INSONDÁVEIS CAMINHOS DA CURA

Sidney Fernandes

Desde a tenra infância, Marilda sofria desmaios. Eletroencefalograma e tratamentos neurológicos indicaram medicamentos anticonvulsivos, que atenuaram, mas não curaram as crises epiléticas.

Durante as descargas das células nervosas, Marilda tinha visões, transes e uma espécie de alucinação. Via cenas que não gostava de lembrar após os desmaios, tamanho o horror que lhe causavam.

Ao começar a frequentar a universidade, os desfalecimentos continuaram. Até que uma das colegas de classe, Lucila, de alma boa, condoída pela situação difícil da amiga, em um de seus momentos de plena lucidez lhe propôs tratamento alternativo. Frequentadora de centro espírita, achava que talvez o auxílio espiritual pudesse ajudar a amiga.

Ao entrar na casa espírita, Maria ficou surpresa e respirou aliviada. Era local despojado, limpo, iluminado, sem imagens ou rituais. Enquanto aguardava sua vez de passar pelo atendimento fraterno, ouviu uma palestra que falava de Jesus, Deus e Amor. Haviam lhe falado que ali havia ligações com o diabo.

— Onde estava o diabo? — perguntava a si mesma.

Aurora, a atendente do serviço fraterno, lhe disse:

— Minha filha. Vamos colocar o seu nome em nossas vibrações. Hoje, ao deitar, faça sua oração habitual e peça ajuda àqueles em que você acredita. Volte a frequentar a sua igreja e leve a sério a sua religião. Lucila, sua amiga, já habituada com os nossos recursos de ajuda, lhe dará notícias.

Marilda, que esperava por algum sermão de conversão para o Espiritismo e que, ao contrário, foi estimulada a retomar suas atividades religiosas, saiu do centro espírita agradecida, acompanhada da amiga.

Na primeira comunicação da noite, manifestou-se um espírito agressivo, que se disse responsável pelos ataques desferidos contra Marilda.

— Em minha mais recente encarnação — começou o espírito —, essa moça acabou com a minha vida. Estou apenas buscando justiça.

Embora a princípio intransigente, o comunicante foi convencido de que estava acorrentado à sua vítima pelas correntes do seu ódio.

Persuadido, capitulou e entregou suas mágoas nas mãos de Deus.

Na manhã do dia seguinte, Marilda telefonou para a amiga Lucila. Não sabia o que havia ocorrido, mas aquela fora uma das melhores noites de sono que tinha tido em sua vida. Sentia-se leve, feliz e confiante. Nunca mais desmaiou!

***

A medicina terrestre, no futuro, poderá fazer muito mais pelas criaturas humanas, se ampliar seus horizontes e passar a levar em conta não somente as causas físicas, mas também as causas espirituais das enfermidades. Esperamos que os novos pesquisadores deem sequência aos passos que, neste século, a ciência humana já começou a trilhar, na busca dos insondáveis caminhos da cura.

Sidney Fernandes

Fonte: Kardec Rio Preto

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FUI AO CÉU E VOLTEI

Antônio Carlos Navarro

A EQM – “Experiência de Quase Morte” nunca foi tão divulgada como tem sido ultimamente.

Relatos de todos os tipos, nos mais diversos pontos do Globo Terrestre, dão-nos conta das inúmeras situações vividas, seja em ambientes fechados como salas de cirurgia de hospitais ou em ambientes abertos.

A médica ortopedista norte-americana, Dra. Mary C. Neal vivenciou uma EQM e a relatou no livro cujo título é o mesmo deste ensaio.

Treinada em mergulho e canoagem, foi durante um passeio no Chile, onde estava com o marido e um grupo de amigos, para a prática da canoagem, que se deu a experiência.

A descer o Rio Fuy, aproximou-se de uma queda d’água, planejando a melhor forma de transpô-la, mas algo, no entanto, deu errado, e a força da água em movimento intenso e violento arrastou-a para o fundo do rio, mantendo-a submersa, sem chances de se livrar da situação.

De formação presbiteriana e católica, lembrou-se de rezar, fervorosamente, colocando-se nas mãos de Deus e aceitando, resignadamente, o “Seja feita a Sua vontade”, e então uma sensação de calma e paz invadiu-a e percebeu-se abraçada por alguém, que pensava ser Deus, sentindo-se afagada e confortada.

Múltiplos pensamentos vieram a sua consciência: a situação em que se encontrava, a vida que tivera até então, a família, os fatos e valores que desenvolvera e muito mais.

Acostumada a situações críticas, pressentiu a morte e revisou toda a sua vida.

Os esforços de resgate eram infrutíferos e o tempo passava rapidamente. Foram mais de catorze minutos submersa.

Foi então que se sentiu saindo do corpo e do fundo do rio, e ao emergir levitando sobre a água encontrou cerca de quinze a vinte espíritos – palavras dela – que entendia terem sido enviados por Deus para acompanhá-la naquela viagem rumo ao Céu. Esses espíritos a cumprimentaram com alegria e ela reconheceu alguns como sendo pessoas com as quais tinha convivido nesta sua vida e que tinham deixado o mundo físico pela porta da morte do corpo. Os corpos desses espíritos não tinham, nos seus limites, a nitidez que os corpos materiais possuem, apresentando certo embaçamento.

