{"id":358,"date":"2013-03-13T22:15:14","date_gmt":"2013-03-14T01:15:14","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=358"},"modified":"2013-05-07T16:34:26","modified_gmt":"2013-05-07T19:34:26","slug":"o-egoismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-egoismo\/","title":{"rendered":"O Egoismo"},"content":{"rendered":"<p>O C\u00c9U E O INFERNO SEGUNDO O ESPIRITISMO &#8211;<\/p>\n<p>ESP\u00cdRITOS SOFREDORES &#8211;<\/p>\n<p>CLAIRE &#8211;<\/p>\n<p>(Sociedade de Paris, 1861)<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito que forneceu os ditados seguintes pertenceu a uma senhora que o m\u00e9dium conhecera quando na Terra. A sua conduta, como o seu car\u00e1ter, justificam plenamente os tormentos que lhe sobrevieram. Al\u00e9m do mais, ela era dominada por um sentimento exagerado de orgulho e ego\u00edsmo pessoais, sentimento que se patenteia na terceira das mensagens, quando pretende que o m\u00e9dium apenas se ocupe com ela. As comunica\u00e7\u00f5es foram obtidas em diferentes \u00e9pocas, sendo que as tr\u00eas \u00faltimas j\u00e1 denotam sens\u00edvel progresso nas disposi\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito, gra\u00e7as ao cuidado do m\u00e9dium, que empreendera a sua educa\u00e7\u00e3o moral.<\/p>\n<p>1. &#8211; Eis-me aqui, eu, a desgra\u00e7ada Claire. Que queres tu que te diga? A resigna\u00e7\u00e3o, a esperan\u00e7a n\u00e3o passam de palavras, para os que sabem que, inumer\u00e1veis como as pedras da saraivada, os sofrimentos lhe perdurar\u00e3o na sucess\u00e3o intermin\u00e1vel dos s\u00e9culos. Posso suaviz\u00e1-los, dizes tu&#8230; Que vaga palavra! Onde encontrar coragem e esperan\u00e7a para tanto? Procura, pois, intelig\u00eancia obtusa, compreender o que seja um dia eterno. Um dia, um ano, um s\u00e9culo&#8230; que sei eu? se as horas o n\u00e3o dividem, as esta\u00e7\u00f5es n\u00e3o variam; eterno e lento como a \u00e1gua que o rochedo roreja, este dia execrando, maldito, pesa sobre mim como avalancha de chumbo&#8230; Eu sofro!&#8230; Em torno de mim, apenas sombras silenciosas e indiferentes&#8230; Eu sofro! Contudo, sei que acima desta mis\u00e9ria reina o Deus Pai, para o qual tudo se encaminha. Quero pensar nEle, quero implorar-lhe miseric\u00f3rdia. Debato-me e vivo de rojo como o estropiado que rasteja ao longo do caminho. N\u00e3o sei que poder me atrai para ti; talvez sejas a salva\u00e7\u00e3o. Eu te deixo mais calma, mais reanimada, qual anci\u00e3 enregelada que se aquecesse a um raio de sol. G\u00e9lida, minha alma se reanima \u00e0 tua aproxima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>2. &#8211; A minha desgra\u00e7a aumenta dia a dia, proporcionalmente ao conhecimento da eternidade. \u00d3 mis\u00e9ria! Malditas sejam as horas de ego\u00edsmo e in\u00e9rcia, nas quais, esquecida de toda a caridade, de todo o afeto, eu s\u00f3 pensava no meu bem-estar! Malditos interesses humanos, preocupa\u00e7\u00f5es materiais que me cegaram e perderam! Agora o remorso do tempo perdido. Que te direi a ti, que me ouves? Olha, vela constantemente, ama os outros mais que a ti mesmo, n\u00e3o retardes a marcha nem engordes o corpo em detrimento da alma. Vela, conforme pregava o Salvador aos seus disc\u00edpulos. N\u00e3o me agrade\u00e7as estes conselhos, porque se o meu Esp\u00edrito os concebe, o cora\u00e7\u00e3o nunca os ouviu. Qual o c\u00e3o escorra\u00e7ado rastejando de medo, assim me humilho eu sem conhecer ainda o volunt\u00e1rio amor. Muito tarda a sua divina aurora a despontar! Ora por minha alma dessecada e t\u00e3o miser\u00e1vel!