A REENCARNAÇÃO É LEI DA VIDA

Joanna de Ângelis

Impositivo estabelecido, irrefragavelmente, constitui processo de evolução, sem o qual a felicidade seria impossível.

Programada pelo Criador, faculta os mecanismos naturais de desenvolvimento dos valores que jazem latentes, no ser espiritual, que assim frui, em igualdade de condições, dos direitos que a todos são concedidos.

A reencarnação favorece com dignidade os códigos da Justiça Divina, demonstrando as suas qualidades de elevação e de amor.

* * *

Sem a reencarnação – que proporciona a liberdade de opção, co m as consequências decorrentes da escolha – a vida não teria sentido para os párias sociais, os homens primitivos, os limitados mentais, os amargurados e infelizes…

Sem a reencarnação, o ódio inato e o amor espontâneo constituiriam aberração perturbadora em a natureza humana.

Da mesma forma, as tendências e propensões que comandam a maioria dos destinos, seriam fenômenos cruéis de um determinismo absurdo, violentador das consciências e dos sentimentos.

Sem a reencarnação, permaneceriam como incógnitas geradoras de revolta, as razões dos infortúnios morais, das enfermidades de alto porte, mutiladoras e degradantes, da miséria social e econômica que vergastam expressivas massas e grupos da sociedade terrestre.

Sem a reencarnação, os laços de família se diluiriam aos primeiros impactos defluentes dos acontecimentos danosos…

* * *

A reencarnação enseja reequilíbrio, resgate, reparação.

Faculta o prosseguimento das atividades que a morte pareceria interromper.

Proporciona restabelecimento da esperança, entrelaçando as existências corporais que funcionam como classes para o aprendizado evolutivo no formoso Educandário da vida terrestre.

Oferece bênçãos, liberando de qualquer fatalidade má, que candidataria o Espírito a um estado permanente de desgraça.

A reencarnação enobrece o calceta, santifica o vilão, eleva o caído, altera a paisagem moral do revoltado, dulcificando-o ao largo do tempo, sem pressa, nem violência.

A reencarnação é convite ao aproveitamento da oportunidade e do tempo, que sempre devem ser colocados a serviço do progresso espiritual e da perfeição, etapa final da contínua busca do ser.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco

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FANATISMO E IDOLATRIA

Joanna de Ângelis

Fanáticos e idólatras de qualquer procedência são membros carcomidos do organismo enfermo da ignorância.

Mergulhados em densa treva mental, negam-se às bençãos da luz do discernimento, fechados nos corredores estreitos da intolerância renitente ou do pavor inexplicável.

Em todos os tempos sempre os houve.

Adorando os fenômenos da natureza por temê-los, ou erguendo totens e a eles oferecendo sacrifícios para apaziguá-los, o fanatismo e a idolatria atingiram o clímax quando, em holocausto, foi derramado sangue em seus altares macabros…

Com o avanço do pensamento e as abundantes conquistas da ciência, era de se esperar que não mais existisse clima para a floração desta fauna de doentes do espírito. No entanto, nos diversos arraiais do conhecimento eles aparecem e proliferam.

Não somente nas aldeias religiosas, também nas avenidas largas das cidades do saber surgem e se desenvolvem, em cultos de macabra animalidade, estes dois famélicos verdugos, revivendo os fastos do passado, quase esquecido…

O culto da personalidade, a adoração do eu e a receita do prazer são modernos meios de veneração às vacuidades em assinalado desrespeito à evolução e à civilidade

* * *

Há os que idolatram a mocidade que esfuma rapidamente.

Há os fanáticos por estreiteza de vistas em matéria de fé ou nas diretrizes do conhecimento.

Idolatria em torno de objetos, animais, pessoas, idéias que se consomem.

Objetos que pertenceram ao passado e rareiam, disputados por colecionadores dominados pela cobiça em idolatria fanática.

Aqui, as rédeas que pesaram sobre os escombros aristocráticos de Incitatus, o cavalo que Calígula elevou a cônsul.

Ali, o punhal com que o escravo assassinou a Domiciano.

Acolá, a espada de Napoleão, erguida nas batalhas de Toulon ou das campanhas na Itália.

Amontoados de fragmentos desta ou daquela madeira, de moedas, de sedas, de objetos e adornos…

No entanto, o fanatismo religioso e a idolatria pagã, que ainda perduram em algumas fileiras do Cristianismo, constituem nos dias atuais, chaga purulenta, aguardando o curativo do “bom-senso” e da “razão”.

“Não esculpireis imagens para adora-las…” – disse o Senhor. Todavia, em nome da saudade, sob escusas de evocações sentimentais, em cultos funestos do medo, erguem-se altares e adoradores surgem, imprudentemente, aumentando o número de inseguros e sofredores.

Com os ensinamentos espíritas que reproduzem as lições cristãs, o homem desperta para a adoração “em espírito e verdade”.

Já não pode cultivar as transitórias alegações. Nem amontoar farrapos tarjados de celebridade.

Envolve-se nos tecidos da caridade, calça as sandálias da ação e unge-se de amor ao próximo.

Abre alamedas de luz nos bosques sombrios, ascendendo esperanças e distende a mensagem de libertação, vivendo o culto, da renovação íntima, incansavelmente.

* * *

Recebido em Cesaréia, por Cornélio que o aguardava entre familiares e amigos, Simão Pedro foi homenageado pelo anfitrião, que, emocionado, “prostou-se aos seus pés, e o adorou”. O velho pescador, a quem tanto deve a Boa Nova, recordando, talvez, o Mestre, num impulso generoso e viril, no entanto, levantou o amigo, dizendo: “Levanta-te, que eu também sou homem”.

