{"id":1711,"date":"2013-09-26T20:38:23","date_gmt":"2013-09-26T23:38:23","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=1711"},"modified":"2013-09-26T20:38:23","modified_gmt":"2013-09-26T23:38:23","slug":"a-transitoria-maldade-humana-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/a-transitoria-maldade-humana-2\/","title":{"rendered":"A transit\u00f3ria maldade humana"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><i>Abel Sidney de Souza<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\">E as paix\u00f5es hoje s\u00e3o quase as mesmas de ontem,<br \/>\nsen\u00e3o mais a\u00e7uladas, mais violentas e devastadoras,<br \/>\nno homem que prossegue inquieto.<br \/>\nJoanna de \u00c2ngelis<\/p>\n<p><b>A vis\u00e3o esp\u00edrita do mal<\/b><\/p>\n<p>Para a doutrina dos esp\u00edritos o mal \u00e9 cria\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio homem e n\u00e3o tem exist\u00eancia sen\u00e3o tempor\u00e1ria, transit\u00f3ria, pois no arranjo maior da Vida n\u00e3o tem sentido a <b>perman\u00eancia do mal<\/b>. O mal, desta forma, faz parte do aprendizado, por\u00e9m na condi\u00e7\u00e3o de res\u00edduo; por isso, ele deve ser descartado em algum momento.<\/p>\n<p>Conforme Kardec aponta em <i>Obras P\u00f3stumas<\/i> \u201cDeus n\u00e3o criou o mal; foi o homem que o produziu pelo abuso que fez dos dons de Deus, em virtude de seu livre arb\u00edtrio.\u201d Este pequeno trecho comp\u00f5e um dos mais belos ensaios que Kardec deixaria, n\u00e3o intencionalmente, para publica\u00e7\u00e3o posterior. Trata-se de <i>O ego\u00edsmo e o orgulho: suas causas, seus efeitos e os meios de destru\u00ed-los<\/i>.<\/p>\n<p>O mestre lion\u00eas, ao desenvolver o tema, parte do pressuposto de que o instinto de conserva\u00e7\u00e3o, natural e necess\u00e1rio para a sobreviv\u00eancia do homem est\u00e1 na origem do ego\u00edsmo e do orgulho. Este e outros instintos t\u00eam a sua raz\u00e3o de ser. No entanto, o homem abusa destes instintos, por conta do apego \u00e0s sensa\u00e7\u00f5es que as impress\u00f5es da mat\u00e9ria lhes causam.<\/p>\n<p>Vive ent\u00e3o, (e aqui come\u00e7a nossa an\u00e1lise), a sua longa epop\u00e9ia rumo \u00e0 maturidade, devendo liberar-se de tudo que signifique reten\u00e7\u00e3o a esta fase <i>infantil<\/i>, de imaturidade, de apego ao ego, em que tudo deve girar ao nosso redor.<\/p>\n<p>Na mensagem \u201cA lei de amor\u201d, de L\u00e1zaro, presente em <i>O Evangelho Segundo o Espiritismo<\/i>, o autor afirma que<\/p>\n<p>Em sua origem, o homem s\u00f3 tem instintos; quando mais avan\u00e7ado e corrompido, s\u00f3 tem sensa\u00e7\u00f5es; quando instru\u00eddo e depurado, tem sentimentos. E o ponto delicado do sentimento \u00e9 o amor&#8230;<\/p>\n<p>Os instintos, as sensa\u00e7\u00f5es e os sentimentos estar\u00e3o presentes na exist\u00eancia humana em determinadas combina\u00e7\u00f5es, durante todo o processo evolutivo, com a preponder\u00e2ncia de alguns sobre os outros.<\/p>\n<p>Na fase inicial de sua jornada \u2013 na condi\u00e7\u00e3o de <i>simples e ignorante <\/i>\u2013 \u00e9 poss\u00edvel que o <b>instinto <\/b>lhe seja o melhor guia; \u00e0 medida que desenvolve as pot\u00eancias da alma \u2013 a intelig\u00eancia, a vontade \u2013 ele tende a apegar-se \u00e0s <b>sensa\u00e7\u00f5es<\/b>, pois n\u00e3o desenvolveu ainda, na mesma propor\u00e7\u00e3o os <b>sentimentos<\/b>, que permanecem como presen\u00e7a latente e promessa futura; como a intelig\u00eancia desenvolve-se mais rapidamente, na aus\u00eancia de sentimentos como a f\u00e9, a esperan\u00e7a, a caridade, o homem tende a prender-se \u00e0 sensa\u00e7\u00f5es materiais; por fim, aliando a intelig\u00eancia (instru\u00eddo) e as experi\u00eancias de vida (depurado), o <b>sentimentos<\/b> come\u00e7am a ocupar maiores espa\u00e7os de manifesta\u00e7\u00f5es an\u00edmicas no homem.<\/p>\n<p>Podemos, assim, afirmar que os instintos e as sensa\u00e7\u00f5es ainda convivem conosco hoje, pois como esp\u00edritos encarnados, imersos em um corpo f\u00edsico, estamos sujeitos \u00e0s leis e \u00e0s atra\u00e7\u00f5es da mat\u00e9ria, por\u00e9m os <b>sentimentos <\/b>tendem a dominar-nos a alma, aliado \u00e0 <b>intelig\u00eancia<\/b>, que j\u00e1 temos desenvolvido sob as suas diversas modalidades.<\/p>\n<p>Retomando o ensaio de Kardec, este vai insistir no debate em torno do ego\u00edsmo e do orgulho, situando-os como causa de todos os males.<\/p>\n<p>Um outro conceito precisamos analisar, por\u00e9m, neste momento, antes de prosseguirmos e aprofundarmos esta quest\u00e3o. Trata-se do conceito de <b>paix\u00e3o<\/b>.<\/p>\n<p><b>O conceito de paix\u00e3o <\/b><\/p>\n<p>A defini\u00e7\u00e3o de paix\u00e3o encontrada nos dicion\u00e1rios pode nos ajudar a compreender, antecipadamente, o que desejam expressar os esp\u00edritos e Kardec quando se utilizam deste termo. Segundo o Aur\u00e9lio paix\u00e3o \u00e9 um: \u201cSentimento ou emo\u00e7\u00e3o levados a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se \u00e0 lucidez e \u00e0 raz\u00e3o; Amor ardente; Inclina\u00e7\u00e3o afetiva e sensual intensa; Entusiasmo muito vivo por alguma coisa; Atividade, h\u00e1bito ou v\u00edcio dominador\u201d.