<\/p>\n<p>3. &#8211; Por que me esqueces, at\u00e9 aqui venho procurar-te. Acreditas que preces isoladas e a simples pron\u00fancia do meu nome bastar\u00e3o ao apaziguamento das minhas penas? N\u00e3o, cem vezes n\u00e3o. Eu urro de dor, errante, sem repouso, sem asilo, sem esperan\u00e7a, sentindo o aguilh\u00e3o eterno do castigo a enterrar-se-me na alma revoltada. Quando ou\u00e7o os vossos lamentos, rio-me, assim como quando vos vejo abatido. As vossas ef\u00eameras mis\u00e9rias, as l\u00e1grimas, tormentos que o sono susta, que s\u00e3o? Durmo eu aqui? Quero (ouviste?) quero que, deixando as tuas lucubra\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas, te ocupes de mim, al\u00e9m de fazeres com que outros mais tamb\u00e9m se ocupem. N\u00e3o tenho express\u00f5es para definir esse tempo que se escoa, sem que as horas lhe assinalem per\u00edodos. Vejo apenas um t\u00eanue raio de esperan\u00e7a, foste tu que ma deste: n\u00e3o me abandones, pois.<\/p>\n<p>4. &#8211; O Esp\u00edrito S. Lu\u00eds. &#8211; Este quadro \u00e9 de todo verdadeiro e em nada exagerado. Perguntar-se-\u00e1 talvez o que fez essa mulher para ser assim t\u00e3o miser\u00e1vel. Cometeu ela algum crime horr\u00edvel? roubou? assassinou? N\u00e3o; ela nada fez que afrontasse a justi\u00e7a dos homens. Ao contr\u00e1rio, divertia-se com o que chamais felicidade terrena; beleza, gozos, adula\u00e7\u00f5es, tudo lhe sorria, nada lhe faltava, a ponto de dizerem os que a viam: &#8211; Que mulher feliz! E invejavam-lhe a sorte. Mas, quereis saber? Foi ego\u00edsta; possu\u00eda tudo, exceto um bom cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o violou a lei dos homens, mas a de Deus, visto como esqueceu a primeira das virtudes &#8211; a caridade. N\u00e3o tendo amado sen\u00e3o a si mesma, agora n\u00e3o encontra ningu\u00e9m que a ame e v\u00ea-se insulada, abandonada, ao desamparo no Espa\u00e7o, onde ningu\u00e9m pensa nela nem dela se ocupa. Eis o que constitui o seu tormento. Tendo apenas procurado os gozos mundanos que hoje n\u00e3o mais existem, o v\u00e1cuo se lhe fez em torno, e como v\u00ea apenas o nada, este lhe parece eterno. Ela n\u00e3o sofre torturas f\u00edsicas; n\u00e3o v\u00eam atorment\u00e1-la os dem\u00f4nios, o que \u00e9 ali\u00e1s desnecess\u00e1rio, uma vez que se atormenta a si mesma, e isso lhe \u00e9 mais doloroso, porquanto, se tal acontecesse, os dem\u00f4nios seriam seres a ocuparem-se dela. O ego\u00edsmo foi a sua alegria na Terra; pois bem, \u00e9 ainda ele que a persegue &#8211; verme a corroer-lhe o cora\u00e7\u00e3o, seu verdadeiro dem\u00f4nio. S. Lu\u00eds.<\/p>\n<p>5. &#8211; Falar-vos-ei da importante diferen\u00e7a existente entre a moral divina e a moral humana. A primeira assiste a mulher ad\u00faltera no seu abandono e diz aos pecadores: &#8220;Arrependei-vos, e aberto vos ser\u00e1 o reino dos c\u00e9us.