Recordando a preciosa lição do servo devotado a Cornélio, anotado nos Atos dos Apóstolos, capítulo 10 e versículo 25 e 26, compenetremo-nos do dever de divulgar o Evangelho, em sua pureza primitiva, libertando mentes e corações do fanatismo e da idolatria, ensinando com firmeza e bondade que o paraíso não tem limites e a adoração que nós compete realizar está na tarefa de espiritualizarmos a nós mesmos, alongando à família humana o nosso labor, sem preferência, sem paixão, sem loucura…

Joanna de Ângelis

Médium: Divaldo Pereira Franco

Livro: Dimensões da Verdade – 46

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Tempos de Valorização da Vida

Camilo

Quaisquer que sejam as providências tomadas para elucidar a alma humana, no sentido de se promover os cuidados para com a vida, valorizando-a como deve ser, esbarraremos numa muralha intelectual e num vazio moral instigados pela influência das teses materialistas-ateístas que se insurgem no seio das sociedades.

Não deveremos desconsiderar a força dos projetos de vida imediatistas que se costumam alimentar no anseio tipicamente humano de desenvolver poucos empenhos, ou de usufruir situações mais confortáveis e de tirar todos os proveitos possíveis dos recursos do Planeta, sem que se tenha muito o que ressarcir, o que realizar, em prol desse bem-estar anelado. Enfim, é a teoria do proveito pleno e sem ônus para os beneficiários.

Tais posturas são regidas pelo egoísmo, remanescente do instinto de conservação, que tem nos reinos inferiores à Humanidade a sua fonte geradora. É o egoísmo que faz dilatar essa desenfreada busca do prazer hedonista, do gozo insaciável e gratuito sem qualquer reflexão relativa às conseqüências desses privilégios.

Não estranhemos que semelhantes condutas estejam entranhadas e muitas vezes sustentadas por criaturas que se apresentam como religiosas, como crentes em Deus, ou como lideranças nos campos das instituições de fé ditas cristãs.

O que se passa é que muitos Espíritos hão chegado ao Planeta, nos dias presentes, trazendo responsabilidades assumidas na Imortalidade, nos campos do bem, da renovação espiritual e dos progressos inerentes à alma eterna. Ao se sentirem bem instalados no conforto do corpo físico, valendo-se das possibilidades socioeconômicas de realce ou quando se adornam com os poderes da política terrena, deslustram esses compromissos – que lhes são recordados durante as horas de desdobramentos naturais pelo sono – e mergulham em atuações ególatras discricionárias, absolutistas, sem qualquer pensamento que se volte para o Criador da Vida e Suas leis registradas em nossa consciência.

É indispensável que estejamos atentos para as instruções trazidas pelas Vozes dos Céus, no cerne da Codificação do Espiritismo, concernentes ao poder nefário do egoísmo que se reproduz nas mais várias instituições do mundo, seja no seio da família, da escola, das igrejas ou das oficinas profissionais, fenômeno que só será batido, transformado ou superado por meio de ingente trabalho da educação.

Impraticável conseguir-se o entendimento, por parte das massas terrenas, de questões magnas para a vida como é a do abortamento, da pena de morte, da eutanásia, da fome, dos descalabros antiéticos, sem que os indivíduos tenham, devidamente amadurecida, a consciência de si mesmos como Espíritos imortais e que, por isso mesmo, responsáveis pela sementeira que realizam no solo planetário.

O Espiritismo é chamado agora, por meio do labor dos espíritas, a cooperar em todos os movimentos sociais que enaltecem a vida e todos os elementos a ela vinculados, no campo das providências imediatistas, nas respostas que precisam ser dadas às comunidades, sem qualquer dúvida.

Entretanto, pela força filosófica da Doutrina Espírita, não podem os espiritistas perder de vista o seu caráter educacional, trabalho que é capaz de modificar as disposições morais dos seres, mudando o modus vivendi do homem, proposta que permitirá lancemos na correnteza social criaturas bem formadas, participantes da aristocracia intelecto-moral a que se referiu o ínclito Codificador Allan Kardec, na esteira das suas formosas reflexões acerca dos grupos de governança terrestre.

O que presenciamos, por enquanto, é um formidável embate entre as vozes que projetam luz sobre as mentes, sobre as almas e aquelas que gritam suas alucinadoras propostas de destruição e de morte, testemunhado pelo covarde silêncio de muitos indivíduos que, se conseguem cantar e prestigiar as verdades espirituais em grupo, no conjunto dos confrades do bem, calam-se e omitem-se toda vez que se defrontam com o ensejo de dar seu testemunho da verdade, amedrontados muitas vezes pelo temor do achincalhe ou das desconsiderações de que possam ser alvos.

Estamos convocados pelos Porta-Vozes de Jesus Cristo, que atuam nos altos serviços de espiritualização das idéias no mundo, a dar nosso contributo, a nossa palavra consistente, calcada nos princípios do venerando Espiritismo, sem arrogância, sem presunção e sem medo.

Contudo, somos chamados a dar o nosso testemunho de lucidez, de fortaleza moral e de fraternidade, a fim de que o processo educacional que o Espiritismo apresenta, muito além de receber o reforço na nossa teoria, possa contar com o vigor da vivenciação dos espíritas no meio social.

Estamos nos tempos de exercitar a própria coragem e a boa disposição, nessa audácia que fez com que os primitivos cristãos descessem aos circos tão logo ressoou na voz do Cristo a palavra Amor.

Destemidamente, cabe-nos avançar conjugando os possíveis esforços para que, perante tanto desapreço pela vida humana, atuemos no campo da feliz educação, amparada pela ética do amor a Deus acima de tudo e ao próximo, como a nós mesmos, engolfados pela moral de prestar os indispensáveis serviços em prol da dissolução gradativa do egoísmo, da espiritualização das idéias e do aprofundamento das reflexões em torno da lei de causalidade, do que nenhum de nós estará indene.

