TRANSMISSÃO DE PENSAMENTO

  • Cláudio C. Conti

Falar no meio acadêmico sobre o tema em questão, a transmissão de pensamento de uma pessoa para outra, causa embaraço e não é aceito, por isso, muito ainda é evitado.

Um exemplo interessante é que, no campo da Ciência, é ressaltado a grande importância de William Crookes, em suas diversas áreas de estudo e descobertas na Física e na Química. Todavia, não se ouve nada a respeito da sua atuação nos fenômenos do espiritualismo. Inclusive, foi Crookes que cunhou o termo “matéria radiante”, muito citado no meio espírita, apesar de ser um termo incorreto. O termo correto para o quarto estado da matéria é “plasma”, o qual se estabelece em condições muito específicas.

Outro exemplo similar está relacionado com o Eletroencefalograma – EEG. Seu inventor, Hans Berger, psiquiatra alemão, quando ainda jovem e morando longe de seus familiares, sofreu uma queda enquanto cavalgava. Naquela noite, recebeu um telegrama de sua família que estava preocupada com seu bem-estar, pois, sua irmã teve um pressentimento [1].

Este evento lhe causou uma profunda transformação e, a partir deste episódio, direcionou seu interesse para a psique humana e, na busca de entendimento, descobriu uma forma de detectar as ondas cerebrais, hoje conhecido como EEG [1].

Hans Berger conduziu numerosos experimentos visando compreender os processos da psique humana e a neurociência moderna tem muito o que agradecer a este pesquisador [1].

Apesar de, como dito anteriormente, não ser um assunto amplamente abordado no meio acadêmico, a transmissão de pensamento, ou telepatia, atrai a atenção de muitos pesquisadores que estudam o tema. Uma importante obra que apresenta extensa análise desta questão é intitulada Mentes Entrelaçadas, em tradução livre. O autor, Dean Radin, é um cientista com ampla experiência.

Neste livro, Dean Radin apresenta o resultado de vários experimentos envolvendo a transmissão de pensamento, assim como teorias sobre seu funcionamento. O título, Mentes Entrelaçadas, faz uma alusão ao conhecido entrelaçamento quântico, no qual partículas se encontram de tal forma conectadas, quando originadas de um único fenômeno, que apresentam comportamentos iguais quando sujeitos à alguma interferência, mesmo estando à longa distância uma da outra.

Na abordagem espírita, temos que os espíritos podem se comunicar independentemente do estado em que se encontrem, seja na vigília ou no sono. Contudo, no estado de vigília a comunicação é mais difícil [2]. Talvez, esta dificuldade esteja em ser menos perceptível.

Não menos interessante é a questão número 421 de O Livro dos Espíritos, na qual Kardec pergunta se haveria uma explicação para que “duas pessoas, perfeitamente acordadas, tenham instantaneamente a mesma ideia” [3]. A resposta apresentada é se tratar de “dois espíritos simpáticos que se comunicam e veem reciprocamente seus pensamentos respectivos” [3].

Nesta nossa análise vemos uma semelhança entre mentes entrelaçadas, conforme expresso por Dean Radin, e espíritos simpáticos, conforme a Doutrina Espírita. Assim, de alguma forma, espíritos simpáticos apresentam a propriedade de sentirem, ou perceberem, interferências que possam afetar um deles, conforme o ocorrido entre Hans Berger e sua irmã. Nesta relação, um espírito poderá perceber, inclusive, a repercussão do pensamento de outro espírito sobre si mesmo.

A transmissão do pensamento de uma pessoa à outra não é trivial, podemos dizer, até mesmo, ser de difícil entendimento. Inclusive, podemos ressaltar que a terminologia utilizada, transmissão de pensamento, é comumente interpretada como “algo”, o pensamento, viajando de um ponto a outro. Todavia, o entendimento de mentes entrelaçadas e de que espíritos simpáticos se comunicam e veem reciprocamente seus pensamentos respectivos, não deve ser entendido como “algo” cruzando o espaço, mas uma interferência direta de processos mentais no fluido, independentemente do espaço. É importante ter em mente que “os espíritos atuam sobre os fluidos espirituais, não os manipulando como os homens manipulam os gases, mas empregando o pensamento e a vontade” [4].

Nesta visão podemos considerar que o espírito elabora processos mentais – lembranças, decisões, ponderações, aprendizado, sentimentos, emoções, etc. – que repercutem no fluido de alguma forma, o que dependerá da natureza do processo mental. Poderíamos, então, considerar o pensamento como a resultante relacionada com o processo mental, isto é, a repercussão. Em outras palavras, o pensamento não viaja, não percorre espaço, mas age pontualmente segundo o interesse do ser pensante.

Podemos, desta forma, considerar três níveis de entendimento para o pensamento:

1) Transmissão através de um condutor, tal como o telégrafo na época de Kardec ou telefones com fio;

2) Transmissão semelhante às ondas eletromagnéticas, em que não há necessidade de um fio condutor, tal como na telefonia sem fio – o telefone celular e;

3) Processos quânticos de ação do observador sobre o fluido, o qual pode ser percebido e reconhecido por outro espírito.

Cláudio C. Conti

 

Artigo do Jornal:  Correio Espírita – Setembro 2019

Notas bibliográficas:

  1. Dean Radin; Entangled Mind, Cap. 2.
  2. Allan Kardec; O Livro dos Espíritos, Questão 420.
  3. Ibidem; Questão 421.
  4. _; A Gênese, Cap. XIV, item 14.
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CORONAVIRUS, FLAGELOS E O ESPIRITISMO

Wanderson Silva

É sabido que a humanidade está passando por um período difícil atualmente, com a epidemia do Coronavírus, fazendo com que quase todos os países sofram com esses flagelos, e tomem medidas drásticas em relação a pandemia. Mas o que o Espiritismo tem a dizer sobre isso?

