ALTERAÇÕES AFETIVAS

Emmanuel

«Pergunta: Nenhuma influência exercem os Espíritos dos pais sobre o filho depois do nascimento deste?»

<<Resposta: Ao contrário: bem grande influência exercem. Conforme dissemos, os Espíritos têm que contribuir para o progresso uns dos outros. Pois bem, os Espíritos dos pais têm por missão desenvolver os de seus filhos pela educação. Constitui-lhes nisso uma tarefa. Tornar-se-ão culpados, se vierem a falir no seu desempenho.>>

Questão n º 208 de O LIVRO DOS ESPÍRITOS

Muito comum se alterem as condições afetivas, depois que o navio do casamento se afasta do cais do sonho para o mar largo da experiência. Converte-se, então, a esperança em trabalho e desnudam-se problemas que a ilusão envolvia.

Em muitos casos, a altura da afeição permanece intacta; entretanto, na maioria das posições, arrefece o calor em que se aquecia o casal nos dias primeiros da comunhão esponsalícia.

Urge, porém, salvar a embarcação ameaçada de soçobro, seja pelo choque contra os rochedos ocultos das dificuldades morais ou pelo naufrágio nas águas mortas do desencanto. Parceiro e parceira, nos compromissos do lar, precisam reaprender na escola do amor, reconhecendo que, acima da conjunção corpórea, fácil de se concretizar, é imperioso que a dupla se case, em espírito – sempre mais em espírito –, dia por dia.

Não se inquiete o par, à frente das modificações ocorridas, de vez que toda afinidade correta, nas emoções do plano físico, evolui fatalmente para a ligação ideal, a exprimir-se na ternura confiante da amizade sem lindes.

Extinta a fogueira da paixão na retorta da organização doméstica, remanesce da combustão o ouro vivo do amor puro, que se valoriza, cada vez mais, de alma para alma, habilitando o casal para mais altos destinos na Vida Superior. Isso acontece, porque os filhos que surgem são igualmente peças do matrimônio, compelindo o lar a recriar-se, de maneira incessante, em matéria de instituto endereçado ao trabalho de assistência recíproca. O carinho repartido, em princípio, a dois, passa a ser dividido por maior número de partícipes do núcleo familiar, e esses mesmos condomínios do estabelecimento caseiro, em muitas circunstâncias, são os associados da doce hipnose do namoro e do noivado, que mantinham nos pais jovens, ainda solteiros, a chama da atração entusiástica até a consumação do enlaçamento afetivo.

Quase sempre, Espíritos vinculados ao casal, ora mais fortemente ao pai, ora mais especialmente ao campo materno, interessavam-se na Vida Maior pela constituição da família, à face das próprias necessidades de aprimoramento e resgate, progresso e autocorrigenda. Em vista disso, cooperaram, em ação decisiva, na aproximação dos futuros pais, aportando em casa, pelos processos da gravidez e do berço, reclamando naturalmente a quota de carinho e atenção que lhes é devida.

Em toda comunhão mais profunda do homem e da mulher na formação do grupo doméstico, seguida de filhos a lhes compartilhar a existência, há que contar com a sublimação espontânea do impulso sexual, cabendo ao companheiro e à companheira que o colocaram em função aderir aos propósitos da vida, que tudo renova para engrandecer e aperfeiçoar.

Conquanto bastas vezes sejamos recalcitrantes na sustentação do amor egoístico, desvairado em exigências de toda espécie, a pouco e pouco acabamos por entender que apenas o amor que sabiamente se divide, em bênçãos de paz e alegria para com os outros, é capaz de multiplicar a verdadeira felicidade.

Emmanuel

Médium: Francisco Cândido Xavier

Livro: Vida e Sexo – 11

Publicado em por admin | Deixe um comentário

ESCLARECIMENTO

Pelo Espírito Irmão X

Você pergunta, meu amigo, pelas razões que nos levam a escrever tanto.

Não deveríamos procurar a Corte Celestial para repouso? Teríamos tamanha saudade da tarefa humana, a ponto de reabsorver-lhe, voluntariamente, as angústias? A seu ver, o sepulcro seria o caminho ideal para o esquecimento absoluto.

Até aí, sua indagação se perde no domínio do comum, quanto aos motivos que o compelem a trabalhar pela garantia da própria felicidade.

Seu inquérito, contudo, vai mais além. Deseja saber porque nos dedicamos ao assunto religioso.

– “Todos os espíritos desencarnados – alega espantadiço – se empenham na difusão dos princípios de fé e caridade. Emparelham-se com os pregadores insistentes do alto dos púlpitos. Não possuiremos suficiente número de ministros e padres no mundo?”

Equivoca-se em semelhante generalização. Nem todos os desencarnados se consagram, ainda, a serviço tão nobre. Milhões deles permanecem imantados à Crosta do Mundo, impedindo o progresso mental das criaturas que lhes são afins. Preferem a discórdia e a malícia, como autênticos demônios soltos, e, quando podem, chegam a destilar venenos cruéis, através de escritores invigilantes. Mantêm a ignorância de muita gente, a respeito da eternidade, para melhor se acomodarem às reclamações da inferioridade em que se comprazem.

No entanto, não é para comentar as perturbações da nossa esfera de ação que lhe escrevo esta carta.

Refere-se você à religião, como se a fé representasse bolorento asilo para espíritos inválidos. Certamente envolvido na onda turbilhonaria que agita o oceano de nossa civilização decadente, também você penhorou o raciocínio nas ilusões do homem econômico. Crê possível a regeneração do mundo, de fora para dentro, e dar-se-ia, talvez, de bom grado, a qualquer renovador sedento de sangue que prometesse um mundo reformado por decretos que se vão caducando, de cinco em cinco anos.

Dentro de tal clima, não pode compreender o serviço religioso.

Admite que um pomar se mantenha e produza sem a sementeira? Persistiria a vida humana sem o altar da maternidade?

O castelo teórico e o campo da experimentação pratica, em que se assentam os princípios filosóficos e científicos da Terra, não se sustentariam sem a fonte oculta e invisível da mística religiosa. Somente o ser privado de razão consegue movimentar-se sem raízes na espiritualidade superior.