Desdobrou-se o fenômeno através da comunicação exclusivamente mental, do sentimento de amor absoluto, da percepção de um colorido intenso, e um grande corredor brilhante e belíssimo, sem comparação com algo na Terra. Nesse momento reviu o corpo na beira do rio, já resgatado, mas não houve nenhum interesse em voltar para ele, e sentiu o esforço que os envolvidos no resgate faziam para ressuscitá-la, e isso a enervava porque não queria mais voltar à condição de encarnada.

Ao se aproximar do fim do túnel, os espíritos que a acompanhavam disseram a ela que era preciso voltar. Aconselharam-na a voltar, porque ainda havia muito o que fazer na Terra, seu programa de vida continuaria por muito tempo ainda. Protestou e protestou, mas teve que voltar para o corpo e assumi-lo novamente, acordando sob os cuidados dos socorristas que não haviam desanimado, embora tivesse passado tanto tempo.

Desde então aprofundou sua vivência nos valores espirituais, ajudando o próximo também a conseguir o mesmo, dando um novo sentido a sua vida.

Há muito mais para se ler em seu interessantíssimo livro que aqui não é possível registrarmos, mas cabe-nos ainda uma última observação: durante o período de recuperação dos traumas físicos causados pelo acidente a Dra. Mary começou a ter desdobramentos espirituais, e se via conversando com um mensageiro de Deus que a orientava sobre os aspetos transcendentes da vida, mas principalmente sobre o planejamento espiritual que traçamos para a vida física.

Tudo o que a Dra. Mary experimentou ajudou-lhe a solidificar a sua fé, e a certeza de uma vida melhor além da vida física. E, para nós, ao lermos seu relato, embora este não seja novidade, o que ela nos conta serve para verificarmos, na prática, o que temos aprendido através da Revelação Espírita que nos permite desenvolver a fé de forma racional e produtiva, para nós e para aqueles que nos circundam durante a vida física.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

Fonte:  Doutrina Espírita

Nota do Autor:

(1) O livro objeto deste Ensaio é Fui ao Céu e voltei, Mary C. Neal, Textos Editores Ltda.

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A FRIVOLIDADE HUMANA

FRÍVOLOS

Joanna de ÂngelisVer a imagem de origem

Na atualidade, rica de luzes da razão, escasseiam as lâmpadas acesas do sentimento de amor.

Sucede que o progresso horizontal, estendendo-se sem cessar, é de fácil conquista, mas a evolução na vertical do Infinito é de acesso mais complexo que exige reflexão e sacrifícios.

Eis porque se diz em linguagem vulgar: Quanto mais alto se localiza um conquistador, mais terrível ser-lhe-á a queda!

Esforçar-se para igualar os valores do saber com o dever deve ser a harmoniosa luta íntima de todas as criaturas.

Desenvolver as adormecidas faculdades do sentir para possuir a sabedoria de caminhar com segurança.

Haverá dificuldades de vário porte, momentos de cansaço e de desinteresse, ante os insucessos, mas a fatalidade do bem que vige no espírito humano, herança divina que é, consegue superar esses impedimentos e a marcha é refeita vezes incontáveis.

Ademais, nunca faltam o amor e o auxílio do nosso Pai, que nos impulsiona a vencer as sombras íntimas, herança funesta do progresso nas primeiras faixas da evolução.

Desse modo, nunca esmoreças diante dos desafios em forma de dificuldades que ajudam a realizar cometimentos mais significativos e relevantes… À medida que o indivíduo adquire discernimento, mais numerosos são os problemas a chamar-lhe a atenção. A sua capacidade faz-se mais lúcida e desafiadora, dando o valor que merecem os questionamentos, sem gerarem desânimo ou impedimento na jornada.

As pessoas portadoras de responsabilidade compreendem que as questões que nos chegam fazem parte do processo de desenvolvimento da percepção e da realidade.

Somente os frívolos consideram problema os meandros por onde se deve transitar em qualquer empreendimento.

Disposto ao prosseguimento das conquistas mais exigentes o indivíduo cresce e penetra nos meandros dos empecilhos, tornando-os partes constitutivas dos projetos que aguardam realização.

Pessoas inadvertidas, porém, sempre asseveram que os bons sofrem mais do que os maus. Trata-se de uma observação superficial, com natureza desculpista, para justificarem a inércia e a inépcia para a ação edificante.

Também se confunde muito o brilho aparente das coisas com a sua realidade que chamam a atenção, mas não são possuidoras de qualidades que aparentam.

O êxito nem sempre pode ser medido pela aparência, por aquilo que se anota como vitória e envilece o coração.

Diz-se que o ser humano é feliz quando nada o retém impedindo-lhe o avanço, o que não é uma realidade absoluta. O não ter pode constituir-se em ausência de estímulo para possuir valores abençoados e portadores da alegria como da paz.

Todas as conquistas íntimas e transformadoras se operam em silêncio, em estruturas de qualificação moral ou espiritual, por proporcionarem a alteração das paixões asselvajadas que teimam em destacar-se nos processos iluminativos.

Essa situação, normalmente, é acompanhada de comportamentos vis.

Parece haver uma conspiração constante contra o abençoado estado das coisas. Nas dificuldades de se aceitar e se adaptar, produzindo a reforma moral, a zombaria, o escárnio se destacam em predomínio.

