O luto e seus desafios na visão Espírita

Janaína Magalhães

“Aqueles que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós” (Amado Nervo)

Uma certeza que todos temos é a de que em algum momento iremos morrer. Apesar disso, o tema morte ainda é considerado tabu e é evitado sempre que possível. A escritora norte-americana Judith Viorst, em seu livro Perdas necessárias, ressalta:

“A morte é um dos fatos da vida que reconhecemos mais com a mente do que com o coração. E geralmente, enquanto nosso intelecto reconhece a perda, o resto de nós continua tentando arduamente negar o fato” (VIORST, 2004, p. 245).

Quando passamos pela dor da perda de um ente querido, ou seja, o luto, é que nos damos conta de que a morte existe e, apesar de não aguardá-la, ela chega e nos pega, na maior parte das vezes, de surpresa. Não estamos preparados para ela. Mesmo nas mortes causadas por doenças, nas quais existe a possibilidade de se despedir do ser amado, ainda assim, a reação de inconformismo ou revolta vem à tona.

De acordo com Elisabeth Kübler-Ross, psiquiatra suíça, são cinco os estágios da dor pelas quais o enlutado passa: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. (ROSS, 1996, p. 51-125) Durante esse período, que pode durar semanas, meses ou até anos, quando as pessoas não lidam com esses sentimentos, a dor não passa. Ao contrário, fica estagnada e corre o risco de se transformar em um luto patológico, ou seja, aquele que impede à pessoa de retornar às suas atividades cotidianas. (CARVALHO, 2014, p. 61-62)

Sentir saudades é compreensível, mas esse sentimento deve ser trabalhado de forma a evitar que o ser fique preso, fechado em sua dor interna. Com o auxílio de uma terapia ou, se necessário, o tratamento psiquiátrico, o enlutado poderá falar sobre a pessoa que partiu, sobre sua história e refletir sobre o que a perda lhe trouxe de ensinamento, sobre questões como o desprendimento e mesmo sobre temas existenciais como: qual o significado da vida? A morte é o fim? A vida continua após a morte?

Quando passamos pelo luto essas questões surgem frequentemente em nossa mente como uma forma de buscarmos explicação para o que aconteceu. E uma das maneiras de encontrarmos força para superarmos essa dor é através da fé. Kardec, por meio da Codificação Espírita, traz alívio e consolo para os que estão passando por esse processo de perda. Para os Espíritas, a morte não existe, é apenas a transição de uma faixa vibratória para outra, sendo o Espírito um ser imortal. Essa segurança na continuidade da vida promove a certeza de que em determinado momento todos irão se reencontrar.

A comunicação dos Espíritos e a crença na reencarnação fazem do Espiritismo uma fonte de alento e de esperança, permitindo compreender melhor o porquê dos mais diversos tipos de perdas e entender que a Justiça Divina está presente em tudo. Nada é por acaso, tudo tem sua razão de ser e, mesmo que não entendamos de pronto, existe uma causa anterior às aflições que podem ter origem nesta ou em vidas passadas.

Francisco Cândido Xavier, também conhecido como Chico Xavier, psicografava cartas de filhos que desencarnaram endereçadas às suas mães, com detalhes sobre o desencarne e sobre o ente querido que só a família sabia, trazendo a certeza da vida após a morte. As comunicações mediúnicas são uma das formas de contato com os que já morreram, mas não devemos nos esquecer que “o telefone toca de lá pra cá e não o contrário”, ou seja, as manifestações acontecem atendendo a necessidade de intercâmbio dos Espíritos e não dos encarnados.

Outra forma de nos comunicarmos e auxiliarmos o ente que desencarnou é pela prece. Através dela, os amigos e familiares poderão sintonizar com o ser que se foi e endereçar-lhe votos de paz e serenidade onde ele estiver. Essa prece, quando feita sem revolta, ou sentimentos negativos chega ao ser desencarnado como uma chuva de bênçãos que alivia as dores e alimenta o Espírito levando ânimo e fé para a continuidade da caminhada evolutiva.

Pela questão 936 de O Livro dos Espíritos podemos entender melhor como o sofrimento dos familiares e amigos afetam o ser desencarnado:

Como é que as dores inconsoláveis dos que sobrevivem se refletem nos Espíritos que as causam?

O Espírito é sensível à lembrança e às saudades dos que lhe eram caros na Terra, mas uma dor incessante e desarrazoada o toca penosamente, porque, nesta dor excessiva, ele vê falta de fé no futuro e de confiança em Deus e, por conseguinte, um obstáculo ao adiantamento dos que o choram e talvez à sua reunião com estes (KARDEC, 2022, p. 338).

A ressignificação da perda, quando transformamos a dor em força, é também uma forma de processarmos o luto de maneira positiva. Podemos deixar de focar naquilo que perdemos e começarmos a olhar em direção aos nossos próprios potenciais e utilizá-los em prol do outro, encontrando novo sentido para a vida. Um exemplo dessa elaboração é a do cantor e compositor Eric Clapton, que, ao perder seu filho de 4 anos, trabalhou seu luto e compôs o maior sucesso de sua carreira: “Tears in heaven”. Quando aceitamos a separação do nosso ser amado (último estágio do luto), que pela fé Espírita se faz momentânea, tudo se torna mais leve. Aceitar a morte não significa desistir da vida, mas com a aceitação há um amadurecimento na confiança. Não há luta, mas uma abertura; todas as nossas resistências são abandonadas (CARVALHO, 2014, p. 66-68).

Ao acreditarmos em Deus e na sua infinita sabedoria ficamos mais resignados diante da vontade Dele, sem nos revoltarmos ou enraivecermos perante os fatos. Cada um terá sua hora de desencarnar e ao aceitarmos e nos prepararmos para isso, o momento do desenlace será mais fácil e menos sofrido, tanto para os que vão como para os que ficam.

