Espiritismo e a questão da moralidade nas novas práticas de entretenimento

Ludmila Rosa

Nos dias atuais, o entretenimento desempenha um papel central na vida de muitas pessoas, especialmente no público jovem. Filmes, séries, jogos digitais e redes sociais se tornaram fontes de informação, lazer e até de influência. Contudo, à medida que essas práticas se expandem e se diversificam, surgem questionamentos sobre a moralidade envolvida nessas produções e interações, especialmente sob a ótica do Espiritismo. O que Allan Kardec nos ensinou sobre moralidade, e como isso se aplica às novas formas de entretenimento? Vamos refletir sobre isso.

 

A Moralidade Segundo Allan Kardec

 

Allan Kardec, em sua vasta obra sobre o Espiritismo, define a moralidade como o conjunto de princípios que regulam as relações humanas, baseados no amor ao próximo, na caridade, na justiça e na verdade. Em livros como O Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec destaca que a moral espírita não é apenas um código de conduta, mas sim um caminho de evolução espiritual. A verdadeira moralidade está ligada à transformação íntima do ser humano, buscando sempre o bem e o crescimento do Espírito. Na questão 629 encontrada em O Livro dos Espíritos temos a definição da moral:

 

“A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da Lei de Deus. O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a Lei de Deus” (KARDEC, 2022, p. 243-244).

 

De acordo com o Codificador, a moral deve ser compreendida em um nível mais profundo, pois não se trata de simples normas sociais ou comportamentais, mas da vibração de nosso Espírito em relação ao mundo e ao próximo. A moral, portanto, deve orientar as escolhas que fazemos, inclusive naquilo que consumimos para o nosso entretenimento.

 

O Impacto das Novas Práticas de Entretenimento

 

Com o advento das novas tecnologias, o consumo de entretenimento tem sido cada vez mais acessível e onipresente. Jogos eletrônicos com temas de violência, filmes com conteúdos que abordam temas pesados e até as redes sociais, com suas influências constantes, são apenas alguns exemplos de como as novas práticas de entretenimento moldam a mente e a alma das pessoas, principalmente das mais jovens.

 

É nesse cenário que surge o grande desafio moral: como as escolhas que fazemos no consumo dessas novas formas de entretenimento refletem nossa evolução espiritual? Allan Kardec nos ensina que tudo aquilo que nos afasta do bem, da paz e do equilíbrio espiritual pode prejudicar nossa jornada de evolução. O grande risco que surge é que muitas vezes as produções contemporâneas não nos convidam à reflexão ou ao crescimento, mas sim ao imediatismo, à violência e ao vazio existencial.

 

Kardec em O Livro dos Espíritos pergunta como distinguir o bem do mal (questão 630), e a resposta vem certeira a fim de não deixar dúvidas:

 

“O bem é tudo o que é conforme a Lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é contrário. Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a Lei de Deus. Fazer o mal é infrin­gi-la” (KARDEC, 2022, p. 244).

 

Sabendo fazer essa distinção é possível filtrar o que vale a pena, pois nem todo entretenimento é negativo. O Espiritismo não condena as formas de lazer, mas convida seus seguidores a refletirem sobre o impacto dessas práticas em sua evolução moral e espiritual. O conteúdo que consumimos deve ser avaliado com base em sua capacidade de agregar valores positivos, como o amor, a solidariedade, a empatia e o respeito mútuo.

 

A Moralidade nas Redes Sociais e Jogos Digitais redes sociais se tornaram um dos maiores fenômenos de entretenimento da atualidade. Elas oferecem um vasto espaço para interação, mas também para comportamentos superficiais e até destrutivos. As comparações, a busca por validação e a propagação de padrões de beleza e de vida idealizada são apenas alguns exemplos de como as redes sociais podem afetar nossa autoestima e nosso equilíbrio espiritual.

 

A moral espírita sugere que devemos buscar nos relacionar de maneira mais saudável e construtiva. Em vez de alimentar as comparações, podemos usar essas plataformas para promover a união, a fraternidade e o autoconhecimento. Ao compartilhar nossas vivências e aprendizados, podemos, assim, ajudar no crescimento mútuo.

 

No caso dos jogos digitais, muitos são imersivos e envolvem situações de violência, destruição e poder. O Espiritismo nos alerta para o perigo do consumismo desenfreado de conteúdos que promovem a violência ou atitudes egoístas. Ao escolhermos o que consumir, devemos nos perguntar: “este jogo ou série está me ajudando a ser uma pessoa melhor? Está me convidando à reflexão ou ao afastamento de meus valores mais elevados?”

 

A internet como um meio de tecnologia avançada que nos conecta com diversos seres em várias partes do mundo, tem promovido a segregação ao tratar de temas relacionados a religião, raça, gênero e política. A conduta dos usuários diante de uma notícia ou posicionamento é espantosa, pois tem despertado o lado feroz daqueles que estão “protegidos” atrás das telas.

 

Será que estamos agradando a Deus diante desse comportamento, insultando o próximo quando deveríamos estar amando, acolhendo e respeitando? Trago uma questão de “O Livro dos Espíritos” para que possamos refletir:

 

“642. Para agradar a Deus e assegurar a sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal? “Não; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem” (KARDEC, 2022, p. 246).

 

Quem pode fazer o bem e não o faz, torna sua caminhada mais longa, na direção rumo a evolução espiritual.

 

Conclusão: A Moralidade Espírita e a Escolha Consciente

 

O Espiritismo nos chama a uma postura mais crítica e consciente em relação a tudo o que consumimos, incluindo o entretenimento. As escolhas que fazemos têm um impacto direto em nossa evolução espiritual. Ao optarmos por entretenimento que nos eleva, que nos faz refletir, crescer e praticar o bem, estamos colaborando com nosso desenvolvimento pessoal e com a construção de um mundo mais harmonioso.

 

Como jovens, temos a responsabilidade de criar e manter uma relação saudável com o mundo digital e com as novas formas de entretenimento. Podemos e devemos buscar aquilo que nos inspira a ser melhores, a viver em equilíbrio e a agir com moralidade, como Kardec nos ensina. Escolher o que assistimos, jogamos e interagimos deve ser uma decisão que reflete nosso compromisso com a evolução espiritual, buscando sempre ser melhores e mais conscientes em cada ato de nossa jornada.

 

Fonte: Letra Espirita

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Referências:

KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, tradução Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes-RJ: Editora Letra Espírita. 2023.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, tradução Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes-RJ: Editora Letra Espírita. 2022.

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De Santos à Orixás: as diversas aparências dos Espíritos

Alan Lira

O segundo livro da Codificação Espírita lançado por Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, é dividido em duas partes, sendo a primeira com noções preliminares, e a segunda parte tratando das manifestações espíritas. O sexto capítulo da segunda parte, intitulado Das Manifestações Visuais, traz noções sobre as aparições dos Espíritos ao se tornarem visíveis, manifestação a qual Kardec compreende ser a mais interessante de todas as manifestações espíritas, incontestavelmente.

 

Segundo as respostas em O Livro dos Médiuns, sobre a possibilidade dos Espíritos se tornarem visíveis, é explicado que podem sim, “sobretudo, durante o sono. Entretanto, algumas pessoas os veem quando acordadas, porém isso é mais raro” (KARDEC, 2023, p. 91). O fato da manifestação visual se dar mais raramente com pessoas acordadas é pelo fato de que seria necessário ser um médium ostensivo, nos quais a “faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade” (KARDEC, 2023, p. 142).

 

Seja por meio de sonhos ou não, o Espírito desencarnado dispõe da capacidade de se apresentar da maneira que ele desejar (KARDEC, 2022, p. 76), normalmente mantendo a aparência de sua última encarnação, graças ao seu invólucro, o perispírito. Com a finalidade de se comunicarem, os Espíritos desencarnados podem buscar orientação, auxílio, comunicar mensagens consoladoras, podem buscar amenização de suas tormentas, ou amenizar nossos anseios. Alguns Espíritos de baixa elevação moral pode buscar nos confundir. A qualidade da mensagem que será transmitida vai depender justamente da condição evolutiva a qual o Espírito está inserido.

 

O autor Murilo Viana, em seu livro Orientações de um Preto Velho, apresenta que:

 

“Por vezes, para enaltecer a vaidade de um medianeiro, o Espírito escreve ou fala frivolidades de forma eloquente, com palavras rebuscadas, e, no final, a mensagem é completamente inútil, enquanto outro pode falar objetivamente e de forma simples, até mesmo com erros gramaticais ou vícios de linguagem, mas com profundas lições espirituais. O intelecto não é sinônimo de espiritualidade, mas sim muitas vezes, de vaidade” (VIANA, 2024 p. 197).

 

A usabilidade do linguajar durante as comunicações pode, inclusive, refletir na maneira que os Espíritos podem apresentar suas aparências. Em relatos bíblicos, a aparência angelical que os Espíritos apresentavam incluíam vestes límpidas e até mesmo asas a fim de impressionarem àqueles os quais os viam. Isso nos alerta sobre a possibilidade de os Espíritos se mostrarem de acordo com a ação de seu perispírito, dilatando-se ou contraindo-se, assumindo a forma que desejar; de acordo com a fluidez que o perispírito possui, o Espírito pode “tomar a aparência exata que tinha quando vivo, até mesmo com os acidentes corporais que possam constituir sinais para o reconhecerem” (KARDEC, 2023, p. 55).

