Uma reflexão espírita sobre os transtornos de desenvolvimento

Simara Lugon

Atualmente há a impressão que há mais pessoas com o diagnóstico de transtornos de desenvolvimento do que havia no passado, no entanto isto ocorre devido ao maior acesso à informação do que era disponível antigamente. Desta forma, é possível identificar bem cedo os sinais indicativos dos transtornos e assim buscar ajuda especializada.

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde: “O termo transtorno de desenvolvimento abrange deficiência intelectual e transtornos invasivos de desenvolvimento, (…). Os distúrbios de desenvolvimento geralmente têm início na infância, mas tendem a persistir na idade adulta, causando comprometimento ou atraso nas funções relacionadas à maturação do sistema nervoso central. Eles geralmente seguem um curso constante, em vez de os períodos de alternância entre estabilizações e crises que caracterizam muitos outros transtornos mentais. (…). Essa condição diminui a capacidade de adaptação às exigências diárias da vida. Os sintomas de transtornos invasivos de desenvolvimento, como o autismo, são comportamento social, comunicação e linguagem prejudicados e uma estreita faixa de interesses e atividades, que são únicas para o indivíduo e realizadas repetidamente.”

Os distúrbios do desenvolvimento incluem: transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, transtornos do espectro autista, dificuldades de aprendizagem, como dislexia e deficiências em outras áreas acadêmicas, deficiência intelectual e síndrome de Rett. Com o acesso à informação e ao resultado de um diagnóstico ainda na infância, é possível que o indivíduo com a condição de transtorno de desenvolvimento tenha acesso ao tratamento adequado e desta forma, possa ter um acompanhamento que leve em consideração suas singularidades, garantindo o desenvolvimento contínuo da criança, além de uma vida mais saudável, independente e autônoma.

Ao identificar algum tipo de atraso nos marcos de desenvolvimento e posteriormente ao receber um diagnóstico de transtorno de neurodesenvolvimento, é comum que as famílias fiquem abaladas, questionando-se o porquê daquela condição. A ciência ainda não conseguiu identificar a causa específica, no entanto, alguns estudiosos afirmam que eles podem estar relacionados a fatores genéticos. De acordo com a Doutrina Espírita, todas as doenças assim como os transtornos têm uma razão de acontecerem afinal, não há efeito sem causa, mas esta causa pode não ser identificada apenas avaliando o campo físico, visto que grande parte das doenças físicas são efeitos de distúrbios profundos no campo da energia do Espírito. Elas se instalam em virtude das necessidades cármicas, convocando o paciente e sua família às reflexões e reformulações morais que serão capazes de realizar os reajustes necessários ao equilíbrio espiritual e físico.

Desta forma, é importante que se encare os desafios destes transtornos como oportunidade de melhoria e evolução moral e espiritual, e não como um problema sem solução. A medicina ainda não encontrou a cura ou uma forma de prevenção para que esses distúrbios não ocorram até porque eles não são considerados uma doença e sim uma condição. Ainda assim, é possível realizar um tratamento individualizado unindo terapias comportamentais, de comunicação, educativas, medicamentosas e espirituais que podem tornar a vida dos portadores desses distúrbios mais funcional e saudável.

A questão 768 de O livro dos Espíritos esclarece que: “o homem tem que progredir. Insulado, não lhe é isso possível, por não dispor de todas as faculdades. Falta-lhe o contato com os outros homens. No insulamento, ele se embrutece e estiola. Homem nenhum possui faculdades completas. Mediante a união social é que elas umas às outras se completam, para lhe assegurarem o bem-estar e o progres­so. Por isso é que, precisando uns dos outros, os homens foram feitos para viver em sociedade e não insulados.” Assim, podemos compreender a necessidade do envolvimento familiar e amoroso na vida de todas as pessoas para a sua evolução e progresso, e não é diferente para os portadores de transtornos de desenvolvimento. O amor, o carinho, a atenção e o cuidado afetivo contribuem muito para seu desenvolvimento moral e para que eles possam superar os desafios que sua encarnação traz, pois, o envolvimento da família no cuidado de pessoas com essa condição é fundamental. E não apenas da família, mas também dos educadores, das casas espíritas e religiosas em geral e de toda a sociedade, que podem e devem contribuir para a inclusão das pessoas com qualquer tipo de deficiência.

