{"id":1720,"date":"2013-09-30T08:50:52","date_gmt":"2013-09-30T11:50:52","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=1720"},"modified":"2013-09-30T08:50:52","modified_gmt":"2013-09-30T11:50:52","slug":"o-ser-e-o-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-ser-e-o-tempo\/","title":{"rendered":"O Ser e o Tempo"},"content":{"rendered":"<p>Dalmo Duque dos Santos<\/p>\n<p><i>\u201cMas de onde se origina ele? Por onde e para onde passa quando se mede?<\/i><\/p>\n<p><i>De onde se origina ele sen\u00e3o do futuro? Por onde caminha sen\u00e3o pelo presente? Para onde se dirige sen\u00e3o para o passado? Portanto, nasce naquilo que ainda n\u00e3o existe, atravessando aquilo que carece de dimens\u00e3o para ir para aquilo que j\u00e1 n\u00e3o existe\u201d <\/i>\u2013 Santo Agostinho<\/p>\n<p>A Natureza possui como marca essencial os seus ritmos, que d\u00e3o vida aos fen\u00f4menos e significado para eventos. \u00c9 assim que as coisas acontecem, cada qual a seu modo e com suas caracter\u00edsticas pr\u00f3prias: na pulsa\u00e7\u00e3o c\u00f3smica, nas esta\u00e7\u00f5es, per\u00edodos clim\u00e1ticos, nas mar\u00e9s, nos ventos, nas perturba\u00e7\u00f5es tel\u00faricas, fisiol\u00f3gicas e sociais, nos ciclos de reprodu\u00e7\u00e3o, migra\u00e7\u00f5es, etc. No aspecto humano, os ritmos tomam significados mais complexos, como os ciclos biol\u00f3gicos e ps\u00edquicos. Na maioria desses ritmos encontramos a presen\u00e7a inexor\u00e1vel e enigm\u00e1tica do tempo.<\/p>\n<p>Somente os seres humanos mais evolu\u00eddos possuem a faculdade da consci\u00eancia, isto a percep\u00e7\u00e3o de si mesmos e da realidade em que vivem. Isso acontece quando, atrav\u00e9s das intelig\u00eancias, superamos os instintos e passamos a agir na solu\u00e7\u00e3o de problemas fazendo escolhas. Sabemos que existimos e que somos parte de um sistema de vida social de muitas articula\u00e7\u00f5es, fazendo com que a nossa percep\u00e7\u00e3o e atua\u00e7\u00e3o sejam sempre em dois aspectos distintos: o individual, o nosso EU e a nossa personalidade; e o coletivo, que \u00e9 a nossa identidade social, na fam\u00edlia e na sociedade.<\/p>\n<p>A consci\u00eancia \u00e9, portanto, um fen\u00f4meno hist\u00f3rico, pois \u00e9 a soma desse dois aspectos da percep\u00e7\u00e3o da realidade, o individual e o coletivo, e se amplia na medida em que o ser amadurece pelas experi\u00eancias. Ao fazer essa rela\u00e7\u00e3o de si mesmo com o mundo ao seu redor, o ser percebe o funcionamento das coisas e da sua pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o org\u00e2nica e ps\u00edquica. Isso acontece atrav\u00e9s da percep\u00e7\u00e3o do outro e do tempo ou dura\u00e7\u00e3o das coisas. Tudo passa por um processo hist\u00f3rico, de causas e efeitos, e tem um tempo a ser equacionado, um in\u00edcio, um meio e um fim. Os animais s\u00f3 percebem o tempo atrav\u00e9s de coisas concretas, como os fen\u00f4menos f\u00edsicos naturais: clima, o dia e noite, as luas, as esta\u00e7\u00f5es do ano, etc. J\u00e1 o ser humano vai al\u00e9m disso e passa a observar o tempo de forma abstrata, matematicamente, vendo inclusive a possibilidade de interferir, n\u00e3o na dura\u00e7\u00e3o, mas na distribui\u00e7\u00e3o da sua utilidade, de acordo com a suas necessidades. Assim como h\u00e1 a possibilidade de intervir na Natureza, em fun\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de recursos, por exemplo, \u00e9 poss\u00edvel fazer o mesmo com o tempo, transformando o tempo integral em per\u00edodos espec\u00edficos fragmentados: tempo pessoal e tempo social : trabalho, repouso, lazer, obriga\u00e7\u00f5es sociais, voluntariado, etc. Tudo isso \u00e9 o tempo absoluto, o todo, e tamb\u00e9m o tempo relativo, em partes, dependendo de quem e como observa; \u00e9 ainda o tempo hist\u00f3rico, ou seja, a rela\u00e7\u00e3o que fazemos entre o presente, o passado e o futuro. O inverso de tudo isso \u00e9 a