É ponto pacífico para os cientistas atualmente, que as revoluções geológicas, meteorológicas e biológicas, são coisas comuns e necessárias para a todo o ecossistema do nosso planeta, apesar dos estragos que causam, diante do ponto de vista humano. Por isso que, numa periodicidade impressionante, a humanidade presencia todo tipo de sinistro como terremotos, maremotos, furacões, nevascas, enchentes e dilúvios, erupções vulcânicas, epidemias, etc… causando um enorme constrangimento para as populações das regiões onde tais fenômenos acontecem, necessários do ponto de vista biológico/geológico, mas aparentemente do ponto de vista humano, só causam devastação, sofrimento e morte, fazendo o homem se perguntar se Deus realmente existe, por que deixa que tais coisas aconteçam a humanidade?

Essa pergunta sempre foi feita, através da História, tanto que esses fenômenos são conhecidos como Flagelos Destruidores. Todos os povos, de uma maneira ou de outra, já presenciaram e passaram por fenômenos assim, deixando seus relatos em livros sagrados e profanos que contaram a sua epopeia de luta e superação do ocorrido para as gerações futuras.

Muitas delas, acreditando na ira de Deus, ou seja, tais coisas acontecem por castigo divino aos homens corrompidos e egoístas, ou não. Como foi o caso, por exemplo, do Grande Terremoto de Lisboa, no século XVIII, onde milhares de pessoas morreram devido a um enorme Tsunami que se formou além mar e avançou contra a costa da capital Portuguesa, dizimando quase toda a sua a população. Ou o fato da grande Peste Negra que igualmente dizimou milhões na Europa, quando no período da Idade Média, ou até mesmo Pompeia, só para citar alguns.

Parece que a ideia da ira de Deus é um conceito bastante difundido e popular hoje em dia e isso foi também a causa da criação de filosofias seculares que não aceitavam essa ideia de um deus cioso, colérico e vingativo com sua criação que, segundo eles, absolutamente não pediu para nascer, demonstrando que ambas vertentes não conseguiram solucionar essa problemática, pois, os flagelos continuam a acontecer, apesar de tudo.

Sabendo disso, Allan Kardec reservou algumas perguntas aos espíritos superiores sobre essas questões, no Livro dos Espíritos; como conciliar a justiça de Deus diante da destruição causada pelos flagelos naturais?

Os bem feitores espirituais então, apresentaram a Kardec a Lei de Destruição, ou seja, a lei da impermanência de tudo que existe, inclusive o homem, pela ótica da imortalidade do espírito humano. Nada no universo é perene; perene somente Deus o É. Tudo no Universo evolui, nada é estático, parado; tudo é dinâmico, está na natureza portanto, a destruição dos seres e das coisas materiais para a evolução do próprio Universo. Nada se cria; tudo se transforma.

Muito dos flagelos que acontecem tem por objetivo somente a manutenção dos sistemas naturais do planeta, outras vezes tem por objetivo a própria humanidade egoísta e recalcitrante no mal, que vez por outra é abalada em seu orgulho e preguiça para que reconheça a necessidade do bem e das reformas. É necessário aqui refletir sobre o ponto de vista da imortalidade; são três os elementos constitutivos do Universo, a saber…Deus, Espírito e a Matéria.

Deus, a Inteligência Suprema, causa primária de tudo que o constitui o Universo.

A Matéria; tudo que ocupa lugar no espaço universal, o fluido formidável que pode tomar formas infinitas, tanto tangíveis quanto invisíveis, extrafísicas e dimensionais, pois inexistência não é sinônimo de invisibilidade. A ferramenta que o Espírito usa para sua evolução e trabalho.

E por fim…

O Espírito, o sinônimo de Vida ou Inteligência como força da Natureza, no sentido geral, Universal, capaz de se apresentar de formas que variam ao infinito. Assim como a matéria, pode tomar formas tanto físicas quanto extradimensionais, capaz de preexistir e sobreviver a tudo, ou seja, a imortalidade é o seu principal atributo.

Assim sendo, Kardec tomou conhecimento sobre a ótica dos espíritos superiores e imortais, a respeito da Destruição.

Encarando por esse prisma, os espíritos superiores esclarecem que os flagelos destruidores acontecem para fazer com que determinada leva de espíritos sejam obrigados a saírem da inércia moral em que se encontram; quanto mais materializados ficarem, mais estacionados estarão. Seria absurdo então conceber que em um Universo onde seu próprio Criador trabalha sempre existiram criaturas onde não fazem absolutamente coisíssima alguma por si mesmos ou pela criação. Logo, não é um castigo de Deus, e sim uma provação que Ele nos impõe para amadurecermos espiritual e moralmente, apesar de todos os recursos que ele nos proporciona para distinguirmos o bem do mal e que nós deliberadamente menosprezamos através de nossas vidas sucessivas.

É assim que de tempos em tempos, as humanidades de um planeta de provas e resgate, cada uma a seu turno, que por ventura estejam estacionadas em determinado ponto da evolução, são constrangidas a marcharem em direção a fraternidade e ao conhecimento, através de determinada epidemia ou desastre natural.

Mas aí, você, amigo leitor, leitora, pode se perguntar; e os mortos? O que eles ganharam com isso?

Como dito antes, devemos encarar a natureza pela ótica da imortalidade do espírito humano. De toda maneira, o homem desencarnará, mais cedo ou mais tarde, a grande diferença é que, nesses acontecimentos, muitos desencarnam juntos, constituindo uma expiação para os que partem dos quais reencarnarão novamente, no futuro, e uma prova para os que sobrevivem.

