{"id":3927,"date":"2016-04-16T06:13:14","date_gmt":"2016-04-16T09:13:14","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=3927"},"modified":"2016-04-16T06:13:55","modified_gmt":"2016-04-16T09:13:55","slug":"dr-adolfo-bezerra-de-menezes-o-medico-dos-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/dr-adolfo-bezerra-de-menezes-o-medico-dos-pobres\/","title":{"rendered":"Dr Adolfo Bezerra de Menezes &#8220;O m\u00e9dico dos pobres&#8221;"},"content":{"rendered":"<h3>DR. ADOLFO BEZERRA DE MENEZES CAVALCANTI, &#8220;O M\u00c9DICO DOS POBRES&#8221; E SUA MARAVILHOSA HIST\u00d3RIA \u00c0 FRENTE DA DOUTRINA ESP\u00cdRITA, NOSSA ETERNA HOMENAGEM.<\/h3>\n<div class=\"xg_theme\" data-layout-pack=\"benedick\">\n<div id=\"xg_themebody\">\n<div id=\"xg\" class=\"xg_widget_profiles xg_widget_profiles_blog xg_widget_profiles_blog_show\">\n<div id=\"xg_body\">\n<div id=\"column1\" class=\"xg_column xg_span-16\">\n<div id=\"xg_canvas\" class=\"xj_canvas\">\n<div class=\"xg_module xg_blog xg_blog_detail xg_blog_mypage xg_module_with_dialog\">\n<div class=\"xg_module_body\">\n<div class=\"postbody\">\n<div class=\"xg_user_generated\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/fbcdn-sphotos-e-a.akamaihd.net\/hphotos-ak-xfl1\/v\/t1.0-9\/12963805_1137482529637719_160645898134798213_n.jpg?oh=d625a44a31a74cce5903add174d2f3f7&amp;oe=57B1FD0C&amp;__gda__=1467706126_46fab793d7b428fd0c0b4ef951959691\" width=\"372\" height=\"372\" \/><\/p>\n<p>Adolfo Bezerra de Menezes foi m\u00e9dico e pol\u00edtico. Nasceu em 1831, em Riacho do Sangue (CE) e desencarnou no dia 11 de abril de 1900. No ano de 1886 proclamou-se esp\u00edrita e trabalhou intensamente em prol da uni\u00e3o e da liberdade dos estudiosos da Doutrina.<span class=\"text_exposed_show\">\u00a0Por sua incans\u00e1vel atividade em benef\u00edcio dos mais necessitados ficou conhecido como \u201co m\u00e9dico dos pobres\u201d, tendo sido por duas vezes presidente da Federa\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita Brasileira.<\/span><\/p>\n<p>Nos ensina o Dr Bezerra de Menezes: \u201cA vida, sob qualquer aspecto considerado, \u00e9 d\u00e1diva de Deus que ningu\u00e9m pode perturbar. Todos os seres sencientes desenvolvem um programa na escala da evolu\u00e7\u00e3o demandando a plenitude, a perfei\u00e7\u00e3o que lhes \u00e9 meta final.<\/p>\n<p>Preservar a vida, em todas as suas express\u00f5es \u00e9 dever inalien\u00e1vel, que assume a consci\u00eancia humana no pr\u00f3prio desenvolvimento da sua evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando algu\u00e9m levanta a clava para interromper propositalmente o ciclo da vida, faz-se um novo Caim, jogando sobre si mesmo a condena\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia de culpa e experimentando, no remorso, hoje ou mais tarde, a necessidade de depurar-se, reabilitando-se, ao nadar nos rios das l\u00e1grimas.\u201d<\/p>\n<p>Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti<\/p>\n<p>Nascido na antiga Freguesia do Riacho do Sangue, hoje Solon\u00f3pole, no Cear\u00e1, aos 29 dias do m\u00eas de agosto de 1831, desencarnou em 11 de abril de 1900 no estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A Inf\u00e2ncia e a Fam\u00edlia<\/p>\n<p>Seu pai, Ant\u00f4nio Bezerra de Menezes, capit\u00e3o das antigas mil\u00edcias e ent\u00e3o tenente-coronel da Guarda Nacional, tinha fazendas de cria\u00e7\u00e3o de gado; sua m\u00e3e chamava-se Fabiana de Jesus Maria Bezerra e era senhora do lar. Ant\u00f4nio era importante fazendeiro local que \u201cnunca mediu sacrif\u00edcios, na hora de socorrer \u00e0queles que lhe estendiam a m\u00e3o\u201d. Tanta generosidade acabou por levar sua fortuna material e em determinada altura as d\u00edvidas alcan\u00e7aram n\u00edveis insuport\u00e1veis.<\/p>\n<p>Ant\u00f4nio foi ent\u00e3o procurar cada um de seus credores decidido a entregar seus bens para saldar as d\u00edvidas. Os credores, contudo, reuniram-se e decidiram que o coronel Bezerra continuaria com seus bens. Assinaram um documento que afirmava com for\u00e7a legal que o velho Bezerra ficasse com eles e \u201cque gozasse deles e pagasse como e quando quisesse, que eles, credores, se sujeitariam aos preju\u00edzos que pudessem ter.\u201d O velho Bezerra, contudo, n\u00e3o aceitou tal decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois de muita discuss\u00e3o, resolveu que daquela data em diante seria simplesmente um administrador dos bens para seus credores. Retirava apenas o extremamente necess\u00e1rio para o sustento da fam\u00edlia e muitas vezes passou priva\u00e7\u00f5es. A esta altura, o menino Adolfo, \u00faltimo filho do casal, j\u00e1 estava terminando o ent\u00e3o chamado curso preparat\u00f3rio. Os dois filhos mais velhos tinham se formado em direito e o terceiro ainda cursava o segundo ano na Faculdade de Direito de Olinda, Pernambuco.