Progresso e reencarnação

A imagem pode conter: árvore, planta, flor, atividades ao ar livre e natureza

Progresso e reencarnação

Já pensamos, alguma vez, sobre o que existe além do véu que separa o visível do invisível?

Pensamos sobre o que acontecerá com o nosso pensamento, após a morte do corpo físico?

Embora este assunto seja de grande importância para todos nós, poucos nos detemos a pensar nele.

Vendo na morte física uma eterna adversária, evitamos qualquer cogitação quanto ao que nos está reservado para lá das suas fronteiras.

Todavia, quem de nós pode contemplar a grandeza do Universo sem acreditar que há um plano e um Arquiteto?

Se prestarmos atenção, perceberemos que esse planejamento é evidente em todos os fenômenos que ocorrem com a natureza, dentro dos limites da nossa acanhada percepção.

Tomemos, por exemplo, o fenômeno das estações climáticas que se dão, naturalmente.

No outono, as folhas adquirem colorido variado e vão caindo docemente ao chão, não para serem destruídas, mas para serem recolhidas pela natureza e aproveitadas futuramente.

O inverno chega e estende suas cores nostálgicas. O verde alegre desaparece para dar lugar ao cinza melancólico.

Mas, e a vida estuante terá desaparecido?

Ou será que nos planos do Arquiteto há um objetivo maior?

Não demora muito e a resposta se manifesta na folhagem verdejante que arrebenta exuberante.

Das mãos do Grande Arquiteto vem a inevitável carícia da primavera para trazer vida e cor, fragrância e beleza à terra ávida.

O calor do verão é bálsamo bendito que permite a germinação e a frutificação que garantirá a perpetuidade das espécies que dele necessitam.

E esse ciclo se repete infinitamente…

Caem as folhas, secam as árvores, entristece a paisagem, mas a vida jamais fenece…

Por mais limitado seja o nosso raciocínio lógico, não podemos conceber que esse arquiteto perfeito tenha traçado, para os seres humanos, destino diferente.

Assim como acontece com as estações, nós também passamos pelo outono e nos despojamos da vestimenta carnal.

Baixam as cortinas do inverno e nos retiram de cena, no mundo visível.

Será o fim?

Não, nós apenas mergulhamos no hemisfério invisível onde a vida continua exuberante…

Logo mais surge uma nova primavera… Um corpo novo e pleno de vida nos é ofertado pelo Criador para que possamos continuar a crescer e aprender.

Novamente o calor do verão, em forma de afeto, nos aconchega num novo lar, onde aprenderemos a amar e ampliar os laços da fraternidade.

A natureza é uma lição de serviço à vida.

Serve o ar, sem o qual nada sobrevive.

Serve o verme, sustentando a vida.

Serve o gérmen, renovando a vida.

O vento passa em doce musicalidade e, conduzindo o pólen da flor, fecunda outras espécies vegetais, perpetuando a vida.

Serve o animal nas diferentes expressões da escala evolutiva em que se demora.

Serve a água preservando a vida, em todas as suas manifestações.

Serve o sol, mantendo o equilíbrio geral e, graças ao seu tropismo, se realizam os programas divinos na Terra e no sistema que a sustenta.

Não terá, então, o Arquiteto Maior um plano para o homem, ao qual deu domínio sobre todas as coisas vivas?

Pensemos nisso!

Redação do Momento Espírita

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O Progresso e o Materialismo

Podemos contribuir para o progresso destruindo o materialismo    (Jorge Hessen)

Postado por os pae

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com 

Brasília/DF

Os países lutam para ter ou manter o controle de matérias primas, fontes de energia, terras, bacias fluviais, passagens marítimas e outros recursos ambientais básicos. Nessa luta, surgem conflitos que tendem a aumentar à medida que os recursos escasseiam e aumenta a competição por eles.

Na época de Kardec existia cerca de 1,5 bilhão de habitantes na Terra e estima-se que atingiremos, pelo menos, 11 bilhões daqui a três dezenas de anos.

A Fome já castiga mais de 1 bilhão de pessoas. Talvez a Terra produza sempre o necessário, se com o necessário souber o homem contentar-se. Se o que ela produz não lhe basta a todas as necessidades, é porque ele a emprega no supérfluo o que poderia ser empregado no necessário.

A questão é que, em uma sociedade consumista, poucos se contentam com o necessário, por isso não há distinção entre consumismo e materialismo.

Podemos contribuir para o progresso destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade. Mas, neste mundo contraditório, temos o cinismo de divulgar a paz produzindo as ogivas de guerra; ansiamos resolver os enigmas sociais intensificando a edificação das penitenciárias, bordeis e motéis.

Dezenove anos se passaram neste novo milênio, porém o resultado da larga arena de lutas fratricidas do século XX ainda ecoa nos vagidos de cada criança que renasce. As atuais teorias sociais permanecem em sua trajetória equivocada, tangendo não raro a linha tenebrosa do extremismo.

É urgente que novas propostas teóricas interpretem a paz social em termos de valores mais transcendentes. Tais teses comprovarão a assertiva dos Espíritos e do Evangelho de que os bens materiais não trazem felicidade.

Tempos de combates sinistros, desde os primeiros anos do século XX, a guerra se instalou com caráter permanente em quase todas as regiões do planeta. Os pactos de segurança da paz oriundos das convenções internacionais após a I Guerra Mundial, não foram senão fenômenos da própria guerra, que culminaram com o apogeu da II Guerra Mundial.

A Europa e o Oriente constituem ainda hoje um campo vasto de agressão e terrorismo. Onde se encontram os valores morais da sociedade contemporânea? Muitas religiões estão amordaçadas pelas injunções de ordem econômica e política.

