E por falar em idosos…

Por Wellington BalboEfeitos da suplementação de creatina em idosos | HEALTHLINE | Suplementos e  Nutracêuticos

Alguns dias atrás, estamos em 19/07/2020, assisti à entrevista que o ex-jogador e treinador Zagallo concedeu ao Benja, jornalista esportivo.

Difícil não se emocionar.

Há duas passagens na vida de Zagallo que entraram para a história da crônica esportiva.

1 – O aviãozinho na comemoração do gol de Bebeto, que desempatou uma partida contra a África do Sul, após o Brasil estar perdendo por 2×0.

2 – O famoso e emblemático: “Vocês vão ter que me engolir”, hoje utilizado nas mais diversas ocasiões para desabafos.

A parte da emoção ficou a critério do filho de Zagallo, que fez uma homenagem ao “Velho Lobo”.

Zagallo, então, já bem velhinho, 88 anos, agradeceu ao filho pelos cuidados. Chamou a atenção, ainda, para o fato de ter 4 filhos, mas apenas este dedicar-se a ele.

Eis, aí, mais uma vez, o componente família.

Tenho chamado atenção para a importância da família na cura de muitos de nossos males, tanto do corpo, quanto da alma.

É na família que se encontra boa parte do remédio e do veneno para a sociedade.

Se a família adoece…

E tenho-me debruçado muito sobre a questão que envolve o suicídio de idosos. O número é alto.

Para vocês terem uma ideia, a taxa de suicídios no Brasil gira, mais ou menos, em 5,5 para cada 100 mil habitantes.

Quando, porém, vamos estudar o suicídio após os 70 anos, chegamos à taxa de 8,9 para cada 100 mil habitantes.

Perceberam o aumento?

Quais as razões?

Sendo o suicídio multifatorial, não há uma única razão, mas razões, que elencarei abaixo:

1 – Marginalização por parte da família e sociedade

2 – Impotência sexual

3 – Solidão

4 – Perda, pela morte, de entes queridos e amigos

5 – Doenças crônicas

6 – Sentimento de perda da subjetividade, seu papel no mundo e dificuldade de considerar-se pertencente ao tempo atual.

Há outros, outros e tantos outros.

Um olhar mais sensível aos idosos por parte da família pode amenizar, e muito, a vontade de partir deste mundo.

E os idosos que não têm família?

Os Espíritos já deram a resposta para esta indagação.

Os idosos que não têm família devem ser atendidos em suas necessidades pela sociedade.

Ainda uma ideia dos Espíritos: o forte sempre atende e socorre o mais fraco, até por que força e fraqueza são apenas recortes do atual momento existencial, uma posição que se troca, constantemente, entre todos os que estão vivendo em mundos como a Terra.

Vejo tanta gente preocupada com a História do mundo; bom seria se colocássemos os idosos nesta preocupação, porquanto também são eles a História, e eles a construíram com suor, lágrimas, trabalho e renúncia.

Vale a pena pensar nisto!

Wellington Balbo

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SUICÍDIO: OS EXTREMOS DA VIDA NA VISÃO DO DIREITO SAGRADO

Leonardo Vizeu

Tema extremamente sensível para a humanidade reside no ato de por termo a própria vida. Suicídio traduz-se no ato intencional de matar a si próprio. Para o direito, não há como se punir o suicida, por confusão processual, uma vez que a mesma pessoa não pode ser autor e réu no mesmo ato. Todavia, algumas legislações comparadas tratam a tentativa de suicídio e seu respectivo autor como um ato criminoso. No Brasil, o que é objeto de tipificação são as condutas de auxílio, instigação e indução ao suicídio, a teor do art. 122 do Código Penal. Suas causas são objeto de debate e discussão nas academias científicas, filosóficas e religiosas. Sua legitimação moral é extremamente questionável e altamente variável, a depender da cultura e da época analisadas.

No Japão feudal, o código de honra dos samurais, conhecido como bushido, admitia uma cerimônia capital, denominada seppuku, mais conhecida como harakiri, como forma de expiar um fracasso, de protesto ou, ainda, como pena de morte frente à desonra. Nas religiões abraâmicas e em suas respectivas ramificações, o suicídio é visto como uma ofensa contra Deus, face à sacralização da vida como um dom ofertado pela divindade.

Na Idade Média, a Igreja Católica Romana condenava o suicídio, e, para desestimular o ato, os autocídas ficavam insepultos e expostos ao ar livre para serem devorados por feras e aves necrófagas. Para a maioria das escolas filosóficas cristãs, o suicídio é um pecado capital. Influentes pensadores canônicos, como Agostinho e Tomás de Aquino consideraram o suicídio como um ato atentatório as Leis de Deus. Baseados no mandamento maior “Não matarás”, aplicado no âmbito do Novo Testamento por Jesus em Mateus XIX:18, bem como na ideia de que a vida é um dom dado por Deus que não deve ser desprezada, afirmaram que o suicídio é contra a ordem natural e, portanto, contra a vontade de Deus.