&#8221; Finalmente, a moral divina aceita todo arrependimento, todas as faltas confessadas, ao passo que a moral humana rejeita aquele e sorri aos pecados ocultos que, diz, s\u00e3o em parte perdoados. Cabe a uma a gra\u00e7a do perd\u00e3o, e a outra a hipocrisia. Escolhei, Esp\u00edritos \u00e1vidos da verdade! Escolhei entre os c\u00e9us abertos ao arrependimento e a toler\u00e2ncia que admite o mal, repelindo os solu\u00e7os do arrependimento francamente patenteado, s\u00f3 para n\u00e3o ferir o seu ego\u00edsmo e preconceitos. Arrependei-vos todos v\u00f3s que pecais; renunciai ao mal e principalmente \u00e0 hipocrisia &#8211; v\u00e9u que \u00e9 de torpezas, m\u00e1scara risonha de rec\u00edprocas conveni\u00eancias.<\/p>\n<p>6. &#8211; &#8220;Estou mais calma e resignada \u00e0 expia\u00e7\u00e3o das minhas faltas. O mal n\u00e3o est\u00e1 fora de mim, reside em mim, devendo ser eu que me transforme e n\u00e3o as coisas exteriores. &#8220;Em n\u00f3s e conosco trazemos o c\u00e9u e o inferno; as nossas faltas, gravadas na consci\u00eancia, s\u00e3o lidas correntemente no dia da ressurrei\u00e7\u00e3o. E uma vez que o estado da alma nos abate ou eleva, somos n\u00f3s os ju\u00edzes de n\u00f3s mesmos. Explico-me: um Esp\u00edrito impuro e sobrecarregado de culpas n\u00e3o pode conceber nem anelar uma eleva\u00e7\u00e3o que lhe seria insuport\u00e1vel. Assim como as diferentes esp\u00e9cies de seres vivem, cada qual, na esfera que lhes \u00e9 pr\u00f3pria, assim os Esp\u00edritos, segundo o grau de adiantamento, movem-se no meio adequado \u00e0s suas faculdades e n\u00e3o concebem outro sen\u00e3o quando o progresso (instrumento da lenta transforma\u00e7\u00e3o das almas) lhes subtrai as baixas tend\u00eancias, despojando-os da cris\u00e1lida do pecado, a fim de que possam adejar antes de se lan\u00e7arem, r\u00e1pidos quais flechas, para o fim \u00fanico e almejado &#8211; Deus! Ah! rastejo ainda, mas n\u00e3o odeio mais, e concebo a indiz\u00edvel felicidade do amor divino. Orai, pois, sempre por mim, que espero e aguardo.&#8221; Nota &#8211; Na comunica\u00e7\u00e3o a seguir, Claire fala de seu marido, que muito a martirizara, e da posi\u00e7\u00e3o em que ele se encontra no mundo espiritual. Esse quadro que ela por si n\u00e3o p\u00f4de completar, foi conclu\u00eddo pelo guia espiritual do m\u00e9dium.<\/p>\n<p>7. &#8211; Venho procurar-te, a ti, que por tanto tempo me deixas no esquecimento. Tenho, por\u00e9m, adquirido paci\u00eancia e n\u00e3o mais me desespero. Queres saber qual a situa\u00e7\u00e3o do pobre F\u00e9lix? Erra nas trevas entregue \u00e0 profunda nudez de sua alma. Superficial e leviano, aviltado pelo sensualismo, nunca soube o que eram o amor e a amizade. Nem mesmo a paix\u00e3o esclareceu suas sombrias luzes. Seu estado presente \u00e9 compar\u00e1vel ao da crian\u00e7a inapta para as fun\u00e7\u00f5es da vida e privada de todo o amparo. F\u00e9lix vaga aterrorizado nesse mundo estranho onde tudo fulgura ao brilho desse Deus por ele negado.