A valorização da vida do corpo não pode prescindir do apoio à cultura da alma, da estima que se viva quanto às realidades do Espírito imortal.

Camilo

Mensagem psicografada pelo médium José Raul Teixeira, em 10 de novembro de 2007, na Reunião Ordinária do Conselho Federativo Nacional, da Federação Espírita Brasileira, realizada em Brasília, DF.

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FENÔMENO PSICOLÓGICO DA DEPENDÊNCIA

Ricardo di Bernardi

Somos Espíritos encarnados, trazemos em nosso inconsciente grande manancial de energias construídas ao longo dos milênios, isto é, de inúmeras reencarnações. Nossas mentes produzem ondas, geram campos de força e tem facilidade de sintonizar com outras mentes que vibram na mesma faixa que a nossa, mas, quanto maior a fragilidade ou imaturidade espiritual mais buscamos, instintivamente, apoio em outras mentes.

São sobejamente conhecidos os sintomas e comportamentos das pessoas que se acham dependentes de substâncias químicas e podemos fazer uma analogia com a dependência psíquica. Indivíduos, encarnados ou desencarnados, quando apresentam desequilíbrios vibratórios decorrentes de mente enferma ou debilitada, podem se tornar dependentes de outras pessoas ou até mesmo de ambientes, esses Espíritos encontram-se em dependência psíquica.

O dependente químico tem sintomas iniciais de euforia e aparente bem-estar, mas, com o tempo, os malefícios começam a aparecer e cresce a dependência ao produto ou droga. Na fase de viciação, há diversos prejuízos, também para as pessoas de convivência diária, pois a ausência da substância química desenvolve comportamentos de agressividade, agitação e outros, ocasionando sérios problemas no meio familiar e social que convivem.

A dependência mental, como fragilidade espiritual, segue o mesmo raciocínio da dependência química. Conversas picantes, anedotas chulas e atitudes depreciativas tidas como divertidas, quando relacionadas a determinados grupos, etnias, lugares ou tipos de pessoas, são exemplos que poderão trazer sensações de prazer mórbido, e a repetição dessa conduta, determina uma dependência mental e viciação à padrões de pensamento de baixo teor vibratório.

Há uma sintonia do indivíduo com Espíritos desencarnados que se comprazem com futilidades, além do indivíduo sintonizar com ondas mentais de pessoas encarnadas que irradiam pensamentos do mesmo padrão. À medida que o Espírito (encarnado ou desencarnado) sintoniza com mentes desse jaez, passa a se alimentar de energia vital ou outras formas de energia provindas de mentes enfermas e, tal qual um dependente químico, passa a sentir falta da “alimentação” que o “nutre”. Sente-se carente da presença ou convívio de outras mentes enfermas com características semelhantes; já está, agora, na fase de dependência psíquica e se for afastado ou impedido do convívio com seus semelhantes – por orientação terapêutica ou espiritual -, pode apresentar agitação e agressividade exigindo cuidados especiais. Assim, observa-se que os sinais e sintomas do dependente psíquico, ao se ver privado de sua fonte de energias enfermas, se assemelham muito aos do dependente químico.

Existe, também, a dependência mental a uma pessoa, um líder por exemplo. O indivíduo sente um desejo incontido de estar próximo daquela pessoa, ser tocado, ouvir sem analisar, enfim, torna-se emocional e irracionalmente preso. Há inúmeras modalidades de dependência psíquica, por exemplo, necessidade exacerbada de fazer compras, prender-se a seriados na TV, internet, telefone celular, estádios de futebol, bares e outras, desde que essas atividades impeçam a pessoa de tornar-se mais produtiva, ampliando seus conhecimentos e valores da alma.

Quando esse tipo de distúrbio não é diagnosticado e tratado corretamente, o Espírito ao desencarnar leva consigo essa dependência e permanece atraído aos locais, atividades e pessoas às quais se encontra preso psiquicamente.

A leitura de bons livros, música elevada, filmes e documentários que tragam conhecimentos e estímulos aos bons princípios da ética são atividades que nos afastam das dependências psíquicas prejudiciais ao nosso Espírito. Buscarmos ambientes de harmonia e conversas saudáveis criam uma psicosfera favorável ao equilíbrio e refletem em nós a vontade do crescimento espiritual.

São preferências, desejos e vontades que determinam o tipo de energia que geramos e, principalmente, absorveremos e sentiremos falta quando estivermos privados dela. Vibremos no amor, alegria, tranquilidade, paz, estudo e trabalho que a atmosfera mental de nossos Espírito se enriquecerá com convivências construtivas, sem dependências psíquicas.

Todo costume, mesmo sendo elevado e construtivo deve libertar com responsabilidade e nunca prender.

Ricardo di Bernardi

Fonte: Medicina e Espiritualidade

Bibliografia:

PALMEIRA, José A. M./ BORTOLETTO, Ivaneide./ PESCHEBÉA, Marisa. A Dança das Energias, Cap. 3, 3ª Edição, Curitiba, Ed. Centro Espírita Luz e Caridade, 2016.

KARDEC, Allan. O Livro dos médiuns. Tradução de Herculano Pires São Paulo, Ed. LAKE, 1973.

XAVIER, Francisco Cândido/Espírito André Luiz. Mecanismos da mediunidade. 8. Ed. Rio de Janeiro, FEB, 1959. Evolução em dois mundos. 9. Ed. Rio de Janeiro, FEB, 1959.

Dr. Ricardo di Bernardi é fundador de ex-presidente da AME Santa Catarina, médico e conferencista espírita internacional.

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O IMPACTO DO SUICÍDIO NA FAMÍLIA

Cristiane de Carvalho Neves

Atuo como psicóloga exclusivamente na clínica, e especialmente no enfoque sistêmico, nas perdas e no luto e em experiências traumáticas. Entretanto, independente da abordagem, o meu maior propósito quando recebo uma pessoa no consultório, é construir um vínculo afetivo e de escuta respeitosa com o paciente.