A Bíblia menciona seis pessoas específicas que cometeram suicídio: Abimeleque (Juízes IX:54), Saul (I Samuel XXI:4), o escudeiro de Saul (I Samuel XXXI:4-6), Aitofel (II Samuel XVII:23), Zinri (I Reis XVI:18) e Judas (Mateus XXVII:5). Cinco deles eram homens pecadores e perversos, porém não se sabe o suficiente sobre o escudeiro de Saul para fazer um julgamento a respeito de seu caráter. Para a doutrina espírita, não há determinismos, tampouco penas e sofrimentos perpétuos. A alma de um suicida é sofredora, mas passível de auxílio e resgate. Deus não desampara nenhum de seus filhos, não importa a gravidade de suas faltas. Para as almas que colocaram termo a própria vida, a literatura espírita ensina que existe um local apropriado na psicosfera de nosso planeta, denominado Vale dos Suicidas. Lá, fica um hospital colônia, conhecido como Legião dos Servos de Maria, dirigido por Maria Mãe de Jesus, que cuida de toda a assistência de que necessitam.

O Vale dos Suicidas é descrito, com riqueza de detalhes, em uma obra escrita pelos espíritos Camilo Castelo Branco e Léon Denis, trazida a lume pela psicografia de Yvone do Amaral Pereira, Memórias de um Suicida. Considerada com um dos melhores livros espíritas de todos os tempos e um marco na bibliografia mediúnica brasileira, é o melhor exame sobre o suicídio, do ponto de vista doutrinário espírita. (1) Constitui-se num libelo contra o suicídio, descrevendo em sua primeira parte, os sofrimentos experimentados pelos que atentaram contra a própria vida.

Na segunda e na terceira partes, explica os trabalhos de assistência e de preparação para uma nova encarnação. Conforme nos ensina o Espírito da Verdade, no Livro dos Espíritos, questões 943 e seguintes, todo o ato extremo atentatório à vida, traduz-se em loucura temporária e mera protelação às provas e lutas que nos são reservadas. (2)

Leonardo Vizeu

Fonte:  Correio Espírita

Referências:
(1)  Memórias de um Suicida (Rio de Janeiro: FEB, 1955. 568p.).

(2) Biblia on line. https://www.bibliaonline.com.br/

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O triste pacote de erros

Cristina Sarraf

Toda ideia nova encontra resistência e objeções, sobretudo quando não dá apoio a paradigmas, hábitos e crenças arraigados. Normal. Até porque não é por ser nova que deve ser apoiada, e sim por renovar moralmente e melhorar os conceitos e a vida das pessoas. O Espiritismo insere-se nessa situação de novidade, no século XIX. Já estamos no XXI…

O caráter altamente renovador e inovador de ideias e modos de entender a vida, que o caracteriza, encontrou rapidamente, um contingente grande de pessoas ávidas por sair das injustiças sociais e do marasmo das obrigações religiosas, detentoras do medo da punição divina. Mas também encontrou inimigos ferrenhos, ostensivos e disfarçados, até mesmo em seu meio.

Gigantescas a dedicação e a convicção de Kardec. Gigantescas as dificuldades encaradas com coragem, dor e dedicadíssimo prosseguimento de sua tarefa, sem polêmicas, acusações ou arrefecimento. Avisado estava e confiou!

Mas o tempo da completa “revolução” das ideias ainda não havia chegado nem para os adeptos do Espiritismo e muito menos para a humanidade. Ainda não chegou… Mas 150 anos depois já se pode ver com clareza que um grande e elaborado desvio, aparentemente natural, engripou a divulgação dos Princípios do Espiritismo, em detalhes relevantes.

Tão relevantes que descaracterizaram exatamente o grande diferencial libertador trazido ao mundo pelo trabalho exaustivo de Kardec. Ou seja, a divulgação desse desvio deu a aparência de o Espiritismo ser um repetidor de conceitos religiosos já entranhados na sociedade, com pequenas mudanças de ideias e nomes; fazendo dos espíritas, no geral, pessoas crédulas, carregando uma espécie de canga nas costas, cheios de culpas, medo e hipocrisia. Exatamente o que Jesus apontou como condenável e o próprio Espiritismo veio substituir integralmente, mostrando a incoerência e o grande engodo de se pensar assim.

É o que chamo de “pacote de erros”. Ei-lo:

Deus tido como um ser, juiz condenador, pune e premia, intervêm na vida das pessoas, decidindo e escolhendo acontecimentos, conforme seja obedecido ou não;

Reencarnação não vista como nova oportunidade, mas sim, para pagar “pecados”, desobediências e erros de vidas passadas; quanto maior a dificuldades, maior o “crime” cometido;

corpo físico escolhido por outros Espíritos, conforme os erros;

muitos estão na última oportunidade para se tornarem bons ou serão punidos com a expulsão para um planeta inferior;

Evolução dependente da intervenção dos Espíritos bons e superiores, e não uma conquista pessoal; deve-se ser perfeito, ou seja, fala-se do processo evolutivo individual, gradual e eterno, mas é uma espécie de conto de fadas, que não funciona, por causa do medo da punição aos erros;

Arbítrio livre para que se obedeça ao que dizem ser as leis/regras estabelecidas por Deus, e jamais se questionar a vida ou querer ser livre, porque isso acarreta erros e punições cada vez maiores. Kardec: o arbítrio se desenvolve proporcionalmente ao desenvolvimento evolutivo de cada Espírito;

