{"id":2462,"date":"2014-07-05T19:02:53","date_gmt":"2014-07-05T22:02:53","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=2462"},"modified":"2014-07-05T19:03:58","modified_gmt":"2014-07-05T22:03:58","slug":"o-burro-de-carga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-burro-de-carga\/","title":{"rendered":"O Burro de Carga"},"content":{"rendered":"<div class=\"xg_module_body\">\n<div class=\"postbody\">\n<div class=\"xg_user_generated\">\n<p align=\"center\"><b><a href=\"http:\/\/api.ning.com\/files\/4O6eIqcn6-7C8y4C2KOQDIoONRkOPTaQZOjYfzFelj5HoNqGi*jt-yX4EZuvctWHWtzquUtv05yuE7MvpGOig-Bl-UceSXKW\/oburrodecarga.jpg\" target=\"_self\"><img decoding=\"async\" class=\"align-full\" src=\"http:\/\/api.ning.com\/files\/4O6eIqcn6-7C8y4C2KOQDIoONRkOPTaQZOjYfzFelj5HoNqGi*jt-yX4EZuvctWHWtzquUtv05yuE7MvpGOig-Bl-UceSXKW\/oburrodecarga.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" \/><\/a><\/b><\/p>\n<p><b>No tempo em que n\u00e3o havia autom\u00f3veis, na cocheira de famoso pal\u00e1cio real um burro de carga curtia imensa amargura, em vista das pilh\u00e9rias e remoques dos companheiros de apartamento.<\/b><\/p>\n<p><b>Reparando-lhe o pelo maltratado, as fundas cicatrizes do lombo e a cabe\u00e7a tristonha e humilde, aproximou-se formoso cavalo \u00e1rabe, que se fizera detentor de muitos pr\u00eamios, e disse, orgulhoso:<\/b><\/p>\n<p><b><i>&#8211; Triste sina a que recebeste! N\u00e3o Invejas minha posi\u00e7\u00e3o nas corridas? Sou acariciado por m\u00e3os de princesas e elogiado pela palavra dos reis!<\/i><\/b><\/p>\n<p><b><i>&#8211; Pudera! &#8211; exclamou um potro de fina origem inglesa &#8211; como conseguir\u00e1 um burro entender o brilho das apostas e o gosto da ca\u00e7a?<\/i><\/b><\/p>\n<p><b>O infortunado animal recebia os sarcasmos, resignadamente.<\/b><\/p>\n<p><b>Outro soberbo cavalo, de proced\u00eancia h\u00fangara, entrou no assunto e comentou:<\/b><\/p>\n<p><b><i>&#8211; H\u00e1 dez anos, quando me ausentei de pastagem vizinha, vi este miser\u00e1vel sofrendo rudemente nas m\u00e3os de bruto amansador. \u00c9 t\u00e3o covarde que n\u00e3o chegava a reagir, nem mesmo com um coice. N\u00e3o nasceu sen\u00e3o para carga e pancadas. \u00c9 vergonhoso suportar-lhe a companhia.<\/i><\/b><\/p>\n<p><b>Nisto, admir\u00e1vel jumento espanhol acercou-se do grupo, e acentuou sem piedade:<\/b><\/p>\n<p><b><i>&#8211; Lastimo reconhecer neste burro um parente pr\u00f3ximo. \u00c9 animal desonrado, fraco, in\u00fatil&#8230; N\u00e3o sabe viver sen\u00e3o sob pesadas disciplinas. Ignora o aprumo da dignidade pessoal e desconhece o amor-pr\u00f3prio. Aceito os deveres que me competem at\u00e9 o justo limite; mas, se me constrangem a ultrapassar as obriga\u00e7\u00f5es, recuso-me \u00e0 obedi\u00eancia, pinoteio e sou capaz de matar.<\/i><\/b><\/p>\n<p><b>As observa\u00e7\u00f5es insultuosas n\u00e3o haviam terminado, quando o rei penetrou o recinto, em companhia do chefe das cavalari\u00e7as.<\/b><\/p>\n<p><b><i>&#8211; Preciso de um animal para servi\u00e7o de grande responsabilidade &#8211; informou o monarca, -animal d\u00f3cil e educado, que mere\u00e7a absoluta confian\u00e7a.<\/i><\/b><\/p>\n<p><b>O empregado perguntou:<\/b><\/p>\n<p><b>N\u00e3o prefere o \u00e1rabe, Majestade?<\/b><\/p>\n<p><b><i>&#8211; N\u00e3o, n\u00e3o &#8211; falou o soberano -, \u00e9 muito altivo e s\u00f3 serve para corridas em festejos oficiais sem maior import\u00e2ncia.<\/i><\/b><\/p>\n<p><b><i>&#8211; N\u00e3o quer o potro ingl\u00eas?<\/i><\/b><\/p>\n<p><b><i>&#8211; De modo algum. E\u2019 muito irrequieto e n\u00e3o vai al\u00e9m das extravag\u00e2ncias da ca\u00e7a.<\/i><\/b><\/p>\n<p><b><i>&#8211; N\u00e3o deseja o h\u00fangaro?<\/i><\/b><\/p>\n<p><b><i>&#8211; N\u00e3o, n\u00e3o. \u00c9 bravio, sem qualquer educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 apenas um pastor de rebanho.<\/i><\/b><\/p>\n<p><b><i>&#8211; O jumento serviria? &#8211; insistiu o servidor atencioso.<\/i><\/b><\/p>\n<p><b><i>&#8211; De maneira nenhuma. \u00c9 manhoso e n\u00e3o merece confian\u00e7a.<\/i><\/b><\/p>\n<p><b>Decorridos alguns instantes de sil\u00eancio, o soberano indagou:<\/b><\/p>\n<p><b><i>&#8211; Onde est\u00e1 o meu burro de carga?<\/i><\/b><\/p>\n<p><b>O chefe das cocheiras indicou-o, entre os demais.<\/b><\/p>\n<p><b>O pr\u00f3prio rei puxou-o carinhosamente para fora, mandou ajaez\u00e1-lo com as armas resplandecentes de sua Casa e confiou-lhe o filho, ainda crian\u00e7a, para longa viagem.<\/b><\/p>\n<p><b><i>Assim tamb\u00e9m acontece na vida. Em todas as ocasi\u00f5es, temos sempre grande n\u00famero de amigos, de conhecidos e companheiros, mas somente nos prestam servi\u00e7os de utilidade real aqueles que j\u00e1 aprenderam a suportar, servir e sofrer, sem cogitar de si mesmos.<\/i><\/b><\/p>\n<p align=\"right\"><b><i>Xavier, Francisco C\u00e2ndido. Da obra: Id\u00e9ias e Ilustra\u00e7\u00f5es.<\/i><\/b><\/p>\n<p align=\"right\"><b><i>Ditado pelo Esp\u00edrito Neio L\u00facio.<\/i><\/b><\/p>\n<p align=\"right\"><b><i>2a edi\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1978.<\/i><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\"><a href=\"http:\/\/www.redeamigoespirita.com.br\/profiles\/blogs\/o-burro-de-carga\">redeamigoespirita<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No tempo em que n\u00e3o havia autom\u00f3veis, na cocheira de famoso pal\u00e1cio real um burro de carga curtia imensa amargura, em vista das pilh\u00e9rias e remoques dos companheiros de apartamento. 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