Botucatu e a vida extraordinária de Jésus Gonçalves

Roque Roberto Pires de Carvalho

Botucatu é uma cidade com apenas 168 anos! É moderna, recepcionista, muito bonita e recebeu da Administração Municipal – leia-se Mário Pardini – especial carinho, dotando-a de inúmeros melhoramentos e recantos floridos, além de ser considerada também cidade dos “Bons Ares e das Boas Escolas” e “das Flores”. Botucatu é também cidade de ricas tradições e berço de famílias ilustres.

Este subscritor, forasteiro, mas com raízes familiares aqui semeadas não sabia, de início, que Botucatu era também uma cidade escolhida por iluminados Espíritos de Luz. A cidade acolheu em 2 de janeiro de 1889 o infante Carmine Mirabelli, desencarnado em 30 de abril de 1951 na cidade de São Paulo, vítima de acidente de trânsito; e por adoção o retratado de hoje, Jésus Gonçalves, natural de Borebi-SP, onde nasceu em 12 de julho de 1902, tendo recebido seu nome na pia batismal da Paróquia de Ubirama no dia 8 de setembro de 1902, pertencente à Cúria Diocesana de Botucatu, onde se encontra o original da sua Certidão de Batismo registrada em livro próprio.

A Doutrina Espírita através de escritos por Espíritos Superiores nos permite entender melhor de que forma vidas passadas influenciam nas futuras através do processo reencarnacionista.

Nos primórdios do cristianismo, século IV d.C., o botucatuense por adoção tinha o nome de Alarico. Geralmente, a história das grandes vidas tem o escopo de apresentar o homem em seus lances positivos, apenas. Mas seria impossível suavizar os fatos brutais que a realidade apresenta.

Jésus Gonçalves foi Alarico. E quem foi Alarico? Não foi outro senão aquele mesmo general bárbaro que dominou Roma e os fatos não podem ser mudados a bel prazer. Alarico I (387 d.C.) foi desumano e perverso. Provavelmente ele foi tudo isto em encarnações anteriores.

Quando jovem fazia carreira no Exército Romano. O ano de 395 d.C. marca o início de sua caminhada militar. Sua personalidade vaidosa reunia qualidades de grande líder e disciplinador, mesclado à prepotência e à perversidade de um guerreiro visigodo. Aprendeu com os romanos a arte militar. Como general dominou Roma e sob o seu comando semeava a morte, o terror e a destruição.

Na ocasião encontrava-se em Roma o célebre Agostinho, Bispo de Hipona, que tentou de várias maneiras, usando palavras de amor, compreensão e sabedoria, reivindicar em favor do povo romano, às portas então de uma invasão de bárbaros. Agostinho aproxima-se de Alarico e implora, pedindo em nome do Cristo, que o inspirou a vir a ter com o general, complacência para com as mulheres, crianças e idosos. Não adiantou… Roma foi invadida com intenso vandalismo, mas as palavras pacíficas de Agostinho calaram nos sentimentos do general, de modo que os templos católicos não foram sequer tocados pelos visigodos. Pela moderação do exército inimigo, os romanos foram buscar proteção nesses templos, procurados inclusive pelos pagãos. Muito embora não tenha evitado a quase devastação da cidade, era o troféu haurido por Agostinho, o soldado de Cristo que ousou, com sua coragem, desafiar a força física do exército de vândalos e fez-se sobrepujar mediante as qualidades morais de seu espírito.

Alarico não permaneceu muito tempo em Roma. Fascinado pelo poder, pretendia dar o golpe de misericórdia no Império. Na tentativa de invadir a África, sua frota foi dispersada e ele desencarnou em Cosenza, região da Calábria italiana e assim encerrou sua primeira encarnação.

A misericórdia divina lhe concedeu mais uma oportunidade reencarnatória. E ele retornou em nova roupagem, como Alarico II, (484 d.C.), 8º rei dos Visigodos, mas não conseguiu refrear as inclinações ambiciosas de seu caráter primitivo, governando pelo poder da força e do terror. Desencarnou em batalha travada em 507 d.C.

No século XVI (9/9/1585) ocorreu sua terceira reencarnação conhecida, agora na França e como o nome de Armand Jean du Plessis, posteriormente cardeal Richelieu, que atenuou as perseguições aos católicos quando, por aproximadamente 18 anos, foi não só o homem mais poderoso da França, arquiteto do absolutismo, como também árbitro da política europeia. Doente, com o corpo tomado por tumores de diagnóstico desconhecido, o braço direito paralisado, a saúde de Richelieu, que nunca fora boa, debilitou-se a tal ponto que mal conseguia levantar-se do leito, vindo a desencarnar em 4 de dezembro de 1642, em Paris, aos 57 anos.

Após 260 anos aconteceu sua última reencarnação, que é o objeto desta crônica. O outrora poderoso cardeal francês nasceu em família muito pobre no Vilarejo de Borebi-SP, em 12 de julho de 1902, e seu batismo pela liturgia católica romana deu-se no dia 8/9/1902 com o registro de seu nome JESUS na Cúria Diocesana de Botucatu, e seus pais com o sobrenome Gonçalves.

Precoce, desde os 14 anos teve inclinações para a música participando da “Bandinha de Borebi”. Em 1919 sua família mudou-se para Bauru-SP. Aos 20 anos era tesoureiro na Prefeitura e clarinetista da “Jazz Band” da cidade. Casou-se e teve filhos. Era poeta, escritor, historiador, autor e ator de peças teatrais, jogador de futebol e, no jornalismo, fundador e articulista de dois jornais.

Em 1930 foi acometido do “mal de Hansen”. Aposentado do serviço público, um de seus amigos, proprietário de florescente gráfica, cedeu-lhe o usufruto de um sítio nas proximidades da cidade. Em 1933 teve de afastar-se compulsoriamente do convívio da família, para internar-se no recém-inaugurado Asilo Colônia Aymorés. Mesmo internado não esmoreceu… Foi fundador do jornal “O Momento”, participou da criação do “Jazz Band Aymorés” e da equipe de futebol Aymorés. Jésus liderava quase todas as atividades sociais da Colônia para amenizar os sofrimentos dos seus companheiros de infortúnio.

Em 1937 foi transferido da Colônia Aymorés para o Hospital Padre Bento em Guarulhos, porém, durante a viagem Jésus passou muito mal e a ambulância que o conduzia parou em Pirapitingui-SP. As dores imensas se intensificaram e o diretor desse Hospital, sabedor das qualidades inatas de liderança, apesar da terrível doença, não permitiu sua saída de Pirapitingui.

