{"id":269,"date":"2013-03-06T11:10:53","date_gmt":"2013-03-06T14:10:53","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=269"},"modified":"2013-05-07T16:39:04","modified_gmt":"2013-05-07T19:39:04","slug":"espiritos-felizes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/espiritos-felizes\/","title":{"rendered":"Esp\u00edritos Felizes"},"content":{"rendered":"<p>O C\u00c9U E O INFERNO SEGUNDO O ESPIRITISMO<\/p>\n<p>&#8211; CAP\u00cdTULO II &#8211;<\/p>\n<p>ESP\u00cdRITOS FELIZES<\/p>\n<p>&#8211; SANSON &#8211;<\/p>\n<p>Este antigo membro da Sociedade Esp\u00edrita de Paris faleceu a 21 de abril de 1862, depois de um ano de atrozes padecimentos. Prevendo a morte, dirigira ao presidente da Sociedade uma carta com o t\u00f3pico seguinte: &#8220;Podendo dar-se o caso de ser surpreendido pela separa\u00e7\u00e3o entre minha alma e meu corpo, ocorre-me reiterar-vos um pedido que vos fiz h\u00e1 cerca de um ano, qual o de evocar o meu Esp\u00edrito o mais breve poss\u00edvel, a fim de, como membro assaz in\u00fatil da nossa Sociedade, poder prestar-lhe para alguma coisa depois de morto, esclarecendo fase por fase as circunst\u00e2ncias decorrentes do que o vulgo chama morte, e que, para n\u00f3s outros &#8211; os esp\u00edritas &#8211; n\u00e3o passa de uma transforma\u00e7\u00e3o, segundo os des\u00edgnios insond\u00e1veis de Deus, mas sempre \u00fatil ao fim que Ele se prop\u00f5e. Al\u00e9m deste pedido &#8211; que \u00e9 uma autoriza\u00e7\u00e3o para me honrardes com essa aut\u00f3psia espiritual, talvez improf\u00edcua em raz\u00e3o do meu quase nulo adiantamento, e que a vossa sabedoria n\u00e3o consentir\u00e1 ir al\u00e9m de um certo n\u00famero de ensaios, \u00a0ouso pedir pessoalmente a v\u00f3s como a todos os colegas que supliquem ao Todo-Poderoso a assist\u00eancia de bons Esp\u00edritos, e a S\u00e3o Lu\u00eds, nosso presidente espiritual, em particular, que me guie na escolha e sobre a \u00e9poca de uma nova encarna\u00e7\u00e3o, ideia que de h\u00e1 muito me preocupa. &#8220;Arreceio-me de confiar demais nas minhas for\u00e7as espirituais, rogando a Deus, muito cedo e presun\u00e7osamente, um estado corporal no qual eu n\u00e3o possa justificar a divina bondade, de modo a prejudicar o meu pr\u00f3prio adiantamento e prolongar a esta\u00e7\u00e3o na Terra ou em outra qualquer parte, desde que naufrague.&#8221; Para satisfazer-lhe o desejo, evocando-o o mais breve poss\u00edvel, dirigimo-nos com alguns membros da Sociedade \u00e0 c\u00e2mara mortu\u00e1ria, onde, em presen\u00e7a do seu corpo, se passou o seguinte col\u00f3quio, precedendo uma hora o respectivo enterro. Era duplo o nosso fim: \u00edamos cumprir uma vontade \u00faltima e \u00edamos observar, ainda uma vez, a situa\u00e7\u00e3o de uma alma em momento t\u00e3o imediato \u00e0 morte, tratando-se, ao demais, de um homem eminentemente esclarecido, inteligente e profundamente convicto das verdades esp\u00edritas. \u00cdamos enfim colher nas suas primeiras impress\u00f5es a prova de quanto, sobre o estado do Esp\u00edrito, pode influir a compenetra\u00e7\u00e3o dessas verdades. E n\u00e3o nos iludimos na expectativa, porquanto o Sr. Sanson descreveu, plenamente l\u00facido, o instante da transi\u00e7\u00e3o, vendo-se morrer e renascer, o que \u00e9 uma circunst\u00e2ncia pouco comum e s\u00f3 devida \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o do seu Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>(C\u00e2mara mortu\u00e1ria, 23 de abril de 1862.)