 

Sendo nós, encarnados, tão múltiplos em nossos fenótipos, ou seja, possuindo características visíveis tão diversas, é compreensível que entendamos os Mundos Espirituais com igual diversidade, visto que: “o mundo dos Espíritos não é o reflexo do vosso; o vosso é que é uma imagem grosseira e muita imperfeita do reino de além-túmulo.” (KARDEC, 2015, p. 219).

 

Considerando tal afirmação, podemos ponderar que arquétipos de Exus, Pombagiras, Caboclos e Pretos Velhos, padres, freiras, crianças, enfermeiras, médicos, filósofos, Santos, Ciganos, Boiadeiros, Marinheiros, professores, pescadores, jardineiros, artistas, dentre tantos, são irrelevantes diante o teor da mensagem que é transmitida, mesmo havendo preconceito por parte da sociedade que tende a considerar àqueles que possuem um linguajar mais rebuscado como mais inteligentes que aqueles que utilizam linguagem mais simples e popular (VIANA, 2024, p. 52-53).

 

O Espírito Pai José, ainda na obra Orientações de um Preto Velho, explica que não há divisões religiosas no Plano Espiritual, apesar de alguns Espíritos manifestarem alguma predileção tanto na manifestação visual, quanto no linguajar e na área de trabalho em que atuam, tanto no Plano Espiritual quanto no auxílio ao plano físico (VIANA, 2024, p. 45-47).

 

Em nossa sociedade brasileira, com uma predominância religiosa cristã, é comum uma familiaridade e aceitação de cultos e representatividades católicas, em que os rituais abarcam orações direcionadas para Santos e utilização de imagens desses Santos como uma aproximação da fé. Por outro lado, os cultos às religiões de matrizes africanas, como o Candomblé, por exemplo, sofrem preconceitos e as Entidades Espirituais são demonizadas por aqueles que não dividem a mesma fé pelos Orixás.

 

A Doutrina Espírita não é adepta a rituais nem à adoração ou culto à deuses, Santos ou Orixás, entretanto cultiva o respeito a quaisquer denominações religiosas, pois entende que o desenvolvimento do ser humano à Perfeição Divina é de aspecto individual e considera a reforma íntima e as práticas caridosas de Jesus como elementos de elevação moral.

 

No que concerne à ideia de Santo que a Igreja Católica agrega em sua doutrina, essas pessoas que são reconhecidas por terem vivido de maneira exemplar, “podem ser considerados Espíritos que atingiram um alto nível na hierarquia espiritual e exemplificaram uma vivência evangélica em sua reencarnação na Terra” (VIANA, 2024, p. 163).

 

Considerando os ideais umbandistas, que cultuam os Orixás, a perspectiva da Doutrina Espírita os entende como “representações das forças da Natureza, sob uma ótica interpretativa e espiritual simbólica” (VIANA, 2024, p. 164).

 

Cada manifestação espiritual que ocorra no Espiritismo vai apresentar Espíritos comunicantes cuja identificação vai de encontro com a proximidade dos que ele tinha enquanto encarnado, utilizando seus nomes de batismo ou até mesmo de Santos, Arcanjos ou de Orixás. Desta forma, enquanto Espíritas, precisamos nos despir de quaisquer preconceitos religiosos, visto que a qualidade da comunicação é que vai determinar a qualidade do Espírito comunicante, e não a maneira com que se apresentem ou a linguagem que utilizem.

 

O respeito à diversidade religiosa também precisa ser estendido aos irmãos encarnados que são adeptos desta ou daquela religião, visto que “nós devemos ter atenção com a qualidade das lições que ele traz. O importante não é a forma, é a essência” (VIANA, 2024, p. 199).

 

Fonte: Letra Espírita

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Referências:

 

1 – KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 1ª Ed. Rio de Janeiro: Editora Letra Espírita, 2022.

2 – KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. Campo dos Goytacazes: Letra Espírita, 2023.

3 – KARDEC, Allan. Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos. Ano oitavo-1865/publicada sob a orientação de Allan Kardec. (tradução de Evandro Noleto Bezerra). 4ª ed. Brasília: FEB, 2015.

4 – VIANA, Murilo. Orientações de um Preto Velho. Pelo Espírito Pai José. Campo dos Goytacazes: Letra Espírita, 2024.

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Ser Espírita além do Centro Espírita

Sthephannie Silva

O Espiritismo é, antes de tudo, uma luz que se acende dentro de nós, essa luz se fortalece no Centro Espírita, mas seu verdadeiro brilho se manifesta na vida diária, fora das paredes acolhedoras do Centro. Frequentá-lo é um aprendizado, é um refúgio para a alma cansada, é um lugar onde bebemos da fonte do Evangelho, um espaço onde aprendemos conceitos sobre imortalidade da alma, reencarnação, Lei de Causa e Efeito, caridade, reforma íntima, e viver o Espiritismo é transformar o mundo ao nosso redor, começando pelo mundo que existe dentro de nós.

 

Ser Espírita além do Centro Espírita significa ser coerente, é viver a fé raciocinada, compreendendo que as Leis Divinas se manifestam em todos os momentos e que cada encontro e cada desafio são oportunidades de crescimento. É fácil manter a serenidade no ambiente acolhedor de uma reunião mediúnica, o desafio real está em manter o equilíbrio quando somos contrariados, quando enfrentamos injustiças ou quando lidamos com pessoas de pensamentos diferentes.

 

“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más” (KARDEC, 2023, p. 214).

 

Fora do Centro Espírita, o Espírita precisa compreender seu papel como exemplo vivo dos ensinamentos que professa, isso significa ser paciente no trânsito, respeitar filas, tratar com cordialidade atendentes e prestadores de serviço, escutar mais e falar menos, compreender antes de julgar; atitudes simples, mas que refletem grandeza espiritual e contribuem para a construção de uma sociedade mais fraterna.

 

O compromisso com a Doutrina também se expressa no cuidado com as palavras, a linguagem usada na sociedade é uma poderosa ferramenta que pode curar ou ferir. Evitar fofocas, críticas destrutivas e discussões acaloradas é um exercício de disciplina que demonstra maturidade espiritual.

 

Um Espírita consciente sabe que vibrações negativas atraem negatividade, e que, ao manter pensamentos elevados, contribui para a harmonia não apenas de si, mas também do ambiente e das pessoas ao seu redor. “A religião ainda nos ensina que seremos felizes ou desgraçados, conforme o bem ou o mal que houvermos feito” (KARDEC, 2022, p. 95).

 

Uma conversa atenciosa com alguém que sofre, uma palavra de incentivo para quem está desanimado ou mesmo um sorriso sincero para um desconhecido, podem ser gestos de grande valor espiritual. Pequenas ações como reduzir desperdícios, respeitar os animais e cuidar dos recursos naturais são manifestações concretas do respeito à Obra Divina.

 

Ter consciência ao cuidar ao planeta, pois a Terra é a escola que nos acolhe, guiados pela caridade que não é apenas doar bens materiais, mas também oferecer tempo, escuta e compreensão.

 

Orar regularmente, meditar e buscar momentos de introspecção ajudam a manter a sintonia com os Bons Espíritos e fortalecem a serenidade diante das provações.

 

Ser Espírita além do Centro Espírita é compreender que a verdadeira religião se manifesta na maneira como tratamos as pessoas, como enfrentamos os desafios e como buscamos evoluir a cada dia. É perceber que o templo mais importante é a própria consciência, e que cada ação é uma prece silenciosa. Ao nos dedicarmos a viver de forma coerente com os princípios da Doutrina, ajudamos a construir um mundo mais justo, fraterno e iluminado.

 

“Em todas as circunstâncias, toma por guia a caridade, tendo como certo que aquele que prejudica a outrem com palavras malévolas, que fere com o seu orgulho e o seu desprezo a suscetibilidade de alguém, que não recua à ideia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever de amar o próximo e não merece a clemência do Senhor” (KARDEC, 2023, p. 212).

 

Fonte: Letra Espírita

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Referências:

1- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes-RJ: Editora Letra Espírita. 2022.

2- KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes-RJ: Editora Letra Espírita. 2023.

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O DOGMA DA REENCARNAÇÃO - Centro Espirita Caminho da Paz

Toda doutrina, seja ela religiosa, filosófica ou política, se apoia em princípios fundamentais conhecidos como dogmas, que normalmente são considerados incontestáveis ou irrefutáveis por seus adeptos.

Os principais dogmas do Espiritismo repousam na existência de Deus; na imortalidade dos Espíritos; na possibilidade de comunicação entre os planos material e espiritual, através da mediunidade; na pluralidade dos mundos habitados e no processo de reencarnação que observa as leis de esquecimento, causa e efeito e evolução das criaturas.

Estes dogmas foram consagrados por Allan Kardec, a partir da coleta de milhares de comunicações mediúnicas que se verificaram em cerca de mil entidades espíritas espalhadas pelo mundo, conforme informação contida em O Evangelho Segundo o Espiritismo (1), tendo como base as perguntas elaboradas pelo próprio Codificador, cujas respostas de caráter idêntico, assemelhado ou convergente, formaram os princípios da Doutrina Espírita.

Dentre os dogmas do Espiritismo, o instituto da reencarnação é o que mais atrai a atenção dos adeptos e a crítica dos opositores, revelando-se o mais candente dos seus princípios fundamentais.

Entretanto, o dogma da reencarnação é muito anterior ao surgimento do Espiritismo.

Nas tradições orais do Brahmanismo, hoje Hinduísmo, cerca de 5.500 anos a.C., o conceito reencarnatório era presente entre os seus adeptos.

