INSPIRAÇÕES ESPIRITUAIS

Ninguém avança pela estrada do progresso espiritual sem o auxílio de Deus.

Muitas vezes esse auxílio nos é oferecido por intermédio dos nobres Espíritos que se transformaram em guias da Humanidade.

Esses operosos servidores do bem estão sempre próximos de todos aqueles que lhes rogam ajuda ou que, por meio da oração e dos pensamentos elevados, sintonizam com suas presenças.

São conhecedores de algumas ocorrências que estão delineadas nas existências de seus pupilos e dos desafios que os mesmos devem vivenciar.

Por isso, inspiram-nos e guiam-nos pelo caminho mais apropriado para o sucesso, ou advertem-nos dos perigos iminentes que os espreitam.

Através dessa inspiração é que ocorre o pressentimento.

Ele é uma maneira eficaz da criatura parar e reflexionar em torno do que deve realizar e de como conduzir-se, contornando as dificuldades e avançando sem receio pela trilha do progresso.

No entanto, caso o ser se deixe levar por atitudes equivocadas e rebeldes, não será capaz de se manter em sintonia com os Espíritos superiores.

Em virtude das suas opções mentais e comportamentais, ele estará sob a influência de Espíritos infelizes.

Esses, hábeis na técnica de transmitir ideias deprimentes e de conteúdos perturbadores, atormentam e iludem os imprevidentes.

E, quando as entidades venerandas buscam de alguma forma orientá-los, esses, pela falta de hábito de assimilar-lhes as nobres ideias, recusam-nas, voltando às mesmas paisagens mentais que os infelicitam.

Os pressentimentos, desse modo, devem ser analisados com cautela, avaliando-se qual a sua origem e de que tipo de mensagem são portadores.

Afinal, podem ser valiosas orientações a afastar-nos do mal, ou maléficas sugestões a impelir-nos ao equívoco.

Cabe-nos o uso do discernimento para avaliar com imparcialidade nossa conduta usual e a natureza da influência que recebemos.

Há, ainda, a possibilidade de que os pressentimentos sejam ideias do próprio ser, que voltam à tela mental na forma de intuição, mas que nada mais são do que recordações de compromissos anteriormente assumidos.

Ressurgem do inconsciente pessoal como eficiente maneira de conduzir o ser ao reequilíbrio e, assim, evitar novos tropeços.

Os pressentimentos são fenômenos que muito podem contribuir para a felicidade das criaturas.

No entanto, quando negativos ou ameaçadores, devem nos servir de motivo para que nos entreguemos à prece e a elevados pensamentos.

Alterando, assim, nossa faixa vibratória, seremos capazes de nos afastar de influências funestas e infelizes e, por consequência, receber a orientação benfazeja da Espiritualidade superior.

Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, indagou, certa ocasião, aos Espíritos superiores a respeito da influência dos Espíritos nos pensamentos e nos atos dos seres encarnados.

Foi-lhe respondido que essa influência é muito maior do que se poderia imaginar.

Influem a tal ponto que, de ordinário, são eles que vos dirigem – consta na resposta à questão número 459 de O livro dos Espíritos.

Ora, cientes de que tal influência é usual e intensa, cabe-nos aprender a distinguir nossos próprios pensamentos daqueles que nos são sugeridos.

Além disso, devemos ter em mente que os bons Espíritos sempre nos aconselham para o bem.

Os Espíritos infelizes, porém, são incapazes disso.

Resta-nos, portanto, usar o bom senso para fazermos tal diferenciação e nos valermos apenas das orientações que nos possam levar ao caminho do bem e da verdade.

Redação do Blog espiritismo Na Rede , com base no cap.13, do livro Lições para a felicidade, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL e no cap. IX, pt. 2, de O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB.
Publicado em por admin | Deixe um comentário

PANDEMIA E SUICÍDIO DE MULHERES NO JAPÃO

  • Espiritismo Comentado

*O jornal Estado de São Paulo publicou hoje uma matéria sobre o aumento de suicídios de mulheres no Japão, durante a pandemia. Foi uma alta de 15% em 2020, com relação ao ano anterior.

As relações de trabalho no Japão vêm mudando, mas ainda espelhariam a ideia de que o salário do marido sustenta a família e o salário da mulher é exclusivamente para ela. Como resultado, é usual que o vínculo do trabalho feminino seja mais precário (meio horário, por exemplo), a remuneração menor (nos anos 90, era legal pagar menos para uma mulher que para um homem que ocupasse o mesmo cargo) e as mulheres ocupam postos de trabalho mais precários que os homens. Em outras palavras, as relações de trabalho no Japão espelhavam uma sociedade na qual a mulher adulta era criada para o casamento.

Outra característica que estudamos na nossa dissertação de mestrado é o papel exacerbado da vergonha da cultura japonesa. Não corresponder às expectativas, pode gerar muito sofrimento no Japão. Vez por outra vemos notícias de autoridades japonesas descobertas praticando corrupção, seguido de autoextermínio.

Mais uma característica do povo japonês destacado pelo autor da matéria é o estoicismo, ou seja, o enfrentamento das dificuldades com tentativa de imperturbabilidade e uma aceitação resignada do que é visto como destino. Como consequência, os quadros de transtorno mental, sem tratamento, se agravam.

Uma última característica cultural que complica ainda mais a situação: “infelizmente a tendência atual é culpar a vítima”, afirma uma professora de ciência política, Michiko Ueda.