Causa e efeito/ação e reação como lei moral que não existe no Espiritismo, gerando o falso entendimento de um determinismo das leis de Deus, que sujeita os Espíritos a serem punidos na medida em que erram; resultando disso as culpas, conceito também ausente no Espiritismo, mas vivo nas religiões e subjugador de consciências. Kardec deixou bem claro: livre arbítrio e consequências naturais, proporcionais às nuances evolutivas de cada Espírito; nada de castigos e prêmios divinos;

Desconhecimento de que são os pensamentos que determinam a vida de cada um, por qualificarem fluidicamente o perispírito e criarem condições semelhantes no corpo físico; em seu lugar entra a obediência cega e medrosa, bem como o dever de seguir os líderes e autoridades, para não errar e ser punido com uma reencarnação de dificuldades, defeitos e sofrimento;

Perispírito tendo um cordão de prata que o liga ao corpo durante a encarnação, sendo que isso é só uma ilusão de ótica, quando o Espírito se afasta do corpo que dorme;

dificuldade dos Espíritos superiores em ajudar habitantes dos mundos inferiores, pois têm que sofrer por tempos para adensar seu perispírito;

Erros, culpas e desvios de rota marcam fisicamente o perispírito, deixando todos verem as dívidas do Espírito. Imperfeição moral é apenas falta de evolução;

Mediunidade como causa de caridade aos infelizes sofredores e maus; o portador trás culpas graves do passado; e quando utilizada em reuniões espíritas, diminui as dívidas do médium, privilegiado por Deus e os bons Espíritos; bons médiuns são intermediários apenas de bons e elevados Espíritos e suas mensagens são para serem adotadas e seguidas;

Desencarnados, os Espíritos culpados pagam duramente seus erros, com dores e sofrimentos físicos atrozes, passando longos períodos no umbral; espíritas estão mais aptos a ficarem equilibrados logo após a desencarnação; os Espíritos bons e elevados como Jesus, choram por causa de nossos erros e calamidades; sofrem por nós;

Pessoas dígnas, obedientes, temerosas a Deus, boas não são influenciadas por Espíritos mal intencionados e vingativos…

Cristina Sarraf

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A RENOVAÇÃO EXIGE CORAGEM E PERSEVERANÇA

Leda Maria Flaborea

O trabalho de renovação das disposições íntimas vai exigir, de todo aquele que se proponha executá-lo, perseverança e determinação. Perseverança, por causa da necessidade da repetição contínua e sistemática na correção do desvio feito nos caminhos da existência, e determinação, para que não se abandone o comprometimento com essa nova atitude.

As ideias fantasiosas que temos sobre renovação deixam-nos manietados a outros erros, e iludidos na certeza de que a estamos realizando. Quase sempre, por desconhecimento, apenas trocamos o nome, o rótulo de antigos enganos, que insistimos em manter – nos apraz tal situação –, distorcendo o verdadeiro significado de tal fato. Esse engano, parece-nos, está ligado à noção equivocada de que estamos, realmente, comprometidos com a mudança e que a estamos realizando. Mas a verdade é que, se observarmos nossa conduta, poderemos perceber, muitas vezes, que insistimos em cometer os mesmos erros, fazendo as mesmas escolhas e guardando a certeza de que já havíamos superado essa fase.

Todavia, a consciência dessa repetência permitirá que nos coloquemos em alerta, porque nos permitirá saber que, ainda, estamos no início da caminhada e distantes dessa superação. As situações, nas quais somos chamados a dar testemunho daquilo que já aprendemos – e quase sempre supomos que já o fizemos –, constituem-se em excelentes vitrines para essas observações. São armadilhas que surgem para que nos testemos, para que tenhamos um parâmetro da nossa evolução, para que possamos medir o quanto, ainda, a paciência, a tolerância com as diferenças, o entendimento fraterno a quem nos agride, a capacidade de perdoar e esquecer e tantos outros, que imaginávamos já dominar, estão longe do ideal da prática amorosa que Jesus nos ensinou.

São decepções que infligimos a nós mesmos e que sacodem a nossa acomodação, no pouco que fizemos, mas que supomos ser muito. É importante lembrar aqui que qualquer avanço na senda do progresso é louvável e, às vezes, requer muito esforço de quem o executa. O que não pode ocorrer é a estagnação desse movimento renovador, com a justificativa de que muito já foi feito. Isso nos desequilibra e nos adoece física e emocionalmente, permitindo que, inúmeras vezes, sejamos alvos fáceis de aproximação de outras mentes em desalinho, sejam elas encarnadas ou desencarnadas.

Por essa razão, a superação de sentimentos inferiores, sob o ponto de vista de Jesus, como os de revide, vingança, vaidade, personalismo, por exemplo – expressões do egoísmo na vida de relação –, é de vital importância para a recuperação e manutenção do equilíbrio e da harmonia no âmbito da vida íntima. É essa condição que nos permitirá não sermos feridos pelas correntes aflitivas e conflitantes que nos cercam, proporcionando um outro olhar sobre essas armadilhas, um olhar com objetividade, dando a cada situação o justo peso de importância.

