“Karma” , uma fábula pré-histórica mal contada

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Brasília/DF

 

A liberdade de escolha dos nossos atos vincula-se à “Lei de Causa e Efeito”, ou seja, tudo aquilo que penso, que desejo, que faço determinam consequências naturais. A experiência da vida humana é circunstanciada por livres decisões vinculadas às implicações das escolhas. As Leis Divinas permitem assumirmos decisões livremente, contudo as escolhas geram resultados adequados ou desagradáveis, dependendo das opções.

No orbe humano Deus jamais pune e suas Leis não são e nunca foram de natureza punitiva, pois as escolhas que fazemos poderão trazer uma “colheita” natural e sempre proporcional ao “plantio”, consoante maior ou menor discernimento dos atos.

No mundo dos animais, um cachorro, por exemplo, age por automatismo, portanto não consegue fazer escolhas, exceto aquelas que estão dentro do espectro do seu instinto. O cão não tem livre arbítrio, logo seus “atos errados” não lhes podem trazer consequências negativas. Contudo, o ser irracional ensaia para vida racional, por esta razão, quando o irracional ingressa no mundo humano desabrocha-se lhe pouco a pouco a consciência e com ela a lei de liberdade, capacitando-o para as escolhas das ações, determinando os resultados ao nível da consciência alcançada.

A semeadura rende conforme os propósitos e consciência do semeador. A “Lei de Causa e Efeito” sincronizada às Leis “de Liberdade” e “de Responsabilidade” determina o rumo da existência humana. Portanto, somos livres para pensar e agir, porém somos , em algum nível, “servos” (responsáveis) por aquilo que fazemos, pensamos ou deixamos de fazer.

No movimento espírita defende-se a fábula de que TODO sofrimento do presente é fruto dos atos errados do passado, entretanto, no capítulo V do livro O Céu e o Inferno, Kardec diz categoricamente que o sofrimento atual é apenas resultado da imperfeição que ainda não nos livramos e não necessariamente de atos errados do pretérito. Indubitavelmente a lei do “karma” é uma lei contraditória, vingativa, fatalista. Seu princípio é – “bateu terá que apanhar”, “traiu terá que ser traído”, “matou terá que morrer” sempre numa ancestral evocação à antediluviana lei do “olho por olho dente por dente”.

No entanto, o bom senso kardequiano sussurra que não há um destino assinalado com acontecimentos detalhados nos punindo durante a reencarnação, conforme apregoam os místicos partidários do tal “karma”. A bem da verdade, o Codificador jamais citou a lei do “karma” na literatura espírita. A rigor, o tal “karma” é uma lei impensada e incongruente, por sua vez, a Lei de Causa e Efeito (contida na Codificação) é uma lei moral coerente que nos faz crescer e avançar consciencialmente.

O sofrimento é inerente a nossa imperfeição, ou seja, o orgulhoso sofre as consequências do orgulho e o egoísta sofre os efeitos do egoísmo, mas que fique bem fulgente uma verdade: ninguém reencarna para passar pela Lei de Talião, mas para superar a imperfeição e evoluir através do trabalho no bem no limite da força de cada um.

À luz da Doutrina dos Espíritos só existe um destino projetado para todas as criaturas, é o destino da evolução, do aprimoramento intelectual e moral mirando o conhecimento da VERDADE para a aquisição da pura e inexaurível felicidade. Não há fatalismos catastróficos em nosso destino. Jamais poderemos pronunciar que “o que está escrito está escrito” e nada modificará o nosso destino. Ora! Se acreditarmos nisso, renegaremos o livre arbítrio e a Lei de Misericórdia, que nos induz ao amor cobre a multidão dos atos errados.

Não somos uma máquina (robotizada), até porque sabemos decidir. Adquirimos consciências graduais sobre o chamado bem ou o mal, e isso estabelece os cenários das experiências agradáveis ou não em nossa caminhada. Deus instituiu leis que estão inscritas em nossas consciências. Com a Lei de Causa e Efeito conseguimos avaliar melhor as escolhas e com elas desenvolvemos o discernimento em face das decorrências naturais através das reencarnações.

Todos estamos num conjunto de forças providenciais que determinam uma certa quantidade de “intervenções” para que o livre-arbítrio possa ser operado. Mas todas as escolhas são nossas. Por isso, antes da reencarnação, o fluxograma da nova experiência física jamais será compulsório, porém sugerido amorosamente pelos especialistas do além, por causa disso elegemos o grupo familiar, a sociedade, a cultura, as condições socioeconômicas, a raça, o sexo. Tudo isso faz parte de nossa escolha, sugerida ou não pelos Espíritos mais esclarecidos antes da reencarnação, e tal decisão vai nos aproximar desta ou daquela influência de um grupo social que poderá ter um certo peso relativo nas nossas escolhas.

A liberdade é proporcional ao nosso estágio de evolução moral, por isso somos relativamente livres para certas decisões, mas não precisamos ser reféns das circunstâncias e fatores sociais, estruturas familiares, raciais, espirituais, “astrológicas”, numerológicas etc., tudo isso pode até influenciar-nos, mas não determinará as nossas resoluções a partir das nossas escolhas. Certamente tais influências podem impulsionar-nos às melhores ou piores escolhas, mas teremos inevitavelmente oportunidades para aprender com a vida.

É bem verdade que livros de Ivone Pereira, Chico Xavier, Divaldo Franco demonstram as concernentes influências do cenário social, político, econômico e cultural em que estamos colocados em algum nível pode estar de maneira relativa conexo a um cenário de vida anterior, mas sem implacáveis determinismos “cármicos”. Enfatizamos que nas leis divinas não existe punição ou recompensa. O Criador estabeleceu leis sábias e justas que determinam efeitos naturais ante nossas escolhas.

Apropriamo-nos da nossa vida e determinamos nossas existências com liberdade dentro da evolução. Por isso, responsabilizamo-nos pelas nossas existências, caminhando na vida de conformidade com que fazemos de nós mesmos. Essa autoapropriação da existência através da auto-responsabilização de tudo que acontece conosco dá-nos um certo sentido de domínio na relatividade da nossa existência sobre a aflição, a ternura, a alegria, a desventura. Naturalmente tudo o que nos acontece nos diz respeito, portanto não podemos imputar a ninguém a vitória ou o infortúnio daquilo que nos acontece, até porque o que nos ocorre é , na relatividade, um espelho do passado recente ou mais remoto e aquilo que podemos colher amanhã resultará relativamente da nossa semeadura do presente.

Somos os senhores e responsáveis pela vida, portanto, quando erramos podemos refazer a caminhada mediante novas escolhas, considerando que muitas vezes cometemos escolhas equivocadas e sorvemos os naturais efeitos delas , porém à medida em que ampliamos a consciência sobre os atos errados vamos diminuindo até mesmo os efeitos das escolhas , porque bancaremos escolhas mais apropriadas.