Por meio do ridículo que produzem, pensam esses que assim se comportam, vencerem as rígidas regras de conduta que produzem bem-estar pela sensação de felicidade…

Trata-se de estados de paz que envolvem as áreas orgânicas e emocionais sob a inspiração do Bem.

Assim sendo, nunca revides aos enganadores que conseguem apresentar erros e equívocos nas questões que os libertam dos hábitos doentios.

Sempre foram perseguidos os idealistas, os conquistadores, aqueles que prepararam a sociedade para atingir o grau de cultura e civilidade.

É natural que haja a contrapartida, a reação dos opositores que estão em toda parte sempre de plantão.

Desse modo, os heróis e mártires provaram o fel da ignorância, mas logo depois foram erguidos à glória que merecem e ora desfrutam as bênçãos da sua misericórdia.

*****

Sempre se atribui que o silêncio é aparente anuência e aparente submissão como prejuízo e perda.

A fatalidade do progresso, no entanto, coroa-os de vitórias que travaram na Terra.

Alegra-te, portanto, quando caluniado, perseguido por todo o mal que disserem sobre ti.

Porfia e não te angusties.

Reserva tuas forças para o dever a que te encontras vinculado.

Os frívolos estão desocupados, procurando vítimas para as suas façanhas infelizes.

Eles são levianos e mudam de conceito e de comportamento com muita facilidade.

Porque o seu é um caráter volúvel, as suas são opiniões caprichosas e destituídas de conteúdos valiosos.

Aplaudidos, eles se destacam por pouco tempo, enquanto os seus difamados ascendem para Deus e para vitória sobre si mesmos.

Não importa quando, mas eles despertarão para a realidade que negam nas chamas do arrependimento, das provações redentoras.

A falta de siso, de amadurecimento, a ausência de enfibratura moral permitem que o indivíduo se tipifique pela fraqueza de caráter, portanto, irresponsabilidade e cultivo de ociosidade.

Há muitos indivíduos frívolos e bem apresentados na sociedade, porque estão a serviço da anarquia e da desconstrução dos valores éticos.

A mentira, o disfarce, porém, jamais triunfam por largo tempo. Trata-se de uma questão de oportunidade.

*****

Quando o rei Luís XVI e a família real, durante a Revolução Francesa, já se encontravam a um passo da vitória na fuga empreendida, próximo à fronteira com Luxemburgo, Sua Majestade foi identificado por um desocupado que o denunciou à polícia e foram presos todos os membros da comitiva, ele, inclusive, a rainha e filhos, na carruagem dourada, especialmente preparada para aquele cometimento.

Sê gentil para com eles, os frívolos e desocupados, apegado ao compromisso da caridade, e voarás com as asas do amor, porque sem elas não te salvarás.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na noite de 28 de outubro de 2020, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

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AMOR AO PLANETA

Nilton Moreira

Desde os primórdios o homem sente a necessidade de acreditar em alguma coisa que lhe permita pelo menos transferir responsabilidades. Também tem a tendência de acreditar que tenha algo de Maior no Universo, o que costumamos chamar de Deus.

Mas têm aqueles que negam essa Inteligência Suprema, mas ao dizerem que não acreditam Nele já o estão admitindo no seu íntimo, até porque trazemos gravado na consciência o princípio Divino, ou seja, Suas Leis Imutáveis, pois somos uma Centelha Divina espalhada pelo universo como bem disse o filósofo Léon Denis.

Quando enveredamos por caminhos tortuosos ferindo os princípios mais dinâmicos que são os que agridem a vida planetária, estamos de certa forma transgredindo estas Leis. Hoje nos deparamos com várias destruições, como por exemplo as relacionadas com o meio ambiente, poluição de rios jogando dejetos neles, desviando seus cursos para implantação de hidroelétricas que modificam o cenário harmônico, queimadas com propósito de expansão pecuária, caça e pesca predatória, tudo em nome do progresso e do poder econômico.

Os elementos que possuem energia, fluido, vitalidade, são na realidade nossos irmãos inferiores de planeta. Temos um vínculo muito grande na escala da Criação Divina, portanto devemos respeitá-los e utilizá-los da maneira mais racional possível, pois do contrário teremos de prestar contas ao Criador se assim não agirmos.

Paremos um pouco para pensar como estará o Planeta daqui há 100 anos se não colocarmos um freio na destruição! É verdade que os cientistas a cada dia descobrem outras esferas, mas até agora nenhuma se prestou para que pudéssemos lá viver com a matéria orgânica densa que serve de invólucro ao nosso corpo astral. Isto é importante meditar, pois nos parece que a preservação ambiental está diretamente ligada à sobrevivência de nossa espécie.

Não vamos só fazer apologia em qualidade de vida, mas também na continuidade dela. Façamos a pergunta: Como estamos preparando o Planeta para nossos netos? Certamente cada um de nós vai encontrar neste questionamento uma resposta objetiva do que poderá evitar ou fazer melhor.

á quase 2000 anos um Homem nos deixou a mensagem Cristã, evocando o amor, mas em verdade a maior parte do Planeta ainda não entendeu Seus ensinamentos. Quem sabe agora pela dor que todos estamos passando possamos dar um salto de qualidade e evoluir moralmente em benefício do Planeta e assim nos beneficiarmos a todos.

Nilton Moreira

Coluna Semanal – Estrada Iluminada

Fonte: G. E. Casa do Caminho de S. Vicente

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QUEM É O CHEFE DO ESPIRITISMO ?

