AMOR LIVRE

Emmanuel

«Pergunta – Qual das duas, a poligamia ou a monogamia é mais conforme à lei da Natureza?»

«Resposta – A poligamia é lei humana cuja abolição marca Progresso social. O casamento segundo as vistas de Deus tem que se fundar na afeição dos seres que se unem. Na poligamia, não há afeição real: há apenas sensualidade.» Questão nº 701, de «O LIVRO DOS ESPIRITOS».

Comenta-se a possibilidade de legalização das relações sexuais livres, como se fora justo escolher companhias para a satisfação do impulso genésico, qual se apontam iguarias ou vitaminas mais desejáveis numa hospedaria. Relações sexuais, no entanto, envolvem responsabilidade.

Homem ou mulher, adquirindo parceira ou parceiro para a conjunção afetiva, não conseguirá, sem danos a si mesmo, tão-somente pensar em si.

Referentemente ao assunto, não se trata exclusivamente da ligação em base do matrimônio legalmente constituído. Se os parceiros da união sexual possuem deveres a observar entre si, à face de preceitos humanos, voluntariamente aceitos, no plano das chamadas ligações extralegais acham-se igualmente submetidos aos princípios das Leis Divinas que regem a Natureza.

Cada Espírito detém consigo o seu íntimo santuário, erguido ao amor, e Espírito algum menoscabará o “lugar sagrado” de outro Espírito, sem lesar a si mesmo. Conferir pretensa legitimidade às relações sexuais irresponsáveis seria tratar “consciências” qual se fossem “coisas”, e se as próprias coisas, na condição de objetos, reclamam respeito, que se dirá do acatamento devido à consciência de cada um? É óbvio que ninguém se lembrará, em são juízo, de recomendar escravidão às criaturas claramente abandonadas ou espezinhadas pelos próprios companheiros ou companheiras a que se entregaram, confiantes; isso, no entanto, não autoriza ninguém a estabelecer liberdade indiscriminada para as relações sexuais que resultariam unicamente em licença ou devassidão. Instituído o ajuste afetivo entre duas pessoas, levanta-se, concomitantemente, entre elas, o impositivo do respeito à fidelidade natural, ante os compromissos abraçados, seja para a formação do lar e da família, ou seja, para a constituição de obras ou valores do espírito. Desfeitos os votos articulados em dupla, claro que a ruptura corre à conta daquele ou daquela que a empreendeu, com o aceite compulsório das consequências que advenham de semelhante resolução.

Toda sementeira se acompanha de colheita, conforme a espécie. É razoável nos lembremos disso, porquanto o autor ou autora da defecção havida, ante os princípios de causa e efeito, é considerado violador de almas, assumindo com as vítimas a obrigação de restaurá-las, até o ponto em que as injuriou ou prejudicou, ainda mesmo quando na conceituação incompleta do mundo essas criaturas tenham sido encontradas supostamente já prejudicadas ou injuriadas por alguém. O diamante no lodo não deixa de ser diamante, sem perder o valor que lhe é próprio, diante da vida.

A criatura em sofrimento não deixa de ser criação de Deus, sem perder a imortalidade que lhe é própria, à frente do Universo. Que a tentação de retorno dos sistemas poligâmicos pode ocorrer habitualmente com qualquer pessoa, na Terra, é mais que natural – é justo. Em circunstâncias numerosas, o pretérito pode estar vivo nos mecanismos mais profundos de nossas inclinações e tendências. Entretanto, os deveres assumidos, no campo do amor, ante a luz do presente, devem prevalecer, acima de quaisquer anseios inoportunos, de vez que o compromisso cria leis no coração e não se danificarão os sentimentos alheios sem resultados correspondentes na própria vida.

Observem-se, nos capítulos do sexo, os desígnios superiores da Infinita Sabedoria que nos orienta os destinos e, nesse sentido, urge considerar que a Vontade de Deus, na essência, é o dever em sua mais alta expressão traçado para cada um de nós, no tempo chamado “hoje”. E se o “hoje” jaz viçado de complicações e problemas, a repontarem do “ontem”, depende de nós a harmonia ou o desequilíbrio do “amanhã”.

Emmanuel

Médium: Francisco Cândido Xavier

Livro: Vida e Sexo – 19

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AUTODESOBSESSÃO

Vladimir Polízio

Temos aqui uma lição interessante, onde somos colocados na condição de responsáveis por tudo o que nos acontece. Pode, num primeiro momento, parecer estranho uma afirmativa dessa natureza, colocando-nos a responsabilidade quando cedemos às pressões externas sobre nossos pensamentos.