Ao receber em sua vida o imenso privilégio de se conviver e amar uma criança, jovem ou adulto com algum transtorno de desenvolvimento, tenha em mente que Deus te concedeu este convívio para que você possa aprender e evoluir através deste relacionamento. Tenha sempre a mente aberta, busque o conhecimento disponível para que torne esta relação harmoniosa, gentil e amorosa, e assim, toda a sociedade se beneficiará vivenciando a lei mais bela divina: a do amor.

Que todos possam se recordar da primeira e mais importante lei segundo o Mestre Jesus: “Amar o próximo como a si mesmo” e também dos ensinamentos do Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo 11, item 10, onde Sansão afirma: “Não vos canseis, pois, de escutar as palavras de João Evangelista. Sabeis que, quando a doença e a velhice interrompem o curso de suas pregações, ele repetia apenas estas doces palavras: “Meus filhinhos, amai-vos uns aos outros!”. Queridos irmãos, utilizai com proveito essas lições: sua prática é difícil, mas delas retira a alma imenso benefício. Crede-me, fazei o sublime esforço que vos peço: “Amai-vos”, e vereis, muito em breve, a Terra modificada tornar-se um novo Eliseu, em que as almas dos justos virão gozar o merecido repouso.”

Simara Lugon

Fonte: Letra Espírita

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Referências:

  • KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Matheus Rodrigues de Carvalho. 43ª reimpressão.  Capivari, SP: Editora EME, 2018.
  • KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes/Rh: Editora Letra Espírita. 2022.
  • Transtornos mentais. Disponível em: Transtornos mentais – OPAS/OMS | Organização Pan-Americana da Saúde (paho.org). Acessado em 31 de Maio de 2023.
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Entendendo os chacras. Parte V

O que significa alinhamento dos chacras.

Frequentemente vemos em livros, palestras ou em relatos mediúnicos que uma determinada pessoa tem os chacras desalinhados. Mas dificilmente temos uma explicação para isso.

A questão é que o entendimento do que realmente se constitui esse sistema energético de proteção e de atuação autônoma chamada chacras nem sempre é claro. Muitas pessoas ainda pensam nos chacras como estruturas cônicas que giram, sem realmente tentar compreender.

Apesar de estarmos sempre abertos a mudanças conceituais, desde que embasadas em lógica, a ideia que nos parece mais sensata é de que esse sistema se constitui de campos magnéticos formados pela concentração de canais de energia que nutrem nossos corpos (físico e sutis). Através desses canais o fluido cósmico universal em todas as suas variações (especialmente energia vital e a energia eletromagnética) circula de forma mais ou menos harmônica, nos trazendo saúde ou doença.

Quando pensamos em harmonia energética é como se uma sinfonia cósmica atuasse no nosso corpo, com energia humana, etérea, astral, espiritual e divina se juntando em uma amálgama e nos fornecendo o que precisamos para nos manifestarmos nessa dimensão específica onde habitamos e vivemos. Essa junção acontece de forma contínua e dinâmica.

Para que a saúde se manifeste, um perfeito equilíbrio deve existir entre essas diversas formas de energia, que poderiam ser resumidas em três, de acordo com a medicina tradicional chinesa(MTC), que tem uma visão bem diferente da nossa medicina ocidental.  Para a MTC herdamos uma energia que vem de nossos antepassados chamada de energia ancestral e recebemos outras duas, o yang, que é a energia mais sutil que vem pela respiração e o yin, energia nutridora, que obtemos através dos alimentos. Dessa forma teríamos caminhos que essa energia deveria percorrer para se juntar e circular pelo nosso corpo.

Os campos magnéticos de cada chacra estão ligados a funções específicas. Por exemplo, o chacra básico estaria ligado ao sentimento de conexão com essa vida, com a energia telúrica, com a vitalidade, com a sexualidade, disposição, etc…, Exercer nossa sexualidade de maneira equilibrada é uma excelente ferramenta para nos mantermos saudáveis e vitalizados. Mas ao viciarmos nossos sentimentos em energias sexuais desarmonizadas, alteramos a qualidade da energia que domina essa campo magnético causando excesso ou falta de energia, aumentando ou diminuindo esse campo energético. Na medida em que insistimos nessa conduta mantemos esse campo alterado, influenciando a forma como a energia flui entre cada chacra. A isso chamamos de desalinhamento de chacras. Somente mudança de atitudes podem fazer com que o campo magnético de cada chacra permaneça com aspecto regular, mantendo sua vibração característica que traz uma coloração, uma velocidade, uma amplitude de onda entre outras características.

