MENOS ARMAS, MAIS AMOR

Cláudio Sinoti

Os tempos que vivemos, com avanços significativos em várias áreas do conhecimento e na tecnologia, fazem com que certos embates se tornem muito intensos, desafiando a mulher e o homem modernos a alçarem os altos voos do espírito aos quais estão destinados, conforme a lei de progresso.

Nada obstante, as questões do passado não muito longínquo, de seres primitivos recém-saídos das cavernas, nos mostram que para a conquista da consciência ainda há um longo percurso pela frente. E não é preciso ir muito longe para comprovar que estamos distantes de uma consciência plena, e que a psique e o nosso mundo emocional ainda são grandes incógnitas a serem decifradas.

As psicopatologias, em suas diversas manifestações, muitas vezes levando ao suicídio, têm apresentado índices alarmantes. Ao lado desse quadro, a violência, nas suas várias faces, bate à nossa porta, adentrando-se pelos nossos lares de forma cada vez mais preocupante. Esses são sinais que os instintos agressivos ainda encontram guarida no comportamento humano, na violência que o indivíduo pratica consigo mesmo, assim como contra o próximo e a coletividade.

Descrentes dos valores nobres da vida, muitos desistem de buscar uma solução pacífica e harmoniosa para os graves problemas que enfrentamos, e passam a alimentar a ideia que, para combater a violência, devem ser usadas com intensidade as armas da própria violência. E quando já não é mais um eco isolado a ideia de que é preciso nos armarmos mais, assim como fazer uso de meios punitivos mais severos, chegando à pena de morte, o ser “primitivo” demonstra que ainda predomina diante do ser espiritual que somos em essência, mas que ainda adormece em nosso mundo íntimo.

E qual será a saída para tudo isso que vivemos?

Não existe receita mágica para resolução de crises, senão o enfrentamento consciente de todas as questões que nos inquietam, individual e coletivamente. Isso passa pela decisão consciente do indivíduo de se autoconhecer e se aprimorar, assim como a construção de mecanismos educacionais e sociais que proporcionem o despertar de uma nova consciência, para conseguirmos estabelecer uma vivência mais harmoniosa e respeitosa entre os seres humanos.

Algumas terapêuticas têm-se mostrado excelentes para construção de uma cultura de paz e amorosidade, e estão à disposição de todos, como por exemplo:

– Prática diária da reflexão e meditação. Esse hábito deve ser estimulado nas escolas, com crianças e jovens, no trabalho, nos grupos religiosos e em todos os ambientes em que pudermos implementá-lo. Pesquisas sérias, como as conduzidas pelo Dr. Richard Davidson (1), comprovam os efeitos benéficos da meditação para uma vida mais saudável e consciente. Na Índia há relatos de uma experiência positiva da inclusão da prática da meditação em presídios (2), com resultados excelentes. Breves momentos diários podem resultar em benefícios para toda uma vida.

– Diálogo familiar. O diálogo familiar, que pode dar-se em meio às refeições, é excelente terapêutica para que os membros da família construam laços mais fortes de afetividade. Esse hábito é útil tanto para que a família possa perceber quando um dos familiares estiver passando por algum desafio que não está sabendo lidar, assim como para compartilhar alegrias, conquistas e percepções. Na correria da vida moderna, alguns hábitos saudáveis têm sido deixados de lado, comprometendo nossa saúde emocional, física e espiritual.

– Evangelho no Lar. A oração em família, a reflexão sobre valores morais e espirituais, proporciona uma reavaliação das nossas atitudes, assim como a serenidade necessária para lidar com questões desafiadoras sem que nos desesperemos. Além disso, favorece para que os guias espirituais encontrem em nosso lar a harmonia necessária para nos intuir, proteger e direcionar nossos esforços em prol de uma vida espiritual saudável.

– A Caridade. Doar coisas é importante, especialmente quando a carência material se faz presente, mas doar de si, do próprio sentimento, é uma alavanca de transformação, pois ao tempo em que nos mobiliza a amar, proporciona que nos conectemos ao outro de uma forma mais profunda. Ademais, estimula aquele que passa por dificuldades a superar-se e a encontrar forças para sair da situação na qual se encontra, quando possui forças e possibilidades para tal, ou a resignar-se e encontrar um sentido mais profundo na existência, quando viva situações limitadoras.

E em casos mais graves, quando o comportamento de algum componente familiar necessitar de cuidados mais urgentes, não negligenciar a busca de profissionais do campo do comportamento, para que aliada às terapêuticas acima, a ciência possa fazer sua parte, com os avanços que já dispõe.

É o momento, portanto, de escolhermos o amor como solução, pois como propõe a Benfeitora Joanna de Ângelis (3): “…a força do amor terminará por vencer as barreiras fortes da impiedade e do materialismo de que se reveste esse sentimento vil, e instalará, a pouco e pouco, os alicerces do respeito humano, que se expande em favor da Natureza, do planeta, de toda expressão de vida que nele se manifesta…”.

Autor: Cláudio Sinoti

Referência:

1- Sugerimos o livro: O Estilo Emocional do Cérebro (The Emotional Life of Your Brain)

2- https://prisonyoga.org/wp-content/uploads/2013/01/benefits_for_prisoners_india.pdf

3- O Amor como Solução. Leal Editora

Fonte: G. E Casa do Caminho de São Vicente

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AFLORAMENTO DA MEDIUNIDADE

  1. – Qual a procedência, a origem da Mediunidade?

No complexo mecanismo da consciência humana, a paranormalidade desabrocha, alargando horizontes da percepção em torno das realidades profundas do ser e da vida.

A mediunidade, que vige latente no organismo humano, aprimora-se com o contributo da consciência de responsabilidade e mediante a atenção que o exercício da sua função bem direcionada lhe conceda.

Faculdade da consciência superior ou Espírito imortal, reveste-se dos órgãos físicos que lhe exteriorizam os fenômenos no mundo das manifestações concretas. (Momentos de Consciência, Cap. 19, Joanna de Ângelis/Divaldo P. Franco – LEAL)

  1. – O afloramento da mediunidade tem época para acontecer?

Espontânea, surge em qualquer idade, posição social, denominação religiosa ou cepticismo no qual se encontre o individuo.

Normalmente chama a atenção pelos fenômenos insólitos de que se faz portadora, produzindo efeitos físicos e intelectuais, bem como manifestações na área visual e auditiva, apresentando-se com gama variada conforme as diversas expressões intelectuais, materiais e subjetivas que se exteriorizam no dia-a-dia de todos os seres humanos. (Médiuns e Mediunidades, Cap. 7, Vianna de Carvalho/Divaldo P. Franco – LEAL)

  1. – De que modo a faculdade se manifesta?

