A DELICADA E FEMININA QUESTÃO DO ABORTO

Marcelo Teixeira

Dado o caso que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida da mãe, haverá crime em sacrificar-se a primeira para salvar a segunda?

Resposta: Preferível é se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe.

“O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, questão 359.

Já pensei várias vezes em escrever sobre aborto, assunto que requer vários ângulos de compreensão e compaixão. Sempre esbarrei, no entanto, nas seguintes considerações: eu tenho útero, vulva, clitóris, trompas e ovário? Eu ovulo, menstruo, corro o risco de ser assediado sexualmente, ser estuprado e passar por uma gravidez de baixo ou alto risco? A resposta será sempre não por uma simples razão: sou do sexo masculino. Por essa razão, não tenho como avaliar as dores e delícias de ser mulher e mãe. Eu não sinto isso na pele.

Dou início dizendo o óbvio porque me assusta a quantidade de homens – incluindo alguns espíritas – que vão para os púlpitos, tribunas e similares criticar com veemência a mulher que faz aborto; legislar de forma a criminalizá-las; condená-las ao inferno, umbral, reencarnações dolorosas e similares. Dizia o filósofo e escritor suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) que “O homem é produto do meio”. Sendo assim, por estarmos num país machista, muitos homens espíritas não deixam de sê-lo, apesar de serem espíritas.

Se o espiritismo é ciência, filosofia e religião, por que muitos de seus profitentes se agarram ao aspecto religioso, levam-no para os confins do medievalismo e transformam a doutrina codificada por Kardec em algo rígido que condena mulheres que praticaram aborto a duras penas? Onde o “Amai-vos uns aos outros”? Onde o “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”? Onde a solidariedade que acolhe e a compaixão que cura as feridas morais? Onde a empatia para nos colocarmos no lugar dessas mulheres? Onde, enfim, a ciência que analisa e a filosofia que nos ensina a relativizar e contextualizar os fatos, a fim de percebermos que cada caso é um caso e que não podem ser analisados sob a mesma ótica? Sim; cada aborto é um aborto. Cada um deles contém meandros que envolvem a vida íntima da mulher, o ambiente em que ela foi criada, os sentimentos (raiva, medo, angústia, desespero etc.) pelos quais ela está passando, sua situação socioeconômica, entre outros tantos e tantos fatores.

Resolvi escrever a respeito de tão delicado e ao mesmo tempo espinhoso tema depois do ocorrido com a menina capixaba de 10 anos. Desde os 6 anos, ela era sistematicamente estuprada por um tio. O Brasil inteiro começou a opinar, incluindo vários representantes do movimento espírita que, por serem espíritas, acreditam ter opinião formada e definitiva a respeito de tudo. Não temos, convém frisar. O fato de sermos espíritas não nos dá pleno conhecimento e autoridade para emitirmos opiniões definitivas sobre todo e qualquer tema. Bem melhor analisarmos cada situação separadamente, à luz da razão, como preconiza Allan Kardec.

Recebi pela rede social Messenger uma postagem de Marcos (nome fictício), presidente de centro espírita. Ela dizia respeito a uma visita que um grupo de católicos fez ao hospital onde foi realizado o aborto legal, enfatizo. Os católicos queriam que a gestação fosse levada a termo, pois já tinham uma família disposta a adotar o bebê. Mas, como se sabe, a gravidez – de risco, diga-se – foi interrompida, conforme preconiza a lei brasileira, que autoriza a cessação da gravidez em casos de estupro.

Perguntei a Marcos se ele também achava que o aborto deveria ser impedido. A resposta é um fiel retrato de como pensa a fatia conservadora e machista do movimento espírita: “Por acreditar que Deus permitiu a gravidez e que Deus não erra, sou contra qualquer aborto. Além disso, precisamos considerar as consequências para todos os espíritos envolvidos neste caso”.

Atônito, perguntei se ele achava que Deus também permitiu que a menina fosse estuprada pelo tio. Aproveitei o ensejo e lembrei-lhe que, há alguns anos, ocorreu um caso semelhante em Alagoas, se não me engano. Uma menina de 11 anos fora estuprada, engravidara de gêmeos e fora submetida ao aborto terapêutico. Ante a gritaria de vários religiosos, à época, Gérson Simões Monteiro, palestrante e escritor espírita do RJ, defendeu o aborto nesse caso específico. Afinal, tratava-se de uma criança vítima de estupro submetida a uma gravidez com alto potencial para tirar-lhe a vida. Gérson reiterou, ainda, que, se fosse o caso de os gêmeos estarem programados para serem filhos dela, a Providência Divina daria o ensejo de, mais adiante, ela ser mãe de ambos, já adulta e senhora de si. Como Marcos retrucou e começamos a ir para o desagradável terreno da troca de farpas, encerramos o assunto.

Muito me choca a postura conservadora e embotada desse tipo de espírita. Assim como o caso defendido pelo Gérson, a menina do ES não tinha estrutura física para levar uma gravidez até o fim. O risco de que ela perecesse era alto. Num caso grave como esse, é melhor o espírita posicionar-se a favor da proteção da menina e para que o tio estuprador responda pelo crime que cometeu. Isso não significa gritar palavras encolerizadas para que a lei seja severa. O caso precisa ser apurado; o culpado (ou culpados) tem de responder pelo que fizeram. No entanto, não percamos de vista a piedade para com os criminosos.

Depois desse entrevero entre mim e Marcos, resolvi dar uma olhada no perfil de alguns espíritas que, em geral, se posicionam contra o aborto. Vi homens e mulheres preocupados somente com o feto, gente sugerindo o que a menina e familiares deveriam fazer após o nascimento da criança. Isso sem falar nos vídeos em que expositores (homens, em sua maioria) falam que tudo estava programado, que a menina tinha de passar pela prova da gravidez em tenra idade, que decerto algo de errado ela fez no passado, que o referido aborto havia sido um crime… Deparei-me também com uma nota seca e cruel da Associação Médico Espírita (AME), que deixa um rastro de punição e passa longe do carinho que deveria receber uma criança de 10 anos vítima de uma violência abjeta. Tão fácil deliberar sobre a vida alheia e fazer generalizações rasteiras tendo a doutrina espírita como pretexto! Por favor, companheiros de ideal espírita, tenhamos delicadeza ante a dor alheia!

Confesso que teria me sentido confortado se tivesse visto mais espíritas saindo em defesa de uma criança que deve ter vivido dias infernais nos últimos quatro anos. Um inferno que deve ter sido um misto de ansiedade, revolta, medo, depressão, sensação de abandono, carência, desespero…

Eu sou contra o aborto, é bom salientar! Sei das implicações espirituais que ele acarreta. Mas também sei que Deus é misericordiosamente justo e bom e que não analisará todos os abortos sob a mesma ótica. Cada caso é um caso e depende de diversas circunstâncias (culturais, familiares, sociais, econômicas, psicológicas etc.). Isso tem a ver com não julgar, acolher, ajudar e por aí vai. A lei é de amor, não nos esqueçamos! Ainda mais quando se trata de uma garotinha seviciada por quatro anos!

O jornalista e ambientalista André Trigueiro (que é espírita), em transmissão ao vivo realizada pela rede social Instagram na manhã de 18 de agosto de 2020, observou que a menina, segundo informado pela avó, vinha tendo crises de histeria por não querer o filho que o tio lhe impôs. E que, no hospital de Recife (PE), onde foi realizado o aborto autorizado pela justiça, é feito, toda semana, pelo menos um procedimento semelhante em menores de idade vítimas de estupro, conforme declaração do diretor da instituição. Ou seja, a questão é bem mais grave do que se pensa neste Brasil carente de educação, saúde, qualidade de vida, justiça, cidadania, amparo social… Carências que resultam em problemas de variada monta. Entre eles, crianças sendo violentadas.

Analisando os fundamentalistas de direita que se dizem cristãos e que foram para a porta do hospital ofender a menina e a equipe médica, André salientou ser muito o grave o fato de confundirmos o público com o privado. André é contra o aborto, assim como eu e todos os espíritas, creio. Mas isso é uma questão nossa. Uma questão privada, de foro íntimo.

O Estado, todavia, é laico, ou seja, não tem religião. Por isso, é muito absurdo querer que todas as pessoas enxerguem a interrupção proposital da gravidez da mesma forma que a minha religião enxerga. Por isso, em vez de julgar com impiedade e frieza uma criança de 10 anos, o melhor que temos a fazer é respeitar a cidadania e o direito legal que uma menina ou mulher possui de passar pelo procedimento do aborto caso tenha sido violentada. Não é caridoso, nessas horas, querer enfiar conceitos espíritas pela goela alheia.

Volto à questão dos homens que levantam a voz contra o aborto. O Congresso Nacional é composto, em sua maioria, por deputados e senadores do sexo masculino. Muitos deles, profitentes de religiões conservadoras. E machistas também. Homens que, assim como eu, não possuem trompa, útero e afins. Tampouco correm o risco de estupro ou de passar por uma gravidez de risco. Em vez de condenarem a mulher que aborta, por que não elaboram leis que punam o homem que aborta? Será que o machismo corporativo não permite? Afinal, quando uma mulher recorre ao aborto, o homem que a engravidou já abortou a criança antes, seja abandonando a parceira, mandando-a se virar, fugindo para não pagar pensão ou para não ser preso etc.

