{"id":963,"date":"2013-05-21T20:48:27","date_gmt":"2013-05-21T23:48:27","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=963"},"modified":"2013-05-21T20:48:27","modified_gmt":"2013-05-21T23:48:27","slug":"a-conquista-do-corpo-e-da-mente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/a-conquista-do-corpo-e-da-mente\/","title":{"rendered":"A Conquista do Corpo e da Mente"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\">Nubor Orlando Facure<b><\/b><\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<b>\u00a0 Anatomia do Corpo\u00a0<\/b><\/p>\n<p>O conhecimento sistematizado do corpo humano s\u00f3 foi poss\u00edvel ap\u00f3s o fim da Idade M\u00e9dia com o rompimento de amarras dogm\u00e1ticas dentro da pr\u00f3pria medicina e, com as contribui\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas revolucion\u00e1rias como as de Ren\u00e9 Descartes (1596-1650) que separou o corpo da alma e libertou a Ci\u00eancia da interfer\u00eancia eclesi\u00e1stica. At\u00e9 ent\u00e3o, prevalecia o conhecimento emp\u00edrico organizado principalmente por Cl\u00e1udio Galeno (130-201 DC) e, no decurso de mais de um mil\u00eanio, qualquer tentativa de manipular e estudar o corpo humano cadaverizado, era tida como um sacril\u00e9gio. As experi\u00eancias e as descri\u00e7\u00f5es anat\u00f4micas de Galeno foram publicadas a partir de estudos em animais e prevaleceram como verdades dogm\u00e1ticas at\u00e9 o fim da Idade M\u00e9dia no s\u00e9culo XVI.<\/p>\n<p>Em contraposi\u00e7\u00e3o aos \u201cemp\u00edricos\u201d que estudavam apenas os sintomas e a evolu\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as, Galeno, e os \u201cracionalistas\u201d, realizavam experi\u00eancias e estimulavam o estudo das pe\u00e7as anat\u00f4micas. Galeno descreveu a teoria das for\u00e7as vitais de atra\u00e7\u00e3o e de repuls\u00e3o para explicar o funcionamento dos \u00f3rg\u00e3os e o aparecimento das doen\u00e7as. Estas mesmas for\u00e7as promoveriam o fluxo sang\u00fc\u00edneo e, no c\u00e9rebro, atrav\u00e9s de um amontoado de art\u00e9rias denominadas de \u201crede mir\u00e1biles\u201d o \u201cpneuma vital\u201d seria transformado em \u201cpneuma animal\u201d. O conceito de \u201cfluxo\u201d e de \u201cvitalismo\u201d persistiu por muitos s\u00e9culos e o pr\u00f3prio Ren\u00e9 Descartes imaginava a alma transitando no c\u00e9rebro pela \u201crede admir\u00e1vel\u201d at\u00e9 atingir a gl\u00e2ndula pineal.<\/p>\n<p>Georg Ernest Stahl (1660-1734), m\u00e9dico e qu\u00edmico alem\u00e3o, chegou a se notabilizar por defender o vitalismo como for\u00e7a propulsora da vida que se manifestava em todos os \u00f3rg\u00e3os. Ele publicou sua\u00a0 \u201cTheoria M\u00e9dica Vera\u201d mostrando que acreditava terem os seres vivos uma \u201canima sensitiva\u201d completamente separada da mat\u00e9ria. Este princ\u00edpio tinha uma conota\u00e7\u00e3o direta com a exist\u00eancia da alma sem a qual n\u00e3o existiria a vida.<\/p>\n<p>Como qu\u00edmico, Stahl se notabilizara por ter criado a teoria do \u201cflog\u00edstico\u201d tentando explicar o fen\u00f4meno da combust\u00e3o pela presen\u00e7a, em certas mat\u00e9rias combust\u00edveis, de uma subst\u00e2ncia que chamou de flog\u00edstico. Esta teoria perdurou at\u00e9 ser descartada definitivamente por Antoine-Laurent Lavoisier (1734-1794).<\/p>\n<p>Em contraposi\u00e7\u00e3o, Frederich Hoffman (1660-1742), defendia uma vis\u00e3o mecanicista que perdura at\u00e9 hoje nos meios acad\u00eamicos, excluindo a exist\u00eancia de qualquer elemento n\u00e3o material para promover o funcionamento de qualquer um dos nossos \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p>No estudo da anatomia, ocorreu uma contribui\u00e7\u00e3o excepcional quando, William Harvey (1578-1657), em 1628, comprovou que o sangue circulava pelas art\u00e9rias e veias bombeado pelo cora\u00e7\u00e3o, ficando estabelecido definitivamente, a partir desta descoberta, o in\u00edcio do parad\u00edgma mecanicista que identificava o corpo humano como uma m\u00e1quina. A partir de ent\u00e3o, esta m\u00e1quina foi montada e desmontada para se conhecer seus componentes e os mecanismos da sua efici\u00eancia.<\/p>\n<p>Foi a partir do discurso dualista e mecanicista de Descartes (1632), que abriu-se a possibilidade de se conhecer os componentes da m\u00e1quina humana com a mesma curiosidade com que se desmontava o maquin\u00e1rio de um rel\u00f3gio de cordas. Descartes equacionou o mundo em duas dimens\u00f5es, a f\u00edsica e a espiritual. A \u201cres extensa\u201d, definia o mundo f\u00edsico, material, inclusive o corpo humano, separados da \u201cres cogitus\u201d que se referia \u00e0 mente e ao esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Os estudos anat\u00f4micos j\u00e1 haviam tido seu in\u00edcio a partir do s\u00e9culo XVI, entrando numa era de observa\u00e7\u00e3o e de comprova\u00e7\u00e3o direta, quando Andr\u00e9 Vesalius (1514-1564), publicou na Basil\u00e9ia, o \u201cDe Humani Corporis Fabrica Septem\u201d (1543) expandindo extraordin\u00e1riamente o estudo da anatomia humana dissecando cad\u00e1veres e se contrapondo ou at\u00e9 mesmo hostilizando os antigos dogmas de Galeno. Entre outras dismistifica\u00e7\u00f5es, ficou demonstrado que n\u00e3o existe a rede admir\u00e1vel no c\u00e9rebro humano.