{"id":1504,"date":"2013-08-24T22:12:42","date_gmt":"2013-08-25T01:12:42","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=1504"},"modified":"2013-08-24T22:12:42","modified_gmt":"2013-08-25T01:12:42","slug":"amor-e-sexualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/amor-e-sexualidade\/","title":{"rendered":"Amor e Sexualidade"},"content":{"rendered":"<p><i>Jos\u00e9 Herculano Pires<\/i><\/p>\n<p>Tanto no fetichismo, quanto nos desvios sexuais de homens e mulheres, torna-se evidente a variedade de objectos nas manifesta\u00e7\u00f5es do Amor. Essa \u00e9 uma das provas da universalidade do Amor que podemos considerar como uma forma de energia c\u00f3smica ainda n\u00e3o pesquisada e conhecida pelas Ci\u00eancias. A tese de Jo\u00e3o Evangelista: &#8220;Deus \u00e9 Amor&#8221;, faz-nos lembrar esta express\u00e3o do Ap\u00f3stolo Paulo: &#8220;Em Deus vivemos e nele nos movemos.&#8221; Preocupados com o amor humano, psic\u00f3logos e fil\u00f3sofos at\u00e9 hoje se interessaram quase exclusivamente com essa forma l\u00edrica e dram\u00e1tica do amor entre duas criaturas. Mas tanto na Filosofia Grega, quanto nas chamadas Filosofias Orientais, houve sempre grande preocupa\u00e7\u00e3o do Amor como um elemento da Natureza que impregna todas as coisas e Todos os seres.<\/p>\n<p>No Ocidente, o dom\u00ednio das Teologias, que se apossaram da inspira\u00e7\u00e3o grega para tratar do Amor em sentindo divino, parece haver impedido os grandes pensadores de se aprofundarem no assunto. As Teologias, seguindo o exemplo de Tertuliano, se apossaram do Amor por direito de usucapi\u00e3o. Era sempre arriscado mexer nessa quest\u00e3o.<\/p>\n<p>O Renascimento, por sua pr\u00f3pria tend\u00eancia, considerou o Amor em termos de poesia e f\u00e1bula, encantando-se com os amores mitol\u00f3gicos dos deuses gregos e romanos. Os amores dos deuses eram semelhantes aos dos homens, e mulheres e vice-versa. Dessa maneira, o amor humano prevaleceu como \u00fanica forma acess\u00edvel \u00e0 compreens\u00e3o humana e poss\u00edvel de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ou filos\u00f3fica.<\/p>\n<p>A Psican\u00e1lise, nos primeiros desenvolvimentos da teoria freudiana, colocou o problema do Amor no plano patol\u00f3gico. E nesse plano ele permanece at\u00e9 hoje para a maioria das pessoas, n\u00e3o obstante o progresso do pr\u00f3prio Freud no tocante \u00e0 sublima\u00e7\u00e3o e ao superego, bem como os avan\u00e7os te\u00f3ricos de alguns de seus disc\u00edpulos, particularmente Jung. N\u00e3o se pode acusar ningu\u00e9m por isso. Freud teve de entrar no estudo e na pesquisa do Amor pelo subsolo da patologia. Por outro lado, o aspecto patol\u00f3gico \u00e9 o mais dram\u00e1tico do Amor e o que mais toca o interesse humano. O Amor foi assim dividido em duas \u00e1reas: a da patologia e a do lirismo, confundindo-se, geralmente, essas \u00e1reas em vastas extens\u00f5es. Os homens, rec\u00e9m libertos da concep\u00e7\u00e3o geoc\u00eantrica do planeta, ca\u00edram felizes no filocentrismo do Amor. Todas essas quest\u00f5es, e outras que delas se derivam, s\u00e3o temas para desenvolvimento futuro. Neste livro apenas as indicamos, para demonstrar, mesmo atrav\u00e9s de ligeiros reflexos, quanto se tem a pesquisar sobre o Amor. A sexualidade \u00e9 uma forma de manifesta\u00e7\u00e3o do Amor. Dessa maneira, o sexo quase conseguiu, nos dom\u00ednios populares, apossar-se da palavra Amor e reduzir a manifesta\u00e7\u00e3o desse poder exclusivamente \u00e0s suas fun\u00e7\u00f5es. Mais do que um abastardamento, isso foi uma profana\u00e7\u00e3o. Hoje se diz, num eufemismo derivado da l\u00edngua italiana, &#8220;fazer amor&#8221;, para se referir. ao acto sexual. Na verdade, o Amor pode e deve estar presente no acto sexual, e tamb\u00e9m pode n\u00e3o estar, o que \u00e9 mais comum.