A DOR

Léon Denis

Tudo o que vive neste mundo, natureza, animal, homem, sofre e, todavia, o amor é a lei do Universo e por amor foi que Deus criou os seres.

O animal está sujeito à luta ardente pela vida. Entre as ervas do prado, as folhas e a ramaria dos bosques, nos ares, no seio das águas, por toda parte desenrolam-se dramas ignorados. Quanto à Humanidade, sua história não é mais que um longo martirológio.

A dor segue todos os nossos passos; espreita-nos em todas as voltas do caminho. E, diante desta esfinge que o fita com seu olhar estranho, o homem faz a eterna pergunta: Por que existe a dor? É, no que nos concerne, uma punição, uma expiação, como dizem alguns? É a reparação do passado, o resgate das faltas cometidas?

Fundamentalmente considerada, a dor é uma lei de equilíbrio e educação. Sem dúvida, as falhas do passado recaem sobre nós com todo o seu peso e determinam as condições de nosso destino. O sofrimento não é, muitas vezes, mais do que a repercussão das violações da ordem eterna cometidas; mas, sendo partilha de todos, deve ser considerado como necessidade de ordem geral, como agente de desenvolvimento, condições do progresso. Todos os seres têm de, por sua vez, passar por ele. Sua ação é benfazeja para quem sabe compreendê-lo, mas somente podem compreendê-lo aqueles que lhe sentiram os poderosos efeitos.

O sofrimento, por sua ação química, tem sempre um resultado útil, mas esse resultado varia infinitamente segundo os indivíduos e seu estado de adiantamento. Apurando o nosso invólucro material, dá mais força ao ser interior, mais facilidade para se desapegar das coisas terrenas. Em outros, mais adiantados no seu grau de evolução, atuará no sentido moral. A dor é como uma asa dada à alma escravizada pela carne para ajudá-la a desprender-se e a elevar-se mais alto.

Léon Denis

¹ N.R.: DENIS, Léon. O problema do ser, do destino e da dor. 32. ed. 11. imp. Brasília: FEB, 2019. 3a pt., cap. 26. (Transcrição parcial.)

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DESCONTENTAMENTO

Divaldo P. Franco

Vivemos, sem dúvida, um período profundamente perturbador sob muitos aspectos considerados, especialmente nas áreas da economia e do comportamento. As dificuldades estão presentes nos países ricos como nos em desenvolvimento, nos quais as criaturas sentem o aturdimento da hora grave que experienciam. Nada obstante, são muitos os bens que se encontram à disposição da criatura humana, graças à evolução da ciência e da tecnologia. Enfermidades terríveis têm encontrado tratamentos adequados, que nem sempre são conseguidos por todos os pacientes, recursos de higiene e orientações para a saúde multiplicam-se, facilidade nas comunicações, na movimentação, ampliam-se a cada instante e mil outras bênçãos.

Apesar disso, defrontamos a multidão dos desalentados ou descontentes. Para esses indivíduos com problemas de comportamento psicológico, tudo está mal, não vale a pena viver, as pessoas são hipócritas e más, desfilando amarguras e pessimismo. Vivem com o semblante carrancudo, com o humor péssimo, quando não agressivos, insolentes e desagradáveis. Este é o século das glórias do pensamento e das misérias morais. Mas é natural, porque neste momento opera-se a grande transformação do planeta de mundo de provas e de expiação para o mundo de regeneração. Se observarmos na História, constataremos períodos de grandeza seguidos pelos de decadência. Conquistas extraordinárias assinalam uma época, dando lugar a situações asselvajadas com guerras de genocídio e de ódio irracionais.

Cabe-nos, a todos nós, modificar a situação lamentável, mediante a nossa transformação moral para melhor, vivendo dentro de padrões de dignidade, de respeito à vida, à cidadania, a todos e a tudo. Viver com alegria e esperança, contribuindo em favor do bem geral, é a melhor opção deste momento. Não é necessário que nos tornemos célebres ou líderes, autoridades ou pessoas de destaque na comunidade, mas bastar-nos-á o cumprimento dos deveres que nos dizem respeito.

Divaldo Franco

Publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 16-07-2015. Divaldo Franco escreve na quinta-feira, quinzenalmente.

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ESQUECIMENTO DO PASSADO

Como faz bem esquecer…

Por Rogério Miguez

Quem se alegra em lembrar dos deslizes cometidos na vida presente? Alguém sente satisfação em relatar condutas próprias contrárias às leis de Deus? Traz tranquilidade manter bem vivo na memória os feitos impensados cometidos no passado desta mesma existência?

Pouquíssimos, ou mesmo ninguém, responderia estas perguntas dizendo sim: É muito bom lembrar os equívocos passados, expondo-os a todos!

Estas poucas questões nos indicam não valer a pena recordar os enganos praticados, pelo contrário, na verdade fazemos de tudo para apagar completamente lembranças de todo e qualquer vestígio dos antigos atos irrefletidos.

É natural, afinal, bom mesmo é recordar coisas boas, experiências saudáveis, atitudes corretas tomadas em momentos críticos, lembranças de fatos trazendo-nos alegria e satisfação, isso sim é gratificante.

Diante desta constatação, por que alguns desejam avidamente conhecer quem foram em antigas vidas? Há alguma lógica em desejar descortinar episódios distantes, quando sabemos que estamos ainda ligados a um mundo de provas e expiações, cuja característica básica é a de abrigar Espíritos faltosos e contumazes descumpridores dos postulados divinos?