<\/p>\n<p>Lendo um pequeno trecho das p\u00e1ginas iniciais de <i>O Livro dos Esp\u00edritos<\/i> (Introdu\u00e7\u00e3o ao Estudo da Doutrina Esp\u00edrita), encontramos Kardec a expressar-se nestes termos (p. 25):<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito encarnado se acha sob a influ\u00eancia da mat\u00e9ria; o homem que vence esta influ\u00eancia, pela eleva\u00e7\u00e3o e depura\u00e7\u00e3o de sua alma, se aproxima dos bons Esp\u00edritos, em cuja companhia um dia estar\u00e1. Aquele que se deixa dominar pelas <b>m\u00e1s paix\u00f5es<\/b>, e p\u00f5e todas as suas alegrias na satisfa\u00e7\u00e3o dos apetites grosseiros, se aproxima dos Esp\u00edritos impuros, dando preponder\u00e2ncia \u00e0 sua natureza animal. (grifo nosso)<\/p>\n<p>Na mesma Introdu\u00e7\u00e3o, quando trata da escala, das classes em que podemos situar os esp\u00edritos em sua trajet\u00f3ria evolutiva, o codificador afirma (p. 24):<\/p>\n<p>Os [esp\u00edritos] das outras classes se acham cada vez mais distanciados dessa perfei\u00e7\u00e3o, mostrando-se os das categorias inferiores, na sua maioria eivados das nossas <b>paix\u00f5es<\/b>: o \u00f3dio, a inveja, o ci\u00fame, o orgulho, etc. Comprazem-se no mal. (grifo nosso)<\/p>\n<p>Cabe-nos agora, destacar que o ego\u00edsmo e o orgulho comp\u00f5em o que Kardec designa como sendo as <b>paix\u00f5es<\/b>. O que podemos confirmar quando lemos mais adiante, ainda na Introdu\u00e7\u00e3o (p. 27):<\/p>\n<p>Ensinam-nos que o ego\u00edsmo, o orgulho, a sensualidade s\u00e3o <b>paix\u00f5es <\/b>que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos \u00e0 mat\u00e9ria; que o homem que, j\u00e1 neste mundo, se desliga da mat\u00e9ria, desprezando as futilidades mundanas e amando o pr\u00f3ximo, se avizinha da natureza espiritual. (grifo nosso)<\/p>\n<p>No cap\u00edtulo em que trata da <i>escala esp\u00edrita<\/i>, Kardec ao situar os Esp\u00edritos imperfeitos na terceira ordem, tra\u00e7a como seus caracteres gerais (p. 89): \u201cPredomin\u00e2ncia da mat\u00e9ria sobre o Esp\u00edrito. Propens\u00e3o para o mal. Ignor\u00e2ncia, orgulho, ego\u00edsmo <b>e todas as paix\u00f5es<\/b> que lhes s\u00e3o conseq\u00fcentes.\u201d (grifo nosso)<\/p>\n<p>Ser\u00e1 necess\u00e1rio darmos agora um salto e nos localizarmos na parte terceira de <i>O Livro dos Esp\u00edritos<\/i> (Das Leis Morais), no cap\u00edtulo XII, <i>Da perfei\u00e7\u00e3o moral<\/i>, no item denominado justamente Paix\u00f5es. Abrangendo seis quest\u00f5es (907 a 912), Kardec faz um estudo breve, por\u00e9m aprofundado deste tema, no di\u00e1logo que trava com os esp\u00edritos superiores que colaboram com a Codifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em resumo eis o que apreendemos:<\/p>\n<ul>\n<li>As paix\u00f5es s\u00e3o constitutivas, fazendo parte do que podemos denominar de <i>natureza humana<\/i>. O seu princ\u00edpio n\u00e3o \u00e9 originariamente mau, pois \u201co princ\u00edpio que lhe d\u00e1 origem foi posto no homem para o bem\u201d. S\u00e3o os acr\u00e9scimos nossos, da vontade humana, os excessos, pois o \u201cabuso que delas se faz \u00e9 que causa o mal\u201d. (quest\u00e3o 907)<\/li>\n<\/ul>\n<p>Como j\u00e1 comentado por Kardec em linhas atr\u00e1s, certas paix\u00f5es \u201cnos aproximam da <b>natureza animal<\/b>\u201d; desligando-se, por\u00e9m, o homem da mat\u00e9ria e suas atra\u00e7\u00f5es, por meio da a\u00e7\u00e3o de amor ao pr\u00f3ximo, ele se aproxima \u201cj\u00e1 neste mundo\u201d de sua <b>natureza espiritual<\/b>. (grifo nosso)<\/p>\n<p>Podemos inferir, pois, que as paix\u00f5es, este \u201centusiasmo muito vivo por alguma coisa\u201d ou este \u201csentimento ou emo\u00e7\u00e3o levados a um alto grau de intensidade\u201d na defini\u00e7\u00e3o do Aur\u00e9lio, transita na vis\u00e3o esp\u00edrita da <b>natureza animal <\/b>\u00e0 <b>natureza espiritual<\/b>. Do <b>instinto de conserva\u00e7\u00e3o<\/b> que nos impele a buscar tudo para n\u00f3s mesmos, no desejo de preservarmos nossa vida a qualquer custo, em detrimento da vida alheia (quando pr\u00f3ximos da natureza animal, nos prim\u00f3rdios das experi\u00eancias humanas) <b>transitamos <\/b>para um outro extremo, que \u00e9 a <b>abnega\u00e7\u00e3o<\/b>, que tamb\u00e9m na defini\u00e7\u00e3o do Aur\u00e9lio significa \u201crenunciar a; sacrificar-se, mortificar-se, em benef\u00edcio de Deus, do pr\u00f3ximo, de si mesmo\u201d. N\u00e3o \u00e0 toa, o pr\u00f3prio sacrif\u00edcio de Jesus, mormente na tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica (a morte na cruz) \u00e9 denominado de Paix\u00e3o (o pr\u00f3prio Aur\u00e9lio indica o uso da mai\u00fascula para assim o designar).