<\/p>\n<p>Como conseq\u00fc\u00eancia da an\u00e1lise direta dos \u00f3rg\u00e3os e de suas doen\u00e7as o corpo humano foi se revelando e, pe\u00e7a por pe\u00e7a, todas suas estruturas foram expostas.<\/p>\n<p>Marcelo Malpighi (1628-1694), ao estudar a anatomia dos \u00f3rg\u00e3os insistia na import\u00e2ncia de se conhecer as \u201cpe\u00e7as do moinho\u201d para como conseq\u00fc\u00eancia vir a descobrir o mecanismo que faria mover este moinho. Ele comprovou a exist\u00eancia dos capilares sang\u00fc\u00edneos e dos alv\u00e9olos pulmonares onde se faziam as trocas gasosas no pulm\u00e3o.<\/p>\n<p>Giovanni Battista Morgani (1682-1771), em 1761, enfatizando seus estudos nas mesas de necr\u00f3psia organizou os prim\u00f3rdios da anatomia patol\u00f3gica publicando em N\u00e1poles seus trabalhos \u201cSulle sedi e le cause delle malatie indagate tramite l\u2019anatomia\u201d<\/p>\n<p>Willian Cullen (1712-1790), publica em 1769 sua Sin\u00f3pse Metodol\u00f3gica Met\u00f3dica onde se introduz pela primeira vez a patologia do Sistema Nervoso na g\u00eanese das doen\u00e7as. Para Cullen a vida estaria sediada no sistema nervoso que quando atuasse de maneira forte as doen\u00e7as seriam esp\u00e1sticas ou quando sua atua\u00e7\u00e3o fosse fraca elas seriam at\u00f4nicas. Cullen \u00e9 tido como o fundador da patologia do sistema nervoso.<\/p>\n<p>Mais tarde, Rudolf Ludwig Virchow (1821-1902), exp\u00f5e as c\u00e9lulas, ampliadas em microsc\u00f3pios, identifica suas patologias e funda os primeiros \u201cArquivos de Anatomia Patol\u00f3gica\u201d propondo fazer da Medicina pr\u00e1tica uma aplica\u00e7\u00e3o da Teoria e, a Teoria uma aplica\u00e7\u00e3o da fisiopatologia. A verdade de qualquer teoria deixava aos poucos de ser a for\u00e7a da palavra dos doutores magistrais que repetiam Galeno para ser encontrada nas mesas frias de necropsia ou na luz esvanecentes dos microsc\u00f3pios.<\/p>\n<p>Quando Robert Hooke (1635-1703) usou pela primeira vez um microsc\u00f3pio para descrever o que via na corti\u00e7a do sobreiro, estava descortinando a intimidade dos tecidos vivos ao confirmar a exist\u00eancia das c\u00e9lulas.<br \/>\nFoi Marie-Fran\u00e7ois Bichat (1771-1802) quem modificou o conceito de par\u00eanquima que caracterizava o interior das v\u00edsceras. Ele utilizou pela primeira vez a express\u00e3o tecidos para descrever a textura dos \u00f3rg\u00e3os registrando 21 variedades de tecidos , que estudou apenas macroscopicamente.<\/p>\n<p>Em 1809, Lorenz Oken (1779-1851), no seu Tratado de Filosofia da Natureza estabeleceu que todo ser vivo \u00e9 constitu\u00eddo de c\u00e9lulas que, na ocasi\u00e3o, ainda eram vistas apenas como uma pequena ves\u00edcula vazia. A Teoria celular e a forma\u00e7\u00e3o dos tecidos ocuparam seu lugar na compreens\u00e3o definitiva do corpo humano.<\/p>\n<p>Ressurge mais tarde uma nova era expandindo extraordinariamente o conhecimento com a retomada sistem\u00e1tica da experimenta\u00e7\u00e3o animal.<\/p>\n<p>Claude Bernard (1813-1878), pioneiro da investiga\u00e7\u00e3o laboratorial, descobre a harmonia do equil\u00edbrio dos l\u00edquidos no organismo enunciando os princ\u00edpios da homeostasia como regra geral para todo ser vivo. Este princ\u00edpio, de conota\u00e7\u00e3o mecanicista, atribui, ao organismo, a tend\u00eancia de manter dentro de si pr\u00f3prio certas condi\u00e7\u00f5es de equil\u00edbrio constantes necess\u00e1rias \u00e0 perpetua\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p>Cada vez mais o laborat\u00f3rio passou a fazer parte da investiga\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina humana, das suas fun\u00e7\u00f5es e dos seus desacertos.<\/p>\n<p>Foi no laborat\u00f3rio, estudando exaustivamente a colora\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas do c\u00e9rebro, que Santiago Ramon y Cajal (1852-1934) e Camilo Golgi (1844-1926) descobriram a exist\u00eancia do neur\u00f4nio como unidade celular do sistema nervoso.<\/p>\n<p>Charles Scott Sherington (1852-1952), fisiologista ingl\u00eas descreveu os efeitos da estimula\u00e7\u00e3o nervosa explicando os reflexos espinhais. Para os vitalistas parecia uma afronta ao livre arb\u00edtrio da consci\u00eancia na atividade motora volunt\u00e1ria.