Com plena e total liberdade, a mente humana é um poderoso centro criativo. Pelo pensamento é possível erguer e no mesmo instante fazer desmoronar o que estiver sendo idealizado. Assim sendo, cuidados são necessários para que a mente, na velocidade de suas vibrações, não ceda às influências maléficas de outras mentes aqui encarnadas e nem das que se acham no outro lado da vida, procurando conquistar os que ainda vacilam ou perverter aqueles cujos pensamentos são tendenciosos e voltados aos conflitos de ordem moral…

Mas, somente será exatamente dessa maneira e sem qualquer controle, se você quiser, pois o titular de seus pensamentos é você mesmo, mais ninguém. Enquanto quisermos, enquanto for de nossa vontade, ninguém, nenhuma mente encarnada ou desencarnada terá condições de invadir nossa privacidade mental e impor o seu domínio.

Somos levados a compreender que temos a necessidade imperiosa de manter uma disciplina mental rígida de maneira a não permitir que nossos pensamentos comecem a dar mostras da intenção de extravasar os seus limites de segurança dentro da conduta natural estabelecida a si próprio. Quando a defesa espiritual estiver em nível baixo, a exemplo dos riscos referentes à fraca imunidade física, o acesso de agentes nocivos é franqueado naquela esfera, desencadeando processos que a medicina convencional não cura.

Porém, para que essa segurança seja constante durante a vida, deve-se manter a vigilância de maneira que as pressões de toda espécie não tenham efeito sobre nossa mente, especialmente nos momentos em que a fragilidade emocional se faça presente. Não se esquecer nunca de um fato de fundamental importância: se a mente é o cavalo, você é o cavaleiro e deve estar sempre atento a esses sinais de rebeldia mental, se esforçando até em não permitir que o alimento da desarmonia se instale, buscando o controle por meio de orações, a fim de afastar esse momento irracional. Energias negativas trazem temporadas tristes e inseguras. Enfim, ao sentir-se nessas condições, não espere, procure por um Centro Espírita onde lhe será esclarecido cientificamente o assunto e onde você encontrará o caminho da retomada do necessário equilíbrio. Não é necessária a queda para que esta ensine a ser cauteloso.

André Luiz, respeitável instrutor do Além, enviou a Chico Xavier, através da psicografia, esta mensagem específica que trata de um assunto cotidiano e que leva muita gente ao estado de submissão. ‘Autodesobsessão’:

“Se você já pode dominar a intemperança mental…

Se esquece os próprios constrangimentos, a fim de cultivar o prazer de servir…

Se sabe absorver o comentário infeliz, sem passá-lo adiante…

Se vence a indisposição contra o estudo e continua, tanto quanto possível, em contato com a leitura construtiva…

Se esquece mágoas sinceramente, mantendo um espírito compreensivo e cordial, à frente dos ofensores…

Se você se aceita como é, com as dificuldades e conflitos que tem, trabalhando com tudo aquilo que não pode modificar…

Se persevera na execução dos seus propósitos enobrecedores, apesar de tudo que se faça ou fale contra você…

Se compreende que os outros têm o direito de experimentar o tipo de felicidade a que se inclinem, como nos acontece…

Se crê e pratica o princípio de que somente auxiliando o próximo é que seremos auxiliados…

Se é capaz de sofrer e lutar na seara do bem, sem trazer o coração amargoso e intolerante…

Então, você estará dando passos largos para libertar-se da sombra, entrando, em definitivo, no trabalho da autodesobsessão.

Vladimir Polízio

Fonte: Espiritismo na Rede

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CORPO HUMANO: DÁDIVA DE DEUS

Momento Espírita

Quando estamos encarnados, temos um instrumento fantástico que nos serve ao progresso: o nosso corpo.

Com ele, podemos promover nosso aprimoramento físico, moral e espiritual.

O pesquisador e neurocientista, David Eagleman, diz que o corpo humano é formado por quarenta trilhões de células.

Podemos nos dar conta dessa imensidão de células, que trabalham de forma constante?

Afirma, maravilhado, o cientista: O corpo humano é uma obra-prima de complexidade e beleza. É uma sinfonia de células trabalhando em harmonia.

Podemos dizer que nosso corpo é uma perfeição da natureza, que precisou de milhões de anos de evolução para que chegasse ao que hoje é.

De igual forma concluímos que é muito delicado.

É o mesmo David Eagleman que narra o caso de um jovem de dezenove anos, que sofreu um dano grave em seu sistema nervoso.

A lesão fez com que ele perdesse a função dos nervos que levam ao cérebro as informações sobre o tato e a capacidade de localização dos membros do corpo.

Os médicos lhe informaram que não poderia mais se mover, porque não teria mais o controle do próprio corpo.

Viveria a partir de então em uma cadeira de rodas.