A vaidade e o orgulho, traços marcantes de sua personalidade, foram substituídos pela submissão e simplicidade. Muito embora não acreditasse na Doutrina Espírita, sua esposa – Anita Vilela, também moradora no Hospital – não era portadora do mal de Hansen, ofereceu-lhe para leitura o livro “O céu e o inferno” de Allan Kardec e é esse o início de sua conversão do ateísmo para o Espiritismo.

Perdendo suas convicções materialistas, dedicou-se à leitura das obras de Kardec, Léon Denis, Flammarion, Bozzano e outros, completando assim sua conversão. Nesse local fundou a “Sociedade Espírita Santo Agostinho”, primeiro Centro Espírita em hospital de hanseníase do mundo, sendo também fundador da Rádio PRC-2, Rádio Clube de Pirapitingui, e do jornal interno “O nosso Jornal”. Publicava suas poesias nesse jornal; escrevia peças teatrais e delas participava como ator.

Sua doença consumia e deformava todo o corpo, rosto transfigurado e os órgãos começavam a falhar, cordas vocais sem qualquer manifestação e assim, lentamente, apagava-se a estrela do apóstolo de Pirapitingui, regressando à Pátria Espiritual no dia 16 de fevereiro de 1947. Desencarnado, em suas comunicações psicografadas por Chico Xavier pediu para ser chamado de Jésus, pois se considerava indigno de ostentar o mesmo nome do Rabi da Galileia.

Por certo este subscritor não o conheceu pessoalmente, no entanto tive a oportunidade de visualizar sua presença espiritual em uma das ruas de Bauru, já com o uniforme branco hospitalar.

Para as pessoas que acreditam na doutrina da reencarnação é fácil o entendimento do que foi a vida de Jésus Gonçalves, aquele que ao longo dos séculos trocou a vestimenta do homem velho pela túnica alvinitente do homem novo. Jésus, homem de rara inteligência e capacidade de superar os mais incríveis obstáculos, é hoje um dos Espíritos Guias da Humanidade.

“O homem tem que reparar, no plano físico, o mal que fez no mesmo plano. Torna a descer no cadinho da vida, no próprio meio onde se tornou culpado, para junto daqueles que enganou, despojou, espoliou, sofrer as consequências do modo por que anteriormente procedeu.” (Excerto do livro “O problema do Ser, do Destino e da Dor”, de Léon Denis.

Roque Roberto Pires de Carvalho

Fonte: “A Extraordinária Vida de Jésus Gonçalves”, autoria de Eduardo Carvalho Monteiro, publicado pela EME Editora.

Espiritismo na Rede

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A inveja como aliada

Martha Triandafelides Capelotto

Pode parecer estranho o título acima, principalmente, por ser a inveja um sentimento negativo de nossa alma, difícil mesmo de ser revelado por quem quer que seja.

Inúmeras expressões metafóricas são utilizadas para nos referirmos a alguém que julgamos ser invejoso: roer-se de inveja, a inveja dói, contaminado pela febre da inveja, cego de inveja, a inveja queima ou envenena, e vai por aí afora.

A característica principal da inveja é a comparação desfavorável do “status” de uma pessoa em relação à outra, muito mais do que estar associada a um objeto. Quando sentimos inveja, estamos supervalorizando a figura do outro e subestimando tudo o que temos ou conquistamos.

É preciso ser o que é. Nem colocarmos as criaturas num pedestal, nem nos rebaixarmos à condição de capachos.

Por outro lado, percebemos com muita tristeza que a civilização moderna impõe necessidades, muitas absolutamente fictícias, sem que as criaturas saibam limitar seus desejos e por isso acabam, por consequência, sentindo inveja daqueles que elas acreditam estarem em patamares superiores aos seus, ou serem mais privilegiados, mais amados, mais queridos, enfim, que a situação dos outros é muito melhor que a delas.

Ermance Dufaux, no livro Laços de Afeto, capítulo 17, diz que “…a inveja é uma das mais cruéis imperfeições morais, porque é filha queridíssima do orgulho e, sendo assim, é dos sentimentos que a criatura menos confessa a si mesmo e que os limites entre a inveja e a necessidade de progresso, o desejo de lograr metas que outros venceram, é muito sutil e demanda autoconhecimento”.

Na verdade, a inveja reflete a fragilidade em que o nosso espírito ainda vive, deixando-se consumir em desejos inconsistentes, até mesmo ilusórios, principalmente de ordem material. Podemos dizer que a inveja é resultante da limitada compreensão da lei de causa e efeito, aplicada a nós mesmos.

Feitas essas considerações, vamos ao ponto mais relevante que é termos a inveja como nossa aliada. De que forma?

Quem nos auxilia neste tópico, mais uma vez, é Ermance, quando ela nos ensina que “a inveja tem por função educativa nos colocar em comparação com alguém e isso não é algo ruim, porque essa função da inveja visa mostrar que aquilo que lhe causa inveja é sinal de vida de uma qualidade ou de um talento seu que está adormecido e você não percebe. A pior consequência dessa comparação é você fechar os olhos para os seus próprios valores e só enxergá-los nos outros”.

Desse modo, depreendemos que invejar pode significar que você tem algo tão bom quanto o que inveja em alguém, ou que pode fazer algo tão bem quanto o que o outro faz.

Se começarmos a pensar que não existem pessoas melhores ou piores, mas diferentes, e que tudo na vida é uma questão de luta, de merecimento, de esforço pessoal, poderemos alcançar nossos objetivos, assim como os outros também alcançam.

Quando a inveja aparecer, perguntemo-nos: O que eu posso fazer a respeito dessa situação para me sentir melhor? O que esse sentimento está querendo me mostrar a meu próprio respeito através dessa pessoa? O que há de bom no outro que pode ser melhor em mim? O que preciso aprender sobre o que falta em mim?

Desse modo, tanto para a inveja como para tantas outras situações vivenciadas por nós na nossa luta existencial, questionemo-nos sempre, procurando saber o que os nossos sentimentos revelam sobre nós, procurando entender que admirar, elogiar, compartilhar e incentivar vitórias é a formação do hábito da solidariedade relacional no coração e exercício afetivo preventivo contra a inveja, combatendo-a.

Admitir sua existência no coração é o primeiro passo. Conhecer suas formas de manifestação, estudar suas razões através da viagem interior, adquirindo o controle sobre as reações emocionais, sabendo servir harmoniosamente com ela, transformando-a para o bem, serão medidas salutares para aceitarmos o que ainda não podemos ter, lembrando que temos o que merecemos e o que semeamos.