<\/p>\n<ul>\n<li>O governo da paix\u00e3o \u00e9 o que determina o limite em que se situa a fronteira entre o bem e o mal. A paix\u00e3o se torna um perigo quando perdemos o dom\u00ednio sobre ela e causamos males aos outros ou a n\u00f3s mesmos. Como alavanca que pode decuplicar nossas for\u00e7as, se mal acionada e direcionada pode voltar-se contra n\u00f3s e nos esmagar. (quest\u00e3o 908)<\/li>\n<\/ul>\n<p>Na resposta dos esp\u00edritos a Kardec \u00e9 ainda dito que as paix\u00f5es se assemelham a um corcel , um cavalo veloz, \u201cque s\u00f3 tem utilidade quando governado e que se torna perigoso desde que passe a governar\u201d. A pr\u00f3pria sabedoria popular nos ensina que a vaidade, ou o ego\u00edsmo ou o orgulho n\u00e3o causam mal <b>desde que em doses adequadas<\/b>. Frases como \u201cum pouco de vaidade faz bem \u00e0 pessoa\u201d e outras do g\u00eanero (quando ditas com sinceridade) correspondem exatamente ao que os esp\u00edritos em outras palavras referem-se ao <b>dom\u00ednio das paix\u00f5es<\/b>.<\/p>\n<p>\u00c9 dito tamb\u00e9m que as paix\u00f5es, al\u00e9m de ampliar as for\u00e7as humanas, \u201cauxiliam na execu\u00e7\u00e3o dos des\u00edgnios da Provid\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>A paix\u00e3o, como define o Aur\u00e9lio, \u00e9 tamb\u00e9m um \u201dentusiasmo muito vivo\u201d e o termo entusiasmo corresponde a \u201cexalta\u00e7\u00e3o ou arrebatamento extraordin\u00e1rio daqueles que estavam sob inspira\u00e7\u00e3o divina\u201d, tamb\u00e9m significando \u201cdedica\u00e7\u00e3o ardente, ardor\u201d. Logo, o homem quando se torna entusiasmado, no sentido mais elevado do termo, pode auxiliar nas tarefas que a Provid\u00eancia Divina lhe designa e de que o homem \u00e9 instrumento.<\/p>\n<ul>\n<li>O princ\u00edpio das paix\u00f5es tem por fundamento um \u201csentimento\u201d ou uma \u201cnecessidade natural\u201d; logo, as paix\u00f5es n\u00e3o podem ser concebidas como um mal em si, pois elas s\u00e3o \u201cuma das condi\u00e7\u00f5es providenciais da nossa exist\u00eancia\u201d; o excesso na utiliza\u00e7\u00e3o desta <i>ferramenta<\/i> \u00e9 que causa o mal; as paix\u00f5es que o aproximam da natureza animal o afastam da natureza espiritual; haver\u00e1, por outro lado, \u201cpredomin\u00e2ncia do esp\u00edrito sobre a mat\u00e9ria\u201d quando os homens utilizarem as paix\u00f5es como <i>instrumento<\/i> a servi\u00e7o dos bons sentimentos, o que os conduzir\u00e1 mais rapidamente \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o que nos cabe atingir. (quest\u00e3o 908)<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Os esfor\u00e7os, as tentativas para se atingir uma meta, podem conduzir o homem a \u201cvencer as suas m\u00e1s inclina\u00e7\u00f5es\u201d. Por\u00e9m, o homem n\u00e3o costuma exercitar-se neste sentido, o que lhe exigiria, em verdade, \u201cesfor\u00e7os muito insignificantes\u201d. (quest\u00e3o 909)<\/li>\n<\/ul>\n<p>Kardec e os esp\u00edritos relacionam nesta quest\u00e3o a <b>m\u00e1 utiliza\u00e7\u00e3o das paix\u00f5es<\/b> e as <b>m\u00e1s inclina\u00e7\u00f5es<\/b>, <b>tend\u00eancias<\/b>, tornando-as sin\u00f4nimas. Os esp\u00edritos ent\u00e3o nos afirmaria, de outra forma, que <b>o governo<\/b>, <b>o dom\u00ednio <\/b>que pode se pode ter sobre as paix\u00f5es n\u00e3o exige, comumente, grandes esfor\u00e7os, mas apenas dedica\u00e7\u00e3o, persist\u00eancia.<\/p>\n<ul>\n<li>O homem pode contar com os bons esp\u00edritos, cuja miss\u00e3o \u00e9 auxili\u00e1-los, caso deseje vencer suas m\u00e1s paix\u00f5es ou inclina\u00e7\u00f5es. (quest\u00e3o 910)<\/li>\n<\/ul>\n<p>H\u00e1 uma inscri\u00e7\u00e3o no p\u00f3rtico de Delfos, na Gr\u00e9cia, dizendo que \u201cinvocado ou n\u00e3o ele estar\u00e1 sempre presente\u201d; a divindade ou Deus sempre est\u00e1 presente em nossas vidas, mesmo que n\u00e3o solicitemos&#8230; O mesmo ocorre com os bons esp\u00edritos, que nos assiste, nos auxiliando sempre. A despeito de nossa rebeldia e, \u00e0s vezes, do nosso mergulho deliberado no mal, eles esperam pacientemente uma oportunidade para nos reerguer, colocando-nos em condi\u00e7\u00f5es de retomar a caminhada no rumo do Bem. Se invocados (e invocar \u00e9 solicitar ajuda ou intercess\u00e3o de algu\u00e9m) ou se evocados (evocar \u00e9 chamar a si, reclamar a presen\u00e7a de algu\u00e9m) os esp\u00edritos amigos haver\u00e3o de nos auxiliar a vencer nossas m\u00e1s paix\u00f5es ou m\u00e1s tend\u00eancias, inclina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<ul>\n<li>A vontade pode sempre triunfar sobre as m\u00e1s paix\u00f5es, dominando-as. Os homens, no entanto, que se comprazem com o mal, que lhes proporciona prazer, pela afinidade com tudo o que se aproxima dessa sua transit\u00f3ria, mas obstinada natureza animal, s\u00e3o aqueles cuja \u201cvontade s\u00f3 lhes est\u00e1 nos l\u00e1bios\u201d. Aqueles que compreendem \u201ca sua natureza espiritual\u201d lutam por reprimir as pr\u00f3prias m\u00e1s tend\u00eancias. \u201cVenc\u00ea-las \u00e9, para eles, uma vit\u00f3ria do Esp\u00edrito sobre a mat\u00e9ria.