“À proporção que o homem compreende melhor a vida futura, o temor da morte diminui; uma vez esclarecida a sua missão terrena, aguarda-lhe o fim calmo, resignado e serenamente” (KARDEC, 2013, p.19, capítulo II, item 3).

Fonte: Letra Espírita

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Referências

  • CARVALHO, Tânia Fernandes de. Deixe-me Partir. 1.ed. São Paulo: Petit, 2014.
  • KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, tradução de Guillon Ribeiro. 2022. Campos dos Goytacazes: Editora Letra Espírita.
  • KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. 61. ed. Brasília: FEB, 2013.
  • KÜBLER-ROSS, Elisabeth. Sobre a Morte e o Morrer. 7.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
  • VIORST, Judith. Perdas necessárias. 28. ed. São Paulo: Melhoramentos Ltda,  2004.
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Pode Acreditar

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Falará você na bondade a todo instante, mas, se não for bom, isso será inútil para a sua felicidade.

Sua mão escreverá belas páginas, atendendo a inspiração superior; no entanto, se você não estampar a beleza delas em seu espírito, não passará de estafeta sem inteligência.

Lerá maravilhosos livros, com emoção e lágrimas; todavia, se não aplicar o que você leu, será tão-somente um péssimo registrador.

Cultivará convicções sinceras, em matéria de fé; entretanto, se essas convicções não servirem à sua renovação para o bem, sua mente estará resumida a um cabide de máximas religiosas.

Sua capacidade de orientar disciplinará muita gente, melhorando personalidades; contudo, se você não se disciplinar, a Lei o defrontará com o mesmo rigor com que ela se utiliza de você para aprimorar os outros.

Você conhecerá perfeitamente as lições para o caminho e passará, ante os olhos mortais do mundo, à galeria dos heróis e dos santos; mas, se não praticar os bons ensinamentos que conhece, perante as Leis Divinas recomeçará sempre o seu trabalho e cada vez mais dificilmente.

Você chamará a Jesus: Mestre e Senhor… se não quiser, porém, aprender a servir com Ele, suas palavras soarão sem qualquer sentido.

André Luiz/Chico Xavier,
do livro Agenda Cristã

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Os Efeitos da Prece e o Modelo Médico-Espírita

Jorge Cecílio Daher Júnior

A prece

                   “A par da medicação ordinária, elaborada pela Ciência, o magnetismo nos dá                  a conhecer o poder da ação fluídica e o Espiritismo nos revela outra força poderosa na mediunidade curadora e a influência da prece.”

(O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVIII, item 77, p. 430, edição eletrônica da Federação Espírita Brasileira.)

“Sabeis o que é a prece?

É uma irradiação protetora que nasce do coração amoroso, sobe até Deus em súplicas veementes e desce em benefícios até ao ser por quem se pede, ou a quem se deseja proteger. É um frêmito de amor sublime que se expande, toca o Infinito, transfunde-se em bênçãos, ornamenta-se de virtudes celestes e derrama-se em eflúvios sobre aquele que sofre. A prece é o amor que beija o sofrimento e o consola, é a caridade que envolve o infortúnio e reanima o sofredor, retemperando-lhe as energias.” (1)

Pesquisas de opinião, realizadas nos Estados Unidos, indicam que cerca de 77% da população americana internada em hospitais, desejariam que seus médicos lhes oferecessem alguma espécie de assistência espiritual (2). A própria comunidade médica se mobiliza, naquele país, questionando se não deveriam os médicos prescrever alguma forma de religiosidade como complemento terapêutico, (3) e já se contam em trinta o número de Universidades que oferecem formação em Medicina e Espiritualidade (4).

Artigo médico publicado em revista especializada estudou os efeitos da prece em pacientes com doença coronariana que estavam ainda internados em Unidade Intensiva, estruturado em metodologia de pesquisa aceito como válido pelos critérios tidos como cientificamente adequados, e mostrou algumas evidências que, apesar de receberem o rótulo de estatisticamente não significativas, alertaram para resultados que a metodologia estatística não teve capacidade de percepção, requerendo um modelo de análise mais amplo (5): dos pacientes que receberam preces (número de 192), a necessidade de usar antibióticos ocorreu em apenas três, contra dezesseis pacientes do grupo que não recebeu preces (número de 201); edema pulmonar foi complicação em 6 pacientes do grupo que recebeu preces, contra 18 pacientes do grupo que não recebeu preces e a morte ocorreu em 13 pacientes que receberam preces, contra 17 entre os que não receberam preces.

A necessidade de atender aos anseios dos homens situou a Medicina ante o desafio de estudar mais profundamente os mecanismos de ação desse instrumento maravilhoso que Deus nos colocou em mãos, vislumbrado como o mais eficaz instrumento de cura pelo Espírito Mesmer, em mensagem publicada por Allan Kardec na Revista Espírita, em janeiro de 1864. Na mensagem, ao analisar os dois tipos conhecidos de magnetismo, o animal e o espiritual, o precursor do Hipnotismo relata: “Um outro gênero de magnetismo, muito mais poderoso ainda, é a prece que uma alma pura e desinteressada dirige a Deus.”(6)

O Espiritismo oferece o modelo para uma metodologia de estudo eficaz (7,8) não apenas sobre os efeitos da prece, mas sobre o que a Ciência Moderna não tem olhos de ver, pois coube à Ciência Espírita criar a proposta de um modelo de compreensão do homem além do Reducionismo Biológico. Tecendo considerações sobre o corpo intermediário, relata Allan Kardec: “Tomando em consideração apenas o elemento material ponderável, a Medicina, na apreciação dos fatos, se priva de uma causa incessante de ação. Não cabe, aqui, porém, o exame desta questão. Somente faremos notar que no conhecimento do perispírto está a chave de inúmeros problemas até hoje insolúveis.”(9)

Em artigo publicado em 1977, na revista Science, o psiquiatra americano George Engels propõe que o homem deve ser compreendido de modo mais amplo que o oferecido pelo estudo dos mecanismos biológicos, descrevendo o que ele chamaria de Modelo Bio-Psico-Social, tendo aplicado esse modelo no estudo da esquizofrenia (10). Aceito amplamente, o modelo proposto por Engels ainda não encontrou plena aplicação pela Medicina, o que não impediu que fosse ampliado por Sulmasy (11), que considera que o estudo do homem deve incluir o elemento espiritual, chamando esse modelo de Bio-Psico-Sócio-Espiritual e propondo sua aplicação ao estudo de doenças crônicas, e morte.