<\/p>\n<p>John C. Eccles (1903-1997), confirmou que na fenda ao n\u00edvel das liga\u00e7\u00f5es entre os neur\u00f4nios conhecida como sin\u00e1pse, s\u00e3o liberadas subst\u00e2ncias qu\u00edmicas, hoje conhecidas como neurotransmissores, as quais permitem que a corrente do est\u00edmulo el\u00e9trico passe de um neur\u00f4nio para outro. Desde ent\u00e3o, a qu\u00edmica cerebral abriu um extenso campo de pesquisa que permitiu o aparecimento da psiquiatria biol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Walter B. Cannon (1871-1945), descreveu a rea\u00e7\u00e3o de alarme desencadeada por est\u00edmulos estressores abrindo campo para a compreens\u00e3o da medicina psicossom\u00e1tica. Aprendemos que todos n\u00f3s temos mecanismos aut\u00f4nomos para as rea\u00e7\u00f5es de defesa ou fuga liberando subst\u00e2ncias que potencializam a contra\u00e7\u00e3o dos m\u00fasculos, aceleram nosso cora\u00e7\u00e3o , direcionam o sangue para as v\u00edsceras e o c\u00e9rebro, amplia a fenda das nossas pupilas e fixa nossa aten\u00e7\u00e3o em qualquer coisa hostil que possa nos amea\u00e7ar.<\/p>\n<p>As rea\u00e7\u00f5es ao estresse, ao mesmo tempo que nos prepara predispondo nossos mecanismos de defesa para fuga ou luta, promovem um desgaste altamente destrutivo para as coron\u00e1rias, para a mucosa do est\u00f4mago, para os br\u00f4nquios, para as supra-renais para o hipot\u00e1lamo e a hip\u00f3fise e in\u00fameras outras estruturas do nosso organismo onde \u00e9 vis\u00edvel seu efeito devastador.<\/p>\n<p>Os segredos da anatomia continuaram sendo revelados, agora em n\u00edvel microsc\u00f3pico, quando, em 1953, J. D.Watson e F.H.C. Crick descobriram que, na intimidade dos n\u00facleos das c\u00e9lulas, os cromossomas eram formados por uma dupla h\u00e9lice de DNA. N\u00e3o se esclareceu a\u00ed a origem da vida, mas, a sua perpetua\u00e7\u00e3o, ou pelo menos, os mosaicos que comp\u00f5em o cen\u00e1rio deste gigantesco quebra cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Com a\u00a0 investiga\u00e7\u00e3o bioqu\u00edmica na intimidade dos neur\u00f4nios, percebeu-se o efeito dos fenotiaz\u00eddicos nas sin\u00e1pses de c\u00e9lulas dos n\u00facleos da base, descortinando-se a qu\u00edmica do nosso psiquismo. A psiquiatria biol\u00f3gica aprendeu que apesar da anatomia do c\u00e9rebro aparentar inteira normalidade, as altera\u00e7\u00f5es nos n\u00edveis de dopamina, serotonina e l\u00edtio justificaticavam a ocorr\u00eancia de quadros mentais na esquizofrenia, na depress\u00e3o e no dist\u00farbio man\u00edaco-depressivo.<\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o da mente ou a casualidade das doen\u00e7as mentais sofreria um reducionismo muito grande se\u00a0 sua interpreta\u00e7\u00e3o ou sua rela\u00e7\u00e3o de causualidade fossem vistas, apenas, pela perturba\u00e7\u00e3o da qu\u00edmica cerebral ou pelo desvio dos engramas montados pelas redes neurais. No entanto, esta interpreta\u00e7\u00e3o, permite uma disposi\u00e7\u00e3o, pelo menos pragm\u00e1tica, para a interpreta\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as mentais e seu poss\u00edvel tratamento.<br \/>\nA partir de 1963 a compreens\u00e3o dos fen\u00f4menos imunol\u00f3gicos permitiu se correlacionar a exist\u00eancia de uma intera\u00e7\u00e3o entre nosso comportamento ps\u00edquico, o sistema de resposta endocrinol\u00f3gico e a produ\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas de defesa imunol\u00f3gica. A psiconeuroimunologia estruturou-se como uma das \u00e1reas mais promissoras da medicina do pr\u00f3ximo mil\u00eanio.<\/p>\n<p>Nos dias atuais, a investiga\u00e7\u00e3o sofisticada da estrutura dos gens e sua participa\u00e7\u00e3o nas doen\u00e7as, especialmente as de car\u00e1ter familiar, est\u00e3o despontando como a maior conquista deste s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Em 1982 o mundo cient\u00edfico se surpreende com as descobertas de Stanley Prusiner que descreveu a exist\u00eancia na intimidade das membranas das c\u00e9lulas nervosas de prote\u00ednas com capacidade de se reproduzirem se autoduplicando, ocorrendo neste local uma forma\u00e7\u00e3o alterada destas prote\u00ednas que se depositam no interior dos neur\u00f4nios provocando uma degenera\u00e7\u00e3o celular acelerada. Este novo agente m\u00f3rbido (prions) foi relacionado com quadros de dem\u00eancias graves.<br \/>\n<b><\/b><\/p>\n<p><b>Anatomia da Mente\u00a0<\/b><\/p>\n<p>O conhecimento da mente merece tamb\u00e9m ser revisto historicamente. Devemos ressaltar por\u00e9m, que, as exig\u00eancias pr\u00e1ticas do cotidiano, mantiveram&amp;nb\u00c5sp; o interesse do homem ligado aos fatos e as coisas externas. O pr\u00f3prio c\u00e9rebro parece estar funcionalmente estruturado para promover uma rea\u00e7\u00e3o imediata do organismo com a finalidade de nos defender de amea\u00e7as do ambiente\u00a0 em que vivemos. Como a prioridade \u00e9\u00a0 a sobreviv\u00eancia, \u00e9 mais apropriado estarmos atentos para compreender tudo que se passa no ambiente que nos cerca. Neste sendo, o desenvolvimento cient\u00edfico privilegiou inicialmente o conhecimento dos objetos a nossa volta ou at\u00e9 mesmo os astros mais distantes.