<\/p>\n<p>8. &#8211; O guia do m\u00e9dium. &#8211; Vou falar por Claire, visto que ela n\u00e3o pode continuar a an\u00e1lise dos sofrimentos do marido, sem compartilh\u00e1-los: &#8220;F\u00e9lix &#8211; superficial nas ideias como nos sentimentos; violento por fraqueza; devasso por frivolidade &#8211; entrou no mundo espiritual t\u00e3o nu quanto ao moral como quanto ao f\u00edsico. Em reencarnar nada adquiriu e, consequentemente, tem de recome\u00e7ar toda a obra. &#8211; Qual homem ao despertar de prolongado sonho, reconhecendo a profunda agita\u00e7\u00e3o dos seus nervos, esse pobre ser, saindo da perturba\u00e7\u00e3o, reconhecer\u00e1 que viveu de quimeras, que lhe desvirtuaram a exist\u00eancia. Ent\u00e3o, maldir\u00e1 do materialismo que lhe dera o v\u00e1cuo pela realidade; apostrofar\u00e1 o positivismo que lhe fizera ter por desvarios as ideias sobre a vida futura, como por loucura a sua aspira\u00e7\u00e3o, como por fraqueza a cren\u00e7a em Deus. O desgra\u00e7ado, ao despertar, ver\u00e1 que esses nomes por ele escarnecidos s\u00e3o a f\u00f3rmula da verdade, e que, ao contr\u00e1rio da f\u00e1bula, a ca\u00e7a da presa foi menos proveitosa que a da sombra. Georges.&#8221;<\/p>\n<p>Estudo sobre as comunica\u00e7\u00f5es de Claire<\/p>\n<p>Estas comunica\u00e7\u00f5es s\u00e3o instrutivas por nos mostrarem principalmente uma das fei\u00e7\u00f5es mais comuns da vida &#8211; a do ego\u00edsmo. Delas n\u00e3o resultam esses grandes crimes que atordoam mesmo os mais perversos, mas a condi\u00e7\u00e3o de uma turba enorme que vive neste mundo, honrada e venerada, somente por ter um certo verniz e isentar- se do opr\u00f3brio da repress\u00e3o das leis sociais. Essa gente n\u00e3o vai encontrar castigos excepcionais no mundo espiritual, mas uma situa\u00e7\u00e3o simples, natural e consent\u00e2nea com o estado de sua alma e maneira de viver. O insulamento, o abandono, o desamparo, eis a puni\u00e7\u00e3o daquele que s\u00f3 viveu para si. Claire era, como vimos, um Esp\u00edrito assaz inteligente, mas de \u00e1rido cora\u00e7\u00e3o. A posi\u00e7\u00e3o social, a fortuna, os dotes f\u00edsicos que na Terra possu\u00edra, atraiam-lhe homenagens gratas \u00e0 sua vaidade &#8211; o que lhe bastava; hoje, onde se encontra, s\u00f3 v\u00ea indiferen\u00e7a e vacuidade em torno de si. Essa puni\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00e3o somente mais mortificante do que a dor que inspira piedade e compaix\u00e3o: mas \u00e9 tamb\u00e9m um meio de obrig\u00e1-la a despertar o interesse de outrem a seu respeito, pela sua morte. A sexta mensagem encerra uma ideia perfeitamente verdadeira concernente \u00e0 obstina\u00e7\u00e3o de certos Esp\u00edritos na pr\u00e1tica do mal. Admiramo-nos de ver como alguns deles s\u00e3o insens\u00edveis \u00e0 ideia e mesmo ao espet\u00e1culo da felicidade dos bons Esp\u00edritos. \u00c9 exatamente a situa\u00e7\u00e3o dos homens de- gradados que se deleitam na deprava\u00e7\u00e3o como nas pr\u00e1ticas grosseiramente sensuais. Esses homens est\u00e3o, por assim dizer, no seu elemento; n\u00e3o concebem os prazeres delicados, preferindo farrapos andrajosos a vestes limpas e brilhantes, por se acharem naqueles mais \u00e0 vontade. Da\u00ed a preteri\u00e7\u00e3o de boas companhias por orgias b\u00e1quicas e deboches. E de tal modo esses Esp\u00edritos se identificam com esse modo de vida, que da chega a constituir-lhes uma segunda natureza, acreditando-se incapazes mesmo de se elevarem acima da sua esfera. E assim se conservam at\u00e9 que radical transforma\u00e7\u00e3o do ser lhes reavive a intelig\u00eancia, lhes desenvolva o