O Médium e o Estudo

Postado por ANA MARIA TEODORO MASSUCI

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Walter Barcelos

“Que o médium que não sinta com forças de perseverar no ensino espírita se abstenha, pois, não tornando proveitosa a luz que o esclareceis, será mais culpado e terá de expiar a sita cegueira.”
Pascal – “O Livro dos Médiuns “, Allan Kardec, cap. XXXI – Dissertação nº 13

Toda empresa humana responsável exige de seu operário que seja esforçado e atencioso, que estude sempre e aprenda continuadamente para se desenvolver, adquirindo competência e eficiência. Da mesma forma, o Espiritismo isto espera de seus profitentes

A Doutrina Espírita não alimenta ilusões nem fantasias de menor esforço para nenhum adepto, muito menos para aqueles que pertencem ao quadro de trabalhadores efetivos. No trecho em referência, o espírito Pascal em outras palavras quer nos dizer: ao médium que não se interessar pelo conhecimento da Doutrina Espírita, melhor será para ele abster-se da prática medianímica, ou seja, que paralise suas atividades, porque assim estará se isentando de cometer absurdos doutrinários, por permanecerem voluntária cegueira espiritual.

Não se justifica nenhum médium ficar longo período da vida em estado de ignorância doutrinária e estagnação moral, pois necessita alcançar a posição respeitável de bom instrumento psíquico afinado com as notas divinas da Doutrina dos Espíritos, para agir proveitosamente, tirando o máximo de crédito e lucros espirituais.

O médium espírita não poderá contar somente com a luz de seus guias espirituais. Indispensável conquistar sua própria luz interior, porque o guia nem sempre estará de sentinela, protegendo-o e livrando-o das dificuldades e tentações. Como manter o médium a sintonia mental elevada, a inspiração superior e a intuição construtiva, se pouco se interessa pelo estudo sério e aprofundado do Espiritismo, muito especialmente as obras de Allan Kardec? Como amar uma doutrina que muito mal conhece? O espírito Emmanuel no livro “O Consolador”, na questão n° 392, afirma, quanto ao dever de todo medianeiro espírita:

“O médium tem obrigação de estudar muito, observar intensamente e trabalharem todos os instantes pela sua própria iluminação”.

Quem serão esses médiuns? Obviamente, são todos aqueles engajados na casa espírita, principalmente das equipes de desobsessão, trabalho de passes, tratamento e cura espirituais.

Aqueles que se destacam pela sua força mediúnica e faculdades psíquicas avantajadas deveriam, com maior devotamento, se entregar à sagrada obrigação de estudar com mais seriedade e disciplina as obras espíritas, pois estão se posicionando como orientadores da multidão e aglutinadores das atenções para o Espiritismo.

No contato com dirigentes de centros espíritas, conversando sobre grupos mediúnicos, chegamos à conclusão de que diminuta é a percentagem de medianeiros que verdadeiramente gostam de estudar e aprender manuseando, principalmente, as obras básicas do Espiritismo.

Na atualidade, o médium espírita precisa estudar Kardec com método e perseverança, seja em particular – em sua residência – ou em equipe, principalmente na casa espírita, na forma de “Círculo de Estudos”, onde encontrará a luminosa oportunidade de dialogar, debater, opinar, ouvir diversas interpretações e dar também o seu entendimento, tudo dentro de um ambiente fraterno e familiar, promovendo luzes de verdade para todos.

Os médiuns que não gostam de estudar a Doutrina estão numa posição muito estranha, porque desejam servir com os espíritos da luz para consolar e esclarecer multidões de criaturas ignorantes, sendo que, por sua vez, permanecem com o cérebro embotado ao discernimento kardequiano. Os médiuns levianos fogem do esclarecimento espírita, alegando:

“Eu gosto mesmo é de trabalhar na mediunidade e ajudar os que mais sofrem, enfim fazer a caridade que Jesus nos ensinou. Não gosto da teoria! É muita falação! Eu prefiro a prática!

O que conheço de Espiritismo, somado à minha experiência, já é o bastante. Não preciso de mais estudo. Estudar muito a Doutrina perturba minha mente e o meu trabalho”.

Quanto de presunção e de vaidade encontramos nestas palavras saídas da boca de médiuns orgulhosos!

Devido aos médiuns, em grande maioria, não buscarem a pureza dos ensinos kardecistas, encontramos com facilidade por toda parte, centros espíritas realizando trabalhos mediúnicos os mais absurdos e exóticos, com absoluta ausência de disciplina, discernimento e prudência tão apregoados por Allan Kardec.

Alguém poderá indagar: Por que o bom médium precisa estudar, se ele sempre está com os mentores espirituais? Responderemos: Naturalmente, porque ele não é uma criatura infalível e nem possui privilégios e proteção especial dos Espíritos Superiores. O médium espírita é um aprendiz como qualquer outro companheiro de fé; um aluno necessitado de se iluminar constantemente; um discípulo chamado a conquistar as virtudes cristãs; um canal mediúnico sujeito a receber e aceitar tanto a inspiração de entidades benfazejas como das inteligências perversas e mistificadoras, dependendo sempre da direção e uso que dê à sua força mediúnica.

O estudo sério nunca perturbou ou fez adoecer pessoa alguma. Sendo assim, o médium precisa amar mais a Doutrina Espírita, estudando-a com prazer e disciplina, aplicação e perseverança.

