AUTOPERDÃO E OBSESSÃO

Por Rogério Miguez

O emprego do autoperdão vem recebendo viva atenção nos meios espíritas: em palestras nos centros, transmissões ao vivo, as quais são disponibilizadas na WEB, artigos, entrevistas, ou seja, nos mais variados meios de divulgação e comunicação.

Tema realmente oportuno e relevante, com eficazes resultados para os seus reais utilizadores, pois pode proporcionar, quando pertinente, o reencontro com a paz interior, momentaneamente perdida pelo cometimento de graves atos e condutas perpetrados pelo infrator, distanciados do correto ordenamento divino.

Entretanto, é imperioso esclarecer que no desenrolar da existência, não há receitas mágicas, tudo desenvolve-se através do merecimento e do aproveitamento das lições oferecidas pela vida, traduzidas pelo resultado das boas obras efetivamente realizadas, ou seja: não há a lei do menor esforço.

Sem perceberem ter o emprego do autoperdão alcance e efeitos muito bem delineados, alguns iludem-se acreditando em poder, pelo uso continuado deste recurso, escapar das inevitáveis consequências de suas obras levianas, às vezes mesmo, maldosas.

Uma das possíveis formas de, infelizmente, autoenganar-se, alguns por desconhecimento, outros às vezes mesmo tentando subtrair-se das implicações de anteriores atitudes cometidas irrefletidamente, o indivíduo autoperdoa-se, na expectativa de poder iniciar nova caminhada livre do sentimento de culpa, sem nenhuma necessidade de expiar e reparar o mal realizado.

O autoperdão é uma ferramenta a ser utilizada em casos contundentes, onde o descumpridor dos eternos princípios divinos, se vê acuado diante de sua conduta, não encontra respaldo e apoio junto a seus amigos e familiares, e, diante de uma pressão interna cada vez maior, o autoperdão apresenta-se como uma válvula de alívio da insuportável pressão interna, permitindo ao que sofre as consequências do remorso e arrependimento profundos, reorganizar-se, tendo condições de retomar sua marcha evolutiva.

Eventualmente, o conflito interno experienciado pelo transgressor pode ser acentuado pela atuação incisiva de um Espírito ainda desorientado – o chamado obsessor – que, por razões diversas, ligou-se mentalmente ao transgressor da lei e, através de continuadas más sugestões especificamente direcionadas à questão em foco, martiriza ainda mais a vítima, fazendo crer que o delito foi gravíssimo, não havendo desculpa para o feito, em suma: o agressor cometeu uma falta irremissível.

Nesta situação, poder-se-ia argumentar que o autoperdão seria a solução ideal, liberando o obsidiado desta incômoda situação.

É fato que o autoperdão sincero, por parte daquele que se considera pecador, o ajuda muitíssimo a conviver com as consequências da ação indevida. Entretanto, se o vínculo obsessivo se estabeleceu por conta de uma prejudicial conduta direta ao Espírito desencarnado, por exemplo, a prática de um abortamento, o futuro reencarnante que se viu impedido de voltar ao mundo material poderá, se assim o decidir, iniciar um processo obsessivo, tentando vingar-se. Neste caso, apenas o autoperdão terá pouca ou nenhuma serventia para interromper o assédio do obsessor.

O único caminho com o poder de aliviar a vítima de seu algoz, nesta particular situação, seria a mudança de atitude do infrator, neste caso a mãe que, em geral, já havia prometido previamente, antes de reencarnar, receber aquele particular Espírito para uma jornada em nova existência familiar.

E qual seria a conduta adequada em um caso como o descrito, além de autoperdoar-se? Certamente a mãe poderia voltar-se a atividades envolvendo crianças sem pais, um orfanato, por exemplo, dedicando-se a cuidar de filhos alheios.

Outra opção seria assumir a manutenção material de uma criança abandonada em uma ONG dedicada a este tipo de atividade, suportando as despesas materiais que este órfão necessita para viver sob a tutela desta organização filantrópica. Não há necessidade em absoluto de levar a criança escolhida para a própria residência, pois muitas mães nem podem (possuem jornadas de trabalho extensas), é suficiente o compromisso de cuidar do filho alheio, com dedicação e responsabilidade.

Em nosso país é difundida a prática da contratação de serviços domésticos ajudando no funcionamento de um lar. Em muitos casos, esta pessoa que nos ajuda, a chamada diarista, possui filhos. Por qual razão não “adotar” estas crianças, caso os contratantes possuam recursos suficientes, provendo material escolar, brinquedos, vestimentas, ou mesmo algum apoio na alimentação destes filhos alheios?

O obsessor precisa observar um comportamento altruísta da mãe em relação ao próximo; isto é que o motiva a desfazer o laço obsessivo.

Entres tantas obras espíritas orientando neste sentido, podemos recordar literatura do século passado, onde se lê uma orientação geral para desanuviar as mentes culpadas: (1)

“Para desobstruir o caminho de nossa consciência culpada, devemos favorecer a libertação dos que suportam fardos mais pesados que os nossos, porque ajudando aos nossos semelhantes angariaremos o auxílio deles, fazendo-nos, ao mesmo tempo, credores do amparo daqueles Irmãos Maiores que nos estendem providos braços da Vida Superior”.