Esta é a realidade, poucos podem acessar o passado e não se envergonhar; raros são os detentores da condição de não se surpreender diante da recordação de levianas atitudes e grosseiras condutas praticadas contra o próximo, e, tantas vezes, contra nós mesmos.

É por conta desta realidade que Deus nos faz esquecer temporariamente muitas experiências e ações desagradáveis do nosso pretérito, todas registradas no períspirito.

A lei do esquecimento é uma dádiva para Espíritos ainda pouco afeiçoados à prática do bem, como todos nós ainda somos, pois, recordando-nos de tudo que já fizemos; e se aqueles a nos cercar, os nossos próximos mais próximos – os familiares -, também tivessem este conhecimento, a vida se tornaria insuportável, os grupamentos familiares se esfacelariam, inviabilizando a evolução do grupo.

Desta forma, não nos preocupemos em desvendar o pretérito batendo às portas dos adivinhos, magos ou bruxos. Embora alguns possam ser verdadeiros médiuns, não detém autorização para revelar o passado, e, na ânsia de consegui-lo, estaremos sujeitos a toda a sorte de embustes e mentiras, sempre prejudiciais ao nosso momento presente.

Mas como fazer então!? Trabalhemos as nossas tendências instintivas, observemos as nossas condutas, estejamos atentos à forma como agimos e reagimos no nosso cotidiano diante das situações corriqueiras do dia a dia, estes são bons indicadores de como vivemos no passado, dizem muito sobre nós mesmos, dão-nos uma boa ideia do que fomos e do que continuaremos a ser, caso não trabalhemos os aspectos negativos de nossa personalidade.

E mais, quando estivermos insatisfeitos e desgostosos na vivência de nossas inexplicáveis expiações e provas, ambas medidas corretivas e auxiliadoras em nosso processo evolutivo; quando as dúvidas nos assaltarem a consciência tornando a vida aparentemente insuportável, experimentemos conversar com o nosso guia espiritual, ele está sempre atento ao nosso momento, quem sabe, após uma oração sincera, a leitura de um texto evangélico, renovadas forças nos serão comunicadas, talvez uma nova luz se acenda em nosso cinzento horizonte, e, com estas providências divinas, poderemos retomar o andamento de nossas jornadas com ânimo forte e a convicção de que Deus é sábio e justo, quando determina este provisório esquecimento do passado.

Rogério Miguez

Fonte: Agenda Espírta Cristã

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Sintomas de Mediunidade

Por Manoel Philomeno de Miranda

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A mediunidade é faculdade inerente a todos os seres humanos, que um dia se apresentará ostensiva mais do que ocorre no presente momento histórico.

À medida que se aprimoram os sentidos sensoriais, favorecendo com mais amplo cabedal de apreensão do mundo objetivo, amplia-se a embrionária percepção extrafísica, ensejando o surgimento natural da mediunidade.

Não poucas vezes, é detectada por características especiais que podem ser confundidas com síndromes de algumas psicopatologias que, no passado, eram utilizadas para combater a sua existência.

Não obstante, graças aos notáveis esforços e estudos de Allan Kardec, bem como de uma plêiade de investigadores dos fenômenos paranormais, a mediunidade vem podendo ser observada e perfeitamente aceita com respeito, face aos abençoados contributos que faculta ao pensamento e ao comportamento moral, social e espiritual das criaturas.

Sutis ou vigorosos, alguns desses sintomas permanecem em determinadas ocasiões gerando mal-estar e dissabor, inquietação e transtorno depressivo, enquanto que, em outros momentos, surgem em forma de exaltação da personalidade, sensações desagradáveis no organismo, ou antipatias injustificáveis, animosidades mal disfarçadas, decorrência da assistência espiritual de que se é objeto.

Muitas enfermidades de diagnose difícil, pela variedade da sintomatologia, têm suas raízes em distúrbios da mediunidade de prova, isto é, aquela que se manifesta com a finalidade de convidar o Espírito a resgates aflitivos de comportamentos perversos ou doentios mantidos em existências passadas. Por exemplo, na área física: dores no corpo, sem causa orgânica; cefalalgia periódica, sem razão biológica; problemas do sono – insônia, pesadelos, pavores noturnos com sudorese -; taquicardias, sem motivo justo; colapso periférico sem nenhuma disfunção circulatória, constituindo todos eles ou apenas alguns, perturbações defluentes de mediunidade em surgimento e com sintonia desequilibrada. No comportamento psicológico, ainda apresentam-se: ansiedade, fobias variadas, perturbações emocionais, inquietação íntima, pessimismo, desconfianças generalizadas, sensações de presenças imateriais – sombras e vultos, vozes e toques – que surgem inesperadamente, tanto quanto desaparecem sem qualquer medicação, representando distúrbios mediúnicos inconscientes, que decorrem da captação de ondas mentais e vibrações que sincronizam com o perispírito do enfermo, procedentes de Entidades sofredoras ou vingadoras, atraídas pela necessidade de refazimento dos conflitos em que ambos – encarnado e desencarnado – se viram envolvidos.

Esses sintomas, geralmente pertencentes ao capítulo das obsessões simples, revelam presença de faculdade mediúnica em desdobramento, requerendo os cuidados pertinentes à sua educação e prática.

