O filme e o estudo da vida e obra de Kardec

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

O filme “Kardec”, em exibição no Brasil, tecnicamente composto de forma primorosa foi produzido por Wagner de Assis e fundamenta-se no livro Kardec, de autoria de Marcel Souto Maior (Editora Record, 1ª edição em 2013).

Mas muitos ficam em dúvida sobre a veracidade de algumas cenas, ou se seriam enquadradas na chamada “licença cinematográfica”, e que inclusive não constam do livro básico para o enredo cinematográfico.

Além da biografia já citada, que não foi totalmente utilizada no enredo do filme, coincidentemente e independente de outras biografias tradicionalmente evocadas na literatura espírita, atualmente surgem muitos fatos e documentos que ampliam as informações biográficas do Codificador.

Embora existissem publicações antigas que apontavam para as deturpações na 5ª edição francesa de A Gênese lançada em 1872, mais de três anos após a desencarnação de Kardec, o assunto tomou vulto a partir de posições da Confederação Espírita Argentina, que editou em espanhol a 1ª. edição de A Gênese (de janeiro de 1868) e em outubro de 2017 levou informações para a reunião do Conselho Espírita Internacional, em Bogotá (Colômbia), e também lançou o livro El legado de Allan Kardec (**), de Simoni Privato Goidanich, que reúne documentos oficiais coletados em pesquisas junto aos Arquivos Nacionais da França e na Biblioteca Nacional da França, localizadas em Paris. Comprovou-se que apenas o exemplar da 1ª. edição de A Gênese (de janeiro de 1868), foi depositado legalmente durante a existência física de Allan Kardec na Biblioteca Nacional da França. Assim o Codificador não teria modificado o conteúdo.

Episódios históricos ficam mais claros no livro Beaucoup de Lumière (1884), de Berthe Fropo, disponibilizado em 2017 em edição digital bilíngue. A autora foi espírita fiel a Kardec, amiga e vizinha de Amélie Boudet e comenta ações polêmicas e desvirtuamentos doutrinários nas mãos de Leymarie por influência de interpretações e ideologias outras… Ainda no final de 2018, vieram a lume documentos e manuscritos franceses, publicados em artigo de Charles Kempf e Michel Buffet na edição do 4º. trimestre de 2018 da Revue Spirite e que comprovam adulterações em A Gênese após a desencarnação de Kardec.

Interessante é que tanto tempo após a desencarnação de Kardec, recentemente estão sendo valorizados documentos, periódicos e livros franceses, quase desconhecidos no Brasil, que trazem esclarecimentos sobre episódios que ficaram ocultados ou obscurecidos sobre a vida de Kardec e sua esposa, e sobre a divulgação de suas obras imediatamente após sua desencarnação.

Um Site riquíssimo de documentos franceses do Facebook: “Imagens e registros históricos do Espiritismo”, oferece dados até então não conhecidos, como a existência de uma irmã de Rivail, desencarnada na infância; a presença de uma jovem junto ao casal Rivail e Amélie, praticamente como se fosse uma “filha adotiva”, que também desencarnou na juventude; dados sobre a propriedade do casal na Villa Ségur; comprovações de adulteração de manuscrito de Kardec sobre A Gênese, posteriormente incluído em Obras Póstumas (1890); comprovação do nome verdadeiro da médium conhecida como Céline Japhet; documentos sobre a fundação da União Espírita Francesa.

Em nosso país surge o início da divulgação de manuscritos e de documentos, o Projeto “Cartas de Kardec”, riquíssimo acervo que estava em poder da família de Silvino Canuto Abreu, finalmente doados à Fundação Espírita André Luiz, de São Paulo.

O filme “Kardec”, gerando algumas dúvidas entre espectadores mais atentos, deve ser motivo de estímulo para se estudar a vida e a obra de Kardec, e, coincidentemente, em 2018 e 2019 transcorreram dois sesquicentenários, respectivamente, do lançamento de A Gênese, a última obra do Codificador, e, de sua desencarnação.

Daí, inclusive, a oportunidade de se valorizar a importante “Campanha Comece pelo Começo”, idealizada por Merhy Seba, patrocinada pela USE-SP em meados dos anos 1970 e aprovada pelo CFN da FEB em novembro de 2014.

(*) – Ex-presidente da USE-SP e da FEB; e ex-membro da Comissão Executiva do CEI.

(**) – Tradução em português editada pela USE-SP.

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Preconceitos

Diante do autor que autografava seu livro numa exposição, apresentou-se uma senhora mulata com o exemplar adquirido. Ele a cumprimentou, sorridente, e pediu seu nome.

– Iracema.

Passou, então, a escrever a dedicatória.

Em dado momento, ela o interrompeu:

– Por que o senhor escreveu meu nome com inicial minúscula?

– Desculpe, mas é assim que grafo o i maiúsculo. Pode notar que é maior do que as demais letras de seu nome.

– Não é nada disso! – respondeu ela, irritada.

E, tomando-lhe a caneta das mãos, rasurou seu nome na dedicatória, escrevendo por cima o que ela considerava a inicial correta. Livro debaixo do braço, afastou-se pisando duro, deixando aturdido o autor, bem como outras pessoas que aguardavam na fila.

***

Sabemos que o preconceito envolve vários segmentos da sociedade, nos aspectos cultural, espiritual, racial, religioso, algo que a reencarnação elimina.

Segundo a lei de causa e efeito, que sempre nos devolve o que fazemos ao próximo, não tenhamos dúvida de que o preconceituoso de hoje provavelmente estará amanhã, em futura experiência reencarnatória, vivenciando a condição daqueles que discriminou.

