{"id":9890,"date":"2020-10-20T09:14:57","date_gmt":"2020-10-20T11:14:57","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=9890"},"modified":"2020-10-20T09:14:57","modified_gmt":"2020-10-20T11:14:57","slug":"sobre-abortos-e-abortos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/sobre-abortos-e-abortos\/","title":{"rendered":"SOBRE ABORTOS E ABORTOS"},"content":{"rendered":"<h2>SOBRE ABORTOS E ABORTOS<\/h2>\n<p>Marcelo Teixeira<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-uEbaMHcbTIg\/X29wONvAsMI\/AAAAAAAARhI\/pB_hytARiLQXnhWxeod0BSoqRy3g-8J9wCLcBGAsYHQ\/w640-h320\/planoly.png\" width=\"255\" height=\"128\" \/><\/p>\n<p>J\u00falia foi minha colega de trabalho. Quando ela ingressou na empresa, estava vindo de uma fase de desemprego. Meses depois, ela engravidou do quarto filho, que nasceu em novembro, lembro at\u00e9 hoje. Ap\u00f3s a licen\u00e7a-maternidade, voltou com mil hist\u00f3rias para contar sobre a menina que tinha nascido para dar mais cor \u00e0 vida dela, do marido e dos tr\u00eas filhos mais velhos \u2013 duas meninas e um menino.<\/p>\n<p>Certa vez, quando almo\u00e7\u00e1vamos juntos, ela me perguntou sobre a vis\u00e3o esp\u00edrita do aborto. Disse, ent\u00e3o, que o aborto n\u00e3o convinha porque o esp\u00edrito se liga ao feto no momento em que \u00f3vulo e espermatozoide se encontram, que j\u00e1 h\u00e1 vida plena no embri\u00e3o etc. J\u00falia, ent\u00e3o, para o meu espanto, come\u00e7ou a chorar. E de remorso. Motivo: ela havia feito um aborto na \u00e9poca em que estava desempregada. Detalhe: o marido tamb\u00e9m estava sem trabalho. Desesperados, com or\u00e7amento apertado e tr\u00eas filhos para criar, acabaram optando pela interrup\u00e7\u00e3o da gravidez do quarto rebento. Disse a ela para ficar tranquila. Afinal, tempos depois de ela e o marido terem voltado a trabalhar, engravidara novamente e tivera a crian\u00e7a. A meu ver, os amigos espirituais haviam compreendido o sufoco material que a fam\u00edlia atravessava e resolveram dar uma chance at\u00e9 a situa\u00e7\u00e3o se recompor. Como ambos j\u00e1 estavam reinseridos no mercado de trabalho, nova gravidez acontecera e aquele esp\u00edrito que tanto queria reencarnar havia tido o t\u00e3o esperado ensejo. Ao saber disso, J\u00falia compreendeu a grandeza das leis de amor que regem o universo, respirou aliviada e almo\u00e7ou em paz. E at\u00e9 onde eu percebera, dera adeus ao remorso.<\/p>\n<p>Clarice estava gr\u00e1vida do primeiro filho. Quarto decorado, enxoval comprado. Seria tamb\u00e9m o primeiro neto de ambos os lados do casal. Por isso, os pais, os sogros, os irm\u00e3os e os cunhados de Clarice enchiam-na de mimos. S\u00f3 que o menino nasceu com s\u00e9rios problemas e durou pouqu\u00edssimas horas. Luto na fam\u00edlia! Frustra\u00e7\u00e3o geral! Clarice entrava no quartinho que seria do beb\u00ea e come\u00e7ava a chorar. S\u00f3 que, em dado momento, deu-se conta que estava viva, era mo\u00e7a, tinha um marido e uma carreira e seguiu adiante, na certeza de que engravidaria novamente. E engravidou! S\u00f3 que, por volta do terceiro m\u00eas, teve rub\u00e9ola, doen\u00e7a que costuma acarretar malforma\u00e7\u00f5es no feto, microcefalia, surdez, cegueira\u2026 Alguns familiares come\u00e7aram a falar em aborto. Clarice e o marido, no entanto, resolveram dar uma