Some-se a essa cultura os problemas da pandemia. Com o isolamento social, muitos negócios demitiram ou fecharam, e as mulheres sofreram mais o desemprego, seja porque tinham vínculos mais frágeis de trabalho (trabalho temporário ou de meio horário), seja porque trabalhavam em segmentos da economia muito atingidos, “como restaurantes, bares e hotéis”.

Algumas mulheres ficaram, então, sozinhas em casa, como mostram no artigo. Solidão, culpa, desesperança juntos, além de uma concepção de suicídio como saída honrosa, estão todos associados ao aumento do suicídio feminino na pandemia.

Por que estou escrevendo sobre o suicídio feminino no Japão em um blog sobre espiritismo? Inicialmente porque podemos orar por elas. Aprendemos com Yvonne Pereira a importância da prece para o suicida.

Outra razão, é refletirmos sobre as pessoas que estão sozinhas e especialmente muitos espíritas que adotam uma posição estóica e não aceitam ajuda psicológica e psiquiátrica, acreditando, ingenuamente, que bastam os recursos do centro espírita para lidar com o sofrimento psíquico. Os passes e as reuniões são realmente úteis, assim como a relação de proximidade que nós espíritas estabelecemos entre nós, mas, na pandemia, e os centros espíritas respeitando as políticas de isolamento social, muitos desses recursos não ficaram acessíveis, principalmente aos grupos de risco.

Precisamos, então, usar dos recursos à distância nas casas espíritas, como muitas têm feito, e incentivar as pessoas a buscaram auxílio psicológico ou psiquiátrico quando começam a apresentar a ideação suicida (imaginar como suicidarem-se) e queixarem de não “dar conta” do peso dos conflitos em casa ou da solidão. O acolhimento fraterno das casas espíritas pode ser realizado por telefone, por exemplo. A prece direcionada às pessoas em sofrimento também pode ser feita. As reuniões mediúnicas, como já o dissemos antes, mesmo que reduzidas a encontro, prece, estudo e irradiação, empregando aplicativos, podem ser mantidas. Palestras ao vivo (“lives”) com participação dos que assistem, mesmo que apenas através dos “chats”, são um recurso importante contra a rotina e a solidão.

Faço um apelo para que os espíritas japoneses pensem em alguma forma de auxiliar os que se encontram sozinhos, presos em casa, em seu país. Muito pouco pode fazer a diferença entre suicídio e sobrevivência.

Precisamos também aceitar que somos frágeis, não somos “completistas”, nem superiores aos nossos irmãos que apresentam outras crenças, e que podemos necessitar de “ajuda psi” para lidar com situações que nos tiram de nossa “zona de conforto”

Meditemos sobre o que está ao nosso alcance e o que podemos fazer, além de aceitar nossas fragilidades e jamais evitar buscar ajuda profissional ou não quando necessário.

Fonte: Espiritismo Comentado

*https://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,com-pandemia-suicidio-de-mulheres-aumenta-no-japao,70003625957

Publicado em por admin | Deixe um comentário

DENTRO DO LAR

Joanna de Ângelis

Famílias-problemas!…

Irmãos que se antagonizam…

Animosidades entre filho e pai, farpas de ódios entre filha e mãe….

Afetos conjugais que se desmantelam em caudais de torvas acrimônias…

Sorrisos filiais que se transfiguram em rictos de idiossincrasias e vinditas…

Tempestades verbais em discussões extemporâneas…

Agressões infelizes de conseqüências fatais…

Tragédias nas paredes estreitas das famílias…

Enfermidades rigorosas sob látegos de impiedosa maldade…

Mãos envelhecidas sob tormentos de filhos dominados por ódios inomináveis.

Pais enfermos açoitados por filhas obsidiadas, em conúbios satânicos de reações violentas em cadeia de ira…

Irmãos dependentes sofrendo agressões e recebendo amargos pães, fabricados com vinagre e fel de queixa e recriminações…

Famílias em guerras tiranizantes, famílias-problemas!…

* * *

É da Lei Divina que o infrator renasça ligado a infração que o caracteriza.

A justiça celeste estabeleceu que a sementeira tem caráter espontâneo, mas a colheita tem impositivo de obrigatoriedade.

O esposo negligente de ontem, hoje recebe no lar a antiga companheira nas vestes de filha ingrata e maldizente.

A nubente atormentada, que no passado desrespeitou o lar, acolhe nos braços, no presente, o esposo traído, vestindo as roupas de filho insidioso e cruel. O companheiro do pretérito culposo se reivincula pela consanguinidade à vítima, desesperada, reencontrando-a em casa como irmão impenitente e odioso.

O braço açoitador se imobiliza sob vergastadas da loucura encarcerada nos trajos da família.

Desconsideração doutrora, desrespeito da atualidade.

Insânia gerando sandice, e criminalidade alimentando aversões.

Chacais produzindo chacais.

Lobos tombando em armadilha para lobos.

Cobradores reencarnados junto às dívidas, na província do instituto da família, dentro do lar.

* * *

Acende a claridade do Evangelho no lar e ama a tua família-problema, exercitando humildade e resignação.

Preserva a paciência, elaborando o curso de amor nos exercícios diários do silêncio entre os panos da piedade para os que te compartem o ninho doméstico, revivendo os dias idos com execrandas carantonhas, sorvendo azedumes e miasmas.

Não renasceste ali por circunstância anacrônica ou casual.

Não resides com uma família-problema por fator fortuito nem por engano dos Espíritos Egrégios.

Escolheste, antes do retorno ao veículo físico, aqueles que dividiriam contigo as aflições superlativas e os próprios desenganos.

Solicitaste a bênção da presença dos que te cercam em casa, para librares com segurança nos cimos para onde rumas.

