{"id":15885,"date":"2024-12-03T08:48:40","date_gmt":"2024-12-03T11:48:40","guid":{"rendered":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=15885"},"modified":"2024-12-03T08:48:40","modified_gmt":"2024-12-03T11:48:40","slug":"escolhos-dos-mediuns","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/escolhos-dos-mediuns\/","title":{"rendered":"Escolhos dos m\u00e9diuns"},"content":{"rendered":"<h2><em><span style=\"color: #000080;\">Escolhos dos m\u00e9diuns<\/span><\/em><\/h2>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Allan Kardec<\/span><\/p>\n<p><em>Revista Esp\u00edrita &#8211;\u00a0Jornal de Estudos psicol\u00f3gicos,<\/em><\/p>\n<p><em>publicada sobre a dire\u00e7\u00e3o de ALLAN KARDEC<\/em><\/p>\n<p><em>fevereiro de 1859<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"https:\/\/a-static.mlcdn.com.br\/1500x1500\/livro-revista-espirita-1859-ano-ii\/institutobeneficenteboanova\/30623\/14f589da41d1496bfdcd0ae8cd9a678b.jpg\" alt=\"Livro - Revista esp\u00edrita - 1859 - Ano II\" width=\"314\" height=\"469\" \/><\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">A mediunidade \u00e9 uma faculdade multiforme; apresenta uma infinidade de nuan\u00e7as em seus meios e em seus efeitos. Quem quer que seja apto a receber ou transmitir as comunica\u00e7\u00f5es dos Esp\u00edritos \u00e9, por isso mesmo, um m\u00e9dium, seja qual for o meio empregado ou o grau de desenvolvimento da faculdade \u2013 desde a simples influ\u00eancia oculta at\u00e9 a produ\u00e7\u00e3o dos mais ins\u00f3litos fen\u00f4menos. Contudo, no uso corrente, o voc\u00e1bulo tem uma acep\u00e7\u00e3o mais restrita e se diz geralmente das pessoas dotadas de um poder mediatriz muito grande, tanto para produzir efeitos f\u00edsicos, como para transmitir o pensamento dos Esp\u00edritos pela escrita ou pela palavra.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">Embora n\u00e3o seja a faculdade um privil\u00e9gio exclusivo, \u00e9 certo que encontra refrat\u00e1rios, pelo menos no sentido que se lhe d\u00e1. Tamb\u00e9m \u00e9 certo que n\u00e3o deixa de apresentar escolhos aos que a possuem: pode ser alterada e at\u00e9 perder-se e, muitas vezes, ser uma fonte de graves desilus\u00f5es. Sobre tal ponto julgamos \u00fatil chamar a aten\u00e7\u00e3o de todos quantos se ocupam de comunica\u00e7\u00f5es esp\u00edritas, quer diretamente, quer atrav\u00e9s de terceiros. Atrav\u00e9s de terceiros, dizemos, porque importa aos que se servem de m\u00e9diuns poder apreciar o valor e a confian\u00e7a que merecem suas comunica\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">O dom da mediunidade depende de causas ainda imperfeitamente conhecidas e nas quais parece que o f\u00edsico tem uma grande parte. A primeira vista pareceria que um dom t\u00e3o precioso n\u00e3o devesse ser partilhado sen\u00e3o por almas de escol. Ora, a experi\u00eancia prova o contr\u00e1rio, pois encontramos mediunidade potente em criaturas cuja moral deixa muito a desejar, enquanto outras, estim\u00e1veis sob todos os aspectos, n\u00e3o a possuem. Aquele que fracassa, a despeito de seus desejos, esfor\u00e7os e perseveran\u00e7a, n\u00e3o deve tirar conclus\u00f5es desfavor\u00e1veis \u00e0 sua pessoa nem julgar-se indigno da benevol\u00eancia dos Esp\u00edritos. Se tal favor lhe n\u00e3o \u00e9 concedido, outros h\u00e1, sem d\u00favida, que lhe podem oferecer ampla compensa\u00e7\u00e3o. Pela mesma raz\u00e3o aquele que a desfruta n\u00e3o poderia dela prevalecer-se, pois a mediunidade n\u00e3o \u00e9 nenhum sinal de m\u00e9rito pessoal. O m\u00e9rito, portanto, n\u00e3o est\u00e1 na posse da faculdade mediatriz, que a todos pode ser dada, mas no uso que dela fazemos. Eis uma distin\u00e7\u00e3o capital, que jamais se deve perder de vista; a boa qualidade do m\u00e9dium n\u00e3o est\u00e1 na facilidade das