Estrutura do Corpo Espiritual em Espírito de Evolução Mediana

Ricardo Di Bernardi

Inicialmente, para que tenhamos uma visão mais clara do mecanismo da encarnação, faz-se necessário reportarmos ao estudo do corpo espiritual.

Quando as entidades espirituais se nos tornam visíveis, seja pela simples vidência mediúnica, seja pelo fenômeno de materialização ectoplasmática, observamos que elas possuem um corpo semelhante ao nosso corpo físico. No fenômeno da materialização, tão estudado pelo famoso físico inglês Willian Crookes [1] e pelo prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia, Charles Richet, os espíritos tornam-se visíveis e palpáveis a todos os presentes à sessão de estudos. São percebidos e tocados em seus corpos espirituais.

Inegável é, sem dúvida, que existem alhures, fraudes conscientes e inconscientes; no entanto a grande frequência dos fenômenos e o elevado nível cultural e ético das pessoas, seriamente envolvidas em determinados casos, atestam a sua realidade.

Embora a essência espiritual não tenha forma, pois é o princípio inteligente, os espíritos de mediana evolução, ou seja, aqueles relacionados ao nosso planeta, possuem um corpo espiritual anatomicamente definido e com uma fisiologia própria da dimensão extrafísica.

Dos planos espirituais temos notícia, por inúmeros médiuns confiáveis, como Francisco Cândido Xavier (Chico) e Divaldo Pereira Franco, da organização de comunidades sociais que os espíritos constituem, comunidades essas às vezes semelhantes às terrestres.

A energia cósmica universal ou fluido cósmico que permeia todo o universo é a matéria-prima que o comando mental dos espíritos utiliza para a construção dos objetos por eles manuseados. As primeiras informações mais detalhadas foram dadas a Kardec em O Livro dos Médiuns [2], no capítulo: “Do Laboratório do Mundo Invisível”.

O corpo dos espíritos, já mencionado pelo apóstolo Paulo e conhecido nas diferentes religiões com os mais diferentes nomes, como perispírito, corpo astral, psicossoma e outros, é também constituído de um tipo de matéria derivada do fluido cósmico universal. Assim nos informam as entidades espirituais.

O corpo espiritual apresenta-se moldável conforme as emanações mentais do espírito. Cada espírito apresenta seu perispírito com aspecto correspondente ao seu estado psíquico. A maior elevação intelecto-moral vai determinar como consequência uma sutilização do próprio corpo espiritual. Em contrapartida, os espíritos, cujas vibrações mentais são mais inferiores, determinam inconscientemente que seu corpo espiritual se apresente mais denso e obscurecido, não tendo a irradiação luminosa dos primeiros.

Conforme se tem notícia por meio de inúmeros autores espirituais, o perispírito apresenta-se estruturado por aparelhos ou sistemas que se constituem de órgãos; esses órgãos são formados por tecidos que, por sua vez, são constituídos por células.

As células do corpo espiritual, em nível mais profundo, são formadas por moléculas constituídas de átomos. Os átomos do perispírito são formados por elementos químicos nossos conhecidos, além de outros desconhecidos do homem encarnado. Elementos aquém do Hidrogênio e além do Urânio, que na Terra representam os limites da matéria atômica conhecida.

Nas obras de Gustave Geley [3] e Jorge Andréa, encontramos referências a essas afirmações.

Os átomos e moléculas que constituem as células do perispírito possuem uma energia cinética própria que é a força determinante de sua vibração constante. Quanto mais evoluída a entidade espiritual, maior a velocidade com que vibram os átomos do perispírito.

Da mesma forma, conforme o adiantamento moral do espírito, maior o afastamento entre as moléculas que compõem o perispírito, por sua vibração, daí a menor densidade de seu corpo espiritual.

Uma analogia: a água em estado líquido, quando fervida, transforma-se em vapor pela maior energia cinética de suas moléculas, determinando um afastamento entre elas decorrente da vibração mais intensa que passa a ter. Neste exemplo simples nós mentalizamos o porquê da leveza do corpo espiritual das entidades cujo padrão vibratório é mais elevado.

No livro Mecanismos da Mediunidade [4], de André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier, encontramos elementos complementares a respeito dessa informação. Espíritos de alta hierarquia moral possuem vibrações de alta frequência. Isto é, as ondas que emitem ou irradiam são “finas”, ou de pequeno comprimento de onda.

As energias emanadas pelas vibrações das moléculas perispirituais se traduzem também por uma irradiação luminosa com cores típicas. Os espíritos são vistos pelos videntes ou descritos nas obras psicografadas emitindo cores e tons bastante peculiares ao seu grau de adiantamento.

Quanto mais primitivas forem as entidades espirituais, mais escuros os tons das cores e mais opacos se apresentam. À medida que galgam mais degraus na escada do progresso, mais sábios e amorosos, as entidades espirituais passam a emitir uma luminosidade mais clara e cada vez mais brilhante.

Salientamos, no entanto, que transitoriamente pela postura mental adotada, decorrente de situações momentâneas, as vibrações se aceleram ou se desaceleram, determinando modificações na estrutura do corpo espiritual, e todo o conjunto se altera. São descritos casos de zoantropia ou licantropia [5], em que as formas perispirituais tornam-se profundamente modificadas.

Exemplos práticos de modificações profundas e graves, no capítulo das patologias do corpo astral, seriam os casos descritos como os de zoantropia ou licantropia. Nessas situações as formas perispirituais se animalizam pela postura de ódio recalcitrante ou outros sentimentos inferiores, sentimentos que se tornam agentes deformantes do corpo espiritual.

Denomina-se zoantropia (zôo=animal e anthropos=homem) aos casos em que o corpo espiritual, pela deformação progressiva, passa a se assemelhar a um animal. Licantropia (lican=lobo e anthropos=homem) aos casos em que o corpo espiritual, pela alteração degenerativa da forma, lembra a figura de um lobo, o que nos remete à lenda do lobisomem que, talvez, tenha sua origem no fato de que, pelo fenômeno da vidência mediúnica, tenham sido vistos espíritos com esse tipo de deformidade anatômica no seu corpo astral.

Naturalmente, que essas deformidades são transitórias e relativas ao tempo em que a entidade espiritual ainda se mantém na atitude mental de ódio.

O tratamento reparador dessas deformidades efetua-se por meio de uma energização adequada dos Espíritos, de acordo com o que temos observado nas lides mediúnicas em que participamos.

Ousamos, inclusive, a criar o verbete perispiritoplastia para nos referir ao processo de recuperação anatômica observado nas entidades tratadas e recuperadas, em seu aspecto morfológico, nos grupos mediúnicos. Tanto energias do plano extrafísico, bem como energias extraídas da natureza, além de ectoplasma dos médiuns, fizeram parte da matéria-prima utilizada por nós, nessa restauração anatômica do perispírito licantropizado das entidades tratadas. Todavia, lembramos que nesse trabalho nós estamos, constantemente, sendo assistidos pelos mentores espirituais que nos amparam.

Ricardo Di Bernardi

Fonte: Medicina e Espiritualidade

[1] William Crookes – químico e físico inglês.
[2] KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. FEB, 1960, p.413.
[3] Gustave Geley – médico e pesquisador espírita francês.
[4] XAVIER, Francisco Cândido. Mecanismos da Mediunidade. FEB, 1959, p.188.
[5] Tipo de deformidade presente no corpo espiritual em que a forma chega a parecer não-humana.
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Alma gêmea ou Algema

Richard Simonetti

ALMA GÊMEA OU ALGEMA?

As almas que devam unir-se estão, desde suas origens, predestinadas a essa união e cada um de nós tem, nalguma parte do Universo, sua metade, a que fatalmente um dia se reunirá?

Resp.: Não; não há união particular e fatal, de duas almas. A união que há é a de todos os Espíritos, mas em graus diversos, segundo a categoria que ocupam, isto é, segundo a perfeição que tenham adquirido. Quanto mais perfeitos, tanto mais unidos. Da discórdia nascem todos os males dos humanos; da concórdia resulta a completa felicidade. (questão nº 298)

Principalmente os jovens, iniciantes na arte de amar, sonham encontrar essa “metade”, alimentando ternos anseios de uma convivência perfeita, de um afeto sem fim, marcados por imensa ternura e imorredoura ventura.

Quase todos encontram seus par. Raros concretizam seus sonhos, porque a Terra é um planeta de expiação e provas, onde a maioria dos casamentos representa o cumprimento de reajuste assumidos perante a Espiritualidade.