Em um caso de abortamento, quando a mãe desconhece as graves implicações desta conduta, a situação pode ser plenamente contornada por uma nova gravidez, quando, às vezes, o próprio Espírito não aceito no passado, pode apresentar-se mais uma vez para um novo tentame reencarnatório.

Este exemplo pode se estender a outras situações onde o transgressor da lei divina, por meio de uma simples atitude de autoperdoar-se, não logrará sucesso em acalmar-se internamente, e precisará agir de acordo com o delito perpetrado, reparando o mal realizado, e, certamente, a misericórdia de Deus sempre ajudará neste intento.

Rogério Miguez

Referência:

(1) XAVIER, Francisco C. Instruções psicofônicas. Espíritos Diversos. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1955. cap. XII. Ante a reencarnação.

Fonte: G. E. Casa do Caminho de São Vicente

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Jesus: Não ditos e não feitos

Joanna de ÂngelisJESUS é tudo o que eu preciso | Frases cristãs, Frases sobre deus, Frases  motivacionais

Estudiosos afeiçoados aos “ditos do Senhor” mergulharam, em todos os tempos, o pensamento nas fontes evangélicas em busca de consolo e diretrizes, encontrando na clara mensagem da Boa-nova o clima de paz e amor necessários a uma vida feliz.

Narrativas comoventes relatam os encontros do Rabi Amoroso com os corações constrangidos pela dor e com os espíritos atribulados, a todos ensejando, pelo verbo luminoso e sublime, os roteiros libertadores.

Páginas de beleza inefável têm sido elaboradas sobre os efeitos e as palavras do Enviado de Deus, favorecendo o pensamento humano com antevisões do porvir e sugerindo retrospectos das inolvidáveis emoções que viveram os que participaram das jornadas d’Ele…

Infelizes e enfermos de variada classificação, obsidiados e dementes de muitas alienações foram reconduzidos à serenidade e à paz através da mensagem de esperança que Ele nos dá, desde então, como pábulo que nos mantém alimentados, conduzindo-nos para frente e o amanhã.

* * *

Muito mais poderia ter dito e feito o Senhor. Não o disse, porém, nem o fez. E o que não disse, o que não fez, são tão grandiosos que atestam a excelente procedência d’Ele.

Recusado por uma aldeia do interior de ser ali agasalhado, nada disse, e instado pelos discípulos para que ateasse o fogo do céu sobre o lugarejo ímpio, não o fez. Retirou-se em silêncio, plácido e triste, seguindo adiante…

Impossibilitado de falar ao povo de Gadara, após a recuperação psíquica do gadareno, não disse uma sentença condenatória, não teve um gesto de revolta. Imperturbável, retornou ao mar e à Galileia…

Acusado por comensais dos interesses imediatos de açular as massas infelizes que O seguiam esperançadas, não disse um revide, não expôs uma defesa, não reagiu com irritação, não fez uso dos seus poderes…

Conclamado por aqueles que o desejavam triunfador na Terra não apresentou explicações, não debateu o assunto, retirou-se a sós…

Diante de Pilatos, quase nada disse, nada fazendo e, no entanto, poderia tudo dizer e tudo fazer.

Na cruz, resignou-se a não dizer senão o indispensável para o tributo de amor, submetendo-se, incomparável, à Vontade do Pai.

E mesmo depois de ressurgido não disse nem fez o que muitos esperavam.

Afirmou a imortalidade atestando-a, realentou os companheiros com o seu amor de compreensão e, ao ascender aos cimos, despachou-os para as tarefas do “dizer” e do “fazer” como Ele mesmo disse e fez.

* * *

Medita sobre os não ditos e não feitos do Senhor.

Se a dificuldade e a incompreensão de quem amas, quando a serviço d’Ele, te amesquinham, não te amofines.

Se a luta recrudesce e o combate acirra, não desesperes.

Se a enfermidade avança e te vence, não desanimes.

Se todos os males de fora e de dentro de ti mesmo ameaçam conduzir-te à desencarnação, não recalcitres.

Não te defendas, se injuriado.

Não te justifiques, se perseguido.

Não te exponhas, se angustiado.

Nada digas, nada faças, mesmo que tenhas o que dizer e disponhas de recursos para fazer.

Teus ditos e teus feitos já falaram por ti.

Se não se fizeram ouvir, porfia confiante, de fé robusta.

Mais vale ser vítima da impiedade quando se está com a consciência tranquila, do que perseguidor entre ovações, carregando uma consciência em brasa.

E se a vida solicitar ao teu Espírito o pesado tributo da tua doação total pela causa de amor que abraças, na Seara de Luz do Evangelho e do Espiritismo, não te negues, não recuses, nada digas, nada faças, entregando a vida e aspiração às mãos d’Ele, pois que, mesmo morrendo na liça, incompreendido e ralado, ascenderás tranquilo aos páramos do amor para voltares a fim de ajudar, mais tarde, os que te perseguiram e injuriaram vitoriosamente, ficando, porém, nas linhas sombrias e tristes da retaguarda, esperando pelo teu socorro.

Joanna de Ângelis
Médium: Divaldo P. Franco
Livro: Dimensões da Verdade – 2

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MELANCOLIA

Nilton Moreira

O poeta cantou assim: “tem dias que a gente se sente, como que partiu ou morreu…”. De fato às vezes nos desligamos do mundo como se não estivéssemos mais aqui. É uma tristeza tão profunda que nos invade que parece que nada mais tem sentido e até esquecemo-nos das pessoas que nos cercam e nos amam.