Como uma pessoa que não consegue ter a percepção dos membros de seu corpo poderia se mover?

Contudo, o jovem não aceitou se entregar a uma vida sem movimentos. Passou a se levantar e andar.

A grave questão é que ele não sente suas pernas e braços. Também não sente o chão. Por isso usa a visão para calcular o espaço e poder andar.

Isso lhe exige toda concentração para cada ação que realiza, cada passo que dá. Uma pequena distração pode levá-lo ao chão.

Ele precisa pensar atentamente em cada movimento que fará, o que lhe exige igualmente muita determinação.

No entanto, apesar da grande dificuldade, ele se movimenta e segue em frente.

Um exemplo da vontade férrea do Espírito sobre a máquina física.

* * *

Em nossas vidas, muitas vezes não percebemos a complexidade e a fragilidade de nosso corpo e deixamos de valorizar esse conjunto perfeito que nos permite desde os mais simples aos mais complexos movimentos.

Aprendamos a valorizar essa preciosidade. Deus, o Criador de tudo, o elaborou com precisos detalhes.

Não nos permitamos negligenciar cuidados com ele.

Cautela com nossa alimentação para manter o bom funcionamento dos órgãos.

Não façamos uso de bebidas, medicamentos ou outras substâncias que possam prejudicar o seu funcionamento.

Não esqueçamos dos exercícios físicos para manutenção do seu vigor.

Prestemos atenção aos nossos pensamentos, não alimentando os negativos, a fim de não perturbar a sua harmonia.

Utilizemos a reflexão sobre as nossas emoções que o podem impactar para o bem e para o mal, produzindo enfermidades ou mau funcionamento desse ou daquele órgão.

O corpo físico é o santuário de que nos servimos para nos manifestarmos no mundo.

Sirvamo-nos dele com parcimônia, com atenção. Zelemos pela sua conservação para o melhor funcionamento.

E agradeçamos, diariamente, a Deus, por essa dádiva: nosso corpo físico.

Por Momento Espírita

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 3, do livro Cérebro: uma biografia, de David Eagleman, ed. Rocco e no cap. Teu corpo, do livro Viajor, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. IDE.

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À FRENTE, O FUTURO

Antonio Calos Navarro

Se há uma consequência a ser deduzida dos ensinamentos transmitidos pelas religiões, esta é a imortalidade dos nossos espíritos. Todas as religiões trabalham visando o futuro do ser humano, principalmente, para o além da morte.

No Evangelho do Senhor Jesus, encontramos o Mestre falando do espírito humano, dizendo-nos “ninguém sabe de onde ele vem, nem para onde ele vai”, o que significa que já existíamos antes e vamos continuar existindo depois da morte do corpo físico. É o conceito de imortalidade sendo estabelecido por Jesus. Nestes termos, imortalidade significa futuro.

Estamos, portanto, caminhando para o futuro, e nós sabemos que a reencarnação é o mecanismo utilizado pela Inteligência Suprema e Causa Primeira de todas as coisas que possibilita aos espíritos o desenvolvimento necessário para atingir a perfeição.

A renovação e o desenvolvimento da sociedade humana, em todos os aspectos, comprovam isso, e no momento presente estamos vivendo um período de rápidas mudanças, e estas exigem de nós uma permanente adaptação à modernidade.

Com respeito ao futuro, e da forma como deveremos vivenciá-lo, educando-nos para ele, tem-se produzido muitos estudos e conclusões que servem de orientação para todos nós.

Uma das mais interessantes opiniões a respeito é a do psicólogo Howard Gardner, reconhecido mundialmente pela sua Teoria das Inteligências Múltiplas, e um dos mais renomados estudiosos da inteligência e desenvolvimento humanos.

Em sua opinião, essas mudanças exigem novas formas de aprender e de pensar, seja na escola, nos negócios ou nas profissões, e ele as discute em seu livro “Cinco Mentes Para o Futuro”, que rapidamente se tornou um sucesso de vendas no mundo todo. Podemos sintetizar a sua teoria transcrevendo os seus postulados:

* A mente disciplinada — o domínio das principais correntes de pensamento (incluindo ciências, matemática e história) e de pelo menos um ofício;

* A mente sintetizadora — capacidade de integrar ideias de diferentes disciplinas ou esferas num todo coerente e comunicar essa integração a outras pessoas;

* A mente criadora — capacidade de descobrir e esclarecer novos problemas, questões e fenômenos;

* A mente respeitadora — consciência e compreensão das diferenças entre seres humanos;

* A mente ética — cumprimento das responsabilidades de cada um enquanto trabalhador e cidadão.