Por isso, passadas as primeiras emoções, quando os cônjuges enfrentam as realidades do dia-a-dia, os problemas relacionados com a educação dos filhos, as dificuldades financeiras e, sobretudo, o confronto de duas personalidades distintas, com suas limitações, ansiedades, viciações, angústias e desajustes, não tardam em desconfiar que a suposta “alma gêmea” é apenas uma “algema”, cerceados que se sentem em sua liberdade, frustrados em suas aspirações.

Muitos casam-se arrebatados de amor, que logo acaba diante dos atritos e dificuldades do matrimônio. Julgando que erraram na escolha, alimentam secreto desejo de um novo encontro, na eterna procura da alma afim.

Muitas vezes, rompem os compromissos conjugais e partem, decididos, reiniciando a procura. E encontram novas algemas, eternizando suas angústias e gerando problemas que se sucedem, a envolver principalmente os filhos, vítimas indefesas dessas uniões passageiras.

O sucesso no casamento implica em compreender que não há metades eternas que se buscam para completar-se, como na alegoria platônica.

Há Espíritos que conseguem uma convivência fraterna, com o empenho por ajustarem-se às Leis Divinas, superando seus desajustes íntimos, suas deficiências e fragilidades.

Um coração amargurado, um caráter agressivo, uma vocação para o ressentimento, um comportamento impertinente – tudo isso azeda o casamento. Então, existe um engano de perspectiva, um equívoco generalizado. As pessoas estão esperando que o casamento dê certo para que sejam felizes, quando é imperioso serem felizes para que o casamento dê certo.

A felicidade, por sua vez, não repousa em alguém, no que possa nos oferecer ou fazer, mas, essencialmente, nos valores que conseguimos desenvolver em nós mesmos, em nosso universo interior. Somente assim poderemos contribuir de forma decisiva para um casamento bem sucedido.

Fundamental, nesse particular, que nos detenhamos na definição do amor, o principal agente das uniões conjugais. O amor legítimo não é uma flecha de Cupido que nos atinge. Não é uma fonte que brota, borbulhante. Não é mera chama arrebatadora, como destaca a bela mas equivocada imagem poética de Vinícius de Morais: “Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure.” Muito mais que chama de atração passageira, o amor pede os valores da convivência para que se desenvolva e consolide.

Cônjuges que se querem bem, que se amam de verdade, são aqueles que atravessaram juntos as tempestades da existência, relevando um ao outro as falhas, cultivando compreensão, respeito e boa vontade. Assim, a “algema” de hoje poderá ser a “alma gêmea” de amanhã, mesmo porque o objetivo maior do casamento é a harmonização dos Espíritos que se unem para experiências na Terra. Hoje desencontrados, atritados, talvez até inimigos de outras vidas. Amanhã amigos! Amantes de verdade!

É lamentável quando os casais se separam, adiando a própria edificação.

O mesmo podemos dizer quando alguém proclama que suporta o cônjuge por fidelidade à religião ou aos filhos.

Na avaliação de nossas experiências terrestres, quando regressarmos ao Plano Espiritual, uma das medidas ponderáveis, a ver se aproveitamos a experiência humana, diz respeito à convivência com as pessoas, principalmente no lar.

Voltamos para o Além levando rancores, ódios, mágoas, ressentimentos? Deixamos inimigos e inimizades? Perdemos tempo, complicando o futuro.

Harmonizamo-nos com os familiares? Edificamos a fraternidade legítima? Construímos as bases de um entendimento cristão com o semelhante? Ótimo. Teremos realmente valorizado a jornada terrestre, habilitando-nos a estágios em regiões felizes, habitadas por almas afins, gêmeas na virtude, na sabedoria, no empenho por cumprir as leis de Deus.

Richard Simonetti

Fonte: G.E.Casa do Caminho de S. Vicente

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O Dever

Emmanuel

O DEVER

O dever define a submissão que nos cabe a certos princípios estabelecidos como leis pela Sabedoria Divina, para o desenvolvimento de nossas faculdades.

Para viver em segurança, ninguém desprezará a disciplina.

Obedecem às partículas elementares no mundo atômico, obedece a constelação na glória da Imensidade.

O homem viajará pelo firmamento, a longas distâncias do lar em que se lhe vincula o corpo físico; no entanto, não logrará fazê-lo sem obediência aos princípios que vigem para os movimentos da máquina que o transporta.

Dessa forma, pode-se simbolizar o dever como sendo a faixa de ação no bem que o Supremo Senhor nos traça à responsabilidade, para a sustentação da ordem e da evolução em Sua Obra Divina, no encalço de nosso próprio aperfeiçoamento.

Cada consciência bafejada pelo sol da razão será interpretada, assim, à conta de raio na esfera da vida, evolvendo da superfície para o centro, competindo-lhe a obrigação de respeitar e promover, facilitar e nutrir o bem comum, atitude espontânea que lhe valerá o auxilio natural de todos os que lhe recolhem a simpatia e a cooperação. Com semelhante atitude, cada espírito plasma os reflexos de si mesmo, por onde passa, abrindo-se aos reflexos das mentes mais elevadas que o impulsionam à contemplação de mais vastos horizontes do progresso e à adequada assimilação de mais altos valores da vida.

Desse modo, pela execução do dever — região moral de serviço em que somos constantemente alertados pela consciência —, exteriorizamos a nossa melhor parte, recolhendo a melhor parte dos outros.

Acontece, porém, que muitas vezes criamos perturbações na linha das atividades que o Senhor nos confia, e não apenas desconjuntamos a peça de nossa existência, como também colocamos em desordem muitas existências alheias, desajustando outras muitas peças na máquina do destino.

Surge então para nós o inexorável constrangimento à luta maior, que podemos nomear como sendo o dever-regeneração, pelo qual somos compelidos a produzir reflexos inteiramente renovadores de nossa individualidade, à frente daqueles que se fizeram credores das nossas quotas de sacrifício.

É dessa maneira que recebemos, por imposição das circunstâncias, a esposa incompreensiva, o esposo atrabiliário, o filho doente, o chefe agressivo, o subalterno infeliz, a moléstia pertinaz ou a tarefa compulsória a benefício dos outros, como gleba espiritual para esforço intensivo na recuperação de nós mesmos.

E por esse motivo que de nada vale desertar do campo de duras obrigações em que nos vejamos sitiados, por força dos acontecimentos naturais do caminho, de vez que na intimidade da consciência, ainda mesmo que a apreciação alheia nos liberte desse ou daquele imposto de devotamento e renúncia, ordena a razão estejamos de sentinela na obra de paciência e de tolerância, de humildade e de amor, que fomos chamados intimamente a atender; sem isso, não obstante a aparência legal de nosso afastamento da luta, somos invencivelmente onerados por ocultas sensações de desgosto ante as nossas próprias fraquezas, que, começando por ligeiras irritações e pequeninos desalentos, acabam matriculando-nos o espírito nos institutos da enfermidade ou na vala da frustração.

Pelo Espírito: Emmanuel

Do livro: Pensamento e Vida

Médium: Francisco Cândido Xavier

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Esquizofrenia

Joanna de Angelis

 ESQUIZOFRENIA

“O Ser real é constituído de corpo, mente e espírito. Dessa forma, uma abordagem psicológica para ser verdadeiramente eficaz deve ter uma visão holística do ser, tratando de seu corpo (físico e perispirítico), de sua mente (consciente, inconsciente e subconsciente) e de seu espírito imortal que traz consigo uma bagagem de experiências anteriores à presente existência e está caminhando para a perfeição Divina.” Joanna de Ângelis

Nos transtornos psicóticos profundos, a esquizofrenia destaca-se aterrorizante, face à alienação que impõe ao paciente, afastando-o o convívio social e conduzindo-o à vivência da própria incúria, sem a capacidade de discernimento que se encontra embotada.

Denominada por Freud como “neurose narcisista”, indicada por Kraepelin, que estabeleceu como sintoma frequente a “indiferença ou embotamento afetivo”, coube a Bleuler assinalar que o paciente é vítima de uma “desagregação do pensamento”, que produz uma certa rigidez com extrema “dificuldade de exteriorização dos sentimentos”, não sendo, portanto, imune à afetividade. Clinicamente apresenta-se sob três formas, consideradas clássicas: hebefrenia, catatonia e paranóia. Posteriormente foi acrescentada uma outra, que ficou denominada como esquizofrenia simples.

Sem dúvida, fatores hereditários preponderantes impõem o desvio psicótico profundo, graças às impressões vigorosas registradas nos genes desde os primórdios da concepção. Essa terrível afecção mental responde pela falta da associação de idéias, pelo desleixo e abandono do Si em transtorno grave de conduta.