comunica\u00e7\u00f5es, mas unicamente na sua aptid\u00e3o para s\u00f3 receber as boas. Ora, \u00e9 nisto que as suas condi\u00e7\u00f5es morais s\u00e3o onipotentes; e \u00e9 nisso tamb\u00e9m que ele encontra os maiores escolhos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">Para perceber este estado de coisas e compreender o que vamos dizer \u00e9 necess\u00e1rio reportar-se ao princ\u00edpio fundamental de que entre os Esp\u00edritos h\u00e1 todos os graus do bem e do mal, do saber e da ignor\u00e2ncia; que os Esp\u00edritos pululam em redor de n\u00f3s e que, quando nos julgamos s\u00f3s, estamos incessantemente rodeados de seres que nos acotovelam, uns com indiferen\u00e7a, como estranhos, outros que nos observam com inten\u00e7\u00e3o mais ou menos benevolente, conforme sua natureza.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">O prov\u00e9rbio &#8220;Quem se parece se re\u00fane&#8221; tem sua aplica\u00e7\u00e3o entre os Esp\u00edritos, como entre n\u00f3s; e mais ainda entre eles, se poss\u00edvel, porque n\u00e3o est\u00e3o, como n\u00f3s, sob a influ\u00eancia das considera\u00e7\u00f5es sociais. Contudo, se entre n\u00f3s essas considera\u00e7\u00f5es algumas vezes confundem homens de costumes e gostos muito diversos, tal confus\u00e3o, de certo modo, \u00e9 apenas material e transit\u00f3ria: a similitude ou a diverg\u00eancia de pensamentos ser\u00e1 sempre a causa das atra\u00e7\u00f5es e repuls\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">Nossa alma, que afinal de contas n\u00e3o \u00e9 mais que um Esp\u00edrito encarnado, n\u00e3o deixa por isso de ser um Esp\u00edrito. Se se revestiu momentaneamente de um envolt\u00f3rio material, suas rela\u00e7\u00f5es com o mundo incorp\u00f3reo, embora menos f\u00e1ceis do que quando no estado de liberdade, nem por isto s\u00e3o interrompidas de modo absoluto; o pensamento \u00e9 o la\u00e7o que nos une aos Esp\u00edritos, e pelo pensamento atra\u00edmos os que simpatizam com as nossas ideias e inclina\u00e7\u00f5es. Representamos, pois, a massa de Esp\u00edritos que nos envolvem como a multid\u00e3o que encontramos no mundo; para onde preferirmos ir, encontraremos homens atra\u00eddos pelos mesmos gostos e pelos mesmos desejos; \u00e0s reuni\u00f5es que tem objetivo s\u00e9rio v\u00e3o homens s\u00e9rios; \u00e0s que s\u00e3o fr\u00edvolas, v\u00e3o os fr\u00edvolos. Por toda parte encontram-se Esp\u00edritos atra\u00eddos pelo pensamento dominante. Se lan\u00e7armos um olhar sobre o estado moral da Humanidade em geral, compreenderemos sem dificuldade que nessa multid\u00e3o oculta os Esp\u00edritos elevados n\u00e3o devem constituir a maioria. \u00c9 uma consequ\u00eancia do estado de inferioridade do nosso globo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">Os Esp\u00edritos que nos cercam n\u00e3o s\u00e3o passivos: formam uma popula\u00e7\u00e3o essencialmente inquieta, que pensa e age sem cessar, que nos influencia, malgrado nosso, que nos deita e nos dissuade, que nos impulsiona para o bem ou para o mal, o que n\u00e3o nos tira o livre arb\u00edtrio mais do que os bons ou maus conselhos que recebemos de nossos semelhantes. Entretanto, quando os Esp\u00edritos imperfeitos solicitam algu\u00e9m a fazer uma coisa m\u00e1, sabem muito bem a quem se dirigem e n\u00e3o v\u00e3o perder o tempo onde veem que ser\u00e3o mal recebidos; eles nos excitam conforme as nossas inclina\u00e7\u00f5es ou conforme os germens que em n\u00f3s veem e segundo as nossas disposi\u00e7\u00f5es para os escutar. Eis porque o homem firme nos princ\u00edpios do bem n\u00e3o lhes d\u00e1 oportunidade.