{"id":1864,"date":"2013-11-19T22:02:09","date_gmt":"2013-11-20T00:02:09","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=1864"},"modified":"2013-11-19T22:02:22","modified_gmt":"2013-11-20T00:02:22","slug":"espiritas-tristes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/espiritas-tristes\/","title":{"rendered":"Esp\u00edritas tristes&#8230;?"},"content":{"rendered":"<p>O telefone tocou, o n\u00famero era desconhecido. L\u00e1 o atendi no meio de meia d\u00fazia de papeis, dizendo aquilo que n\u00e3o sentia, que n\u00e3o incomodava, quando de facto estava assoberbado de trabalho. Nutria a esperan\u00e7a de um telefonema r\u00e1pido. Era um senhor de Lisboa, cat\u00f3lico praticante. Tinha entrado na p\u00e1gina da Associa\u00e7\u00e3o de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP), na Internet, e vira l\u00e1 o meu n\u00ba de telefone. J\u00e1 lera muita coisa sobre reencarna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse conceito falava-lhe alto no \u00edntimo, embora o catolicismo o negue. Seguiu a sua consci\u00eancia, precisava saber mais. Assim de momento, tinha em mente o nome de dois centros esp\u00edritas de Lisboa, remetendo-o para a p\u00e1gina da ADEP na Internet, onde existem outros endere\u00e7os. Ao referir o nome de um deles, o meu interlocutor atalhou: \u00abSabe? Vou confessar-lhe uma coisa, mas n\u00e3o leve a mal! Um dia passei em frente a esse centro esp\u00edrita que me falou, e estive tentado a entrar mas, ao chegar \u00e0 porta, vi as pessoas que l\u00e1 estavam, com uma cara t\u00e3o triste que pensei: isto n\u00e3o \u00e9 para mim, eu quero \u00e9 alegria.\u00bb O senhor poderia indicar-me um centro que fosse mais alegre?<\/p>\n<p>Confesso que engoli em seco&#8230;<\/p>\n<p>Uns tempos antes, est\u00e1vamos numa confer\u00eancia p\u00fablica, no centro onde colaboramos, nas Caldas da Rainha, no Centro de Cultura Esp\u00edrita. O palestrante, M\u00e1rio Correia, professor de profiss\u00e3o, fez brilhante confer\u00eancia esp\u00edrita que nos deleitou a todos, mesmo \u00e0queles que j\u00e1 conhecemos a Doutrina Esp\u00edrita (ou Espiritismo), utilizando n\u00e3o s\u00f3 os seus vastos conhecimentos, como um requintado esp\u00edrito de humor que deixou boa disposi\u00e7\u00e3o e alegria no ar. No fim da palestra, no meio de uma troca de impress\u00f5es que geralmente acontece entre os presentes, dentro de um ambiente alegre e sadio, um senhor, nosso desconhecido, aproximou-se do palestrante dizendo: \u00abSabe, eu tamb\u00e9m sou palestrante esp\u00edrita, num centro esp\u00edrita em Lisboa. Estou aqui de f\u00e9rias, pois como \u00e9 Ver\u00e3o costumo vir at\u00e9 aqui, e quis conhecer o vosso centro, mas vou desiludido\u00bb. M\u00e1rio Correia, na sua simplicidade, l\u00e1 o ouviu, procurando assim melhorar o seu desempenho no futuro. E o nosso visitante, esp\u00edrita, palestrante e dirigente de um centro esp\u00edrita da capital, l\u00e1 continuou: \u00abSabe, n\u00f3s dirigentes e palestrantes, devemos falar e orar de modo a levar as pessoas \u00e0s l\u00e1grimas, comov\u00ea-las at\u00e9 elas chorarem, e aqui n\u00e3o vi nada disso. Onde j\u00e1 se viu contar hist\u00f3rias numa palestra e p\u00f4r as pessoas a rir? Isto \u00e9 um local s\u00e9rio. Nunca mais c\u00e1 volto, confesso a minha desilus\u00e3o.\u00bb<\/p>\n<p>E nunca mais voltou&#8230;<\/p>\n<p><b>O Centro Esp\u00edrita, n\u00e3o precisa de toalhas brancas rendadas nas mesas, a imitar os altares das igrejas, n\u00e3o precisa de fotografias na paredes, de esp\u00edritas de refer\u00eancia, a imitar os santos das igrejas.<\/b><\/p>\n<p>L\u00e9on Denis, o c\u00e9lebre fil\u00f3sofo esp\u00edrita franc\u00eas, referiu com muita propriedade que, uma coisa \u00e9 o Espiritismo, na sua grandiosidade como ci\u00eancia, filosofia e moral, e outra coisa s\u00e3o os movimentos esp\u00edritas, aquilo que os homens fazem do espiritismo.<\/p>\n<p>Fiquei a meditar: e se eu me interessasse pelo espiritismo e entrasse no centro triste ou no centro onde sa\u00edsse lavado em l\u00e1grimas de tanta emo\u00e7\u00e3o? Certamente, se fosse mais desatento, n\u00e3o voltaria a interessar-me pelo assunto.<\/p>\n<p>Urge pois, conforme lembrava e muito bem Herculano Pires, despir a pr\u00e1tica esp\u00edrita dos atavismos que trazemos do passado, quer de vidas anteriores onde militamos em religi\u00f5es tradicionais, quer desta vida onde vivenciamos pr\u00e1ticas com rituais nessas mesmas religi\u00f5es. O Centro Esp\u00edrita, n\u00e3o precisa de toalhas brancas rendadas nas mesas, a imitar os altares das igrejas, n\u00e3o precisa de fotografias nas paredes de esp\u00edritas de refer\u00eancia, a imitar os santos das igrejas.<\/p>\n<p>O Centro Esp\u00edrita, \u00e9 um local onde a simplicidade contagiante da sua mensagem deve extravasar para o local, simples, acolhedor, onde a mensagem de otimismo, alegria, esclarecimento e consolo, n\u00e3o se coadunam com uma postura de rever\u00eancia ao sofrimento. N\u00e3o existe espiritismo triste, embora alguns esp\u00edritas o possam ser, por ainda n\u00e3o terem conseguido assimilar a alegria, dinamismo, optimismo e for\u00e7a que \u00e9 caracter\u00edstica da Doutrina Esp\u00edrita.<\/p>\n<p>Publicado por Jos\u00e9 Lucas em 9.8.10<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O telefone tocou, o n\u00famero era desconhecido. L\u00e1 o atendi no meio de meia d\u00fazia de papeis, dizendo aquilo que n\u00e3o sentia, que n\u00e3o incomodava, quando de facto estava assoberbado de trabalho. Nutria a esperan\u00e7a de um telefonema r\u00e1pido. 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