Para que isso ocorra, faz-se mister buscar conhecer nossos sentimentos – raiz de nossas escolhas –, dimensioná-los, estabelecendo prioridades para serem trabalhadas, com foco nas suas transformações, partindo do mais simples e, portanto, do mais fácil – aquele mais imediato, mais próximo, que está mais claro para nós – para o mais complexo e mais difícil. O mais importante nesse processo, em última análise, é ter a coragem de identificar esses sentimentos malsãos, iniciar a tarefa de renovação e, depois, permanecer nesse caminho. Passeando entre a luz e a sombra, a razão e a emoção, nunca acertaremos a rota se não nos comprometermos com a mudança e perseverar nela, mesmo que se tenha de refazer os passos mil vezes.

Muitos de nós creem que somente a fé em Deus seja suficiente para que essas mudanças ocorram. Entretanto, a proposta de renovação, que Jesus nos convida a realizar, transcende a simples fé divina. Ela vai além e toca na essência do Espírito, na vontade genuína de realizá-la. Daí, a presença dessas duas forças transformadoras em nós: a fé humana e a fé divina, porque, ainda que se aceite a soberana presença de Deus em nossa vida; ainda que a fé nos leve a adorá-lo em Espírito e Verdade; ainda que a Natureza O revele através das belezas que nos cercam, se não O sentirmos e mostrarmos ao mundo, através de nossas atitudes, nada terá sentido.

Aceitar a Sua presença e não o ver no próximo é cegueira mental; adorá-lo em Espírito e Verdade e só colocá-lo em altares terrenos é diminuir-Lhe a majestade; e vê-lo revelado em Suas obras e não o entender é olhar-se no espelho e não o reconhecer em si mesmo.

É na busca dessa identidade com o Criador que reside nossa luta renovadora. “O Pai e eu somos um só”, disse Jesus, mostrando que somente pela superação de nós mesmos e da materialidade na qual insistimos em permanecer, seremos livres e nos reconheceremos, finalmente, como filhos de Deus.

Leda Maria Flaborea

Fonte: Espiritismo na Rede

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O SOFRIMENTO

 Divaldo P. Franco

Na atualidade, talvez mais do que em outros períodos da sociedade, o sofrimento parece tomar parte em todos os atos e aspirações humanos, tornando-se um elemento de séria perturbação ao processo evolutivo.

Quando se começam a delinear os traços básicos de qualquer planejamento, pensa-se a respeito do sofrimento que advirá da audaciosa realização e gasta-se muito tempo nas tentativas de anular-lhe a presença. Não acostumado aos investimentos novos e às suas exigências, o candidato às mudanças, que devem acontecer, espera imediata adesão das demais pessoas, o que não ocorre, e sofre com as reações que se apresentam, mesmo antes de serem postos em prática os primeiros projetos. O mesmo ocorre com os idealistas acostumados às lutas ante o impositivo do progresso e das construções contínuas do conhecimento.

O caráter da maioria das pessoas, inseguro e atado a valores de perturbação, parece armado contra tudo que é novo e que sacode a preguiça ou a vaidade maldisfarçada, em que se refugia para nada fazer de bem…

Siddharta Gautama, o Buda, foi um dos primeiros pensadores a deter-se no estudo desse comportamento, criando as quatro regras de ouro, que constituem alicerce filosófico da sua doutrina.

Tudo é sofrimento, afirma o apóstolo da busca interior para a felicidade. O sofrimento que deflui do sofrimento, que são as consequências não superadas das aflições que se padece no transcorrer da existência; as causas do sofrimento, as razões que dão força para a luta e, por fim, como libertar-se do sofrimento, caminho que leva à cessação do sofrimento.

Toda a Doutrina de Jesus, o Mártir da Cruz, é o esforço para superar ou evitar o sofrimento mediante as ações beneméritas do Amor em todas as suas expressões.

Porque a criatura humana prefere o prazer, o agradável das sensações, mesmo que perniciosas, o sofrimento é a consequência inevitável da escolha e se instala até quando se resolve por trilhar o caminho que conduz à sua cessação. Esse esforço é ingente e penoso, e ninguém logra o bem-estar, a plenitude existencial, sem o contributo do sofrimento gerador do sofrimento.

Buda propõe oito regras de retidão para evitar-se o sofrimento, denominadas Nobre Caminho Óctuplo: entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta, concentração correta.

Jesus sintetizou todas as diretrizes que impedem a presença do sofrimento ou a libertação dele através do amor, que responde por todas as necessidades existentes e se fortalece na execução do programa da verdade e da vida. …E o Espiritismo completa informando que se trata da Lei de Causa e Efeito, decorrência de tudo quanto se faz.

Divaldo Pereira Franco

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 12.11.2020.

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A NECESSIDADE MAIOR

Por Antonio Carlos Navarro

Ao atingir o Reino Hominal, o Espírito tem latente em si toda a força dos instintos, desenvolvidos ao longo de sua trajetória pelo reino da animalidade inferior.

Preponderando os instintos de sobrevivência e de manutenção da espécie, a sua preocupação maior é comer, beber, dormir e procriar, colocando em prática as devidas ações para que as coisas aconteçam no sentido de lhe satisfazer essas suas necessidades.

À medida que a inteligência se desenvolve, alargando seu raciocínio, uma segunda necessidade se lhe apresenta ao entendimento: assegurar-se quanto a satisfação de suas necessidades primárias.