Lembro-me da revelação de um Espírito, em reunião mediúnica. Após ter sido cruel senhor de engenho no Brasil colonial, a judiar de seus escravos, reencarnou duas vezes no seio da raça negra, escravo também, para vencer o orgulhoso preconceito. E dizia:

– Foi uma bênção. Aprendi muito, principalmente a não discriminar as pessoas, independentemente de sua condição social, raça ou cor.

Nada melhor para nos ensinar a respeitar as pessoas do que a experiência de colher o desrespeito que semeamos.

No caso citado temos o preconceito invertido. Parte de alguém que fantasia atitudes discriminatórias do próximo a seu respeito, sempre com um pé atrás, procurando penugem em ovo.

Impossível ser feliz com semelhante comportamento. O problema é o orgulho. Se conjugarmos o verbo de nossas ações na primeira pessoa do singular, sempre cogitando de nossos interesses, estaremos propensos a cultivar preconceitos.

Podem vir de cima para baixo, das maiorias.

São aqueles que se julgam melhores que os outros, em face de sua etnia, da cor de sua pele, da posição social, da cultura, da profissão, da religião, do partido político…

Podem vir de baixo para cima, das minorias.

São pessoas que adotam postura de vítima, julgando-se perseguidas, injuriadas, incompreendidas, desprezadas… Tendem ao perturbador isolamento, imaginando que todos estão contra elas, sem perceber que, na realidade, elas estão contra todos.

O móvel das ações humanas é a felicidade.  Em última instância, seria nos sentirmos bem, alegres, em paz, em qualquer situação. Elementar que se trata de uma conquista interior. Por isso Jesus enfatizava que o Reino de Deus está dentro de nós.

Há um passo inicial, indispensável, enunciado pelo Mestre (Mateus, 5:3): Bem-aventurados os humildes, porque deles é o reino dos céus.

A humildade é indispensável, a fim de que não nos imobilizemos no orgulho, que gera todos os preconceitos.

Se tenho consciência de minhas limitações, jamais me julgarei melhor do que ninguém, nem cultivarei a discriminação invertida que me leve a ficar ofendido porque alguém escreveu meu nome com inicial minúscula.

Richard Simonetti

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Em pauta, a gratidão

Postado por ANA MARIA TEODORO MASSUCI em 29 setembro 2019 às 20:12

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O psiquiatra Roberto Shinyashiki, em sua obra Pais e filhos – companheiros de viagem, aborda a questão da gratidão. Diz ele que na Índia, alguns mestres ensinam que a pessoa iluminada é aquela que vive em estado de gratidão. É iluminado quem sabe reconhecer a beleza de um olá e de um adeus, do sol e da chuva, do dia e da noite, porque todos os acontecimentos e todas as pessoas trazem uma oportunidade de crescimento.

Se o marido agradece à sua esposa por ter-lhe mostrado sua falta de paciência com os filhos, ele reconhece quanto os dois estavam sintonizados e garante a possibilidade de tais situações de sintonia se repetirem. Assim a vida, por vezes, tem formas muito incomuns de nos permitir realizar algumas coisas.

Conta o ilustre psiquiatra que, há alguns anos, o sítio de sua família foi assaltado, várias vezes. A família dava queixa à polícia mas os assaltos continuavam. Certo dia, o Dr. Roberto recordou-se de que um primo de seu pai era investigador numa cidade próxima. Como não o via há muito tempo, pediu a seu pai que falasse com o primo a fim de que ele, junto com os seus amigos policiais, encontrassem uma solução para o caso.

Os meses se passaram e um belo dia, os assaltantes foram presos. A cidade voltou à calma, os assaltos ao sítio cessaram e o Dr. Roberto sentiu uma grande vontade de agradecer ao policial que havia cuidado do caso. Por isso, planejou um almoço com toda a família, incluindo seu pai, o primo e o policial. Foi o pai quem acabou auxiliando para que toda a grande família fosse convidada, não ficando ninguém esquecido.

Há que se dizer que o genitor ficou muito feliz com a ideia. Todos os dias que antecederam o almoço, ele ligava para o filho, acertando detalhes da organização e incluindo mais alguém na lista de convidados. Foi um domingo especial. O sítio estava lotado de pessoas importantes para os seus corações e Dr. Roberto agradeceu ao policial pelo seu empenho na solução do caso.

Depois, ele e o pai saíram para uma longa caminhada. Cada um falou a respeito da sua vida, das suas experiências. Ao final, o pai disse da sua satisfação com a realização daquele almoço e expressou o orgulho de ser seu pai. Quando, no cair da tarde, o pai se retirou, Dr. Roberto chamou os filhos para que abraçassem e se despedissem do avô. Depois, eles mesmos se demoraram em um abraço. Foi, sem dúvida, um dia maravilhoso.

Naquela noite, Dr. Roberto e a esposa foram ao teatro. Quando estavam retornando para casa, o telefone tocou. Era sua irmã lhe informando que o pai havia morrido. Mesmo sentindo uma grande dor pela separação do pai, ele sentiu uma enorme sensação de paz. E se deu conta que fora graças à ação de alguns ladrões que ele havia recebido, no dia mesmo da desencarnação de seu pai, o melhor abraço de sua vida, a bênção final.

***

Às vezes, precisamos de algum tempo para entendermos as razões de certos acontecimentos de nossas vidas. É importante, contudo, que prestemos atenção em todos eles e, antes de reclamar, dessa ou daquela circunstância que nos pareça ruim, aguardemos.