Na figura ao lado vemos um exemplo de desalinhamento dos chacras, alguns expandidos, concentrando muita energia e outros desvitalizados, com o campo magnético diminuído. Essa diferença entre mais energia em um lugar e menos em outra é o que traz a doença segundo a MTC. A acupuntura, avaliando a energia de cada meridiano principal (6 Yang e 6 Yin) tenta equilibrar esses campos. Temos hoje várias terapias complementares que podem ser úteis na harmonização desses campos magnéticos. O passe magnético com suas variações dispersivas ou concentradoras, calmantes ou ativantes desempenha um papel espetacular. O reiki, a cromoterapia entre outras também podem ser eficazes, porém se não houver uma identificação da causa, do padrão de comportamento que está originando a desarmonização ou o desalinhamento dos campos magnéticos, provavelmente o distúrbio retornará após a assistência energética. Obviamente isso não invalida a intervenção energética, já que durante a terapia o assistido atingirá um estado de equilíbrio energético que em grande parte das vezes o faz refletir, meditar, e entrar em contato com o seu eu superior, sua essência divina e iniciar o retorno ao estado de equilíbrio.

É por isso que o terapeuta, o cuidador, o facilitador são instrumentos de acolhimento, mas cabe ao assistido tomar as decisões importantes rumo à cura espiritual.

Paz e luz!

Postado por Sérgio Vencio

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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Entendendo os chacras – Parte IV

Como os chacras se relacionam com nosso corpo físico?

Na pequena e inicial ideia que temos da relação corpo-espírito, os chacras desempenham um papel fundamental. Aparentemente eles se relacionam com nosso corpo, principalmente  através de dois sistemas essenciais, o nervoso e o endócrino.

Há tempos os chacras vem sendo relacionados com as glândulas, cada chacra principal com uma glândula. Vale lembrar que na verdade cada célula é um pequeno mundo em si mesma, emitindo e recebendo energia eletro-magnética (EEM) e dessa forma funcionando como um microchacra. Todas as nossas células são banhadas por EEM através dos nadis, canais de energia que funcionam à semelhança das nossas artérias e veias, levando e trazendo EEM. Nas regiões mais importantes esses canais se juntam formando os chacras, campos magnéticos maiores com funções específicas, dependentes da volição espiritual e que influenciam no nosso sistema nervoso e glândulas. Do ponto de vista conceitual, na verdade são nossos vasos, veias e nervos que funcionam à semelhança dos nadis, mas isso é assunto para outro dia.

O regente dessa orquestra energética, o chacra coronário, se comunica com o cérebro, o regente da nossa vida física. Se liga também à nossa glândula pineal, chamada por Descartes de “a sede da alma“. Todos os outros chacras lhe são secundários assim como todo o funcionamento do nosso organismo está diretamente ligado ao funcionamento cerebral. Dessa forma cada chacra tem o seu campo magnético envolvendo uma glândula em especial, de acordo com sua vibração energética e função específica.

Os endocrinologistas sabem que as glândulas são normalmente locais de nódulos. Acredita-se que de uma forma geral, 50% da população tem nódulo na tiroide. Um estudo japonês de autópsia mostrou que mais de 40% da população japonesa apresentava nódulo na glândula hipófise, a maioria sem significado clínico. Isso demonstra uma questão importante. As glândulas acabam funcionando como o primeiro ponto de contato entre a energia espiritual e o corpo físico. Como nosso passado nos condena, trazemos mais energia negativa do que positiva e isso acaba gerando disfunções morfológicas nas glândulas endócrinas. Essa alteração anatômica nem sempre se traduz em mudança fisiológica com mau funcionamento da glândula, mas demonstra claramente que o campo energético sutil funciona como um molde, o modelo organizador biológico, determinando a forma do nosso corpo físico.

Para auxiliar na condução desse campo energético dos chacras no nosso corpo físico entra em cena o maior condutor energético que temos, a água. Se repararmos bem, os chacras estão distribuídos exatamente no percurso do líquor, ou líquido cefalorraquidiano (LCR), Fluido cerebrospinal,  que é um fluido corporal estéril e de aparência clara que ocupa o espaço subaracnóideo no cérebro (espaço entre o crânio e o córtex cerebral—mais especificamente, entre as membranas aracnóide e pia-máter das meninges). É uma solução salina muito pura, pobre em proteínas e células, e age como um amortecedor para o córtex cerebral e a medula espinhal e condutor da energia magnética trazida pelos chacras.