Contudo, além dos flagelos naturais, há os causados pelo próprio homem, devido a sua imprevidência, omissão e egoísmo, recebem o efeito do que causaram, mais cedo ou mais tarde. Atualmente, estamos passando por um período semelhante a isso. A epidemia do Coronavírus, é um flagelo causado por nós mesmos, através de ações humanas mal sucedidas, com o objetivo de beligerância. Podemos considerá-lo então como um flagelo antropológico, e por isso mesmo, estamos colhendo o que plantamos. Deus para nos provar deixa que nós colhamos o resultado de nossas ações e que nosso orgulho seja ferido, para que enfim tenhamos responsabilidade por nossos atos coletivos.

Ainda segundo os espíritos superiores, os efeitos bons dos flagelos naturais, geralmente, somente as gerações futuras desfrutarão. Como foi o caso da Peste Negra, falado supra. Ela foi causada pelo uso excessivo dela como arma de guerra, pois os exércitos inimigos costumavam jogar cadáveres com a moléstia, dentro dos lugares onde tentavam dominar, sem perceberem que, mais cedo ou mais tarde, se contaminariam também. Muitos desses soldados voltavam depois de guerras cruéis, a suas cidades de origem, totalmente contaminados com a doença que era extremamente contagiosa, que encontrou caminho fácil devido a ignorância e obscurantismo da Idade Média, conhecida também como a Idade da Trevas.

Depois de milhões de mortos, os sobreviventes de tal sinistro, se voltaram para a ciência e a filosofia, derrubando finalmente a Idade das Trevas e criando o período do Iluminismo, do qual pregava o conhecimento e a ciência como salvadoras da humanidade.

O mesmo aconteceu, de certa forma, com a destruição de Pompeia. Depois do ocorrido, um sobrevivente da destruição, chamado Plínio, relatou o que presenciou em um livro, explicando o que tinha acontecido dias antes do ocorrido. Segundo ele, o Vesúvio deu sinais claros de que iria explodir, soltando uma fumaça negra e criando pequenas erupções que o povo da época, orgulhoso e hedonista, se limitou a fazer oferendas a Efestus, um antigo deus romano, para que ele se acalmasse.

O livro de Plínio – o sobrevivente, ficou tão famoso e seminal, que até hoje alguns fenômenos vulcânicos levam o seu nome, como as famosas “Erupções Plinianas”. Graças a ele, populações inteiras ao redor do mundo e através da História foram salvas, devido somente a um homem que, providencialmente, usou de inteligência. Inteligência essa que seus contemporâneos haviam esquecido.

Há então, dois tipos de flagelos; os naturais, dos quais o homem realmente não tem como fugir, somente encarar com coragem, emprenho e fé em Deus. E os flagelos antropológicos, ou seja, causados por nós. Um nós podemos deter ou conjurar somente nos melhorando moral e intelectualmente. O outro somente podemos encarar com coragem e fé, reconhecendo a onipotência de Deus na natureza, pedindo para que Ele tenha piedade de nós, até por que, a própria lei de destruição nos mostra que tudo passa, como bem frisou Emmanuel, pela pena de Francisco Candido Chico Xavier:

Todas as coisas, na Terra, passam… Os dias de dificuldades, passarão… passarão também os dias de amargura e solidão… As dores e as lágrimas passarão. As frustrações que nos fazem chorar… um dia passarão. A saudade do ser querido que está longe, passará.

Dias de tristeza… Dias de felicidade… São lições necessárias que, na Terra, passam, deixando no espírito imortal as experiências acumuladas.

Se hoje, para nós, é um desses dias repletos de amargura, paremos um instante.

Elevemos o pensamento ao Alto, e busquemos a voz suave da Mãe amorosa a nos dizer carinhosamente: isso também passará…

E guardemos a certeza, pelas próprias dificuldades já superadas, que não há mal que dure para sempre.

O planeta Terra, semelhante a enorme embarcação, às vezes parece que vai soçobrar diante das turbulências de gigantescas ondas.

Mas isso também passará, porque Jesus está no leme dessa Nau, e segue com o olhar sereno de quem guarda a certeza de que a agitação faz parte do roteiro evolutivo da humanidade, e que um dia também passará…

Ele sabe que a Terra chegará a porto seguro, porque essa é a sua destinação.

Assim, façamos a nossa parte o melhor que pudermos, sem esmorecimento, e confiemos em Deus, aproveitando cada segundo, cada minuto que, por certo… também passarão…”

” Tudo passa………. exceto DEUS!”

É o suficiente!

Autor: Wanderson Silva

Fonte: Vinhas da Luz

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CADA COISA A SEU TEMPO!

Por Orson Peter Carrara

Para prevenir os efeitos sempre lamentáveis das precipitações e ansiedades desnecessárias de tudo querer explicar, de fechar questão com temas ainda geradores de dúvidas e que, naturalmente, necessitam ainda de mais aprofundamento e até do amadurecimento da consciência humana, separo o valioso trecho do item 7 – capítulo 24 – de O Evangelho Segundo o Espiritismo.

“O Espiritismo vem atualmente lançar a sua luz sobre uma porção de pontos obscuros, mas não o faz inconsideravelmente. Os Espíritos procedem, nas suas instruções, com admirável prudência. É sucessiva e gradualmente que eles têm abordado as diversas partes já conhecidas da doutrina, e é assim que as demais partes serão reveladas no futuro, à medida que chegue o momento de fazê-las sair da obscuridade. Se a houvessem apresentado completa desde o início, ela não teria sido acessível senão a um pequeno número e teria mesmo assustado aqueles que não se achavam preparados, o que seria prejudicial à sua propagação. Se os Espíritos, portanto, ainda não dizem tudo ostensivamente, não é porque a doutrina possua mistérios reservados aos privilegiados, nem que eles ponham a candeia debaixo do alqueire, mas por que cada coisa deve vir no tempo oportuno. Eles dão a cada ideia o tempo de amadurecer e se propagar, antes de apresentarem outra, e aos acontecimentos, o tempo de lhes preparar a aceitação.”