chance \u00e0 crian\u00e7a. Ela viria ao mundo e seria amada do jeito que viesse! E nasceu uma menina com uma anomalia m\u00ednima: um dedo faltando em uma das m\u00e3os. Somente isso! Depois dela, o casal teve mais dois filhos. A primog\u00eanita, hoje, \u00e9 uma profissional liberal e m\u00e3e de fam\u00edlia. E quase ningu\u00e9m percebe que ela tem quatro dedos na m\u00e3o esquerda. Ou ser\u00e1 na direita? Nem sei, pois nunca prestei aten\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Val\u00e9ria tinha dois anos de casada quando o marido precisou viajar para o exterior a trabalho. Anos 60 do s\u00e9culo XX, muitas novidades acontecendo pelo mundo. O marido estava em ascens\u00e3o na empresa, e o ensejo de passar seis meses na matriz, na Europa, faria com que ele voltasse ocupando um cargo melhor, o que seria \u00f3timo para a vida do casal.<\/p>\n<p>S\u00f3 que, um m\u00eas ap\u00f3s a viagem, Val\u00e9ria foi assaltada e estuprada. E descobriu-se gr\u00e1vida tempos depois! Apesar de estarmos na d\u00e9cada dos hippies, dos Beatles e afins, a tradicional fam\u00edlia brasileira de ent\u00e3o jogava (e ainda joga) a culpa na mulher. Os pais e sogros de Val\u00e9ria eram bem r\u00edgidos, e ela n\u00e3o contara a ningu\u00e9m que havia sido estuprada, tamanha a vergonha! Como contar agora que engravidara! Como explicar ao marido o ocorrido quando ele retornasse? Como justificar a barriga de gr\u00e1vida que fatalmente apareceria? Ele acreditaria que a esposa havia sido v\u00edtima de um assalto seguido de estupro? Como provar?<\/p>\n<p>Desesperada e sozinha, Val\u00e9ria recorreu ao aborto. Apesar do procedimento agressivo e traum\u00e1tico, respirou aliviada. Tempos depois de o marido ter regressado, Val\u00e9ria engravidou da primeira filha. Um menino e outra menina vieram nos anos subsequentes. Quando Val\u00e9ria contou essa hist\u00f3ria ao marido, ambos j\u00e1 estavam na casa dos 50 anos. Abra\u00e7aram-se emocionados, e ele entendeu perfeitamente a dor, a ang\u00fastia e a solid\u00e3o pelas quais a amada passara. Seguiram felizes, com o amor fortalecido.<\/p>\n<p>A gravidez de primeira viagem havia chegado para Marisa. Muita esperan\u00e7a e alegria entre ela e o amado. Jovem e professora de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, ela sabia o que era preciso para manter o corpo saud\u00e1vel. Por isso, exercitava-se e mantinha uma alimenta\u00e7\u00e3o balanceada. Tudo para manter a pr\u00f3pria sa\u00fade e a do beb\u00ea. Subitamente, aos tr\u00eas meses de gravidez, Marisa teve um sangramento intenso. A fam\u00edlia correu com ela para o hospital, mas n\u00e3o teve jeito. Aborto espont\u00e2neo.<\/p>\n<p>A vontade que Marisa sentiu nos primeiros dias depois da alta hospitalar foi de nunca mais sair de casa. Queria ficar no quarto, deitada. As for\u00e7as lhe faltavam. Incentivada pela fam\u00edlia e amigos, ela foi retomando o ritmo das atividades e recuperou a alegria de viver. Ao comentar comigo o acontecido, observou que a imin\u00eancia da perda do filho fora, at\u00e9 ent\u00e3o, a dor mais aguda que sentira. E completou: \u2013 Se eu, que sofri um aborto espont\u00e2neo, experimentei uma agonia indescrit\u00edvel a caminho do hospital, fico imaginando a dor moral pela qual passa a mulher que se dirige rumo a um aborto decidido por ela pr\u00f3pria. Um