{"id":287,"date":"2013-03-07T21:22:15","date_gmt":"2013-03-08T00:22:15","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=287"},"modified":"2013-03-07T21:26:16","modified_gmt":"2013-03-08T00:26:16","slug":"o-futuro-e-o-nada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-futuro-e-o-nada\/","title":{"rendered":"O futuro e o nada."},"content":{"rendered":"<p><b>O CEU E O INFERNO &#8211; I PARTE &#8211; <\/b><\/p>\n<p><b>DOUTRINA<\/b><\/p>\n<p><b>CAP\u00cdTULO 1 &#8211;\u00a0<\/b><b>O PORVIR E O NADA\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>1. &#8211; Vivemos, pensamos e operamos &#8211; eis o que \u00e9 positivo. E que morremos, n\u00e3o \u00e9 menos certo.\u00a0<\/b><b>Mas, deixando a Terra, para onde vamos? Que seremos ap\u00f3s a morte? Estaremos melhor ou pior? Existiremos ou n\u00e3o? Ser ou n\u00e3o ser, tal a alternativa. Para sempre ou para nunca mais; ou tudo ou nada: Viveremos eternamente, ou tudo se aniquilara de vez? \u00c9 uma tese, essa, que se imp\u00f5e.<\/b><\/p>\n<p><b>Todo homem experimenta a necessidade de viver, de gozar, de amar e ser feliz. Dizei ao moribundo que ele viver\u00e1 ainda; que a sua hora \u00e9 retardada; dizei-lhe sobretudo que ser\u00e1 mais feliz do que porventura o tenha sido, e o seu cora\u00e7\u00e3o rejubilar\u00e1. Mas, de que serviriam essas aspira\u00e7\u00f5es de felicidade, se um leve sopro pudesse dissipa-las?<\/b><\/p>\n<p><b>Haver\u00e1 algo de mais desesperador do que esse pensamento da destrui\u00e7\u00e3o absoluta? Afei\u00e7\u00f5es caras, intelig\u00eancia, progresso, saber laboriosamente adquiridos, tudo despeda\u00e7ado, tudo perdido! De nada nos serviria, portanto, qualquer esfor\u00e7o no sofreamento das paix\u00f5es, de fadiga para nos ilustrarmos, de devotamento \u00e0 causa do progresso, desde que de tudo isso nada aproveit\u00e1ssemos, predominando o pensamento de que amanh\u00e3 mesmo, talvez, de nada nos serviria tudo isso. Se assim fora, a sorte do homem seria cem vezes pior que a do bruto, porque este vive inteiramente do presente na satisfa\u00e7\u00e3o dos seus apetites materiais, sem aspira\u00e7\u00e3o para o futuro. Diz-nos uma secreta intui\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, que isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel.<\/b><\/p>\n<p><b>2. &#8211; Pela cren\u00e7a em o nada, o homem concentra todos os seus pensamentos, for\u00e7osamente, na vida presente. Logicamente n\u00e3o se explicaria a preocupa\u00e7\u00e3o de um futuro que se n\u00e3o espera. Esta preocupa\u00e7\u00e3o exclusiva do presente conduz o homem a pensar em si, de prefer\u00eancia a tudo: \u00e9, pois, o mais poderoso estimulo ao ego\u00edsmo, e o incr\u00e9dulo \u00e9 conseq\u00fcente quando chega \u00e0 seguinte conclus\u00e3o: Gozemos enquanto aqui estamos; gozemos o mais poss\u00edvel, pois que conosco tudo se acaba; gozemos depressa, porque n\u00e3o sabemos quanto tempo existiremos Ainda conseq\u00fcente \u00e9 esta outra conclus\u00e3o, ali\u00e1s mais grave para a sociedade: Gozemos apesar de tudo, gozemos de qualquer modo, cada qual por si: a felicidade neste mundo \u00e9 do mais astuto.