Enfermidades infectocontagiosas e suas sequelas podem, também, desencadear o processo esquizofrênico, em razão dos prejuízos que impõem aos neurônios cerebrais e às suas sinapses, que se desconectam, tornando-se incapazes de enviar as mensagens corretamente de um ao outro, nessa cadeia complexa de informações que transitam através de suas delicadas conexões. Fenômenos orgânicos que promovem grande tensão, como aqueles considerados críticos, tais a puberdade, o catamênio, a menopausa e a andropausa, são arrolados como responsáveis também pelas manifestações lentas e contínuas do transtorno esquizofrênico.

Por outro lado, traumatismos cranianos atingindo o cérebro produzem efeitos equivalentes, perturbando o raciocínio do paciente e afastando-o do convívio da sociedade. Outrossim, fatores exógenos que dizem respeito aos eventos da vida, também respondem pelo transtorno cruel, especialmente nos indivíduos de compleição moral frágil ou marcados por graves distúrbios familiares, sociais, de trabalho, de relacionamento afetivo, que os predispõem às fugas espetaculares para o quase autismo.

Não obstante, deve-se incluir na psicogênese do transtorno esquizofrênico, a consciência de culpa das ações vivenciadas em existências anteriores, quando a delinquência assinalou o desenvolvimento do Self, hedonista e explorador, que somente utilizou dos amigos e conhecidos para os explorar, traindo-lhes a confiança ou covardemente destruindo-lhes o corpo em horrorosos crimes que não foram justiçados, porque passaram desconhecidos ou as circunstâncias legais não os alcançaram. Não havendo sido liberados pela reparação através dos cometimentos impostos pela Lei vigilante, insculpiram nas delicadas tecelagens vibratórias do corpo perispiritual a responsabilidade infeliz, que ora ressurge como cobrança, necessidade de reparação, impositivo de reequilíbrio, de recomposição social, familial, humana.

Eis que nessa, como noutras ocorrências psicopatológicas, a interferência de seres desencarnados ou de outra dimensão, se assim for mais acessível ao entendimento, impondo sua vontade dominadora sobre aquele que o infelicitou no curso da existência anterior, produz a distonia equivalente àquelas que procedem das psicogêneses internas e externas.

Essa imposição psíquica frequente e insidiosa afeta os neurotransmissores, facultando que moléculas – neuropeptídeos – responsáveis pelo equilíbrio das comunicações, as desconectem, produzindo a alienação. A mente, que não é física, emite ondas especiais que são captadas por outras equivalentes, que sincronizem com as emissões que lhe são direcionadas. Há, em todo o Universo, intercâmbio de mentes, de pensamentos, de vibrações, de campos de energia…

No que diz respeito às afinidades psíquicas, a sintonia vibratória permite que sejam decodificadas mensagens mentais por outros cérebros que as captam, conforme os admiráveis fenômenos parapsicológicos da telepatia, da clarividência, da precognição, da retrocognição, cujas experiências em laboratório tornaram-nos cientificamente comprovados, reais.

É natural, portanto, que não havendo a destruição do Self quando ocorre a morte ou desencarnação do ser humano, a mente prossiga enviando suas mensagens de acordo com as construções emocionais de amor ou de ira, de felicidade ou de desdita, que se fazem captadas por estações mentais ou campos psi, dando curso às inspirações, às percepções enobrecidas ou perturbadoras, facultando o surgimento das nefastas obsessões de efeitos calamitosos.

É muito mais vasto o campo dessas intercorrências espirituais do que se pode imaginar, sucedendo tão amiude, que seria de estranhar-se não as encontrar nos transtornos neuróticos ou psicóticos de qualquer natureza.

O Self, dessa maneira, desenvolve-se mediante as experiências que o acercam do Arquétipo Primacial, no qual haure vitalidade e força, transferindo todas as aquisições nobres ou infelizes para futuros cometimentos, assim ampliando os primeiros e recuperando-se dos segundos, armazenando todas as experiências que o conduzirão à individuação plena, ao numinoso ou sintonia com Deus.

Mergulhando, a princípio, no deus interno, desperta o potencial de sabedoria e de amor que nele jazem, a fim de poder crescer em aplitude no rumo do Deus Criador do Universo…

A saúde mental somente é possível quando o Self, estruturado em valores éticos nobres, compreende a finalidade precípua da existência humana, direcionando os seus sentimentos e conhecimentos em favor da ordem, do progresso, do bem-estar de toda a sociedade.

A liberação do ego arbitrário, desvestido dos implementos da aparência que se exterioriza pela persona, permite a integração do ser na vida em caráter de plenitude.

Todas as terapias acadêmicas procedem, valiosas e oportunas, considerando-se a imensa variedade de fatores preponderantes e predisponentes, para o atendimento da esquizofrenia, não sendo também de desconsiderar-se a fluidoterapia, o esclarecimento do Agente perturbador e o consequente labor de sociabilização do paciente através de grupos de apoio, de atividades espirituais em núcleos próprios onde encontrará compreensão, fraternidade e respeito humano, que o impulsionarão ao encontro com o Si profundo em clima de paz.

Joanna de Angelis

No livro “Triunfo Pessoal”

Psicografado por Divaldo Franco

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Os Planos Espirituais

Dr. Ricardo Di Bernardi

Como é a vida dos animais no plano espiritual - LêAqui

Os espíritos, ou nós mesmos, quando estávamos livres do invólucro material, habitávamos planos espirituais que, na realidade, são planos materiais de outra dimensão ou planos astrais.

Quando se diz que o universo é infinito, todos nós tendemos a imaginar uma linha horizontal ou vertical que jamais termina…  No entanto, a infinitude do Universo vai além disso.

Vivemos em um mundo físico tridimensional, (comprimento, altura e largura) e sabemos pelas instruções psicográficas e psicofônicas da existência de outras dimensões no universo, que também são infinitas.

“Planos materiais de outras dimensões”.

Os chamados planos espirituais, são locais ou dimensões onde entidades espirituais vivem. Como, “espírito”, realmente é o princípio inteligente, na realidade o termo mais adequado seria o de “planos materiais de outras dimensões”.  Isto porque os espíritos vivem nestas dimensões e se relacionam através do seu corpo espiritual ou corpo astral. Assim as escolas, locais de recuperação e tratamento onde os espíritos são preparados para o retorno, ou novo mergulho em nossa dimensão física, são constituídos de matéria oriunda do mesmo fluido cósmico universal do qual se derivam todas as outras dimensões de matéria no universo.

“Gravidade e Atração sobre a Matéria Perispiritual”.

Os espíritos agrupam-se, associam-se, conforme seu grau de evolução espiritual e afinidade. A lei de sintonia, sempre presente, determina que as vibrações semelhantes se atraiam, ou melhor, se sintonizem por similitude de frequência vibratória.

Assim como num receptor de televisão ou rádio, passamos a captar a frequência que escolhemos ao girar o botão, recebendo a imagem e o som transmitidos pela emissora que opera na frequência correspondente; os espíritos são atraídos pelas comunidades espirituais onde o nível vibratório lhes é afim.

Apesar da relatividade das dimensões, os planos espirituais mais elevados podem se situar mais distantes dos astros originariamente habitados (consideramos a Terra em nosso caso).   Já os planos espirituais constituídos por entidades mais simples e ignorantes, portanto com o perispírito mais denso ou “pesado” ficam sujeitos, inclusive, à lei de gravidade permanecendo, por isto, mais próximos a Terra.

Da mesma forma como a atmosfera que circunda a Terra permanece presa a ela pela força gravitacional, os espíritos mais limitados, com menos aquisições evolutivas, agrupam-se em colônias espirituais mais próximas à superfície do planeta.

A Lei Universal da Gravidade, que é uma lei de Deus, determina que a massa física do globo exerça atração sobre a matéria perispiritual que constitui o corpo dos espíritos.

Lembramos que, sem dúvida, estes conceitos aqui emitidos são relativos à questão das diferentes dimensões, porém quanto mais atrasado o espírito, mais sujeito ele se acha às leis físicas universais.

Recomendamos a leitura de “A Vida Além do Véu” de Vale Owen “Nosso Lar” , ditado pelo espírito de André Luiz  e “A Gênese” de Allan Kardec,  todos da editora FEB. Estas obras trazem informações basilares e interessantes sobre o tema.

*Dr. Ricardo Di Bernardi

Fonte: Medicina e Espiritualidade

*É autor de livros entre eles Gestação Sublime intercâmbio.

http://www.estantevirtual.com.br/autor/ricardo-di-bernardi

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Tratamento espiritual do câncer. O papel do Duplo etérico.

Sérgio Vencio

A problemática do câncer

A cada minuto 30 pessoas recebem o diagnóstico de câncer ao redor do mundo. Isso representa mais de 15 milhões de casos novos da doença por ano. O peso que a palavra câncer carrega ainda é enorme, provavelmente porque antigamente equivalia a uma sentença de morte. Mas muita coisa mudou. A ciência traz resultados maravilhosos nos tratamentos atuais.