A não observância de tão clara orientação tem sido causa de muitas polêmicas dispensáveis que só o que fazem é desviar do objetivo principal. Então, calma! Cada coisa vem mesmo a seu tempo. Isso não significa, dizer, em absoluto, que devemos cruzar os braços. Não! A pesquisa, o estudo, continuam!

Orson Peter Carrara

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DESCANSE EM PAZ, OU TRABALHE E PROGRIDA EM PAZ?

Orleide Félix de Matos

Estudando os livros de Kardec, em especial O Livro dos Espíritos, aprende-se que existem diversas leis, dentre as quais a lei do progresso e a lei do trabalho.

Diferente de outras religiões cristãs, o Espiritismo ensina que o espírito não fica a esperar o juízo final, mas que trabalha e estuda conforme sua condição espiritual. Os espíritos são os executores das leis de Deus e com isso tornam-se úteis e colaboram com a própria evolução e com a evolução de outros espíritos.

O trabalho é colocado como uma fonte de bênçãos, uma oportunidade sagrada de refazimento espiritual antes e depois da desencarnação. É uma terapia para doenças do espírito, pois ajuda na renovação de pensamentos, no desfocar de problemas e no crescimento espiritual.

O trabalho voluntário possibilita o exercício de doação, de desprendimento, de anulação do egoísmo.

O trabalho foi colocado como algo desagradável, fonte de sofrimento e como um castigo, quando segundo a história de Adão e Eva contida na Bíblia, depois de pecar, Adão foi obrigado por Deus a obter seu sustento através do trabalho. E hoje em dia, a segunda-feira para muitos tem o peso de ir para o matadouro.

Dessa forma, depois de passarem anos de sofrimento obrigatório, as pessoas esperam o descanso eterno após a morte física, o “doce fazer nada”, já que o trabalho foi um peso e um castigo durante toda a sua vida. E o descanso tornou-se o momento mais esperado após a desencarnação. Porém, nem sempre esse descanso vem como prêmio esperado, já que o espírito muitas vezes passa por períodos de perturbação após o desenlace.

E o “descansou” brota de muitos lábios como um prêmio para uma vida de sacrifícios, de lutas ou de doenças, um troféu de liberdade.

O espírita, porém, conhece as leis do trabalho e do progresso e sabe que são leis divinas às quais todos estão submetidos. Sabe que o progresso não pode ser detido, mas algumas vezes entravado e que um dia o espírito preguiçoso ou rebelde será golpeado pela roda do progresso e deverá obrigatoriamente sair da inércia voluntária e trabalhar pelo seu crescimento espiritual.

Assim, sabendo que o trabalho e o progresso são leis divinas e que o espírito trabalha, a frase melhor adaptada levando em conta o conhecimento dessas leis deve ser “trabalhe e progrida em paz”.

Orleide Félix de Matos

Fonte:  Agenda Espírita Brasil

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EXISTE EM NÓS ALGO MAIS QUE MATÉRIA

Rogério Coelho

Aparecendo aos discípulos, nimbado de luz, Jesus disse: “paz seja convosco!” “Chegada, pois a tarde daquele dia, e cerradas as portas, pôs-Se no meio deles.” – João, 20:19

Leciona o ínclito Mestre Lionês no livro básico “A Gênese” (1): “(…) a química, que decompõe e recompõe a maior parte dos corpos inorgânicos, também conseguiu decompor os corpos orgânicos, porém, jamais chegou a reconstituir, sequer, uma folha morta, prova evidente que há nestes últimos o que quer que seja, inexistente nos outros”.

Notemos que já começamos a vislumbrar algo mais que matéria sem nem mesmo – ainda que superficialmente – cogitarmos do “princípio inteligente”.

No capítulo XI, item 6, do mesmo livro, esclarece o Mestre Lionês: “(…) as propriedades “sui generis” que se reconhecem ao princípio espiritual provam que ele tem existência própria, pois que, se sua origem estivesse na matéria, aquelas propriedades lhe faltariam. Desde que a inteligência e o pensamento não podem ser atributos da matéria, chega-se, remontando dos efeitos à causa, à conclusão de que o elemento material e o elemento espiritual são os dois princípios constitutivos do Universo”.

* Naquela tarde, “cerradas as portas”, pois os discípulos tinham medo dos judeus, após o drama do Morro da Caveira, eis que Jesus apareceu-lhes, nimbado de luz, dizendo: “paz seja convosco!”, provando, assim, que algo sobreviveu ao Seu decesso corporal…

* Testemunhamos, há alguns anos, um episódio muito interessante em nossa residência, quando hospedamos nosso querido Raul Teixeira, em visita à Zona da Mata Mineira: Ele chegou cansado e, à tarde, após o almoço, fechou-se no quarto para repousar, “mantendo cerrada a porta” enquanto eu e minha filha víamos na televisão um “tape” de uma apresentação sua de “jazz”, juntamente com as suas coleguinhas. Para não incomodar o visitante, tiramos o som da TV, de forma que só minha filha o escutava através de fone de ouvido. E as danças se sucediam…

Desligada, depois, a televisão, abre-se, mais tarde a porta, através da qual, sorridente e descansado aparece o dileto amigo. No decurso de um pequeno lanche antes da palestra ele diz para minha filha:

– “O tio viu você dançando na televisão”.