<\/b><\/p>\n<p><b>E se o respeito humano cont\u00e9m a alguns seres, que freio haver\u00e1 para os que nada temem? Acreditam estes \u00faltimos que as leis humanas n\u00e3o atingem sen\u00e3o os ineptos e assim empregam todo o seu engenho no melhor meio de a elas se esquivarem. Se h\u00e1 doutrina insensata e anti-social, \u00e9, seguramente, o niilismo que rompe os verdadeiros la\u00e7os de solidariedade e fraternidade, em que se fundam as rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/b><\/p>\n<p><b>3. &#8211; Suponhamos que, por uma circunst\u00e2ncia qualquer, todo um povo adquire a certeza de que em oito dias, num m\u00eas, ou num ano ser\u00e1 aniquilado; que nem um s\u00f3 indiv\u00edduo lhe sobreviver\u00e1, como de sua exist\u00eancia n\u00e3o sobreviver\u00e1 nem um s\u00f3 tra\u00e7o: Que far\u00e1 esse povo condenado, aguardando o exterm\u00ednio? Trabalhar\u00e1 pela causa do seu progresso, da sua instru\u00e7\u00e3o? Entregar-se-\u00e1 ao trabalho para viver? Respeitar\u00e1 os direitos, os bens, a vida do seu semelhante? Submeter-se-\u00e1 a qualquer lei ou autoridade por mais legitima que seja, mesmo a paterna? Haver\u00e1 para ele, nessa emerg\u00eancia, qualquer dever? Certo que n\u00e3o. Pois bem! O que se n\u00e3o d\u00e1 coletivamente, a doutrina do niilismo\u00a0<\/b><b>realiza todos os dias isoladamente, individualmente. E se as conseq\u00fc\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o desastrosas tanto quanto poderiam ser, \u00e9, em primeiro lugar, porque na maioria dos incr\u00e9dulos h\u00e1 mais jact\u00e2ncia que verdadeira incredulidade, mais d\u00favida que convic\u00e7\u00e3o &#8211; possuindo eles mais medo do nada do que pretendem aparentar &#8211; o qualificativo de esp\u00edritos fortes lisonjeia-lhes a vaidade e o\u00a0<\/b><b>amor-pr\u00f3prio; em segundo lugar, porque os incr\u00e9dulos absolutos se contam por \u00ednfima minoria, e sentem a seu pesar os ascendentes da opini\u00e3o contr\u00e1ria, mantidos por uma for\u00e7a material.<\/b><\/p>\n<p><b>Torne-se, n\u00e3o obstante, absoluta a incredulidade da maioria, e a sociedade entrar\u00e1 em dissolu\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/b><b>Eis ao que tende a propaga\u00e7\u00e3o da doutrina niilista. (1) &#8211; (1) Um mo\u00e7o de dezoito anos, afetado de uma enfermidade do cora\u00e7\u00e3o, foi declarado incur\u00e1vel. A Ci\u00eancia havia dito: Pode morrer dentro de oito dias ou de dois anos, mas n\u00e3o ir\u00e1 al\u00e9m. Sabendo-o, o mo\u00e7o para logo abandonou os estudos e\u00a0<\/b><b>entregou-se a excessos de todo o g\u00eanero. Quando se lhe ponderava o perigo de uma vida desregrada, respondia: Que me importa, se n\u00e3o tenho mais de dois anos de vida? De que me serviria fatigar o esp\u00edrito? Gozo o pouco que me resta e quero divertir-me at\u00e9 ao fim. Eis a conseq\u00fc\u00eancia l\u00f3gica do niilismo. &#8211; Se este mo\u00e7o fora esp\u00edrita, teria dito: A morte s\u00f3 destruir\u00e1 o corpo, que deixarei como fato usado, mas o meu Esp\u00edrito viver\u00e1. Serei na vida futura aquilo que eu pr\u00f3prio houver feito de mim nesta vida; do que nela puder adquirir em qualidades morais e intelectuais nada perderei, porque ser\u00e1 outro tanto de ganho para o meu adiantamento; toda a imperfei\u00e7\u00e3o de que me livrar ser\u00e1 um passo a mais para a felicidade. A minha felicidade ou infelicidade depende da utilidade ou inutilidade da presente exist\u00eancia. \u00c9 portanto de meu interesse aproveitar o pouco tempo que me resta, e evitar tudo que possa diminuir-me as for\u00e7as. Qual destas doutrinas \u00e9 