Donizete Pinheiro

O Espiritismo não tem chefe e nem representante legal. Por isso, no seu aspecto institucional, diferencia-se essencialmente de todas as outras religiões. É que, na essência, a religião é uma consequência moral das conclusões cientificas e filosóficas da Doutrina Espírita, cujo objeto é o estudo dos espíritos, sua vida e suas manifestações entre nós.

Como fatos naturais que são, os fenômenos espirituais podem ser pesquisados por qualquer pessoa, que tirará por si as suas conclusões. Existe, por ventura, o chefe da química, da física, da astronomia ou da biologia? É claro que não! Existem cientistas, pesquisadores que apresentam à humanidade o resultado de seus trabalhos, os quais podem ser acolhidos ou não. Uma teoria cientifica é aceita como verdade quando outros cientistas conseguem confirmá-la por suas próprias experiências, havendo então uma unanimidade quanto aos seus princípios e resultados.

É o que ocorreu com a Doutrina Espírita. Partindo dos fenômenos das mesas girantes, que tomaram conta da América do Norte e da Europa em meados do século dezenove, Allan Kardec estabeleceu as bases do Espiritismo, que foram confirmadas por cientistas e filósofos dele contemporâneos, como Lombroso, Gabriel Delanne, Alexandre Aksakof, Gustavo Geley, Ernesto Bozzano e Leon Denis, e que atualmente foram reforçadas por médicos, psicólogos e estudiosos, como Welen Wambarch, Roger J. Woolger, Hermani Guimarães Andrade e Hermínio Miranda.

O avanço de ciência, com a invenção de aparelhos mais sensíveis, certamente fornecerá as provas cabais de realidade espiritual, pondo por terra as críticas dos incrédulos obstinados e negativistas por sistema. Como se costuma dizer: contra fatos não há argumento. É só questão de tempo. De resto, o que não for verdadeiro cairá por si mesmo.

Assim, cada centro espírita é uma célula independente. Seus participantes estudam e praticam a Doutrina Espírita conforme a compreendem. Em sua maioria, os centros espíritas oferecem ensinamentos de acordo com a base kardequiana. Alguns, porém, a deturpam; outros dão prioridade à mediunidade e suas reuniões têm por fim unicamente as manifestações dos espíritos; e outros, ainda, desprezam o fenômeno mediúnico e dedicam-se somente ao estudo da filosofia. Não raro, encontramos centros denominados espíritas, mas que misturam a prática espírita com rituais religiosos, como, por exemplo, os da Umbanda. Cabe ao povo escolher o que mais lhe convém.

No movimento espírita existem órgãos de unificação, como a Federação Espírita Brasileira, a USE-União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo e as Federações de outros Estados, mas todas essas instituições têm por objetivo apenas a orientação e a colaboração aos centros espíritas, sem qualquer tipo de ingerência ou imposição.

A princípio perde-se em uniformidade, mas ganha-se em liberdade de consciência, em respeito à compreensão de cada um, pensamento compatível com o espírito democrático da Doutrina Espírita; e evita-se a opressão religiosa e dogmática, situação em que alguns impõem a muitos o que pensam, sem admitir discussão.

A Doutrina Espírita caminha lentamente e com dificuldades, mas cresce fincada na ação de pessoas que a escolheram livremente, que têm sua fé robustecida pelos fatos e pela razão, e que respeitam a crença do próximo, sabendo que a verdadeira religião é a do coração comungado com o Criador.

Donizete Pinheiro

Fonte: Espiritismo na Rede

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CASAMENTO

Emmanuel

«Pergunta – Será contrário à lei da Natureza o casamento, isto é, a união permanente de dois seres?»

«Resposta – É um progresso na marcha da Humanidade.» Questão nº 695, de «O LIVRO DOS ESPIRITOS».

O casamento ou a união permanente de dois seres, como é óbvio, implica o regime de vivência pelo qual duas criaturas se confiam uma à outra, no campo da assistência mútua.

Essa união reflete as Leis Divinas que permitem seja dado um esposo para uma esposa, um companheiro para uma companheira, um coração para outro coração ou vice-versa, na criação e desenvolvimento de valores para a vida.

Imperioso, porém, que a ligação se baseie na responsabilidade recíproca, de vez que na comunhão sexual um ser humano se entrega a outro ser humano e, por isso mesmo, não deve haver qualquer desconsideração entre si.

Quando as obrigações mútuas não são respeitadas no ajuste, a comunhão sexual injuriada ou perfidamente interrompida costuma gerar dolorosas repercussões na consciência, estabelecendo problemas cármicos de solução, por vezes, muito difícil, porquanto ninguém fere alguém sem ferir a si mesmo.

Indiscutivelmente, nos Planos Superiores, o liame entre dois seres é espontâneo, composto em vínculos de afinidade inelutável. Na Terra do futuro, as ligações afetivas obedecerão a idêntico princípio e, por antecipação, milhares de criaturas já desfrutam no próprio estágio da encarnação dessas uniões ideais, em que se jungem psiquicamente uma à outra, sem necessidade da permuta sexual, mais profundamente considerada, a fim de se apoiarem mutuamente, na formação de obras preciosas, na esfera do espírito.