senso moral e os torne acess\u00edveis \u00e0s mais sutis sensa\u00e7\u00f5es. Esses Esp\u00edritos, quando desencarnados, n\u00e3o podem prontamente adquirir a delicadeza dos sentimentos, e, durante um tempo mais ou menos longo, ocupar\u00e3o as camadas inferiores do mundo espiritual, tal como acontece na Terra; assim permanecer\u00e3o enquanto rebeldes ao progresso, mas, com o tempo, a experi\u00eancia, as tribula\u00e7\u00f5es e mis\u00e9rias das sucessivas encarna\u00e7\u00f5es, chegar\u00e1 o momento de conceberem algo de melhor do que at\u00e9 ent\u00e3o possu\u00edam. Elevam-se-lhes por fim as aspira\u00e7\u00f5es, come\u00e7am a compreender o que lhes falta e principiam os esfor\u00e7os da regenera\u00e7\u00e3o. Uma vez nesse caminho, a marcha \u00e9 r\u00e1pida, visto como compreenderam um bem superior, comparado ao qual os outros, que n\u00e3o passam de grosseiras sensa\u00e7\u00f5es, acabam por inspirar-lhes repugn\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&#8211; P. (a S. Lu\u00eds). Que devemos entender por trevas em que se acham mergulhadas certas almas sofredoras? Ser\u00e3o as referidas tantas vezes na Escritura? &#8211; R. Sim, efetivamente, as designadas por Jesus e pelos profetas em refer\u00eancias ao castigo dos maus. Mas isso n\u00e3o passava de alegoria destinada a ferir os sentidos materializados dos seus contempor\u00e2neos, os quais jamais poderiam compreender a puni\u00e7\u00e3o de maneira espiritual. Certos Esp\u00edritos est\u00e3o imersos em trevas, mas deve-se depreender da\u00ed uma verdadeira noite da alma compar\u00e1vel \u00e0 obscuridade intelectual do idiota. N\u00e3o \u00e9 uma loucura da alma, por\u00e9m uma inconsci\u00eancia daquele e do que o rodeia, a qual se produz quer na presen\u00e7a, quer na aus\u00eancia da luz material. \u00c9, principalmente, a puni\u00e7\u00e3o dos que duvidaram do seu destino. Pois que acreditaram em o nada, as apar\u00eancias desse nada os supliciam, at\u00e9 que a alma, caindo em si, quebra as malhas de enervamento que a prostrava e envolvia, tal qual o homem oprimido por penoso sonhar luta em dado momento, com todo o vigor das suas faculdades, contra os terrores que de come\u00e7o o dominaram. Esta moment\u00e2nea redu\u00e7\u00e3o da alma a um nada fict\u00edcio e consciente de sua exist\u00eancia \u00e9 sentimento mais cruel do que se pode imaginar, em raz\u00e3o da apar\u00eancia de repouso que a acomete: &#8211; \u00e9 esse repouso for\u00e7ado, essa nulidade de ser, essa incerteza que lhe fazem o supl\u00edcio. O aborrecimento que a invade \u00e9 o mais terr\u00edvel dos castigos, visto como coisa alguma percebe em torno\u00a0\u00a0 nem coisas, nem seres; somente trevas, em verdade, representa isso tudo para ela. S. Lu\u00eds.<\/p>\n<p>(Claire): Eis-me aqui. Tamb\u00e9m eu posso responder \u00e0 pergunta relativa \u00e0s trevas, pois vaguei e sofri por muito tempo nesses limbos onde tudo \u00e9 solu\u00e7o e mis\u00e9rias. Sim, existem as trevas vis\u00edveis de que fala a Escritura, e os desgra\u00e7ados que deixam a vida, ignorantes ou culpados, depois das prova\u00e7\u00f5es terrenas s\u00e3o impelidos a fria regi\u00e3o, inconscientes de si mesmos e do seu destino. Acreditando na perenidade dessa situa\u00e7\u00e3o, a sua linguagem \u00e9 ainda a da vida que os seduziu, e admiram-se e espantam-se da profunda solid\u00e3o: trevas s\u00e3o, pois, esses lugares povoados e ao mesmo tempo desertos, espa\u00e7os em que erram obscuros Esp\u00edritos lastimosos, sem consolo, sem afei\u00e7\u00f5es, sem socorro de esp\u00e9cie alguma. A quem se dirigirem&#8230; se sentem a eternidade, esmagadora, sobre eles?