“Mediunidade e Discernimento”, Ed. Didier,
Aliança Espírita – Julho de 2000
Fonte: http://www.espirito.org.br/

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Doação de órgãos

Quem nos garante que não seremos o próximo da fila? (Jorge Hessen)

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Brasília-DF

O ex-apresentador de TV Gugu Liberato permanecerá presente na recordação da família,  dos milhões de fãs e dos doentes receptores dos seus órgãos. A família do apresentador fez questão de realizar um desejo que Gugu sempre manifestou: a doação dos órgãos. Pois que quando em vida Gugu dizia que “Deus em sua infinita bondade nos dá a oportunidade da vida. Agora eu sigo adiante por um caminho que me levará mais próximo ao Pai. E neste momento quero praticar os ensinamentos do mestre Jesus. Assim como ele compartilhou o pão com os seus, eu compartilho meu corpo com aqueles que necessitam de uma nova oportunidade de viver. Aos meus familiares eu agradeço por terem realizado a minha vontade. Tenham certeza que, a partir de agora, eu estarei batendo em muitos outros corações e compartilhando minha vida com outros irmãos. Que eu seja um instrumento de amor, oportunidade e de luz.” [1]

Observamos que a doação dos próprios órgãos era um desejo do apresentador e os órgãos que lhes foram retirados poderão beneficiar cerca de 50 pessoas. Mas, a grande algazarra do assunto (doação de órgãos) é a morte encefálica, na vigência da qual órgãos ou partes do corpo humano são removidos para utilização imediata em doentes deles necessitados. Estar em morte encefálica é estar em uma condição de parada definitiva e irreversível do encéfalo, incompatível com a vida e da qual ninguém jamais se recupera.

Havendo morte cerebral, verificada por exames convencionais e também apoiada em recursos de moderna tecnologia, apenas aparelhos podem manter a vida vegetativa, por vezes por tempo indeterminado. É nesse estado que se verifica a possibilidade do doador de órgãos “morrer” e só então seus órgãos podem ser aproveitados – já que órgãos sem irrigação sanguínea não servem para transplantes.

Seria a eutanásia? Evidentemente que não! A eutanásia de modo algum se encaixaria nesses casos de morte encefálica comprovada.  A medicina, no mundo todo, tem como certeza que a morte encefálica, que inclui a morte do tronco cerebral (2) só terá constatação através de dois exames neurológicos, com intervalo de seis horas, e um complementar. Assim, quando for constatada cessação irreversível da função neural, esse paciente estará morto, para a unanimidade da literatura médica.

A temática “doação de órgãos ” é bastante contemporâneo no cenário terreno. Sobre o assunto, talvez, porque as informações sejam distorcidas, há o receio do desconhecido que paira no imaginário de muitos homens. Inclusive alguns espíritas se recusam a autorizar, em vida, a doação de seus próprios órgãos após o desencarne.

A doação de órgãos para transplantes é doutrinariamente válida. “Se a misericórdia divina nos confere uma organização física sadia, é justo e válido, depois de nos havermos utilizado desse patrimônio, oferecê-lo, graças às conquistas valiosas da ciência e da tecnologia, aos que vieram em carência a fim de continuarem a jornada.”. (3)

Chico Xavier afiançava que  “transplante de órgãos, na opinião dos Espíritos sábios, é um problema da ciência muito legítimo, muito natural e deve ser levado adiante.”. Os Espíritos, segundo Chico Xavier, “não acreditam que o transplante de órgãos seja contrário às leis naturais. Pois é muito natural que, ao nos desvencilharmos do corpo físico, venhamos a doar os órgãos prestantes a companheiros necessitados deles, que possam utilizá-los com proveito”. (4)

Não há reflexos traumatizantes ou cerceadores no perispírito, em relação à mutilação do corpo carnal, ou seja, o doador de córneas, por exemplo, não regressará “cego” ao Mundo Espiritual. Se fosse regra geral haver impacto do corpo físico doador no corpo espiritual, o que seria daqueles que são esmagados nos desastres de trânsito , os têm o corpo carbonizado pelo fogo ou pulverizado numa explosão? O que dizer da cremação, que reduz o cadáver a cinzas?

A doação de órgãos não afetará o corpo espiritual do doador, a menos que acreditemos ser injusta a Lei de Deus e estejamos no Planeta à deriva da Sua Suprema Bondade e Providência. Lembremos que nos Estatutos do Criador não há espaço para a injustiça e o transplante de órgãos é valiosa oportunidade, dentre tantas outras, colocada à disposição do homem para o exercício do amor.

Além do mais, se, hoje, somos doadores, amanhã, poderemos ser (ou nossos familiares e amigos) receptores de órgãos. Para a maioria das pessoas, a questão da doação é tão remota e distante quanto à morte. Mas, para quem está numa gigantesca fila esperando um órgão para transplante, ela significa a única possibilidade de vida. Quem nos garante que não seremos o próximo da fila?

Pensemos nisso!

Referência bibliográfica:

[1] Disponível em https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2019/11/24/corpo-de-gugu-libe…  acesso em 06/12/2019

[2] O tronco cerebral, e não o coração, é reconhecido como o organizador e “comandante” de todos os processos vitais. Nele está alojada a capacidade neural para a respiração e batimentos cardíacos espontâneos; sem tronco ninguém respira por si só.

[3] Franco, Divaldo Pereira. Seara de Luz, Salvador: Editora LEAL [o livro apresenta uma série de entrevistas ocorridas com Divaldo entre 1971 e 1990.]-

(4) Entrevista de Francisco Cândido Xavier, à TV Tupi, em agosto de 1964, publicada na Revista Espírita Allan Kardec, ano X, n°38

https://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com/2019/12/doacao-de-orgaos-quem-nos-garante-que.html#links

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Por que nos sentimos mal em determinados ambientes?

Publicado por Wellington Balbo 

Wellington Balbo – Salvador BA

Você já esteve em ambientes em que se sentiu mal, constrangido, pouco à vontade?

Ao comentar essas coisas com alguém pode ser que tenham dito que é coisa de sua cabeça, ou, então, má vontade de sua parte para com aquela “turma”.

Até pode ser, mas… nem sempre é má vontade de nossa parte.

Ocorre que nossa alma sente, por intermédio da expansão do perispírito, se aquele ambiente ou aquelas pessoas têm fluidos simpáticos aos nossos.

O corpo engana, os gestos podem ser perfeitamente traçados e planejados para agradarmos os outros, mas o mesmo não ocorre com os fluidos que não podem ser manipulados por algo que não seja o pensamento.

Os fluidos não se corrompem com as aparências e os sorrisos falsos, eis porque podemos sentir uma estranha sensação de mal querer mesmo com todos nos tratando de forma simpática.