Não seria melhor todos os homens, sem exceção, se meterem o menos possível no assunto e deixarem as mulheres decidirem o que melhor lhes convém? Falo sobre deputadas e senadoras reunidas com mulheres representantes de vários segmentos sociais e profissionais para legislarem em causa própria. Fica a sugestão.

Marcelo Teixeira
Fonte: Associação Brasileira de Pedagogia Espirita (ABPE)

G. E. Casa do Caminho de São Vicente

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PELAS TRILHAS DE JESUS

Joanna de Ângelis

A medida que se avolumam o desespero e os desvios de conduta entre as criaturas terrestres, aumentando os índices dos crimes hediondos e a terrível avalanche dos caminhantes sem roteiro, a maioria delas vencida pelos desconsertos da emoção e pela perda do sentimento nobre da alegria de viver, as notáveis conquistas da inteligência deste século de tecnologia e de ciência perdem o brilho, por não haverem conseguido tornar o ser humano mais feliz do que os seus antepassados…

As gloriosas aquisições que lhe facultaram uma existência mais longa, assinalada por muitas comodidades e recursos para a fácil locomoção, para as comunicações, para o desaparecimento e a diminuição de várias enfermidades físicas, infelizmente não lhe alteraram as angústias, as dores morais, nem lhes preencheram as necessidades de acompanhamento, de afeto, de autorrealização.

Um grande número de seres humanos movimenta-se como sonâmbulo inconsequente, transitando de um para outro lado, sem se dar conta do que lhe sucede em volta, enquanto outros, desarvorados, atiram-se na correria intérmina pela busca de coisa nenhuma, acumulando haveres sem maior significado pela impossibilidade de armazenar paz interior e enriquecimento espiritual.

O vazio existencial domina as diversas classes sociais, mesmo aquelas ditas privilegiadas pelo poder temporal, pelos haveres amoedados, pelas posições de destaque social e político, empurrando-as para a drogadição, o sexo exaustivo, o alcoolismo, o tabagismo, a agressividade, em que se desgastam e sucumbem.

A perda de objetivos relevantes caracteriza-lhes a fuga para a futilidade e o prazer que não satisfazem as ânsias do coração nem as aspirações profundas do pensamento.

Quanto mais aumenta a população terrestre mais se amplia a área da solidão, impondo grande silêncio aos relacionamentos, em decorrência da desconfiança que assalta, zombeteira as criaturas, armando-as, quase sempre, umas contra as outras, quando se deveriam amar umas às outras.

Os condomínios de luxo multiplicam-se numericamente assinalados pelos mecanismos de proteção aos seus residentes que constroem ilhas de prazer distanciando-se cada vez mais da sociedade em geral, impossibilitados de viverem em paz e em saudável alegria, porque, mesmo nesses seletos paraísos, a maquilagem da ilusão não consegue ocultar a realidade pessoal, mascarando as suas faces sem modificar os seus sentimentos…

Predador, o ser humano parece retornar à caverna em mecanismo defensivo-agressivo, ansiando por afeição e entendimento fraterno…

Dois mil anos de mensagem cristã, incontáveis denominações religiosas, exibições doutrinárias utilizando os mais avançados mecanismos da cibernética e da informática, e pouquíssima religiosidade no comportamento e na ação dos novos crentes! Técnicos em administração de empresas orientam núcleos de fé religiosa, preocupados em acumular poder e finanças, falhando, porém, nos objetivos essenciais, porque, embora esses lugares se apresentem repletos de assistentes, os mesmos sorriem combatendo-se mutuamente através das rixas de fluentes da insegurança psicológica, da inveja, da insensatez, do quase total desconhecimento ou crença na imortalidade do Espírito, que prosseguirá após a disjunção molecular com o patrimônio do que fez durante a vilegiatura carnal, conduzindo os valores reais que lhe caracterizam o processo evolutivo e não com a aparência habilmente cuidada.

E tão fácil, no entanto, seguir pela trilha percorrida por Jesus! Ele não se preocupou em ter, em amealhar, mas em ser, em distribuir.

Jamais se prendeu às questões transitórias, sempre preocupado com aquelas de natureza imorredoura.

Nunca se dispôs a prejudicar quem quer que fosse desculpando até mesmo os que se compraziam em Lhe ser adversários perversos e impertinentes.

Aberto ao amor, nunca se impôs, deixando livres todos quantos se Lhe acercassem, embora os sentimentos nem sempre edificantes que os assinalavam.

Jamais se dedicou à censura, à maledicência, à perda de tempo nos jogos de interesses materiais.

Desobrigou-se de todos os deveres que Lhe diziam respeito com naturalidade, sem ostentação, afável e simples como o lírio do campo, sempre vigilante em relação ao verbo servir sem esperar resposta dos que se beneficiavam da Sua bondade.

Filho excelente de Deus, jamais se jactou dessa condição superior, misturando-se aos mais infelizes, aos perseguidos e indesejados, tendo paciência incomum com as suas misérias e mesquinhezes, sem deixar de atender aos outros infelizes mergulhados no poder temporal, nos negócios de César, nas disputas de toda natureza…

Absolutamente consciente da Sua missão entre as criaturas humanas, dignificou-as com a Sua ternura, orientando-as e vivendo de tal forma que ninguém pudesse duvidar da autenticidade dos Seus ensinamentos.

Despojado de tudo, era possuidor dos tesouros da paz e da alegria, submetendo-se às injunções mais penosas sem qualquer queixa nem reclamação, sempre exaltando o Pai de Quem procedia…

A trilha percorrida por Jesus encontra-se vazia, empoeirada, com espinhos e pedrouços à mostra, queimada pelo Sol ardente…

Vez que outra se pode ver alguém se movimentando pelo terreno áspero, tentando repetir-Lhe a passagem, quase sempre, porém, sob o sarcasmo de outros companheiros que estão na margem e lhe atiram pedras, vencidos pelas trevas interiores e pelos desencarnados adversários do Bem, tentando desviá-los, para que se percam no desespero ou no desencanto…

Vinculado, no entanto, a Jesus, esse alguém segue dominado pela consciência do dever, sem a preocupação das láureas nem dos aplausos da mentira que tanto agradam a vacuidade e a ilusão.

Não dispondo de tempo para as discussões inúteis, para os debates da vaidade exacerbada, para as defesas pessoais, seguem incompreendidos, para serem laureados depois da desencarnação com os encômios insignificantes das glorificações terrestres, porque, então, as homenagens que lhes dedicam permitem que a sua luz projete aqueles que os engrandecem inutilmente…

Não são poucos aqueles que exaltam outros que crucificaram! A memória deles lhes permite exibir-se e se tornar herdeiros da sua mensagem, continuadores do seu trabalho, mais em teoria do que na realidade.

Desejassem honestamente dar-lhes continuidade ao estafante labor, fariam um grande silêncio exterior, a fim de que as suas obras exaltassem-lhes o Bem disseminado em todas as suas formas de expressão.

Sucede que, enquanto entoam hinos de gratidão àqueles que optaram pela renúncia e pelo trabalho de abnegação, tornam-se conhecidos, comentados, disputados, saciados na sede de projeção humana.

….E Jesus continua esperando no fim da trilha percorrida por aqueles que tiverem a coragem de completá-la.

Desse modo, não te olvides nunca de Jesus, dAquele que se fez guia e modelo para toda a Humanidade, a quem amas e a quem desejas servir.

Deixa-te impregnar por Suas lições de amor e te entrega docilmente a Ele, tentando segui-lo pela trilha que te deixou, talvez incompreendido, mas isso não é significativo, porque nem Ele foi respeitado ou estimado, antes arrojaram-no desdenhosamente em uma cruz de ultrajes que transformou em sublime ponte de vinculação com Deus.

Aproveita hoje para O seguir, sem passado nem futuro, com o coração e a mente tomados pelo Seu amor.

Joanna de Ângelis

Médium: Divaldo P. Franco

Livro: Liberta-te do Mal

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Como surgiu a imagem que virou símbolo do coronavírus - Jornal O GloboVIROSES

Divaldo Pereira Franco

Periodicamente são utilizadas palavras que se tornam famosas pelo sentido de que se revestem.

Na área da saúde, de quando em quando, questões de alta importância são repudiadas por inúteis e outras consideradas nulas passam a merecer maior consideração. Assim também ocorre com determinadas enfermidades que se tornam pandêmicas e perdem o significado após o excesso em que se manifestam.

É o caso das viroses hoje em alta moda. É certo que a tecnologia médica e os avanços da ciência contribuem para a desmistificação de muitas tradições e a descoberta de muitos males antes ignorados. No entanto, é surpreendente como as viroses estão no top.

Qualquer mal-estar ou ocorrência afligente na área da saúde, logo os leigos diagnosticam seguros: Trata-se de virose.

Estranhável é que, não poucas vezes, após o paciente submeter-se a exames exaustivos e não se lhe encontrando a causa, o médico, com as exceções compreensíveis, para não deixar de apresentar um diagnóstico, utiliza-se do mesmo chavão: É virose!