Os grandes escritores, supostamente materialistas, que você menciona com indisfarçável prazer, não foram senão atletas do pensamento em conflito com as imposições do sacerdócio organizado. Não hostilizavam Deus, objeto sagrado de seus estudos e cogitações. Combatiam os processos infelizes, muita vez usados pelos homens de má fé, para situarem o Eterno e Supremo Senhor na ordem política. No fundo, identificavam a luz divina, na própria lâmpada de intelectualidade que lhes aclarava a mente.

A religião é chama sublime, congênita na criatura. Todas as noções de direito no mundo nasceram à sua claridade e todas as secretarias de justiça, nos mais diversos países do Globo, devem a ela, sua procedência.

Quando o primeiro selvagem compreendeu que lhe competia respeitar a taba do irmão, tal entendimento ter-lhe-ia surgido, à face da gloriosa visão do céu, recolhendo, através da contemplação do Sol e das estrelas, da sombra e da tempestade, a primitiva idéia de Deus.

Subtrair o pensamento religioso da experiência humana seria o mesmo que desidratar o corpo da Terra. Sem a água divina da espiritualidade, qualquer construção planetária se destina a irremediável secura.

Conseguiria você viver exclusivamente no deserto?

O homem poderá rir com Voltaire, estudar com Darwin, filosofar com Spinoza, conquistar com Napoleão, teorizar com Einstein, ou mesmo fazer teologia com São Tomás; entretanto, para viver a existência digna, há que alimentar-se intimamente de princípios santificantes, tanto, quanto entretém o corpo à custa de pão. Quem não dispõe do divino combustível para uso próprio, recorre inconscientemente às reservas alheias, porquanto, não existe idealismo superior que não tenha nascido da atividade espiritual e, sem ele, o conceito de civilização redunda em grossa mentira.

Não sorria, pois, usando o sarcasmo, perante aqueles que consagram o tempo ao ministério religioso.

Com os cientistas modernos, vocês poderão entrevistar o átomo, fotografar a célula e positivar a curvatura do espaço… Há muita gente na América que já pensa em pedir às autoridades administrativas da política dominante a reserva de terrenos na Lua, considerando o desenvolvimento dos veículos a jato…

Poderão cogitar de tudo isto, mas não deslocarão a idéia religiosa em um milímetro, sequer, de rota. A fé representa claridade de um sol que ilumina o espírito humano, por dentro, e, sem essa claridade no caminho, o Planeta poderia perder, em definitivo, a esperança num futuro melhor.

Quanto ao fato de demorar-me, por algum tempo, na atualidade, entre admiráveis amigos que cogitam de servir, depois da morte, ao Cristianismo renascente, creia que isto ocorre por gentileza deles e não por merecimento de minha parte. Não sou nenhum Livingstone em Áfricas do “outro mundo”. Quem define o meu caso, com paciência, é o nosso velho sábio Shakespeare. Disse ele, certa vez, que “quando Deus nos vê endurecidos no mal, cerra-nos os olhos para a imundície e nos obscurece o juízo, de modo que chegamos a adorar os nossos desvarios e a zombar de nós mesmos, caminhando, cheios de cegueira e de orgulho, para a perdição”. Segundo depreende, sou um enfermo à procura de melhoras.

Embora desencarnado, não posso saber se você guarda saúde integral. Creio, porém, que, se algum dia atingir a infelicidade a que cheguei, não deixará de fazer conforme estou fazendo.

Espírito Irmão X

Do livro: Luz Acima

Médium: Francisco Cândido Xavier

Publicado em por admin | Deixe um comentário

O PODER DO PENSAMENTO E A PANDEMIA

PENSAMENTO

Divaldo P. Franco

Diante das circunstâncias perturbadoras e dos acontecimentos afligentes da atualidade, tornamo-nos uma sociedade ansiosa, pessimista, agressiva, enquanto número de criaturas optaram pelo abismo dos transtornos emocionais, derrapando pela rampa traiçoeira da depressão, do alcoolismo, da drogadição, do suicídio…

Vivendo um contexto hedonista, no qual o sentido da existência é o prazer exorbitante, que começa no desamor a si mesmo, no desejo constante de renovar as sensações de gozo, porque as emoções delicadas do sentimento de beleza, de harmonia e de paz já desapareceram sob as pressões do momento que passa com rapidez.

Esse gozar incessante não permite reflexão, pausa para refazer o raciocínio e bem conduzir o pensamento.

Tudo é muito rápido, fugidio, alucinado.

Estamos no ápice da pandemia, que somente será vencida se forem observadas algumas recomendações sanitárias, incluindo aglomerações, contatos físicos e abusivos, responsáveis pelo contágio perigoso.

Apesar das explicações e demonstrações da eficácia do isolamento temporário, a loucura do prazer quebra os padrões da ordem e são feitos festas, paredões, encontros volumosos, que a polícia tenta interromper para o bem dos próprios irresponsáveis. Em alguns casos, nos fins de semana, mais especialmente, gozadores e policiais realizam encontros escondidos onde dão vaza às suas perturbações e desconcertos, fazendo recordar a velha estória da perseguição do gato ao rato…

As festas, os encontros volumosos também oferecem o sexo atormentado, o uso de drogas alucinantes, a perda do sentido existencial.

É lamentável a ocorrência, porquanto os efeitos da irresponsabilidade chegam depois de alguns dias, quando o vírus se sobrepõe ao organismo e dá-se a terrível batalha de aflições incontáveis.

Nesse momento em que começa a fatalidade da morte antecipada, apela-se para preces de ocasiões, apelos de emergência às autoridades e àqueles da linha de frente nos hospitais em constante perigo. Não há muito a Internet apresentou o rosto de um médico da UTI completamente desfigurado, enquanto os levianos desfrutavam da praia, para depois buscarem internamento nos hospitais superlotados. Uma enfermeira da cidade de Pelotas foi citada e apresentada pelo New York Times como exemplo de abnegação, com a face marcada pela máscara e os sinais desgastantes da falta de repouso.