Nossos fluidos, pois, conforme ensina Kardec, interpenetram-se com os de outros Espíritos e sentimos bem ou mal estar, a depender dos Espíritos encarnados ou desencarnados que estejam ao nosso redor.

Eis a razão pela qual buscamos, até de forma inconsciente, estar ao lado de pessoas que possuem valores semelhantes aos nossos.

É que nossa alma anseia a calmaria e busca ficar longe dos embates, principalmente os embates psíquicos, internos, que ocorrem longe da vista de todos.

Em nossa relação com as pessoas, ou com os Espíritos, há muito mais do que atração dos corpos, há, sobretudo, uma busca da alma, da essência que existe em nós por fluidos que se combinem com os nossos.

Nosso ser almeja a felicidade mesmo que relativa, e impossível é ser feliz num ambiente de constante intriga, mal querer, inveja, portanto, de fluidos que não se combinam.

Não é sem razão que os Espíritos informam ser uma das maiores felicidades da Terra estar ao lado de almas amigas, que têm valores muito próximos aos que temos.

Entretanto, vale salientar que, conforme crescemos, levaremos em nós somente o amor e a simpatia, de tal modo que teremos poucas antipatias e muitas afeições.

Mas isto é fruto de um intenso labor do Espírito por conquistar a capacidade de amor incondicional.

Um dia chegaremos lá e teremos apenas afetos, amores, pessoas pelas quais simpatizamos, pois pouco importará o fluido que emana do outro, porquanto o fundamental será o fluido que nós emanamos, e este será, tão somente, salpicado de amor e bem querer.

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Não basta casar-se. Imperioso saber para quê

Postado por PATRIZIA GARDONA

Dirás provavelmente que a resposta é óbvia, que as criaturas abraçam o matrimônio por amor. O amor, porém, reclama cultivo. E a felicidade na comunhão afetiva não é prato feito e sim construção do dia-a-dia.

As leis humanas casam as pessoas para que as pessoas se unam segundo as Leis Divinas.

Se desposaste alguém que te constituía o mais belo dos sonhos e se encontras nesse alguém o fracasso do ideal que acalentaste, é chegado o tempo de trabalhares mais intensivamente na edificação dos planos que ideaste de início.

Ergueste o lar por amor e tão-só pelo amor conseguirás conservá-lo.

Não será exigindo tiranicamente isso ou aquilo de quem te compartilha o teto e a existência que te desincumbirás dos compromissos a que te empenhaste. Unicamente doando a ti mesmo em apoio da esposa ou do esposo é que assegurarás a estabilidade da união em que investiste os melhores sentimentos.

Se sabes que a tolerância e a bondade resolvem os problemas em pauta, a ti cabe o primeiro passo a fim de patenteá-las na vivência comum, garantindo a harmonia doméstica.

Inegavelmente não se te nega o direito de adiar realizações ou dilatar o prazo destinado ao resgate de certos débitos, de vez que ninguém pode aceitar a criminalidade em nome do amor.

Entretanto, nos dias difíceis do lar recorda que o divórcio é justo, mas na condição de medida articulada em última instância.

E nem te esqueças de que casar-se é tarefa para todos os dias, porquanto somente da comunhão espiritual gradativa e profunda é que surgirá a integração dos cônjuges na vida permutada, de coração para coração, na qual o casamento se lança sempre para o Mais Alto, em plenitude de amor eterno.”

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Na Era do Espírito

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Jesus é a sublime síntese do Amor (Jorge Hessen)

Jorge Hessen

Jorgehessen@gmail.com

O Divino Mestre sempre enviou seus emissários para instruir povos, raças e civilizações com conhecimentos e princípios da lei natural. Além disso, há dois milênios, veio pessoalmente sancionar os conhecimentos já existentes, deixando a Boa Nova como patrimônio para toda Humanidade.

Observando o fluxo histórico dos povos, raças e civilizações identificamos que em todos os tempos houve missionários, fundadores de religião, filósofos, Espíritos Superiores que aqui encarnaram, trazendo novos conhecimentos sobre as Leis Divinas ou Naturais com a finalidade de fazer progredir os habitantes da Terra.

Porém, por mais admiráveis que tenham sido esses apóstolos, nenhum se iguala ao Soberano Governador da Terra. Até mesmo porque todos eles estiveram a serviço do Mestre Incomparável, o Guia e Modelo do homem neste mundo de prova e expiação.

Kardec, na introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo, escolhe o Ensino Moral das Escrituras, porque não está afeito a controvérsias, podendo inclusive unir todas as crenças em torno da sua proposta universalista. Na Terra, onde se multiplicam as conquistas da inteligência e fazem-se mais complexos os quadros do sentimento conspurcado no materialismo, compreendamos que o Cristo, na trajetória da Humanidade, foi o único mestre completo, exato e inquestionável, que abdicou do convívio com os seres celestiais para viver e coexistir conosco na carne.

Nos tempos áureos do Evangelho o apóstolo Pedro, mediunizado, definiu a transcendência de Jesus, revelando que Ele era “o Cristo, o Filho de Deus vivo” . No século XIX o Espírito de Verdade atesta ser Ele “o Condutor e Modelo do Homem”. Para o célebre pedagogo e gênio de Lyon, o Cristo foi “Espírito superior da ordem mais elevada, Messias, Espírito Puro, Enviado de Deus e, finalmente, Médium de Deus.” Não há dúvidas que Jesus foi o Doutrinador Divino e por excelência o “Médico Divino”, segundo André Luiz.  Por sua vez, Emmanuel o denomina de “Diretor angélico do orbe e Síntese do amor divino”.

Quando o Codificador questionou os Espíritos sobre quem teria sido o ser mais evoluído da Terra, recebeu uma resposta tão curta quanto profunda: “Jesus!”. Sua lição é não só a pedra angular do Consolador Prometido, da Doutrina dos Espíritos, mas a régua de medida, o referencial universal com que aferiremos o nosso proceder, o nosso avanço ou o nosso recuo no processo de espiritualização que nos propusermos: a visão real do que somos no íntimo de nossa consciência e quão perto ou distante estejamos do incondicional Amigo e   Mestre que nos exorta a amarmos uns aos outros como Ele nos amou.