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">Estas considera\u00e7\u00f5es nos levam naturalmente ao problema dos m\u00e9diuns. Como todas as criaturas, estes s\u00e3o submetidos \u00e0 influ\u00eancia oculta dos Esp\u00edritos bons e maus; atraem-nos e repelem-nos conforme as simpatias de seu pr\u00f3prio Esp\u00edrito e os Esp\u00edritos maus aproveitam-se de todas as falhas, como de uma falta de coura\u00e7a, para introduzir-se junto a eles, intrometendo-se, malgrado seu, em todos os atos de sua vida particular. Al\u00e9m disso, tais Esp\u00edritos, encontrando no m\u00e9dium um meio de expressar seu pensamento de modo intelig\u00edvel e atestar sua presen\u00e7a, intrometem-se nas comunica\u00e7\u00f5es e as provocam, porque esperam ter mais influ\u00eancia por este meio e acabam por assenhorear-se dele. Consideram-se como na pr\u00f3pria casa, afastam os Esp\u00edritos que se lhe poderiam contrapor e, conforme a necessidade, lhes tomam os nomes e mesmo a linguagem, com o fito de enganar.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">Mas n\u00e3o podem representar este papel por muito tempo: com um pouco de contato com um observador experimentado e prevenido, logo s\u00e3o desmascarados. Se o m\u00e9dium se deixa dominar por essa influ\u00eancia os bons Esp\u00edritos se afastam, ou absolutamente n\u00e3o v\u00eam quando chamados, ou v\u00eam com certa repugn\u00e2ncia, porque veem que o Esp\u00edrito que est\u00e1 identificado com o m\u00e9dium, e neste estabeleceu o seu domic\u00edlio, pode alterar as suas instru\u00e7\u00f5es. Se tivermos que escolher um int\u00e9rprete, um secret\u00e1rio, um mandat\u00e1rio qualquer, \u00e9 evidente que escolheremos n\u00e3o s\u00f3 um homem capaz, mas, ainda, digno de nossa estima; n\u00e3o confiaremos uma delicada miss\u00e3o e os nossos interesses a um insano ou a um frequentador de uma sociedade suspeita. D\u00e1-se o mesmo com os Esp\u00edritos. Os Esp\u00edritos superiores n\u00e3o escolher\u00e3o, para transmitir instru\u00e7\u00f5es s\u00e9rias, um m\u00e9dium que tem familiaridade com Esp\u00edritos levianos, a menos que haja necessidade e que n\u00e3o encontrem, no momento, outros med\u00edocres \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o; a menos, ainda, que queiram dar uma li\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio m\u00e9dium, como por vezes acontece; mas, ent\u00e3o, dele se servem s\u00f3 acidentalmente e o abandonam logo que encontrem um melhor, deixando-o entregue \u00e0s suas simpatias se ele faz quest\u00e3o de conserv\u00e1-las. O m\u00e9dium perfeito seria, pois, o que nenhum acesso desse aos maus Esp\u00edritos, por um descuido qualquer. \u00c9 condi\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil de preencher. Mas se a perfei\u00e7\u00e3o absoluta n\u00e3o \u00e9 dada ao homem, sempre lhe \u00e9 poss\u00edvel por seus esfor\u00e7os aproximar-se dela; e os Esp\u00edritos levam em conta sobretudo os esfor\u00e7os, a for\u00e7a de vontade e a perseveran\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">Assim, o m\u00e9dium perfeito n\u00e3o teria sen\u00e3o comunica\u00e7\u00f5es perfeitas de verdade e de moralidade. Desde que a perfei\u00e7\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel, o melhor m\u00e9dium seria o que desse as melhores comunica\u00e7\u00f5es. \u00c9 pelas obras que eles podem ser julgados. As comunica\u00e7\u00f5es constantemente boas e elevadas, nas quais nenhum ind\u00edcio de inferioridade fosse notado, seriam incontestavelmente uma prova da superioridade moral do m\u00e9dium, porque atestariam simpatias felizes. Pelo fato mesmo de que o m\u00e9dium n\u00e3o \u00e9 perfeito, Esp\u00edritos levianos, embusteiros e mentirosos podem misturar-se em suas comunica\u00e7\u00f5es, alterando-lhes a pureza e induzindo em erro ao m\u00e9dium e \u00e0queles que o procuram. Eis o maior escolho do Espiritismo, cuja gravidade n\u00e3o dissimulamos. \u00c9 poss\u00edvel evit\u00e1-lo? Dizemos alto e bom som: sim, o meio n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil, exigindo apenas discernimento.