{"id":4774,"date":"2017-01-06T07:25:06","date_gmt":"2017-01-06T09:25:06","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=4774"},"modified":"2017-01-06T07:25:06","modified_gmt":"2017-01-06T09:25:06","slug":"opiniao-nao-e-argumento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/opiniao-nao-e-argumento\/","title":{"rendered":"OPINI\u00c3O N\u00c3O \u00c9 ARGUMENTO"},"content":{"rendered":"<h2><strong>Por que \u2018opini\u00e3o n\u00e3o \u00e9 argumento\u2019, segundo este professor de l\u00f3gica da Unicamp<\/strong><\/h2>\n<div id=\"wrapper\" class=\"hfeed\">\n<div id=\"main\">\n<div id=\"container\">\n<div id=\"content\">\n<div id=\"post-545\" class=\"post-545 post type-post status-publish format-aside hentry category-artigos category-ciencia post_format-post-format-aside\">\n<div class=\"entry-content\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"media-object alignleft\" title=\"discuss\u00e3o.jpg\" src=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/incoming\/imagens\/discuss%C3%A3o.jpg\/ALTERNATES\/LANDSCAPE_640\/discuss%C3%A3o.jpg\" alt=\"Discuss\u00f5es servem para constur\u00e7\u00e3o de conhecimento, e n\u00e3o para a destrui\u00e7\u00e3o\" width=\"222\" height=\"139\" \/><\/p>\n<p><strong>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil vencer uma discuss\u00e3o. Especialmente em um contexto inflamado, em que as\u00a0<\/strong><strong><a href=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/expresso\/2016\/03\/18\/O-que-acontece-quando-voc%C3%AA-s%C3%B3-v%C3%AA-opini%C3%B5es-parecidas-com-as-suas\">opini\u00f5es se polarizam<\/a><\/strong><strong>, not\u00edcias falsas\u00a0<\/strong><strong><a href=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/expresso\/2016\/10\/11\/Como-identificar-a-veracidade-de-uma-informa%C3%A7%C3%A3o-e-n%C3%A3o-espalhar-boatos\">se proliferam<\/a><\/strong><strong>, debatedores recorrem a\u00a0<\/strong><strong><a href=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/servico\/2016\/06\/01\/Como-discutir-pol%C3%ADtica-sem-baixar-o-n%C3%ADvel\">ofensas e sarcasmo<\/a><\/strong><strong>\u00a0e festas de fim de ano criam\u00a0<\/strong><strong><a href=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/expresso\/2016\/03\/19\/Como-discutir-pol%C3%ADtica-no-almo%C3%A7o-deste-domingo-e-continuar-na-fam%C3%ADlia\">ambientes prop\u00edcios<\/a><\/strong><strong>\u00a0para a briga.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Uma boa discuss\u00e3o, ao contr\u00e1rio do que a maior parte das pessoas pensa, n\u00e3o serve para a disputa \u2013 e, sim, para a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento. Nesse sentido, saber sustentar uma boa argumenta\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cUm argumento \u00e9 uma \u2018viagem l\u00f3gica\u2019\u201d, diz Walter Carnielli, matem\u00e1tico, professor de l\u00f3gica na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e autor de \u201cPensamento cr\u00edtico \u2013 o poder da l\u00f3gica e da argumenta\u00e7\u00e3o\u201d (Editora Rideel), livro escrito em parceria com o economista e jurista americano Richard Epstein.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Para Carnielli, os brasileiros t\u00eam uma \u201cp\u00e9ssima educa\u00e7\u00e3o argumentativa\u201d. Confundimos discuss\u00e3o com briga e n\u00e3o sabemos lidar bem com cr\u00edticas. Mas h\u00e1 t\u00e9cnicas que podem ajudar na constru\u00e7\u00e3o de bons argumentos \u2013 e tamb\u00e9m a evitar armadilhas comuns em uma discuss\u00e3o, como o uso de fal\u00e1cias.