Não desconsideramos, nessas reflexões, a rejeição que padecem os excluídos da sociedade, porquanto a ganância pelo dinheiro atinge patamares surrealistas. Estarrece-nos a avidez dos adolescentes pelo sexo, quase sempre remetidos aos pântanos da indigência moral. Hoje em dia, as pessoas vacilam em sair às ruas, defronte dos assaltos e sequestros relâmpagos que têm ocorrido a todo o momento. São ocasiões de muita inquietude e de grande volubilidade emocional.

Ainda sofremos os ressaibos amargosos dos contrastes de uma suprema tecnologia no campo da informática, das telecomunicações, da genética, das viagens espaciais, dos supersônicos, dos raios laser, do mesmo modo em que ainda temos que coexistir com a febre amarela, a tuberculose, a aids, e com todos os tipos de droga (cocaína, heroína, skanc, ecstasy, o crack, oxi etc).

As revelações dos espíritos descerão às almas, como rocio incorpóreo, expressando a paz e a luz de uma nova era. Cremos que abundantes mudanças são aguardadas e o Espiritismo iluminará os corações, reconstruindo a individualidade espiritual para o amanhã que se avizinha.

“Então, perguntar-lhe-ão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? – Quando foi que te vimos sem teto e te hospedamos; ou despido e te vestimos? – E quando foi que te soubemos doente ou preso e fomos visitar-te? – O Rei lhes responderá: Em verdade vos digo, todas as vezes que isso fizestes a um destes mais pequeninos dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes”. (1)

Referência bibliográfica:

(1) Mateus 25:36-46

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KARDEC NO FOCO DAS CÂMERAS

Postado por Antonio Cesar Perri de Carvalho

KARDEC NO FOCO DAS CÂMERAS

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Chegou aos cinemas no dia 16 de maio o filme “Kardec”!

Com muita satisfação assistimos em tela de cinema o longa metragem “Kardec” e que precisa ser visto, começando pelos espíritas como ensejo para análises e reflexões oportunas sobre as relações com os fenômenos e com médiuns. Trata-se um filme sério, sem arroubos e com poucas “licenças cinematográficas”. Focaliza um momento crucial da mudança do prof. Rivail para Allan Kardec, e com pitadas bem humanas dele e de sua esposa Amélie Boudet, procurando superar as dificuldades e as dúvidas.

O filme mostra o professor Rivail, retratando algumas de suas ideias como educador e que, em seguida tenta entender as mensagens do além, que recebe através de diferentes médiuns. Cético, durante o século XIX, ele investiga os mistérios ocorrendo em Paris, procurando estabelecer um método para analisar os fenômenos, até se convencer da comunicabilidade dos espíritos e de assumir o pseudônimo Allan Kardec, com a publicação de “O livro dos espíritos”. Na realidade o filme registra uma parte inicial da trajetória do Codificador, desde os contatos com as “mesas girantes” até o aparecimento de “O livro dos médiuns” e o “Auto de Fé de Barcelona”, em 1861.

O filme tem grande qualidade técnica, com cenas e vestimentas aclimatadas ao glamour de Paris do Século XIX.

Baseia-se na excelente obra “Kardec – a biografia” escrita pelo jornalista Marcel Souto Maior (Editora Record, 2013), que conta a história do educador francês Hyppolite Léon Denizard Rivail e de sua atuação como Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita.

De matéria jornalística elucidativa e até didática de Fabiana Schiavon da Folha de São Paulo (São Paulo, 16/5/2019), destacamos a apreciação do autor do livro Marcel Souto Maior: “a história do longa levanta dois pontos relevantes sobre Kardec. A primeira se refere sobre o que faz um professor cético mudar de nome e de vida aos 53 anos para dar voz aos espíritos. O segundo momento é narração sobre a perseguição sofrida pelo escritor, dos adversários que ele teve de enfrentar, como a ciência, a igreja e a imprensa.” Na matéria citada o diretor Wagner Assis, que também foi diretor do filme “Nosso Lar”, comenta que “O filme apresenta um Kardec pouco conhecido e que é comumente visto como um médium ou homem místico, e dá o contexto do momento em que tudo isso aconteceu” e “a abordagem é mais do ser humano que o Codificador viveu”.

A cinebiografia sobre o Codificador tem o papel principal interpretado por Leonardo Medeiros e conta com o talento de bons atores: Sandra Corveloni, Guilherme Piva, Genézio de Barros, Guida Vianna, Júlia Konrad e Dalton Vigh. O filme “Kardec” é distribuído pela Sony.

Esperamos que o filme de boa qualidade técnica e de conteúdo sério e oportuno ao ser exibido em cinemas das várias regiões do país possa sensibilizar expectadores não espíritas e ratificamos registro da jornalista da Folha: “A expectativa dos produtores e de espíritas é que o filme alcance também o público cético. É importante que as pessoas saibam como começou a história do espiritismo e o fato de que Kardec começou esse trabalho já na fase madura dele e com uma formação acadêmica sólida.”

Como adendo informamos que se encontra em finalização de edição um outro trabalho cinematográfico focalizando o Codificador. Trata-se de “Em busca de Kardec”, numa modalidade diferente, de série e documental, produzido pela Lighthouse.

Os 150 anos da desencarnação de Allan Kardec estão sendo bem assinalados dentro e fora do movimento espírita!

(* – Ex-presidente da USE-SP e da FEB; ex-membro da Comissão Executiva do CEI).
Publicado aos 17/5/2019 em:
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Ayahuasca? – Estado alterado da consciência? Loucura? Obsessão?