\u201d (quest\u00e3o 911)<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00c9 mais f\u00e1cil, c\u00f4modo enganar-se, iludir-se do que se enfrentar nas <i>lutas sem quartel <\/i>que se tem que travar para a vit\u00f3ria sobre si mesmo, <i>contra o mal <\/i>existente dentro de n\u00f3s mesmos. A <i>alavanca f\u00e9rrea<\/i> da vontade, que nos pode ajudar a remover todos os obst\u00e1culos do caminho, precisa ser forjada todos os dias, retemperada pela ora\u00e7\u00e3o e pela vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio, portanto, estarmos atentos e em comunh\u00e3o com o Alto, para n\u00e3o nos amolentarmos, pois \u00e9 comum nos deixarmos arrastar pelos <i>cantos de sereia<\/i> da pregui\u00e7a, da acomoda\u00e7\u00e3o e dos prazeres que a isto conduz ou implica.<\/p>\n<ul>\n<li>Por fim, o ant\u00eddoto recomendado pelos esp\u00edritos no combate que se deve travar para vencer-se o \u201cpredom\u00ednio da natureza corp\u00f3rea\u201d \u00e9 a pr\u00e1tica da abnega\u00e7\u00e3o. (quest\u00e3o 912)<\/li>\n<\/ul>\n<p>A pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 abnega\u00e7\u00e3o indica o que nos cabe fazer: \u201crenunciar a; sacrificar-se, mortificar-se, em benef\u00edcio de Deus, do pr\u00f3ximo, de si mesmo\u201d. Os verbos de que o dicionarista se utiliza para definir abnega\u00e7\u00e3o nos sugere dois tipos de atitude: a ativa e a passiva. Renunciar a alguma coisa \u00e9, aparentemente, uma atitude passiva, de deixar-se, abandonar-se, apagar-se ou at\u00e9 de fugir de alguma situa\u00e7\u00e3o. No entanto, ningu\u00e9m pode renunciar \u00e0s coisas do mundo em favor de algo ou algu\u00e9m sem que mobilize as for\u00e7as do pensamento e do cora\u00e7\u00e3o, com \u201cdedica\u00e7\u00e3o ardente, ardor\u201d pr\u00f3prio de quem mobiliza o entusiasmo naquilo em que se empenha. A abnega\u00e7\u00e3o \u00e9, enfim, um sentimento de ren\u00fancia, de sacrif\u00edcio, de anula\u00e7\u00e3o do ego para a viv\u00eancia ativa do amor ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Bem, depois de termos examinado as quest\u00f5es 907 a 912, sobre as paix\u00f5es, cabe-nos indicar que as quest\u00f5es que se seguir\u00e3o trata do ego\u00edsmo. Da quest\u00e3o 913 a 917 Kardec e os esp\u00edritos dialogam sobre esta \u201cverdadeira chaga da sociedade\u201d. \u00c0s m\u00e1s paix\u00f5es ou m\u00e1s inclina\u00e7\u00f5es Kardec designar\u00e1 agora como <b>v\u00edcios<\/b> como se v\u00ea na quest\u00e3o 913: \u201cDentre os v\u00edcios, qual o que se pode considerar radical?\u201d<\/p>\n<p>A resposta \u00e9 naturalmente o ego\u00edsmo, que est\u00e1 na raiz de todos os males (da\u00ed o adjetivo<b> radical <\/b>utilizado na pergunta). E continuam os esp\u00edritos \u201cPor mais que lhes deis combate, n\u00e3o chegareis a extirp\u00e1-los, enquanto n\u00e3o atacardes <b>o mal pela raiz<\/b>, enquanto n\u00e3o lhe houverdes destru\u00eddo a causa. Tendam, pois, todos os esfor\u00e7os para esse efeito&#8230;\u201d (grifos nossos)<\/p>\n<p>E ao final da resposta os esp\u00edritos s\u00e3o claros:<\/p>\n<p>Quem quiser, desde esta vida, ir aproximando-se da perfei\u00e7\u00e3o moral, deve expurgar o seu cora\u00e7\u00e3o de todo sentimento de ego\u00edsmo, visto ser o ego\u00edsmo incompat\u00edvel com a justi\u00e7a, o amor e a caridade. Ele neutraliza todas as outras qualidades.<\/p>\n<p>A id\u00e9ia de que o ego\u00edsmo e o orgulho possam ser situados como causa de todos os males humanos pode causar <i>mal estar <\/i>a muitos que se prop\u00f5e a examinar estas quest\u00f5es. Os esp\u00edritos e Kardec, de modo simples e coerente, s\u00e3o muito felizes em situar no campo das <b>causas \u00faltimas<\/b>, o papel das paix\u00f5es ou dos sentimentos do ego\u00edsmo, do orgulho e outros assemelhados. Tudo o mais estaria no <b>campo dos efeitos<\/b>. (que podem se tornar causa de outros efeitos). A mis\u00e9ria s\u00f3cio-econ\u00f4mica, por exemplo, pode ter sua origem na extrema concentra\u00e7\u00e3o de renda em determinado pa\u00eds ou regi\u00e3o. Na vis\u00e3o esp\u00edrita, sem desprezar as an\u00e1lises sociol\u00f3gicas, econ\u00f4micas ou quaisquer outras, a causa deste fen\u00f4meno est\u00e1 no ego\u00edsmo e no orgulho dos homens, em \u00faltima inst\u00e2ncia. A extrema concentra\u00e7\u00e3o de renda, alegada como causa, na verdade seria <b>um efeito <\/b>da <b>causa primordial<\/b> que s\u00e3o as <b>m\u00e1s paix\u00f5es<\/b>.<\/p>\n<p><b>Sentir \u00e9 causar<\/b><\/p>\n<p>Pesquisando na Internet sobre este tema que estamos tratando, encontramos uma interessante disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, na \u00e1rea da Psicologia Social, que em resumo trata da rela\u00e7\u00e3o entre maturidade, estabilidade emocional e altru\u00edsmo. A autora deste trabalho investigou o perfil daqueles que adotam crian\u00e7as, tendo comparado o grupo que adota crian\u00e7as ainda beb\u00eas e aqueles que o fazem com crian\u00e7as maiores. Ao final conclui-se que \u201cos adotantes tardios realmente mostraram-se mais maduros, est\u00e1veis emocionalmente e mais altru\u00edstas do que os adotantes convencionais\u201d.