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">As boas inten\u00e7\u00f5es, a pr\u00f3pria moralidade do m\u00e9dium nem sempre bastam para evitar a intromiss\u00e3o dos Esp\u00edritos levianos, mentirosos e pseudoss\u00e1bios nas comunica\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m das falhas de seu pr\u00f3prio Esp\u00edrito, pode dar-lhes entrada por outras causas das quais a principal \u00e9 a fraqueza de car\u00e1ter e uma confian\u00e7a excessiva na invari\u00e1vel superioridade dos Esp\u00edritos que com ele se comunicam. Essa confian\u00e7a cega reside numa causa que a seguir explicaremos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">Se n\u00e3o quisermos ser v\u00edtimas de Esp\u00edritos levianos, \u00e9 necess\u00e1rio julg\u00e1-los, e para isso temos um crit\u00e9rio infal\u00edvel: o bom senso e a raz\u00e3o. Sabemos que as qualidades de linguagem, que caracterizam entre n\u00f3s os homens realmente bons e superiores, s\u00e3o as mesmas para os Esp\u00edritos. Devemos julg\u00e1-los por sua linguagem. Nunca seria demais repetir o que a caracteriza nos Esp\u00edritos elevados: \u00e9 constantemente digna, nobre, sem bazofia nem contradi\u00e7\u00e3o, isenta de trivialidades, marcada por um cunho de inalter\u00e1vel benevol\u00eancia. Os bons Esp\u00edritos aconselham; n\u00e3o ordenam; n\u00e3o se imp\u00f5em; calam-se naquilo que ignoram. Os Esp\u00edritos levianos falam com a mesma seguran\u00e7a do que sabem e do que n\u00e3o sabem; a tudo respondem sem se preocuparem com a verdade. Em mensagem supostamente s\u00e9ria, vimo-los, com imperturb\u00e1vel aud\u00e1cia, colocar C\u00e9sar no tempo de Alexandre; outros afirmavam que n\u00e3o \u00e9 a Terra que gira em redor do Sol. Resumindo: toda express\u00e3o grosseira ou apenas inconveniente, toda marca de orgulho e de presun\u00e7\u00e3o, toda m\u00e1xima contr\u00e1ria \u00e0 s\u00e3 moral, toda not\u00f3ria heresia cient\u00edfica \u00e9, nos Esp\u00edritos como nos homens, inconteste sinal de natureza m\u00e1, de ignor\u00e2ncia ou, pelo menos, de leviandade.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">De onde se segue que \u00e9 necess\u00e1rio pesar tudo quanto eles dizem, passando-o pelo crivo da l\u00f3gica e do bom senso. Eis uma recomenda\u00e7\u00e3o feita incessantemente pelos bons Esp\u00edritos. Dizem eles: Deus n\u00e3o vos deu o racioc\u00ednio sem prop\u00f3sito. Servi-vos dele a fim de saber o que estais fazendo. \u201cOs maus Esp\u00edritos temem o exame. Dizem eles: Aceitai nossas palavras e n\u00e3o as julgueis\u201d. Se tivessem a consci\u00eancia de estar com a verdade, n\u00e3o temeriam a luz.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">O h\u00e1bito de perscrutar as menores palavras dos Esp\u00edritos, de lhes pesar o valor \u2013 do ponto de vista do conte\u00fado e n\u00e3o da forma gramatical, com que pouco se preocupam eles \u2013 naturalmente afasta os Esp\u00edritos mal intencionados, que n\u00e3o viriam ent\u00e3o inutilmente perder o tempo, de vez que rejeitamos tudo quanto \u00e9 mau ou tem origem suspeita. Mas quando aceitamos cegamente tudo quanto dizem, quando, por assim dizer, nos ajoelhamos ante sua pretensa sabedoria, eles fazem o que fariam os homens, eles abusam de n\u00f3s.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">Se o m\u00e9dium for senhor de si, se n\u00e3o se deixar dominar por um entusiasmo irrefletido, poder\u00e1 fazer o que aconselhamos. Mas acontece frequentemente que o Esp\u00edrito o subjuga a ponto de o fascinar, levando-o a considerar admir\u00e1veis as coisas mais rid\u00edculas; ent\u00e3o ele se entrega cada vez mais a essa perniciosa confian\u00e7a e, estribado em suas boas inten\u00e7\u00f5es e em seus bons sentimentos, julga isto suficiente para afastar os maus Esp\u00edritos. N\u00e3o, isso n\u00e3o basta: esses Esp\u00edritos ficam satisfeitos por faz\u00ea-lo cair na cilada, para o que aproveitam sua fraqueza e sua credulidade. Que fazer, ent\u00e3o? Expor tudo a uma terceira pessoa desinteressada, para que esta, julgando com calma e sem preven\u00e7\u00e3o, possa ver um argueiro onde o m\u00e9dium n\u00e3o via uma trave.