Encontros e Desencontros

Postado por PATRIZIA GARDONA

ENCONTROS E DESENCONTROS
Richard Simonetti
richardsimonetti@uol.com.br

Simone chegou com alguns minutos de antecedência. Sentada em rústico banco, à sombra de frondosa árvore, recordou que ali tecera com Armando idílico sonho. O marido representara o seu encontro com a felicidade. A seu lado vivera quinze anos de ternura, enriquecidos por quatro filhos adoráveis. No entanto, há dois anos o sonho convertera-se em pesadelo. Armando apaixonou-se por inconsequente jovem, iniciando perturbadora relação extraconjugal. Após meses de tensão, alegando incapacidade para superar a atração irresistível, decidiu unir-se à sua amada.

Indignada, vivera dias tormentosos. Não fora o conhecimento espírita e o teria odiado com todas as suas forças! Abençoada Doutrina, que a ajudara a compreender que o marido não agira com maldade. Apenas fora fraco, cedendo a impulsos desajustados.

A compreensão preservara-lhe a estabilidade emocional e a capacidade de amar. Sim, continuava amando o marido, um afeto diferente, um pouco maternal, de mãe preocupada com o filho rebelde que deixou o lar. E tudo o que fazia era orar por ele.

Agora ele queria conversar. O fato de ter escolhido o mesmo banco, na velha praça dos encontros primaveris, evidenciava que ele estava cogitando de uma reconciliação. Conhecia-o, entendia-lhe as mínimas iniciativas, com a precisão nascida de longa convivência, com a secreta intuição dos que amam de verdade.

Despertando de suas reminiscências, avistou Armando. O coração a bater acelerado no peito, dizia-lhe que o marido continuava a ser o homem de sua vida. O tempo não lhe fora generoso. Estava abatido, magro, envelhecido como se houvessem passado dez anos e não apenas dois. Ele sorriu timidamente:

– Oi, Simone, como está?

– Tudo bem, graças a Deus. E você?

– Não posso dizer o mesmo. Estou mal, mal mesmo! Arrependido até os fios de meus cabelos, afogando-me em remorsos. Será que você me perdoará um dia?

– Você sabe que não sou de guardar rancores. Não se preocupe.

Tomando-lhe as mãos Armando começou a chorar. Em princípio lágrimas furtivas, depois borbulhantes, como imensa dor represada que explodisse em torrente de mágoas.

– Que loucura! Destruí nosso lar por uma aventura! …

Simone acariciou suas mãos.

– Calma, Armando. Não se entregue ao desalento. Ninguém é perfeito. Todos somos passíveis de erro… conte-me. Como vai sua vida ao lado da nova companheira?

– Não há mais nada. Foi um equívoco, um desencontro infeliz… separamo-nos há uma semana e tudo o que quero é regressar ao nosso lar, ainda que tenha de passar o resto de meus dias pedindo-lhe perdão. Você me aceitaria de volta?

Simone fitou-o enternecida. Não havia nenhuma dúvida quanto a isso. Desde que se despira de ressentimentos, sentia que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde, na Terra ou no Além.

– Claro, meu querido. É o que mais desejo.

– Há apenas um problema… mais exatamente… outro filho… Da união infeliz resultou uma criança de dez meses. A mãe não o quer. Sei que é pedir demais, mas você me permitiria retornar com ele?

Um filho com a outra, sob seus cuidados, no mesmo lar, em contato com seus próprios filhos?! A proposta soava absurda. Como reter a lembrança perene da defecção do marido? Era pedir demais! … Imaginou, em turbilhão de ideias, uma forma de contornar o problema. Um orfanato, talvez… um casal disposto à adoção… sabia, entretanto, que uma solução dessa natureza seria desumana, uma flagrante injustiça contra o pequeno inocente.

Sem que conseguisse exprimir com exatidão o que estava acontecendo, sentiu imensa compaixão daquele ser que chegava ao Mundo em circunstâncias tão tristes, rejeitado pela mãe, um entrave na vida do pai… Pobre criança! Então, o instinto materno, a sensibilidade de um coração generoso, a vocação para o Evangelho, triunfaram sobre a mulher traída que, tomada por uma onda de ternura, levantou-se, resoluta, arrastando o marido perplexo, ao mesmo tempo em que dizia, eufórica:

– Onde está nosso filho? Vamos buscá-lo imediatamente! Sinto que ele precisa muito de mim!

E partiram os dois, retomando a existência em comum, enriquecida pela presença de mais um filho.

Originally posted 2017-06-09 19:40:50.

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O psiquiatra atende ao telefone. A paciente, jovem senhora sob tratamento, reclama:

– Doutor, estou muito preocupada.

– O que houve?

– Venho notando que meu cocô está leve, boiando, ao invés de depositar-se no fundo do vaso. É grave?

–  É normal. Não se preocupe. Acontece, às vezes.

Momentos depois, nova ligação.

– Desculpe, doutor, pela insistência… O senhor acha mesmo que não tem problema?

– Com certeza! Fique tranquila.

Mais alguns minutos e…

– Doutor, estive pensando… O normal não seria um cocô mais pesado?

– Olhe, menina, vou lhe dizer o que realmente acontece. O problema é da cabeça. O cocô leve vem de seu cérebro.

Podemos enfatizar nesse episódio a impaciência do médico. Não deveria estar presente num profissional de psiquiatria, treinado e muito bem pago para ouvir, ainda que, eventualmente, importunado, pela clientela. Psiquiatra sem paciência deve reciclar-se, revendo os fundamentos de sua especialidade.

Mais interessante, no caso, considerar a paciente. Ela é o exemplo típico das fantasias geradas pela neurose, esse problema que costuma envolver pessoas demasiadamente preocupadas consigo mesmas. A ansiedade é sua principal característica, levando-as a superestimar seus problemas e dificuldades, como quem usa óculos de grau mal ajustados.