Trabalhando com famílias, pessoas enlutadas ou traumatizadas, acabamos por nos aproximar de situações relacionadas ao suicídio. São pessoas que vem por indicação do psiquiatra ou trazido por algum familiar. Outra situação que também me acontece muito é o atendimento de uma pessoa que me traz queixas diversas, porém, com risco velado para o suicídio. O estudo e trabalho sobre os processos do enlutamento me treinou a uma escuta atenta a essa questão do suicídio; uma escuta que me possibilitou captar essa possibilidade e abrir porta para que a pessoa fale sobre isso. Assim, nos conduzimos ao primordial sobre a atenção aos aspectos do suicídio: a importância de poder falar sobre os pensamentos suicidas como prevenção.

É difícil explicar por que algumas pessoas escolhem o suicídio, enquanto outras, em situação similar ou pior, não o fazem. Se conseguirmos olhar para ato suicida como algo mais complexo do que imaginamos, poderemos compreender e ajudar melhor a quem está precisando dessa atenção. Acreditamos que a nossa principal tarefa como profissionais, e principalmente, como pessoas que temos interesse pela vida das outras pessoas, é fazer a prevenção e posvenção ao suicídio.

A Prevenção se faz por meio da escuta ativa, da capacidade de se colocar no lugar do outro e de adentrar no mundo dele. E, para tal, não basta ser bom de coração, precisamos conhecer alguns aspectos que estão implicados na complexidade do comportamento suicida. Entre esses aspectos, temos os lutos não elaborados ou mal resolvidos; a precariedade afetiva nas relações familiares; o acúmulo de experiências de fracasso; um histórico de transtornos psíquicos; e, o mais agravante, a depressão, muitas vezes, não tratada por não ser admitida ou compreendida pela própria família.

Portanto, a Prevenção se refere ao que podemos fazer para evitar o suicídio. Enquanto, a Posvenção é um conjunto de intervenções para evitar que uma nova tentativa de suicídio aconteça. Na Posvenção criamos estratégias de cuidados com o enlutado ou sobrevivente por suicídio, a fim de evitar o luto complicado e a repetição do ato.

As pesquisas e a nossa prática clínica apontam que a maioria dos que cometeram suicídio, de alguma maneira, se comunicou com familiares, médicos ou amigos, antes de atentar contra a própria vida. Também, sabemos que existem casos de pessoas, especialmente, as crianças, os adolescentes e os idosos, que agiram com impulsividade, imaturidade ou esconderam suas intenções, e privaram-se de qualquer ajuda, de tratamento e prevenção. De qualquer forma, sabemos que o suicídio ainda é um tema tabu na nossa sociedade, devido à nossa dificuldade em acolher a dor expressada ou manifestada. Geralmente, sentimos impotentes e impactados, até por conta dos nossos preconceitos. E como um familiar, a situação ainda é pior, devido aos sentimentos de culpa e medo que nos paralisam.

O suicídio ou a sua tentativa, exerce na família um impacto que se manifesta de diferentes formas, a depender da maneira como a família irá enfrentar essa situação. Por exemplo, a forma como a família lida com situações traumáticas, vai determinar o processo de luto ou a sua reorganização em caso de tentativa frustrada do suicídio.

 

Por falta de conhecimento, podemos observar que há muito preconceito na sociedade sobre o que é o suicídio e, também, vemos isso acontecendo na família, impedindo uma comunicação aberta entre os membros da família sobre o que se passa com eles. Sempre que se fala em suicídio ou em tentativa de suicídio, a tendência é ignorar ou reprimir, ao mesmo tempo em que se quer ajudar e acolher. Por isso, o contato fica mais difícil e, muitas vezes, não acontece.

A pessoa que tenta o suicídio precisa de alguém para confiar, e o resgate ou a criação do vínculo é de extrema importância na família, podendo o aprendizado começar por meio da terapia com o vínculo terapêutico ou com o auxílio do terapeuta no sistema familiar. As famílias devem ser incluídas no tratamento de pessoas com ideação e principalmente com tentativa de suicídio. Às vezes, a família se sente muito culpada ou pode pensar que, se for atendida, roubará tempo do atendimento àquele que, na sua concepção, mais necessita.

Entretanto, com a participação da família no processo psicoterapêutico da pessoa com tentativa de suicídio, percebo, em alguns casos, a preocupação ou medo dos pais ou cuidadores em se “descobrirem” responsáveis por aquele comportamento do filho e não conseguirem carregar esse fardo. Porém, a ideia é poder trabalhar a coparticipação, assim como, a corresponsabilidade pela dinâmica relacional daquele sistema familiar, ajudando-os a encontrar uma nova forma de lidarem com as situações difíceis, juntos.

A pessoa quando chega ao ponto de atentar contra a própria vida, pode estar convivendo há bastante tempo com o sofrimento. É comum que o processo de comunicação entre os membros da família, principalmente com alguém que tentou o suicídio, fique frágil e truncado, não permitindo um bom acolhimento da pessoa, dificultando um trabalho preventivo. A prevenção nesses casos é muito necessária para que não haja uma nova tentativa. Cabe lembrarmos que é na crise que se ressignificam os papéis e se torna uma possibilidade de desenvolver a resiliência permitindo à família superar a desestruturação e se reorganizar a partir dela.

Quando alguém na família tenta suicídio ou quando morre por suicídio e isso não é conversado, criando um segredo, criam-se buracos dentro do sistema e acabam sendo preenchidos com inadequações, além de que vai sendo repassado de geração a geração, criando repetições de padrões anteriores. É desejável que o diálogo seja uma constante no sistema familiar, onde todos se sintam pertencentes e acolhidos em suas diferenças. Essa característica familiar será importante para que cada um na família se sinta respeitado na sua forma de expressar o seu sofrimento do luto.