aborto que ela far\u00e1 por estar sozinha, desesperada, sem condi\u00e7\u00f5es de criar a crian\u00e7a, pressionada ou abandonada pelo companheiro. Nenhuma mulher que tomou a decis\u00e3o de fazer um aborto encara o procedimento como se fosse uma cirurgia corriqueira. A dor moral que senti ante o aborto espont\u00e2neo que sofri foi intensa, mas a dor que uma mulher que opta pela interrup\u00e7\u00e3o proposital da gravidez deve ser bem pior. Pensei, ent\u00e3o, com os meus bot\u00f5es: \u2013 Ainda mais se levarmos em conta o local e as condi\u00e7\u00f5es em que tudo \u00e9 feito.<\/p>\n<p>Estas s\u00e3o apenas quatro hist\u00f3rias que mostram como \u00e9 complexa para a mulher a quest\u00e3o do aborto. Mostram tamb\u00e9m, como j\u00e1 observado em outro artigo de minha autoria, que um aborto nunca \u00e9 igual a outro. Por isso, n\u00e3o d\u00e1 para analis\u00e1-los sob a mesma \u00f3tica. Muito menos julg\u00e1-los.<\/p>\n<p>Se para n\u00f3s, m\u00edseros humanos imortais, essa premissa precisa prevalecer, imaginem para Deus, que \u00e9 amor, conforme a bela e exata defini\u00e7\u00e3o do ap\u00f3stolo Jo\u00e3o. Se Deus \u00e9 amor, ele n\u00e3o condena, n\u00e3o julga, n\u00e3o discrimina, n\u00e3o castiga. Nem perdoar ele perdoa, pois, para perdoar, ele precisa ter se ofendido. Mas como Deus n\u00e3o \u00e9 uma pessoa, e sim uma for\u00e7a maior que n\u00e3o cabe dentro da estreiteza do nosso racioc\u00ednio, ele apenas ama!<\/p>\n<p>A Provid\u00eancia Divina, uma esp\u00e9cie de sistema operacional do Criador, entendeu a ang\u00fastia de J\u00falia e lhe possibilitou, em nova gravidez, receber a menina que fora abortada porque ela e o marido estavam em situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil. Tamb\u00e9m consolou Clarice quando da perda do primeiro filho e incentivou-a a levar a segunda gravidez a termo. Tamb\u00e9m deu a m\u00e3o \u00e0 Val\u00e9ria no momento de decis\u00e3o t\u00e3o dif\u00edcil, entendendo-lhe os motivos e possibilitando, mais adiante, o ensejo de ter tr\u00eas filhos com o homem que amava. E finalmente, amparou Marisa no momento do aborto espont\u00e2neo e deu-lhe for\u00e7as para reerguer-se, preparando-a, futuramente, para ser m\u00e3e.<\/p>\n<p>Deus age de forma diferente por diversas formas e circunst\u00e2ncias. Conhece nossas for\u00e7as e fraquezas, ampara-nos nos momentos de dor, entende nossas limita\u00e7\u00f5es e nos d\u00e1 o ensejo de refazermos a jornada.<\/p>\n<p>Por mais duras que sejam as cr\u00edticas dos homens e os preceitos dessa ou daquela religi\u00e3o acerca do aborto, tenhamos em mente que Deus conhece intimamente cada um de n\u00f3s. E que, quando muitos nos apedrejam e nos ferem, \u00e9 ele que nos abra\u00e7a e restaura nossas for\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Marcelo Teixeira<br \/>\nFonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/blogabpe.org\/\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Pediatria Espirita (ABPE)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SOBRE ABORTOS E ABORTOS Marcelo Teixeira J\u00falia foi minha colega de trabalho. Quando ela ingressou na empresa, estava vindo de uma fase de desemprego. Meses depois, ela engravidou do quarto filho, que nasceu em novembro, lembro at\u00e9 hoje. 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