Adorado por uns, execrado por outros, indiferente para muitos, o Crucificado deixou ensinamentos muito singelos, porém profundos, Ele aplicou a filosofia que difundia, desconcertando os inimigos gratuitos, recebendo apoios no povo e confundindo os restantes. Aos Espíritas sinceros cumpre não perder de vista essa realidade de suma importância – a total vinculação do Espiritismo com os ensinos do Filho do Homem, com o Cristianismo primitivo, pela base moral comum a ambos, sem desvios impostos pelo interesse dos religiosos infiéis.

O Desejado das Nações vigia e cuida a nau terrestre e se compadece de cada um de nós, facultando-nos vários recomeços para conquista definitiva da paz. Cada palavra que o Bom Pastor plasmou na atmosfera terrena dirige-se a todos nós, ontem, hoje e sempre independentemente de onde possamos estar ou do que fazemos.

O Príncipe da Paz transcende as dimensões de toda análise convencional e paira muito além do grau de desenvolvimento científico, moral ou espiritual de qualquer representante dos mais renomados intelectuais humanos, porquanto Ele foi, é e sempre será o construtor excelso do nosso planeta, quando sequer a vida existia nas plagas do orbe.

https://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com/2017/12/jesus-e-sublime-sintese-do-amor-jorge.html

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Quando Falta a Alegria – Sidney Fernandes

Postado por PATRIZIA GARDONA

Sidney Fernandes – 1948@uol.com.br

É fácil beijar o rosto, difícil é chegar ao coração.

Fernando Pessoa

Quem gosta de ficar ao lado ou conviver com uma pessoa que cultiva a tristeza? Ou mesmo está permanentemente se queixando, insatisfeita com tudo e com todos? Essas pessoas são infelizes, arrastam as correntes da vida, geralmente são solitárias e consideram a vida um inferno permanente.

Olhar para o espelho da vida e começar a desconfiar de que, muitas vezes, esse ser destituído de alegria e bom ânimo somos nós mesmos é porque está na hora de fazermos uma reflexão e buscar mudanças imediatas, antes que tais comportamentos de cristalizem e provoquem males irreversíveis.

O cardiologista Michael Miller, da Universidade de Maryland, Estados Unidos, liderou uma pesquisa sobre os benefícios do riso para a saúde do coração. Comparando as atitudes diante da vida de 150 pessoas com histórico de enfarto com o mesmo número de pessoas sadias, descobriu que aquelas que nunca tinham sofrido com problemas no coração eram as que demonstravam bom humor constante. Para evitar problemas cardíacos, Miller recomenda combinar a velha receita de saúde — exercícios físicos regulares e dieta balanceada — com algumas gargalhadas durante o dia.

— Rir do quê? — poderá alguém objetar. — O que mais falta acontecer? Uma noite dessas sonhei que estava falando com um tenebroso espírito, que deve estar me acompanhando em maré de azar, e pedi que me levasse desta vida. Melhor mesmo seria morrer — pensava. Sabe o que o ingrato me respondeu? — Sua hora ainda não chegou. Você tem muito o que fazer na Terra.

A permanência em mundo, como o nosso, no entanto, em que predominam o egoísmo, a vaidade e orgulho sujeita-nos a grandes variações ciclotímicas, que podem nos elevar às alturas ou nos derrubar para zonas de inquietação, quando não nos protegemos adequadamente.

Cada ato, cada palavra, cada pensamento, são sinais claros das zonas mentais de que procedemos e permanecemos. Desencarnados aproximam-se do meio que se lhes assemelham. A faixa vibratória de cada ser atrai espíritos, de acordo com mútuas tendências.

Daí a necessidade de nos prevenirmos contra situações complicadoras de relacionamento e de economia espiritual como tristeza, queixas, linguagem inconveniente, leviandades e outras mais.

Emmanuel[1] lembra que, durante o repouso noturno, cada um deve interrogar a si próprio e procurar saber o quanto está colaborando nas relações profissionais, afetivas, filantrópicas, sociais e outras da vida comum.

Se, por um lado, cientistas da atualidade nos recomendam a prática regular de atividades físicas, que nos premiarão com inúmeros neurotransmissores produzidos pelo cérebro, dentre eles a endorfina, que libera ações anti-inflamatórias e analgésicas, a ginástica do bem, que pressupõe o perdão, a tolerância, a boa palavra, a paciência, o trabalho e a alegria, representam verdadeiras vacinas contra a tristeza e a sombra esterilizadoras.

Retirar os óculos escuros do pessimismo, orar constantemente — inclusive no Evangelho do Lar —, levar uma religião a sério, ser bom familiar e bom profissional, fazer o bem ao semelhante e confiar em Deus são medidas que compõem fórmula profilática infalível capaz de prevenir todos os males. Azar, chagas da alma, espíritos doentes, tristeza, insatisfação, ranzinzice, palavrões, leviandades, inveja e ciúme perecem, diante da invencível força do amor.

[1] Página Contribui, livro Pão Nosso, de Emmanuel

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OS “DONS SUPERIORES” DESPERDIÇADOS PELO HOMEM

– Fritz ante a preguiça moral, a balela e a promessa de artificiosa cura

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Brasília-DF

A atriz Juliana Paes da Globo vai aparecer nos cinemas em 2020, junto com o ator Danton Mello e outros, no longa-metragem intitulado “Predestinado – Arigó e o Espírito do Dr. Fritz”. O filme propõe contar a história do médium mineiro, José Pedro de Freitas, o “Zé Arigó”. Com certeza tal evento fará ressurgir, nas hostes espíritas, o deslumbramento pela procura de médiuns incorporadores de “cirurgiões” cura tudo ou miraculosos “médicos” do além.

Que existe interferência dos desencarnados nos processos terapêuticos na Terra, não há dúvida, porém não se pode dar proeminência a esse tipo de fenômeno, na presunção de consolar os desprotegidos ou na ardilosa ideia de fortalecimento da  difusão do Espiritismo por essas dispensáveis práticas.