<\/p>\n<p>1. &#8211; Evoca\u00e7\u00e3o. &#8211; Atendo ao vosso chamado para cumprir a minha promessa.<\/p>\n<p>2. &#8211; Meu caro Sr. Sanson, cumprindo um dever, com satisfa\u00e7\u00e3o vos evocamos o mais cedo poss\u00edvel depois da vossa morte, como era do vosso desejo. &#8211; R. \u00c9 uma gra\u00e7a especial que Deus me concede para que possa manifestar-me; agrade\u00e7o a vossa boa-vontade, por\u00e9m, sou t\u00e3o fraco que tremo.<\/p>\n<p>3. &#8211; Fostes t\u00e3o sofredor que podemos, penso eu, perguntar como vos achais agora&#8230; Sentis ainda as vossas dores? Comparando a situa\u00e7\u00e3o de hoje com a de dois dias atr\u00e1s, que sensa\u00e7\u00f5es experimentais? &#8211; R. A minha situa\u00e7\u00e3o \u00e9 bem ditosa; acho-me regenerado, renovado, como se diz entre v\u00f3s, nada mais sentindo das antigas dores. A passagem da vida terrena para a dos Esp\u00edritos deixou-me de come\u00e7o num estado incompreens\u00edvel, porque ficamos algumas vezes muitos dias privados de lucidez. Eu havia feito no entanto um pedido a Deus para permitir-me falar aos que estimo, e Deus ouviu-me.<\/p>\n<p>4. &#8211; Ao fim de que tempo recobrastes a lucidez das ideias? &#8211; R. Ao fim de oito horas. Deus, repito, deu-me uma prova de sua bondade, maior que o meu merecimento, e eu n\u00e3o sei como agradecer-lhe.<\/p>\n<p>5. &#8211; Estais bem certo de n\u00e3o pertencerdes mais ao nosso mundo? &#8211; No caso afirmativo, como comprov\u00e1-lo? &#8211; R. Oh! certamente, eu n\u00e3o sou mais desse mundo, por\u00e9m, estarei sempre ao vosso lado para vos proteger e sustentar, a fim de pregardes a caridade e a abnega\u00e7\u00e3o, que foram os guias da minha vida. Depois, ensinarei a verdadeira f\u00e9, a f\u00e9 esp\u00edrita, que deve elevar a cren\u00e7a do bom e do justo; estou forte, robusto, em uma palavra transformado. Em mim n\u00e3o reconhecereis mais o velho enfermo que tudo devia esquecer, fugindo de todo prazer e alegria. Eu sou Esp\u00edrito e a minha p\u00e1tria \u00e9 o Espa\u00e7o, o meu futuro \u00e9 Deus, que reina na imensidade. Desejara poder falar a meus filhos, ensinar-lhes aquilo mesmo que sempre desdenharam acreditar.<\/p>\n<p>6. &#8211; Que efeito vos causa o vosso corpo aqui ao lado? &#8211; R. Meu corpo! pobre, m\u00edsero despojo&#8230; volve ao p\u00f3, enquanto eu guardo a lembran\u00e7a de todos que me estimaram. Vejo essa pobre carne decomposta, morada que foi do meu Esp\u00edrito, prova\u00e7\u00e3o de tantos anos! Obrigado, m\u00edsero corpo, pois que purificaste o meu Esp\u00edrito! O meu sofrimento, dez vezes bendito, deu-me um lugar bem compensador, por isso que t\u00e3o depressa posso comunicar-me convosco&#8230;<\/p>\n<p>7. &#8211; Conservastes as ideias at\u00e9 ao \u00faltimo instante? -R. Sim. O meu Esp\u00edrito conservou as suas faculdades, e quando eu j\u00e1 n\u00e3o mais via, pressentia. Toda a minha exist\u00eancia se desdobrou na mem\u00f3ria e o meu \u00faltimo pensamento, a \u00faltima prece, foi para que pudesse comunicar- me convosco, como o fa\u00e7o agora; em seguida pedi a Deus que vos protegesse, para que o sonho da minha vida se completasse.