Possivelmente, o tempo nos mostrará como tudo foi exatamente planejado pela Divindade a fim de nos beneficiar a existência. Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita.

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OS ESPÍRITOS INFERIORES – por Léon Denis

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Os Espíritos Inferiores

O Espírito puro traz em si próprio sua luz e sua felicidade, que o seguem por toda parte e lhe Integram o ser. Assim também o Espírito culpado consigo arrasta a própria noite, seu castigo, seu opróbrio. Pelo fato de não serem materiais, não deixam de ser ardentes os sofrimentos das almas perversas.

O inferno é mais Que um lugar quimérico um produto de imaginação, um espantalho talvez necessário para conter os povos na Infância, porém que, neste sentido, nada tem de real.

É completamente outro o ensino dos Espíritos sobre os tormentos da vida futura; ai não figuram hipóteses.

Esses sofrimentos, com efeito, são-nos descritos por aqueles mesmos que os suportam, assim como outros vêm patentear-nos a sua ventura. Nada é imposto por uma Vontade arbitrária; nenhuma sentença é pronunciada o Espírito sofre as consequências naturais de seus atos, que, recaindo sobre ele próprio, o glorifica ou acabrunham. O ser padece na vida de além-túmulo não só pelo mal que fez, mas também por sua inação e fraqueza.

Enfim, essa vida é obra sua: tal qual ele a produziu. O sofrimento é inerente ao estado de imperfeição, mas atenua-se com o progresso e desaparece quando o Espírito vence a matéria.

A punição do Espírito mau continua não só na vida espiritual, mas, ainda, nas encarnações sucessivas que o levam a mundos inferiores, onde a existência é precária e a dor reina soberanamente; mundos que podemos qualificar de infernos.

A Terra, em certos pontos de vista, deve entrar nessa categoria.

Ao redor desses orbes, galés rolando na imensidade, flutuam legiões sombrias de Espíritos Imperfeitos, esperando a hora da reencarnação.

Vimos quanto é penosa, prolongada, cheia de perturbação e angústia, a fase do desprendimento corporal para o Espírito entregue às más paixões. A ilusão da vida terrena prossegue para ele durante anos. Incapaz de compreender o seu estado e de quebrar os laços que o tolhem, nunca elevando sua inteligência e seu sentimento além do círculo estreito de sua existência, continua a viver, como antes da morte, escravizado aos seus hábitos, às suas inclinações, indignando-se porque seus companheiros parecem não mais vê-lo nem ouvi-lo, errante, triste, sem rumo, sem esperança, nos lugares que lhe foram familiares.

São as almas penadas, cuja presença já de há muito se tem
suspeitado em certas residências, e cuja realidade é demonstrada diariamente por muitas e ruidosas manifestações.

A situação do Espírito depois da morte é resultante das aspirações e gostos que ele desenvolveu em si. Aquele que concentrou todas as suas alegrias, toda a sua ventura nas coisas deste mundo, nos bens terrestres, sofre cruelmente desde que disso se vê privado. Cada paixão tem em si mesmo a sua punição.

O Espírito que não soube libertar-se dos apetites grosseiros e dos desejos brutais torna-se destes um joguete, um escravo.

Seu suplício é estar atormentado por eles sem os poder saciar.

Pungente é a desolação do avarento, que vê dispersar-se o ouro e os bens que amontoou. A estes se apega apesar de tudo, entregue a uma terrível ansiedade, a transportes de indescritível furor.

Igualmente digna de piedade é a situação dos grandes orgulhosos, dos que abusaram da fortuna e de seus títulos, só pensando na glória e no bem estar, desprezando os pequenos, oprimindo os fracos. Para eles não mais existem os cortesões servis, a criadagem desvelada, os palácios, os costumes suntuosos. Privados de tudo o que lhes fazia a grandeza na Terra, a solidão e o abandono esperam-no no espaço. Se as massas novamente os seguem é para lhes confundir o orgulho e acabrunhá-los de zombarias.

Mais tremenda ainda é a condição dos Espíritos cruéis e rapaces, dos criminosos de qualquer espécie que sejam, dos que fizeram correr sangue ou calcaram a justiça aos pés. Os lamentos de suas vítimas, as maldições das viúvas e dos órfãos soam aos seus ouvidos durante um tempo que se lhes afigura a eternidade. Sombras irônicas e ameaçadoras os rodeiam e os perseguem sem descanso.

Não pode haver para eles um retiro assaz profundo e oculto; em vão, procuram o repouso e o esquecimento. A entrada numa vida obscura, a miséria, o abatimento, a escravidão somente lhes poderão atenuar os males.

Nada iguala a vergonha, o terror da alma que, diante de si, vê elevar-se sem cessar as suas existências culpadas, as cenas de assassínios e de espoliação, pois se sente descoberta, penetrada por uma luz que faz reviver as suas mais secretas recordações. A lembrança, esse aguilhão incandescente, a queima e despedaça.

Quando se experimenta esse sofrimento, devemos compreender e louvar a Providência Divina, que, no-lo poupando durante a vida terrena, nos dá assim, com a calma de espírito, uma liberdade maior de ação, para trabalharmos em nosso aperfeiçoamento.

Os egoístas, os homens exclusivamente preocupados com seus prazeres e interesses, preparam também um penoso futuro. Só tendo amado a si próprios, não tendo ajudado, consolado, aliviado pessoa alguma, do mesmo modo não encontram nem simpatias nem auxílios nem socorro nessa nova vida.