Essas premissas encontram eco na Doutrina Espírita, por fazerem parte do corpo da doutrina, desde a sua codificação por Allan Kardec, e que se estabelece como o Consolador prometido pelo Senhor Jesus.

Na primeira mensagem das Instruções dos Espíritos do capítulo VI de O Evangelho Segundo o Espiritismo encontramos os dois ensinamentos ditados pelo Espírito da Verdade, que podemos correlacionar às “mentes” propostas por Gardner.

“As mentes respeitosa e ética” podem ser englobadas no “Amai-vos”, o primeiro ensinamento, porque o respeito e a ética são pressupostos do amor, e o amor é o tema central da mensagem do Senhor Jesus e consequentemente da Doutrina Espírita.

“As mentes disciplinada, sintetizadora e criadora” estão contidas no “Instruí-vos”, o segundo ensinamento, porque instrução significa desenvolver nossa capacidade intelectual, o que só será possível se desenvolvermos, disciplinadamente, nosso intelecto aproveitando nossas tendências e inclinações, mas nunca fechando a porta para novos assuntos. E, uma vez conquistado o conhecimento multidisciplinar, será preciso saber utilizá-lo para o progresso de todos, mantendo-se atento e com coragem para descobrir novas soluções para os problemas humanos, produzindo melhores condições de vida em nosso planeta, que se encontra em fase de transição entre Mundo de Expiações e Provas para Mundo de Regeneração.

Assim vamos constatando a grandeza da Doutrina Espírita, que tem sido confirmada pela ciência humana em seus mais diversos postulados, por ser, na condição da Terceira Revelação, portadora de orientações necessárias ao espírito imortal, e este, se consciente e perseverante as aplicar hoje, o futuro, que é para onde estamos indo, será de vida em abundância, exatamente como anunciou, há dois mil anos, o Senhor Jesus.

Pensemos nisso.

Antonio Carlos Navarro

Fonte: Kardec Rio Preto

 

Referências Bibliográficas:

(1) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. Salvador Gentile. 365ª ed. Araras – SP: IDE, 1978.

(2) Gardner, Howard. Cinco Mentes para o Futuro.

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A CASA MENTAL E A REFORMA ÍNTIMA

Wanderley Soares de Oliveira

A compreensão dos mecanismos da mente auxilia-nos a entender como se opera o grande objetivo da transformação.

Diz André Luiz: “Não podemos dizer que possuímos três cérebros simultaneamente. Temos apenas um que, porém, se divide em três regiões distintas. Tomemo-lo como se fora um castelo de três andares: no primeiro situamos a residência de nossos impulsos automáticos, simbolizando o sumário vivo dos serviços realizados; no segundo localizamos o domicílio das conquistas atuais, onde se erguem e se consolidam as qualidades nobres que estamos edificando; no terceiro, temos a casa das noções superiores, indicando as eminências que nos cumpre atingir. Num deles moram o hábito e o automatismo; no outro, residem o esforço e a vontade; e no último estão o ideal e a meta superior a ser alcançada.

Distribuímos, deste modo, nos três andares, o subconsciente, o consciente e o superconsciente. Como vemos, possuímos, em nós mesmos, o passado, o presente e o futuro” (No Mundo Maior. Pelo espírito André Luiz, psicografado por Chico Xavier, capítulo 3. FEB).

O estudo deste tema é fundamental em quaisquer assuntos da reforma íntima. É um tema de fácil entendimento e usaremos da ilustração para ajudar a compreensão.

André Luiz fez uma comparação dos níveis mentais com uma casa. O porão é onde guardamos tudo aquilo que poderá nos servir em algum momento. É o armazém ou depósito da mente, denominado pelo autor espiritual como subconsciente, no qual se encontram todas as experiências, boas ou infelizes, representando todo o nosso passado espiritual. Tudo que nós fazemos é registrado nessa parte da mente.

A parte social da residência é o local no qual mais nos movimentamos, assim como a cozinha, quarto, sala e demais cômodos mais usados em uma casa. É o nível chamado de consciente e corresponde a todas as operações relativas ao momento presente, constituindo a personalidade atual desde o renascimento na matéria até o momento atual.

O sótão é a parte da casa que mais raramente utilizamos, no intuito de relaxar, descansar ou refletir. Representa o superconsciente ou região nobre da mente, onde se encontram todos os germens divinos da perfeição, em estado latente. É o nosso futuro.

Na ilustração, você pode ver uma relação entre as cores amarelo, branco e preto como sendo superconsciente, consciente e subconsciente, e os respectivos andares da casa. Os três níveis mentais têm correspondência com três áreas da vida cerebral no corpo físico, mas não vamos aqui aprofundar esse aspecto que poderá ser estudado no livro de André Luiz. Segundo o autor espiritual, no subconsciente mora o automatismo e o hábito. No consciente reside o esforço e a vontade; e no superconsciente encontramos o ideal e a meta.