Com o advento da escrita na Índia, cerca de 1.800 anos a. C., a reencarnação passou a figurar como princípio no Vedas (escritura sagrada do Brahmanismo/Hinduísmo), e posteriormente no Bhagavad Gita ou canção do bem-aventurado, cujos registros escritos datam de cerca de 400 anos a.C., em que Krishna dialoga com um discípulo de nome Arjuna.

Parte desse diálogo foi transcrito pelo pesquisador espírita Gabriel Delanne na obra A Reencarnação, vazado nos termos seguintes: “Assim como se deixam as vestes gastas para usar vestes novas, também a alma deixa o corpo usado para revestir novos corpos. Eu tive muitos nascimentos e também tu, Arjuna; eu as conheço todas, mas tu não as conheces…” (2)

Emmanuel, na obra A Caminho da Luz, revelou que: “…nenhum povo da Terra tem mais conhecimentos, acerca da reencarnação, do que o hindu, ciente dessa verdade sagrada desde os primórdios da sua organização neste mundo”. (3)

Da Índia o reconhecimento do dogma da reencarnação migrou ao ocidente, fixando as suas principais raízes no Egito, e de lá seguiu para Grécia. Esses conhecimentos espirituais eram denominados mystes ou mistérios do Espírito e seus fundamentos remanesceram ocultos, por muitos séculos, entre sacerdotes, classes dirigentes, iniciados e alguns intelectuais.

Na obra do pesquisador Hernani Guimarães Andrade, Você e a Reencarnação, encontramos os seguintes registros sobre a palingênese no Egito:

“O sacerdote sebenita Manethon afirmava que a reencarnação era também dogma fundamental da religião egípcia. O papiro anana (1.320 anos a.C), diz o seguinte: “O homem retorna à vida várias vezes, mas não se recorda de suas prévias existências, exceto algumas vezes em sonho ou como um pensamento ligado a algum acontecimento de uma vida precedente. Ele não consegue precisar a data ou o lugar desse acontecimento, apenas nota serem-lhe algo familiares. No fim, todas essas vidas ser-lhe-ão reveladas.

“O livro de Fontane sobre o Egito, menciona uma referência ainda mais antiga acerca da palingênese ou reencarnação (3.000 anos a.C.): “Antes de nascer, a criança viveu e a morte não é o fim”. (4)

A partir dos egípcios o truísmo da reencarnação foi lançado para além do mediterrâneo, levado, segundo consta, por Pitágoras e outros intelectuais iniciados nos mistérios, assentando raízes na Grécia, cerca de 600 anos a. C.

Filósofos do naipe de Sócrates e Platão relembraram os seus conceitos e passaram a traduzi-los aos discípulos. Em A República, Platão, discípulo e propagador das ideias de Sócrates, referiu-se à sucessão reencarnatória: “Deve, pois, manter-se essa opinião adamantina até ir para o Hades, (…) evitando o excesso de ambos os lados, quer nesta vida, até onde for possível, quer em todas as que vierem depois. É assim que o homem alcança a maior felicidade.” (5).

Abrimos um parêntesis e retroagimos para cerca de 800 anos a. C., visando constatar que antes dos gregos, o dogma da reencarnação era aceito e vivido pelos gauleses, posteriormente conhecidos como celtas, sendo um dos sustentáculos da sua religião, o druidismo.

A reencarnação era ensinada de geração em geração, por intermédio de poemas orais denominados tríades, porque cada “estrofe” continha 3 afirmações.

Gália era o nome romano dado às terras que compreendiam o atual território da França, partes da Bélgica, Itália e Alemanha.

Léon Denis, na obra Depois da Morte, assinalou que a certeza da reencarnação era tão grande entre os druidas, “… que emprestavam dinheiro para ser pago em vidas vindouras”. (6)

Pois bem. Cerca de 550 anos a.C., Sidarta Gautama, o Buda, também na Índia, erigiu princípios religiosos que contemplaram a reencarnação. Carlos Imbassahy, na obra Religião, anotou que Buda “…declarou que a alma renascia constantemente até a completa depuração de suas impurezas. Liberta do cárcere corporal, iria para o Nirvana, que é a completa tranquilidade do Espírito. (7)

Com a vinda de Jesus à Terra, os apóstolos documentaram os preceitos da Filosofia Cristã, sobre o dogma da reencarnação. Nos Evangelhos de Mateus (XVII, 10/13) e Marcos (IX, 11/13), encontramos referências de Jesus sobre o fato do profeta Elias ser João Batista: “Mas eu vos digo que Elias já veio e não o reconheceram (…). Então, os discípulos compreenderam que Jesus lhes tinha falado a respeito de João Batista”.

E no Evangelho de João, III, 1/13, destaca-se a preleção de Jesus ao fariseu Nicodemos: “…ninguém verá o reino de Deus se não nascer de novo”. Disse-lhe, Nicodemos: “Como pode nascer um homem já velho? Porventura poderá entrar de novo no seio de sua mãe e nascer?” Jesus respondeu: “Eu vos afirmo e esta é a verdade: se alguém não nascer da água e do Espírito, não poderá entrar no Reino de Deus. (…) Nicodemos lhe respondeu: – Como pode acontecer isso? Jesus replicou: Tu és mestre em Israel e não entendes essas coisas? (…) Se vos disse coisas da Terra e não credes, como crereis quando vos disser as coisas do Céu?

Diante das passagens evangélicas acima transcritas, a questão que se coloca é por que razão Jesus não ministrou ensinamentos sobre o dogma da reencarnação de forma mais aprofundada?

Responde-nos o evangelista João, XVI, 13: Muitas coisas tenho ainda a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. 13 – Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade…”

A expressão não podeis suportar agora, remete-nos à ideia de imaturidade psíquica dos homens daquela época, o que justifica o fato do dogma da reencarnação ter permanecido oculto do povo em geral no ocidente.

Nem por isso as vozes da Igreja dos primeiros quatro séculos calaram-se. Em O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, Léon Denis relata os pronunciamentos favoráveis à reencarnação de S. Clemente de Alexandria, S. Jerônimo, S. Gregório de Nysse e Orígenes, afirmando, a seguir, que esses pronunciamentos, assim como as teorias gnósticas, receberam “descrédito e repulsa” do (2º) Concílio de Constantinopla (553 d.C.), sem fazer qualquer menção à sua proibição. Afirmou ainda que, no século XV, o Cardeal Nicolau de Cusa sustentou, “…em pleno Vaticano, a pluralidade das vidas e dos mundos habitados, com o assentimento do papa Eugênio IV”. (8).

Posteriormente, na obra Cristianismo e Espiritismo, o mesmo autor esclarece, sem se contradizer, que “…a questão da pluralidade das existências das almas jamais foi resolvido pelos concílios, encerrando o capítulo com os comentários de Orígenes sobre os ensinos de Jesus, relatados por João, XIV, 2: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito”. – “Orígenes comenta essas palavras em termos positivos: “O Senhor faz alusão às diferentes estações que devem as almas ocupar, depois que se houverem despojado dos seus corpos atuais e se tiverem revestido de outros novos”. (9)

Porém, foi apenas no século XIX que o paráclito prometido no Evangelho de João (XVI,13), pavimentou ao mundo ocidental os meandros do dogma da reencarnação.

Através do método científico, Allan Kardec colheu dos Espíritos uma radiografia nítida do processo de preparação e execução da reencarnação, descrevendo-a em detalhes nas obras: O Livro dos Espíritos (1857), questões 132,133, 133a, 166 a 178, 205 e 206, 335 e 336; O Livro dos Médiuns (1861), questão 301; O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864), Cap. IV e A Gênese (1868), Cap. I, item 34 e Cap. XI, itens 33 e 34.

Com essa iniciativa, abriu portas para que outros pesquisadores e cientistas dos séculos XIX/XX, tais como: Alexander Aksakof (Animismo e Espiritismo), Oliver Lodge (Evolução Biológica e Espiritual do Homem) , William Barret (No Limiar do Invisível), Eugene Auguste de Rochas (Vidas Sucessivas), Frederich Myers (A Personalidade Humana), Ernesto Bozzano (Animismo ou Espiritismo), William Crookes (Fatos Espíritas), dentre outros, realizassem os seus experimentos e publicassem as suas observações sobre a reencarnação dos Espíritos, norteando pesquisadores contemporâneos como o psiquiatra Ian Stevenson (Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação) e a psicóloga Helen Wambach (Recordando Vidas Passadas) que, a partir de seus consultórios, compilaram milhares de casos comprobatórios do fenômeno reencarnatório.

Nos dias de hoje o dogma da reencarnação é um organismo vivo e consolador de milhões de Espíritos que, acolhidos pela graça do esclarecimento nas sessões Espíritas e Espiritualistas, conseguem lançar o olhar para além das penas eternas e dos tribunais de julgamento, fixando-o nos imperativos do perdão, do trabalho e do progresso, com os quais defrontarão os séculos vindouros, até atingirem a própria iluminação.

 

Cleyton Franco

 

Fonte: Centro Espirita Caminho da Paz

(1) O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec, Introdução, II – Autoridade da Doutrina Espírita, controle universal da doutrina dos Espíritos.

(2) A Reencarnação, Gabriel Delanne, Cap. I – Revista histórica sobre a teoria das vidas sucessivas. A Índia, pag. 22, 5ª edição, 1979, Edt. FEB.

(3) A Caminho da Luz, Francisco Cândido Xavier/Espírito Emmanuel, Cap. V – A Índia – Os Rajás e os párias, pag. 54, 29ª edição, 1993, Edt. FEB.