Nem todos os indivíduos, no entanto, que se apresentam com sintomas de tal porte, necessitam de exercer a faculdade de que são portadores. Após a conveniente terapia que é ensejada pelo estudo do Espiritismo e pela transformação moral do paciente, que se fazem indispensáveis ao equilíbrio pessoal, recuperam a harmonia física, emocional e psíquica, prosseguindo, no entanto, com outra visão da vida e diferente comportamento, para que não lhe aconteça nada pior, conforme elucidava Jesus após o atendimento e a recuperação daqueles que O buscavam e tinham o quadro de sofrimentos revertido.

Grande número, porém, de portadores de mediunidade, tem compromisso com a tarefa específica, que lhe exige conhecimento, exercício, abnegação, sentimento de amor e caridade, a fim de atrair os Espíritos Nobres, que se encarregarão de auxiliar a cada um na desincumbência do mister iluminativo.

Trabalhadores da última hora, novos profetas, transformando-se nos modernos obreiros do Senhor, estão comprometidos com o programa espiritual da modificação pessoal, assim como da sociedade, com vistas à Era do Espírito imortal que já se encontra com os seus alicerces fincados na consciência terrestre.

Quando, porém, os distúrbios permanecerem durante o tratamento espiritual, convém que seja levada em conta a psicoterapia consciente, através de especialistas próprios, com o fim de auxiliar o paciente-médium a realizar o autodescobrimento, liberando-se de conflitos e complexos perturbadores, que são decorrentes das experiências infelizes de ontem como de hoje.

O esforço pelo aprimoramento interior aliado à prática do bem, abre os espaços mentais à renovação psíquica, que se enriquece de valores otimistas e positivos que se encontram no bojo do Espiritismo, favorecendo a criatura humana com alegria de viver e de servir, ao tempo que a mesma adquire segurança pessoal e confiança irrestrita em Deus, avançando sem qualquer impedimento no rumo da própria harmonia.

Naturalmente, enquanto se está encarnado, o processo de crescimento espiritual ocorre por meio dos fatores que constituem a argamassa celular, sempre passível de enfermidades, de desconsertos, de problemas que fazem parte da psicosfera terrestre, face à condição evolutiva de cada qual.

A mediunidade, porém, exercida nobremente se torna uma bandeira cristã e humanitária, conduzindo mentes e corações ao porto de segurança e de paz.

A mediunidade, portanto, não é um transtorno do organismo. O seu desconhecimento, a falta de atendimento aos seus impositivos, geram distúrbios que podem ser evitados ou, quando se apresentam, receberem a conveniente orientação para que sejam corrigidos.

Tratando-se de uma faculdade que permite o intercâmbio entre os dois mundos – o físico e o espiritual – proporciona a captação de energias cujo teor vibratório corresponde à qualidade moral daqueles que as emitem, assim como daqueloutros que as captam e as transformam em mensagens significativas.

Nesse capítulo, não poucas enfermidades se originam desse intercâmbio, quando procedem as vibrações de Entidades doentias ou perversas, que perturbam o sistema nervoso dos médiuns incipientes, produzindo distúrbios no sistema glandular e até mesmo afetando o imunológico, facultando campo para a instalação de bactérias e vírus destrutivos.

A correta educação das forças mediúnicas proporciona equilíbrio emocional e fisiológico, ensejando saúde integral ao seu portador.

É óbvio que não impedirá a manifestação dos fenômenos decorrentes da Lei de Causa e Efeito, de que necessita o Espírito no seu processo evolutivo, mas facultará a tranquila condução dos mesmos sem danos para a existência, que prosseguirá em clima de harmonia e saudável, embora os acontecimentos impostos pela necessidade da evolução pessoal.

Cuidadosamente atendida, a mediunidade proporciona bem-estar físico e emocional, contribuindo para maior captação de energias revigorantes, que alçam a mente a regiões felizes e nobres, de onde se podem haurir conhecimentos e sentimentos inabituais, que aformoseiam o Espírito e o enriquecem de beleza e de paz.

Superados, portanto, os sintomas de apresentação da mediunidade, surgem as responsabilidades diante dos novos deveres que irão constituir o clima psíquico ditoso do indivíduo que, compreendendo a magnitude da ocorrência, crescerá interiormente no rumo do Bem e de Deus.

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Arrepender e corrigir

O arrependimento sincero durante a vida é suficiente para extinguir as faltas e fazer que se mereça a graça de Deus? “O arrependimento auxilia a melhora do Espírito, mas o passado deve ser expiado.” (Questão 999 de “O Livro dos Espíritos” – Allan Kardec.)

Vivendo na Terra, um mundo de expiações e provas, é muito natural que pela nossa própria condição evolutiva ainda cometamos muitos erros e equívocos, pois que estamos a caminho da perfeição, portanto, não sendo perfeitos.

No entanto, percebe-se, em boa parte das criaturas humanas, o sincero desejo de não cometer falhas e, quando elas existem, logo vem o interesse em repará-las. Inicia-se pelo arrependimento, esse sentimento que demonstra a nossa insatisfação pelo erro desencadeado, que geralmente vem seguido pela vontade de consertar aquilo que não foi bem-feito.

Obviamente, o desagrado que registramos diante de um acontecimento infeliz é de grande valia e importância, mas imperioso que procuremos reparar o erro cometido, pois causar prejuízo a alguém, de qualquer ordem, sempre nos deixa uma sensação desagradável e constrangedora.

