{"id":2058,"date":"2014-02-01T09:55:26","date_gmt":"2014-02-01T11:55:26","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=2058"},"modified":"2014-02-01T09:55:26","modified_gmt":"2014-02-01T11:55:26","slug":"a-aparicao-de-jesus-depois-da-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/a-aparicao-de-jesus-depois-da-morte\/","title":{"rendered":"A apari\u00e7\u00e3o de Jesus depois da morte"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><i style=\"line-height: 1.5em;\">Paulo da Silva Neto Sobrinho<\/i><\/p>\n<p>Em v\u00e1rias oportunidades Jesus disse aos seus disc\u00edpulos que ap\u00f3s sua morte ressuscitaria. Preocupa-nos a compreens\u00e3o correta do que, em seu conceito, era a ressurrei\u00e7\u00e3o. Vejamos a seguinte passagem:<\/p>\n<p><i>\u201cE que os mortos ressuscitem, \u00e9 Mois\u00e9s quem d\u00e1 a conhecer atrav\u00e9s do epis\u00f3dio da Sar\u00e7a Ardente, quando chama ao Senhor: o Deus de Abra\u00e3o, o Deus de Isaac e o Deus de Jac\u00f3. Ora, Deus n\u00e3o \u00e9 Deus dos mortos, mas dos vivos; para ele, ent\u00e3o, todos s\u00e3o vivos\u201d.<\/i> (Lc 20,37-38).<\/p>\n<p>Vejam bem, se Jesus, em se referindo a pessoas que haviam morrido, diz que para Deus todos <i>\u201cs\u00e3o vivos\u201d<\/i> \u00e9 porque nossa individualidade sobrevive ap\u00f3s a morte, em outras palavras, poderia estar dizendo da nossa condi\u00e7\u00e3o de esp\u00edritos eternos. Ao que chamamos de morte \u00e9 apenas o processo, ao qual nosso esp\u00edrito, em seu regresso ao plano espiritual de onde veio, devolve \u00e0 natureza os elementos constitutivos do corpo f\u00edsico, cuja finalidade era viabilizar o seu desenvolvimento moral e intelectual. Em vista disso, \u00e9 que devemos entender que a ressurrei\u00e7\u00e3o de que Jesus falava n\u00e3o era no corpo f\u00edsico, e sim o ressurgir em esp\u00edrito. Foi o que aconteceu com ele. Depois de sua morte esteve ainda na terra em seu corpo espiritual, conforme se encontra em Atos: <i>\u201cAp\u00f3s sua paix\u00e3o, <b>ele lhes mostrou<\/b>, com muitas provas, <b>que estava vivo,<\/b> aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do Reino de Deus\u201d.<\/i> (1,3).<\/p>\n<p>Sabemos, por informa\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios esp\u00edritos, que eles se manifestam em seu corpo espiritual, denominado perisp\u00edrito. Nele \u00e9 evidenciada toda a evolu\u00e7\u00e3o moral do esp\u00edrito, assim quanto mais luminoso maior evolu\u00e7\u00e3o e, via de conseq\u00fc\u00eancia, quanto menos luz produzir mais inferior \u00e9 o esp\u00edrito. Deve ser pelo motivo de sua luminosidade que, em algumas situa\u00e7\u00f5es, Jesus n\u00e3o foi reconhecido pelos seus disc\u00edpulos, como observamos em Mc 16,12: <i>\u201cDepois disto, <b>ele apareceu sob outra forma<\/b>, a dois deles que estavam a caminho do campo\u201d. <\/i>Tamb\u00e9m ao aparecer a Saulo, na estrada de Damasco (At 9, 3-9), veio em sua plenitude espiritual, fato que impossibilitou aos que presenciavam o fen\u00f4meno de v\u00ea-lo, s\u00f3 ouviram sua voz. Ao narrar esse acontecimento, Paulo diz (At 22,6-9): <i>\u201c&#8230; a\u00ed pelo meio-dia, de repente uma grande luz que vinha do c\u00e9u brilhou ao redor de mim\u201d, <\/i>o que confirma o que estamos dizendo sobre o perisp\u00edrito refletir a evolu\u00e7\u00e3o moral.