Um grande egoísmo se apossa de nós, pois demonstramos que o nosso sofrimento é maior do que qualquer o de outra pessoa. Isto se chama melancolia. Diz que é o espírito/alma que almeja sair do corpo, aspirando à felicidade e à liberdade, corpo este que lhe serve de prisão, mas reconhecendo inúteis esses esforços, cai no desânimo e, como o corpo lhe sofre a influência, toma-nos a lassidão, o abatimento, uma espécie de apatia, e nos julgamos infelizes.

Devemos resistir com tenacidade a essas impressões que nos enfraquecem a vontade, pois que esse sintoma passa no momento que o espírito que somos se conscientiza de que deve permanecer no corpo material, já que têm objetivos a cumprir na Terra.

Nunca podemos perder as forças e a vontade de viver. Devemos resistir a qualquer influência que nos coloque para baixo e tente nos derrubar. Temos conosco sempre a nos cuidar e torcer por nós um espírito guardião ou anjo da guarda como queiram chamar, que desde antes mesmo do nosso nascimento, quando no Plano Espiritual preparávamos a nossa vinda ao Planeta, nos acompanha, nos intui e vibra quando acertamos.

Mas os aconselhamentos desse Amigo invisível só são possíveis de serem ouvidos intimamente quando estivermos receptivos, isto é, com vontade de lutar pela vida, mesmo que nos reste pouco tempo em razão de moléstia grave. Mesmo nestes momentos nunca deixemos o desanimo nos tomar conta.

Se a saudade dos nossos queridos que já partiram for o motivo da tristeza, façamos uma prece pedindo a Jesus que os acolha em Seu ombro amigo e certamente essa partícula de energia de amor chegará até eles. Enquanto isso, sigamos nossa trajetória aqui na Terra até o dia que chegar a hora de todos nos reencontrarmos, pois fomos Criados pelo Pai para sermos eternos e resistir diante da melancolia.

Temos em nós a capacidade de enfrentar os problemas que nos atinge, basta pra isso que resistamos ao momento que a melancolia se acerque de nós. Recorramos a prece sempre nos momentos melancólicos.

Força a todos.

Nilton Moreira

Coluna Semanal – Estrada Iluminda
Fonte: Espirit Book

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O CHORO COMO VÁLVULA DE ESCAPE DA AFLIÇÃO

Por Jorge Hessen

O choro pode durar a noite inteira, mas de manhã vem a alegria. (1) Estudiosos afirmam que a função evolutiva do choro foi despertar empatia no semelhante e estimular o auxílio em momentos de necessidade. Na verdade, a histórica cooperação entre indivíduos foi e continua sendo essencial para a sobrevivência da espécie humana.

Sabe-se que o choro libera hormônios e neurotransmissores que aliviam a tristeza e a dor. Especialistas alegam que reprimir o choro significa abafar alguns sentimentos, tornando mais difícil lidar com eles. Em face disso, médicos e psicólogos recomendam chorar para liberar as emoções. O choro amiúde constitui o acesso nas essências mais profundas dos sentimentos. É quando não se domina a amargura e ela necessita ser vazada, exposta, nem que seja solitariamente.

As lágrimas são um mecanismo de defesa do organismo para liberar o stress e auxiliar no reequilíbrio das emoções. O choro alivia a angústia e pode nos levar a submersões mais intensas, quando oferecemos um sentido para as lágrimas, para aquela dor vivida no presente.

Todavia, são urgentes alguns alertas! O choro pode ser um episódio ligeiro de tristeza, mas também pode ser um transtorno psicológico depressivo. A tristeza é um estado emocional transitório e comum, uma reação psicológica circunstancial. Entretanto, a depressão, ao contrário da tristeza, não é algo efêmero. Uma pessoa deprimida padece de condição emocional crônica sob as chibatas da ansiedade mental prolongada.

Meditando a questão do choro, observamos que ele foi sublime em Jesus. Como registrou o evangelista afirmando que à frente de Lázaro “morto”, o Cristo chorou. O excelso Galileu “também chorou lamentando a incompreensão dos homens sentado em uma das grandes raízes de uma árvore no fundo do quintal da casa de Pedro”. (2) Jesus chorou no Getsêmani, quando sozinho, todavia, em Jerusalém, sob o peso da cruz, rogou às mulheres generosas a cessação das lágrimas. Na alvorada da Ressurreição, questionou Madalena a razão do seu choro junto ao sepulcro.