<\/p>\n<p>O Amor se manifesta na lei de gravidade que mant\u00e9m a din\u00e2mica celeste e em todas as formas de for\u00e7as centr\u00edpetas, provocando uni\u00e3o e fus\u00e3o. Mas no homem as manifesta\u00e7\u00f5es do Amor abrangem toda a sua estrutura vital, existencial e psicoafectiva. No tocante ao plano vital o Amor \u00e9 sensa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o obstante, o apego \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o, reduzindo o poder do Amor a express\u00f5es perif\u00e9ricas, o deturpa e extingue.<\/p>\n<p>Em seu lugar surge a Paix\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 exalta\u00e7\u00e3o do Amor, como geralmente se diz, mas exalta\u00e7\u00e3o da sensualidade.<\/p>\n<p>Os crimes de amor nada t\u00eam a ver com o Amor, s\u00e3o consequ\u00eancias de desregramentos sensoriais, com perda do equil\u00edbrio emocional e perturba\u00e7\u00f5es mentais. Matar por amor \u00e9 um contra-senso. Uma criatura que ama n\u00e3o agride e nem fere o Ser amado, que \u00e9 para ela objecto de venera\u00e7\u00e3o. O ci\u00fame n\u00e3o procede do Amor, mas do apego animal ao plano sensorial. O animal \u00e9 que ataca e fere por ci\u00fame, nunca o homem, pois nele o Amor manifesta-se em ternura, adora\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia do valor do Ser amado.<\/p>\n<p>Para bem compreendermos isso precisamos voltar ao problema kardeciano do ser do corpo, no qual toda a pesada heran\u00e7a da animalidade ancestral se acha acumulada.<\/p>\n<p>As criaturas de sensibilidade humana n\u00e3o se deixam arrastar pelas paix\u00f5es, que pertencem ao plano dos instintos. A libido freudiana \u00e9 o reservat\u00f3rio profundo e escuro dos res\u00edduos da animalidade. As sensa\u00e7\u00f5es carnais alimentam- se dessas energias vitais que se confundem com as aspira\u00e7\u00f5es transcendentes do Amor na mente conturbada que as toxinas da paix\u00e3o desligam do controle superior da Raz\u00e3o.<\/p>\n<p>O Ser do Corpo sobrepuja o Ser Espiritual no controle da mente, desencadeando as for\u00e7as do instinto. Os crimes resultantes dessa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o decorrem ao Amor, mas precisamente do eclipse do Amor, produzido pelo retrocesso do homem \u00e0s condi\u00e7\u00f5es da sua ancestralidade animalesca. O crime passional pode ser definido como um caso de possess\u00e3o infra-an\u00edmica, em que o criminoso \u00e9 possu\u00eddo por sua personalidade arcaica, em raz\u00e3o da fal\u00eancia de sua personalidade actual no del\u00edrio das sensa\u00e7\u00f5es inferiores. Um caso de personalidade alternante a que o criminoso j\u00e1 se entregava h\u00e1 mais tempo do que se pode supor, sintonizado com os res\u00edduos negativos de experi\u00eancias vitais superadas.