Fomos criados para a FELICIDADE! Portanto, ainda que diante de todas a dores e sofrimentos devemos encará-los com AMOR.

Postado por HESSEN    às  sexta-feira, fevereiro 22, 2019

Jorge Hessen– Artigos Espíritas

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Dissertações de “ALÉM-TÚMULO”

Pobres homens que poucos conheceis os fenômenos mais comuns que fazem vossa vida! Credes ser bem sábios, credes possuir uma vasta erudição, e a esta pergunta de todas as crianças: Que fazemos quando dormimos? O que são os sonhos? Permaneceis interditados. Não tenho a pretensão de vos fazer compreender o que vou vos explicar, porque há coisas às quais vosso Espírito não pode ainda se submeter, não admitindo senão o que compreende.

O sono liberta inteiramente a alma do corpo. Quando se dorme, se está, momentaneamente, no estado em que se acha de um modo fixo depois da morte. Os Espíritos que são logo desligados da matéria em sua morte, tiveram sonos inteligentes; aqueles, quando dormem, juntam-se à sociedade de outros seres superiores a eles: viajam, conversam e se instruem com eles; trabalham mesmo em obras que encontram prontas quando morrem. Isso deve nos ensinar, uma vez mais, a não temermos a morte, porque morreis todos os dias, segundo a palavra de um santo.

É assim para os Espíritos elevados; mas para a massa dos homens que na morte devem permanecer longas horas nessa perturbação, nessa incerteza da qual vos falaram, aqueles vão, seja em mundos inferiores à Terra, onde antigas afeições o chamam, seja procurar prazeres talvez ainda mais baixos que aqueles que têm aqui; vão haurir doutrinas mais vis, mais ignóbeis, mais nocivas do que aquelas que professam em vosso meio. E o que faz a simpatia na Terra não é outra coisa senão esse fato, que se sente ao despertar, de se aproximar pelo coração daqueles com quem viemos de passar oito ou nove horas de felicidade ou de prazer. O que explica essas antipatias invencíveis, é que se sabe, no fundo de seu coração, que aquelas pessoas têm uma outra consciência que a nossa porque são conhecidas sem tê-las jamais visto com os olhos. É ainda o que explica a indiferença, uma vez que não se deseja fazer novos amigos, quando se sabe que existem outros que vos amam e que vos querem. Em uma palavra, o sono influi mais que pensais em vossa vida.

Pelo efeito do sono, os Espíritos encarnados estão sempre em relação com o mundo dos Espíritos, e é o que faz que os Espíritos superiores consintam, sem muita repulsa, se encarnarem entre vós. Deus quis que, durante seu contato com o vício, eles possam ir se retemperarem nas fontes do bem, para eles mesmos não falirem, eles que vêm instruir os outros. O sono é a porta que Deus lhes abre até os amigos do céu; é a recreação depois do trabalho, na espera da grande libertação, a liberação final que deverá devolvê-los ao seu verdadeiro meio.

O sonho é a lembrança daquilo que vosso Espírito viu durante o sono, mas notai que não sonhais sempre, porque não vos lembrais sempre do que vistes, ou de tudo o que vistes. Vossa alma não está em todo desenvolvimento; não é, frequentemente, senão a lembrança de uma perturbação que acompanha vossa partida ou vossa reentrada, à qual se junta a do que fizestes ou do que vos preocupou no estado de vigília; sem isso, como explicaríeis esses sonhos absurdos que têm os mais sábios como os mais simples? Os maus Espíritos se servem também dos sonhos para atormentar as almas fracas e pusilânimes.

De resto, vereis em pouco se desenvolver uma nova espécie de sonho; ela é tão antiga quanto a que conheceis, mas a ignorais. O sonho de Joana, o sonho de Jacó o sonho dos profetas judeus e de alguns adivinhos indianos; aquele sonho é a lembrança da alma inteiramente desligada do corpo, a lembrança dessa segunda vida, da qual vos falei ainda há pouco.

Procurai distinguir bem essas duas espécies de sonho dos quais vos lembrareis, sem isso cairíeis nas contradições e nos erros, que seriam funestos à vossa fé.

Nota. – O Espírito que ditou esta comunicação, instado a dar seu nome, respondeu: “Para quê? Credes, pois, que não haja senão os Espíritos de vossos grandes homens que vêm dizer-vos coisas boas? Contai, pois, por nada todos aqueles que não conheceis ou que não têm nome sobre a vossa Terra? Sabei que muitos não tomam um nome senão para vos contentar.”

Revista Espírita, dezembro de 1858

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Internet , redes sociais e os pseudomédiuns , ambiciosos e mistificadores

Postado por os pae

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Brasília-DF

 

Atualmente coexistimos com a volúpia da era digital e recebemos exageradas e detalhadas informações de dados pessoais que são fornecidos desadvertidamente aos bancos de dados virtuais e às diversas redes sociais da Internet. Tal realidade cibernética tem sido um verdadeiro MANÁ para as tramóias “mediúnicas” dos pseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores.

É verdade!

De algum tempo para cá, venho recebendo e registrando considerável quantidade de insinuações advindas de pessoas honestas, porém indignadas, revelando-me as malandrices e ciladas “pseudopsicográficas” artificiosas provindo de alguns celebrizados pseudomédiuns nos territórios espíritas. Por esta razão, utilizo-me deste alerta, a fim de prevenir os confrades desavisados do Movimento Espírita Brasileiro. Faço isso por causa dos protestos de inúmeras pessoas, que expressam recriminações ponderadas, como testemunhas que abalizam indícios sobre os atos ardiloso da “psicografia” censurável.

Divulgo aqui o alerta, avaliando os episódios irregulares (e cibernéticos) contra os ilegítimos artifícios “psedomediúnicos” de “pseudopsicografias” praticados por pseudomédiuns , ambiciosos e mistificadores.

Advirto que entre tais pseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores existe os que oferecem livros “psicografados” para comercialização, alguns pseudomédiuns são proprietários de editoras inscritas  com próprio nome e há os que não têm sequer um emprego fixo.

Existem os pseudomédiuns “injuriados e caluniados” que permanecem reclamando contra ilusória “perseguição” provinda de investigadores probos. Aliás, tais pseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores (que deveriam estar nos cárceres), empregam os escudos protetores das ameaças judiciais contra os que o denunciam.  Na verdade, sob delírio, os pseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores não conseguem ultrapassar o estereótipo de atores de tragicomédias e vêm arremessando no lixo a mediunidade dos médiuns sinceros, iludindo pessoas de boa-fé, valendo-se sempre do embuste das informações “pseudopsicográficas” advindas das redes sociais.