Desenvolve, então, territórios físicos, sociais e psicológicos e a posse material, moradias mais seguras, e atividades que lhe garantam a permanência no patamar alcançado.

Mas o Espírito é um ser gregário, social, e por isso desenvolve necessidades relacionadas aos seus iguais, e a medida em que se envolve na sociedade humana, e por ela é envolvido, passa a sentir falta de afeto, amor, afeição, em sentido de duas mãos, ou seja, dar e receber, sempre segundo seu amadurecimento. Esse é um terceiro estágio das necessidades humanas.

Percebe-se que este terceiro estágio se dá no campo da subjetividade, em contraposição às duas primeiras, embora estas possam se sobrepor devido ao domínio da viciação e da falta de confiança nos mecanismos da vida.

O próximo patamar é o de ser reconhecido em seus valores, ser estimado e respeitado por tudo o que é, realiza e representa. No entanto, se só exige para si e não retribui, é egoísta, e se já age da forma com que gostaria que agissem com ele, é generoso e em consequência admirado por sua postura humana.

Para o próximo e último estágio no entendimento de suas reais necessidades, que é o da auto realização enquanto ser humano, a distância será correspondente ao grau de consciência de quem ele é, de onde veio e para onde vai, e o que deve fazer enquanto ser pertencente ao mundo dos encarnados. As experiências vividas anteriormente, se bem aproveitadas, lhe darão maiores possibilidades de avanço rápido rumo a sua destinação.

A reflexão íntima, na análise de como se comporta em relação ao próximo, na busca pela identificação de seus valores menos felizes, que geram atitudes negativas e prejudiciais a si e a outrem, demonstrará avanço acelerado rumo à subjetividade maior, fazendo com o que é fisiológico se transforme tão somente em ferramentas para avançar mais e mais na escalada evolutiva.

Estamos todos, Espíritos que somos, em busca dessa subjetividade, e a Doutrina Espírita tem, em sua mensagem, todos os esclarecimentos necessários para que possamos entender, definitivamente, que somos seres espirituais em experiência corporal e não o contrário.

Convém, portanto, em analisando nossos valores, aptidões e tendências, observar atentamente quais são as necessidades que clamam pela nossa atenção e interesse em satisfazê-las, porque se fisiológicas e egóicas em primeiro lugar, mais animalizados estaremos, mas se subjetivas, mais próximas do Reino dos Céus, que outra coisa não é senão o Reino do Espírito, que é de onde viemos com a tarefa de nos prepararmos para lá nos estabelecermos em definitivo, quando atingirmos o grau maior de subjetividade representada pelo amor que Nosso Senhor Jesus Cristo pregou e exemplificou.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

Fonte:  Kardec Rio Preto

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ASSISTÊNCIA SOCIAL E ESPIRITISMO

Joanna de Ângelis

Diante das multidões esfaimadas, dos velhos ao desabrigo; das crianças socialmente abandonadas; dos doentes ao desamparo; da mendicância e da dor, contemplas através das telas da imaginação, a humanidade espírita cristã do futuro e antevês o tesouro da assistência social ao alcance de todos, oferecendo bênçãos e socorro em abundância….

Desejas, desde logo, antecipar essa Era de Paz, procurando erguer uma Instituição que possa expressar a realidade do amor em bases positivas com socorro e assistência aos aflitos da Terra. E pensas em Assistência Social, falas sobre Assistência Social realizas Assistência Social. Aqui como ali, tocados pelo entusiasmo, companheiros de lide espírita, levantam obras assistenciais respeitáveis, capazes de atender muito sofrimento e diminuir muitas dores.

O primeiro sinal da conversão ao Espiritismo para muitos é caracterizado pelas “mangas arregaçadas do paletó” no serviço de assistência social, objetivando o próximo combalido.

Impulso nobre, merece, no entanto, consideração e exame…

* * *

A dor que tumultua o coração do homem do presente, conserva, todavia, raízes fixadas no passado…

Tentar o cultivo em solo coberto de mata espessa e danosa, seria candidatar as valiosas mudas a asfixia e a morte, em não se cuidando do arroteamento cuidadoso da terra…

Por isso é indispensável mergulhar a meditação nas causas do sofrimento humano e, utilizando os ensinos espíritas, visitar a intimidade das mentes, fazendo luz íntima…

Podes apresentar os evidentes sinais da convicção espírita sem atavios do movimento externo que todos identificam procedendo de maneira segura e concisa intimamente…

Tantos se preocupam com as consequências dos males, que olvidam as causas dos males em si mesmas É imperioso, pois colimar, os objetivos espiritistas no panorama da própria alma…

Conduta reta, fidelidade ao dever, respeito as tarefas alheias e alheios direitos, discrição e sinceridade, cultivo da fé e da humildade, tolerância com perseverança nos ideais esposados, mesmo quando haja conspiração aparente do mal, renúncia às ambições com os derivados da alegria espontânea e de um coração rico em esperança, também são altas expressões de identificação espírita e renovação social que, todavia, começa em quem pretende retificar e solucionar os problemas alheios…

Não pretendemos colocar à margem as tarefas ponderáveis da moderna filantropia, da considerada assistência social. Desejamos apenas, realçar o valor que vai sendo desconsiderado, de situar em primeiro plano o Espiritismo que objetiva a estruturação moral do homem nas lídimas bases evangélicas; e estas são essencialmente as da tarefa interior com as consequentes manifestações do amor ao próximo… como a si mesmo…

Nem Espiritismo sem Assistência Social, nem Assistência social sem Espiritismo, para nós espiritistas encarnados e desencarnados.