Isso explica porque as respostas hormonais ao stress acontecem de forma tão rápida, pois há um conjunto de atuação, físico, etérico e espiritual, que determina uma mudança no padrão energético de cada chacra e como esse campo influencia a respectiva glândula endócrina que se relaciona com esse campo alterado positiva ou negativamente.

Na semana que vem vamos tentar entender o significado do termo alinhamento dos chacras.

Paz e luz!

Postado por Sérgio Vencio

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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Entendendo os chacras – Parte III

O desenvolvimento dos chacras ao longo da vida.

A literatura nos traz poucos dados sobre esse assunto, mas entendemos que na primeira infância os chacras estão em desenvolvimento, em crescimento e vão demorar ainda alguns anos para exercer suas funções de forma automática. Um dos fatores que influencia esse aspecto é que o chacra coronário, o coordenador desse sistema energético automático de proteção, só vai funcionar plenamente na adolescência.

No processo de reencarnação, o espírito passa por um processo de regressão, o perispírito perde a antiga forma para se adaptar ao novo corpo físico. O perispírito ao mesmo tempo que desempenha o papel de modelo organizador biológico, sofre a ação da genética no que diz respeito à futura forma física. O campo magnético do corpo astral (perispirítico) determina também quais os genes se ativarão ou permanecerão adormecidos.

Voltando aos chacras, na primeira infância há uma adaptação do espírito à nova casa física, e os chacras não conseguem desempenhar seu papel básico de proteção, e dessa forma vemos que as crianças se desdobram com extrema facilidade, conversando com “amigos imaginários”, que muitas vezes não são tão imaginários assim. Além disso, a falta de proteção faz com que elas não se diferenciem do meio. Tudo é dela, tudo faz parte dela. Até essa fase as crianças são dóceis aos exemplos dos pais, obedecendo quase totalmente o padrão estipulado na casa.

Entre 6-7 anos, no que poderíamos chamar de segunda infância, os chacras começam a se especializar e se desenvolver de forma mais visível. A criança já manipula o fluido cósmico universal, criando uma tela protetora ao redor dos chacras. Isso gera maior defesa energética e consequentemente menos doenças. É notável como as crianças adoecem menos após os 7 anos de idade. Essa defesa também leva a criança a se enxergar como um ser  a parte, é a  individualidade se iniciando, gerando uma menor sensação de posse, o início das “turminhas”, das amizades e uma liberdade maior em relação aos pais. Nessa fase se inicia um distanciamento leve dos ensinamentos e exemplos dos pais, pois ela já sofre a influência de outros sistemas energéticos (escola, amigos, outras casas que começa a frequentar), mas ainda é maleável à influência dos pais.

Na adolescência temos um fenômeno absolutamente fascinante e pouco conhecido em detalhes. A fase da puberdade acorda no reino humano a glândula pineal e o chacra coronário. André Luiz nos fala através da mediunidade de Chico Xavier que “A pineal acorda no organismo do homem, na puberdade, as forças criadoras e, e, seguida, continua a funcionar como o mais avançado laboratório de elementos psíquicos da criatura terrestre. Aos 14 anos, de posição estacionária, quanto as suas atribuições essenciais recomeçam a funcionar no homem encarnado. O que  representava controle é fonte criadora e válvula de escapamento. A glândula pineal reajusta-se ao concerto orgânico e reabre seus mundos maravilhosos de sensações e impressões na esfera emocional. Ocorre a recapitulação da sexualidade. A pineal preside aos fenômenos nervosos da emotividade, como órgão de elevada expressão no corpo etéreo. Desata os laços divinos da natureza, os quais ligam as existências umas às outras, na sequência das lutas, pelo aprimoramento da alma, e deixa entrever a grandeza das faculdades criadoras de que a criatura se acha investida.”

Nessa idade, normalmente após os 12 anos de idade, o adolescente muda completamente de comportamento, sofrendo no corpo físico os efeitos energéticos dessa ligação com seu próprio passado, muda o cabelo, a pele, a voz, os caracteres sexuais secundários, tudo obedecendo à influenciação das energias do passado, ocorrendo de forma mais ou menos harmônica conforme o que carrega em seu psiquismo, seu banco de dados milenar. Em alguns casos ocorrem alterações profundas no campo magnético levando a deformações importantes na estrutura e no funcionamento dos chacras.