prefer\u00edvel? &#8211;<\/b><\/p>\n<p><b>Fossem, por\u00e9m, quais fossem as suas conseq\u00fc\u00eancias, uma vez que se impusesse como verdadeira, seria preciso aceit\u00e1-la, e nem sistemas contr\u00e1rios, nem a id\u00e9ia dos males resultantes poderiam obstar-lhe a exist\u00eancia. For\u00e7oso \u00e9 dizer que, a despeito dos melhores esfor\u00e7os da religi\u00e3o, o cepticismo, a d\u00favida, a indiferen\u00e7a ganham terreno dia a dia. Mas, se a religi\u00e3o se mostra impotente para sustar a incredulidade, \u00e9 que lhe falta alguma coisa na luta. Se por outro lado a religi\u00e3o se condenasse \u00e0 imobilidade, estaria, em dado tempo, dissolvida. O que lhe falta neste s\u00e9culo de positivismo, em que se procura compreender antes de crer, \u00e9, sem d\u00favida, a san\u00e7\u00e3o de suas doutrinas por fatos positivos, assim como a concord\u00e2ncia das mesmas com os dados positivos da Ci\u00eancia. Dizendo ela ser branco o que os fatos dizem ser negro, \u00e9 preciso optar entre a evid\u00eancia e a f\u00e9 cega. <\/b><\/p>\n<p><b>4. &#8211; \u00c9 nestas circunst\u00e2ncias que o Espiritismo vem opor um dique \u00e0 difus\u00e3o da incredulidade, n\u00e3o somente pelo racioc\u00ednio, n\u00e3o somente pela perspectiva dos perigos que ela acarreta, mas pelos fatos materiais, tornando vis\u00edveis e tang\u00edveis a alma e a vida futura. <\/b><\/p>\n<p><b>Todos somos livres na escolha das nossas cren\u00e7as; podemos crer em alguma coisa ou em nada crer, mas aqueles que procuram fazer prevalecer no esp\u00edrito das massas, da juventude principalmente, a nega\u00e7\u00e3o do futuro, apoiando-se na autoridade do seu saber e no ascendente da sua posi\u00e7\u00e3o, semeiam na sociedade germens de perturba\u00e7\u00e3o e dissolu\u00e7\u00e3o, incorrendo em grande responsabilidade.<\/b><\/p>\n<p><b>5. &#8211; H\u00e1 uma doutrina que se defende da pecha de materialista porque admite a exist\u00eancia de um princ\u00edpio inteligente fora da mat\u00e9ria: \u00e9 a da absor\u00e7\u00e3o no Todo Universal. Segundo esta doutrina, cada indiv\u00edduo assimila ao nascer uma parcela desse princ\u00edpio, que constitui sua alma, e d\u00e1-lhe vida, intelig\u00eancia e sentimento. Pela morte, esta alma volta ao foco comum e perde-se no infinito, qual gota d\u00e1gua no oceano. Incontestavelmente esta doutrina \u00e9 um passo adiantado sobre o puro materialismo, visto como admite alguma coisa, quando este nada admite. As conseq\u00fc\u00eancias, por\u00e9m, s\u00e3o exatamente as mesmas. Ser o homem imerso em o nada ou no reservat\u00f3rio comum, \u00e9 para ele a mesma coisa; aniquilado ou perdendo a sua individualidade, \u00e9 como se n\u00e3o existisse; as\u00a0<\/b><b>rela\u00e7\u00f5es sociais nem por isso deixam de romper-se, e para sempre. O que lhe \u00e9 essencial \u00e9 a conserva\u00e7\u00e3o do seu eu; sem este, que lhe importa ou n\u00e3o subsistir? O futuro afigura-se-lhe sempre nulo, e a vida presente \u00e9 a \u00fanica coisa que o interessa e preocupa. Sob o ponto de vista das conseq\u00fc\u00eancias morais, esta doutrina \u00e9, pois, t\u00e3o insensata, t\u00e3o desesperadora, t\u00e3o subversiva como o materialismo propriamente dito.