A compreensão dos mecanismos de interação entre estes “moradores” auxilia-nos imensamente entender como se opera o grande objetivo espiritual da reforma íntima.

Os moradores dos três níveis

Essas três partes da vida mental estão em constante interatividade. Do subconsciente partem apelos automatizados que foram consolidados ao longo de várias reencarnações e que podem dominar nossas ações, pensamentos e sentimentos. Por exemplo: quem fumava, em reencarnações recentes, ou desenvolveu o talento de tocar piano terá impulsos para fumar novamente e grande facilidade para aprender piano na presente existência corporal.

Na reforma íntima, como temos que superar muitos impulsos ou tendências do passado, é necessário que os moradores do consciente, ou seja, o esforço e a vontade, sejam manejados decididamente para tomar conta da vida mental e escolher com sabedoria o que queremos fazer, pensar e sentir, diante dos ideais de transformação moral. Aqui, temos um primeiro conceito de reforma íntima: a ascendência da vontade e do esforço sobre nossos milenares hábitos cristalizados no subconsciente.

O conflito interior nasce dessa luta entre consciente e subconsciente. É preciso muita disciplina para conter os impulsos, nem sempre nobres, dessa parte subconsciente da vida mental.

Outro conceito importante de reforma íntima é o aprendizado de despertar os valores divinos que se encontram adormecidos no superconsciente. Educação é exatamente esse ato de extrair ou colocar para fora os tesouros de nossa divindade que se encontram adormecidos nesse nível. Todos nós os temos guardado nesse campo da vida mental superior. Por exemplo: quando buscamos a calma, a alegria, a fé e tantos outros patrimônios espirituais, em verdade, todos eles já se encontram no superconsciente. A meditação, a oração, o desenvolvimento da honestidade em relação aos nossos sentimentos, o hábito do autoamor através do cuidado conosco e o serviço do bem são algumas das muitas formas de acessar essa zona mental nobre e recolher o conteúdo energético que nos fará sentir o bem-estar de uma vida saudável e plena.

Wanderley Soares de Oliveira

Fonte: Trecho do artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, abril 2010, ed.79. Imagem: Revista Cristã de Espiritismo, abril 2010, ed.79.

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ABANDONADOS, MAS NÃO A SÓS

Joanna de Ângelis

Tristeza pertinaz teima por dominar os painéis coloridos da tua alma, convertendo aspirações acalentadas anos-a-fio em amargura, fazendo que experimentes ressaibos de profundas nostalgias.

Desfilam, rapidamente, todos os quadros que te marcaram o espírito com os sulcos vigorosos da decepção.

Amigos enganados que te enganaram; irmãos insensatos que te ofenderam; bocas irresponsáveis que te atingiram com as farpas da maledicência; corações que pareciam afeiçoados e que seguiram adiante…

Repassas, emocionado, cenas que se foram, mas não esqueceste: promessas ardentes, testemunhos de afeição, olhares incendiados de entusiasmos, emoções explodindo em palavras fáceis que teciam grinaldas de ternura… E perguntas, agora, em soledade, onde estão os amigos de outrora, os co-partícipes das tuas horas de triunfo?

Tens a impressão de que o peso de mil deserções se acumula sobre a tua fragilidade, e temes por ti mesmo.

Desde há algum tempo a tristeza secunda os teus passos e tange monótona balada que vagarosamente te domina, conduzindo o teu carro de júbilos para o abismo dos desencantos.

E crês que não resistirás por muito tempo.

Fraco é o bastão da tua fé, poderosa a força do sítio que te ameaça.

Levanta, porém, os olhos e dirige-te a Ele, o Grande Ignorado.

* * *

Além do que consideras o teu horto, transporta as fronteiras da tua dor, quanta dor!…

Perdeste amigos e admiradores, fugiram afetos e simpatizantes, mas em verdade nunca os tivestes contigo.

Eram apenas acompanhantes da oportunidade. Faziam algazarra, comungavam presenças, fora, todavia, da realidade que buscavas.

E a realidade é esta: solidão com a verdade.

Tributo valioso exige a liberdade – quantas vidas físicas exige o carro da guerra para doá-la?

Preço elevado impõe o dever – quantas lágrimas são vertidas no cultivo da gleba onde ele medra?

Soma ponderável deve ser igualmente oferecida para o consórcio com o amor – único espólio de uma existência modelar.

Não te descoroçoes, pois.

Voltarão, mais tarde, os que te deixaram.

Brilhará novamente o sol dos sorrisos.

