O CULTIVO DA VAIDADE NA IDADE INFANTIL – RESPONSABILIDADES DOS PAIS

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Brasília-DF

O Programa do Sílvio Santos, do SBT, tem apresentado nas suas atrações um concurso de miss mirim na TV. São meninas , na faixa etária de até no máximo 10 anos de idade, que desfilam, sensualizadas, vestidas de maiô e rostos maquiados , disputando quem é a mais bonita. O programa tem sido mira de reprimendas, considerando-se o plausível conflito psicológico que poderá trazer para as mentes das concorrentes.

Tal iniciativa robustece arquétipos de beleza que se enquadram desde cedo em um padrão extremamente restritivo de “formosura” feminina, ou seja: magrinha, loirinha, altinha, olhinhos claros etc. Obviamente tudo isso é extremamente lesivo para o desenvolvimento da criança. Pois que competição de beleza desse tipo não é saudável para o desenvolvimento social de uma criança. Até porque, os efeitos dessa “brincadeira” poderão ser perversos tanto para a “vencedora”, quanto para as “perdedoras”. Pois, todas tenderão tombar sob transtornos de ansiedade, desordens alimentares, baixa autoestima e depressão dentre outras patologias psíquicas e emocionais.

A “vencedora” certamente se prenderá àquele conceito de “beleza” que, caso se transforme na adolescência ou na vida adulta, poderá levá-la a se sentir “menos bela”. Já as “perdedoras” poderão interrogar “o que a ‘vencedora’ tem que eu não tenho? ” Derivando daí o nascedouro de tumultos psicológicos.

A criança não tem espontaneamente o desejo de aparecer, de ser a mais bonita, se não for estimulada por adultos. No fundo, é o ego dos pais que estimula. Pais que estão conduzindo suas filhas a entrar precocemente no mundo sexual adulto, atropelando fases do desenvolvimento e prejudicando o processo de aprendizagem afetiva das pequenas. Ou seja, a sexualidade, entendida como elemento presente em todos os estágios de desenvolvimento do indivíduo, acaba sendo desviada para o erótico, o excitante, o sensual, quando na realidade deveria ser canalizada para a construção das emoções, das relações sociais, da experimentação de papéis e do desenvolvimento da afetividade. E isso é profundamente danoso.

Entendo que os pais que inscrevem suas filhas para tais concursos certamente transportam frustrações íntimas e transferem para os rebentos a pretensão íntima de desfilarem nas passarelas. São pais que insistem em viver no mundo da fantasia e dos contos de fadas.

Recordo de Isabella Barrett, uma criança de apenas 6 anos, foi estrela de concursos de beleza mirim transmitido pelo canal Discovery Home & Health, no programa Toddlers & Tiaras. O evento, transmitido com o título “Pequenas Misses”. Pasmem! Concursos de beleza de crianças são populares nos Estados Unidos porque têm clientela.

Recentemente assisti a um documentário assombroso, noticiando sobre a adolescência e a juventude dessas “ex-misses mirins”. Muitas delas foram forçadas pelos pais a participar desses concursos peculiares. Registra o documentário que a maioria dessas crianças se transforma em pessoas com dramas psiquiátricos profundos, e algumas mergulham nos subterrâneos das drogas e do meretrício. No epílogo do programa, ficamos sabendo que ao início dos problemas pessoais dessas crianças, na fase pré-adolescente, a maioria dos pais abandona as filhas ao “deus-dará”, na vida mundana.

Assunto correlado, escrevemos há alguns anos sobre Thylane Lena Rose Blondeau, uma menina de 10 anos de idade, que fez uma produção fotográfica para a revista Vogue Paris, erguendo polêmica devido à roupa ousada, maquiagem e poses provocantes. O ensaio fotográfico causou indignação em pessoas ligadas a ONGs de proteção à criança. De acordo com a organização “Concerned Women for America”, os pais da criança devem ser responsabilizados por ter permitido à criança realizar aquele trabalho. (1)

Percebemos claramente a exploração infantil e temos convicção de que os pais deviam ser criminalizados. Infelizmente, o mundo ingênuo da criança vem sendo explorado pela fúria predadora da sensualidade desorientada, envilecendo a inocência e dignidade infantis. Como se não bastasse “o caso Thylane”, há outras situações polêmicas na contenda, a exemplo dos cursos de pole dancing (2) para crianças, na cidade do México, e dança “funk carioca”, no estado do Rio de Janeiro. Muitas meninas (crianças e adolescentes) têm aderido ao “sexting” (3), postando fotos sensuais na internet. São meninas e meninos que exploram os espaços virtuais nos sites de relacionamento.

Cada vez mais cedo, e com maior magnitude, as excitações da criança e do adolescente germinam adicionadas pelos diversos e desencontrados apelos das revistas libertinas, da mídia eletrônica, das drogas, do consumismo impulsivo, do mau gosto comportamental, da banalidade exibida e outras tantas extravagâncias, como espelhos claros de pais que vivem alucinados, estancados e desatualizados, enjaulados em seus quefazeres diários e que jamais podem demorar-se à frente da educação dos próprios filhos.

A criança é o futuro, sabemos disso. E, “com exceção dos espíritos missionários, os homens de agora serão as crianças de amanhã, no processo reencarnacionista (4)”. A demanda de redenção dos novos tempos que chegam há de principiar na alma da infância, se não quisermos divagar nos cipoais teóricos da fantasia exacerbada. Precisamos perceber no coração infantil o esboço da geração próxima, procurando ampará-lo em todas as direções, pois “a orientação da infância é a profilaxia do futuro (5)”. Por questão de prudência cristã, não podemos permitir “que as crianças participem de reuniões ou festas que lhes conspurquem os sentimentos em nenhuma oportunidade, porque a criança sofre de maneira profunda a influência do meio (6)”.

Fiquemos atentos, pois a educação, por definição, constitui-se na base da formação de uma sociedade saudável. A tarefa dos pais é a da educação das crianças pelo exemplo de total dignificação moral sob as bênçãos de Deus. Nesse sentido, os postulados Espíritas são antídotos contra todos os venenosos ardis humanos, posto que aqueles que os conhecem têm consciência de que não poderão se eximir das suas responsabilidades sociais, sabendo que o futuro é uma decorrência do presente. Deste modo, é urgente identificarmos no coração infantil o esboço da futura geração saudável. 

