{"id":2038,"date":"2014-01-22T22:27:40","date_gmt":"2014-01-23T00:27:40","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=2038"},"modified":"2014-01-22T22:27:40","modified_gmt":"2014-01-23T00:27:40","slug":"valiosa-licao-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/valiosa-licao-2\/","title":{"rendered":"Valiosa Li\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><b style=\"line-height: 1.5em;\">Chico Xavier<\/b><\/p>\n<p>A discri\u00e7\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica do m\u00e9dium consciente visto que tal atitude neutraliza as press\u00f5es da curiosidade improdutiva ou mesmo as falsas expectativas. Nesse aspecto Chico Xavier tamb\u00e9m funciona como exemplo, j\u00e1 que ao longo de toda a sua jornada no campo da mediunidade, soube recolher apenas em sua mem\u00f3ria fatos que somente no devido tempo veio \u00e0 p\u00fablico.<\/p>\n<p>A passagem que reproduziremos a seguir, pela beleza que se reveste, confirma isso, servindo-nos de li\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8220;Tinha eu dezessete anos, em 1927, quando na noite de 8 de julho do referido ano, em uma reuni\u00e3o de preces, escutei, atrav\u00e9s de uma senhora presente, D. Carmem Penna Per\u00e1cio, j\u00e1 falecida, a recomenda\u00e7\u00e3o de um Amigo Espiritual, aconselhando-me a tomar papel e l\u00e1pis, a fim de escrever mediunicamente. Eu n\u00e3o possu\u00eda conhecimento algum do assunto em que estava entrando, mesmo porque ali comparecia acompanhada de uma irm\u00e3 doente que recorria aos passes curativos daquele c\u00edrculo \u00edntimo, formado por pessoas dignas e humildes, todas elas de meu conhecimento pessoal. Do ponto de vista espiritual, apesar de muito jovem, era fervoroso cat\u00f3lico que se confessava e recebia a Sagrada Comunh\u00e3o desde 1917, aos dez janeiros de idade. Ignorando se me achava transgredindo algum preceito da Igreja, que eu considerava minha m\u00e3e espiritual, tomei o l\u00e1pis que um amigo me estendera com algumas folhas de papel em branco e meu bra\u00e7o, qual se estivesse desligado do meu corpo, passou a escrever, sob os meus olhos cerrados, certa mensagem que nos exortava a trabalhar, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. A mensagem era constitu\u00edda de dezessete p\u00e1ginas e veio assinada por um mensageiro que se declarava &#8220;Um Amigo Espiritual&#8221;, o qual somente conheceria depois. Nenhuma das pessoas presentes se interessou em conservar o comunicado, inclusive eu mesmo, pois nenhum de n\u00f3s, os companheiros que formavam o c\u00edrculo de ora\u00e7\u00f5es, poderia prever que a tarefa de escrever mediunicamente se desdobraria para mim, atrav\u00e9s de v\u00e1rios dec\u00eanios. No dia seguinte, ap\u00f3s a missa da manh\u00e3, procurei o Padre Sebasti\u00e3o Scarzelli, que era meu confessor e protetor, e contei-lhe o sucedido, pedindo-lhe me aconselhasse quanto ao que me caberia fazer. Ele era um padre mo\u00e7o, creio que de origem italiana. O querido Sacerdote, que muitas vezes fora o meu apoio nas dificuldades psicol\u00f3gicas e medi\u00fanicas, que eu periodicamente atravessava, me falou com bondade que ele mesmo nunca lera livros esp\u00edritas, mas, se eu me sentia bem no c\u00edrculo de preces a que comparecera, seria justo buscar a paz que me faltava, j\u00e1 que o nome de Jesus presidia aquele grupo de pessoas honestas e ainda me afirmou que eu poderia frequent\u00e1-lo, mas lembrando a minha devo\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora, pois ele acreditava que a nossa M\u00e3e Sant\u00edssima intercederia em meu benef\u00edcio em qualquer circunst\u00e2ncia. Depois desse entendimento, n\u00e3o vi mais o Padre que fora removido para a cidade de Joinville, no Estado de Santa Catarina, onde faleceu, h\u00e1 poucos anos, na condi\u00e7\u00e3o de Monsenhor e onde se pode ver a obra imensa de benemer\u00eancia que realizou em favor da comunidade.