O verdadeiro homem de bem se preocupa, com frequência, em servir ao irmão do caminho e não em lhe criar problemas e aflições. E, se isso acontece, por causas variadas, deseja ele, assim que se conscientiza do fato, resolver a questão se entendendo com a sua vítima.

Mas existe situação em que a falha cometida contra alguém, no momento, não tenha como ser reparada diretamente, talvez pela impossibilidade de uma aproximação com o ofendido. Mesmo assim não estaremos impedidos de começar a consertar nosso deslize, pois que podemos servir à humanidade, de uma forma geral, granjeando, para o nosso “curriculum”, créditos junto à Providência divina, que saberá entender os nossos propósitos e se prestará a nos criar as oportunidades devidas para a solução das nossas pendências.

De qualquer modo, o arrependimento será sempre uma imensa porta que se abre para que comecemos e reparar os nossos erros. Arrepender-se, tão somente, não basta, preciso será o desejo firme de trabalhar com determinação, para que se faça o devido conserto dos estragos promovidos.

Ainda, concluindo que não agimos como devíamos, jamais olvidemos da necessidade de não cometer os mesmos equívocos, ou seja, desencadear imensos esforços para não reincidir.

Mas, de qualquer forma, estando próximo da nossa vítima ou não, tendo possibilidades de contatar com ela ou não, elejamos o bem como meta máxima das nossas ações e saiamos a servir ao próximo, onde quer que ele esteja ou em que situação possa estar. O bem promovido em qualquer lugar, a qualquer hora, e em benefício de quem quer que seja, será sempre o nosso advogado de defesa nos momentos dos nossos testemunhos, diante dos acontecimentos da vida.

Por enquanto, não tenhamos a pretensão de passar pela vida física isentos de falhas, embora devamos fazer todo o empenho para evitá-las.

Na pessoa de quem estiver mais próximo, temos um imenso campo de trabalho para que nossas ações de equilíbrio possam produzir proezas de amor e auxílio.

Devemos sempre ter em mente que, trabalhando com afinco pela construção de um mundo melhor, onde nossos atos expressem a vivência prática do Evangelho do Cristo, teremos sempre um ponto de equilíbrio onde as atitudes sublimes e nobres estarão neutralizando aquelas que, por ventura, escapem ainda do nosso controle.

No momento, não somos seres angelicais, mas devemos exercitar o máximo de esforço visando errar o menos possível para que o arrependimento e o remorso não venham torturar os nossos dias.

Waldenir A. Cuin

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A VONTADE DO HOMEM

Camille Flammarion

A palavra liberdade é empregada num sentido mais ou menos lato. Há filósofos que atribuem ao homem uma liberdade ilimitada. A seu ver, o homem cria, por assim dizer, a sua própria natureza, adquire as faculdades que deseja e age independente de qualquer lei. Tal liberdade está em contradição com um ser criado. Tudo quanto possam dizer a seu favor não passará de declamações enfáticas, desprovidas de senso e de veridicidade.

Outros há que admitem uma liberdade absoluta, em virtude da qual o homem age sem motivo. Isso, porém, é presumir efeito sem causa, é isentar o homem da lei de causalidade. Seria uma liberdade contraditória de si mesma, podendo-se proceder num mesmo caso bem ou mal, mas sempre sem motivo. Inúteis seriam, então, todos os institutos de finalidade beneficente, individual ou coletiva. De que serviriam as leis, a Religião, as penalidades e recompensas, se nada determinasse o homem? Por que esperar de outrem amizade e fidelidade, antes que ódio e perfídia? Promessas, juramentos, votos, tudo ilusão! Tal liberdade nada tem de real, não passa de especulativa e absurda.

Precisamos, ao contrário, reconhecer uma liberdade acorde com a natureza humana, liberdade que a legislação pressupõe liberdade raciocinada.

Três são as condições fundamentais da legítima liberdade: em primeiro lugar, é preciso que a criatura possa escolher entre vários motivos. Seguindo o motivo mais forte, ou agindo só por prazer, já se não opera com liberdade. O prazer não é mais que uma falsa aparência de liberdade. A ovelha que mastiga a erva com prazer não está exercendo um ato livre.

Obedecendo a um desejo mais forte, também o animal, quanto o homem, não pratica livremente, tampouco. A condição precípua da liberdade é a inteligência, ou a faculdade de conhecer e escolher os motivos. Quanto mais ativa a inteligência, mais ampla a liberdade.

Os idiotas natos, as crianças até uma certa idade, têm, às vezes, desejos muito enérgicos, mas ninguém os considera livres, visto não possuírem inteligência bastante para distinguir o falso do verdadeiro.

Os homens mais bem educados e os mais inteligentes são os de quem, mais que dos ignorantes, deploramos as faltas. À medida que se elevam na série das faculdades intelectivas, os animais vão-se tornando mais livres e modificam mais individualmente os seus atos, de acordo com as circunstâncias exteriores e com as lições de sua prévia experiência. Se empregamos a violência para impedir o cão de perseguir a lebre, ele se lembrará das pancadas que o aguardam e, árdego e trêmulo ao império dos próprios desejos, não deixará de ceder.

O homem, superior a todos os seus irmãos da escala zoológica, é, por sua mesma natureza, o ser que goza de liberdade no grau mais eminente. Só ele procura encadear efeitos e causas, comparar melhor o presente e o passado, e daí tirar conclusões para o futuro. Pesa as razões, detém-se nas que lhe parecem preferíveis, conhece a tradição. Seu raciocínio decide e perfaz a vontade esclarecida, muitas vezes contrariamente aos seus desejos.