Insulados, abandonados, para eles o tempo corre uniforme, monótono e lento. Experimentam triste enfado, uma Incerteza cheia de angústias. O arrependimento de haverem perdido tantas horas, desprezado uma existência, o ódio dos interesses miseráveis que os absorveram, tudo isso devora e consome essas almas.

Sofrem na erraticidade até que um pensamento caridoso os toque e luza em sua noite como um ralo de esperança; até que, pelos conselhos de um Espírito, rompam, por sua vontade, a rede fluídica que os envolve e decidam-se a entrar em melhor caminho.

A situação dos suicidas tem analogia com a dos criminosos; muitas vezes, é ainda pior. O suicídio é uma covardia, um crime cujas consequências são terríveis. Segundo a expressão de um Espírito, o suicida não foge ao sofrimento senão para encontrar a tortura. Cada um de nós tem deveres, uma missão a cumprir na Terra, provas a suportar para nosso próprio bem e elevação.

Procurar subtrair-se, libertar-se dos males terrestres antes do tempo marcado é violar a lei natural, e cada atentado contra essa lei traz para o culpado uma violenta reação.

O suicídio não põe termo aos sofrimentos físicos nem morais. O Espírito fica ligado a esse corpo carnal que esperava destruir; experimenta, lentamente, todas as fases de sua decomposição; as sensações dolorosas multiplicam-se, em vez de diminuírem. Longe de abreviar sua prova, ele a prolonga indefinidamente; seu mal-estar, sua perturbação persiste por muito tempo depois da destruição do invólucro carnal.

Deverá enfrentar novamente as provas às quais supunha poder escapar com a morte e que foram geradas pelo seu passado. Terá de suportá-las em piores condições, refazer, passo a passo, o caminho semeado de obstáculos, e para Isso sofrerá uma encarnação mais penosa ainda que aquela à qual pretendeu fugir.

São espantosas as torturas dos que acabam de ser supliciados, e as descrições que delas nos fazem certos assassinos célebres podem comover os corações mais duros, mostrando à justiça humana os tristes efeitos da pena de morte. A maioria desses infelizes acha-se entregue a uma excitação aguda, a sensações atrozes que os tornam furiosos.

O horror de seus crimes, a visão de suas vítimas, que parecem persegui-los e trespassá-los como uma espada, alucinações e sonhos horrendos, tal é a sorte que os aguarda. Muitos, buscando um derivativo a seus males, lançam-se aos encarnados de tendências semelhantes e os impelem ao crime.

Outros, devorados pelo fogo inextinguível dos remorsos, procuram, sem tréguas, um refúgio que não podem encontrar. Sob seus passos, ao seu redor, por toda parte, eles julgam ver cadáveres, figuras ameaçadoras e lagos de sangue.

Os Espíritos maus sobre os quais recai o peso acabrunhador de suas faltas não podem prever o futuro; nada sabem das leis superiores. Os fluídos que os envolvem privam-nos de toda relação com os Espíritos elevados que queiram arrancá-los à sua inércia, às suas inclinações, pois isso lhes é difícil por causa de sua natureza grosseira, quase material, e do limitado campo de suas percepções; resulta daí uma ignorância completa da própria sorte e uma tendência para acreditarem que são eternos os seus sofrimentos.

Alguns, imbuídos ainda de prejuízos católicos, supõem e dizem viver no inferno. Devorados pela inveja e pelo ódio, muitos, a fim de se distraírem de suas aflições, procuram os homens fracos e inclinados ao mal. Apegam-se a eles e lhes insuflam funestas aspirações. Destes excessos, porém, advêm-lhes, pouco a pouco, novos sofrimentos. A reação do mal causado prende-os numa rede de fluídos mais sombrios. As trevas se fazem mais completas; um círculo estreito forma-se e à sua frente levanta-se o dilema da reencarnação penosa, dolorosa.

Mais calmos são aqueles a quem o arrependimento tocou e que, resignados, vêem chegar o tempo das provas ou estão resolvidos a satisfazer a eterna justiça. O remorso, como uma pálida claridade, esclarece vagamente sua alma, permite que os bons Espíritos falem ao seu entendimento, animando-os e aconselhando-os.

Do livro – Depois da Morte (Léon Denis) Cap.36 “Os Espíritos Inferiores”

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REENCARNAÇÃO: ENCONTRANDO EXPLICAÇÕES

           É comum para todos os eventos que acontecem em nossa vida querermos achar explicações. É da natureza humana o ato investigativo, pois que todos nós temos anseios de querer saber o motivo pelo qual determinado fato aconteceu, mesmo que o evento tenha sido com outra pessoa.

           Existem situações na vida que embora procuremos esclarecimentos a respeito, não recebemos uma resposta condizente, pois o acontecido vai depender de quem detém a informação liberá-la, embora a maioria das pessoas fique satisfeita em saber pelo menos um mínimo sobre o ocorrido.

           Quando não achamos nenhuma explicação para o que causou alguma dificuldade em nossa vida, dizemos que tal ocorrência faz parte do que sabe apenas Deus, e não deixamos de ter razão, pois quando nascemos esquecemo-nos do que aconteceu em vidas passadas, isto para quem acredita que já viveu anteriormente.

           Como explicar, por exemplo, não gostar de determinado alimento se nunca o provamos, medo de altura, medo de dirigir, dificuldade em falar em público, e tantas outras situações que não conseguimos ou temos dificuldade enfrentar.