Acontece, no entanto, que milhões de almas, detidas na evolução primária, jazem no Planeta, arraigadas a débitos escabrosos, perante a Lei de Causa e Efeito e, inclinadas que ainda são ao desequilíbrio e ao abuso, exigem severos estatutos dos homens para a regulação das trocas sexuais que lhes dizem respeito, de modo a que não se façam salteadores impunes na construção do mundo moral.

Os débitos contraídos por legiões de companheiros da Humanidade, portadores de entendimento verde para os temas do amor, determinam a existência de milhões de uniões supostamente infelizes, nas quais a reparação de faltas passadas confere a numerosos ajustes sexuais, sejam eles ou não acobertados pelo beneplácito das leis humanas, o aspecto de ligações francamente expiatórias, com base no sofrimento purificador. De qualquer modo, é forçoso reconhecer que não existem no mundo conjugações afetivas, sejam elas quais forem, sem raízes nos princípios cármicos, nos quais as nossas responsabilidades são esposadas em comum.

Emmanuel

Médium: Francisco Cândido Xavier

Livro Vida e Sexo – 7

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DEUS DIRIGE! CABE-NOS OBEDECER

Orson Peter Carrara

Não é castigo, nem capricho. Nem tampouco imposição. Meramente o volume de aflições e preocupações, enfermidades e desafios em andamento, significam experiências de amadurecimento. Deus criou a vida, as criaturas (seus filhos, que somos nós) e as sábias leis que dirigem a vida e seu funcionamento. Leis imutáveis, diga-se de passagem. Tais leis, soberanas, justas, sábias e especialmente misericordiosas, não estabelecem qualquer tipo de preferência ou privilégios, são para todos.

As adversidades em curso são apenas o reflexo de nossa rebeldia, no agir contra a lei. Ignoramos a lei, propositalmente ou a ela nos fazemos indiferentes – não é por falta de conhecimento, já não podemos alegar isso – e aí colhemos as consequências. Podemos semear a vontade, e colheremos os frutos da semeadura.

Preciso é ver a qualidade da semeadura, se ainda saturada de agressividade ou egoísmo, vaidade e seus lamentáveis desdobramentos.

Deus é absoluto, onipotente, onipresente, onisciente. Sabedoria e bondade em grau supremo, e permite as colheitas para aprendermos a semear o bem, que é lei que impera para tudo.

Deus tem o gerenciamento completo do Universo. Esse gerenciamento, repleto de amor, é didático e educativo.

A visão de premiação ou punição não existe na ação de Deus, tudo, porém tem consequência. Apenas colhemos consequências.

Portanto, observar a Lei de Amor é uma questão de inteligência. Tudo foi concebido para a felicidade dos filhos de Deus, nós é que ainda nos equivocamos por falta de amadurecimento.

Não é melhor obedecer à sabedoria de Deus?

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A “MELHORA DA MORTE”

Rafaela Paes de Campos

A iminência do fim da existência terrestre é algo que sempre nos assusta. O fato de sermos Espíritas não atenua tal sentimento, eis que se habitamos este planeta ainda nos encontramos em estágio evolutivo apegado ao que é material. O corpo físico é matéria, e ver-se diante de uma possível separação daqueles que nos são caros, traz dor, ansiedade e muito sofrimento.

Perder um ente querido nunca será fácil. Quando entre nós há um enfermo num leito de hospital lutando por sua vida, memórias perpassam nossas mentes a fim de reviver bons momentos vividos. Amar alguém é sentimento poderoso, força da natureza, laços fortes de um passado incontável e, por isso, a compreensão de que a vida não acaba com a morte não possui o condão de amenizar a sensação de perda e impotência.

Quando alguém adoece e permanece em hospitais sendo tratado e amparado pela Medicina terrena, a família e os amigos permanecem em um constante estado de vigília. Os pensamentos estão sempre ligados ao doente e as orações se tornam fervorosas pedindo a cura e a oportunidade de seguir na vida lado a lado. Este é o pedido principal!

A mais conhecida das orações, e mais entoada por nós em momentos de desespero e desamparo, é o Pai Nosso, onde se diz “seja feita a Vossa vontade”. Na realidade, é algo que dizemos automaticamente, porque em momentos de crise como a doença do corpo físico, queremos que a NOSSA vontade seja feita. Pode soar rude, mas é uma realidade.

A finitude da vida é algo que nos acompanha desde o primeiro minuto de vida. Se pensarmos que carregamos uma bagagem invisível nas costas assim que adentramos a materialidade, o primeiro item que ela guarda é de que um dia morreremos. Vivemos dia após dia, confiantes de que o nosso dia e o dia dos que amamos está bem distante. Apesar de fazer parte inexorável de quem somos, a morte é sempre vista com medo.

Entretanto, os desígnios de Deus são maiores do que a nossa compreensão e apenas Ele sabe o que é melhor e necessário a cada um de nós. Quando a doença atinge o corpo físico e a esperança é de que a vida reine suprema sobre a malvada morte, família e amigos iniciam uma corrente de fé e oração para a recuperação do doente.

Sabemos que a oração tem uma força poderosíssima e tem o poder de arrombar as portas dos céus. Diante do dito perigo, “suportamos impacientemente as tribulações da vida; elas nos parecem tão intoleráveis que não compreendemos como podemos enfrenta-la” (KARDEC, 2018, p. 301).

A realidade é que estamos, com a força de um amor gigante, prendendo um Espírito que talvez se encontre no momento de sua partida. Ah, não devo orar então? Claro que deve, sempre! Entretanto, há que se orar aceitando que seja feita a VOSSA vontade! Por quê?