Ficamos sem entender. Como?! A porta permaneceu fechada todo o tempo em que a televisão funcionava (e ainda com o detalhe do som totalmente eliminado).

Aí Raul descreveu as cenas que se passaram, e explicou que assistiu à TV desdobrado. O Espírito emancipado pelo sono abandonou o corpo na cama, atravessou a porta fechada e postou-se em nosso meio. Declarou, então, o amigo Raul que era a primeira vez que havia assistido televisão daquela forma.

O episódio provou para todos nós (e há muito não duvidamos) que existe em nós algo mais que matéria…

Junte-se a tudo isso o testemunho de centenas de pessoas que passaram por episódios de “NDE” (Near Death Experiences), cujos relatos encontramos em livros de vários autores, como por exemplo, do Dr. Raymond Moody, “Life After Life”, do professor Dr. Michael Sabom, “A Medical Investigation”, e das exaustivas e centenas de experiências realizadas pela célebre psiquiatra suíça Drª. Elizabeth Kübler-Ross com doentes terminais, e não será difícil concluir que existe algo em nós… algo mais que matéria palpável!…

“Veja quem tem olhos de ver, ouça quem tem ouvidos de ouvir”!

Rogério Coelho

Fonte:  Agenda Espírita Brasil

Referência:

(1) Kardec, Allan. A Gênese. 43.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2003, cap. X, itens 16 e seguintes.

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LIVRE ARBITRÍO E ESPIRITISMO, BREVE EXPLICAÇÃO

O livre-arbítrio é a capacidade de escolha pela vontade humana

Segundo a Filosofia, o livre arbítrio é a possibilidade de decidir, escolher em função da própria vontade, isenta de qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante. Ele indica a vontade livre de escolher, ter, obter liberdade em suas decisões. Poder optar que caminho seguir, o que fazer, como seguir são aspectos da liberdade inerente ao livre arbítrio.

A história do livre arbítrio

Santo Agostinho escreveu em sua obra (de conjunto com seu amigo Evódio) “De Libero Arbitrio” de 395 D.C., em forma de diálogo. O jovem Agostinho escreveu-o em três volumes, um em 387-389 em Roma, depois de seu batismo, e os outros dois entre 391 e 395, depois de sua ordenação sacerdotal na África.

Santo Agostinho e o livre arbítrio

Este livro de Agostinho sobre a liberdade, encaminha várias teses a respeito da liberdade humana, abordando a origem do mal moral. O autor começou “De Libero Arbitrio” como parte de uma série de obras contra o maniqueísmo e argumentou em favor de aspectos do ceticismo. Nele, Agostinho desafiou o determinismo no primeiro volume e investigou as condições da existência de Deus e do conhecimento nas outras duas partes.

Livre Arbítrio no Espiritismo

O livre arbítrio é um elemento fundamental da Doutrina Espirita. De acordo com o Espiritismo, o livre arbítrio é uma das propriedades fundamentais do Espírito. Na doutrina organizada por Allan Kardec, os atos que praticamos nos tornam responsáveis por seus efeitos.

Não existe destino e nem predestinação, existe o livre-arbítrio

O nosso futuro é construído através das suas escolhas diárias. E é através do controle sobre nossos pensamentos e o cuidado com nossas ações, que o espírito determina seu futuro.

A liberdade de fazer ou não alguma coisa, seguir um determinado caminho ou evitá-lo é o livre arbítrio.

O espírita sabe que os atos praticados não foram predeterminados e que é responsável pelas suas escolhas e decisões, o livre-arbítrio é desenvolvido com o crescimento do conhecimento, gerando acréscimo de responsabilização dos atos praticados, o Espirito Clarencio no Livro Nosso Lar esclarece: “Quanto maior o conhecimento maior a responsabilidade” .

Lembrando que para nós espíritas não há punições, mas consequências.

Izaias Lobo Lannes

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PROVA OU EXPIAÇÃO? EIS A QUESTÃO!

Rogério Miguez

Considerando a nossa Terra como uma grande escola, com bem mais de sete bilhões de alunos matriculados – os encarnados, e, segundo dizem os Espíritos, mais de vinte bilhões de alunos em regime de espera aguardando matrícula – os desencarnados, pode-se apontar dois mecanismos básicos divinos de aferição do aprendizado possível de ser obtido neste colégio, verificando os estudantes do educandário Terra, ao longo dos anos letivos, ou seja, no decorrer da própria vida: provas e expiações.

Estes são os métodos criados por Deus para impulsionar e alavancar a nossa evolução, e, na posição de coordenador deste particular instituto de ensino do Universo, pois existem milhões de outros, ocupando a cátedra maior, sabe-se também estar Jesus, o Bondoso Diretor.

É da Lei celestial a obrigatoriedade de se passar por muitas vidas visando ao nosso próprio aprimoramento, tantas vidas quantas forem necessárias de modo a nos conduzir ao alvo derradeiro: a absoluta perfeição moral. O número de provas é imenso, porquanto há muitas virtudes a conquistar e incontáveis matérias a dominar, de forma a construir o sólido equilíbrio desejado entre as asas do sentimento e da inteligência, garantindo dessa forma uma evolução constante.

Basta observar, no primeiro caso, como é difícil viver na plenitude apenas uma particular virtude ao longo da existência. De fato, cremos, não há Espíritos encarnados que podem alegar domínio completo das muitas virtudes, de que sabemos só o Administrador deste estabelecimento de ensino as conquistou na totalidade. No segundo caso, reflitamos em quantas especialidades de engenharia ou mesmo na área de medicina existem hoje em dia? No passado eram pouquíssimas, entretanto o número vem crescendo continuamente, isso só para citar duas áreas do conhecimento humano. Todas estas matérias também deverão ser por nós apreendidas, dominadas.