<\/p>\n<p>A mat\u00e9ria, igualmente, n\u00e3o oferece nenhuma resist\u00eancia a esse corpo perispiritual. Vejamos a prova disso, pelo fato de Jesus ter entrado em ambiente fechado: <i>\u201cOito dias depois, os disc\u00edpulos se achavam de novo na casa, e Tom\u00e9 com eles. Jesus <b>entrou, estando as portas fechadas<\/b>, p\u00f4s-se no meio deles e os cumprimentou: A paz esteja convosco!\u201d. <\/i>(Jo 20,26).<\/p>\n<p>Podemos aceitar tamb\u00e9m que, em algumas circunst\u00e2ncias, Jesus se materializou diante dos disc\u00edpulos, nesse caso tornou-se tang\u00edvel, o que podemos verificar quando diz: <i>\u201cOlhai para minhas m\u00e3os e p\u00e9s: sou eu mesmo! Apalpai-me e vede: <b>um fantasma n\u00e3o tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho<\/b>! Dizendo isto, mostrou-lhes m\u00e3os e p\u00e9s. Mas como hesitavam em acreditar, por causa da muita alegria, e continuavam espantados, Jesus lhes disse: \u2018Tendes aqui alguma coisa para comer?\u2019 Deram-lhe um peda\u00e7o de peixe grelhado. Ele o tomou e comeu na presen\u00e7a deles\u201d<\/i>. (Lc 24, 39-43). \u00c9 bem prov\u00e1vel que Jesus, ao se materializar, teve que se comportar como se fosse realmente de carne e osso, tendo em vista que nem os disc\u00edpulos nem os de sua \u00e9poca tinham conhecimento dos mecanismos das manifesta\u00e7\u00f5es espirituais para entender o que estava acontecendo.<\/p>\n<p>Temos que convir que, em certos relatos do Evangelho, existem alguns exageros. Assim, determinados acontecimentos foram colocados buscando valorizar os fatos ou a pessoa quem os produziu. Vejamos, como exemplo, o que consta em Jo 21,25: <i>\u201cH\u00e1, por\u00e9m, muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas elas fossem escritas uma por uma, <b>creio que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que seriam escritos<\/b>\u201d.<\/i><\/p>\n<p>Dito isso, vamos \u00e0 1\u00aa carta aos Cor\u00edntios 15, 3-6: <i>\u201cEu vos transmiti principalmente o que eu mesmo recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; que apareceu a Cefas, depois aos doze. Em seguida <b>apareceu, de uma s\u00f3 vez, a mais de quinhentos irm\u00e3os<\/b>, dos quais a maior parte vive ainda hoje, embora alguns tenham morrido\u201d.<\/i> Nenhum dos quatro evangelistas fala que Jesus teria aparecido a quinhentas pessoas, assim podemos supor que pode ser apenas um exagero de Paulo.<\/p>\n<p>Por outro lado, at\u00e9 mesmo a quest\u00e3o de Jesus ter ficado quarenta dias no meio dos disc\u00edpulos poder\u00edamos entender de outra forma, pois o n\u00famero 40 possu\u00eda, para eles, um significado importante, observem:<\/p>\n<ul>\n<li>O povo hebreu permaneceu 40 anos no deserto;<\/li>\n<li>No dil\u00favio choveu 40 dias e 40 noites;<\/li>\n<li>Jac\u00f3 ao morrer ficou 40 dias embalsamado;<\/li>\n<li>Mois\u00e9s ficou no Sinai 40 dias e 40 noites, quando recebe os Dez Mandamentos;<\/li>\n<li>Deus, por castigo, entrega os israelitas aos filisteus por 40 anos (Jz 13,1);<\/li>\n<li>Em desafio um filisteu se apresenta ao ex\u00e9rcito hebreu por 40 dias (1Sm 17,16);<\/li>\n<li>Davi reinou por 40 anos (2Sm 5,4);<\/li>\n<li>O templo tinha 40 c\u00f4vados.(1Rs 6,17);<\/li>\n<li>O reinado de Salom\u00e3o durou 40 anos (1Rs 11,42);<\/li>\n<li>Elias, ap\u00f3s comer o que um anjo lhe d\u00e1, caminha 40 dias e 40 noites (1Rs 19,8);<\/li>\n<li>Jesus jejuou 40 dias e 40 noites.