Referências bibliográficas:

(1) Hessen, Jorge. Artigo Educação espírita: Arcabouço da futura geração saudável, disponível em http://aluznamente.com.br/educacao-espirita- ; arcabouco-da-futura-geracao-saudavel/ acessado em 17/05/2013

(2) Pole dance tem suas raízes na dança exótica, strip-tease e burlesco e têm elementos de apelo sexual e subversão

(3) Refere-se a envio e divulgação de conteúdos eróticos, sensuais e sexuais com imagens pessoais pela internet utilizando-se de qualquer meio eletrônico, como câmeras fotográficas digitais, webcams e smartphones.

(4) Xavier, Francisco Cândido. Coletânea do Além, ditado por Espíritos Diversos, São Paulo: FEESP, 1945, Cap. A Criança e o Futuro pelo Espírito Emmanuel

(5) Vieira, Waldo. Conduta Espírita, ditado pelo espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1997, Cap. 21- Perante a Criança

(6) idem

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Culpa e sentimento de rejeição

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Brasília-DF

Ante os delitos morais cometidos, há pessoas que introjetam a autorrejeição, implantando na consciência a chaga da culpa. Por efeito disso, sentem-se rejeitadas por todos, ao invés de trabalharem pela reparação do erro. Até porque se não o fizer de imediato arremessará para a encarnação seguinte os conflitos conscienciais incrustados.

Há os que arriscam camuflar os delitos, porém ocultar conflitos culposos não libera a consequência do desacerto, porquanto as desordens íntimas surgirão na forma de enfermidade física, emocional ou psicológica. Por conseguinte, projetarão suspeitas infundadas nos outros, receando serem identificados e desmascarados.

Na atual existência existem diversos casos de autorrejeição dos transgressores das leis divinas da consciência. São aqueles que na juventude, na “calada da noite”, fizeram abortos criminosos e receiam serem descobertos. Há os que cometeram vis adultérios e buscam esconder-se dos outros e sob a chibata da culpa temem ser revelados a qualquer momento. Esses são casos infrequentes, os menos raros são os culpados por crimes esquecidos de reencarnações anteriores. Daqueles que trazem a mácula perante a consciência e como não se superaram nas vidas anteriores, permanecem hoje alimentando culpas. 

Mesmo que os demais não descubram seus crimes e os desmascarem, o movimento de autorrejeição delonga a expansão. Quando não se tem consciência desse processo e não há coragem (ação pelo coração) para reparação do erro, o mecanismo de autorrejeição se aprofunda e o culpado cria inimigos em todos os lugares. Guiados pelo imaginário, permanecem em estado de paranoia culposa. Por consequência, conservam os níveis egocêntricos, neuróticos e transformam uma situação imaginária em acontecimento real.

Desse modo, encharcados pelo psiquismo autodefensivo agridem os outros.  Sentem-se sucessivamente invadidos na intimidade e atacam o próximo. Sob o mecanismo psicológico de projeção creem que os outros os julgam, condenam e punem, razão pelo qual vivem se precavendo contra tudo e contra todos.

No estado paranoico da culpa, decorrente dos crimes cometidos no passado, mesmo que esquecidos, o culpado se sente criminoso e entende que a qualquer momento será desmascarado e sob nessa alucinação acredita que os outros o estão perseguindo.

As leis divinas não são punitivas, elas são amorosas, educativas (provacionais) e reeducativas (expiatórias).  Certamente violações às leis morais incidirão na economia espiritual, precisando de reparação dos agravos. Não necessariamente numa reencarnação imediata, até porque, atualmente, muitos poderão estar reparando crimes de dez encarnações anteriores. Ademais, será necessária a dor para reparação dos erros? Cremos que não. O caminho seguro será o desenvolvimento das virtudes do coração, atuando com autoamor e amor ao próximo.

A autoconsciência e o autoperdão são mecanismos que tornam dispostos os infratores para reparação do delito. Sendo que a evolução espiritual ocorre tanto na horizontal como na vertical da vida. A dor é o aguilhão que impele a evolução na horizontal. O transgressor sofre até o limite do cansaço e no esfalfamento observa que não há outra alternativa, senão fazer o BEM, decidindo daí galgar na vertical da vida.

Nos casos em que os conflitos culposos são muito intensos, são necessários tratamentos psicoterápicos para recuperação. Dificilmente o culpado se liberta sozinho das desordens concienciais, porque a culpa incrustada na mente pesa muito no psiquismo, daí a necessidade terapêutica para que o culpado compreenda a realidade como ela é e não da forma como crê que seja.

O estado de culpa acarreta a obsessão. O processo obsessivo, de modo geral, não começa no obsessor, porém nas matrizes conscienciais do culpado autorejeitado que se movimenta psicologicamente no autojulgamento, autocondenação e autopunição, cunhando aí o plugue mental, quando esbugalha a mente para o complexo obsessivo. Metaforicamente expondo, a culpa é o plugue mental que favorece a obsessão.

Na verdade, muitos processos obsessivos não são evidentes, porém sutis e intensos. A intensidade é a alienação e a sutilidade é a intervenção sorrateira do obsessor sem que o obsedado perceba. Deste modo  é hipnotizado e condicionado a práticas malsãs, passando uma existência espiritual e sutilmente  perseguido. Muitas vezes só se dá conta da obsessão após a desencarnação.

A melhor terapia para a culpa é o exercício do Evangelho como convite para afastar-se do egocentrismo e centrar-se na essência divina que É. Esse é o caminho para a libertação dos movimentos egocêntricos e egoicos. A prática da leitura edificante, os afazeres da caridade necessariamente para consigo, e em seguida a caridade real com o próximo “sem assistencialismos inócuos”, a participação das atividades do centro espírita , em geral  podem promover o espírito imortal e auxiliar todos os envolvidos.