O que podemos chamar de Modelo Médico-Espírita é mais amplo que o modelo de Sulmasy, e foi delineado por Kardec em toda a Codificação e por André Luiz, na série “A Vida no Mundo Espiritual”, publicada pela FEB. A consideração do corpo intermediário, a comunicação dos desencarnados e sua interferência sobre a matéria, incluindo a matéria orgânica, a Lei dos Fluidos e a consideração lúcida e biológica das Leis Naturais, incluindo a reencarnação, fazem parte desse Modelo, que vislumbramos como o foco de luz distante a consolar a Ciência Moderna, presa em dilema que não consegue compreender, adotando postura de negação ou indiferença.

Jorge Cecílio Daher Júnior (GO)

Instituto de Intercâmbio do Pensamento Espírita de Pernambuco (IPEPE)

http://www.ipepe.com.br/indexp.html

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

1 PEREIRA, Yvonne A. O Cavaleiro de Numiers, pelo Espírito Charles, 1. ed. especial. Rio de Janeiro: FEB, 2003, cap. 3, p. 165.

2 KING DE, Bushwick B. Beliefs and attitudes of hospital inpatients about faith healing and prayer . J Fam Pract 1994; 39:349-352.

3 SLOMSKI AJ. Should doctors prescribe religion? Med Econ 2000; 77:145-159.

4 LEVIN JS, LARSON DB, PUCHALSKI CM. Religion and spirituality in medicine: research and education . JAMA 1997; 278:792-793.

5 BYRD, R. C. “Positive Therapeutic Effects of Intercessory Prayer in a Coronary Care Unity Population”, Southern Medical Journal , 81, 7 (1988): 826-9.

6 KARDEC, Allan. Revista Espírita, janeiro de 1864, Edicel, p. 7.

7 CHIBENI, S. S. Reformador de maio de 1984, “Espiritismo e ciência”, p. 144-147 e 157-159.

______. Reformador de novembro de 1988 , “A excelência metodológica do Espiritismo”, p. 328-333, e dezembro de 1988, p. 373-378.

______. Revista Internacional de Espiritismo, “Ciência espírita”, março de 1991, p. 45-52.

______. Reformador de junho de 1994, “O paradigma espírita”, p. 176-180.

8 LOEFFLER, C. F. Fundamentação da Ciência Espírita 2003 . Editora Lachâtre, Niterói-RJ.

9 KARDEC, Allan, O Livro dos Médiuns , 72. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004, Segunda Parte, cap. I, item 54, p. 78.

10 ENGEL, G. L. (1977). “The need for a new medicals model: A challenge for biomedicine”. Science , 196 (4286) 129-136

11 SULMASY, D. P. (2002) “A Biopsychosocial-Spiritual Model for the Care of patients at the End of Life”. The Gerontologist , vol. 42, special issue III, 24-33.

Fonte: Espiritualidade e Sociedade

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Educação é bom e também fundamental

Queridos amigos e amigas, já repararam como reclamamos constantemente do comportamento das outras pessoas? Entretanto, convém analisar até onde o nosso limite de paciência pode nos levar a tratar os outros com aspereza e, pior, com modos ofensivos. Quantas pessoas destacam o mau comportamento dos outros e não cuidam do seu próprio? Não é o nosso objetivo julgar ninguém. Afinal, estamos todos no mesmo patamar evolutivo no planeta Terra, literalmente “no mesmo barco”.

Evoluir é condição inexorável, por isso precisamos, acima de tudo, ter indulgência em relação ao nosso semelhante. E como agir quando somos defrontados com uma malcriação daquelas? Não tem outra forma: o caminho é compreender ou pelo menos tentar. Não julgar e ponderar. Se a pessoa age daquela forma é porque lhe faltou educação. Não criticar nem lhe desejar algum tipo de punição já é um bom caminho.

Por outro lado, devemos agradecer por termos recebido educação de nossos pais, avós e mestres ao longo da vida. Nem todos tiveram a mesma oportunidade. Portanto, nosso dever é respeitar a limitação do outro, em se tratando de cortesia e bons modos. Uma reflexão que nos ajuda a errar menos nesse ponto é nos perguntarmos: se caso tivéssemos a mesma história de vida do mal-educado, provavelmente, não seríamos até pior?

Quem trata o semelhante com aspereza, seja quem for, demonstra uma falta de consciência da própria vida. Somos seres sociais. Assim, fatalmente, interagimos com os nossos semelhantes em todas as ocasiões. Temos de despertar para essa realidade e não menosprezar o outro em momento algum, por mais irritados que estejamos diante de um fato ou situação.

Sabemos que não faltam justificativas para nos chatearmos durante um dia normal. É o trânsito, são os veículos de transporte coletivos lotados, as cobranças normais de trabalho, os problemas familiares, entre tantas situações que nos deixam sobrecarregados. Apesar disso, nada justifica investir contra alguém aos berros, com sarcasmo ou aspereza. Nada mesmo!