Martha Triandafelides Capelotto

Fonte: Espiritismo na Rede

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Piores Crimes do Mundo (Podcast) - TheTVDB.com

Sob a perspectiva espiritual, o que pode estar por trás de crimes emblemáticos e chocantes como a morte da atriz Daniella Perez, Suzane Richthofen e outros crimes brutais?

Qual análise o espiritismo tem a considerar sobre essas tragédias que envolvem histórias de assassinos e assassinados que o público acompanhou pela mídia.

Estreou em outubro na programação no canal do youtube da TV Mundo Maior a série Crimes e Espiritismo, com apresentação de Marcos Casella.

O episódio de estreia da série Crimes e Espiritismo trouxe o caso Madeleine, uma menina britânica que desapareceu durante uma viagem em família a Portugal, que alcançou grande repercussão na ocasião. Após quinze anos do ocorrido, ainda nos perguntamos: Por que Deus permitiria que uma criança passasse por essa situação?

Outro caso que está disponível para o público é o de Suzane Richthofen, que fez parte dos principais noticiários. O assassinato brutal do casal Manfred e Marisia Richtofen que foram achados mortos na própria casa em uma área nobre de São Paulo. Quem via a filha do casal, Suzane, ser amparada por familiares durante o velório de seus pais, não poderia imaginar seu envolvimento no caso.

E recentemente a morte do ex-ator Guilherme de Pádua, assassino da atriz Daniella Perez, trouxe à tona novamente o crime que chocou o país na década de 1990. Fama, inveja e ciúmes, esses foram os elementos que resultaram em um dos assassinatos mais visados pela mídia na ocasião, a morte da atriz Daniella Perez. Neste episódio da série Crime e Espiritismo, Marcos Casella convida o público a refletir sobre o caso e como sentimentos destrutivos e tendências do passado podem culminar em uma tragédia.

Confira as reflexões espíritas sobre crimes hediondos como esses tão difíceis de compreender, suas causas e consequências!

Assista

Todos os sábados, 19h vai ao ar um novo episódio da série Crimes e Espiritismo, que é exclusiva do youtube.

Se inscreva em youtube.com/tvmundomaior e confira

Fonte: Correio Espírita

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SETEMBRO AMARELO

“Estudo alerta para alta incidência de suicídio na adolescência”, o preocupante recado da reportagem da revista Veja

Fechamos este mês, que é particularmente dedicado à campanha Setembro Amarelo, a favor da valorização da vida e da prevenção do suicídio, com um alerta preocupante estampado numa reportagem da revista Veja publicada ontem: “Estudo alerta para alta incidência de suicídio na adolescência”.

Suicídio de adolescentes e jovens era algo considerado um absurdo em tempos não muito distantes, mas a referida matéria jornalística aponta que entre os anos de 2012 e 2021, a média foi de 1000 ocorrências por ano entre jovens de 10 a 19 anos. É um número apavorante, mas bastaria que fosse um só caso, que viesse a acontecer com uma pessoa muito próxima nossa, para que toda uma família sentisse o abalo de tal perda.

A reportagem traz a análise técnica de Luci Pfeiffer, presidente do Departamento Científico de Prevenção e Enfrentamento das Causas Externas na Infância e Adolescência da SBP, que aponta que há uma falha grande nos registros das tentativas de suicídio. “Dificilmente uma criança ou adolescente chega à morte na primeira tentativa. E elas devem ser levadas muito a sério”, ela diz. Na avaliação do especialista, muitas famílias consideram esses episódios como algo que a criança ou o jovem faz para chamar a atenção. “De modo geral, são cometidas duas ou três tentativas até que eles consigam chegar à morte. Por isso, nós teríamos ainda um tempo de prevenção secundária”.

Em considerando esses dados, vê-se uma omissão involuntária da parte dos familiares, que muitas vezes nem sabem mesmo o que fazer. E esta é realmente a questão mais prevalente aqui: o que fazer diante da possibilidade de um suicídio anunciado?

A recomendação básica dada por Pfeiffer é que “Os pais e a escola precisam buscar ajuda e acompanhamento médico, tanto de profissionais da saúde mental e do pediatra que coordene essa equipe interdisciplinar”. Quanto a isso, não contestamos, pois consideramos a utilidade de os profissionais se envolverem nessa problemática, inclusive para o avanço da própria ciência. Todavia, não podemos deixar de dizer que a maior causa destas tragédias é o materialismo prático instalado em nossa sociedade; ou seja, a ideia comum de que a realidade física é a única e verdadeira vida, que a medida das coisas e dos valores comportamentais se baseiem nos padrões materiais. Numa palavra, falta de espiritualidade. Tanto é que a reportagem citada não faz nenhuma referência que se aproxime de alguma ideia religiosa ou espiritualista.

Em suma, vemos o prejuízo que é a falta de Espiritismo no nosso meio social.

Vejamos, pois, como Kardec vai tratar o gravo problema do suicídio:

“A calma e a resignação vindas da maneira de considerar a vida terrestre e da confiança no futuro dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio […] Postos de lado os que se dão em estado de embriaguez e de loucura — aos quais se pode chamar de inconscientes —, é incontestável que ele tem sempre como causa um descontentamento, quaisquer que sejam os motivos particulares que se lhe apontem. Ora, aquele que está certo de que só é desventurado por um dia e que os dias que hão de vir serão melhores, enche-se facilmente de paciência. Só se desespera quando não vê nenhum fim para os seus sofrimentos. E o que é a vida humana, com relação à eternidade, senão bem menos que um dia? Mas para o que não crê na eternidade e julga que com a vida tudo se acaba, se os infortúnios e as aflições o oprimem, somente vê uma solução para as suas amarguras na morte. Nada esperando, acha muito natural, muito lógico mesmo, abreviar as suas misérias pelo suicídio.”

O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec – cap. V, itens 14 e 15.

Mais adiante, o codificador espírita sintetiza a problemática e a melhor solução:

“Portanto, a propagação das doutrinas materialistas é o veneno que transmite a ideia do suicídio na maioria dos que se suicidam, e os apóstolos de semelhantes doutrinas assumem tremenda responsabilidade. Com o Espiritismo, tornada impossível a dúvida, muda o aspecto da vida. O crente sabe que a existência se prolonga indefinidamente para lá do túmulo, mas em condições muito diversas; donde a paciência e a resignação que o afastam muito naturalmente de pensar no suicídio; donde vem, em suma, a coragem moral.”

Idem – item 16.