<\/p>\n<p>Sem a presen\u00e7a daquele ap\u00f3stolo do Bem, dediquei-me ao grupo esp\u00edrita, com a mesma f\u00e9 com a qual comparecia \u00e0s atividades cat\u00f3licas. Tudo seguia em ordem, quando na noite de 10 de julho referido, dois dias depois de haver recebido a primeira mensagem, quando eu fazia as ora\u00e7\u00f5es da noite, vi o meu quarto pobre se iluminar de repente. As paredes refletiam luz de um prateado lil\u00e1s. Eu estava de joelhos, conforme os h\u00e1bitos cat\u00f3licos, e descerrei os olhos, tentando ver o que se passava. Vi, ent\u00e3o, perto de mim uma senhora de admir\u00e1vel presen\u00e7a, que irradiava a luz que se espraiava pelo quarto. Tentei levantar-lhe para demonstrar-lhe respeito e cortesia, mas n\u00e3o consegui permanecer de p\u00e9 e dobrei, involuntariamente, os joelhos diante dela. A dama iluminada fitou a imagem de Nossa Senhora do Pilar que eu mantinha em meu quarto e, em seguida, falou em castelhano que eu compreendi, embora sabendo que eu ignorava o idioma, em que ela facilmente se expressava:<\/p>\n<p>-&#8220;Francisco &#8211; disse-me pausadamente &#8211; em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, venho solicitar o seu aux\u00edlio em favor dos pobres, nossos irm\u00e3os.&#8221;<\/p>\n<p>E emo\u00e7\u00e3o me possu\u00eda a alma toda, mas pude perguntar-lhe, embora as l\u00e1grimas que me cobriam o rosto:<\/p>\n<p>&#8211; Senhora, quem sois v\u00f3s?<\/p>\n<p>Ela me respondeu:<\/p>\n<p>-&#8220;Voc\u00ea n\u00e3o se lembra agora de mim, no entanto eu sou Isabel, Isabel de Arag\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o conhecia senhora alguma que tivesse esse nome e estranhei o que ela me dizia, entretanto uma for\u00e7a interior me continha e calei qualquer coment\u00e1rio, em torno de minha ignor\u00e2ncia. Mas o di\u00e1logo estava iniciando e indaguei:<\/p>\n<p>&#8211; Senhora, sou pobre e nada tenho para dar. Que aux\u00edlio poderei prestar aos mais pobres do que eu mesmo?<\/p>\n<p>Ela disse:<\/p>\n<p>-&#8220;Voc\u00ea nos auxiliar\u00e1 a repartir p\u00e3es com os necessitados.&#8221;<\/p>\n<p>Clamei com pesar:<\/p>\n<p>&#8211; Senhora, quase sempre n\u00e3o tenho p\u00e3o para mim. Como poderei repartir p\u00e3es com os outros?&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>A dama sorriu e me esclareceu:<\/p>\n<p>-&#8220;Chegar\u00e1 o tempo em que voc\u00ea dispor\u00e1 de recursos. Voc\u00ea vai escrever para as nossas gentes peninsulares e, trabalhando por Jesus, n\u00e3o poder\u00e1 receber vantagem material alguma pelas p\u00e1ginas que voc\u00ea produzir, mas vamos providenciar para que os Mensageiros do Bem lhe tragam recursos para iniciar a tarefa. Confiemos na bondade do Senhor.