O neurótico enxerga de forma “desfocada” as situações e as pessoas. Alguns exemplos:

Riem para ele.

Julga que riem dele.

Não o cumprimentam, por distração.

Imagina desconsideração.

Recebe elogio sincero.

Enxerga bajulação.

Não se comunica.

Reclama que o ignoram.

Com semelhante visão, tem muita facilidade para sentir-se discriminado, isolado, injustiçado, perseguido, humilhado… É dado a teorias conspiratórias, supondo que as pessoas tramam algo contra si. Resvala com facilidade para a hipocondria, preocupando-se até com a consistência de seus dejetos.

Há duas realidades: O que vemos e o que é.

A estabilidade íntima depende de nossa capacidade em aproximar uma da outra. Quando menino, eu era míope, sem saber. Na escola, sentava próximo ao quadro negro; no cinema, nos primeiros lugares, em face de minha limitação.

Como a miopia é progressiva, vamos nos adaptando à redução da acuidade visual, sem perceber a própria deficiência. A paisagem, para mim, já com três graus, era um borrão, aparentemente natural.

Quando, finalmente, consultei o oftalmologista e usei o primeiro par de óculos, foi um deslumbramento. Encantei-me com a luminosidade dos objetos, a visão dos pássaros ao longe, os contornos da paisagem… Enxergava, sem problemas o letreiro nos filmes, os registros na lousa…

Nossas neuroses situam-se como uma miopia da alma, impedindo-nos de enxergar as realidades existenciais, detendo-nos em perturbadoras fantasias, a partir de meros borrões.

A maneira como enxergamos o mundo é decisiva em relação à própria saúde, física e psíquica. A visão desfocada, que caracteriza o comportamento neurótico, é extremamente desajustante.

Por isso Jesus proclama, em O Sermão da Montanha (Mateus, 6:22-23): “São teus olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso. Se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que há em ti sejam trevas, que grandes trevas serão”.

Richard Simonetti

http://www.correioespirita.org.br/categorias/artigos-diversos/2797-…

Rede Amigo Espírita

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DONOS DA VERDADE

– Orson Peter Carrara

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Se há um equívoco humano onde costumamos nos perder intensamente, com graves prejuízos para os ideais que julgamos lutar em favor, é nos colocarmos como donos da verdade.

É quando começamos a achar que somos imprescindíveis. É quando achamos que nosso ponto de vista é o mais acertado e deve ser aceito por todos. É exatamente quando nos colocamos na posição de impor ideias ou comportamentos, esperando adesões sem questionamentos. É aí que nos perdemos intensamente e prejudicamos os progressos do conjunto. É que deixamo-nos fascinar pela vaidade, pela transitoriedade precária de um cargo ou pela suposta e tola noção de superioridade e proteção que julgamos possuir.

São conhecidos os prejuízos históricos de tais comportamentos em todas as épocas da humanidade. Nem é preciso citar qualquer exemplo, mas o façamos apenas para reforçar a presente abordagem. Caifás, Pilatos, Hitler, entre outros personagens do passado e do presente estão entre tais casos, de nomes famosos ou conhecidos e mesmo entre anônimos na realidade e intimidade de empresas e famílias. Sim, tais casos lamentáveis estão nos esportes, na política, nas artes, nas religiões, nas profissões, nos relacionamentos familiares ou não e mesmo nos diferentes grupos de diferentes ideais.

Inclusive no ambiente do movimento espírita, infelizmente.

Ocorre dizer, por oportuno, que a Doutrina Espírita nada tem a ver com isso.

Isso é consequência de nossa imaturidade ou tentativa desesperada de resolver as coisas sob o nosso limitado e estreito ponto de vista. Imaturidade que ainda guarda os largos conteúdos do egoísmo, causa que articula a ambição, a inveja, o ódio e o ciúme, entre outros males. Ciúme e inveja, esses vermes roedores da paz humana. Para que? Eles juntos, articulados pelo egoísmo, perturbam as relações sociais, provocam divisões e destroem a tranquilidade e a segurança, conforme comenta o lúcido Codificador do Espiritismo, Allan Kardec, após a resposta dos Espíritos à questão 917 de O Livro dos Espíritos.

Se trouxermos, então, tal questão e tais prejuízos à intimidade de nossas atividades espíritas, já são conhecidos os danosos resultados.

Não somos donos da verdade, não somos donos de ninguém. Nossa opinião, nosso ponto de vista é apenas um ponto de vista pessoal, fruto de nossa experiência pessoal que é diferente da experiência do outro, que não pode ser desprezada.

Por que desmerecemos o esforço alheio, porque tentamos paralisar iniciativas alheias? Porque, finalmente, desejamos impor nossa vontade?

Tudo isso é fruto de nossa pequenez. Diante da proposta lúcida e grandiosa do Espiritismo, alicerçado no Evangelho de Jesus, iniciemos desde já o esforço de melhora de nós mesmos e não dos outros…

Vale lembrar André Luiz, Espírito, no livro Conduta Espírita (1) (edição FEB, psicografia Chico Xavier): “(…) Suprimir toda crítica destrutiva na comunidade em que aprende e serve. A Seara de Jesus pede trabalhadores decididos a auxiliar (…)”.

1 – Capítulo 20 – Perante os companheiros, páginas 77 a 79 da 7ª edição.

Por Orson Peter Carrara

Grupo Espírita Casa do Caminho

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A permanência no pecado

Postado por PATRIZIA GARDONA

Por Jane Maiolo

(O Pecado da Permanência)

Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, e sois redarguidos pela lei como transgressores.  Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos. [1]

 A palavra pecado no hebraico e no grego comum significa “errar”, no sentido de  não atingir um alvo, ideal ou padrão. Na acepção bíblica denota qualquer ato, sentimento ou pensamento que viola a Lei de Deus, ou seja, pecar é “falhar” ou  transgredir os Códigos dos estatutos divinos.