Na visão espírita, todos os males que afligem a Humanidade têm a sua gênese no ser, no Espírito, propiciando ou utilizando-se dos fatores ambientais para a instalação das enfermidades. Logo, a terapêutica deveria ser realizada na origem, na transformação moral do enfermo para melhor, e naturalmente com a valiosa contribuição médica, porque a Divindade, proporcionando o progresso à Humanidade, tem facultado à ciência médica conquista s imensuráveis.

É o caso das viroses, reais ou imaginárias.

Não seria de bom alvitre pensar-se que os vírus, organismos primitivos e simples, poderiam estar sendo alimentados pelas mentes em desalinho muito comum na atualidade e procurar-se, simultaneamente ao contributo médico, a psicoterapia moral, através da mudança do comportamento para melhor?

Diante, portanto, da quase epidemia de viroses que hoje nos assaltam, propomos também a terapia do Evangelho: amar mais a si mesmo e ao próximo, a fim de melhor amar a Deus.

Divaldo Pereira Franco

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião em 02-07-2015.

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A DOUTRINA É DOS ESPÍRITOS

Orson Peter Carrara

Foram eles que provocaram os fenômenos, que buscaram os médiuns, que responderam às instigantes questões propostas pelo Codificador. Também, em diferentes casos, submeteram-se às pesquisas de nobres cientistas que investigaram os ditos e variados fenômenos, que inspiraram textos e ditaram páginas e livros que orientam, elucidam, ensinam.

A Doutrina Espírita é, pois, dos Espíritos. A iniciativa foi deles, embora com a participação de médiuns – desde o seu advento até os dias de hoje – e do notável e incomparável trabalho daquele que organizou sistematicamente os ensinos para publicar as obras básicas, que se desdobraram nas complementares; na Revista Espírita, fez surgir os adeptos, que se organizaram em grupos variados, e que trabalham pelo ideal daí surgido, inspirando outros autores – encarnados e desencarnados –, ao longo do tempo, que haurem nessa fonte inesgotável os conhecimentos que dela jorra sem cessar, a partir de O Livro dos Espíritos.

A reflexão surge em virtude de uma velha questão, bem própria de nossa condição humana, ameaçadora da plena vivência espírita: a questão dos extremos entre o carinho que se possa ter por destacados expoentes doutrinários do Espiritismo e os perigos ou ilusões do endeusamento de pessoas, médiuns, dirigentes, escritores ou palestrantes.

A qualificação de expoentes doutrinários destina-se a nominar autênticos trabalhadores da causa que se destacaram em suas cidades, estados ou países, ou mesmo na intimidade de instituições – não importando o tamanho –, com suas posturas de humildade e serviço, desprovidos de intenções contraditórias e de cuja coerência desdobram-se inúmeras bênçãos em favor de muitos.

É o caso de nomes respeitáveis, que não se valem do Espiritismo para nada, exceto para promover sua plena vivência e divulgação. São muitos os exemplos, apesar de serem humanos e limitados em muitos aspectos, como ocorre com nossa condição de cidadãos comuns.

Tais comportamentos e legado de exemplos gera carinho e gratidão, que não deve nunca se confundir com endeusamento. Esse, o endeusamento, é postura equivocada, por variadas razões, bem óbvias, por sinal, e por isso, desnecessário enumerá-las.

A vigilância deve ser nossa. O respeito e o carinho nos permitem observar e aprender com quem nos dá exemplos de perseverança, trabalho, de prudência e dedicação, onde se somam as virtudes também da humildade e da exata noção do servir.

Esses exemplos de conduta e trabalho se tornam referências em quem podemos confiar. Traduzem estímulos de trabalho e coerência. Isso não significa endeusamento (e temos que lutar contra os excessos de quaisquer gêneros), mas sim as exceções que inspiram confiança e, se estabelecermos o critério de que não devemos endeusar nem seguir pessoas, referido critério generaliza-se como regra a pretexto de estarmos endeusando. E aí casas e pessoas ficam condução segura. Não se trata, pois, de endeusamento, mas gratidão e carinho, cujos limites devemos discernir, sem generalizar com leviandade.

Caso contrário, viveremos ou alimentaremos o Espiritismo sem os Espíritos.

As instituições espíritas necessitam e devem cultivar com todo empenho a fraternidade espontânea em seus ambientes. Senão teremos casas deprimidas, sem vida, onde o contato pessoal é a pedra de toque para vivermos o Espiritismo em sua grandeza e essência, na vivência plena da fraternidade, do carinho e da gratidão.

Daí a importância das lideranças autênticas, daquelas em quem podemos confiar e sempre resultante do trabalho e do empenho no bem. Daquelas que não geram fanatismo, nem tampouco estimulam endeusamentos, mas que respeitam a própria equipe com o exemplo pessoal de dedicação ao ideal que esposam.

Nós, por nossa vez, devemos cuidar para buscar sempre o equilíbrio nesse campo sutil entre o carinho e a gratidão, ou o reconhecimento pelo trabalho – integrando-se inclusive ao trabalho – sem buscar autopromoção ou elegendo o fanatismo como regra de conduta. Esse é sempre prejudicial, bem ao oposto da gratidão, que reconhece o trabalho como caminho de equilíbrio.

Sendo a Doutrina dos Espíritos, sigamos sim os bons Espíritos, ou em outras palavras, os bons exemplos, que todos saberemos identificar, estejam eles encarnados ou desencarnados.

Orson Peter Carrara

Fonte: Espiritismo na Rede

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O ABORTO NA VISÃO ESPÍRITA

A Doutrina Espírita trata clara e objetivamente a respeito do abortamento, na questão 358 de sua obra básica O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec:

Pergunta – Constitui crime a provocação do aborto, em qualquer período da gestação?

Resposta – “Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando”.

Sobre os direitos do ser humano, foi categórica a resposta dos Espíritos Superiores a Allan Kardec na questão 880 de O Livro dos Espíritos:

Pergunta – Qual o primeiro de todos os direitos naturais do homem?

Resposta – “O de viver. Por isso é que ninguém tem o de atentar contra a vida de seu semelhante, nem de fazer o que quer que possa comprometer-lhe a existência corporal”.

Início da Vida Humana

Para a Doutrina Espírita, está claramente definida a ocasião em que o ser espiritual se insere na estrutura celular, iniciando a vida biológica com todas as suas conseqüências. Na questão 344 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec indaga aos Espíritos Superiores:

Pergunta – Em que momento a alma se uns ao corpo?

Resposta – “A união começa na concepção, mas só é completa por ocasião do nascimento. Desde o instante da concepção o Espírito designado para habitar certo corpo a este se liga por um laço fluídico, que cada vez mais se vai apertando até ao instante em que a criança vê a luz. O grito, que o recém-nascido solta, anuncia que ela se conta no número dos vivos e dos servos de Deus.”

As ciências contemporâneas, por meio de diversas contribuições, vêm confirmando a visão espírita acerca do momento em que a vida humana se inicia. A Doutrina Espírita firma essa certeza definitiva, estabelecendo uma ponte entre o mundo físico e o mundo espiritual, quando oferece registros de que o ser é preexistente à morte biológica.

A tese da reencarnação, que o Espiritismo apresenta como eixo fundamental para se compreender a vida e o homem em tua sua amplitude, hoje é objeto de estudo de outras disciplinas do conhecimento humano que, através de evidências científicas, confirmam a síntese filosófica do Espiritismo: “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a Lei.”

Assim, não se pode conceber o estudo do abortamento sem considerar o princípio da reencarnação, que a Parapsicologia também aborda ao analisar a memória extra cerebral, ou seja, a capacidade que algumas pessoas têm de lembrar, espontaneamente, de fatos com elas ocorridos, antes de seu nascimento. Dentro da lei dos renascimentos se estrutura, ainda, a terapia regressiva a vivências passadas, que a Psicologia e a Psiquiatria utilizam no tratamento de traumas psicológicos originários de outras existências, inclusive em pacientes que estiveram envolvidos na prática do aborto.

Aborto Terapêutico

O procedimento abortivo é moral somente numa circunstância, segundo O Livro dos Espíritos, na questão 359, respondida pelos Espíritos Superiores:

Pergunta – Dado o caso que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida da mão dela, haverá crime em sacrificar-se a primeira para salvar a segunda?

Resposta – “Preferível é se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe.’ (Os Espíritos referem-se, aqui, ao ser encarnado, após o nascimento.)

Com o avanço da Medicina, torna-se cada vez mais escassa a indicação desse tipo de abortamento. Essa indicação de aborto, todavia, com as angústias que provoca, mostra-se como situação de prova e resgate para pais e filhos, que experimentam a dor educativa em situação limite, propiciando, desse modo, a reparação e o aprendizado necessários.

Aborto por Estupro

Justo é se perguntar, se foi a criança que cometeu o crime. Por que imputar-lhe responsabilidade por um delito no qual ela não tomou parte?

Portanto, mesmo quando uma gestação decorre de uma violência, como o estupro, a posição espírita é absolutamente contrária à proposta do aborto, ainda que haja respaldo na legislação humana.

No caso de estupro, quando a mulher não se sinta com estrutura psicológica para criar o filho, cabe à sociedade e aos órgãos governamentais facilitar e estimular a adoção da criança nascida, ao invés de promover a sua morte legal. O direito à vida está, naturalmente, acima do ilusório conforto psicológico da mulher.

