{"id":2708,"date":"2014-10-07T21:45:29","date_gmt":"2014-10-08T00:45:29","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=2708"},"modified":"2014-10-07T21:45:29","modified_gmt":"2014-10-08T00:45:29","slug":"a-ilusao-do-discipulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/a-ilusao-do-discipulo\/","title":{"rendered":"A Ilus\u00e3o do Disc\u00edpulo"},"content":{"rendered":"<div class=\"xg_theme\" data-layout-pack=\"benedick\">\n<div id=\"xg_themebody\">\n<div id=\"xg\" class=\"xg_widget_profiles xg_widget_profiles_blog xg_widget_profiles_blog_show\">\n<div id=\"xg_body\">\n<div id=\"column1\" class=\"xg_column xg_span-16\">\n<div id=\"xg_canvas\" class=\"xj_canvas\">\n<div class=\"xg_module xg_blog xg_blog_detail xg_blog_mypage xg_module_with_dialog\">\n<div class=\"xg_headline xg_headline-img xg_headline-2l\">\n<div class=\"tb\">\n<p><a href=\"http:\/\/api.ning.com\/files\/ep*dLmCPR*zwnsXz7tg05ncSC4i*H3XSRlRKvKnyLIoPtXd6k6h*X1GwiZK-rEf1KYyB3bqKqfen1KHfgFfPax-jU5mj91rW\/5346_568405493210293_1407082509_n.jpg\" target=\"_self\"><img decoding=\"async\" class=\"align-center\" src=\"http:\/\/api.ning.com\/files\/ep*dLmCPR*zwnsXz7tg05ncSC4i*H3XSRlRKvKnyLIoPtXd6k6h*X1GwiZK-rEf1KYyB3bqKqfen1KHfgFfPax-jU5mj91rW\/5346_568405493210293_1407082509_n.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" \/><\/a>Jesus havia chegado a Jerusal\u00e9m sob uma chuva de flores.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"xg_module_body\">\n<div class=\"postbody\">\n<div class=\"xg_user_generated\">\n<p>De tarde, ap\u00f3s a consagra\u00e7\u00e3o popular, caminhavam Tiago e Judas, lado a lado, por uma estrada antiga, marginada de oliveiras, que conduzia \u00e0s casinhas alegres de Bet\u00e2nia.<\/p>\n<p>Judas Iscariote deixava transparecer no semblante \u00edntima inquieta\u00e7\u00e3o, enquanto no olhar sereno do filho de Zebedeu fulgurava a luz suave e branda que consola o cora\u00e7\u00e3o das almas crentes.<\/p>\n<p>\u2013 Tiago \u2013 exclamou Judas, entre ansioso e atormentado \u2013 n\u00e3o achas que o Mestre \u00e9 demasiado simples e bom para quebrar o jugo tir\u00e2nico que pesa sobre Israel, abolindo a escravid\u00e3o que oprime o povo eleito de Deus?<\/p>\n<p>\u2013 Mas \u2013 replicou o interpelado \u2013 poderias admitir no Mestre as disposi\u00e7\u00f5es destruidoras de um guerreiro do mundo?<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o tanto assim. Contudo, tenho a impress\u00e3o de que o Messias n\u00e3o considera as oportunidades. Ainda hoje, tive a aten\u00e7\u00e3o reclamada por doutores da lei que me fizeram sentir a inutilidade das prega\u00e7\u00f5es evang\u00e9licas, sempre levadas a efeito entre as pessoas mais ignorantes e desclassificadas.<\/p>\n<p>Ora, as reivindica\u00e7\u00f5es do nosso povo exigem um condutor en\u00e9rgico e altivo.<\/p>\n<p>\u2013 Israel \u2013 retrucou o filho de Zebedeu, de olhar sereno \u2013 sempre teve orientadores revolucion\u00e1rios; o Messias, por\u00e9m, vem efetuar a verdadeira revolu\u00e7\u00e3o, edificando o seu reino sobre os cora\u00e7\u00f5es e nas almas!&#8230;<\/p>\n<p>Judas sorriu algo ir\u00f4nico e acrescentou :<\/p>\n<p>\u2013 Mas, poderemos esperar renova\u00e7\u00f5es, sem conseguirmos o interesse e a aten\u00e7\u00e3o dos homens poderosos?<\/p>\n<p>\u2013 E quem haver\u00e1 mais poderoso ao que Deus, de quem o mestre \u00e9 o Enviado divino?<\/p>\n<p>Em face dessa invoca\u00e7\u00e3o Judas mordeu os l\u00e1bios, mas prosseguiu:<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o concordo com os princ\u00edpios de ina\u00e7\u00e3o e creio que o Evangelho somente poder\u00e1 vencer com o amparo dos prepostos de C\u00e9sar, ou das autoridades administrativas de Jerusal\u00e9m, que nos governam o destino. Acompanhando o Mestre nas suas prega\u00e7\u00f5es em Cesar\u00e9ia, em Sebaste, em Corazin e Betsaida, quando das suas aus\u00eancias de Cafarnaum, jamais o vi interessado em conquistar a aten\u00e7\u00e3o dos homens mais altamente colocados na vida. \u00c9 certo que de seus l\u00e1bios divinos sempre brotaram a verdade e o amor, por toda parte; mas, s\u00f3 observei leprosos e cegos, pobres e ignorantes, abeirando-se de nossa fonte.