00c0 margem dessa imprensa paroquial, feita para alimentar a fam\u00edlia, os jornais que surgem em condi\u00e7\u00f5es de mostrar ao grande p\u00fablico a grandeza e o esplendor da Doutrina morrem de inani\u00e7\u00e3o, enquanto jornais mistificadores, preparados com os condimentos da imprensa sensacionalista e louvaminheira, ou temperados com bocas-de-siri (quanto mais fechadas, mais gostosas) s\u00e3o mantidos pela renda de institui\u00e7\u00f5es comerciais ou por interesses marginais.<\/p>\n<p>As escolas esp\u00edritas marcam passo na estrada comum. Os programas de r\u00e1dio s\u00e3o sufocados por adulteradores e substitu\u00ed\u00addos por improvisa\u00e7\u00f5es acomodat\u00edcias. A televis\u00e3o s\u00f3 se abre para sensacionalismos deturpadores. Os recursos financeiros se s\u00e3o empregados na caderneta de poupan\u00e7a da caridade vis\u00edvel, que no invis\u00edvel rende juros e corre\u00e7\u00f5es monet\u00e1rias. As iniciativas editoriais corajosas &#8211; como o lan\u00e7amento de toda a cole\u00e7\u00e3o da Revista Esp\u00edrita (*) &#8211; morrem asfixiadas pelo encalhe, ante o desinteresse de um p\u00fablico ap\u00e1tico. Os hospitais Esp\u00edritas trans\u00adformam-se em organiza\u00e7\u00f5es comuns, mantidos pelas verbas oficiais de socorro a doentes que podem carre\u00e1-las aos seus cofres, a antiga e leg\u00edtima caridade esp\u00edrita de anos atr\u00e1s, sustentada por alguns abnegados que j\u00e1 passaram para o Al\u00e9m, murcha como flor de guanxuma em pastos ressequidos. Restam apenas, nessa paisagem desoladora, alguns pequenos o\u00e1sis sustentados pelos \u00faltimos e pobres abencerragens (**) de uma velha estirpe desaparecida.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio que se diga tudo isso, que se escreva e semeie essa verdade dolorosa, para que toque os cora\u00e7\u00f5es, na esperan\u00e7a de uma rea\u00e7\u00e3o que talvez n\u00e3o se verifique, mas que pelo menos se tenta despertar. Na hora decisiva da colheita, as geadas da indiferen\u00e7a e as parasitas do comodismo amea\u00e7am as m\u00ednimas esperan\u00e7as de antigos e cansados lavradores. Apesar disso, os que ainda resistem n\u00e3o podem abandonar os seus postos. \u00c9 necess\u00e1rio lutar, pois o pouco que se possa salvar poder\u00e1 ser a garantia de melhores dias. O homem, as gera\u00e7\u00f5es humanas morrem no tempo, mas o esp\u00edrito, n\u00e3o. O tempo \u00e9 o campo de batalha em que os vencidos tombam para ressuscitar. Quem poderia deter a evolu\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito no tempo? A consci\u00eancia humana amadure\u00adce na temporalidade. A esperan\u00e7a esp\u00edrita n\u00e3o repousa na fragilidade humana, mas nas potencialidades do esp\u00edrito, que se atualizam no fogo das experi\u00eancias existenciais. Curta \u00e9 a vida, longo \u00e9 o tempo, e a Verdade intemporal aguarda a todos no impass\u00edvel Limiar do Eterno. O homem \u00e9 incoer\u00eancia e paix\u00e3o, labareda esquiva que se apaga nas cinzas, mas o esp\u00edrito \u00e9 a centelha oculta que nunca se apaga e reacender\u00e1 a chama quantas vezes for necess\u00e1rio, para que a serenidade, a coer\u00eancia e o amor o resgatem na dura\u00e7\u00e3o dos s\u00e9culos e dos mil\u00eanios.<\/p>\n<p>Todas as Civiliza\u00e7\u00f5es da Terra se desenvolveram, numa assombrosa sucess\u00e3o de sombra e luz, para que um dia \u2014 o Dia do Senhor, de que falavam os antigos hebreus \u2014 a Civiliza\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito se instale no planeta martirizado pelas tropelias da insensatez humana. Ent\u00e3o teremos o Novo C\u00e9u e a Nova Terra da profecia milenar. Os que n\u00e3o se tornarem dignos da promessa continuar\u00e3o a esperar e a amadurecer nas estufas dos mundos inferiores, purgando os res\u00edduos da animalidade. Essa \u00e9 a lei inviol\u00e1vel da Antropologia Esp\u00edrita.<\/p>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">Jos\u00e9 Herculano Pires<\/span><\/em><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/espiritualidades.com.br\/Artigos\/HERCULANO_PIRES_Jose_textos\/HERCULANO_PIRES_Jose_tit_Cultura_espirita.htm\">Espiritualidade e Sociedade<\/a><\/p>\n<p>(*) Atualmente a cole\u00e7\u00e3o da Revista Esp\u00edrita apresenta grande circula\u00e7\u00e3o face ao criterioso valor elucidativo e doutrin\u00e1rio. Conhe\u00e7a esta cole\u00e7\u00e3o &#8211; endere\u00e7o eletr\u00f4nico:<\/p>\n<p>https:\/\/www.ipeak.net\/site\/conteudo.php?id=164&#038;idioma=1<\/p>\n<p>(**) Indiv\u00edduos que se mostram de extrema dedica\u00e7\u00e3o a uma causa; s\u00e3o os derradeiros paladinos de uma id\u00e9ia.<\/p>\n<p>Fonte: in O Esp\u00edrito e o Tempo. 4.\u00aa Parte. A Pr\u00e1tica Medi\u00fanica, Cap. III, 7.\u00aa ed. Sobradinho: Edicel, 1995<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cultura Esp\u00edrita Jos\u00e9 Herculano Pires A Cultura Esp\u00edrita, como observou Humberto Mariotti, fil\u00f3sofo e poeta esp\u00edrita argentino, \u00e9 uma realidade bibliogr\u00e1fica, edificada no plano das pesquisas e dos estudos. 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