À primeira vista, acredita-se ser esse progresso infinito, mas este entendimento não corresponde à realidade, pois o desenvolvimento moral e intelectual tem um termo: [1] 169. O número de encarnações é o mesmo para todos os Espíritos? “Não; aquele que caminha depressa se poupa a muitas provas. Todavia, essas encarnações sucessivas são sempre muito numerosas, porque o progresso é quase infinito.” (Negritamos)

Enquanto não incorporamos todo este aprendizado, passamos por variadas provas e expiações, com uma especial observação: só expiamos devido a nossa escolha de evolução não ter contemplado apenas o caminho do bem, possibilidade esta prevista plenamente na ordem divina: [2] 262. Como pode o Espírito, que, em sua origem, é simples, ignorante e sem experiência, escolher uma existência com conhecimento de causa e ser responsável por essa escolha? “Deus lhe supre a inexperiência, traçando-lhe o caminho que deve seguir, como fazes com uma criança, desde o berço. Contudo, pouco a pouco, à medida que o seu livre-arbítrio se desenvolve, Ele o deixa livre para escolher e só então é que muitas vezes o Espírito se extravia, tomando o mau caminho, por não ouvir os conselhos dos bons Espíritos. É a isso é que se pode chamar a queda do homem.” (Negritamos)

Observe-se este trecho na resposta dos Espíritos: muitas vezes lhe acontece extraviar-se; se é assim, em outras tantas vezes, acontece de não extraviar-se, seguindo desde o início apenas o caminho correto. Essa esclarecedora razão explica o fato de haver tantas mazelas nesta escola, pois no colégio Terra estão reunidos alunos que optaram por não seguir decididamente, no exercício livre do uso de seu livre-arbítrio, apenas o caminho do bem. São em média estudantes rebeldes e repetentes das lições ministradas pelo Diretor Jesus dois mil anos atrás. Em consequência, como já cometemos muitos deslizes, a conhecida expressão “multidão de pecados”, a contar desde a nossa origem, com prejuízo ao próximo e nós mesmos, devemos expiar, ou resgatar, essas situações indesejadas de passado – enfatize-se sempre – criadas por nós mesmos. Sendo assim a mecânica divina da vida, uma pergunta poderia ser suscitada: Como posso saber, ou distinguir, quando estou passando por uma prova ou uma expiação e qual a diferença entre elas, de modo a melhor me conduzir nos diversos desafios existentes no desenrolar da vida?

Analisando a dúvida sob o ponto de vista da Doutrina, sabemos ser de fato uma questão a expressar apenas a nossa vã curiosidade em saber especificamente sob quais condições se sucedem os muitos fatos da vida, se são verificações ou resgates, consequentemente irrelevante, segundo a visão doutrinária. Nós, Espíritos ainda imperfeitos, não precisamos necessariamente saber se estamos passando por uma prova escolhida na erraticidade [3] ou, do outro lado, se vivenciamos uma expiação, pois o que precisamos com certeza é simplesmente superar as dificuldades, não importa se estas têm sua origem em uma prova ou em uma expiação; o objetivo é vencer, ou vencermo-nos diante dos quadros agudos e nem sempre agradáveis que caracterizam as nossas existências, situações comuns em um típico mundo de provas e expiações, em via de se regenerar.

A propósito, e sempre oportuno, podemos lembrar, por exemplo, este registro em outra obra do Codificador: [4] “Não há crer, no entanto, que todo sofrimento suportado neste mundo denote a existência de uma determinada falta. Muitas vezes são simples provas buscadas pelo Espírito para concluir a sua depuração e ativar o seu progresso. Assim, a expiação serve sempre de prova, mas nem sempre a prova é uma expiação.”

Ou seja, estamos sempre sendo testados, seja pela prova propriamente dita escolhida anteriormente, seja pela expiação, solicitada ou imposta; esta última servirá em todo o tempo também de prova, e se bem suportada conferirá ao aluno a nota de aprovação.

Muitas vezes cremos terem as provas superado as nossas forças, nos reconhecemos despreparados e nos sentimos incapazes de carregá-las. Esta conclusão, aparentemente acertada, não é verdadeira, não encontra respaldo nas leis divinas, porquanto, observando bem o quadro presente, com imparcialidade, pode-se facilmente concluir termos aumentado as nossas provas, tornando-as desta maneira insuportáveis do nosso ponto de vista, porém isso se deu como resultado de condutas impróprias e atitudes intempestivas tomadas frequentemente por todos nós.

Variados sofrimentos e amarguras enfrentadas ao longo desta existência se originam em condutas e ações adotadas distanciadas do bom caminho, ou seja, das diretrizes divinas, nesta própria vida; têm, pois, origem no presente e não no passado longínquo. Em consequência, a vida responde com novos dissabores e contratempos ainda durante a vida atual. E se não houver repercussão ainda nesta existência, estas faltas do presente se apresentarão como expiações de passado, em nossas vidas futuras; é tudo muito simples. Dessa forma, se almejamos um futuro melhor, oremos e vigiemos agora. Esta máxima, se bem aplicada, pode-nos forrar de muitos percalços e atribulações no porvir.

Outro importante aspecto a considerar é a certeza de que, se vivenciarmos as provas e expiações com rebeldia, contragosto, murmúrios ou reclamações, duvidando da justiça do Criador, a verificação ou o resgate perdem a função e o sentido; por conseguinte, a vida nos convidará ou nos obrigará, em futuro próximo, a passar por novas aferições, até sairmos plenamente vitoriosos. Este sistema de ensino é perfeito, pois perfeito é o Pai.