<\/p>\n<p>O pequeno Adolfo Bezerra de Menezes tinha sete anos de idade quando foi levado pela m\u00e3e para ser matriculado na escola p\u00fablica da Vila do Frade. Em dez meses o menino aprendeu a ler, escrever e fazer contas simples. Quatro anos depois, quando o pai estava sendo alvo de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a fam\u00edlia mudou-se para o Rio Grande do Norte. O pequeno Adolfo \u201cfoi matriculado na aula p\u00fablica de latinidade, que funcionava na Serra dos Martins e era dirigida por padres jesu\u00edtas\u201d em Maioridade, hoje cidade de Imperatriz. Ap\u00f3s dois anos, o rapaz tornou-se t\u00e3o bom na mat\u00e9ria que chegou a substituir o professor.<\/p>\n<p>Em 1846, o velho Bezerra voltou para a capital do Cear\u00e1, onde o pequeno Adolfo foi matriculado no Liceu, que era dirigido pelo seu irm\u00e3o mais velho. Terminando seus estudos, mostrou a vontade de ser m\u00e9dico, e n\u00e3o advogado como os irm\u00e3os. Como n\u00e3o havia faculdade de medicina no Nordeste do pa\u00eds, o pai foi obrigado a mand\u00e1-lo para a ent\u00e3o sede da Corte, a cidade do Rio de Janeiro; contou-lhe tudo que havia acontecido com os bens da fam\u00edlia, explicando a pobreza por que passavam. Os parentes cotizaram-se e levantaram quatrocentos mil r\u00e9is para pagar a viagem at\u00e9 o Rio. Foi assim que Adolfo Bezerra de Menezes p\u00f4de pegar o navio e chegar na ent\u00e3o sede do Imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>O Sacerd\u00f3cio na Medicina<\/p>\n<p>Aos vinte e dois anos, ingressou como praticante interno no Hospital da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia. Doutorou- se em 1856 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, defendendo a tese &#8220;Diagn\u00f3stico do Cancro&#8221;. Nessa altura abandonou o \u00faltimo patron\u00edmico, passando a assinar apenas Adolfo Bezerra de Menezes.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o tinha dinheiro para montar um consult\u00f3rio, entrou em acordo com um colega de faculdade que possu\u00eda mais recursos e passou a dividir uma sala no centro comercial da cidade. Durante os meses em que o consult\u00f3rio ficou aberto, quase n\u00e3o houve pacientes. Mas a casa onde morava o m\u00e9dico Bezerra ficava repleta de doentes. Come\u00e7ou a atender aos componentes da fam\u00edlia e depois aos amigos. Sua fama correu pelo bairro e os clientes apareciam; mas ningu\u00e9m pagava, pois eram todos gente pobre e o dinheiro nunca foi mencionado.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que um amigo e m\u00e9dico militar, Dr. Manoel Feliciano Pereira de Carvalho, chefe do corpo de sa\u00fade do Ex\u00e9rcito, resolveu contrat\u00e1-lo como m\u00e9dico militar. Dr. Feliciano era chefe da cl\u00ednica cir\u00fargica do Hospital da Miseric\u00f3rdia, hospital este onde o Dr. Bezerra tinha sido praticante e interno em 1852, quando ainda cursava o segundo ano de faculdade. Ainda em 1856, o governo imperial fez a reforma do Corpo de Sa\u00fade do Ex\u00e9rcito e nomeou o Dr. Feliciano como cirurgi\u00e3o-mor. Ele, ent\u00e3o, chamou Bezerra para ser seu assistente e foi assim que, com um emprego remunerado est\u00e1vel, come\u00e7ou o caminho do m\u00e9dico dos pobres.<\/p>\n<p>Bezerra continuava atendendo gratuitamente aqueles que n\u00e3o podiam pagar. Sua fama continuava a se espalhar e o consult\u00f3rio do centro da cidade come\u00e7ou a ficar movimentado, tamb\u00e9m com clientes que pagavam. O dinheiro que recebia no consult\u00f3rio era gasto com os seus pobres em rem\u00e9dios, roupas ou simplesmente aux\u00edlio em dinheiro.<\/p>\n<p>Bezerra de Menezes tinha a fun\u00e7\u00e3o de m\u00e9dico no mais elevado conceito, por isso, dizia ele: &#8220;Um m\u00e9dico n\u00e3o tem o direito de terminar uma refei\u00e7\u00e3o, nem de perguntar se \u00e9 longe ou perto, quando um aflito qualquer lhe bate \u00e0 porta. O que n\u00e3o acode por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar- se fatigado, ou por ser alta hora da noite, mau o caminho ou o tempo, ficar longe ou no morro, o que sobretudo pede um carro a quem n\u00e3o tem com que pagar a receita, ou diz a quem lhe chora \u00e0 porta que procure outro &#8212; esse n\u00e3o \u00e9 m\u00e9dico, \u00e9 negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos de formatura. Esse \u00e9 um desgra\u00e7ado, que manda para outro o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a \u00fanica esp\u00f3rtula que podia saciar a sede de riqueza do seu Esp\u00edrito, a \u00fanica que jamais se perder\u00e1 nos vaivens da vida.