&#8230; Tremem e lamentam os interesses mesquinhos que lhes mediam as horas; deploram a aus\u00eancia das noites que, muitas vezes, lhes traziam, num sonho feliz, o esquecimento dos pesares. As trevas para o Esp\u00edrito s\u00e3o: a ignor\u00e2ncia, o v\u00e1cuo, o horror ao desconhecido&#8230; N\u00e3o posso continuar&#8230; Claire. Ainda sobre este ponto obtivemos a seguinte explica\u00e7\u00e3o: &#8220;Por sua natureza, possui o Esp\u00edrito uma propriedade luminosa que se desenvolve sob o influxo da atividade e das qualidades da alma. Poder-se-ia dizer que essas qualidades est\u00e3o para o fluido perispiritual como o friccionamento para o f\u00f3sforo. A intensidade da luz est\u00e1 na raz\u00e3o da pureza do Esp\u00edrito: as menores imperfei\u00e7\u00f5es morais atenuam-na e enfraquecem-na. A luz irradiada por um Esp\u00edrito ser\u00e1 tanto mais viva, quanto maior o seu adiantamento. Assim, sendo o Esp\u00edrito, de alguma sorte, o seu pr\u00f3prio farol, ver\u00e1 proporcionalmente \u00e0 intensidade da luz que produz, do que resulta que os Esp\u00edritos que n\u00e3o a produzem acham-se na obscuridade.&#8221; Esta teoria \u00e9 perfeitamente exata quanto \u00e0 irradia\u00e7\u00e3o de fluidos luminosos pelos Esp\u00edritos superiores e \u00e9 confirmada pela observa\u00e7\u00e3o, conquanto se n\u00e3o possa inferir seja aquela a verdadeira causa, ou, pelo menos, a \u00fanica causa do fen\u00f4meno; primeiro, porque nem todos osEsp\u00edritos inferiores est\u00e3o em trevas; segundo, porque um mesmo Esp\u00edrito pode achar- se alternadamente na luz e na obscuridade; e terceiro, finalmente, porque a luz tamb\u00e9m \u00e9 castigo para os Esp\u00edritos muito imperfeitos. Se a obscuridade em que jazem certos Esp\u00edritos fosse inerente \u00e0 sua personalidade, essa obscuridade seria permanente e geral para todos os maus Esp\u00edritos, o que ali\u00e1s n\u00e3o acontece. As vezes os perversos mais requintados v\u00eaem perfeitamente, ao passo que outros, que assim n\u00e3o podem ser qualificados, jazem, temporariamente, em trevas profundas. Assim, tudo indica que, independente da luz que lhes \u00e9 pr\u00f3pria, os Esp\u00edritos recebem uma luz exterior que lhes falta segundo as circunst\u00e2ncias, donde for\u00e7a \u00e9 concluir que a obscuridade depende de uma causa ou de uma vontade estranha, constituindo puni\u00e7\u00e3o especial da soberana justi\u00e7a, para casos determinados.<\/p>\n<p>Pergunta (a S. Lu\u00eds). &#8212; Qual a causa de a educa\u00e7\u00e3o moral dos desencarnados ser mais f\u00e1cil que a dos encarnados? As rela\u00e7\u00f5es pelo Espiritismo estabelecidas entre homens e Esp\u00edritos d\u00e3o azo a que estes \u00faltimos se corrijam mais rapidamente sob a influ\u00eancia dos conselhos salutares, mais do que acontece em rela\u00e7\u00e3o aos encarnados, como se v\u00ea na cura das obsess\u00f5es.