{"id":1490,"date":"2013-08-20T20:52:15","date_gmt":"2013-08-20T23:52:15","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=1490"},"modified":"2013-08-20T20:52:15","modified_gmt":"2013-08-20T23:52:15","slug":"intuicao-sabedoria-interior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/intuicao-sabedoria-interior\/","title":{"rendered":"Intui\u00e7\u00e3o: sabedoria interior"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><i>F\u00e1tima Farias<\/i><\/p>\n<p>Sou uma pessoa bastante intuitiva. Ali\u00e1s, acho intui\u00e7\u00e3o um tema muito atraente, at\u00e9 que certo dia, chegou em meu e-mail um texto da Mat\u00e9ria Primma, Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o, muito interessante sobre o assunto, anal\u00edtico e bem elaborado por Priscila de Faria Gaspar, que \u00e9 mestre em Ci\u00eancias da USP e Psicanalista e Terapeuta de Regress\u00e3o. Decidi pedir autoriza\u00e7\u00e3o para transcrev\u00ea-lo e com a devida permiss\u00e3o, ei-lo:<\/p>\n<p>&#8220;A palavra intui\u00e7\u00e3o vem do latim intuire, que significa ver por dentro. \u00c9, dessa forma, uma sabedoria interior, uma intelig\u00eancia que permite resolu\u00e7\u00f5es ou elabora\u00e7\u00f5es por meio da vis\u00e3o interior, embora o conceito de intui\u00e7\u00e3o varie um pouco conforme a linha de pensamento. Para Jung, a intui\u00e7\u00e3o \u00e9 uma capacidade interior de perceber possibilidades, enquanto que o fil\u00f3sofo Emerson a considera uma sabedoria interior que se expressa por si pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Kant v\u00ea a intui\u00e7\u00e3o como o conhecimento que se relaciona imediatamente com os objetos, que mostra realidades singulares e que n\u00e3o dependem da abstra\u00e7\u00e3o, ou seja, aquilo que se sabe, sem precisar deduzir para concluir. Kaplan diz que a intui\u00e7\u00e3o \u00e9, provavelmente, uma condensa\u00e7\u00e3o de uma ou mais linhas de pensamento racional, num \u00fanico momento, em que a mente re\u00fane rapidamente uma gama de conhecimentos e passa para a conclus\u00e3o, que \u00e9 a parte do processo que ele recorda. Muitas vezes, a intui\u00e7\u00e3o condensa anos de experi\u00eancia e de aprendizado num clar\u00e3o instant\u00e2neo.<\/p>\n<p>Quando nos remetemos ao conceito de Kaplan, a intui\u00e7\u00e3o passa a ser algo que nos \u00e9 revelado num certo momento, por insight. Isso implica em um processo, que inclui racioc\u00ednios anteriormente elaborados e com seq\u00fc\u00eancia l\u00f3gica. Como esse processo se passa de forma inconsciente, temos a impress\u00e3o de que \u00e9 atemporal, quando na verdade se trata apenas da conclus\u00e3o s\u00fabita de algo que j\u00e1 estava sendo elaborado. Pelos conceitos expostos acima, vemos que a intui\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e uma condensa\u00e7\u00e3o de conhecimentos e racioc\u00ednios l\u00f3gicos, que s\u00e3o revelados subitamente. No entanto, mesmo tendo fundamento l\u00f3gico, isso n\u00e3o quer dizer que a intui\u00e7\u00e3o esteja sempre certa. \u00c9, como nos coloca Jung, uma forma de se prever possibilidades. Por maior que seja a possibilidade de algo ocorrer, ainda assim, existe a possibilidade de n\u00e3o ocorrer. Muitas pessoas se arrependem, por vezes de n\u00e3o terem seguido sua intui\u00e7\u00e3o, em determinados momento da vida. Por\u00e9m, o arrependimento \u00e9 fruto de um resultado insatisfat\u00f3rio. Ser\u00e1 que, se o resultado fosse satisfat\u00f3rio elas se lembrariam que n\u00e3o seguiram a intui\u00e7\u00e3o, admitindo para si mesmas que a intui\u00e7\u00e3o estava errada?