Soarão, vibrantes, depois, as palavras em festival demorado de admiração.

Será, porém, tarde para eles, porquanto já não te terão ao lado.

Há doentes cuja gravidade do mal passa despercebida por ignorarem a doença.

Há aflições que não enlouquecem por ainda desconhecidas dos que as encontrarão logo mais.

Há delinquentes que conseguem caminhar por teimarem desconsiderar o crime.

Há solidões escondidas na balbúrdia, que se cercam de fantasias…

Por mais, porém, que todos desejem ignorar o drama que conduzem consigo, nem por isso mesmo conseguirão passar na romagem evolutiva sem o despertamento para a responsabilidade.

Mais infelizes são todos esses, cujo amanhã está assinalado por pesadas sombras, aguardando por eles.

Tu, porém, embora sofrendo e chorando, crês, já travaste contato com a fé e és amigo da esperança.

Conserva o óleo da certeza no lume do dever e espera o dia, após esta noite demorada.

* * *

Ninguém poderia supor que a multidão exaltada que seguiu o Mestre, em Jerusalém, devidamente açulada por vândalos mercenários, seria o coro que o vilipendiaria logo depois a caminho do Calvário.

Ninguém poderia supor que aqueles que o aclamaram quando viam cegos recuperarem a visão, paralíticos recobrarem os movimentos, surdos recomporem os ouvidos, mudos voltarem a falar e leprosos sararem ao contacto daquela voz e daquelas mãos, seriam as mesmas bocas estertoradas que O exortariam com sarcasmo a sair da Cruz.

Ninguém poderia supor que, embora abandonado na Terra, o Pai Celeste estava com Ele, sem O deixar a sós; nem que depois de uma tarde de tempestade e de uma longa noite, Ele voltaria vitorioso sobre todos e tudo, para continuar o ministério junto aos que O abandonaram…

Joanna de Ângelis

Médium: Divaldo Pereira Franco

Livro: Dimensões da Verdade – 56

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A CORRUPÇÃO ESTÁ NA ALMA DO BRASILEIRO?

Entrevista de Richard Simonetti sobre corrupção.

1 – Sucedem-se os governos no Brasil e perpetua-se a corrupção, em todos os níveis de atividade, na área pública e privada. Está na alma do brasileiro?

A corrupção está na alma da Humanidade, excrescência do comportamento egoístico que caracteriza os habitantes deste planeta de provas e expiações. A preocupação exacerbada com o próprio bem-estar e, no caso, com os patrimônios materiais, inspira e sustenta a desonestidade.

2 – Mas essa tendência parece ser mais forte em nosso país.

A tendência é universal. Ocorre que em países desenvolvidos é controlada e punida. A impunidade no Brasil, principalmente em relação aos que mais se comprometem com a corrupção, é assustadora. Com raras exceções, somente os pobres vão parar na cadeia.

3 – No seu entender, quais as medidas que deveriam ser tomadas pelo governo?

Compete-lhe aprimorar os controles e instituir mecanismos que levem à punição exemplar dos infratores. Mas isso não basta, já que sempre haverá espertos capazes de burlar as leis. A educação orientada para a cidadania é o caminho mais acertado, estabelecendo controles a partir da consciência de que ser cidadão é, acima de tudo, respeitar as leis.

4 – E quanto ao Espiritismo?

Há duas frentes de ação, inspirando a honestidade. Em primeiro lugar, também a educação, não a formal, mas a educação espiritual. Com a consciência de que somos Espíritos imortais em jornada de evolução na Terra, onde nos compete combater os impulsos egoísticos que favorecem a corrupção, somos decisivamente estimulados a respeitar as leis.

5 – E a segunda frente?

Mostrar que todos responderemos por nossas ações quando retornarmos ao Mundo Espiritual, em observância plena à advertência de Jesus de que a cada um será dado segundo suas obras (Mateus, 16:27). Quem está consciente dessa realidade será sempre o fiscal incorruptível de si mesmo.

6 – Qual seria o castigo da corrupção?

Diz Dante, em A Divina Comédia, que os corruptos vão parar uma vala de piche fervente, no inferno, atormentados por demônios perversos. Suas fantasias guardam algo da realidade espiritual. Em O Céu e o Inferno, Allan Kardec reporta-se a Espíritos comprometidos com o erro, o vício, o crime, a desonestidade, enquanto encarnados. Inúmeros deles descrevem, em manifestações mediúnicas, seus tormentos morais, piche fervente em suas consciências, reunidos, por afinidade, em correspondência à natureza de seus crimes, em tenebrosos vales de sofrimento.

7 – A honestidade seria o passaporte para regiões mais amenas?