Diante destas esclarecedoras explicações oferecidas pela Doutrina, cabe-nos aceitar as vicissitudes da vida como oportunidades de aprendizado, em nosso próprio favor, visto que Deus age sempre com bondade e misericórdia, não nos solicitando esforços maiores do que podemos suportar; disso não tenhamos a menor sombra de dúvida.

E como Deus é Pai, e não feitor, não considera qualquer falta como irremissível, ou seja, imperdoável. Sendo ela qual for, Ele nos concederá incontáveis oportunidades para alcançarmos o sucesso não obtido nesta existência, contudo tenhamos em mente que muitas vezes essas novas verificações acontecerão em situações menos favoráveis do que aquelas experimentadas agora, caso contrário não se realiza o processo de educação do Espírito.

Tudo depende de nós mesmos, está em nossas mãos. Ajamos agora, não posterguemos, aceleremos o processo em curso de regeneração do planeta, pois somos os artífices desta mudança.

Rogério Miguez

rogmig55@gmail.com
Fonte: Espiritismo em Movimento

 

Referências:

[1] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Evandro Noleto

Bezerra. 3. ed. Comemorativa do Sesquicentenário. Brasília: FEB, 2007. Q.169.

[2] Q.262.

[3] Erraticidade: estado dos espíritos errantes, isto é, não encarnados, durante os intervalos de suas diversas existências corpóreas (Allan Kardec – Instruções Práticas sobre as manifestações espíritas – Vocabulário espírita).

[4] O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2013. cap. V, “Bem-aventurados os aflitos”. item 9.

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SOB TESTES E EXAMES

Joanna de Ângelis

A cada instante o aprendiz do Evangelho é convidado a reflexão, para não descer ao abismo da irresponsabilidade.

Quando menos espera, a cólera o surpreende, disfarçada, trabalhando para seu aniquilamento. Se lhe resiste à investida inicial, muito falta para conservar-se em paz, pois que, surgindo novo ensejo, ei-la de volta, sitiando impiedosa. Obrigada a retirar-se deixa o seu miasma danoso, em forma de cansaço ou irritabilidade que lhe servirão de base para acolhimento futuro…

Supondo-se livre, o discípulo do Cristo vê-se enrodilhado nas perigosas malhas da intriga, sem mesmo atinar como se deixou envolver pela atmosfera venenosa da maledicência ou da calúnia.

Recobrando, porém, o ânimo e demorando se resoluto na peleja, descobre o azedume da incompreensão, que o precede como ácido destruidor, espalhado pela senda.

Refugiando-se na paciência e bondade, é visitado pelas mil nonadas das exigências do cotidiano com que a frivolidade dos companheiros complica o tempo… E sente-se instigado por verdugos atormentantes, que parecem acumpliciados entre si com o objetivo central de impedir-lhe a ascensão.

Não há dúvidas de que testes e exames constantes fazem a verificação dos resultados evangélicos na mente e no coração do homem afeiçoado à lavoura cristã.

Com muita propriedade a Terra é considerada planeta de “provas e expiações”.

A prova examina, experimentando o grau de preparação do educando.

A expiação ensina, rigorosa, a lição desperdiçada na inutilidade ou na viciação.

A prova lembra escolaridade.

A expiação solicita enfermagem.

O aprendiz estuda e se prepara para a vida.

O enfermo se reeduca e disciplina para continuar a vida.

Escola e Hospital são os valiosos recursos que se multiplicam para o discípulo sincero de Jesus, na jornada libertadora.

* * *

Exames e testes a todo instante.

Teste à paciência, exame da produtividade.

Teste à humildade, exame do amor.

Teste à bondade, exame da vigilância.

Teste à compreensão, exame da palavra.

Teste ao equilíbrio, exame do bem que jaz latente em todos os seres.

Por isso, a cólera, a intriga, a incompreensão e todo o cortejo de tentações que afligem o homem voltado para a Luz de Cima são quesitos importantes a responder com serenidade nas provas de hoje para evitar as expiações de amanhã.

A cólera produz para o manicômio.

A intriga trabalha para a guerra.

A incompreensão alicia para o crime.

O cansaço, a irritabilidade, a presunção colaboram com o egoísmo, tóxico destruidor de consciências e sentimentos.

Acautela-te, trabalhando na oração da confiança e do bem para a emancipação de ti mesmo.

A lâmpada acesa ilumina, mas não dispensa o combustível desta ou daquela natureza que lhe vitaliza o jogo de luz.

O servidor do Cristo deve deixar que “brilhe a sua luz” com os combustíveis da renúncia de si mesmo e da abnegação incessante.

* * *

Enquanto nosso Senhor e Mestre esteve conosco, foi provado e testado em exames rudes e cruéis. No entanto, permaneceu fiel e digno até o fim. Quando reptado pelo amor, viu-se a sós, ao lado dos companheiros que dormiam, no Horto, a hora extrema; e mesmo aí, aguardando o supremo testemunho, orou, unindo-se ao Pai; e, ungido de abnegação e amor por todos, transformou, logo mais, os braços ásperos da Cruz em asas luminosas com que ascendeu ao Reino, fazendo-nos o legado da Sua coragem e resistência ao mal para edificar a verdade no coração do homem indefinidamente, sem tropeço nem queda.

 

Joanna de Ângelis

Psicologia de Divaldo P. Franco

Livro: Dimensões da Verdade – 39

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REVOLUÇÃO ESPIRITUAL

Emmanuel

Dentro de suas atividades nos tempos modernos, os espiritistas sinceros não podem desconhecer o sentido revolucionário da tarefa que lhes coube. Não no sentido de movimentação exterior ou de predicações exaltadas na consideração de nossa mística reconfortadora, mas revolução em si mesmos, estendendo os benefícios colhidos a outras almas, no grande e abençoado labor educativo.