Estas conclusões nos motivam ainda mais a divulgar esta doutrina de luz, e todos estão convidados a participar da da divulgação do Espiritismo, pela valorização da vida e por uma mais eficaz prevenção ao suicídio e demais males que assolam nossa sociedade.

Leia a reportagemno portal da revista Veja

Fonte: Espiritismo em Movimento

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Roupa suja

A MALEDICÊNCIA “A língua de alguns homens morde mais do que seus dentes”  C.H. Spurgeon. - ppt carregar

Um casal recém-chegado, mudou-se para um bairro muito tranquilo.

Na primeira manhã na casa, enquanto tomava café, a mulher reparou através da janela que uma vizinha pendurava lençóis no varal.

“Que lençóis sujos ela está pendurando no varal, está precisando de um sabão novo…Se eu tivesse intimidade, perguntaria se ela quer que eu ensine a lavar as roupas!”

O marido olhou e ficou calado.

Alguns dias depois, novamente durante o café da manhã, a vizinha pendurava lençóis no varal e a mulher comentou com o marido:

“Nossa vizinha continua pendurando os lençóis sujos! se eu tivesse intimidade, perguntaria se ela quer que eu ensine a lavar roupas”.

E assim, a cada dois ou três dias, a mulher repetia o seu discurso, enquanto a vizinha pendurava suas roupas no varal.

Passando um mês, a mulher se surpreendeu ao ver os lençóis sendo estendidos, e empolgada foi dizer ao marido:

“Veja, ela aprendeu a lavar as roupas! Será que a outra vizinha ensinou ???

Porque eu não fiz nada.”

O marido calmamente respondeu:

“Não, hoje eu levantei mais cedo e lavei os vidros da nossa janela!”

E assim é. Tudo depende da janela, através da qual observamos os fatos.

Antes de criticar, verifique se você fez alguma coisa para contribuir.

Verifique seus próprios defeitos e limitações.

Devemos olhar, antes de tudo, para nossa própria casa, para dentro de nós mesmos.

LAVE SUA VIDRAÇA. ABRA SUA JANELA

Fonte: Espiritualidade e Sociedade

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Se seus olhos forem bons

Por Umberto Fabbri*

Encontramos em Mateus capítulo 6, versículo 22, que “os olhos são a lâmpada do corpo”, frase que nos traz ensejo para uma reflexão importante sobre como nosso modo de interpretar o que nos acontece interfere em tudo à nossa volta.

A lâmpada, se estiver acessa, iluminará, trará luz para o ambiente, melhorando nossa percepção do entorno, porém, se estiver apagada caminharemos na escuridão, nas sombras.

Segundo Mateus, os olhos seriam a lâmpada. Esta analogia nos remete a refletir que ele não se referia aos olhos do corpo físico, mas à forma de ver, ao olhar subjetivo que todos possuímos, frente aos acontecimentos da vida e que, dependendo da luz, ou seja, da positividade, compreensão, conhecimento e lucidez, podemos ter resultados bem diferentes sobre a mesma situação, dependendo de como ou quem a ‘enxergue’. Isso explica claramente que o mesmo fato pode ser encarado de modo diferente por duas pessoas, como por exemplo o casamento: para uns ele é sonho de realização, para outros, uma prisão. A mesma cidade pode ter vários atributos para alguns, independentemente dos problemas reais, e insuportável de se viver para outros, apesar de suas facilidades.

Somos o resultado de tudo o que vivemos, do que aprendemos, dos traumas, das alegrias, do que valorizamos, e o quanto conseguimos assimilar de tudo que nos acontece, ou seja, somos únicos e nossos ‘olhos’, ou forma de ver a vida, e meio que sem percebemos, vamos reagindo automaticamente guiados por esta luz ou sombra que criamos.

Entretanto, quando tomamos consciência de que podemos acender esta lâmpada que nos permitirá caminhar de forma mais segura, compete-nos trabalhar para manter a forma correta de ‘ver’ a vida. E isso se dá principalmente pelos pensamentos que alimentamos. Se saudáveis e úteis, nos iluminamos. Se negativos e insalubres, nos apagamos, simples assim.

E Mateus ainda complementa: “Se seus olhos forem bons, seu corpo será luz, se, porém, forem maus, seu corpo será treva”, ou seja, a energia que criamos impressiona profundamente o funcionamento do nosso corpo biológico, pois somatizamos em nossas células a saúde ou a doença que nós mesmos produzimos.

Se nosso olhar estiver adoecido, é preciso buscarmos o médico das almas, nosso Mestre Jesus, para que este nos ensine a refletir sobre as verdades da vida, não a nossa verdade sempre subjetiva, marcada muitas vezes por nossas dores e frustações.

Todavia, à medida que nossa consciência se ilumina pelo conhecimento de nós mesmos e do Evangelho de Jesus, vamos clareando nossa visão de mundo, tendo bondade na forma como encaramos o que nos rodeia e assim vamos conseguindo manter acessa a lâmpada que ilumina nossos caminhos e das pessoas que caminham conosco.

Fonte: correio.news

*Profissional de marketing, Umberto é orador e escritor brasileiro, morando atualmente na Flórida, EUA. Autor de diversos livros espíritas, dentre eles: O traficante (pelo Espírito Jair dos Santos) O político (Adalberto Gória) e Bastidores de uma casa espírita (Luiz Carlos), ed. Correio Fraterno.
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Faculdade mediúnica

Mediunidade não é patrimônio especial de grupos nem privilégios de castas.

“(…) Não são os que gozam de saúde que precisam de médico.” – Jesus. (Mt., 9:12)

Essa resposta de Jesus, que é ao mesmo tempo uma afirmativa, prende-se à interpelação eivada de perplexidade feita pelos fariseus aos discípulos de Jesus ao flagrarem o Mestre à mesa com publicanos e gente de má vida. Causava-lhes espanto ver um homem virtuoso compartilhar a intimidade de homens indignos. Daí a resposta do Mestre. Mas, hoje, a pergunta dos fariseus ainda está no ar. Ela se dirige com as mesmas características de espanto e perplexidade quando se observa a mediunidade vicejar em terreno indigno, ou seja: pessoas de má vida, portadoras de potencial mediúnico. Ora, Kardec já esclareceu, oportunamente, que a mediunidade [1] “(…) antes de tudo, é inerente a uma disposição orgânica, de que qualquer pessoa pode ser dotada”, como é dotada de visão, audição e voz…

Como são raras as pessoas virtuosas, a grande maioria das criaturas seriam mudas se Deus só desse a faculdade da fala aos virtuosos; da mesma forma, se Ele concedesse somente aos mais dignos o dom da mediunidade, quem ousaria pretendê-lo? Pode parecer que tão preciosa faculdade deverá ser atributo exclusivo dos de maior merecimento. Mas, na realidade, não é o que se dá”.