Quando dissemos “sem assistencialismos inócuos” afirmamos que a maior caridade não é a material, mas a espiritual que precisa ser exercida sob o símbolo da benevolência para com todos, indulgência para com as faltas alheias e perdão das ofensas. Que são exercícios práticos para que as pessoas se desvencilhem da monoideia da culpa. Nesse movimento de exercícios espíritas cristãos, a mente não mais permite a introdução das ideias dos obsessores e a pessoa realiza as ações práticas, que são bastante trabalhosas, mas impulsionam a evolução na vertical da vida. É como ascender numa escada aprumada e muito íngreme , mas poucos são aqueles que se dispõem a elevar-se , a maioria permanece rezingando dizendo que a vida é “madrasta” sem fazer esforços reais para a ascensão.

Com as práticas cristãs as pessoas realizam ações concretas consigo mesmas e com o próximo, trabalhando não mais no movimento paranoico da culpa, porém no movimento harmonizador de si mesmas e dos outros, ,porém isso não se consegue por promessas labiais, mas por ações efetivas. A medida que vamos amadurando a consciência, priorizamos o que é essencial e colocamos o ego a serviço do eu espírito imortal.

Nas condições humanas ainda temos uma estrutura egoica, todavia somos essência divina. Contudo, acreditamos que somos o ego, mas não somos. Quando expandimos a consciência percebemos que temos um ego, mas somos essência divina. Ter o chamado ego não é problema. Embora ele ainda traga a sua ignorância, porquanto moureja na dimensão do não saber, do não sentir e do não vivenciar as leis divinas,  o ego precisa ser iluminado pela essência divina que somos.

A autorrejeição comumente não surge de forma evidente, porém veladamente. Surge muitas vezes na condição de complexos de inferioridade ou de superioridade. Aparece com a tendência de solidão , de rejeição ou por inveja dos outros. 

O culpado rejeita todos os que trabalham pela autorrenovação. Porque estes estão dando exemplo para ele. Identifica nos outros um “espelho” retratando o comportamento que deveria ter, mas que não se dispõe a tal. Em face disso, rejeita e repudia o “espelho” , arremessa-lhe pedra para fragmentá-lo, para não ver a imagem da renovação que deveria buscar. Deste modo, mantém-se preguiçoso e acovardado para a autorrenovação moral. O “espelho” saindo da sua vista não ficará todo momento recomendando e cobrando o que deve fazer.

Em síntese, é urgente que afastemo-nos da chaga chamada culpa e utilizemos a razão para o equilíbrio íntimo, a fim de que possamos reparar o mal que fizemos no passado. Trabalhemos com penhor e segurança pelo progresso individual e coletivo, até porque a culpa nos transforma em pesos mortos na economia ativa da sociedade e não conseguiremos realizar nada de bem, belo e bom para ninguém sob o guante da culpa.

(*) Fonte: 

Projeto Espiritizar / FEEMT – Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=_7HRHX1Z-MI&list=PL1r1wspRthZQrA… acesso 22/07/2019

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A Última Hora

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Havia uma grande expectativa nos corações, naquele momento. Os mais sensíveis choravam, demonstrando saudade antecipada e insegurança aflitiva. Outros permaneciam ricos de gratidão, tocados pela ternura, , e grande número aguardava as últimas instruções, no instante que antecedia a despedida.

Subitamente, Ele apareceu no topo da colina, e o Seu vulto aureolou-se de Sol poente.

Majestoso, provocou imediato silêncio na multidão.

Distendendo as mãos e descerrando os lábios, Ele falou:

– Estaremos sempre ligados pelos fios sublimes do amor e caminharemos juntos pelas longas vias do serviço ao próximo em todas as épocas.

Nunca haverá, em nós, solidão.

Quando a aflição advier, orai, e eu vos escutarei, respondendo vossas súplicas através da inspiração.

Nunca desanimeis, portanto, e crede sem desfalecimento, seja qual for a circunstância e o testemunho.

Uma mulher, aflita, porém, ante o silêncio que se deu, apresentou-lhe o filho enfermo e perguntou:

– Ele padece doenças e nada posso fazer. Qual o recurso a aplicar?

– Abençoai a água pura e dai-lhe a solvê-la.

Um homem triste, tocado pela esperança, indagou-lhe:

– Minha esposa foi tomada pelas forças do mal, e ninguém a pode ajudar. A quem recorrer:

Toca-lhe a fronte com a mão, e pedi ao Pai para que a vossa energia lhe restaure a paz.

E disse a outro:

Perdoai a ofensa.

E a outro mais:

Orai, pensando no adversário.

A todos ele informou:

Sois deuses e podeis tudo fazer, se quiserdes amar e dar-vos à Vida, como eu me tenho oferecido a vós.”

Assim nunca nos separaremos.”

Quando o Seu vulto foi envolvido pela noite e Ele se coroou de estrelas, a multidão sensibilizada retornou aos lares, e até hoje permanecem as instruções daquela última hora para todas as horas da humanidade.

(Divaldo Franco_Eros/Livro Paz Intima)

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Como os Espíritos nos Influenciam?

Primeiro, porque estão ao nosso lado e vêem tudo o que fazemos. Não existe um segredo que possamos esconder deles – mesmo aqueles que escondemos de nós mesmos.

Além disso, existem os espíritos que conhecem também os atos que praticamos em outras vidas e dos quais, momentaneamente, não nos lembramos.

É muito mais fácil esconder algo de pessoas vivas do que dos Espíritos.

Os bons sempre irão procurar nos ajudar de alguma forma, por mais terríveis sejam nossos pensamentos e atos, por uma questão muito simples: eles não julgam e praticam o Bem sem impor condições.

Já os de natureza inferior vão reagir da forma que faziam quando estavam vivos. Uns vão debochar e zombar de nossas dificuldades, manias, de nossas imperfeições e poderão, se o permitirmos, pregar peças e trazer muitas dificuldades.

Simples assim: os bons pensamentos, boas intenções, o esforço que fazemos por nos tornarmos melhores, atrairão para perto de nós os Espíritos Protetores, especialmente aqueles que são ligados a nós por afeição.

A contrário, quando nosso pensamento é negativo, prejudicial a nós ou a outras pessoas, os Espíritos que pensam de igual modo irão se aproximar de nós por afinidade.

Da mesma forma que possuímos amigos, pessoas que com as quais nos afinamos e cuja companhia nos é agradável, também formamos nosso grupo de Espíritos que nos acompanham por afinidade.