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 vimos, o estudo do corpo humano \u00e9 uma aquisi\u00e7\u00e3o recente na hist\u00f3ria da humanidade.<\/p>\n<p>Por outro lado, uma conjuga\u00e7\u00e3o de diversos fatores parece ter contribu\u00eddo para que a Ci\u00eancia deixasse de lado, por muito tempo e por conta do interesse apenas da Filosofia e da Teologia, o estudo da mente.<\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que para cada um de n\u00f3s, a experi\u00eancia subjetiva seja bastante segura para nos fornecer um conhecimento imediato da realidade interior, o que \u00e9 suficientemente satisfat\u00f3rio para as necessidades do dia a dia. Os temores e os conflitos \u00edntimos podem ser deixado de lado quando a prioridade maior \u00e9 a adapta\u00e7\u00e3o e a sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Os fil\u00f3sofos gregos abordaram com freq\u00fc\u00eancia a exist\u00eancia da alma, a distin\u00e7\u00e3o clara entre o material e o espiritual, a exist\u00eancia do mundo das id\u00e9ias e a sobreviv\u00eancia da alma ap\u00f3s a morte do corpo.<\/p>\n<p>A sugest\u00e3o de S\u00f3crates, \u201cconhe\u00e7a-te a ti mesmo\u201d, \u00e9 um apelo muito forte ao estudo da natureza \u00edntima do nosso ser.<\/p>\n<p>Plat\u00e3o, antecipando a Freud, sugeria que durante o sono a alma tenta retirar-se das influ\u00eancias externas e internas e que nos sonhos s\u00e3o expressos desejos que geralmente n\u00e3o s\u00e3o revelados no estado de vig\u00edlia.<\/p>\n<p>Pit\u00e1goras, acreditava na exist\u00eancia da alma postulando uma exist\u00eancia real para a Psique.<\/p>\n<p>Apesar da vis\u00e3o mecanicista que tentava aplicar a todos os organismos vivos as mesmas explica\u00e7\u00f5es com que compreendiam os fen\u00f4menos f\u00edsicos, os fil\u00f3sofos gregos j\u00e1 compreendiam a percep\u00e7\u00e3o como uma intera\u00e7\u00e3o entre o objeto e o observador.<\/p>\n<p>Da\u00ed resultando que o conte\u00fado das nossas percep\u00e7\u00f5es vai depender tanto da natureza do objeto como igualmente da natureza do observador.<\/p>\n<p>No contexto da dualidade corpo e alma, a proposi\u00e7\u00e3o de Hip\u00f3crates \u00e9 muito atual em rela\u00e7\u00e3o aos paradigmas da psicologia cognitiva dos dia de hoje. Dizia o s\u00e1bio, que os homens deveriam saber que \u201cdo c\u00e9rebro e s\u00f3 do c\u00e9rebro vem nossos prazeres, alegrias, risos e gracejos, assim como nossas tristezas, dores, pesares e l\u00e1grimas&#8230;. em raz\u00e3o do que, eu afirmo que o c\u00e9rebro \u00e9 o int\u00e9rprete da consci\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Na cultura ocidental o dom\u00ednio exclusivo do esp\u00edrito sobre o corpo prevaleceu como dogma at\u00e9 o s\u00e9culo XVII quando o \u201cDiscurso do M\u00e9todo\u201d publicado por Ren\u00e9 Descartes estabeleceu o princ\u00edpio da d\u00favida estimulando o estudo e a compreens\u00e3o do ser humano como uma m\u00e1quina criada de maneira racional e funcional. A dicotomia do dualismo cartesiano, separando o corpo da alma, possibilitou o fortalecimento de uma postura materialista para ci\u00eancia j\u00e1 que atrav\u00e9s das suas experi\u00eancias o s\u00e1bio visava conhecer apenas os fen\u00f4menos pass\u00edveis de serem observados objetivamente.<\/p>\n<p>Uma abordagem, talvez indireta, mas capaz de despertar interesse para uma poss\u00edvel interfer\u00eancia da mente sobre o corpo foi criada por Franz Anton Mesmer (1734-1815) quando em 1775 publicou seus \u201cEscritos sobre a cura magn\u00e9tica\u201d.<\/p>\n<p>Ele j\u00e1 havia relatado em sua tese de 1776 que acreditava na \u201cInflu\u00eancia da gravidade na fisiologia humana atrav\u00e9s de um fluido imaterial ( \u00e9ter, esp\u00edrito sutil, pneuma)\u201d que poderia dar origem a doen\u00e7as e que conseguia revert\u00ea-las com o uso de uma for\u00e7a magn\u00e9tica.<\/p>\n<p>Uma comiss\u00e3o de s\u00e1bios, entre os quais, Benjamin Franklin (1706-1790), n\u00e3o conseguiu confirmar, junto a Mesmer, os efeitos curativos dos fluidos magn\u00e9ticos, mas, desde ent\u00e3o, pode-se perceber que, de alguma maneira, certas pessoas eram mais sens\u00edveis a uma sugestionabilidade induzida por um experimentador.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, a mente de pessoas sadias ou doentes pode ser, de certa forma, manipulada e conduzida por efeito de t\u00e9cnicas de sugest\u00e3o.<\/p>\n<p>James Braid (1795-1861), cirurgi\u00e3o ingl\u00eas, assistiu em Manchester, em 1840, uma impressionante demonstra\u00e7\u00e3o de hipnose que ele soube antever a import\u00e2ncia e sua aplica\u00e7\u00e3o no al\u00edvio da dor. Estudando o fen\u00f4meno ele publicou o \u201cNeurohypnology. The Rationale of Nervous Sleep, considered in relation with animal magnetism\u201d.