Vejamos, Zé Arigó, o médium que incorporava o Dr. Fritz, e realizava cirurgias sem anestesia, certa ocasião ofereceu-se para operar o Chico Xavier, que prontamente rejeitou a oferta e optou por se internar em hospital de São Paulo.  A atitude do Chico provocou uma boa discussão na época.

Por que não aceitou a oferta do Dr. Fritz?

Chico duvidava do poder dos famosos “cirurgiões” espirituais?

O filho de Pedro Leopoldo se limitou a repetir a resposta oferecida em 1969 a Zé Arigó: “Como eu ficaria diante de tanto sofredor que me procura e que vai a caminho do bisturi, como o boi para o matadouro? E eu vou querer facilidades? Eu tenho que me operar como os outros, sofrendo como eles.” [1]

Anos mais tarde, sob firme depoimento, Chico Xavier pronunciou: “Sou contra essa história de meter o canivete no corpo dos outros sem ser médico. O médico estudou bastante anatomia, patologia e, por isso, está habilitado a fazer uma cirurgia. Por que eu, sendo médium, vou agora pegar uma faca e abrir o corpo de um cristão sem ser considerado um criminoso? [2]

A tendência de subestimar a contribuição da medicina terrena, entregando nossas enfermidades aos Espíritos “milagreiros” do além (com nome germânico ou  hindu), para que “curem” complexos processos de metástases, por exemplo, é uma atitude equivocada. Até mesmo porque, os Espíritos não estão à nossa disposição para promoverem curas de patologias que, não raro, representam providências corretivas para o nosso crescimento espiritual no buril expiatório.

Além do mais, os princípios doutrinários nos elucidam que necessitamos “Aproveitar a moléstia como período de lições, sobretudo como tempo de aplicação de valores alusivos à convicção religiosa. A enfermidade pode ser considerada por termômetro da fé”. [3]

Como bem recomenda Allan Kardec, em Viagem Espírita 1862, pág. 33: “O exagero em tudo é prejudicial, mas, em semelhante caso, vale mais pecar por excesso de prudência do que por excesso de confiança“. [4]

Sobre esse tipo de mediunidade fica evidente que não há qualquer amparo espiritual aos médiuns dos cirurgiões do além. Vejamos alguns fatos emblemáticos sobre os intermediários do tal Dr. Fritz e outros do ramo.  José Arigó, o mais famoso, desencarnou tragicamente num acidente de automóvel, em MG, Rubens de Farias, depois que sua esposa o denunciou de adultério e enriquecimento ilícito saiu terminantemente de cena, Edson Queiroz foi brutalmente morto a facadas por seu caseiro em Recife, João de Deus jaz prisioneiro na penitenciária de Aparecida de Goiás , incriminado por centenas de estupros e enriquecimento  ilícito. Isso sem colocar aqui no inventário sobre esse tipo de mediunidade “curadora” o mais importante médium do Lar Frei Luiz no Rio,  Gilberto Arruda , que foi  assassinado dentro do centro.

O exercício dos Códigos Evangélicos nos impõem a obrigatória fraternidade e a compreensão aos adoentados e adeptos dessas extravagantes práticas mediúnicas, o que não equivale dizer que devemos nos silenciar quanto à adequada recriminação. Tal mediunidade não é e nunca será indispensável para propagação dos princípios espíritas. Além do mais, o centro espírita não pode se transformar em abrigo dos ambulantes cura tudo.

Bem-estar e saúde integral são obtidas através do cumprimento das Leis Divinas inscritas na consciência de todos nós! O resto é preguiça moral, balela e promessa de artificiosa cura que se transformará em desafiadora moléstia moral amanhã.

https://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com/2019/11/fritz-ante-preguica-moral-balela-e.html

Referência bibliográfica:

[1] SOUTO Maior, Marcel. As vidas de Chico Xavier / MARCEL Souto Maior. 2. cd. rev. e ampl. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2003

[2]Idem

[3] VIEIRA, Waldo. Conduta Espírita, Ditado pelo Espírito André Luiz, Cap.35. RJ: Editora FEB, 1977-5ª edição

[4] KARDEC, Allan. Viagem Espírita 1862, pág. 33, RJ:  Ed FEB, 1999

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Pilares da Doutrina Espírita

Existência de Deus

Imortalidade da alma

Pluralidade das existências

Pluralidade dos mundos habitados

Comunicabilidade dos espíritos

  1. Existência de Deus

Deus existe.  É a origem e o fim de tudo.  É o criador, causa de todas as coisas.  Deus é a suprema perfeição, com todos os atributos que a nossa imaginação lhe possa atribuir, e muito mais.

  1. Imortalidade da Alma

Antes de sermos seres humanos, filhos de nossos pais, somos, na verdade, espíritos, filhos de Deus.  O espírito é o princípio inteligente do universo, criado por Deus, simples e ignorante, para evoluir e realizar-se individualmente pelos seus próprios esforços.

Como espíritos, já existíamos antes de nascermos e continuaremos a existir, depois da morte física.

Quando o espírito está na vida do corpo, dizemos que é uma alma ou espírito encarnado.  Quando nasce para este mundo, dizemos que reencarnou; quando morre, que desencarnou. Desencarnado, volta ao plano espiritual ou espiritualidade, de onde veio ao nascer.

Os espíritos são, portanto, pessoas desencarnadas que, presentemente, estão na espiritualidade.

  1. Pluralidade das Existências

Criado simples e ignorante, o espírito é quem decide e cria o seu próprio destino.  Para isso, ele é dotado de livre-arbítrio, ou seja, capacidade de escolher entre o bem e o mal.  Desse modo, ele tem possibilidade de se desenvolver, evolucionar, aperfeiçoar-se, de tornar-se cada vez melhor, mais perfeito, como um aluno na escola, passando de uma série para outra, através dos diversos cursos.  Essa evolução requer aprendizado, e o espírito só pode alcançá-la encarnando no mundo e desencarnando, quantas vezes necessárias, para adquirir mais conhecimentos, através das múltiplas experiências de vida.