Sabemos que os Espíritos influem sobre nossos pensamentos e atos e, muitas vezes, podem até nos comandar.

Quando a influência é dominadora, coercitiva, denomina-se obsessão, pois ela se torna prejudicial para sua vítima.

Um Bom Espírito jamais irá nos dominar, pois respeita nosso livre-arbítrio. Apenas sugere e aconselha, procurando nos conduzir para o bem a fazer.

É muito difícil distinguir quando uma ideia é nossa ou nos é sugerida pelos Espíritos, já que eles agem sobre nós exatamente porque temos afinidade com eles, quer dizer, pensamos da mesma maneira.

Se pensamos igual, como saber se o pensamento é nosso ou não?

O que pode acontecer então se você ficar irritado? Com a influência dos Espíritos que atrairá a irritação será potencializada, podendo aumentar muito a ponto de você perder o controle e praticar atos não esperados.

Passado o nervosismo e analisadas com mais calma as consequências do seu ato, como ter ofendido pessoas aos gritos, ter agredido alguém etc., você deverá se sentir arrependido do que fez.

Mas da mesma forma que um Espírito mal intencionado potencializa sentimentos ruins em nós (veja bem: o sentimento é nosso, apenas é aumentado), os Bons nos envolvem com ternura e amor, proporcionando bem estar indefinível, quando nos propomos a fazer o Bem.

Sim, o Bem também se propaga.

A sintonia com os Bons Espíritos e os mal intencionados irá sempre depender de nós.

No livro “Pensamento e Vida”, Emmanuel esclarece que sintonizamo-nos com todas as criaturas encarnadas e desencarnadas que pensam como pensamos.

Isso é possível porque o pensamento é uma onda eletro-magnética que percorre o espaço a uma velocidade maior do que a da luz. Portanto, a distância que os Espíritos e as pessoas vivas estão de você, não tem a menor importância. Pensou, sintonizou instantaneamente.

Por isso, quanto maior o número de pessoas que estão juntas, pensando e fazendo a mesma coisa (boa ou não), maior é o poder de realização pois a força dos pensamentos se multiplica.

Pensamentos de intolerância e ódio, por exemplo, podem nos levar à prática de atos insanos, agressivos e até violentos.

A vigilância, que implica em prudência, atenção, cautela, é um recurso que devemos sempre ter como aliado. O outro é a prece que nos ligará aos Bons Espíritos que vão nos ajudar, nos fortalecer nos momentos de tormenta.

A escolha sempre dependerá de nós.

Fernando Rossit

Fonte:

– O Livro dos Espíritos – questões: 456 a 461

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O Sofrimento: CHICO XAVIER RESPONDE

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Por que pessoas que fazem tanto bem para a humanidade, como a Irmã Dulce, tem uma morte tão sofrida?

– Lembrando com muito respeito e reconhecimento a Irmã Dulce, nossa patrícia, nós perguntamos: E por que o sofrimento de Jesus no lenho? ! Ele era o guia da Humanidade e, a bem dizer, um anjo protetor da comunidade humana. É que nós necessitamos de uma interpretação mais exata do sofrimento em nosso caminho diário. Creio que todos nós devemos pagar o tributo da evolução, no agradecimento à Divina Providência dos bens que desfrutamos. E nesse particular, se é possível, eu peço licença para recordar o meu próprio caso.

Eu sempre tive uma vida normal, como a de tantos seres humanos. Entretanto, com uma labirintite que me apanhou há 3 anos, sou agora praticamente um paraplégico, porque tenho as minhas pernas constantemente doloridas e inúteis. Mas reconheço que estou com 82 anos de existência física, a caminho dos 83, tenho muita alegria de viver e tenho muita satisfação pela oportunidade de conhecer uma doença que me priva da vida natural de intercâmbio com os próprios familiares.

Um paraplégico que se habituou a usar muletas nos visitou há dias e me perguntou:

” Chico Xavier, eu sou um leitor das páginas mediúnicas que você tem recebido… Indago a você por que é que Emmanuel, um Espírito benemérito; por que é que André Luiz, um médico de altos conhecimentos; por que é que Meimei, uma irmã que foi a professora devotada da infância e da mocidade; por que é que o Dr. Bezerra de Menezes, que continua sendo, na Vida Maior, um médico do mais elevado gabarito e que é seu amigo – por que é que eles não curam você?

” Eu disse assim:

” Meu amigo, graças a Deus, eu não me sinto com privilégio algum…

A mediunidade não me exime das vicissitudes e das lutas naturais de qualquer pessoa dos nossos grupos sociais”. Penso que essa moléstia tão longa e tão difícil é um ensinamento de que eu necessito, porque, quando chegar à Vida Espiritual, breve como espero, e algum Instrutor me perguntar: “Chico Xavier, você nunca teve uma moléstia grave que durasse longo tempo?…”

Eu vou dizer:

“Sim, fiz 80 anos e, depois do dia em que completei 80 anos, começou a defasagem do meu corpo físico…”

Mas isto é muito natural em qualquer pessoa, especialmente na pessoa idosa. É uma crucificação gradual e que eu necessito, para não ficar envergonhado no Além, quando eu chegar à convivência dos nossos irmãos já desencarnados…

Eu quero não sentir vergonha de nunca ter sofrido…

Mas para mim isto não é sofrimento. Tenho muitos bons amigos, cultivo a amizade com muito calor humano, gosto muito da vida e sei que vou continuar vivendo…

Se Jesus permitir, os médicos desencarnados lá me ofertarão, talvez, quem sabe?, alguma melhora ou, se a doença continuar, eu devo saber que é a Vontade de Deus, é o Desígnio Divino que nos deu a felicidade da vida…

Então, eu estou aqui com vocês na maior alegria e creio que nenhum escutou de mim qualquer queixa, porque estou muito bem. Não me falta alimentação, não me falta alimentação, não me falta medicina, os médicos amigos me tratam estudando a moléstia com muita atenção, me proporcionando as melhoras possíveis…

E eu continuo há 2 anos na condição de paraplégico, mas estou muito feliz e, creio eu, estou muito longe da grandeza espiritual da Irmã Dulce, não tenho nada a me queixar, e sim agradecer; eu creio que ela também terá sentido muita felicidade ao se ver libertada do corpo doente. Se ela puder – eu compreendo -, e, sendo possível, ela nos auxiliará.