Sem eles faltariam bases para os teus pés jornadeiros.

Sem exigência deles, não seria digno de compartilhar a vilegiatura espiritual com os Amorosos Guias que te esperam.

São eles, os parentes severos nos trajos de verdugos inclementes, a lição de paciência que necessitas viver, aprendendo a amar os difíceis de amor para te candidatares ao Amor que a todos ama.

A mensagem espírita, que agora rutila no teu Espírito transformando em farol de vivo amor e sabedoria, é o remédio-consolo para as tuas dores no lar, o antídoto e o tratado de armistício para o campo de batalha onde esgrimas com as armas da fé e da bondade, apaziguando, compreendendo, desculpando, confiando em horas e dias melhores para o futuro…

Apóia-te ao bastão da certeza reencarnacionista, aproveita o padecimento ultriz, ajuda os verdugos da tua harmonia, mas dá-lhes a luz do conhecimento espírita para que, também eles, os problemas em si mesmos, elucidem os próprios enigmas e dramas, rumando para experiências novas com o coração afervorado e o Espírito tranquilo.

Joanna de Ângelis

(Psicografia de Divaldo P. Franco)

Livro: Dimensões da Verdade – 52

Publicado em por admin | Deixe um comentário

DOENÇAS-CASTIGO DIVINO?

Américo Domingos Nunes Filho

No orbe terrestre, a dor é compulsória e abarca todos os seus habitantes. Por que tanto sofrimento, atingindo até mesmo os animais? Se somos seres gerados pelo incomensurável amor divino, não deveríamos ser atormentados, nem sujeitos a qualquer doença ou moléstia cruciante, o que pode gerar em muitas pessoas hesitação a respeito da certeza imanente da presença de um Ente Superior, Amor por excelência e Artífice da Vida.

Quando observamos a abóboda celestial, em um local bem alto e escuro, deparamo-nos com uma imagem majestosa e uma miríade de astros ressaltando a presença de um Arquiteto que transcende qualquer ponto de vista contrário, desde que se torna impossível imaginar todo o cosmos surgindo do nada. Realmente o acaso não pode presidir a qualquer obra. Então, deve haver alguma explicação para que haja tanta aflição, tendo-se o acertamento de que a Divindade está realmente presente como Autor da Criação.

O mal é decorrente de falta praticada na arena espiritual e punida na dimensão física?

Algumas correntes espiritualistas, jactanciosas, revelando mesmo uma apresentação presunçosa e arrogante, expõem conceitos hipotéticos, errôneos, fantasiosos, sem seriedade, desejando contaminar o manancial doutrinário espírita, e são totalmente repelidos pelos seus adeptos sinceros e atuantes. Alegam que, o sofrimento, encontrado em nosso mundo, é resultante de uma chamada “queda ou involução do espírito”, isto é, seres extrafísicos, criados e vivendo na dimensão espiritual, já se encontrando em estado glorioso de perfeição, rebelaram-se contra o seu criador, mesmo possuidores de alto desenvolvimento moral, e são jogados na Terra, sofrendo o processo punitivo da encarnação, em local escolhido para servir-lhes de prisão domiciliar.

Ensina a codificação kardeciana ser o “nascer de novo” um procedimento assaz natural e necessário para todas as criaturas recém-criadas (rebentos espirituais) – nunca utilizado como meio de penalidade divina. Portanto, segundo essas crendices fantasiosas, eminentemente elaborações mentais de seres espirituais ainda presos às funções clericais, tudo o que decorre para esses infelizes deserdados, denominados de “anjos decaídos”, como as doenças e enfermidades de qualquer natureza, são resultantes de castigo de Deus, penitenciando esses nossos irmãos de forma tão severa, sem qualquer demonstração ou manifestação afetuosa de um Deus definido, no Evangelho de Jesus, como “Amor” (2).

Em verdade, o que se conhece bem diferente, na Doutrina dos Espíritos, pela figura simbólica de “anjos decaídos”, é exatamente uma alegoria que, de forma didática, aponta para a migração de seres muito imperfeitos para planetas compatíveis com suas condições espirituais inferiores em momentos de transição planetária. Ao mesmo tempo, criaturas já adiantadas, em nível moral mais elevado, aqui permanecerão e outras semelhantes aportarão na Terra para o chamado estágio de Regeneração.

Importante consideração a ser divulgada está na questão 540 de O Livro dos Espíritos, com um erro de tradução gravíssimo, dando erroneamente guarida à hipótese dessa horripilante “queda dos anjos”, afirmando que o arcanjo encarnou sendo átomo, habitando um planeta destinado na criação dos mundos a ser um presídio, cuja matéria corporal seria o próprio ser degradado (“começou por ser átomo”). O texto certo: “Tudo serve, tudo se encadeia na natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou pelo átomo (matéria). O original francês é bem claro: “a commencé par l’atome”.

Em verdade, a Terra representa um abençoado recanto, criado e organizado por Jesus, cuja finalidade maior é a de ser uma escola onde aprendemos as primeiras letras do alfabeto cósmico, depois de passarmos pelos mundos primitivos que se constituíram em berçários divinos, amparando o princípio inteligente individualizado, na vestimenta corpórea, dando os seus primeiros passos em direção ao Infinito.