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Parentes e o advogado de Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, suspeito de ter matado o cartunista Glauco e o filho Raoni, afirmam que o homicida fazia tratamento psicológico, psiquiátrico e antidrogas, e que seu quadro de esquizofrenia teria agravado após ter tido contato com a igreja do santo Daime. Há dois anos, Carlos Eduardo começou a frequentar a seita. E isso coincide com o tempo em que seu estado de saúde piorou. Alguns afirmaram que não se deveria permitir que o jovem ingerisse a bebida enteógena. Para alguns estudiosos, ingerir bebida enteógena (1) sacramental, conhecida como chá de Ayahuasca (santo Daime), pode agravar ou gerar um estado psicótico ou problemas psicológicos.

O chá de Ayahuasca é consumido por comunidades indígenas da Amazônia há, pelo menos, 300 anos e para alguns não chega a ser um alucinógeno, porém, provoca um estado alterado de consciência e, por isso, não é combatido nem condenado pelas autoridades.  Seguidores dessas seitas afirmam que o uso do Daime nos cultos não deve ser encarado como uma droga, mas, sim, como um elemento “religioso” importante. Porém, sabemos que muitas substâncias “inofensivas”, além de serem tóxicas, também, são viciativas, ou seja, causam dependência, que pode ser física, psicológica e, por via de extensão, “espiritual”. Para tais praticantes, beber o chá não traz problemas à saúde física e mental, se for administrado corretamente. E se não for administrado corretamente? Estamos convencidos de que essa relação é emblemática.

Quem ingere chá de Ayahuasca tem alteração de consciência. Pode ocorrer certo descontrole, dor e perturbação evidentes; sintomas que são percebidos, inclusive, em nível de sensações perispirituais. Se o objetivo (o tal caráter “religioso”) for manter contato com o “mundo espiritual”, é importante alertar que, para se obter um intercâmbio com o mundo dos espíritos, é, absolutamente, dispensável a ingestão de quaisquer substâncias modificadoras da consciência. Portanto, é, totalmente, desnecessária a utilização do chá do santo Daime para esse fim; nem mesmo pode-se dizer que facilite o transe mediúnico; muito pelo contrário, pode ser, inclusive, prejudicial, dependendo do caso. O transe mediúnico é favorecido pela educação dos sentimentos e não por meios artificiais, pois é um fenômeno, absolutamente, natural.

Há alguns anos, pesquisadores da USP, de Ribeirão Preto, tentam conhecer melhor os efeitos do chá usado no Santo Daime e como ele atua no cérebro. Após a ingestão do chá, a substância vai para o estômago, entra na corrente sanguínea e segue para o cérebro, onde se espalha. O lado mais ativado é o hemisfério direito, que controla as emoções, como: satisfação, insatisfação, equilíbrio, desequilíbrio e euforia. Os estudos mostram que o chá leva, em média, meia hora para fazer efeito. Em uma hora, as pessoas começam a apresentar alterações de comportamento: primeiro, um estado de relaxamento; depois, muita euforia e, logo em seguida, alteração de percepções. É quando começam as visões distorcidas do cérebro.

A Doutrina Espírita esclarece que “os órgãos têm uma influência muito grande sobre a manifestação das faculdades [espirituais]; porém, não as produzem; eis a diferença. Um bom músico com um instrumento ruim não fará boa música, mas isso não o impedirá de ser um bom músico.” (2) O Espírito age sobre a matéria e a matéria reage sobre o Espírito numa certa medida, e o Espírito pode se encontrar, momentaneamente, impressionado pela alteração dos órgãos pelos quais se manifesta e recebe suas impressões materiais”. (3) Cada caso é um caso, mas, sabe-se que certas substâncias, que alteram a consciência, trazem  consequências para o corpo físico, para o perispírito e para a mente. Para o corpo físico, são inúmeros os malefícios, desde a dependência física e sintomas que podem levar a quadros de intoxicação aguda, até a morte (há caso registrado em Goiás). Para o perispírito, a consequência é a impregnação energética-mórbida nesse corpo. E pior, o psicossoma, que é o modelo organizador biológico, leva, com ele, toda a lesão, inclusive, para outra encarnação.

“A loucura tem, como causa principal, uma predisposição orgânica do cérebro, que o torna, mais ou menos, acessível a algumas impressões. Se houver predisposição para a loucura, ela assume um caráter de preocupação principal, transformando-se em ideia fixa, podendo tanto ser a dos Espíritos, em quem com eles se ocupou, como poderá ser a de Deus, dos anjos, do diabo, da fortuna, do poder, de uma arte, de uma ciência, da maternidade ou a de um sistema político-social.” (4) No trágico caso “Cadu/Glauco/Raoni”, tudo nos leva a crer que o homicida é um esquizofrênico. Sua doença mental apresenta um conjunto de sintomas bastante diversificado e complexo, sendo, por vezes, de difícil compreensão. Essa psicopatologia pode surgir e desaparecer em ciclos de recidivas e remissões. Hoje, é encarada, não como uma doença única, mas, como um grupo de enfermidades, atingindo todas as classes sociais e grupos humanos.  Geralmente, o diagnóstico tem mostrado níveis de confiabilidade, relativamente, baixos ou inconsistentes.

Lembrando, aqui, que a esquizofrenia não é a dupla pessoalidade, pois é muito mais ampla que isso, e não há motivos de incluir, nela, os Transtornos de Personalidade Múltipla. É uma doença gravíssima que atinge, aproximadamente, 60 milhões de pessoas do planeta (1% da população mundial), sendo distribuída, de forma igual, pelos dois sexos. A sua diagnose tem sido criticada como desprovida de validade científica ou confiabilidade, e, em geral, a validade dos diagnósticos psiquiátricos tem sido objeto de críticas. Os sintomas podem ser confundidos com “crises existenciais”, “revoltas contra o sistema”, “alienação egoísta”, uso de drogas, etc.