<\/b><\/p>\n<p><b>6. &#8211; Pode-se, al\u00e9m disso, fazer esta obje\u00e7\u00e3o: todas as gotas d\u00e1gua tomadas ao oceano se assemelham e possuem id\u00eanticas propriedades como partes de um mesmo todo; por que, pois, as almas tomadas ao grande oceano da intelig\u00eancia universal t\u00e3o pouco se assemelham? Por que o g\u00eanio e a estupidez, as mais sublimes virtudes e os v\u00edcios mais ign\u00f3beis? Por que a bondade, a do\u00e7ura, a mansuetude ao lado da maldade, da crueldade, da barbaria? Como podem ser t\u00e3o diferentes entre si as partes de um mesmo todo homog\u00eaneo? Dir-se-\u00e1 que \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o que a modifica? Neste caso donde v\u00eam as qualidades inatas, as intelig\u00eancias precoces, os bons e maus instintos independentes de toda a educa\u00e7\u00e3o e tantas vezes em desarmonia com o meio no qual\u00a0<\/b><b>se desenvolvem? N\u00e3o resta d\u00favida de que a educa\u00e7\u00e3o modifica as qualidades intelectuais e\u00a0<\/b><b>morais da alma; mas aqui ocorre uma outra dificuldade: Quem d\u00e1 a esta a educa\u00e7\u00e3o para faz\u00ea-la progredir? Outras almas que por sua origem comum n\u00e3o devem ser mais adiantadas. Al\u00e9m disso, reentrando a alma no Todo Universal donde saiu, e havendo progredido durante a vida, leva-lhe um elemento mais perfeito. Dai se infere que esse Todo se encontraria, pela continua\u00e7\u00e3o, profundamente modificado e melhorado. Assim, como se explica sa\u00edrem incessantemente desse Todo almas ignorantes e perversas?<\/b><\/p>\n<p><b>7. &#8211; Nesta doutrina, a fonte universal de intelig\u00eancia que abastece as almas humanas \u00e9 independente da Divindade; n\u00e3o \u00e9 precisamente o pante\u00edsmo. O pante\u00edsmo propriamente dito considera o principio universal de vida e de intelig\u00eancia como constituindo a Divindade. Deus \u00e9 concomitantemente Esp\u00edrito e mat\u00e9ria; todos os seres, todos os corpos da Natureza comp\u00f5em a Divindade, da qual s\u00e3o as mol\u00e9culas e os elementos constitutivos; Deus \u00e9 o conjunto de todas as\u00a0<\/b><b>intelig\u00eancias reunidas; cada indiv\u00edduo, sendo uma parte do todo, \u00e9 Deus ele pr\u00f3prio; nenhum ser superior e independente rege o conjunto; o Universo \u00e9 uma imensa rep\u00fablica sem chefe, ou antes, onde cada qual \u00e9 chefe com poder absoluto.<\/b><\/p>\n<p><b>8. &#8211; A este sistema podem opor-se inumer\u00e1veis obje\u00e7\u00f5es, das quais s\u00e3o estas as principais: n\u00e3o se podendo conceber divindade sem infinita perfei\u00e7\u00e3o, pergunta-se como um todo perfeito pode ser formado de partes t\u00e3o imperfeitas, tendo necessidade de progredir? Devendo cada parte ser submetida \u00e0 lei do progresso, for\u00e7a \u00e9 convir que o pr\u00f3prio Deus deve progredir; e se Ele progride \u00a0constantemente, deveria ter sido, na origem dos tempos, muito imperfeito. E como p\u00f4de um ser imperfeito, formado de id\u00e9ias t\u00e3o divergentes, conceber leis t\u00e3o harm\u00f4nicas, t\u00e3o admir\u00e1veis de unidade, de sabedoria e previd\u00eancia quais as que regem o Universo? Se todas as almas s\u00e3o por\u00e7\u00f5es da Divindade, todos concorreram para as leis da Natureza; como sucede, pois, que elas murmurem sem cessar contra essas leis que s\u00e3o obra sua? Uma teoria n\u00e3o pode ser aceita como\u00a0<\/b><b>verdadeira sen\u00e3o com a cl\u00e1usula de satisfazer a raz\u00e3o e dar conta de todos os fatos que abrange; se um s\u00f3 fato lhe trouxer um desmentido, \u00e9 que n\u00e3o cont\u00e9m a verdade absoluta.