“Tudo se liga, tudo se encadeia no universo; tudo está submetido à grande e harmoniosa lei de unidade, desde a mais compacta materialidade até a mais pura espiritualidade” (3) e a tradução certa dá-nos conta de que o arcanjo começou pelo átomo (“par l’atome”), porquanto foi no átomo primitivo (matéria) que o princípio inteligente iniciou a sua caminhada evolutiva, frisando bem que o arcanjo, sendo um espírito puro, sequer poderia ser o próprio átomo e tampouco se transformar em átomo, exatamente na matéria que foi criada para ser o arraial considerável para o despertamento e exteriorização das potencialidades herdadas do Pai, no momento da criação do ser espiritual.

O Mestre aludiu a essa força interior divina, dizendo ser o “Reino de Deus dentro de nós”, exatamente “o germe ou princípio do bem”, explanado com grande felicidade na codificação kardeciana. O espírito, centelha divina aprimorada e individualizada, necessita da arena física (matéria), com sua resistência própria, para ressaltar e refletir de dentro de si a magnitude do templo do Espírito Santo, proveniente de Deus (4).

Bem clara a afirmativa espiritual superior:

“Já te dissemos: os espíritos foram criados simples e ignorantes. Deus deixa ao homem a escolha do caminho: tanto pior para ele se seguir o mal; sua peregrinação será mais longa. Se não existissem montanhas, não compreenderia o homem que se pode subir e descer, e se não existissem rochas, não compreenderia que há corpos duros. É necessário que o espírito adquira experiência, e para isso é necessário que ele conheça o bem e o mal; eis por que existe a união do espírito e do corpo” (5).

O texto é bem elucidativo e foi grifado propositalmente, porquanto põe em xeque as declarações a respeito do mal ser conhecido e praticado primeiramente por seres espirituais, contrariando às assertivas espíritas que relatam ser o mal experimentado a partir da primeira encarnação em mundos primitivos.

Outra discordância considerável é a de que esses seres permaneciam na dimensão espiritual sem terem reencarnado ainda, o que prontamente é inadmissível, sendo mais grave além de tudo a afirmação de as criaturas falidas serem espíritos puros, exatamente os que já criam mundos no universo.

Para a Doutrina Espírita, o mal somente é percebido, primeiramente, na arena física, em mundos primitivos, e é somente praticado pelos seres pela sua própria vontade (6). De forma alguma, há o imperativo de os espíritos passarem pela experiência do mal para chegarem ao bem. Muito pelo contrário, não há fatalidade na prática do mal, porquanto todos os espíritos passam pela fieira da ignorância (7) e a prova pela qual passam dá-lhes todo o mérito da resistência (8).

Em verdade, o mal não é enquadrado nas qualidades naturais da vida, sendo apenas a ausência do bem, assim como a escuridão é falta da luz. Se estivermos em pleno negrume, basta apenas um simples palito de fósforo aceso para afastar as trevas. Assim, da mesma forma, acontece quando doutrinas malsãs tentam acessar os mecanismos excelsos da abençoada Doutrina Consolador de Jesus, sendo prontamente repelidas e inseridas no local certo, que é o da obscuridade e do ostracismo.

A magnânima codificação kardeciana enfatiza e esclarece que “o homem não é um anjo decaído, a lamentar a perda de um paraíso imaginário, nem carrega pecado original algum que o estigmatize desde o berço” (9). Igualmente, afirma que “a encarnação não é, em absoluto, uma punição para o espírito, como qualquer um possa pensar, mas uma condição inerente à inferioridade do espírito e um meio de progredir” (10).

O insigne escritor e pesquisador Gabriel Delanne, de saudosa memória, em sintonia com a Doutrina que sempre amou e respeitou, reafirma que “longe de sermos criaturas angélicas, decaídas; longe de havermos habitado um paraíso imaginário, foi com imensa dificuldade que conquistamos o exercício de nossas faculdades, para vencer a natureza” (11).

Segundo o Espiritismo, em conformidade com a amorosa atuação da Paternidade Divina, os seres espirituais primitivos “não são criaturas degradadas, mas crianças que crescem” (12) e, com as incontáveis experiências na carne, os seres vão evoluindo e paulatinamente vão adquirindo, assim como os Bons Espíritos, a “predominância sobre a matéria” (13) e, no estado santificante de pureza, “percorreram todos os graus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria” (14). Conforme asseverou Dom Bosco, proclamado santo em 1934: “O que somos é presente de Deus; no que nos transformamos é o nosso presente a Ele”.

A doença como acicate à evolução espiritual e física

A doença com todo o seu cortejo de dor e aflições é inerente aos habitantes de mundos inferiores como a Terra. Os animais, por exemplo, não possuem via moral, o sofrimento que sentem é estritamente físico. Quando estão sob o guante da dor, a sua consciência se expande, na mesma maneira quando se defrontam com sentimentos de amor, como os relacionados com os seus proprietários. Lembremo-nos que os nossos irmãos animais inferiores caminham paulatinamente para a faixa de humanidade e suas experiências, com o desenrolar das encarnações, vão ampliando-se, gradativamente, maturando e alcançando maior abrangência evolutiva.

Quanto aos seres humanos, a doença serve como acicate à evolução espiritual, apresentando um papel importante e essencial como lei de equilíbrio e educação. Todas as ações impetradas em equívocos refletem, em nossa intimidade espiritual, vincando o períspirito e são refletidas no corpo físico. Muitas doenças são recebidas como provas indispensáveis ao ser em determinada fase de sua evolução, assim como o desague das impurezas acumuladas na vestimenta astral são lançadas no corpo somático como força geradora das doenças de cunho expiatório.