<\/p>\n<p>\u2013 Jesus, por\u00e9m, j\u00e1 nos esclareceu \u2013 obtemperou Tiago, com brandura \u2013 que o seu reino n\u00e3o \u00e9 deste mundo.<\/p>\n<p>Imprimindo aos olhos inquietes um fulgor estranho, o disc\u00edpulo impaciente revidou com energia:<\/p>\n<p>&#8211; Vimos hoje o povo de Jerusal\u00e9m atapetar o caminho do Senhor com as palmas da sua admira\u00e7\u00e3o e do seu carinho; precisamos, todavia, impor a figura do Messias \u00e0s autoridades da Corte Provincial e do Templo, de modo a aproveitarmos esse surto de simpatia. Notei que Jesus recebia as homenagens populares sem partilhar do entusiasmo febril de quantos o cercavam, raz\u00e3o por que necessitamos multiplicar esfor\u00e7os, em lugar dele, afim de que a nossa posi\u00e7\u00e3o de superioridade seja reconhecida em tempo oportuno.<\/p>\n<p>\u2013 Recordo-me, entretanto, de que o Mestre nos asseverou, certa vez, que o maior na comunidade ser\u00e1 sempre aquele que se fizer o menor de todos.<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o podemos levar em conta esses excessos de teoria. Interpelado que vou ser hoje por amigos influentes na pol\u00edtica de Jerusal\u00e9m, farei o poss\u00edvel por estabelecer acordos com os altos funcion\u00e1rios e homens de import\u00e2ncia, afim de imprimirmos novo movimento \u00e0s id\u00e9ias do Messias.<\/p>\n<p>\u2013 Judas! Judas!&#8230; \u2013 observou-lhe o irm\u00e3o de apostolado, com doce veem\u00eancia \u2013 v\u00ea l\u00e1 o que fazes! Socorreres-te dos poderes transit\u00f3rios do mundo, sem um motivo que justifique \u00easse recurso, n\u00e3o ser\u00e1, desrespeito \u00e0 autoridade de Jesus? N\u00e3o ter\u00e1 o Mestre vis\u00e3o bastante para sondar e reconhecer os cora\u00e7\u00f5es? O h\u00e1bito dos sacerdotes e a toga dos dignit\u00e1rios romanos; s\u00e3o roupagens para a Terra&#8230; As id\u00e9ias do Mestre s\u00e3o do c\u00e9u e seria sacril\u00e9gio misturarmos a sua pureza Com as Organiza\u00e7\u00f5es viciadas do mundo!&#8230; Al\u00e9m de tudo, n\u00e3o podemos ser mais s\u00e1bios, nem mais amorosos do que Jesus e ele sabe o melhor caminho e a melhor oportunidade para a convers\u00e3o dos homens!&#8230; As conquistas do mundo s\u00e3o cheias de ciladas para o esp\u00edrito e, entre elas, \u00e9 poss\u00edvel que nos transformemos em \u00f3rg\u00e3o de esc\u00e2ndalo para a verdade que o Mestre representa.<\/p>\n<p>Judas silenciou, atormentado.<\/p>\n<p>No firmamento, os derradeiros raios de Sol batiam nas nuvens distantes, enquanto os dois disc\u00edpulos tomavam rumos diferentes.<\/p>\n<p>Sem embargo das carinhosas exorta\u00e7\u00f5es de Tiago, Judas Iscariote passou a noite tomado de angustiosas inquieta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o seria melhor apressar o triunfo mundano do Cristianismo? Israel n\u00e3o esperava um Messias que enfeixasse nas m\u00e3os todos os poderes? Valendo-se da doutrina do Mestre, poderia tomar para si as r\u00e9deas do movimento renovador, enquanto Jesus, na sua bondade e simplicidade, ficaria entre todos, como um s\u00edmbolo vivo da id\u00e9ia nova.<\/p>\n<p>Recordando suas primeiras conversa\u00e7\u00f5es com as autoridades do Sin\u00e9drio, meditava na execu\u00e7\u00e3o de seus sombrios des\u00edgnios.<\/p>\n<p>A madrugada o encontrou decidido, na embriagues de seus sonhos ilus\u00f3rios. Entregaria o Mestre aos homens do poder, em troca de sua nomea\u00e7\u00e3o oficial para dirigir a atividade dos companheiros. Teria autoridade e privil\u00e9gios pol\u00edticos. Satisfaria \u00e0s suas ambi\u00e7\u00f5es, aparentemente justas, afim de organizar a vit\u00f3ria crist\u00e3 no seio de seu povo. Depois de atingir o alto cargo com que contava, libertaria a Jesus e lhe dirigiria os dons espirituais, de modo a utiliz\u00e1-los para a convers\u00e3o de seus amigos e protetores prestigiosos.