Ouvir de um profissional: – você tem câncer! – gera um turbilhão de emoções. Desespero, dor, sofrimento, tristeza, são alguns dos sentimentos que permeiam esse momento. A depender da personalidade do médico, mais fechado ou falante, mais compassivo ou seco, o impacto da noticia é atenuado ou aumentado. Sem exceção a regra, é um período onde a família interrompe a correria do dia a dia e obrigatoriamente reavalia a caminhada individual e coletiva.

O câncer é uma doença que precisa de muito conhecimento para ser tratada, e dessa forma, uma equipe multiprofissional com especialistas no assunto é a melhor forma de lidar com a situação. Não é incomum que diante desse diagnóstico, ocorra a procura por tratamentos complementares. A família se volta para a religião de base, e abre o coração para outras formas terapêuticas, muitas vezes chamadas de terapias alternativas, mas que na verdade não constituem de forma alguma uma alternativa para o tratamento médico e sim um complemento com efeitos variáveis, ou seja, funciona pra uns e não pra outros, exatamente como o protocolo médico.

Essa procura por caminhos mais leves não é infundada. Uma pesquisa (metanálise) publicada na prestigiosa revista americana Cancer, mostrou que quanto maior a religiosidade/espiritualidade do paciente, maior a associação com o bem estar físico durante o tratamento. O artigo ressalta também que uma abordagem religiosa/espiritual precisa fazer parte de um programa de cuidado holístico no paciente com câncer.

A visão espiritualista

Na nossa prática mediúnica na Comunidade Espírita Ramatís, temos tentado estudar o efeito do câncer nos corpos espirituais e as formas de atenuar o sofrimento causado no doente e na família. Durante os mais de 25 anos em que atendemos esses pacientes já observamos respostas quase miraculosas e da mesma forma, desencarnes lamentáveis, de portadores do câncer que acabam se tornando amigos queridos.

A doutrina espírita nos fala que o câncer tem raízes profundas no nosso psiquismo, nas nossas atitudes pretéritas, e que a sua ocorrência poderia nos auxiliar a curar nossa alma, através de um processo que Ramatís chama de “verter para a carne”, ou seja, a drenagem de uma energia espiritual adoecida para o corpo físico.

Obviamente que do ponto de vista médico, observamos a hereditariedade, a genética, as substâncias cancerígenas, os disruptores endócrinos, e tudo isso é muito importante, mas nossa abordagem hoje, diz respeito somente ao aspecto energético-espiritual da doença.

Um dado importante que nos foi passado pela espiritualidade maior e pela observação sistemática nos trabalhos mediúnicos é que o processo de drenagem dessa energia espiritual do períspirito para o corpo físico só acontece se o Duplo Etérico estiver lesado.

Definição de Duplo etérico

O nobre Dr. José Lacerda ensina que o Duplo representa a vitalidade, a energia construtora que coordena as moléculas físicas e as reúne no organismo físico.

Ressaltamos que uma das características principais do câncer é justamente o crescimento desordenado, e isso ocorre porque o controle da forma física exercido pelo Duplo (comandado pelo corpo astral) está danificado.

A designação de “duplo etérico” exprime a natureza e a constituição da parte mais sutil do nosso corpo físico; esta designação é, pois, significativa e fácil de reter. Este elemento, o “duplo etérico”, é formado por éteres variados, e duplo porque constitui uma duplicata no nosso corpo físico, sua sombra por assim dizer. Ele é formado na gestação e quando do desencarne, o Duplo, assim como o corpo físico se desintegra.

André Luiz, através da mediunidade de Chico Xavier nos mostra que o Duplo é constituído de eflúvios vitais que asseguram o equilíbrio entre a alma e o corpo de carne. Essas emanações neuropsíquicas revestem o perispírito.

No livro Mãos de luz, Bárbara Brennan revela a existência de um corpo ou campo de energia vital (Duplo etérico), que forma a matriz, a qual penetra o denso corpo físico como teia reluzente de raios de luz. Essa matriz energética é o modelo básico sobre o qual se afeiçoa e firma a matéria física dos tecidos, que só existem como tais por força do campo vital que os sustenta.

Funções do Duplo Etérico

Ramatís nos explica que o corpo etéreo ou duplo etérico liga-se ao físico e ao perispírito (corpo astral), intermediando e transmitindo ao cérebro físico as manifestações vibratórias e impulsos do espírito e também de outros espíritos desencarnados.

No livro “elucidações do além”, Ramatís esclarece que o Duplo absorve o Prana ou a vitalidade do mundo oculto, emanada do Sol, conjugando-a com as forças exaladas no meio físico; e em seguida as distribui pelo sistema nervoso e por todas as partes do organismo físico do homem.

Não é um veículo consciente, pois é incapaz de atuar por si ou de modo inteligente, mesmo quando desligado do homem. Embora realize certos ajustes e tome providências defensivas, isto sucede pelo automatismo instintivo e biológico do próprio organismo carnal, pois este, quando se move independentemente do comando direto do espírito imortal, revela um sentido fisiológico inteligente e disciplinado, nutrindo e reparando as células gastas ou enfermas, substituindo-as por outras, sadias, de modo a recuperar-se de todas as perdas materiais.

Em resumo, o Duplo tem a função de nutrir e reparar as células físicas. Ele faz a comunicação entre o perispírito e o sistema nervoso do corpo físico. Exerce as suas funções de forma automática.

Tratamento do câncer através do Duplo Etérico

Dentro da filosofia espírita aprendemos que nossas atitudes pretéritas equivocadas plasmaram energias desarmonizadas no nosso perispírito. A harmonização desse importante corpo sutil é uma das prioridades no nosso processo de evolução. Isso poderia e preferencialmente deveria acontecer de forma leve através da nossa mudança íntima.
Porém, a maioria de nós prefere o caminho mais doloroso, repetindo padrões de comportamentos equivocados e sofrendo as consequências danosas da nossa teimosia.

Fosse outra a nossa atitude e a misericórdia divina encontraria formas positivas de agir em nosso coração. Mas mesmo que o diagnóstico tenha sido firmado e você ou algum familiar esteja nesse momento passando por essa dificuldade, temos observado nos trabalhos mediúnicos que os espíritos superiores estão sempre presentes na assistência, e coisas maravilhosas acontecem nas vidas das pessoas.

Uma das formas que o espírito imortal encontra para se livrar dessas energias adoecidas é drenando para o corpo físico. Entretanto, o Duplo tem justamente a função de proteger essa comunicação bilateral, físico-astral. Chega um momento onde a persistência dessa doença energética se mostra intolerável para o espírito, e essa energia lesa o Duplo e atinge o corpo físico, causando a doença.

Esse é exatamente o retrato que vemos nos pacientes que atendemos em nossa casa espírita na assistência mediúnica. Em 100% dos portadores de câncer o Duplo está completamente lesado. A tela etérica, espécie de pele (na falta de terminologia mais adequada) que reveste o Duplo perdeu completamente a integridade e os chacras estão deformados e muito comprometidos.

A lesão na tela etérica faz com que o paciente perca muita energia vital. Os estudiosos do magnetismo relatam há muito tempo que os portadores de câncer são sugadores de energia. Com o Duplo lesado, não existe possibilidade de reter a energia vital curativa. É como querer reter o calor deixando a tampa da panela aberta.

Reconstruir o duplo etérico é uma parte importante no tratamento complementar do câncer. Isso pode ser feito pela acupuntura, pela homeopatia, Reiki e outras terapias, mas uma das formas mais eficazes é através da doação consciente de ectoplasma.

O excelente André Luiz esclarece que o ectoplasma é o fluido animalizado produzido no duplo etérico e decorrente do metabolismo biológico do equipo físico. Em médiuns treinados, o ectoplasma abundante exalado pelo duplo etérico durante o desdobramento consciente contribui para a revitalização e o retorno à forma original do perispírito e do duplo do atendido (portador de câncer).

Na nossa Comunidade Espírita, ao atender um assistido portador de câncer, o primeiro tratamento realizado é no Duplo. Com os médiuns em desdobramento consciente, intencionamos a exsudação do ectoplasma com a finalidade de reconstruir o Duplo etérico do assistido, realinhando e harmonizando os chacras, refazendo a tela etérica e implantando um molde energético que ficará no Duplo do assistido durante uma semana.

É importante esclarecer que esse é somente um dos aspectos do tratamento espiritual. Quando comparamos com o tratamento médico, é como pensar na cirurgia, na quimioterapia e na radioterapia. Um complementa o outro e todos são importantes a depender da indicação.