A doença, com seu aparato doloroso, pode modificar o estado espiritual em minutos, o que talvez dependesse de muitas vivências reencarnatórias. Lembro-me, quando criança, de ter deparado com um assunto familiar de grande expressividade, pois o tio da minha mãe, comunista confesso e, praticante, acamado em decorrência de um câncer pulmonar, manifestou, para surpresa de todos os familiares presentes, o desejo de ser ouvido por um padre, o que deixou a todos perplexos, pelo motivo de ter sido até então um descrente confesso.

A dor, em decorrência de uma doença grave, foi o gatilho que lhe desencadeou a oportunidade redentora do contato com o transcendental em um momento tão importante para o seu espírito imortal. Todos os que estavam acompanhando seu calvário surpreenderam-se com sua mudança. Desencarnou em paz. O enterro transcorreu em clima de serenidade e de muita esperança.

O poeta mais conhecido da Antiga Roma, o célebre Horácio, deixou-nos a seguinte máxima: “A adversidade desperta em nós capacidade que, em circunstâncias favoráveis, teriam ficado adormecidas”. Realmente, a doença pode ter um importante papel de ser a força poderosa de modificar nossos pensamentos e propiciar indispensáveis modificações, com vistas ao nosso caminho evolutivo. A doença, portanto, representa meio de elevação, como diz a saudosa missionária evangélica americana, Lettie Cowman: “A provação vem, não só para testar o nosso valor, mas para aumentá-lo; o carvalho não é apenas testado, mas enrijecido pelas tempestades”.

Encerrando, trazemos o valoroso Léon Denis: “Suprimi a dor e suprimireis, ao mesmo tempo, o que é mais digno de admiração neste mundo, isto é, a coragem de suportá-la. Nada iguala o poder moral que daí provém” (15).

Não poderíamos deixar de acrescentar que todas as condições que levaram à dor, através das doenças, foram os grandes estimuladores do progresso vivenciado pela humanidade, devido aos esforços para fazer alguma coisa que exterminasse a dor e o sofrimento.

Que o Mestre de todos nós, o Amado Jesus, irradie sobre todos os leitores do conceituado Jornal Espírita suas bênçãos de paz, saúde e refazimento espiritual.

Américo Domingos Nunes Filho

Fonte: Correio Espírita

Bibliografia

1- A Gênese, XIV: 12;

2- Primeira Epístola de João, IV:8;

3- A Gênese, XIV: 12;

4- Primeira Epístola aos Coríntios, VI:19;

5- O Livro dos Espíritos, Q. 634;

6- Ibidem, Q. 470.

7- Ibidem, Q. 120;

8- Ibidem, Q. 871;

9- A Gênese, XI-67;

10- Ibidem, XI-25;

11-A Evolução Anímica, III;

12- OESE, III-8;

13- O Livro dos Espíritos, Q. 107;

14- Ibidem, Q. 113;

15- O Problema do Ser, do Destino e da Dor

Publicado em por admin | Deixe um comentário

REFLEXÕES DE KARDEC

Allan Kardec

“Estas reflexões nos são sugeridas como um princípio geral, e seria erro ver nelas uma aplicação qualquer. Entre os numerosos escritos publicados sobre o Espiritismo, sem dúvida alguns poderiam dar lugar a uma crítica fundada; mas não nos pomos a todos na mesma linha; indicamos um meio de os apreciar e cada um fará como entender.

Assim, preferimos esperar que o Espiritismo seja melhor conhecido e, sobretudo, melhor compreendido. Então nossa opinião, apoiada em base geralmente admitida, não poderá ser suspeitada de parcialidade.

Cremos que as proposições seguintes tem este caráter:

  1. – Os bons Espíritos não podem ensinar e inspirar senão o bem; assim, tudo o que não é rigorosamente bem não pode vir de um bom Espírito;
  2. – Os Espíritos esclarecidos e verdadeiramente superiores não podem ensinar coisas absurdas; assim, toda comunicação manchada de erros manifestos ou contrários aos dados mais vulgares da ciência e da observação, só por isso atesta a inferioridade de sua origem;
  3. – A superioridade de um escrito qualquer está na justeza e na profundidade das ideias e não nos enfeites e na redundância do estilo; assim, toda comunicação espírita em que há mais palavras e frases brilhantes do que pensamentos sólidos, não pode vir de um Espírito realmente superior;
  4. – A ignorância não pode contrafazer o verdadeiro saber, nem o mal contrafazer o bem de maneira absoluta; assim, todo Espírito que, sob um nome venerado, diz coisas incompatíveis com o título que se dá, é responsável por fraude;
  5. – É dá essência de um Espírito elevado ligar-se mais ao pensamento do que à forma e à matéria, de onde se segue que a elevação do Espírito está na razão da elevação das ideias; assim, todo Espírito meticuloso nos detalhes da forma, que prescreve puerilidades, numa palavra, que liga importância aos sinais e às coisas materiais, acusa, por isso mesmo, uma pequenez de ideias, e não pode ser verdadeiramente superior;
  6. – Um Espírito realmente superior não pode contradizer-se; assim, se duas comunicações contraditórias forem dadas sob um mesmo nome respeitável, uma delas necessariamente é apócrifa, e se uma for verdadeira, será aquela que em nada desmente a superioridade do Espírito cujo nome a encima.

A consequência a tirar destes princípios é que, fora das questões morais, só se deve acolher com reservas o que vem dos Espíritos, e que, em todo caso, jamais devem ser aceitas sem exame. Daí decorre a necessidade de ter a maior circunspeção na publicação dos escritos emanados dessa fonte, sobretudo quando, pela estranheza das doutrinas que contem, ou pela incoerência das ideias, podem prestar-se ao ridículo. É preciso desconfiar da inclinação de certos Espíritos para as ideias sistemáticas e do amor-próprio que buscam espalhar.”