Explodindo com relativa violência em determinados indivíduos, graças a cuja manifestação surgem perturbações de vária ordem, noutros aparece sutilmente, favorecendo a penetração em mais amplas faixas vibratórias, aquelas de onde se procede antes do corpo e para cujo círculo se retorna depois do desgaste carnal. (Momentos de Consciência, Cap. 19, Joanna de Ângelis/Divaldo P. Franco – LEAL)

  1. – Que outras características podem ser identificadas no afloramento mediúnico?

A princípio, surge como sensações estranhas de presenças psíquicas ou físicas algo perturbadoras, gerando medo ou ansiedade, inquietação ou incerteza.

Em alguns momentos, turba-se a lucidez, para, noutros, abrirem-se brechas luminosas na mente, apercebendo-se de um outro tipo mais sutil de realidade. (Momentos de Consciência, Cap. 19, Joanna de Ângelis/Divaldo P. Franco – LEAL)

  1. – Como deve proceder o médium nessa fase de registros de presença de seres desencarnados?

Silencia a inquietação e penetra-te através da meditação.

Ora, de início, e ausculta a consciência.

Procura desdobrar a percepção psíquica sem qualquer receio e ouvirás palavras acalentadoras, e verás pessoas queridas acercando-se de ti. (Momentos de Consciência, Cap. 19, Joanna de Ângelis/Divaldo P Franco – LEAL)

  1. – Os sintomas desagradáveis que acompanham o desabrochar da mediunidade são gerados pela faculdade?

Às vezes, quando do aparecimento da mediunidade, surgem distúrbios vários, sejam na área orgânica, através de desequilíbrios e doenças, ou mediante inquietações emocionais e psiquiátricas, por debilidade da sua constituição fisiopsicológica.

Não é a mediunidade que gera o distúrbio no organismo, mas a ação fluídica dos Espíritos que favorece a distonia ou não, de acordo com a qualidade de que esta se reveste.

Por outro lado, quando a ação espiritual é salutar, uma aura de paz e de bem-estar envolve o medianeiro, auxiliando-o na preservação das forças que o nutrem e sustentam durante a existência física.

A mediunidade, em si mesma, não é boa nem é má, antes, apresenta-se em caráter de neutralidade, ensejando ao homem utilizá-la conforme lhe aprouver, desse uso derivando os resultados que acompanharão o medianeiro até o momento final da sua etapa evolutiva no corpo. (Médiuns e Mediunidades, Cap. 7, Vianna de Carvalho/Divaldo P. Franco – LEAL)

  1. – Por que motivos o afloramento da mediunidade surge, em grande número dos casos, sob ações obsessivas?

Como se pode avaliar, o período inicial de educação mediúnica sempre se dá sob ações tormentosas. O médium é Espírito endividado, em si mesmo, com vasta cópia de compromissos a resgatar, quanto a desdobrar, trazendo matrizes que facultam o acoplamento de mentes perniciosas do Além-Túmulo, que o impelem ao trabalho de auto burilamento, quanto ao exercício da caridade, da paciência e do amor para com os mesmos. Além disso, em considerando os seus débitos, vincula-se aos cobradores que o não querem perder de vista, sitiando-lhe a casa mental, afligindo-o com o recurso de um campo precioso e vasto, qual é a percepção mediúnica, tentando impedir-lhe o crescimento espiritual, mediante o qual lograria libertar-se do jugo infeliz. Criam armadilhas, situações difíceis, predispõem mal aquele que vivem em diferente faixa vibratória, peculiar, diversa aos que não possuem disposição medianímicas.

É um calvário abençoado, a fase inicial do exercício e desdobramento da mediunidade. Outrossim, este é o meio de ampliar, desenvolver o treinamento do sensitivo, que aprende a discernir o tom psíquico dos que o acompanham, em espírito, tomando conhecimento das “leis dos fluídos” e armando-se de resistência para combater as “más inclinações” que são os ímãs a atrair os que se encontram em estado de Erraticidade inferior. (Nas Fronteiras da Loucura, Cap. 23, Manoel Philomeno de Miranda/Divaldo P. Franco – FEB)

Livro: Qualidade na prática Mediúnica – perg. 1 a 7

Projeto Manoel Philomeno de Miranda

Postagem original: C. E. Casa do Caminho de São Vicente

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Desencarne Prematuro

DESENCARNE (QUE CONSIDERAMOS) PREMATURO

Quando me deparo com a notícia do desencarne de alguém querido (seja um parente, ou alguma personalidade do mundo), sempre me vem a lembrança de que este processo não é uma condenação, e sim, na maioria dos casos, uma “libertação do prisioneiro de sua pena”.

No item “Perdas de pessoas amadas – mortes prematuras”, do capítulo V do Evangelho Segundo O Espiritismo, nos alerta para que enxerguemos além do “terra-a-terra”, e deixemos de lado a falsa ideia de que o desencarne é uma condenação. Na maioria dos casos é a libertação da matéria grosseira, é a pena que chegou ao seu fim, e o espírito se vê livre de diversas agruras do nosso cotidiano de aprendizados aqui na Terra.

E muitos ficam doentes, passam por diversos acidentes, desgostos e desilusões, e ficam aqui, “vivos” até os 90, 100 anos….estes é quem são os que podem ser considerados “condenados”.

Diz o Evangelho que “Frequentemente a morte prematura é um grande benefício que Deus concede àquele que se vai e que assim se preserva das misérias da vida, ou das seduções que talvez lhe acarretassem a perda.”

Deus não condena, nunca. O que muitas vezes enxergamos como pena, é apenas um grande brinde, um bônus.

Obviamente, que quando o desenlace físico se dá por conta do suicídio, a conversa muda completamente de figura, afinal, não temos o direito de extirpar algo que nos foi concedido a tanto custo.

A vida física deveria ser considerada intocável, custe o que custar.

Aqueles que não tem esta informação, ao providenciarem o desenlace prematuro arcam com contas altas a serem quitadas em longas e doloridas prestações.

Precisamos enxergar a morte física apenas como desligamento de uma veste, que fazemos diariamente, ao trocarmos de camisa, por exemplo. Exercitemos nossa existência com entendimentos fraternos, e cientes de que que o Criador jamais age como os homens, que ainda são incapazes de se verem livres de pensamentos desconexos, de vingança e punições.

Vivamos então com alegria, para que quando este momento nosso chegar, estejamos preparados para a nova etapa que chega, e para que o reencontro com aqueles que deixamos do lado de lá seja muito festivo.