O clímax das suas armadilhas ocorre através de representações e mímicas de camufladas “pseudopsicografias” advindas das redes sociais, sempre armadas nos tablados para shows de prestidigitações teatrais ornamentadas nos impregnados palcos das incautas instituições “espíritas” (ou não espíritas).

A fartura dos subsídios de informações pessoais sobre a identificação do “morto” são previamente memorizados e esquadrinhados após serem extraídos das redes sociais da Internet.

O processo de memorização fica condicionada ao contexto de nomes, CPF, número do telefone, endereço, apelidos, sobrenome, alusão a times de futebol, preferências, gostos pessoais, frases e descrição de conduta de parentes e amigos que compõem um farto conjunto visivelmente transcrevidos das redes sociais (Facebook, WhatsApp, YouTube, Instagram, Twitter, LinkedIn, Pinterest, Google+, Messenger, Snapchat) eis aí as fontes da paródia “pseudopsicográfica” dos pseudomédiuns , ambiciosos e mistificadores..

Nada é mais cruel do que pessoas em luto receberem falsas notícias dos seus “falecidos” através das embusteiras informações (arrancadas da Internet) considerando os ridículos números de CPF’s, endereços e números de telefones dos “finados”.

Como disse, tais informações são públicas e estão disponíveis nos bancos de dados virtuais.

Conquanto alguns se “refugiem” na enganação do consentimento das “entradas francas” para seus shows de falcatruas, não conseguem disfarçar os capciosos projetos de arrecadação financeira, através das vendas de livros “psicografados” de conteúdo doutrinário não-confiável. Além disso recebem os generosos donativos destinados a hipotéticos fins de assistencialismo em nome de instituições, muitas vezes só de “fachada”, considerando que tais entidades não possuem inscrição estadual e nem CNPJ. Por isso mesmo e   por motivos óbvios, os recursos financeiros doados são depositados em conta corrente particular. Isso é crime fiscal.

Sobre os embustes dos pseudomédiuns , ambiciosos e mistificadores, sugiro aos leitores que propaguem os seus gritos de alerta. Divulguem para seus amigos e dirigentes espíritas a fim de não convidarem tais embusteiros para eventos “psicográficos” de faz-de-conta. Até porque, os pseudomédiuns , ambiciosos e mistificadores cobiçam a fama, a popularidade e as vantagens pecuniárias.

Sem embargo, apesar deste alerta, se continuarem a convidá-los para o palco da psicografia de coisa nenhuma, eles prosseguirão com suas tapeações, iludindo, matando esperanças, destroçando os corações debilitados de mãezinhas e familiares sedentos de notícia do além para consolação de suas almas.

Este grito de alerta sobre as fraudes psicográficas dos pseudomédiuns , ambiciosos e mistificadores está devidamente amparado nas sugestões de Allan Kardec, portanto, prevaleço-me do crivo da razão doutrinária, da lógica, bem como dos conhecimentos estabelecidos pela Doutrina Espírita, que se apresentam como inadiável dever à minha consciência, visando às adequadas medidas de grito de advertência ao Movimento Espírita Brasileiro.

Não obstante os fatos supramencionados serem extremamente graves, por questão de JUSTIÇA é necessário separar o joio do trigo, urge, portanto, considerar o fato de que obviamente existem médiuns, em plena atividade mediúnica, exercendo suas tarefas com dignidade e compromisso com as diretrizes basilares e insuperáveis da Doutrina Espírita.

Porém, cabe destacar algumas características fundamentais destes médiuns psicógrafos honrados que podem ser convidados para suas casas espíritas.  Eles consentem as pesquisas científicas a qualquer momento, aliás, desejam ser pesquisados; São médiuns incorruptíveis e exercem suas atividades nas Casas Espíritas idôneas; eles exercem dignamente suas profissões, vivendo de seus proventos profissionais ou os que estão aposentados vivem de seus salários; eles mantêm as suas tarefas conforme vivenciou e exemplificou Chico Xavier no Grupo Espírita da Prece em Uberaba/MG, sendo este o maior médium de todos os tempos.

Chico Xavier efetuava o atendimento das pessoas que o buscavam, uma a uma, consolando e expressando de forma respeitosa os recados advindos da espiritualidade e após o atendimento, culminava a reunião psicografando as cartas consoladoras, trazendo os “falecidos” para a terra nas notícias fiéis que confirmavam a nossa imortalidade.

Rede Amigo Espírita

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A tarefa da Doutrina Espírita

1 Na inquietação dos tempos que correm, os próprios Espíritos, cuja elevada missão devia ser levada a efeito dentro da maior simplicidade, sofrem a influência dos fortes antagonismos da atualidade do mundo.

2 A falsa acusação de que os seus núcleos se constituam em redutos de conspiração contra a ordem social veio encarecer aos olhos de todos a necessidade de sentimentos cristãos no setor da serenidade e da temperança, dentro dos quais possam manter os compromissos em que se acham empenhados.

3 O Espiritismo vem justamente coordenar os elementos dispersos pela desorganização das ciências sociais, conduzindo as criaturas em suas atividades para o equilíbrio e para a ordem.

4 Nenhuma doutrina oferece dados mais exatos para a construção da harmonia social que aquela formada dos seus ensinamentos consoladores.

5 Dentro das suas atividades, conhece cada um o absurdo das teorias igualitárias absolutas, considerada, no seu justo sentido, a necessidade do esforço individual para a catalogação dos valores de cada personalidade, no instituto das provas purificadoras.

6 A própria reencarnação, com as suas confortadoras verdades, demonstra o impositivo da igualdade irrestrita no plano das aquisições de cada um na edificação de si mesmo.

7 Solidariedade e tolerância, a caminho da paz e da fraternidade universais, não constituem elementos de subversão ou de desordem, mesmo porque somente no Cristianismo Redivivo, tal qual no-lo apresenta o Espiritismo, em sua feição pura e simples, pode orientar as novas filosofias sociais dentro das organizações coletivas que hoje sofrem as mais amplas renovações, filhas das intenções generosas e puras, conhecendo, desse modo, a necessidade de caminharmos, assim mesmo, vagarosamente, para a uniformidade das interpretações, na observância d’Aquele que é a luz da humanidade.

8 Requisitar o apoio da justiça do mundo para a garantia da verdade? Bem reconhecemos quão precária é essa mesma justiça da Terra.

9 Mirem-se, os espiritistas, em Jesus. A grandeza do Mestre na condenação do pretório e nas humilhações do Calvário não reside tão somente na fortaleza da divina Vítima.

10 Reside muito mais na sua humildade que, confiando no Pai celestial, prescindiu de todo o socorro das organizações meramente humanas dos aparelhos estatais.

11 Entretanto, examinado o problema, é justo que os espiritistas, gratuitamente acusados, venham a campo, na estrada das reivindicações? Sob o ponto de vista humano, nas expressões sociais e políticas do mundo, semelhante iniciativa estaria certa, mas sob o ponto de vista espiritual consideramos que os cristãos sinceros não podem esperar a compreensão das horas que passam.