Aborto “Eugênico” ou “Piedoso”

A questão 372 de O Livro dos Espíritos é elucidativa:

Pergunta – Que objetivo visa a providência criando seres desgraçados, como os cretinos e os idiotas? [entenda-se aqui a definição de “cretinos” e “idiotas” como deficientes físicos, limitação cerebral, nada tendo a ver com intelecto ou comportamento moral]

Resposta – “Os que habitam corpos de idiotas são Espíritos sujeitos a uma punição. Sofrem por efeito do constrangimento que experimentam e da impossibilidade em que estão de se manifestarem mediante órgãos não desenvolvidos ou desmantelados.”

Fica evidente, desse modo, que, mesmo na possibilidade de o feto ser portador de lesões graves e irreversíveis, físicas ou mentais, o corpo é o instrumento de que o Espírito necessita para sua evolução, pois que somente na experiência reencarnatória terá condições de reorganizar a sua estrutura desequilibrada por ações que praticou em desacordo com a Lei Divina. Dá-se, também, que ele renasça em um lar cujos pais, na grande maioria das vezes, estão comprometidos com o problema e precisam igualmente passar por essa experiência reeducativa.

Aborto Econômico

Esse aspecto é abordado em O Livro dos Espíritos, na questão 687:

Pergunta – Indo sempre a população na progressão crescente que vemos, chegará tempo em que seja excessiva na Terra?

Resposta – “Não, Deus a isso provê e mantém sempre o equilíbrio. Ele coisa alguma inútil faz. O homem, que apenas vê um canto do quadro da Natureza, não pode julgar da harmonia do conjunto.”

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXV, a afirmativa de Allan Kardec é esclarecedora: “A Terra produzirá o suficiente para alimentar a todos os seus habitantes, quando os homens souberem administrar, segundo as leis de justiça, de caridade e de amor ao próximo, os bens que ela dá. Quando a fraternidade reinar entre os povos, como entre as províncias de um mesmo império, o momentâneo supérfluo de um suprirá a momentânea insuficiência de outro; e cada um terá o necessário.”

Convém destacar, ainda, que o homem não é apenas um consumidor, mas também um produtor, um agente multiplicador dos recursos naturais, dominando, nesse trabalho, uma tecnologia cada vez mais aprimorada.

O Direito da Mulher

Invoca-se o direito da mulher sobre o seu próprio corpo como argumento para a descriminalização do aborto, entendendo que o filho é propriedade da mãe, não tem identidade própria e é ela quem decide se ele deve viver ou morrer.

Não há dúvida quanto ao direito de escolha da mulher em ser ou não ser mãe. Esse direito ela o exerce, com todos os recursos que os avanços da ciência têm proporcionado, antes da concepção, quando passa a existir, também, o direito de um outro ser, que é o do nascituro, o direito à vida, que se sobrepõe ao outro.

Estudos científicos recentes demonstram o que já se sabia há muito tempo: o feto é uma personalidade independente que apenas se hospeda no organismo materno. O embrião é um ser tão distinto da mãe que, para manter-se vivo dentro do útero, necessita emitir substâncias apropriadas pelo organismo da hospedeira como o objetivo de expulsá-lo como corpo estranho.

Consequências do Aborto

Após o abortamento, mesmo quando acobertado pela legislação humana, o Espírito rejeitado pode voltar-se contra a mãe e todos aqueles que se envolveram na interrupção da gravidez. Daí dizer Emmanuel (Vida e Sexo, psicografado por Francisco C. Xavier, cap. 17, ed. FEB): “Admitimos seja suficiente breve meditação, em torno do aborto delituoso, para reconhecermos nele um dos fornecedores das moléstias de etiologia obscura e das obsessões catalogáveis na patologia da mente, ocupando vastos departamentos de hospitais e prisões”.

Mulher e homem acumpliciados nas ocorrências do aborto criminoso desajustam as energias psicossomáticas com intenso desequilíbrio, sobretudo, do centro genésico, implantando nos tecidos da própria alma a sementeira de males que surgirão a tempo certo, o que ocorre não só porque o remorso se lhes estranha no ser mas também porque assimilam, inevitavelmente, as vibrações de angústia e desespero, de revolta e vingança dos Espíritos que a lei lhes reservava para filhos.

Por isso compreendem-se as patologias que poderão emergir no corpo físico, especialmente na área reprodutora, como o desaguar das energias perispirituais desestruturadas, convidando o protagonista do aborto a rearmonizar-se com a própria consciência.

No Reajuste

Ante a queda moral pela prática do aborto não se busca condenar ninguém. O que se pretende é evitar a execução de um grave erro, de consequências nefastas, tanto individual como socialmente, como também sua legalização. Como asseverou Jesus: “Eu também não te condeno; vai e não tornes a pecar.” (João, 8:11.)

A proposta de recuperação e reajuste que o Espiritismo oferece é de abandonar o culto ao remorso imobilizador, a culpa autodestrutiva e a ilusória busca de amparo na legislação humana, procurando a reparação, mediante reelaboração do conteúdo traumático e novo direcionamento na ação comportamental, o que promoverá a liberação da consciência, através do trabalho no bem, da prática da caridade e da dedicação ao próximo necessitado, capazes de edificar a vida em todas as suas dimensões.

Proteger e dignificar a vida, seja do embrião, seja da mulher, é compromisso de todos os que despertaram para a compreensão maior da existência do ser.

Agindo assim, evitam-se todas as conseqüências infelizes que o aborto desencadeia, mesmo acobertado por uma legalização ilusória. “O amor cobre a multidão de pecados”, nos ensina o apóstolo Pedro (I Epístola, 4:8).

II – Considerações Legais e Jurídicas

Alteração do Código Penal

Tramita no Congresso Nacional Projeto de Lei que altera o Código Penal Brasileiro, nos seus artigos 124 a 128, elaborado por uma comissão especialmente criada com esse fim, e que já recebeu a acolhida do Ministério da Justiça e da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

O Código vigente, Decreto-Lei 2.848, de 7-12-1940, pune o aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento (art. 124), o aborto provocado por terceiro (art. 125), o aborto provocado com o consentimento da gestante (art. 126), e prevê formas qualificadas em caso de superveniência de lesões graves ou morte da gestante (art. 127). No art. 128, expressa não ser punível o aborto praticado por médico: “(…) II – Se a gravidez resultante de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal”, além, claro, daquele autorizado para salvar a vida da gestante (inciso I).

O anteprojeto de alteração do Código Penal Brasileiro vai além, em especial no seu artigo 128, com a ampliação de sua área de abrangência, ou seja, permitindo a prática do aborto: a) não só quando houver perigo de vida à gestante, mas também para, em caráter amplo, “preservar a saúde” da mulher (inciso I), ou b) não só em razão da gravidez originada de estupro, mas também quando a gravidez for resultado da “violação da liberdade sexual ou do emprego não consentido de técnica de reprodução assistida” (inciso II) e c) quando houver fundada probabilidade de o nascituro apresentar graves e irreversíveis anomalias físicas ou mentais, mediante constatação e atestado afirmado por dois médicos (inciso III).

Dada a gravidade da questão, eis que as alterações propostas ampliam a descriminalização do aborto e implicam o poder de decidir sobre a vida de um ser humano já existente e em desenvolvimento no ventre materno, oferecendo à gestante inúmeras alternativas legais, não há como permanecer em silêncio, sob a pena de conivência com um possível procedimento que, frontalmente, fere o direito à vida, cuja inviolabilidade tem garantia constitucional. À vista dessas propostas, é necessário que se dê ênfase à responsabilidade assumida por todos quantos participem da perpetração do ato criminoso, desde a atividade legislativa e sua promulgação, convertendo em lei o leque abrangente da prática do abortamento, até quem o autoriza, com ele consente e o executa.

Vale notar que existem outros projetos de lei no Congresso sob o mesmo enfoque e, recentemente, o Sr. Ministro da Saúde, através de Norma Técnica, procurou antecipar a prática de procedimentos abortivos no sistema SUS.

O Direito À Vida

O direito à vida é amplo, irrestrito, sagrado em si e consagrado mundialmente. No que tange ao direito brasileiro, a “inviolabilidade do direito à vida” acha-se prevista na Constituição Federal (artigo 5º “caput”), o primeiro entre os direitos individuais, quando essa lei básica, com ênfase, dispõe sobre os direitos e garantias fundamentais.

O ser humano, como sujeito de direito no ordenamento jurídico brasileiro, existe desde a sua concepção, ainda no ventre materno. Essa afirmativa é válida porque a ciência e a prática médica, hoje, não têm dúvida alguma de que a criança existe desde quando fecundado o óvulo pelo espermatozoide, iniciando-se, aí, o seu desenvolvimento físico. Tanto correta é essa afirmativa que, no ordenamento jurídico brasileiro, há a previsão legal de que “a personalidade civil do homem começa pelo nascimento com vida, mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro” (artigo 4º do Código Civil – grifou-se). Entre esses direitos está, além daqueles que ostentem caráter meramente econômico ou financeiro, o primeiro e o mais importante deles, vale dizer, o direito à vida.

Surge, aqui, uma conclusão: a de que a determinação de respeito aos direitos do nascituro acentua a necessidade legal, ética e moral de existir maior e quase absoluta limitação da prática do abortamento. Uma exceção, apenas, há: quando for constado, efetivamente, risco de vida à gestante.