Dentro da abordagem espiritual temos vários fatores que precisam ser tratados, e que detalharemos posteriormente em outros artigos, mas a título de informação, é fundamental a terapia psicológica para aceitação e entendimento tanto do paciente como da família. Da mesma forma, devemos observar o tratamento espiritual do perispírito, o modelo organizador biológico e do corpo mental, que envolve as memorias negativas que originaram o processo em primeira instância.

Se ficarmos somente no Duplo, não atingiremos a causa-raiz do problema. Mas qualquer outro tratamento sem a reconstituição do Duplo não surtirá o mesmo efeito. Visão holística acolhedora. Esse é o caminho.

Paz e luz!

Sérgio Vencio

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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O Espiritismo fortalece a Religião sem ser Religião. Por quê?

por Marcelo Henrique

Tempo de leitura: 4 minutos
Marcelo Henrique
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“O Espiritismo é uma doutrina moral que fortalece os sentimentos religiosos em geral e se aplica a todas as religiões; ele é de todas, e não é de nenhuma em particular; por isso não diz a ninguém que a troque; deixa a cada um livre para adorar Deus à sua maneira e para observar as práticas que sua consciência lhe dita, pois Deus leva mais em conta a intenção do que o fato”.

Allan Kardec (“Revue Spirite”, fevereiro de 1862, “Resposta à mensagem dos espíritas lioneses por ocasião do Ano Novo”. Nossas marcações.).
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Acordo, todos os dias, e ligo o meu telefone celular. Nele, comumente, estão mensagens dos amigos que cultivei nestes últimos anos. Muitos deles, logicamente, são espíritas, porque a atuação em atividades da Filosofia Espírita me pôs em contato com muitas pessoas, também declaradamente espíritas.

Delas recebo, então, mensagens, textos, artigos, links e tudo o mais, da mesma forma como, reciprocamente, também lhes envio sobretudo as “produções” do nosso “Espiritismo COM Kardec – ECK”.

Hoje, pela manhã, o meu querido amigo, atento e dedicado estudioso espírita, Sérgio Thiesen, me enviou esta frase que abre este singelo ensaio. Ela foi dita, não pelos Espíritos que trabalharam lado a lado com Kardec, mas pelo próprio Professor. Há que se dizer – para os que ainda não sabem ou para os que intentam diminuir a grandeza do responsável pela existência da Filosofia Espírita – que ele, Rivail, é o grande arquiteto, costureiro, engenheiro, filósofo ou jurista da Doutrina dos Espíritos.

Ainda que muitas informações, em suas 32 obras, venham por meio da mediunidade, em textos psicografados (à sua frente, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, o primeiro centro espírita do mundo, que ele fundou, como enviadas por carta, dos mais diferentes lugares, entre 1857 e 1869), é literária e autoral a obra espírita como de Allan Kardec. E isto está manifestamente comprovado – além das infinitas perguntas contidas em várias de suas obras – como nos textos expressos em comentários, introduções, conclusões, notas explicativas e, mais destacadamente, em itens inteiros (como, exemplificativamente, o “Resumo Teórico sobre o Móvel das Ações Humanas”, no item 872, de “O livro dos Espíritos”.

A autoridade intelectual de Kardec como o legítimo “inventor” da Filosofia Espírita – contando com o “apoio” (participação) de inúmeras Inteligências Invisíveis, que lhes forneceram interessantes digressões sobre as questões espirituais – não pode ser negada nem minimizada.

Voltando ao texto introdutório deste artigo, contido na “Revue”, vemos toda a capacidade e a visão plural e ampliada de Kardec para entender que o Espiritismo poderia complementar as teorias já explicitadas pelas religiões em geral – ocidentais ou orientais – todas elas sustentadas em “revelações sobrenaturais” e, por isso, eivadas de tons místicos ou mitológicos, ao mesmo tempo em que se fundamentam em dogmas (verdades irreais, calcadas em “mistérios da fé”).

Nele, Rivail apresenta a Filosofia Espírita como o arcabouço teórico-prático que visa desconstituir elementos irracionais ou desprovidos de lógica racional, como, por exemplo, as teorias de Adão e Eva (Criação do elemento humano), da Trindade (Deus Pai, Filho e Espírito Santo), da virgindade e do corpo não-material de Jesus, da ressurreição (recomposição do corpo morto e inerte), entre muitas outras.

Mas, ao contrário do que possa, à primeira leitura, parecer ou significar, o Espiritismo não sepulta(rá) nenhuma religião sobre a face da Terra, nem será o que, ufanisticamente, muitos espíritas imaginam e desejam (“o futuro das – todas – religiões). Não. O próprio Kardec afirmou em alguns textos que os indivíduos poderiam conservar suas crenças (pessoais, familiares, sociais, tradicionais) e estudar (e se convencer) a realidade espiritual-espírita. É por isso que temos muito mais SIMPATIZANTES do que ADEPTOS (aqueles que se afirmam como) ESPÍRITAS.

O texto do discurso de Kardec – que pode ser lido, na íntegra, no fascículo de fevereiro da “Revue” – deve ser convenientemente entendido e estudado, inclusive por aqueles que insistem que o Espiritismo “seja uma religião” (ainda que filosófica, lembrando outro discurso de Rivail, por ocasião da “Sessão Anual Comemorativa dos Mortos” – “Revue Spirite, dezembro, 1868, que tem como subtítulo “O Espiritismo é uma religião”?).

O que mais vemos – por aí, por aqui (ECK) e alhures – são pessoas ainda APEGADAS à necessidade de TER uma religião, ou de substituir a sua religião tradicional (de formação pessoal, de influência familiar ou de amizade, de cultura, de ensino tradicional, ou a partir das buscas de cada um) pelo Espiritismo.

Não, meus amigos! Kardec JAMAIS pretendeu fazer com que EXISTISSE uma religião espírita nem que as pessoas deixasse sua identidade religiosa para assumir a frequência em ambientes espíritas – como se fossem igrejas ou templos. Embora, é claro, a grande maioria dos que vão aos centros espíritas encare as reuniões (públicas) como “missas” ou “cultos”. E isto não se deve a Kardec, mas ao sincretismo religioso presente na sociedade brasileira – desde o início do século XX – e, fortemente, AQUILO QUE AS PESSOAS VÃO BUSCAR nos centros.

Distante desta “atmosfera” e “realidade” convém retornarmos ao pensamento original (Legado de Kardec) para afastar o religiosismo exacerbado e a postura igrejeira (lembremos que Herculano Pires sempre combateu) vigentes em grupos e instituições espíritas. E, em assim procedendo, NÃO ESTAMOS DESVALORIZANDO ou AFASTANDO a RELIGIOSIDADE (ESPIRITUALIDADE) de ninguém. Pelo contrário. Como Kardec asseverou, cada qual que VIVA A SUA RELIGIOSIDADE (ESPIRITUALIDADE) de MODO ÍNTIMO, sem a necessidade de qualquer exteriorização (cultos, ritos, posição subalterna, adoração de Espíritos, Médiuns, Expositores ou Dirigentes, e o comportamento de entender e substituir as “partes” de uma “missa” ou “culto” pelas vigentes nas reuniões espíritas: abertura, prece, palestra, prece, passe…).

Kardec, veja-se o texto destacado, assume uma postura totalmente distinta deste “Espiritismo à brasileira”. Ele afirma que o Espiritismo fortalece, porque a sua teoria explica de modo NATURAL, LÓGICO e RACIONAL, os temas afetos à religiosidade. E interpreta os temas espirituais para além do místico e do mítico.

Então, o Espiritismo não foi nem nunca será religião, conforme Kardec. Ele o é apenas para os que (ainda) dependem da bengala religiosa… Mas, um dia, eles também irão se libertar de tais bengalas…

Fonte: Espiritismo com Kardec – ECK

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Nem toda Pessoa que se Mata tem Depressão

Karina Okajima Fukumitsu

Nem toda pessoa que se mata tem depressão – , diz especialista em suicídio.

Há 24 anos, a psicóloga Karina Okajima Fukumitsu, 43, se dedica a explorar profissionalmente um tabu, o suicídio. Seu envolvimento com o tema, porém, começou na infância. Sua mãe tentou se matar inúmeras vezes. Mais tarde, foi ela mesma quem tentou tirar a própria vida em três situações.

“Comecei a estudar psicologia para compreender e poder ajudar pessoas que passam por um sofrimento existencial e, por isso, tentam se matar”, conta. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida por ano no mundo. No Brasil, acontecem, em média, 11 mil suicídios em 12 meses, de acordo com levantamento do Sistema de Informação sobre Mortalidade.

Em 2016, foram registradas no país 30 mil tentativas de mulheres e 15 mil de homens. Para Karina, os altos números refletem também tentativas de comunicação. Apesar de homens tentarem menos, eles são as maiores vítimas letais, por usarem métodos mais agressivos.