&#8221;<\/p>\n<p>O Casamento e a Inicia\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica<\/p>\n<p>Com a vida mais organizada, resolveu casar tendo encontrado o amor na pessoa de D. Maria C\u00e2ndida Lacerda; casaram-se em 6 de novembro de 1858. Nesta \u00e9poca, tinha posi\u00e7\u00e3o social: al\u00e9m de m\u00e9dico, era jornalista, escrevendo para os principais jornais da cidade; no meio militar era muito respeitado. N\u00e3o demorou muito at\u00e9 que lhe oferecessem um lugar na chapa de um partido para as elei\u00e7\u00f5es do Poder Legislativo.<\/p>\n<p>D. Maria foi uma das maiores incentivadoras da candidatura de Bezerra de Menezes. Os habitantes de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, bairro onde morava e clinicava, tamb\u00e9m queriam t\u00ea-lo como representante na C\u00e2mara Municipal; foi assim que em 1860 foi eleito por um grupo de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o. Mas houve uma tentativa de impugnar seu diploma sob o pretexto de que um militar n\u00e3o poderia ser eleito. Bezerra teve ent\u00e3o de escolher entre a carreira militar e a pol\u00edtica. Seguindo os conselhos de sua esposa, renunciou \u00e0 patente militar e abra\u00e7ou a vida pol\u00edtica de vez.<\/p>\n<p>Contudo, o destino reservava-lhe uma dif\u00edcil prova\u00e7\u00e3o para o ano de 1863. Depois de uma doen\u00e7a r\u00e1pida e repentina, sua esposa desencarnava em menos de vinte dias no outono deste ano. Deixava o marido com dois filhos: um com tr\u00eas anos e outro com um ano de idade.<\/p>\n<p>O golpe da viuvez moveu os sentimentos religiosos que a dor sempre traz \u00e0 tona. Em busca de consola\u00e7\u00e3o, Dr. Bezerra passou a ler a B\u00edblia com freq\u00fc\u00eancia. Verificava a expans\u00e3o vertical que a dor oferece \u00e0s almas dos que sofrem, ligando-os a Deus.<\/p>\n<p>Re-Conhecendo Doutrina Esp\u00edrita<\/p>\n<p>No mundo, o Espiritismo estava a se expandir. Em 1869 desencarnava Allan Kardec em Paris , deixando consolidada para a humanidade a Codifica\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita. As id\u00e9ias de Kardec eram revolucion\u00e1rias e atra\u00edam a aten\u00e7\u00e3o de s\u00e9rios investigadores e cientistas mundo afora. Desencarnado o Codificador, restava a Obra a arregimentar novos esp\u00edritas.<\/p>\n<p>No Brasil, principalmente na Capital, a cidade de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, as influ\u00eancias europ\u00e9ias modificavam a vida local. A homeopatia popularizava-se aos poucos, principalmente nos meios esp\u00edritas. Teve como um dos seus primeiros experimentadores o baluarte da Rep\u00fablica Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva ; \u201cDesde 1818, o Brasil principiara a ouvir falar da homeopatia. O Patriarca da Independ\u00eancia correspondia-se com Hahnemann\u201d , o criador da Homeopatia . Como m\u00e9dico, as discuss\u00f5es sobre a terap\u00eautica homeop\u00e1tica tamb\u00e9m interessaram ao Dr. Bezerra de Menezes e not\u00edcias de curas creditadas a essa terap\u00eautica chegaram a seus ouvidos.<\/p>\n<p>O Dr. Carlos Travassos havia empreendido a primeira tradu\u00e7\u00e3o das obras de Allan Kardec e levara a bom termo a vers\u00e3o portuguesa de &#8220;O Livro dos Esp\u00edritos&#8221;. Logo que esse livro saiu do prelo levou um exemplar ao deputado Bezerra de Menezes, entregando- o com dedicat\u00f3ria. O epis\u00f3dio foi descrito do seguinte modo pelo futuro M\u00e9dico dos Pobres: &#8220;Deu- mo na cidade e eu morava na Tijuca, a uma hora de viagem de bonde. Embarquei com o livro e, como n\u00e3o tinha distra\u00e7\u00e3o para a longa viagem, disse comigo: ora, adeus! N\u00e3o hei de ir para o inferno por ler isto&#8230; Depois, \u00e9 rid\u00edculo confessar- me ignorante desta filosofia, quando tenho estudado todas as escolas filos\u00f3ficas. Pensando assim, abri o livro e prendi- me a ele, como acontecera com a B\u00edblia. Lia. Mas n\u00e3o encontrava nada que fosse novo para meu Esp\u00edrito. Entretanto, tudo aquilo era novo para mim!&#8230; Eu j\u00e1 tinha lido ou ouvido tudo o que se achava no &#8220;O Livro dos Esp\u00edritos&#8221;. Preocupei- me seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: parece que eu era esp\u00edrita inconsciente, ou, mesmo como se diz vulgarmente, de nascen\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>Medicina e Espiritismo<\/p>\n<p>A Doutrina Esp\u00edrita difundia-se, em muito ajudada pelas pr\u00e1ticas de m\u00e9dicos homeopatas e esp\u00edritas, que passaram a prestar a Caridade tamb\u00e9m atrav\u00e9s de sua mediunidade . Um desses m\u00e9dicos era Jo\u00e3o Gon\u00e7alves do Nascimento ; muitos colegas de Bezerra de Menezes falavam das curas operadas atrav\u00e9s deste m\u00e9dium e tanto falaram que um dia Bezerra resolveu pedir-lhe uma receita enviando um peda\u00e7o de papel que dizia: \u201cAdolfo, tantos anos, residente na Tijuca\u201d). Logo recebeu uma resposta com o diagn\u00f3stico correto de seu problema de est\u00f4mago.