{"id":13117,"date":"2023-06-17T08:56:32","date_gmt":"2023-06-17T11:56:32","guid":{"rendered":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=13117"},"modified":"2023-06-17T08:56:32","modified_gmt":"2023-06-17T11:56:32","slug":"o-que-e-intelectualizar-a-materia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-que-e-intelectualizar-a-materia\/","title":{"rendered":"O QUE \u00c9 INTELECTUALIZAR A MAT\u00c9RIA?"},"content":{"rendered":"<h2><strong><span style=\"color: #000080;\">O QUE \u00c9 INTELECTUALIZAR A MAT\u00c9RIA?<\/span><\/strong><\/h2>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">J\u00e1der dos Reis Sampaio<\/span><\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/www.espiritismo.net\/sites\/default\/files\/artigos\/shutterstock_1893479695-810x540.jpg\" width=\"502\" height=\"335\" \/><\/p>\n<p>Na pergunta 25 de O Livro dos Esp\u00edritos, Allan Kardec est\u00e1 discutindo os princ\u00edpios, e divide didaticamente o universo em duas subst\u00e2ncias (ousias) originais, ess\u00eancias ou princ\u00edpios (alguma coisa primordial ou primitiva da qual se originam mudan\u00e7as): esp\u00edrito (princ\u00edpio inteligente) e mat\u00e9ria (princ\u00edpio material, que compreende as transforma\u00e7\u00f5es de um fluido c\u00f3smico ou universal). Trata-se de posi\u00e7\u00e3o muito similar \u00e0 de Ren\u00e9 Descartes (1596-1650) adicionada a lei do progresso.<\/p>\n<p>Kardec trabalhava com um conceito de mat\u00e9ria sem um \u00e1tomo formado de pr\u00f3tons (isso surgiu em 1866 e foi apresentado \u00e0 comunidade acad\u00eamica por Rutherford em 1911), el\u00e9trons (surgiu com as pesquisas de Thompson em 1897, que mostrou que os raios cat\u00f3dicos eram formados de part\u00edculas com cargas negativas) e n\u00eautrons (descobertos em 1932 por James Chadwick). J\u00e1 existia o conceito de mol\u00e9culas, que era entendido como associa\u00e7\u00e3o de \u00e1tomos (vistos como corp\u00fasculos indivis\u00edveis de v\u00e1rias formas, que se \u201cencaixavam\u201d uns nos outros). O \u00e1tomo era conhecido como mol\u00e9cula elementar, ao lado das mol\u00e9culas compostas, formadas de associa\u00e7\u00f5es de diversas mol\u00e9culas elementares. Mol\u00e9culas elementares e compostas formavam a mat\u00e9ria. E a\u00ed parece termos chegado ao conceito de mat\u00e9ria empregado por Allan Kardec em seus escritos.<\/p>\n<p>Como entender a intelectualiza\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria? Talvez tenhamos uma chave explicativa em uma pergunta geralmente mal interpretada: a quest\u00e3o 28, onde Kardec menciona \u201cmat\u00e9ria inerte\u201d e \u201cmat\u00e9ria inteligente\u201d. Os esp\u00edritos n\u00e3o se prendem \u00e0 nomenclatura proposta, mas o que Kardec parece querer distinguir \u00e9, em primeiro lugar, a mat\u00e9ria que n\u00e3o tem sinal de intelig\u00eancia, como uma pedra de s\u00edlex ou um arbusto, sendo que esse \u00faltimo reage f\u00edsica e quimicamente \u00e0 luz, \u00e0 \u00e1gua, e a elementos que se encontram na terra, \u00e0 energia nuclear e \u00e0 gravidade, por exemplo. Contudo, n\u00e3o h\u00e1 qualquer sinal de intelig\u00eancia, nem de instinto.<\/p>\n<p>Em segundo lugar h\u00e1 seres do reino animal, que apresentam instintos (os quais Allan Kardec explicou com uma frase interessante: \u201cintelig\u00eancia sem racioc\u00ednio\u201d, quest\u00e3o 73) e a intelig\u00eancia, que Kardec associa, em seu primeiro livro esp\u00edrita ao \u201cpensamento, a vontade de atuar, a consci\u00eancia de que existem e de que constituem uma individualidade cada um, assim como os meios de estabelecerem rela\u00e7\u00f5es com o mundo exterior e de proverem \u00e0s suas necessidades\u201d. (quest\u00e3o 71).<\/p>\n<p>Para explicar seres, como as plantas mesmo, que t\u00eam vida, mas n\u00e3o t\u00eam instinto nem intelig\u00eancia, os esp\u00edritos com os quais dialoga Kardec se servem de um conceito muito usado \u00e0 \u00e9poca e meio abandonado nos dias de hoje pelas ci\u00eancias naturais: o princ\u00edpio vital.<\/p>\n<p>A biologia de nossos dias n\u00e3o fala mais de um vitalismo (h\u00e1 pequenas exce\u00e7\u00f5es), porque desenvolveu-se o conhecimento no sentido de explicar a vida a partir da estrutura e funcionamento dos corpos e em associa\u00e7\u00e3o com a f\u00edsica e a qu\u00edmica, exclusivamente, tornando as argumenta\u00e7\u00f5es metaf\u00edsicas ou filos\u00f3ficas, n\u00e3o baseadas em evid\u00eancias, mas em princ\u00edpios ideais, como n\u00e3o sendo conhecimento cient\u00edfico, de forma geral. Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o exista algum princ\u00edpio vital, apenas que a ci\u00eancia decidiu mudar o rumo de sua nau e abandonou esse objetivo por consider\u00e1-lo metaf\u00edsico.<\/p>\n<p>Assim, as \u201cpedras\u201d s\u00e3o mat\u00e9ria com uma for\u00e7a inerte (quest\u00e3o 585) sem princ\u00edpio vital, nem instinto, nem intelig\u00eancia; as plantas t\u00eam mat\u00e9ria e princ\u00edpio vital, algumas parecem mostrar algum instinto rudimentar, como a dion\u00e9ia (quest\u00e3o 589), os animais t\u00eam a tal \u201cfor\u00e7a inerte\u201d, o princ\u00edpio vital, os instintos mais ou menos desenvolvidos e alguns t\u00eam uma intelig\u00eancia rudimentar. Kardec explicita algumas caracter\u00edsticas dos animais, como capazes de se comunicar, muitas vezes sem serem capazes de emitir sons (isso parece mais desenvolvido nos animais de reinos superiores na taxonomia de Lineu, do s\u00e9culo 18), terem um livre arb\u00edtrio limitado \u00e0s suas necessidades e instinto de imita\u00e7\u00e3o (como em papagaios, que imitam os sons, e macacos que imitam os gestos \u2013 quest\u00e3o 596).<\/p>\n<p>Na quest\u00e3o 597 temos uma afirma\u00e7\u00e3o que se tornou pol\u00eamica, entre os esp\u00edritas que insistem em estudar frases soltas: Kardec diz que os animais t\u00eam um princ\u00edpio independente da mat\u00e9ria que sobrevive ao corpo. Seria uma esp\u00e9cie de precursor do Esp\u00edrito (quest\u00e3o 76), uma alma muito inferior \u00e0 humana (quest\u00e3o 597-a), que conserva sua individualidade ap\u00f3s a morte, mas n\u00e3o tem consci\u00eancia de si mesmo (quest\u00e3o 598), que n\u00e3o pode fazer escolhas psicol\u00f3gicas, por n\u00e3o ter livre arb\u00edtrio propriamente dito (quest\u00e3o 599), que tem um intervalo curto entre a desencarna\u00e7\u00e3o e reencarna\u00e7\u00e3o, controlado por esp\u00edritos respons\u00e1veis por isso (quest\u00e3o 600), sujeita ao progresso pela for\u00e7a das coisas e n\u00e3o por sua pr\u00f3pria vontade (quest\u00e3o 602).<\/p>\n<p>A \u00faltima distin\u00e7\u00e3o que Allan Kardec faz entre os animais e os homens diz respeito \u00e0 intelig\u00eancia. A intelig\u00eancia que os animais (superiores) possam vir a desenvolver diz respeito exclusivo \u00e0 \u201cvida material\u201d e a dos seres humanos abrange tamb\u00e9m a \u201cvida moral\u201d, entendida aqui como vida psicol\u00f3gica ou ps\u00edquica, que envolve escolhas morais e diversas escolhas que os animais n\u00e3o fazem.<\/p>\n<p>Observando detidamente o todo da argumenta\u00e7\u00e3o kardequiana, a mat\u00e9ria intelectualizada s\u00e3o os animais que apresentam intelig\u00eancia rudimentar (lato sensu) e os seres humanos que se servem da intelig\u00eancia (stricto sensu) e do livre-arb\u00edtrio para atender suas necessidades e escolher uma vida moral (no sentido mais amplo, de vida psicol\u00f3gica). Os esp\u00edritos deles t\u00eam acesso a corpos capazes de permitir a individualidade, o movimento e outras caracter\u00edsticas necess\u00e1rias \u00e0 a\u00e7\u00e3o de intelig\u00eancias no meio ambiente.<\/p>\n<p>Os seres materiais que n\u00e3o s\u00e3o inertes, que apresentam vida, mas n\u00e3o t\u00eam uma vida psicol\u00f3gica, seriam mat\u00e9ria n\u00e3o-intelectualizada, e dentre esses, os que vivem e morrem, n\u00e3o teriam ainda um esp\u00edrito individual, mas seriam portadores do princ\u00edpio vital.<\/p>\n<p>Hoje a biologia fala em cinco ou mais reinos, na medida em que com o avan\u00e7o dos conhecimentos, se tem mais informa\u00e7\u00f5es sobre os seres para classific\u00e1-los, mas isso n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio \u00e0 compreens\u00e3o do pensamento de Allan Kardec no ponto em quest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #008000;\">J\u00e1der dos Reis Sampaio<\/span><\/em><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.espiritismo.net\/content\/o-que-%C3%A9-intelectualizar-mat%C3%A9ria\">espiritismo.net<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O QUE \u00c9 INTELECTUALIZAR A MAT\u00c9RIA? 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