(Transcrição Parcial da entrevista concedida à TV Manchete, de Uberaba, Minas, em 11 de maio de 1992 – Anuário Espírita – 1995)

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É sempre tempo de receber visitas (Jane Maiolo)

Publicado por Amigo Espírita em 11 julho 2019

É sempre tempo de receber visitas

Por Jane Maiolo

Pois, se nem ainda podeis as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras?” (1) Lucas 12:26

O evangelista Lucas descreve a presença de Jesus na casa de Marta e Maria. Narra que na ocasião o Mestre é recepcionado pelas irmãs de Lázaro, o “ressuscitado”, iniciando um momento prazeroso de conversação, seguido de grandes e preciosos ensinamentos. (2)

É oportuna a narrativa para reflexão sobre a ansiedade e as escolhas que fazemos diariamente. É imperioso, pois, analisar alguns dados sobre o comportamento do homem contemporâneo e os reflexos do tênue e arriscado mundo virtual em nossa saúde sócio psicossomática.

A temática, descrita por Lucas: “Jesus na casa de Marta e Maria”, traz do mesmo modo, uma indicação sutil de como desenvolvermos hábitos saudáveis nos círculos de convivência e como o Evangelho meditado, sentido e vivenciado pode lançar luz sobre nossas escolhas.

A personagem “Marta” simboliza a ação, agitação e o fazer, enquanto que “Maria” representa a serenidade, contemplação e a emoção. Portanto, “Marta” e “Maria” sintetizam as variantes dos estados psicológicos do ser humano.

Nesse sentido, podemos rematar que todos temos uma parcela psíquica de “Marta” e um fragmento de “Maria”, no entanto é urgente o incremento do equilíbrio íntimo a fim de provar nossas escolhas com o foco na serenidade e na paz diante dos desafios dos atuais dias conturbados que vivemos.

O apontamento de Lucas demonstra que Jesus destacou a opção de “Maria” como a melhor parte, que não lhe será tirada. Ao ensejo da lição é importante ajuizarmos nossas eleições entre “Marta” e “Maria” sabendo que “Marta” continua sendo a representação de tudo o devemos realizar sem com isso nos aprisionar.

O apego aos bens materiais, o corre-corre tresloucado, as doenças psicossomáticas indicam-nos sobre o imperativo de organizarmos redes de proteção e nos percebamos acudidos nos círculos de afetos, apaziguando, por efeito, as rotineiras agitações e distonias que desavisadamente elegemos.

A inquietação mental e a agitação emocional impactam a saúde de tal modo que resultam nas inevitáveis incapacitações de atos proativos, promovem distúrbios e ou transtornos que obrigam a um longo período de terapias psicológicas.

Segundo dados disponíveis no portal da OMS, os transtornos de ansiedade atingem um total de 264 milhões de indivíduos, 18 milhões são brasileiros.

 Para apaziguar os colapsos psicológicos generalizados será imprescindível o atendimento médico especializado, as psicoterapias, e outros processos terapêuticos além das propostas socorristas das casas espíritas, através de palestras, cursos doutrinários, acolhimento fraternal, atividades assistenciais, passe magnético e a água fluidificada.

Porém, para bancar tais procedimentos socorristas e atendimentos apropriados o trabalhador do centro espírita não pode constar no rol dos neurotizados, padecendo as mesmas alterações cognitivas e comportamentais dos desajustados do mundo.

Paira certo transtorno de ansiedade nalguns trabalhadores espíritas, mormente quando tais “obreiros” aceleram as imaginações futuristas em processos de antecipação de eventuais ocorrências futuras. Aliás, paranoia contida nas evidentes correrias para promoções de eventos, obstando plenificação consciencial nas lides espíritas através das experiências simples do cotidiana.

A desordem ansiosa começa quando tal subversão fica descomedida. O nervosismo narcotiza o indivíduo, impedindo que realize as tarefas, atrapalhando os compromissos, emperrando a vida social e espiritual.

Logicamente os tempos apresentados na referência de Lucas eram diferentes e não decretavam das pessoas tantas atividades sociais, culturais e econômicas, entretanto a lição contida na citação do evangelista é lecionar aos homens, de todas as épocas, a discernir entre o que é circunstancial e o que é essencial na vida.

Personificar “Maria” é oferecer as melhores escolhas, assumir “Marta” pode equilibrar circunstancialmente as ações mirando o bom, o belo e o bem sem desânimo e sem inquietação.

Em síntese: “É importante mover as mãos de “Marta”, contudo, primordialmente vale auscultar o coração de “Maria”.

Jane Maiolo

janemaiolo@bol.com.br

Referência bibliográfica:

1-LUCAS 12:26

2-LUCAS 10:38

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A TRANSIÇÃO DO MUNDO E A TRANSIÇÃO DO EU

Também é assim no mundo da matéria. Quando estamos numa empresa, numa sala de aula ou mesmo num grupo de amigos, há períodos em que essas coletividades passam por transformações e, nem por isso, somos obrigados a nos transformar também. Empresas adquirem novas tecnologias, adotam novos paradigmas, modificam sua visão de mundo; uma sala de aula passa por provas e exames após os quais abrem-se a novas etapas, a estágios superiores de aprendizado; mesmo um grupo de amigos vive ciclos de casamento, de filhos, por exemplo, nos quais um solteirão isola-se e afasta-se.

Quantas vezes tivemos contato com a mensagem cristã nesses últimos dois mil anos? É verdade, é muito provável que já tivéssemos contato indireto com ela antes da encarnação do Cristo, pois os grandes mestres e profetas que o antecederam na Terra foram seus mensageiros, mas pensemos apenas na Vida depois da Vinda: por quantas encarnações tivemos contato com igrejas, organizações, almas de conduta exemplar e situações de vida que, vistas na perspectiva da eternidade, foram claras oportunidades para percebermos que o sentido da vida é desenvolvermos um Amor puro, sem apego e desinteressado por toda a Criação, atingindo o mais profundo das criaturas, lá onde reside o Criador? Nesse momento, não temos como saber quantas oportunidades já desperdiçamos.