<\/p>\n<p>Ficou t\u00e3o impressionado que resolveu pedir receitas tamb\u00e9m para pessoas que apresentavam problemas ps\u00edquicos \u2014 a loucura foi uma das \u00e1reas que Dr. Bezerra mais estudou. Acompanhou o desenvolvimento do tratamento em seus pacientes e depois de simplesmente assistir aos trabalhos desobsessivos, resolveu participar ativamente nesse tipo de tratamento. Na vis\u00e3o da Doutrina Esp\u00edrita, os portadores de doen\u00e7as ps\u00edquicas s\u00e3o pessoas que podem apresentar problemas mentais devido \u00e0s causas biol\u00f3gicas detect\u00e1veis pela ci\u00eancia humana e tamb\u00e9m devido \u00e0 influ\u00eancia de esp\u00edritos de desencarnados , tamb\u00e9m doentes.<\/p>\n<p>Segundo Casamento e a Carreira Pol\u00edtica<\/p>\n<p>Em 1864, Bezerra foi reeleito vereador e casou-se com D. C\u00e2ndida Augusta de Lacerda Machado , irm\u00e3 materna da sua primeira esposa. Com ela, sua esposa at\u00e9 o leito de morte, teve sete filhos.<\/p>\n<p>Deu continuidade \u00e0 sua carreira pol\u00edtica. Em 1867 foi aclamado e eleito deputado geral. Em 1878 foi reeleito deputado, tornou-se presidente da C\u00e2mara Municipal (correspondente ao atual cargo de Prefeito Municipal) e l\u00edder do seu partido, permanecendo no cargo at\u00e9 1881. Manteve diversas lutas pol\u00edticas, sendo conhecido como homem p\u00fablico que n\u00e3o comprometia seus princ\u00edpios para colher favores ou posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A exemplo do que ocorre com todos os pol\u00edticos honestos, uma torrente de inj\u00farias que cobriu o seu nome de improp\u00e9rios. Entretanto, a prova da pureza da sua alma deu- se quando, abandonando a vida p\u00fablica, foi viver para os pobres, onde houvesse um mal a combater, levando ao aflito o conforto de sua palavra de bondade, o recurso da ci\u00eancia de m\u00e9dico e o aux\u00edlio da sua bolsa minguada e generosa.<\/p>\n<p>Desviado interinamente da atividade pol\u00edtica e dedicando- se a empreendimentos empresariais, criou a Companhia de Estrada de Ferro Maca\u00e9 a Campos, na ent\u00e3o prov\u00edncia do Rio de Janeiro. Depois, empenhou- se na constru\u00e7\u00e3o da via f\u00e9rrea de S. Ant\u00f4nio de P\u00e1dua, etapa necess\u00e1ria ao seu desejo, n\u00e3o concretizado, de lev\u00e1-la at\u00e9 o Rio Doce. Era um dos diretores da Companhia Arquitet\u00f4nica que, em 1872, abriu o &#8220;Boulevard 28 de Setembro&#8221;, no ent\u00e3o bairro de Vila Isabel, cujo top\u00f4nimo prestava homenagem \u00e0 Princesa Isabel. Em 1875, era presidente da Companhia Carril de S. Crist\u00f3v\u00e3o.<\/p>\n<p>Retornando \u00e0 pol\u00edtica, foi eleito vereador em 1876, exercendo o mandato at\u00e9 1880. Foi ainda presidente da C\u00e2mara e Deputado Geral pela Prov\u00edncia do Rio de Janeiro, no ano de 1880.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o do Movimento Esp\u00edrita<\/p>\n<p>O amor e dedica\u00e7\u00e3o de Bezerra pela Doutrina Esp\u00edrita deram bons frutos e ele veio a exercer papel fundamental no Movimento Esp\u00edrita brasileiro. Nessa \u00e9poca o Espiritismo no Brasil buscava organizar-se: em 1876 surgia a primeira sociedade esp\u00edrita no Rio de Janeiro; em 1883, Augusto Elias da Silva , interessado na difus\u00e3o dos ensinos esp\u00edritas, fundava a revista O Reformador e punha-se a procurar colaboradores.<\/p>\n<p>O espiritismo sofria persegui\u00e7\u00f5es e era combatido veementemente. A imprensa era fonte di\u00e1ria de cr\u00edticas ferozes; os serm\u00f5es enchiam os p\u00falpitos de insultos e insinua\u00e7\u00f5es contra a Doutrina. Elias da Silva foi ent\u00e3o buscar em Bezerra de Menezes conselhos sobre como revidar toda a animosidade contra o Movimento Esp\u00edrita. A resposta dada pelo Dr. Bezerra foi o de n\u00e3o seguir o caminho do ataque, de n\u00e3o combater o \u00f3dio com o \u00f3dio, mas antes combater o \u00f3dio com o amor . A t\u00f4nica deste conselho norteou toda a vida e o trabalho de Bezerra, dentro e fora do Movimento Esp\u00edrita brasileiro.<\/p>\n<p>Pela Unifica\u00e7\u00e3o do Movimento Esp\u00edrita<\/p>\n<p>Em 1883, reinava um ambiente francamente dispersivo no seio do Espiritismo brasileiro e os que dirigiam os n\u00facleos esp\u00edritas do Rio de Janeiro sentiam a necessidade de uma uni\u00e3o mais bem estruturada e que, por isso mesmo, se tornasse mais indestrut\u00edvel.<\/p>\n<p>A cis\u00e3o era profunda entre os chamados &#8220;m\u00edsticos&#8221; e &#8220;cient\u00edficos&#8221;, ou seja, esp\u00edritas que aceitavam o Espiritismo em seu aspecto religioso, e os que o aceitavam simplesmente pelo lado cient\u00edfico e filos\u00f3fico.