Sim, mas não basta cumprir as leis dos homens. Sobretudo, é preciso ser honesto perante Deus, como explica o Espírito Joseph Brê, dirigindo-se à sua neta, na obra citada: Honesto aos olhos de Deus será aquele que, possuído de abnegação e amor, consagre a existência ao bem, ao progresso dos seus semelhantes; aquele que, animado de um zelo sem limites, for ativo na vida; ativo no cumprimento dos deveres materiais, ensinando e exemplificando aos outros o amor ao trabalho; ativo nas boas ações, sem esquecer a condição de servo ao qual o senhor pedirá contas, um dia, do emprego do seu tempo; ativo finalmente na prática do amor a Deus e ao próximo.

Richard Simonetti

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AMBIENTE DOMÉSTICO

Emmanuel

«Frequentemente, o Espírito renasce no mesmo meio em que já viveu, estabelecendo de novo relações com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes haja feito. Se reconhecesse nelas os a quem odiara, quiçá o ódio lhe despertaria outra vez no íntimo. De todo modo, ele sentiria humilhado em presença daquelas a quem houvesse ofendido.» O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – Cap. V, Item 11

Na comunhão de dois seres para a organização da família, prevalece o compromisso de assistência não só de um para com o outro, mas também para com os filhos que procedem do laço afetivo. Não possuímos ainda na Terra institutos destinados à preparação da paternidade e da maternidade responsáveis. A evolução e o aprimoramento das ciências psicológicas de hoje, porém, garantir-nos-ão no futuro semelhante evento. Identifiquemos no lar a escola viva da alma.

O Espírito, quando retorna ao Plano Físico, vê nos pais as primeiras imagens de Deus e da Vida. Na tépida estrutura do ninho doméstico, germinam-lhe no ser os primeiros pensamentos e as primeiras esperanças. Não lhe será, contudo, tão fácil seguir adiante com os ideais da meninice, de vez que, habitualmente, a equipe familiar se aglutina segundo os desastres sentimentais das existências passadas, debitando-se-lhe aos componentes os distúrbios da afeição possessiva, a se traduzirem por ternura descontrolada e ódio manifesto ou simpatia e aversão simultâneas. Pais imaturos, do ponto de vista espiritual, comumente se infantilizam, no tempo exato do trabalho mais grave que lhes compete, no setor educativo, e, ao invés de guiarem os pequeninos com segurança para o êxito em seu novo desenvolvimento no estágio da reencarnação, embaraçam-lhes os problemas, ora tratando as crianças como se fossem adultos ou tratando os filhos adultos como se fossem crianças.

Estabelecido o desequilíbrio, irrompem os conflitos de ciúme e rebeldia, narcisismo e crueldade, que asfixiam as plantas da compreensão e da alegria na gleba caseira, transformando-a em espinheiral magnético de vibrações contraditórias, no qual os enigmas emocionais, trazidos do pretérito, adquirem feição quase insolúvel. Decorre daí a importância dos conhecimentos alusivos à reencarnação, nas bases da família, com pleno exercício da lei do amor nos recessos do lar, para que o lar não se converta, de bendita escola que é, em pouso neurótico, albergando moléstias mentais dificilmente reversíveis.

Emmanuel

Médium: Francisco Cândido Xavier

Livro: Vida e Sexo – 4

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O choro como válvula de escape da aflição

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Jorge Hessen

O choro pode durar a noite inteira, mas de manhã vem a alegria. (1) Estudiosos afirmam que a função evolutiva do choro foi despertar empatia no semelhante e estimular o auxílio em momentos de necessidade. Na verdade, a histórica cooperação entre indivíduos foi e continua sendo essencial para a sobrevivência da espécie humana.

Sabe-se que o choro libera hormônios e neurotransmissores que aliviam a tristeza e a dor. Especialistas alegam que reprimir o choro significa abafar alguns sentimentos, tornando mais difícil lidar com eles. Em face disso, médicos e psicólogos recomendam chorar para liberar as emoções. O choro amiúde constitui o acesso nas essências mais profundas dos sentimentos. É quando não se domina a amargura e ela necessita ser vazada, exposta, nem que seja solitariamente.

As lágrimas são um mecanismo de defesa do organismo para liberar o stress e auxiliar no reequilíbrio das emoções. O choro alivia a angústia e pode nos levar a submersões mais intensas, quando oferecemos um sentido para as lágrimas, para aquela dor vivida no presente.

Todavia, são urgentes alguns alertas! O choro pode ser um episódio ligeiro de tristeza, mas também pode ser um transtorno psicológico depressivo. A tristeza é um estado emocional transitório e comum, uma reação psicológica circunstancial. Entretanto, a depressão, ao contrário da tristeza, não é algo efêmero. Uma pessoa deprimida padece de condição emocional crônica sob as chibatas da ansiedade mental prolongada.