Continuando esta luta infeliz, preparemo-nos para uma longa temporada de pandemia, até que o ser humano use o seu pensamento para a saúde, a dignidade existencial, a plenitude da vida.

O pensamento é força construtora, tanto para o bem-estar como para o oposto.

Cada um vive em função do que pensa, cultiva mentalmente e faz. O pensamento tem poder.

Divaldo Pereira Franco

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 18.3.2021.

Publicado em por admin | Deixe um comentário

ESCÂNDALOS

Joanna de Ângelis

Os dicionários definem o verbete escândalo como sendo: “Ocasião de erro ou pecado. Diz-se particularmente da ocasião de pecado, produzido pelo mau exemplo”.

No entanto, há escândalo e escândalo.

“Melhor é entrar na Vida, disse Jesus, sem o membro escandaloso do que com ele…” “O escândalo é necessário…”.

Alcibíades, o general ateniense depois de muita celeuma em torno da própria conduta, mandou cortar a cauda do seu cão de estimação, que lhe custara uma fortuna e todos admiravam, para causar um escândalo.

Cornélia, a célebre dos Gracos, interrogada por uma rica patrícia de Campânia sobre suas jóias, apresentou-lhe os filhos, dizendo: “Eis as minhas jóias e adornos preciosos”, escandalizando a amiga.

Júlio César, ao retornar das Gálias, contraiu altos empréstimos para construir uma residência suntuosa; antes, porém, de habitá-la mandou que a demolissem, erguendo sobre os escombros outro palácio mais luxuoso, para escandalizar Roma.

Guatimozin, o último imperador indígena do México, condenado por Cortês a ter o corpo untado e erguido sobre brasas, escandalizou os espanhóis, quando o seu secretário, que também sofria o mesmo martírio, gritou: “Deixa-me falar. Não suporto mais”. — “E eu, respondeu o imperador, estarei, por acaso, sobre um leito de flores?”.

* * *

A atitude de firmeza que manténs em relação à conduta cristã e espírita a muitos escandaliza.

Mas outro não pode ser o caráter do aprendiz do Evangelho.

Há companheiros que dizem conciliar os interesses do mundo com os objetivos do espírito.

São cristãos, e alguns se afirmam espiritistas convictos e atuantes.

Vivem, porém, conforme os padrões comuns.

Se negociantes, jogam nos torneios altistas, ambiciosos e atormentados.

Se agricultores, exploram a terra e os ajudantes, pensando apenas em si.

Se industriais, negociam por processos escusos.

Se servidores públicos, negam-se ao dever da pontualidade e da execução das tarefas, seguindo os exemplos dos maus funcionários…

Fazem e vivem o que fazem e como vivem aqueles que não se identificaram com as lições da Verdade.

E referem-se aos adeptos sinceros com epítetos deprimentes e zombeteiros, açulando neles mesmos o culto da personalidade, que os arrasta a posições lamentáveis e ociosas.

Crêem diversos obreiros cristãos da atualidade, na impossibilidade de viverem com retidão, quando triunfalmente campeiam a rapina, a ambição desmedida, a desonestidade, o abuso do sexo, a mentira, a leviandade e todo um séquito de “maus exemplos” que, no entanto, já não produzem escândalos.

Ao tempo do martirológio, de tão grandiosos testemunhos, a ocasião de servir ao Cristo não era diferente e as condições sócio-morais da Terra não eram diversas.

Sucede que os cristãos de hoje o são sem Cristo.

Cidadãos do mundo servem-se, apegados a ele.

Por isso, produze tu o escândalo, dando fiel cumprimento aos impositivos da fé, que medra vitoriosamente no solo do teu espírito.

Para ferir-te, argumentarão contigo que é loucura ser pobre, quando facilmente se pode aumentar as posses…

Dirão que os dias de honra já se foram…

Afirmarão que a fé não deve interferir nas atividades da vida cotidiana…

Não os ouça. Demora-te seguro e porfia.

* * *

Nos Atos dos Apóstolos, capítulo vinte e seis, versículo vinte e quatro, consta à anotação: “E aduzindo ele isto em sua defesa”, disse Festo em alta voz: — “Estás louco, Paulo, as muitas letras te fazem delirar”.

Na propagação, defesa e vivência da verdade muitos pereceram não se considerando o número colossal dos que passaram por dementes e loucos, não escapando à classificação o próprio Mestre e seus discípulos. No entanto, graças a eles, respiras no clima mental da esperança evangélica, quando os escândalos da hora presente produzem crimes, conduzindo o homem pelos caminhos sombrios do desrespeito e do autocídio.

Joanna de Ângelis

Médium: Divaldo Pereira Franco

Livro: Dimensões da Verdade – 43

Publicado em por admin | Deixe um comentário

ADULTÉRIO E PROSTITUIÇÃO

Emmanuel

«Atire-lhe a primeira pedra aquele que estiver isento de pecado, disse Jesus. Esta sentença faz da indulgência um dever para nós outros, porque ninguém há que não necessite, para si próprio, de indulgência. Ela nos ensina que não devemos julgar com mais severidade os outros, do que nos julgamos a nós mesmos, nem condenar em outrem aquilo de que nos absolvemos. Antes de profligarmos a alguém uma falta, vejamos se a mesma censura não nos pode ser feita.» Cap. X, item 13 de «O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO».

E’ curioso notar que Jesus, em se tratando de faltas e quedas, nos domínios do espírito, haja escolhido aquela da mulher, em falhas do sexo, para pronunciar a sua inolvidável sentença: “aquele que estiver sem pecado atire a primeira pedra”. Dir-se-ia que no rol das defecções, deserções, fraquezas e delitos do mundo, os problemas afetivos se mostram de tal modo encravados no ser humano que pessoa alguma da Terra haja escapado, no cardume das existências consecutivas, aos chamados “erros do amor”.

Penetre cada um de nós os recessos da própria alma, e, se consegue apresentar comportamento irrepreensível, no imediatismo da vida prática, ante os dias que correm, indague-se, com sinceridade, quanto às próprias tendências.