“Suicídio é a concretização da falta de sentido da vida, é o ápice de um processo de ‘morrência’. Ele costuma ser cometido por alguém que está definhando existencialmente, que deixou de acreditar em sua própria capacidade, como ser humano, de transformar a dor em amor”, explica Karina.

A psicóloga recebeu a reportagem em seu consultório, em São Paulo, onde atende de adolescentes a idosos que tentaram ou cogitam o suicídio, para desmistificar essa morte violenta.

Como começou seu envolvimento com a questão do suicídio?

Karina Okajima Fukumitsu: Eu tinha 8 anos quando começaram as crises suicidas da minha mãe. Aos 10 anos, me lembro claramente de ir ao pronto-socorro, tentando socorrê-la das várias tentativas de se matar. Em 1989, entrei no curso de psicologia para compreender esse fenômeno, ajudar quem queria se matar e acolher quem estivesse passando por sofrimentos existenciais.

Essa foi a causa da morte da sua mãe?

Não. A última vez que ela tentou o suicídio foi em 2006, quando me declarei como suicidologista. Eu estava grávida do meu primeiro filho, o telefone tocou e ela disse que estava pensando em se matar novamente. A gente falava abertamente do processo de ‘morrência’ dela. Pedi que tivesse calma, porque a morte viria para todo mundo, é uma condição do ser humano. Durante a conversa, tive um aborto espontâneo e vi minha mãe renascer das cinzas, dizendo que eu a tinha convencido sobre ter uma missão de vida. Foi um verdadeiro paradoxo. Coincidência ou não, ela acabou desenvolvendo a doença do ‘coração grande’, uma miocardiopatia grave. Foram 18 internações até 2013, quando ela foi vencida pela doença.

De que maneira essa experiência ajudou você a seguir adiante?

Com a história dela entendi que é possível resignificar a vida, ter alguma esperança. Em 2012, durante o lançamento do meu primeiro livro, ‘Suicídio e Gestalt-Terapia’ (ed. Digital Publish & Print), ela ficou do meu lado. Eu dizia que ela era minha coautora e ela se apresentava dizendo: ‘Oi, eu sou a kamikaze”. Ela é a prova de que o acompanhamento cura.

Você já tentou o suicídio?

Sim, três vezes. A primeira aos 12 anos, meu pais tinham se separado e eu estava exausta de tantas brigas. Lembro de estar na cozinha e ter tomado medicamentos da minha mãe. Eu não queria mais viver. Quando ela me viu, perguntou o que eu estava fazendo. Respondi: “Exatamente aquilo que você sempre faz”. Ela me fez vomitar e nada aconteceu. Mas foi o mais próximo que cheguei do ato. Nunca mais falamos sobre isso. Depois, aos 20 anos, descobri que um namorado de longa data me traía. Pensei na possibilidade da morte, mas não agi. A terceira vez foi em 2014, quando recebi o diagnóstico equivocado de esclerose múltipla. Fiquei internada por 13 dias, parei de andar, esqueci a ordem alfabética, os números e fatos da minha vida. No ápice do meu desespero, pensei novamente em suicídio. Mas me agarrei na certeza de que a vida não é do jeito que a gente quer. Me recuperei completamente.

Suicídio é hereditário?

Não, o suicídio não corre nas veias. Só que existem modelos de repetição de enfrentamento que são prejudiciais, é o que a gente chama de “transmissão psíquica geracional familiar”. Alguns comportamentos tóxicos da família se repetem. Se a gente não tiver plena atenção, entra num círculo vicioso. Cabe a cada um construir novas modalidades de responder às adversidades da vida.

Por que ainda é um tabu?

Porque é uma morte violenta, repentina e que confronta exatamente o sentido de instinto de sobrevivência que aprendemos. É quando a pessoa começa a acreditar que a morte é mais interessante que a vida. Às vezes, a pessoa não quer morrer, ela só quer matar uma parte dela que está causando sofrimento. Viver sem sofrer é uma utopia. Por isso, precisamos trabalhar a tolerância existencial.

Por que suicídio é visto como algo abominável?

Não temos tempo e espaço para lidar com a vulnerabilidade humana. Isso que o torna abominável. Ele escancara aquilo que mais se quer esconder, sentimentos indesejáveis, como tristeza, raiva, fraqueza. Não cabe a ninguém julgar o outro. Suicídio não é loucura, fraqueza, covardia ou coragem. O suicidologista norte-americano Edwin S. Shneidman, referência no assunto, o definiu como um ato definitivo para um problema que deveria ser temporário.

É irresponsável defini-lo como uma escolha pessoal?

Não. Se a gente pensar que cabe a cada um sua própria vida, o mesmo vale para a morte. Mas o ideal é que ela seja natural. Então, cada ser humano deve se apropriar e zelar pelos seus sentimentos, e pedir colo quando eles estiverem borbulhando. Costumo dizer que suicídio é uma dor sentida, mas não consentida. Criei um mantra que é: se tem vida, tem jeito.

Como você avalia o cenário brasileiro?

Infelizmente, estamos entre os dez países com as maiores taxas de suicídio do mundo. Está mais perto do que imaginamos. É muito comum conhecer alguém que se matou, só que preferimos fingir que não existe. Lamento que seja um problema de saúde pública, mas não existam planos de prevenção efetivos. O Ministério da Saúde trouxe uma possibilidade de diminuir os números até 2020. Na prática, porém, nada está sendo feito para isso.

Há poucos profissionais dedicados a isso?

Vejo poucos profissionais treinados para acolher o sofrimento humano. Quando uma pessoa está desesperançosa, desamparada e/ou desesperada – o DDD da cartilha da psiquiatria -, precisamos encontrar uma maneira de mostrar a ela um sentido para sua vida. Já ouvi muito médico dizendo que quem tenta o suicídio atrapalha o tempo deles. Quando eu levava a minha mãe ao hospital, lembro das enfermeiras dizendo: “Dona Yoko, a senhora não tem o que fazer a não ser tentar se matar? Não tem dó dessas meninas que te trazem aqui há tanto tempo? De pessoas que estão querendo viver?”. Esses comentários machucam ainda mais a pessoa que está em sofrimento. Se não houver resignificação, vai acontecer novamente. Quando há diagnóstico de transtorno mental, a reincidência acontece entre 40% e 50% dos casos.

Existem grupos de vulnerabilidade? 

Sim. A comunidade LGBT, as vítimas de violência doméstica e aqueles diagnosticados com doenças mentais. Ou seja, grupos que não têm suas dores legitimadas nem espaço para expor suas vozes e se defenderem.

Quais são os sinais de alerta de quem pensa em se matar?

Isolamento, abuso de álcool e drogas, e qualquer mudança abrupta de comportamento. Há sinais indiretos também. É preciso estar atendo a quem começa a se desfazer de coisas importantes, a declarações de amor inesperadas e quando a pessoa usa expressões como “pode ser tarde”, “não vou dar mais trabalho”. Tem ainda a “falsa calmaria”, que é o caso de quem sempre falou que ia se matar e parou de comunicar de uma hora para outra. Isso é uma pegadinha. Ela fica quieta para não ser interrompida. Prevenir é olhar para esses sinais e tentar criar espaços de diálogo.

A depressão é um fator comum aos suicidas?

Não, acho reducionismo pensar assim. Não necessariamente uma pessoa que se mata é deprimida, apesar de existirem vários casos de pessoas que tinham depressão e se mataram. Quando isso acontece, é que elas perderam o sentido de viver.

Quais são os maiores mitos sobre suicídio?

O principal é achar que se vai provocar o suicídio ao perguntar diretamente para a pessoa se ela está pensando em se matar. O suicídio é um ato de comunicação. E a pessoa, na maioria das vezes, tenta comunicar em morte o que ela gostaria de comunicar em vida. Precisamos falar abertamente sobre isso. Os sinais de alerta são pedidos de acolhimento.

E se a pessoa nos disser que quer se matar?

Pergunte de volta como pode ajudar. É muito equivocado achar que quem tenta se matar está querendo só chamar atenção. Aliás, acho ótimo que eles chamem atenção. Prejudicial é tratar com desprezo. Se você não der atenção agora, vai se sentir culpado mais tarde por não ter atendido ao chamado de um ente querido.

O que você mais ouve de quem quer se matar?

“Eu não vou aguentar se algo acontecer”. “Se eu fracassar, não vou suportar.” Ela começa a antecipar tudo o que ela imagina que de pior vai acontecer, porque não sabe lidar com situações de fracasso. Diante do desespero, num ato impulsivo, ela tenta o suicídio.

É um processo?