<\/p>\n<p>Buscando a equival\u00eancia do conceito de abnega\u00e7\u00e3o e <b>altru\u00edsmo<\/b>, podemos inferir que aqueles que se devotam ao pr\u00f3ximo, <i>esquecidos <\/i>de si mesmos, t\u00eam por <i>resposta<\/i>, em decorr\u00eancia direta, uma maior maturidade e estabilidade emocional (enfim, os sentimentos de plenitude, de paz, t\u00e3o almejados por todos). Abnegar-se, no caso espec\u00edfico das ado\u00e7\u00f5es tardias, isto \u00e9, de crian\u00e7as maiores, com 2 ou mais anos, \u00e9 romper com as conven\u00e7\u00f5es, assumir o sacrif\u00edcio da adapta\u00e7\u00e3o, dar-se em maior cota de amor para integrar a crian\u00e7a \u00e0 nova fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Podemos parafrasear Martin Claret e afirmar que <b>sentir \u00e9 causar<\/b>. Isto \u00e9, aqueles que experimentam, exercitam sentimentos elevados, aqueles voltados ao bem-estar do pr\u00f3ximo, modificam suas pr\u00f3prias vidas. Causam transforma\u00e7\u00f5es no campo de manifesta\u00e7\u00f5es das emo\u00e7\u00f5es, adquirindo o que se denomina freq\u00fcentemente de equil\u00edbrio ou centramento psicol\u00f3gico (fulano \u00e9 uma pessoa centrada, equilibrada).<\/p>\n<p>Por outro lado, sentimentos pouco elevados, carregados de apego ao ego, <b>causam<\/b> tamb\u00e9m, ou seja, promovem tamb\u00e9m modifica\u00e7\u00f5es em nossas vidas \u2013 pessoais e coletivas. A discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9tnica, racial que tem causado tantos problemas no mundo, \u00e9 exemplo disto. Os resultados, no mais das vezes, s\u00e3o trag\u00e9dias, quer pessoais, grupais ou coletivas (o exterm\u00ednio dos judeus, j\u00e1 citado; a persegui\u00e7\u00e3o aos ciganos no leste europeu; as sutis discrimina\u00e7\u00f5es aos negros brasileiros e outros lament\u00e1veis exemplos).<\/p>\n<p><b>O combate ao mal<\/b><\/p>\n<p>Por n\u00e3o sabermos ainda produzir, em nossos pensamentos, atitudes e a\u00e7\u00f5es <b>o<\/b> <b>bem em toda a plenitude<\/b>, estamos \u00e0s voltas com as sobras, com os res\u00edduos das nossas paix\u00f5es, de que devemos nos livrar, conforme propomos no in\u00edcio deste texto. N\u00e3o \u00e9 simples, por\u00e9m, nos livrarmos do mal que produzimos. Mal que nasce em n\u00f3s, nos impregna e temporariamente passa a fazer parte de nossa personalidade.<\/p>\n<p>Para atingir tal intento \u00e9 preciso vigiar, como sentinelas atentos, as fontes do pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o, de onde afinal prov\u00e9m todo o mal, como nos ensinou Jesus, quando lan\u00e7ou uma pergunta que continua atual: \u201c&#8230;como podeis v\u00f3s dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que h\u00e1 em abund\u00e2ncia no cora\u00e7\u00e3o, disso fala a boca.\u201d (Mateus 12:34)<\/p>\n<p>Paulo de Tarso na sua carta aos romanos (7:19) tece coment\u00e1rios sobre as lutas que se deve travar para combater o mal em n\u00f3s mesmos, em frase j\u00e1 c\u00e9lebre: \u201cPorque n\u00e3o fa\u00e7o o bem que quero, mas o mal que n\u00e3o quero esse fa\u00e7o\u201d.<\/p>\n<p>Prosseguindo nesta linha de argumenta\u00e7\u00e3o podemos levar a pensar que o mal de que estamos falando \u00e9 algo medonho, terr\u00edvel, execr\u00e1vel \u2013 e poder\u00edamos citar aqui certas manifesta\u00e7\u00f5es do mal que tenham realmente uma tal face. Algu\u00e9m poderia dizer a si mesmo: \u201cBem, deste tipo de mal felizmente eu estou livre&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Pois bem, o mal por\u00e9m, de que estamos a tratar n\u00e3o se restringe \u00e0s suas manifesta\u00e7\u00f5es mais grotescas, tr\u00e1gicas. E por isso est\u00e1 t\u00e3o presente em n\u00f3s&#8230; O mal de que fala o Paulo em suas ep\u00edstolas \u00e9 o <b>mal corriqueiro <\/b>que vive em n\u00f3s e \u00e9 alimentado por n\u00f3s mesmos. E que, em certa medida, nos proporciona prazer. Da\u00ed a nossa dificuldade de nos desembara\u00e7armos dele&#8230;<\/p>\n<p>Retomando a quest\u00e3o do abuso dos instintos, temos um mal t\u00e3o comum hoje, que a ningu\u00e9m repugna em princ\u00edpio: <b>o comer em excesso<\/b>. Nele est\u00e1 presente o instinto de conserva\u00e7\u00e3o. A natureza estabeleceu para algumas das fun\u00e7\u00f5es deste instinto a sensa\u00e7\u00e3o de prazer, reconforto, saciedade, como forma de regul\u00e1-lo. E ao extrapolarmos os instintos, abusando deles, nos apegamos \u00e0s sensa\u00e7\u00f5es e nos viciamos literalmente no <b>h\u00e1bito de comer em demasia<\/b>, n\u00e3o mais para nos alimentarmos, mas para extrairmos prazer \u2013 bruto ou sofisticado deste ato. \u00c9 preciso ainda acrescentar que podemos nos dar aos excessos apoiados confortavelmente em mil dissimula\u00e7\u00f5es, disfarces, desculpas, prontamente aceitas pelos outros, condescendentes que somos com os <i>desvios <\/i>alheios, tanto quanto como os nossos&#8230;<\/p>\n<p>Os <b>maus h\u00e1bitos <\/b>de cada dia por vezes tendem a se perpetuar em nossas vidas por diversos motivos, entre outros, a pr\u00f3pria <b>aprova\u00e7\u00e3o social <\/b>dos mesmos. Vivendo em uma sociedade ainda marcadamente materialista e hedonista, n\u00e3o \u00e9 de surpreender que nos vejamos impelidos a aceitar como natural todas as <b>atra\u00e7\u00f5es da mat\u00e9ria <\/b>e todos os <b>prazeres <\/b>que isto proporciona.