Oceander Veschi

Fonte: Agenda Espírita Brasil

G.E.Casa do Caminho de São Vicente

 

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SEXO CASUAL: UM ESTUDO ESPÍRITA

Ricardo Baesso de Oliveira

A tradição cristã não tem sido complacente com a atividade sexual desvinculada de uma relação afetiva estável. Jesus foi rigoroso nesse particular, apresentando o conceito revolucionário de “pecado pelo pensamento”, contraditoriamente à ética judaica, segundo a qual a infração à Lei de Deus só se dá na concretização material do ato e jamais no desejo não materializado. Segundo Jesus, todo aquele que olhar para uma mulher, cobiçando-a, já no seu coração adulterou com ela. [1]

Paulo, em suas epístolas, valeu-se do vocábulo fornicação, combatendo veementemente tal prática. [2] Entende-se como tal o ato sexual que não é entre cônjuges, ou seja, o sexo fora de uma relação afetiva monogâmica consentida. Agostinho dedicou a obra Dos bens do matrimônio para tratar dos assuntos relacionados ao casamento, pois somente através dele seria possível o exercício do “sexo virtuoso”.

Kardec estabeleceu que as relações monogâmicas representam um progresso na marcha da humanidade e que na poligamia, não há afeição real – só existe sensualidade [3].

Isso se explica pela própria dinâmica do relacionamento monogâmico. Uma das características dessa relação, obviamente, onde estão presentes o respeito e fidelidade ao outro, é que com a continuidade da vida a dois, os parceiros vão, naturalmente, modulando seus impulsos sexuais. As ocorrências do dia a dia, as preocupações com os filhos e depois com os netos, os processos paulatinos de envelhecimento da organização física levam a redução da libido e isso faz com os parceiros aprendam a permutar os valores afetivos através do beijo, do abraço ou do diálogo afetuoso.

Tudo isso contribui para o aprimoramento da afetividade, antecipando numa relação corpórea o que deverá se dar com o Espírito em sua longa marcha para a angelitude. Observa-se, como regra geral, uma redução progressiva da frequência do número de intercursos sexuais em uma relação monogâmica, sem que os parceiros se ressintam demasiadamente desse fato.

Assim, a função sexual vai sendo paulatinamente burilada e as motivações existenciais serão direcionadas para outras funções da personalidade, contribuindo no desenvolvimento intelecto-moral da entidade reencarnada. Tal dinâmica não é observada nas relações múltiplas entre parceiros não comprometidos afetivamente, onde a libido, pela variação constante, mantém-se pujante. Perdem, portanto, as personalidades envolvidas na relação a oportunidade de sublimarem os sentimentos, deixando de caminhar em direção a uma vida mais identificada com os valores do Espírito. Lembra Kardec que a sobre-excitação dos instintos materiais abafa o senso moral. [4]

Os autores desencarnados que se valeram da mediunidade de Yvonne Pereira, Chico Xavier, Raul Teixeira e Divaldo Franco assumiram o pressuposto de que a prática sexual ideal seria aquela que se desse entre pessoas comprometidas por laços duradouros de afeto.

De acordo com Emmanuel, urge situar o sexo a serviço do amor, sem que o amor se lhe subordine. Valendo-se da expressiva metáfora do rio e do dique, o benfeitor propõe que imaginemos o sexo como o rio e o amor como o dique e coloca: O rio fecunda. O dique controla. O rio espalha forças. O dique policia-lhes a expansão. No rio, encontramos a Natureza. No dique, surpreendemos a disciplina. Se a corrente ameaça a estabilidade de construções dignas, comparece o dique para canalizá-la proveitosamente, noutro nível. Contudo, se a corrente supera o dique, aparece a destruição, toda vez que a massa líquida se dilate em volume. Tanto quanto o dique precisa erguer-se em defensiva constante, no governo das águas, deve guardar-se o amor em permanente vigilância, na frenação do impulso emotivo.[5]

Tal natureza de pensamento encontra argumentação no entendimento das finalidades da prática sexual, conforme apresentadas por Emmanuel, em momentos distintos do livro Vida e sexo. O sexo casual não se identifica com essas finalidades, como passamos a examinar.

A função sexual, segundo Emmanuel, possui três objetivos fundamentais:

1- Reprodução da espécie.

2- Permuta de vibrações amorosas entre aqueles que se amam.

3- Estabelecimento e manutenção dos elos conjugais.

A mais óbvia das finalidades do sexo é a reprodução da espécie, presente em espécies evolutivamente bem mais simples que a nossa. Devemos ao sexo a formação do tesouro do lar e as alegrias restauradoras da família. O sexo casual não atende a essas funções, pois está relacionado, exclusivamente, ao usufruto do prazer, que não é problemático em si mesmo, mas que não se identifica com o objetivo citado.

A segunda finalidade do sexo está na permuta de vibrações amorosas entre aqueles que se amam. Segundo André Luiz, o amor é o alimento da alma e uma das formas de nos alimentarmos do amor da pessoa querida é através da relação sexual.[6]

Isso ocorre porque o instinto sexual não é apenas agente de reprodução entre as formas superiores, mas, acima de tudo, é o reconstituinte das forças espirituais, pelo qual as criaturas se alimentam mutuamente, na permuta de raios psíquicos magnéticos que lhes são necessários ao progresso. [7] Tal como dito anteriormente, o sexo casual também não atende essa finalidade, pois não está fundamentado numa relação amorosa, na medida em que busca apenas a satisfação do desejo, sem compromissos com o sentimento e a afetividade alheia.

E, finalmente, a terceira finalidade do sexo, por motivos óbvios, não identificada com o sexo casual: estabelecer e manter os elos conjugais. O afeto vincula as criaturas, umas às outras, permitindo-se também o intercâmbio de hormônios psíquicos, realmente responsáveis pela harmonia e saúde integral de todos os seres humanos.

Está bem estabelecido, hoje, que a cópula provoca em algumas espécies, inclusiva a humana, comportamentos sociais chamados afiliativos, através dos quais o macho e a fêmea formam um par relativamente estável, preparando-se ambos para receber os filhotes. Os comportamentos afiliativos dessa natureza são muito importantes biologicamente, pois protegem a fêmea durante a gravidez, e garantem a sobrevivência da prole após o nascimento, quando os filhotes não têm ainda maturidade fisiológica necessária para a vida independente. O hipotálamo é o principal integrador do comportamento sexual, e dois neuropeptídios foram apontados como os principais moduladores neurais dos comportamentos sexuais: a oxitocina (ou ocitocina) e a vasopressina. Esses peptídeos são produzidos por neurônios centrais, participantes essenciais dos circuitos envolvidos nos comportamentos sexuais. A vasopressina está envolvida mais fortemente nos comportamentos sexuais masculinos, enquanto a oxitocina atua predominantemente nas fêmeas. Ambos os peptídeos são fortemente secretados durante a excitação sexual, atingindo o nível mais alto durante o orgasmo. O cérebro fica assim preparado para emitir os comportamentos afiliativos e sexuais adequados para as situações de acasalamento ou de cuidados com a prole. [8]