<\/p>\n<p>8. &#8211; Tivestes consci\u00eancia do momento em que o corpo exalou o derradeiro suspiro? que se passou convosco nesse momento? que sensa\u00e7\u00e3o experimentastes? &#8211; R. Parte-se a vida e a vista, ou antes, a vista do Esp\u00edrito se extingue; encontra-se o v\u00e1cuo, o ignoto, e arrastada por n\u00e3o sei que poder, encontra-se a gente num mundo de alegria e grandeza! Eu n\u00e3o sentia, nada compreendia e, no entanto, uma felicidade inef\u00e1vel me extasiava de gozo, livre do peso das dores.<\/p>\n<p>9. &#8211; Tendes ci\u00eancia&#8230; do que pretendo ler sobre a vossa campa? Nota &#8211; Apenas pronunciadas as primeiras palavras sobre o assunto, o Esp\u00edrito respondeu sem que eu terminasse. Tamb\u00e9m respondeu, sem interroga\u00e7\u00e3o alguma, a certa controv\u00e9rsia suscitada entre os assistentes, sobre se seria oportuno ler esta comunica\u00e7\u00e3o no cemit\u00e9rio, achando-se presentes pessoas que poderiam n\u00e3o compartilhar das nossas opini\u00f5es. &#8211; R. Ah! sei, meu amigo, e sei, por que tanto vos via ontem como hoje&#8230; que grande \u00e9 a minha alegria! Obrigado! Obrigado! Falai&#8230; falai para que me compreendam e vos estimem; nada tendes que temer, pois que se respeita a morte&#8230; falai pois, para que os incr\u00e9dulos tenham f\u00e9. Adeus; falai; coragem, confian\u00e7a, e oxal\u00e1 meus filhos possam converter-se a uma cren\u00e7a sacrossanta. J. Sanson.<\/p>\n<p>Durante a cerim\u00f4nia do cemit\u00e9rio, ele ditou as palavras seguintes: &#8220;N\u00e3o vos atemorize a morte, meus amigos: ela \u00e9 um est\u00e1dio da vida, se bem souberdes viver; \u00e9 uma felicidade, se bem a merecerdes e melhor cumprirdes as vossas prova\u00e7\u00f5es. Repito: coragem e boa-vontade! N\u00e3o deis mais que med\u00edocre valor aos bens terrenos, e sereis recompensados. N\u00e3o se pode muito gozar, sem tirar de outrem o bem-estar e sem fazer moralmente um grande, um imenso mal. A terra me seja leve.&#8221;<\/p>\n<p>(Sociedade Esp\u00edrita de Paris, 25 de abril de 1862.)<\/p>\n<p>1. &#8211; Evoca\u00e7\u00e3o. &#8211; R. Estou perto de v\u00f3s, meus amigos.<\/p>\n<p>2. &#8211; Consideramo-nos felizes pela entrevista que tivemos no dia do vosso enterro, e, visto que o permitis, mais felizes seremos em complet\u00e1-la para nossa instru\u00e7\u00e3o. &#8211; R. Estou pronto, e sinto-me feliz por pensardes em mim.<\/p>\n<p>3. &#8211; A ideia falsa que fazemos do mundo invis\u00edvel \u00e9, o mais das vezes, o que nos leva \u00e0 descren\u00e7a, e, assim, tudo que possa esclarecer-nos, a tal respeito, ser\u00e1 para n\u00f3s da mais alta import\u00e2ncia. N\u00e3o vos surpreendam, portanto, as perguntas que porventura vos fizermos. &#8211; R. Espero-as e n\u00e3o ficarei surpreendido.