{"id":456,"date":"2013-03-26T20:58:29","date_gmt":"2013-03-26T23:58:29","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=456"},"modified":"2013-05-07T16:29:55","modified_gmt":"2013-05-07T19:29:55","slug":"expiacoes-terrestres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/expiacoes-terrestres\/","title":{"rendered":"Expia\u00e7\u00f5es Terrestres"},"content":{"rendered":"<p><b>O CEU E O INFERNO SEUNDO O ESPIRITISMO &#8211; CAP\u00cdTULO VIII &#8211;<\/b><\/p>\n<p><b>EXPIA\u00c7\u00d5ES TERRESTRES &#8211;<\/b><\/p>\n<p><b>MARCEL, o menino do n\u00ba 4 &#8211;<\/b><\/p>\n<p><b>Havia num hospital de prov\u00edncia um menino de 8 a 10 anos, cujo estado era dif\u00edcil precisar. Designavam-no pelo n\u00ba 4. Totalmente contorcido, j\u00e1 pela sua deformidade inata, j\u00e1 pela doen\u00e7a, as pernas se lhe torciam ro\u00e7ando pelo pesco\u00e7o, num tal estado de magreza, que eram pele sobre ossos. O corpo, uma chaga; os sofrimentos, atrozes. Era oriundo de uma fam\u00edlia israelita. A mol\u00e9stia dominava aquele organismo, j\u00e1 de oito longos anos, e no entanto demonstrava o enfermo uma intelig\u00eancia not\u00e1vel, al\u00e9m de candura, paci\u00eancia e resigna\u00e7\u00e3o edificantes. O m\u00e9dico que o assistia, cheio de compaix\u00e3o pelo pobre um tanto abandonado, visto que seus parentes pouco o visitavam, tomou por ele certo interesse. E achava-lhe um qu\u00ea de atraente na precocidade intelectual. Assim, n\u00e3o s\u00f3 o tratava com bondade, como lia-lhe quando as ocupa\u00e7\u00f5es lho permitiam, admirando-se do seu crit\u00e9rio na aprecia\u00e7\u00e3o de coisas a seu ver superiores ao discernimento da sua idade. Um dia, o menino disselhe: &#8211; &#8220;Doutor, tenha a bondade de me dar ainda uma vez aquelas p\u00edlulas ultimamente receitadas.&#8221; Para qu\u00ea? replicou-lhe o m\u00e9dico, se j\u00e1 te ministrei o suficiente, e maior quantidade pode fazer-te mal&#8230; &#8211; &#8220;\u00c9 que eu sofro tanto, que dificilmente posso orar a Deus para que me d\u00ea for\u00e7as, pois n\u00e3o quero incomodar os outros enfermos que a\u00ed est\u00e3o. Essas p\u00edlulas fazem-me dormir e, ao menos quando durmo, a ningu\u00e9m incomodo.&#8221;<\/b><\/p>\n<p><b>Aqui est\u00e1 quanto basta para demonstrar a grandeza dessa alma encerrada num corpo informe. Onde teria ido essa crian\u00e7a haurir tais sentimentos? Certo, n\u00e3o foi no meio em que se educou; al\u00e9m disso, na idade em que principiou a sofrer, n\u00e3o possu\u00eda sequer o racioc\u00ednio. Tais sentimentos eram-lhe inatos: &#8211; mas ent\u00e3o por que se via condenado ao sofrimento, admitindo-se que Deus houvesse concomitantemente criado uma alma assim t\u00e3o nobre e aquele m\u00edsero corpo instrumento dos supl\u00edcios? <\/b><\/p>\n<p><b>\u00c9 preciso negar a bondade de Deus, ou admitir a anterioridade de causa; isto \u00e9, a preexist\u00eancia da alma e a pluralidade das exist\u00eancias. Os \u00faltimos pensamentos desta crian\u00e7a, ao desencarnar, foram para Deus e para o caridoso m\u00e9dico que dela se condoeu. Decorrido algum tempo, foi o seu Esp\u00edrito evocado na Sociedade de Paris, onde deu a seguinte comunica\u00e7\u00e3o (1863): &#8220;A vosso chamado, vim fazer que a minha voz se estenda para al\u00e9m deste c\u00edrculo, tocando todos os cora\u00e7\u00f5es. Oxal\u00e1 seu eco se fa\u00e7a ouvir na solid\u00e3o, lembrando-lhes que as agonias da Terra t\u00eam por premissas as alegrias do c\u00e9u; que o mart\u00edrio n\u00e3o \u00e9 mais do