           Vamos encontrar explicações que a causa respectiva está em acontecimentos em vidas passadas. Dizemos que onde estão nossas deficiências nesta vida, foram os excessos praticados em outra. Citamos como exemplo pessoas que ingerem alimentação exagerada. Certamente numa próxima reencarnação, nascerá com problemas digestivo e/ou aversão a certos alimentos.

           Isto muitas vezes é nos imposto como efeito e causa, mas também pode que antes de nascer, quando estamos no planejamento de nossa nova vinda, optarmos por certos limites para que possamos experimentar entraves que servirão para nosso aprendizado e evolução espiritual. Não é castigo e sim maneira de sentirmos necessidade de reparação, no caso nosso organismo carnal que é cópia do espiritual.

           Se nesta vida cometemos excessos, seja da natureza que for certamente numa próxima vinda à Terra vamos ter que enfrentar dificuldades, pois se assim não fosse, continuaríamos a cometer os mesmos equívocos, e nossa evolução em direção ao Criador estaria prejudicada, pois não aprenderíamos nada.

           Quando nos referimos que temos que nascer novamente, estamos tomando por base as declarações de Jesus que assim nos esclareceu quando por aqui esteve há muito tempo. Certamente devemos considerar que somos espírito num corpo carnal e que sobreviveremos a morte física. O espírito, que habita o corpo que vai decompor-se, aporta novamente em outra existência, em outro corpo por ocasião da gestação, normalmente da união carnal de homem e mulher.

          Portanto nosso corpo atual sofre os reflexos do que fomos em vidas passadas.

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Dolorosa advertência

Postado por ANA MARIA TEODORO MASSUCI

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8ª reunião | 22 de novembro de 1956

Presentes: Arnaldo Rocha, Ênio Santos, Elza Vieira, Francisco Gonçalves, Geni Pena Xavier, Francisco Teixeira de Carvalho, Geraldo Benício Rocha, Edmundo Fontenele, Joaquim Alves, Francisco Cândido Xavier, Zínia Orsine Pereira, Áurea Gonçalves, Izaura Garcia e Waldemar Silva.

“Trazida aqui por desveladas mãos, venho contar a vocês o quanto sofre, depois do túmulo, uma criatura fraca, leviana e ingrata. Por mais fértil nos seja a imaginação, ninguém poderá calcular a minha dor, o meu sofrimento e o abandono a que fui relegada. Meu coração sangra ainda com a repercussão dos dolorosos fatos que culminaram com a minha morte.

Sabia que havia morrido, pois acompanhei o meu próprio enterro, mas apesar de tudo isso, não sei o porquê, continuava viva e a minha agonia me parecia eterna.

Venho trazer-lhes um libelo contra mim mesma, de vez que estou sinceramente arrependida e porque também me disseram que não devia fugir à confissão do meu erro, porque a humildade é o caminho mais seguro e menos penoso para a nossa reabilitação.

Sei que errei e fali quando tudo me concitava a vencer.

Abandonei o meu lar, esquecendo o esposo e sobrecarregando-o ainda com os cuidados de uma menina de quatro anos, flor de carne que brotara do meu próprio seio e que morreria, meses depois, com saudade de sua mãe.

Insensata, entreguei-me a novo amor, esquecida de todos os meus deveres e responsabilidades, e talvez até do próprio Deus. Mas logo tive notícias de que minha filhinha havia morrido, reclamando a minha presença até sua última hora de vida… Eu, exasperada, desalentada, procurei a morte também, com um tiro no coração.

Daí para adiante a minha agonia não teve fim e não sei porquê, não podendo chorar, as minhas lágrimas ferventes escaldavam-me o coração, que se desfazia em pedaços de sangue, a escaparem constantemente da minha boca!…

Estou exausta e não posso mais!…

Afirmaram-me, aqui nesta casa, de que não há penas eternas e que Deus é bom. E eu agora acredito, pois desde que aqui cheguei não senti mais as terríveis hemoptises que me dominavam e já posso chorar, porque isso é um grande alívio para mim.

Entrevejo também, nos semblantes aqui presentes, alvo da tranquilidade que tanto me falta.

Sofri, sofro e sofrerei até que consiga encontrar de novo a minha filha e o marido abandonados. Serei escrava de ambos, pois estou muito saudosa do lar. E se essas minhas dolorosas palavras servirem de advertência para alguém já será um pouco de felicidade para mim!

Sou tão sofredora e tão infeliz!

Piedade! Piedade! É a bênção que suplico na bênção da prece que rogo a todos.”

Ernestina Vilar

Comunicação recebida pela médium Zínia Orsine Pereira, do Grupo Meimei, em Pedro Leopoldo, Minas Gerais.

Registros imortais — F. C. Xavier e outros médiuns do Grupo Meimei — Autores diversos

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Somos Responsáveis

Postado por PATRIZIA GARDONA

Primeiramente por nós, pela nossa individualidade, pela nossa existência, pelo que pensamos, e como agimos.

Somos responsáveis até um certo ponto, por aqueles que amamos, que nos rodeiam…filhos, parentes, amigos…

Vejo muita gente se sentindo profundamente infeliz por me dizer:

-“Gostaria de fazer algo pelo fulano, mas não consigo, ele não deixa!”

ou então:

-“Meu filho se envolveu com coisas erradas, onde foi que eu errei?”

E isso tem torturado muita gente boa, que fez tudo o que podia, que aconselhou, cuidou, educou, ajudou, aconselhou, deu bons exemplos…tem feito essas pessoas boas se sentirem muito infelizes. Algumas até com desejo de não mais viverem (como se acabar com o corpo físico fosse a solução para resolver as pendências morais do espírito imortal, que todos somos).