&#8221;<\/p>\n<p>Em seguida a estas palavras que anotei em 1927, a dama se afastou deixando o meu quarto em pleno escuro. Chorei sob emo\u00e7\u00e3o para mim inexplic\u00e1vel at\u00e9 o amanhecer do dia imediato. N\u00e3o tinha mais o Padre Scarzelli para consultar e notei que os meus novos companheiros n\u00e3o poderiam me auxiliar, porque eu n\u00e3o sabia o que vinha a ser a express\u00e3o &#8220;gentes peninsulares&#8221; ouvida por mim; quanto a estas duas palavras, nenhum deles conseguiu fornecer qualquer explica\u00e7\u00e3o. Sentindo-me a s\u00f3s com a lembran\u00e7a da inesquec\u00edvel vis\u00e3o, passei a orar, todas as noites, pedindo a Nossa Senhora para que algu\u00e9m me socorresse com as informa\u00e7\u00f5es que eu julgava precisas. Duas semanas ap\u00f3s a ocorr\u00eancia, estando eu nas preces da noite, apareceu um senhor vestido em roupa branca que, por intui\u00e7\u00e3o, notei tratar-se de um sacerdote. Saudei-o com muito respeito e ele me respondeu com bondade, explicando-se:<\/p>\n<p>-&#8220;Irm\u00e3o Francisco, fui no s\u00e9culo XIV um dos confessores da Rainha Santa, D. Isabel de Arag\u00e3o, que se fez esposa do Rei de Portugal, D. Dinis. Ela desenvolveu elevadas iniciativas de benefic\u00eancia e instru\u00e7\u00e3o nos dois ramos que formam a Pen\u00ednsula, conhecida na Europa, e voltou ao Mundo Espiritual em 4 julho de 1336. Desde ent\u00e3o, ela protege todas as obras de caridade e educa\u00e7\u00e3o na Espanha e Portugal. Foi ela que o visitou, h\u00e1 alguns dias, nas preces da noite, e prometeu-lhe assist\u00eancia. Ela me recomenda dizer-lhe que n\u00e3o lhe faltar\u00e1 recursos para a distribui\u00e7\u00e3o de p\u00e3es com os necessitados. Meu nome em 1336 era Fern\u00e3o Mendes.<\/p>\n<p>Confiemos em Jesus e trabalhemos na sementeira do Bem.&#8221;<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o tive garganta livre para falar. O padre se retirou e, sentindo a prem\u00eancia do que desejava a nobre senhora, que eu n\u00e3o sabia ter sido, na Terra, t\u00e3o amada e t\u00e3o ilustre Rainha. No primeiro s\u00e1bado que se seguiu \u00e0s ocorr\u00eancias que descrevo, fui com minha irm\u00e3 Lu\u00edza (atualmente desencarnada) at\u00e9 uma ponte muito pobre, at\u00e9 hoje existente e reformada, na cidade de Pedro Leopoldo, Minas, onde nasci, conduzindo um pequeno cesto com oito p\u00e3es. Ali estavam refugiados alguns indigentes; parti os p\u00e3es, a fim de que cada um tivesse um peda\u00e7o, e assim foi iniciado o nosso servi\u00e7o de assist\u00eancia que perdura at\u00e9 hoje. Em Pedro Leopoldo, com alguns companheiros, fiz a distribui\u00e7\u00e3o de p\u00e3es, de 1927 \u00e0 1958.<\/p>\n<p>Em janeiro de 1959, mudei-me para esta cidade de Uberaba, aqui chegando no dia 5 de janeiro de 1959. Junto ao grupo de amigos que j\u00e1 nos esperava, promovemos a distribui\u00e7\u00e3o de p\u00e3es numa vila da periferia uberabense. Essa distribui\u00e7\u00e3o semanal, aos s\u00e1bados, permanece ativa at\u00e9 hoje. Moramos numa casa vizinha de tr\u00eas n\u00facleos de favelados e a nossa distribui\u00e7\u00e3o de p\u00e3es, atualmente, se eleva ao n\u00famero de mil e quinhentos por semana, divididos entre os necessitados das tr\u00eas favelas a que me referi.<\/p>\n<p>Extra\u00eddo do livro &#8220;O Evangelho de Chico Xavier&#8221;, por Carlos A. Baccelli,1\u00aa ed., DIDIER<\/p>\n<p>extra\u00eddo de \u00a0<a href=\"http:\/\/www.bvespirita.com\/\">http:\/\/www.bvespirita.com\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chico Xavier A discri\u00e7\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica do m\u00e9dium consciente visto que tal atitude neutraliza as press\u00f5es da curiosidade improdutiva ou mesmo as falsas expectativas. 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