Coerentemente com o Mestre Lionês, Joanna de Ângelis[2] conceitua a mediunidade como “faculdade orgânica”, que se encontra em quase todos os indivíduos, não constituindo patrimônio especial de grupos nem privilégios de castas; é inerente ao Espírito que dela se utiliza, encarnado ou desencarnado, para o ministério do intercâmbio entre diferentes esferas de evolução.

A mediunidade tem características próprias por meio das quais, quando acentuadas, facultam vigoroso intercâmbio entre os Espíritos encarnados e os desencarnados, entre as criaturas reciprocamente, bem como entre os próprios médiuns”.

Segundo o ínclito Mestre Lionês1, “(…) a mediunidade é conferida sem distinção, a fim de que os Espíritos possam trazer a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico; aos retos para fortificá-los no bem; aos viciosos para corrigi-los. Não são esses últimos os doentes que necessitam de médico? Por que o privaria Deus, que não quer a morte do pecador, do socorro que o pode arrancar ao lameiro?! Os bons Espíritos lhe vêm em auxílio e seus conselhos, dados diretamente, são de natureza a impressioná-lo de modo mais vivo do que se os recebesse indiretamente. Deus, em Sua Bondade, para lhe poupar o trabalho de ir buscá-la longe, nas mãos lhe coloca a luz. Não será ele bem mais culpado, se não a quiser ver? Poderá desculpar-se com a sua ignorância, quando ele mesmo haja escrito com suas mãos, visto com seus próprios olhos e pronunciado com a própria boca a sua condenação? Se não aproveitar, será então punido pela perda ou pela perversão da faculdade que lhe fora outorgada e da qual, nesse caso, se aproveitam os maus Espíritos para o obsidiarem e enganarem, sem prejuízo das aflições reais com que Deus castiga os servidores indignos e os corações que o orgulho e o egoísmo endureceram.

A mediunidade não implica necessariamente relações habituais com os Espíritos Superiores. É apenas uma aptidão para servir de instrumento mais ou menos útil aos Espíritos, em geral. O bom médium, pois, não é aquele que se comunica facilmente com os Espíritos, mas aquele que é simpático aos bons Espíritos e somente deles tem assistência. Unicamente neste sentido é que a excelência das qualidades morais se torna onipotente sobre a mediunidade”.

Manoel Philomeno de Miranda esclarece [3]: “(…) a mediunidade é expressão inerente ao homem, por cujo meio lhe é possível entrar em contato com outras faixas vibratórias, além e aquém daquelas que são captadas pelos seus equipamentos sensoriais.

(…) A mediunidade lutou e ainda luta contra as vãs tentativas de negar a veracidade do intercâmbio entre os encarnados e desencarnados. (…) A hipótese de que o subconsciente é o responsável pelas personificações parasitárias e anômalas foi a primeira levantada contra a mediunidade, dando surgimento às conceituações negativas apressadas, como patologias inerentes ao indivíduo, por cujo intermédio pareciam comunicar-se as almas dos mortos. A histeria, por sua vez, foi posta para coadjuvar tão aberrante diagnóstico, que teria fundamento fisiológico no polígono cerebral, de Wundt, encarregado de arquivar os conflitos e as frustrações que se corporificariam como estados de alienação, credora de tratamento especializado, em detrimento da possibilidade de comunicação espiritual.

Mais tarde o inconsciente de Freud, assumiu a responsabilidade por tal degradação da personalidade, que ocultava na sua gênese, qualquer tipo de distúrbio da libido. (…) Não afirmamos que sejam totalmente destituídas de respeito tais possibilidades, porquanto o fenômeno anímico é uma ocorrência presente, como se pode depreender, na estrutura do mediúnico, sem prejuízo para este. Todavia, sobrepondo-se a toda a gama de mecanismos automatistas do inconsciente e das interferências psíquicas outras, flui cristalina a mensagem dos Imortais, confirmando a sua realidade e oferecendo largo campo de estudos a respeito da vida e do homem em si mesmo. (…) Não procedem, desse modo, as alegações a respeito de que a mediunidade é miséria psicológica ou responsável pelos danos que afligem aquelas pessoas dotadas.

O conhecimento de tão peregrina função ou dom da vida auxilia o crescimento moral e o desenvolvimento psíquico, criando um clima de paz invejável, que passa a desfrutar aquele que a respeita e a utiliza corretamente.

Allan Kardec afirmou com altas razões que ela é manifestação anômala, às vezes, na personalidade humana, porque especial; jamais, porém, de natureza patológica, visto que “há médiuns de saúde robusta; os doentes o são por outras causas”.

De acordo com a direção que se lhe dê, pode a mediunidade converter-se em motivo de aprimoramento espiritual ou motivo de perturbação ou enfermidade. Se conduzido a precioso labor, o instrumento mediúnico, mediante segura constrição, irá adquirir vasto patrimônio de equilíbrio e iluminação ao mesmo tempo em que irá resgatando os compromissos negativos a que se encontra vinculado pelas pretéritas defecções.

Se a mediunidade, por outro lado, surge como impositivo provacional, ainda assim, o médium que lhe experimenta os efeitos, poderá granjear consideração e títulos beneméritos que lhe conferirão paz, desde que dilate o exercício da nobilitada missão a que se dedica.

“(…) Após a documentação Kardequiana que compõe a Codificação Espírita, a mediunidade abandonou as lendas e ficções, os florilégios do sobrenatural e do miraculoso, superando as difamações de que foi vítima, para ocupar o seu legítimo lugar, recebendo das modernas ciências psíquicas, psicológicas e parapsicológicas o respeito e o estudo que lhe desdobram os meios, contribuindo com abençoados recursos de que a Psiquiatria se pode utilizar, como outros ramos das Ciências, para solucionar um sem-número de problemas físicos, emocionais, psíquicos e sociais que afligem a moderna e atormentada sociedade hodierna.

Os exercícios da mediunidade com Jesus, isto é, na perfeita aplicação dos seus valores a benefício da criatura, em nome da Caridade, é que o ser atinge a plenitude das suas funções e faculdades, convertendo-se em celeiro de bênçãos, semeador da saúde espiritual e da paz nos diversos terrenos da vida humana na Terra”.

Kardec adverte[4]: “a mediunidade é coisa santa, e deve ser praticada santamente, religiosamente”.