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">A ci\u00eancia esp\u00edrita exige uma grande experi\u00eancia que s\u00f3 se adquire, como em todas as ci\u00eancias filos\u00f3ficas ou n\u00e3o, atrav\u00e9s de um estudo longo, ass\u00edduo e perseverante, e por numerosas observa\u00e7\u00f5es. Ela n\u00e3o abrange apenas o estudo dos fen\u00f4menos, propriamente ditos, mas tamb\u00e9m e sobretudo os costumes, se assim podemos dizer, do mundo oculto, desde o mais baixo ao mais alto grau da escala. Seria presun\u00e7\u00e3o julgar-se suficientemente esclarecido e graduado como mestre depois de alguns ensaios. N\u00e3o seria esta a pretens\u00e3o de um homem s\u00e9rio, pois quem quer que lance um golpe de vista indagador sobre esses estranhos mist\u00e9rios, v\u00ea desdobrar-se \u00e0 sua frente um horizonte t\u00e3o vasto que longos anos n\u00e3o bastam para o abranger. H\u00e1 entretanto quem o queira fazer em alguns dias!<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">De todas as disposi\u00e7\u00f5es morais, a que maior entrada oferece aos Esp\u00edritos imperfeitos \u00e9 o orgulho. Este \u00e9 para os m\u00e9diuns um escolho tanto mais perigoso quanto menos o reconhecem. \u00c9 o orgulho que lhes d\u00e1 a cren\u00e7a cega na superioridade dos Esp\u00edritos que a eles se ligam porque se vangloriam de certos nomes que eles lhes imp\u00f5em. Desde que um Esp\u00edrito lhes diz: Eu sou Fulano, inclinam-se e n\u00e3o admitem d\u00favidas, porque seu amor pr\u00f3prio sofreria se, sob tal m\u00e1scara, encontrasse um Esp\u00edrito de condi\u00e7\u00e3o inferior ou um malvado desprez\u00edvel. O Esp\u00edrito percebe e aproveita o lado fraco, lisonjeia seu pretenso protegido, fala-lhe de origens ilustres, que o enfunam ainda mais, promete-lhe um futuro brilhante, honra e fortuna, de que parece ser o distribuidor; se for necess\u00e1rio, mostra por ele uma ternura hip\u00f3crita. Como resistir a tanta generosidade? Numa palavra, ele o embrulha e o leva pelo bei\u00e7o, como se diz vulgarmente; sua felicidade \u00e9 ter algu\u00e9m sob sua depend\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">Interrogamos a v\u00e1rios deles sobre os motivos de sua obsess\u00e3o. Um dos mesmos assim nos respondeu. &#8220;Quero ter um homem que me fa\u00e7a a vontade. \u00c9 o meu prazer&#8221;. Quando lhe dissemos que \u00edamos fazer tudo para descobrir os seus artif\u00edcios e tirar a venda dos olhos de seu oprimido, disse. \u201cLutarei contra v\u00f3s e n\u00e3o tereis resultado, porque farei tais coisas que ele n\u00e3o vos acreditar\u00e1\u201d. \u00c9, com efeito, uma das t\u00e1ticas desses Esp\u00edritos malfazejos: inspiram a desconfian\u00e7a e o afastamento das pessoas que os podem desmascarar e dar bons conselhos. Jamais acontece coisa semelhante com os bons Esp\u00edritos. Todo Esp\u00edrito que insufla a disc\u00f3rdia, que excita a animosidade, que entret\u00e9m os dissentimentos revela, por isso mesmo, sua natureza m\u00e1. Seria preciso ser cego para n\u00e3o compreender isso e para crer que um bom Esp\u00edrito possa arrastar \u00e0 desintelig\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">Muitas vezes o orgulho se desenvolve no m\u00e9dium \u00e0 medida que cresce a sua faculdade. Esta lhe d\u00e1 import\u00e2ncia. Procuram-no e ele acaba por sentir-se indispens\u00e1vel. Da\u00ed, muitas vezes, um tom de jact\u00e2ncia e de pretens\u00e3o ou uns ares de sufici\u00eancia e de