Necessitam eles de muito tempo ainda, na contagem dos anos sucessivos para a preparação de ambiente, no objeto de aplicar-se o ensinamento de modo coletivo. Não se atingirá a finalidade da doutrina, sem a formação da base espiritual, mantenedora da estabilidade das grandes realizações.

A revolução preconizada é toda de natureza espiritual, começando no eu, desenvolvendo-se no mundo individual, projetando assim mais luz no caminho da coletividade. Cada estudante da escola doutrinária deverá sentir em si mesmo o estímulo do aprendiz dedicado ao seu mestre, provando ao Senhor da Seara, com os seus sacrifícios próprios, o índice de aproveitamento pessoal.

Esse movimento, portanto, não requer armas, apoio político e outros auxílios necessários às organizações estritamente materiais. No problema, requer-se compreensão e sentimento, a fim de que a verdade relativa dilate os seus horizontes, dentro do próprio âmbito de conhecimentos do planeta. Não bastará, pois, a freqüência às reuniões ou a procura deste ou daquele concurso da doutrina, para que, em semelhante assunto, se arvore o leigo em sabedor de teorias espiritualistas. Requer-se o sentimento e a essência educativa, para que o ideal não se perca em seus grandiosos fins.

Os espiritualistas estão vivendo a fase revolucionária… em si mesmos e, dentro dela, convém recordar que, para seguir o Divino Mestre, não é necessário escarificar as minas profundas da cultura complicada do século e nem é preciso condenar as demais doutrinas que não sentiram ainda o Evangelho Redentor. Sabemos que, no futuro, todas as filosofias terrestres estarão irmanadas em sua lição de simplicidade e amor. O que se faz imprescindível nos tempos que passam é a demonstração viva de cada discípulo, dentro do conceito profundo de sinceridade confirmando a firmeza de sua fé e a nobreza de sua convicção em afirmativa individuais de legítima compreensão.

Pelo Espírito Emmanuel

Do Livro: Coletâneas do Além

Médium: Francisco Cândido Xavier

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MAR E PRAIA – o visível e o invisível

Qual a água do mar toca a praia, e a encharca, assim é o Mundo Espiritual próximo, em relação à Terra.

Notemos que os banhistas, muitos deles, em seus trajes menores, à feição dos desencarnados, permanecem num estado de transição – continuam tão humanos que, quando logram se retirar da praia, deixam-na quase completamente repleta de lixo.

A praia, por assim dizer, é o “Umbral”, a Dimensão intermediária entre a cidade e o oceano – entre a Terra e o Mundo Espiritual livre.

Raros são os banhistas que, por saberem nadar, se aventuram mar adentro, distanciando-se da praia.

A esmagadora maioria, quando se vê fora do corpo, com receio do Infinito, não ousa mais que molhar os pés – depois de breve bronzeado, deliberam voltar à cidade e retomar a segurança de quem pisa em chão já conhecido.

Dando as costas para o Infinito, ou seja, para o Mundo Espiritual de natureza mais transcendente, opta pelo regresso à vida comum – toma um banho quente em casa e procura se livrar de toda e qualquer lembrança da areia das praias do litoral.

Não obstante, o oceano, ou seja, o Mundo Espiritual, em suas águas mais rasas ou mais profundas, permanece na expectativa de quem seja capaz de desbravá-lo.

Até o presente momento, poucos são os banhistas que, exímios nadadores, arriscam-se a ir um pouco mais longe, e, depois, retornam procurando encorajar os mais temerosos a não se contentarem com apenas molhar os pés, ou dormir sob as sombrinhas postadas na areia da praia.

Realmente, para que alguém se aventure mar adentro é preciso que tenha aprendido a nadar, e mergulhar, assimilando, inclusive, a técnica da flutuação.

Alguns têm tanto receio do mar que preferem, embora em trajes de banho, permanecer num dos bancos da calçada, à sombra de uma palmeira, repetindo de maneira inconsciente: – Eu quero a minha mãe!…

E é justamente esse desejo, o de querer a mãe, que faz muitos banhistas retornarem mais depressa às suas casas, entrarem num pijama e dormir ao barulho da maré…

Contudo, o mar permanecerá onde sempre esteve – desafiador. E quem não vencer o medo do Infinito nada conseguirá, por muito e muito tempo, mais que pisar na areia da praia e permitir que a água do oceano lhe toque os pés.

A praia é o “Umbral” dos espíritos que deixam o corpo – praia, diga-se de passagem, repleta da presença humana dos banhistas que não se preocupam com o meio ambiente.

O Espiritismo é excelente “escola de natação”, para que os futuros banhistas percam o medo das águas do oceano e comecem a bracejar na direção do Infinito.

Mas, por hora, o receio de afogamento vem predominando na maioria dos banhistas, que, como eu, literalmente, nunca puderam realmente aprender a nadar sequer numa piscina – eu tinha medo de afogar até debaixo do chuveiro, ou, quando era mais menino, até na bacia d’água em que minha mãe me colocava para que eu pudesse me livrar da poeira cotidiana de minhas traquinagens.

Todavia, é verdade que tem banhista na cidade que sequer nunca foi à praia – eu penso que deve ter medo de ser puxado pelas ondas do mar…

Por este motivo, meu caro, se você quiser, o Espiritismo também pode ser, para você e para muita gente, um “Manual de Natação”, que, talvez, quando você for à praia, consiga encorajá-lo a entrar no mar da Vida Mais Alta com a água lhe dando, pelo menos, à cintura.

Inácio Ferreira

Médium: Carlos A. Baccelli

Fonte:  Blog do Inácio Ferreira

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