{"id":4597,"date":"2016-10-15T07:27:58","date_gmt":"2016-10-15T10:27:58","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=4597"},"modified":"2016-10-15T07:27:58","modified_gmt":"2016-10-15T10:27:58","slug":"os-lacos-afetivos-da-adocao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/os-lacos-afetivos-da-adocao\/","title":{"rendered":"Os La\u00e7os Afetivos da Ado\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a id=\"irc_mil\" href=\"http:\/\/www.google.com.br\/url?sa=i&amp;rct=j&amp;q=&amp;esrc=s&amp;source=images&amp;cd=&amp;cad=rja&amp;uact=8&amp;ved=0ahUKEwiWtOi3zNzPAhVLh5AKHagBAHoQjRwIBw&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.mppr.mp.br%2Fmodules%2Fnoticias%2Farticle.php%3Fstoryid%3D5343&amp;psig=AFQjCNEuxBikKuYwWZzjN7Z5nYwLd1sl0g&amp;ust=1476613473348519\" data-ved=\"0ahUKEwiWtOi3zNzPAhVLh5AKHagBAHoQjRwIBw\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"irc_mi\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/www.mppr.mp.br\/arquivos\/Image\/1_IMPRENSA_GERAL\/2015\/Materia_adocao\/_MG_4740.JPG\" alt=\"Resultado de imagem para imagens de ado\u00e7\u00e3o\" width=\"266\" height=\"177\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Os la\u00e7os afetivos da ado\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Abranches<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0 Somos seres essencialmente afetivos. Estamos ligados a tudo e a todos que nos despertam desejo de v\u00ednculo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0 O que caracteriza o ser humano \u00e9 esse movimento interior de investir energia ps\u00edquica sobre coisas e seres aos quais se vincula.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0 Uma nova encarna\u00e7\u00e3o se confirma pela uni\u00e3o de duas c\u00e9lulas germinativas, cada qual com uma carga de investimento amoroso, motor e motivo de suas aproxima\u00e7\u00f5es na fant\u00e1stica trajet\u00f3ria de confirma\u00e7\u00e3o da vida.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0 Em vista disso, quando o beb\u00ea nasce, j\u00e1 traz consigo uma bagagem estrutural de afetos. Anterior a isso, o Esp\u00edrito que conduz esse processo tamb\u00e9m j\u00e1 \u00e9 deposit\u00e1rio de valiosas expectativas, plenas de afei\u00e7\u00e3o e de carga amorosa dos que se dedicam ao sucesso de mais um projeto reencarnat\u00f3rio.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0 Tive contato com o pensamento da psic\u00f3loga polonesa Joanna Wilheim, radicada no Brasil desde a inf\u00e2ncia, quando veio para o pa\u00eds com os pais, fugidos da persegui\u00e7\u00e3o nazista, durante a Segunda Guerra Mundial. Assistente social e psic\u00f3loga cl\u00ednica, Joanna se dedica h\u00e1 mais de 40 anos a investigar os meandros do psiquismo pr\u00e9 e perinatal. Com quase 80 anos, prossegue sendo uma pesquisadora incans\u00e1vel desse tema, al\u00e9m de manter seu trabalho di\u00e1rio como psic\u00f3loga, em S\u00e3o Paulo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0 O texto que me chamou a aten\u00e7\u00e3o consta do livro Psicologia Pr\u00e9-Natal.1 Nele, Joanna apresenta os pressupostos fundamentais de seu trabalho. Um dos cap\u00edtulos tem o t\u00edtulo \u201cV\u00ednculos afetivos e o beb\u00ea adotado\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0 O argumento fundamental defendido pela autora \u00e9 o seguinte: imagine um beb\u00ea que acabou de nascer, que saiu de dentro do corpo de sua m\u00e3e, a qual o albergou durante todo o per\u00edodo inicial de sua exist\u00eancia, e, de repente, se v\u00ea privado da possibilidade de retornar ao contato com ela.