desd\u00e9m, incompat\u00edveis com a influ\u00eancia de um bom Esp\u00edrito. Aquele que cai em tal engano est\u00e1 perdido, porque Deus lhe deu sua faculdade para o bem e n\u00e3o para satisfazer sua vaidade ou transform\u00e1-la em escada para a sua ambi\u00e7\u00e3o. Esquece que esse poder, de que se orgulha, pode ser retirado que, muitas vezes, s\u00f3 lhe foi dado como prova, assim como fortuna para certas pessoas. Se dele abusa, os bons Esp\u00edritos pouco a pouco o abandonam e o m\u00e9dium se torna um joguete de Esp\u00edritos levianos, que o embalam com suas ilus\u00f5es, satisfeitos por terem vencido aquele que se julgava forte. Foi assim que vimos o aniquilamento e a perda das mais preciosas faculdades que, sem isso, se teriam tornado os mais poderosos e os mais \u00fateis auxiliares.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">Isto se aplica a todos os g\u00eaneros de m\u00e9diuns, quer de manifesta\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, quer para comunica\u00e7\u00f5es inteligentes. Infelizmente o orgulho \u00e9 um dos defeitos que somos menos inclinados a reconhecer em n\u00f3s e menos ainda a acusar nos outros, porque eles n\u00e3o acreditariam. Ide dizer a um m\u00e9dium que ele se deixa conduzir como uma crian\u00e7a: ele virar\u00e1 as costas, dizendo que sabe conduzir-se e que n\u00e3o vedes as coisas claramente. Podeis dizer a um homem que ele \u00e9 b\u00eabado, debochado, pregui\u00e7oso, incapaz e imbecil; ele rir\u00e1 ou concordar\u00e1; dizei-lhe que \u00e9 orgulhoso e ficar\u00e1 zangado. \u00c9 a prova evidente de que tereis dito a verdade. Neste caso os conselhos s\u00e3o tanto mais dif\u00edceis quanto mais o m\u00e9dium evita as pessoas que os possam dar: foge de uma intimidade que teme. Os Esp\u00edritos, sentindo que os conselhos s\u00e3o golpes desferidos no seu poder, empurram o m\u00e9dium, ao contr\u00e1rio, para quem lhe alimente as ilus\u00f5es. Preparam-se, assim, muitas decep\u00e7\u00f5es, com o que sofrem muito o amor pr\u00f3prio do m\u00e9dium. Feliz dele se n\u00e3o lhe resultarem ainda coisas mais graves.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">Se insistimos longamente sobre este ponto foi porque nos demonstrou a experi\u00eancia, em muitas ocasi\u00f5es, que isto constitui uma das grandes pedras de trope\u00e7o para a pureza e a sinceridade das comunica\u00e7\u00f5es dos m\u00e9diuns. Diante disto, \u00e9 quase in\u00fatil falar das outras imperfei\u00e7\u00f5es morais, tais como o ego\u00edsmo, a inveja, o ci\u00fame, a ambi\u00e7\u00e3o, a cupidez, a dureza de cora\u00e7\u00e3o, a ingratid\u00e3o, a sensualidade, etc. Cada um compreende que elas s\u00e3o outras tantas portas abertas aos Esp\u00edritos imperfeitos ou, pelo menos, causas de fraqueza. Para repelir esses Esp\u00edritos n\u00e3o basta dizer-lhes que se v\u00e3o; nem mesmo basta querer e ainda menos conjur\u00e1-los. \u00c9 necess\u00e1rio fechar-lhes a porta e os ouvidos, provar-lhes que somos mais fortes \u2013 o que seremos incontestavelmente pelo amor do bem, pela caridade, pela do\u00e7ura, pela simplicidade, pela mod\u00e9stia e pelo desinteresse, qualidades que nos atraem a benevol\u00eancia dos bons Esp\u00edritos. \u00c9 o apoio destes que nos d\u00e1 for\u00e7a; e se estes por vezes nos deixam a bra\u00e7os com os maus, \u00e9 isso uma prova para a nossa f\u00e9 e para o nosso car\u00e1ter.