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que a supera\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias referentes a um dado tempo evolutivo n\u00e3o representa a sua destrui\u00e7\u00e3o. Toda experi\u00eancia representa uma aquisi\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito, que passar\u00e1 a integrar as suas fun\u00e7\u00f5es cognitivas em forma de categorias da intui\u00e7\u00e3o. Enquanto n\u00e3o desaparecerem os res\u00edduos do inconsciente, a experi\u00eancia superada pode ser reactivada pela imprud\u00eancia e o abuso. O princ\u00edpio de que a Natureza n\u00e3o d\u00e1 saltos, apesar da contesta\u00e7\u00e3o marxista, permanece v\u00e1lida. A passagem do Ser, de um grau de evolu\u00e7\u00e3o para outro, nunca \u00e9 instant\u00e2nea. Os pregoeiros da salva\u00e7\u00e3o imediata n\u00e3o conseguem exemplificar esse milagre em si mesmos. Os res\u00edduos marcam o compasso de espera, necess\u00e1rio \u00e0 assimila\u00e7\u00e3o total da experi\u00eancia. Nessa espera, \u00e9 poss\u00edvel que o Ser repita a experi\u00eancia para poder absorv\u00ea-la com a devida seguran\u00e7a. Ent\u00e3o se dar\u00e1 o aparente salto qualitativo, que na verdade representa uma transi\u00e7\u00e3o lenta. O exemplo do rel\u00f3gio esclarece melhor este problema: quando as pancadas de uma determinada hora soam no rel\u00f3gio, surpreendendo-nos, isso acontece porque os ponteiros j\u00e1 fizeram o percurso de 60minutos para bater a hora surpreendente. A complexidade da constitui\u00e7\u00e3o humana, implicando as inst\u00e2ncias psicol\u00f3gicas da personalidade, as rela\u00e7\u00f5es corpo alma e a din\u00e2mica dos processos conscienciais, n\u00e3o permite o desabrochar de flores sem ra\u00edzes que levem a seiva atrav\u00e9s do caule. Todo esse processo minucioso depende do tempo. Por isso Hidegger advertiu que o esp\u00edrito &#8220;cai do tempo&#8221;, e que este o acolhe para que ambos sejam afins no seu desenvolvimento. Cair no tempo \u00e9 sair da espera e entrar na temporalidade para realizar-se a si mesmo.<\/p>\n<p>A sexualidade \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o que deve concretizar no tempo hist\u00f3rico o poder criador do homem e da mulher, na conjuga\u00e7\u00e3o efectiva dos elementos biol\u00f3gicos, sob a reg\u00eancia do Amor. O sexo \u00e9 o instrumento dessa realiza\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que exige do casal humano a doa\u00e7\u00e3o total dos poderes espirituais e corporais nele concentrados, no acto da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como nos parece mesquinha a concep\u00e7\u00e3o vulgar do sexo como mecanismo animal de natureza inferior! <b><i>A mec\u00e2nica sexual do gozo pelo gozo \u00e9 um aviltamento da fun\u00e7\u00e3o gen\u00e9sica<\/i><\/b>, cuja finalidade \u00faltima \u00e9 a encarna\u00e7\u00e3o do Ser, primeiro passo da ontog\u00e9nese terrena. Nos casais evolu\u00eddos o ato sexual n\u00e3o se reduz ao prazer sensorial. Este \u00e9 apenas a chispa do fogo vital que desencadeia todo o processo da cria\u00e7\u00e3o humana. A mulher acolhe o homem em seu corpo e em sua alma sem a in\u00fatil agita\u00e7\u00e3o animalesca, e o homem a envolve no seu poder fecundante com a naturalidade e o \u00eaxtase do Sol a envolver a Terra para fecund\u00e1-la. S\u00f3 a mesquinhez do vulgo, do populacho incapaz de compreender a grandeza de um ato criador (1) poderia ter feito disso motivo de esc\u00e2ndalo, mal\u00edcia e pecado.<\/p>\n<p>A express\u00e3o &#8220;o pecado do amor&#8221; \u00e9 t\u00e3o absurda quanto o ilogismo: &#8220;matar por amor&#8221;. Enquanto n\u00e3o formos capazes de discernir ju\u00edzos opostos e continuarmos a confundi-los, n\u00e3o estaremos em condi\u00e7\u00f5es de reformular nossa concep\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>Em &#8220;A Fonte&#8221;, Charles Moorgan faz Rupert, na hora da morte, perguntar a Jullie, que o tra\u00edra com Lewis: &#8220;N\u00e3o o amaste apenas com o corpo?