Quem não haja varado transes difíceis, nas áreas do coração, no período da reencarnação em que se encontre, investigue as próprias inclinações e anseios no campo íntimo, e, em sã consciência, verificará que não se acha ausente do emaranhado de conflitos, que remanescem do acervo de lutas sexuais da Humanidade. Desses embates multimilenares, restam, ainda, por feridas sangrentas no organismo da coletividade, o adultério que, no futuro, será classificado na patologia das doenças da alma, extinguindo-se, por fim, com remédio adequado, e a prostituição que reúne em si homens e mulheres que se entregam às relações sexuais, mediante paga, estabelecendo mercados afetivos.

Qual ocorre aos flagelos da guerra, da pirataria, da violência homicida e da escravidão que acompanham a comunidade terrestre, há milênios, diluindo-se, muito pouco a pouco, o adultério e a prostituição ainda permanecem, na Terra, por instrumentos de prova e expiação, destinados naturalmente a desaparecer, na equação dos direitos do homem e da mulher, que se harmonizarão pelo mesmo peso, na balança do progresso e da vida.

Note-se que o lenocínio de hoje, conquanto situado fora da lei, é o herdeiro dos bordéis autorizados por regulamentação oficial, em muitas regiões, como sucedia notadamente na Grécia e na Roma antigas, em que os estabelecimentos dessa natureza eram constantemente nutridos por levas de jovens mulheres orientais, direta ou indiretamente adquiridas, à feição de alimárias, para misteres de aluguel.

Tantos foram os desvarios dos Espíritos em evolução no Planeta – Espíritos entre os quais muito raros de nós, os companheiros da Terra, não nos achamos incluídos que decerto Jesus, personalizando na mulher sofredora a família humana, pronunciou a inesquecível sentença, convocando os homens, supostamente puros em matéria de sexualidade, a lançarem sobre a companheira infeliz a primeira pedra.

Evidentemente, o mundo avança para mais elevadas condições de existência. Fenômenos de transição explodem aqui e ali, comunicando renovação. E, com semelhantes ocorrências, surge para as nações o problema da educação espiritual, para que a educação do sexo não se faça irrisão com palavras brilhantes mascarando a licenciosidade.

Quando cada criatura for respeitada em seu foro íntimo, para que o amor se consagre por vínculo divino, muito mais de alma para alma que de corpo para corpo, com a dignidade do trabalho e do aperfeiçoamento pessoal luzindo na presença de cada uma, então os conceitos de adultério e prostituição se farão distanciados do cotidiano, de vez que a compreensão apaziguará o coração humano e a chamada desventura afetiva não terá razão de ser.

Emmanuel

Médium: Francisco Cândido Xavier

Livro: Vida e Sexo – 22

Publicado em por admin | Deixe um comentário

CASAMENTO GAY

Richard Simonetti

Não temos a posição do Espiritismo sobre o casamento gay, porquanto o assunto não foi abordado na Codificação, mas podemos, com base na liberdade de consciência preconizada pela Doutrina, considerar o elementar: não há por que opor-se a duas pessoas do mesmo sexo que decidam viver juntas, independente do fato de manterem ou não uma comunhão sexual.

Observemos as questões abaixo, de O Livro dos Espíritos:

Questão 200. Pergunta Kardec: Os Espíritos têm sexo?

Responde o mentor: Não como o entendeis, porque o sexo depende da organização. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na afinidade de sentimentos

Questão 201. Pergunta Kardec: O Espírito que animou o corpo de um homem pode animar, em nova existência, o de uma mulher e vice-versa?

Responde o mentor: Sim, são os mesmos os Espíritos que animam os homens e as mulheres.

Se os Espíritos não têm sexo como morfologia, podendo reencarnar como homem ou mulher; se o que há entre eles é amor e simpatia, baseados na afinidade de sentimentos, o que os impede de cultivar um relacionamento afetivo com alguém do mesmo sexo?

Qualquer par de homossexuais, masculino ou feminino, indagado quanto à natureza de seu relacionamento, nos dirá que é muito mais uma questão de comunhão afetiva do que carnal. Não fosse por isso, não haveria razão para viverem juntos.

Nessa condição, têm o direito de formalizar em cartório a decisão, até por uma questão prática, envolvendo sucessão, herança, pensão, bens adquiridos em comum… antes a lei determinava que esse contrato fosse celebrado por um casal. Hoje, em muitos países, inclusive no Brasil, essa exigência foi abolida.

Considerando a semântica, há quem não admita a definição casamento para esse contrato social. Não vejo por quê. A língua portuguesa é muito generosa com relação às suas expressões.

Frequentemente apresentam vários significados, não raro até aparentemente contraditórios. O dicionário Houaiss diz, dentre outras acepções, que casamento pode ser uma associação ou uma aliança. Essas expressões, por extensão, contemplam a união entre duas pessoas do mesmo sexo, registrada em cartório para os fins legais.

Só não podemos admitir um casamento espírita, nos moldes das religiões tradicionais, já que a Doutrina não tem ritos nem rezas, nem ofícios nem oficiantes. Aprendemos que todo ato de comunhão com a espiritualidade é eminentemente único e pessoal, um assunto entre nós e a divindade.

Por isso, quem deseje pedir as bênçãos divinas para uma união matrimonial, para um filho que nasce ou um familiar que desencarna, deve fazê-lo pessoalmente, sem intermediação, elevando o pensamento na prece contrita.

Demonstrando que o casamento gay transcende a mera questão sexual, não raro os parceiros, sejam do sexo feminino ou masculino, adotam filhos, formando uma família.

Há quem não aceite, sob a alegação de que dois pais ou duas mães irão confundir a cabeça da criança.

Atendendo a essa objeção, pergunta-se: o que é preferível, a criança experimentar o trauma de crescer num orfanato ou, pior, na rua, ou ser cuidada e educada num lar formado por dois pais ou duas mães? Considere, prezado leitor, algo ponderável: pesquisas com crianças educadas por gays revelam que não apresentam dificuldades no relacionamento social. Muitas se saem até melhor nos estudos.

Tudo o que a criança precisa é de um lar ajustado, onde receba muito amor, não importando se é educada por homo ou heterossexuais.