Bem provável que nós seres espirituais em constante aprendizado na matéria densa já experienciamos inúmeras situações onde a “falha” era nossa marca registrada.

A transgressão à lei de amor tem nos feito cativos, recalcitrantes e vagarosos.

O Espiritismo surge em nossa existência como farol a iluminar os caminhos que percorremos. É bem verdade que antes do conhecimento do Espiritismo não era tão consciente e nítida nossa condição de espíritos imortais e responsáveis pelos atos perante a eternidade. Beneficiados pela Terceira Revelação somos compelidos a adotar novos rumos de entendimento, sempre atentos à  afirmativa do apóstolo Tiago: “Portanto, se alguém sabe fazer o que é certo e ainda assim não o faz, está pecando.” [2]

É bem verdade que por decorrência dessas inobservâncias e “falhas” acumulamos débitos, muitas vezes impagáveis, contudo por misericórdia divina realinharemo-nos com as propostas de evolução das quais  nenhum de nós conseguirá fugir.

Pelas nossas transgressões à lei divina, intoxicamo-nos de ideias malsãs, comportamentos duvidosos e geramos frutos do dissabor. Adoecemos, pois o corpo mental não suporta a vibração e sintonia constante do mal.

Somos seres completos e complexos. Entre o espírito e o corpo físico existe o corpo psicossomático (períspirito) dotado de um campo magnético definido por André Luiz como túnica eletromagnética. Tal Benfeitor revelou a singularidade da vida no mundo espiritual, através da psicografia de Francisco Candido Xavier. Esse corpo sutil, quintessenciado é capaz de captar as ondas do pensamento, agregá-las, irradiá-las e emanar os fluidos pertencentes à sua identidade espiritual. Esclarece o autor de “Nosso Lar” que “todos os seres vivos (…) dos mais rudimentares aos mais complexos se revestem de um halo energético que lhes corresponde à natureza(…) Nas reentrâncias e ligações sutis dessa túnica eletromagnética de que o homem se entraja, circula o pensamento, colorindo-a com as vibrações e imagens de que se constitui, aí exibindo, em primeira mão, as solicitações e os quadros que improvisa, antes de irradiá-los no rumo dos objetos e das metas que demanda.” [3]

A mente, essa incógnita para a ciência humana, verdadeiramente deve ser conhecida, explorada, apreendida e meditada. As “falhas” que temos cometido por imaturidade , insensatez, invigilância, ignorância ou simplesmente por maldade tendem a conspurcar essa túnica eletromagnética, que Jesus afirmou ser o traje nupcial necessário para permanecer nas esferas mais elevadas do mundo espiritual.

As anomalias psíquicas estão cada vez mais frequentes e passamos achar que é normal aquilo que no entanto conceituamos anormal. Agredimos o semelhante, dissimulamos situações, corrompemos os sentimentos, caluniamos contra o próximo e tantas outras insanidades prepetramos ao longo do tempo. Portanto, cometemos “pecados”.

O homem do século XXI enfermou moralmente. “Falhou”. Transgrediu. “Pecou”. Não que dantes estivesse incólume ao “pecado”, mas, porque a ignorância, de certa forma, atenuava suas responsabilidades. Evoluímos. Sentimos. Expressamos.

O corpo doente é o reflexo do estado mórbido do ser espiritual. As doenças psicossomáticas nascem da obstinação da ira, do rancor, do ressentimento, da mágoa, do orgulho, da presunção, dentre tantos outros vícios morais que impregnamos na intimidade.

O padrão mental que adotamos é capaz de alterar nossas estruturas mais íntimas a ponto de perturbar as células físicas e culminar em  doenças instaladas no corpo físico pelo desiquilíbrio psicoemocional e energético.

O adoecer psíquico é o mais grave problema do ser imortal, visto que macula sua identidade espiritual conduzindo-o pelos caminhos da culpa, levando-o a experienciar  angústias , medos , inseguranças, que nada mais são do que consequências correspondentes às “falhas morais” ante os ditames dos códigos do BEM.

Importante lembrar que ao estagiar nessas estações de aprendizagem o espírito pode adotar, se assim o desejar, uma nova  postura mental e compreender que haverá  enormes esforços a serem empregados para realinhar-se ao que é bom, saudável e divino. Pois se a mente em desequilíbrio é capaz de fazer-nos adoecer, é preciso aceitar racionalmente que a mente sã é capaz de gerar saúde em nós. É como diz o adágio: Mens sana in corpore sano (“uma mente sã num corpo são”) que é uma célebre frase latina, proveniente da obra Sátira X do poeta romano Juvenal.

Ensinariam os nobres amigos da erraticidade:  “A espiritualidade vem demostrando a relação da mente com o sistema imunológico afirmando que ideias enobrecedoras levam a fixações positivas, com a formação de substâncias defensivas vindas do pensamento, com o aumento da imunoglobulinas” [4] que são as defesas do soro sanguíneo.

A Doutrina Espírita vem lançar luzes sobre esses pontos nevrálgicos e nos ensina a buscar horizontes e fixar de maneira educativa nossa mente em paisagens mais esperançosas. É possível nos tranformar.

Busquemo-nos a renovação mental através da lei de justiça, amor  e caridade e viveremos saudáveis  invariavelmente  identificados com as leis de Deus.

Referências bibliográficas:

[1]Tiago 2:9

[2]Tiago 4:17

[3] XAVIER, Francisco Cândido. Evolução em dois mundos- cap.17- primeira parte- ditado pelo espírito André Luiz –  Brasília /DF:  Ed FEB.