Salvo os casos de impulsividade, que acontecem em menores proporções, o comportamento suicida passa pelo pensamento, ideação, planejamento e só então chega ao ato.

É perverso buscar as motivações daqueles que tentam se matar?

Acho que é elucubração, porque não existe uma única causa para o suicídio. Mas é importante entender a fantasia da pessoa na tentativa. O que ela queria matar? O que ela queria que morresse? Já quando a morte é consumada, ela leva toda a verdade.

O que buscam os sobreviventes do suicídio?

Existem dois grupos de sobreviventes: aquele dos que tentaram, mas não tiveram a morte consumada, e os enlutados pela morte de alguém próximo. Os dois buscam a mesma coisa, um acolhimento para os seus sofrimentos. O problema é que ainda existe um forte julgamento, quem tentou ou se matou é visto como louco. Não quero normalizar o suicídio, quero deixar claro que disfuncionalidade acontece com todo mundo.

Procurar culpados é um caminho positivo?

De jeito nenhum. Como diz o filósofo Jean-Paul Sartre, “nós somos aquilo que nós fazemos com o que o outro faz da gente”. E esse foi um dos grandes problemas da série “13 Reasons Why”. A personagem principal fica culpando os outros por suas escolhas erradas e em nenhum momento exercitou a capacidade de enfrentamento. Mais grave ainda foi mostrar a maneira como ela se matou. Isso é grave.

Onde buscar ajuda?

Não existe uma única fórmula. Vale procurar desde alguém próximo, até especialistas. O Centro de Valorização à Vida é um ótimo caminho. O que digo sempre para as pessoas em sofrimento é: acredita que você merece receber amor e ajuda.

O quão pesado é lidar com a morte tão de perto?

Acho que a gente lida muito mal com aquilo que é mais nosso. A única certeza que temos é a de que morreremos. Precisamos falar mais sobre isso. Ela faz parte do nosso desenvolvimento. Só que, no intervalo entre nascer e morrer naturalmente, precisamos aprender a viver com qualidade.

Fonte: ‘Nem toda pessoa que se mata tem depressão’, diz especialista em suicídio – 15/11/2017 – UOL Universa

Reproduzido a partir de kardecriopreto.com.br

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Novos planetas instigam a ciência na descoberta de vida extraterrestre

Por Ademir Xavier

“Não se turbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai; se assim não fosse, já eu vo-lo teria dito, pois me vou para vos preparar o lugar.” João 14:1

A Enciclopédia de planetas extrassolares (exoplanet.eu) contabilizava em março deste ano aproximadamente 5.300 exoplanetas em torno de 854 sistemas planetários conhecidos.

Um exoplaneta é o nome dado aos planetas descobertos em torno de outras estrelas e, em 2019, um Prêmio Nobel de Física foi concedido a Michael Mayor e Didier Queloz, por avanços na descoberta, em 1992, dos primeiros exoplanetas.

Hoje, técnicas de medidas muito precisas permitem descobrir continuamente novos planetas em outras estrelas. Esse é o caso da missão espacial TESS (sigla em inglês para “satélite de busca de exoplanetas por trânsito”), lançada em 2018.

Só para se ter uma ideia do que isso significa, existem hoje quase 10 mil novos candidatos na fila de confirmação como novos planetas e o número de 6 mil mundos descobertos é uma quantidade ínfima, se comparada à real quantidade deles em nossa galáxia. O vórtice de estrelas que abriga o Sol, por exemplo, contém cifras da ordem de 300 bilhões de estrelas. Ainda que cada uma delas contivesse apenas um planeta, chegaríamos a números da ordem de centenas de bilhões.

A vida em novos planetas

Embora a maioria das estrelas possam abrigar dezenas de planetas, acredita-se que muitas delas sejam solitárias. Há evidências ainda de uma incrível quantidade de ‘planetas desgarrados’ a vagar pelo espaço sozinhos, sem estrelas que os abriguem.

A técnica de medida utilizada na descoberta de exoplanetas permitiu a constatação de que grande parte desses novos planetas se localizam em torno de estrelas pequenas, menores que o Sol. A ciência moderna identifica nesses sistemas chances de existência de vida pelo conceito de ‘zona habitável’. Nessa região habitável, haveria um ambiente tépido o suficiente em que a água de um planeta como a Terra se encontraria em estado líquido.

Qualquer estrela apresenta essa zona habitável, que poderá estar mais ou menos distante dela, conforme a variação de sua luminosidade. Mesmo sistemas planetários peculiares foram associados a zonas habitáveis, como, por exemplo, o sistema Trappist-11, formado por sete planetas semelhantes à Terra que cabem todos dentro da órbita de Mercúrio. Uma vez que a estrela que os abriga é uma anã-vermelha fria, sua zona habitável estaria prevista para pelo menos três planetas.

Outros mundos habitados

Quando o criador resolveu ‘enfeitar’ o céu com as estrelas, o fez de tal forma que para a mente humana encarnada sua obra se mostrou incompreensível, pois o número de centenas de bilhões é tão imenso que sobram planetas em nossa galáxia para a população inteira da Terra. Diante desse número, fica evidente que o nosso mundo não é o único habitado. As ‘muitas moradas’ a que se refere Jesus é um superlativo que nem conseguimos conceber.

A ‘pluralidade dos mundos habitados’ é tema abordado no capítulo 3 de O livro dos espíritos, na questão 55. Já na questão 58, os espíritos desafiam o conceito de zona habitável, indicando existir fontes inimagináveis de energia nos mundos muito afastados do centro estelar. Dessa forma, mesmo planetas “desgarrados” poderiam abrigar vida. Tal noção aprovada pelos espíritos não era uma novidade na época de Kardec, embora contasse com uma maioria esmagadora de opositores, principalmente religiosos.

A pluralidade dos mundos foi defendida por Giordano Bruno de Nola (1558-1600) em sua obra De l’infinito, universo e mondi, (Do infinito, o universo e os mundos), publicada em 1584. O dramaturgo francês Bernard Le Bovier De Fontenelle (1657-1757) desenvolveu a tese em 1686 em seu Entretiens sur la pluralité des mondes (Conversações sobre a pluralidade dos mundos). Um precursor do espiritismo, Emanuel Swedenborg (1688-1772), publicou em 1758 De Telluribus in mundo nostro solari (Terras em nosso sistema solar), livro em que declara ter entrado em comunicação com espíritos de extraterrestres.2 Revelações desse tipo ocorreram antes da codificação, ainda que sem o conhecimento da faculdade mediúnica. A razão para essas revelações sobre outros planetas pode ser encontrada no capítulo 26 de O livro dos médiuns: como “um meio de vos fixarem as ideias sobre o futuro”.

Família universal

Independentemente da maneira como a ciência moderna conceitua a vida em outros planetas, laços de união ligam os habitantes da Terra aos seres encarnados nesses mundos. Tais laços se estabelecem primeiramente pela universalidade do elemento espiritual e seu princípio evolutivo, cujo reflexo é a escala espírita (ver O livro dos espíritos, 2ª parte, cap. I). Da mesma forma como o elemento material obedece a leis universais, o princípio espiritual é comum a todas as formas de vida no Universo. Assim, espera-se que as mesmas leis que regem a evolução na Terra regulem a evolução em outros mundos, guardadas as diferenças de densidade e condições de vida para cada um deles. Por isso, a forma e organização física dos seres em outros planetas não deve ser muito diferente dos da Terra. Universalmente, deve prevalecer o aspecto ‘humanoide’ ou ‘em forma de humano’.

Idênticos degraus de ascensão espiritual devem ser percorridos por eles e nós. Também, as mesmas regras de comunicação mediúnica são válidas. Assim, a comunicação com espíritos de outros mundos é possível tanto quanto com os desencarnados da Terra. As descrições obtidas não diferem em alcance das descrições dos espíritos, sobre as cercanias do mundo espiritual terreno, ou seja, elas “têm por fim o vosso melhoramento moral” conforme o citado parágrafo em O livro dos médiuns. Embora restrito em objetivos, esse parece ser o único meio viável de se comunicar com outros mundos presentemente.

As invasões alienígenas

A questão 172 de O livro dos espíritos também esclarece que as muitas encarnações se passam em diferentes mundos e que a encarnação terrena é uma das mais materiais. Nas questões 176-177, outra consequência lógica se infere: a ‘escala espírita’ tem reflexos na escala dos mundos. Os diversos planetas são mais ou menos avançados conforme o grau maior ou menor de evolução dos espíritos que nele habitam. Essa escala de progressão explica o ‘Paradoxo de Fermi’ 3, que contrapõe a alta probabilidade de vida extraterrestre com a aparente inexistência de ‘provas materiais’ dela presentemente. À medida que progride, não só os mundos se tornam ‘menos materiais’, mas seus interesses convergem para o desenvolvimento integral de seus habitantes. Assim, não há por que se temer uma ‘invasão alienígena’ material. Seres avançados vivem uma realidade espiritual muito acima das mesquinharias dos interesses terrenos. Por outro lado, os atrasados não têm condições de se comunicar ou vir até aqui. A respeito disso, na obra O consolador (questão 74, afirma o espírito Emmanuel que “o insulamento da Terra é um bem inapreciável” muito mais para os habitantes de outros mundos do que para nós.