O alerta sobre os cuidados com as pessoas que sofrem não deve se restringir apenas no mês de setembro, mas sim, durante o ano todo. Vamos cuidar da nossa família – fazendo o nosso melhor, ofertando atenção, carinho e respeito – e da nossa espiritualidade, nos conectando com a força maior que vem de Deus. É disso que todos nós precisamos.

Por Cristiane de Carvalho Neves

Psicóloga Clín. Esp. em Atend. Sistêmico Familiar e Luto

Fonte:  Medicina e Espiritualidade

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A VERDADEIRA CAUSA E O VERDADEIRO REMÉDIO

Espírito Lúcius

Quanto mais elevados se tornam os Espíritos, mais do alto podem ver e entender os verdadeiros motivos ocultos por detrás de uma esposa infeliz e de um marido imaturo e ambicioso…

Sexualidade desregrada, afetividade frustrada, infelicidade material ou moral, tudo isso pode parecer a causa de muitos desastres.

No entanto, quando aprofundamos a análise de sua origem, constataremos que há fatos mais graves que precisam ser medicados, situações mais dolorosas que ainda não eram do nosso conhecimento.

Se nos ocuparmos em atender apenas à dor do coração ferido, a remediar um prazer sexual mal exteriorizado, a satisfazer uma necessidade material imediata, deixaremos escapar a possibilidade de ajudar a todo o conjunto dos sofredores envolvidos naquelas questões.

O que vale mais, tratar a febre que fustiga o corpo ou tratar a infecção que provoca a febre?

E para tratarmos a infecção, muitas vezes não podemos usar medicações que inibam a febre a fim de que não mascaremos os sintomas e dificultemos o tratamento eficiente da verdadeira causa.

É melhor deixar a febre presente por um tempo, ainda que controlada, do que permitir ao organismo o estado de normalidade na temperatura, enquanto a infecção se alastra, colocando em risco a vida do corpo.

Assim é que o Bem atua.

Por isso é que, enquanto os ignorantes e maldosos se reúnem em Organizações canhestras e Departamentos desajustados, a ação do Bem, a benefício dos próprios maus, se alonga no tempo, a fim de que, no momento adequado, tudo se transforme em um maior número de almas amparadas pelas bênçãos do despertamento.

Se não fosse assim, Deus não seria igualmente Misericordioso para com todos os seus filhos, principalmente para com aqueles que se afastaram do bom caminho.

Entende?

Livro:- Despedindo-se da Terra

Cap. 28

 Espírito Lúcius

Psicografia de André Luiz Ruiz

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A Polêmica do Uso de Células-Tronco (Na Visão Espírita)

Oswaldo Magalhães Rodrigues

A POLÊMICA DO USO DE CÉLULAS-TRONCO (NA VISÃO ESPÍRITA

 A capacidade das células-tronco de se multiplicarem, reparando e formando diversos tecidos do corpo, como os da própria pele, do cérebro, dos ossos, do coração e dos músculos, torna essa pesquisa um importante avanço da medicina no tratamento de doenças até hoje incuráveis, como câncer (a leucemia, inclusive), lesões na coluna (problemas de paralisia), danos cerebrais (traumas e doenças como os males de Alzheimer e de Parkinson), tratamentos para doenças neurodegenerativas, danos no coração entre outras.

– Alguns métodos de coleta das células-tronco não geram polemicas ético-religiosas, como a coleta pelo cordão umbilical ou da medula óssea do próprio paciente. A polêmica surge quando se trata da retirada de células-tronco de embriões, visto que isso implica a destruição deles. Muitos argumentam que o extermínio desses embriões é tão criminoso quanto o aborto, uma vez que acaba com uma forma de vida. Aliás, embriões e fetos provenientes de abortos seriam fontes para a coleta desse material.

As células-tronco podem ser encontradas mais comumente em duas regiões do corpo: na medula óssea e no sangue do cordão umbilical, que permanece na placenta após o nascimento do bebê. E elas podem ser uma alternativa, por exemplo, para os casos de leucemia, em que o transplante de medula óssea nem sempre pode ser realizado, embora seja um procedimento de sucesso. Já com o sangue do cordão umbilical congelado, as células-tronco ficam disponíveis para serem usadas em casos como esse durante, pelo menos, 15 anos após a coleta, embora alguns estudos considerem a possibilidade de estocagem por até 50 anos.

Clonagem terapêutica

Muitas pessoas pensam que a clonagem serve apenas para a criação de cópias de seres humanos. Entretanto, vários cientistas a vêem como uma possibilidade de cura para diversas doenças que atualmente não podem ser tratadas. Trata-se da tão falada clonagem terapêutica.

Esse processo consiste em obter um embrião da pessoa doente por meio da clonagem e retirar as células-tronco dele. Essas células têm potencial para se transformar em qualquer tipo de célula adulta do nosso corpo, como, por exemplo, células cardíacas ou nervosas. Assim, elas poderiam ser estimuladas a se transformar no mesmo tipo de célula que estão lesadas no organismo do doente. Por exemplo: uma pessoa com leucemia que necessitasse de um transplante de medula seria clonada, dando origem a um embrião, do qual seriam retiradas células-tronco. Dessa forma, a pessoa seria doadora para si mesma, sem correr o risco de que seu organismo viesse a rejeitar o transplante, pois as células utilizadas seriam retiradas de seu clone, que apresentaria a mesma constituição genética que ela.