Meditando a questão do choro, observamos que ele foi sublime em Jesus. Como registrou o evangelista afirmando que à frente de Lázaro “morto”, o Cristo chorou. O excelso Galileu “também chorou lamentando a incompreensão dos homens sentado em uma das grandes raízes de uma árvore no fundo do quintal da casa de Pedro”. (2) Jesus chorou no Getsêmani, quando sozinho, todavia, em Jerusalém, sob o peso da cruz, rogou às mulheres generosas a cessação das lágrimas. Na alvorada da Ressurreição, questionou Madalena a razão do seu choro junto ao sepulcro.

Conta o Espírito Hilário Silva no livro “A Vida Escreve” uma metáfora em que Eurípedes Barsanulfo teria indagado ao Mestre: “Senhor, por que choras?”. Jesus não respondeu. O nobre filho de Sacramento reiterou: “Choras pelos descrentes do mundo?” E após um instante de atenção, Jesus respondeu em voz dulcíssima: “Não, meu filho, não sofro pelos descrentes aos quais devemos amor. Choro por todos os que conhecem o Evangelho, mas não o praticam”. (3)

Sabendo que o choro pode significar abrigo de alívio, consintamos que ele advenha, para benefício daquele que chora. Apenas expressemos compaixão. Abriguemos os que choram, dizendo-lhe frases do tipo: “Conte comigo”, “estou ao seu lado”, “compreendo e respeito sua agonia”, “confie e espere’, ‘tudo passa”, sempre sussurrando-lhe Jesus aos ouvidos: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.” (4)

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Brasília – DF

Referências bibliográficas:

  1. Salmo 30:5
  2. FRANCO, Divaldo. Primícias Do Reino Ditado pelo Espírito Amélia Rodrigues, Salvador: Editora, LEAL 2015
  3. XAVIER, Francisco, VIEIRA, Waldo. A Vida Escreve, pelo Espírito Hilário Silva, ed. FEB, 1998
  4. Mateus 5:4

Fonte: Jorge Hessen

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CONTROLE SUAS PAIXÕES

(Controle o Seu Cavalo)

Vania MugnatoTexto controle o seu cavalo

A obra O Livro dos Espíritos de Allan Kardec, em sua questão 908, diz que “as paixões são como um cavalo que é útil quando está dominado, e que é perigoso quando ele é que domina.” Vejamos com atenção que não há qualquer referência ao cavalo ser bom ou ruim por si só, mas que sua força pode ser boa ou má a depender do controle que se tenha sobre ele.

Notamos que há grande interesse, sobretudo por parte dos mais jovens, pelo tema paixão*. Para eles a vida não terá graça ou sentido se não estiver mesclada por algum sentimento intenso, que dobra a vontade mais ferrenha e domina a alma mais forte. Usualmente é isso que pensam ser paixão, ainda que o empenho profundo em qualquer área também possa receber tal denominação.

Essa busca ansiosa em encontrar motivação para viver, afetiva ou não, pode levar o incauto a desacertos dos quais se arrependerá, afinal, é pelo impulso de um coração descontrolado que muitas decisões são tomadas e nem todas, diga-se, se referem a expressões de amor.

Exatamente este o fundamento de boa parte dos problemas da sociedade atual. Quantos não se perdem por se deixarem arrastar por seu cavalo (paixão) das mais diversas, tendo que, posteriormente, secar lágrimas de arrependimento, enfrentar prejuízo moral, afetivo ou material, tudo porque não seguraram as rédeas de seus impulsos, desejos, sonhos, amores e ambições descontrolados.

A supracitada questão é concluída com um aviso que incentiva a autoanálise: “…uma paixão/cavalo se torna perniciosa a partir do momento em que não podeis governá-la e que ela tem por resultado um prejuízo qualquer para vós ou para outrem.”

Para todos e em qualquer idade, viver bem exige um pouco daquele interesse profundo que impulsiona a busca ou realização de algo, aquilo que estimula a seguir adiante, que motiva, e que pode ser chamado de paixão. Mas, para que ninguém saia destruindo tudo a sua volta sob a justificativa de estar subjugado a essa força, é preciso aprender controlar seu uso de modo a levá-la na direção que precisamos que vá – na direção do sucesso de nossos desejos sem gerar prejuízo a ninguém.

Podemos cavalgar a paixão. Mas devemos controlá-la.

Bendito seja o equilíbrio da vontade adquirido na maturidade!

*Não tratamos da paixão fisiológica, de duração limitada, provocada por hormônios e neurotransmissores; falamos de comportamento.

Vania Mugnato

Fonte: espírito.org.br

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