<\/p>\n<p>Conclu\u00edmos que, por condensar uma s\u00e9rie de conhecimentos, a intui\u00e7\u00e3o tem grande probabilidade de estar certa, mas isso n\u00e3o significa que estar\u00e1 sempre certa! Outra quest\u00e3o \u00e9 quanto ao fato de confundirmos medos, pressentimentos e at\u00e9 mesmo supersti\u00e7\u00f5es com intui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio considerar as diferen\u00e7as entre intui\u00e7\u00e3o, insight, pressentimento e press\u00e1gio. Enquanto que, para Jung, a intui\u00e7\u00e3o \u00e9 uma capacidade de prever possibilidades, insight \u00e9 a forma pela qual a intui\u00e7\u00e3o \u00e9 revelada, ou seja, a s\u00fabita tomada de consci\u00eancia do conhecimento intuitivo. O pressentimento seria uma impress\u00e3o ou sentimento de que um fato ir\u00e1 ocorrer. J\u00e1 o press\u00e1gio \u00e9 um fato a partir do qual se sup\u00f5e que ocorrer\u00e1 um evento n\u00e3o relacionado a ele, ou seja, o que se costuma chamar de sinal.<\/p>\n<p>Como exemplo, suponhamos que voc\u00ea est\u00e1 no aeroporto, prestes a embarcar, quando subitamente \u00e9 tomado por um pensamento ou id\u00e9ia de que ocorrer\u00e1 um acidente com o avi\u00e3o. Que elementos o levaram a ter esse pensamento? Voc\u00ea pode, por exemplo, avaliar consciente ou inconscientemente que o tempo est\u00e1 ruim, perceber que h\u00e1 certa confus\u00e3o no aeroporto, desorganiza\u00e7\u00e3o e apreens\u00e3o por parte das pessoas que l\u00e1 trabalham, de forma a intuir que existe maior possibilidade de que ocorra um acidente. No entanto, \u00e9 apenas um conhecimento interno sobre possibilidades, n\u00e3o significa que um acidente ir\u00e1 ocorrer. Isso, aliado ao seu medo, pode ser interpretado como um pressentimento. Se ocorrer algo diferente, por exemplo, um atraso ou derrubar caf\u00e9 na roupa e isso for interpretado como um sinal de que voc\u00ea n\u00e3o deva viajar, ent\u00e3o trata-se de press\u00e1gio. Um press\u00e1gio, ao contr\u00e1rio da intui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem nenhum fundamento l\u00f3gico e se baseia mais em medos e supersti\u00e7\u00f5es do que em conhecimentos anteriores ou observa\u00e7\u00e3o de fatos.<\/p>\n<p>Concluindo o tema Intui\u00e7\u00e3o, eis o prosseguimento da an\u00e1lise de Priscila: \u201cSaindo do campo meramente racional, podemos tamb\u00e9m incluir outras possibilidades de se adquirir conhecimento: a partir do inconsciente coletivo; de trazer conhecimento de vidas passadas e tamb\u00e9m a quest\u00e3o da transmiss\u00e3o medi\u00fanica, ou seja, a partir de entidades espirituais. Infelizmente, n\u00e3o temos como saber se essas intui\u00e7\u00f5es prov\u00eam realmente desses meios ou se consistem em cria\u00e7\u00f5es mentais do pr\u00f3prio sujeito, ou seja, de seu inconsciente. No entanto, \u00e9 importante enfatizar que in\u00fameras pessoas \u00edntegras, equilibradas, honestas e sensatas t\u00eam habitualmente esse tipo de intui\u00e7\u00e3o e que, em muitos casos, sabem diferenci\u00e1-las daquelas provenientes de seu interior.<\/p>\n<p>Com freq\u00fc\u00eancia as pessoas indagam sobre uma &#8220;comprova\u00e7\u00e3o&#8221; cient\u00edfica de certos fen\u00f4menos e, dessa forma, questiona-se muito se h\u00e1 ou n\u00e3o &#8220;provas&#8221; para a exist\u00eancia da intui\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante ressaltar que a Ci\u00eancia Positivista s\u00f3 permite avaliar os dados observados objetivamente. Dessa forma, a intui\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser estudada pelo m\u00e9todo cient\u00edfico convencional, por ser um processo eminentemente interno. Cabe, portanto \u00e0 Filosofia. No entanto, o fato de n\u00e3o poder ser estudada pela Ci\u00eancia n\u00e3o significa que n\u00e3o seja aceita pelos cientistas. Ao contr\u00e1rio, s\u00e3o muitas as hist\u00f3rias a respeito de teorias cient\u00edficas que se iniciaram a partir de uma intui\u00e7\u00e3o, para ser testadas pelo m\u00e9todo cient\u00edfico, num segundo momento. Encontramos v\u00e1rios exemplos em livros que tratam de Hist\u00f3ria da Ci\u00eancia e tamb\u00e9m em algumas publica\u00e7\u00f5es de Filosofia.