12 Entreguem-se ao Senhor de todos os tempos, purificando-lhes os ambientes, sem permitir que os corações se contaminem ao toque das organizações e concepções viciosas da atualidade.

13 Não é lícito que a verdade peça socorro às convenções transitórias. De posse dela, a criatura sabe sofrer, aprender, consolar e esperar. Com ela guardamos uma concepção mais justa, com respeito aos dois infinitos que constituem o espaço e o tempo.

14 A principal função do Espiritismo está adstrita à grande obra de educação e de consolação no plano da reforma de cada qual com o divino Modelo.

15 Atravessa o orbe os períodos mais dolorosos e mais críticos. Organizam-se os estados mais fortes.

16 A sua missão e o seu primeiro objetivo é a transformação de todas as coisas e de todos os indivíduos para o bem e temos, todavia, de reconhecer que dentro da feição liberal da sua doutrina pode parecer que os seus prosélitos experimentam uma certa hipertrofia da liberdade, mas como não ser assim se essa mesma doutrina é a liberdade ampla na busca do conhecimento superior?

17 Daí o reconhecimento, igualmente, que dentro dela há lugar para todas as vozes e para todas as opiniões, desde que, muito embora respeitando a justiça dos homens, sigam a Jesus que, na epopeia gloriosa dos seus sofrimentos, poderia ter solicitado a garantia dos direitos humanos, provocando a organização de um processo, onde fosse especificada a procedência da calúnia que o conduziu aos julgamentos cegos da justiça do mundo.

18 Entretanto, os seus lábios estiveram mudos. E foi nessa certeza de que a Justiça em si mesma não se encontrava na Terra, no desprendimento das glórias humanas no reino da iniquidade, na renúncia de tudo, que residiu a luz misteriosa e infinita que iluminou o Calvário, atravessando os séculos até os nossos dias.

Emmanuel

Deus conosco — Emmanuel

– Mensagem recebida por Chico Xavier no Centro Espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo | MG, sem referência de data.

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Direitos autorais nas hostes espíritas, uma vergonha!

Artigos Espíritas – JORGE HESSEN

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Brasília/DF

 

Há instituições filantrópicas exigindo e cobrando atualmente por “direitos autorais” dos conteúdos e imagens de alguns ilustres figurões palestrantes “espíritas” que estavam sendo exibidos nalgumas tv’s (GRATUITAS) da Internet, razão pelo qual tais canais (GRATUITOS) correm o risco de encerramento das atividades. Isto é uma vergonha! Como diria Boris Casoy.

Alegam que o pretexto da ação (cobrança dos direitos autorais), tem sido o uso INADEQUADO de conteúdos dos venerados oradores para arrecadação de dinheiro e monetização no YouTube. Isto motivou a denúncia e a ação extrajudicial contra os canais (GRATUITOS). Pois que algumas das práticas de tais canais estariam ferindo o direito autoral.

Ora, cremos que a divulgação das ideias espíritas através das tv’s (GRATUITAS) não pode ficar condicionada à questão dos “direitos autorais”. Infelizmente esses portais têm esbarrado com a avareza dos vendilhões, que sob o jargão da suposta destinação dos lucros financeiros para obras filantrópicas, elevam a bandeira do famoso “direito autoral”, promovendo ameaças ridículas e antidoutrinárias através de intimidações extrajudiciais. (Pasmem!)

O movimento espírita transformou-se num balcão de  negócios lucrativos, onde se comercializa (vídeos de palestras na internet por assinaturas), livros doutrinários, CDs, DVDs, refletindo a cobiça de compulsivos de alguns líderes vendilhões “espíritas”. Será que tal mesquinhez alcançará os Centros Espíritas? Será que algum dia, em nome dos “direitos autorais”, os vendilhões “espíritas”  impetrarão mandados extrajudiciais proibindo exibição de videos das palestras dos “ban-ban-bans” e / ou  os empréstimos de livros contidos nas bibliotecas das humildes Casas Espíritas?

É urgente reconhecer que o mundo virtual tem sido admirável veículo de disseminação dos conteúdos revelados pelo mundo espiritual. Além disso, tem facilitado a democratização da apropriação do conhecimento espírita e a inserção social dos espíritas mais pobres. É inaceitável a proibição das reproduções (GRATUITAS) da mensagem espírita pela Internet para fins específicos de informações e estudos. A Terceira Revelação não pode demorar-se à mercê dos vendilhões e nem dos ridículos interesses do mundo material.

Sem ferir os princípios da ética e do respeito aos “direitos autorais”, cremos que os vendilhões “espíritas” deveriam estimular e apoiar os divulgadores dos portais (Tv’s (GRATUITAS)  e bibliotecas espíritas virtuais) para o exercício do pleno direito da divulgação gratuita dos princípios doutrinários. Até porque, inevitavelmente diversas mensagens (áudio, livros e vídeos) já foram e continuarão sendo publicados pelas redes sociais, e atualmente se encontram dispersos e disponíveis através da rede mundial de computadores, sendo inexecutável o controle jurídico desse cenário.

Em que pese existirem muitos espíritas excluídos do ambiente virtual, sobretudo aqueles mais pobres, que não possuem computador / internet, e os menos afeitos às tecnologias novas, a Doutrina dos Espíritos tem um colossal papel social e em tempo de Internet é um absurdo a exclusão dos acessos virtuais gratuitos para um enorme número de espíritas que não podem pagar inclusive para participarem dos festivos e luxuosos congressos espíritas e ou comprarem livros psicografados caríssimos.

Onde está o limite dessa exploração comercial da mensagem espírita? Cremos que o Espiritismo não assenta com interesses comerciais e a publicação das mensagens do mundo espiritual não pode ser objeto de lucro financeiro, apenas moral. Isso não faz o menor sentido, já que na espiritualidade não precisamos desse artifício do mundo material, que tanto corrompe o homem encarnado.

Entendemos que é uma improbidade falar em direitos autorais quando se trata de uma mensagem espírita. O autor de uma mensagem espírita deveria dispensar o negócio doutrinário, pois não precisa dele. Seu objetivo (mensagens espíritas) são a elevação e a educação, fatores essenciais à nossa evolução, e não há como colocar preço nisso.

Uma instituição espírita, por mais briosa que seja, por mais filantrópica consistam em as suas atividades, seu interesse não pode sobrepor aos objetivos doutrinários da divulgação correta e honesta do Espiritismo, sobretudo através da Internet, que pode proporcionar consolação aos corações e mentes atormentados.