[4] Franco, Divaldo Pereira; Outros; Albuquerque, Alcione; Paulo, Jaider Rodrigues de – Livro: Das Patologias aos Transtornos Espirituais- AMEMG-  pág, 78.1ª edição .BH. editora INEDE, 2006.

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DESSERVIÇO AO ESPIRITISMO

Por Orson Peter Carrara

Quem estuda e conhece os fundamentos da Doutrina Espírita sabe seu significado e importância em favor da Humanidade. Isso gera uma consciência enorme de responsabilidade, convidando-nos a posturas de retidão, humildade e principalmente comprometimento com a causa espírita. Não é preciso alongar-se nesse parágrafo, de vez que as orientações são claras, estão definidas e precisamos vive-las. Eis o desafio constante do cotidiano.

Corre-se, entretanto, o risco de perder-se essa noção, face às fragilidades pessoais que todos trazemos. É quando prestamos um desserviço ao Espiritismo, prejudicando a nobre causa, em situações ainda tão comuns entre nós:

a) Quando nos colocamos no pedestal da condição de infalíveis, orientadores sábios ou solucionadores de todas as dificuldades, esquecidos de nossa própria fragilidade;

b) Quando nos isolamos da convivência com outros grupos e nos fechamos na pretensa posição de quem tudo sabe, esquecidos do tanto que ainda precisamos aprender;

c) Quando fugimos da humildade e permitimos que a vaidade nos conduza o comportamento, assumindo posições de pretensa superioridade que é incompatível com nossa própria realidade de mendigos espirituais;

d) Quando criamos ou estimulamos seguidores para nós, condicionando-os às nossas ideias, sempre limitadas, como bem próprio da condição humana, e pior, impedimos que cresçam por si mesmos, criando enormes responsabilidades para o futuro;

e) Quando somos pródigos como médiuns, para impressionar, em dar informações sobre o passado ou futuro das pessoas que nos procuram em busca de conforto, esquecidos igualmente de nossa cegueira e limitação no alcance das realidades espirituais;

f) Quando igualmente fornecemos detalhes de supostas perseguições espirituais de pessoas enfermas ou perturbadas, que precisam antes de alguém que apenas as ouça, distorcendo o nobre papel de consolador que o Espiritismo para todas as criaturas;

g) Quando tentamos adaptar o Espiritismo ao nosso acanhado e limitado ponto de vista, introduzindo práticas incompatíveis com a lógica e serenidade da prática espírita, desconhecendo a dinâmica da própria vida e suas leis;

h) Quando nos fanatizamos, desejando converter pessoas ou impondo nossos equivocados conceitos, esquecidos da liberdade de todos que devemos respeitar;

i) Quando deixamos de estudar e opinamos conforme nosso estado emocional, sem refletir naquilo que estamos dizendo, agredindo e machucando pessoas e pondo a perder iniciativas que levaram décadas para se solidificarem;

j) Quando nos apegamos a cargos, quando desejamos ser simplesmente obedecidos ou quando achamos que somente nós sabemos e aí nos perdermos em subestimar esforços alheios, esquecidos da potencialidade que está em todos os seres;

k) Quando caímos na crítica contumaz a tudo e a todos, como se fossemos donos da verdade, esquecidos do respeito que nos devemos mutuamente;

l) Quando exploramos, procuramos tirar vantagens, enganamos, manipulamos, distorcemos para fazer valer nosso ponto de vista…

A lista não termina aí. Se ficarmos penando, acharemos mais, claro. É bem próprio de nossa condição ainda de aprendizes da ciência de viver. Com uma doutrina maravilhosa à nossa disposição, vençamos essa tendência movida pelo orgulho que ainda nos caracteriza.

Atendamos antes aos apelos da fraternidade.

Dada à nossa condição de aprendizes, estamos todos sujeitos a falhas e equívocos. O próprio articulista aqui escreve antes para si mesmo, procurando em si mesmo vacinas de atenção para não cair nessas armadilhas tão comuns, tão diárias de todos nós, que, em síntese, prestam antes um desserviço ao Espiritismo, nobre e extraordinária Doutrina enviada ao planeta para que seus habitantes conheçamos a sabedoria das Leis Divinas, onde o amor é a essência, onde só encontraremos a felicidade e paz autênticas, quando nos respeitarmos…

Por Orson Peter Carrara

GE Casa do Caminho

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Reflexões sobre as Leis Naturais

Publicado por Wellington Balbo

Reflexões sobre as Leis Naturais.

Quando se inicia o estudo da Lei Divina ou Natural, que consta em O Livro dos Espíritos, percebe-se que Kardec, na elaboração das perguntas aos Espíritos, objetiva eliminar as contradições que, por vezes, algumas respostas podem trazer.

Vejamos abaixo:

Na questão 615 (OLE), indaga Kardec se a Lei de Deus é eterna. Os Espíritos respondem afirmativamente.

Então, Kardec lança, em seguida, na questão 616 a indagação se Deus poderia ensinar algo numa época em que noutra seria proibido.

Os Espíritos não se contradizem e reafirmam: a Lei de Deus é eterna e imutável como o próprio Deus.

Portanto, se há alguma lei que deve ser aperfeiçoada esta lei é a humana, que, conforme a evolução do próprio homem vai sofrendo modificações.

Os Espíritos, ainda neste tópico, dividem as leis naturais em duas partes:

As leis da matéria e as leis morais.

O objetivo é dominarmos essas duas leis, conhecer-lhes o mecanismo de funcionamento no caso das leis da matéria, já no caso das leis morais aplicarmos seus princípios a nós mesmos.

Uma existência, portanto, é pouquíssimo tempo para o homem avançar nos domínios dessas duas leis, tendo então o homem que reencarnar para progredir.

Trarei um exemplo para ilustrar:

Vivemos o tempo das especializações, conhecimento vertical, que se aprofunda em apenas um tema.