aliena\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o natural dos animais irracionais, e tamb\u00e9m a recusa que muitas vezes fazemos em tomar ci\u00eancia das coisas que est\u00e3o acontecendo. Quando fazemos essa escolha de ignorar os fatos, estamos provocando voluntariamente a nossa aliena\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 de certa forma uma viola\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia. Temos a liberdade de agir dessa forma, mas pagamos um alto pre\u00e7o por essas decis\u00f5es, pois toda a\u00e7\u00e3o tem uma rea\u00e7\u00e3o correspondente, em todos os planos da vida, incluindo na vida ps\u00edquica. Isso significa que tudo \u00e9 poss\u00edvel, mas tudo tem uma conseq\u00fc\u00eancia inevit\u00e1vel. \u00c9 por isso que a aliena\u00e7\u00e3o deliberada \u00e9 uma viol\u00eancia, uma esp\u00e9cie de suic\u00eddio da consci\u00eancia, um crime contra a Natureza e a Cria\u00e7\u00e3o Divina. Essa \u00e9 a causa dos sofrimentos humanos, quase sempre gerados pelas tentativas v\u00e3s de burlarmos a realidade ou fugir de n\u00f3s mesmos. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia ou por \u201cimperfei\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria\u201d que vemos ao nosso redor milhares de seres alienados mentalmente, loucos e impedidos de liberdade de a\u00e7\u00e3o e racioc\u00ednio.<\/p>\n<p>Geralmente, nesses casos, os acidentes da Natureza s\u00e3o precedidos de incidentes provocados pela imaturidade humana. Quase sempre o despertar da consci\u00eancia \u00e9 doloroso, sendo raros os casos em que o ser o faz espontaneamente. Isso tamb\u00e9m nos leva a refletir por que essas primeiras li\u00e7\u00f5es ocorrem em mundos imperfeitos e geralmente sob circunst\u00e2ncias contradit\u00f3rias. A transi\u00e7\u00e3o entre o Instinto e a Consci\u00eancia \u00e9 que marca essas experi\u00eancias recheadas de tens\u00f5es e sofrimentos. Temos necessidades fundamentais[12] e que precisam ser satisfeitas em nossos campos de percep\u00e7\u00e3o (psicol\u00f3gicas) e de atua\u00e7\u00e3o (biol\u00f3gicas e sociais): aliment a\u00e7\u00e3o, sono, sexo, contato f\u00edsico, amor, aceita\u00e7\u00e3o, afei\u00e7\u00e3o, independ\u00eancia, status, realiza\u00e7\u00e3o, prest\u00edgio, reconhecimento social. Tais necessidades geram uma tens\u00e3o permanente, causada pela busca de al\u00edvio e finalmente a realiza\u00e7\u00e3o. Se o al\u00edvio n\u00e3o for poss\u00edvel, nos frustramos.<\/p>\n<p>Exatamente por termos a liberdade de escolher, e tamb\u00e9m de abusar da escolha, nas circunst\u00e2ncias em nos que sentimos amea\u00e7ados na satisfa\u00e7\u00e3o das nossas necessidades, lan\u00e7amos m\u00e3o do recurso das fugas e partimos para os ataques em diversos graus de comprometimento, desde os pequenos deslizes at\u00e9 os erros mais graves e de conseq\u00fc\u00eancias dr\u00e1sticas. A fuga \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o e n\u00e3o uma regra, mesmo porque muitas fugas s\u00e3o atitudes que agravam os efeitos dos erros cometidos anteriormente. Em muitas ocasi\u00f5es as fugas funcionam como alternativas tempor\u00e1rias, at\u00e9 que tenhamos maturidade para enfrentar a situa\u00e7\u00e3o. Mas elas n\u00e3o podem persistir como situa\u00e7\u00e3o permanente, pois isso afeta o processo natural de evolu\u00e7\u00e3o do ser. Uma analogia bem simples para entender isso s\u00e3o os objetos que s\u00e3o introduzidos por acidente ou s\u00e3o implantados num corpo com a inten\u00e7\u00e3o de corrigir uma falha org\u00e2nica. \u00c9 uma alternativa poss\u00edvel, mas, por serem estranhos ao conjunto, podem naturalmente ser rejeitados e repelidos. Assim tamb\u00e9m s\u00e3o as fugas que, numa determinada altura, j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais aceitas, pois atingiram o limite imposto pela Evolu\u00e7\u00e3o. Se houver persist\u00eancia, o ser \u00e9 envolvido em situa\u00e7\u00f5es fora do seu controle, caracterizando at\u00e9 um certo determinismo, for\u00e7ando-o a atuar de forma consciente diante dos problemas. Isto \u00e9 a expia\u00e7\u00e3o, o que vulgarmente se chama de \u201carmadilhas do destino\u201d.