(4) Você e a Reencarnação, Hernani Guimarães Andrade, Cap. I – Reencarnação – conceito, resumo histórico, religiões e povos que a adotam. – Na Antiguidade – Egito, pags. 21 e 22, 1ª edição, 2002, CEAC Editora.

(5) A República, Platão, Livro X, 619a, pag. 495, 5ª edição, 1987, Editora Fundação Caluste Gulbenkian, Portugal, tradução Maria Helena da Rocha Pereira.

(6) Depois da Morte, Léon Denis, Cap. V – A Gália, pag. 56, 3ª edição, 2008, León Denis Gráfica e Editora.

(7) Religião, Carlos Imbassahy, Cap. O Buda, pág. 176, 2ª edição, Edt. FEB.

(8) O Problema do Ser, do Destino e da Dor – Léon Denis, Cap. XVII, pags. 378 a 380, 1ª edição, 3ª reimpressão, 2010, Edt. FEB.

(9) Cristianismo e Espiritismo, Léon Denis, Cap. IV, pag. 48, 17ª. edição, 2013, Edt

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Sobre Deus e Universo de Pietro Ubaldi

Canuto de Abreu

Deus e Universo

INTRODUÇÃO

 

É meu primeiro impulso. Sinto-me devedor a DEUS, antes de tudo, do inestimável prêmio de ser contemporâneo de Pietro Ubaldi e, mais ainda, de haver sido o primeiro brasileiro, talvez, a conhecê-lo pessoalmente em Gubbio, onde fui para lhe apertar a mão e lhe ouvir a palavra.

 

Alguns Espíritas compreenderão de pronto o motivo desta ufania mística:

 

Para os homens amadurecidos de nossa geração, Pietro Ubaldi não é só um homem que toda a gente pode conhecer. É também o gênio que teve a missão de sintetizar a Filosofia Religiosa do porvir, cujos primeiros fundamentos foram lançados de 1857 a 1869 em Paris por outro gênio missionário, Allan Kardec. O gênio só alguns Espíritas podem conhecer, pois isso não depende de vontade de amadurecimento. Não basta, de fato, ser chamado à crença espírita para conhecer o nosso missionário, mas ser escolhido. Sei de muitos que teimam em ignorar o valor da obra de Pietro Ubaldi e o refutam. Esses naturalmente, ignorando o assunto, não compreenderão o motivo de minha ufania. Nem lerão estas linhas, aguardando o seu ensejo. É para estes que escrevo, dizendo-lhes quem é o autor e a obra ainda marginada.

 

O AUTOR

 

Principiou a ser conhecido de nome nos meios literários ítalo-brasileiros em 1944, quando editou A Expansão colonial e Comercial da Itália para o Brasil, desenvolvimento da tese de Doutor em Direito que ele defendeu com distinção em 1940 na Universidade de Roma.

 

No mundo filosófico apareceu em 1928 com L’Evoluzione Spirituale, ensaio publicado em série na revista romana Ultra. Conquanto os Espíritas experimentados já pudessem aí perceber o “médium” e a sua “crença espiritica” — pois o articulista afirmava ser “tangido a escrever em virtude dum impulso interior misterioso e indefinível”, e sentir ao escrever que “as idéias lhe acudiam como a revelação duma recôndita entidade” existente dentro “dele”, como revelação dum arcano íntimo”, conservando na memória subconsciente ou anterior à vida atual — a explicação do seu fenômeno e da sua crença podia encontrar-se, conforme o próprio autor do ensaio, dentro da Filosofia clássica, da Psicologia comum ou, se mais, do Misticismo religioso. Sua vocação missionária de médium revelador só se tornou positiva três anos depois. Antes e primeiramente ele teve de fazer duas renúncias. Renunciou aos bens da fortuna, que passavam de uma centena de milhões de liras bem consolidados, abrindo mão de seus direitos de co-herdeiro entregando seu quinhão de herança à família, a fim de ficar, ele só, franciscanamente pobre, e cristãmente livre para seguir a Jesus. Renuncia ao múnus de advogado que seu título de Doutor em Direito lhe assegurava em qualquer foro italiano, a fim de melhor servir ao Mestre sem outros clientes. E assim pobre, sozinho, sem profissão privilegiada, confiado em sua intuição, partiu certa manhã como um apóstolo, levando apenas a túnica e a sandália. Partiu no mesmo dia em que deliberou a dúplice renúncia. Subiu para o seu misterioso Destino em que só ele na Terra acreditava. E o mundo o julgou a seu modo, segundo a aparência. E como simples peregrino penitente ganhou ao entardecer a estrada de Colle Umberto, destinada a entrar para a História do Espiritismo com o mesmo signo de luz da Estrada de Damasco na História do Cristianismo.

 

Pela madrugada, exausto de forças físicas, sentou-se numa pedra do caminho. E orou. Estava só dentro da noite estrelada e do silêncio ambiental, e sem rumo. Abrindo depois os olhos úmidos para contemplar o Céu imensamente distante, viu descerem duas Estrelas que, ao pousar no chão, tomaram a forma humana, transcendente e luminosa. As duas Entidades celestes marcharam em direção a ele. Não tardou a reconhecê-las, graças a memória espiritual. Foi a sua primeira visão na série missionária. Convidado, marchou entre elas, tendo à direita Jesus e à esquerda Francisco de Assis. E, caminhando, ouviu bem nítida e inconfundível a Voz do Cristo, que daí por diante, em seus escritos, passou a designar “Voz Dele” ou “Sua Voz”. Ficou desde então garantido quanto ao alimento do espírito. Para ganhar o pão diário do corpo “em trabalho material”, obteve em concurso a cátedra de inglês. em ensino secundário. E foi designado para o Liceu de Módica, no sul da Sicília. Ali sozinho, completamente desconhecido por dentro e sem se dar interiormente a conhecer a ninguém, era para todos uma figura apagada, um simples mestre-escola ginasial. Um modesto “Chico Xavier” italiano.

 

E ali esperou ordens do Mestre para iniciar a missão esboçada na estrada de Colle Umberto. Nas horas vagas, afastava-se do centro para um horto distante, onde se quedava, pensando em Jesus e nos grandes problemas teológicos ainda a resolver. Um dia, quando ali orava a Ave Maria, o Mestre lhe apareceu e lhe falou. Conversaram. Selaram uma aliança. Trabalhariam em solidariedade, um no Céu, outro na Terra, visando ao preparo da Humanidade “espiritualizada” e destinada a ingressar no Terceiro Milênio Cristão. Na noite de Natal de 1931, Ubaldi recolheu-se a seu quartinho de pensão familiar; no qual havia apenas uma cama, uma cadeira e uma pequena mesa. O frio era forte e a cela não tinha lareira. Pensou em deitar-se para desprender-se. Mas veio-lhe o impulso irresistível para escrever. Sentou-se à mesinha e orou. E suas idéias se foram dissipando como trevas espancadas suavemente por uma luz que se aproxima. De repente ouviu aquela Voz inconfundível, a “Voz Dele”.

 

“No silêncio da Noite Sacrossanta,

Escuta-me! Relaxa tudo o mais

O saber, as lembranças, a ti próprio.

Esquece tudo! Entrega-te Vazio,

Sem nada, inerte, à voz que é minha

No mais completo silêncio do tempo e do espaço

E assim vazio, escuta a minha voz

Ela te fala: – Surge! E diz: sou eu”.

 

Foi assim que principiou o seu mandato. “Surge”. E ele surgiu de fato nessa obra. Esta primeira e outras “Mensagens Espirituais” lançaram Pietro Ubaldi à missão reveladora. E isso se deu — como estava previsto na história oculta e ainda inédita do Espiritismo Kardequiano — ao fim da terceira geração espírita. Publicada em março de 1932 na revista “Alfa” de Roma, essa encantadora comunicação, cujas primeiras linhas traduzimos acima, assegurou desde logo a Pietro Ubaldi lugar de destaque na vanguarda do movimento espírita mundial. Analisada especialmente pelos dois mais abalizados e doutos espiritualistas da Itália — Bozzano e Trespioli — foi considerado pelo conteúdo e pela forma de pura origem espirítica, e de elevada procedência espiritual, acima da fonte comum. Daí por diante a fama do médium foi de “crescendo em crescendo”. A segunda Mensagem, na Páscoa de 1932, e sobretudo a terceira, no dia do “Perdão” da Porciúncula” (2 de Agosto de 1932) ressoaram de maneira inusitada. Jornais e revistas profanos e folhas espíritas e espiritualistas de vários pontos da Europa transcreveram essas comunicações superiores, atribuindo-as sem a menor reserva à inspiração de Jesus. A própria Igreja Católica, por seus mais altos dignitários italianos, as aprovou. No Brasil — onde se dará a eclosão da Reforma — tiveram ampla e profunda repercussão. Essas três Mensagens, depois de transcritas no Correio da Manhã, em A Pátria, noutros diários estaduais e em quase todas as folhas espíritas do País, apareceram em livro em 1934, editado pela Federação Espírita Brasileira e espalhado gratuitamente. Na Itália, a exemplo do Brasil, também se enfeixaram num folheto em 1935. Mas, a par das Mensagens que falavam ao coração, começou Pietro Ubaldi, em Janeiro de 1932 (início da quarta geração espiritual) a receber e a publicar em série, na revista milanesa Ali del Pensiero (Asas do Pensamento), a obra monumental e inigualável intitulada A Grande Síntese, com a qual ingressou brilhantemente no rol dos grandes filósofos da atualidade e dilatou as bases científicas do Espiritismo. A primeira edição italiana, em 1937, esgotou-se rapidamente e constitui hoje preciosidade de colecionadores. Vieram em seguida outros livros, outras mensagens, outros escritos, tudo visando à exegese e à complementação dos diversos tratados existentes em gênero ou em germe em A Grande Síntese. E agora foi impresso no Brasil, em primeira mão, a obra marginada, Deus e Universo, décimo livro da série, que acabo de ler em original por finíssima gentileza e alta deferência do autor.