<\/p>\n<p>A luta sem tr\u00e9guas e sem quartel contra o mal que existe ainda em n\u00f3s, exige n\u00e3o t\u00e3o somente <b>conhecimento<\/b>, mas sobretudo <b>um grande esfor\u00e7o de vontade deliberada e consciente<\/b>, pois estagiamos ainda pr\u00f3ximos <i>das nossas experi\u00eancias no reino da animalidade<\/i>; da\u00ed nos sentirmos atra\u00eddos, arrastados por certas facetas das <b>m\u00e1s paix\u00f5es<\/b>. Por isso, n\u00e3o raro, apesar de toda a consci\u00eancia do bem e do mal, nossos atos de rebeldia ou de invigil\u00e2ncia nos embara\u00e7a nas tramas de <b>experi\u00eancias totalmente dispens\u00e1veis <\/b>que trazem por conseq\u00fc\u00eancia direta ou indireta, dores e responsabilidades&#8230;<\/p>\n<p>Muitos de n\u00f3s sucumbimos a estas experi\u00eancias dispens\u00e1veis por estarmos desatentos ao cumprimento dos deveres que nos cabe realizar, \u00e0s vezes penosos. Para fugirmos \u00e0 rotina, que nos constrange mas tamb\u00e9m nos livra de muitos problemas, nos lan\u00e7amos em certas aventuras que nos causam problemas sem fim.<\/p>\n<p>Outros, desejando testar inconseq\u00fcentemente suas pr\u00f3prias resist\u00eancias, findam por abrir a caixa de Pandora (que segundo a mitologia grega continha todos os males), despertando sentimentos, sensa\u00e7\u00f5es que deveriam permanecer soterrados, a espera de melhor oportunidade para serem trabalhados, lapidados. Portanto, n\u00e3o tenhamos nunca a m\u00f3rbida curiosidade de conhecer em toda a extens\u00e3o a &#8220;maldade humana&#8221; (a nossa pr\u00f3pria e a alheia), cabendo-nos, antes, mantermo-nos em alerta, para evitar que o mal que brota de n\u00f3s mesmos se alastre e por cont\u00e1gio encontre afinidade com o mal que nasce em outros cora\u00e7\u00f5es&#8230;<\/p>\n<p><b>Conhecer-se para transformar-se<\/b><\/p>\n<p>Para todos que desejem sustentar-se na <b>luta sem tr\u00e9guas<\/b>, encontramos em Santo Agostinho uma das estrat\u00e9gias mais eficazes de autotransforma\u00e7\u00e3o (e por conseq\u00fc\u00eancia de vit\u00f3ria sobre n\u00f3s mesmos). Trata-se da medita\u00e7\u00e3o di\u00e1ria sobre os pr\u00f3prios atos, fundamental se desejamos <b>combater o mal em n\u00f3s mesmos sistematicamente<\/b>. A li\u00e7\u00e3o agostiniana est\u00e1 inserida na \u00faltima quest\u00e3o (919 e 919-a) da Parte Terceira <b>Das leis morais<\/b>, no cap\u00edtulo XII, Da perfei\u00e7\u00e3o moral de <i>O Livro dos Esp\u00edritos<\/i>.<\/p>\n<p>Na primeira parte da quest\u00e3o (919) Kardec indaga dos esp\u00edritos: \u201c<i>Qual o meio pr\u00e1tico mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir \u00e0 atra\u00e7\u00e3o do mal?<\/i>\u201d A resposta, muito direta e clara \u00e9 tamb\u00e9m concisa: \u201cUm s\u00e1bio da antig\u00fcidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo.\u201d<\/p>\n<p>Muito arguto, Kardec desdobra a quest\u00e3o buscando solucionar a quest\u00e3o pr\u00e1tica que envolve o tema: <b>o como faz\u00ea-lo<\/b>: \u201d<i>Conhecemos toda a sabedoria desta m\u00e1xima, por\u00e9m a dificuldade est\u00e1 precisamente em cada um conhecer-se a si mesmo. Qual o meio de consegui-lo?<\/i>\u201d<\/p>\n<p>Santo Agostinho, como resposta, tece muitas considera\u00e7\u00f5es, que resumiremos a seguir:<\/p>\n<ul>\n<li>Devemos interrogar a pr\u00f3pria consci\u00eancia, passando em revista os atos cotidianos, para a identifica\u00e7\u00e3o dos desvios do deveres que deveriam ter sido cumpridos e dos motivos alheios de queixa por conta dos nossos atos. Por este meio chegou ele, Santo Agostinho, a se conhecer \u201ce a ver o que [nele] precisava de reforma\u201d.<\/li>\n<li>Quem se disponha a examinar os atos cotidianos para identifica\u00e7\u00e3o do bem ou do mal que se possa ter feito \u201cgrande for\u00e7a adquiriria para se aperfei\u00e7oar\u201d. Acresce ele que se deve rogar a Deus e aos esp\u00edritos protetores esclarecimento, pois \u201cDeus o assistiria\u201d neste sentido.<\/li>\n<li>Prop\u00f5e para o exame dos atos cotidianos <i>o dirigir a si mesmo perguntas<\/i>, <i>o interrogar-se sobre o que se faz e com que prop\u00f3sito <\/i>para identificarmos <i>se fizemos algo que censurar\u00edamos se praticado por outra pessoa<\/i>, e tamb\u00e9m <i>se fizemos algo que n\u00e3o ousar\u00edamos confessar<\/i>.<\/li>\n<li>Prop\u00f5e ainda mais, fazendo-nos situar diante da vida na condi\u00e7\u00e3o <i>daquele que pode retornar ao mundo dos Esp\u00edritos a qualquer instante, onde deveremos fazer o balan\u00e7o dos pr\u00f3prios atos praticados durante a experi\u00eancia carnal<\/i>: ao desembarcar no outro lado da vida onde nada pode ser ocultado ter\u00edamos \u201cque temer o olhar de algu\u00e9m\u201d?