<\/p>\n<p>Mas o despertar da consci\u00eancia ocorre somente quando come\u00e7amos a dialogar com o nosso \u201cEu\u201d. Esse di\u00e1logo \u00e9 como entrar pela primeira vez, sozinho, numa caverna escura. Para vencer o medo da escurid\u00e3o temos que adquirir confian\u00e7a em n\u00f3s mesmos e procurar um \u201cEU\u201d at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido que vivia apartado da nossa realidade. Iniciamos o di\u00e1logo com perguntas de autoreconhecimento &#8211; Quem sou Eu? De onde vim? Para onde vou? \u2013 e que s\u00e3o as chaves que abrem as primeiras portas da consci\u00eancia, as primeiras que conseguimos visualizar, pois muitas outras ainda permanecer\u00e3o ocultas e fora da nossa percep\u00e7\u00e3o comum. As demais portas somente ser\u00e3o abertas na medida em que formos compreendendo algumas verdades. A Verdade \u00e9 uma s\u00f3, integral, mas para os seres humanos ela ainda \u00e9 parcial, fragmentada em pequenas verdades. Deu s \u00e9 uma Verdade integral da qual temos apenas no\u00e7\u00f5es e intui\u00e7\u00f5es, uma realidade que ainda n\u00e3o temos capacidade de compreender em sua totalidade. Nossa rela\u00e7\u00e3o com a Natureza e com o Universo \u00e9 semelhante: s\u00f3 entendemos na medida que a informa\u00e7\u00f5es encontram um eco, o momento prop\u00edcio para serem reveladas, como se fosse um parto de compreens\u00e3o. O momento prop\u00edcio \u00e9 a nossa maturidade intelectual e emocional. Ent\u00e3o, a busca de Verdade \u00e9 uma forma de desenvolvimento da consci\u00eancia, que acontece quando entramos num processo de conflito entre o EU exterior e o EU interior. Ora estamos voltados para as coisas do mundo interior, ora para as coisas do exterior, numa luta dial\u00e9tica constante na qual, em alguns momentos, encontramos pontos de equil\u00edbrio. Nesses pontos \u00e9 que ocorrem as revela\u00e7\u00f5es. As revela\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o a causa das mudan\u00e7as que se operam em n\u00f3s, mas alavancas que concretizam uma transforma\u00e7\u00e3o que j\u00e1 havia sido iniciada antes. Esse \u00e9 o motivo pelo qual, muitas pessoas, mesmo tendo contato direto com os fen\u00f4menos, n\u00e3o s\u00e3o afetadas pelas revela\u00e7\u00f5es. S\u00e3o frutos ainda verdes e insens\u00edveis. Outros j\u00e1 um pouco mais interessados, mas ainda imaturos, quando sofrem um amadurecimento for\u00e7ado, se mostram aparentemente transformados e preparados para satisfazer o apetite da Verdade, mas, por dentro, conservam-se sem o sabor essencial. Mas revela\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorre somente no campo religioso; ela \u00e9, antes de tudo, filos\u00f3fica e tamb\u00e9m cient\u00edfica. A revela\u00e7\u00e3o m\u00edstica que transformou o jovem o pr\u00edncipe Sidarta Gautama num velho Budha \u00e9 a mesma que transformou o jovem Newton num \u00edcone da F\u00edsica moderna. Einstein deixou um testemunho escrito de que sua teoria da relatividade e compreens\u00e3o da mec\u00e2nica do Universo foi produto de um sonho, sonho que segundo ele foi t\u00e3o real quanto estar participando de um filme simultaneamente como ator e espectador.<\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias:<\/b><\/p>\n<p>[12] \u201cUm Curso para L\u00edderes\u201d \u2013 Allankardec Gonzalez \u2013 CVV-Ribeir\u00e3o Preto.<\/p>\n<p><b><i>Artigo Reproduzido com Autoriza\u00e7\u00e3o do Autor<\/i><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dalmo Duque dos Santos \u201cMas de onde se origina ele? Por onde e para onde passa quando se mede? De onde se origina ele sen\u00e3o do futuro? Por onde caminha sen\u00e3o pelo presente? 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