Uma última condição da liberdade é a influência da volição sobre os instrumentos que devam operar suas ordens pessoais. O homem não é responsável por desejo ou por faculdades afetivas dele independentes. A responsabilidade individual começa com a reflexão e com a possibilidade de proceder voluntariamente. No estado de saúde os instrumentos operatórios subordinam-se à influência da vontade. A fome é involuntária, mas, se em senti-la, eu me abstiver de comer, exerço a influência da minha vontade sobre os instrumentos do movimento voluntário.

A cólera é involuntária, mas eu não sou forçado a maltratar quem me provoque, só porque a minha vontade influi em meus músculos. Perdido o domínio dessa influência, então sim, o homem já não é livre. É o que amiúde sucede com os alienados, que experimentam desejos, reconhecem a sua inconveniência, chegam a maldizê-los, mas não têm a força de restringir os movimentos involuntários, chegando mesmo, algumas vezes, a pedir que lhos embarguem.

A liberdade moral é a base mesma da sociedade e se ela não passa de ilusão, todo o gênero humano, tanto as nações incipientes como as mais civilizadas, que cultivam a Ciência e governam a Matéria, bem como os povos remotos, toda a Humanidade, – repetimo-lo – ter-se-ia deixado iludir pelo mais colossal dos erros que ainda existiu, depois de enveredar pela senda mais falsa e injusta que possamos imaginar. Mas… que dizemos: – injusta? Neste sistema, essa palavra nada significa e visto que o bom e o mau não existem; visto não haver ordem moral, claro é que todas as palavras concernentes à descrição dessa ordem, todos os pensamentos e julgamentos carecem de sentido. E, contudo, a menos que abstraiamos a própria consciência, não podemos anuir a semelhantes conclusões.

Quaisquer que sejam as conclusões teóricas a que cheguem os lógicos na questão do livre arbítrio – dizia Samuel Smiles –, todos sentimos que somos praticamente livres de escolher entre o bem e o mal. Não somos o seixo que, lançado na torrente, apenas pode seguir o curso das águas. Ao contrário, sentimos em nós a força do nadador, que pode escolher a direção convinhável, lutar contra a corrente, ir mais ou menos aonde lhe praza.

Nenhum constrangimento absoluto nos empece a vontade. Sentimos e sabemos no concernente aos nossos atos, que não somos encandeados por qualquer espécie de magia. Todas as nossas aspirações para o bem e para o belo ficariam paralisadas se pensássemos de modo diverso. Todos os negócios, nossa conduta na vida, regime doméstico, contratos sociais, instituições públicas, tudo, enfim se baseia na noção prática do livre-arbítrio. E sem ele, onde estaria a responsabilidade? De que serviria ensinar, aconselhar, predicar, reprimir, punir? Para que leis, se não houvesse uma crença universal como o próprio fato universal, de que dos homens e de sua determinação depende conformar-se ou não? O homem que melhor evidencia seu valor moral é o que se observa a si mesmo, dirige as suas paixões, vive conforme a regra que se impôs, estuda suas aptidões e suas falhas.

Eis, verdadeiramente, o homem: sua grandeza está na sua liberdade. Não fora livre o homem, não se lhe permitiria ter fome e sede, nem comer nem beber; nem senhorear, em coisa alguma, as tendências do seu corpo. A ordem social não se teria constituído.

Mas nós não temos necessidade de prova alguma exterior para afirmar a nossa liberdade. Ninguém melhor o sabe do que a nossa própria consciência. Ela é, aliás, a única coisa que possuímos completamente nossa, e a boa ou má direção que lhe damos, em definitivo, só depende de nós. Nossos hábitos e pendores não são nossos amos, mas servos. Mesmo quando com eles transigimos, a consciência adverte-nos de que poderíamos resistir e que, para vencê-los, não careceríamos de fortaleza superior às nossas possibilidades, se fizéssemos finca-pé. É pelo emprego livre da razão que nos fazemos o que somos. Se ela apenas propende para o sensualismo é que a vontade, forte e demoníaca, subjuga e escraviza a inteligência. Bem dirigida, porém, essa mesma vontade compara-se a uma rainha, tendo por ministros as faculdades intelectuais e presidindo ao maior desenvolvimento compatível com a natureza humana.

Este pretenso ateísmo científico tomou o encargo de rebaixar e destruir todos os caracteres da grandeza humana. Não pode, contudo, impedir a alma de provar o seu valor, de assomar a matéria, construindo-se de si mesma com os elementos do seu meio e do seu clima.

Ele, o materialismo, não percebe que se a personalidade humana fosse resultado de influências fatalísticas da Natureza, a criança e o selvagem, sob o governo quase exclusivo dessas forças, seriam mais sensatos, mais íntegros que o sábio, o filósofo, o artista. Tal consequência destrói, por si só, a teoria dos nossos adversários.

 Camille Flammarion

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PANDEMIA E CORAGEM

Passado o primeiro período, em que a pandemia da Covid-19 alastrou-se pelo mundo com as suas garras destruidoras, a pouco e pouco fomos acostumando-nos com a sua fome de vidas.

Passamos a descuidar-nos do uso das máscaras, de lavar as mãos com sabão e com frequência, bem como mantermos a distância necessária para evitar o contágio maligno.