Mas ainda existe uma séria e relevante discussão envolvendo a técnica: embriões teriam de ser sacrificados em prol da vida do doente. Muitas pessoas no mundo inteiro se manifestam contra esse procedimento, alegando que, se o embrião não tivesse seu desenvolvimento interrompido, uma pessoa nasceria. Isso é comparar essa forma de clonagem a um aborto. Por outro lado, muitas pessoas portadoras de doenças genéticas ou lesões medulares que impedem a locomoção defendem essa técnica porque enxergam nela a única possibilidade de cura definitiva atualmente conhecida.

Conclusão pessoal do autor: A meu ver, existindo a possibilidade do uso de células-tronco originárias da medula óssea ou de cordões umbilicais seria o mais indicado no auxílio ao tratamento das diversas enfermidades supra citadas. Mas por outro lado, não existindo a possibilidade desses dois meios e restando somente a alternativa de clonagem de um embrião, penso que não seria o mesmo que um aborto.

Primeiro, no aborto provocado, a mãe age por seu livre arbítrio sem o consentimento de Deus, que em muitos casos enviou aquele espírito sem a intenção de fazer com que sofresse essa prova, e pela vontade dela haveria o aborto ou não, consequentemente ela pagaria por esse ato de uma forma ou de outra.

No caso da clonagem do embrião em laboratório, tudo isso já estaria premeditado, com a intenção de curar e salvar outras vidas, e Deus não enviaria um espírito para sofrer um aborto (a não ser que fosse para pagar uma prova), para reencarnar em um embrião que já estaria destinado a ciência para este fim.

Oswaldo Magalhães Rodrigues

Fonte:  Kardec Rio Preto

Referências:

  1. O debate sobre o uso de células-tronco de 14/05/2004: Por Diogo Dreyer no site www.portalpositivo.com.br
  2. Clonagem terapêutica: Por Silvia Schaefer — Professora de Biologia do portal no site www.portalpositivo.com.br
  3. Brasil realiza 1º transplante com cordão umbilical: Por Reuters site http://noticias.terra.com.br
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APREENSÕES

Rogério Miguez

Depois disto, que nos resta a dizer? Se Deus está conosco, quem estará contra nós? (1) Romanos 8:31

Em uma possível interpretação deste ensino, podemos concluir ser de longa data a preocupação do ser humano sobre seus possíveis inimigos ou desafetos. Cremos que a consciência de culpa gerada pela multidão de pecados perpetrados, alguns ainda não revelados e reparados, poderia criar as condições necessárias para o aparecimento desta apreensão, sempre rondando as mentes devedoras.

Por outro lado, destacando ainda o ensino de Paulo sob outro ângulo, embora a pergunta use o pronome quem, sugerindo uma pessoa, outra forma de entendê-lo é o reconhecimento da existência de inúmeros percalços sucedendo-se durante a jornada física, aparentemente trabalhando contra nós, tais como: reveses financeiros, contrariedades afetivas, amizades desfeitas, desilusões amorosas, doenças inesperadas, “perda” de entes queridos.

Existem também as angústias criadas pela imprensa alarmista, muitas vezes polarizada por privilegiarem notícias referentes apenas a desgraças e agruras, esquecendo-se quase sempre das nobres realizações e bons exemplos existentes. Alardeiam-se prováveis conflitos nucleares, ameaças terroristas de toda ordem, sequestros relâmpagos, meteoros “assassinos” se aproximando perigosamente da Terra, futuros desastres coletivos causados por condições climáticas extremas e adversas, catástrofes naturais, bruscas oscilações do mercado financeiro… Ou seja, anunciadas e inesperadas desgraças não faltam; todas podem igualmente trabalhar contra a nossa paz.

Além disso, como se não bastasse, perturbamo-nos por variados temores, desconhecidos, sem sentido e nenhuma razão plausível, incompreensíveis. Talvez a mesma consciência culpada seja fonte destes receios, ou, quem sabe, alguma influenciação ardilosa de um Espírito desencarnado, provisoriamente desorientado e abatido com a sua situação espiritual, ou mesmo de um encarnado visando a nos prejudicar.

Como resultado, o ser humano aturdido por tamanha gama de fobias e ansiedades, ignorando como proceder, fecha-se em sua casa, instala alarmes e câmeras modernas, sofisticadas fechaduras eletrônicas, cercas eletrificadas, contrata serviço de segurança privada via telefone, tudo para resguardar-se de possíveis ameaças, tendo ele mesmo, em muitos casos, dificuldade em definir especificamente quais seriam. Esquece-se de que existem ameaças imateriais mais contundentes e perigosas.

Tempos estranhos!

Mas, afinal, por quais razões nos afligimos tanto, imaginando opositores de toda ordem? Pela perda dos bens materiais, da própria vida, medo da dor física proveniente de um corpo doente, ou mesmo da dor moral provocada pela solidão?

Todas estas adversidades anteriormente citadas são características de mundos pouco evoluídos como ainda é o caso do nosso. Se por aqui ainda transitamos é porque necessitamos destes contratempos, de modo a dar testemunhos de nossa fé em Deus e em sua justiça perfeita. Caso contrário, passaremos pela Mãe Terra escondidos em nossas residências, tal qual fazíamos no passado, quando ocupávamos, temerosos, furnas e cavernas, sem nos atrevermos a enfrentar os supostos perigos do mundo. Contudo, é bom entender e principalmente admitir, no “pior caso”, do nosso ponto de vista, o maior prejuízo que qualquer deles poderia nos causar seria o de colocar-nos diante da tão temida e indesejada morte.

Mas quem tem medo de morrer? Tudo indica que todos nós, pois ainda não aceitamos só existir vida, e como disse Jesus, vida em abundância. Esta é a verdadeira lei divina. Tudo se transforma, não há destruição de absolutamente nada, apenas de nossas ilusões, quando, deslumbrados pelos atraentes apelos materiais, somos levados a cultuar este ou aquele bem, esta ou aquela forma física, para mais tarde compreender que tudo é passageiro, inclusive e principalmente os nossos devaneios.