<\/p>\n<p>4. &#8211; Descrevestes luminosamente a transi\u00e7\u00e3o para a outra vida; dissestes que, no momento de exalar o corpo o derradeiro alento, a vida se parte e a vista se extingue. E ser\u00e1 esse momento seguido de qualquer sensa\u00e7\u00e3o dolorosa? &#8211; R. Mas, decerto que sim, pois a vida n\u00e3o passa de uma s\u00e9rie continua de dores, das quais a morte \u00e9 complemento. Da\u00ed uma ruptura violenta, como se o Esp\u00edrito houvesse de fazer um esfor\u00e7o sobre-humano para escapar-se do seu inv\u00f3lucro, esfor\u00e7o que absorve todo o ser, fazendo-lhe perder o conhecimento do seu destino. Nota &#8211; Este caso n\u00e3o \u00e9 geral, pois a experi\u00eancia prova que muitos Esp\u00edritos perdem a consci\u00eancia antes de expirar, assim como nos que atingiram certo grau de desmaterializa\u00e7\u00e3o o desprendimento se opera sem esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>5. &#8211; Sabeis se h\u00e1 Esp\u00edritos para os quais o momento extremo seja mais penoso? Ser\u00e1 ele mais doloroso ao materialista, por exemplo? &#8211; R. Isso \u00e9 certo, porque o Esp\u00edrito preparado tem j\u00e1 esquecido o sofrimento, ou, antes, habituou-se com ele e a calma com que encara a morte o impede de sofrer duplamente, prevendo o que por ela o aguarda. O sofrimento moral \u00e9 mais forte e a sua aus\u00eancia, por ocasi\u00e3o da morte, \u00e9 por si s\u00f3 um grande alivio. O descrente assemelha-se ao condenado \u00e0 pena \u00faltima, cujo pensamento antev\u00ea o cutelo e o ignoto. Entre esta morte e a do ateu, h\u00e1 paridade.<\/p>\n<p>6. &#8211; Haver\u00e1 materialistas bastante endurecidos para julgarem nesse momento que v\u00e3o ser arremessados ao nada? &#8211; R. Sim, eles acreditam em o nada at\u00e9 \u00e0 \u00faltima hora, mas, no momento da separa\u00e7\u00e3o, o Esp\u00edrito recua, a d\u00favida empolga-o e tortura-o; pergunta-se a si mesmo o que vai ser, quer algo apreender e nada pode. O desprendimento n\u00e3o pode completar-se sem esta impress\u00e3o. Nota &#8211; Em outras circunst\u00e2ncias, um Esp\u00edrito fez-nos a seguinte descri\u00e7\u00e3o da morte do incr\u00e9dulo: Experimentam nos \u00faltimos instantes as angustias desses pesadelos terr\u00edveis em que se veem em escarpas de abismos prestes a trag\u00e1-los; querem fugir e n\u00e3o podem; procuram agarrar-se a qualquer coisa, mas n\u00e3o encontram apoio e sentem precipitar-se: querem clamar, gritar e nem sequer um som podem articular: &#8211; ent\u00e3o, vemo-los contorcerem-se, crispar as m\u00e3os, dar gritos sufocados, outros tantos sintomas do pesadelo de que s\u00e3o v\u00edtimas. No pesadelo ordin\u00e1rio, do sonho, o despertar tira-vos a inquieta\u00e7\u00e3o e aliviados sois pela compreens\u00e3o de que sonh\u00e1veis; o pesadelo da morte prolonga-se muita vez por longo tempo, por anos mesmo, e o que torna a sensa\u00e7\u00e3o ainda mais penosa para o Esp\u00edrito s\u00e3o as trevas em que se encontra imerso.