* * *

O Espiritismo, como bem definiu Allan Kardec “trata da origem, da natureza e do destino dos espíritos…”, convidando o homem a ser “hoje melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje”…

Assim sendo, é imperioso a tarefa de estudá-lo, buscando conhecer as nascentes da vida, a jornada do princípio espiritual e trabalhando com segurança e valor a si mesmo, para, renovado a cada dia, apresentar o índice de melhoria moral e espiritual de cada hora…

O conhecimento da Doutrina Espírita, colima na sua aplicação com a assistência social; no entanto, a recíproca não é verdadeira.

Espalhemos a Revelação Espírita e iluminando, os que esmagam e estrangulam corações estimulando a miséria, o desconforto, o abandono de grande parcela da humanidade, estaremos salvando o amanhã, porquanto, o homem generoso e esclarecido de agora, não renascerá, para ressarcir e recuperar nas palhas da pobreza e na enxerga da dor.

E guardemos a certeza de que, ao lado da assistência material que possamos doar, a assistência moral e espiritual deve ter primazia…

Alguns amigos menos esclarecidos, falarão sobre sectarismo, outros poucos afervorados à convicção espiritista, informarão que o auxílio não deve ser trocado pelo impositivo de ensino…

Não lhes dês ouvidos.

Derrama no gral da generosidade que te enobrece o perfume da fé renovadora que te liberta e dá a libar, a quantos te buscam, esse incomparável elixir…

Quando te encontrares com a moderna metodologia da Assistência Social, nunca te esqueças, de depois dela, converteres o coração junto ao sofredor, em dois braços abertos à semelhança de Jesus, guardando a postura de quem deseja, no próprio seio agasalhar a dor…

* * *

O inimitável Governador da Terra, homenageado por jubilosa cortesã, antes obsidiada e recém-liberta, que lhe untava os pés com perfume raro, respondeu a Judas, que pensava a respeito da aplicação que se poderia dar à essência exótica, se transformadas em moedas e dirigidas aos necessitados: “Os pobres sempre os tendes convosco, mas a mim, nem sempre me tendes” …

Aromatizemos a senda por onde seguimos, ajudando e amando; mas conhecendo, também, quem somos, donde viemos e para onde vamos, procedamos com equidade e honradez, oferecendo ao mundo atormentado, a segurança de nossa renovação espiritual com o amor dilatado em forma de auxílio a todas as criaturas…

Joanna de Ângelis

Médium: Divaldo P. Franco

Livro: Dimensões da Verdade – 14

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INSATISFAÇÃO AMOROSA E SEXUAL

Morel Felipe Wilkon

Muitas pessoas ainda atrelam a sua felicidade à outra pessoa. Acham que precisam de alguém pra ser felizes. Isso gera uma constante insatisfação, pois não é possível nos apossarmos dos sentimentos de outra pessoa para preencher nosso próprio vazio existencial.

Muita gente atravessa problemas emocionais e sentimentais:

-Pessoas que estão traindo e não querem abrir mão nem do parceiro nem do amante.

-Pessoas que foram traídas, acham que perdoaram, mas não superaram o desgosto.

-Pessoas que não conseguem se relacionar com ninguém.

-Pessoas que têm dúvidas sobre a própria sexualidade.

-Pessoas que pulam de um relacionamento pro outro e nunca estão satisfeitas.

É assombroso o egoísmo de algumas pessoas. É o caso de quem vive um relacionamento extraconjugal, mas não quer romper os laços com o cônjuge. Pode parecer que se trata de amor ou de compaixão. Se analisarem um pouquinho a si mesmos perceberão que pensam, mesmo, é em si próprios, e o que não querem é diminuir a sua cota de prazeres e atenção.

Ou então a pessoa para quem nenhum relacionamento dá certo, e culpam a Deus, à Vida, ao “carma”. Perguntam, revoltadas, se estão aqui só pra “pagar”, e por que Deus não as deixa ser felizes. Não se deram ao trabalho de se perguntarem por que ninguém fica mais tempo com elas. Será que todo mundo está errado e só elas estão certas? Será que não estão exigindo demais?

Noutros casos, as pessoas se debatem durante anos em dolorosos conflitos sobre a própria orientação sexual, cheias de culpas e dúvidas. Casos complexos demais, originados de desajustes iniciados em outras existências, que exigem muito mais do que conselho ou consolo.

Ou aqueles que não se sentem amados, ou que deixaram de amar, ou que traíram e não se perdoam.

A busca pela solução demonstra o desejo de resolver o mal que os aflige. Só que pedir ajuda ou orientação pela internet, digitando algumas dúzias de palavras, é fácil. E não há soluções fáceis para problemas difíceis. Problemas sérios exigem soluções sérias. É preciso querer se ajudar. É preciso deixar a preguiça, o medo, a inércia, o comodismo, a indiferença.