Não existe a morte. Somente o corpo físico é dissociado pelos fenômenos químicos já bem conhecidos, retornando ao grande laboratório da natureza proporcionando uma vez mais a reciclagem dos elementos constituintes desta desgastada estrutura material, agora desfazendo-se. Este processo cíclico visa à formação de novas “temporárias residências” para outros Espíritos, que como nós mesmos, mais uma vez reingressarão nas lides terrenas, tentando aproveitar oportunidades de modo a oferecer novos testemunhos de aprendizado nas particulares caminhadas.

Dar testemunhos de compreensão dos desígnios divinos quando tudo está correndo bem é o primeiro passo em nossa marcha evolutiva. Contudo, aceitar a vida tal qual é, sem reclamos, queixumes, rebeldia, tristeza e desgosto diante das contrariedades oriundas muita vez de nossos anseios pueris, é um desafio maior. Estes últimos testemunhos nos fortalecem e nos preparam para o enfrentamento das adversidades superiores, às quais estamos todos destinados a enfrentar.

Entretanto, diante de tantos supostos perigos, há um em especial cujo traço insinuante nos traz de fato preocupação. Não é uma utopia, uma abstração, fruto de propaganda alarmista, pois é imaterial: as nossas muitas personalidades. Este é o grande “inimigo” oculto, o adversário cruel que pode levar-nos mais uma vez ao fracasso em nossa nova existência.

Este “inimigo” é a resultante dos vícios e tendências negativas forjados em inúmeras existências passadas, quando, não aproveitando as oportunidades regularmente oferecidas pela vida, deixando escapar ou escondendo os talentos colocados em nossas mãos pela Divindade, construímos, em consequência, traços de personalidade agora difíceis de ser superados ou mesmo controlados.

A luta é árdua, pois este “inimigo” é poderoso, supera todos os outros juntos!

Entretanto, nada é impossível ao que não apenas crê, pois, mais do que apenas fé, sabe, tem consciência de poder enfrentar a razão face a face, sob qualquer situação inusitada.

Não temamos os entraves da vida. Não emprestemos valor indevido aos passageiros infortúnios da caminhada, sejam quais forem. Não sejamos intimidados por situações já esperadas e comuns no variado rol de nossas provas e expiações.

Caminhemos destemidos, rumo ao amanhecer que a todos aguarda, jamais nos imaginemos perdidos na noite escura das dúvidas e incertezas, pois, se Deus está conosco, quem estará contra nós?

Rogério Miguez

Referências Bibliográficas:

(1) BÍBLIA DE JERUSALÉM. Trad. Gilberto da Silva Gorgulho et al. 8. imp. São Paulo: Paulus Editora, 2012.

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O MEDO QUE EU DESCONHECIA EM MIM

Adriana Machado

Mais uma vez, percebemos como a vida é sábia.

Somente quando somos testados pelas alegrias e adversidades, somente quando os nossos interesses são glorificados ou colocados em “perigo” é que deixamos emergir para a superfície de nossas ações aquilo que ainda trazemos em nossos corações, aquilo que ainda nos acompanha como parte de nossa essência.

Enquanto vivemos uma existência sem tormentos, enquanto vivenciamos um mar de tranquilidade antes as circunstâncias que nos rodeiam, não temos noção das mazelas que carregamos nas profundezas de nossa alma, tampouco a nossa capacidade de fazer o bem.

Mas, não é para isso que viemos aqui neste planeta escola? Não é para nos conhecermos e nos lapidarmos, para nos conhecermos e nos aprimorarmos?

A espiritualidade há muito tem nos avisado que passaríamos por momentos de aprendizado; que deveríamos nos preparar para enfrentar os nossos temores mais íntimos; que também nos escandalizaríamos com as nossas boas e não tão boas ações e pensamentos, porque as máscaras iriam cair e que nos enxergaríamos por inteiro.

O momento chegou. O momento de turbulência está aí para quem quiser admitir!

O nosso povo está dividido, realmente, dividido. Uns mais exaltados, outros mais comedidos, outros preocupados e outros tantos não estão nem aí, mas o que conta é o que flagramos em nossos corações.

Pense com honestidade, sem buscar justificativas: o que está acontecendo aí dentro do seu Eu? Quais os sentimentos que estão borbulhando, que estão se fazendo presentes a cada experiência boa e não tão boa que vivencia? Elas o incomodam? Se sim, o que fará a respeito?

Percebo muitas em mim! Me surpreendo com algumas que antes eu mesma afirmava (ou até condenava) ser inconcebível para um ser cristão! Elas estão aqui e o que faço? Tenho de me envergonhar por tê-las? Não.

Como não?

Não tenho de me envergonhar porque elas são aquilo que estou, mas não significa que eu as aceitarei por muito tempo em meu ser. Se eu as estou abominando em mim, posso trabalhá-las pacificamente para transmutá-las. Diante de tantas lutas externas que assolam o nosso mundo, não preciso criar outra batalha dentro de mim para me lapidar. Posso fazer isso no silêncio de minha vontade, na minha vontade de querer mudar.

Mas, além das circunstâncias, o que fez ressurgir e alimentar tais sentimentos em cada um de nós?

Eu acredito que o maior impulsionador de nossos sentimentos exacerbados é o nosso medo!

Estamos com medo! Medo desta instabilidade, medo da violência, medo do nosso presente, medo de vermos que, efetivamente, a nossa vida está na mão de outras pessoas e de uma doença ainda não contida que poderão moldar um futuro que nos parece aterrorizador.

Somente agora, ante as adversidades vivenciadas pelo mundo, muitos estão aprendendo que não podemos nos alienar ou nos isentar de nossas responsabilidades. Muitos de nós tomaram consciência de seu papel como cidadão do mundo, como pessoa e que a escolha do coletivo fará diferença para a condução de sua vida e do mundo. Mas, são todos? Infelizmente, ainda não.