Essa limitação quase absoluta da permissibilidade do abortamento, com a exclusão da responsabilidade tão-somente no caso do inciso I do artigo 128 do atual Código Penal (risco de vida à gestante), afasta, moralmente, a possibilidade do abortamento em virtude do estupro (constrangimento da mulher à conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça), embora permitido no inciso II do dispositivo legal em tela. Isso porque, analisando-se o fato à luz da razão e deixando de lado, por ora, os reflexos do ato, na gestante, estar-se-ia executando autêntica pena de morte em um ser inocente, condenado sem que tivesse praticado qualquer crime e – o que se afigura pior e cruel -, sem que se lhe facultasse o direito de defender-se, direito esse conferido, legalmente e com justiça, até àqueles acusados dos crimes os mais hediondos.

Eis a razão do grito de repúdio ás propostas de alteração do Código Penal pátrio e, conseqüentemente, do alerta em defesa da vida, já que, no caso do abortamento, o destinatário do direito a ela se acha impossibilitado de exercê-lo. E mais: penalizam-se duas vítimas, a mãe que se submeterá ao abortamento, cuja prática pode gerar conseqüências físicas indesejáveis, além das de ordem psicológica, e o filho, cuja vida é interrompida, enquanto que o agressor, muitas vezes, remanesce impune, dadas as dificuldades que ocorrem, geralmente, na apuração da autoria do crime cometido.

Diante dessa situação, deve ser preservada a vida da criança como dádiva divina que é não obstante as circunstâncias que envolveram a sua concepção. Se, contudo, a mãe não se sentir com estrutura psicológica para aceitar um filho resultante de um ato sexual indesejado, a atitude que se afigura correta e justa é que se promova sua adoção por outrem, oferecendo-se a ele um lar onde possa ser criado e educado, enquanto é desenvolvido trabalho para reequilíbrio da mãe, com a superação (ainda que lenta e dolorosamente, mas saudável para seu crescimento moral, social e espiritual) dos efeitos nocivos do crime de que foi vítima. Não será, evidentemente, o sacrifício de um ser sem culpa, que desabrocha para a vida, que resolverá eventuais traumas da infeliz mãe, sem falar na possibilidade de sofrer ela as conseqüências físicas e psicológicas já referidas, além do reflexo negativo de natureza espiritual.

Há necessidade urgente de que se tenha consciência do crime que se pratica quando se interrompe o curso da vida de um ser. Não importa se, como no caso, esse curso esteja em sua fase inicial. Não se pode, conscientemente, acobertá-lo com o manto de questionável “legalidade”.

Cabe a cada um de nós amar a vida e dignificá-la, tanto quanto cabe aos homens públicos e, principalmente, aos legisladores e governantes criar as condições necessárias para que o respeito à vida e aos direitos humanos (inclusive do nascituro), a solidariedade e a ajuda recíproca sejam não só enunciados, mas praticados efetivamente, certos, todos, de que, independentemente da convicção religiosa ou doutrinária de cada um, não há dúvida de que somos seres criados por Deus, cujas Leis, entre elas, a maior, a Lei do Amor, regem nossos destinos.

Espera-se que, como resultado deste alerta que o quadro social está a sugerir, possa ser vislumbrada a gravidade contida nas alterações legislativas propostas. É urgente e necessário que todas as consciências responsáveis visualizem, compreendam e valorizem o cerne do problema em questão – o direito à vida -, somando-se, em consequência, àqueles muitos que, em todos os segmentos da sociedade, o defendem intransigentemente.

A análise e as conclusões aqui expostas, como decorrência lógica do pensamento espírita-cristão sobre o aborto, representam contribuição à ética, à moral e ao direito do ser humano à vida. Não há, no contexto desta mensagem, a pretensão de que todos que a lerem aceitem os princípios do Espiritismo. Espera-se, todavia, confiantemente, que haja maior reflexão sobre tão importante assunto, notadamente ante a observação de que conquistas científicas e médicas atuais, comprovando de forma irrefutável a existência de um ser desde a concepção com direito à vida, oferecem esclarecimentos e razões que orientam para que se evite qualquer ação, cujo significado leve à agressão à vida do ser em formação no útero materno. Afigura-se, assim, de suma importância qualquer manifestação de repúdio aos propósitos da alteração legislativa referida. Esse o objetivo desta mensagem.

Enquanto nós, os homens, cidadãos e governantes, não aprendermos a demonstrar amor sincero e acolhimento digno aos seres que, de forma inocente e pura, buscam integrar o quadro social da Humanidade, construindo, com este gesto de amor, desde o início, as bases de um relacionamento realmente fraternal, não há como se pretender a criação de um ambiente de paz e solidariedade tão ansiosamente esperado em nosso mundo.

Não há como se pretender que crianças, jovens e adultos não sejam agressivos, se nós os ensinamos com o nosso comportamento, logo de início, e até legalmente, a serem tratados com desamor e com violência.

Amor à Vida! Aborto, não!

(Este texto – O aborto na visão espírita – aprovado pelo Conselho Federativo Nacional em sua Reunião Ordinária de 13 a 15 de novembro de 1999, em Brasília, constitui o documento que a FEB está levando, como esclarecimento, à consideração das autoridades do Governo Federal, do Congresso Nacional e do Poder Judiciário. As Entidades Federativas estaduais, por sua vez, realizam o mesmo trabalho junto aos Governadores, Deputados Estaduais, Prefeitos, Vereadores, outras autoridades e ao público em geral, em seus Estados.)

Revista Reformador, Nº 2051, Fevereiro de 2000.

Fonte: Espiritismo em Movimento

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DEPOIS DO PASSAMENTO

Seguidamente nos perguntam a respeito de questões sobre a vida no além-túmulo, e isso geralmente acontece quando alguém perde um ente querido, principalmente quando o passamento se dá em razão de violência ou acidentes inesperados.

Sempre dizemos que somos espíritos/almas vivendo momentaneamente num corpo carnal, perecível, cujo invólucro com a decomposição se transforma em outros micros organismos. Isso não deveria ser novidade pra ninguém, pois acontece desde os primórdios. Apenas espíritos evoluídos é que não experimentam mais a decomposição dos corpos, como foi o caso de Jesus que não encontram seus restos mortais onde houvera sido sepultado, mas isto é assunto para outro momento.

Para quem se vai é muito angustiante após recobrar a clareza do raciocínio, tomar conhecimento que os seus entes queridos que aqui ficam pensam que tudo terminou e que estão impossibilitados de comunicarem-se.

As comunicações entre os que se foram e os que estão ainda no corpo carnal pode se dar através das aproximações, onde podemos sentir leves arrepios ou sonolência. Também o intercâmbio acontece através de intuições ou mensagem que são filtradas em locais específicos por pessoas que se dedicam a estudar a mediunidade.

Mas a maneira mais comum de comunicação entre os chamados “vivos e mortos” acontece quando dormimos, pois neste momento abandonamos o corpo carnal que fica apenas com a vitalidade, e ingressamos no mundo espiritual. Nesse momento a conexão é direta e podemos ir a muitos lugares e ter contato dos mais diversos.

Portanto, não devemos pensar que a morte é o fim ou que é um sono eterno como muitos acreditam, pois isso ocasionará com que ao efetuarmos o passamento não consigamos acordar no outro plano e podemos ficar anos e anos dormindo conforme é narrado no livro “Os Mensageiros de Chico Xavier”, existindo na colônia nosso lar um local denominado “os que dormem”.

É importante que estudemos as questões que envolvem a vida depois do túmulo, pois que não existe solução de continuidade na nossa existência, já que vivemos a vida de espírito, e se hoje estamos com este corpo, numa próxima vida estaremos habitando outro que será devidamente preparado para nós e que virá através de uma criança, pois que geramos corpos, mas não almas como todos são sabedores.

Ter conhecimento do que virá facilitará nosso passamento. Vivamos intensamente o presente, realizando nossos objetivos, utilizando nossa intuição para saber o melhor caminho e conduta seguir em determinadas situações da vida, mas não devemos esquecer que a vida continua depois do passamento.

Força a todos.

Nilton Moreira
Coluna Semanal – Estrada Iluminada
Fonte: Espirit Book

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NECESSIDADE DE EVOLUÇÃO

Joanna de Angelis

As tendências que promanam do passado em forma de inclinações e desejos, se transformam em hábitos salutares ou prejudiciais quando não encontram a vigilância e os mecanismos da educação pautando os métodos de disciplina e correção. Sob a impulsão do atavismo que se prende nas faixas primevas, das quais a longo esforço o Espírito empreende a marcha da libertação, os impulsos violentos e a comodidade que não se interessa pelos esforços de aprimoramento moral amolentam a individualidade, ressurgindo como falhas graves da personalidade.

As constrições da vida, que se manifestam de vária forma, conduzem o aspirante evolutivo à trilha correta por onde, seguindo-a, mais fácil se lhe torna o acesso aos objetivos a que se destina. Nesse desiderato, a educação exerce um papel preponderante, porque faculta os meios para uma melhor identificação de valores e seleção deles, lapidando as arestas embrutecidas do eu, desenvolvendo as aptidões em germe e guiando com segurança, mediante os processos de fixação e aprendizagem, que formam o caráter, insculpindo-se, por fim, na individualidade e externando-se como ações relevantes.

