{"id":1704,"date":"2013-09-24T20:51:27","date_gmt":"2013-09-24T23:51:27","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=1704"},"modified":"2013-09-24T20:52:56","modified_gmt":"2013-09-24T23:52:56","slug":"alcoolista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/alcoolista\/","title":{"rendered":"Alcoolista"},"content":{"rendered":"<p><b>Geraldo Jos\u00e9 de Sousa<\/b><\/p>\n<p>&#8211; Alcoolista h\u00e1 muitos anos. Quando \u00e9brio \u2014 e era esse seu estado natural \u2014, n\u00e3o possu\u00eda consci\u00eancia do tempo, dos fatos, da vida.<\/p>\n<p>N\u00e3o chegou a essa situa\u00e7\u00e3o de uma hora para outra. Come\u00e7ou bebendo socialmente com os \u201camigos\u201d, que nessa fase ainda existem.<\/p>\n<p>Pouco a pouco, foi aumentando a sede, as doses e a periodicidade dos tragos foi encurtando. Os \u201camigos\u201d foram sumindo, a pouco e pouco.<\/p>\n<p>Deixava uma garrafa aqui, outra ali, sempre \u00e0 m\u00e3o, meio escondidas, pela consci\u00eancia, pela certeza do erro que cometia.<\/p>\n<p>Sofria a fam\u00edlia: a mulher, os filhos, os pais, os irm\u00e3os e os verdadeiros amigos.<\/p>\n<p>Mas ele n\u00e3o percebia isso. E negava, quando lhe diziam que estava bebendo demais. Ele, um alco\u00f3latra? De jeito nenhum! Sabia beber.<\/p>\n<p>Bebia socialmente.<\/p>\n<p>Hoje bem sabe que \u201cAlcoolismo \u00e9 tamb\u00e9m doen\u00e7a da nega\u00e7\u00e3o\u201d. O alcoolista n\u00e3o admite que \u00e9 dependente do v\u00edcio que, por isso, o domina e maltrata, submetendo-o \u00e0s conseq\u00fc\u00eancias que dele adv\u00eam, para si e para seus dependentes.<\/p>\n<p>Mas, ao contr\u00e1rio do que dizia, excedia-se e ficava agressivo, verbal e fisicamente, ironizando os demais, agredindo-os, humilhando-os, menosprezando-os.<\/p>\n<p>Assim agindo, afastava a todos. Foi ficando cada vez mais s\u00f3.<\/p>\n<p>Nova desculpa para beber mais e mais.<\/p>\n<p>Perdera muitos empregos e agora era imposs\u00edvel obter outro. Sua postura e seu h\u00e1lito desaconselhavam qualquer contrata\u00e7\u00e3o, n\u00e3o obstante ser profissional competente, quando s\u00f3brio. Um acidente de trabalho levara-lhe dois dedos da m\u00e3o direita, ao operar simples m\u00e1quina.<\/p>\n<p>A sa\u00fade j\u00e1 n\u00e3o era a mesma. Tremiam-lhe as m\u00e3os, estava p\u00e1lido, abatido e precocemente envelhecido.<\/p>\n<p>N\u00e3o possu\u00eda mais carro. Estava livre de provocar acidentes por suas m\u00e3os. Mas v\u00e1rias vezes fora acidentado, ao atravessar ruas. Les\u00f5es, fraturas e interna\u00e7\u00f5es, eram, ami\u00fade, o resultado.<\/p>\n<p>O primeiro casamento fora destru\u00eddo. As priva\u00e7\u00f5es que impunha \u00e0 fam\u00edlia, os maus tratos, a m\u00e1 conduta, a desonra, as humilha\u00e7\u00f5es e o embrutecimento pr\u00f3prio tornaram-lhes insuport\u00e1vel sua companhia.<\/p>\n<p>Ainda bem que os filhos n\u00e3o lhe seguiram os maus exemplos, reconhece hoje!<\/p>\n<p>Internado v\u00e1rias vezes em cl\u00ednicas, inutilmente. Tornara-se peso para a fam\u00edlia e para a sociedade.<\/p>\n<p>A segunda esposa desistira de recuper\u00e1-lo. Nem ligava para sua vida; ao que fizesse ou deixasse de fazer. Quando tinha problemas mais s\u00e9rios com ele, chamava seu filho mais velho, que vivia em outra parte.<\/p>\n<p>Uma noite, acorda ca\u00eddo no ch\u00e3o, dentro de casa, e o filho estava l\u00e1 \u2014 amava e ama esse filho, que o olhava com um misto de amor, ang\u00fastia e impot\u00eancia.<\/p>\n<p>N\u00e3o esquecer\u00e1 jamais aquele olhar, que lhe pesou na alma, tocando-o no \u00edntimo do ser.<\/p>\n<p>Para sair daquela posi\u00e7\u00e3o inc\u00f4moda, no ch\u00e3o, inventou que havia escorregado. Com vergonha, mentira. Vergonha imensa. Queria sumir.<\/p>\n<p>Em realidade, levantou-se e foi beber mais.<\/p>\n<p>Mas conseguiu, um dia, parar.<\/p>\n<p>E foi aquele incidente \u2014 aquele olhar de compaix\u00e3o e dor, do filho, ao v\u00ea-lo ca\u00eddo no ch\u00e3o \u2014 que despertou nele a necessidade de mudar; que o levou a admitir que era um alco\u00f3lico, dependente do v\u00edcio, enfermo, gravemente enfermo, carente de aux\u00edlio.<\/p>\n<p>Levado por um amigo, compareceu, alcoolizado, sem escutar e sem entender muita coisa, \u00e0 sua primeira reuni\u00e3o nos Alco\u00f3licos An\u00f4nimos.<\/p>\n<p>Mas fez planos de sair dali e ir beber mais, imediatamente. Deixaria de beber no dia seguinte.<\/p>\n<p>Outro incidente, ocorrido naquela primeira reuni\u00e3o, foi fundamental para sua recupera\u00e7\u00e3o. Um baixinho feio, pobre, desdentado, desafiou-o, at\u00e9 de forma antifraterna \u2014 o que \u00e9 incomum no A.A., onde todos s\u00e3o tratados com absoluto respeito e muito amor \u2014, afirmando-lhe:<\/p>\n<p>\u2014 Voc\u00ea \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 homem para ficar sem beber 24 horas?<\/p>\n<p>Para mostrar-lhe, \u00e0quele pilantra, de que era capaz, por vaidade, afinal, desde ent\u00e3o n\u00e3o mais bebeu. Isto h\u00e1 v\u00e1rios anos. Recuperou-se com a ajuda de Alco\u00f3licos An\u00f4nimos.<\/p>\n<p>Agradece a Deus, ao filho e \u00e0quele \u201cbaixinho\u201d que o libertaram do v\u00edcio.<\/p>\n<p>Hoje, tem o amor dos filhos; o respeito deles e por eles. Amor e respeito que s\u00e3o fatores fundamentais, sublimes, para recuperar quem se acha ca\u00eddo.<\/p>\n<p>Benditas as m\u00e3os fraternas, estendidas em nome do Amor!<\/p>\n<p>Publicado no Reformador de agosto\/02, p. 16, sem a \u00faltima frase.<\/p>\n<p>FIM.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geraldo Jos\u00e9 de Sousa &#8211; Alcoolista h\u00e1 muitos anos. Quando \u00e9brio \u2014 e era esse seu estado natural \u2014, n\u00e3o possu\u00eda consci\u00eancia do tempo, dos fatos, da vida. N\u00e3o chegou a essa situa\u00e7\u00e3o de uma hora para outra. 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