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Entre elas est\u00e1, por exemplo, a busca por entender o ponto de vista oposto \u2013 ajudando, inclusive, o opositor na constru\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio argumento. Nesta entrevista ao\u00a0Nexo, o professor explica algumas delas:<\/strong><\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 considerado um mau argumento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>WALTER CARNIELLI<\/strong><strong>\u00a0Um argumento \u00e9 uma \u2018viagem l\u00f3gica\u2019\u2019 que vai das premissas \u00e0 conclus\u00e3o. Conforme a defini\u00e7\u00e3o dada no nosso livro, um bom argumento \u00e9 aquele em que h\u00e1 boas raz\u00f5es para que as premissas sejam verdadeiras, e, para al\u00e9m disso, as premissas apresentam boas raz\u00f5es para suportar ou apoiar a conclus\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Em outras palavras, as premissas que voc\u00ea apresenta devem ser precisas e verdadeiras, e devem produzir uma raz\u00e3o para se pensar que a conclus\u00e3o \u00e9 verdadeira. Desse modo, h\u00e1 duas maneiras em que um argumento pode falhar, ou ser um mau argumento:<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li><strong>Se as premissas forem falsas.<\/strong><\/li>\n<li><strong>Se as premissas n\u00e3o apoiam a conclus\u00e3o.<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Em geral as pessoas erram mais na parte 2: parece mais dif\u00edcil decidir se as premissas apoiam ou suportam a conclus\u00e3o do que verificar se elas s\u00e3o verdadeiras ou falsas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Como desmontar um mau argumento de forma respeitosa e produtiva?<\/strong><\/p>\n<p><strong>WALTER CARNIELLI\u00a0<\/strong><strong>Existe um princ\u00edpio metodol\u00f3gico importante na argumenta\u00e7\u00e3o que \u00e9 o Princ\u00edpio da Acomoda\u00e7\u00e3o Racional, tamb\u00e9m conhecido como Princ\u00edpio da Caridade, e que foi tratado por fil\u00f3sofos de peso como Willard Van Orman Quine e Donald Davidson.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O princ\u00edpio exige que devemos tentar entender o ponto de vista do oponente em sua forma mais forte e persuasiva antes de submeter sua vis\u00e3o \u00e0 nossa avalia\u00e7\u00e3o. Dessa forma, devemos primeiro fazer todos os esfor\u00e7os para esclarecer as premissas e a conclus\u00e3o do oponente, inclusive ajudando-o a reparar os pontos fracos. S\u00f3 ent\u00e3o, ap\u00f3s essa atitude respeitosa, \u00e9 que devemos gentilmente apontar a ela ou a ele onde suas premissas s\u00e3o falhas ou duvidosas, e\/ou porque tais premissas n\u00e3o apoiam a conclus\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Em outras palavras, o Princ\u00edpio da Acomoda\u00e7\u00e3o Racional imp\u00f5e que interpretemos as afirma\u00e7\u00f5es dos outros de forma a maximizar a verdade ou racionalidade do advers\u00e1rio, tanto quanto isso seja poss\u00edvel. \u00c9 a maneira mais respeitosa e produtiva de manter uma discuss\u00e3o honesta.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o as fal\u00e1cias mais recorrentes?<\/strong><\/p>\n<p><strong>WALTER CARNIELLI\u00a0<\/strong><strong>\u00a0N\u00f3s, brasileiros, temos uma p\u00e9ssima educa\u00e7\u00e3o argumentativa: confundimos discuss\u00e3o com briga, e vemos as cr\u00edticas como inveja, falta de amizade, falta de amor etc. Pior ainda: quando come\u00e7a uma discuss\u00e3o, muitas vezes vem o seguinte: \u2018tenho o direito de ter minha opini\u00e3o\u2019, seja sobre o criacionismo, o governo, a pol\u00edtica ou a pena de morte.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Claro que todos t\u00eam o direito de manter sua opini\u00e3o, mas opini\u00e3o n\u00e3o \u00e9 argumento. A democracia tamb\u00e9m \u00e9 feita de opini\u00f5es \u2013 ningu\u00e9m precisa argumentar para votar no candidato que preferir, basta manifestar sua opini\u00e3o nas urnas. Mas quando o candidato quer nos convencer, ou quando queremos convencer os outros sobre nossa posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, nossa cren\u00e7as n\u00e3o bastam.