 

O que veio a lume com o título Deus e Universo, é uma grande síntese teológica”, cuidando das causas primeiras e finais. A meu ver, constituirá o “elo central” que ligará A Grande Síntese ao livro prometido, ainda não escrito, e intitulado Cristo. Esses três livros monumentais – A Grande Síntese, Deus e Universo e Cristo – serão, penso eu, os vértices do Triângulo Religioso da III Revelação, que será simultaneamente científica, teológica e cristã.

 

De tal livro… Minha estultícia não me leva ao ponto de sequer tentá-la.

 

A Crítica

 

Deus e Universo é obra acima de minha capacidade de compreensão. Cada homem tem seu limite de entendimento. E o meu limite é demasiado estreito para apreender em espírito e verdade as lições profundas desse trabalho transcendental Li-o com emoção crescente. Li-o mais com o coração que com os olhos. Reli-o mesmo em parte, continuarei a lê-lo na tradução. Mas (ai de mim) como o transeunte pobre que pára extasiado diante duma vitrina de joalheiro, não sabendo sequer avaliar o preço das preciosidades, namora-as por fascinação; cobiça-as por ambição; pode até pensar em furtá-las. E afasta-se pesaroso, com a” mente cheia de fantasias, ciente de que não tem a moeda necessária para a aquisição. Sinto, porém, que todas as lições são da mais pura qualidade.

 

E sei por intuição e pela história oculta que vieram uma a uma diretamente do Céu, trazidas ao Mundo pela própria “Voz Dele”, destinadas a enfeitar um dia o Templo Espiritual que o Cristo erguerá no Terceiro Milênio. Templo onde “Sua Voz” será “ouvida por muitos e não como hoje, apenas escutada por Pietro Ubaldi. E ao ouvi-la, muitos crentes ficarão em dúvida se escutarão a voz do “Eu sou” — ego central do Universo, ou o “Sou Eu” — ego do Cristo. Pois um e outro serão talvez a mesma pessoa para a humanidade espiritualista e Remida do Porvir.

 

(a) CANUTO DE ABREU

Fonte: : http://br.geocities.com/espiritismo_cientifico/

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Espiritismo e o envelhecimento: Ensinamentos espirituais sobre a terceira idade

Jeferson Quadros

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O passar dos séculos tem trazido novas realidades e perspectivas à Humanidade. O ambiente, o modo de vida, as ciências, as tecnologias, enfim, tudo evolui a olhos vistos! As mudanças promoveram, e ainda promovem, benefícios em todos os setores da vida humana. As consequências dos avanços levam à melhoria nas condições de vida da população em geral e também ao aprimoramento das técnicas e práticas das ciências da saúde, bem como dos seus recursos. Como resultado, temos o aumento progressivo da perspectiva de vida das pessoas. No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, em 1940 a média de vida era de 45,5 anos e em 2022 a média passou para 75,5 anos (BRASIL, 2023). Além da ampliação da média de idade, as análises demográficas demonstram que a população brasileira está envelhecendo. Esse envelhecimento é decorrente de dois fatores: a ampliação da idade média das pessoas e a diminuição do número de componentes das famílias. Segundo o documento Fatos e Números: Famílias e filhos no Brasil, do Observatório Nacional da Família, a taxa de fecundidade no Brasil diminuiu de 6,28 filhos em 1960 para 1,87 filhos em 2010 e as projeções apontam que em 2030 a taxa diminua para 1,5 filhos (BRASIL, 2021).

 

O envelhecimento das populações é uma realidade que ocorre em diversos países, tornando-se uma das preocupações da OMS, a Organização Mundial da Saúde. Inúmeras ações são realizadas para dar suporte às comunidades de todo o planeta. Um exemplo dessas ações organizadas pela OMS é a década do envelhecimento saudável nas Américas, que ocorre desde 2021 e vai até 2030. Segundo a OMS:

 

A população mundial está envelhecendo mais rapidamente do que no passado, mas na América Latina e no Caribe essa transição demográfica está ocorrendo de forma ainda mais acelerada. Mais de 8% da população tinha 65 anos ou mais em 2020 e estima-se que essa porcentagem dobre até 2050 e exceda 30% até o final do século (OMS, 2020).

 

Em suma, os cenários projetados apontam que o envelhecimento é uma tendência cada vez mais consolidada, sendo indispensável preparar as pessoas para encarar e vivenciar a senilidade.

 

Demonstrando a atemporalidade de seus conceitos, a Doutrina Espírita nos instrui e prepara para essa fase tão desafiadora da vida, mesmo tendo sido codificada num período em que a perspectiva de vida era muito inferior à que temos hoje.

 

Inicialmente os Bons Espíritos nos instruem sobre as responsabilidades dos “mais novos” em relação às pessoas idosas, visto que o avanço da idade traz uma série de dificuldades que precisam ser supridas pelo apoio de terceiros. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no texto sobre a piedade filial, encontramos que:

 

Honrar a seu pai e a sua mãe não consiste apenas em respeitá-los; é também assisti-los na necessidade; é proporcionar-lhes repouso na velhice; é cercá-los de cuidados como eles fizeram conosco na infância (KARDEC, 2023 p. 179).

 

E em O Livro dos Espíritos, em resposta à questão 685, na qual Allan Kardec indagou se o homem tem o direito de repouso na velhice, os Espíritos respondem “sim, que a nada é obrigado, senão de acordo com as suas forças” (KARDEC, 2022, p. 259); e na questão 685a, onde o Codificador questionou o que há de fazer o velho que precisa trabalhar para viver e não pode, obteve como resposta que “o forte deve trabalhar para o fraco. Não tendo este família, a sociedade deve fazer as vezes desta. É a lei de caridade.” (KARDEC, 2022, p.259)5

 

Temos, nas citações acima, a orientação sobre a responsabilidade que devemos assumir nas esferas individual e coletiva, para com as pessoas que já atingiram a senectude, sejam elas familiares ou não, provendo às pessoas idosas todo o necessário para que tenham dignidade e qualidade de vida, tal qual prescreve a Lei de Caridade.

 

Torna-se imprescindível envidar esforços em prover o amparo aos “nossos idosos”, cientes de que essa, nem sempre, será uma tarefa fácil. A senilidade impõe gradativas mudanças e limitações que, nem sempre, são entendidas e aceitas, tanto no que se refere à pessoa idosa quanto aos familiares. Em situações assim, é preciso muita empatia e paciência. As dificuldades podem decorrer também de doenças características da terceira idade, onde além da boa vontade e do amor, será preciso recorrer ao auxílio de profissionais que possam ampliar os cuidados indispensáveis.

 

Seguindo agora por uma perspectiva individual, com olhares voltados ao futuro, precisamos nos preparar para a chegada da velhice, lembrando que a aceitação da realidade futura é indispensável para aproveitar melhor o que esse período tão importante tem a oferecer. O envelhecimento é uma lei natural, um processo que ocorre da mesma forma para todos, contudo é importante levar em conta que o “envelhecer” é uma ocorrência peculiar a cada indivíduo. Por isso, não há como prescrever uma “receita de bolo” para preparar a chegada da terceira idade, pois cada pessoa experimenta o processo de envelhecimento e reage a ele de forma diferente. O que ninguém questiona é que essa preparação é um trabalho íntimo, de responsabilidade de cada pessoa. Sobre isso, o Dr. Carlos Durgante afirma que:

 

“Não devemos deixar para nos preocuparmos apenas quando o inevitável chegar, pois para que qualquer projeto seja bem-sucedido, é imprescindível que iniciemos sua preparação muito antes de ele acontecer” (DURGANTE, 2016, p. 26).

 

Deixando claro que os indivíduos devem se preocupar com o preparo para a chegada da terceira idade, trabalhando aspectos físicos, buscando fortalecer a saúde e ampliar a qualidade de vida, mas também aspectos psicológicos e espirituais, que ajudarão a lidar melhor com os desafios que se apresentarão. O Espírito Emmanuel faz importante reflexão a respeito do preparo para a chegada da velhice, dizendo que:

 

Cada homem possui, com a existência, uma série de estações e uma relação de dias, estruturada em precioso cálculo de probabilidades. Razoável se torna que o trabalhador aproveite a primavera da mocidade, o verão das forças físicas e o outono da reflexão, para a grande viagem do inferior para o superior; entretanto, a maioria aguarda o inverno da velhice ou do sofrimento irremediável da Terra, quando o ensejo de trabalho está findo (EMMANUEL, 2016, p. 521).

 

Tal citação está em referência aos esforços que devemos empreender ao longo da existência física, principalmente nas épocas de plenos vigor físico e disposição, para dar início à preparação física, moral e espiritual para o futuro.