O delírio de identidade (achar que é outra pessoa – o Carlos Eduardo acreditava ser “Jesus”) é a marca típica de um esquizofrênico. Foi, durante muitos anos, sinônimo de exclusão social, e o diagnóstico de esquizofrenia significava internação em hospitais psiquiátricos (manicômios) ou asilos, como destino “certo”, onde os pacientes ficavam durante vários anos. A Organização Mundial de Saúde editou critérios objetivos e claros para a realização do diagnóstico da esquizofrenia. As causas do processo patogênico são um mosaico: a única coisa evidente é a constituição pluricausal da doença. Isso inclui mudanças na química cerebral [a atividade dopaminérgica é muito elevada nos indivíduos esquizofrênicos], fatores genéticos e, mesmo, alterações estruturais.

É importante frisar que a Esquizofrenia tem cura. Até bem pouco tempo, pensava-se que era incurável e que se convertia, obrigatoriamente, em uma doença crônica e para toda a vida. Atualmente, entretanto, sabe-se que uma porcentagem de pessoas que sofre desse transtorno pode recuperar-se por completo e levar uma vida normal, como qualquer outra.

Não podemos desconsiderar, ante o fato (“Cadu/Glauco/Raoni”) narrado no texto, o processo obsessivo, consoante esclarecem os ditames doutrinários. André Luiz, Espírito, comenta que “muitos dos nossos irmãos desencarnados, ainda presos a sentimentos de ódio e ira, cercam suas vítimas encarnadas, formando perturbações que podemos classificar como “infecções fluídicas” e que determinam o colapso cerebral com arrasadora loucura”. (5)

Rede Amigo Espírita

Fontes:
(1)     estado xamânico ou de êxtase induzida pela ingestão de substâncias alteradoras da consciência. É um neologismo que vem do inglês: entheogen ou entheogenic proposto por estudiosos desde 1973.
(2)     Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, questão 372
(3)     Idem questão 375
(4)     Idem – Introdução , item 15, A Loucura e o Espiritismo
(5)     Xavier, Francisco Cândido. Evolução Em Dois Mundos, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000
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“Com que fim fere Deus a Humanidade por meio de flagelos destruidores?” “Para fazê-la progredir mais depressa (…) (Questão 737) 

Há uma ordenação divina no Universo. Deus a tudo prevê e provê, atendendo às necessidades evolutivas de seus filhos. Nada ocorre por acaso. Sabe-se que as manchas solares, detectadas por sofisticado instrumental científico, fruto de explosões atômicas que ocorrem no astro-rei, são responsáveis por múltiplos fenômenos climáticos terrestres e não raro promovem flagelos devastadores, como tufões, tempestades, nevascas, secas, enchentes . . . 

Seriam casuais tais ocorrências? Para o materialista, certamente. Mas o religioso, que concebe a onisciência e onipotência de Deus, não, porque equivaleria ao reconhecimento de que a Natureza escapa ao comando divino. Admitindo, portanto, que o Criador controla os fenômenos naturais, contando com a participação de seus prepostos, podemos conceber que as convulsões solares são programadas por engenheiros siderais em benefício dos planetas que se movem em sua órbita, como um todo, e, em particular, beneficiando as coletividades terrestres, mais diretamente afetadas. 

Os flagelos decorrentes beneficiam fisicamente o planeta, principalmente na renovação de sua atmosfera, mas, sobretudo, impõem um agitar das consciências humanas, tanto para aqueles que desencarnam em circunstâncias dolorosas e traumáticas, quanto para os que colhem as consequências da devastação ocasionada. Experiências assim representam a oportunidade de resgate de seus débitos do pretérito, ao mesmo tempo em que fazem sua iniciação nos domínios da solidariedade. 

As vítimas das grandes calamidades tornam-se menos envolvidas com as ilusões, mais dispostas a ajudar o semelhante, após sentirem na própria carne a dor que aflige seus irmãos. A Lei de Destruição funciona, também, para conter os impulsos desajustados da criatura humana. Não é preciso grande esforço de raciocínio para perceber que a AIDS, a síndrome de insuficiência imunológica adquirida, representa uma resposta da Natureza aos abusos cometidos pelo Homem nos domínios do sexo, a partir da decantada liberdade sexual, na década de sessenta. 

A AIDS vem impondo ao Homem disciplinas às quais não se submeteria em circunstâncias normais. O mal terrível e assustador ajudá-lo-á a compreender que é preciso respeitar o sexo, que podemos exercitá-lo com liberdade, desde que não resvalemos para a liberalidade e muito menos para a licenciosidade. Sexo sem compromisso, sem responsabilidade, é mera semeadura de frustrações e comprometimento com o vício, resultando em inevitável colheita de desajustes e sofrimentos. Talvez a AIDS faça parte de um elenco de medidas renovadoras que preparam a civilização do terceiro milênio. 

Oportuno recordar que determinados surtos de progresso para a humanidade são marcados por flagelos terríveis que dizimam populações imensas. Exemplo típico foi a Peste Negra, no século XIV, enfermidade mortal provocada por um bacilo que se instalava nos aparelhos digestivo e circulatório, eliminando suas vítimas em poucos dias. Disseminada pelo Oriente e pela Europa, exterminou perto de vinte e cinco milhões de pessoas, em plena Idade Média, um período de obscurantismo, em que a civilização ocidental parecia imersa em trevas. No entanto, após a Peste Negra floresceu o Renascimento, um abençoado sopro de renovação cultural e artística, como o alvorecer de radioso dia precedido de devastadora tempestade noturna.