Sabemos, no entanto, que ninguém vem à Terra à passeio, mas em missão ou resgate, e todos nós que tivermos clara consciência de não estarmos no estágio espiritual do Missionário, teremos que deduzir que viemos em resgate. A verdade, que surge assim límpida, é que somos alunos multirrepetentes  de uma escola tão generosa que, mesmo depois de tantos fracassos motivados por nosso desprezo aos professores, por nossas fugas das aulas , por nossas reiteradas opções pela satisfação imediata e egoísta, ainda assim nos oferece mais uma chance.

Nesses nossos tempos, todos os membros de todas as religiões sabem da transição planetária. Todos aqueles que são desligados de quaisquer instituições religiosas também vem sendo, há muito, informados das mudanças geológicas, climáticas e magnéticas por que passa nosso planeta. Absolutamente todos nós fomos exaustivamente preparados antes dessa encarnação, e vimos sendo sistematicamente acompanhados em nossas crises e angústias de forma a nos tornarmos capazes, pelo menos nessa última tentativa, de aprender os rudimentos necessários ao novo estágio do planeta, expressos, tais aprendizados, com clareza plena nas bem-aventuranças do Sermão da Montanha, magnífico roteiro para nossa evolução.    

Na primeira bem-aventurança (em Mateus, 5), Jesus deixou claro, como Sócrates já evidenciara, que sem a humildade inabilitamo-nos a qualquer processo educativo. De posse desse reconhecimento mínimo de nossa insuficiência, adquirimos condição de, atendendo à segunda bem-aventurança, não nos fixar nas dores da vida habilitando-nos a extrair delas as lições das quais são portadoras. A terceira bem-aventurança deixa claro que, entre as inúmeras conquistas às quais somos convidados por nossas dores, a fundamental para a entrada no mundo de regeneração é a auto-pacificação: “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra”, promete o Cristo.  Inacreditavelmente, vivemos ainda entre multidões inconscientes que apenas travam a luta por sua própria vida, como os animais, ou pior, como se sua vida só fosse possível com a opressão dos seus semelhantes, como só os piores humanos são capazes.

Mesmo entre aqueles que acreditamos no grave momento de transição que atravessamos, alguns absurdamente se atêm aos fenômenos físicos, paralisando-se no debate sobre quais catástrofes enfrentaremos, que efeitos causarão, em quanto tempo e onde ocorrerão, repetindo equívocos – nossos equívocos! – , de, buscando nossos interesses políticos e econômicos não enxergarmos o Messias Espiritual, de, ansiando pela exaltação de nosso conhecimento e senso crítico, não ouvirmos o Mestre para muito além do produtor de milagres. Erros que, repetidos, nos trouxeram até aqui e que, agora, nos ameaçam incompatibilizar com a Terra.

Reverberando palidamente o chamamento em grandes brados que nos vem do Alto, concitemo-nos às lições de Humildade, ao Bem-sofrer (Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. V, 18) e à Auto-pacificação contidas em romances, leituras doutrinárias, filmes, observações da vida e, muito especialmente, nos desafios mais dolorosos que enfrentamos, pois que colocados pela Pedagogia Divina no momento e na intensidade exatos que nossas almas necessitam. 

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Reflexões sobre ações e críticas

            Você já se perguntou o que é a verdade? Jesus ao ser indagado por P Pilatos, na descrição do Evangelho segundo João, capítulo XVIII, respondeu com o maior silêncio que a humanidade já ouviu. Tenho me perguntado por que Ele adotou tal postura?   

            Neste período de confusionismo social, o pouco conhecimento em torno das lições do Evangelho, somos chamamos para agir com mais eficiência.       

            Para isto nada melhor do que refletir antes de agir, buscar inspiração por humildade, e contar ainda com a Revelação do Mundo Espiritual para construir, deixando que as desconstruções sejam resultados da ação da luz. 

            Divido este singelo post, adentrando nos portais da Revista Espírita, junto com Allan Kardec, para ouvir as VOZES DO CÉU na brilhante palestra sobre a VERDADE, antes da próxima escolha.   

                                                                                                                                                                                                                                 A VERDADE

A verdade, meu amigo, é uma dessas abstrações para as quais tende o Espírito humano incessantemente, sem jamais poder atingi-la. É preciso que ele tenda para ela, é uma das condições do progresso, mas, pela simples razão da imperfeição de sua natureza, ele não poderia alcançá-la. Seguindo a direção que segue a verdade em sua marcha ascendente, o Espírito humano está na via providencial, mas não lhe é dado ver o seu termo.

Compreender-me-ás melhor quando souberes que a verdade é, como o tempo, dividida em duas partes, pelo momento inapreciável que se chama o presente, a saber: o passado e o futuro.

Assim, há duas verdades: a verdade relativa e a verdade absoluta; a verdade relativa é o que é; a verdade absoluta é o que deveria ser.

Ora, como o que deveria ser sobe por graus até a perfeição absoluta, que é Deus, segue-se que, para os seres criados e seguindo a rota ascensional do progresso, não há senão verdades relativas.

Mas, do fato de uma verdade relativa não ser imutável, não se segue que seja menos sagrada para o ser criado.

Vossas leis, vossos costumes, vossas instituições são essencialmente perfectíveis e, por isto mesmo, imperfeitas; mas suas imperfeições não vos liberam do respeito que lhes deveis. Não é permitido adiantar-se ao tempo e fazer leis fora das leis sociais. A Humanidade é um ser coletivo que deve marchar, se não em seu conjunto, ao menos por grupos, para o progresso do futuro.

Aquele que se destaca da sociedade humana para avançar como criança perdida, sofre sempre na vossa Terra a pena devida à sua impaciência. Deixai aos iniciadores inspirados pelo Espírito de Verdade, o cuidado de proclamar as leis do futuro, submetendo-se à do presente. Deixai a Deus, que mede vossos progressos pelos esforços que tendes feito para vos tornardes melhores, o cuidado de escolher o momento que julgar útil para uma nova transição, mas jamais vos esquiveis a uma lei senão quando for derrogada.