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0 Wilheim ressalta o marcante painel de emo\u00e7\u00f5es que agita a fr\u00e1gil intimidade do pequenino ser que, ao nascer, \u00e9 separado de sua m\u00e3e para ser dado em ado\u00e7\u00e3o. Os esp\u00edritas costumamos considerar a ado\u00e7\u00e3o com os olhos da fraternidade e do desprendimento. In\u00fameros autores espirituais refor\u00e7am essas perspectivas.2<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0 Entre articulistas, destaco a opini\u00e3o de Richard Simonetti, ao afirmar que \u201c[\u2026] o filho adotivo constitui sempre um treino dos mais nobres no campo da fraternidade. [\u2026] talvez raros servi\u00e7os na Terra sejam t\u00e3o compensadores em termos de Vida Eterna\u201d.3<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0 Herm\u00ednio Corr\u00eaa de Miranda4 apresenta opini\u00e3o muito particular e carinhosa sobre o assunto, destacando que \u201cse voc\u00ea percebeu por aquela crian\u00e7a o suave calorzinho do amor, tome-a nos bra\u00e7os e deixe que o amor o inspire. Se n\u00e3o lhe parece aconselh\u00e1vel lev\u00e1-la para sua casa, mesmo assim d\u00ea-lhe seu amor, materialize esse amor em ajuda concreta, n\u00e3o excessiva, n\u00e3o sufocante e n\u00e3o possessiva, mas sob forma de apoio, para que ela possa viver onde est\u00e1, minorando dificuldades, sem remover de seu caminho os obst\u00e1culos de que ela precisa para se fortalecer, ao aprender a super\u00e1-los\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0 O que me chamou a aten\u00e7\u00e3o no pensamento de Joanna Wilheim \u00e9 o ponto de vista pelo qual ela analisa a quest\u00e3o \u2013 o da crian\u00e7a adotada, de suas emo\u00e7\u00f5es, de sua ainda desconhecida capacidade de perceber o que ocorre consigo e que ficar\u00e1 registrado indelevelmente em seu inconsciente, com for\u00e7a bastante para interferir de maneira marcante em seu destino.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0 Somos seres necessitados de continuidade. \u00c9 nela que se revela a coer\u00eancia das escolhas, o resultado das op\u00e7\u00f5es de vida. Assim tamb\u00e9m ocorre com o beb\u00ea. \u00c9 no esp\u00edrito da continuidade que ele estabelece sua identidade, e as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para isto lhe s\u00e3o dadas pelo contato com os pais.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0 Segundo Joanna, a dor que a ruptura deste contato produz na alma do beb\u00ea \u00e9 muito grande. \u201cUma dor que ele sente sem entender o que sente, porque lhe faltam as \u2018ferramentas\u2019 para ele poder \u2018se pensar\u2019. Este imenso sofrimento da alma ir\u00e1 se expressar atrav\u00e9s de sintomas. Ser\u00e1 \u00e0 linguagem do corpo que a alma sofrida ir\u00e1 recorrer\u201d. (Op. cit., p. 203.)<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0 A psic\u00f3loga n\u00e3o se revela contra a ado\u00e7\u00e3o, mas assevera a import\u00e2ncia de que esse processo seja feito de forma a preservar a integridade da criatura em foco.5 \u00c9 por isso que ela destaca a import\u00e2ncia de os pais adotivos falarem a verdade ao filho adotado sempre que poss\u00edvel, \u201cdesde os primeiros momentos da conviv\u00eancia\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0 A condi\u00e7\u00e3o ideal de uma ado\u00e7\u00e3o bem-sucedida, de acordo com a terapeuta, ocorre quando se preserva o sentimento de acolhida, sem que os pais se esque\u00e7am de que o pequeno ser que passa aos seus cuidados foi, em primeiro lugar, rejeitado.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0 Ela pede que imaginemos a situa\u00e7\u00e3o de um ser que passou nove meses de sua experi\u00eancia intrauterina recebendo mensagens negativas de sua m\u00e3e: \u201ceu n\u00e3o vou poder ficar com voc\u00ea\u201d, \u201cvou me livrar de voc\u00ea logo que voc\u00ea nascer\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0 Ao agir assim, a m\u00e3e biol\u00f3gica evita vincular-se ao beb\u00ea que traz dentro de si, numa manobra psicol\u00f3gica defensiva para se proteger de sofrer.