Sabemos que urge encontrar-se um caminho apropriado de financiamento das ações espíritas nas instituições, considerando que muitos confrades resistem em cooperar na formação de um caixa para o trabalho de difusão, mas insistimos que o equilíbrio está no meio…nem tanto ao mar nem tanto a terra. Até porque são nossos esforços de exemplificação de auto moralização, não nossa fama ou esplêndidas palavras na tribuna que auxiliarão na renovação do cenário terreno.

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Jeito de Falar

– Orson Peter Carrara

O escritor Rubem Alves (www.rubemalves.com.br) publicou no Correio Popular, de Campinas, caderno C, página C-2, de 18 de julho de 2004, uma bela crônica intitulada O que é que você faria? Considerei-a muito oportuna. Embora longa (quase uma página), destaco ao leitor o teor principal. Ele traz uma estória no artigo e usa um exemplo médico, desculpando-se pela comparação, para citar como é importante a maneira de dizer as coisas ou se quisermos, como dizemos e a quem. Pois esta maneira pode destruir vidas e sonhos.

A história citada pelo escritor comenta o relacionamento de um casal que muito se ama. Ela desenvolveu um câncer no seio e teve que extraí-lo, mas isso não abalou o relacionamento do casal, apesar das dores e aflições. Em cinco anos, o outro seio também foi afetado, mas o bom e amigo médico que antes a atendera já havia morrido.

Procuraram outro médico, mas este, completamente insensível às dores do casal e especialmente da mulher, ao vê-la sem um seio, já exclamou friamente: “Mas a senhora já não tem um seio… Seu caso é muito mais grave do que eu imaginava”.

E o escritor, comentando a própria estória, colocou em seu texto: “Fico a me perguntar. Por que é que ele falou o que falou? Não falou para informar mulher e marido de uma coisa que não soubessem. Eles sabiam que ela não tinha um seio. Também não falou para certificar-se de algo que estava vendo, mas não via bem, por ser ruim dos olhos, pois ele enxergava muito bem. E qual a razão do seu frio, imediato e cruel diagnóstico. Para que falou isso? Era necessário? Não, não era necessário. Seu diagnóstico em nada contribuiu para o tratamento daquela mulher. Ou será que ele falou assim por inocência? Não imaginava o veneno que suas palavras carregavam? Não imaginava o efeito de suas palavras sobre aquela mulher despida, sem um seio, humilhada, amedrontada. Se falou por inocência digo que o dito médico só pode ser um idiota que nada conhece sobre os seres humanos.”

E continua: “Crueldade não é algo que somente existe nas câmaras de tortura. Ela se faz também com palavras. Há palavras cruéis que apagam a tênue chama da esperança. (…)” E pergunta em seguida: “(…) qual é o lugar, nos currículos de medicina, onde tanta coisa complicada se ensina, para uma meditação sobre a compaixão? É na compaixão que a ética se inicia e não nos livros de ética médica. Ah! Dirão os responsáveis pelos currículos – compaixão não é coisa científica. Não entra na descrição dos casos clínicos. Não pode ser comunicada em congressos. Portanto, não tem dignidade acadêmica. Certo. Mas acontece que não somos automóveis a serem consertados por mecânicos competentes. Somos seres humanos. Amamos a vida, queremos viver. Sofremos de dores físicas e de dores da alma: o medo, a solidão, a impotência, a morte. O que esse médico fez não tem conserto. Uma vez feito a ferida sangra. Palavras não podem ser recolhidas. O sofrimento foi plantado.(…)”

E como indagou o autor em seu texto, deixo a pergunta para nós mesmos: o que é que faríamos na mesma situação? Claro que não especificamente como médico, pois o exemplo se aplica a qualquer outra ocorrência de relacionamentos humanos.

A situação traz à lembrança o capítulo X de O Evangelho Segundo o Espiritismo, intitulado Bem-aventurados os misericordiosos. No subtítulo O argueiro e a trave no olho, em lúcido texto, pondera o Codificador: “Um dos defeitos da Humanidade é ver o mal de outrem antes de ver o que está em nós. (…) Que pensaria eu se viesse alguém fazendo o que faço? Incontestavelmente é o orgulho que leva o homem a se dissimular os próprios defeitos, tanto ao moral como ao físico. Esse defeito é essencialmente contrário à caridade, porque a verdadeira caridade é modesta, simples e indulgente (…). Se o orgulho é o pai de muitos vícios, é também a negação de muitas virtudes; encontramo-lo no fundo e como móvel de quase todas as ações (…)”.

Nessa última palavra, podemos enquadrar as situações do exemplo acima, na questão médica e que pode ser transferida para qualquer outra situação, onde nos permitimos desprezar, discriminar, maltratar com palavras ou acentuar o sofrimento de alguém com nossa maneira de dizer…

Afinal, nada justifica a crueldade, ainda que em palavras.

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AMOR, ALIMENTO DAS ALMAS

 Felipe Estabile Moraes

[estabile@uol.com.br]

Muito refletimos sobre o que nos “alimenta”. Sobre o que nos proporciona bem-estar, sustentação.

Esta oportunidade nos foi ofertada pela União Espírita Mineira ao sermos convidados para apresentar este tema na Feira do Livro Espírita, em outubro de 2018.

Recorremos, inicialmente, à comparação feita por Jesus entre a mesa que recebe o alimento material e também o alimento espiritual.  É o conhecido Capítulo “O Culto Cristão no Lar, do livro “Jesus no Lar”, de Neio Lúcio, quando Jesus afirma:

“O berço doméstico é a primeira escola e o primeiro templo da alma. A casa do homem é a legítima exportadora de caracteres para a vida comum.  Se o negociante seleciona a mercadoria, se o marceneiro não consegue fazer um barco sem afeiçoar a madeira aos seus propósitos, como esperar uma comunidade segura e tranquila sem que o lar se aperfeiçoe?  A paz do mundo começa sob as telhas a que nos acolhemos. Se não aprendemos a viver em paz, entre quatro paredes, como aguardar a harmonia das nações?  Se nos não habituamos a amar o irmão mais próximo, associado à nossa luta de cada dia, como respeitar o Eterno Pai que nos parece distante?

Jesus relanceou o olhar pela sala modesta, fez pequeno intervalo e continuou:

— Pedro, acendamos aqui, em torno de quantos nos procuram a assistência fraterna, uma claridade nova. A mesa de tua casa é o lar de teu pão. Nela, recebes do Senhor o alimento para cada dia. Porque não instalar, ao redor dela, a sementeira da felicidade e da paz na conversação e no pensamento? O Pai, que nos dá o trigo para o celeiro, através do solo, envia-nos a luz através do Céu. Se a claridade é a expansão dos raios que a constituem, a fartura começa no grão. Em razão disso, o Evangelho não foi iniciado sobre a multidão, mas, sim, no singelo domicílio dos pastores e dos animais.”