Allan Kardec

Nota: O texto foi extraído da Revista Espírita de 1860-julho, pág. 232

Publicado em por admin | Deixe um comentário

LIXO E CASA MENTAL

Nilton Moreira

Dependendo da cidade, o caminhão que recolhe os resíduos sólidos passa na frente de nossas residências algumas vezes por semana. É uma atividade essencial, pois afinal o que aconteceria se os resíduos ficassem armazenados por muito tempo na nossa morada?

É da vontade de todos nós que esse “lixo” saia da nossa volta possibilitando que ao nosso redor tudo fique limpo, com aspecto agradável a todos e isento de mau cheiro!

Analisando vemos que produzimos uma quantidade considerável de resíduos, é só olhar na frente de nossa casa e ver a quantidade que depositamos para que o transportador carregue, e se quisermos ter uma visão maior ainda, é só olhar o caminhão a cada fim de etapa, o qual sai de nossas cidades, abarrotado de resíduos sólidos.

Antigamente denominávamos de lixo e cisco os restos de sujeira que produzíamos em nossas residências, hoje denominados de resíduos sólidos, inclusive que rendem uma quantia volumosa a quem se dedica a explorar esse comércio.

Mas existe outro tipo de lixo, este que não é comercializado e que também é produzido por nós! É o chamado lixo mental.

O lixo mental é tudo aquilo que não presta e se origina do pensamento negativo ou maldoso que emitimos pela nossa mente. É algo tão volumoso e também contendo um mau cheiro que é notado por quem se acerca de nós.

Neste caso o caminhão que passa carregado é a nossa tela mental, a qual é notada por outras mentes. É algo invisível aos nossos olhos físicos, mas que através da aura de ambos quando estamos próximos se notam, e isso causa um mal estar a quem está com a mente leve. É por isso que ao chegarmos perto de determinadas pessoas, embora elas estejam com o corpo limpo, perfumado e bem vestidas, sentimos uma aversão. Vontade de sairmos de perto! É o mental dela que está carregado de lixo e exterioriza.

Jesus sempre dizia que pecamos até em pensamento, portanto quando estamos com pensamentos de baixo padrão vibratório vamos produzir lixo pesado. Também o sensitivo americano Edgar Cayce, disse certa ocasião que “somos aquilo que pensamos”. Então se estamos pensando em maldade, maledicência, falcatruas, vamos exteriorizar essa energia, embora nossa aparência possa ser das melhores.

Procuremos ter bons pensamentos, pois só assim produziremos pérolas por nossa mente e não será preciso nenhum caminhão passar por nossa casa mental, já que não encontrará nada de carga perniciosa.

Nilton Moreira

Coluna Estrada Iluminada

Fonte:  Espirit Book

Publicado em por admin | Deixe um comentário

CIÚME

Orson Peter Carrara

Procuremos evitar o ciúme. Fragilidade humana de expressão, o ciúme é causador de intensos sofrimentos, tanto para quem o sente como para quem lhe experimenta os efeitos.

São inverídicas as justificativas de que o ciúme significa bem-querer, zelo, amor ou afeto. Em síntese, o ciúme representa apenas enorme insegurança moral, mascarada com expressões antipáticas. Quantas inimizades, separações de casais, rompimentos entre amigos, homicídios e mesmo suicídios não encontram inspiração e tiveram origem no ciúme doentio?

É preciso sempre ter em mente de que, no planeta, nada nem ninguém pertence a nós. Ninguém é propriedade de ninguém e o ciúme é mesmo, em si, uma grande tolice e se fosse suprimido dos relacionamentos, não faria falta alguma.

O importante é amar, valorizar pessoas e relacionamentos, estimular conquistas de crescimento intelecto-moral, dar importância aos amigos e realizar exercícios mentais que não nos deixe apegados a nada nem a ninguém, vacinando-nos contra esse veneno chamado ciúme. Afinal, basta refletir: ciúme e apego cegam…

Sim, o ciúme é algo terrível. Paralisa sentimentos, cega a pessoa, desperdiça oportunidade de felicidade e infelicita onde se faz presente, gerando mal estar no ambiente. Pensemos bem: para que serve o ciúme? Prender alguém ou algo? Prender alguém ao nosso limitado ponto de vista é sim perder-lhe a companhia e a convivência.

O amor autêntico não tem ciúmes, pois liberta. E libertando, mais o tem…

Basta pensar nas vezes que sentimos ciúme. Quanto mal estar, quanto sofrimento sem necessidade. Vez por outra é preciso se autoquestionar sobre o que nos faz sentir ciúmes. Em que situação ele ocorre? O que o provoca? È com alguma coisa, com determinada pessoa, com o sucesso dos outros? Que bobagem! Não estamos concorrendo. Estamos isto sim num gigantesco processo de crescimento e muito precisamos uns dos outros e podemos, com tranquilidade, dispensar a inutilidade do ciúme, que só fazer perder tempo e sono… Deixemos a cada um o direito de ser como é.

Por nossa vez, tratemos de promover o próprio crescimento, envolvendo-nos igualmente com o crescimento alheio, e seremos muito mais serenos e tranquilos.

Orson Peter Carrara

Fonte: Kardec Rio Preto

Publicado em por admin | Deixe um comentário

UM NOVO NORMAL

Divaldo P. Franco

Vivemos um período existencial caracterizado por comportamentos exóticos e agressivos sob muitos aspectos considerados.

Ao lado da pandemia exterminadora de Covid-19, há os impositivos de adaptação, a fim de evitarmos o contágio perigoso.