O processo de separação da alma e do corpo não é abrupto, não ocorre instantaneamente no instante em que se decreta a hora do óbito. É um processo gradual, um desatar, não romper. A alma ali encarnada, e em vias de partir, é amparada por uma Espiritualidade amiga que auxilia nesse momento.

Encarnar e desencarnar, os dois atos naturais da vida, são momentos de perturbação para o Espírito, eis que um guarda o medo da falha e o outro, o medo do desconhecido diante do véu do esquecimento. Assim sendo, em ambas as situações não estamos desamparados.

A oração é válida e necessária para auxiliar no momento da doença. Entretanto, a oração repleta de lamentos, sofrimento e desespero perturba o Espírito que luta para manter-se à matéria mesmo quando essa já não demonstre condições orgânicas para continuar. Precisamos ter em mente que o mesmo amor que sentimos é sentido por aquele a quem direcionamos nossos pensamentos, e ele sofre em nos ver sofrer.

Quando a partida é certa, então a Espiritualidade que assiste aquele Espírito permite uma melhora. Isso causa um grande alívio à família e amigos, sentimento que afrouxa, então, o desespero e dor, transformando orações em agradecimento pela situação. É aí que, “inexplicavelmente”, pouco tempo depois, este ente parte da vida terrena.

É a chamada melhora da morte. Nós já estamos familiarizados com ela, nós sabemos que ela existe, mas falar dela ou trazer ela à tona, é visto com maus olhos, como se estivéssemos desejando a morte de alguém.

Não, meus irmãos, não estamos desejando que ninguém morra. Mas a morte é parte da vida. Viver é morrer todos os dias. Sabemos da intervenção da Espiritualidade, e sabemos que ela possui os seus mecanismos para fazer com que o que precisa acontecer, aconteça.

Esse é um dos mecanismos dos quais ela dispõe. É chegada a hora da partida para a verdadeira vida. A família e amigos não querem perder a pessoa, mas ao Alto cabem todos os entendimentos que nós não possuímos.

A matéria é uma prisão para o Espírito, e retornar à Pátria Mãe, é uma libertação.

Sentir é inevitável, sofrer faz parte do processo. O luto é um caminho bastante individual, mas precisamos ter a consciência de aceitar a VOSSA vontade!

Ame, viva, demonstre seu amor, acarinhe. Viva plenamente cada momento com aqueles que ama. A vida irá se findar em algum momento, e que nesse instante, vivamos os nossos sentimentos mas busquemos o equilíbrio que auxiliar nosso ente e que nos ajuda a serenar diante da dor.

A melhora da morte é real para que, momentaneamente, afrouxemos nossas dores e, assim, a vida complete seu ciclo. Ter fé é indispensável, amar é mais ainda, orar é mais do que necessário, mas que respiremos fundo e falemos de coração “seja feita a Vossa vontade”.

ELES VIVEM!

Rafaela Paes de Campos

Fonte: Blog Letra Espírita

REFERÊNCIA

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, Tradução de Matheus Rodrigues de Camargo – 23ª reimp. nov. 2018, Capivari/SP: Editora EME.

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CONVOCAÇÃO AOS ESPÍRITAS PELO DIÁLOGO!

Dora Incontri

Um dos propósitos que norteiam a Associação Brasileira de Pedagogia Espírita é o diálogo inter-religioso, o diálogo com outras filosofias, sejam espiritualistas ou materialistas, sem perda da identidade de um espiritismo kardecista livre – conforme já expusemos num manifesto publicado aqui em fevereiro de 2019.

Esse diálogo requer uma arte de empatia, respeito e reconhecimento de valor no outro e ao mesmo tempo, a preservação de um espírito crítico (não demolidor) em relação a qualquer corrente de pensamento, incluindo a nossa. Perder a mão nesse caminho é algo muito fácil, quando nos afastamos da fraternidade e nos deixamos incendiar por paixões avassaladoras.

Mas tenho observado que o mais difícil é manter o diálogo entre nós mesmos – entre aqueles mesmos que se dizem espíritas kardecistas. E quero tecer algumas reflexões em torno desse delicado tema.

Desde o manifesto de 2019, entre os próprios que assinaram aquele manifesto, já houve brigas, cancelamentos, mágoas, raivas e toda espécie de negação de diálogo construtivo. Um dia desses, entrevistando o querido frade franciscano Volney Berkenbrock, em nosso programa Semeando Espiritualidades: Diálogo e Crítica, ele nos apresentava uma ideia interessante: é mais fácil dialogar com o outro mais distante, mais diferente de nós, do que com o que é nosso, está próximo, faz adesão à mesma corrente e pensa diferente. Dizia ele isso para explicar por que católicos progressistas, por exemplo, dialogam com tanta empatia com adeptos das religiões afro-brasileiras ou com budistas e taoístas, mas se esquivam de um encontro com espíritas kardecistas. Para o Frei, e concordei com ele, sendo o espiritismo uma releitura do cristianismo, ele é visto muito mais como uma heresia, do que como outra tradição, que deve ser respeitada.