Porque o Espiritismo foi revelado entre vós, não creiais num cataclismo das instituições sociais; até agora ele tem realizado uma obra subterrânea e inconsciente para aqueles que foram os seus instrumentos. Hoje que ele vem à tona e surge à luz, nem por isso a marcha do progresso deve ser de lenta regularidade.

Desconfiai dos Espíritos impacientes, que vos impelem para as sendas perigosas do desconhecido. A eternidade que vos é prometida deve levar-vos a ter piedade das ambições tão efêmeras da vida. Sede reservados até em suspeitar, muitas vezes, da voz dos Espíritos que se manifestam.

Lembrais-vos disto: O Espírito humano move-se e se agita sob a influência de três causas, que são: a reflexão, a inspiração e a revelação.

A reflexão é a riqueza de vossas lembranças, que agitais voluntariamente. Nela, o homem encontra o que lhe é rigorosamente útil, para satisfazer às necessidades de uma posição estacionária.

A inspiração é a influência dos Espíritos extraterrestres, que se misturam mais ou menos às vossas próprias reflexões para vos compelir ao progresso; é a intromissão do melhor na insuficiência da passagem, uma força nova que se junta a uma força adquirida, para vos levar mais longe que o presente, a prova irrecusável de uma causa oculta que vos impulsiona para frente, e sem a qual permaneceríeis estacionários. Porque é regra física e moral que o efeito não poderia ser maior que sua causa, e quando isto acontece, como no progresso social, é que uma causa ignorada, não percebida, juntou-se à causa primeira de vosso impulso.

A revelação é a mais elevada das forças que agitam o Espírito do homem, porque vem de Deus e só se manifesta por sua vontade expressa; ela é rara, por vezes mesmo inapreciável, algumas vezes evidente para o que a experimenta a ponto de sentir-se involuntariamente tomado de santo respeito. Repito, ela é rara e dada ordinariamente como recompensa à fé sincera, ao coração devotado; mas não tomeis como revelação tudo quanto vos pode ser dado como tal. O homem se vangloria da amizade dos grandes, os Espíritos exibem uma permissão especial de Deus, que muitas vezes lhes falta.

Algumas vezes fazem promessas que Deus não ratifica, porque só ele sabe o que é e o que não é preciso.

Eis, meu amigo, tudo quanto posso dizer-te sobre a verdade. Humilha-te perante o grande Ser, por quem tudo vive e se move na infinidade dos mundos, que seu poder governa; medita que se nEle se acha toda a sabedoria, toda justiça e todo poder, nEle também se acha toda a verdade.

Pascal

(Lyon, novembro de 1863 – Médium: Sr. X…) Revista Espírita. Maio 1865

A Kardec

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A FAMÍLIA E OS DESAFIOS DA VIDA

A família como estrutura capaz de nos sustentar nas lutas da vida (Jorge Hessen)

Jorge Hessen 
jorgehessen@gmail.com 
Brasília/DF

Os Benfeitores espirituais esclarecem que de todos os institutos sociais existentes na Terra, a família é o mais importante, do ponto de vista dos alicerces morais que regem a vida. A família reaviva em nós as sensações de segurança e aconchego, tal a importância do grupo familiar como estrutura capaz de nos sustentar nas lutas da vida.

Atualmente o distanciamento familiar tem sido definido como a perda de afeto que ocorrem ao longo de anos ou mesmo décadas em uma família. O divórcio contribui para a perda de relacionamentos familiares, especialmente com os pais. O abandono de parentes com identidades marginalizadas também é um fator comum, como a rejeição familiar a minorias sexuais e de gênero, por exemplo.

Também é importante notar que o distanciamento nem sempre é permanente. As pessoas se afastam e se reaproximam. Ademais, cortar o contato com um membro da família pode ser muito doloroso devido à forma como a sociedade não entende bem e atribui a isso um aspecto de vergonha ou reprovação.

Os laços de família são necessários à harmonia e evolução da sociedade. O resultado da negligência ou ruptura dos laços familiares leva a exacerbação do egoísmo. Existem duas espécies de vínculos familiares: os espirituais e corporais. As ligações corporais são frágeis e temporárias, entretanto os laços espirituais se fortalecem pela união e se vinculam na eternidade por meio das múltiplas migrações do Espírito.

É impossível auxiliar a composição social, quando ainda não conseguimos ser úteis nem mesmo com a família em que Deus nos colocou, a título precário. Portanto, antes da grande projeção pessoal na obra coletiva, aprendamos a colaborar, em favor dos familiares, no dia de hoje, convicto de que análogo empenho importa realização essencial.

A nossa família consanguínea pode ser contemplada como o cerne eficaz de nossas representações. Imagens aprazíveis ou desagradáveis que o pretérito nos restitui. Aprendamos antes de tudo a exercer piedade para com a própria família e a recompensar nossos pais, porque isto é bom e agradável diante de Deus, conforme narrava Paulo de Tarso.

A família é uma escola onde aprendemos a amar umas poucas pessoas para um dia amar a Humanidade. É assim que em nossas múltiplas existências aprendemos lidar com o amor, nos seus diversos aspectos: amor de mãe para filho, de filho para mãe, de irmão para irmão, de avô para neto, de neto para avô, de tio para sobrinho, de sobrinho para tio, de esposo para esposa e assim por diante. E, quando alcançamos amar genuinamente um filho, por exemplo, nosso coração se comove igualmente pelos filhos alheios.

Ponderando-se sobre a lei da reencarnação consolidamos os laços de afetividade com maior número de Espíritos, que (re)nascem sob o mesmo teto que nós. Dessa forma, nossa família espiritual se amplia e os laços de bem-querer se solidificam a cada nova possibilidade de convivência. Deste modo, conviver em família é um desafio e, igualmente, um formidável aprendizado, pois o convívio cotidiano nos oferece ensejo de cinzelar as arestas com os que eventualmente tenhamos alguma contenda.

(Re) nascendo no mesmo reduto doméstico é mais fácil suplantar os desamores, pois os vínculos consanguíneos ainda se compõem numa referência altiva a benefício da indulgência e da coexistência serenas. É por isso que existe a família: para que aprendamos a exercitar o amor na condição de irmãos, pois que todos somos filhos do mesmo PAI.