que a casca de um fruto deleit\u00e1vel, dando coragem e resigna\u00e7\u00e3o. &#8220;Essa voz lhes dir\u00e1 que, sobre o catre da mis\u00e9ria, est\u00e3o os enviados do Senhor, cuja miss\u00e3o consiste na exemplifica\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 dor insuper\u00e1vel, desde que\u00a0<\/b><b>tenhamos o aux\u00edlio do Onipotente e dos seus bons Esp\u00edritos. Essa voz lhes far\u00e1 ouvir lamenta\u00e7\u00f5es de mistura com preces, para que lhes compreendam a harmonia piedosa, bem diferente da de coros de lamenta\u00e7\u00f5es mescladas com blasf\u00eamias.<\/b><\/p>\n<p><b>&#8220;Um dos vossos bons Esp\u00edritos, grande ap\u00f3stolo do Espiritismo, cedeu-me o seu lugar por esta noite. (1) Por minha vez, tamb\u00e9m me compete dizer algo sobre o progresso da vossa Doutrina, que deve auxiliar em sua miss\u00e3o os que entre v\u00f3s encarnam para aprender a sofrer. O Espiritismo ser\u00e1 a pedra de toque; os padecentes ter\u00e3o o exemplo e a palavra, e ent\u00e3o as impreca\u00e7\u00f5es se transformar\u00e3o em gritos de alegria e l\u00e1grimas de contentamento.&#8221; ___ (1) Santo Agostinho, pelo m\u00e9dium com o qual\u00a0 habitualmente se comunica na Sociedade.<\/b><\/p>\n<p><b>&#8211; P. Pelo que afirmais, parece que os vossos sofrimentos n\u00e3o eram expia\u00e7\u00e3o de altas anteriores&#8230;<\/b><\/p>\n<p><b>R. &#8211; N\u00e3o seriam uma expia\u00e7\u00e3o direta, mas asseguro-vos que todo sofrimento tem uma causa justa. Aquele a quem conhecestes t\u00e3o m\u00edsero foi belo, grande, rico e adulado. Eu tivera turifer\u00e1rios e cortes\u00e3os, fora f\u00fatil e orgulhoso. Anteriormente fui bem culpado; reneguei Deus, prejudiquei meu semelhante, mas expiei cruelmente, primeiro no mundo espiritual e depois na Terra. Os meus sofrimentos de alguns anos apenas, nesta \u00faltima encarna\u00e7\u00e3o, suportei-os eu anteriormente por toda uma exist\u00eancia que ralou pela extrema velhice. Por meu arrependimento reconquistei a\u00a0<\/b><b>gra\u00e7a do Senhor, o qual me confiou muitas miss\u00f5es, inclusive a \u00faltima, que bem conheceis. E fui eu quem as solicitou, para terminar a minha depura\u00e7\u00e3o. Adeus, amigos; tornarei algumas vezes. A minha miss\u00e3o \u00e9 de consolar, e n\u00e3o de instruir. H\u00e1, por\u00e9m, aqui muitas pessoas cujas feridas jazem ocultas, e essas ter\u00e3o prazer com a minha presen\u00e7a.<\/b><\/p>\n<p><b>Marcel..<\/b><\/p>\n<p><b>Instru\u00e7\u00f5es do guia do m\u00e9dium<\/b><\/p>\n<p><b>Pobrezinho sofredor, definhado, ulceroso e disforme! Nesse asilo de mis\u00e9rias e l\u00e1grimas, quantos gemidos exalados! E como era resignado&#8230; e como a sua alma lobrigava j\u00e1 ent\u00e3o o termo dos sofrimentos, apesar da tenra idade! No al\u00e9m-t\u00famulo, pressentia a recompensa de tantos gemidos abafados, e esperava! E como orava tamb\u00e9m por aqueles que n\u00e3o tinham resigna\u00e7\u00e3o no sofrimento, pelos que trocavam preces por blasf\u00eamias! Foi-lhe lenta a agonia, mas terr\u00edvel n\u00e3o lhe foi a hora do trespasse; certo, os membros convulsos contorciam-se, oferecendo aos assistentes o espet\u00e1culo de um corpo disforme a revoltar-se contra a sorte, nessa lei da carne que a todo o custo quer viver; mas, um anjo bom lhe pairava por sobre o leito mortu\u00e1rio e cicatrizava-lhe o cora\u00e7\u00e3o. Depois, esse anjo arrebatou nas asas brancas essa alma t\u00e3o bela a escapar-se de t\u00e3o horripilante corpo, e foram estas as palavras pronunciadas: &#8220;Gl\u00f3ria a v\u00f3s, Senhor, meu Deus!