Problemas são oportunidades de crescimento.

É preciso, antes de mais nada, perceber algo que é óbvio, mas infelizmente ainda não é óbvio pra todos: “o mundo não gira em torno de você. As pessoas não são sua propriedade. A Vida não existe para transarmos com todo mundo; prazer sexual não é amor; romantismo não é amor”.

A ideia de que a nossa felicidade está na dependência de uma relação qualquer afasta qualquer possibilidade de bem-estar íntimo.

É importante ter alguém para dividir a passagem pela matéria; a própria natureza, enquanto reencarnados, nos induz a isso.

Mas isso não é sinônimo de felicidade. Ser feliz é um estado de ser que independe de fatores externos.

A preocupação quanto à vida amorosa ou sexual (que quase sempre se confundem) gera cada vez mais incertezas, produz desconforto com a situação vigente, faz a Vida perder o sentido.

A Vida é muito mais que isso. A Vida é oportunidade de aprendizado, de disciplina, de autoconhecimento e de troca de conhecimentos e experiências. Resumir a Vida a encontros e desencontros sexuais é voltar ao estágio animal.

Quem passa por problemas desse tipo e quer solução, deve buscá-la com todas as suas forças. Se está lendo um artigo espírita é de se supor que seja simpatizante do Espiritismo. Leia. Estude. Se esclareça. Ore. Ore várias vezes ao dia, faça disso um hábito. Frequente o centro espírita. Procure um tratamento no centro espírita.

Procure participar de grupos de estudo no centro espírita – a troca de experiências é um dos aprendizados mais eficazes.

Pergunte-se acerca dos seus reais valores: O que você espera acrescentar nesta vida? O que você pretende fazer para aproveitar a oportunidade da atual reencarnação?

Você já percebeu que sexo e atração física são fenômenos ilusórios e, portanto, passageiros? Já se deu conta de que músculos e nádegas caem, que rostinhos bonitos murcham, que o tesão acaba, que palavrinhas românticas só têm valor nos momentos fugazes de prazer?

Você não notou, ainda, que a consciência é o seu juiz, e que cobra você e continuará cobrando você sempre que você errar?

Não sabe que não há como ser feliz mentindo pra si mesmo, tentando enganar à própria consciência?

Ou você pensa que respeito, retidão de caráter, fidelidade, amizade, são apenas conceitos? Ou acha que essas coisas são fruto de pregações religiosas atrasadas e conservadoras?

Está encrencado? Quer viver em paz? Mude!

Quando você muda, o mundo muda.

Pare de se queixar e de achar que a Vida é um complô contra você. Há 7 bilhões de espíritos encarnados iguaizinhos a você. Você acha que você merece uma atençãozinha especial de Deus? Não sabe que não há privilégios na Lei divina? Faça alguma coisa por si mesmo, torne-se uma pessoa melhor, deixe de pensar só em si. Você irá se cobrar severamente se não mudar de atitude a tempo.

Você é o seu juiz…

E o seu estado de espírito de hoje, a maneira como você está se sentindo neste exato momento lhe responde como você vem agindo.

Morel Felipe Wilkon

Fonte: Kardec Rio Preto

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BULLYING E CYBERBULLYING, PROBLEMAS SOCIAIS DA ATUALIDADE

Bullying, termo inglês que significa implicar, maltratar, brutalizar descreve o ato de violência física ou psicológica intencionais e repetitivas contra um indivíduo ou um grupo.

Nas escolas, o bullying cresce vertiginosamente e, segundo relatos dos profissionais de educação, já toma lugar à frente das drogas, causando grandes transtornos as vítimas dessa brutalização.

Como fatores mais frequentes para essa conduta, podemos mencionar: insegurança, desejo de chamar a atenção sobre si mesmo, busca de poder no grupo a que pertence, segregação racial e social, dentre outros motivos.

O espírito Emmanuel, através da mediunidade de Chico Xavier nos alerta: “Muitas vezes, o agressor é apenas um doente, mais necessitado de medicina do que de punição”.

A palavra espiritual é altamente esclarecedora. A ausência de crenças e de valores voltados para o cultivo do espírito, falta de limites e de educação moral, valorização demasiada das coisas materiais, desencadeia no jovem ou na criança dotada de tais atitudes de desregramento, o papel do vilão agressor, daquele que precisa ofender, humilhar para se sentir melhor ou em condição superior aos demais.

O cyberbullying envolve o uso de tecnologias da informação e da comunicação. As agressões são feitas através de e-mails, celulares, mensagens instantâneas, salas de bate-papo, sites difamatórios, enquetes pessoais com fins pejorativos colocados online, produzidos individualmente ou em grupos, causando muitas vezes danos irreversíveis como nos mostra o número de suicídios de jovens que não tiveram oportunidade de receber ajuda através de grupos de apoio.

As redes sociais são um ambiente propício à prática desastrosa do bullying digital. Muitas pessoas a fim de buscar uma maior inserção em um determinado grupo, de adquirir um “sentimento de pertença”, acabam se expondo mais do que deveriam, fragilizando sentimentos e emoções que muitas vezes inviabilizam os mecanismos de reação e/ou defesa por parte das vítimas, ainda mais se tratando de jovens ou adolescentes.