Richard Simonetti

Fonte: Espiritualidade e Sociedade

Publicado em por admin | Deixe um comentário

TEMOS NOS PREPARADO PARA NOSSO RETORNO AO PLANO ESPIRITUAL?

Antonio Carlos Navarro

Transcrevemos abaixo, sequencialmente, cinco perguntas de O Livro dos Espíritos, e suas respectivas respostas, para desenvolvermos pequeno raciocínio sobre o desprendimento. Os destaques em negrito são nossos.

22 a- Que definição podeis dar da matéria?

– A matéria é o laço que prende o Espírito; é o instrumento de que ele se serve e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce sua ação.

* De acordo com essa ideia, pode-se dizer que a matéria é o agente, o intermediário, com a ajuda do qual, e sobre o qual, atua o Espírito. (AK)

76- Que definição se pode dar dos Espíritos?

– Pode-se dizer que os Espíritos são os seres inteligentes da Criação. Eles povoam o universo, fora do mundo material.

84- Os Espíritos constituem um mundo à parte, fora daquele que vemos?

– Sim, o mundo dos Espíritos ou das inteligências incorpóreas.

85- Qual dos dois é o principal na ordem das coisas: o mundo espiritual ou o mundo corporal?

– O mundo espiritual, que preexiste e sobrevive a tudo.

132- Qual é o objetivo da encarnação dos Espíritos?

– A Lei de Deus lhes impõe a encarnação com o objetivo de fazê-los chegar à perfeição. Para uns é uma expiação; para outros é uma missão. Mas, para chegar a essa perfeição, devem sofrer todas as tribulações da existência corporal: é a expiação. A encarnação tem também um outro objetivo: dar ao Espírito condições de cumprir sua parte na obra da criação. Para realizá-la é que, em cada mundo, toma um corpo em harmonia com a matéria essencial desse mundo para executar aí, sob esse ponto de vista, as determinações de Deus, de modo que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.

*****

Independentemente de nossas experiências pessoais e convicções, é de fácil dedução que somos seres espirituais de passagem pela vida corporal, e esta engloba, além da necessidade de habitarmos temporariamente um corpo físico, lidarmos com a matéria nos seus mais diversos aspectos, a começar pela própria manutenção e preservação do corpo.

Em função das nossas atuais condições encarnatórias, temos que lidar com o comércio das coisas materiais, consequentemente com a posse delas, e também convivermos com outros espíritos encarnados, alguns dos quais fornecemos a matéria para seus corpos físicos através da paternidade.

Não é difícil observarmos o quanto somos apegados à matéria. É só observarmos o quanto falamos “é meu” ou “é minha”, e quanto nos orgulhamos de ostentá-las, e quão difícil é abrirmos mão do que está conosco. E, ainda, com que zelo cuidamos do que é material, a ponto de sua perda causar-nos sofrimentos profundos, psíquica e emocionalmente.

Diante disso, podemos nos questionar:

Admitindo que, temos mérito para tanto, estamos preparados para deixar nossas residências, que com muito suor conseguimos e preparamos para nos atender, para habitarmos, por empréstimo, um quarto simples nas esferas espirituais mais acima do plano atual?

Estamos preparados para deixarmos nosso carro, principalmente aquele que foi objeto de sonho de consumo, e outros meios de transporte que nos emocionam?

Estamos dispostos a deixar aquele guarda-roupa abarrotado de vestimentas e calçados, junto aos quais se encontram alguns mais surrados, que teimamos em não passar para frente, porque um dia ainda poderão ser úteis?

Estamos preparados para o distanciamento físico daqueles que são “nossos”, seguindo nossas necessidades espirituais deixando-os seguirem as deles?

E o que dizer da alimentação? Alterar nosso cardápio para “caldos” diários será facilmente tolerável?

E a posição social e profissional?

Por último, o que temos feito para nos preparar para o retorno ao mundo incorpóreo?

Bem, já temos muito no que meditar. Vamos parar por aqui, porque desnecessário é dizer que isso tudo é o que vai nos acontecer, mais cedo ou mais tarde, como já experimentamos inúmeras vezes, para não dizermos milhares.

Pensemos nisso.

Antonio Carlos Navarro

Fonte: Kardec Rio Preto

Publicado em por admin | Deixe um comentário

SEUS PENSAMENTOS REVELAM AS SUAS COMPANHIA ESPIRITUAIS

Adriana Machado

PARTE I

Quem de nós se preocupa em analisar os pensamentos que têm?

Falamos na semana passada, sobre os pensamentos reflexos e sobre os nossos outros pensamentos que acompanham esses primeiros.

Agora, gostaria de tratar com vocês, sem esgotar o assunto, sobre os pensamentos que recepcionamos em razão de nossas sintonias com o mundo exterior.

Se temos dificuldades de nos flagrar em nossos próprios pensamentos, imaginem os que nos chegam e são abraçados por nós?!

Na maioria das vezes, acreditamos que tudo o que está em nossa mente é nosso, mas a verdade não é bem assim. Somos energia! Somos seres que vibram e nos sintonizamos com tudo aquilo que está ao nosso redor. Fica bem claro entendermos essa verdade quando nos deparamos com o funcionamento da teia da aranha. Onde estivermos, se nos mexermos, toda a teia sente a vibração e a aranha saberá onde é o ponto de origem daquele balanço. Da mesma forma, basta somente existirmos para que estejamos transmutando, trocando energias com o meio ao nosso redor.

Outro exemplo é quando escutamos um som muito alto. Qual a sensação que ele nos traz em nosso corpo? Podemos estar perto ou um pouco mais longe e adorar ou não a música, e teremos reações das mais variadas face a vibração emanada por aqueles alto falantes: coração taquicárdico, dores de cabeça, euforia, incômodos… Inclusive, até uma pessoa surda é capaz de sentir essas mesmas sensações face a vibração do som que se propaga no ar.

Também é assim conosco no que se refere a interferências do plano espiritual. Sentimos, uns mais outros menos, a harmonia e o desequilíbrio de um ambiente, simplesmente porque somos energia e, por consequência, estamos interligados a tudo.