Conta o Espírito Hilário Silva no livro “A Vida Escreve” uma metáfora em que Eurípedes Barsanulfo teria indagado ao Mestre: “Senhor, por que choras?”. Jesus não respondeu. O nobre filho de Sacramento reiterou: “Choras pelos descrentes do mundo?” E após um instante de atenção, Jesus respondeu em voz dulcíssima: “Não, meu filho, não sofro pelos descrentes aos quais devemos amor. Choro por todos os que conhecem o Evangelho, mas não o praticam”. (3)

Sabendo que o choro pode significar abrigo de alívio, consintamos que ele advenha, para benefício daquele que chora. Apenas expressemos compaixão. Abriguemos os que choram, dizendo-lhe frases do tipo: “Conte comigo”, “estou ao seu lado”, “compreendo e respeito sua agonia”, “confie e espere’, ‘tudo passa”, sempre sussurrando-lhe Jesus aos ouvidos: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.” (4)

Jorge Hessen

Referências bibliográficas:

1, Salmo 30:5

2, FRANCO, Divaldo. Primícias Do Reino Ditado pelo Espírito Amélia Rodrigues, Salvador: Editora, LEAL 2015

3, XAVIER, Francisco, VIEIRA, Waldo. A Vida Escreve, pelo Espírito Hilário Silva, ed. FEB, 1998

4, Mateus 5:4

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CONTRASTES

Por Divaldo Pereira Franco

Não penseis que vim trazer paz à Terra. Não vim trazer paz, mas espada… Mateus, 10:34

Quando Jesus pronunciou essa frase singular, causou um certo espanto, porque toda a Sua doutrina é de amor e de misericórdia, fundamentada na compaixão e no exercício da caridade.

Todos aqueles profetas e missionários de Luz que vieram antes dEle estiveram apoiados nas propostas tiranizadoras da espada destrutiva. Ele veio como a esperança dos mais fracos, a coragem dos desfalecidos, a alegria dos desdenhados, a abnegação dos aparentemente vencidos. Ele mesmo na Cruz era o símbolo de quem fora dominado e submetido pelas espadas triunfantes dos poderosos de mentira e dos gozadores da ilusão. No entanto, ali estava como o triunfo da Verdade sobre a mentira, da liberdade sobre a escravidão, da honra sobre a vileza moral, da Imortalidade sobre a transitoriedade do mundo…

Isso, porém, somente foi reconhecido depois, assim como a Sua advertência especial sobre a espada.

À medida que os Seus nobres conceitos penetravam as vidas, todas experimentavam profundas mudanças e alteravam por completo o seu rumo. A espada, a Verdade, separava a ignorância da presunção, a dignidade da desfaçatez e do ludíbrio, o amor real pela volúpia da libido exacerbada.

Ela significava um ontem e um depois, mediante um comportamento que era o mesmo em qualquer circunstância.

Em relação aos Seus ensinamentos, não havia lugar para dubiedades, vacilações nem aparências. A aceitação deles era um divisor de águas, que somente o amor no seu mais elevado significado consegue viger.

É necessário dispor-se de muitos recursos morais e de decisões legítimas para abandonar-se toda uma trajetória de engodos para firmar-se numa realidade que não aceita conchavos para a sobrevivência, nem dissimulações para evitar prejuízos.

Com Ele ou sem Ele, não há possibilidade de postura morna, meio a meio, aguardando o vencedor da batalha, a fim de saltar-se para o lado do vitorioso mesmo que ignóbil.

Foi por essa razão que a Sua mensagem derrubou o Império Romano e impôs novos padrões de justiça, de responsabilidade, de honradez. Houve alteração total da ética de subserviência, de pusilanimidade para a conduta de desejar e fazer ao próximo o que gostaria que lhe fosse feito…

A sociedade, porém, não estava amadurecida suficientemente para manter a igualdade, a solidariedade e o respeito no mesmo padrão entre todos.

Os interesses vis e as paixões em desgoverno diluíram a espada no ardor das suas conquistas miseráveis, e os velhos hábitos e costumes corromperam a Sua mensagem e o mundo voltou ao passado.

Merece, porém, considerar que a espada está em ação…

De que lado te encontras nestes severos dias?

Divaldo Pereira Franco

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, 20 de agosto de 2020

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NÃO SOU O ÚNICO CAPAZ

Por Orson Peter Carrara

O que se vai ler abaixo é trecho de um pronunciamento de alguém que não se deixou levar pela vaidade ou por tolas pretensões oriundas do orgulho. O texto original e completo é bem longo e selecionamos aqui um único parágrafo para análise e reflexão do leitor. Referido pronunciamento foi feito em outubro de 1865. Vejam:

Deus me guarde de ter a presunção de me crer o único capaz, ou mais capaz do que um outro, ou o único encarregado de cumprir os desígnios da Providência; não, este pensamento está longe de mim. Neste grande movimento renovador tenho a minha parte de atuação; não falo senão daquilo que me concerne; mas o que posso afirmar sem vã fanfarrice, é que, no que me incumbe, nem a coragem, nem a perseverança, me faltarão. Nisso jamais falhei, mas hoje que vejo o caminho se aclarar de uma maravilhosa claridade, sinto minhas forças crescerem, não tenho mais dúvida e graças às novas luzes que praza a Deus me dar, estou certo, e digo a todos os meus irmãos, com toda a certeza que jamais tive: coragem e perseverança, porque um esplendoroso sucesso coroará vossos esforços”.

A seleção parcial está dentro de um contexto geral. Destacamos, todavia, esse parágrafo específico para apresentar uma posição bem coerente com a realidade de nossa fragilidade humana, que pede dispensar vaidades, orgulho e tolas pretensões, ao lado de intensa força pessoal construída sobre virtudes que todos podemos valorizar nesses tempos de imensa dificuldade social: coragem e perseverança.

O autor não se coloca em posição superior a ninguém, reconhece que todos tem sua parte de ação no programa geral de evolução do planeta.