Bastante divulgado nas redes sociais, o caso da adolescente canadense Amanda Todd, de 15 anos de idade, chocou a opinião pública. A jovem cometeu suicídio depois de publicar um vídeo pedindo ajuda e denunciando que estava sendo vítima de cyberbullying no Facebook

No estado do Colorado, Estados Unidos, no ano de 1999, dois de seus ex-alunos invadiram uma escola matando colegas e professores contabilizando um total de 23 feridos.

Em Realengo, Zona Oeste Carioca, um jovem atirou em vários alunos da escola onde havia estudado, para se vingar dos maus tratos sofridos enquanto estudante, gerando uma situação lamentável.

Jovem, tudo começa em nós. Como viajantes do bem a caminho da luz, busquemos como valores maiores o bom senso e a compaixão, a retidão de atitudes e a firmeza de caráter, que não esperam recompensa, mas cuja grandeza está em bastar-se a si mesmo.

Estejamos atentos! Oremos pelos desregrados sociais mas, acima de tudo, eduquemos a nós mesmos, a fim de pacificarmos a nossa convivência interpessoal.

Fátima Moura

Fonte: Correio Fraterno

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Morte: o último desprendimento

Por Carlos Imbassahy

Da obra de Chevreuil colhemos o seguinte depoimento de notável facultativo; o fato consta de suas memórias: “Minhas faculdades permitiram-me estudar o fenômeno psíquico e fisiológico da morte à cabeceira de um moribundo

Era uma senhora de uns 60 anos, a quem costumava dar conselhos médicos. Quando chegou a hora da morte, eu me achava em perfeita saúde, o que me tornava possível exercitar minha faculdade de vidência.

Pus-me então a estudar o mistério da morte. Vi que o seu organismo já não podia satisfazer às necessidades do princípio espiritual, mas pareceu-me que vários órgãos opunham resistência à partida da alma. O sistema muscular tentava reter as forças motrizes; o vascular debatia-se para reter o princípio vital; o nervoso lutava contra o aniquilamento aos sentidos físicos e o cerebral procurava reter o princípio intelectual. Corpo e alma, como cônjuges, resistiam à separação. Esses conflitos pareciam produzir sensações penosas, de sorte que me alegrei quando percebi que aquelas manifestações físicas indicavam, não a dor e a enfermidade, senão a separação da alma.

“Nos seres voluntariosos, dominadores, materiais, a agonia é às vezes dolorosa. Há agonizantes que se contraem horrivelmente, que se agarram, arranham a parede, arrancam com as unhas pedaços de pele.

“Pouco depois a cabeça cercou-se de brilhante atmosfera e vi, de repente, o cérebro e o cerebelo estenderem as suas partes inferiores e ficarem paralisadas as funções galvânicas. A cabeça ficou como que iluminada e notei que as extremidades se tornaram frias e escuras, enquanto o cérebro adquiria especial refulgência.

“Em torno da atmosfera fluídica que lhe rodeava a cabeça, formou-se outra cabeça que cada vez mais se acentuava. Tão brilhante era que mal a podia fixar. À medida, porém que essa cabeça fluídica se condensava, desaparecia a atmosfera brilhante. Com surpresa, acompanhei as fases do fenômeno: vi formarem-se sucessivamente o pescoço, as espáduas, o conjunto do corpo fluídico. Tornou-se me evidente que as partes intelectuais do ser humano são dotadas de uma afinidade eletiva que lhes permite reunirem-se no momento da morte. Os defeitos físicos tinham desaparecido quase por completo do corpo fluídico.

“Para as vistas materiais das pessoas presentes, o corpo da moribunda parecia apresentar sintoma de angústia: eram, porém, fictícios; provinham das forças que se retiravam do corpo, que se concentram no cérebro e depois no novo corpo.

“O Espírito elevou-se em ângulo reto acima da cabeça do corpo abandonado; antes, porém da separação vi uma corrente de eletricidade vital formar-se sobre a cabeça da agonizante e por sob o novo corpo fluídico.

“Convenci-me que a morte não é mais do que um renascimento da alma, elevando-se de um estado inferior, e que o nascimento de uma criança neste mundo ou a formação de um espírito no outro, são fatos idênticos. Nada falta, nem mesmo o cordão umbilical, figurado por um laço de eletricidade vital. Este laço subsistiu por algum tempo entre os organismos. Descobri então que parte do fluido vital volta ao corpo físico, logo que se rompe o cordão. Esse elemento fluídico ou elétrico, espalhando-se pelo organismo, lhe impede a rápida dissolução.

“Logo que a alma se soltou dos laços tenazes que a prendiam verifiquei que o órgão fluídico tinha a aparência terrena. Foi-me impossível descobrir o que se passava naquela inteligência que revivia; notei-lhe, entretanto, calma e espanto por ver os outros chorarem. Dir-se-ia ter percebido a ignorância em que estavam do que realmente se havia passado”. (139)

(139) Léon Chevreuil. On ne meurt pas. Paris. Pág. 290. Erny. Le Psychisme expérimental. Ed. Fiam. Págs. 94-97.

Carlos Imbassahy

Fonte: O que é a Morte – Edicel

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