Desastre ainda maior se dá quando nos valemos da condição frágil de alguém, por exemplo, um subalterno ou um atendente à frente de qualquer prestação de serviço, para descarregar nossa ira. Se nos situamos no rol das pessoas de “pavio curto”, não adiemos o processo de educação da alma, nesse sentido. Falar desse tema, ou seja, da falta de educação das pessoas, é sempre delicado, visto que não contamos com muitos exemplos positivos nesse sentido.

Para aliviar a tensão gerada com a abordagem direta do assunto em pauta, vou contar uma historieta bem-humorada que ilustra bem o que estamos falando:

O médico conversava descontraído com o enfermeiro e o motorista da ambulância quando uma senhora elegante chega e, de forma ríspida, pergunta:

– Vocês sabem onde está o médico do hospital?

Com tranquilidade, o médico responde:

– Boa tarde, senhora! Em que posso ser útil?

Impaciente, a mulher indaga:

– Será que o senhor é surdo? Não ouviu que estou procurando pelo médico?

Mantendo-se calmo, contesta ele:

– Senhora, o médico sou eu. Em que posso ajudá-la?

– Como?! O senhor? Com esta roupa? Oh! Desculpe, doutor! Boa tarde! É que… vestido assim, o senhor nem parece um médico…

– Veja bem as coisas como são… – disse o médico. – As vestes parecem não dizer muita coisa mesmo… Quando a vi chegando, tão bem-vestida, tão elegante, pensei que a senhora fosse sorrir educadamente para todos e depois daria um simpaticíssimo “Boa tarde!” Percebemos assim que nada justifica tratarmos mal as outras pessoas, mesmo quando estamos diante de uma situação urgentíssima! Essa lição vem ao encontro da máxima de Jesus: faça ao próximo o que gostaria que fizessem por você. Nesse sentido, também não devemos fazer ao próximo o que não queremos que nos façam.

Fonte: Redação da Folha Espírita – Set/2023

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Fenômeno psicológico da dependência

Ricardo Gandra Di Bernardi

Somos Espíritos encarnados, trazemos em nosso inconsciente grande manancial de energias construídas ao longo dos milênios, isto é, de inúmeras reencarnações. Nossas mentes produzem ondas, geram campos de força e tem facilidade de sintonizar com outras mentes que vibram na mesma faixa que a nossa, mas, quanto maior a fragilidade ou imaturidade espiritual mais buscamos, instintivamente, apoio em outras mentes.

São sobejamente conhecidos os sintomas e comportamentos das pessoas que se acham dependentes de substâncias químicas e podemos fazer uma analogia com a dependência psíquica. Indivíduos, encarnados ou desencarnados, quando apresentam desequilíbrios vibratórios decorrentes de mente enferma ou debilitada, podem se tornar dependentes de outras pessoas ou até mesmo de ambientes, esses Espíritos encontram-se em dependência psíquica.

O dependente químico tem sintomas iniciais de euforia e aparente bem-estar, mas, com o tempo, os malefícios começam a aparecer e cresce a dependência ao produto ou droga. Na fase de viciação, há diversos prejuízos, também para as pessoas de convivência diária, pois a ausência da substância química desenvolve comportamentos de agressividade, agitação e outros, ocasionando sérios problemas no meio familiar e social que convivem.

A dependência mental, como fragilidade espiritual, segue o mesmo raciocínio da dependência química. Conversas picantes, anedotas chulas e atitudes depreciativas tidas como divertidas, quando relacionadas a determinados grupos, etnias, lugares ou tipos de pessoas, são exemplos que poderão trazer sensações de prazer mórbido, e a repetição dessa conduta, determina uma dependência mental e viciação à padrões de pensamento de baixo teor vibratório.

Há uma sintonia do indivíduo com Espíritos desencarnados que se comprazem com futilidades, além do indivíduo sintonizar com ondas mentais de pessoas encarnadas que irradiam pensamentos do mesmo padrão.  À medida que o Espírito (encarnado ou desencarnado) sintoniza com mentes desse jaez, passa a se alimentar de energia vital ou outras formas de energia provindas de mentes enfermas e, tal qual um dependente químico, passa a sentir falta da “alimentação” que o “nutre”. Sente-se carente da presença ou convívio de outras mentes enfermas com características semelhantes; já está, agora, na fase de dependência psíquica e se for afastado ou impedido do convívio com seus semelhantes – por orientação terapêutica ou espiritual -, pode apresentar agitação e agressividade exigindo cuidados especiais. Assim, observa-se que os sinais e sintomas do dependente psíquico, ao se ver privado de sua fonte de energias enfermas, se assemelham muito aos do dependente químico.

Existe, também, a dependência mental a uma pessoa, um líder por exemplo. O indivíduo sente um desejo incontido de estar próximo daquela pessoa, ser tocado, ouvir sem analisar, enfim, torna-se emocional e irracionalmente preso. Há inúmeras modalidades de dependência psíquica, por exemplo, necessidade exacerbada de fazer compras, prender-se a seriados na TV, internet, telefone celular, estádios de futebol, bares e outras, desde que essas atividades impeçam a pessoa de tornar-se mais produtiva, ampliando seus conhecimentos e valores da alma.

Quando esse tipo de distúrbio não é diagnosticado e tratado corretamente, o Espírito ao desencarnar leva consigo essa dependência e permanece atraído aos locais, atividades e pessoas às quais se encontra preso psiquicamente.

A leitura de bons livros, música elevada, filmes e documentários que tragam conhecimentos e estímulos aos bons princípios da ética são atividades que nos afastam das dependências psíquicas prejudiciais ao nosso Espírito. Buscarmos ambientes de harmonia e conversas saudáveis criam uma psicosfera favorável ao equilíbrio e refletem em nós a vontade do crescimento espiritual.