<\/p>\n<p>Foi, porem, em Nancy, na Fran\u00e7a, que a hipnose recebeu aplica\u00e7\u00e3o no campo da neuropsiquiatria. Hypolithe Bernheim (1840-1919) e Ambroise-August Libeaut (1823-1904), por volta de 1870, difundiram na escola de Nancy, o conceito de hipnose como uma manifesta\u00e7\u00e3o da sugestionabilidade humana suscept\u00edvel de ser mobilizada em todas as pessoas. Esta concep\u00e7\u00e3o contribuiu para o desenvolvimento do conceito de transfer\u00eancia estudado alguns anos depois na psican\u00e1lise freudiana.<\/p>\n<p>Enquanto isto, o eminente neurologista da Piti\u00e9 Salp\u00eatri\u00e8re, Jean Martin Charcot (1825-1893), aplicava a hipnose na condu\u00e7\u00e3o de suas pacientes com histeria, fazendo supor que a hipnose era uma condi\u00e7\u00e3o m\u00f3rbida induzida apenas artificialmente como compensa\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas particulares das hist\u00e9ricas.<\/p>\n<p>A neuropsiquiatria passou a se aprofundar no estudo indireto da mente humana ao correlacionar os achados da fisiologia cerebral que come\u00e7ava a esclarecer o funcionamento do c\u00e9rebro e suas rela\u00e7\u00f5es com os comportamentos psicol\u00f3gicos. Assim \u00e9 que, a partir de 1796, Franz Joseph Gall (1758-1828), torna-se um dos pioneiros no desenvolvimento de uma teoria localizacionista para o c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>Gall criou a frenologia visando estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o entre os comportamentos psicol\u00f3gicos como, por exemplo, a benevol\u00eancia, a firmeza, a cautela, a combatividade, a venera\u00e7\u00e3o e a imita\u00e7\u00e3o, com as sali\u00eancias cranianas externas. Palpando o cr\u00e2nio de uma crian\u00e7a, seria poss\u00edvel, por exemplo, predizer seu futuro em termos de sucesso escolar. Esta hip\u00f3tese, com o decorrer do tempo, se mostrou totalmente incorreta caindo no rid\u00edculo do anedot\u00e1rio e da charlatanice. Teve o m\u00e9rito, por\u00e9m, de sugerir a possibilidade de que as fun\u00e7\u00f5es cerebrais e psicol\u00f3gicas ocupariam \u00e1reas distintas e espec\u00edficas no c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>Cesare Lombroso (1835-1909), seguindo uma linha de pesquisa semelhante, propunha encontrar em caracter\u00edsticas f\u00edsicas, os tra\u00e7os de pressupostos comportamentos psicol\u00f3gicos.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estudando as express\u00f5es da fisionomia de criminosos, supunha que o indiv\u00edduo nascia predisposto ao crime pelas caracter\u00edsticas morfofision\u00f4micas que traziam como heran\u00e7a. Lombroso, publicou \u201cO Homem Delinquente\u201d em 1893 criando a antropologia do crime, que, tamb\u00e9m, se mostrou mais tarde, totalmente inconsistente.<\/p>\n<p>Mesmo assim, perdurou por muitos anos a id\u00e9ia da exist\u00eancia de uma\u00a0 \u201cpersonalidade criminosa\u201d ou mesmo uma \u201cpersonalidade epil\u00e9ptica\u201d e suas rela\u00e7\u00f5es com a apar\u00eancia f\u00edsica. Nos dias de hoje, est\u00e3o superados a no\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de uma personalidade epil\u00e9ptica e muito menos de que express\u00f5es faciais possam induzir a diagn\u00f3stico de comportamentos patol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Mais tarde, o cirurgi\u00e3o e antrop\u00f3logo frances, Pierre Paul Broca, (1824-1880), em 1862, descobre no c\u00e9rebro de um paciente internado na Piti\u00e9 Salp\u00eatri\u00e8re que, a impossibilidade que este paciente tinha de falar, era decorrente de uma les\u00e3o localizada no p\u00e9 da circunvolu\u00e7\u00e3o frontal inferior no hemisf\u00e9rio esquerdo. Descoberta a \u00e1rea da express\u00e3o da fala, toda uma neurologia localizacionista se estabelece rapidamente tentando mapear o c\u00e9rebro em termos funcionais e anat\u00f4micos montando um mosaico de fun\u00e7\u00f5es cada vez mais complexo. Carl Wernicke (1848-1905), criou o conceito de domin\u00e2ncia cerebral em que o hemisf\u00e9rio esquerdo do c\u00e9rebro exerceria um predom\u00ednio de atividades em rela\u00e7\u00e3o ao hemisf\u00e9rio direito por estar ligado principalmente `a linguagem e \u00e0 destreza da m\u00e3o. Em 1874, ele publicou um livro sobre afasia, descrevendo uma \u00e1rea relacionada com a compreens\u00e3o da linguagem falada localizada na regi\u00e3o parietal esquerda. Wernicke, acreditava que as doen\u00e7as mentais e os dist\u00farbios emocionais tinham rela\u00e7\u00f5es com as condi\u00e7\u00f5es e dist\u00farbios neurol\u00f3gicos dos pacientes. Ele descreveu um quadro psic\u00f3tico associado \u00e0 abstin\u00eancia alco\u00f3lica conhecida como \u201cdelirium tremens\u201d. A batalha do dilema c\u00e9rebro-mente parecia ter sido fragorosamente vencida pelos organicistas.