&#8221; E a alma subiu ao Todo-Poderoso, feliz, e exclamou: &#8220;Eis-me aqui, Senhor; destes-me por miss\u00e3o exemplificar o sofrimento&#8230; terei suportado dignamente a prova\u00e7\u00e3o?&#8221; Hoje, o Esp\u00edrito da pobre crian\u00e7a avulta, paira no Espa\u00e7o, vai do fraco ao humilde, e a todos diz: &#8211; Esperan\u00e7a e coragem. Livre de todas as impurezas da mat\u00e9ria, ele a\u00ed est\u00e1 junto de v\u00f3s a falar-vos, a dizer-vos n\u00e3o mais com essa voz fraca e lastimosa, por\u00e9m agora firme: &#8220;Todos que me observaram, viram que a crian\u00e7a n\u00e3o murmurava; hauriram nesse exemplo a calma para os seus males e seus cora\u00e7\u00f5es se tonificaram na suave confian\u00e7a em Deus, que outro n\u00e3o era o fim da minha curta passagem pela Terra.&#8221;<\/b><\/p>\n<p><b>Santo Agostinho.<\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><b>SZYMEL SLIZGOL<\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><b>Este n\u00e3o passou de um pobre israelita de Vilna, falecido em maio de 1865. Durante 30 anos mendigou com uma salva nas m\u00e3os. Por toda a cidade era bem conhecida aquela voz que dizia: &#8220;Lembrai-vos dos pobres, das vi\u00favas e dos \u00f3rf\u00e3os!&#8221; Por essa longa peregrina\u00e7\u00e3o Slizgol havia juntado 90.000 rublos, n\u00e3o guardando, por\u00e9m, para si um s\u00f3 copeque. Aliviava e curava os enfermos; pagava o ensino de crian\u00e7as pobres; distribu\u00eda aos necessitados a comida que lhe davam. A noite, destinava-a ele ao preparo do rap\u00e9, que vendia a fim de prover \u00e0s suas necessidades, e o que lhe sobrava era dos pobres. Foi s\u00f3 no mundo, e no entanto o seu enterro teve o \u00a0acompanhamento de grande parte da popula\u00e7\u00e3o de Vilna, cujos armaz\u00e9ns cerraram as portas.\u00a0 (Sociedade de Paris, 15 de junho de 1865)<\/b><\/p>\n<p><b>Evoca\u00e7\u00e3o: Excessivamente feliz, chegado, enfim, \u00e0 plenitude do que mais ambicionava e bem caro paguei, aqui estou, entre v\u00f3s, desde o cair da noite. Agradecido, pelo interesse que vos desperta o Esp\u00edrito do pobre mendigo, que, com satisfa\u00e7\u00e3o, vai procurar responder \u00e0s vossas perguntas.<\/b><\/p>\n<p><b>&#8211; P. Uma carta de Vilna nos deu conhecimento das particularidades mais not\u00e1veis da vossa exist\u00eancia, e da simpatia que tais particularidades nos inspiram nasceu o desejo de nos comunicar convosco. Agradecemos a vossa presen\u00e7a, e, uma vez que quereis responder-nos, principiaremos por vos assegurar que mui felizes seremos se, para nossa orienta\u00e7\u00e3o, pudermos conhecer a vossa posi\u00e7\u00e3o espiritual, bem como as causas que determinaram o g\u00eanero de vida que tivestes na \u00faltima\u00a0<\/b><b>encarna\u00e7\u00e3o.<\/b><\/p>\n<p><b>&#8211; R. Em primeiro lugar, concedei ao meu Esp\u00edrito, c\u00f4nscio da sua verdadeira posi\u00e7\u00e3o, o favor de vos transmitir a sua opini\u00e3o, com respeito a um pensamento que vos ocorreu quanto. \u00e0 minha personalidade. E reclamo previamente os vossos conselhos, para o caso de ser falsa essa minha opini\u00e3o. Parece-vos singular que as manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas tomassem tanto vulto, para homenagear a mem\u00f3ria do homem insignificante que soube por seu Esp\u00edrito caridoso atrair tal simpatia. N\u00e3o me refiro a v\u00f3s, caro mestre, nem a ti, prezado m\u00e9dium, nem a v\u00f3s outros verdadeiros e sinceros esp\u00edritas; falo, sim, para