Reflexão importante. Necessitamos do sustento, por meio da alimentação. No plano físico, o alimento material, o pão, que dará a necessária sustentação ao corpo físico. Espiritualmente necessitamos do sustento, para a alma. E o Mestre faz o convite a Pedro, e também a todos nós, da sementeira do Amor, da Caridade.

Retomamos a conhecida pergunta de “O Livro dos Espíritos”, relativa à Caridade:

  1. Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?

“Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”

Allan Kardec, em seu comentário, nos auxilia no entendimento:

“O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, pois amar o próximo é fazer-lhe todo o bem que nos seja possível e que desejáramos nos fosse feito. Tal o sentido destas palavras de Jesus: Amai-vos uns aos outros como irmãos.”

Desta forma procuramos entender melhor o significado do amor ao próximo, da fraternidade, que procuramos sentir em nossos corações.

No Livro “Nosso Lar”, de André Luiz, temos um capítulo com o título “Amor, Alimento das Almas”. Em forma de diálogos, envolvido em ambiente de fraternal entendimento, vamos aprendendo um pouco mais sobre este interessante tema. Interessante, é que conversação se dá no lar de Dona Laura, a nos convidar para aproveitarmos este ambiente para nossa edificação espiritual, na forma do convite de Jesus a Pedro.

Inicialmente, a conversa se dá em torno da necessidade de alimentação no plano espiritual. A senhora Laura comenta:

— Afinal, nossas refeições aqui são muito mais agradáveis que na Terra. Há residências, em “Nosso Lar” que as dispensam quase por completo; mas, nas zonas do Ministério do Auxílio, não podemos prescindir dos concentrados fluídicos, tendo em vista os serviços pesados que as circunstâncias impõem. Despendemos grande quantidade de energias. É necessário renovar provisões de força.

Uma jovem que participa da conversação, complementa: 

“Todos os Ministérios, inclusive o da União Divina, não os dispensam, diferindo apenas a feição substancial. Na Comunicação e no Esclarecimento há enorme dispêndio de frutos. Na Elevação o consumo de sucos e concentrados não é reduzido, e, na União Divina, os fenômenos de alimentação atingem o inimaginável.”

A mãe de Lísias amplia o tema, incluindo o Amor como base de toda alimentação:

— Nosso irmão talvez ainda ignore que o maior sustentáculo das criaturas é justamente o amor. De quando em quando, recebemos em “Nosso Lar” grandes comissões de instrutores, que ministram ensinamentos relativos à nutrição espiritual. Todo sistema de alimentação, nas variadas esferas da vida, tem no amor a base profunda. O alimento físico, mesmo aqui, propriamente considerado, é simples problema de materialidade transitória, como no caso dos veículos terrestres, necessitados de colaboração da graxa e do óleo. A alma, em si, apenas se nutre de amor. Quanto mais nos elevarmos no plano evolutivo da Criação, mais extensamente conheceremos essa verdade. Não lhe parece que o amor divino seja o cibo  do Universo?”

Lísias, complementa:

“— Tudo se equilibra no amor infinito de Deus, e, quanto mais evolvido o ser criado, mais sutil o processo de alimentação. O verme, no subsolo do planeta, nutre-se essencialmente de terra. O grande animal colhe na planta os elementos de manutenção, a exemplo da criança sugando o seio materno. O homem colhe o fruto do vegetal, transforma-o segundo a exigência do paladar que lhe é próprio, e serve-se dele à mesa do lar. Nós outros, criaturas desencarnadas, necessitamos de substâncias suculentas, tendentes à condição fluídica, e o processo será cada vez mais delicado, à medida que se intensifique a ascensão individual.”

O Amai-vos uns aos outros passa, então, a ser melhor interpretada, pela expressão da senhora Laura: 

“(…)Jesus não preceituou esses princípios objetivando tão somente os casos de caridade, nos quais todos aprenderemos, mais dia menos dia, que a prática do bem constitui simples dever. Aconselhava-nos, igualmente, a nos alimentarmos uns aos outros, no campo da fraternidade e da simpatia. O homem encarnado saberá, mais tarde, que a conversação amiga, o gesto afetuoso, a bondade recíproca, a confiança mútua, a luz da compreensão, o interesse fraternal — patrimônios que se derivam naturalmente do amor profundo — constituem sólidos alimentos para a vida em si. Reencarnados na Terra, experimentamos grandes limitações; voltando para cá, entretanto, reconhecemos que toda a estabilidade da alegria é problema de alimentação puramente espiritual. Formam-se lares, vilas, cidades e nações em obediência a imperativos tais.

Vamos refletindo e aprendendo, desde já, o bem que nos faz uma boa conversação, a confiança entre amigos e irmãos. Já conseguimos sentir como isto é importante para nós, para a nossa vida. Como nos sentimos realmente alimentados, sustentados quando temos essas oportunidades de trocas singelas e sinceras de afeto, entre Espíritos imortais.

Vamos entendendo que o alimento material tem origem no Amor Divino e nele estamos envolvidos. Em nossa jornada evolutiva, rumo à perfectibilidade, vamos encontrando Espíritos que amamos e que nos amam. Em contato com esses irmãos, vamos nos alimentando espiritualmente, colocando em prática a verdadeira Caridade, conforme entendia Jesus. A reciprocidade no Bem se torna, então, algo importante para nós;

Na sequência da conversa em Nosso Lar, alguns participantes da agradável conversação vão se dirigir a uma excursão ao Campo da Música.  A senhora Laura, então, comenta:

“Vão em busca do alimento a que nos referíamos. Os laços afetivos, aqui, são mais belos e mais fortes.”

E termina, com uma frase que nos leva a profunda reflexão:  

“O amor, meu amigo, é o pão divino das almas, o pábulo(*) sublime dos corações.”

* Pábulo. Dic.virtual: substantivo masculino. Aquilo que mantém, que sustenta; alimento, sustento.

Rede Amigo Espírita

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A Mente e a Vontade – Emmanuel

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A Mente

A mente é o espelho da vida em toda parte. Ergue-se na Terra para Deus, sob a égide do Cristo, à feição do diamante bruto, que, arrancado ao ventre obscuro do solo, avança, com a orientação do lapidário, para a magnificência da luz. Nos seres primitivos, aparece sob a ganga do instinto, nas almas humanas surge entre as ilusões que salteiam a inteligência, e revela-se nos Espíritos aperfeiçoados por brilhante precioso a retratar a Glória Divina. 

Estudando-a de nossa posição espiritual, confinados que nos achamos entre a animalidade e a angelitude, somos impelidos a interpretá-la como sendo o campo de nossa consciência desperta, na faixa evolutiva em que o conhecimento adquirido nos permite operar. Definindo-a por espelho da vida, reconhecemos que o coração lhe é a face e que o cérebro é o centro de suas ondulações, gerando a força do pensamento que tudo move, criando e transformando, destruindo e refazendo para acrisolar e sublimar. 