Diferentes densidades fluídicas

Além da falta de condições ou disparidade de interesses, os espíritos também relatam que são diferentes as densidades fluídicas em cada mundo. Até mesmo o perispírito não escapa à mudança de mundos, conforme podemos ler na questão 187 de O livro dos espíritos ou na questão 75 de O consolador. Porém, essas diferenças de agregação se aplicam também ao elemento material. Por conceitos físicos que nos escapam ao entendimento, a questão 181 de O livro dos espíritos declara que os corpos em outros mundos são “mais ou menos materiais, conforme o grau de pureza a que chegaram os espíritos”. Como o princípio material se verifica provavelmente no mesmo estado em cada mundo, podemos inferir a existência de vida em outros planetas em formas inacessíveis aos sentidos humanos. Isso significaria que encontrar vida em outros planetas é uma atividade muito mais difícil pelos meios científicos convencionais, sempre submetidos às limitações dos nossos sentidos ordinários.

Na posição em que nos encontramos, é difícil conhecer mais detalhes sobre outros mundos, em que pese a curva ascendente das novas descobertas de exoplanetas. Essa dificuldade se aplica às revelações dos espíritos, conforme lemos na questão 182 de O livro dos espíritos “porque nem todos estão em estado de compreendê-las e semelhante revelação os perturbaria”. Porém, podemos estar certos de que outros mundos nos esperam com possibilidades quase infinitas de existência. Dentre eles, permanece a Terra como um planeta subdesenvolvido, não obstante pleno de oportunidades e já algo distante dos mais atrasados.

Em uma interessante resposta na questão 72 de O consolador, Emmanuel considera que “no vosso, sem que haja qualquer sacrifício de vossa parte, tendes gratuitamente céu azul, fontes fartas, abundância de oxigênio, árvores amigas, frutos e flores, cor e luz, em santas possibilidades de trabalho, que o homem há renegado em todos os tempos”. Nos inferiores à Terra, as condições de existência são muito mais penosas.

No alvorecer do século 21, a questão da pluralidade dos mundos foi resolvida em concordância com o ensino dos espíritos. Quem imaginaria que nossas concepções tacanhas de ‘céu, inferno e purgatório’ seriam substituídas pela certeza de muitos ‘bilhões de planetas’ em lento, mas ascendente processo de crescimento espiritual!

Mas os espíritos foram além e descreveram a Terra como um dos inumeráveis degraus em que a alma nutre sua evolução incessante, até atingir os mundos plenamente redimidos.

Acrisolados no dia a dia de nossas existências limitadas, muitas vezes nos esquecemos da realidade desses muitos mundos que nos mostra de maneira assombrosa a verdadeira face da justiça divina e de sua infinita bondade.

Ademir Xavier*

Fonte: correio.news

*Físico, mestre e doutor em física pela UNICAMP – Universidade Estadual de  Campinas, Ademir Xavier é servidor público federal em autarquia vinculada ao Ministério de Ciências, Tecnologia e Inovações do Governo Federal.

Referências:

  1. Ver https://pt.wikipedia.org/wiki/TRAPPIST-1
  2. Roy-Di Piazza, V. (2020). Ghosts from other planets: plurality of worlds, after life and satire in Emanuel Swedenborg’s De Telluribus in mundo nostro solari (1758). Annals of Science, 77(4), 469-494.
  3. A. Xavier (2019). A resposta ao Paradoxo de Fermi. https://eradoespirito.blogspot.com/2019/08/a-resposta-ao-paradoxo-de-fermi.html
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Mais cuidado com as redes sociais

Lúcia Moysés

“O bem que praticas em qualquer lugar será teu advogado em toda parte.” Emmanuel

Transtorno de Dependência de Tela é real e pode estar destruindo o cérebro  do seu filho

A cena se repete todas as manhãs: a mãe tentando fazer com que o filho acorde e ele resistindo, querendo ficar só mais um pouquinho. Como dorme pouco, o corpo reage a ter que sair da cama.

Com a popularização da internet e, em especial das redes sociais, jovens de todas as idades estão deixando de dormir para ficarem conectados com seus pares até altas horas da noite, esquecidos de que na manhã seguinte têm colégio. O fenômeno vem se alastrando de forma intensa, trazendo preocupação para as famílias, educadores e profissionais da saúde. Sabe-se, por exemplo, que está havendo aumento nos problemas de ordem física em função de um estilo de vida mais sedentário. Professores relatam que os alunos chegam pela manhã sonolentos, apáticos e com dificuldades de concentração.  São os efeitos da privação do sono.

Seria bom que os pais entendessem um pouco mais a respeito desse assunto. Talvez, quem sabe, passassem a ter uma posição mais firme em relação às regras de uso da internet pelos filhos.

Diz-nos a Dra. Suzano Herculano-Houzel, neurocientista e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que eventualmente pode-se dormir pouco, sem que isto acarrete problemas, mas que “a insônia voluntária é um pacto com o diabo.” Isso porque a falta de sono causa problemas físicos e mentais. Enquanto dormimos nosso cérebro executa várias funções que são fundamentais para a manutenção da nossa saúde. E talvez uma das mais importantes seja a de desligar a produção do hormônio do estresse, o cortisol.  Portanto, não é de se estranhar a presença de alunos estressados depois de noites e mais noites passadas diante do computador ou da TV.

Como nosso organismo mantém processos de autorregulação, tudo pode voltar ao normal desde que as horas perdidas de sono sejam compensadas. Mas a verdade é que nem sempre temos tempo para essa compensação.  Quando se trata de perda de sono por problemas relevantes, a questão é aceitável. Mas o que sabemos em relação aos jovens que vivem conectados aos seus computadores, tablets ou celulares é que raramente se trata de algo importante.  Em geral, eles gastam o tempo jogando, bisbilhotando a vida alheia, enviando ou recebendo piadinhas, quando não estão fazendo gozações em torno do futebol, ou simplesmente conversando e rindo com seus colegas. Nisso vão até de madrugada. Assim, não há mesmo como acordar de bom humor daí a algumas horas.

Mas esses não são, certamente, os efeitos mais preocupantes desse novo hábito. Hoje, é impossível se ignorar que muitos estão se tornando viciados em redes sociais. Pesquisa levada a efeito na Universidade de Chicago revelou a força dessa nova dependência.  Depois de acompanhar durante uma semana a rotina de checagem de atualizações no Facebook e no Twitter de 205 pessoas com mais de 18 anos de idade, concluiu-se que resistir às tentações das redes sociais é mais difícil do que dizer não ao álcool e ao cigarro. Fato preocupante!

Vício em redes sociais: será que não está na hora de dar uma pausa no  Facebook?

No Brasil, a psicóloga Dora Góes, coordenadora de um programa voltado para o auxílio a dependentes do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, relata que 25% dos pacientes que lá buscam ajuda o fazem atrás de tratamento para o vício em redes sociais. Dada a estimativa de crescimento desse número, o Instituto está se preparando para oferecer, em breve, um módulo específico para tratar exclusivamente desse tipo de dependência.

Como toda novidade, os estudos a respeito desse tema são ainda incipientes. O bom-senso, no entanto, nos aconselha a tomarmos cuidado com a forma com que estamos utilizando as modernas tecnologias de relacionamento social.

Nunca é demais nos lembrarmos – e fazer lembrar os nossos filhos – de que renascemos exclusivamente com o objetivo de evoluirmos espiritualmente. De pouco valerá nossos avanços no âmbito do conhecimento se nos mantivermos estacionados moralmente.  Deus certamente nos permitiu que chegássemos ao atual estágio de desenvolvimento tecnológico e científico para o nosso aprimoramento como espíritos. As ferramentas de que hoje dispomos –desnecessário dizer – ajudam-nos de forma extraordinária. O problema que aqui colocamos diz apenas respeito à maneira como as utilizamos. Se não soubermos fazê-lo de forma sensata e equilibrada, aquilo que poderia ser uma alavanca para o nosso progresso poderá nos obrigar a retardar os nossos passos. Reflitamos, pois, um pouco mais sobre isso. Como tudo isso é muito novo, ainda dá tempo de fazermos as opções corretas.

Lúcia Moysés

Fonte: Correio Espírita

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