Remanescente do instinto em que se demorou por longos períodos de experiência e ainda mergulhado nas suas induções, o Espírito cresce, desembaraçando-se das teias de vigorosos impulsos em que se enreda para a conquista das aptidões com que se desenvolve.

Pessoa alguma consegue imunizar-se aos ditames da educação, boa ou má, conforme o meio social em que se encontra. Se não ouve a articulação oral da palavra,, dispõe dos órgãos, porém, não fala; se não vê atitudes que facilitam a locomoção, a aquisição dos recursos para a sobrevivência, consegue, por instinto, a mobilização com dificuldade e o alimento sem a cocção; tende a retornar às experiências primitivas se não é socorrido pelos recursos preciosos da civilização, porque nele predominam, ainda, as imposições da natureza animal. Possui os reflexos, no entanto, não os sabe aplicar; desfruta da inteligência e, por falta de uso, já que se demora nas necessidades imediatas, não a desenvolve; frui das acuidades da razão e dos discernimento, entretanto, se embrutece por ausência de exercícios que os aprofunde. Nele não passam de lampejos as manifestações espirituais superiores, se arrojado ao isolacionismo ou relegado às faixas em que se detêm os principiantes nas aquisições superiores…

Muito importante a missa da educação como ciência e arte da vida.

Encontrando-se ínsitas no Espírito as tendências, compete à educação a tarefa de desenvolver as que se apresentam positivas e corrigir as inclinações que induzem à queda moral, à repetição dos erros e das manifestações mais vis, que as conquistas da razão ensinaram a superar.

A própria vida facultou ao Espírito, em longos milênios de observação, averiguar o que é de melhor ou pior para si mesmo, auxiliando-o no estabelecimento de um quadro de valores, de que se pode utilizar para a tranquilidade interior. Trazendo, do intervalo que medeia entre uma e outra reencarnação, reminiscências, embora inconvenientes, do que haja sucedido, elege os recursos com que se pode realizar melhormente, ao mesmo tempo impedindo-se de deslizes e quedas nos subterrâneos da aflição. Outrossim, inspirados pelos Espíritos promotores do progresso no mundo, assimila as idéias envolventes e confortadoras, entregando-se ao labor do auto-aprimoramento.

O rio corre e cresce conforme as condições do leito.

A plântula se esgueira e segue a direção da luz.

A obra se levanta consoante o desejo do autor.

Em tudo e toda parte, predominam leis sutis e imperiosas que estabelecem o como, o quando e o onde devem ocorrer as determinações divinas. Rebelar-se contra elas, é o mesmo que atrasar-se na dor, espontaneamente, contribuindo duplamente para a realização que conquistaria com um só esforço.

A tarefa da educação deve começar de dentro para fora e não somente nos comportamentos da moral social, da aparência, produzindo efeitos poderosos, de profundidade.

Enquanto o homem não pensar com equidade e nobreza, os seus atos se assentarão em bases falsas, se deseja estruturá-los nos superiores valores éticos, porquanto se tornam de pequena monta e de fraca duração. Somente pensando com correção, pode organizar programas comportamentais superiores aos quais se submete consciente, prazerosamente. Não aspirando à paz e à felicidade por ignorar-lhes o de que se constituem, impraticável lecionar-lhes sobre tais valores. Só, então, mediante o paralelismo da luz e da treva, da saúde e da enfermidade, da alegria e da tristeza poder-se-ão ministrar-lhe as vantagens das primeiras em relação às segundas… longo tempo transcorre para que os serviços de educação se façam visíveis, e difícil trabalho se impõe, particularmente, quando o mister não se restringe ao verniz social, à transmissão de conhecimentos, às atitudes formais, sem a integração nos deveres conscientemente aceitos.

Por educar, entenda-se, também a técnica de disciplinar o pensamento e a vontade, a fim de o educando penetrar-se de realizações que desdobrem as inatas manifestações da natureza animal, adormecidas, dilatando o campo íntimo para as conquistas mais nobres do sentimento e da psique.

Nas diversas faixas etárias da aprendizagem humana, em que o ser aprende, apreende e compreende, a educação produz os seus efeitos especiais, porquanto, através dos processos persuasivos, libera o ser das condições precárias, armando-o de recursos que resultam em benefícios que não pode ignorar.

A reencarnação, sem dúvida, é valioso método educativo de que se utiliza a vida, a fim de propiciar os meios de crescimento, desenvolvimento de aptidões e sabedoria ao Espírito que engatinha no rumo da sua finalidade grandiosa.

Como criatura nenhuma se realiza em isolacionismo, a sociedade se torna, como a própria pessoa, educadora por excelência, em razão de propiciar exemplos que se fazem automaticamente imitados, impregnando aqueles que lhes sofrem a influência imediata ou mediatamente. No contexto da convivência, pelo instinto da imitação, absorvem-se os comportamentos, as atitudes e as reações, aspirando-se a psicosfera ambiente, que produz, também, sua quota importante, no desempenho das realizações individuais e coletivas.

Como se assevera, com reservas, que o homem é fruto do meio onde vive, convém se não esquecer de que o homem é o elemento formador do meio, competindo-lhe modificar as estruturas do ambiente em que vive e elaborar fatores atraentes e favoráveis onde se encontre colocado a viver. Não sendo infenso aos contágios sociais, não é, igualmente, inerme a eles, senão quando lhe compraz, desde que reage aos fatores dignificantes a que não está acostumado, se não deseja a estes ajustar-se.

Além do ensino puro e simples dos valores pedagógicos, a educação deve esclarecer os benefícios que resultam da aprendizagem, da fixação dos seus implementos culturais, morais e espirituais. Por isso, e sobretudo, a tarefa de educação há que ser moralizadora, a fim de promover o homem não apenas no meio social, antes preparando-o para a sociedade essencial, que é aquela preexistente ao berço donde ele veio e sobrevivente ao túmulo para onde se dirige.

Nesse sentido, o Evangelho é, quiçá, dos mais respeitáveis repositórios metodológicos de educação e da maior expressão de filosofia educacional. Não se limitando os seus ensinos a um breve período da vida e sim prevendo-lhe a totalidade, propõe uma dieta comportamental sem os pieguismos nem os rigores exagerados que defluem do próprio conteúdo do ensino.

Não raro, os textos evangélicos propõem a conduta e elucidam o porquê da propositura, seus efeitos, suas razões. Em voz imperativa, suas advertências culminam em consolação, conforto, que expressam os objetivos que todos colimam.

– “Vinde a mim”, – assentiu Jesus, – porque eu “Sou o Caminho, a Verdade e a Vida”, não delegando a outrem a tarefa de viver o ensino, mas a si mesmo se impondo o impostergável dever de testemunhar a excelência das lições por meio de comprovados feitos. Sintetizou em todos os passos e ensinamentos a função dupla de Mestre – educador e pedagogo -, aquele que permeia pelo comportamento, dando vitalidade à técnica de que se utiliza, na mais eficiente metodologia, que é da vivência.

Quando os mecanismos da educação falecem, não permanece o aprendiz da vida sem o concurso da evolução, que lhe surge como dispositivo de dor, emulando-a ao crescimento com que se libertará da situação conflitante, afligente, corrigindo-o e facultando-lhe adquirir as experiências mais elevadas.

A dor, em qualquer situação, jamais funciona como punição, porquanto sua finalidade não é punitiva, porém educativa, corretora. Qualquer esforço impõe o contributo do sacrifício, da vontade disciplinada ou não, que se exterioriza em forma de sofrimento, mal-estar, desagrado, porque o aprendiz, simplesmente, se recusa a considerar de maneira diversa a contribuição que deve expender a benefício próprio.

Nenhuma conquista pode ser lograda sem o correspondente trabalho que a torna valiosa ou inexpressiva. Quando se recebem títulos ou moedas, rendas ou posição sem a experiência árdua de consegui-los, estes empalidecem, não raro, convertendo-se em algemas pesadas, estímulos à indolência, convites ao prazer exacerbado, situações arbitrárias pelo abuso da fortuna e do poder.

Imprescindíveis em qualquer cometimento, portanto, o exame da situação e a avaliação das possibilidades pessoais.

Sendo a Terra a abençoada escola das almas, é indispensável que aqui mesmo se lapidem as arestas da personalidade, se corrijam os desajustamentos, se exercitem os dispositivos do dever e se predisponham os Espíritos ao superior crescimento, de modo a serem superadas as paixões perturbadoras que impelem para baixo, ao invés daquelas ardentes pelos ideais libertadores, que acionam e conduzem para cima.

Os hábitos que se arraigam no corpo, procedentes do Espírito com lampejos e condicionamentos, retornam e se fixam como necessidades, sejam de qual expressão for, constituindo uma outra natureza nos refolhos do ser, a responder como liberdade ou escravidão, de acordo com a qualidade intrínseca de que se constituem.

A morte, desvestindo a alma das roupas carnais, não lhe produz um expurgo das qualidades íntimas, antes lhe impõe maior necessidade de exteriorizá-las, libertando forças que levam a processos de vinculações com outras que lhes sejam equivalentes. Na Terra, isto funciona em forma de complexos mecanismos de simpatia e antipatia, em afinidades que, no além-túmulo, porque sincronizam na mesma faixa de aspiração e se movimentam na esfera de especificidade vibratória, reúnem os que se identificam no clima mental de hábitos e aptidões que lhes são próprios.