Nesse particular, a prática sexual humana é especialmente curiosa. Nossa atividade sexual ocorre em privacidade. Chimpanzés e praticamente todas as outras espécies de mamíferos se acasalam em público. Em praticamente todas as culturas humanas, contudo, fazer sexo em público é considerado ofensivo, vexatório, sendo usualmente ilegal. Por que isso? Fazer sexo privadamente estabelece um elo especial entre os parceiros. Há todos os tipos de emoções intensas rodeando a sexualidade humana e os parceiros têm que vivenciar essas emoções exclusivamente entre eles, isolados de todos os demais membros do grupo. Por esse motivo, o orgasmo é acompanhado de uma descarga maciça de oxitocina, que promove a vinculação, gerando um sentimento de ternura, de carinho de um pelo outro e o desejo de continuarem juntos, prezando o relacionamento.[9]

Joanna de Ângelis, em obra de 2007, se reporta a esses recentes avanços da neurociência, quando comenta que o amor, na função sexual, é muito importante, mesmo do ponto de vista fisiológico, porque a liberação da oxitocina proporciona harmonia, já que esse hormônio é responsável pela sensação de paz que os parceiros experimentam no clímax da coabitação. A máquina cerebral é tão extraordinária na sua funcionalidade que, nesse momento, também libera opioides que respondem pela satisfação e alegria derivadas da comunhão orgânica, impossibilitando os atritos e as disposições agressivas. Desse modo, a comunhão sexual contribui poderosamente em favor da harmonia entre os parceiros, melhorando os grupos sociais, evitando as costumeiras agressões e crueldades. Nos indivíduos satisfeitos sexualmente e harmonizados, sem os conflitos angustiantes e perturbadores da insegurança, da timidez, da inferioridade, predominam a alegria de viver, o bem-estar em relação à existência, o desejo natural da procriação, da proteção à família, da boa luta em favor do progresso pessoal e da comunidade.[10]

Habitualmente, são relacionados ao sexo casual alguns problemas.

As doenças sexualmente transmissíveis são praticamente inexistentes entre casais que vivenciam uma sexualidade monogâmica. Aids, sífilis e outras venereopatias são apanágios do sexo casual. Algumas delas, que já se encontravam em declínio, voltaram a crescer, como a sífilis, que nos últimos anos teve sua prevalência aumentada em centenas de vezes. Ginecologistas têm se reportado a casos de sífilis em adolescentes de 12, 13 e 14 anos.

A gravidez na adolescência é também problema relacionado ao sexo casual. A gravidez na adolescência é atualmente um dos mais significantes problemas sociais em todo o mundo. No Brasil, dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) mostram que a maioria das mães solteiras é do interior do Nordeste e tem entre 10 e 14 anos. Esses mesmos dados indicam que 25% das meninas entre 15 e 17 anos que deixam a escola o fazem por causa da gravidez, que assim vem se tornando a maior causa de evasão escolar. A gravidez precoce e suas complicações são a principal causa de mortalidade entre adolescentes do sexo feminino de 15 a 19 anos, sendo a terceira causa de óbitos entre as mulheres no Brasil, perdendo apenas para homicídios e acidentes de transportes.[11]

Examinando o tema, Joanna comenta que na adolescência a realidade e a fantasia confundem-se, proporcionando à imaginação soluções de fácil ocorrência para qualquer desafio, particularmente no que diz respeito aos relacionamentos afetivos.[12]

Lembra também que havendo filhos, como resultado da afetividade desgovernada, mais complexo torna-se o quadro da convivência que, infelizmente, termina em separação litigiosa, com acusações pesadas de parte a parte, assinalando profundamente a psique da prole, quando cada um dos litigantes não se escuda nos filhos para melhor ferir o outro, a quem atribui a culpa do insucesso.

E coloca, ainda, a autora espiritual, que a predominância dos impulsos sexuais na fase juvenil do ser humano está a merecer expressiva contribuição psicológica e educacional, a fim de que se possam evitar os desastres que decorrem da insensatez e da precipitação.

O uso excessivamente precoce do sexo acompanha-se, como visto, de consequências muitas vezes lamentáveis: gravidez prematura, distúrbios emocionais, viciações sexuais, desmotivações para as diferentes atividades dessa fase da vida, na medida em que erótica precocemente ativada, por sua natureza altamente prazerosa, acaba centralizando todos os interesses do adolescente, que perde notáveis oportunidades de viver de forma saudável essa etapa da vida orgânica.

Necessário acrescentar ainda como dificuldades relacionadas ao sexo casual as frustrações afetivas, o tormento íntimo pela busca vulgarizada do prazer e a insatisfação constante decorrente de uma prática sexual que pode aliviar a tensão, mas que não enriquece a personalidade.

Segundo Emmanuel, conferir pretensa legitimidade às relações sexuais irresponsáveis seria tratar “consciências” qual se fossem “coisas”, e se as próprias coisas, na condição de objetos, reclamam respeito, que se dirá do acatamento devido à consciência de cada um?[13]

A ausência de sentimento superior no ato sexual, segundo Joanna, dá surgimento a contatos apressados, destituídos de significado emocional, que não chegam a produzir a harmonia interior esperada, nem a saciedade, antes induzindo a novas e variadas experiências, na busca mágica de intérmino prazer que mais cansa do que produz bem-estar.[14]

Referindo-se às relações sexuais fortuitas, oriundas de buscas virtuais, Joanna de Ângelis comenta que os relacionamentos virtuais através da INTERNET, quando, cada qual oculta os conflitos e transfere-os para a responsabilidade de outrem, ensejam encantamentos paradisíacos, despertam paixões vulcânicas, resultantes todos das insatisfações acumuladas, instalando perigosos transtornos neuróticos de consequências lamentáveis.[15]

Ressalta, ainda, Joanna que o sexo deve ser exercido com a valiosa contribuição do amor, que estimula a produção dos hormônios propiciatórios ao prazer e ao equilíbrio, sem a pressa dos indivíduos psicologicamente irrealizados, tanto quanto daqueles que, saturados de experiências bizarras, esperam satisfação apenas orgânica, sem a contribuição da emoção plenificadora. [16]

André Luiz, por sua vez, comenta que o instinto sexual a desvairar-se na poligamia, traça para si mesmo largo roteiro de aprendizagem a que não escapará pela matemática do destino que nós mesmos criamos. Lembra André que a monogamia é o clima espontâneo do ser humano, de vez que dentro dela realiza, naturalmente, com a alma eleita de suas aspirações a união ideal do raciocínio e do sentimento, com a perfeita associação dos recursos ativos e passivos, na constituição do binário de forças, capaz de criar não apenas formas físicas, para a encarnação de outras almas na Terra, mas também as grandes obras do coração e da inteligência, suscitando a extensão da beleza e do amor, da sabedoria e da glória espiritual que vertem, constantes, da Criação Divina. [17]

Ricardo Baesso de Oliveira

Fonte: Espiritismo na Rede

Reproduzido de: G.E. Casa do Caminho de São Vicente

Referência:

[1] Mateus, V: 27-28

[2] Efésios, 5,5 e Gálatas 5,19

[3] LE, itens 695 e 701

[4] LE, item 754

[5] Religião dos Espíritos, cap. 53

[6] Nosso lar, cap. 18

[7] Evolução em dois mundos, cap. VI, parte I.