Há pessoas, por exemplo, que estudam apenas o “dedinho do pé esquerdo” e nele desenvolvem suas pesquisas e aprofundam-se cada vez, para desse “dedinho” tudo saber.

Imagine, então, quanto levaremos de tempo pela frente para dominarmos amplamente as leis da matéria e as leis morais.

Eis porque, em algum momento de O Livro dos Espíritos, os Espíritos dizem que o progresso é quase infinito, o que resulta num número muito alto de reencarnações para que o homem atinja o estado máximo possível de progresso.

Allan Kardec segue indagando aos Espíritos sobre as Leis Naturais.

Na questão 619 de O Livro dos Espíritos, Kardec tenta averiguar se todos os homens podem entrar em contato com a Lei de Deus, ou, como queiram, Leis Naturais.

O objetivo de Kardec é, também, verificar se existem privilégios na ordem das coisas, ou seja, se a Lei Natural está disponível apenas para um grupo seleto de pessoas.

Nessa indagação, dentre tantas coisas, Kardec descobre que a Lei Natural está aí para todos, sem exceção, aprenderem sobre ela.

Porém, há aqueles que conhecem a Lei de Deus e aqueles que a compreendem.

Existe, nesse caso, uma diferença hierárquica entre conhecer e compreender.

Compreender esta acima de conhecer. Quem compreende a Lei de Deus são os homens de bem e aqueles que procuram essa compreensão.

Aliás, constatamos essa diferença entre conhecer e compreender todos os dias de nossa vida, e para isso é só observar a nós mesmos e o contexto em que vivemos.

Quantas vezes agimos de forma equivocada sabendo que estamos equivocados?

Ou seja, conhecemos a Lei, contudo ainda não a compreendemos, posto que não praticamos.

Não basta, todavia, apenas conhecer a Lei de Deus, é preciso, pela reflexão, que, diga-se, ao menos teoricamente fica mais potente a cada existência corporal, distinguir o bem do mal e pelo esforço andar ao lado dessa Lei que, conforme nos ensinam os Espíritos será cumprindo-a que teremos a paz de consciência.

Avançando um pouco mais nas questões que tratam da Lei Natural, Kardec busca investigar o perfil do verdadeiro profeta.

A ideia de Kardec nas questões 622, 623, 624 e 625 (OLE) é saber se a revelação da Lei de Deus pode vir por intermédio de algum homem.

Os Espíritos respondem que sim, e informam que, de tempos em tempos, Deus envia Espíritos Superiores para ajudar o homem a descobrir as Leis Naturais.

A missão dos Espíritos Superiores é clarear os caminhos para o homem comum, ensinando as Leis de Deus, que, repetimos, podem ser divididas em duas partes:

Leis da matéria e leis morais.

Kardec, então, indaga qual o perfil do verdadeiro profeta. Os Espíritos respondem que é um homem de bem, cuja coerência entre palavras e ações é perfeita.

Indo um pouco além neste tema, Kardec pede aos Espíritos uma referência, alguém que o homem pode inspirar-se para ser alguém melhor.

Os Espíritos respondem de maneira lacônica:

– Jesus!

Kardec, após a resposta dos Espíritos, faz importante comentário acerca da moral ensinada por Jesus, deixando claro que o Espiritismo, por meio da compreensão da Lei de Deus, objetiva a melhora moral da humanidade.

Surge, entretanto, uma dúvida que é legítima, principalmente para aqueles que não conheceram Jesus, seja porque nasceram antes de sua vinda, seja porque pertencem a uma cultura que não trabalhou os elementos contidos nos Evangelhos.

E os que não tiveram a oportunidade de conhecer Jesus, como ficarão?

A resposta à indagação consta na questão 622, em que os Espíritos disseram que em todos os tempos, aqui e alhures, tiveram Espíritos Superiores reencarnados na Terra para ensinar a Lei de Deus.

Basta um passeio pela história da humanidade em suas mais diversas culturas para compreender que os Espíritos estão certos.

Reencarnamos, porém não ficamos à mercê, sempre temos aqui na Terra professores, Espíritos mais experientes que nos ajudam a compreender a Lei de Deus, ademais, mesmo tendo muito chão pela frente não há motivo para desânimo, pois a eternidade nos aguarda.

Rede Amigo Espírita

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O Espírita, a Interdição ao Corpo e o Carnaval

Grupo Espírita Casa do Caminho

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O espírita é, antes de tudo, uma pessoa, um ser humano, um “ser no mundo” que, como tal, vive o mundo e suas possibilidades conforme suas necessidades, carências e expectativas. Não perder essa dimensão humana de si mesmo é caminho de segurança para a própria felicidade, pois o contrário significaria viver uma ilusão, talvez a pior delas, que é a ilusão sobre si mesmo.

Sendo assim, é natural que o espírita, como pessoa que é, viva o mundo e no mundo, sem que isso signifique seu apequenamento evolutivo, se assim me posso expressar. Pensam de modo diferente, porém, aqueles que ainda estão marcados por um religiosíssimo atávico, idiossincrasia não só reencarnatória, mas também da atual existência, segundo o qual “experimentar as coisas do mundo” é pecado, é um erro, especialmente quando esse “experimentar” guarda relação com o corpo.