 

Com vistas aos preparativos íntimos que devemos executar, Léon Denis, na obra O Problema do ser, do Destino e da Dor, faz a seguinte reflexão sobre o cenário que nos espera:

 

À medida que avançamos na vida, as alegrias diminuem e as dores aumentam; o corpo e os fardos da vida tornam-se mais pesados. Quase sempre a existência começa na felicidade e finda na tristeza. O declínio traz, para a maior parte dos homens, o período moroso da velhice com suas lassidões, enfermidades e abandonos. As luzes apagam-se; as simpatias e as consolações retiram-se; os sonhos e as esperanças desvanecem-se; abrem-se, cada vez mais numerosas, as covas em roda de nós. É então que vem as longas horas de imobilidade, inação, sofrimento; obrigam-nos a refletir, a passar muitas vezes em revista os atos e as lembranças de nossa vida. É uma prova necessária para que a alma, antes de deixar seu invólucro, adquira a madureza, o critério e a clarividência das coisas que serão o remate de sua carreira terrestre. Por isso, quando amaldiçoamos as horas aparentemente estéreis e desoladas da velhice enferma, solitária, desconhecemos um dos maiores benefícios que a natureza nos proporciona: esquecemos que a velhice dolorosa é o cadinho onde se completam as purificações (DENIS, 2016, p. 355).

 

As palavras de Léon Denis trazem um resumo dos desafios que o envelhecimento acarreta, com os quais não é nada fácil lidar, como bem sabemos. Porém, apesar das dificuldades, a etapa final da vida, a velhice, é um período de reflexões, de amadurecimento moral, decorrente das fartas experiências que as décadas de lutas e desafios, de alegrias e tristezas, de suor e lágrimas, permitem adquirir. A Sabedoria Divina, atenta ao processo de evolução ao qual todos estamos sujeitos, permite que muitos de nós venhamos sofrer as injunções que o período da velhice impõe, pois os benefícios ao Espírito Imortal são de valor inestimável.

 

A maturidade que caracteriza a senectude permite “ver a vida” com olhar mais amplo do que nos períodos anteriores, permite refletir sobre escolhas do passado, sobre os erros, os acertos, permite que, em viagens muito proveitosas ao imo do ser, abram-se portas que levam à transformação moral, à evolução. Léon Denis reflete sobre isso, dizendo-nos que:

 

Nesse momento da existência, os raios e as forças que, durante os anos da juventude e da virilidade, dispersávamos para todos os lados em nossa atividade e exuberância, concentram-se, convergem para as profundezas do ser, ativando a consciência e proporcionando ao homem mais sabedoria e juízo. Pouco a pouco vai-se fazendo a harmonia entre os nossos pensamentos e as radiações externas; a melodia íntima afina com a melodia divina (…) Há, então, na velhice resignada, mais grandeza e mais serena beleza que no brilho da mocidade e no vigor da idade madura. Sob a ação do tempo, o que há de profundo, de imutável em nós, desprende-se e a fronte dos velhos aureola-se de claridades do Além (DENIS, 2016, p. 355 e 356).

 

Em resumo, a velhice pode nos ajudar a nos tornarmos pessoas melhores pelas transformações que ela provoca. O tempo, que no passado era o inimigo que fazia a vida transcorrer muito rápido, torna-se o amigo vagaroso, paciente, que, ao desacelerar o compasso das horas, permite que haja tempo para si mesmo, criando campo fértil para o cultivo de pensamentos e sentimentos até então relegados a segundo plano, quando não completamente esquecidos.

 

O Espiritismo, enfim, nos auxilia a nos prepararmos e também para suportarmos o importante período da velhice. Somos orientados sobre as dificuldades, desafios e sofrimentos que poderão nos envolver, mas também é-nos clarificada a necessidade desses momentos em nossa jornada no plano físico, que também repercute na existência espiritual. A Doutrina Espírita nos fortalece moralmente para que vejamos não só as dificuldades, mas sim a magnífica oportunidade de burilarmos nosso íntimo, sublimando sentimentos, controlando instintos, num preparo essencial para o retorno à Pátria Espiritual, que nos aguarda a todos.

Fonte:

Blog Letra Espírita

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Referências:

1- BRASIL, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Em 2022, expectativa de vida era de 75,5 anos. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/38455. Pesquisado em 01/10/2024.

 

2- BRASIL, Ministério da mulher, da família e dos direitos humanos. Fatos e números: Famílias e filhos no Brasil. Brasília – DF, 2021 Disponível em: https://www.gov.br/mdh/pt-br/navegue-por-temas/observatorio-nacional-da-familia/fatos-e-numeros/familias-e-filhos-no-brasil.pdf. Pesquisado em 01/10/2024.

 

3- OMS – ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Década do envelhecimento saudável nas américas 2021-2030. Disponível em: https://www.paho.org/pt/decada-do-envelhecimento-saudavel-nas-americas-2021-2030. Acesso em 01/10/2024.

 

4- KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, tradução de Guillon Ribeiro. 1ª edição. Campo dos Goytacazes-RJ: Editora Letra Espírita, 2023.

 

5- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, tradução de Guillon Ribeiro. 1ª edição. Campo dos Goytacazes-RJ: Editora Letra Espírita, 2022.

 

6- DURGANTE, Carlos Eduardo Accioly. Planejando o Futuro. 1ª edição. Porto Alegre-RS: Editora Francisco Spinelli, 2016.

 

7- EMANNUEL (Espírito). O Evangelho por Emmanuel: comentários ao Evangelho segundo Mateus. organizado por Saulo Cesar Ribeiro da Silva. 1ª ed, 5ª reimpressão. Brasília: FEB Editora, 2016.

 

8-DENIS, Léon. O problema do ser, do destino e da dor. 32ª ed, 7ª impressão. Brasilia: FEB editora, 2016.

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O que Significa Sonhar com um Parente Falecido?

Os sonhos muitas vezes são lembranças das atividades da alma quando esta se desprende do corpo durante o sono. Sonhar com pessoas falecidas pode sinalizar um encontro espiritual de ambos. Nesse caso, é importante prestar atenção em como a alma se apresenta. Se a alma aparece triste, com semblante fechado, com raiva, ou com outras características hostis ou negativas, isso pode significar que ela não realizou de forma favorável a transição, ainda tem apegos materiais e pode estar encarcerada a esses sentimentos grosseiros.

Ao contrário, se a alma se apresenta bem, feliz, pacífica, com boas vibrações, sorridente, envolvida em luz ou vestida com uma roupagem branca, esse pode ser um retrato do seu estado espiritual e de sua capacidade de libertação do plano terreno. Quanto maior for a nossa libertação da matéria e das pessoas melhor estaremos no plano espiritual. O contrário também é verdadeiro: quanto mais presos e apegados estivermos a coisas, nomes, formas e pessoas, mais difícil e sofrida será nossa passagem. É como um viajante que gostou muito de uma cidade e não deseja mais sair de lá… Quanto maior for seu apego a esse local, mais sofrida será sua partida e mais dolorosa a sua estadia longe. Por isso, pessoas muito ligadas ao mundo tendem a ser infelizes no plano espiritual e podem permanecer em zonas inferiores.

Há pessoas que ficam desejando sonhar toda noite com seus entes queridos já desencarnados. Devemos advertir que isso não é algo que ninguém deva almejar. Sonhar sempre com um desencarnado pode ser um sinal de que esse espírito está preso à Terra e ligado a nós, talvez como um obsessor espiritual. É muito comum sonharmos uma ou duas vezes com pessoas que passaram recentemente pela transição. Isso é natural e aceitável, pois muitos espíritos desejam despedir-se das pessoas que amam e usam a via dos sonhos para esse encontro. Uma última visita em sonho ocorre com várias pessoas e é algo normal, humano e saudável. Muitas vezes o encarnado não tem consciência de que se encontrou com o desencarnado. No entanto, sonhar repetidas vezes com nossos entes queridos é um indicativo claro de apego dos dois lados, e pode assinalar um processo obsessivo já estabelecido. Os sonhos não devem ser utilizados como forma de alimentar nossos apegos aos entes queridos falecidos.

Hugo Lapa

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Em que posso ajudar? Ficar triste não é ser triste. Como viver o tempo da tristeza.

Luzia Mathias

É melhor ser alegre que ser triste,
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração.
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não
Vinícius de Morais

 

Claro que ninguém escolhe a tristeza. Mas os acontecimentos tristes fazem parte da vida e é preciso vivê-los.

Algumas pessoas escolhem a negação da tristeza adotando uma máscara de indiferença ou de ironia diante desses acontecimentos ou situações.

Outras tantas desmontam-se, desarvoram-se, perdem o rumo de si mesmas, como se a alegria nunca mais fosse voltar, como se as trevas da noite nunca mais fossem ser expulsas do céu pelo sol nascente.

Algumas sentem-se culpadas ou ingratas por não estarem sempre em estado de felicidade em virtude de cobranças descabidas de que por serem espíritas, por exemplo, devem tudo aceitar com um sorriso nos lábios.

Entendimento equivocado da Nova Revelação, que não nega o sofrimento mas aponta justamente a sua função pedagógica e não punitiva.

Não virá tampouco a Doutrina Espírita, enquanto filosofia, nos propor a insensibilidade aos reveses da vida, já tentadas pelos estóicos, do mesmo modo que não nos propõe alegrias alucinantes e exageradas como sugere o hedonismo.

Dentre as tantas lições que o sofrimento nos oferece ao espírito rebelde e infantil escolho relembrar uma antiga lição: TEMPO.

Na voz atribuída ao sábio rei Salomão, em Eclesiastes 3 (1) extraí algumas reflexões.

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.

Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;

Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;”

– 1 – O título “Eclesiastes” é uma transliteração da tradução grega do termo hebraico Kohelet (ou Qohelet), que significa “aquele que reúne”, mas que é tradicionalmente traduzido como “professor” ou “pregador”. (fonte: Wikipedia)

Quer dizer esse sábio professor cuja voz atravessou os séculos: A tristeza, como tudo o mais tem seu tempo. Nada impõe um estado de tristeza permanente ou onipresente ocupando todos os momentos e espaços de atuação do espírito infinito em suas possibilidades e conexões. Fazer de um tempo de tristeza uma condição permanente é escolha do espírito.

Contra esse estado de onipresença e onipotência da tristeza sempre se pode, e se deve, reagir dando à tristeza o espaço maior ou menor dependendo da situação, mas sempre restrito e transitório.

Viver e tristeza não é o mesmo que tornar-se infeliz, permitindo que ela polua todas as atividades, relacionamentos, bloqueando a experiência do sonho, de fazer projetos para o futuro, semente dos momentos felizes que certamente virão… a seu tempo.

De um amigo espiritual ouvi, num momento de tristeza, a recomendação: “Por hora, resiste e faze o teu melhor.”

Resistir é manter-se ativo, operante, preservando os núcleos saudáveis da vida não atingidos pela dor, pela perda, pela angústia, pelo medo, pela mágoa, ou seja lá o que estejamos vivenciando como tristeza.

É ser um atleta paraolímpico do espírito. Resiste e faze o teu melhor!

Não nos entregando à tristeza, apenas vivendo-a em sua transitoriedade, como tempo que passa, como tempo que trará outros tempos, podemos nos tornar mais sensíveis, e talvez esse seja o seu papel em nosso processo de amadurecimento psicológico, daí a citação do poeta Vinícius que coloquei em epígrafe. A tristeza pode nos sensibilizar e uma vez sensibilizados, mas não infelizes, poderemos criar nossa arte, olhar para nossos irmãos que também sofrem com mais compaixão, valorizarmos mais a beleza à nossa volta, a palavra do amigo, a página doutrinária, … a vida em si mesma.

Isso também passa, é a mensagem de Maria de Nazareth para Chico Xavier, que sim, estava se sentindo triste.

Mesmo vivendo um momento de dor, podemos e devemos não nos tornamos infelizes. Não precisamos permitir que a tristeza ocupe todos os espaços de nossa vida, relacionamentos, trabalho, imobilizando-nos pensamentos e emoções em seus calabouços.

Caetano Veloso compôs uma Oração do Tempo, na qual coloca um vislumbre daquilo que, por enquanto, chamamos de Eternidade:

“E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Não serei nem terás sido
Tempo, tempo, tempo, tempo.

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo, tempo, tempo, tempo.

Se o que aconteceu nos deixou tristes, resistamos e façamos o nosso melhor e nos surpreenderemos mais sábios, mais fortes, e portanto mais felizes logo mais, logo ali, quando for o tempo de ser feliz, e depois tristes, e depois felizes de novo, até que possamos perceber que tudo é apenas beleza e amor sob o olhar de Deus.

Tempo, tempo, tempo…

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
https://celd.xyz/wp-content/uploads/09-Revista_CELD_Setembro-2018.pdf

Extraído de Espiritualidade e Sociedade

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Utilização dos fluidos da Natureza pelo plano espiritual

Paulo Nagae

(…) Antes de tudo, aplicou passes de reconforto ao doente, isolando-o das formas escuras, que se afastaram como por encanto.

 

Em seguida, convidou-me com decisão:

— Vamos à Natureza.

 

Acompanhei-a sem hesitação e ela, notando-me a estranheza, acentuou:

— Não só o homem pode receber fluidos e emiti-los. As forças naturais fazem o mesmo, nos reinos diversos em que se subdividem. Para o caso do nosso enfermo, precisamos das árvores. Elas nos auxiliarão eficazmente.

 

Admirado da lição nova, segui-a, silencioso. Chegados a local onde se alinhavam enormes frondes, Narcisa chamou alguém, com expressões que eu não podia compreender. Daí a momentos, oito entidades espirituais atendiam-lhe ao apelo.

 

Imensamente surpreendido, vi-a indagar da existência de mangueiras e eucaliptos. Devidamente informada pelos amigos, que me eram totalmente estranhos, a enfermeira explicou:

— São servidores comuns do reino vegetal, os irmãos que nos atenderam.

 

E, à vista da minha surpresa, rematou:

— Como vê, nada existe de inútil na Casa de Nosso Pai. Em toda parte, se há quem necessite aprender, há quem ensine; e onde aparece a dificuldade, surge a Providência. O único desventurado, na obra divina, é o espírito imprevidente, que se condenou às trevas da maldade.

 

Narcisa manipulou, em poucos instantes, certa substância com as emanações do eucalipto e da mangueira e, durante toda a noite, aplicamos o remédio ao enfermo, através da respiração comum e da absorção pelos poros.

 

O enfermo experimentou melhoras sensíveis.

 

Pela manhã, cedo, o médico observou, extremamente surpreendido:

— Verificou-se esta noite extraordinária reação! Verdadeiro milagre da Natureza! (…)

 

André Luiz – Francisco C. Xavier – Nosso Lar – Capítulo 50 –

Cidadão de “Nosso Lar”. Ed.FEB

 

Temos vários exemplos na literatura espírita, em que os fluidos dos reinos inferiores são utilizados para restaurar as energias de recém-desencarnados, assim como no tratamento de passes, conforme narrativa de André Luiz no livro Nosso Lar. No trabalho de passes, que é realizado no nosso querido Centro Espírita Léon Denis, também é utilizado esse recurso, e acreditamos que aconteça o mesmo processo em outras casas.

 

Estudamos alguns aspectos envolvidos nesse processo com o nosso querido Ignácio Bittencourt (Espírito), pela mediunidade do Altivo.

 

Todos os seres vivos possuem uma quantidade de fluido vital, inerente à sua espécie, tanto no que diz respeito à quantidade, quanto às características físico químicas. Ao contrário do que pensávamos, nem sempre esses fluidos são retirados do seu habitat natural, no momento de sua utilização. Há espíritos que absorvem esses fluidos e que os mantêm armazenados em si, até o momento do trabalho e os disponibilizam nas salas de passes. Poderíamos comparar a sua ação, como a dos instrumentistas, auxiliando os médicos durante uma cirurgia. No momento em que os espíritos responsáveis pela tarefa do passe, precisam utilizar fluidos do reino vegetal ou animal, eles utilizam os fluidos que estão disponibilizados pelos espíritos auxiliares e os aplicam de acordo com as necessidades.

 

A primeira pergunta que nos vem à mente, é se os espíritos passistas, seriam capazes de recolherem, eles mesmos, esses fluidos. A resposta é sim, mais o processo se torna mais fácil, se realizados por espíritos mais simples, que pela própria característica, possuem mais afinidade com esses fluidos mais materializados do que os espíritos mais elevados. O processo de absorção ocorre, quando eles se aproximam, por exemplo de uma árvore, que possui o fluido vital característico da espécie, se concentra e por conta da afinidade existente, absorve esses fluidos e os armazena. É claro que as características dos fluidos do reino vegetal, são diferentes dos fluidos, que por exemplo, são obtidos nas áreas marítimas, isso porque no mar temos a presença de inúmeras vidas animais minúsculas, que fornecem material constante, enquanto que na terra não têm tantos elementos para fornecer material para a árvore e, por consequência, o fluido obtido no mar é mais enriquecido. Os espíritos mais simples, que por qualquer razão, têm capacidade de entrar na faixa vibratória dessa matéria, vai lá e retira esse fluido como se estivesse retirando de um médium qualquer. Então ele vai e disponibiliza para que seja aplicado em alguém. Há uma afinidade química entre o fluido do espírito e o fluido absorvido.

 

No caso da árvore, ela puxa da terra os elementos para sua sobrevivência e os animais absorvem do ar e da alimentação, os elementos para sua sobrevivência, como nós, quando respiramos e quando comemos, só que a árvore retira os elementos nutrientes do chão. A transformação desses elementos em energia vital é própria dos seres vivos. Todo ser vivo tem essa capacidade, seja ele elementar ou espírito superior. Nós necessitamos comer, Jesus não come, ele já não precisa desta transformação material. Ignácio, comentou que se alimenta de outra forma, mas que ainda precisa de algo material, que aos nossos olhos não seriam considerados sólidos, mas que para os espíritos do nível dele, ainda o são. No caso dele, um copo dessa substância seria correspondente a uma refeição diária. No dia em que o espírito chega a essa situação, não tem mais necessidade de estômago, as funções do fígado, vesículas intestinais, não seriam mais necessárias para um espírito que atingiu esse nível.

 

A solidariedade da Lei Divina

 

Como o espírito superior não tem uma vibração compatível com o material a ser absorvido, para fazer esse processo, ele teria que se esforçar para baixar sua vibração até atingir uma afinidade apropriada para absorver aquele fluido mais materializado. Como a Lei Divina é de solidariedade e tem trabalho para todo mundo, podemos utilizar cada um dentro da sua característica e assim todos têm a chance de participar do trabalho na infinita seara do bem. Esses fluidos da Natureza são transportados à sala de passes por via física e o meio de transporte utilizado são os espíritos mais simples, que têm uma capacidade maior de reter esses fluidos e conservá-los armazenados até quando for necessário.