[8] Roberto Lent, Cem bilhões de neurônios?

[9] Por que odiamos, Rush W. Dozier Jr.

[10] Encontros com a paz e a saúde, cap. 9

[11] IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Indicadores Sociais Brasileiros. 2000.

[12] Encontros com a paz e a saúde, cap. 5

[13] Vida e sexo, cap. 19

[14] Encontros com a paz e a saúde, cap. 9

[15] Encontros com a paz e a saúde, cap. 5

16] Encontros com a paz e a saúde, cap. 9

[17] Evolução em dois mundos, cap. 18, parte I

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OS EFEITOS DA AUTÓPSIA NOS ESPÍRITOS

O Mentor permaneceu na Enfermaria, pelo período em que tinha curso a necropsia para a identificação da causa mortis e outros comportamentos legais. Observamos que os Espíritos, mesmos distanciados dos corpos que se faziam examinados, retratavam as ocorrências que os afetavam, provocando sensações cruciantes. O motorista, por ser incurso em maior responsabilidade, manteve-se em sono agitado por todo o tempo. Devido às fortes vinculações com a matéria, experimentava as dores que lhe advinham da autópsia de que o corpo era objeto. Embora contido por enfermeiros diligentes sofreu cortes e serração, profundos golpes nos tecidos e costuras…

‘Recordemos que se encontrava sob amparo, não ficando, todavia, isento à responsabilidade pelos erros que a juventude extravagante lhe facultara.

‘Em autópsia, muitos Espíritos que se deixaram dominar pelos apetites grosseiros e se ficam apenas no corpo, quando não fazem jus a assistência especializada, enlouquecem de dor, demorando-se sob os efeitos lentos do processo a que foram submetidos os seus despojos.

‘Desse modo, cada um dos jovens, apesar de todos haverem desencarnado juntos, no mesmo momento, experimentava sensações de acordo com os títulos que conduziam, de beneficência e amor, de extravagância e truculência.

‘Correspondendo à hora do reconhecimento e translado dos corpos pelos familiares para as providências da inumação cadavérica, acompanhamos o despertar de quase todos, sob os duros apelos dos pais e irmãos, partindo, semi-hebetados, para os atender…

‘As nossas providências de socorro não geram clima de privilégio, nem protecionismo injustificável. Cada um respira a psicosfera que gera no campo mental. Todos somos as aspirações que cultivamos, os labores que produzimos.

A cruz, porém, é intransferível, de cada qual. Podemos ajudar a diminuir-lhe o peso, não a transferi-la de ombros.

‘A agitação era geral. Podíamos observar que rápidas flechadas de forte teor vibratório os alcançavam, fazendo-os estremecer, estorcegar.

‘O motorista subitamente apresentou uma facies de loucura, ergue-se, trêmulo, respondendo algo com palavras desconexas e como que envolto pelo fio de densa energia que o alcançava, pareceu sugado, desaparecendo…

‘- Foi atender – elucidou Dr. Bezerra – aos que o chamam sob chuvas de blasfêmias e acusações impróprias.

‘A família soube, pela Polícia, que ele havia ingerido alta dose de drogas, o que parecia responder pelo acidente, provocando, a informação, mágoa e revolta nos pais.

‘Em continuação, mais dois se evadiram do local de amparo obedecendo ao impositivo evangélico: “Onde estiver o tesouro, aí estará o coração”.

‘Fábio e outro amigo, porque não se encontrassem muito comprometidos com os vícios e viessem de uma estrutura familiar mais digna, foram poupados à presença do cadáver e às cenas fortes que se desenrolaram antes e durante a inumação dos corpos.

‘Não se furtariam, é certo, ao mecanismo de recuperação, apesar da ajuda da antiga mãezinha, que o reembalava nos braços, na condição de avó.

‘Desperta-se, cada dia, com os recursos morais com que se repousa, à noite.

‘Além do corpo, cada Espírito acorda conforme o amanhecer que preparou para si mesmo.

Fernando Rossit

Baseado na obra: Nas Fronteiras da Loucura: Manoel P. Miranda/Divaldo P. Franco

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HOSTILIDADE

Joanna de Ângelis

Sempre as defrontarás pelo caminho por onde avanças, elaborando a ventura.

Há quem hostilize o próximo por prevenção, despeito, inveja, ira, pelo prazer de inquietar. São os que estão de mal consigo próprios, seguindo a largos passos no rumo da loucura.

Há os que hostilizam os fracos, os caídos nos poços da viciação, os enganados, os pervertidos pretextando-se tarefa de depuração moral da sociedade.

Há os que hostilizam os idealistas, os triunfadores, os abnegados servidores do bem, espicaçados pôr sentimentos inconfessáveis.

Se trabalhas e não dispões de tempo para a ociosidade e a maledicência, hostilizam-te os demolidores e atrasados morais.

Se te deténs na inutilidade e te acobertas na modorra dourada, hostilizam-te os adversários gratuitos que se avinagram ante as tuas disposições igualmente doentias.

Faças ou deixes de fazer o bem não te faltarão hostilidades.

Muitas vezes vêm de fora, dos fiscais gratuitos da vida alheia. Noutras surgem no lar, no reduto familiar, entre as pessoas afeiçoadas, perturbando tuas realizações começantes, ferindo-te.

Refunde as aspirações superiores a que te afervoras nos fornos da abnegação e não te aflijas.

Intenta não revidar nem tampouco desanimar, cultivando assim mesmo os propósitos relevantes com os quais conseguirás, por fim, liberar-te da perseguição deles.

Diante de pessoas hostis, a atitude mais correta é a da resistência pacífica, a perseverança na posição não violenta.

* * *

Quando nada te açode a alma nem te penetre os sentimentos em forma de acúleo e dor, estarás em perigo.

Águas paradas — águas pestilenciais.

Terra inculta — inutilidade em triunfo.

Instrumento ao abandono — desgaste à vista.

* * *

Todos os homens úteis atestaram a legitimidade dos seus propósitos e ideais sob as farpas da inveja e o ácido das hostilidades de muitos dos seus contemporâneos.

Perseguidos de todos os tempos que amaram as causas de enobrecimento humano, desbravadores de céus, terras e vidas, alcançaram a vitória, não obstante chibatados e vituperados pelos demais.

Não dispunham de tempo para atender à malícia e ao despeito dos seus adversários.