<\/li>\n<li>A prova de que podemos<i> descansar a consci\u00eancia<\/i> est\u00e1 em <i>examinar se nada fizemos contra a Divindade, ao pr\u00f3ximo e a n\u00f3s mesmos<\/i>.<\/li>\n<li>Porque seja dif\u00edcil a auto-avalia\u00e7\u00e3o, o auto-julgamento por conta das <i>ilus\u00f5es do amor-pr\u00f3prio<\/i>, \u00e9 proposto como <i>meio de verifica\u00e7\u00e3o isento de ilus\u00e3o<\/i> perguntar a si mesmo como classificar\u00edamos nossas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es, se praticadas por outras pessoas. Se tivermos motivos para censurar tais a\u00e7\u00f5es, torna-se claro que n\u00e3o devemos agir do mesmo modo.<\/li>\n<li>Na mesma linha de racioc\u00ednio, prop\u00f5e ele que procuremos <i>verificar o que pensam os outros sobre os nossos atos<\/i>. E mais: a opini\u00e3o dos inimigos, por n\u00e3o terem <i>nenhum interesse em mascarar a verdade<\/i>, n\u00e3o deve ser desprezada, pois eles s\u00e3o um bom meio de advert\u00eancia, utilizando-se com mais freq\u00fc\u00eancia da <i>franqueza do que faria um amigo<\/i>.<\/li>\n<li>Aconselha ainda \u00e0queles que se <i>sintam possu\u00eddo do desejo s\u00e9rio de melhorar-se<\/i> a investigar minuciosamente a pr\u00f3pria consci\u00eancia <i>a fim de extirpar de si os maus pendores<\/i>. E tal como ele pr\u00f3prio o fazia, que busquemos <i>dar um balan\u00e7o di\u00e1rio de nossas a\u00e7\u00f5es morais<\/i>, para avaliarmos perdas e lucros; os lucros ser\u00e3o maiores que as perdas se assim agirmos.<\/li>\n<li>Em seguida Santo Agostinho afirma textualmente: \u201cSe puder dizer que foi bom o seu dia, poder\u00e1 dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra vida.\u201d O <i>seu dia<\/i>, cremos n\u00f3s, deve ser entendido com a culmin\u00e2ncia de uma sucess\u00e3o de dias. De qualquer forma, indica-nos a necessidade de <i>aproveitarmos bem todos os dias<\/i>, dando aten\u00e7\u00e3o ao tempo que costuma fugir-nos das m\u00e3os, caso n\u00e3o o administremos bem.<\/li>\n<li>Como meio de auto-exame da consci\u00eancia, recomenda que formulemos \u201cquest\u00f5es n\u00edtidas e precisas\u201d, n\u00e3o temendo multiplic\u00e1-las, de modo a nos interrogarmos acerca de nossos pr\u00f3prios atos. Este<b> di\u00e1logo \u00edntimo<\/b>, que n\u00e3o toma mais que alguns minutos e \u201calguns esfor\u00e7os\u201d, \u00e9 meio de conquista da \u201cfelicidade eterna\u201d.<\/li>\n<li>Posto que muitos t\u00eam o futuro como incerto, \u00e9 que os esp\u00edritos v\u00eam dissipar as nossas incertezas \u201cpor meio de fen\u00f4menos\u201d <i>capazes de nos ferir os sentidos<\/i> e de \u201cinstru\u00e7\u00f5es\u201d (que nos cabe, por nossa vez, tamb\u00e9m disseminar).<\/li>\n<\/ul>\n<p>O coment\u00e1rio breve de Kardec a esta resposta \u00e9 digno tamb\u00e9m de exame. E para tanto tomamos a liberdade de transcrev\u00ea-lo literalmente:<\/p>\n<p><i>Muitas faltas que cometemos nos passam despercebidas. Se, efetivamente, seguindo o conselho de Santo Agostinho, interrog\u00e1ssemos mais ami\u00fade a nossa consci\u00eancia, ver\u00edamos quantas vezes falimos sem que o suspeitemos, unicamente por n\u00e3o perscrutarmos a natureza e o m\u00f3vel dos nossos atos. A forma interrogativa tem alguma coisa de mais preciso do que qualquer m\u00e1xima, que muitas vezes deixamos de aplicar a n\u00f3s mesmos. Aquela exige respostas categ\u00f3ricas, por um sim ou n\u00e3o, que n\u00e3o abrem lugar para qualquer alternativa e que s\u00e3o outros tantos argumentos pessoais. E, pela soma que derem as respostas, poderemos computar a soma de bem ou de mal que existe em n\u00f3s.<\/i><\/p>\n<p><b>A t\u00edtulo de conclus\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Diante da banaliza\u00e7\u00e3o do mal que se espalha pelo <i>mundo dos homens<\/i>, resta-nos individual e coletivamente nos lan\u00e7armos ao <i>bom combate<\/i>, que \u00e9 constante, exigindo-nos disciplina e perseveran\u00e7a. A <i>guerra do bem contra o mal<\/i>, tema de incont\u00e1veis livros e filmes, deve ser travada nos dom\u00ednios dos nossos pr\u00f3prios cora\u00e7\u00f5es, acima de tudo.<\/p>\n<p>Lembrando-nos da alegoria dos ovos da serpente, devemos quebr\u00e1-los todos ainda no ninho, antes que libertemos o mal que ainda teima em fazer morada em n\u00f3s. Se j\u00e1 desencadeamos o mal, somente nos resta sofrer-lhe as conseq\u00fc\u00eancias, com serenidade e resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Se nos embara\u00e7amos nas tramas do mal, n\u00e3o basta arrependermo-nos de nossos atos e nos comprometermos \u00e0 mudan\u00e7a por desencargo de consci\u00eancia (ou por quaisquer formas de promessas); \u00e9 necess\u00e1rio meditarmos profundamente no m\u00f3vel de nossas a\u00e7\u00f5es; \u00e9 preciso, enfim, mergulharmos a sonda da investiga\u00e7\u00e3o em nosso esp\u00edrito para o exame de nossos mais profundos sentimentos e pensamentos.