Assim procedendo, a faculdade mediúnica tornar-se-á fator de equilíbrio, esparzindo paz e harmonia onde quer que viceje, alterando sobremaneira as escuras paisagens do Planeta, fazendo raiar o Sol da esperança e do amor onde antes só havia desespero e trevas.

Rogério Coelho

[1] – KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 125.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2006, cap. XXIV-12.

[2] – FRANCO, Divaldo. Estudos espíritas. Rio [de Janeiro]: FEB, 1982, cap. 18.

[3] – FRANCO, Divaldo. Temas da vida e da morte. 3.ed. Rio: FEB, 1981, cap. “Psiquismo mediúnico”.

[4] – KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 125.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2006, cap. XXVI-10.

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Cargas desnecessárias

Conta-se que um homem caminhava vacilante pela estrada. Em uma das mãos levava um tijolo e, na outra, uma pedra.

Nas costas carregava um saco de terra e do pescoço pendiam algumas vinhas.

Completando a inusitada carga, equilibrava sobre a cabeça pesada abóbora.

Sua figura chamava a atenção e um transeunte o deteve e lhe perguntou:

Por que você carrega esta pedra tão grande?

O viajante olhou para a mão e comentou:

Que estranho! Eu nunca havia notado que a carregava.

Assim dizendo, lançou fora a pedra, continuando sua marcha, sentindo-se agora bem melhor.

Mais adiante, outro transeunte, lhe indagou:

Você parece muito cansado. Mas, por que carrega uma abóbora tão pesada?

Estou contente que me tenha perguntado. – falou o viajante. Eu nem havia notado o que estava fazendo comigo mesmo.

Então, jogou para longe a abóbora, prosseguindo a andar com passos mais leves.

Assim foi pelo caminho todo. Cada pessoa que ele encontrava, lhe falava de um dos pesos que ele levava consigo.

Por sua vez, o viajante os ia descartando, um a um, até se tornar um homem livre, caminhando como tal.

Seus problemas, acaso, eram a pedra, o tijolo, a abóbora? Naturalmente, não.

Era a falta de consciência da existência delas.

Quando as viu como cargas desnecessárias, lançou-as longe, liberando-se.

Esse é o problema de muitos de nós.

Carregamos a pedra dos pensamentos negativos, o tijolo das más impressões, a pesada carga de culpas por coisas que não se poderia ter evitado.

Penduramos ao pescoço a autopiedade, conceitos de punição e de que tudo está perdido, sem solução.

Não é de nos admirarmos, pois, que nos sintamos tão cansados, sem energia!

Portanto, hoje, verifiquemos se estamos carregando a canga da mágoa, o mármore do remorso, a lápide da culpa.

Seja um tijolo de recriminações ou uma grande pedra de queixas, lancemos tudo longe.

Aprendamos a nos libertar e sintamo-nos mais leves, seguindo pela estrada da vida como quem anda ao sol, em plena primavera, aspirando o ar das manhãs, enchendo pulmões e oxigenando o cérebro.

Desafoguemos o coração dos quilos de mágoa e vivamos lúcidos, perseguindo objetivos maiores.

Não culpemos a outrem pelo nosso desânimo e nosso cansaço.

Olhemos para nós mesmos, conscientizemo-nos das cargas desnecessárias, tomemos as devidas providências.

Sigamos felizes, leves, conscientes, perseguindo metas de saber, luz, paz, felicidade.

Mantém a tua consciência desperta. Não te deixes consumir pelo desalento ou por qualquer sentimento de incapacidade.

Aprimora-te sempre. Ilumina-te sempre e trabalha para alcançares a felicidade,

Autor desconhecido.

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Mundos felizes: o que sabemos sobre eles

Anselmo Ferreira Vasconcelos

Ao demonstrar pleno conhecimento da sabedoria celestial Jesus Cristo afirmou “há muitas moradas na casa do Pai” – muito provavelmente esta foi a primeira revelação à humanidade sobre a pluralidade dos mundos habitados.

Hodiernamente, nossos sofisticados telescópios e veículos espaciais esquadrinham o espaço, gerando imagens simplesmente encantadoras de planetas e galáxias, ou seja, extraordinárias criações divinas. Concomitantemente, pesquisadores ufológicos continuam coligindo uma profusão de relatos de contatos diretos entre humanos e alienígenas, bem como vídeos espetaculares de Óvnis. A conclusão insofismável é que não estamos sozinhos no universo, pois a vida estua por toda parte guiada pelo incomensurável amor do arquiteto divino.

Nesse sentido, cumpre esclarecer que há mundos bem mais avançados do que o nosso, assim como atrasados, conforme nos informam os Espíritos mensageiros de Deus. Posto isto, a Terra é mais um mundo no contexto cósmico, que abriga, por força das circunstâncias, uma grande quantidade de almas ora submetidas aos purificadores processos de expiação e provas. Ou seja, há degraus evolutivos que abrangem os mundos tal qual as criaturas que neles vivem, variando, assim, desde planetas primitivos onde a vida inteligente começa, por assim dizer, a brotar, até moradas celestiais dotadas de elementos etéreos sutis, quase imateriais, que abrigam seres purificados onde a felicidade reina absoluta.

Assim sendo, a Terra ainda se encontra nos estágios iniciais da evolução dos mundos, infelizmente. Por conta do nosso acentuado atraso espiritual, nosso planeta continua sendo sacudido por poderosas forças telúricas, que vêm gerando intensa destruição e perda de vidas na atualidade. Terremotos, maremotos, furacões, ciclones, tornados, enchentes, incêndios, entre outros fenômenos meteorológicos, têm vergastado, com frequência assustadora, as nações do mundo inteiro.

Por essa razão, ninguém está isento de sofrer os seus efeitos devastadores que, com maior ou menor grau, têm golpeado a todos nós. No geral, a experiência de viver na Terra tornou-se consideravelmente mais arriscada. Chegamos a um ponto no qual, de um momento para outro, podemos – sem exagero – ser atingidos por uma chuva torrencial – diluviana, poderiam alguns considerar – com potencial de ceifar as nossas existências de várias e inesperadas maneiras. Em suma, o clima no planeta está caótico e a natureza dá sólidas mostras de reação.