A flama que lhes ardia n´alma era sustentada pelos combustíveis do sacrifício e da renúncia que os levaram à imolação, com que selavam a grandeza dos seus misteres.

Não temas os que hostilizam, difamam, infelicitam.

Não foram poucas as personagens que se movimentaram para a tragédia da Cruz. Sem embargo, o Crucificado, erguido ao ponto mais alto do cenário sinistro, permanece incorruptível e vivo na consciência universal, enquanto todos os que O haviam hostilizado passaram carregados pelo vendaval das paixões, consumindo-se nas alucinações que já os dominavam.

Joanna de Ângelis

Médium: Divaldo P. Franco

Livro: Leis Morais da Vida – 25

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O PRAZER DE PROPAGAR O ESCÂNDALO

“Não nos dirigimos nem aos curiosos nem aos apreciadores de escândalo, mas àqueles que querem seriamente instruir-se”. — Allan Kardec, O céu e o inferno.

Quem gasta certo tempo de sua vida no noticiário do momento facilmente se comove com os dramas, desgraças e análises pessimistas destilados todos os dias por inúmeros meios de informação. Em parte, esses resumos diários, excessivamente ruidosos e carregados de infortúnios alheios, revelam um excesso de sensacionalismo, potencializado pelo alcance e rapidez das mídias sociais, dos meios de comunicação digital em um mundo cada vez mais conectado. Nunca foi tão fácil e rápido noticiar. Um verdadeiro exército de jornalistas improvisados bombardeia todos os dias as pessoas com informações, na sua maioria sem qualquer utilidade prática, mas que servem para definir a pauta do ânimo de cada dia.

Grupos com interesses altamente específicos, indivíduos desqualificados e propagandistas sem escrúpulos têm seus ‘multiplicadores’ em uma guerra silenciosa, cujo objetivo é captar o máximo interesse do público e atingir grupos e inimigos diversos. O analfabetismo filosófico e a incapacidade de perceber mesmo as mais grosseiras fraudes argumentativas acabam ressoando entre multidões imensas, sedentas de informação, mas cativas de suas próprias faltas de formação e equilíbrio.

Em comum, os informantes seguem o mais puro materialismo, a ausência completa de discernimento sobre a vida futura. A noção de justiça que transmitem é quase sempre a do aqui e agora, a dos ânimos embrutecidos na revolta pelo não cumprimento aparente de uma justiça idealizada, que muda conforme os interesses. De fato, é deveras sem sentido entre os que nada creem exigir justiça: se nada existe para além dessa vida, por que se preocupar? A justiça clamada por eles é uma convenção transitória em um universo brutal em que os desejos, aspirações e mais nobres intenções humanas desfazem-se lentamente como espuma para cada criatura que morre…

Diante desse quadro em que o nada é propaganda velada de todos os dias, faz bastante sentido ver se espalharem os crimes, as mais torpes transgressões, as mais incríveis iniquidades e o aumento do suicídio entre os que não conseguem suportar. É como se estivesse em curso uma gigantesca ‘catástrofe anunciada’, em que cada um pensa poder sobreviver, faz o que pode para garantir os seus direitos, e passa por cima de qualquer um no ‘salve-se quem puder’ de cada dia.

Afogados nesse apocalipse de desgraças, nunca foi tão necessário o discernimento — separar o joio da verdade do trigo da ilusão — e o equilíbrio moral, não se deixar abater pela revolta, que cria o estado de desânimo e pode trazer para nossas vidas problemas que são dos outros. Ainda mais porque, muitos dos que clamam por justiça, porque querem ser vistos, pregam o ódio como método. Ora, é bastante óbvio que nada de bom pode resultar de meios que pregam o ódio de forma sistemática, ou que acreditam poder gerar o bem fazendo o mal.

A antítese da combinação mórbida do ódio com o nada é o amor e a certeza da vida futura. Contra essas duas crenças, por que se impõe a dúvida? Porque a certeza da eficácia dessas duas verdades é também um bem que o indivíduo deve conquistar todos os dias, se a ele faltam os recursos internos. Esses recursos são semeados ao longo de sucessivas vidas, razão porque eles se encontram tão desigualmente distribuídos entre as pessoas. Não se trata, portanto, de uma injustiça desde o nascimento. Aqui vemos um sujeito que em nada acredita, que nutre rancor contra seu semelhante ou que segue amargurado, sem ânimo para o vida. Mas eis que, ao seu lado, alguém o suporta bravamente, escorando-se na fé ou em pequenos atos de gratidão, muitas vezes desapercebidos, mas que pouco a pouco surtem efeito. E tal quadro multiplica-se aos milhões em todas as partes do globo.

Essa é também a principal razão porque a humanidade, não obstante todas as conquistas tecnológicas, continua em sua maioria crente em Deus através das inúmeras religiões, que têm suas próprias formas de conceber a vida futura. O que seria do mundo se não fosse a fé que conforta e permite viver? Independentemente de como concebem Deus e o futuro no além-túmulo, em certo sentido profundo, todas as religiões estão certas ao mesmo tempo. Investem a seu modo na certeza da vida maior, adaptadas conforme a formação e o grau de discernimento de cada pessoa. Não se deve imputar às religiões (ou seja, às doutrinas que professam) a culpa pelos males praticados em seu nome: de fato, tratam-se de aberrações que surgem quando a incúria e a iniquidade reinterpretam do seu jeito as lições da vida superior. As distorções observadas se explicam porque alguns religiosos apenas se apegam intelectualmente a uma verdade maior e continuam a viver do mesmo jeito. Ainda assim, quem poderia garantir que não seriam muito piores se não fosse a parca luz que pregam?

Em resumo, temos como certo que é “necessário o escândalo”, pois ele faz parte do processo de aprendizado a que cada pessoa está sujeita neste mundo de testes morais incessantes. Mas, entre ser afetado pela onda do mal e viver com serenidade, podemos escolher semear a certeza de que o amor e a vida futura são patrimônios inalienáveis da alma dos quais somos todos herdeiros no futuro. O quão distante esse futuro se encontra, depende inteiramente de nós.

Fique esperto!

É preciso atenção para não perdermos tempo, deixando nos levar em vibrações negativas, emanadas pelas notícias que nos são bombardeadas o tempo todo.

Você pode filtrar a circulação de mensagens negativas pelas redes sociais:

  • Configure seu aplicativo de mensagens para que vídeos e fotos não sejam baixados de forma automática. Assim você evita de ver imagens indesejadas, além de não ocupar espaço no seu celular.
  • Não compartilhe e nem curta imagens de violência. As redes sociais trabalham por número de compartilhamentos e curtidas.

Quanto mais você curte e compartilha, mais irá visualizá-las em seu perfil.