Richard Simonetti

Fonte – Apostila 10 – Temas Espíritas (Grupo Allan Kardec)

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O ESFORÇO DIÁRIO DA FÉ

– SE TENS FÉ

Em Doutrina Espírita, fé representa dever de raciocinar com responsabilidade de viver. 

Desse modo, não te restrinjas à confiança inerte, porque a existência em toda parte nos honra, a cada um, com a obrigação de servir. 

Se tens fé, não permitirás que os eventos humanos te desmantelem a fortaleza do coração. Transitarás no mundo sabendo que o Divino Equilíbrio permanece vigilante e, mesmo que os homens transformem o lar terrestre em campo de lodo e sangue, não ignoras que a Infinita Bondade converterá um e outro em solo adubado para que a vida refloresça e prossiga em triunfo. 

Se tens fé não registrarás os golpes da incompreensão alheia, porquanto identificarás a ignorância por miséria extrema do espírito, e educarás generosamente a boca que injuria e a mão que apedreja. 

Ainda que os mais amados te releguem à solidão, avançarás para frente, entendendo e ajudando, na certeza de que o trabalho te envolverá o sentimento em nova luz de esperança e consolação. 

Se tens fé, não te limitarás a dizê-la simplesmente, qual se a oração sem as boas obras te outorgasse direitos e privilégios inadmissíveis na Justiça de Deus, mas, sim, caminharás realizando a vontade do Criador, que é sempre o bem para todas as criaturas. 

Se tens fé, sustentarás, sobretudo, o esforço diário do próprio burilamento, através das pequeninas e difíceis vitórias sobre a natureza inferior, como sendo o mais alto serviço que podes prestar aos outros, de vez que, aperfeiçoando a nós mesmos, estaremos habilitando a consciência para refletir, com segurança, o amor e a sabedoria da Lei. 

Emmanuel 

O Espírito da Verdade – Chico Xavier e Waldo Vieira por Espíritos Diversos

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Uma carta para o Sr Allan Kardec

Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, naquela triste manhã de abril de 1860, estava exausto, acabrunhado.

Fazia frio.

Muito embora a consolidação da Sociedade Espírita de Paris e a promissora venda de livros, escasseava o dinheiro para a obra gigantesca que os Espíritos Superiores lhe haviam colocado nas mãos.

A pressão aumentava…Missivas sarcásticas avolumavam-se à mesa.

Quando mais desalentado se mostrava, chega a paciente esposa, Madame Rivail – a doce Gabi -, a entregar-lhe certa encomenda, cuidadosamente apresentada.

O professor abriu o embrulho, encontrando uma carta singela. E leu.

“Sr. Allan Kardec:

Respeitoso abraço.

Com a minha gratidão, remeto-lhe o livro anexo, bem como a sua história, rogando-lhe, antes de tudo, prosseguir em suas tarefas de esclarecimento da Humanidade, pois tenho fortes razões para isso.

Sou encadernador desde a meninice, trabalhando em grande casa desta capital.

Há cerca de dois anos casei-me com aquela que se revelou minha companheira ideal. Nossa vida corria normalmente e tudo era alegria e esperança, quando, no início deste ano, de modo inesperado, minha Antoinette partiu desta vida, levada por sorrateira moléstia.

Meu desespero foi indescritível e julguei-me condenado ao desamparo extremo.

Sem confiança em Deus, sentindo as necessidades do homem do mundo e vivendo com as dúvidas aflitivas de nosso século, resolvera seguir o caminho de tantos outros, ante a fatalidade…A prova da separação vencera-me, e eu não passava, agora, de trapo humano.

Faltava ao trabalho e meu chefe, reto e ríspido, ameaçava-me com a dispensa.

Minhas forças fugiam.

Namorara diversas vezes o Sena e acabei planeando o suicídio. “Seria fácil, não sei nadar”- pensava.

Sucediam-se noites de insônia e dias de angústia. Em madrugada fria, quando as preocupações e o desânimo me dominaram mais fortemente, busquei a ponte Marie.

Olhei em torno, contemplando a corrente… E, ao fixar a mão direita para atirar-me, toquei um objeto algo molhado que se deslocou da amurada, caindo-me aos pés.

Surpreendido, distingui um livro que o orvalho umedecera.

Tomei o volume nas mãos e, procurando a luz mortiça do poste vizinho, pude ler, logo no frontispício, entre irritado e curioso:

“Esta obra salvou-me a vida. Leia-a com atenção e tenha bom proveito. – A. Laurent.”

Estupefato, li a obra – “O Livro dos Espíritos” – ao qual acrescentei breve mensagem, volume esse que passo às suas mãos abnegadas, autorizando o distinto amigo a fazer dele o que lhe aprouver.”

Ainda constava da mensagem agradecimentos finais, a assinatura, a data e o endereço do remetente.

O Codificador desempacotou, então, um exemplar de “O Livro dos Espíritos” ricamente encadernado, em cuja capa viu as iniciais do seu pseudônimo e na página do frontispício, levemente manchada, leu com emoção não somente a observação a que o missivista se referira, mas também outra, em letra firme:”

Salvou-me também. Deus abençoe as almas que cooperaram em sua publicação. – Joseph Perrier.”

Após a leitura da carta providencial, o Professor Rivail experimentou nova luz a banhá-lo por dentro…Aconchegando o livro ao peito, raciocinava, não mais em termos de desânimo ou sofrimento, mas sim na pauta de radiosa esperança.

Era preciso continuar, desculpar as injúrias, abraçar o sacrifício e desconhecer as pedradas…Diante de seu espírito turbilhonava o mundo necessitado de renovação e consolo.