É importante frisar que, a harmonia ou o desequilíbrio é construída ou sentida por nós, estejamos encarnados ou desencarnados.

Agora, pense que você acabou de passar por uma experiência e está reagindo a ela por meio de seus pensamentos ou ações. Vamos dizer que o seu pensamento reflexo [1] pode ter sido positivo ou negativo, tanto faz. Se o pensamento é caridoso ou não, você está construindo um ambiente externo que refletirá o seu estado interior e, neste ambiente, permanecerão os seus afins.

Para facilitar a imagem, vamos chamar de “pomba” este pensamento que chega. Ela voa sobre a nossa cabeça. O que faremos com ela, só depende de nós! Seja ela positiva ou negativa, podemos lhe dar razão e deixá-la pousar. Neste momento, a pomba começará a construir o seu ninho com o acúmulo de outros tantos pensamentos que são nossos, bem como de outros que não são e que estão em sintonia com o nosso estado interior. Outra postura é podermos discordar dela e espantá-la, para que não faça ninho. Somos nós que determinaremos quais pensamentos aceitaremos em nosso templo interior.

Qual seria a nossa melhor atitude quando percebemos que uma pomba está ansiosa para fazer um ninho em nosso “telhado”? Primeiro, saber que tipo de pomba ela é, porque se ela ali se instalar, possivelmente, outras tantas a seguirão… E depois que estiverem todas lá, mais difícil será mandá-las embora.

Neste ponto, significa que estamos atentos às nossas próprias necessidades íntimas; estamos atentos ao modo que desejamos vivenciar cada momento.

Quando percebemos o tipo de pensamento que temos, compreendemos quem “estamos” naquele instante de nossa vida e quem estaremos sempre a convidar para o nosso lado.

Muitos de nós não sabem quando estão sofrendo alguma influenciação externa. Então, que fiquemos atentos às “pombas” que chegam, porque, sejam quais forem as companhias que tivermos, a responsabilidade pelas escolhas que fizermos ante esta influenciação será nossa.

O primeiro pensamento pode ser nosso, mas, se os demais podem ser de outrem, cabe a cada um de nós discernir o que deseja para a sua vida.

Paz ou discórdia interior! Só depende de quais pensamentos desejamos abraçar.

PARTE II

“Quando lá chegaram, tiveram uma ‘recepção festiva’. Todos os espíritos desagregadores que o acompanhavam diariamente estavam lá e queriam, a todo custo, levar a desarmonia ao casal. Então, se dividiram em dois grupos para que pudessem influenciar ambos.” Perdão: a chave para a liberdade. Esp. Ezequiel. Machado, Adriana. (Kindle Locations 450-452). Kindle Edition.

Gostaria de continuar refletindo junto com vocês sobre as companhias espirituais que nos cercam em virtude do que pensamos e de como vibramos.

Reafirmo que não queremos esgotar o assunto nestas humildes linhas, pois muito há para ser falado ou, simplesmente, não temos conhecimento de tudo. Mas, os remeto aos artigos que escrevemos (“Nossos pensamentos reflexos” e “Seus pensamentos relevam as suas companhias espirituais”) para uma complementação de ideias.

Como já foi dito anteriormente, nem todos têm a capacidade de saber se estamos acompanhados ou não e, por causa disso, fomos criados com um instrumento de alarme que são os nossos próprios pensamentos, as nossas ações diárias. Eles refletem aquilo que temos em nós, eles são os nossos espelhos.

Se ficarmos atentos a eles, teremos condições de identificar quem estamos convidando para ficarem ao nosso lado, porque alguém conosco estará sempre.

Gosto de dizer que estamos em plena “adolescência evolutiva”, com todas as características próprias dessa fase. Somos rebeldes, somos curiosos e tentamos nos desligar daquilo que antes nos “dominava”, ou seja, estamos buscando no raciocínio, ainda inexperiente, enfrentar todas as circunstâncias que chegam a nós com um “pingo” de rebeldia, com um “pingo” de irresponsabilidade, mas com muita garra e criatividade para atingirmos os nossos ideais.

Por isso, como todo Pai Amoroso, Deus nos coloca seus “anjos” para nos auxiliarem nesta fase e estes estarão sempre nos velando. Só por aí, vemos que não ficamos sós.

Estes “anjos”, mentores, guias, nos auxiliam com a sua presença, com os seus conselhos, com a sua proteção. No entanto, pela nossa natureza rebelde, nos colocamos numa posição de resistência ante os seus sábios conselhos, por nos sentirmos tolhidos em nosso querer. Ainda não entendemos que, na verdade, “tudo podemos, mas nem tudo nos cabe fazer”.

Por causa da nossa capacidade de aprender, nos sentimos mais seguros nesta adolescência e, portanto, vamos ficando mais curiosos, mais travessos, mais independentes e conhecendo mais as sensações que temos em nosso íntimo a cada experiência vivenciada. Começamos, consequentemente, a realizar nossas proezas baseadas nessas reações: se detestamos, não desejaremos repeti-las; se delas gostarmos, as repetiremos tantas quantas forem às vezes que quisermos senti-las.

O problema é que, até agora, o que entendemos ser positivo é a sensação de prazer que temos. Este prazer é chamativo, convidativo, intenso, mais materializado e imediato aos nossos sentidos. Por isso, ficamos tão suscetíveis aos conselhos que nos fazem tender aos prazeres do mundo. E, diante de nossa busca sempre presente para sermos felizes, acabamos tendendo a querer vivenciar as experiências que nos entorpecem os sentidos e nos dão a sensação de que estamos bem.

Diante dessa procura incessante pelo prazer, pela diversão, pelo descontrole, chamamos para o nosso lado aqueles que coadunam com os nossos pensamentos, com as nossas vontades.

Certo é que estaremos sempre vibrando, estaremos sempre em sintonia com os nossos mais puros desejos. E o que chamo de puro, aqui, são tanto aqueles desejos iluminados ou elevados, como os carnais, libidinosos, desenfreados, porque para cada meta estaremos determinados, vibrando e chamando para o nosso lado aqueles que tiverem o mesmo objetivo a ser alcançado.