<\/p>\n<p>O estudo fragmentado das fun\u00e7\u00f5es cerebrais, dava a id\u00e9ia de um c\u00e9rebro organizado como um mosaico de pe\u00e7as complexas e, competia ao neurologista desvendar este quebra cabe\u00e7a para encontrar o segredo da esfinge.<\/p>\n<p>A partir de 1930, a escola neurol\u00f3gica de Moscou, sistematizando avalia\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica de pacientes com les\u00f5es cerebrais decorrentes de ferimentos de guerra, prop\u00f4s a concep\u00e7\u00e3o de atividades cerebrais hierarquizadas em tr\u00eas sistemas funcionais complexos.<\/p>\n<p>Esta vis\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es cerebrais organizadas em sistemas, foi desenvolvida por Pioter Kuzmitch Anokhin e Aleksandr Romanovich L\u00faria (1902-1977), persistindo at\u00e9 os dias de hoje, permitindo ao neurologista compreender o c\u00e9rebro como que organizado em m\u00f3dulos de fun\u00e7\u00f5es interrelacionadas e n\u00e3o em subdivis\u00f5es de limites mais ou menos distintos entre si como se pensava no passado.<\/p>\n<p>As engrenagens de um m\u00f3dulo participam de alguma maneira, atrav\u00e9s de fibras de associa\u00e7\u00e3o, das fun\u00e7\u00f5es de um outro m\u00f3dulo. A palavra chave para esta compreens\u00e3o \u00e9 de intera\u00e7\u00e3o entre as diversas fun\u00e7\u00f5es. A mente \u00e9 vista, ent\u00e3o, como uma propriedade emanente desta intera\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A par da evolu\u00e7\u00e3o relacionada com o conhecimento do c\u00e9rebro, desenvolvida pela neurologia na segunda metade do s\u00e9culo passado, inaugurou-se uma investiga\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria da natureza \u00edntima do ser humano, com as descobertas de Sigmund Freud (1886-1939). Este m\u00e9dico vienense, freq\u00fcentador da escola neurol\u00f3gica de Charcot e conhecedor dos avan\u00e7os da hipnose da escola de Lyon, pode desenvolver uma Teoria da psiqu\u00e9 estudando os quadros de neuroses de seus pacientes. Ele sugeriu uma organiza\u00e7\u00e3o para o nosso aparelho ps\u00edquico, esclareceu a natureza do inconsciente, sua import\u00e2ncia na determina\u00e7\u00e3o das nossas condutas e os m\u00e9todos para desvendar as mensagens sutis amortecidas por este inconsciente.<\/p>\n<p>Para Freud, o inconsciente retem os nossos desejos que n\u00e3o podem ser expressos na consci\u00eancia devido a censura \u00e9tica e moral a que est\u00e3o submetidos.<\/p>\n<p>Estudando os sonhos, Freud pode revelar que eles contem mensagens simb\u00f3licas que revelam o conte\u00fado destes desejos reprimidos no inconsciente.<\/p>\n<p>Criada a escola psicanal\u00edtica, diversos seguidores de Freud, como Alfred Adler (1870-1937) e Carl Gustav Jung (1875-1961) entre outros, expandiram e modificaram o pensamento freudiano mas sempre considerando a exist\u00eancia de uma energia ps\u00edquica nas atitudes e na motiva\u00e7\u00e3o dos nossos comportamentos.<\/p>\n<p>A complexidade do psiquismo humano ainda n\u00e3o encontrou na Ci\u00eancia uma Teoria suficientemente ampla para abranger toda extens\u00e3o de suas propriedades.<\/p>\n<p>Mas, se partirmos da id\u00e9ia de termos progredido muito com o que Freud nos esclareceu sobre o inconsciente, podemos anotar, tamb\u00e9m, que tanto pelo estudo do anat\u00f4mico do c\u00e9rebro como de suas fun\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas, parece que o conhecimento cient\u00edfico est\u00e1 de certa maneira montando as partes deste enigma que vai nos esclarecer se a mente \u00e9 resultado deste aglomerado de fragmentos ps\u00edquicos ou \u00e9 uma entidade aut\u00f4noma e ordenadora de todos os fen\u00f4menos\u00a0 neuropsicol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Assim, podemos anotar que al\u00e9m do inconsciente j\u00e1 temos estudos consistente sobre a neurologia das emo\u00e7\u00f5es, sobre a intelig\u00eancia, sobre a fisiologia da consci\u00eancia, sobre os comportamentos condicionados, sobre a desconex\u00e3o dos hemisf\u00e9rios cerebrais.<\/p>\n<p>Ivan Petrovich Pavlov, (1849-1940) um fisiologista russo, estudando a produ\u00e7\u00e3o de secre\u00e7\u00e3o g\u00e1strica em c\u00e3es, comprovou que esta secre\u00e7\u00e3o poderia ser obtida com a simples presen\u00e7a do alimento ou, com a participa\u00e7\u00e3o de est\u00edmulos previamente condicionados com o momento da alimenta\u00e7\u00e3o. Ao se tocar uma campainha quando o c\u00e3o recebia um peda\u00e7o de carne ele estava sendo propositadamente condicionado a produzir secre\u00e7\u00e3o no est\u00f4mago sempre que via a carne ou, simplesmente, quando ouvia a campainha tocar. A partir da\u00ed, o experimento de Pavlov mostrou, tamb\u00e9m que, a psicologia poderia estudar os comportamentos humanos a partir de experimenta\u00e7\u00f5es objetivas em laborat\u00f3rios. Uma an\u00e1lise mais profunda do nosso cotidiano pode nos revelar, facilmente, que a todo instante estamos nos condicionando a procedimentos pr\u00e9-determinados pela cultura e pela sociedade.