A reencarnação, portanto, permite ao espírito viver inúmeras existências no mundo, adquirindo novas experiências, para se tornar melhor, não só intelectualmente, mas, sobretudo, moralmente, aproximando-se cada vez mais do que estabelecem as Leis de Deus.

Mas, assim como o aluno pode repetir o ano escolar – uma, duas ou mais vezes – o espírito que não aproveita bem sua existência na Terra, pode permanecer estacionário pelo tempo necessário, conhecendo maiores sofrimentos, e atrasando, assim, sua evolução, até que desperte para a necessidade de caminhar em direção ao progresso.

Não podemos precisar quantas encarnações já tivemos e quantas teremos pela frente.  Sabemos, no entanto, que, como espíritos em evolução constante, reencarnaremos quantas vezes sejam necessárias, até alcançarmos o desenvolvimento moral exigido para nos tornamos espíritos puros.

Esquecimento do passado: não nos lembramos das vidas passadas e aí está também a sabedoria de Deus.  Se lembrássemos do mal que praticamos ou dos sofrimentos pelos quais passamos, dos inimigos que nos prejudicaram ou daqueles a quem prejudicamos,  teríamos infinitas dificuldades para viver em plenitude a vida atual. Ocorre que, frequentemente, os inimigos do passado, hoje são trazidos ao nosso convívio próximo, na condição de filhos, irmãos, pais, amigos, nos oferecendo a oportunidade do resgate, da reconciliação, do amparo mútuo: esta é uma das razões da reencarnação.

Certamente, hoje estamos corrigindo erros praticados contra alguém, sofrendo as consequências de crimes perpetrados, ou mesmo sendo amparados, auxiliados por aqueles que, no pretérito, nos prejudicaram.  Daí a importância da família, onde se costumam reatar os laços cortados em existências anteriores.

A reencarnação, dessa forma, é uma oportunidade de reparação, como é também oportunidade de devotarmos nossos esforços pelo bem dos outros, apressando a própria evolução espiritual.  Quando reencarnamos, trazemos um “plano de vida”, compromissos assumidos durante a espiritualidade, perante nós mesmos e nossos mentores espirituais, e que dizem respeito à reparação do mal e à prática de todo o bem possível.  Dependendo de nossas condições espirituais, poderemos ter participado ou não dessas escolhas, optando por provas, sofrimentos, dificuldades ou facilidades, que propiciarão meios para nosso desenvolvimento espiritual.

A reencarnação, portanto, como mecanismo perfeito da Justiça Divina, explica-nos por que existe tanta desigualdade no destino das criaturas na Terra.

Pelos mecanismos da reencarnação, verificamos que Deus não premia ou castiga. Pela misericórdia divina, somos nós os articuladores do próprio destino, por vezes necessitando de sofrimentos que nos instigam à melhora e crescimento, pela lei da “ação e reação”.

  1. Pluralidade dos Mundos Habitados

Nem todas as encarnações se verificam na Terra.  Existem mundos superiores e mundos inferiores ao nosso.  Quando evoluirmos, poderemos renascer num planeta de ordem elevada.  O Universo é infinito e “na casa do Pai há muitas moradas”, já dizia Jesus.

A Terra é um mundo de categoria moral inferior, haja vista o panorama lamentável em que se encontra a humanidade.  Contudo, ela está sujeita a se transformar numa esfera de regeneração, quando os homens se decidirem a praticar o bem e a fraternidade reinar entre eles.

“Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos esses seres para o objetivo final da Providência.  Acreditar que só os haja no planeta que habitamos fora duvidar da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma inútil.  Certo, a esses mundos há de Ele ter dado uma destinação mais séria do que a de nos recrearem a vista.  Aliás, nada há, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de milhões de mundos semelhantes.” (O Livro dos Espíritos, questão 55)

  1. Comunicabilidade dos Espíritos

Os espíritos são seres humanos desencarnados. Eles são o que eram quando vivos; bons ou maus, sérios ou brincalhões, trabalhadores ou preguiçosos, cultos ou medíocres, verdadeiros ou mentirosos.

Eles estão por toda parte.  Não estão ociosos.  Pelo contrário, eles têm as suas ocupações, como nós, os encarnados, temos as nossas.

Não há lugar determinado para os espíritos. Geralmente os mais imperfeitos estão junto de nós, atraídos pela materialidade a qual estão ainda jungidos, e pela similaridade de sentimentos com as quais nos afinizamos.  Não os vemos, pois se encontram numa dimensão diferente da nossa, mas eles podem ver-nos e até conhecer nossos pensamentos.

Os espíritos agem sobre nós, mas essa ação é quase que restrita ao pensamento, porque eles não conseguem agir diretamente sobre a matéria.  Para isso, eles precisam de pessoas que lhes ofereçam recursos especiais: essas pessoas são chamadas médiuns.

Pelo médium, o espírito desencarnado pode comunicar-se, se puder e quiser.  Essa comunicação depende do tipo de mediunidade ou de faculdade do médium: pode ser pela fala (psicofonia), pela escrita (psicografia) etc…

Mas, toda e qualquer comunicação não deve ser aceita cegamente; precisa ser encarada com reserva, examinada com o devido cuidado, para não sermos vítimas de espíritos enganadores.  A comunicação depende da conduta moral do médium.  Se for uma pessoa idônea, de bons princípios morais, oferece campo para a aproximação e manifestação de bons espíritos.

É preciso ficar alerta contra as mistificações e contra os falsos médiuns, que tentam iludir o público menos avisado em troca de vantagens materiais.  Por isso, é importante que, antes de ouvir uma comunicação, a pessoa se esclareça a respeito do Espiritismo.

Fonte:

– “Iniciação ao Conhecimento da Doutrina Espírita”, livreto elaborado pelo CE “Caminho de Damasco” – Revue Spirite – dez/1868

– Livro dos Espíritos Allan Kardec

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ANALISE ESPÍRITA SOBRE ABORTO EM CASO DE ESTUPRO

É Admissível o Aborto em caso de Estupro?