Allan Kardec levantou-se da velha poltrona, abriu a janela à sua frente, contemplando a via pública, onde passavam operários e mulheres do povo, crianças e velhinhos…O notável obreiro da Grande Revelação respirou a longos haustos, e, antes de retomar a caneta para o serviço costumeiro, levou o lenço aos olhos e limpou uma lágrima…” 

(Hilário Silva – O Espírito da Verdade, 52, FEB)

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Dia nacional dos “espíritas”…?..

Oba-oba no dia nacional dos “espíritas” brasileiros(!)  (Jorge Hessen)

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Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Brasília/DF

Há 12 anos, para encantamento de alguns “espíritas” , aprovou-se, na Câmara dos Deputados, em caráter conclusivo, o Projeto de Lei nº 291, de 2007, que “dispõe sobre a criação do Dia Nacional do Espiritismo” (“hein…”? humm…!!!), sem força de feriado, dispensando, portanto, os que tributam culto a outras religiões, da obrigatoriedade quanto à homenagear Kardec com os que professam e praticam a doutrina espírita. (Ufa, ufa…!!!!).

Há 12 anos, sim, há 12 anos, a febre para os dias comemorativos ao Espiritismo começou a se espalhar pelos rincões tupiniquins: Vejamos, o projeto apresentado pela Assembleia paraibana, propôs a criação de 18 de abril como “Dia Estadual do Espírita” (hã…?), que se transformou em Lei, sancionada pelo governador instituindo a data no Calendário Oficial do Estado da Paraíba, conforme Lei nº 8.251, de 20 de junho 2007, publicada no Diário Oficial do Estado, em 21 de junho de 2007. Com misso já vislumbramos a direção das enxurradas de datas comemorativas que estão por vir.

Vamos pensar um pouco! Será que o Espiritismo precisa ocupar espaços “com mais liberdade” num dia especificamente consagrado, por força de um projeto de lei?  Há os que dizem que com tais projetos, o Espiritismo não mais será alvo de “perseguições”, como aconteceu em recuadas épocas. Mas, antes de qualquer consideração sobre o assunto (projeto-de-lei), peculiar e supérfluo aos objetivos doutrinários, teceremos breves comentários sobre o Parlamento brasileiro.

Entre os idos de 1999 e 2007, mais de 30 (trinta) proposições foram aprovadas, no Parlamento brasileiro , criando datas comemorativas. Nas legislaturas recentes, outras dezenas de projetos foram apresentados com essa finalidade. Enquanto as reformas essenciais se arrastam há muitos anos, os parlamentares demonstram inimagináveis arroubos de inventividade, quando o tema é a aprovação de datas memoráveis.

Não é de hoje que a instituição de datas tem grande apelo entre os parlamentares brasileiros. Para se ter uma ideia, eis algumas datas propostas, e muitas já aprovadas: “Dia Nacional do Frevo” – “Dia Nacional de Reflexão do Cantando as Diferenças” – “Dia Nacional do Ciclista” – “Dia da Televisão”- “Dia Nacional do Líder Comunitário” – “Dia Nacional do Forró” – “Dia Nacional do Poeta” – “Dia Nacional do Despachante Documentalista” – “Dia Nacional do Guarda Municipal” – “Dia Nacional do Doador Voluntário de Medula Óssea”, e assim vai a fanfarra das comemorações sobre pêndulos da insensatez, nas plagas da ainda terra brasilis.

Em pesquisa feita no Centro de Documentação e Informação da Câmara dos Deputados, verificamos que, no interregno de 1999 a 2007, os deputados aprovaram 609 projetos de lei e projetos de lei complementar. Desse total, 337 foram apresentados por parlamentares, 218 pelo governo e 54 por outros órgãos. Dentre os projetos aprovados no período, de autoria dos parlamentares, cerca de 10% tratam da instituição de dias comemorativos no calendário nacional. Muitas das propostas (perdem o sentido) chegam a ser curiosas, ou mesmo extravagantes, por isso, são arquivadas. Vejamos algumas delas: No segundo mandato do Presidente Fernando Henrique Cardoso (1999-2002), os exemplos de criatividade foram muitos. Havia projetos para a instituição do “Dia Nacional da Umbanda”, “Dia da Inovação”, “Dia do Cozinheiro”, “Dia Nacional do Taxista”, “Dia da Legalidade”, “Dia Nacional do Prefeito”, “Dia do Presidente da República”, “Dia Nacional da Reflexão Política” e “Dia Nacional do Perdão”.

E as “pérolas” continuaram cultivadas no primeiro mandato do Presidente Lula (2003-2006), pois havia projetos, propondo o “Dia Nacional da Verdade”, “Dia da Esperança”, “Dia Nacional da Gratidão”, “Dia Nacional da Caridade”, “Dia do Sono”, “Dia Nacional do Macarrão”, “Dia Nacional do Pescador”, “Dia Nacional do Teste do Pezinho”, “Dia Nacional da Voz” e “Dia Nacional da Capoeira”.

É verdade que o Brasil é a maior nação espírita da atualidade; que a Doutrina atende de maneira especial à demanda de milhões de brasileiros, ávidos por respostas às suas dúvidas e anseios espirituais, Que o Espiritismo é responsável por inúmeras obras de assistência social que, reconhecidamente, auxiliam inúmeras comunidades carentes em todo o País, é a pura verdade, sim, mas e daí?

Cremos que o centro espírita, ao invés de ficar comemorando e/ou, idolatrando nomes e datas festivas, tem que funcionar como um pronto-socorro espiritual, em favor das almas em desalinho, e, não, uma escola de fantasias e ilusões. O Centro tem que estar preparado para acolher um grupo cada vez mais numeroso de curiosos e de pessoas instáveis, aguilhoadas nas algemas de suas próprias defecções morais, e que estão nos abismos obscuros da ignorância.