É que o corpo, para quem se pauta por um viés religioso-tradicional, é tratado como sinônimo de sujo, de animalidade. O corpo simboliza a matéria, densa e bruta, enquanto o que se sonha é o vaporoso, o diáfano, o espiritual. Daí porque os discursos religiosos costumam seguir na interdição ao corpo, a tudo aquilo que pareça exaltá-lo, experienciá-lo, considerando que isso é marca daqueles que se entregam a “desejos mundanos” e, por isso, ainda demais inferiorizados e distantes do ideal de perfeição a que se aspira. Os espíritas, nada obstante o Espiritismo seja uma doutrina progressista e libertária, ainda seguem por esses caminhos. Na vivência espírita, o “corpo” não tem vez, sendo sempre barrado das mais variadas formas: na mediunidade, o “corpo” deve permanecer impassível, sem movimento, pois isso indicaria “indisciplina” para aplicar o passe, o “corpo” não pode ter atividade sexual no dia anterior, pois isso “macularia” os fluidos; diante de uma palestra que agrada, encanta, não se pode aplaudir (expressar “corporalmente” um estado de felicidade e contentamento), pois isso “desequilibra” o ambiente; se estamos em férias, não se deve curti-las em demasia, pois isso seria entregar-se ao jugo do “corpo”, numa espécie de ostracismo imerecido; se há uma festa, não se pode dançar (movimentar o “corpo” para aliviar as tensões e buscar satisfação, inclusive física), pois “dançar” é demonstração de necessidades menores…

O corpo, assim, segue sendo o grande vilão evolutivo, pois é sinônimo de “carne”, que é “fraca”, e se impõe a necessidade de fugir do seu império…

Discursos e posturas desse tipo desembocam em erro de percepção. Acredita-se que “negar o corpo”, que seria o mesmo que “negar os desejos”, seja a melhor forma de se espiritualizar. Entretanto, a negação só promove distanciamento, fuga e sofrimento, pois é o reconhecimento do corpo e, consequentemente, dos desejos, que torna o ser consciente de si mesmo, de suas necessidades, capaz de avaliar seu alcance, sua extensão e seu impacto. De tal tomada de consciência depende uma “clareza evolutiva”, característica de espíritos maduros, que garantem um estado de tranquilidade interior, marcado pela compreensão de possibilidades e limites que, por via de consequência, conduz à “vivência do mundo” e à “experiência do corpo” sem sentimento de culpa.

Tudo isso tem a ver com o carnaval. O Espiritismo não o condena, mas os espíritas, em sua maioria, sim, especialmente alguns espíritos que, ou viveram um despertar espiritual marcado pela percepção dos próprios excessos, ou tiveram experiências religiosas de plena “interdição ao corpo” (celibato, clausura, mortificações…). E usam da “interdição ao corpo” para disseminar um discurso de terror, de amedrontamento e de interiorização, olhando-se para os possíveis e reais “excessos”, cometidos por alguns, como se fosse algo inevitável a quem vá “curtir o carnaval”, esquecidos de que a experiência da “educação pelo temor” não produz efeitos salutares, há muito fracassou.

Se pensarmos pela via do excesso, outras tantas festas abrem portas para tanto, como o Natal, as confraternizações de final de ano, as festas de aniversário, uma comemoração em família… E que dizer dos “excessos morais”, praticados sobretudo por aqueles que interditam o próprio corpo, mas se esbaldam em maledicência, orgulho, intrigas e julgamentos morais de todo tipo?

No carnaval há espíritos vampirizadores daqueles que se entregam ao uso desenfreado do álcool e outras drogas, bem como de práticas sexuais desequilibradas?

– Sim, há. Mas também os há no cotidiano, em casa, no clube, numa festa de aniversário. A questão não é o lugar, mas o sujeito;

No carnaval, posso me contaminar com fluidos deletérios?

– Sim, pode. Mas também pode se contaminar no trabalho, na escola, na faculdade, na via pública, numa festa de formatura. A questão, novamente, não é onde você está, mas a que tipo e influência você se sujeita;

No carnaval, há pessoas mal-intencionadas e dispostas à violência?

– Sim, há. Mas também se encontram na esquina da rua de nossa casa, na saída do trabalho, no ponto de ônibus ou de metrô. Em todos os lugares, temos que saber onde, como e com quem andar. Não é diferente no carnaval ou de onde quer que seja;

No carnaval, há excessos de todo tipo?

– Há, sim. Mas também os há em todos os momentos da vida, desde que as pessoas estejam dispostas a esses excessos. Também há relatos de médiuns que veem espíritos desta ou daquela forma, com tais ou quais características… mas também não existem na rua, nas festas de aniversário, de formatura, nas escolas e faculdades, onde há excessos e intenções infelizes? E será que o “saber antes” que tais espíritos estão por lá não “predispõe” a pessoa a vê-los ou senti-los? Em outro texto, abordarei essa questão com o exemplo do Mercado Modelo de Salvador.

A questão é muito clara:

– Se você reconhece suas fraquezas e sente que pode se influenciar, não vá;- Se você não consegue vencer o medo da violência, não vá;- Se você acredita que vai te fazer mal, não vá;- Se você não gosta de multidões, como eu, não vá;- Se você acha que é errado ir, não vá mesmo!

Agora, se você está em paz, não sente medo, gosta, acha certo e quer ir, a decisão de ir ou não é sua, não dos espíritos ou de quem quer que seja. Talvez você corra alguns riscos, mas comer azeitona também é perigoso…

Conheço milhares de pessoas que gostam, vão e voltam e continuam suas vidas. Aliás, é o que acontece com a grande maioria. A “carne” só é “fraca” para o espírito que é mais fraco do que ela.

Para os que reconhecem as próprias fraquezas e as próprias virtudes, a carne (corpo) é um instrumento, um caminho de realização de si mesmo, dos próprios desejos, dos objetivos superiores da encarnação, buscando fugir dos excessos de todo tipo e “experienciando” a vida material em tudo aquilo de bom que ela tiver para oferecer, segundo gostos e preferências. Que cada um construa seu próprio caminho, que se reconheça como sujeito, e não mero objeto da evolução, e reconheça seus próprios limites e possibilidades. E que não se esqueça dois aspectos muito importantes em todo esse contexto: responsabilidade e respeito. Somos responsáveis por tudo que fazemos, a nós mesmos e aos outros. Se agirmos sempre com respeito, pelo outro e por nós mesmos, que mal há em “viver”?