Esse reconhecimento da parte de trabalho que cabe a cada um de nós no concerto geral de construção da harmonia social, onde se inclui naturalmente o próprio esforço pessoal nesse objetivo, é o primeiro passo que vacina contra vaidades ou pretensões desconectadas com nossa condição de filhos de Deus destinados à felicidade.

Todos podemos oferecer nosso trabalho, nosso esforço. Se soubermos agir com lucidez, se nos respeitarmos mutuamente, usando as ferramentas da coragem e da perseverança – como destaca o autor – um esplendoroso sucesso coroará vossos esforços, usando as palavras dele próprio.

E o que seria esse sucesso senão a vitória sobre nós mesmos, no domínio das paixões e imperfeições que ainda trazemos, no cumprimento do dever, do esforço pela conquista de virtudes, na luta pelo progresso. Exemplo claro trazido pelo Professor Denizard Rivail, que não se deixa vencer pela postura vaidosa ou orgulhosa, embora todo o trabalho que estava em suas mãos.

Orson Peter Carrara

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A INSTRANSFERIBILIDADE DA OBRA DA REDENÇÃO

Jane Maiolo

“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos” [1]

O Salmos 139, cujo autoria é atribuída ao Rei Davi, reconhecido como unificador e fundador da nação hebraica, descrito nos Velhos apontamentos bíblicos como possuidor de muitos dons artísticos, como o da música, da poesia e autor dos tradicionais Salmos Penitenciais.

Sua maior inspiração ocorreu no momento em que conduzia as ovelhas pelos pastos verdejantes, criando salmos e cânticos para louvar a Deus, porém, ao pastorear as ovelhas, refletia na grandeza de Deus e na sua insignificância como criatura, embora entendendo-se único. Esses momentos geravam um amadurecimento do conceito do relacionamento do homem com o Criador.

O nosso amadurecimento espiritual, ao longo de milênios tem se revelado precioso instrumento para sondarmos os caminhos que tendem a elevar-nos ou afastar-nos daquilo que é divino.

Ao contrário de muitas teorias que divulgam a redenção ou salvação do espírito imortal através da doutrina da graça, sabemos convictamente que toda evolução, redenção ou salvação se dará através do esforço do próprio espírito, através de lutas incessantes para domar as suas más inclinações e transformar seu teor vibratório em ondas sutilíssimas de amor e paz.

Indagou Allan Kardec sobre a progressão dos espíritos na questão de número 114, de O Livro dos Espíritos: “Os espíritos são bons ou maus por natureza, ou são eles mesmos que se melhoram?” Os Benfeitores responderam: “São os próprios espíritos que se melhoram e, melhorando-se passam de uma ordem inferior para outra mais elevada” [2].

A intransferibilidade da obra de nossa redenção requer um entendimento das nossas responsabilidades, assumir compromissos sérios e legítimos. Reconhecermos a profundidade de nossas mazelas e misérias, descobrindo caminhos para nos libertar das amarras da ignorância e do mal, visto que este não deixa de ser produto da ignorância.

Acreditar que podemos encarregar os Espíritos superiores dessa tarefa é atitude ingênua, infantil e ilusória.

O tempo de evoluir acontece agora.

Oportunidades são franqueadas.

Trabalhos são disponibilizados.

Ações podem levar a redenção.

Sem dúvida poderíamos sempre pelos nossos esforços vencer as nossas más inclinações, porém quão poucos entre nós fazemos esforços para adquirir a ciência do bem viver.

A transformação do nosso sentimento será possível se houver o combustível da boa vontade, do método e da persistência. Entendamos aqui “boa vontade” como o esforço contínuo de transformação comportamental e o uso da razão a serviço da nossa evolução espiritual.

Vivemos tempos dinâmicos onde a trajetória evolutiva do espírito imortal deve ser alterada do status do ter para o ser.

Houve um tempo em que lutávamos pela liberdade e dessas pelejas instituímos a democracia, sob os ares da Grécia. Momentos póstumos, ansiávamos o poder, o domínio, a posse, criamos, então, o direito nas composições sociais romanas.

Senhores, pois, da liberdade e do direito ambicionamos perenizar nosso existir, assim sendo, engendramos a medicina, as tecnologias e ainda se crê que falta pouco para sequestrarmos e assumirmos o lugar sacrossanto do Criador nas plagas terrenas.

Entretanto, afeiçoados ao ter, ainda acreditamos que podemos transferir a outrem nossa tarefa de iluminação interior. Esquecidos que o ser é o mais importante.

Não ouvimos os apelos dos imortais, dos sábios, dos filósofos. Escutamos tão somente a voz da consciência, ou da inconsciência, viciadas nas paixões e nas conquistas de curto prazo. Portanto, efêmeras!

A questão do livre-arbítrio nunca fizera tanto sentido, como nos dias atuais.

Somos sempre responsáveis pelas nossas ações. O trabalho que nos aguarda é necessário e urgente.

A Doutrina Espírita é o convite mais lúcido para o espírito que amadureceu moralmente e que deseja modelar seu roteiro divino. Atentemos para os campos verdejantes do trabalho no bem. Que nossa alma aflita encontre o refrigério do consolo e do entendimento ofertados pelos tutelados imortais e tal qual o pai de Salomão roguemos ao Pai Maior: “Vê se em minha conduta algo te ofende e dirige-me pelo caminho eterno.” [3]

Que o trabalho de edificação dos valores imortais, em nós mesmos, jamais ressoe pesado, em demasia, que as forças físicas e espirituais nunca sejam escassas.