Para mim, há outros fatores também, que não cabem aqui. Mas sim, na medida em que Kardec destrona Lúcifer, torna os diabos simples seres humanos desencarnados e em estado de sofrimento e endurecimento, considera Jesus não o próprio Deus encarnado, mas um Espírito que nos serve de modelo e guia, que confronta a eternidade das penas e propõe a reencarnação, ele está re-explicando o cristianismo, confrontando dogmas fundamentais, dentro da própria tradição greco-judaico-cristã – porque o espiritismo, sim, está dentro dessa tradição histórica. Compreende-se então o que falou o frei.

Em nosso caso, dos espíritas kardecistas, teríamos que rever posições intolerantes e extremadas, para mantermos um mínimo de fraternidade, colaboração e respeito à diversidade. Senão, tanto criticamos o movimento espírita institucional hegemônico, leia-se FEB e afins – com quem também, na medida do possível, devemos tentar um diálogo (não submisso e acrítico, mas humanamente amistoso), e acabamos por agir como os mais autoritários, impedindo a livre manifestação do pensamento de cada um.

Entendamos que sempre haverá diferenças entre os que mais pensam igual – e ótimo que assim seja, isso é enriquecedor e fecundo e jamais poderemos fugir de nossa subjetividade.

Quero citar aqui algumas diferenças aceitáveis e o que realmente não podemos aceitar como espíritas – seja de que tendência que nos consideremos.

Se há espíritas roustainguistas e kardecistas, podemos discutir à vontade as teses de Roustaing e criticá-las (se assim quisermos e acharmos importante, eu particularmente acho relevante, porque o roustainguismo teve um papel histórico importante no sincretismo do espiritismo com o catolicismo no Brasil). Mas nem por isso, não há coisas fundamentais que nos unam, como a reencarnação, a mediunidade e, sobretudo a Ética da fraternidade universal. Por isso, posso discutir até a morte o roustainguismo, mas quem aceita Roustaing não é meu adversário…

Há quem aceite que o espiritismo seja uma revisão, uma releitura, uma reafirmação do cristianismo e outros que falam de um espiritismo laico. Estou entre aqueles que afirmam o espiritismo como um resgate de um cristianismo que foi reprimido historicamente. Kardec bateu insistentemente na tecla de que o espiritismo não é religião, mas escreveu O Evangelho segundo o Espiritismo e usa o termo espírita-cristão. Ao mesmo tempo, no próprio Evangelho, anuncia que o espírita poderia pertencer a qualquer culto que quisesse. Então, há espaço para diferentes interpretações do próprio Kardec. Por que nos combatermos mutuamente, ao invés de debatermos civilizadamente? Recentemente, numa live com Jon Aizpurua, um queridíssimo amigo e liderança internacional do espiritismo laico (termo que nunca me convenceu), chegamos a um conceito que nos agradou mutuamente: de que o espiritismo é uma forma de espiritualidade livre. Como se vê, o diálogo encontra pontes. Dentro desse âmbito, quem quiser comemorar Natal e Páscoa ressignificando-os espiritamente, que comemore, quem não quiser, não comemore. Quem quiser orar a Maria (como podemos orar a qualquer Espírito elevado) que ore, quem não quiser nem orar, não ore! E que ninguém se incomode com essas questões de foro íntimo de cada um.

Nesses últimos anos, a maior ruptura que tivemos no movimento espírita, como de resto em toda a sociedade brasileira, é em relação aos bolsonaristas espíritas. Veja-se que aí não é mais uma questão doutrinária, de detalhes, de briga por palavras ou conceitos. Mas o bolsonarismo fere os princípios éticos básicos do espiritismo. E não só do espiritismo, mas do cristianismo, do budismo, das religiões afro… de uma ética laica, da própria civilização. É simplesmente a barbárie! E estamos testemunhando aonde nos levou essa barbárie: mais de 300 mil mortos por Covid-19 no Brasil. Na medida em que seu líder defende tortura, morte, anulamento do adversário, misoginia, negacionismo científico, homofobia, racismo, armamento da população, ele está completamente fora da moralidade básica de qualquer pessoa racional, saudável psiquicamente, seja espírita ou não. Compreende-se assim que devamos repudiar, criticar, lamentar espíritas que se alinham ao bolsonarismo – e infelizmente foram muitos. Mas não odiá-los, porque não vamos nos igualar a eles em nenhum discurso de ódio.

Por conta justamente desse retrocesso experimentado no Brasil, desde o golpe de 2016, e a decepção de muitos espíritas com dirigentes e médiuns bolsonaristas, surgiram inúmeros coletivos, lideranças novas, grupos, que vieram fazer coro a uma visão que a ABPE já cultivava desde o seu início em 2004 – aliás, já antes com a Editora Comenius: uma visão progressista, social e à esquerda do espiritismo, como, pensamos, ele realmente é. Só para lembrar, o último Congresso Brasileiro de Pedagogia Espírita e Internacional de Educação e Espiritualidade, tivemos o tema: Educação, Espiritualidade e Transformação Social. Mas… assim como as esquerdas brigam, se fendem, se combatem, também essa atitude de intolerância e cancelamento já atingiu as fileiras dos espíritas progressistas. Muitos acham que para ser progressista e de esquerda, devemos seguir as cartilhas que cada grupo ou indivíduo seguem. Primeiramente, esses movimentos não poderiam nunca se partidarizar, porque quando discutimos política e sociedade no movimento espírita, devem ser debates teóricos, ações práticas de atuação social, mas jamais a propaganda de um partido ou de uma liderança, embora individualmente, cada qual tenha o direito de ter suas preferências. Dentro de um diálogo da esquerda espírita, cabem sociais-democratas, socialistas, marxistas, anarquistas, partidários da cultura da paz, partidários de pautas identitárias e aqueles que não consideram essas pautas prioritárias no momento… enfim, há espaço para todos, todas e todes (como querem alguns – para mim, me dói ferir a língua, embora é claro, repudio muito mais ferir os corpos). Tudo isso seria possível, se houvesse menos paixão, menos arrebatamento e menos desejo de sermos sempre os únicos donos da verdade.