as pessoas indiferentes a cren\u00e7a, pois, nisso, nada houve de extraordin\u00e1rio. A press\u00e3o moral exercida pela pr\u00e1tica do bem, sobre a Humanidade, \u00e9 tal que, por mais materializada que esta seja, inclina-se sempre, venera o bem, a despeito da sua tend\u00eancia para o mal. Agora, as perguntas que, da vossa parte, n\u00e3o s\u00e3o ditadas pela curiosidade, mas simplesmente formuladas no intuito de ampliar o ensino. Visto que disponho de liberdade,\u00a0<\/b><b>vou, portanto, dizer-vos, o mais laconicamente poss\u00edvel, quais as causas determinantes da minha \u00faltima exist\u00eancia. Faz muitos s\u00e9culos, vivia eu com o t\u00edtulo de rei, ou, pelo menos, de pr\u00edncipe\u00a0<\/b><b>soberano. Dentro da esfera do meu poder relativamente limitado, em confronto com os atuais Estados, era eu, no entanto, absoluto senhor dos meus vassalos, como dos seus destinos, e governava-os tiranicamente, ou antes digamos o pr\u00f3prio termo como algoz. Dotado de car\u00e1ter impetuoso, violento, al\u00e9m de avaro e sensual, podeis avaliar qual deveria ter sido a sorte dos pobres seres sujeitos ao meu dom\u00ednio. Al\u00e9m de abusar do poder para oprimir o fraco, eu subordinava empregos, trabalhos e dores ao servi\u00e7o das pr\u00f3prias paix\u00f5es. Assim, impunha uma d\u00edzima ao produto da mendicidade, e ningu\u00e9m poderia acumular sem que eu antecipadamente lhe tomasse uma cota avultada, dessas sobras que a piedade humana deixava resvalar para as sacolas da mis\u00e9ria. E mais ainda: a fim de que n\u00e3o decrescesse o n\u00famero de mendigos entre os meus vassalos, proibia aos infelizes darem aos amigos, parentes e f\u00e2mulos necessitados a parte insignificante do que ainda lhes restava. Em uma palavra, fui tudo quanto se pode imaginar de mais cruel, em rela\u00e7\u00e3o ao sofrimento e \u00e0 mis\u00e9ria alheia. No meio de sofrimentos horrorosos, acabei por perder isso a que chamais &#8211; vida, tanto que minha morte era apontada como exemplo aterrador a quantos como eu, posto que em menor escala, tinham o mesmo modo de pensar. Como Esp\u00edrito, permaneci na erraticidade durante tr\u00eas e meio s\u00e9culos, e, quando ao fim desse tempo compreendi que a raz\u00e3o de ser da reencarna\u00e7\u00e3o era inteiramente outra que n\u00e3o a seguida por meus grosseiros sentidos, obtive \u00e0 for\u00e7a de preces, de resigna\u00e7\u00e3o e de pesares a permiss\u00e3o de suportar materialmente os mesmos sofrimentos que infligira, e mais profundamente sens\u00edveis que os por mim ocasionados. Obtida a permiss\u00e3o, Deus concedeu que por meu livre-arb\u00edtrio aumentasse os sofrimentos f\u00edsicos e morais. Gra\u00e7as \u00e0 assist\u00eancia dos bons Esp\u00edritos, persisti na pr\u00e1tica do bem, e sou-lhes agradecido por me terem impedido de sucumbir sob o fardo que tomara. Finalmente, preenchi uma exist\u00eancia de abnega\u00e7\u00e3o e caridade, que por si resgatou as faltas de outra, cruel e\u00a0<\/b><b>injusta. Nascido de pais pobres e cedo orfanado, aprendi a ganhar o p\u00e3o numa idade em que muitos consideram incapaz o racioc\u00ednio. Vivi sozinho, sem amor, sem afei\u00e7\u00f5es, e desde o princ\u00edpio suportei as brutalidades que para com outros havia exercido.