Padrões de conduta rigorosa nas linhas da higiene severa são impostos de forma a diminuir e mesmo evitar o contágio da peste, embora não levados em consideração, em face dos hábitos singulares de rebeldia das inumeráveis criaturas, acostumadas a comportar-se conforme melhor lhes apraz.

As recomendações de cuidados nos relacionamentos são desconsideradas, e os grupos renitentes prosseguem desafiadores.

No desespero que se estabelece, como mecanismo de fuga, surgem as condutas estranhas, alguns crimes recebendo legalidade e os blocos de desafiadores propondo um novo normal, mediante uma filosofia de negação do ético, assim como do moral, que faculta, aos instintos básicos, predominância. Tal reação desumaniza o indivíduo, que volve à condição primária da nudez agressiva, com toques exclusivamente sensuais, ao desrespeito à ordem, típico da ignorância e da brutalidade, não estabelecendo limites ao que denomina como liberdade, com total desrespeito ao direito do outro.

Tudo quanto anteriormente constituía dignidade, significava a identificação com valores de elevação e de compostura vem sendo derrubado, culminando em alienações e as agressões ao corpo, à emoção e à psique, é substituído pelo direito do prazer de cada cidadão viver conforme as suas aspirações.

Inevitavelmente, os exageros pelos cuidados com o corpo por grande parte da sociedade competem com o abandono a ele, dando lugar aos fantasmas que deambulam pelos antros infectos das drogas e do sexo pervertido.

As religiões são combatidas, tenazmente, em face dos males praticados por algumas delas no passado, e os seus líderes, fundadores e crentes são levados ao escárnio em situações deploráveis.

Numa análise perfunctória das civilizações, observamos que, antes da decadência de algumas que dominaram o mundo ou parte dele, antes de serem consumidas pelos desastres, viveram essas mesmas tragédias oriundas na decadência moral, sucumbindo sob a desordem.

Jesus Cristo propôs um novo normal, que oferecia paz e plenitude, mas que a sociedade inverteu nas suas imposições apaixonadas e vis, chegando-se a este resultado trágico. O fanatismo e o autoritarismo dos seus líderes mataram a beleza e a estrutura do amor que lhes serviam de alicerce.

Na atualidade, o Espiritismo ressuscita o Evangelho, e um novo normal restaura a esperança de existência feliz.

Divaldo Pereira Franco

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 18/02/2021

Publicado em por admin | Deixe um comentário

PANDEMIA E A HISTÓRIA DA HUMANIDADE

Dra. Giselli Fachetti

Estive pensando, como estamos enfrentando essa crise causada por uma pandemia? Estamos inseguros e assustados? O que está acontecendo? Nunca vivemos algo parecido!

Na realidade a história da humanidade mostra que já vivemos sim, situações iguais e, até muito piores. Não como indivíduos, não na presente encarnação. Vivemos tais circunstâncias como seres espirituais eternos que já encarnaram diversas vezes na terra, por isso, devemos olhar para nosso passado esquecido e devemos procurar aprender com ele.

Não me refiro a complexos exercícios de regressão, refiro-me a explorarmos os relatos históricos, a visitarmos os arquivos sobre a história da humanidade. Voltemos aos tempos em que ainda éramos semisselvagens. A nossa segurança e sobrevivência dependeu da vida em bandos e mais tarde em aldeias. Depois, já civilizados, mas ainda na antiguidade, construímos grandes cidades, cujas grossas muralhas nos defendiam dos povos inimigos.

As pragas e epidemias são tão antigas quanto os primeiros agrupamentos humanos. A nossa necessidade de segurança nos expunha, paradoxalmente, a perigos que nossas muralhas não detinham. As causas das epidemias eram totalmente desconhecidas e seu manejo era apenas intuitivo e místico.

Os microrganismos não foram reconhecidos até meados do século XIX, antes supunha-se que as doenças epidêmicas eram transmitidas pelos odores e miasmas. Essa visão perdurou por toda a idade média e começou a cair com os trabalhos do pioneiro em epidemiologia, o médico londrino John Snow. Ele conseguiu não apenas demonstrar como a cólera era transmitida, mas também, conseguiu debelar uma epidemia devastadora quando identificou a fonte da contaminação.

Assim, a ciência começou a nortear alguns processos de enfrentamento de epidemias e endemias que associados à imunização, surgida a partir dos trabalhos de Jenner no final do século XVIII, foram gradativamente controlando inúmeras doenças infectocontagiosas.

Ainda assim, em 1918, a gripe espanhola matou 50 milhões de pessoas entre os 2 bilhões de habitantes do planeta na época.

O manejo dessa epidemia foi bastante heterogêneo ao redor do mundo e, na maioria absoluta das vezes, bastante equivocado. Os conhecimentos de epidemiologia eram ainda incipientes e pouco difundidos. Tratava-se de infecção por H1N1, influenza, infectando populações desnutridas que foram tratadas em hospitais deficitários e superlotados.

Hoje enfrentamos uma pandemia pelo COVID-19, já deciframos o seu genoma, sabemos seu grau de letalidade e conhecemos bem sua forma de transmissão. As populações têm melhor nutrição, a informação é bastante acessível e atitudes profiláticas estão sendo relativamente uniformes e generalizadas.

A mobilização de todos nós é possível e, está ocorrendo. Os números em termos de mortalidade são assustadores, é fato! Estamos trancados em casa, muitos perderão seus empregos, muitos ficarão inadimplentes, milhares ainda adoecerão.

No entanto, o conhecimento científico hoje disponível, as ações profiláticas baseadas na epidemiologia da nova virose e o empenho de todos e, de cada um, farão uma imensa diferença.