<\/p>\n<p>Resposta (Sociedade de Paris). &#8211; O encarnado, em virtude da pr\u00f3pria natureza, est\u00e1 numa luta incessante devido aos elementos contr\u00e1rios de que se comp\u00f5e e que devem conduzi-lo ao seu fim providencial, reagindo um sobre o outro. A mat\u00e9ria facilmente sofre o predom\u00ednio de um fluido exterior; se a alma, com todo o poder moral de que \u00e9 capaz, n\u00e3o reagir, deixar-se-\u00e1 dominar pelo intermedi\u00e1rio do seu corpo, seguindo o impulso das influ\u00eancias perversas que o rodeiam, e isso com facilidade tanto maior quanto os invis\u00edveis, que a subjugavam, atacam de prefer\u00eancia os pontos mais vulner\u00e1veis, as tend\u00eancias para a paix\u00e3o dominante.<\/p>\n<p>Outro tanto se n\u00e3o d\u00e1 com o desencarnado, que, posto sob a influ\u00eancia semimaterial, n\u00e3o se compara por seu estado ao encarnado. O respeito humano, t\u00e3o preponderante no homem, n\u00e3o existe para aquele, e s\u00f3 este pensamento \u00e9 bastante para compeli-lo a n\u00e3o resistir longamente \u00e0s raz\u00f5es que o pr\u00f3prio interesse lhe aponta como boas. Ele pode lutar, e o faz mesmo geralmente com mais viol\u00eancia do que o encarnado, visto ser mais livre. Nenhuma cogita\u00e7\u00e3o de interesse material, de posi\u00e7\u00e3o social se lhe antep\u00f5e ao racioc\u00ednio. Luta por amor do mal, por\u00e9m cedo adquire a convic\u00e7\u00e3o da sua impot\u00eancia, em face da superioridade moral que o domina; a perspectiva de melhor futuro lhe \u00e9 mais acess\u00edvel, por se reconhecer na mesma vida em que se deve completar esse futuro; e essa vis\u00e3o n\u00e3o se turva no turbilh\u00e3o dos prazeres humanos. Em uma palavra, a independ\u00eancia da carne \u00e9 que facilita a convers\u00e3o, principalmente quando se tem adquirido um tal ou qual desenvolvimento pelas prova\u00e7\u00f5es cumpridas. Um Esp\u00edrito inteiramente primitivo seria pouco acess\u00edvel ao racioc\u00ednio, o que ali\u00e1s n\u00e3o se d\u00e1 com o que j\u00e1 tem experi\u00eancia da vida. Demais, no encarnado como no desencarnado, \u00e9 sobre a alma, \u00e9 sobre o sentimento que se faz mister atuar. Toda a\u00e7\u00e3o material pode sustar momentaneamente os sofrimentos do homem vicioso, mas o que ela n\u00e3o pode \u00e9 destruir o princ\u00edpio m\u00f3rbido residente na alma. Todo e qualquer ato que n\u00e3o vise aperfei\u00e7oar a alma, n\u00e3o poder\u00e1 desvi\u00e1-la do mal. S. Lu\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O C\u00c9U E O INFERNO SEGUNDO O ESPIRITISMO &#8211; ESP\u00cdRITOS SOFREDORES &#8211; CLAIRE &#8211; (Sociedade de Paris, 1861) O Esp\u00edrito que forneceu os ditados seguintes pertenceu a uma senhora que o m\u00e9dium conhecera quando na Terra. A sua conduta, como &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-egoismo\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-358","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/358","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=358"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/358\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=358"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=358"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=358"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}