Estamos voltando aos velhos hábitos nas ruas, nos lugares nos quais se aglomeram grupos, sem nenhum cuidado com a saúde. Dá-me a impressão de que o terrível surto com o prolongamento da contaminação em todo o mundo aconteceu e estamos procurando esquecer essa tragédia que sacudiu a civilização sem aviso prévio. No entanto, a cada momento surgem dezenas de milhares de novos casos, resultado de contaminação quase generalizada, enquanto se discutem medicina e política, e as pessoas morrem quase na mesma proporção.

Enquanto não chega a vacina que nos previne do mal, pessoas de alta responsabilidade ironizam, criticam o seu uso, expõem-se.

Até poucos dias eram as alegrias da retirada dos hospitais de campanha por falta de pacientes, enquanto, neste momento, eles estão sendo convocados porque em muitas cidades o número de doentes surpreende médicos e cuidadores.

As ruas estão cheias a toda hora, as pessoas mantêm os anteriores hábitos de abraçar-se e manter-se juntas, sem a menor responsabilidade pela sua e pela vida das demais criaturas.

Graças a esse comportamento podemos avaliar a responsabilidade de administradores políticos e população, que não se dão conta da gravidade do momento, porque o mal prossegue avançando, e uma onda nova da enfermidade cruel está atingindo número expressivo de vítimas, que se sentem aturdidas.

Informa-se que a AIDS está matando mais do que a Covid, portanto, a esses não parecem necessários os cuidados preventivos para livrar-se do mal de ambas doenças.
Não será a presença de um mal que justificará o aumento de outros males, especialmente na área da saúde pública.

Tenhamos cuidado!
Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde coluna Opinião, em 29.10.2020.
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DESESPERO INJUSTIFICÁVEL

Joanna de Ângelis

Pensas: “Aceitei, confiante, a fé e a luta me parecem mais rude. A fadiga me segue e o desespero me cerceia. Tenho a impressão de que forças tiranizantes me amesquinham, comprazendo-se com os meus tormentos.”

Analisas: “Abracei o Cristianismo Redivivo no Espiritismo, guardando a esperança de esclarecido, repousar, e edificado pelo esclarecimento, viver em paz. No entanto, com a dilatação do conhecimento, parece-me que problemas com os quais eu não contava repontam multiplicados e dissabores me assinalam as horas.”

Comentas: “Que ocorre comigo? Não desejava melhoras econômicas ao aceitar a Doutrina renovadora, todavia, surpreendo-me com tantos insucessos… Não aguardava um paraíso entre os companheiros, mas, por que a animosidade?”

Concluis: “Desisto — eis a solução. Talvez, quem sabe? — imaginas — eu esteja deixando consumir-me pelo excesso do ideal… Vejo outros companheiros com ares felizes, bem postos, joviais… Algo, comigo, está errado”

Sim, algo está errado: a conclusão a que chegaste.

Todo compromisso elevado exige esforço no empreendimento, luta na execução, força no ideal.

Quem pretende fruir antes de produzir conserva infantilidade mental.

O homem velho para despojar-se do manto característico não consegue fazê-lo sem uma grande revolução íntima.

O passado de cada espírito em luta, na Terra, é todo um amontoado de escombros a retirar para reconstruir, reaparelhar.

Enquanto alguém se demora em charco pestilento acostuma-se ao recender da podridão.

O horizonte visual é maior de quanto mais alto o contemplamos.

É, pois, compreensível que, desejoso de uma vida melhor sejam concedidas às tuas possibilidades atuais as lutas redentoras para mais altos vôos.

Com as percepções espirituais desenvolvidas e sintonizadas com as Esferas da Luz, teus inimigos desencarnados, na retaguarda, redobram a vigilância junto aos teus movimentos e, de paixões açuladas ante a perspectiva de perderem o comensal de antigas loucuras, atiram-se, desordenadamente, “dispostos a tudo”…

Ora, porfia, estuda e ama.

A oração elevar-te-á além das sombras densas.

A porfia retemperará tuas forças.

O estudo dilatará a tua faculdade de discernir.

E o amor te concederá as láureas da paz, oferecendo-te os tesouros inalienáveis da felicidade sem jaça.

* * *

Em “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec, o Embaixador das Cortes Celestes, registrou:

“Sob a influência das idéias carnais, o homem, na Terra, só vê das provas o lado penoso…”

“Na vida espiritual, porém, compara esses gozos fugazes e grosseiros com a inalterável felicidade que lhe é dado entrever e desde logo nenhuma impressão mais lhe causa os passageiros sofrimentos terrenos…” .

” Não é possível, no estado de imperfeição em que te encontra, gozar de uma vida isenta de amarguras. Ele o percebe e, precisamente para chegar a frui la, é que trata de se melhorar.”.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco

Livro: Dimensões da Verdade – 18

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ESCOLHAS DE PROVAS

Por Cláudio C. Conti

Vivemos em um mundo, segundo apresentação didática, na categoria de expiação e provas [1]. Contudo, é fundamental o aprofundamento do estudo para que possamos compreender o motivo pelo qual aqui nos encontramos e, principalmente, para nortear o próprio comportamento tendo em vista galgar locais em condições mais amenas.

Diante do tema em epígrafe, quase que imediatamente, vem à mente escolher somente provas fáceis. Esta opção, aparentemente tão natural para espíritos ligados à um mundo como este, ocorreu, até mesmo, para Kardec, tanto que direcionou este questionamento aos espíritos. A resposta obtida, contudo, foi que “Pode parecer-vos a vós; ao espírito, não. Logo que este se desliga da matéria, cessa toda ilusão e outra passa a ser a sua maneira de pensar” [2].