<\/p>\n<p>No dia 27 de dezembro de 1883, Augusto Elias da Silva faz uma reuni\u00e3o com os 12 companheiros que o ajudavam no REFORMADOR. Nesse encontro, eles decidem fundar uma nova institui\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o fosse nem m\u00edstica, nem cient\u00edfica, deveria ser ideologicamente neutra.<\/p>\n<p>Assim, no dia 1\u00b0 de janeiro de 1884 foi fundada a Federa\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita Brasileira (FEB), que promoveria a doutrina\u00e7\u00e3o, a disciplina e o interc\u00e2mbio de experi\u00eancias entre os diversos centros j\u00e1 existentes. Bezerra foi um dos primeiros a ser convidado para assumir a posi\u00e7\u00e3o de presidente da organiza\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o aceitou por n\u00e3o se considerar capaz de tamanha responsabilidade. Seu primeiro presidente foi o Marechal Ewerton Quadros e o O REFORMADOR torna-se o \u00f3rg\u00e3o oficial da FEB.<\/p>\n<p>Em 1887, o M\u00e9dico dos Pobres passou a escrever uma s\u00e9rie chamada \u201cEspiritismo \u2014 Estudos Filos\u00f3ficos\u201d, que sa\u00eda aos domingos no jornal \u201cO Pa\u00eds \u201d, com o pseud\u00f4nimo de Max . Vale lembrar que na \u00e9poca esse era o jornal mais lido no Brasil. Continuaria a s\u00e9rie de artigos at\u00e9 o Natal de 1894. Escreveria depois, com o mesmo pseud\u00f4nimo, em outros dois jornais sempre em defesa dos postulados do Cristo Jesus, calcado na vis\u00e3o esp\u00edrita.<\/p>\n<p>Em 1888, logo no in\u00edcio da s\u00e9rie de artigos, Dr. Bezerra perdeu dois filhos. Reagiu e continuou trabalhando. Durante cinco anos, escreveu sobre a Doutrina, elucidou muitas pessoas e arrebanhou outras tantas para as fileiras esp\u00edritas.<\/p>\n<p>Em 1889, o Marechal Ewerton Quadros foi transferido para Goi\u00e1s, ficando impossibilitado de permancer \u00e0 frente da FEB.<\/p>\n<p>Para seu lugar, foi eleito o famoso m\u00e9dico e deputado Adolfo Bezerra de Menezes, que, h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos, havia chocado a sociedade carioca com a sua convers\u00e3o ao Espiritismo. A inten\u00e7\u00e3o dos febianos era colocar um elemento de grande prest\u00edgio e for\u00e7a moral na presid\u00eancia, a fim de fortalecer o processo de unifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1889, o Dr. Bezerra tornou-se presidente da Federa\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita, onde tentou a todo custo promover a uni\u00e3o de todos os esp\u00edritas, inspirado principalmente por mensagem ditada mediunicamente por Allan Kardec em janeiro do mesmo ano, atrav\u00e9s do m\u00e9dium Frederico J\u00fanior , chamada \u201cInstru\u00e7\u00f5es de Allan Kardec aos Esp\u00edritas do Brasil \u201d.<\/p>\n<p>Bezerra lutou muito para apaziguar as diferen\u00e7as dentro do meio esp\u00edrita e tinha como objetivo promover uma lideran\u00e7a que abrigasse todos os esp\u00edritas do Brasil. Quanto mais aumentavam as dissens\u00f5es, mais aumentava tamb\u00e9m seu esfor\u00e7o e trabalho.<br \/>\nNa falta de pregadores esp\u00edritas crist\u00e3os, assumiu ele mesmo a fun\u00e7\u00e3o. Iniciou uma sess\u00e3o semanal na Federa\u00e7\u00e3o para o estudo de O Livro dos Esp\u00edritos no dia 23 de maio de 1889 e os resultados obtidos foram os melhores poss\u00edveis, com o grande n\u00famero de pessoas que l\u00e1 compareciam.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disto, realizava confer\u00eancias e reuni\u00f5es em uma casa esp\u00edrita chamada Uni\u00e3o. Em outra casa chamada \u201cCentro \u201d, que ele mesmo fundara para promover o estudo do Evangelho e de O Livro dos Esp\u00edritos, tentava conciliar as diferentes correntes de pensamento esp\u00edrita. E ainda em um outro grupo, participava dos trabalhos de desobsess\u00e3o .<\/p>\n<p>A mensagem \u201cInstru\u00e7\u00f5es\u201d, de Kardec, fornecia as diretrizes para o trabalho do Dr. Bezerra . A certa altura Kardec pergunta: \u201cOnde est\u00e1 a escola de m\u00e9diuns?\u201d e esse ponto ficou gravado na mente de Bezerra. Na realidade, ele n\u00e3o encontrou uma escola de m\u00e9diuns em parte alguma. A solu\u00e7\u00e3o encontrada foi fundar ele mesmo a tal escola.<\/p>\n<p>Muitos se opuseram \u00e0 id\u00e9ia, mas ele terminou por instalar a \u201cEscola de M\u00e9diuns \u201d no \u201cCentro \u201d. Foi quando se viu s\u00f3, pois nem mesmo os pr\u00f3prios membros da diretoria desta institui\u00e7\u00e3o freq\u00fcentavam a escola. Chamou a todos, mas ningu\u00e9m comparecia.<\/p>\n<p>Contudo, a Doutrina ganhava terreno em outras \u00e1reas. \u201cA Federa\u00e7\u00e3o inaugurava o seu per\u00edodo \u00e1ureo, preparando-se para a proje\u00e7\u00e3o formid\u00e1vel que iria ter no futuro\u201d. Instituiu-se o servi\u00e7o filantr\u00f3pico de \u201cAssist\u00eancia aos Necessitados\u201d, que atraiu muita gente.