Em todos os domínios do Universo vibra, pois, a influência recíproca. Tudo se desloca e renova sob os princípios de interdependência e repercussão. O reflexo esboça a emotividade. A emotividade plasma a ideia. A ideia determina a atitude e a palavra que comandam as ações. 

Em semelhantes manifestações alongam-se os fios geradores das causas de que nascem as circunstâncias, válvulas obliterativas ou alavancas libertadoras da existência. Ninguém pode ultrapassar de improviso os recursos da própria mente, muito além do círculo de trabalho em que estagia; contudo, assinalamos, todos nós, os reflexos uns dos outros, dentro da nossa relativa capacidade de assimilação. 

Ninguém permanece fora do movimento de permuta incessante. Respiramos no mundo das imagens que projetamos e recebemos. Por elas, estacionamos sob a fascinação dos elementos que provisoriamente nos escravizam e, através delas, incorporamos o influxo renovador dos poderes que nos induzem à purificação e ao progresso. O reflexo mental mora no alicerce da vida. Refletem-se as criaturas, reciprocamente, na Criação que reflete os objetivos do Criador.

A Vontade

Comparemos a mente humana – espelho vivo da consciência lúcida – a um grande escritório, subdividido em diversas seções de serviço. Aí possuímos o Departamento do Desejo, em que operam os propósitos e as aspirações, acalentando o estimulo ao trabalho; o Departamento da Inteligência, dilatando os patrimônios da evolução e da cultura; o Departamento da Imaginação, amealhando as riquezas do ideal e da sensibilidade; o Departamento da Memória, arquivando as súmulas da experiência, e outros, ainda, que definem os investimentos da alma. Acima de todos eles, porém, surge o Gabinete da Vontade. 

A Vontade é a gerência esclarecida e vigilante, governando todos os setores da ação mental. A Divina Providência concedeu-a por auréola luminosa à razão, depois da laboriosa e multimilenária viagem do ser pelas províncias obscuras do instinto. Para considerar-lhe a importância, basta lembrar que ela é o leme de todos os tipos de força incorporados ao nosso conhecimento. A eletricidade é energia dinâmica. O magnetismo é energia estática. O pensamento é força eletromagnética. 

Pensamento, eletricidade e magnetismo conjugam-se em todas as manifestações da Vida Universal, criando gravitação e afinidade, assimilação e desassimilação, nos campos múltiplos da forma que servem à romagem do espírito para as Metas Supremas, traçadas pelo Plano Divino. A Vontade, contudo, é o impacto determinante. Nela dispomos do botão poderoso que decide o movimento ou a inércia da máquina. 

O cérebro é o dínamo que produz a energia mental, segundo a capacidade de reflexão que lhe é própria; no entanto, na Vontade temos o controle que a dirige nesse ou naquele rumo, estabelecendo causas que comandam os problemas do destino. Sem ela, o Desejo pode comprar ao engano aflitivos séculos de reparação e sofrimento, a Inteligência pode aprisionar-se na enxovia da criminalidade, a Imaginação pode gerar perigosos monstros na sombra, e a memória, não obstante fiel à sua função de registradora, conforme a destinação que a Natureza lhe assinala, pode cair em deplorável relaxamento. 

Só a Vontade é suficientemente forte para sustentar a harmonia do espírito. Em verdade, ela não consegue impedir a reflexão mental, quando se trate da conexão entre os semelhantes, porque a sintonia constitui lei inderrogável, mas pode impor o jugo da disciplina sobre os elementos que administra, de modo a mantê-los coesos na corrente do bem.

Fonte – Pensamento e Vida (psicografia Chico Xavier – espírito Emmanuel)

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O Apóstolo Paulo Proíbe o Espiritismo?

Postado por ANA MARIA TEODORO MASSUCI

Manhã de domingo. Uma amiga telefona e me propõe interessante questão. Em conversa com um vizinho, este lhe diz estar estudando a Bíblia há mais de um ano, embora não seja adepto de nenhuma religião. E sabendo que essa amiga era espírita, resolve interrogá-la quanto à proibição que Paulo coloca, em sua epístola aos Efésios (6:10 a 20), quanto ao Espiritismo.

A razão do telefonema foi de me perguntarem como explicar a proibição de Paulo (minha amiga é novata na Doutrina). É quase desnecessário dizer que achei deliciosa a pergunta, só de imaginar o efeito da resposta…

A essa altura, o estudante da Bíblia, já aberta na página em questão, falava diretamente comigo. Não – disse-lhe -, não leia ainda o trecho. Deixe-me primeiro pegar a minha Bíblia.

E que Bíblia! Bem antiga, um exemplar raro, edição portuguesa de 1877, que ganhei de presente. De passagem, pego também o Novo Testamento, de bolso, edição de 1954, tradução de João Ferreira de Almeida, para confronto dos textos.

Inicialmente procurei lembrar-lhe – já que a estava estudando – que a Bíblia é constituída do Velho e do Novo Testamentos; que este contém o Evangelho de Jesus etc…, etc… Que a tal passagem de Paulo aos Efésios está pois, no Novo Testamento e, como é evidente, fora escrita pelo apóstolo há quase dois mil anos. E que o Espiritismo, palavra criada por Allan Kardec, surgiria em abril de 1857, com o lançamento de O Livro dos Espíritos, tendo, portanto, 140 anos de existência.

– Como – indaguei – poderia Paulo proibir algo que nem existia?

– Então, como explicar esse texto? – me pergunta ele inocentemente.

– Agora sim, vou ler para você uma Bíblia muito antiga, de 1877, e depois um Novo Testamento, de 1954.

Li, ao telefone, para o confuso estudioso da Bíblia, os textos correspondentes, nos quais, como é óbvio, não consta absolutamente nada quanto à aludida proibição. Em seguida, ele fez a leitura do trecho que motivou todo o nosso diálogo. Nele estão várias interpolações, e proibição não apenas do Espiritismo, mas de outras coisas, inclusive (numa linguagem bem atual) sexo antes do casamento.

– Como vê – arrematei – está havendo uma adulteração dos textos evangélicos, para atender a determinadas conveniências religiosas, o que é lamentável e grave.

No dia seguinte, ao fazer uma palestra na Sociedade Espírita Joanna de Ângelis, em Juiz de Fora, aproveitei para contar o caso e comentar a respeito dessas adulterações e como as pessoas não raciocinam, não enxergando tais aberrações e mantendo ainda, infelizmente, uma fé cega e, o que é pior, fanática.

Esse assunto motivou-nos uma preocupação: o que restará dos textos bíblicos e evangélicos daqui a alguns anos?

Outras reflexões nos ocorrem, inclusive a preocupação que os espíritas devemos ter de preservar os livros da Codificação, sem jamais admitirmos que sejam modernizados, modificados, atualizados.