Essa pergunta foi feita por uma estudante de medicina ao acompanhar o parto de um bebê gerado em decorrência de um estupro. Naturalmente, ela queria saber sobre a posição da Doutrina Espírita a respeito do assunto.

Já escrevemos sobre o estupro em outro artigo intitulado “O Estupro é Programado pela Espiritualidade?”, onde concluímos que a Espiritualidade, assim entendida a que se refere aos espíritos esclarecidos e adiantados do espaço, jamais programaria para o curso de uma existência física esse tipo de crime ou qualquer outro. Ninguém renasce para ser assassino, estuprador, suicida etc.

Deus não pune criatura alguma, considerando que Ele é a mais absoluta expressão do Amor.

O mal é criação humana e não de Deus. Sendo assim, alcança seus autores irremediavelmente: o mal gera o mal para quem o pratica.

A estudante de medicina acrescenta outra pergunta:

– queria saber algo sobre a situação do espírito reencarnante.

Vamos ver, então, algumas possibilidades (muito longe de pretender esgotar o assunto):

Pode acontecer de o espírito reencarnante ser inimigo de outra vida da mulher violentada e ser o “autor intelectual” da ocorrência. Por exemplo: supondo que a vítima sai a pé à noite de retorno do trabalho e que atravessa áreas isoladas e afastadas do movimento normal da via pública, o espírito poderá agir de forma a intuir um criminoso a encontrá-la e praticar o ato. É possível, nesse caso, de o Espírito vingativo ser atraído magneticamente para a reencarnação compulsória, sem mesmo ter consciência disso.

Soubemos de um caso que o Espírito vingativo, que já havia sofrido muito nas mãos de uma jovem em existência pregressa, “estimulou-a” a experiências sexuais com o namorado com o intuito de “fazê-la” engravidar, convicto de que ela faria o aborto quando ficasse ciente da gravidez inesperada. Desse modo, após esse ato, a jovem estaria mais acessível a sua injunção obsessiva pelo crime praticado. Mas, felizmente, a moça foi devidamente orientada na casa espírita e o espírito, antigo verdugo, é-lhe hoje o filho muito amado. De um mal aparente, o bem triunfou.

Uma outra possibilidade: Poderá ser uma expiação para a futura mãe que em outras existências praticou vários abortos, por exemplo (apenas para citar uma possibilidade). Antes da presente reeencarnação, no mundo espiritual, pôde a mulher ver com clareza a gravidade dos seus crimes, implorando ao Bom Deus a oportunidade de ser novamente testada na sua resistência moral com gravidez em situação bastante adversa – que é o caso do estupro.

Vejamos o que diz o conhecido médium e orador espírita Divaldo P. Franco:

“Embora lamentável e dolorosa a circunstância traumática da ocorrência, é dever da jovem e dos seus familiares manterem a gravidez, auxiliando o Espírito que se reencarna em situação aflitiva e angustiante. Compreende-se a dor da vítima e dos seus familiares, no entanto, não se tem o direito de matar o ser reencarnante que necessita do retorno naquela maneira, a fim de crescer para Deus. Não raro, esses seres que renascem nessa conjuntura tornam-se amorosos e profundamente agradecidos àqueles que lhe propiciaram o recomeço terrestre: a mãe e os familiares”.

Dr. Jorge Andréa (Encontro com a Cultura Espírita, págs. 91 a 95),  afirma que:

“nenhum Espírito chegará ao processo reencarnatório sem uma atração específica com sua futura mãe. O  mergulho na reencarnação – diz ele – só se dará quando a sintonia entre mãe e futuro filho estiver praticamente indissolúvel. Qualquer que seja a qualidade do reencarnante, haverá sempre com a mãe correlação de causas, onde ambos lucrarão sempre, no sentido evolutivo, quer os mecanismos se exteriorizem nas faixas do amor ou do ódio. O Espírito reencarnante, com o seu campo específico de energias, fará a seleção do espermatozoide pelas contingências de suas irradiações, adquirindo e construindo o futuro corpo de acordo com as suas necessidades.”

Verificamos, então, que o espírito reencarnante além de grande devedor que vem para resgate difícil (iniciando sua prova já na gestação), é também ligado espiritualmente à mulher, vítima atual da violência sexual.

Conquanto seja uma situação extremamente adversa e traumática, a prova somente será vencida, proporcionando um extraordinário crédito espiritual à futura mãe, se houver aceitação da gestação, o que implicará em receber o bebê com amor.

Caso a mãe não consiga ou não queira ficar com o bebê por questões emocionais, psicológicas, familiares ou financeiras, existem milhares de casais ávidos por uma adoção e que receberá a criança com o amor que todos nós merecemos.

De acordo com a questão 359 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, apenas numa única situação o aborto é admissível: Quando a criança em gestação põe em perigo a vida da mãe, é preferível que se sacrifique a vida do nascituro.

Fernando Rossit

Fontes de apoio:

-Entrevista concedida por Divaldo Franco pode ser vista na íntegra clicando-se neste link: http://www.oconsolador.com.br/51/entrevista.html

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Por que estudar O livro dos médiuns?

Simoni Privato Goidanich

1) A mediunidade faz parte da vida

Médiuns somos todos, em maior ou em menor medida[1]. Inclusive as pessoas que não acreditam na existência dos Espíritos podem ser influenciadas por eles[2]. Estudar seriamente a mediunidade é, pois, de fundamental importância.

É particularmente evidente a importância do estudo sério da mediunidade por parte dos adeptos do espiritismo, já que este é uma ciência prática que consiste nas relações que se pode estabelecer com os Espíritos e uma filosofia que compreende todas as consequências morais que dimanam dessas relações[3]. Mesmo que o espírita não possua faculdades mediúnicas que hajam produzido, até o momento, efeitos notórios ou ainda que ele não participe nem venha a participar de reuniões mediúnicas, é recomendável que estude a mediunidade a fim de que esteja preparado para lidar com ela em si mesmo, especialmente se alguma faculdade mediúnica vier a aflorar de maneira ostensiva, e nos demais, inclusive em situações inesperadas, dentro e fora do centro espírita. De fato, a mediunidade não se limita às reuniões mediúnicas: faz parte da vida.