“A visão daquela cena no plano espiritual era interessante: do lado de Luíza vinha um brilho resplandecente; porém, do lado de Onofre, uma escuridão o abraçava.” – Perdão: a chave para a liberdade. Esp. Ezequiel. Machado, Adriana. (Kindle Locations 1095-1096). Kindle Edition.

Flagremo-nos, portanto, como reagiremos às experiências que nos chegam. O que pensamos diante dessas experiências? Quais os objetivos que temos na vida? Que fique certo o seguinte: ter prazer não é “pecado”. O “pecado” é não nos frearmos, quando em nome deste prazer, agirmos infringindo às leis divinas que nos regem. Neste momento, aqueles que nos acompanham e nos aconselham estarão no mesmo grau de “ignorância” que nós frente aos ideais elevados de nossa evolução.

Assim, sejam as nossas ações boas ou não e, mesmo que impulsionados por outrem, receberemos da vida os seus efeitos em razão de sermos responsáveis por elas.

Portanto, observemos quais pensamentos produzimos e nos lapidemos frente às nossas reações, porquanto, seremos nós que colheremos os frutos de nossa sublime plantação.

Fonte: Adriana Machado

Publicado em por admin | Deixe um comentário

A GUERRA CONTRA O PARAGUAY

(O CARMA DO BRASIL)

Por Álvaro Augusto Vargas

O conflito militar ocorrido entre 1864-1870, que envolveu a tríplice aliança entre o Brasil, Argentina e Uruguai contra o caudilho Solano Lopez do Paraguai, foi a guerra mais sangrenta ocorrida na América do Sul. Entre os aliados mais de 80.000 soldados e civis perderam a vida, e do lado paraguaio, estima-se em 300.000 fatalidades. Mas a maior causa das mortes foram a fome e as enfermidades ocasionadas pelo clima insalubre e inóspito da região de conflito.

Para o Brasil, que perdeu o maior número de cidadãos, o custo deste conflito bélico arrasou a nossa economia por vários anos e o Paraguai, que teve talvez quase 40% de sua população dizimada, amargou por décadas uma recuperação extremamente difícil. Como em todas as guerras, as perdas foram enormes para todas as nações envolvidas. Não existiu nenhuma intervenção das nações mais desenvolvidas neste conflito, exceto como mediadores para que a paz fosse negociada de uma forma justa.

Os historiadores divergem em suas interpretações, o que é compreensível devido à dificuldade em serem obtidos a comprovação das informações divulgadas. Em obra mediúnica (Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho), do autor Humberto de Campos através do médium Chico Xavier, é feito um breve relato da visão espiritual deste evento. Na verdade, o déspota Solano Lopez não era diferente da maioria dos caudilhos de sua época. A sua ação contra o Brasil e a Argentina foi motivada não só pela sua ambição, mas o desejo de negociar fronteiras (em litígio) e a navegação do Rio da Prata em condições mais favoráveis, pois não confiava em seus vizinhos, Brasil e Argentina.

Já tinha um acordo com um dos caudilhos do Uruguai e preparou-se melhor para a guerra que os demais países daquela região (seu exército superava em três vezes as forças aliadas no início do conflito).

No passado já haviam ocorridos várias guerras naquela região, inclusive com o envolvimento de D. Pedro I. Mesmo a Argentina não estava totalmente unida, com regiões administradas por governos independentes. A desconfiança de nossos vizinhos com relação ao império brasileiro que já era grande, se potencializou com a intervenção militar do império do Brasil na Argentina e depois no Uruguai, depondo o caudilho aliado de Solano Lopez, sendo isto o estopim que deflagrou este conflito.

Com certeza teria sido muito difícil D. Pedro II evitar a guerra contra o Paraguai, não invadindo o Uruguai devido as convulsões políticas naquela região. Existia grande pressão do R. G. do Sul, em favor da guerra e anos antes já havia deflagrado a revolta de farroupilha, custando muitas vidas e valores expressivos para o império. A região colonizada pela Espanha se fragmentara em vários países e existia um risco do mesmo ocorrer em nosso território. Para complicar, mais de 20% da população no Uruguai eram de brasileiros (principalmente gaúchos), que já estavam envolvidos no conflito armado que dividia aquele país em dois grupos antagônicos.

Mas é importante também considerar a forma de analisar as situações conflitantes segundo a ótica da época. Mesmo D. Pedro II, embora escolhido e preparado para esta tarefa designada por Jesus, tinha como principal referência na sua forma de analisar as situações conflitantes, os valores e a cultura europeia, sem atinar tão bem para as questões locais. E, na região sul do continente os países hoje existentes, estavam na época ainda em formação (Argentina, Uruguai, Paraguai), com questões limítrofes nas fronteiras não resolvidas. O envolvimento do império do Brasil, durante o primeiro reinado, na guerra que antecedeu o conflito bélico com o Paraguai, guardava reminiscências expansionistas da influência portuguesa. Entretanto, não constava nos planos do mundo espiritual incorporar ao império brasileiro as regiões existentes, além da marcação de nossas fronteiras como se encontra nos dias de hoje. Estas primeiras guerras foram infrutíferas e com certeza tiveram uma influência negativa na sequência de eventos que levaram a preocupação de nossos vizinhos com as pretensões territoriais e o belicismo do império brasileiro.

Interessante que antes de reencarnar, D. Pedro II conversou com Jesus sobre a tarefa a ser realizada. Nosso imperador já era uma alma de escol, que embora tivesse sido em existência pretérita um centurião romano (Longinus), presente na crucificação do Messias, recebeu do Mestre Nazareno uma tarefa que apenas almas realmente edificadas no bem poderiam empreender (D. Pedro II havia se preparado durante vários séculos em reencarnações que lhe conferiram a moral e intelectualidade necessárias para a tarefa).