\u00a0<\/b><b>Dizem que as somas por mim esmoladas foram todas destinadas ao al\u00edvio dos meus semelhantes: &#8211; \u00c9 um fato inconcusso, ao qual, sem orgulho nem \u00eanfase, devo acrescentar que &#8211; muit\u00edssimas vezes, com sacrif\u00edcio de priva\u00e7\u00f5es relativamente imperiosas, aumentava o beneficio que me permitiam fazer \u00e0 caridade p\u00fablica. Desencarnei calmamente, confiando no valor da minha repara\u00e7\u00e3o, e sou premiado muito mais do que poderiam ter cogitado as minhas secretas aspira\u00e7\u00f5es. Hoje sou\u00a0<\/b><b>feliz, felic\u00edssimo, podendo afirmar-vos que todos quantos se elevam ser\u00e3o humilhados, como elevados ser\u00e3o todos quantos se humilharem.<\/b><\/p>\n<p><b>&#8211; P. Tende a bondade de dizer-nos em que consistiu a vossa expia\u00e7\u00e3o no mundo espiritual, e quanto tempo durou, a contar da vossa morte at\u00e9 ao momento da atenua\u00e7\u00e3o por efeito do arrependimento e das boas resolu\u00e7\u00f5es. Dizei-nos tamb\u00e9m o que foi que provocou a mudan\u00e7a das vossas id\u00e9ias, no estado espiritual.<\/b><\/p>\n<p><b>&#8211; R. Essa pergunta desperta-me muitas recorda\u00e7\u00f5es dolorosas! Quanto sofri eu&#8230; Mas n\u00e3o, que me n\u00e3o lamento: &#8211; apenas recordo!&#8230; Quereis saber a natureza da minha expia\u00e7\u00e3o? Pois ei-la na sua terr\u00edvel hediondez: Carrasco que fui de todos os bons sentimentos, fiquei por muito, por longo tempo preso pelo perisp\u00edrito ao corpo em decomposi\u00e7\u00e3o. At\u00e9 que esta se completasse, vime\u00a0 corro\u00eddo pelos vermes &#8211; o que muito me torturava! e quando me vi liberto das peias que me\u00a0 prendiam ao instrumento do supl\u00edcio, mais cruel supl\u00edcio me esperava!&#8230; Depois do sofrimento f\u00edsico, o sofrimento moral muito mais longo. Fui colocado em presen\u00e7a de todas as minhas v\u00edtimas. Periodicamente, constrangido por uma for\u00e7a superior, era eu levado a rever o quadro vivo dos meus crimes. E via f\u00edsica e moralmente todas as dores que a outrem fizera sofrer! Ah! meus amigos, que terr\u00edvel \u00e9 a vis\u00e3o constante daqueles a quem fizemos mal! Entre v\u00f3s, tendes apenas um fraco exemplo no confronto do acusado com a sua v\u00edtima. A\u00ed tendes, em resumo, o que sofri\u00a0<\/b><b>durante tr\u00eas e meio s\u00e9culos, at\u00e9 que Deus, compadecido da minha dor e tocado pelo meu arrependimento, solicitado pelos que me assistiam, permitisse a vida de expia\u00e7\u00e3o que conheceis.<\/b><\/p>\n<p><b>&#8211; P. Algum motivo particular vos induziu \u00e0 escolha da \u00faltima exist\u00eancia, subordinada \u00e0 religi\u00e3o israelita?<\/b><\/p>\n<p><b>&#8211; R. N\u00e3o escolhi por mim s\u00f3, mas ouvi o conselho dos meus guias. A religi\u00e3o de Israel era uma pequena humilha\u00e7\u00e3o a mais na minha prova, visto como em certos pa\u00edses a maioria dos encarnados menosprezam os judeus, e principalmente os judeus mendicantes.<\/b><\/p>\n<p><b>&#8211; P. Na Terra, com que idade come\u00e7astes a vossa obra de expia\u00e7\u00e3o? Como vos ocorreu o pensamento de vos desobrigar das resolu\u00e7\u00f5es previamente tomadas? Ao exercerdes t\u00e3o abnegadamente a caridade, ter\u00edeis a intui\u00e7\u00e3o das causas que a isso vos predispunham?