<\/b><\/p>\n<p><b>9. &#8211; Sob o ponto de vista moral, as conseq\u00fc\u00eancias s\u00e3o igualmente il\u00f3gicas. Em primeiro lugar \u00e9 para as almas, tal como no sistema precedente, a absor\u00e7\u00e3o num todo e a perda da individualidade. Dado que se admita, consoante a opini\u00e3o de alguns pante\u00edstas, que as almas conservem essa individualidade, Deus deixaria de ter vontade \u00fanica para ser um composto de miriades de vontades divergentes. Al\u00e9m disso, sendo cada alma parte integrante da Divindade, deixa de ser dominada por um poder superior; n\u00e3o incorre em responsabilidade por seus atos bons ou maus; soberana, n\u00e3o tendo interesse algum na pr\u00e1tica do bem, ela pode praticar o mal impunemente.<\/b><\/p>\n<p><b>10. &#8211; Demais, estes sistemas n\u00e3o satisfazem nem a raz\u00e3o nem a aspira\u00e7\u00e3o humanas; deles decorrem dificuldades insuper\u00e1veis, pois s\u00e3o impotentes para resolver todas as quest\u00f5es de fato que suscitam. O homem tem, pois, tr\u00eas alternativas: o nada, a absor\u00e7\u00e3o ou a individualidade da alma antes e depois da morte. \u00c9 para esta \u00faltima cren\u00e7a que a l\u00f3gica nos impele irresistivelmente, cren\u00e7a que tem formado a base de todas as religi\u00f5es desde que o mundo existe. E se a l\u00f3gica nos conduz \u00e0 individualidade da alma, tamb\u00e9m nos aponta esta outra consequ\u00eancia: a sorte de cada alma deve depender das suas qualidades pessoais, pois seria irracional admitir que a alma atrasada do selvagem, como a do homem perverso, estivesse no n\u00edvel da do s\u00e1bio, do homem de bem. Segundo os princ\u00edpios de justi\u00e7a, as almas devem ter a responsabilidade dos seus atos, mas para haver essa responsabilidade, preciso \u00e9 que elas sejam livres na escolha do bem e do mal; sem o livre-arb\u00edtrio h\u00e1 fatalidade, e com a fatalidade n\u00e3o coexistiria a responsabilidade.<\/b><\/p>\n<p><b>11. &#8211; Todas as religi\u00f5es admitiram igualmente o principio da felicidade ou infelicidade da alma ap\u00f3s a morte, ou, por outra, as penas e gozos futuros, que se resumem na doutrina do c\u00e9u e do inferno encontrada em toda parte. No que elas diferem essencialmente, \u00e9 quanto \u00e0 natureza dessas penas e gozos, principalmente sobre as condi\u00e7\u00f5es determinantes de umas e de outras. Da\u00ed os pontos de f\u00e9 contradit\u00f3rios dando origem a cultos diferentes, e os deveres impostos por estes,\u00a0 consecutivamente, para honrar a Deus e alcan\u00e7ar por esse meio o c\u00e9u, evitando o inferno. <\/b><\/p>\n<p><b>12. &#8211; Todas as religi\u00f5es houveram de ser em sua origem relativas ao grau de adiantamento moral e intelectual dos homens: estes, assaz materializados para compreenderem o m\u00e9rito das coisas puramente espirituais, fizeram consistir a maior parte dos deveres religiosos no cumprimento de f\u00f3rmulas exteriores. Por muito tempo essas f\u00f3rmulas lhes satisfizeram a raz\u00e3o; por\u00e9m, mais tarde,\u00a0<\/b><b>porque se fizesse a luz em seu esp\u00edrito, sentindo o v\u00e1cuo dessas f\u00f3rmulas, uma vez que a religi\u00e3o n\u00e3o o preenchia, abandonaram-na e tornaram-se fil\u00f3sofos.