São preferências, desejos e vontades que determinam o tipo de energia que geramos e, principalmente, absorveremos e sentiremos falta quando estivermos privados dela. Vibremos no amor, alegria, tranquilidade, paz, estudo e trabalho que a atmosfera mental de nossos Espírito se enriquecerá com convivências construtivas, sem dependências psíquicas. 

Todo costume, mesmo sendo elevado e construtivo deve libertar com responsabilidade e nunca prender.

Bibliografia PALMEIRA, José A. M./ BORTOLETTO, Ivaneide/ PESCHEBÉA, Marisa. A Dança das Energias, Cap. 3, 3ª Edição, Curitiba, Ed. Centro Espírita Luz e Caridade, 2016.

KARDEC, Allan. O Livro dos médiuns. Tradução de Herculano Pires São Paulo, Ed. LAKE, 1973.

XAVIER, Francisco Cândido/Espírito André Luiz.  Mecanismos da mediunidade. 8. Ed. Rio de Janeiro, FEB, 1959.  Evolução em dois mundos. 9. Ed. Rio de Janeiro, FEB, 1959.

Dr. Ricardo di Bernardi é fundador de ex-presidente da AME Santa Catarina, médico e conferencista espírita internacional.

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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LEVANTAR E SEGUIR

Emmanuel

“E passando, viu Levi, filho de Alpheu e disse-lhe:

– Segue-me. E, levantando-se, o seguiu.”

Marcos: -2 – 14

É interessante notar que por todos os recantos onde Jesus deixou o sinal de sua passagem, houve sempre grande movimentação no que se refere ao ato de levantar e seguir.

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André e Tiago deixam as redes para acompanhar o Salvador.

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Mateus levanta-se para segui-Lo.

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Os paralíticos que retomam a saúde se erguem e andam.

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Lázaro atende-Lhe ao chamamento e levanta-se do sepulcro.

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Em dolorosas peregrinações e profundos esforços de vontade, Paulo de Tarso, procura seguir o Mestre Divino, entre açoites e sofrimentos, depois de se haver levantado às portas de Damasco.

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Numerosos discípulos do Evangelho, nos tempos apostólicos, acordaram de sua noite de ilusões terrestres, ergueram-se para o serviço da redenção e demandaram os testemunhos santificados no trabalho e no sacrifício.

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Isso constitui um acervo de lições muito claras ao espírito religioso dos últimos tempos.

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A maioria dos cristãos vai adaptando, em quase todos os seus trabalhos, a lei do menor esforço.

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Muitos esperam pela visita pessoal de Jesus, no conforto das poltronas acolhedoras, outros fazem preces por intermédio dos discos.

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Há os que desejam comprar a tranquilidade celestial com as espórtulas generosas, como também os que sem nenhum trabalho, em si próprios, aguardam por intervenções sobrenaturais dos Mensageiros de Cristo pelo bem estar de sua vida.

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Pergunta a ti mesmo se estás seguindo a Jesus ou apenas ao culto externo do teu modo de filiação ao Evangelho.

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Isso é muito importante, porque levantar e renovar-se ainda é o nosso lema.

(Do Livro Levantar e Seguir, Emmanuel/Chico Xavier)

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Reencarnação de suicidas

Dra Giselle Fachetti

O processo reencarnatório é sempre complexo e fruto de minucioso planejamento. Ao tomarmos conhecimento do nascimento de um novo habitante da superfície terrestre devemos ter a consciência do enorme esforço engendrado não só no plano material, mas também no invisível, para que esse “milagre” seja uma realidade.

As crianças nos demonstram concretamente a confiança de Deus nos seres humanos. Elas são a prova da misericórdia Divina que nos resgata incansavelmente das trevas e suplícios em que nos afogamos repetida e propositadamente.

E, essa mesma misericórdia é a fonte que nos ilumina com a luz morna do dia, que nos invade os olhos infantis curiosos, quando os abrimos pela primeira vez no mundo físico.

pastor

Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.

Salmos 23:4

Apesar de um longo e penoso trânsito pela erraticidade os espíritos vítimas de si mesmos, geralmente, não têm condições de presidir a construção de um corpo físico saudável durante seu processo reencarnatório.

A disposição integral dos recursos intelectuais e físicos, amealhados preteritamente por aqueles filhos de Deus, pode ser necessária ao completo êxito de sua missão terrena. Por isso, a espiritualidade responsável por esses pacientes se empenha no tratamento das suas mazelas, através da medicina astral, mesmo quando são frutos da imprudência e do orgulho.

Assim, eles poderão chegar um pouco melhores à terra, e então, terão, por sua vez, a magnífica oportunidade de retribuir ao Criador tamanha benção, colaborando com seus contemporâneos em seu progresso como cidadãos.

Uma das causas mais frequentes de debilidade e deformidade do corpo espiritual é a desagregação energética induzida pelo auto-extermínio. As lesões do corpo espiritual são ainda mais severas do que aquelas que desvitalizaram o corpo físico. Não atingem apenas o sistema mental do desencarnado, toda a complexa estrutura perispiritual é comprometida.

Sua delica da tessitura é impregnada pelas energias deletérias que causaram, primariamente, o auto-extermínio e por aquelas que se originaram dele. Os componentes unitários do tormento com que se deparam os suicidas são: Dores intensas, de teor moral e físico, acrescidas do desespero de se encontrar vivo após a morte, revolvidas com o cimento da culpa.

suicida

Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.

Mateus 25:30

E sentindo-se servos inúteis reconhecem a justiça de seu tormento imediatamente após o desenlace traumático do corpo físico. Entretanto, a falta de equilíbrio que os caracterizou em vida, os persegue no além túmulo. Crises subintrantes de arrependimento e desespero se sucedem, como se fossem continuar indefinidamente.

Não dispõem de recursos íntimos para atenuarem esse estado de dentro para fora. A prece é impronunciável para eles, sem que entendam o porquê dessa afasia seletiva. É, na realidade, a autopunição que se segue à culpa demolidora.