Meus irmãos, temos sim que fazermos a nossa parte.

Mas não devemos imaginar que faremos a parte que cabe ao outro.

E tem ainda outra parte: a que cabe a Deus.

O Criador cuida milimetricamente de cada uma de suas criaturas.

Não podemos nos esquecer disso.

Portanto, você que se sentir angustiado por alguém que se desviou do caminho por algum motivo, recorde-se que você é incumbido de primeiramente cuidar de sua existência com serenidade, responsabilidade e amor próprio.

Aí sim você poderá ajudar outra pessoa da melhor forma possível.

Mas se não der certo, lembre-se de que todos teremos incontáveis oportunidades de nos regenerarmos, inclusive aquela pessoa que está aí no seu pensamento neste momento, e que você sente que está se perdendo, ou se perdeu.

Ame-se, mas ame-se muito.

Cuide de sua mente, de seu bem estar, e jamais se permita anular-se a fim de querer imaginar que isto fará de você alguém “que se preocupa” com o outro.

Pra verdadeiramente se preocupar é necessário ter os pés no chão, e ter firmeza de si próprio, primeiramente. Aí sim estaremos preparados para servir, ajudar, amparar, aconselhar e direcionar.

Cuide de quem você ama, mas lembre-se que antes de você, existe Deus…

Oceander Veschi

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Mar alto

Postado por ANA MARIA TEODORO MASSUCI

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“E, quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao mar alto, e lançai as vossas redes para pescar.” – (Lucas, 5:4)

Este versículo nos leva a meditar nos companheiros de luta que se sentem abandonados na experiência humana.

Inquietante sensação de soledade lhes corta o coração.

Choram de saudade, de dor, renovando as amarguras próprias.

Acreditam que o destino lhes reservou a taça da infinita amargura.

Rememoram, compungidos, os dias da infância, da juventude, das esperanças crestadas nos conflitos do mundo.

No íntimo, experimentam, a cada instante, o vago tropel das reminiscências que lhes dilatam as impressões de vazio.

Entretanto, essas horas amargas pertencem a todas as criaturas mortais.

Se alguém as não viveu em determinada região do caminho, espere a sua oportunidade, porquanto, de modo geral, quase todo Espírito se retira da carne, quando os frios sinais de inverno se multiplicam em torno.

Em surgindo, pois, a tua época de dificuldade, convence-te de que chegaram para tua alma os dias de serviço em “mar alto”, o tempo de procurar os valores justos, sem o incentivo de certas ilusões da experiência material. Se te encontras sozinho, se te sentes ao abandono, lembra-te de que, além do túmulo, há companheiros que te assistem e esperam carinhosamente.

O Pai nunca deixa os filhos desamparados, assim, se te vês presentemente sem laços domésticos, sem amigos certos na paisagem transitória do Planeta, é que Jesus te enviou a pleno mar da experiência, a fim de provares tuas conquistas em supremas lições.

Francisco Cândido Xavier
Pão Nosso (pelo Espírito Emmanuel)

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Diálogo franco com notável de uma “associação de profissionais espíritas”

Postado por os pae

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Brasília-DF

“Dra. Sicrana” : Prezado Sr. Jorge Hessen Permita-me uma reflexão sobre conteúdo de sua entrevista ao C.E. Joana D´Arc. (*)

Jorge Hessen: Certamente, minha irmã.

Dra. Sicrana”: Eu nasci em berço espírita, em uma das menores cidades do Estado de (…) e convivi com as pessoas mais simples e economicamente desprovidas, que se possam imaginar. A gente estudava Kardec, fazia preces, participava das reuniões mediúnicas e tinha Jesus como Mestre.

Jorge Hessen: Toda Casa Espírita, minha irmã, tem que ter esse perfil, ou seja: Oração, Estudo e Caridade, tendo Jesus como  Modelo e Guia.

“Dra. Sicrana” : Na sequência dos tempos, vim estudar na cidade de (…) e fiquei por aqui, onde desenvolvi minha vida profissional, criei minha família e continuei com minhas atividades junto a essa nossa doutrina de libertação das consciências. Foi assim que acabei me ligando também à Associação de (…). Tenho testemunhado o esforço hercúleo de seus integrantes, em divulgar um paradigma de humanização de todos os procedimentos de bem-estar, agregando profissionais (…), enfim, de todas as modalidades correlatas. Lá eu tenho ouvido sempre que “o diploma do (profissional) espírita pertence a Jesus”.

Jorge Hessen: A minha opinião particular sobre os profissionais da área da (…), principalmente, é que todos, indistintamente, deveriam honrar o compromisso que assumiram, como humildes servidores do Cristo, pois são irmãos que vivenciam, na alma, a dor dos seus semelhantes; são os socorristas de plantão, literalmente falando. Devemos a eles o nosso maior respeito, sem dúvida alguma. Porém, não podemos entender “humanização” a portas fechadas, onde profissionais se reúnem para estabelecerem um padrão de comportamento humanitário, mas que, na verdade, ainda têm uma visão turva sobre o que realmente isso significa. O maior humanista que já tivemos, na área, foi o inesquecível Dr. (…). É nele que a classe (…) deveria se inspirar. Por outro lado, quem já leu a coleção André Luiz sabe qual foi a sua surpresa ao adentrar no Mundo dos Espíritos. Preciso dizer mais, minha irmã?