<\/b><\/p>\n<p><b>13. &#8211; Se a religi\u00e3o, apropriada em come\u00e7o aos conhecimentos limitados do homem, tivesse acompanhado sempre o movimento progressivo do esp\u00edrito humano, n\u00e3o haveria incr\u00e9dulos, porque est\u00e1 na pr\u00f3pria natureza do homem a necessidade de crer, e ele crer\u00e1 desde que se lhe d\u00ea o p\u00e1bulo espiritual de harmonia com as suas necessidades intelectuais. O homem quer saber donde velo e para onde vai. Mostrando-se-lhe um fim que n\u00e3o corresponde \u00e0s suas aspira\u00e7\u00f5es nem \u00e0 id\u00e9ia que ele faz de Deus, tampouco aos dados positivos que lhe fornece a Ci\u00eancia; impondo-se-lhe, ademais, para atingir o seu desiderato, condi\u00e7\u00f5es cuja utilidade sua raz\u00e3o contesta, ele tudo rejeita; o materialismo e o pante\u00edsmo parecem-lhe mais racionais, porque com eles ao menos se\u00a0<\/b><b>raciocina e se discute, falsamente embora. E h\u00e1 raz\u00e3o, porque antes raciocinar em falso do que n\u00e3o raciocinar absolutamente.<\/b><\/p>\n<p><b>Apresente-se-lhe, por\u00e9m, um futuro condicionalmente l\u00f3gico, digno em tudo da grandeza, da justi\u00e7a e da infinita bondade de Deus, e ele repudiar\u00e1 o materialismo e o pante\u00edsmo, cujo v\u00e1cuo sente em seu foro intimo, e que aceitar\u00e1 \u00e0 falta de melhor cren\u00e7a. O Espiritismo d\u00e1 coisa melhor; eis por que \u00e9 acolhido pressurosamente por todos os atormentados da d\u00favida, os que n\u00e3o encontram nem nas cren\u00e7as nem nas filosofias vulgares o que procuram. O Espiritismo tem por si a l\u00f3gica do racioc\u00ednio e a san\u00e7\u00e3o dos fatos, e \u00e9 por isso que inutilmente o t\u00eam combatido.<\/b><\/p>\n<p><b>14. &#8211; Instintivamente tem o homem a cren\u00e7a no futuro, mas n\u00e3o possuindo at\u00e9 agora nenhuma base certa para defini-lo, a sua imagina\u00e7\u00e3o fantasiou os sistemas que originaram a diversidade de cren\u00e7as. A Doutrina Esp\u00edrita sobre o futuro &#8211; n\u00e3o sendo uma obra de imagina\u00e7\u00e3o mais ou menos arquitetada engenhosamente, por\u00e9m o resultado da observa\u00e7\u00e3o de fatos materiais que se desdobram hoje \u00e0 nossa vista &#8211; congra\u00e7ar\u00e1, como j\u00e1 est\u00e1 acontecendo, as opini\u00f5es divergentes ou flutuantes e trar\u00e1 gradualmente, pela for\u00e7a das coisas, a unidade de cren\u00e7as sobre esse ponto, n\u00e3o j\u00e1 baseada em simples hip\u00f3tese, mas na certeza. A unifica\u00e7\u00e3o feita relativamente \u00e0 sorte futura das almas ser\u00e1 o primeiro ponto de contacto dos diversos cultos, um passo imenso para a toler\u00e2ncia religiosa em primeiro lugar e, mais tarde, para a completa fus\u00e3o.<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O CEU E O INFERNO &#8211; I PARTE &#8211; DOUTRINA CAP\u00cdTULO 1 &#8211;\u00a0O PORVIR E O NADA\u00a0 1. &#8211; Vivemos, pensamos e operamos &#8211; eis o que \u00e9 positivo. E que morremos, n\u00e3o \u00e9 menos certo.\u00a0Mas, deixando a Terra, para &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-futuro-e-o-nada\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-287","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/287","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=287"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/287\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=287"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=287"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=287"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}