Nunca se deve transferir para mais tarde o mister de educar-se, corrigir-se ou educar e corrigir. O que agora não se faça, neste particular, ressurgirá complicado, em posição diversa, com agravantes de mais difícil remoção.

Pedagogos eminentes, os Espíritos Superiores ensinam as regras de bom comportamento aos homens, como educadores que exemplificam depois de haverem passado pelas mesmas faixas de sombra, ignorância e dor, de que já se libertaram.

Imperioso, portanto, conforme propôs Jesus, que se faça a paz com o “adversário enquanto se está no caminho com ele”, de vez que, amanhã, talvez seja muito tarde e bem mais difícil alcançá-lo.

O mesmo axioma se pode aplicar à tarefa da educação: agora, enquanto é possível, moldar-se o eu, antes que os hábitos e as acomodações perniciosas impeçam a tomada de posição, que é o passo inicial para o deslanchar sem reversão.

Educação, pois, da mente, do corpo, da alma, como processo de adaptação aos superiores degraus da vida espiritual para onde se segue.

A educação, disciplinado e enriquecendo de precisos recursos o ser, alçá-lo à vida, tranquilo e ditoso, sem ligações com as regiões inferiores donde procede. Fascinado pelo tropismo da verdade que é sabedoria e amor, após as injunções iniciais, mais fácil se lhe torna ascender, adquirir a felicidade.

Texto extraído do Livro SOS Família, espírito Joanna de Angelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco.

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ESTRESSE E ESPIRITUALIDADE

Marlene Nobre

Para o grande público, estresse é uma situação psicologicamente agressiva que repercute no corpo. Este, porém, é apenas um dos aspectos do estresse, a sua versão psicossomática, há outros, porém, a serem considerados. Na verdade, o ser humano vive em estado de estresse permanente, bombardeado por fatores estressantes diversos – físicos, psico-emocionais, e espirituais – que lhe exigem constante adaptação ao mundo que o cerca.

Os fatores estressantes emocionais tanto podem ser tristes, como a morte de um ente querido, o desemprego, quanto felizes, como o sucesso do atleta ou as alegrias do reencontro – todos desencadeiam, do mesmo modo, os mecanismos e as conseqüências do estresse. O mesmo acontece em relação aos abalos nervosos, como no estado de cólera, medo, etc., assim como frente aos fenômenos físicos nocivos -frio, calor, fadiga, agentes tóxicos ou infecciosos, jejum, exercícios físicos exagerados, etc.

Na verdade, o estresse é a resposta não específica que o corpo dá a toda demanda que lhe é feita. Ele corresponde à interação entre uma força e a resistência do organismo a esta força. É o complexo agressão-reação.

Se a agressão é ocasionada por uma grande diversidade de fatores, a reação comporta uma parte idêntica, comum a todos os indivíduos, e uma parte própria de cada um, denominada “coping” ou aspecto específico da reação não específica.

A medicina hoje considera a doença como sendo a resultante da agressão mais a reação não específica, mais reação específica. Isto pode ser resumido em estresse mais coping. Desse modo, considera-se a originalidade própria das reações específicas ao agente estressor, superpostas às reações não específicas do estresse, criando a diversidade dos aspectos clínicos.

Em 1936, Hans Selye, descobridor do estresse, publicou os seus primeiros trabalhos sobre o assunto. Em 1950, descreveu a Síndrome Geral de Adaptação – Reação de Alarme, estágio de Resistência e de Exaustão – com seus aspectos bioquímicos e endócrinos, mostrando qual a reação não específica do organismo às agressões do mundo exterior. Para ele, a intensidade da demanda, a duração e a repetição determinam a resposta. E condiciona o bom ou o mau estresse à eficiência ou não da fase de adaptação. Para Selye, todo indivíduo tem um capital de energia biológica diferente e pode consumir suas reservas conforme tenha maus estresses.

Na reação de alarme, a primeira resposta do organismo ao estresse, entra em ação o sistema hipotálamo-simpático-adrenérgico que prepara o organismo para a luta ou fuga. Entram em jogo a adrenalina e a noradrenalina, com isso, há muita produção de glicogênio, taquicardia, respiração acelerada, concentração do sangue nos vasos principais e nos músculos estriados, inibição dos sistemas digestivo, sexual e imunológico.

Depois disso, outro sistema vai entrar em jogo, o hipotálamo-hipófiso-suprarrenal com produção de ACTH e corticóides.

Esses sistemas entram em funcionamento na fase de reação e o organismo pode sofrer esgotamento ou entrar na fase de exaustão, tendo como resultado final doença e morte. São inúmeras as doenças de adaptação, entre elas, hipertensão, úlcera, hemorróidas, ataques cardíacos, acidente vascular cerebral, diabetes, enxaqueca, etc.

Hoje, como avanço dos estudos, considera-se o sistema limbo-hipotálamo-hipófiso-suprarrenaliano (LHHS). Através do hipotálamo na zona parvocelular mediana do núcleo paraventricular (NPV), são liberados o CRF, o Fator de liberação corticotrófico (Corticotrophin Releasing Factor) e a Argenina Vasopressina (AVP) – que determinam a liberação de ACTH pela hipófise e esta o cortisol pela suprarrenal.

Com vemos, o estresse está ligado ao centro das emoções no hipotálamo, assim é importante o estudo de fatores como o medo, a raiva, etc, nos seus mecanismos e reações. Assim, quando o indivíduo sente raiva, por exemplo, é como se ele estivesse diante de um predador, de um perigo iminente e isto desencadeia a reação.

Como vimos, cada indivíduo tem uma reação específica frente ao estresse. Ele coloca suas estratégias de ajuste cognitivas e comportamentais, o “coping”, para fazer face aos agentes estressores.

As pesquisas têm demonstrado que doenças como depressão estão absolutamente ligadas ao estresse. Investigação ampla, realizada em 52 países, da qual participou o dr. Álvaro Avezum, do Brasil, acerca dos fatores de risco da doença cardíaca, demonstrou que os psico-sociais entram em mais de 30% dos casos.

O estresse é o campo da medicina que reunifica corpo e alma. O seu estudo está, portanto, intimamente ligado à espiritualidade.

Segundo as lições espirituais dadas em 1947, no livro No Mundo Maior – André Luiz / Chico Xavier, o nosso cérebro tem três áreas distintas: a inicial, onde habita o automatismo e que está no plano subconsciente, a do córtex motor que engloba as conquistas do hoje e está na área do consciente e a dos lobos frontais que representam o ideal e a meta superiores e estão vinculados ao superconsciente. Esta classificação encontra respaldo no livro de Paul Maclean, de 1968, The Triune Brain in Evolution, que nos fala acerca dessas três regiões, afirmando que vemos o mundo através de três cérebros distintos.

Aprendemos também com os Instrutores Espirituais que somos seres em evolução. Quanto mais perto nos encontramos da animalidade mais agimos com instintos e sensações. Com o passar do tempo, e a evolução espiritual consequente, passamos a ter sentimentos, sendo o amor, o mais sublimado deles.

Se estamos escravizados aos instintos, a maneira pela qual fazemos face aos fatores estressantes é muito primitiva e resulta quase sempre em um mau estresse.

Aprendemos também que é preciso humildade para vencer a animalidade inferior. Infelizmente, porém, em nossas relações em sociedade e no lar estamos muito longe desse sentimento sublime que está intimamente ligado ao amor.

Assim, a fé é importante porque abre as portas do coração para sentir e viver o amor divino em nossas vidas. Através da oração, da meditação, da compreensão do valor da dor, temos a possibilidade de conhecermo-nos a nós mesmos e a reagirmos de forma mais equilibrada às tensões da existência humana. Compreendemos, igualmente, que é preciso treino para o perdão e para eliminação da raiva, da inveja, da mágoa e de outros sentimentos negativos.

A nossa busca da paz para viver no lar, no ambiente de trabalho, dentro da sociedade tem de ser centralizada em Jesus, o Médico da Almas, que afirmou ter a paz verdadeira para nos oferecer. Chico Xavier disse com muita sabedoria: “A paz em nós não resulta de circunstâncias externas e sim da nossa tranquilidade de consciência no dever cumprido.” Para vencer positivamente o estresse é preciso guardar a paz, tê-la como patrimônio. E esta pacificação interior que é responsável pelo sucesso do “Coping”, só será uma conquista definitiva quando houver harmonia entre os três cérebros. Para isso, no entanto, é imprescindível não esquecer que é preciso fé em Deus e obediência às Suas Leis.

Marlene R. S. Nobre*

* Dra. Marlene Nobre é Médica Ginecologista, CREMESP 10304, Presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil e Internacional.

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SÊ FIEL ATÉ O FIM

Joanna de Ângelis

Por mais perturbadoras e afligentes sejam as circunstâncias e a convivência com as demais pessoas do teu círculo de amizade ou não, porfia nos teus bons ideais e objetivos existenciais.

Não aguardes entendimento e cooperação dos outros em relação ao que realizas, porquanto a tua é a atividade que faculta a libertação da ignorância e da crueldade.