&#8221; Ela responde que n\u00e3o e acrescenta que nem ela nem Lewis o haviam feito por mal, mas por amor. Rupert voltara da guerra, mutilado. Seus olhos se voltaram para a mulher e para Lewis e declarou que n\u00e3o tinha ci\u00fames nem rancor, pois o amor de ambos n\u00e3o podia ser crime nem trai\u00e7\u00e3o. Como poderia um homem possessivo, que considera a mulher como sua escrava, compreender e perdoar a trai\u00e7\u00e3o em sua hora extrema? Mas Rupert era a ant\u00edtese desse homem comum e bo\u00e7al. Jullie e Lewis eram ingleses e se amavam com profunda reciprocidade. Rupert, alem\u00e3o, interferira sem querer, sem o saber, no destino de ambos. Mas ao reconhecer a legitimidade daquele amor retirou-se em sil\u00eancio. Que direito teria ele para exprobrar ou amaldi\u00e7oar aquela mulher?<\/p>\n<p>N\u00e3o importavam as circunst\u00e2ncias da guerra, da mutila\u00e7\u00e3o, da morte. O que interessava a Rupert era o respeito pelo Amor de ambos, por essa reciprocidade que ele n\u00e3o conseguira despertar em Jullie. Maior que a sua paix\u00e3o pela jovem, que as circunst\u00e2ncias haviam lan\u00e7ado em seus bra\u00e7os, maior que o conceito humano de honra e que todo o esc\u00e2ndalo que o facto pudesse provocar no meio social, Rupert via, diante dele, ap\u00f3s a fogueira do \u00f3dio e da bestialidade da guerra, a verdade de um Amor puro e profundo que a tudo desafiara para sustentar os seus direitos, a sua estranha dignidade que para o mundo era perf\u00eddia e desonra.<\/p>\n<p>Os conceitos humanos variam segundo o n\u00edvel das consci\u00eancias. Quanto mais elas se elevam, aproximando-se dos arqu\u00e9tipos da esp\u00e9cie, mais se distanciam das normas sociais que decorrem de costumes e tradi\u00e7\u00f5es. Essas varia\u00e7\u00f5es levaram os soci\u00f3logos a negar a exist\u00eancia dos princ\u00edpios morais superiores, pois se Moral vem de mores, costumes, e estes variam, parecia-lhes evidente que a Moral n\u00e3o provinha da Consci\u00eancia, mas dos h\u00e1bitos e costumes de cada meio social. Esqueciam-se de que os costumes resultam n\u00e3o s\u00f3 de exig\u00eancias mesol\u00f3gicas, mas tamb\u00e9m de exig\u00eancias conscienciais.<\/p>\n<p>Hoje, gra\u00e7as a Bergson e outros fil\u00f3sofos da Moral, todos reconhecemos a liga\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica entre Consci\u00eancia e Moral. Essa rela\u00e7\u00e3o explica as varia\u00e7\u00f5es da Moral, sua evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica atrav\u00e9s de fases bem definidas e as raz\u00f5es profundas de sua influ\u00eancia no campo dos problemas sexuais.<\/p>\n<p>No caso do tri\u00e2ngulo amoroso Jullie, Lewis e Rupert a quest\u00e3o moral se coloca nos termos da legitimidade do Amor. Este \u00e9 o crit\u00e9rio supremo que n\u00e3o reconhece as normas da moral comum, tipicamente social. O caso \u00e9 espec\u00edfico. Jullie havia sido aluna de Lewis na Inglaterra. Mudara-se muito jovem para a Holanda, em virtude do casamento de sua m\u00e3e vi\u00fava com um nobre holand\u00eas. Casara-se com Rupert, fil\u00f3sofo alem\u00e3o, por conveni\u00eancias de ordem familial e social.