Quanto aos defensores da idéia do “Dia Nacional do Espiritismo”, nada obsta que lhes despertemos a consciência, quanto ao que já temos advertido ao público. O Espiritismo nos traz uma nova ordem religiosa, que precisa ser preservada. É a resposta sábia das dimensões elevadas do além às indagações íntimas da criatura aflita na Terra, conduzindo-a ao encontro do Criador. Por essa razão, precisamos blindá-lo da soberba dos espíritas “oba-oba”, com suas sugestões aéreas e inóxias, uma vez que ignoram os elevados objetivos do Espiritismo e tão-somente fazem parte dos grupos, onde os contra-sensos são oferecidos.

Preservar o Espiritismo, conforme o herdamos de Allan Kardec, é nossa obrigação, mantendo-lhe a clareza dos ensinos, a limpidez dos seus conteúdos, não permitindo que se lhe instalem práticas e empolgações encafifas e ruinosas, que embaraçam os invigilantes e os menos conhecedores das Obras Básicas. Os Benfeitores alertam, ensinando-nos que os princípios espíritas produzem júbilos internos e não algazarra exterior.  A liderança do chamado movimento espírita brasileiro “oficial” transformou o ideário da Codificação numa montoeira de excentricidades, sobretudo no trato com as questões essenciais do Espiritismo.

Será que já não bastam os CONGRESSOS ESPÍRITAS PAGOS destinados exclusivamente aos espíritas apatacados?

Rede Amigo Espírita

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A fraternidade no diálogo espiritual

Postado por Antonio Cesar Perri de Carvalho em 24 abril 2019

A fraternidade no diálogo espiritual

Antonio Cesar Perri de Carvalho

O Grupo Espírita Casa do Caminho, de São Paulo, tem promovido estudos continuados em que o seminário “papel dos esclarecedores nos grupos mediúnicos” tem sido repetido e aprofundado. Trata-se de tema que deve merecer muita atenção nesses grupos dos centros espíritas.

O tema nos remete, de início, a Chico Xavier que atuou no Centro Espírita Luiz Gonzaga desde a fundação em 1927 até sua mudança para Uberaba, no início de 1959.Nesse local atendeu semanalmente muitas milhares de pessoas que o procuravam sedentos de consolo e esclarecimento espiritual.

A partir desses diálogos com Chico Xavier com as pessoas, sempre solícito e fraternal, iniciava-se um atendimento que, sem dúvida, envolvia o tratamento espiritual dos encarnados e dos desencarnados que eram por eles atraídos.

Alguns desses espíritos eram encaminhados para postos de acolhimento do Mundo Espiritual, outros eram envolvidos na esfera de atendimento do próprio Centro em função de suas reuniões. Nas reuniões mediúnicas Chico Xavier atuava não apenas como médium de espíritos esclarecidos e orientadores, mas também para manifestação de espíritos enfermiços. Ademais, um grupo de colaboradores do Centro Espírita Luiz Gonzaga, incluindo Chico Xavier, constituiu o Grupo Meimei, voltado ao atendimento de espíritos enfermiços.

O inesquecível médium mineiro transmitiu a Arnaldo Rocha, que era o coordenador desse Grupo, algumas recomendações:

“[…] porque se deve dialogar com os Espíritos sem qualquer ideia de doutrinação. […] transmitiu-me as orientações iniciais de Emmanuel: nunca discutir com a entidade comunicante e nem falar que ela já ‘morreu’…”1

De início, a compreensão e a tradição religiosa do espírito comunicante deve ser respeitada. Entre muitos exemplos há a série de cartas familiares de espírito que desencarnou convicto das tradições do judaísmo.2,3

Há muitas obras que tratam da prática do diálogo com os espíritos enfermiços. Iremos nos restringir apenas a alguns, resultantes da mediunidade de Chico Xavier. Entre estes, Instruções psicofônicas, que é resultado das transcrições das gravações do já citado Grupo Meimei, coordenado por Arnaldo Rocha. Deste livro e da entrevista com Arnaldo destacamos a mensagem de Emmanuel:

“Sem o carinho e a receptividade do coração, sofreremos o império do desespero. Sem o devotamento e a decisão do braço, padeceremos a inércia.

Contudo, para que o trio funcione com eficiência, são necessários três requisitos na máquina de ação em que se expressam: Confiança. Boa-vontade. Harmonia.”4

Em outra obra que relaciona a prática mediúnica com a moral ensinada por Jesus, Emmanuel orienta:

“Cultivar o tato psicológico, evitando atitudes ou palavras violentas, mas fugindo da doçura sistemática que anestesia a mente sem renová-la.”5

A essa altura cabem dois comentários sintéticos do espírito Emmanuel sobre o atendimento de espíritos enfermiços:           

“[…] com a mediunidade esclarecida, é fácil aliviá-los e socorrê-los.”5           

“[…] Reunamo-nos nas bases a que nos referimos, sob a inspiração do Cristo, Nosso Mestre e Senhor, e as nossas reuniões mediúnicas serão sempre um santuário de caridade e um celeiro de luz.”4Os livros do Espírito André Luiz, conhecidos como série Nosso Lar, esclarecem magistralmente os processos de libertação espiritual. Todavia, em Desobsessão estão disponíveis várias recomendações práticas para uma reunião:

“O médium de incorporação, como também o médium esclarecedor, não podem esquecer, em circunstância alguma, que a entidade perturbada se encontra, para eles, na situação de um doente ante o enfermeiro. […] O esclarecimento não será, todavia, longo em demasia”.6

Deve ficar claro que os espíritos citados em vários locais empregam as expressões: espíritos enfermiços; como parentes nossos enfermos; doente ante o enfermeiro…O membro da equipe mediúnica que atua como dialogador tem um papel muito importante e os orientadores espirituais comparam-no a um enfermeiro ante um doente, referindo-se aos espíritos necessitados, como enfermiços, como se fossem parentes nossos enfermos…Ou seja, o tom da fraternidade deve prevalecer no diálogo com os espíritos necessitados de acolhimento, apoio e esclarecimento.