<\/p>\n<p>O Mestre, a seu ver, era demasiadamente humilde e generoso para vencer sozinho, por entre a maldade e a viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Ao desabrochar a alvorada, o disc\u00edpulo imprevidente demandou o centro da cidade e, ap\u00f3s horas, era recebido pelo Sin\u00e9drio, onde lhe foram hipotecadas as mais relevantes promessas.<\/p>\n<p>Apesar de satisfeito com a sua mesquinha gratifica\u00e7\u00e3o e desvairado no seu esp\u00edrito ambicioso, Judas amava ao Messias e esperava, ansiosamente, o instante do triunfo, para lhe dar a alegria da vit\u00f3ria crist\u00e3, atrav\u00e9s das manobras pol\u00edticas do mundo.<\/p>\n<p>O pr\u00eamio da vaidade, por\u00e9m, esperava a sua desmedida ambi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Humilhado e escarnecido, seu Mestre bem-amado foi conduzido a cruz da ignom\u00ednia, sob vilip\u00eandios e flagela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Daqueles l\u00e1bios, que haviam ensinado a verdade e o bem, a simplicidade e o amor, n\u00e3o chegou a escapar-se uma queixa. Martirizado na sua estrada de ang\u00fastias, o Messias s\u00f3 teve o m\u00e1ximo de perd\u00e3o para seus algozes.<\/p>\n<p>Observando os acontecimentos, que lhe contrariavam as mais \u00edntimas suposi\u00e7\u00f4es, Judas Iscariote se dirigiu a Caifas, reclamando o cumprimento de suas promessas. Os sacerdotes, por\u00e9m, ouvindo-lhe as palavras tardias, sorriram com sarcasmo. Debalde recorreu \u00e0s suas prestigiosas relances de amizade: teve de reconhecer a falibilidade das promessas humanas. Atormentado e aflito, buscou os companheiros de f\u00e9. Encontrou-os vencidos e humilhados; pareceu-lhe, por\u00e9m, descobrir em cada olhar a mesma exprobra\u00e7\u00e3o silenciosa e dolorida.<\/p>\n<p>J\u00e1 se havia escoado a hora sexta, em que o Mestre expiara na cruz, implorando perd\u00e3o para seus verdugos.<\/p>\n<p>De longe, Judas contemplou todas as cenas angustiosas e humilhantes do Calv\u00e1rio. Atroz remorso lhe pungia a consci\u00eancia dilacerada. L\u00e1grimas ardentes lhe rolavam dos olhos tristes e amortecidos. Mau, grado \u00e0 vaidade que o perdera, ele amava intensamente ao Messias.<\/p>\n<p>Em breves instantes, o c\u00e9u da cidade impiedosa se cobriu de nuvens escuras e borrascosas. O mau disc\u00edpulo, com um oceano de dor na consci\u00eancia, peregrinou em derredor do casario maldito, acalentando o prop\u00f3sito de desertar do mundo, numa suprema trai\u00e7\u00e3o aos compromissos mais sagrados de sua vida.<\/p>\n<p>Antes, por\u00e9m, de executar seus planos tenebrosos, junto \u00e0 figueira sinistra, ouvia a voz amargurada do seu tremendo remorso.<\/p>\n<p>Rel\u00e2mpagos terr\u00edveis rasgavam o firmamento; trov\u00f5es cavernosos pareciam lan\u00e7ar sobre a terra criminosa a maldi\u00e7\u00e3o do c\u00e9u vilipendiado e esquecido.<\/p>\n<p>Mas, sobre todas as vozes confusas da Natureza, o disc\u00edpulo infeliz escutava a voz do Mestre, dor&#8217;&gt;consoladora e inesquec\u00edvel, penetrando-lhe os refolhos mais \u00edntimos da alma:<\/p>\n<p>\u2013 \u201cEu sou o Caminho, a Verdade e a Vida\u201d. Ningu\u00e9m pode ir ao Pai, sen\u00e3o por mim&#8230;.<\/p>\n<p>Humberto de Campos<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jesus havia chegado a Jerusal\u00e9m sob uma chuva de flores. De tarde, ap\u00f3s a consagra\u00e7\u00e3o popular, caminhavam Tiago e Judas, lado a lado, por uma estrada antiga, marginada de oliveiras, que conduzia \u00e0s casinhas alegres de Bet\u00e2nia. 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