O desafio, portanto – e isso se estenderia a vários outros temas, como Chico Xavier, Emmanuel, Pietro Ubaldi e ao próprio Kardec, nossa grande referência – é manter o espírito crítico, atualizado, mas equilibrado, preciso, sóbrio, sem arrebatamentos destruidores, sem cancelar quem pensa diferente e colhendo o que é bom no meio de equívocos. Assim agia Kardec, que nunca perdia a classe, tinha um fino espírito de ironia crítica, mas jamais usou as armas do ódio e da destruição do outro. Fraternidade, empatia, diálogo construtivo, argumentativo – essas devem ser as posturas de um espírita.

Dora Incontri

Fonte:  Associação Brasileira de Pedagogia Espírita (ABPE)

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Joanna de Ângelis

As muitas tarefas a que atendes exaurem tuas forças e o cansaço anula possibilidades valiosas, que poderias aplicar em realizações de maior profundidade.

Fascinado pelos serviços de variada ordem nos quais buscas esquecer problemas de outro quilate, ao te dares conta, estás vencido, sem o controle que se faz preciso, para maior avanço nas vias da evolução.

Examina os compromissos que te assoberbam e seleciona-os.

Põe em ordem o que deves executar para que o tempo te seja pródigo.

Disciplina as realizações para que se submetam ao teu comando otimista.

Trabalho que enfada é labor que deprime.

Há trabalhos que podes e deves fazer e há deveres que outros podem executar, na tua esfera de ação.

Os serviços de superfície absorvem e desesperam, porquanto se multiplicam sem cessar.

Fugir do que necessitas vencer, significa transferência de luta para tempo e espaço posterior.

Se buscas o cansaço para asfixiar a ansiedade que te persegue, raciocinas como o opiômano, que se entrega a um tormento para a outro tormento fugir.

A Doutrina Espírita, iluminando a mente do homem, dá-lhe os instrumentos de fácil manejo para dissecar os dramas que perturbam, libertando dos falsos problemas resultantes da indisciplina do próprio espírito.

Em face da necessidade de um exame acurado da dificuldade que se faz empecilho à evolução, o aluno do Cristo deve atirar-se ao trabalho, sem dúvida, mas, primeiramente precisa capacitar-se com os valores que o habilitem para a paz legítima, a fim de adquirir alegria nas realizações, desintoxicando-se dos vapores da estafa que irrita, entorpece e dispõe mal.

* * *

Usa a “hora morta” meditando.

Cultiva a leitura espírita como norma de aprendizagem.

Conhecendo a Doutrina, perceberás as sutilezas de que se utilizam nossos adversários, já desencarnados, e assim mais facilmente poderás enfrentá-los.

O autoconhecimento, como a auto-iluminação, constitui tesouros que devem ser trabalhados.

Ler ou estudar são hábitos.

O espírita não pode prescindir do estudo.

Estudo também é trabalho…

Não somente merecimento pelo esforço físico, mas também evolução pela renovação íntima ante a luz do conhecimento.

Não menosprezes, desse modo, nos teus labores, o significado da palavra refazimento.

Refazer as forças no repouso representa desdobrar possibilidade de ação contínua.

Nem o sono entorpecente, nem a ação devastadora.

Repouso pode ser entendido como troca de atividades, que funciona como higiene mental, em que encontres prazer sem tédio, alegria sem irritabilidade.

As atividades espíritas para o teu espírito são de alto teor… Dá-lhes prioridade.

Que se dirá de quem, tendo feito muito, nada fez pela serenidade de si mesmo?

Não vale semear uma gleba sem-fim, entregando-a aos parasitos, aos insetos e às ervas daninhas.

Planta e zela.

Levanta o caído e anda um pouco com ele.

Ajuda o necessitado e anima-o um tanto mais.

Os que são levantados e não dispõem de forças para manter-se, quando lhes falta o auxílio, retornam ao chão…

Trabalho e recuperação podem ser considerados termos do mesmo binômio evolutivo.

Amanhã farás o que hoje não conseguires.

* * *

Muitas vezes surgem interrogações a respeito dos desaparecimentos do Mestre, nas narrativas evangélicas.

Conjecturas de vária procedência tomam corpo, tentando elucidações.

No entanto, após os labores exaustivos junto ao povo, habitualmente o Senhor buscava orar em profundo silêncio, meditar em demorados solilóquios.

Retemperava, assim, as próprias energias para a áspera liça de esclarecer e consolar, atuando junto aos corações desarvorados e mentes em desalinho; pacificador e harmônico, distribuindo serenidade e equilíbrio como fonte inesgotável, cujas nascentes refrescantes tinham origem nos Céus.

Joanna de Ângelis

Médium: Divaldo P. Franco

Livro: Dimensões da Verdade – 49

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