2) O necessário alicerce

As obras fundamentais do espiritismo, indicadas no Catálogo racional das obras que podem servir para fundar uma biblioteca espírita, resultam dos sérios, prolongados e laboriosos estudos realizados por Allan Kardec, que compreenderam milhares de observações[4]. Na composição dessas obras, Allan Kardec contou com elevada assistência espiritual, mas sem qualquer sinal exterior de mediunidade.

Ao invés de prejudicar, a ausência de mediunidade ostensiva em Allan Kardec foi altamente benéfica para a composição das obras fundamentais do espiritismo, conforme ele mesmo explicou: “Com uma mediunidade efetiva, eu somente teria escrito sob uma mesma influência. Teria sido levado a aceitar como verdadeiro apenas o que me tivesse sido comunicado, e isso talvez sem razão; ao passo que, em minha posição, convinha que eu tivesse liberdade absoluta para obter o que é bom onde quer que se encontrasse e de onde viesse. Portanto, tenho podido fazer uma seleção dos diversos ensinamentos, sem prevenção e com total imparcialidade. Tenho visto muito, estudado muito, observado muito, mas sempre com um olhar impassível, e nada mais ambiciono senão ver a experiência que tenho adquirido colocada a benefício de outros, e estou feliz de poder evitar para eles os escolhos inseparáveis de todo noviciado”[5]. Sendo assim, em lugar de compor suas obras com parcialidade, sob uma mesma influência espiritual, Allan Kardec valeu-se de dois critérios: a lógica e o ensino geral e concordante dos Espíritos.

Tendo em vista a elevada assistência espiritual, bem como a utilização dos critérios seguros da lógica e da generalidade e concordância no ensino dos Espíritos no processo de elaboração, as obras fundamentais do espiritismo, publicadas por Allan Kardec, constituem o necessário alicerce para a sólida formação doutrinária, inclusive no campo da mediunidade.

3) A diretriz segura

Entre as obras fundamentais do espiritismo, destaca-se, em matéria de mediunidade, O livro dos médiuns ou guia dos médiuns e dos evocadores. Destina-se especialmente não apenas aos médiuns ostensivos, mas a todos que lidam com os fenômenos mediúnicos.

Já na Introdução, Allan Kardec esclarece que a prática mediúnica está rodeada de muitas dificuldades e que nem sempre está livre de inconvenientes, o que somente um estudo sério e completo pode prevenir. Por conseguinte, o Mestre de Lyon ressalta que não é suficiente um manual prático sucinto para o estudo e a prática da mediunidade.

O livro dos médiuns, que contém ensinamentos indispensáveis para evitar os escolhos na prática mediúnica, é a diretriz segura no campo da mediunidade. Tamanha é sua excelência que substituiu outra obra de Allan Kardec – a Instrução prática sobre as manifestações espíritas, um livro sério, mas que não trata, de maneira completa, das dificuldades na prática mediúnica[6].

4) Não basta receber a comunicação mediúnica: é indispensável analisá-la

O estudo de O livro dos médiuns esclarece que não é suficiente a facilidade na recepção das comunicações mediúnicas, o que pode ser obtido em pouco tempo, apenas pelo hábito. É necessário adquirir experiência, que resulta do estudo sério das dificuldades que se apresentam na prática mediúnica. A experiência confere ao médium o tato necessário para apreciar a natureza dos Espíritos que se manifestam, avaliar as qualidades boas ou más deles mediante os indícios mais sutis e descobrir o engano dos Espíritos mistificadores que se cobrem com as aparências da verdade. Sem a experiência, todas as demais qualidades do médium perdem sua verdadeira utilidade[7].

Não basta receber a comunicação mediúnica: é necessário, portanto, analisá-la. As obras de Allan Kardec, especialmente O livro dos médiuns, contêm o conhecimento imprescindível para analisar as comunicações mediúnicas segundo os critérios espíritas. De fato, entre outros temas de máxima importância, O livro dos médiuns trata, com maestria, da identidade dos Espíritos que se comunicam, das mistificações, das obsessões, da influência do médium e do meio, do charlatanismo e das contradições.

A análise das comunicações mediúnicas é necessária também no tocante à divulgação do espiritismo. Nem tudo o que comunicam os Espíritos deveria ser publicado. Existem, entre os Espíritos, diversos graus de saber e de ignorância, de moralidade e de imoralidade. Há comunicações mediúnicas que produzem impressões equivocadas sobre o espiritismo; inclusive existem aquelas que podem induzir a erro as pessoas que não têm o necessário conhecimento doutrinário[8].

5) Mediunidade e progresso da humanidade

Quanto mais nos dedicamos a assimilar os ensinamentos contidos em O livro dos médiuns, melhor compreendemos a fundamental importância do estudo sério da mediunidade, bem como o papel e a responsabilidade que todos temos, sejamos ou não médiuns ostensivos, como promotores do progresso espiritual não apenas em nós, mas também no meio em que vivemos. De fato, a mediunidade não é uma faculdade que deva servir para o aperfeiçoamento de apenas uma ou duas pessoas. Seu objetivo é maior: abrange toda a humanidade[9].

[1] KARDEC, Allan. Le livre des médiums, n. 159.

[2] KARDEC, Allan. Le livre des Esprits, questão 459.

[3] KARDEC, Allan. Qu-est-ce que le spiritisme? Preambule.

[4] KARDEC, Allan. Le livre des médiums, n. 34.

[5] KARDEC, Allan. Revue Spirite – Journal d´Études Psychologiques, nov. de 1861, Réunion générale des Spirites bordelais – Discours de M. Allan Kardec.

[6] KARDEC, Allan. Le livre des médiums, Introduction.

[7] KARDEC, Allan. Le livre des médiums, n. 192.

[8] KARDEC, Allan. Revue Spirite – Journal d´Études Psychologiques, nov. de 1859, Doit-on publier tout ce que disent les Esprits?

http://www.redeamigoespirita.com.br/group/artigosespiritas/forum/topics/por-que-estudar-o-livro-dos-mediuns-por-simoni-privato-goidanich

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