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0 E quais seriam as condi\u00e7\u00f5es ideais de ado\u00e7\u00e3o? Para a psic\u00f3loga, seria fundamental que os pais adotivos estivessem presentes no nascimento do beb\u00ea, para lhe assegurar uma continuidade de ser. Para ela, o ideal seria que, logo depois de nascer, o beb\u00ea, ap\u00f3s sentir o cheiro do corpo de sua m\u00e3e biol\u00f3gica, possa ser colocado em contato com o corpo de sua m\u00e3e adotiva.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0 Ela diz ainda que \u201cse esse pequeno ser puder levar consigo uma pe\u00e7a de roupa com o cheiro de sua m\u00e3e biol\u00f3gica, eventualmente uma grava\u00e7\u00e3o da voz dela, explicando porque precisa deix\u00e1-lo aos cuidados de outra mulher, estariam criadas as condi\u00e7\u00f5es que se aproximariam das ideais\u201d. (Op. cit.,p. 111.)<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0 Observando a dram\u00e1tica situa\u00e7\u00e3o em que in\u00fameros rec\u00e9m-nascidos abandonados t\u00eam sido encontrados, quando n\u00e3o s\u00e3o v\u00edtimas de aborto (o notici\u00e1rio comenta v\u00e1rios casos de beb\u00eas jogados em rios, em latas de lixo ou terrenos baldios), percebe-se que estamos ainda muito distantes das condi\u00e7\u00f5es ideais sugeridas pela nobre psic\u00f3loga.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0 Mesmo assim, \u00e9 nosso dever destacar os aspectos elevados da decis\u00e3o de adotar uma crian\u00e7a, independentemente da melhor situa\u00e7\u00e3o para que isso ocorra.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0 Sabemos que, por tr\u00e1s de uma op\u00e7\u00e3o desse teor, in\u00fameros mecanismos da realidade espiritual est\u00e3o sendo operados para promover altera\u00e7\u00f5es significativas nos quadros c\u00e1rmicos das pessoas envolvidas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0 Adotar \u00e9, antes de mais nada, um ato de amor e de desprendimento. Tenhamos n\u00f3s a sensibilidade apurada o suficiente para que, se decidirmos realizar esse gesto, o fa\u00e7amos com a grandeza do sentimento de amor paternal, depositando no ser que entra em nosso lar todo o desejo de resgatar em n\u00f3s a dignidade de sermos pais fi\u00e9is e amorosamente dedicados a nossos filhos do cora\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p><strong>1 WILHEIM, Joanna. O que \u00e9 psicologia pr\u00e9-natal. S\u00e3o Paulo: Ed. Casa do Psic\u00f3logo, 1997.<\/strong><\/p>\n<p><strong>2 Leia-se, por exemplo, o caso de Marita, em Sexo e destino (psicografado por Francisco C. Xavier e Waldo Vieira, pelo Esp\u00edrito Andr\u00e9 Luiz). Primeira Parte, cap\u00edtulo 7, (Ed. FEB). Ainda pela mediunidade mediunidade de Francisco C. Xavier, Emmanuel relata a experi\u00eancia do jovem Silano, neto adotivo de Cneio Lucius, em Cinquenta anos depois, (Ed. FEB).<\/strong><\/p>\n<p><strong>3 Artigo publicado em Brasil Esp\u00edrita, 1972, sob o t\u00edtulo \u201cFilhos adotivos\u201d, p. 2.<\/strong><\/p>\n<p><strong>4 MIRANDA, Herm\u00ednio C. Nossos filhos s\u00e3o esp\u00edritos. Rio de Janeiro: Lach\u00e2tre, 1993. p. 54.<\/strong><\/p>\n<p><strong>5 Joanna \u00e9 enf\u00e1tica no que se refere \u00e0 pr\u00e1tica das barrigas de aluguel. Ela considera essa decis\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade emocional do beb\u00ea. Afirma que \u201cn\u00e3o devemos esquecer nunca que a primeira rela\u00e7\u00e3o \u2013 a pr\u00e9-natal com a m\u00e3e biol\u00f3gica \u2013 \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de paix\u00e3o. \u00c9 ela que estabelece os sulcos sobre os quais todas as demais paix\u00f5es da vida ser\u00e3o buscadas e ir\u00e3o se moldar\u201d. A psic\u00f3loga acredita que o ser humano vai passar a vida buscando reencontrar essa paix\u00e3o perdida.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Reformador \u2013 Dezembro\/ 2008<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os la\u00e7os afetivos da ado\u00e7\u00e3o Carlos Abranches \u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0 Somos seres essencialmente afetivos. 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