<\/p>\n<p>7. &#8211; Dissestes que por ocasi\u00e3o de expirar nada v\u00edeis, por\u00e9m pressent\u00edeis. Compreende-se que nada v\u00edsseis corporalmente, mas o que pressent\u00edeis antes da extin\u00e7\u00e3o seria j\u00e1 a claridade do mundo dos Esp\u00edritos? &#8211; R. Foi o que eu disse precedentemente, o instante da morte d\u00e1 clarivid\u00eancia ao Esp\u00edrito; os olhos n\u00e3o veem, por\u00e9m o Esp\u00edrito, que possui uma vista bem mais profunda, descobre instantaneamente um mundo desconhecido, e a verdade, brilhando de s\u00fabito, lhe d\u00e1 momentaneamente imensa alegria ou funda m\u00e1goa, conforme o estado de consci\u00eancia e a lembran\u00e7a da vida passada. Nota &#8211; Trata-se do instante que precede a morte, ou antes, daquele em que se perde a consci\u00eancia &#8211; o que explica a palavra momentaneamente, pois as impress\u00f5es agrad\u00e1veis ou penosas, quaisquer que sejam, sobrevivem ao despertar.<\/p>\n<p>8. &#8211; Podeis dizer-nos o que vos impressionou, o que vistes no momento em que os vossos olhos se abriram \u00e0 luz? Podeis descrever-nos, se \u00e9 poss\u00edvel, o aspecto das coisas que se vos depararam? &#8211; R. Quando pude voltar a mim e ver o que tinha diante dos olhos, fiquei como que ofuscado, sem poder compreender, porquanto a lucidez n\u00e3o volta repentinamente. Deus, por\u00e9m, que me deu uma prova exuberante da sua bondade, permitiu-me recuperasse as faculdades, e foi ent\u00e3o que me vi cercado de numerosos, bons e fi\u00e9is amigos. Todos os Esp\u00edritos protetores que nos assistem, rodeavam-me sorrindo; uma alegria sem par irradiava-lhes do semblante e tamb\u00e9m eu, forte e animado, podia sem esfor\u00e7o percorrer os espa\u00e7os. O que eu vi n\u00e3o tem nome na linguagem dos homens. Voltarei depois para falar-vos mais amplamente das minhas venturas, sem ultrapassar, j\u00e1 se v\u00ea, o limite tra\u00e7ado por Deus. Sabei que a felicidade, como v\u00f3s outros a compreendeis, n\u00e3o passa de uma fic\u00e7\u00e3o. Vivei sabiamente, santamente, pela caridade e pelo amor, e tereis feito jus a impress\u00f5es e del\u00edcias que o maior dos poetas n\u00e3o saberia descrever. Nota &#8211; Os contos de fadas est\u00e3o cheios de coisas absurdas, mas quem sabe se n\u00e3o cont\u00eam, de alguma sorte e em parte, algo do que se passa no mundo dos Esp\u00edritos? A descri\u00e7\u00e3o do Sr. Sanson lembra como que um homem adormecido numa choupana, despertando em pal\u00e1cio espl\u00eandido e rodeado de uma corte brilhante.<\/p>\n<p>9. &#8211; Debaixo de que aspecto se vos apresentaram os Esp\u00edritos? sob a forma humana? &#8211; R. Sim, meu caro amigo; os Esp\u00edritos nos ensinam, a\u00ed na Terra, que conservam no outro mundo a mesma forma que lhes serviu de envolt\u00f3rio, e \u00e9 a verdade. Mas, que diferen\u00e7a entre a m\u00e1quina informe, que penosamente a\u00ed se arrasta com seu cortejo de mis\u00e9rias, e a fluidez maravilhosa do corpo espiritual! A fealdade n\u00e3o mais existe, porque os tra\u00e7os perderam a dureza de express\u00e3o que forma o car\u00e1ter distintivo da ra\u00e7a humana. Deus beatificou esses corpos graciosos que se movem com todas as eleg\u00e2ncias; a linguagem tem modula\u00e7\u00f5es intraduz\u00edveis para v\u00f3s e o olhar o alcance de uma estrela! Conjeturai sobre o que Deus pode produzir na sua Onipot\u00eancia, Ele, o arquiteto dos arquitetos, e tereis feito uma fraca id\u00e9ia da forma dos Esp\u00edritos.