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CULPA E DIREITO DE ERRAR

“Culpa e direito de errar” (Jorge Hessen)

Moisés nos aconselhou O QUE NÃO DEVEMOS FAZER em nossa trajetória evolutiva, posteriormente, Jesus ensinou O QUE DEVEMOS FAZER e o Espiritismo sugere COMO FAZER. Essas reflexões nos remeteram ao “Projeto Espiritizar” volumoso estudo da coletânea psicológica de Joana de Angelis organizado pela Federação espírita do estado de Mato Grosso, do qual nos situamos como humílimo educando.

Dentre múltiplos temas propostos pelo projeto, nomeamos o subtema “Culpa e direito de errar”, do módulo “Diretrizes seguras para libertar-se da culpa”, que abreviaremos nas reflexões a seguir.

O movimento da culpa é resultante do culto ao perfeccionismo, eis aí um capcioso quisto psicológico. Quando erramos, ao invés de assumirmos atitudes reparadoras, cultuamos uma perfeição impraticável e nos acusamos peremptoriamente, por conseguinte não nos consentimos o direito de errar com a correspondente obrigação de reparar.

É importante aprendermos e refletirmos com os erros, assumindo corajosamente a cogente reparação dos mesmos. Porém, se mergulharmos na síndrome da inútil culpa, minamos a autoestima e nos punimos, produzindo, assim, todo um estado psíquico de angústia. Deste modo, nos magoamos com agente mesmos e conservamos uma espécie de ferida aberta na consciência, apunhalando-a sem tréguas. À vista disso, não vivemos equilibradamente e transformamos nossos anseios em azedumes, mágoas, mau humor acoplados ao cortejo de antipatias, projetando nos outros os detritos psíquicos que empilhamos.

Urge nos permitirmos o direito de errar. Até porque fomos criados simples e ignorantes. Ademais, como é possível, em nosso atual estágio evolutivo, acertar sempre? Isso é impossível! Assim raciocinando, é fácil perceber que a culpa é intensamente injusta conosco, porque ela não nos permite o direito de errar, aliás, direito que Deus nos proporcionou. Até porque, fomos criados simples e ignorantes a fim de que evoluíssemos gradualmente, errando e acertando até chegarmos à perfeição relativa, quando atingiremos o nível do “Guia e Modelo” da humanidade a partir de então não erraremos mais.

É crença vulgar e equivocada admitir a Justiça Divina como condenatória e punitiva. As Leis de Deus, incrustradas na consciência humana, não são punitivas, porém são educativas (provação) e reeducativas (expiação). Ora, se não nos permitimos o direito de errar e o dever de acertar, permaneceremos numa atitude preguiçosa passiva e acomodada. Para evitar que isso ocorra, é urgente movimentarmo-nos ativamente para a forçosa reparação ante os equívocos deliberados.

Para tal, urge reflexão consciencial, esforço para nos harmonizarmos com as Leis divinas, coragem para pacificarmos nosso eu e desenvolvermos virtudes, evidentemente tudo isso é muito custoso. Mas não podemos permitir os extremos, ou seja, nem exigirmos de nós perfeição e nem ingressarmos na negligência de aperfeiçoamento, senão nos enleamos nas tormentas ao invés de harmonizarmos com nós mesmos (em essência).

As quedas morais das experiências transatas não hão como alterá-las, porque a compulsão da culpa que trazemos de ontem somente será decomposta gradativamente, entretanto tudo que diz respeito aos erros do presente podemos mudar. Como? Já não nutrindo o mecanismo da inutilidade da culpa quando erramos hoje. Sim, podemos alterar-lhe, tendo consciência de que podemos errar, todavia temos a obrigação de reparar o erro de forma amorosa, bancando o bem na fronteira das nossas energias.

A culpa é um anseio de prepotência e onipotência porque cobiçamos assumir os atributos de Deus ao divergirmos da Lei de misericórdia e da Lei de amor, justiça e caridade. Ora, se Deus não nos pune, então instituímos uma lei particular e através de um auto decreto infligimos a lei de autopunição.

Naturalmente na condição de seres humanos acertamos e erramos consecutivamente. Ou seja, temos sucessos ou desacertos nos empreendimentos da vida. Um aprendiz consciente aprende mediante a experiência que nem sempre é laureada de sucesso. Em verdade, o aprendiz consciente objetiva o acerto, mas não na exigência de acertar, porém se esforça em dar o melhor sem paranoides e sem desleixos desculpistas, porque é consciente e como tal, se vê como aprendiz responsável.

Com efeito, se errar o foco dele será no aprendizado em relação ao erro porque a exclusiva atitude positiva e proativa frente ao erro é aprender com ele. Então o aprendiz se esforçará para dar o melhor, admitindo que nesse movimento pode equivocar e ao errar aprenderá e reparará o engano quantas vezes forem necessárias.

Por outro lado, o perfeccionista não quer errar, porque crê que o erro traz punição e como já está cansado de ser penitenciado escolhe desenvolver a agreste culpa. Naturalmente sob o véu do perfeccionismo está embutida a soberba egoica. Por causa disso, quando acerta blasona, mas quando erra se percebe como um asno e se arremessa no despenhadeiro da culpa. É essa dualidade que sobrevém ao perfeccionista.

A pessoa que acredita que a perfeição é o limite entra no processo de autoflagelação, porque percebe como difícil e ilusória qualquer aspiração libertadora. Na verdade, não é difícil, é fadigoso, porque precisa larguear o amor para governar todas as demais virtudes que transmutarão o processo de culpa. Porque a imprestável culpa é um movimento de auto desamor profundo, uma cruel repressão do amor. O culpado quer sofrer as consequências martirizantes dos erros porque acha que esse mecanismo é libertador. Mas só e unicamente o amor liberta a consciência.

O nosso compromisso consciencial é realizar o bem no limite das nossas forças. Porém, nosso movimento psíquico de cansaço angustiante e inquietante decorrente da culpa só será superado com o descanso para a alma conquistado pelo jugo do amor, da mansidão e da humildade conforme nos convidou Jesus. Isso será determinante para nosso desenvolvimento consciencial como aprendizes da vida que somos.

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