Na condição de encarnado, tendo como referência a matéria e os sentidos físicos, o espírito analisa sua existência segundo os parâmetros limitados que estão disponíveis para as faculdades cognitivas do ser. Haverá uma demanda de maior quantidade de trabalho e, portanto, de energia, para o espírito direcionar sua atenção para aquilo que esteja, por assim dizer, além do terra-a-terra.

Com a resposta dos espíritos apresentada à Kardec que foi transcrita anteriormente [2], podemos supor que, liberto da matéria, com mesmo nível de trabalho a que está acostumado, ou seja, usando a mesma quantidade de energia, poderá entrever além do seu próprio ser e, de certa forma, vislumbrar a eternidade. Nesta condição, os parâmetros de avaliação mudam completamente.

Contudo, resta uma grande questão: Porque necessitamos de provas?

Primeiramente, não podemos confundir prova com expiação. A expiação é a consequência do arrependimento das escolhas das provas.

O espírito em níveis evolutivos como os da Terra vislumbra, primeiramente, o benefício próprio, isto é, o egoísmo é uma característica muito marcante [3]. Assim, na erraticidade, diante do vislumbre da eternidade e dos benefícios, se predispõem ao trabalho. Porém, enquanto encarnado, acessando diretamente apenas as sensações físicas, envereda por caminhos diferentes daquele que programou, mesmo com os estímulos e condições condizentes com as provas escolhidas.

A desistência acarreta a repetição da prova e é nisso que consiste a expiação e, por isso, o sofrimento será tanto mais severo quanto o número de vezes que repete a mesma prova. Portanto, o sofrimento está relacionado com a desistência do enfrentamento daquilo que compete ao espírito cumprir.

Além da desistência em cumprir o programado, buscando experiências que lhe apraz, o espírito tende, pelo mesmo motivo, a considerar deveres, em geral, como causa de sofrimento. Assim, inclusive as tarefas diárias mais banais, tais como estudo e trabalho, ganham conotação de pesar, mesmo sendo estas atividades a causa de uma vida saudável, de sustentação da família, segurança, moradia e lazer, dentre outras.

Desta forma, os deveres comuns à todos para uma encarnação proveitosa e saudável passam a ser causa de sofrimento e o espírito considera estas atividades, erroneamente, como expiação. Nesta relação com os deveres, o espírito causa a si mesmo muito desconforto.

Encontramos n’O Evangelho Segundo o Espiritismo orientações muito pertinentes para esta questão. Sob o título Causas Atuais das Aflições [4], temos que “O homem, pois, em grande número de casos, é o causador de seus próprios infortúnios” e que “Os males dessa natureza fornecem, indubitavelmente, um notável contingente ao cômputo das vicissitudes da vida. O homem as evitará quando trabalhar por se melhorar moralmente, tanto quanto intelectualmente”.

Muitas vezes nos preocupamos com vidas pregressas e, outras tantas, nos ocupamos com terapias inócuas e, até mesmo, prejudiciais. Todavia, o grande causador dos males é o próprio espírito durante a encarnação, seja por não fazer o que devia ou por fazer o que não devia. Esta informação é tão importante que faz parte de orientação contida na Codificação ao dizer: “O homem, pois, em grande número de casos, é o causador de seus próprios infortúnios; mas, em vez de reconhecê-lo, acha mais simples, menos humilhante para a sua vaidade acusar a sorte, a Providência, a má fortuna, a má estrela, ao passo que a má estrela é apenas a sua incúria”[4].

Por último, podemos nos perguntar sobre a necessidade de um processo evolutivo, pois, sendo Deus, poderia criar espírito já evoluídos.

No entanto, a lógica nos diz que esta não seria uma opção viável, pois, sendo Deus, mesmo podendo tudo e qualquer coisa, é soberana justiça e bondade. Neste sentido, para ser justo e bom, seria necessário que todos os espíritos criados fossem completamente iguais, cópias fiéis um do outro, verdadeiros clones, na real concepção da palavra, com pensamentos iguais, gostos iguais e atitudes iguais. Se não fossem idênticos, certamente haveria os melhores e os piores, mesmo que a diferença fosse mínima, ainda assim, não haveria soberana justiça.

Por ser infinitamente justo, Deus realmente cria todos exatamente iguais, mas, na condição de simples e ignorantes para, através das provas, desenvolvermos aptidões e gostos diferentes e, enfim, tomarmos a nossa posição na grande oficina da criação.

Cláudio C.Conti

 

Notas bibliográficas:

1. Allan Kardec; O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. III.

2. ___; O Livro dos Espíritos, Questão 266.

3. ___; O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XI.

4. Ibidem, Cap. V.

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OS EXILADOS DA TERRA

Por Rogério Miguez

Não devem ser muitos aqueles que militam no meio espírita sem conhecimento do deslocamento de alguns milhões de Espíritos, “convidados”, há milênios, a deixar a estrela de Capela e migrarem para a nossa Terra, na época, provavelmente, um mundo primitivo.

A referência básica para a descrição deste fato foi feita por Emmanuel na obra A Caminho da Luz. (1)

De acordo com Emmanuel, eram Espíritos desajustados aos novos ritmos de evolução daquele orbe distante, devido ao alto grau de egoísmo e orgulho que até então os caracterizava, dificultando sobremaneira a caminhada daquela parte da Humanidade residente em Capela.