  • Não siga nas redes sociais portais que foquem a violência. Busque aqueles que valorizam a informação sem foco no sensacionalismo.
  • Deixe claro em sua rede que você não curte e não deseja receber esse tipo de material.
  • Ao receber informação ou notícia sobre acidentes, catástrofes, crimes hediondos, conecte-se à equipe espiritual e peça socorro aos necessitados e conforto a todos os envolvidos. (Colab. Alessandra Simões)

O que dizem os Espíritos

  • A culpa de quem sonda as chagas da sociedade e as expõe em público depende do sentimento que o mova. Se o escritor apenas visa produzir escândalo, não faz mais do que proporcionar a si mesmo um gozo pessoal, apresentando quadros que constituem antes mau do que bom exemplo. O Espírito aprecia isso, mas pode vir a ser punido por essa espécie de prazer que encontra em revelar o mal.
  • Se ele escrever boas coisas, aproveitai-as. Se proceder mal, é uma questão de consciência que lhe diz respeito, exclusivamente. Ademais, se o escritor tem empenho em provar a sua sinceridade, apoie o que disser nos exemplos que dê. — O livro dos espíritos, Allan Kardec. Perg. 946 e 946a.
    Ademir Xavier

    Reprodução de:  Grupo Espírita Casa do Caminho de São Vicente

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ESPÍRITO DE SISTEMA

Orson Peter Carrara

A palavra sistema é bastante utilizada atualmente, representando um conjunto de programas que executam tarefas definidas em sua programação de trabalho, especialmente considerando a realidade virtual, hoje totalmente expandida nos diversos segmentos sociais.

Por outro lado, também pode representar um padrão de condução de uma empresa, ou um sistema de vida, pessoal ou familiar, com critérios escolhidos livremente, como bem sabemos da condição humana e seus variados comportamentos, suas múltiplas escolhas. Em síntese, podemos dizer que é uma maneira de se conduzir, transformando-se em hábitos ou costumes, que acabam estabelecendo padrões de comportamento, saudáveis ou não.

No conhecido livro “Parábolas e Ensinos de Jesus”, o ilustre Cairbar Schutel, no capítulo “O Espírito de Sistema e as novas verdades” faz lúcidas referências às sucessivas e penosas lutas das grandes personalidades humanas que transformaram o mundo, trazendo progressos variados, mas que tiveram – todos eles enfrentaram resistência em seu tempo – que lutar contra o “espírito de sistema”, ou esta mentalidade de resistência às novas descobertas ou às mudanças de modelos ultrapassados. Isso é histórico. É aquela mentalidade de desvalorizar esforços alheios, é aquela posição de desprezo para com as pessoas que se destacam e pensam diferente do modelo antes estabelecido.

Por suas ideias e projetos muitos foram mortos, sacrificados, torturados, outros sacrificaram-se, imolaram-se no isolamento e na renúncia silenciosa, para legar – todos eles – os esforços de suas pesquisas, seus estudos, que ao longo do tempo, beneficiaram toda a humanidade. Não foram compreendidos quando apresentaram suas ideias, quando as divulgaram, sofrendo desprezos, humilhações, perseguições, morte, enfrentando os poderosos de os matizes que outro interesse não tinha senão manter o padrão estabelecido de que se beneficiam.

E isso não mudou. A realidade atual mostra isso. O egoísmo ainda nos domina e ainda permanecemos fechados e irredutíveis aos pontos de vistas, aos sistemas a que nos escravizamos, nos condicionamos, deixando-nos conduzir por automatismos deploráveis, sem dar chance de abertura aos novos tempos, `às novas ideias, aos transformadores da sofrida realidade social.

Mas novos clarões já se projetam, pois, a Lei de Progresso é inevitável.

Afirma Schutel no primeiro parágrafo de sua reflexão: “O mundo não tem progredido senão à custa de lutas e sofrimentos. Todas, as novas descobertas, todas as grandes verdades, todos os grandes homens não têm conseguido exercer a sua missão no nosso planeta senão com grandes sacrifícios e depois de uma luta terrível contra o espírito de ignorância, que ensombra todas as camadas sociais!”. E depois de valiosas considerações (sugerimos ao leitor buscar o texto na íntegra), ele coloca com propriedade:

“Cada jato de luz que vibra na mansão das trevas agita os ignorantes sistemáticos, assim como os lampejos do Sol alvoroça os morcegos e as corujas que só se comprazem com a noite.”

Não vou ficar nas transcrições, quero estimular o leitor a buscar o texto integral. Ele conclui referindo-se à luta das ideias espíritas frente à truculência das ideias materialistas, gradativamente sendo vencidas pela clareza de uma realidade patente que hoje já compreendemos.

Há uma frase, todavia, que chama muito a atenção nessas lutas. E que motivou a presente abordagem. Considera o benfeitor: “(…) a árvore dos bosques não cai ao primeiro golpe do machado; é preciso muitas “machadadas” (…)”.

A comparação é belíssima nessas lutas que nunca cessam. É preciso mesmo perseverar, prosseguir e dar as constantes “machadadas” (a comparação em hipótese alguma é com a violência, mas com o trabalho continuado) da perseverança que vai vencer o preconceito, o orgulho, e especialmente o espírito de sistema, que teima em escravizar, prender, coibir iniciativas ou impedir o progresso e a felicidade, justamente pela mentalidade de egoísmo que ainda nos domina e que nos faz esquecer a solidariedade….

Mas como somos potencialmente bons, esse quadro vai passar e conquistaremos com trabalho a dignidade que deve nos caracterizar como filhos de Deus.

Fonte: G. E. Casa do Caminho de S. Vicente

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SOBREVIVÊNCIA E LIBERTAÇÃO

Os cristãos primitivos, convencidos da sobrevivência do Espírito aos despojos materiais, enfrentavam a morte cantando hinos de alegria.

No corpo, consideravam-se encarcerados, anelando pela liberdade.

Na limitação orgânica, sentiam-se em área estreita e sombria, desejando a luminosidade do amanhecer eterno.

Sob a constrição da matéria, experimentavam cativeiro perturbador e, por isso mesmo, esforçavam-se para alcançar a libertação.

Para esses cometimentos, desenvolviam os sentimentos nobres, refundiam a esperança no futuro, guardavam as reflexões em torno do amor eterno, nunca se detendo a considerar o trânsito carnal como realidade plenificadora.

Viviam as experiências terrenas com lucidez, preservando a certeza de que, por mais se alongassem, paralisariam na interrupção do corpo através da morte, a fim de as prosseguirem noutra dimensão imperecível, compensadora.

Em face dessa convicção, jamais se atemorizavam diante da própria morte, como da dos seres amados.

Fixando a mente e os ideais na sobrevivência, viviam no mundo como alunos numa escola, como hóspedes e não como residentes fixos, aguardando que o fluxo da vida mudasse de direção…

Martirizados ou perseguidos, recebiam a penalidade como forma de sublimação e de mais fácil ascensão à glória imortal.