Entre as tarefas principais, que Jesus lhe solicitou estavam a de proporcionar o crescimento estável do Brasil, libertar os escravos e manter a prudência e a fraternidade com as nações vizinhas, sem conflitos bélicos. Realmente D. Pedro II foi o melhor governante que o Brasil teve em toda a sua história (58 anos de reinado). Mas poderia ter assimilado melhor a advertência de Jesus e evitado a guerra, ou pelo menos ter amenizado os seus efeitos buscando negociar a paz com Solano Lopez. Sessenta mil brasileiros perderam a vida, e a nossa economia ficou arrasada por várias décadas com os custos deste conflito bélico.

Em mensagem de Bezerra de Menezes através do médium Divaldo P. Franco, é citado que o Carma da nação brasileira só foi quitado com a construção de represa de Itapu, resgatando assim o nosso débito pela destruição que causamos à aquela nação. O Brasil é um país pacífico, sem interesse em conquistas e sem litígios sérios com os nossos vizinhos. Felizmente o nosso país resgatou o seu único débito coletivo em termos de nação, preparando-se melhor para os adventos do terceiro milênio. Como todas as grandes nações do passado, o Brasil também terá de seu momento de maior glória, mas não através da expansão bélica ou econômica, mas através da divulgação do Cristianismo redivivo, a Doutrina Espírita.

Álvaro Augusto Vargas

Fonte: Vinha de Luz

Publicado em por admin | Deixe um comentário

ABSTINÊNCIA E CELIBATO

Emmanuel

«Pergunta – O celibato voluntário representa um estado de perfeição meritório aos olhos de Deus?»

«Resposta – Não, e os que assim vivem, por egoísmo, desagradam a Deus e enganam o mundo.»

«Pergunta – Da parte de certas pessoas, o celibato não será um sacrifício que fazem com o fim de se votarem, de modo mais completo, ao serviço da Humanidade?

«Resposta – Isso é muito diferente. Eu disse: por egoísmo. Todo sacrifício pessoal é meritório, quando feito para o bem. Quanto maior o sacrifício, tanto maior o mérito.»

Questão nº 698 e 699, de «O LIVRO DOS ESPÍRITOS».

Abstinência, em matéria de sexo e celibato, na vida de relação pressupõe experiências da criatura em duas faixas essenciais:

A daqueles Espíritos que escolhem semelhantes posições voluntariamente para burilamento ou serviço, no curso de determinada reencarnação, e, a daqueles outros que se vêem forçados a adotá-Ias, por força de inibições diversas.

Indubitavelmente, os que consigam abster-se da comunhão afetiva, embora possuindo em ordem todos os recursos instrumentais para se aterem ao conforto de uma existência a dois, com o fim de se fazerem mais úteis ao próximo, decerto que traçam a si mesmos escaladas mais rápidas aos cimos do aperfeiçoamento.

Agindo assim, por amor, doando o corpo a serviço dos semelhantes, e, por esse modo, amparando os irmãos da Humanidade, através de variadas maneiras, convertem a existência, sem ligações sexuais, em caminho de acesso à sublimação, ambientando-se em climas diferentes de criatividade, porquanto a energia sexual neles não estancou o próprio fluxo; essa energia simplesmente se canaliza para outros objetivos – os de natureza espiritual. E, em concomitância com os que elegem conscientemente esse tipo de experiência, impondo-se duros regimes de vivência pessoal, encontramos aquele; outros, os que já renasceram no corpo físico induzidos ou obrigados à abstinência sexual, atendendo a inibições irreversíveis ou a processos de inversão pelos quais sanam erros do pretérito ou se recolhem a pesadas disciplinas que lhes facilitem a desincumbência de compromissos determinados, em assuntos do espírito.

Num e noutro caso, identificamos aqueles que se fazem chamar, segundo os ensinamentos evangélicos, como sendo “eunucos por amor do Reino de Deus”.

Esses eunucos, porém, muito ao contrário do que geralmente se afirma, não são criaturas psicologicamente assexuadas, respirando em climas de negação da vida. Conquanto abstêmios da emotividade sexual, voluntária ou involuntariamente, são almas vibrantes, inflamadas de sonhos e desejos, que se omitem, tanto quanto lhes é possível, no terreno das comunhões afetivas, para satisfazerem as obrigações de ordem espiritual a que se impõem. Depreende-se daí a impossibilidade de se doarem a quaisquer tarefas de reparação ou elevação sem tentações, sofrimentos, angústias e lágrimas e, às vezes, até mesmo escorregões e quedas, nos domínios do sentimento, de vez que os impulsos do amor nelas se mantêm com imensa agudeza, predispondo-as à sede incessante de compreensão e de afeto.

Entendendo-se os valores da alma por alimento do espírito, impossível esquecer que a produção do bem e do aprimoramento se realiza à base de atrito e desgaste.

A semente é segrega da no solo para desvencilhar-se dos empeços que a constringem, de modo a formar o pão, e o pão, a rigor, não se completa em forno frio.

A força no carro não surge sem a queima de combustível, e o motor não lhe garante movimento sem aquecer-se em nível adequado.

Abstinência e celibato, seja por decisão súbita do homem ou da mulher, interessados em educação dos próprios impulsos, no curso da reencarnação, ou seja, por deliberação assumida, antes do renascimento na esfera física, em obediência a fins específicos, não contam indiferença e nem anestesia do sentimento.

Celibato e abstinência, em qualquer forma de expressão, constituem tentames louváveis do ser experiências de caráter transitório -, nos quais a fome de alimento afetivo se lhes transforma no imo do coração em fogo purificador, acrisolando-lhes as tendências ou transfigurando essas mesmas tendências em clima de produção do bem comum, através do qual, pela doação de uma vida, se efetua o apoio espiritual ou a iluminação de inúmeras outras.

Tais considerações nos impelem a concluir que a vida sexual de cada criatura é terreno sagrado para ela própria, e que, por isso mesmo, abstenção, ligação afetiva, constituição de família, vida celibatária, divórcio e outras ocorrências, no campo do amor, são problemas pertinentes à responsabilidade de cada um, erigindo-se, por essa razão, em assuntos, não de corpo para corpo, mas de coração para coração.

Emmanuel

Médium: Francisco Cândido Xavier

Livro: Vida e Sexo – 23

Publicado em por admin | Deixe um comentário