<\/p>\n<p>Willian James (1842-1910), fundador da psicologia americana, deu \u00eanfase ao car\u00e1ter altamente pessoal dos processos do pensamento, ao car\u00e1ter sempre mut\u00e1vel das percep\u00e7\u00f5es, que seriam alteradas pelo estado subjetivo da pessoa que percebe. Ele acreditava numa \u201ccorrente da consci\u00eancia\u201d compreendendo que os conte\u00fados mentais n\u00e3o s\u00e3o est\u00e1ticos e desconexos ,mas sim, resultavam de uma atividade organizadora, din\u00e2mica da mente considerando que os processos mentais servem aos interesses dos organismos vivos. A no\u00e7\u00e3o de fluxo da consci\u00eancia proposta por Willian James perdura at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>G. Moruzzi e H.W. Magoun, descreveram a implica\u00e7\u00e3o da subst\u00e2ncia reticular na manuten\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia. Ela \u00e9 uma rede de pequenos neur\u00f4nios situada na intimidade do dienc\u00e9falo e do tronco cerebral e quando \u00e9 lesada ocorre perda parcial ou total da consci\u00eancia. Apenas neste n\u00edvel da subst\u00e2ncia reticular se pode afetar a nossa consci\u00eancia em termos neurol\u00f3gicos. Magoun, em 1958 publicou O C\u00e9rebro Desperto onde estudou o processo envolvido na manuten\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o e do estado de consci\u00eancia.<\/p>\n<p>James Papez, (1883-1958), nos Estados Unidos, estudando o c\u00e9rebro de pacientes que faleceram vitimados pelo v\u00edrus da raiva, encontrou les\u00f5es ao n\u00edvel do corno de Arnon no lobo temporal e, com seus estudos, descobriu as estruturas anatomicamente ligadas as emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O c\u00e9rebro emocional inclui o giro c\u00edngulo, o hipocampo, as am\u00edgdalas do lobo temporal como elementos mais destacados. Este conjunto \u00e9 reunido com o nome de Sistema L\u00edmbico e organiza todos nossos comportamentos emocionais mais corriqueiros.<\/p>\n<p>Jean Piajet (1896-1980), um eminente psic\u00f3logo su\u00ed\u00e7o, observando cuidadosamente o desenvolvimento dos seus pr\u00f3prios filhos, demonstrou que a intelig\u00eancia se adquire em fases ou etapas que se caracterizam por estrat\u00e9gias espec\u00edficas que a crian\u00e7a usa para solucionar suas dificuldades e alcan\u00e7ar seus objetivos.<\/p>\n<p>O desenvolvimento da intelig\u00eancia, assim como, de todas as outras fun\u00e7\u00f5es cognitivas, esta ligado ao aprendizado fornecido pela experi\u00eancia que o ambiente favorece, e a um desenvolvimento, ou uma matura\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do sistema nervoso que Arnold L. Guesel (1881-1961) entende como decorrente da mieliniza\u00e7\u00e3o do sistema nervoso.<\/p>\n<p>Roger W. Sperry, um dos ganhadores do Nobel de medicina (1981), fez descobertas extraordin\u00e1rias em pacientes com o \u201cc\u00e9rebro dividido\u201d, nos quais, uma les\u00e3o tumoral ou cir\u00fargica tinha seccionado o corpo caloso. A partir dos seus testes se pode comprovar a distin\u00e7\u00e3o entre as fun\u00e7\u00f5es do hemisf\u00e9rio esquerdo do c\u00e9rebro e o direito. Enquanto o lado esquerdo se caracteriza pelo uso de racioc\u00ednios l\u00f3gicos o lado direito tem uma vis\u00e3o emocional e hol\u00edstica do mundo. Com freq\u00fc\u00eancia h\u00e1 um certo abuso na defini\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es de um e outro hemisf\u00e9rio induzindo-nos a crer na exist\u00eancia de personalidades diferentes para cada um dos lados. O que h\u00e1, na verdade, s\u00e3o estrat\u00e9gias de organiza\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es que tornam distintos um hemisf\u00e9rio do outro.<\/p>\n<p>Os neuropsicologistas de hoje, no cap\u00edtulo das fun\u00e7\u00f5es cognitivas, apesar de se interessarem pela abordagem dos fen\u00f4menos mentais, s\u00f3 procuram investigar aqueles que objetivamente se pode observar, ignorando-se assim as caracter\u00edsticas essenciais da mente. Para eles, os fen\u00f4menos mentais s\u00e3o causados por processos neurofisiol\u00f3gicos no c\u00e9rebro, e s\u00e3o, eles pr\u00f3prios caracter\u00edsticas do c\u00e9rebro. Intuitivamente sabemos que nossas experi\u00eancias mentais n\u00e3o podem ser transmitidas integralmente para terceiros.<\/p>\n<p><b>\u00a0\u00a0 Paradigma Esp\u00edrita\u00a0<\/b><\/p>\n<p>No contexto da abordagem que fizemos sobre o corpo e a mente, sobressai um processo cont\u00ednuo de desenvolvimento do conhecimento em cada uma destas \u00e1reas. Resta-nos saber se a ci\u00eancia oficial\u00a0 j\u00e1 percebe uma proposi\u00e7\u00e3o predeterminada para justificar o papel do nosso corpo e o significado da nossa mente.