O infortúnio do exílio, a separação dos bens e da família, embora os fizessem sofrer, não os desesperavam, por confiarem no reencontro futuro e na conquista de mais valiosos tesouros de paz e autorrealização.

O Cristianismo é doutrina de imortalidade que exalta a sobrevivência do ser, estruturado na Ressurreição de Jesus, o momento glorioso do Seu ministério ímpar.

* * *

A Idade Média, porém, com as suas superstições e fanatismos, envolveu a morte em terríveis sombras, vestindo-a de pavor e de exóticas formulações.

Exéquias demoradas, tecidos negros e roxos, ritos soturnos, cantochões deprimentes, carpideiras profissionais, cerimônias macabras, davam a impressão de horror e desalento em referência à morte.

Descambando para comportamentos monetários e realizações negociáveis, o espetáculo mortuário fez-se aparvalhante pela forma, desvirtuando o conteúdo da realidade imortalista…

O conhecimento da sobrevivência brinda a certeza em torno da continuação da vida depois do decesso carnal, e a morte passa a ser recebida com serenidade, com alegria.

À medida que os fatos confirmam a indestrutibilidade da vida, morrer deixa de ser tragédia, transformando-se em mecanismo que facilita o renascimento em outra esfera, no mundo espiritual.

A sobrevivência é o coroamento da existência física, que se transforma através do fenômeno biológico da morte.

* * *

Viva cada ser com elevação e desprendimento, treinando a libertação e, adaptando-se mentalmente, aguarde a hora feliz do retorno à pátria de onde veio para breve aprendizagem terrestre.

Deve recear a morte quem se encarcera nas paixões inferiores, aquele que se escraviza nos apetites insaciáveis, o ser que se agarra às manifestações do corpo transitório.

* * *

Passadas as angústias da saudade, diminuídas as amarguras da aparente solidão, o reencontro com os seres queridos, sobrevivendo à forma orgânica, constituirá o verdadeiro prêmio à confiança em Deus e à entrega ao Bem.

Guarda-te nessa confiança do reencontro com os teus familiares queridos e trabalha por ele, qual agricultor que vê a semente morrer hoje, a fim de acompanhar a planta exuberante, as flores desabrochando e os frutos saborosos que colherá mais tarde.

A sobrevivência é luz brilhante no fim do túnel, atraindo-te, fascinante.

Segue na sua direção com tranquilidade e nunca temas a morte.

* * *

A ilusão é responsável por inúmeros sofrimentos.

Valorizando, excessivamente, os bens transitórios e apegando-se em demasia aos interesses materiais — paixões sensuais, valores amoedados, propriedades, juventude, saúde orgânica, entre outros —, o indivíduo teme vê-los desaparecer, transformar-se ou gerar conflitos, no entanto deixando-os todos, um dia, mediante o fenômeno biológico da morte.

Acreditando que esses empréstimos da vida — os valores físicos — são perenes, o que lhe constitui uma ilusão, quando defrontado ou dominado pela realidade, desarmoniza-se, padece dores, desespera-se.

A sobrevivência da vida à morte é a única e legítima expressão da existência humana.

Preparar-se para essa luminosa experiência inevitável, treinando o desapego e a solidariedade fraternal, é uma forma eficaz de diluir a ilusão, evitando perdas e sofrimentos futuros.

Somente, porém, sobrevive livre aquele que aprendeu no corpo a desatar-se das amarras das paixões enganadoras, nas quais em algum momento tentaram aprisioná-lo.

 

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo P. Franco

Livro: Desperte e seja Feliz – 29

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É NECESSÁRIO MORRER

Processo De Desencarne Desligamento Passo A Passo ! Doutrina Espírita

Quando iremos morrer?

O simples mencionar dessa pergunta causa calafrios, medo ou repulsa a muitas pessoas.

A grande maioria de nós nos recusamos mesmo a pensar em tal assunto.

Seja por medo, por desconhecimento, por fatores culturais ou aspectos religiosos, a morte nos surge como um grande tabu.

Por isso, poucas vezes, refletimos ou percebemos a morte como um processo natural e necessário para a vida.

Nas florestas, árvores centenárias perdem o vigor, morrem para ceder espaço para outras, que crescem frondosas, se alimentando da matéria orgânica decomposta dessas.

Nas tempestades, sob ventos fortes, galhos e folhas se desprendem dos troncos, dando espaço para outros, que surgirão, com maior viço e pujança.

Esse é o ciclo da vida: a decadência cede lugar à nova vida, para logo mais a morte prenunciar novo ciclo.

A morte não é sinônimo de fim, de conclusão ou de eliminação.

Ela sempre será o prenúncio de nova etapa, de momento que se inicia.

Assim pode se dar com nosso mundo íntimo.

Há muita coisa que precisa fenecer, perecer, morrer em nossa intimidade para dar vazão a outras possibilidades.

Há muitos valores que nos prejudicam, que atrapalham nossa felicidade, que perturbam nosso caminhar.

É importante empreender todo esforço para a morte desses valores.

Ao morrerem, darão lugar a possibilidades de outras paisagens, de outros conceitos.

Nesse raciocínio, percebemos ser inadiável que façamos morrer o egoísmo que carregamos.

Dessa forma, o nos preocuparmos com o outro, nos doarmos ao próximo, permitirá que, aos poucos, nosso egoísmo perca força e morra em nossa intimidade. Seremos, então, mais solidários e fraternos.

O empenho que empreguemos para perdoar, ou compreender o outro, ter empatia em relação às suas falhas e limitações, irá acabando com nosso eu orgulhoso, pretensioso, arrogante.

Somente com a morte lenta e gradual desses sentimentos de difícil lida, é que abriremos espaço para o desabrochar de virtudes.

Portanto, se faz necessário o esforço da morte das paixões inferiores para que se faça nova luz em nossos corações.

Tudo isso nos demonstra que a morte sempre se fará necessária, para dar espaço à renovação, ao novo ciclo, à melhora.

Nada diferente quando falamos da vida física.

A morte, inevitavelmente, visitará nosso corpo físico, impossibilitando a continuidade da vida biológica, orgânica.

Contudo, esse momento, de forma alguma, indicará o fim de tudo. Será apenas o final de um ciclo.

Será a etapa concluída de uma reencarnação, que nos deu inúmeras chances, possibilidades e oportunidades de aprendizado e renovação.

Findo tudo isso, apresenta-se o momento de retornarmos para casa, para o mundo espiritual.

E, como inscrito no dólmen da sepultura do mestre Allan Kardec, em Paris, a lição é de imortalidade e evolução: Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei.

Lei da vida, lei de progresso.

Redação do Momento Espírita
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