<\/p>\n<p>Na guerra, Rupert ausentou-se do Castelo de Enkendal e Jullie ficou sozinha. Lewis \u00e9 preso na frente de batalha e posteriormente enviado a Enkendal, com dois companheiros, para ali permanecer como prisioneiro de honra. Seu reencontro com Jullie reacendeu em ambos o Amor aparentemente esquecido. Rupert, gravemente ferido e mutilado, enviava not\u00edcias de longe e os progn\u00f3sticos a seu respeito eram os mais graves. Jullie e Lewis n\u00e3o resistem \u00e0 solid\u00e3o no velho Castelo e entregam-se aos anseios rec\u00edprocos. Rupert volta a Enkendal para morrer e Jullie n\u00e3o tem coragem de lhe revelar o que acontecera. Mas sua consci\u00eancia a leva a contar-lhe a verdade, que ele j\u00e1 percebera, compreendendo que realmente interferira no destino de ambos com seu amor por Jullie.<\/p>\n<p>Todo esse conjunto de justificativas naturais, entretanto, n\u00e3o impediriam a trag\u00e9dia passional, se o caso n\u00e3o passasse entre tr\u00eas pessoas de condi\u00e7\u00f5es morais e intelectuais elevadas. Prevaleceriam os preconceitos sociais, com todas as suas conseq\u00fc\u00eancias, lan\u00e7ando a desonra sobre os tr\u00eas e suas fam\u00edlias. Mas \u00e9 necess\u00e1rio reconhecermos que em condi\u00e7\u00f5es inferiores o m\u00f3vel do caso poderia ser tamb\u00e9m inferior. A pergunta de Rupert a Jullie n\u00e3o caberia numa situa\u00e7\u00e3o de atra\u00e7\u00e3o amorosa puramente f\u00edsica e a resposta dada n\u00e3o teria nenhuma garantia de veracidade. Isso demonstra que as varia\u00e7\u00f5es sociais da Moral tem seus fundamentos em condi\u00e7\u00f5es evolutivas nas quais o instinto de conserva\u00e7\u00e3o social estabelece, atrav\u00e9s dos costumes, os seus pr\u00f3prios dispositivos de seguran\u00e7a. E por isso, por sua vez, justifica a situa\u00e7\u00e3o actual da Terra como um momento de transi\u00e7\u00e3o, em que todos os problemas humanos est\u00e3o submetidos a um processo de aceleramento na evolu\u00e7\u00e3o do homem.<\/p>\n<p>A consci\u00eancia humana se abre para as novas dimens\u00f5es do real. O piv\u00f4 da consci\u00eancia se desloca para nova posi\u00e7\u00e3o, modificando as perspectivas da sua vis\u00e3o do mundo. \u00c9 natural que ao lado das muta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias surjam excessos de toda ordem. H\u00e1 consci\u00eancias que resistem \u00e0s mudan\u00e7as, apegadas por mil\u00e9nios a condicionamentos que parecem irremov\u00edveis. As reac\u00e7\u00f5es s\u00e3o tanto mais violentas quanto maior o apego dos que reagem aos seus condicionamentos. No tocante \u00e0 sexualidade, as energias desencadeadas transbordam de todos os canais a que at\u00e9 agora se mostravam d\u00f3ceis e obedientes. O Amor, at\u00e9 agora aviltado pelas press\u00f5es do fanatismo e da hipocrisia, avilta-se num clima de liberta\u00e7\u00e3o que cai na libertinagem e na pornografia. Nunca tivemos, na Terra, uma situa\u00e7\u00e3o geral t\u00e3o profunda e vastamente conflitiva. Somos, por isso mesmo, solicitados a um esfor\u00e7o quase sobre-humano para tentar colocar todos os problemas em equa\u00e7\u00e3o de maneira corajosa e, \u00e0s vezes, at\u00e9 mesmo temer\u00e1ria. Do nosso comportamento em face dessa problem\u00e1tica assustadora dependem as solu\u00e7\u00f5es que determinar\u00e3o o novo plano consciencial que atingiremos.