<\/p>\n<p>No paradigma esp\u00edrita, compreendemos que somos seres espirituais, que nossa mente \u00e9 a express\u00e3o dessa entidade fundamental que produz a energia imaterial criadora das nossas id\u00e9ias.<\/p>\n<p>O corpo \u00e9 instrumento da nossa vontade, que nos permite viver a experi\u00eancia f\u00edsica no mundo em que vivemos. Ambos, mente e corpo, est\u00e3o submetidos a Leis de progresso incessante para todos.<\/p>\n<p>O corpo \u00e9 perec\u00edvel, enquanto, a mente, como express\u00e3o da nossa alma, sobrevive \u00e0 morte e renova suas experi\u00eancias na dimens\u00e3o f\u00edsica e nos planos espirituais.<\/p>\n<p>O pensamento \u00e9 energia que expressa nossos desejos. Somos sensibilizados por est\u00edmulos externos que desencadeiam percep\u00e7\u00f5es cerebrais de v\u00e1rios matizes. As cores, os sons, os sabores ou os afetos geram em n\u00f3s sensa\u00e7\u00f5es que\u00a0 despertam desejos, criam id\u00e9ias e organizam pensamentos que expressamos pela linguagem. Esta experi\u00eancia sensorial nos permitiu desenvolver reflexos, h\u00e1bitos, instintos, automatismos, discernimento, racioc\u00ednio e, finalmente, a intelig\u00eancia e a consci\u00eancia de si mesmo num processo evolutivo do ser unicelular ao homem com seus bilh\u00f5es de neur\u00f4nios.\u00a0\u00a0 Por efeito das vibra\u00e7\u00f5es que emitimos ao pensar, estamos obrigatoriamente ligados, por sintonia mental, \u00e0 todas as criaturas que no mundo inteiro pensam como n\u00f3s.<\/p>\n<p>O conte\u00fado de qualquer pensamento materializa id\u00e9ias, em formas-mentais, que nos acompanham como uma atmosfera ps\u00edquica. Somos os respons\u00e1veis diretos por este ambiente ps\u00edquico que criamos as custas dos nossos desejos.<\/p>\n<p>Somos livres para pensar e induzir aos outros a pensarem como n\u00f3s. Porem, somos escravos das id\u00e9ias que fixamos para n\u00f3s mesmos e das sugest\u00f5es que nos incomodam.<\/p>\n<p>O nosso corpo material \u00e9 constitu\u00eddo de c\u00e9lulas que se aglutinam sobre o comando da mente que reflete sobre elas as vibra\u00e7\u00f5es das id\u00e9ias que produz. Portanto, o nosso organismo, \u00e9 reflexo da vida mental que elaboramos para n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>Cada um de n\u00f3s recebe para nascer e viver, de acordo com seus compromissos, uma cota de vitalidade por conta do \u201cprinc\u00edpio vital\u201d que \u00e9 fonte de energia divina que sustentar\u00e1 a vida org\u00e2nica dentro do prazo que nos for concedido viver.<\/p>\n<p>A intera\u00e7\u00e3o entre a mente e o corpo \u00e9 processada por um corpo energ\u00e9tico intermedi\u00e1rio, o corpo espiritual, que \u201cprocessa\u201d a energia do esp\u00edrito no tom adequado para ser decodificada pela c\u00e9lula do corpo f\u00edsico.<\/p>\n<p>Todas nossas atitudes implementam mem\u00f3rias no corpo espiritual, que, boas ou m\u00e1s, v\u00e3o repercutir na estrutura\u00e7\u00e3o de novos corpos que vamos ocupar no futuro. Assim, as les\u00f5es cong\u00eanitas s\u00e3o reflexos de n\u00f3s mesmos ao permitirmos desvios graves de conduta como o suic\u00eddio, o aborto ou a viol\u00eancia com o pr\u00f3ximo, repercutindo inexoravelmente em n\u00f3s mesmos exigindo mais tarde, resgate e regenera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As doen\u00e7as do corpo ou da alma, s\u00e3o processos de aprendizado e ilumina\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p align=\"center\">\u00a0<b><i>(Artigo reproduzido do\u00a0<\/i><\/b><a href=\"http:\/\/www.geocities.com\/nubor_facure\/\" target=\"_blank\"><b><i>site do autor<\/i><\/b><\/a><b><i>\u00a0com a sua autoriza\u00e7\u00e3o)<\/i><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nubor Orlando Facure \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0 Anatomia do Corpo\u00a0 O conhecimento sistematizado do corpo humano s\u00f3 foi poss\u00edvel ap\u00f3s o fim da Idade M\u00e9dia com o rompimento de amarras dogm\u00e1ticas dentro da pr\u00f3pria medicina e, com as contribui\u00e7\u00f5es &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/a-conquista-do-corpo-e-da-mente\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1,23],"tags":[],"class_list":["post-963","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-ciencia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/963","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=963"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/963\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=963"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=963"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=963"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}