“Dra. Sicrana” : O trabalho das associações (…), por exemplo, em defesa da vida, contra o aborto intencional, inclusive contra o aborto do chamado (equivocadamente) de “anencéfalo”, é inegável. Foi com a estrutura da associação (…) que o Espiritismo conseguiu ser ouvido no Supremo Tribunal Federal, no final do ano passado, defendendo a vida do anencéfalo.

Jorge Hessen: Eu seria incoerente, minha irmã, se negasse esse esforço em defesa da vida. Perdoe-me, mas é muita presunção atribuir à associação (…), a única e legítima representante legal do Espiritismo na Alta Corte a defender a vida do anencéfalo. Não somente os espíritas, mas, principalmente estes, arregimentaram-se e avançaram contra a descriminalização do aborto. Nesse dia, minha irmã, não houve distinção de classe, pois todos estavam irmanados em um só coração, em um só pensamento em nome do amor incondicional e do respeito à vida. Modestamente escrevi muito e publiquei sobre o específico e dei ampla divulgação à época. Foi minha humilde contribuição diretamente de Brasília, onde resido há mais de 40 anos.

“Dra. Sicrana” : Em todos os eventos das associações (…), de que eu tenho participado, assisto sempre a demonstração do caráter verdadeiro da Doutrina Espírita, ou seja, de ciência, de filosofia e da moral de Jesus. Não se tem o objetivo de “elitização”, nem de “atrair para si os holofotes da fama” ou de “divulgar o evangelho apenas às pessoas laureadas” (expressões que constam de sua entrevista). Pelo contrário, nas associações (…) os profissionais se reúnem em uma entidade de classe, para assumir a responsabilidade de tratar de assuntos específicos à sua formação, como aborto, transplante de órgãos, utilização de células-tronco embrionárias, depressão e obsessão, etc., sem perda de seu denominador comum, que é o fato de serem espíritas.

Jorge Hessen: O verdadeiro caráter da Doutrina Espírita, minha irmã, não se resume em “assistir a reuniões de classe” para tratar de assuntos específicos à sua formação, pois basta ser específico e ser entidade de classe, para assumir caráter “elitista” e, mesmo porque, o personalismo de classe caracteriza um comportamento egoísta e, sobretudo vaidoso, uma vez que se julgam cumprindo admirável missão, mas “a sete chaves”. Ser espírita exige mais, muito mais do que isso. Os exemplos Chico Xavier e Bezerra de Menezes respondem por mim.

“Dra. Sicrana” : Senhor Jorge Hessen, eu tenho estado lá e estou testemunhando o que digo. Portanto, é com tristeza que leio referências injustas e infundadas ao trabalho de companheiros idealistas que só merecem nosso respeito e consideração. Não vejo a menor diferença de atitude nesses companheiros, em comparação a dos trabalhadores do centro espírita de minha pequena cidade natal. A seara continua a ser a de Jesus e laureados ou não pela academia da Terra, a honra que nos cabe é a de servir na condição de aprendizes na escola da vida.

“Dra. Sicrana” : Com abraço fraterno

Jorge Hessen: Não duvido, minha irmã, do seu testemunho. Porém, eu vejo uma diferença imensa entre uma coisa e outra, pois ser idealista não significa ser ativista. O equilíbrio está em ser idealista e ativista sincero e humilde. Concluindo: Associação é uma organização entre duas ou mais pessoas para a realização de um objetivo comum. Sendo assim, podemos finalizar que o associativismo, normalmente de voluntariado, usado como instrumento de satisfação das necessidades individuais humanas, pode ser facilmente banalizado e colocado à prova a sua credibilidade se, e somente se, for para privilegiarmos um determinado grupo ou classe no campo da religião ou mesmo da fé, propriamente dita. Eu entendo que a possibilidade de pessoas de uma mesma ideologia, de uma mesma formação acadêmica, de uma mesma classe social, criarem uma orientação à parte, mesmo dentro da mesma crença religiosa, é visível a intenção de manter relações sociais somente com seus iguais. Criar uma associação, onde se destaca somente aqueles da mesma “formação”, acho inviável, imoral e degradante – perdoe-me a franqueza – pois revela um sentido, totalmente, contrário a tudo aquilo que qualquer religião ensina.

Allan Kardec propõe que o Espiritismo é uma doutrina natural, isto é, que coloca o homem ou o espírito diretamente em relação com Deus, de forma igual perante o SENHOR. Portanto, qualquer formação fora dessa realidade é, simplesmente, egocentrismo, demagogia e pretensiosismo.

Não estou aqui para ajuizar ou exprobrar, mas, para contra argumentar e dizer que o meu pensamento, sobre a criação de as Associações de profissionais espiritas, encontra-se patenteado na entrevista a que você se refere e nos artigos que escrevo, pois que essa iniciativa afasta, cada vez mais, a ideia de União Espírita sem jugos institucionais, tão aguardada pelos Espíritos Superiores que nos transmitiram essa abençoada Doutrina.

Fraternalmente,

Jorge Hessen

(*)   http://www.autoresespiritasclassicos.com/Apostilas/Artigos%20Espiri…

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Culpa e consciência (Jorge Hessen)

Postado por os pae

“Auto perdoar-se não é apagar os rabiscos do desacerto” (Jorge Hessen)

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Brasília-DF

Culpa e consciência é matéria que ponderaremos neste texto. É importante dizer que o “alerta ou conflito da consciência” ainda não é a instalação da culpa, porém nos convida ao arrependimento diante dos erros. Tal constrangimento consciencial é imprescindível para a libertação do desalinho psicológico, oriundo da culpa.