<\/p>\n<p>\u00c9 importante lembrar que mesmo os cientistas mais cartesianos usam a intui\u00e7\u00e3o e um enorme potencial criativo. A parte de observa\u00e7\u00e3o objetiva e racional da pesquisa ocorre ap\u00f3s a elabora\u00e7\u00e3o de um problema ou teoria, geralmente iniciado por intui\u00e7\u00e3o. De um modo geral, as pessoas criativas s\u00e3o mais intuitivas e t\u00eam facilidade de entrar em contato com as emo\u00e7\u00f5es e com a imagina\u00e7\u00e3o. Processam rapidamente as informa\u00e7\u00f5es, relacionando automaticamente as experi\u00eancias passadas \u00e0s informa\u00e7\u00f5es importantes e ao momento presente.<\/p>\n<p>Muitas vezes a educa\u00e7\u00e3o formal bloqueia a manifesta\u00e7\u00e3o do lado intuitivo\/subjetivo do sujeito porque na escola convencional, na qual uma autoridade transmite o saber, valoriza-se muito mais a parte racional\/objetiva. A princ\u00edpio poder\u00edamos pensar que essas duas partes s\u00e3o opostas e que ter\u00edamos de optar por uma delas. No entanto, observamos que ambas as partes s\u00e3o necess\u00e1rias e se complementam. O que devemos evitar \u00e9 o bloqueio dessa parte intuitiva e criativa, que \u00e9 interna e subjetiva.<\/p>\n<p>Para desenvolver a intui\u00e7\u00e3o, algumas medidas s\u00e3o necess\u00e1rias. Como dissemos no in\u00edcio, a intui\u00e7\u00e3o \u00e9 um condensa\u00e7\u00e3o de conhecimentos anteriores, assim \u00e9 fundamental aumentar a quantidade de conhecimento por meio de leituras diversas e das mais variadas formas de aprendizagem. Assuntos e experi\u00eancias diferentes possibilitam aumentar as poss\u00edveis linhas de racioc\u00ednio que culminam na intui\u00e7\u00e3o. Entenda-se por experi\u00eancia tudo o que \u00e9 vivido e observado, tanto dentro como fora de si mesmo.<\/p>\n<p>Outro ponto importante \u00e9 aprender a diferenciar o que \u00e9 uma experi\u00eancia objetiva de uma subjetiva. Uma experi\u00eancia objetiva \u00e9 aquela que pode ser compartilhada por outras pessoas, como por exemplo, observar um objeto e descrev\u00ea-lo (forma, cor, tamanho etc.). A experi\u00eancia subjetiva depende de valores, cren\u00e7as e afetos do observador, por exemplo, se o objeto observado \u00e9 feio ou bonito, se provoca sentimentos agrad\u00e1veis ou desagrad\u00e1veis, se faz lembrar de outro objeto ou de um fato etc. Para isso, entrar em contato com seu mundo subjetivo \u00e9 essencial. A psican\u00e1lise \u00e9 uma das t\u00e9cnicas que permite esse tipo de auto-conhecimento, estimula o imagin\u00e1rio, bem como as associa\u00e7\u00f5es e a percep\u00e7\u00e3o interna.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m estimulamos a intui\u00e7\u00e3o e a criatividade por meio da observa\u00e7\u00e3o e da express\u00e3o art\u00edstica. Ouvir m\u00fasica, prestando aten\u00e7\u00e3o \u00e0s emo\u00e7\u00f5es que ela nos provoca, assim como ir \u00e0 museus e exposi\u00e7\u00f5es s\u00e3o excelentes formas para iniciarmos o desbloqueio da intui\u00e7\u00e3o. Num segundo momento pode-se partir para a express\u00e3o art\u00edstica, cantando, tocando instrumentos, pintando etc. Assim, acreditamos que exerc\u00edcios e um certo treino podem facilitar os insights, ou seja, que o conhecimento intuitivo aflore, aumentando tamb\u00e9m nosso potencial criativo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>F\u00e1tima Farias Sou uma pessoa bastante intuitiva. 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