<\/p>\n<p>10. &#8211; Quanto a v\u00f3s, como vedes? Reconheceis em v\u00f3s uma forma limitada, circunscrita, ainda que imponder\u00e1vel? Sentis em v\u00f3s mesmo uma cabe\u00e7a, tronco, pernas e bra\u00e7os? &#8211; R. O Esp\u00edrito, conservando a sua forma humana idealizada, divinizada, pode, sem contradi\u00e7\u00e3o, possuir todos os membros de que falais. Sinto perfeitamente as minhas m\u00e3os com os dedos, pois podemos, \u00e0 vontade, aparecer-vos e apertar-vos as m\u00e3os. Estou junto dos meus amigos e aperto-lhes as m\u00e3os sem que disso se apercebam. Quanto \u00e0 nossa fluidez e gra\u00e7as a ela, podemos estar em toda parte sem interceptar o espa\u00e7o ou produzir quaisquer sensa\u00e7\u00f5es, se assim o desejamos. Neste momento, entre as vossas m\u00e3os cruzadas tenho as minhas. Digo- vos, por exemplo, que vos amo; por\u00e9m, o meu corpo n\u00e3o ocupa qualquer espa\u00e7o, a luz atravessa-o e o que chamar\u00edeis &#8211; milagre &#8211; se acaso v\u00edsseis, n\u00e3o passa para o Esp\u00edrito de a\u00e7\u00e3o continua de todos os instantes. A vista dos Esp\u00edritos n\u00e3o se pode comparar \u00e0 humana, uma vez que tamb\u00e9m seu corpo n\u00e3o tem quaisquer semelhan\u00e7as reais; para eles tudo se transforma na ess\u00eancia, como no conjunto. Repito-vos que o Esp\u00edrito tem uma perspic\u00e1cia divina que abrange tudo, podendo adivinhar at\u00e9 o pensamento alheio; tamb\u00e9m pode oportunamente tomar a forma mais pr\u00f3pria para tornar-se conhecido. Na realidade, por\u00e9m, o Esp\u00edrito que tem terminado a prova\u00e7\u00e3o prefere a forma que o conduziu para junto de Deus.<\/p>\n<p>11. &#8211; Os Esp\u00edritos n\u00e3o t\u00eam sexo; mas como h\u00e1 poucos dias \u00e9reis um homem, desejamos saber se no vosso novo estado tendes mais da natureza masculina ou da feminina? E o mesmo que se d\u00e1 convosco poder-se-\u00e1 aplicar ao Esp\u00edrito de longo tempo desencarnado? &#8211; R. N\u00e3o temos motivo para ser de natureza masculina ou feminina: &#8211; os Esp\u00edritos n\u00e3o se reproduzem. Deus criou-os como quis, e tendo segundo seus maravilhosos des\u00edgnios de dar-lhes a encarna\u00e7\u00e3o, sobre a Terra, subordinou-os a\u00ed \u00e0s leis de reprodu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, caracterizada pela jun\u00e7\u00e3o dos sexos. Mas v\u00f3s deveis senti-lo, sem mais explica\u00e7\u00e3o, que os Esp\u00edritos n\u00e3o podem ter sexo. Nota &#8211; Sempre disseram que os Esp\u00edritos n\u00e3o t\u00eam sexo, sendo este apenas necess\u00e1rio \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o dos corpos. De fato, n\u00e3o se reproduzindo, o sexo ser-lhes-ia in\u00fatil. A nossa pergunta n\u00e3o visava confirmar o fato, mas saber, visto que o Sr. Sanson desencarnara recentemente, as