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Carlos Torres Pastorino no Livro <i>A Sabedoria do Evangelho<\/i>, quando fala sobre como devemos fazer a interpreta\u00e7\u00e3o da B\u00edblia, coloca:<\/p>\n<p>Os n\u00fameros possuem sentido muito simb\u00f3lico, assim:<\/p>\n<p>10 \u2013 diversos<\/p>\n<p>40 \u2013 muitos<\/p>\n<p>07 \u2013 grande n\u00famero<\/p>\n<p>70 \u2013 todos, sempre.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, conclui: <b>n\u00e3o devem ser tomados \u00e0 risca<\/b>.<\/p>\n<p>Dessas apari\u00e7\u00f5es de Jesus podemos real\u00e7ar duas coisas. A primeira, \u00e9 que h\u00e1 vida ap\u00f3s a morte, caso contr\u00e1rio, ningu\u00e9m poderia aparecer depois de morto. A segunda, \u00e9 que os mortos se comunicam com os vivos, por mais que alguns ainda venham a dizer que isso n\u00e3o pode ocorrer, a n\u00f3s n\u00e3o resta d\u00favida alguma quanto a isso. Alguns querem sustentar que Jesus tenha se manifestado com o corpo f\u00edsico, entretanto isso n\u00e3o condiz com o que podemos tirar dos acontecimentos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Jesus n\u00e3o ressuscitou no corpo f\u00edsico? Reafirmamos: N\u00e3o, apesar de que isso possa lhe causar um certo choque, mas analisemos.<\/p>\n<p>Quando se apresenta a Maria de Madalena, diz<i> \u201cn\u00e3o me toques, porque ainda n\u00e3o subi para meu Pai\u201d<\/i> (Jo 20,17), entretanto, a Tom\u00e9 Ele disse: <i>\u201cP\u00f5e aqui o teu dedo, v\u00ea as minhas m\u00e3os, aproxima tamb\u00e9m a tua m\u00e3o, p\u00f5e-na no meu lado\u201d<\/i> (Jo 20,27), nos parecendo contradit\u00f3rio. Fica ainda mais dif\u00edcil de compreender, quando colocam Jesus dizendo <i>\u201cporque um esp\u00edrito n\u00e3o tem carne, nem ossos, como v\u00f3s vedes que eu tenho\u201d<\/i> (Lc 24,39), e, na seq\u00fc\u00eancia (v.43), ele est\u00e1 comendo peixe com favo de mel. Tudo isso nos parece ter sido um ajuste para sustentar a id\u00e9ia de que a alma n\u00e3o sobrevive sem o corpo f\u00edsico.<\/p>\n<p>No livro de Tobias, encontramos um anjo fazendo coisas comuns ao seres humanos, inclusive comendo, mas ao final ele declara: <i>\u201cEu sou Rafael, um dos sete anjos&#8230; Voc\u00eas pensavam que eu comia, mas era s\u00f3 apar\u00eancia&#8230; E o anjo desapareceu&#8230;\u201d<\/i>. (Tb 12, 15-22). No caso de Jesus n\u00e3o poderia ter sido uma situa\u00e7\u00e3o semelhante ou mesmo completamente materializado, conforme j\u00e1 o dissemos? Esta hip\u00f3tese justificaria a quest\u00e3o de que poderia ser tocado, pois estaria tang\u00edvel.<\/p>\n<p>Mas considerando que, em v\u00e1rias oportunidades, se manifesta e ningu\u00e9m o reconhece, somente acontecendo ap\u00f3s algum gesto dele. Isso n\u00e3o ocorreria se ele tivesse mesmo ressuscitado no corpo f\u00edsico. Se fosse em esp\u00edrito poderia muito bem, por sua evolu\u00e7\u00e3o espiritual, transparecer com tanta luz que n\u00e3o conseguiram de imediato identific\u00e1-lo. Teria Ele, quando vivo, dito algo que viesse a negar depois de morto, j\u00e1 que acreditamos que o que pregou foi realmente a ressurrei\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito?<\/p>\n<p>Os evangelistas s\u00e3o un\u00e2nimes em dizer que o corpo de Jesus foi colocado num t\u00famulo novo. As narrativas de Mateus (27.59-60) e Marcos (15,46) dizem que o t\u00famulo era de Jos\u00e9 de Arimat\u00e9ia, enquanto a de Lucas (23,52) n\u00e3o d\u00e1 a entender isso e Jo\u00e3o (19,41-42) diz que o t\u00famulo estava localizado no jardim perto do lugar onde Jesus fora crucificado e o colocaram l\u00e1 apenas porque estava perto, faltam dados para concluir que seria de Jos\u00e9 de Arimat\u00e9ia. Prestem a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 narrativa, pois foi dito \u201ccolocaram\u201d em vez de enterraram, com isso n\u00e3o estaria mesmo para ser um lugar provis\u00f3rio?<\/p>\n<p>Em Atos (5,6.10), quando se narra a morte de Ananias, e, logo ap\u00f3s, a de Safira, sua mulher, a express\u00e3o usada foi: \u201clevaram para enterrar\u201d, ou seja, em definitivo. Assim, por falta de maiores comprova\u00e7\u00f5es, podemos concluir que o lugar onde colocaram o corpo de Jesus n\u00e3o era o seu t\u00famulo definitivo, o que, provavelmente, foi feito depois, da\u00ed a raz\u00e3o do desaparecimento de seu corpo, hip\u00f3tese mais prov\u00e1vel tomando-se como base as narrativas.<\/p>\n<p>Por outro lado, no domingo de manh\u00e3, dois dias depois da morte de Jesus, algumas mulheres compraram perfumes e foram ao sepulcro para embalsamar o corpo (Mc 16,1; Lc 24,1), refor\u00e7ando a id\u00e9ia de que estava ali provisoriamente. Jo\u00e3o (20,1-2) relata que somente Maria Madalena foi ao sepulcro, sem dizer o motivo, que ao encontr\u00e1-lo vazio, diz: <i>\u201clevaram o Senhor do sepulcro e n\u00e3o sabemos onde o puseram\u201d<\/i>, ou seja, falou exatamente o que seria de se esperar para uma situa\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria.<\/p>\n<p>Quem vai nos tirar desse impasse? Em Atos (16,7) Paulo e Tim\u00f3teo tentam entrar na Bit\u00ednia, a\u00ed diz o texto: <i>\u201cmas <b>o Esp\u00edrito de Jesus<\/b> os impediu\u201d.<\/i> Em 2Cor 3,17, Paulo afirma: <i>\u201cO Senhor \u00e9 Esp\u00edrito\u201d.<\/i> Pedro j\u00e1 nos diz que Jesus: <i>\u201c&#8230;sofreu a morte em seu corpo, mas <b>recebeu vida pelo Esp\u00edrito<\/b>\u201d<\/i> (1Pe 3,18) e mais adiante nos d\u00e1 outra informa\u00e7\u00e3o dizendo que Jesus foi pregar o Evangelho aos mortos (1Pe 4,4-6), o que Jesus s\u00f3 poderia ter feito em Esp\u00edrito. Assim, tudo se converge para a id\u00e9ia de que Jesus, ap\u00f3s sua morte, ressuscitou em Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o final, portanto, fica-nos que a ressurrei\u00e7\u00e3o contida na B\u00edblia \u00e9 a do Esp\u00edrito e n\u00e3o do corpo. E sendo a do Esp\u00edrito teremos tamb\u00e9m que, for\u00e7osamente, admitir a comunica\u00e7\u00e3o dos \u201cmortos\u201d com os vivos, conforme o acontecido com o pr\u00f3prio Jesus ap\u00f3s sua morte.<\/p>\n<p>Fica a\u00ed ainda evidenciada a necessidade de uma exegese mais realista dos fatos acontecidos, j\u00e1 que o que os te\u00f3logos nos colocaram n\u00e3o condiz com a realidade.<\/p>\n<p>Mar\/2004.<\/p>\n<p><b>Bibliografia:<\/b><\/p>\n<ul>\n<li><i>B\u00edblia Sagrada<\/i>, S\u00e3o Paulo, Edi\u00e7\u00f5es Paulinas, 1980.<\/li>\n<li><i>B\u00edblia Sagrada<\/i>, S\u00e3o Paulo, Paulus, 1990.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo da Silva Neto Sobrinho Em v\u00e1rias oportunidades Jesus disse aos seus disc\u00edpulos que ap\u00f3s sua morte ressuscitaria. Preocupa-nos a compreens\u00e3o correta do que, em seu conceito, era a ressurrei\u00e7\u00e3o. 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