<\/p>\n<p>Se a nossa m\u00e1 a\u00e7\u00e3o decorreu, por exemplo, do exerc\u00edcio da viol\u00eancia, devemos buscar em nosso cora\u00e7\u00e3o as ra\u00edzes desta viol\u00eancia, esteja ela onde esteja; e somente h\u00e1 um meio de extirparmos definitivamente as ra\u00edzes de todos os males: estarmos de permanente prontid\u00e3o para domar, controlar-lhes as express\u00f5es&#8230; Aprende-se nas reuni\u00f5es dos An\u00f4nimos (alco\u00f3licos, em particular) que nossos v\u00edcios (as m\u00e1s paix\u00f5es) n\u00e3o tem propriamente cura, mas t\u00e3o somente controle. As lutas sem fim e sem quartel contra o mal exige-nos, desta forma, uma plena disponibilidade de vigil\u00e2ncia e ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Caso nossa &#8220;medita\u00e7\u00e3o&#8221; acerca das ra\u00edzes e frutos do mal seja superficial; caso n\u00e3o examinemos com rigor as causas de nossas a\u00e7\u00f5es, fatalmente incorreremos nos mesmos erros, quando as circunst\u00e2ncias mudarem, quando forem outros os cen\u00e1rios. O motivo da reincid\u00eancia est\u00e1 em que n\u00f3s n\u00e3o exercitamos nosso &#8220;racioc\u00ednio moral&#8221;, que tamb\u00e9m se desenvolve como o racioc\u00ednio l\u00f3gico, matem\u00e1tico, etc.<\/p>\n<p>Por outro lado, mesmo que n\u00e3o estejamos \u00e0s voltas com as express\u00f5es mais vis\u00edveis do mal, como as paix\u00f5es humanas tornaram-se mais \u201cviolentas e devastadoras, no homem que prossegue inquieto\u201d, segundo Joanna de \u00c2ngelis, \u00e9 poss\u00edvel que as conseq\u00fc\u00eancias destas paix\u00f5es nos atinjam, diretamente ou indiretamente. A tend\u00eancia de nos refugiarmos no nosso mundo <i>ainda preservado do cont\u00e1gio de tantos males <\/i>pode nos tornar alheios a este <i>mundo de provas e expia\u00e7\u00f5es<\/i>. Mantermo-nos sens\u00edveis \u00e0 dor do pr\u00f3ximo, por mais que isto nos possa incomodar ou constranger \u00e9 atitude genuinamente crist\u00e3&#8230; Refugiar-se na indiferen\u00e7a, como fuga aos inc\u00f4modos que as dores, as paix\u00f5es e erros alheios nos causam, n\u00e3o \u00e9 medida salutar.<\/p>\n<p>Necess\u00e1rio se torna que aprendamos com nossas viv\u00eancias pr\u00e1ticas e com os exerc\u00edcios do \u201cracioc\u00ednio moral\u201d e com um farto material de aprendizagem: os erros pr\u00f3prios e os alheios. O aprimoramento \u00e9tico-moral exige, enfim, reflex\u00e3o e mergulho em si mesmo. E se necess\u00e1rio for, que revisemos periodicamente nossas quedas e deslizes no campo moral, ativando a mem\u00f3ria para nos lembrarmos dos tantos espinhos que j\u00e1 trazemos cravados na &#8220;carne do esp\u00edrito&#8221;, tal como ensina Paulo de Tarso. Estes espinhos nos lembrar\u00e3o a nossa condi\u00e7\u00e3o de <i>enfermos em est\u00e1gio de longa recupera\u00e7\u00e3o<\/i>, necessitados de cautela&#8230;<\/p>\n<p>E no mais, que acreditemos, como em <i>Ju\u00edzo Final,<\/i> can\u00e7\u00e3o de Nelson Cavaquinho, que \u201cdo mal ser\u00e1 queimada a semente \/ o amor ser\u00e1 eterno novamente\u201d, tendo a certeza de que todo o imp\u00e9rio do mal ruir\u00e1 quando rompermos os elos que mantemos com as por\u00e7\u00f5es inferiores de nossa pr\u00f3pria individualidade!<\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/p>\n<ul>\n<li>FRANCO, Divaldo Pereira. <b>Sol de Esperan\u00e7a <\/b>(diversos esp\u00edritos). 2\u00aa ed. Salvador: Livraria Esp\u00edrita Alvorada, 1978.<\/li>\n<li>KARDEC, Allan. <b>Livro dos Esp\u00edritos<\/b>. Federa\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita Brasileira: Rio de Janeiro, 1995. 76\u00aa edi\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>MACEDO, Joel. <b>O mal nosso de cada dia &#8211; Fil\u00f3sofa parte do terremoto de Lisboa para mostrar como o mal deixou de ser divino para se tornar cria\u00e7\u00e3o do homem<\/b>. Dispon\u00edvel em <span style=\"text-decoration: underline;\">http:\/\/jbonline.terra.com.br\/jb\/papel\/cadernos\/ideias\/2004\/03\/05\/joride20040305001.html<\/span>.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abel Sidney de Souza E as paix\u00f5es hoje s\u00e3o quase as mesmas de ontem, sen\u00e3o mais a\u00e7uladas, mais violentas e devastadoras, no homem que prossegue inquieto. Joanna de \u00c2ngelis A vis\u00e3o esp\u00edrita do mal Para a doutrina dos esp\u00edritos o &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/a-transitoria-maldade-humana-2\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1,16],"tags":[],"class_list":["post-1711","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-espiritismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1711","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1711"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1711\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1711"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1711"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1711"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}