Pedro Camilo

Fonte: Espiritismo em Movimento

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Não se deixe enganar

Grupo Espírita Casa do Caminho

ORSON PETER CARRARA

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Se você se sente perturbado, angustiado, necessitado de orientação e busca respostas ou ajuda, fique atento. Nem sempre essa ajuda será oferecida por pessoas honestas ou comprometidas com o bem-estar do semelhante. Por ignorância (não no sentido pejorativo, mas sim no sentido de não saber mesmo), despreparo ou más intenções mesmo (como infelizmente tem ocorrido até com certa frequência), muita orientação oferecida se transforma em desdobramentos lamentáveis, com prejuízos emocionais e psicológicos de expressão na vida de muita gente.

Ao procurar um centro espírita, por exemplo, para pedir ajuda ou buscar respostas, preste atenção. Se a pessoa que te atender te amedrontar, te assustar, ameaçar, chantagear ou mesmo te cercar de informações esdrúxulas, detalhando seu passado ou seu futuro e até fizer previsões ou mesmo indicar perseguições espirituais, esqueça! Isso não é uma orientação espírita. O grupo que você foi pode até estar preparado, pode desfrutar de bom conceito, mas a pessoa que atendeu está completamente despreparada ou não foi bem orientada. Essa pessoa está usando pontos de vista pessoais e não conhece o Espiritismo.

O serviço de atendimento fraterno de uma instituição espírita ou mesmo qualquer pessoa chamada de espírita que você procure para conversar e pedir orientação, não existe para te assustar ou te ameaçar. O diálogo com qualquer pessoa de bom senso deve primar-se pela ordem, pelo respeito mútuo, numa análise ponderada, sem uso de argumentos ou citações que piorem a situação.

Ninguém tem o direito de ameaçar, explorar, ditar procedimentos, exigir. Podemos sugerir, claro, o que não significa que será aceito, o que se enquadra na liberdade individual da escolha a ser feita. Portanto, se você está diante de pessoa que ameace, ordene, exija ou tente qualquer tipo de exploração, esqueça. Isso não é orientação espírita. Esse não é um espírita.

Isso contrasta totalmente com a orientação espírita.

Num centro espírita sério não há revelações do passado ou do futuro, não há previsão de datas ou acontecimentos, não há consultas a torto e direito (usando expressão popular) aos espíritos para as mínimas questões que nós mesmos podemos discernir ou resolver. Aliás, dependência de espíritos é outro equívoco que você pode prestar atenção. Não temos que seguir pessoas, médiuns ou espíritos, temos que seguir a Jesus, o único infalível que pisou neste planeta.

Se você perceber que há dependência de tal médium, de tal espírito, isso deixa de ser prática espírita. Poderá ser prática mediúnica, mas não espírita. O fenômeno pode ser real, mas deixa de ser espírita, pois que o fenômeno espírita se prima pelo desejo único de auxiliar as pessoas, sem qualquer tipo de ritual ou dependência de médiuns ou espíritos, atendentes ou palestrantes, todos instrumentos da Bondade Divina, mas livres para escolher caminhos de equívocos, aos quais responderão pelos desdobramentos advindos, no devido tempo. Cuidado e prudência, pois. E você, naturalmente, vai ser perguntar: Mas como vou saber a quem procurar com segurança?

É simples e fácil: basta observar com atenção. Qualquer prática que traga em seu contexto ausência do bem e mistura de personalismo, ou indique malícia, exploração de qualquer tipo ou mesmo imposições e até mesmo previsões e também informações fáceis sobre passado e futuro, esqueça. Isso não é prática espírita. Isso é mediunismo sem responsabilidade.

E se exigir que você faça algo, seja um pagamento ou um comportamento, afaste-se. Isso não é Espiritismo. Pode ser o que for, mas não é Espiritismo. Espiritismo é simplicidade, fé, fraternidade. Se não houver bondade com simplicidade, está manchado pelo egoísmo humano que busca outros propósitos.

Não se deixe enganar, pois. Busque ajuda sempre precisar, com quem lhe mereça confiança.

Sempre que houver exigências ou imposições, desconfie. Busque sim, um grupo sério, espírita ou de qualquer outra crença, onde haja sinceridade e desejo do bem. Isso é o que importa.

Nenhum de nós pode se colocar no pedestal de orientadores. Somos todos aprendizes, desejando aprender uns com os outros. Toda vez que alguém se coloca na posição de sábio e infalível, pronto, já começou aí sua derrocada. Se encontrar alguém assim, ele é digno de nossa compaixão e precisa de preces, pois está se perdendo na própria vaidade.

Por Orson Peter Carrara

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Perda de Entes Queridos

Um coração de mãe perante a desencarnação dos filhos

Postado por os pae

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Brasília-DF

Se há circunstância bastante desafiadora para o coração de mãe é ter que sepultar o próprio filho. Lorelei Go, mãe de três filhos , “perdeu” os 3 filhos para o câncer de fígado em um pequeno intervalo de 4 anos.

Rowden, o seu filho mais velho, foi diagnosticado com câncer de fígado em estágio 4 e desencarnou em 2014. Apenas um ano mais tarde, Lorelei Go estaria enterrando o seu filho do meio, Hasset que sofria do mesmo câncer de fígado. O filho mais novo, Hisham também foi diagnosticado com câncer de fígado e embora tenha se submetido a diversos tratamentos, incluindo uma criocirurgia experimental na China, pouco mais de dois anos após o falecimento de Hasset, Lorelei teve que sepultar o seu último filho de apenas 27 anos.