Querem, e cultivam a dor por ilusão da purificação. Assim o fizeram por milênios e, assim, se conduzem quase que reflexamente.

Interromper esse processo depende de uma fagulha de esperança em seus corações petrificados. Fagulha insignificante, mas perceptível aos benfeitores do além, que nesse momento crítico, de olhar hesitante e frágil voltado para os céus, os acodem e recolhem às instituições caridosas do invisível.

Esse é apenas o primeiro passo em direção a reencarnação libertadora e reconstrutora. Muitos serão necessários.

Os abnegados servidores do cristo que os acolheram, oferecem a eles os medicamentos espirituais mais avançados. Todos eles repletos de um princípio ativo que se habituaram a negligenciar em suas numerosas existências físicas pregressas.

rosto-sereno-de-jesus

É o amor temperado com energias de diferentes ordens, mas também sublimes e retificadoras em sua essência.

Os amigos encarnados atuam expressivamente nesse processo, fornecendo a matéria mais densa para que os cirurgiões do espaço refaçam a delicada anatomia do corpo astral desses pobres desvalidos.

Suturas, drenagens, condutoplastias, inúmeros procedimentos são executados para a melhor recuperação possível de pacientes tão especiais.

Uma vez que se encontrem anatomicamente recuperados (relativamente) serão guiados aos estudos. Não é um processo rápido. A formação de que necessitam é longa, didática e transformadora.

Nas aterradoras crises de confiança são restabelecidos pela doação de energia salutar dos seus colegas em melhores condições.

Começam a se doar uns aos outros, aos próximos bem próximos. Em um momento socorrem e no seguinte são socorridos. Estão ainda em uma montanha russa íntima. No seu ápice acumulam forças para enfrentarem os vales.

Aos poucos estudam suas existências anteriores e os motivos que os levaram ao desespero. Isso é oferecido a eles de uma forma tal que possam se distanciar o suficiente para que entendam e relembrem da dor, sem serem cegados e confundidos por ela.

Com esse método podem identificar mecanismos de defesa impróprios e padrões de comportamento com tendência à recorrência.

Quando conseguem elaborar, ou melhor, metabolizar seu passado são transferidos às escolas gerais. Necessitam do convívio com todos os outros espíritos. Nesta fase já podem ajudar necessitados de outros matizes.

Trabalham em funções diversas, sempre iniciando pelas mais simples. São felizes por terem a oportunidade de realizar pequenas obras. Não são cobrados para erigirem grandes monumentos, pois para muitos deles o orgulho e o poder foram a passarela condutora à derrocada.

trabalho no mundo espiritual

Décadas eles despendem nessas escolas, e o tempo todo, são ajudados, escorados, impulsionados pelo amor dos benfeitores espirituais. Muitos são pais, mães, filhos de outras épocas.

A maioria, entretanto, são os seus inimigos do passado, já refeitos dos vícios morais mais limitantes, que hoje agradecem a possibilidade de resgatarem seus débitos cármicos no trabalho junto aos, transitoriamente, mais frágeis.

Ao mesmo tempo em que se recuperam auxiliam no progresso de seus educadores.

O treinamento prossegue, posteriormente, em frentes de trabalho mais densas e perigosas, verdadeiros testes de fidelidade em relação aos exércitos do Cristo. Aprendem a amar o diferente, o ignorante e o demente. Vêem nestes irmãos o reflexo de seu passado recente.

A última fase preparatória para a reencarnação dos antigos suicidas é a elaboração do projeto reencarnatório. Por mais que tenham obtido algum grau de recuperação da anatomia de seu corpo espiritual, as lesões que a essa estrutura foram impostas pela auto-agressão ainda serão máculas indeléveis no plano espiritual.

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Mesmo que sejam imperceptíveis aos olhos dos próprios portadores elas carrearão, necessariamente, ao corpo físico as mensagens de alerta de um passado que não deve ser revivido.

Serão limitações congênitas de graus variáveis, doenças crônicas severas com crises intermitentes e curtos períodos de acalmia. Insuficiências orgânicas diversas e possivelmente múltiplas.

Essas doenças graves os açoitarão, na vida física, relembrando-os dos compromissos assumidos e, também, cumprindo o papel de verdadeiros exaustores biológicos na drenagem das energias perniciosas e densas de uma qualidade tal que apenas podem ser expurgadas no trânsito pela matéria.

O amor vivido em sua plenitude os livrará das dores inúteis. Aquelas necessárias foram discutidas durante a sua preparação pré-encarnatória e devem ser vividas resignadamente, mesmo quando extremamente dolorosas. A luta pela vida é o exercício diário necessário para que desenvolvam os meios de evitarem novas quedas.

Os amigos espirituais os acompanharão em toda a sua existência física, oferecerão o suporte e consolo diante das suas fraquezas. E a cada obstáculo que venham a superar, mais fortes se encontrarão.

Não mais suicidas serão, mas, ex-suicidas, dispostos ao trabalho retificador em prol do seu próprio progresso. Serão, também, luzes nos rodapés dos longos e tortuosos corredores da existência infeliz de seus semelhantes, daqueles ainda cegos à luz redentora do Cristo.

Giselle Fachetti Machado

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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O que é Felicidade?

Se questionarmos um grupo de pessoas acerca do que significa ser feliz, obteremos respostas as mais diversas.

Alguns dirão que ser feliz significa ter uma vida confortável, sem preocupações financeiras. Outros dirão que a presença dos familiares e amigos já é suficiente para nos trazer felicidade.

Outros, ainda, poderão dizer que ser feliz é encontrar um grande amor, alguém com quem possa dividir os momentos de alegria e os de tristeza. E outros mais dirão que uma saúde perfeita é o que basta para a felicidade.