Jane Maiolo
Fonte: Kardec Rio Preto

Referências bibliográficas:

1. II Timóteo 3.1
2- KARDEC, Allan Kardec. O Livro dos Espíritos, 3ª edição, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2007.
3-Salmos 139

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DITADURA INFANTIL

Joanna de Ângelis

A cultura hodierna exalta em demasia a juventude, oferecendo-lhe as mais belas contribuições para o prazer e o aplicar nas experiências imaturas dos compromissos para os quais ainda não se encontra psicologicamente preparada.

Muito cedo se faz a iniciação sexual, sem qualquer consciência de responsabilidade, como se fosse um jogo de sensações sem as inevitáveis consequências da concepção que abre as portas ao aborto delituoso, e, em razão da variação de parceiros aos contágios de enfermidades perversas e devastadoras.

O estímulo à frivolidade, por meio dos atrativos bem trabalhados para os jogos das paixões, e quando se anuncia o cansaço prematuro, surgem as soluções mentirosas das drogas alucinógenas que permitem a ilusão da alegria e da renovação das energias que logo se consomem.

A imaturidade dos jovens atirados à tirania do momento ligeiro que passa responde pela violência, pela exploração dos mais fracos, pela presunção ou pela perda da autoestima, por infelizes transtornos alimentares levando à anorexia e à bulimia, a fim de se submeter aos extravagantes ditames da moda em torno da beleza física, com a perda das possibilidades de um futuro feliz.

Cria-se nova linguagem, surgem comportamentos esdrúxulos estimulados pelos veículos de comunicação de massa e a vulgaridade toma conta dos arraiais da sociedade no culto exacerbado do erotismo, como se o ser humano fosse apenas o animal sexual atormentado pela libido.

A cada momento surgem os deuses da alucinação na música estranha e agressiva, sem qualquer conteúdo de harmonia, na qual a extravagância e a alucinação dão vida aos seus mitos, assim como nos esportes, nas artes, com predomínio do agressivo e do desrespeito aos valores de dignificação da Humanidade em bem-urdida campanha para o retorno ao primarismo, como se fosse possível abandonar-se todas as conquistas éticas logradas ao largo dos milênios de cultura, de civilização e de beleza…

Dá-se a impressão que o investimento da loucura tem primazia desde que se possa fruir até a exaustão, sem nenhum amanhã à vista…

Sucede, porém, que o tempo, na sua voragem inexorável, vai reduzindo em cinzas as construções de cada dia e atirando ao passado triste tudo quanto em um momento foi denominado de glória e disputa guerreira.

Onde se encontram os grandes conquistadores de um dia, sejam aqueles belicosos que conquistaram os países e os perderam, sejam aqueloutros que fascinaram a geração em que nasceram ou todos que vieram de maneira exaltada e agora se encontram nas furnas do olvido.

Astros luminosos das telas do cinema, da televisão, gênios do teatro e exemplares de incomum beleza não conseguiram manter-se na crista da onda e hoje são tristes sombras dos dias de mentirosa glória, sofrendo o abandono e a solidão, quando não devorados pelas enfermidades degenerativas ou pelo efeito dos farmaco-dependentes a que se entregaram, pelo abuso do álcool, do tabaco, dos excessos sexuais…

Quem os veja, envelhecidos, debilitados e frágeis, com a máscara da tristeza afivelada à face, não tem ideia dos seus antigos momentos de brilho e de ostentação…

Essa inevitável ocorrência sucede a todos quantos não desencarnaram no auge da fascinação que exerceram sobre as massas, tornando-se verdadeiros mitos na imaginação doentia dos seus fanáticos….

A juventude é a quadra própria para a preparação da existência, breve ou longa, em que o sentido da vida caracterizar-se á pela construção do futuro feliz, sem a perda da alegria inefável de viver com júbilo e harmonia.

Mantém-se jovem em qualquer idade todo aquele que cultiva os ideais de beleza e de serviço à sociedade, não somente os que possuem a maquinaria orgânica ainda nova, mas essencialmente quem é capaz de amar e de sorrir mesmo quando as ocorrências não se apresentam aureoladas de bênçãos, antes de reflexões e de dores que fazem parte da agenda evolutiva de todas as vidas.

Os anos juvenis são relativamente poucos, quando se trata de uma larga existência, mas tudo aquilo que foi armazenado nesse período irá permanecer para sempre como direcionador das aspirações e mantenedor dos sentimentos profundos do ser.

Jovem, desse modo, pode ser considerado todo aquele que seja capaz de olhar para trás não se envergonhando dos atos que ficaram na retaguarda constituindo-lhes algozes impenitentes geradores de culpa e de desar.

Corpos jovens existem que conduzem Espíritos profundamente comprometidos com as atitudes infelizes que resultaram da imaturidade psicológica, e que se pudessem retornar àqueles dias de descuido emocional tudo fariam por terem agido de maneira diferente.

Sendo, porém, impossível retornar para corrigir o que foi praticado equivocamente, dispõe-se do futuro que se encontra no presente ensejando um novo recomeço, uma nova atitude dignificadora cujos resultados se apresentarão no momento adequado.