Qualquer coisa nesse sentido será abrir um perigoso precedente, mesmo porque não há o que modernizar ou o que atualizar, pois isso significaria modificar o texto original, e a obra de um autor, recomenda a ética, é sagrada, não deve ser retocada por ninguém e sob nenhum pretexto. Ainda mais quando se trata dos livros da Codificação, se mais não fosse por ter caráter de revelação. Com dupla característica: revelação divina e científica, que Allan Kardec esclarece em a Gênese: “Numa palavra, o que caracteriza a revelação espírita é o ser divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem”.

Pessoalmente, considero o discurso de Kardec atualíssimo, muito didático, claro, estilo sóbrio e elegante, e não vejo motivo para colocá-lo na forma de linguagem atual, como às vezes pretendem, o que representaria nivelar por baixo. Como diz Alexandre, instrutor de André Luiz em Missionários da Luz, em outras palavras, que nós, encarnados, queremos a presença e companhia dos Espíritos Superiores e que estes baixem até nós, porém, não fazemos nenhum esforço para subir até eles.

Ante tais provas de fanatismo, de intransigência, de sectarismo de nossos irmãos que estão adulterando os textos bíblicos e evangélicos, é compreensível que nos ocorram à mente comparações entre religiões e a Doutrina Espírita, que prega o respeito ao próximo, a liberdade de consciência, a fraternidade, revivescendo a mensagem do Cristo e conclamando os seres humanos a vivenciá-la. Realmente, esse código de amor e solidariedade, de libertação das faixas primárias da evolução, enfim, é ainda muito difícil de ser assimilado e vivenciado. A sua vigência, portanto, depende de nós que já o entendemos, aceitamos e divulgamos.

Afinal, de que vale ser espírita, acreditar na existência dos Espíritos, se essa crença não nos torna melhores, mais pacientes, indulgentes e benignos? De nada valeria, então, pois a humanidade permaneceria estacionária.

É o que nos alerta Allan Kardec no item 350 de O Livro dos Médiuns.

Suely Caldas Schubert

Do Jornal “Candeia Espírita – USE São José dos Campos – março/98

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As calamidades coletivas perante a Codificação kardeciana

Rede Amigo Espírita

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com 

Brasília/DF

 

Para todos os fenômenos da vida humana, há invariavelmente uma razão de ser. No dicionário Espírita, não consta a palavra “acaso”, ainda que as circunstâncias se nos afigurem insuportáveis. A tragédia anunciada de Brumadinho (MG) nos expõe, de maneira evidente, um dramático evento purgatorial e reparador sob o ponto de vista coletivo.

Qual o significado consciencial para cada uma das pessoas que foram vitimadas pelo desmoronamento da barragem da mineradora “Vale do Rio Doce”? Catástrofe, cuja repercussão deixou o mundo entristecido.

Para as calamidades coletivas, a Doutrina Espírita indica expressivas anotações presumíveis, apreciando que, nos Estatutos de Deus não há dispositivos para injustiças. Não deveria ser ocasião para zangas políticas e ideológicas adicionadas às vociferações revoltosas. Isso de nada prospera. A rigor, só alarga a consternação dos parentes que permaneceram “vivos”.

Para os Benfeitores espirituais, “se há males nesta vida cuja causa primária é o homem, outros há, também, aos quais, pelo menos na aparência, ele é completamente estranho e que parecem atingi-lo como por fatalidade. Tal, por exemplo, os flagelos naturais [e “acidentais”].” (1)  Pela reencarnação e pela destinação da Terra – como mundo expiatório – são compreensíveis as anomalias que o planeta apresenta quanto à distribuição da ventura e da desventura neste planeta.

Aliás, aberração só existe na aparência, quando considerada, tão-só, do ponto de vista da vida presente. “Aquele, pois, que muito sofre deve reconhecer que muito tinha a expiar e deve regozijar-se à ideia da sua próxima cura. Dele depende, pela resignação, tornar proveitoso o seu sofrimento e não lhe estragar o fruto com as suas impaciências, visto que, do contrário, terá de recomeçar.” (2)

Ora, “as grandes provas são quase sempre um indício de um fim de sofrimento e de aperfeiçoamento do Espírito, desde que sejam aceitas por amor a Deus”. (3) É bem verdade que as catástrofes sejam “naturais” e/ou “acidentais”, como a de Brumadinho (MG), abatem centenas de pessoas. Nesses acontecimentos, as imagens midiáticas, virtuais ou impressas, mostram-nos, com colorido intenso, o drama inenarrável de inúmeras pessoas que padecem, enquanto recolhem o que sobrou e choram seus “mortos”.

Os flagelos “naturais” e ou “acidentais” ocorrem e podem fazer o homem avançar moralmente mais depressa. É óbvio que tal situação não exime de culpa os responsáveis da famigerada mineradora.

A destruição, muitas vezes, é inevitável e necessária visando a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem, em cada nova existência, um novo degrau de aperfeiçoamento. “Esses transtornos são, frequentemente, necessários para fazerem com que as coisas cheguem, mais prontamente, a uma ordem melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos.” (4)

Dessa maneira, esses açoites destruidores têm utilidade do ponto de vista físico, malgrado os males que ocasionam, “pois eles modificam, algumas vezes, o estado de uma região; mas o bem, que deles resulta, só é, geralmente, sentido pelas gerações futuras.” (5)

Antes de reencarnarmos, sob o peso de compromissos morais coletivos, quase sempre, somos informados, no além-túmulo, dos riscos a que estamos sujeitos, das formas pelas quais podemos reparar as faltas morais, porém, o fato, por si só, não é determinístico, até, porque, depende de intermináveis circunstâncias em nossas vidas a sua consumação, uma vez que a Lei de causa e efeito admite flexibilidade, quando o amor rege a vida e “o amor cobre uma multidão de pecados.” (6)

Aquele que se compraz na caminhada pelos atalhos do mal, a própria Lei de causa e efeito (que funciona para que nos resguardemos de nós mesmos) se incumbirá de trazê-lo de retorno às vias do bem. O passado, embora não seja determinante, influi no presente que, por sua vez, produz reflexos no futuro. Porém, cabe a ressalva de que nem todo sofrimento é expiação e ou reparação.  No item 9, Cap. V, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec assinala: “Não se deve crer que todo sofrimento que se passa neste mundo seja, necessariamente, o indício de uma determinada falta: trata-se, frequentemente, de simples provas escolhidas pelo Espírito para sua purificação, para acelerar o seu adiantamento.” (7)

Referências bibliográficas:

(1) KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 1989, Cap. V

(2) idem Cap. V

(3) KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 1989, Cap. IX

(4) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 1988. Perg. 737

(5) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 1988. Perg. 739

(6) Cf. Primeira Epístola de Pedro Cap. 4:8

(7) KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1989, Cap. V

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