Embora esperes consciente ou inconscientemente compreensão e ajuda porque anelas pelo bem da coletividade, talvez os demais não estejam interessados no que te fascina e não têm qualquer compromisso contigo. O deles é um destino diferente ao qual se vinculam.

Estão contigo, mas têm as suas próprias aspirações, buscando diferentes formas de viver. Alguns são simpáticos contigo, o que não significa terem compromisso com o que faças ou estimas. De igual maneira ocorre contigo em relação a eles.

Desde quando passaste a reflexionar nos ensinamentos de Jesus e compreendeste os enganos em que te movimentavas, compreendeste a necessidade de operar mudanças interiores e oferecer esses conhecimentos libertadores a todos que conheces ou não, na expectativa de que seria recebido com júbilo.

Ledo engano que cultivas vitimado pela ingenuidade.

Cada ser tem o seu próprio destino, o que não justifica, porém, voltar-se contra ti e tentar crucificar-te.

Percebeste a excelência da paz que te fazia muita falta, embora não o identificasses de maneira clara.

Sentias o fastio que o erro produz nos indivíduos, o vigoroso mal-estar que expressa a inutilidade de certos prazeres que mais comprometem do que agradam sem proporcionarem harmonia.

Quando sentias os prejuízos das irregularidades praticadas, em vez de meditação necessária à reparação mais chafurdavas nos lôbregos embriagadores dos sentidos e perdias a capacidade do discernimento.

Desconhecias a mensagem de Jesus, ou melhor, tinhas notícias a seu respeito, porém, nunca te detiveste a examinar os conteúdos maravilhosos de que é portadora.

Ouvias falar-se a seu respeito, mas não entendias o poder que possui de modificar a estrutura do pensamento vulgar e proporcionar lucidez para a existência digna e tranquila.

Ao tomar-lhe conhecimento, hoje desvelada pelos Imortais que te vieram demonstrar a plenitude do após desencarnação, tirou-te a venda dos olhos e percebeste a grandeza luminosa da vida que antes se te apresentava sombria e pesada…

É natural, portanto, que sofras discriminação e suspeita, qual fazias também àqueles que se dedicavam à abnegação e ao trabalho de autoiluminação.

Todo missionário do bem, do amor, e do conhecimento sedimenta os seus ideais sobre a argamassa das lágrimas, dos tormentos que lhe são impostos, do exílio, quando não lhe são solicitados testemunhos mais severos.

Não te permitas, porém, desfalecimento nem receios ante as agressões dos iludidos no poder temporal, dos vaidosos, dos comprometidos com realidade nenhuma.

Cabe-te semear exemplos de fé que demonstrem a tua capacidade de promover a verdade.

* * *

Quando se prepara um pomar ou um jardim a tarefa inicial é sempre desafiadora.

Tem-se que trabalhar o solo adusto ou sem vitalidade, coberto ou não de cardos e relvas perversas.

À hora de semear surgem novos perigos que devem ser vencidos, logo após, pelas plântulas frágeis e pelos seus zeladores.

Somente com a perseverança no tempo é que se pode ver a vida vegetal triunfar.

Confia no teu esforço e na Divina Providência que está sempre vigilante, pronta para auxiliar todos aqueles que se lhe entregam.

A História demonstra-nos mediante lições empolgantes o valor da fidelidade aos próprios ideais.

Abraham Lincoln, por exemplo, para alcançar a glória da imortalidade, candidatou-se a posições políticas de relevo várias vezes e perdeu-as todas. Insistiu ate à exaustão e logrou os seus objetivos como presidente da república do seu país.

Libertou os escravos, viveu a terrível Guerra de Secessão e pagou com a vida a coragem de amar e servir ao seu país.

O jovem pastor Luther King teve o sonho de ver livres os seus irmãos de ascendência africana e foi sacrificado, apesar das homenagens que recebeu em vida, padecendo angústias inimagináveis.

Os discípulos de Jesus saíram a ensinar e a viver o Evangelho, porém, foram perseguidos, cruelmente caluniados até serem sacrificados em inomináveis holocaustos pelo ideal.

Mandela experimentou o cárcere e o abandono por quase três décadas, a fim de conseguir libertar o seu povo.

Apesar de tuberculoso, Pasteur prosseguiu na caça dos bichinhos voadores, sofrendo sarcasmos de toda ordem e abriu novos horizontes à ciência médica.

Nunca houve exceção para os apóstolos do Bem na Terra.

Para que a sociedade desfrutasse de comodidades e bem-estar, houve a escravidão odienta e as guerras mortíferas.

Faz a tua parte.

O teu triunfo não será agora como ocorreu com todos os mártires, heróis e idealistas.

Insiste e dispõe-te a pagar com sorrisos os dardos da malquerença e da ingratidão.

Nada vence o amor que é a força viva mais atuante do Universo.

Continua amando mesmo desamado moralmente.

* * *

Os anjos guardiães que zelam por ti e pelo destino da Humanidade estão vigilantes e ativos ao teu lado.

Invisíveis, mas não inoperantes, confortam-te nas horas graves, estimulam-te ao prosseguimento e dão-te força em nome do Amigo crucificado que ressuscitou para que sejas fiel até o fim…

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica de 6 de abril de 2020, na Mansão do Caminho, em Salvador, Bahia.

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CEGOS CONDUTORES DE CEGOS

Antônio Carlos Navarro

Facilmente observável que o ser humano copia comportamentos, assimilando e espelhando ideias e modismos dos mais diversos.

As diversas mídias, utilizando de personalidades bem-sucedidas em seus campos de atuação profissional, impactam, profundamente, em nossas vidas, como se refere a Benfeitora Espiritual Joanna de Ângelis:

“A alucinação midiática, a serviço do mercantilismo de tudo, vem, a pouco e pouco, dessacralizando o ser humano, que perde o sentido existencial, tombando no vazio agônico de si mesmo.

Numa cultura eminentemente utilitarista e imediatista, o tempo-sem-tempo favorece a fuga da autoconsciência do indivíduo para o consumismo tão arbitrário quão perverso, no qual o culto da personalidade tem primazia, desde a utilização dos recursos de implantes e programas de aperfeiçoamento das formas, com tratamentos especializados e de alto custo, até os sacrifícios cirúrgicos modificando a estrutura da organização somática.”. (1)

Por desconhecer nossa própria natureza, facilmente, deixamo-nos levar por pensamentos e condutas os mais esdrúxulos.

O Benfeitor Espiritual Emmanuel opina:

“Se o homem pudesse contemplar com os próprios olhos as correntes de pensamento, reconheceria, de pronto, que todos vivemos em regime de comunhão, segundo os princípios da afinidade.

Assim também na vida comum, a alma entra em ressonância com as correntes mentais em que respiram as almas que se lhe assemelham.

Assimilamos os pensamentos daqueles que pensam como pensamos.

Estamos, invariavelmente, atraindo ou repelindo recursos mentais que se agregam aos nossos, fortificando-nos para o bem ou para o mal, segundo a direção que escolhemos.

O desejo é a alavanca de nosso sentimento, gerando a energia que consumimos, segundo a nossa vontade.” (2)

A Doutrina Espírita, antes de Emmanuel, na Questão 467 em “O Livro dos Espíritos”, esclarece-nos que, além da influência dos pensamentos dos encarnados, também estamos sujeitos às ideias dos desencarnados:

“Pode o homem eximir-se da influência dos Espíritos que procuram arrastá-lo ao mal? – Pode, visto que tais Espíritos só se apegam aos que, pelos seus desejos, os chamam, ou aos que, pelos seus pensamentos, os atraem.” (3)

Torna-se evidente que necessitamos educar nossos desejos e pensamentos, para que possamos ter uma vida mental menos sujeita ao que é prejudicial aos nossos espíritos, e a receita para essa condição nos foi dada por Nosso Senhor Jesus Cristo:

“Vigiai e orai.” (4)

Por vigilância entenda-se o acompanhamento em tempo real do que se passa em nossa mente, substituindo pensamentos e vontades em desalinho com a moral exarada do Evangelho, por pensamentos construtivos e vinculados à Lei de Amor, e por orar a elevação do padrão vibratório de nossos espíritos.

Conhecedor de nossas almas, o Senhor nos avisou sobre a consequência de escolhermos mal a quem seguimos:

“Deixai-os; são cegos condutores de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova.” (5)

Sempre estaremos entregues ao nosso livre arbítrio, mas por conta de nossa infantilidade espiritual não entendemos Sua palavra esclarecedora:

“Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.” (6)

Como temos preferido o mundo, com suas personalidades dos mais variados matizes e sem um mínimo de análise moral, a Doutrina Espírita reaviva a condição máxima do Senhor Jesus para espelharmos em nossos comportamentos:

“Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo? – Jesus.” (7)

Diante desta resposta comenta Allan Kardec:

“Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da Lei do Senhor, porque, sendo Ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito divino o animava.”

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

Fonte:  Kardec Rio Preto

 

Referências Bibliográficas:

(1) Mensagem psicográfica intitulada Vazio Existencial, ditada a Divaldo Pereira Franco;

(2) Pensamento e Vida, Emmanuel e Francisco C. Xavier, cap. 8;

(3) O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, item 467;

(4) Mateus, 26:41;

(5) Mateus, 15:14;

(6) João, 8:12;

(7) O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, item 625.

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