O engraçado é que esse nosso papel na coletividade nunca fugiu deste contexto. Pela nossa ignorância das verdades espirituais, não dávamos o devido valor ao nosso comportamento e, por isso, sempre estivemos à mercê de qualquer decisão mal direcionada por nós, podendo-nos trazer o caos e a decadência. Ademais, tomamos consciência que tais decisões interferem no todo porque somos parte da mesma moeda, onde um for, o outro lado vai também!

Se o medo nos “assusta e paralisa”, também nos mostra como estamos nos vendo intolerantes em relação àqueles que não querem enxergar o momento perturbador, mas de muito aprendizado, que todos estamos vivenciando. Por temermos um futuro sombrio podemos usar da intolerância, da agressividade como escudos de proteção.

O medo nos leva a acreditar que o caos impera. O medo nos leva a agir com violência verbal ou física contra aqueles que acreditamos que concretizarão o que mais tememos. O medo nos faz enxergar um inimigo a cada esquina.

Voltemo-nos para o Cristo. Voltemo-nos para quem realmente nos ampara a cada momento e ajamos conforme Ele ensinou [1]:

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á.”

Nesta passagem bíblica, Ele nos dizia que precisamos fazer a nossa parte. Não podemos cruzar os braços, mas, agirmos seguindo os Seus ensinamentos no império da paz, do consolo e da compreensão.

Voltemo-nos para o nosso Ser. Busquemos compreender o medo que nos assola para que a nossa fé seja mais forte do que ele. Vibremos na energia do amor para que construamos um campo de saúde e paz para o nosso planeta.

Assim, com esse novo entendimento, mataremos de fome o medo que nos inunda e incomoda e fortaleceremos a nossa fé na Providência Divina de que toda experiência tem o seu tempo e esta, em que vivemos, também terá.

[1] Matheus, 7:7-8

Adriana Machado

Fonte:  Adriana Machado

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ARREPENDIMENTO

Sidney Fernandes

“Se arrependimento matasse, eu precisaria de outra vida. Zé Neto e Cristiano”

Ildefonso era filho de Dona Malvina, senhora virtuosa e devotada à causa do bem. Inválido, preso ao leito, o jovem parecia um cordeiro, tão resignado se comportava diante da enfermidade.

Portadora de muitos méritos junto aos amigos espirituais, Dona Malvina pôs-se a orar e a interceder em favor de Ildefonso. Foi então que, do Alto, surgiu a ordem de reajuste físico do inválido.

Infelizmente, após a cura, a mãe generosa começou a desiludir-se com o filho. Certa noite, ao repudiar violentamente as repreensões maternas, Ildefonso agrediu a nobre genitora de forma covarde e rebelde. Foi então que Dona Malvina voltou a orar.

— Senhor de infinita bondade. Meu filho tornou-se um monstro. Modifica-lhe a rota desventurada. Faça-se a tua vontade, Senhor.

De repente, intensa luminosidade espiritual resplandeceu sobre aquela cabeça venerável, em forma de nova bênção do Alto. Para surpresa de todos, no dia seguinte Ildefonso acordou paralítico.

Dona Malvina chegou à conclusão de que o filho ainda não estava preparado para a cura. Talvez, se ela tivesse atentado para esta frase de Sócrates, filósofo grego, teria pensado melhor no assunto:

Se alguém te procurar em busca de saúde, pergunta-lhe primeiro se está disposto a evitar as causas da doença; em caso contrário, abstém-te de o ajudar.

Chico Xavier preparava-se para a sessão no Centro Espírita Luiz Gonzaga, quando um viajante perguntou:

— Que é bom para arrependimento?

Indicaram Chico como portador do remédio.

O Irmão viajante havia brigado com a esposa por motivos fúteis. Estava, portanto, arrependido e desejoso de um remédio. A leitura do Evangelho e a reunião no centro lhe foram recomendadas.

No fim, estava satisfeito. Ganhara o de que necessitava através do abraço do Chico e dos comentários da lição da noite, em que focou o assunto da cólera, fazendo-o compreender os seus malefícios.

Na manhã seguinte, seguiu para Belo Horizonte, onde residia. Chico teve o prazer de revê-lo, pois ele estava esperando-o para lhe apresentar sua esposa.

Ela foi dizendo a Chico:

— Meu esposo fez as pazes comigo, arrependeu-se do que me disse, em momento de raiva, e jamais nos sentimos tão felizes! No Evangelho Segundo o Espiritismo ganhou o remédio para o arrependimento, um roteiro novo para nossa vida no lar e fora do lar.

***

Jamais sofri mágoa que uma hora de leitura não tenha curado.

Esta frase de Charles de Secondat (Montesquieu), filósofo francês, foi perfeitamente completada pelo episódio vivenciado por Chico Xavier, que nos convida, todas as vezes que magoemos ou nos sintamos magoados, à reflexão, através do Evangelho de Jesus.

***

Fiquemos com Emmanuel:

O aluno que não se retira dos exercícios no alfabeto nunca penetra o luminoso domínio mental dos grandes mestres.

Que dizer do operário que somente visitasse a porta de sua oficina, louvando-lhe a grandeza, sem, contudo, dedicar-se ao trabalho que ela reclama? Existem milhares de crentes da Boa Nova nessa lastimável posição de estacionamento.

Evitemos, assim, a posição do aluno que estuda… e jamais se harmoniza com a lição, recordando também que se o arrependimento é útil, de quando em quando, o arrepender-se a toda hora é sinal de teimosia e viciação.

Sidney Fernandes


Referência: 
Luz Acima, Irmão X; “Levanta-te! ”, Lindos Casos de Chico Xavier, Ramiro Gama; Fonte Viva, Emmanuel.
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