Educado o jovem e informado da transitoriedade de todas as coisas terrenas e das admiráveis aquisições morais, facilmente adapta-se aos ditames da ordem e do progresso, tornando-se cidadão responsável que promove o progresso da sociedade e avança em direção à plenitude.

Desse modo, não são responsáveis os jovens pelas terríveis ondas de alucinação que varrem a Terra em todos os lados, mas aqueles que se lhes constituem modelos, na condição de educadores, de guias, mais interessados em fruir os resultados nefastos dos seus atos consumistas e mentirosos, do que promoverem as gerações novas que chegam necessitadas de diretrizes de equilíbrio e de orientação.

A cultura do corpo muito difundida estabelece os padrões de beleza esquecendo-se de informar que o indivíduo, em realidade, não é a forma, antes, pelo contrário, é a essência de que se constitui e que exterioriza, queira-o ou não através das vibrações que lhes são próprias.

Por essa razão, é demasiadamente comum encontrar-se os ídolos das massas cercados de tudo menos de bem-estar, esfaimados nos banquetes físicos pelo pão do amor real, da fraternidade legítima, da amizade, da paz interior.

Sucede que todas as conquistas externas não lograram proporcionar, conforme se esperava o desenvolvimento psíquico.

Há como efeito um terrível vazio existencial, mesmo nos jovens, quase em geral, que se atiram em busca de prazeres cada vez mais exorbitantes, pela perda da sensibilidade para as emoções simples e encantadoras da vida.

Viciados, desde cedo, facilmente entregam-se ao tédio ou às emoções fortes predatórias para se sentirem realizados.

Observe-se a conduta dos fanáticos desportistas, em suas reações contra a sociedade em geral e as pessoas em particular, quando os seus clubes não são vitoriosos, depredando, agredindo, matando em sanha selvagem inimaginável.

Juventude, no entanto, é quadra primaveril preparatória para a grandeza do verão da vida, e logo, o outono e o inverno existencial.

Para que seja revertida essa ordem de valores negativos torna-se necessário restaurarem-se os princípios psicopedagógicos da atualidade, facultando liberdades de escolhas com responsabilidades de conduta; colocando-se limites na educação doméstica, a fim de que a criança compreenda que não é um títere, mas um aprendiz da vida e que a existência não lhe transcorrerá conforme gostaria, mas consoante os padrões gerais estabelecidos por Deus.

Os transtornos e graves comportamentos de agora constituem um período de transição agressiva que cederá lugar ao de sofrimento expungitivo e de paz renovadora que virá.

Conduzir, portanto, as mentes novas aos compromissos dignificantes é dever de todos os indivíduos adultos que marcham adiante, devendo deixar-lhes a trilha evolutiva assinalada pelas bênçãos que lhes facilitem a ascensão, evitando-lhes as dores que estão programando para o futuro.

Joanna de Ângelis
Médium: Divaldo P. Franco
Livro: Liberta-te do Mal

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Colavida e a perseverança na divulgação

A perseverança de Fernández Colavida na divulgação do espiritismo na Espanha

Simoni Privato Goidanich

A escassez de material de estudo e de divulgação do espiritismo era uma limitação importante na Espanha.

Para amenizá-la, um dedicado espírita em Barcelona chamado José María Fernández Colavida decidiu importar uma grande quantidade de livros e jornais espíritas da França.

Para isso, contou com a colaboração de Maurice Lachâtre, escritor e editor francês, que, naquela ocasião, também residia em Barcelona. Lachâtre foi, pois, um intermediário na importação. Era Fernández Colavida o destinatário dessas obras, segundo os relatos de Amalia Domingo Soler, Miguel Vives y Vives, Bernardo Ramón Ferrer, bem como dos jornais espanhóis Luz y Unión e El Diluvio, analisados na pesquisa que realizamos e publicamos, em 2013, no livro Divulgación del Espiritismo: enseñanzas del ejemplo de José María Fernández Colavida.

A importação cumpriu com os requisitos legais. Contudo, por ordem do bispo de Barcelona, Antonio Palau y Térmens, as obras importadas foram queimadas, no dia 9 de outubro de 1861, por um sacerdote com o auxílio de funcionários da alfândega, na Cidadela de Barcelona – o mesmo lugar onde eram executados os criminosos. O episódio ficou conhecido como o Auto de Fé de Barcelona.

Muito mais que um fato histórico, o Auto de Fé de Barcelona é um símbolo dos ataques que o espiritismo, na pessoa dos trabalhadores espíritas, especialmente os que se dedicam à divulgação, podem sofrer.

Diante de uma prova de fogo, várias reações são possíveis.

Uma delas é o desânimo, que nem sempre necessita de uma fogueira para instalar-se.

Às vezes, basta um fogo de palha para consumir o entusiasmo no trabalho no bem.

Outra reação é a rebeldia, o contra-ataque, que desperdiça valiosos recursos que deveriam ser destinados ao trabalho edificante e envolve em trevas o trabalhador que teria como tarefa difundir a luz.

Também é possível o medo, que pode produzir a paralisação das tarefas, a fuga das responsabilidades e até a deserção com relação ao espiritismo.