impress\u00f5es que guardava do seu estado terreno. Os Esp\u00edritos puros compreendem perfeitamente a sua natureza, por\u00e9m, entre os inferiores, n\u00e3o desmaterializados, muitos h\u00e1 que se acreditam encarnados sobre a Terra, com as mesmas paix\u00f5es e desejos. Assim, pensam eles que s\u00e3o ainda os mesmos que foram, isto \u00e9, homem o,&#8217; mulher, havendo quem por esta raz\u00e3o suponha ter realmente um sexo. As contradi\u00e7\u00f5es a tal respeito s\u00e3o oriundas da gradua\u00e7\u00e3o de adiantamento dos Esp\u00edritos que se manifestam, sendo o erro menos deles que de quem os interroga sem se dar ao trabalho de aprofundar as quest\u00f5es.<\/p>\n<p>12. &#8211; Que tal se vos afigura a sess\u00e3o? O seu aspecto \u00e9 o mesmo de quando \u00e9reis vivo? As pessoas guardam para v\u00f3s a mesma apar\u00eancia? Ser\u00e1 tudo t\u00e3o claro e distinto como outrora? &#8211; R. Muito mais claro, porquanto posso ler o pensamento de todos v\u00f3s, sentindo-me igualmente feliz pela ben\u00e9fica impress\u00e3o que me causa a boa&#8211;vontade de todos os Esp\u00edritos congregados. Desejo que o mesmo crit\u00e9rio se fa\u00e7a sentir n\u00e3o s\u00f3 em Paris, mas na Fran\u00e7a inteira, onde grupos h\u00e1 que se desligam, invejando-se reciprocamente, dominados por Esp\u00edritos turbulentos que se comprazem na disc\u00f3rdia, quando o Espiritismo deve incutir o esquecimento completo e absoluto do &#8220;eu&#8221;.<\/p>\n<p>13. &#8211; Dissestes poder ler em nosso pensamento: &#8211; podeis explicar-nos como se opera essa transmiss\u00e3o? &#8211; R. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Para vos descrever, explicando-o, este prod\u00edgio extraordin\u00e1rio da nossa vis\u00e3o, preciso fora franquear-vos todo um arsenal de agentes novos, com o que, ali\u00e1s, ficar\u00edeis na mesma, por terdes as vossas faculdades limitadas pela mat\u00e9ria. Paci\u00eancia&#8230; Tomai-vos bons e tudo conseguireis. Atualmente s\u00f3 podeis ter o que Deus vos concede, mas com a esperan\u00e7a de progredir continuamente; mais tarde sereis como n\u00f3s. Procurai no entanto morrer em gra\u00e7a para muito saberdes. A curiosidade, est\u00edmulo do homem que pensa, conduzir-vos-\u00e1 tranquilamente para a morte, reservando-vos a satisfa\u00e7\u00e3o de todos os desejos passados, presentes e futuros. Enquanto esperais, direi para responder, ainda que mal, \u00e0 vossa pergunta: o ar que respirais, impalp\u00e1vel como n\u00f3s, estereotipa por assim dizer o vosso pensamento; o sopro que exalais \u00e9, mais ou menos, a p\u00e1gina escrita dos vossos pensamentos lidos e comentados pelos Esp\u00edritos que constantemente se encontram convosco, mensageiros de uma telegrafia divina que tudo transmite e grava.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O C\u00c9U E O INFERNO SEGUNDO O ESPIRITISMO &#8211; CAP\u00cdTULO II &#8211; ESP\u00cdRITOS FELIZES &#8211; SANSON &#8211; Este antigo membro da Sociedade Esp\u00edrita de Paris faleceu a 21 de abril de 1862, depois de um ano de atrozes padecimentos. 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