O Espírito Joanna de Ângelis, na obra Transição Planetária (psicografada por Divaldo Pereira Franco) refere-se a esse período em que nos encontramos nos seguintes termos:

“As dores atingem patamares quase insuportáveis e a loucura que toma conta dos arraiais terrestres tem caráter pandêmico, ao lado dos transtornos depressivos, da drogadição, do sexo desvairado, das fugas psicológicas espetaculares, dos crimes estarrecedores, do desrespeito às leis e à ética, da desconsideração pelos direitos humanos, animais e da Natureza… Chega-se ao máximo desequilíbrio, facultando a Interferência Divina, a fim de que se opere a grande transformação de que todos temos necessidade urgente.”

Enquanto as desgraças coletivas se sucedem, os chefes das nações têm fracassado fragorosamente no cumprimento dos seus papéis. Surpreendentemente, o que se observa, com extrema clareza, é a prevalência de um cenário geopolítico contaminado por crescentes incertezas que fragilizam ainda mais as relações entre as nações. Com efeito, não se trabalha com o devido afinco para a construção de coesão e integração que permitiria assegurar a eliminação das tensões entre as chamadas grandes potências. Aliás, um exemplo marcante nesse particular é a sinistra aproximação entre a China, Rússia, Coreia do Norte – países governados com mão de ferro pelos seus líderes -, envolvendo estreita cooperação militar, que certamente em nada contribui para arrefecer as desconfianças.

Igualmente preocupante é a volta da corrida armamentista. A propósito, a imprensa mundial anunciou recentemente o desenvolvimento do míssil balístico intercontinental russo Satã 2, que foi concebido para transportar ogivas nucleares com capacidade de cruzar continentes inteiros, e atingir um alvo em praticamente qualquer lugar do planeta, sem que se possa detê-lo. Trata-se de uma arma tão sofisticada que chega a realizar manobras verticais e horizontais, além de superar a velocidade do som. Posto isto, a criação de armas como essa dão uma ideia da precariedade da paz em nosso planeta, pois qualquer movimento mais abrupto por parte dos principais atores mundiais poderá desencadear uma guerra em escala planetária e certamente com trágicas consequências para toda a humanidade.

Entretanto, dirijo-me no presente artigo aos que já algo perceberam do poder divino, e que aceitam a tese da pluralidade dos mundos habitados. Minha intenção é discorrer sobre o que já sabemos sobre os planetas nos quais o estado de felicidade permanente já foi alcançado. Como estamos longe de viver num autêntico Shangri-la, isto é, uma morada de paz, alegrias, bem-estar e felicidades permanentes, podemos ao menos abrir nossas mentes para algo mais elevado, o que faz sentido, já que na criação divina tudo evoluí. Ademais, é extremamente reconfortante saber que nem tudo se resume aos acanhados limites do nosso (belo) orbe – implacavelmente judiado pela incúria dos seus inconsequentes inquilinos (nós humanos).

Como muito bem ponderou o Espírito Emmanuel, no livro que leva o seu nome no título, psicografado por Francisco Cândido Xavier, “O conhecimento das condições perfeitas da vida em outros mundos, não deve trazer abatimento aos extremistas do ideal. Semelhante verdade deve encher o coração humano de sagrados estímulos”. Com efeito, é muito alentador poder divisar essa possibilidade, especialmente quando encaramos a existência como um processo motivacional no qual podemos desenvolver virtudes rumo ao alcance de tal beatitude.

Por sua vez, Allan Kardec examinou o assunto com extrema seriedade extraindo algumas conclusões que merecem ser destacadas. Por exemplo, n’O Livro dos Espíritos (questão nº 55) somos informados pelas entidades espirituais que os mundos são habitados, desfazendo qualquer presunção humana de sermos os mais dotados em inteligência, bondade e perfeição. Kardec acrescentou que:

“Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos esses seres para o objetivo final da Providência. Acreditar que só os haja no Planeta que habitamos fora duvidar da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma inútil. Certo, a esses mundos há de ele ter dado uma destinação mais séria do que a de nos recrearem a vista. Aliás, nada há, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de milhões de mundos semelhantes.”

Mais ainda: suas investigações permitiram-no concluir que não se abriga mais nesses mundos o sentimento de egoísmo, tão comum na Terra ainda e gerador de enormes disparidades e distorções econômicas e sociais. Em tais moradas, ao contrário, reina o sentimento de fraternidade, as guerras foram banidas, ódios e discórdias inexistem, já que não se admite a ideia de prejudicar a outrem. Ou seja, os seres viventes nesses mundos fazem aos outros, de maneira natural, o que desejam para si próprios. Ao que tudo indica, vivem mergulhados sob as diretrizes do mais puro código de ética e moral instituído pelo Criador. E usam a sua inteligência para erigir coisas positivas e benéficas às humanidades que neles habitam.

De modo geral, esclarece Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, as condições morais e materiais dos mundos superiores são muito diferentes das nossas. Os seus habitantes apresentam forma semelhante à nossa – aliás, pesquisas ufológicas reforçam tal conclusão. Entretanto, seus corpos têm outra composição, e, por isso, não estão sujeitos às necessidades, doenças e deteriorações típicas do nosso planeta. Além disso, argumenta o Codificador que:

“Mais apurados, os sentidos são aptos a percepções a que neste mundo a grosseria da matéria obsta. A leveza específica do corpo permite locomoção rápida e fácil: em vez de se arrastar penosamente pelo solo, desliza, a bem dizer, pela superfície, ou plana na atmosfera, sem qualquer outro esforço além do da vontade, conforme se representam os anjos, ou como os antigos imaginavam os manes nos Campos Elíseos. Os homens conservam, a seu grado, os traços de suas passadas migrações e se mostram a seus amigos tais quais estes os conheceram, porém, irradiando uma luz divina, transfigurados pelas impressões interiores, então sempre elevadas. Em lugar de semblantes descorados, abatidos pelos sofrimentos e paixões, a inteligência e a vida cintilam com o fulgor que os pintores hão figurado no nimbo ou auréola dos santos.”

Além disso, a vida nesses orbes é geralmente mais longa do que na Terra porque seus habitantes não desfrutam de existências angustiantes, sem falar do elevado grau de adiantamento obtido. Desse modo,

“[…] A morte de modo algum acarreta os horrores da decomposição; longe de causar pavor, é considerada uma transformação feliz, por isso que lá não existe a dúvida sobre o porvir. Durante a vida, a alma, já não tendo a constringi-la a matéria compacta, expande-se e goza de uma lucidez que a coloca em estado quase permanente de emancipação e lhe consente a livre transmissão do pensamento”.

Portanto, é de se supor pleno conhecimento da vida espiritual por parte desses seres – algo que se engatinha ainda na Terra. Ao que tudo indica, suas mentes já alcançam o correto entendimento da passagem à dimensão espiritual como um fato normal e em perfeita consonância com as leis cósmicas.