No entanto, Fernández Colavida não teve essas reações. Ele não se desanimou com o Auto de Fé de Barcelona, mas se sentiu estimulado. Tornou-se o primeiro tradutor para o espanhol das obras de Allan Kardec. Passou a publicá-las na Espanha e a divulgá-las naquele país e em muitos outros, sobretudo da América. Também fundou um jornal espírita de alcance internacional. Ficou conhecido como o “Kardec espanhol” por ser o maior líder e divulgador do espiritismo em língua castelhana.

Com relação aos agressores, a resposta de Fernández Colavida foi o perdão e a reconciliação. Nove meses após o Auto de Fé de Barcelona, o bispo Antonio Palau faleceu e, pouco depois, se manifestou em Espírito, arrependido, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e no centro espírita dirigido por Fernández Colavida. Desde então, o Espírito de Antonio Palau passou a trabalhar com o “Kardec espanhol” na divulgação do espiritismo. Também anunciou que a Cidadela, onde haviam sido queimadas as obras espíritas, seria transformada em um jardim, o que ocorreu poucos anos depois.

Fernández Colavida sabia que os ataques não devem ser temidos. A agressividade mediante a qual se manifestam, em lugar de ser uma demonstração de força, é, na verdade, uma confissão de debilidade, de impotência, diante do espiritismo e de todos aqueles que lhe são fiéis. Jamais poderão aniquilar nem o espiritismo nem os espíritas.

De fato, o Auto de Fé de Barcelona, cuja finalidade era reprimir o espiritismo, teve uma repercussão tão intensa na população, nos meios de imprensa e até nas altas esferas do governo que serviu para divulgá-lo amplamente.

Em suma, o Auto de Fé de Barcelona e o exemplo do “Kardec espanhol” proporcionam ensinamentos muito úteis para enfrentar os desafios no trabalho espírita.

(Simoni Privato é diplomata e pesquisadora brasileira, residente em Montevidéu, no Uruguai.)

Fonte: Rede Amigo Espírita

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AS FLORES VOLTARÃO – Momento Espírita

Uma suave melancolia canta uma balada. E essa música sinfônica da nostalgia, da saudade, nos alegra.

Apesar da pandemia nos ter roubado a primavera, nossos corações estão florescendo, porque a nossa estação das flores está no mundo íntimo, independendo dos fatores do lado de fora.

Aprendemos com Jesus Cristo que a alegria real é aquela que diz respeito à plenitude do mundo espiritual.

Essa primavera nada, ninguém nos pode roubar.

A pandemia passa e as flores voltarão a perfumar os bosques, voltarão a cantar as aves, a murmurar os córregos. E a vida em abundância irá repetir a inolvidável canção da gratidão.

Divaldo Pereira Franco, médium e orador espírita, finalizou com estas belas palavras o seu Roteiro Europa de palestras, edição 2020.

Pela primeira vez, sem estar presente fisicamente nas atividades doutrinárias, essa alma de luz cumpriu sua missão no formato on-line.

Divaldo utilizou todas as oportunidades para usar seu verbo seguro para acalmar os corações do mundo, tão ansiosos nos dias atuais.

O orador fez menção a um trecho da obra “Il capitano e il mozzo”, do escritor italiano Alessandro Frezza, que descreve o diálogo entre um jovem e o capitão de um navio.

Toda tripulação está retida no navio, devido à quarentena, e o jovem reclama da situação pela qual estão passando, em tom de desânimo.

Diz que a pandemia estava fazendo com que ele perdesse muitas coisas.

O capitão, com toda sua experiência de outras quarentenas, lembrando de uma outra ocasião em que fora obrigado a permanecer na embarcação, o esclarece:

Sim, naquele ano me privaram da primavera, e de muitas coisas mais, porém eu, mesmo assim, floresci. Levei a primavera dentro de mim, e ninguém, nunca mais, pôde tirá-la.

Estamos sendo privados de primaveras lá fora. Muitos ficamos privados da liberdade de ir e vir. Muitos não pudemos nos despedir de nossos amores, que partiram de forma repentina.

São, realmente, duras provações.

No entanto, tais experiências, quando enfrentadas com consciência, nos fortalecem muito. Fazem o trabalho de anos e anos de dias comuns.

Que possamos entender que este é o mundo que habitamos, mundo das provas, das batalhas diárias, dos sacrifícios constantes.

Ninguém nos prometeu o paraíso na Terra. Ninguém nos disse que seria fácil, porém, nos garantiram sim, que teríamos condições de superar, de vencer.

A primavera interior é uma analogia perfeita. A vida nos ensinou que as estações devem ser cultivadas na alma e não do lado de fora.

Voltamos os pensamentos para nós mesmos. Fomos convidados a refletir sobre questões graves, muito mais importantes do que as distrações que consumiam todas as nossas energias.

Não nos assustemos diante do flagelo que nos alcança. Não estamos desamparados. Nunca estivemos.

E, quando tudo tiver passado, olharemos para trás e nos haveremos de surpreender com tudo o que enfrentamos, com tudo que superamos.

Confiemos, as flores voltarão.

Redação do Momento Espírita, com base em trecho de conferência proferida por Divaldo Franco, no encerramento do Roteiro Europa 2020, em 7.6.2020 e citação de frase da crônica O Moço e o Capitão, de Alessandro Frezza.
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