Conquanto Lorelei tenha experimentado um momento no qual questionou as leis de Deus, porém percebeu que aquele era um teste de fortalecimento das suas convicções. Como uma pessoa de fé, ela decidiu pensar em seus filhos em condições mais agradáveis no além tumba, e preserva a esperança do momento no qual ela poderá se reencontrar com eles. Isso, segundo ela, é o que a dá forças. Quando falou com o GMA Public affairs, Lorelei disse que sabe que tudo isso faz parte dos planos de Deus para “testar e fortalecer a minha fé”, como citado pela goodtimes.my.

Poucos são os que estão preparados para receber a notícia de que um filho tem um câncer voraz. E muito menos para ver o filho perder a batalha para a doença. Contudo, urge que pacifiquemos a consciência em vez de nos infelicitarmos quando for dos desígnios de Deus retirar do corpo um de nossos filhos deste planeta de prova e expiação.

Segundo interpretações apressadas, concebemos que muitas situações chamadas de infelicidade, cessam com a vida física e encontram a sua compensação na vida além-túmulo. Emmanuel, com a nobre sensibilidade que lhe assinala o modo de ser, considera que “nenhum sofrimento, na Terra, será talvez comparável ao daquele coração que se debruça sobre outro coração regelado e querido que o ataúde transporta para o grande silêncio. E acentua, convincente: “Digam aqueles que já estreitaram de encontro ao peito um filhinho transfigurado em anjo da agonia. [1]

Em realidade, ante aqueles que demandam a Vida na Espiritualidade, o comportamento do espírita é algo diferente, ou pelo menos deve ser diferente, variando, contudo, de pessoa a pessoa, com prevalência, evidentemente, de fatores ligados à fé e à emotividade.

Nesses instantes cruciais do sepultamento de um filhinho o espírita chora discreto, mas se fortalece na oração. Na certeza da Imortalidade gloriosa, domina o pranto que desliza na fisionomia sofrida e busca na esperança uma das virtudes evangélicas, o bálsamo para a saudade justa.

O Espírita consciente nunca se entrega à desesperação. Não fraqueja ante os convites da rebeldia, porque sabe que revolta é insubordinação ante a Magna Vontade do Criador, que o espírita aprende a compreender e acolher, paradoxal e inexplicavelmente jubiloso, por dentro, vergado conquanto ao peso das mais agudas agonias.

Referências bibliográficas:

[1] PARALVA, J. Martins. O pensamento de Emmanuel, RJ: Ed FEB, 1990

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AFINIDADES DO AMOR

Comparação

Postado por PATRIZIA GARDONA

Nas fileiras da assistência espírita, temos tido a oportunidade de conviver com um casal que nos causa admiração. Ambos são moradores de rua, e arriscaríamos dizer que se encontram por volta dos quarenta anos de idade.

Ela, da raça negra, é muito conhecida de boa parte da cidade, por conta de seu comportamento. Completamente desequilibrada, com provável presença de espíritos desajustados, vivia pelas ruas andando seminua e portando-se como uma criança, inclusive com chupeta na boca.

Eventualmente aparecia em nosso Centro Espírita, sempre pedindo algo ou algum trocado. Entrava em todas as dependências que lhe fosse possível, intempestivamente, chegando mesmo a tentar pegar o que achava pela frente, interrompendo palestras e estudos, e da mesma forma que entrava saía. Nunca dava ouvido a quem quer que seja.

Ele, da raça branca, com barba e cabelo fartos e desalinhados, eventualmente aparecia, mas quando o fazia sempre se comportava com aparente normalidade, embora com aparência de algum desajuste psíquico-social.

Notava-se nele sempre uma preocupação em relação a ela, tentando protegê-la e ampará-la, o que nos chamava a atenção.

Uma noite, ao sairmos do Centro após as atividades doutrinárias para retornarmos ao lar, encontramos, não muito distante, uma movimentação provocada por um atropelamento. Paramos, na tentativa de sermos úteis, e verificamos que a vítima era a nossa conhecida. Com inúmeras escoriações e fraturas, principalmente nos membros inferiores, foi socorrida e começou então uma longa peregrinação por hospitais, incluindo o Hospital Adolfo Bezerra de Menezes.

Sempre recebíamos notícias dela quando o encontrávamos nos semáforos próximos ao Centro, ou quando o recebíamos para se alimentar com a sopa do Centro.

Um dia nos surpreenderam ao chegarem juntos ao Centro para a sopa. Ela andando com andador, e ele todo cuidados para ajudá-la, tratando-a com um carinho e respeito enternecedor.

Desde então, com frequência retornam, e nos chamou a atenção o “novo” comportamento dela. Calma, educada, com olhar manso, e uma certa simpatia jovial, sempre recebendo muito bem a atenção que ele lhe dedica. Parece que o acidente a acordou para uma nova realidade.

Chama a atenção, não só a mudança comportamental dela em função das dores provocadas pelo corpo machucado, mas principalmente na forma com que se tratam.

Por se tratar de moradores de rua, não há valores materiais em jogo, assim como não há predicados físicos padronizados pela cultura social em que vivemos. Ao contrário, falta-lhes até a higiene pessoal e roupa limpa, e mesmo com a falta de tudo, aceitam-se e se completam mutuamente, dedicando-se um às necessidades do outro, pouco importando o que está à volta.

Poderíamos até imaginar neles uma condição de “almas gêmeas”.

Por fim, é inevitável a comparação. Será que em nós, que temos alguma cultura, conhecimento do Evangelho e da Doutrina Espírita, que temos muito mais do que o necessário, em todos os aspectos, já se reconhece o amor que constatamos naquele casal? Já somos também reconhecidos pela nossa dedicação aos que conosco convivem, ou, ao contrário, ainda estamos exigindo condições ideais, materiais e humanas, para amar e servir?

Pensemos nisso.

Antonio Carlos Navarro

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