Da mesma forma que para cá vieram Espíritos que nos ajudaram muitíssimo, visto serem bem mais evoluídos intelectualmente do que aqueles que por aqui já se encontravam àquela época, igualmente é possível que da Terra muitos Espíritos também sejam “convidados” a se retirar, provisória ou definitivamente, em razão da persistência no mal, dificultando ou quase entravando a marcha dos homens de boa vontade.

Coincidentemente, a Terra atravessa um período propício a estas maciças migrações, ou seja, é chegada a hora de o planeta alcançar à condição de mundo de regeneração, permanecendo entre nós apenas os Espíritos comprometidos com o bem e com a verdade.

E como há candidatos a daqui partirem, passando a ser conhecidos no mundo para o qual serão enviados como os Exilados da Terra!

Basta observarmos os noticiários para nos convencermos da existência de incontáveis criaturas não dispostas a evoluírem moralmente, preferindo ainda agir sob o antigo lema de retribuir as possíveis injustiças com a espada.

São os belicosos habitantes de variadas nacionalidades, mantendo ainda a conduta voltada ao conflito, à beligerância, às conquistas materiais, aos abusos de toda ordem; outros, ainda, por incrível que pareça, armam-se para dizimar os seus “possíveis inimigos”, inclusive os que habitam a Pátria do Cruzeiro.

Além destes temos: os amantes da licenciosidade; os que desfrutam das ilusórias delícias oferecidas pela matéria; os adictos inveterados; os desvirtuados do sexo, mantendo continuados e extravagantes conúbios com a espiritualidade inferior; os detentores de riquezas mal ganhas e mal empregadas, que não se compadecem dos que passam fome; os políticos alucinados, os que desfrutam de seus cargos em detrimento do bem-estar da coletividade.

Diante de um quadro de tal natureza, em breve atingiremos o fundo do poço, fruto da continuada violência, da sensualidade exacerbada, dos escândalos de toda ordem, da corrupção desenfreada, das doenças em massa, que desafiam os especialistas. Não foi sem razão que o Mestre de Lyon asseverou: “[…] É preciso que o mal chegue ao excesso, para tornar compreensível a necessidade do bem e das reformas.”(2)

Nesta hora grave, é sempre bom recordar o capítulo 20 do extraordinário livro O evangelho segundo o espiritismo, intitulado “Os trabalhadores da última hora”. (3)

Sim, os espíritas, são exatamente os últimos chamados mencionados no título do capítulo da obra referida, alguns talvez reconvocados, recebendo agora a derradeira oportunidade de adquirir o direito de continuar embarcados na Nau Terra, rumando inexoravelmente para águas mais calmas e tranquilas, na imensidão dos mares siderais, onde a brisa fresca destes novos oceanos substituirá as intermináveis borrascas e tempestades que há bom tempo enfrentamos.

E o que têm feito os espíritas, a fim de que seus nomes não sejam inscritos no rol dos candidatos que mais tarde serão expulsos da Terra?

O expurgo já começou.(4) A espiritualidade nos dá notícias, desde meados do século passado, de que muitos desencarnam e não mais retornam; não conseguem o bilhete de volta… Para seus lugares foram e são destinados novos Espíritos de outro orbe, nem todos, ao que entendemos, exilados propriamente ditos, mas missionários, abnegados trabalhadores desejosos de nos dar uma mãozinha, reencarnando em massa para que saiamos em definitivo deste ciclo de repetição de provas e infindáveis expiações. Outros, entretanto, aportando agora na Escola Terra, experimentarão uma forma de exílio temporário, repetindo o padrão dos antigos exilados de Capela, intelectualizados, mas tardios quanto à evolução moral. (5)

Na obra Transição Planetária,(6) o autor informa que muitos dos Espíritos que desencarnaram durante o purificador tsunami que atingiu certas regiões asiáticas, já não retornam mais, e a razão se funda na conduta licenciosa vivenciada na região, tanto por parte dos habitantes locais, como dos de outras nacionalidades, que para lá se dirigiam com o objetivo exclusivo de experimentar os desvios de toda ordem na esfera sexual.

E nós, por que ainda continuamos vacilantes, a despeito de recebermos as mais elucidativas explicações e orientações sobre o funcionamento das Leis de Deus? Por que não pegamos com vontade a charrua e aramos o solo duro das próprias vidas, a fim de que dê frutos saborosos, quem sabe a cem por um?

Estaria o chamamento de Jesus acima de nossas forças? Precisamos de algo mais? Bons livros os temos aos milhares, exemplos também são inúmeros, provindos dos incansáveis batalhadores que nos antecederam e de alguns que conosco ainda partilham a jornada.

Já dispomos do Evangelho de Jesus e da rica literatura espírita, norteando as nossas ações; igualmente conhecemos as vidas dos mártires, testemunhos inolvidáveis em todos os tempos, para nos incentivar e inspirar! De que mais precisamos?

Rogério Miguez

Referências:

(1) XAVIER, Francisco C. A caminho da luz. Pelo Espírito Emmanuel. A Índia, it. Os arianos puros;
(2) KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. q. 784;
(3) O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. it. 2;

(4) FRANCO, Divaldo P. Transição Planetária. Pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda. cap. 2 – O visitante especial. p. 26;

(5) ____. cap. 3 – A mensagem revelação. p. 35 e 36; e
(6) ____. cap. 6 – O serviço de iluminação. p. 62 e 63.

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