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">Que os m\u00e9diuns n\u00e3o se arreceiem demasiado da severidade das condi\u00e7\u00f5es de que acabamos de falar: estas s\u00e3o l\u00f3gicas, havemos de convir, e seria erro desanimar. \u00c9 certo que as m\u00e1s comunica\u00e7\u00f5es que podemos receber s\u00e3o \u00edndice de alguma fraqueza, mas nem sempre sinal de indignidade. Podemos ser fracos, mas bons. Em qualquer caso; temos nelas um meio de reconhecer as pr\u00f3prias imperfei\u00e7\u00f5es. J\u00e1 dissemos no outro artigo que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ser m\u00e9dium para estar sob a influ\u00eancia de maus Esp\u00edritos, que agem na sombra. Com a faculdade medi\u00fanica o inimigo se mostra e se trai: ficamos sabendo com quem tratamos e poderemos combat\u00ea-lo. \u00c9 assim que uma comunica\u00e7\u00e3o m\u00e1 pode tornar-se uma li\u00e7\u00e3o \u00fatil, se a soubermos aproveitar.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">Seria injusto, ali\u00e1s, atribuir todas as comunica\u00e7\u00f5es m\u00e1s \u00e0 conta do m\u00e9dium. Falamos daquelas que ele obt\u00e9m sozinho e fora de qualquer outra influ\u00eancia, e n\u00e3o das que s\u00e3o produzidas num meio qualquer. Ora, todos sabem que os Esp\u00edritos atra\u00eddos por esse meio podem prejudicar as manifesta\u00e7\u00f5es, quer pela diversidade de caracteres, quer pela falta de recolhimento. \u00c9 regra geral que as melhores comunica\u00e7\u00f5es ocorrem na intimidade, num c\u00edrculo concentrado e homog\u00eaneo. Em toda comunica\u00e7\u00e3o acham-se em jogo v\u00e1rias influ\u00eancias: a do m\u00e9dium, a do meio e a da pessoa que interroga. Estas influ\u00eancias podem reagir umas sobre as outras, neutralizar-se ou corroborar-se: isto depende do fim a que nos propomos e do pensamento dominante. Vimos excelentes comunica\u00e7\u00f5es obtidas em reuni\u00f5es e com m\u00e9diuns que n\u00e3o possuam todas as condi\u00e7\u00f5es desej\u00e1veis. Neste caso os bons Esp\u00edritos vinham por causa de uma pessoa em particular, porque isso era \u00fatil. Vimos tamb\u00e9m m\u00e1s comunica\u00e7\u00f5es obtidas por bons m\u00e9diuns, unicamente porque o interrogante n\u00e3o tinha inten\u00e7\u00f5es s\u00e9rias e atra\u00eda Esp\u00edritos levianos, que dele zombavam.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">Tudo isto requer tacto e observa\u00e7\u00e3o. E compreende-se facilmente a preponder\u00e2ncia que devem ter todas essas condi\u00e7\u00f5es reunidas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">* * *<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">Revista Esp\u00edrita<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">Jornal de Estudos psicol\u00f3gicos<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">publicada sobre a dire\u00e7\u00e3o de ALLAN KARDEC<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">fevereiro de 1859<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escolhos dos m\u00e9diuns Allan Kardec Revista Esp\u00edrita &#8211;\u00a0Jornal de Estudos psicol\u00f3gicos, publicada sobre a dire\u00e7\u00e3o de ALLAN KARDEC fevereiro de 1859 A mediunidade \u00e9 uma faculdade multiforme; apresenta uma infinidade de nuan\u00e7as em seus meios e em seus efeitos. Quem &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/escolhos-dos-mediuns\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"aside","meta":{"footnotes":""},"categories":[18,1,23,16,27,19],"tags":[],"class_list":["post-15885","post","type-post","status-publish","format-aside","hentry","category-a-familia","category-artigos","category-ciencia","category-espiritismo","category-sociedade","category-transicao","post_format-post-format-aside"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15885","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15885"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15885\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15886,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15885\/revisions\/15886"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15885"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15885"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15885"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}