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fora esta fal\u00e1cia estrutural tremenda, que revela que a pessoa sequer sabe o que \u00e9 um argumento, algumas das fal\u00e1cias mais comuns s\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong>Ad Hominem<\/strong><strong>: quando se ataca a pessoa, n\u00e3o o argumento. Por exemplo: \u201co m\u00e9dico me recomendou parar de fumar. Mas ele fuma!\u201d<\/strong><\/li>\n<li><strong>Falso dilema<\/strong><strong>: quando se exageram os dois lados de uma quest\u00e3o, n\u00e3o deixando lugar para nuances ou meio-termo. Por exemplo: \u201cvoc\u00ea \u00e9 a favor do aborto? Ent\u00e3o voc\u00ea apoia o assassinato de crian\u00e7as\u201d.<\/strong><\/li>\n<li><strong>Post hoc ergo propter hoc<\/strong><strong>: ou seja, \u201cdepois disso, portanto por causa disso\u201d. Por exemplo: \u201cHitler era vegetariano, e veja no que deu\u2019\u201d.<\/strong><\/li>\n<li><strong>Inverter o \u00f4nus da prova<\/strong><strong>: Por exemplo: \u201cclaro que OVNIs existem. Prove o contr\u00e1rio\u2019.\u2019<\/strong><\/li>\n<li><strong>Falsa analogia<\/strong><strong>: por exemplo, tentar comparar casamento homossexual com legaliza\u00e7\u00e3o da pedofilia.<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Por que tanta gente recorre \u00e0s fal\u00e1cias?<\/strong><\/p>\n<p><strong>WALTER CARNIELLI<\/strong><strong>\u00a0H\u00e1 centenas de fal\u00e1cias conhecidas e estudadas, mas a lista \u00e9 potencialmente infinita. H\u00e1 fal\u00e1cias l\u00f3gicas, fal\u00e1cias estruturais, fal\u00e1cias de analogia, fal\u00e1cias emocionais, etc. Uma fal\u00e1cia \u00e9 um mau argumento que n\u00e3o pode ser reparado. As pessoas gostam das fal\u00e1cias com r\u00f3tulos em latim, que soam poderosas, e supostamente s\u00e3o usadas por advogados, ou podem ser usadas para impressionar o oponente.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Qu\u00e3o relevante voc\u00ea acredita que \u00e9 a l\u00f3gica formal, dado o fato de pesquisas sugerirem que os mecanismos utilizados para formar opini\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o racionais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>WALTER CARNIELLI\u00a0<\/strong><strong>\u00a0Primeiramente, cren\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o argumentos, embora possam influir neles. Os mecanismos para formar opini\u00f5es podem n\u00e3o ser racionais, mas at\u00e9 nesse ponto a investiga\u00e7\u00e3o l\u00f3gica \u00e9 essencial.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por exemplo, existe uma racionalidade de como revisar suas pr\u00f3prias cren\u00e7as\u00a0 \u2013 a teoria de revis\u00e3o de cren\u00e7as \u2013 que s\u00e3o essenciais para computa\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, por exemplo. Como podemos \u2018explicar\u2019 a um computador como ele deve rearranjar seus dados frente a novas informa\u00e7\u00f5es? Ainda mais, as pessoas podem manter cren\u00e7as verdadeiras por raz\u00f5es irracionais, ou manter cren\u00e7as falsas por decis\u00f5es racionais.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Some-se a tudo isso o fato de que o conhecimento \u00e9 tradicionalmente visto como um tipo especial de cren\u00e7a, e que o problema das contradi\u00e7\u00f5es na raz\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m um importante tema da l\u00f3gica.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A l\u00f3gica formal, e a informal [presente na linguagem comum, que n\u00e3o utiliza nenhum tipo de t\u00e9cnica para ser apresentada], s\u00e3o important\u00edssimas para se investigar a raz\u00e3o humana.<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/expresso\/2016\/12\/27\/Por-que-%E2%80%98opini%C3%A3o-n%C3%A3o-%C3%A9-argumento%E2%80%99-segundo-este-professor-de-l%C3%B3gica-da-Unicamp\">Nexo Jornal<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por que \u2018opini\u00e3o n\u00e3o \u00e9 argumento\u2019, segundo este professor de l\u00f3gica da Unicamp N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil vencer uma discuss\u00e3o. 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