A resultante dos esclarecimentos espirituais nos remete a um episódio significativo. No dia 2 de abril de 2010, exatamente no dia do Centenário de nascimento de Chico Xavier, houve a inauguração do Memorial do Luiz Gonzaga, anexo a centro de mesmo nome, em Pedro Leopoldo, a terra natal do médium.

Na oportunidade representamos o presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB) e estavam presentes representantes da Municipalidade, Banda da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, dirigentes da União Espírita Mineira (UEM), Arnaldo Rocha, Oceano Vieira de Melo, Terezinha de Oliveira (de Campinas), parentes e amigos de Chico Xavier.

No final da cerimônia assistimos a um fato inesquecível e emocionante: o mestre de cerimônias solicitou que abrissem uns engradados cobertos, que se encontravam cheios de pombas, e estas iniciaram voos. Em comentário do cerimonial, fez-se uma comparação ao voo livre das pombas, em um belo bailado aéreo:“ […] a libertação das almas iluminadas pelo Evangelho à luz do Espiritismo, que por aqui estiveram, ao se desprenderem do corpo físico”.3

Essa frase é muito marcante!

O exemplo no bem persistente de Chico Xavier, o seu amor em ação, fizeram dele um valoroso intermediário para a libertação de almas.

Referências:

1) Livros pioneiros obtidos de gravações de psicofonias. Reformador. Ano 129. N.2.190. Setembro de 2011. P. 329-331.2) Xavier, Francisco Cândido; Muszkat, Roberto; Muszkat, David. Quando se pretende falar da vida. São Bernardo do Campo: GEEM. 1983.3) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Chico Xavier. O homem, a obra e repercussões. Cap. 2.7. Capivari: Ed. EME. 2019.4) Xavier, Francisco Cândido. Espíritos diversos. Instruções psicofônicas. Cap. 59. Rio de Janeiro. FEB.5) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Seara dos médiuns. Cap. 55. FEB.6) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito André Luiz. Desobsessão. Cap. 37. FEB.

Transcrito de:
Revista Internacional de Espiritismo. Ano XCIV. N.3. Abril de 2019. P.140-141.

RAE – Rede Amigo Espírita

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“AMAR A SI MESMO” – Joana de Ângelis”!

Postado por ANA MARIA TEODORO MASSUCI

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A síntese proposta por Jesus, em torno do amor, é das mais belas psicoterapias que se conhece: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Ante a impossibilidade de o homem amar a Deus em plenitude, já que tem dificuldade em conceber o absoluto, realiza o mister, invertendo a ordem do ensinamento, amando-se de início, a fim de desenvolver as aptidões que lhe dormem em latência.

Esforçando-se para adquirir valores iluminativos a cada momento, cresce na direção do amor ao próximo, decorrência natural do auto amor, já que o outro é extensão dele mesmo.

Então, finalmente conquista o amor a Deus, em uma transcendência incomparável, na qual o amor predomina em todas as emoções e é o responsável por todos os atos.

O Espírito Joanna de Ângelis, através da mediunidade de Divaldo Franco, apresenta a necessidade primeira de auto amor, como alavanca fundamental para a conquista de todas as esferas desse sentimento supremo.

Mas, de que forma amar a si mesmo?

O como a si mesmo, da proposta de Jesus, é um imperativo que não deve ser confundido com o egoísmo, ou o egocentrismo.

Amar a si mesmo significa respeito e direito à vida, à felicidade que o indivíduo tem e merece.

Trata-se de um amor preservador da paz, do culto aos hábitos sadios e dos cuidados morais, espirituais e intelectuais para consigo mesmo.

É sempre estar fazendo as melhores escolhas para si mesmo, vendo-se como Espírito imortal, sem nunca deixar de respeitar, obviamente, o bem comum.

Quando escolho amar mais minha família, dedicando-me inteiramente aos relacionamentos, cultivando a paciência e a tolerância, estou amando a mim mesmo.

Quando escolho perdoar e deixar de levar comigo o peso de uma mágoa, estou amando a mim mesmo.

Quando escolho aprender, buscando aprimoramento intelectual nas áreas do conhecimento de meu interesse, estou me auto amando.

Quando me aceito como sou e vejo em minhas imperfeições situações temporárias – uma vez que me esforço para corrigir meus erros – estou amando a mim mesmo.

Quando me dedico, diariamente, ao exame de consciência, à meditação, ao autoconhecimento, estou dando provas de amor a mim mesmo.

São exemplos de atitudes, de pensamentos e sentimentos que elevam nossa autoestima – que é este julgamento que fazemos de nós mesmos – e nos empurram sempre para frente, para a felicidade.

O autoamor proporciona uma visão mais clara de quem se é, do que se deseja e do que não se deseja para si.

É através dele que estabelecemos metas para nossa existência: metas educacionais, familiares, sociais, artísticas, econômicas e espirituais, pensando em nós não apenas agora, mas nos cuidados para com o futuro.

Somos todos importantes. Criaturas únicas no Universo que buscam a felicidade através do aprender a amar: a si, ao outro e a Deus.

Ame a você mesmo… Enquanto é hoje.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 13, do livro Amor, imbatível amor, de Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

Em 15.11.2011

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