Se vivêssemos ainda nas condições de 1918, talvez a mortalidade da infecção pelo COVID-19 fosse ainda maior do que a que ocorreu então pelo H1N1. Um cálculo simples, se o mesmo índice de mortalidade daquela pandemia se aplicasse à atual pandemia que agora acomete um planeta habitado por cerca de 7 bilhões de pessoas, a infecção pelo COVID-19 levaria a mais de 170 milhões de óbitos.

Até agora, a altíssima mortalidade encontrada na China e Itália têm nos apavorado, entretanto, as mais pessimistas previsões parecem calcular perdas totais menores do que de 100.000 vidas.

Realmente vivemos uma tragédia! Só que esta tragédia jamais tomará as dimensões das vividas por nossos antepassados, porque hoje aplicamos o conhecimento científico já conquistado, porque hoje nos mobilizamos, nos informamos e nos conscientizamos.

Sejamos, portanto, gratos à evolução que Deus, nosso pai misericordioso, nos permitiu alcançar, para que pudéssemos enfrentar os desafios atuais com confiança no futuro e com enorme esperança! Roguemos a nosso Pai que, ao emergimos dessa crise, tenhamos aprendido as lições mais prementes, especialmente aquelas relativas à solidariedade, já que estaremos, neste momento, imperativamente irmanados na dor pelos que sofrem e pelos que porventura ainda venham a sofrer.

Dra. Giselli Fachetti

Fonte:  Medicina e Espiritualidade

Publicado em por admin | Deixe um comentário

Liberdade com o Espiritismo

Gabriel Delanne

No seio do pensamento fulgente da Doutrina Espírita, todos achamos motivação para encetar os passos da nossa verdadeira libertação. Com Allan Kardec, o alcandorado amigo e ínclito Codificador do Espiritismo, torna-se menos complexa essa azáfama para a manumissão anelada. O mundo seria mais leve, e a vida humana mais fácil de ser vivida se conseguíssemos entender e usufruir a sonhada liberdade.

Libertar-se-ia a Ciência com o pensamento espírita se, ao encontrar o agente de tudo, o princípio inteligente do universo, o Espírito, se abstivesse de tudo atribuir somente aos fenômenos materiais, como princípio e fim de tudo. Verificaria, então, quão rica e grandiosa seria a visão científica, a partir do enriquecimento trazido pela constatação e valorização consciente do horizonte espiritual.

Libertar-se-ia a Filosofia por meio do pensamento espírita, quando pousasse suas reflexões, fosse qual fosse a escola de pensamentos sustentada, na realidade do ser imortal, ao conceber que o pensamento é atributo da alma. A partir disso, se tornaria mais simples a compreensão de que tudo quanto existe no campo da matéria densa não passa das elaborações da mente, do psiquismo do ser espiritual. Entenderia o filósofo, sob a profunda luz espírita, que há um caminho menos agreste para a compreensão do ser e da existência, bem como o sentido de tudo isso, nos mundos disseminados pelos espaços.

Libertar-se-ia a Fé Religiosa ante o pensamento espírita, qualquer que fosse a sua linha interpretativa dos fenômenos da alma, ao observar seriamente e penetrar o conhecimento das leis da natureza, base em que se apoia a estrutura espírita. Destronaria o interesse subalterno de dominação de consciências, valorizaria o trabalho de amadurecimento das consciências para a visão de Deus, o que aclararia a reflexão do crente para libertá-lo, por fim, da pieguice, do fanatismo, do fundamentalismo destrutivo.

Atido à grandeza do pensamento espírita, Allan Kardec presenteia a humanidade com a ensancha de estabelecer a libertação das criaturas, graças ao conhecimento da verdade, o que confirmaria o ensinamento do Cristo Jesus.

Se o conhecimento que estamos angariando na vida não nos é capaz de libertar da sombra generalizada, sombra do intelecto, sombra do sentimento, sombra da moral, algo está em equívoco. Ou esse conhecimento não é a expressão da verdade, ou, então, de nossa parte, não estamos assimilando devidamente seus conteúdos.

É hora de despertar, nessa fase aziaga da experiência humana. Estamos perante o extravasar de loucuras sem dimensão; achamo-nos diante das explosões do egoísmo; encontramo-nos submetidos a um tempo de graves pelejas provocadas por incontáveis almas aturdidas, infelizes em si mesmas, que pesam sobre o psiquismo terrestre, espalhando o seu infortúnio. É tempo de cuidados intensos para a inadiável marcha.

À frente de tudo isso, porém, raia o Sol portentoso do Espiritismo no cerne da Codificação de Kardec, que nos deverá aquecer e iluminar para a vitória, para a espiritual libertação.

Agora, quando rendemos ao Mestre de Lyon as justíssimas homenagens pela contagem desses dois séculos de seu último berço no mundo, sob os céus que cantavam as pautas da liberdade, da igualdade e da fraternidade, unimo-nos em oração para agradecer ao Criador por esse ensejo e por nosso júbilo, júbilo da família espírita do mundo, reunida em Paris.

Saudamos, pois, o Codificador, por haver-se tornado para nós o instrumento da liberdade que o Cristo anunciou para a humanidade inteira.

Com os mais cordiais votos de progresso e de paz, sou o servidor de todas as horas, o sempre amigo.

Gabriel Delanne

Mensagem psicografada pelo médium Raul Teixeira, por ocasião da sessão de encerramento do IV Congresso Espírita Mundial, em 05.10.2004, Paris-França

Publicado em por admin | Deixe um comentário