<\/b><\/p>\n<p><b>&#8211; R. Meus pais eram pobres, por\u00e9m inteligentes e avaros. Mo\u00e7o ainda, eu fui privado da afei\u00e7\u00e3o e carinhos de minha m\u00e3e. A perda desta me causou tanto maior e fundo pesar, quanto meu pai, dominado pela avidez de ganhos, me abandonava por completo. Quanto aos meus irm\u00e3os, todos mais velhos do que eu, n\u00e3o pareciam aperceber- se das minhas m\u00e1goas. Foi um outro judeu quem, movido por sentimento mais ego\u00edstico do que caritativo, me recolheu em sua casa e me ensinou a trabalhar. O que isso lhe custara era largamente compensado pelo meu trabalho, ali\u00e1s excedente\u00a0<\/b><b>multas vezes \u00e0s minhas for\u00e7as. Mais tarde, liberto desse jugo, trabalhei por minha conta; mas em toda parte, no trabalho como no repouso, perseguia-me a saudade de minha m\u00e3e, e, \u00e0 medida que\u00a0<\/b><b>avan\u00e7ava em anos, a lembran\u00e7a desse ser mais fundamente se me gravara na mem\u00f3ria, lamentando em demasia a perda do seu amor e do seu zelo. N\u00e3o tardou fosse eu o \u00fanico dos meus, pois a morte em breve, dentro de meses, ceifou-me toda a fam\u00edlia. Ent\u00e3o, principiou a manifestar-se-me o modo pelo qual havia de passar o resto da vida. Dois dos meus irm\u00e3os deixaram \u00f3rf\u00e3os, e eu, comovido pela recorda\u00e7\u00e3o do que como \u00f3rf\u00e3o sofrera, quis preservar os pobrezinhos de uma juventude igual \u00e0 minha. N\u00e3o produzindo o meu trabalho o suficiente para sustent\u00e1-los a todos, comecei a pedir esmola, n\u00e3o para mim, mas para outros. A Deus n\u00e3o aprazia visse eu o resultado, a consola\u00e7\u00e3o dos meus esfor\u00e7os, e assim foi que tamb\u00e9m os pobrezinhos me deixaram para sempre.\u00a0<\/b><b>Eu bem via o que lhes faltava era a m\u00e3e. Resolvi, pois, pedir para as vi\u00favas infelizes que, sem poderem trabalhar para si e seus filhinhos, se impunham priva\u00e7\u00f5es fatais, que acabavam por mat\u00e1-las, legando ao mundo pobres \u00f3rf\u00e3os abandonados e votados aos tormentos que eu mesmo suportara. A esse tempo contava eu 30 anos, e nessa idade, saud\u00e1vel e vigoroso, viram-me pedir para a vi\u00fava e para o \u00f3rf\u00e3o. Penosos me foram os primeiros passos, a suportar mais de um ep\u00edteto deprimente; quando, por\u00e9m, se certificaram de que eu realmente distribu\u00eda pelos pobres o que recebia; quando souberam que a essa distribui\u00e7\u00e3o ainda ajuntava as sobras do meu trabalho; ent\u00e3o, adquiri certo conceito que n\u00e3o deixava de me ser grato. Durante os 60 e alguns anos dessa peregrina\u00e7\u00e3o terrena, nunca deixei de atender \u00e0 tarefa que me impusera. Tamb\u00e9m jamais a consci\u00eancia me fez sentir que causas anteriores \u00e0 exist\u00eancia fossem o m\u00f3bil do meu proceder. Um dia somente, e antes de come\u00e7ar a pedir, ouvi estas palavras: &#8220;N\u00e3o fa\u00e7ais a outrem o que n\u00e3o quiserdes que vos fa\u00e7am.&#8221; Surpreendido pelos princ\u00edpios gerais de moralidade contidos nessas poucas palavras, muitas vezes parecia-me ouvi-las acrescidas com estas outras: &#8211; &#8220;Mas fazei, ao contr\u00e1rio, o que quiserdes que vos fa\u00e7am.&#8221; Tendo por auxiliares a lembran\u00e7a de minha m\u00e3e e dos meus pr\u00f3prios sofrimentos, continuei a trilhar uma senda que a minha consci\u00eancia dizia ser boa.\u00a0<\/b><b>Vou terminar esta longa comunica\u00e7\u00e3o, dizendo: &#8211; Obrigado! Imperfeito ainda, sei, contudo, que o mal s\u00f3 acarreta o mal, e de novo, como j\u00e1 o fiz, dedicar-me-ei ao bem para alcan\u00e7ar a felicidade.<\/b><\/p>\n<p><b>Szymel Slizgol.<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O CEU E O INFERNO SEUNDO O ESPIRITISMO &#8211; CAP\u00cdTULO VIII &#8211; EXPIA\u00c7\u00d5ES TERRESTRES &#8211; MARCEL, o menino do n\u00ba 4 &#8211; Havia num hospital de prov\u00edncia um menino de 8 a 10 anos, cujo estado era dif\u00edcil precisar. 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