A consciência é o Divino em nossa realidade existencial; nela estão escritas as Leis do Criador. Já a culpa resulta da não auscultação do “alerta da consciência”, portanto é patológica e gera profundo abalo psicológico autopunitivo. Detalhe: é impossível inexistir o alerta consciencial no psiquismo humano. Podemos fingir não ouvir a “voz da consciência”, e apesar disso ela sempre alertará, exceto nos casos extremos de psicopatologias, quando o doente mental não sente um mínimo de arrependimento e ou culpa.

O alerta consciencial sinaliza as transgressões à Lei de amor, justiça e caridade. À vista disso, tomamos consciência e nos arrependemos do erro, buscando repará-lo. Por outro lado, a culpa é um processo patológico em que ficamos cultuando o erro no movimento psicológico de autojulgamento, autocondenação e autopunição.

Das diversas características da culpa há aquela advinda da volúpia de “prazer”, quando alguém não se divertiu como gostaria de ter feito (se esbaldado numa “balada”, por exemplo). Após a “farra” se sente culpado e se cobra por não ter permanecido mais tempo na festa, por não ter realizado isso e ou aquilo etc. Sob esse estado psicologicamente perturbador surge a culpa como reflexo daquilo que não se fez e almejaria ter feito, resultando o movimento de autopunição.

Todas as recordações negativas paralisam o entusiasmo para as ações no bem, únicas portadoras de esperança para a libertação da culpa. Quando entramos no processo autopunitivo geramos um processo de distanciamento da realidade da vida e do próprio viver. É um grande desafio transformarmos a experiência desafiadora (dor e sofrimento) em experiência de aprendizado. Para isso, importa fazermos o BEM no limite das nossas forças, principiando em nós mesmos, permitindo-nos experimentar esse BEM no coração e ao mesmo tempo realizarmos o BEM ao próximo, e assim nos libertarmos totalmente do nódulo culposo.

A Lei de causa e efeito é um dos princípios fundamentais preconizados pela Doutrina Espírita para explicar as vicissitudes ligadas à vida humana. Ante a Lei de causalidade a colheita deriva da semeadura, sem qualquer expressão castradora ou fatalista para reparação. O “alerta de consciência”, por exemplo, bem absorvido, transforma-se em componente responsável. Mas se o ignoramos desmoronamos no desculpismo, não admitindo sequer a responsabilização do erro. Em face disso, o desculpismo é uma postura profundamente irresponsável perante a vida.

O negligente (desculpista) diz que “errar é humano”, porém é arriscado raciocinar assim. É um processo equivocado que ultraja a lei de Deus. Em verdade, não precisamos nos culpar (exigência) quando erramos, e muito menos nos desculpar (negligência), porém carece ouvirmos a voz da consciência e aprendermos com os erros a fim de repará-los.

Sobre as diferentes peculiaridades da culpa ainda há aquela advinda naqueles trabalhadores que avidamente mergulham nos assistencialismos. São confrades conflituosos que ambicionam consolidar a beneficência, visando, antes, anestesiarem a própria culpa. Na realidade, estão apostando barganhar com Deus, a fim de se livrarem da ansiedade de consciência. Decerto isso é uma prática espontânea e contraproducente.

Não obstante, no MEB – Movimento Espírita Brasileiro – há farta natureza de serviços assistencialistas. O psiquiatra Alírio Cerqueira, coordenador do Projeto Espiritizar, da Federação Espirita do Mato Grosso, lembra que muitos fazem assistencialismos sem real consciência da necessidade social dos desprovidos. Em verdade, laboram “caritativamente” sob as algemas da consciência culposa e apostam disfarçar para si mesmos o automático exercício de filantropia. Agem subconscientemente quais portadores de ferida muito dolorosa, e em vez de tratá-la para cicatrizar, ficam passando pomada anestésica na ferida (culpa) para abrandar a dor.

Agindo assim a culpa momentaneamente é “escondida”, mas não desaparece, pois passando o efeito do anestésico a culpa retorna e a pessoa mantém o conflito de consciência. Desse modo, vai ampliando cada vez mais os compromissos assistencialistas; vai se assoberbando nos pactos “caritativos”, porém a culpa é conservada. Muitos passam a vida inteira nessa atitudede “FAZEÇÃO” DE COISAS” sem qualquer objetivo consciencial. Tais “caridosos” certamente auxiliam TEMPORARIAMENTE os necessitados, todavia provocam para si mesmos em alto grau o cansaço mental, estresse e saturação psicológica, e não se HARMONIZAM CONSIGO MESMOS.

Na verdade, o objetivo das leis divinas (sediadas na consciência) é nos proporcionar pura e eterna felicidade. Em face disso, quando as transgredimos ficamos ansiosos, porque nos afastamos da felicidade, logo, sentimos extremada ansiedade. Nesse caso é importante o exercício do auto perdão, que obviamente não extinguirá a responsabilidade dos erros praticados, até porque auto perdoar-se não é simplesmente passar uma borracha em cima do desacerto, mas fazer uma avaliação equilibrada do desacerto para repará-lo.

No limite, há pessoas que alimentam tanta culpa que se sentem indignas de fazer uma prece e ou de fazer o bem. Porém, pensemos o seguinte: a prece não é para espíritos puros. Jesus orientou que não são os sadios que necessitam de médicos, mas os doentes. Ora, esperarmos nossa purificação para orar e fazer o bem não faz nenhum sentido, pois que nos aperfeiçoamos gradativamente, orando e de maneira especial fazendo o bem no limite das nossas forças.

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