<\/p>\n<p>Bezerra continuava esquecido no \u201cCentro \u201d, mas mesmo assim manteve firme seus prop\u00f3sitos. A situa\u00e7\u00e3o chegou a um ponto em que a despesa e os gastos da institui\u00e7\u00e3o tornaram-se insustent\u00e1veis, e Bezerra j\u00e1 n\u00e3o podia usar de seus pr\u00f3prios recursos. Convocou por carta cada um dos membros da diretoria, para buscar a solu\u00e7\u00e3o do problema. Ningu\u00e9m atendeu ao chamado.<\/p>\n<p>Na semana seguinte, convocou-os novamente. Ningu\u00e9m veio. Foi \u00e0 casa de um por um para convocar uma \u00faltima reuni\u00e3o que fosse. Nem mesmo assim eles queriam comparecer. Bezerra foi ent\u00e3o sozinho procurar abrigo em outra casa esp\u00edrita, onde foi bem recebido. Mas a boa acolhida n\u00e3o durou muito tempo, j\u00e1 que apareceriam novamente as dissens\u00f5es entre as correntes de pensamento esp\u00edrita. O Movimento Esp\u00edrita carecia de uni\u00e3o.<\/p>\n<p>A Proibi\u00e7\u00e3o do Espiritismo<\/p>\n<p>O Brasil seguia em frente fazendo sua Hist\u00f3ria. Em 1889, a Rep\u00fablica foi proclamada. Nosso pa\u00eds n\u00e3o mais seria governado por um imperador, mas por um presidente eleito pelo voto.<\/p>\n<p>Em outubro de 1890, entrou em vigor o ent\u00e3o Novo C\u00f3digo Civil . A rec\u00e9m proclamada Rep\u00fablica vivia com receio de conspira\u00e7\u00e3o daqueles contr\u00e1rios ao novo regime e por isso o C\u00f3digo Civil impunha limites \u00e0s associa\u00e7\u00f5es das pessoas, dentre as quais as reuni\u00f5es esp\u00edritas. Reuni\u00f5es de qualquer natureza eram denunciadas \u00e0 pol\u00edcia sob suspeita de conspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Reformador teve sua publica\u00e7\u00e3o suspensa; as casas esp\u00edritas chegaram a fechar.<\/p>\n<p>O receio fez com que as diversas organiza\u00e7\u00f5es esp\u00edritas se unissem e tomassem uma atitude, encabe\u00e7adas pela Federa\u00e7\u00e3o . No final de 1890, enviaram todas unidas uma \u201cCarta Aberta\u201d ao Ministro da Justi\u00e7a e um grupo de representantes ao Governo, que entrou com recursos \u00e0 Constituinte.<\/p>\n<p>Na Europa, o Espiritismo vivia um clima muito voltado \u00e0 pesquisa dos fen\u00f4menos medi\u00fanicos, tend\u00eancia que chegou tamb\u00e9m ao Brasil. Todos os estudos ficaram voltados para o fen\u00f4meno , dando uma menor import\u00e2ncia aos princ\u00edpios morais enfocados pela doutrina codificada por Kardec. E o Evangelho ficou relegado a um segundo plano.<\/p>\n<p>Dr. Bezerra , \u201cque n\u00e3o podia compreender Espiritismo sem f\u00e9 religiosa\u201d, manteve-se no seu trabalho devocional, totalmente isolado das tend\u00eancias da moda. Continuava escrevendo os artigos doutrin\u00e1rios no \u201cPa\u00eds\u201d, ia ao \u201cCentro Ismael \u201d, e trabalhou at\u00e9 mesmo em um romance chamado \u201cL\u00e1zaro, o Leproso\u201d, publicado em 1892.<\/p>\n<p>Em 1893, a situa\u00e7\u00e3o ficou cr\u00edtica. Dr. Bezerra estava s\u00f3 e desprovido de recursos materiais. Nunca havia se preocupado muito com suas finan\u00e7as e assim chegou ao fim de suas reservas. Por sua vez, a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do pa\u00eds estava muito conturbada no final daquele ano pela Revolta da Armada, e as tropas estavam acampadas nas ruas. J\u00e1 em setembro, houve o fechamento de todas as sociedades, esp\u00edritas ou n\u00e3o. No Natal do mesmo ano Bezerra encerrou a s\u00e9rie de &#8220;Estudos Filos\u00f3ficos&#8221; que vinha publicando no &#8220;O Paiz&#8221;.<\/p>\n<p>Reconstruindo o Movimento Esp\u00edrita<\/p>\n<p>Em 1894, apesar das diverg\u00eancias, as diferentes correntes restauraram a Federa\u00e7\u00e3o, e em seguida, retomaram a publica\u00e7\u00e3o do Reformador. As novas diretrizes tencionavam alcan\u00e7ar o meio termo entre F\u00e9 e Ci\u00eancia , Amor e Raz\u00e3o ; mas as lutas entre os irm\u00e3os esp\u00edritas continuavam.<\/p>\n<p>Com as desaven\u00e7as, Dias da Cruz, o ent\u00e3o presidente da Federa\u00e7\u00e3o, deixou o cargo. Em 1895, o presidente seguinte, J\u00falio Leal , tamb\u00e9m o deixou. Restaram o cargo vago e a d\u00favida sobre quem convocar para ocupar a presid\u00eancia.<\/p>\n<p>O \u00fanico nome que surgiu como consenso foi o de Bezerra de Menezes, e, em julho de 1895, um grupo de membros da diretoria da Federa\u00e7\u00e3o bateu \u00e0 sua porta. Bezerra estava cansado, doente, abatido pela dissens\u00e3o entre os irm\u00e3os esp\u00edritas; apesar de todos os argumentos apresentados, n\u00e3o aceitou o convite. \u201cCom a perspectiva de poder conciliar a grande fam\u00edlia esp\u00edrita em torno do ideal crist\u00e3o, o venerando anci\u00e3o prometeu pensar\u201d.