Outras respostas poderíamos enumerar, sem podermos afirmar qual delas é a mais correta ou a menos errada, pois que não há uma resposta em definitivo.

O Evangelho segundo o Espiritismo, em seu capítulo quinto, nos apresenta a máxima A felicidade não é deste mundo.

Alguns poderiam pensar que tal ensinamento é uma barreira às esperanças que todos temos de encontrar a felicidade verdadeira. Porém, não é esse o propósito da sentença.

Essa verdade traz luz à grande diferença que há entre buscar uma felicidade, por vezes, utópica e ser feliz de verdade.

Há tantos que depositam suas esperanças de felicidade nas ilusões que o dinheiro e as posses materiais podem oferecer.

Passam a vida trabalhando para conquistar um império financeiro e mal percebem o quanto são escravos.

De repente, quando se dão conta, os filhos já cresceram, os pais já partiram, as amizades já se desfizeram e, nesse momento, nem toda a riqueza acumulada é suficiente para lhes trazer a tão sonhada felicidade.

Esquecem-se de que muitas pessoas são verdadeiramente felizes morando em casas singelas, com vidas financeiras limitadas.

A felicidade, portanto, não pode estar nos bens materiais.

Há outros que buscam a felicidade em um grande amor: Quando eu encontrar aquela pessoa especial, serei feliz, dizem eles.

Mas quantas pessoas têm um companheiro ou companheira ao lado e não são felizes? E quantos mais há que, mesmo estando solteiros, possuem sempre uma alegria nos olhos?

Assim, a felicidade não pode estar no outro.

Então, onde encontrar a felicidade? Como ser feliz?

A máxima do Evangelho nos ensina que a felicidade verdadeira é uma conquista do Espírito, pois que todos nós fomos criados para a felicidade eterna.

Tudo o que necessitamos para sermos felizes está em nossos corações.

*   *   *

Se hoje você se decidir por ser feliz, não há nada que possa impedi-lo, a não ser você mesmo.

Então não deixe para amanhã: brinque, sorria, valorize as coisas simples. Acompanhe o crescimento dos filhos, abrace, aperte a mão de quem lhe quer bem.

Não guarde mágoas e deixe no passado qualquer sentimento de culpa. Não se entregue à autopiedade.

Seja otimista. Vibre com as conquistas. Valorize o presente. Planeje o futuro.

Organize-se. Reserve um tempo para você. Reserve um tempo para a família. Reserve um tempo para obras sociais.

E lembre-se: Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

Redação do Momento Espírita, com base no item 20, do cap. V, do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb.

Fonte: kardecriopreto

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O Iluminismo e o Espiritismo

O período histórico que corresponde à morte de Luiz XIV e o início da Revolução Francesa é considerado pelos historiadores franceses como o surgimento do movimento cultural chamado de Iluminismo e o seu desdobramento com o Enciclopedismo.

Os pensadores, influenciados pelo renascimento e a revolução científica do século XVII, promoveram uma transformação cultural que mudaria os rumos da história da Europa e de todas as suas colônias pelos diferentes continentes do mundo da época.

Esse movimento cultural teve um papel fundamental para o advento do Espiritismo no século XIX, pois criou as condições favoráveis para que novas ideias passassem a ser aceitas, já que criaram um terreno de conhecimento que seria o alicerce de novas formas de pensamento.

A cultura medieval ainda dominava a sociedade europeia, determinando a divisão social em três estamentos diferentes, nobreza, clero e camponeses. Da mesma forma que cerceava o acesso ao conhecimento apenas aos elementos da nobreza e do alto clero.

Desde a época das cruzadas e das caravanas de comércio, a burguesia italiana tornou-se um novo segmento social, realizando atividades comerciais entre o Oriente Médio e as cidades medievais no centro e norte da Europa, pelas famosas feiras medievais nas rotas comerciais terrestres.

Este acontecimento não apenas propagou o comércio das especiarias orientais, mas também a cultura e o mercado de obras de arte e artigos de luxo. O estímulo comercial era a mola mestra para uma mudança na estrutura da sociedade, onde apenas os nobres e o clero faziam a manutenção do sistema, com o objetivo de garantir um controle político e econômico.

A revolução científica do século XVII foi um desdobramento das descobertas dos pensadores europeus desde o início da Idade Moderna. Giordano Bruno, Galileu Galilei e Johannes Kepler, importantes personagens no campo das ciências, foram os responsáveis pelo surgimento de novas ideias, entre elas a teoria heliocêntrica que se opunha à teoria geocêntrica, elaborada pelo astrônomo grego Ptolomeu desde o início da cristandade.

O advento dessas descobertas mudou o foco dos pensadores, já que no século XVIII buscavam entender melhor os fenômenos da natureza com base em um conhecimento científico, dando maior autonomia e liberdade à ciência, em relação aos argumentos conservadores da religião. O pensamento científico vai substituindo as antigas teorias medievais, como a formação do Universo, adotada pela cristandade.

As grandes descobertas náuticas e as invenções científicas estavam rompendo velhos paradigmas e crenças que a Igreja insistia em manter desde a Idade Média. Esse processo não se deu de uma hora para outra, teve início com o movimento de expansão marítima atlântica e se estendeu até a revolução científica do século XVII e, a partir desse momento, o homem se tornou o centro do universo; era o início do antropocentrismo.

Na primeira metade do século XVIII, pensadores e cientistas europeus procuraram elaborar um movimento cultural, inspirado no Renascimento e na revolução científica do séc. XVII, que rompesse a estrutura socioeconômica e política tradicional da sociedade marcada pelo Absolutismo, que surgiu na França no século XVI após a crise do feudalismo.