<\/p>\n<p>Na remota Sum\u00e9ria, sexualidade era encarada como a efus\u00e3o divina que empolgava homens e mulheres na povoa\u00e7\u00e3o do mundo. O culto f\u00e1lico, a nudez, a natureza sagrada do acto sexual, a rever\u00eancia para a mulher prol\u00edfera eram elementos fundamentais da consci\u00eancia. Restos de monumentos e templos revelam a adora\u00e7\u00e3o do sexo, as prociss\u00f5es de religiosos nus, a pr\u00e1tica do acto sexual na \u00e1rea sagrada dos altares e na presen\u00e7a de sacerdotes. Em quase todo o Oriente a sexualidade se apresentava como a pr\u00f3pria ess\u00eancia da religiosidade. Ainda hoje existem os res\u00edduos de pr\u00e1ticas er\u00f3ticas nos pa\u00edses orientais com finalidade religiosa. A tradi\u00e7\u00e3o das gueixas japonesas, ainda vigente, mostra o cuidado e o aprimoramento das t\u00e9cnicas de prepara\u00e7\u00e3o do ato sexual, especializando-se as jovens numa cultura espec\u00edfica para serem uma esp\u00e9cie de sacerdotisas do Amor.<\/p>\n<p>No Egipto, na Mesopot\u00e2mia, na P\u00e9rsia e na Gr\u00e9cia antigas a sexolatria dominou amplamente, com o culto de dan\u00e7as, c\u00e2nticos e rituais er\u00f3ticos, geralmente acompanhados da utiliza\u00e7\u00e3o de alucin\u00f3genos. Em Roma se passava o mesmo. As Ep\u00edstolas ao Ap\u00f3stolo Paulo revelam a infiltra\u00e7\u00e3o dessas pr\u00e1ticas nas primeiras comunidades crist\u00e3s. Na pr\u00f3pria Israel das leis de pureza, como vemos nos textos b\u00edblicos, o erotismo sagrado dominou sob v\u00e1rias formas. Na Idade M\u00e9dia, os dem\u00f3nios infestavam conventos e mosteiros, os incubos e s\u00facubos (esp\u00edritos diab\u00f3licos) invadiam os leitos dos religiosos e religiosas. Os Libertinos medievais formavam suas sociedades er\u00f3ticas. (2)<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o do homem como um horizonte, que por seus membros e \u00f3rg\u00e3os inferiores se ligava \u00e0 Terra, e por seus membros e \u00f3rg\u00e3os superiores se liga ao C\u00e9u, mostra-nos a constante rela\u00e7\u00e3o do Amor com a sexualidade no plano religioso. N\u00e3o \u00e9, pois, de admirar ou de estranhar a explos\u00e3o actual da licenciosidade e da pornografia, da toxicomania e intensifica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia. Durante mil\u00e9nios cultivamos essas pr\u00e1ticas na Terra, com requinte e paix\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando se mexe o caldeir\u00e3o, para tentar uma nova estrutura\u00e7\u00e3o da vida, \u00e9 natural que os pesados res\u00edduos aflorem \u00e0 superf\u00edcie. Cabe-nos apenas agir com prud\u00eancia e coragem, para n\u00e3o aumentarmos a carga de iniquidades no planeta ao inv\u00e9s de alivi\u00e1-la. Conseguindo uma compreens\u00e3o mais exacta do Amor superaremos a crise.<\/p>\n<p><b><i>Do Portal Espirita<\/i><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Herculano Pires Tanto no fetichismo, quanto nos desvios sexuais de homens e mulheres, torna-se evidente a variedade de objectos nas manifesta\u00e7\u00f5es do Amor. Essa \u00e9 uma das provas da universalidade do Amor que podemos considerar como uma forma de &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/amor-e-sexualidade\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1,16],"tags":[],"class_list":["post-1504","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-espiritismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1504","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1504"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1504\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1504"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1504"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1504"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}