<\/p>\n<p>No dia seguinte, foi como sempre \u00e0 sess\u00e3o das sextas-feiras do Grupo Ismael , onde dirigia os trabalhos. Abriu os trabalhos, mas parecia aflito, com a cabe\u00e7a entre as m\u00e3os. Depois da prece de abertura, feita por Bittencourt Sampaio, permaneceu na mesma posi\u00e7\u00e3o. Quando por fim se levantou, estava transtornado e ficou assim durante a primeira etapa dos trabalhos, que consistia do recebimento de mensagens psicografadas. No momento da explana\u00e7\u00e3o dos temas evang\u00e9licos, Bezerra falou visivelmente emocionado das desaven\u00e7as no Movimento Esp\u00edrita e sobre o convite que havia recebido. Confessou-se fraco para assumir a posi\u00e7\u00e3o \u00e0quela altura dos acontecimentos.<\/p>\n<p>Terminou a explana\u00e7\u00e3o pedindo aux\u00edlio \u00e0 Espiritualidade e prometeu seguir o que lhe fosse indicado. Pouco depois, o esp\u00edrito Agostinho manifestou-se pelo m\u00e9dium Frederico J\u00fanior , o mesmo m\u00e9dium que anos antes havia sido instrumento de Allan Kardec (Esp\u00edrito) para ditar as \u201cInstru\u00e7\u00f5es de Allan Kardec aos Esp\u00edritas do Brasil \u201d. Agostinho instruiu que Bezerra tomasse o cargo da presid\u00eancia e se pusesse como elemento conciliador capaz de unir e erguer a fam\u00edlia esp\u00edrita, prometendo auxili\u00e1-lo em mais esta tarefa. Naquela mesma noite Bezerra de Menezes anunciou aceitar o cargo, permanecendo presidente at\u00e9 1900, quando voltou a p\u00e1tria espiritual.<\/p>\n<p>Desencarne<\/p>\n<p>Em janeiro de 1900, Dr. Bezerra sofreu violento derrame cerebral, que o prostrou em uma cama. Durante tr\u00eas meses Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti agonizou sem poder falar ou se movimentar. S\u00f3 os olhos ainda se moviam. A not\u00edcia correu a cidade e causou verdadeira peregrina\u00e7\u00e3o \u00e0 casa do m\u00e9dico, no sub\u00farbio modesto. Assim como acontecia no seu consult\u00f3rio, pobres e ricos misturaram-se em sua casa para visitar o doente.<br \/>\nA cena era singular: cada pessoa entrava uma a uma no quarto onde estava Bezerra , sentava-se em uma cadeira, n\u00e3o falava nada,\u2014 j\u00e1 que ele n\u00e3o poderia responder \u2014 ficava alguns minutos e sa\u00eda comovida pelo olhar que Bezerra lhe dirigia. A prociss\u00e3o seguiu-se dia e noite.<\/p>\n<p>No dia 11 de abril de 1900, na casa da Rua 24 de maio, Bezerra passou suavemente para a Vida Maior. A cidade agitou-se com o seu desencarne, esteve presente no sepultamento do M\u00e9dico dos Pobres e prestou-lhe homenagens.<\/p>\n<p>Na Espiritualidade, Bezerra foi recebido pelas hostes do bem com louros de amor . Os anos de trabalho como verdadeiro servo do Cristo encarnado na terra transformaram-se em luzes para seu esp\u00edrito, conferiram-lhe verdadeiro galard\u00e3o espiritual. \u201cBezerra desprendeu-se do orbe, tendo consolidado a sua miss\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Um \u201cCauso\u201d do Dr. Bezerra<\/p>\n<p>Digno de registro foi um caso sucedido com o Dr. Bezerra de Menezes, quando ainda era estudante de Medicina. Ele estava em s\u00e9rias dificuldades financeiras, precisando da quantia de cinq\u00fcenta mil r\u00e9is (antiga moeda brasileira), para pagamento das taxas da Faculdade e para outros gastos indispens\u00e1veis em sua habita\u00e7\u00e3o, pois o senhorio, sem qualquer contempla\u00e7\u00e3o, amea\u00e7ava despej\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Desesperado &#8211; uma das raras vezes em que Bezerra se desesperou na vida &#8211; e como n\u00e3o fosse incr\u00e9dulo, ergueu os olhos ao Alto e apelou a Deus.<\/p>\n<p>Poucos dias ap\u00f3s bateram- lhe \u00e0 porta. Era um mo\u00e7o simp\u00e1tico e de atitudes polidas que pretendia tratar algumas aulas de Matem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Bezerra recusou, a princ\u00edpio, alegando ser essa mat\u00e9ria a que mais detestava, entretanto, o visitante insistiu e por fim, lembrando- se de sua situa\u00e7\u00e3o desesperadora, resolveu aceitar.<\/p>\n<p>O mo\u00e7o pretextou ent\u00e3o que poderia esbanjar a mesada recebida do pai, pediu licen\u00e7a para efetuar o pagamento de todas as aulas adiantadamente. Ap\u00f3s alguma relut\u00e2ncia, convencido, acedeu. O mo\u00e7o entregou- lhe ent\u00e3o a quantia de cinq\u00fcenta mil r\u00e9is. Combinado o dia e a hora para o in\u00edcio das aulas, o visitante despediu- se, deixando Bezerra muito feliz, pois conseguiu assim pagar o aluguel e as taxas da Faculdade. Procurou livros na biblioteca p\u00fablica para se preparar na mat\u00e9ria, mas o rapaz nunca mais apareceu.<\/p>\n<p>No ano de 1894, em face das dissens\u00f5es reinantes no seio do Espiritismo brasileiro, alguns confrades, tendo \u00e0 frente o Dr. Bittencourt Sampaio, resolveram convidar Bezerra a fim de assumir a presid\u00eancia da Federa\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita Brasileira.