Os iluministas eram humanistas e tinham consciência de que, para o movimento cultural surtir efeito, teria de ser de livre acesso a todas as pessoas. Também se fazia necessário que o conhecimento fosse compartilhado, fosse de livre acesso e como consequência surgiu o Enciclopedismo. Um desdobramento do Iluminismo, que era uma forma de se transmitir conhecimento dando valor sobre o saber como um meio necessário para alcançar a luz da razão, um canal para atingir o conhecimento certo, através da leitura e consulta de livros.

Uma vez que todos esses acontecimentos ocorreram, os desdobramentos começaram a surtir efeito, não apenas com a Revolução Francesa, mas com a queda do Antigo Regime, o Absolutismo.

Meio século mais tarde, o professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, que foi um influente educador, autor e tradutor francês, conheceu o fenômeno das mesas girantes em um salão parisiense. As ideias que ele organizou eram muito visionárias para a mentalidade da época, sendo necessário uma fundamentação filosófica que permitisse uma nova forma de argumentação científica. Acabou adotando o pseudônimo de Allan Kardec, que. segundo ele, foi uma das suas encarnações na Gália, quando foi um sacerdote druida.

Kardec já vivia em uma sociedade completamente diferente, na qual existia uma relativa liberdade de expressão de pensamento, comparada com o século anterior. Este fato se torna favorável para a pesquisa de fenômenos considerados sobrenaturais, assim como, por intermédio de reuniões de fenômenos mediúnicos, buscar respostas para os acontecimentos espirituais.

Através de perguntas e respostas organizou seu primeiro livro, intitulado O Livro dos Espíritos, lançando sua primeira edição em 18 de abril de 1957 com 501 perguntas e a segunda edição em 18 de março de 1860, edição essa que conhecemos atualmente, com 1.019 perguntas.

Kardec encontrou uma sociedade mais receptiva, pois além dele existiam outros pesquisadores e cientistas que se interessavam pelos fenômenos de paranormalidade. O Iluminismo abriu campo de conhecimento para que a codificação espírita tivesse uma boa aceitação pela sociedade francesa, pois existiam informações que davam a Kardec a credibilidade, uma vez que ele era um homem erudito, educador e conhecido na França como uma pessoa idônea. Esses fatores foram primordiais para Kardec realizar a codificação e o lançamento das suas obras.

Eder Andrade

Referências:

1) Doyle, Arthur Ignatius Conan; A História do Espiritualismo; FEB.

2) Xavier, Francisco Cândido. Emmanuel, A Caminho da Luz; FEB.

3) Wikipédia (A Enciclopédia Livre).

Fonte: Espiritismo na Rede

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Entendendo o Perispírito

Marisa Fonte

284 – Como podem os Espíritos, não tendo corpo, comprovar suas individualidades e distinguir-se dos outros seres espirituais que os rodeiam? Comprovam suas individualidades pelo perispírito, que os torna distinguíveis uns dos outros, como faz o corpo entre os homens (KARDEC, 2022, p. 147).

Perispírito é o corpo fluídico – ou corpo espiritual – que envolve o Espírito e liga o corpo fluídico e o corpo físico. Uma boa comparação seria pensarmos em um ovo cozido, onde o corpo físico seria a casca, o perispírito, a clara, e o corpo espiritual, a gema.

Podemos definir o perispírito como um corpo intermediário entre a matéria densa do corpo físico e matéria sutil, que é o Espírito.

O nome perispírito foi dado por Kardec com base na membrana que envolve a semente de um fruto, sendo a semente o Espírito e a membrana, o seu envoltório fluídico protetor.

Segundo nos ensina Kardec, assim que ocorre a fecundação do óvulo pelo espermatozóide, o perispírito se une ao ser humano. Conforme o corpo vai se desenvolvendo, o perispírito se desenvolve também e o ser adquire as características que foram definidas antes da encarnação. Tais características corresponderão àquelas presentes nos mundos nos quais o Espírito venha a reencarnar.

O perispírito é ligado ao corpo por laços fluídicos, e estes laços são desfeitos quando ocorre a desencarnação. É a isso que se refere a expressão desligamento dos laços, que comumente ouvimos.

Durante o nosso sono físico pode ocorrer que o Espírito se afaste do corpo físico, ficando livre para fazer as chamadas viagens astrais, também conhecidas como desdobramentos conscientes.

O perispírito fica unido ao corpo físico até que a pessoa desencarne. Após a desencarnação, o perispírito fica ligado ao Espírito, que continua apresentando as características visuais pelas quais foi conhecido na sua última encarnação.

É interessante notar que as sensações que vão do corpo físico para o Espírito passam através do perispírito. Na maior parte das vezes, as doenças se manifestam primeiramente no perispírito e posteriormente no corpo físico.

Dentre outras funções, o perispírito:

– Sustenta o corpo espiritual, pois é responsável por manter a sua estrutura;

– Capta as energias do Mundo Espiritual, transmite-as ao corpo físico, e vice-versa.

– Registra as informações que o Espírito recebe durante toda a sua existência. Tais informações, que compreendem pensamentos, lembranças, emoções e experiências são mantidas no perispírito, podendo ser acessadas pelo Espírito posteriormente.

– Permite a comunicação dos Espíritos com pessoas encarnadas.

– É um instrumento de evolução do Espírito, pois é ele que permite ao Espírito relacionar-se com o mundo físico, desse modo vivendo experiências e adquirindo conhecimento.

Fonte: Letra Espírita

Referências

KARDEC, Allan; O Livro dos Espíritos, tradução de Guillon Ribeiro. 2022. Campos dos Goytacazes/RJ: Editora Letra Espírita.

Federação Espírita Brasileira. Folheto: Conheça o Espiritismo. Brasília: FEB, 2015.

KARDEC, Allan. Revista Espírita: Jornal de Estudos Psicológicos. ano 1, dez. 1858. Aparições. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 5. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2014.

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