 

No processo de passes, o tipo de fluido utilizado, depende da característica da doença em questão. Por isso às vezes teremos que utilizar os fluidos retirados da floresta, ou do mar, da mesma forma que muita das vezes os espíritos utilizam mais o fluido animal do médium e em outras situações ele terá que potencializar o fluido do médium, com as características do seu fluido. E mesmo essas influências espirituais podem ser em níveis variados, dependendo das necessidades do atendido. O médium pode trabalhar preferencialmente com um determinado espírito, com determinada característica fluídica, mas dependendo das circunstâncias, pode ser influenciado por um espírito, que tenha um fluido mais sutil, ou em outras situações por um espírito que tenha um fluido mais grosseiro. O próprio médium, como é um ser em evolução já terá algumas coisas já superiores e ainda muitas lembranças do passado, ainda inferiores, como a grosseria, a raiva, o rancor. Então, num determinado momento, parece que o médium entra numa onda mental e puxa aquilo lá do fundo do seu ser e demonstra que ainda é um ser animal ou um ser da idade da pedra. Existe o momento em que deixamos toda essa matéria sair de dentro de nós e há momentos em que não precisamos tirar isso tudo de dentro da matéria, basta que atuemos como espírito imortal. E há momentos em que o médium tem que diminuir o padrão, ter um pensamento mais materializado para poder ajudar um coração, uma mente que está perfeitamente tumultuada. É o que geralmente as pessoas chamam de fluidos para cura de órgãos físicos. No fundo, não é fluido para cura de órgãos físicos, no fundo, no fundo é puxar da própria matéria as energias para cura.

 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas

https://celd.xyz/wp-content/uploads/09-Revista_CELD_Setembro-2018.pdf

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Fumo e Perispírito

Em 1964 escrevi um livro intitulado “Deixe de Fumar Pelo Método de Cinco Dias” que contou com seis edições seguidas. Na época eu nada sabia sobre Allan Kardec. Via a questão “fumo-saúde” sob um ângulo parcial de higidez orgânica, dos danos físicos reversíveis ou não trazidos pelo cigarro, da dependência do fumante em relação à nicotina e outros componentes do fumo. Decorridos dez anos, circunstâncias pessoais de dor e reflexão me levaram ao estudo da Doutrina codificada por Kardec sob a orientação do Mundo Espiritual Superior. Uma nova visão acerca da vida, do destino e da morte do ser humano aos poucos haveria de despertar-me para as inarredáveis realidades da alma em suas recorrentes trajetórias terrenas. O conhecimento das leis de causa e efeito, sobretudo no que concerne ao princípio intermediário entre a matéria e o espírito, elo de união conhecido pelo nome de perispírito, levar-me-ia a refletir mais adiante nos danos visíveis e invisíveis que certos hábitos adquiridos, quase sempre inconscientemente, nos causam.

Desde o “Livro dos Espíritos”, a literatura doutrinária vem mostrando abundantemente a estreita vinculação desse tripé homogêneo representado pelo “corpo-perispírito-espírito”. Observei, outrossim, serem relativamente escassas as informações disponíveis em torno da influência do cigarro no perispírito, por se tratar de um hábito relativamente novo na existência humana.

Ao tempo em que Kardec viveu, o tabagismo era elitista, quase não se difundira em termos das populações.

O tema ficou incluído no capítulo “Das Paixões”, dessa obra básica, conforme questões de nº. 907 a 912. Dali extraímos as seguintes proposições respondidas pelos espíritos:

“Visto que o princípio das paixões está na Natureza, ela é ma em si mesmo?”

Não, a paixão está no excesso acrescentado à vontade, porque o princípio foi concedido ao homem para o bem e as paixões podem levá-lo as grandes coisas, sendo o abuso que delas se faça que causa o mal.

O homem poderia sempre vencer suas más tendências por seus esforços?

Sim, e, algumas vezes sucumbe, por seus fracos esforços. É a vontade que lhe falta.

Não há paixões tão vivas e irresistíveis que a vontade não tem poder para superá-las?

Há muitas pessoas que dizem: ‘eu quero’, mas a vontade não está senão nos lábios; elas querem, mas estão contentes que assim não seja. Quando se crê não poder vencer suas paixões, é que o Espírito nelas se compraz em conseqüência de sua inferioridade. Aquele que procura reprimi-las, compreende sua natureza espiritual, e as vitórias são para ele um triunfo do Espírito sobre a matéria.

Qual é o meio mais eficaz de combater a predominância da natureza corporal?

Praticar a abnegação de si mesmo.”

Perispírito: efeitos

O perispírito é o agente intermediário das sensações externas. Tudo que façamos, nele fica gravado indelevelmente, como se fora num filme intocado, Após a morte do corpo físico, as sensações se generalizam ou seja, as dores não ficam localizadas. Num paciente que tenha desencarnado, por exemplo, de câncer pulmonar proveniente do uso prolongado e constante do cigarro, o espírito não fica propriamente sofrendo de um mal localizado, mas de um mal correspondente que lhe abrange toda a constituição espiritual.

Opinião de Chico Xavier

A ação negativa do cigarro sobre o perispírito do fumante prossegue após a morte do corpo físico? Até quando?

“O problema da dependência continua até que a impregnação dos agentes tóxicos nos tecidos sutis do corpo espiritual cedam lugar à normalidade do envoltório perispirítico, o que, na maioria das vezes, tem a duração do tempo correspondente ao tempo em que o hábito perdurou na existência física do fumante.

Quando a vontade do interessado não está suficiente para arredar de si o costume inconveniente, o tratamento dele, no Mundo Espiritual, ainda exige quotas diárias de sucedâneos (semelhantes) dos cigarros comuns, com ingredientes análogos aos dos cigarros terrestres, cuja administração ao paciente diminui gradativamente, até que ele consiga viver sem qualquer dependência do fumo.”

“As sensações do fumante inveterado, no Mais Além, são naturalmente as da angustiosa sede de recursos tóxicos a que se habituou no Plano Físico, de tal modo obsedante que as melhores lições e surpresas da Vida Maior lhe passam quase que despercebidas, até que se lhe normalizem as percepções.

O fumo no corpo

O assunto, no entanto, no capítulo da saúde corpórea, deveria ser estudado na Terra mais atenciosamente, de vez que a resistência orgânica decresce consideravelmente com o hábito de fumar, favorecendo a instalação de moléstias que poderiam ser claramente evitáveis. A necropsia do corpo cadaverizado de um fumante em confronto com o de uma pessoa sem esse hábito estabelece clara diferença.”

Opinião de Wilson Francisco

Allan Kardec diz, no  Livro dos Espiritos, que o Espirito vem a Terra para intelectualizar a materia, ou seja, ele habita o corpo e deve exercitar o desenvolvimento de suas qualidades divinas atraves dos olhos (inocentar o olhar), da palavra (falar a voz de Deus), das maos (tocar com singeleza, indicar caminhos).

Entao, quando o Fernando Worm diz que a abnegacao o recurso mais expressivo no combate as paixoes eh porque, abnegar-se significa realizar um desejo incansavel de controlar emocoes, aliada a uma vontade intensa de fazer prevalecer a sua inteligencia e a amorosidade por si mesmo.

Jesus diz: Ame o proximo como vc se ama di mesmo. Estas atitudes permitem a vc poder fazer com que vc realize o que estah sugerido no Evangelho Segundo o Espiritismo, a reforma intima, ou seja, formar-se de novo. E a partir dessa plenitude consciencial, faca esforcos para domar suas mas inclinacoes.

Quanto ao que acontece no corpo de um fumante, as experiencias que realizei com Rubens Meira, mostram esse efeito num corpo ainda vivo. Ele fora fumante por varios anos e ha cinco nao fumava mais. Ficou deitado, numa maca, soh com lencol sobre o corpo. Quinze minutos depois, observamos o lencol todo amarelado pela simples transpiracao.

Fumo e mediunidade

Você considera o hábito de fumar um suicídio em câmara lenta? Por quê?

Creio que o hábito de fumar não pode ser definido por suicídio conscientemente considerado. Será um prejuízo que o fumante causa a si mesmo, sem a intenção de se destruir, mas o prejuízo que se deve estudar com esclarecimento, sem condenação, para que a pessoa se conscientize quanto às conseqüências do fumo, no campo da vida, de maneira a fazer as suas próprias opções.

Você teria alcançado condições de desempenho de seu mandato mediúnico, ao longo de mais de meio século de trabalho incessante, se fosse um dependente da nicotina?

Creio que não, com referência ao tempo de trabalho, de vez que a ingestão de nicotina agravaria as doenças de que sou portador, mas não quanto a supostas qualidades espirituais para o mandato referido, de vez que considero “o hábito de cultivar pensamentos infelizes” uma condição pior que o abuso da nicotina e, sinceramente, do “hábito de cultivar pensamentos infelizes” ainda não me livrei.

“Permito-me aqui, um apontamento. O Chico aqui contraria a opiniao de dirigentes espiritas que impedem fumantes em atividades espirituais. Eu sugiro pelo menos uma hora antes, o medium ou passista evite fumar, mas proibicao entendo como exagero. Ha outros tantos vicios muito mais perniciosos aos processo energeticos”.

Que é que você habitualmente aconselha aos fumantes enfraquecidos por derrotas sucessivas, que vêm pedir orientação, forças renovadas e motivação para vencer a dependência física e mental criada pela nicotina?

A prece e o trabalho, em meu entendimento, são sempre os melhores recursos para defender-nos contra qualquer desequilíbrio.

(Chico Xavier) Fonte: livro –”Janela para a Vida” –Psicografia Francisco Cândido Xavier –Fernando Worm.

 

Por Wilson Francisco

Fonte: Fumo e Perispírito – Portal do Espírito

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