<\/p>\n<p>Em vista da relut\u00e2ncia dele em assumir aquele espinhoso encargo, travou- se a seguinte conversa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>Bezerra &#8211; Querem que eu volte para a Federa\u00e7\u00e3o. Como voc\u00eas sabem aquela velha sociedade est\u00e1 sem presidente e desorientada. Em vez de trabalhos met\u00f3dicos sobre Espiritismo ou sobre o Evangelho, vive a discutir teses bizantinas e a alimentar o esp\u00edrito de hegemonia.<\/p>\n<p>Bittencourt Sampaio &#8211; O trabalhador da vinha \u00e9 sempre amparado. A Federa\u00e7\u00e3o pode estar errada na sua propaganda doutrin\u00e1ria, mas possui a Assist\u00eancia aos Necessitados, que basta por si s\u00f3 para atrair sobre ela as simpatias dos servos do Senhor.<\/p>\n<p>Bezerra &#8211; De acordo. Mas a Assist\u00eancia aos Necessitados est\u00e1 adotando exclusivamente a Homeopatia no tratamento dos enfermos, terap\u00eautica que eu adoto em meu tratamento pessoal, no de minha fam\u00edlia e recomendo aos meus amigos, sem ser, entretanto, m\u00e9dico homeopata. Isto ali\u00e1s me tem criado s\u00e9rias dificuldades, tornando- me um m\u00e9dico in\u00fatil e deslocado que n\u00e3o cr\u00ea na medicina oficial e aconselha a dos Esp\u00edritos, n\u00e3o tendo assim o direito de exercer a profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Bittencourt &#8211; E por que n\u00e3o te tornas m\u00e9dico homeopata?<\/p>\n<p>Bezerra &#8211; N\u00e3o entendo patavinas de Homeopatia. Uso a dos Esp\u00edritos e n\u00e3o a dos m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>Nessa altura, o m\u00e9dium Frederico J\u00fanior, incorporando o Esp\u00edrito de S. Agostinho, deu um aparte:<\/p>\n<p>S.Agostinho &#8211; Tanto melhor. Ajudar-te-emos com maior facilidade no tratamento dos nossos irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Bezerra &#8211; Como, bondoso Esp\u00edrito? Tu me sugeres viver do Espiritismo?<\/p>\n<p>S.Agostinho &#8211; N\u00e3o, por certo! Viver\u00e1s de tua profiss\u00e3o, dando ao teu cliente o fruto do teu saber humano, para isso estudando Homeopatia como te aconselhou nosso companheiro Bittencourt. N\u00f3s te ajudaremos de outro modo: Trazendo- te, quando precisares, novos disc\u00edpulos de Matem\u00e1tica&#8230;<\/p>\n<p>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<\/p>\n<p>Xavier, Chico; \u201cBrasil, Cora\u00e7\u00e3o do Mundo, P\u00e1tria do Evangelho\u201d<br \/>\nAcquarone, Francisco; \u201cBezerra de Menezes o M\u00e9dico dos Pobres\u201d, Alian\u00e7a. Abreu, Canuto; \u201cBezerra de Menezes\u201d, FEESP.<br \/>\nSoares, Sylvio; \u201cVida e Obra de Bezerra de Menezes\u201d, FEB.<br \/>\nGAMA, R. \u201clindos Casos de Bezerra de Menezes\u201d. S\u00e3o Paulo, Lake.<br \/>\nMovimento Esp\u00edrita Kardecista:<br \/>\n<a href=\"http:\/\/l.facebook.com\/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.movimentoespirita.hpg.ig.com.br%2F&amp;h=dAQHUVw9a&amp;enc=AZPToE0tq832SBhkCzqc9iI2hXRiwi7STCa0-vRzdXi-BvlRuxRGDvrrO88UP7MQTypxPHTCSesCB_LHmk_Qj0YjJOjlyv-gQk6cK5zGh3VUlFhKVlhnWmvVIwKqQC3XK6e0FxWGASC35fSxtlQd792w&amp;s=1\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">http:\/\/www.movimentoespirita.hpg.ig.com.br\/<\/a><br \/>\nPortal do Esp\u00edrito<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/biografias\/adolfo-bezerra.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/biografias\/adolfo-bezerra.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.redeamigoespirita.com.br\/profiles\/blogs\/dr-adolfo-bezerra-de-menezes-cavalcanti-o-m-dico-dos-pobres-e-sua\">rede amigo esp\u00edrita<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DR. ADOLFO BEZERRA DE MENEZES CAVALCANTI, &#8220;O M\u00c9DICO DOS POBRES&#8221; E SUA MARAVILHOSA HIST\u00d3RIA \u00c0 FRENTE DA DOUTRINA ESP\u00cdRITA, NOSSA ETERNA HOMENAGEM. Adolfo Bezerra de Menezes foi m\u00e9dico e pol\u00edtico. Nasceu em 1831, em Riacho do Sangue (CE) e desencarnou &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/dr-adolfo-bezerra-de-menezes-o-medico-dos-pobres\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"aside","meta":{"footnotes":""},"categories":[18,1,23,16],"tags":[],"class_list":["post-3927","post","type-post","status-publish","format-aside","hentry","category-a-familia","category-artigos","category-ciencia","category-espiritismo","post_format-post-format-aside"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3927","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3927"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3927\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3929,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3927\/revisions\/3929"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3927"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3927"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3927"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}