Em tais moradas divinas, as relações entre os povos são marcadas pela harmonia. A diferença entre os seres se dá em virtude da superioridade moral e intelectual, que confere a supremacia por ordem natural. Nelas prevalecem o respeito à autoridade e à justiça. Conforme Kardec, nos mundos felizes, a busca do autoaperfeiçoamento é um imperativo com vistas à conquista da categoria dos Espíritos puros. De modo geral,

“[…] Lá, todos os sentimentos delicados e elevados da natureza humana se acham engrandecidos e purificados; desconhecem-se os ódios, os mesquinhos ciúmes, as baixas cobiças da inveja; um laço de amor e fraternidade prende uns aos outros todos os homens, ajudando os mais fortes aos mais fracos. Possuem bens, em maior ou menor quantidade, conforme os tenham adquirido, mais ou menos por meio da inteligência; ninguém, todavia, sofre, por lhe faltar o necessário, uma vez que ninguém se acha em expiação. Numa palavra: o mal, nesses mundos, não existe.”

Nos orbes felizes, imperam a luz, a beleza, a serenidade que conferem uma alegria constante aos indivíduos. Em decorrência disso, pode-se imaginar que as aflições e estresse tenham sido completamente banidas. Além disso, as pessoas não são perturbadas pelas experiências angustiantes da vida material ou pela convivência com os seres maus, que abundam em mundos atrasados como o nosso, mas lá inexistem.

Kardec, por fim, destaca que:

“12. Entretanto, os mundos felizes não são orbes privilegiados, visto que Deus não é parcial para qualquer de seus filhos; a todos dá os mesmos direitos e as mesmas facilidades para chegarem a tais mundos. Fá-los partir todos do mesmo ponto e a nenhum dota melhor do que aos outros; a todos são acessíveis as mais altas categorias: apenas lhes cumpre conquistá-las pelo seu trabalho, alcançá-las mais depressa, ou permanecer inativos por séculos de séculos no lodaçal da Humanidade.”

Não obstante a Terra encontrar-se numa categoria muito inferior à dos mundos felizes, eleva-se lentamente – seguindo as determinações do Criador – à condição de mundo regenerado. Trata-se de uma categoria intermediária, na qual a felicidade ainda não é plenamente alcançada, mas as agruras dos povos são consideravelmente arrefecidas. Com o acrisolamento das consciências e a consequente mudança no padrão comportamental, progressos em todas as áreas são factíveis tornando a vida mais suave e harmoniosa.

É importante frisar que nas moradas regeneradas,

“…o homem ainda se acha sujeito às leis que regem a matéria; a Humanidade experimenta as vossas sensações e desejos, mas liberta das paixões desordenadas de que sois escravos, isenta do orgulho que impõe silêncio ao coração, da inveja que a tortura, do ódio que a sufoca. Em todas as frontes, vê-se escrita a palavra amor; perfeita equidade preside às relações sociais, todos reconhecem Deus e tentam caminhar para Ele, cumprindo-lhe as leis.”

Portanto, é nosso destino morar um dia num mundo feliz, mas, para merecer isso, precisamos trabalhar fortemente eliminando as nossas imperfeições e, sobretudo, amando a Deus e aos que nos cercam, como Jesus nos ensinou.

Anselmo Ferreira Vasconcelos

Fonte: Espiritismo na Rede

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Ceder o Manto

Sueli Albano

O manto era uma grande peça de pano, mais ou menos quadrada, que era usada sobre os ombros. Utilizavam-no também à noite como cobertor. Era geralmente a vestimenta dos profetas e dos pobres.

Ao consultarmos o antigo testamento encontramos a seguinte passagem que se refere à orientação sobre a possibilidade de tomar o manto de uma pessoa: “se tomares o manto do teu próximo em penhor, tu lho restituirás antes do pôr-do-sol. Porque é com ele que se cobre, é a veste do seu corpo: em que se deitará? Se clamar a mim, eu o ouvirei porque sou compassivo” (Ex 22.25-26).

Percebemos que ao instituir essa norma Moisés estava tentando limitar o nível de exploração material entre os israelitas, evitando que se chegasse ao ponto da desproteção total do indivíduo, mesmo que ele estivesse devendo.

O foco se encontrava, portanto, sobre quem tomava o manto, deixando-se claro que o clamor do “explorado” subiria a Deus como uma espécie de acusação e ele seria ouvido.

Ao estabelecer a devolutiva todas as noites, pedagogicamente, o legislador procurava desestimular aquele que pretendesse tomar o manto do irmão porque seria muito trabalhoso ficar com o objeto pra lá e pra cá. Mesmo assim, se insistisse em toma-lo, seria obrigado a manter um relacionamento com o antigo usuário, possibilitando ao longo do tempo que se desenvolvesse uma relação de amizade entre as pessoas envolvidas na questão.

Jesus retoma e modifica essa passagem ao dizer: “e àquele que pleitear contigo para tomar-te a túnica, deixa-lhe também o manto” (Mt 5.40). Nesse caso o foco é invertido para o primeiro usuário do manto e Jesus lhe pede que vá além do que a lei determinava.

Por que então sugere o mestre que deixemos o manto?

De fato, a túnica e o manto, não nos pertencem. São apenas um empréstimo divino.

Se o indivíduo está fazendo questão é porque precisa dele e não nos cabe julgá-lo.

Se nos pediu é porque precisamos lhe dar. De alguma forma existe uma vinculação entre os dois envolvidos na contenda.

Estamos diante de uma oportunidade de exercitar o desapego e a generosidade.

Ao entregar generosamente o último recurso de nossa proteção material experimentamos o abandono à Providência Divina, a qual se constitui como nossa verdadeira proteção. Dessa forma compreendemos a nossa fragilidade enquanto criaturas que estagiam na humanidade.

Aquele que cede generosamente o manto encontra a sua libertação em relação às posses materiais e avança no caminho da evolução, desprendendo-se pouco a pouco da veste carnal para receber em breve um corpo imperecível.

O mestre não apenas nos ensinou através de palavras: pregado na cruz, sem túnica e sem manto, no último instante da encarnação terrestre clamou a Deus “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23.46).

Sueli Albano

Fonte: Espiritismo na Rede

Referências Bibliográficas:

BÍBLIA. Português. A Bíblia de Jerusalém. Nova edição revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.

DOUGLAS, J.D. O Novo dicionário da bíblia. 3 ed. revisada. Vida Nova. São Paulo, 2006.

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