A partir da puberdade a chance de influenciar os filhos é cada vez menor, pois eles já refletem em toda a potencialidade o que é deles, o que são, o que fizeram, o que gostariam de ser. Obviamente que sempre é tempo de tentar mudar, mas agora, os chacras estão funcionando completamente, o espírito milenar dos filhos já exerce uma influência dominadora sobre sua personalidade.

Esse entendimento por mais precário que seja nos dá uma idéia da importância de tentarmos influenciar positivamente nossos filhos desde a mais tenra idade, aproveitando a maleabilidade cerebral, energética e emocional das fases iniciais. Obviamente não nos isenta de tentar após a puberdade e ao longo de toda a vida, mas com outras abordagens, de preferência pelo exemplo, pelo companheirismo, amizade e amor.

Na próxima semana vamos tentar entender como os chacras se relacionam com nosso corpo físico.

Paz e luz!

postado por Sergio Vêncio

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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Entendendo os chacras – Parte II

O que sabemos a respeito dos chacras vem de informações obtidas por médiuns e iniciados estudiosos do assunto, sensitivos que durante momentos de meditação conseguem acessar informações do sutil. Se aprofundarmos no estudo veremos que nem sempre os dados que obtemos são uniformes.

Isso ocorre porque o chacra é um campo magnético, uma estrutura sutil que vai ser “visualizado” conforme a capacidade anímica de “enxergar” o sutil que cada um tem. Alguns o possuem de forma mais cristalina, outros como uma percepção, algo intuído.

Na descrição dos médiuns temos que eles assemelham-se a corolas de flores afuniladas. Possuem diferentes quantidades de pétalas.  São responsáveis pela recepção e distribuição das energias mentais, astrais e etéreas conforme a necessidade do ser. Apresentam movimento giratório permanente, o que atrai energia para interior dos chakras.

Provavelmente a famosa forma cônica não exista e seja somente decorrente do fato de que o campo é percebido mais fortemente no seu fulcro. Pode ser também que no futuro iremos perceber que essa divisão dos sete chacras é meramente didática e que na verdade o que existe é um único campo magnético que nos envolve e que se aglutina em determinadas partes específicas.

De qualquer forma uma coisa importante é entender que esse campo magnético obedece ao espírito e não tem função consciente.

André Luiz, através da excelente mediunidade de Chico Xavier nos traz a seguinte informação no livro “Evolução em dois mundos”

– Estudado no plano em que nos encontramos, na posição de criaturas desencarnadas, o corpo espiritual ou psicossoma é, assim, o veículo físico, relativamente definido pela ciência humana, com os centros vitais que essa mesma ciência, por enquanto, não pode perquirir e reconhecerNele possuímos todo o equipamento de recursos automá­ticos que governam os bilhões de entidades microscópicas a ser­viço da Inteligência, nos círculos de ação em que nos demora­mos, recursos esses adquiridos vagarosamente pelo ser, em mi­lênios e milênios de esforço e recapitulação, nos múltiplos setores da evolução anímica.

Essas informações de André Luiz nos falam de estruturas automáticas, semelhantes ao nosso sistema nervoso autônomo (SNA), que controla funções vitais de forma inconsciente. Eu não preciso me preocupar com os meus batimentos cardíacos, isso é uma função do SNA.

A ciência vem tentando entender o funcionamento dos chacras, por mais difícil que seja essa tarefa. O cientista japonês Hiroshi Motoyama, a foto kirlian, o estudo da bioenergia entre outros, tudo isso tem contribuído para entender esse complexo sistema automático de equilíbrio energético.

Diversos autores estudaram esse tema, conforma abaixo :

“Podem ser encarados como vórtices (redemoinhos) de força.” Peter Rendel

“São pontos de conexão ou enlace pelos quais flui a energia de um a outro veículo (corpo do homem).”  C. W. Leadbeater

“Funcionam como terminais, através dos quais a energia (prana) é transferida de planos superiores para o corpo físico.” Keith Sherwood

“São acumuladores e distribuidores de força espiritual, situados no corpo etéreo pelos  quais transitam os fluidos energéticos.” Edgard Armond

A partir da semana que vem vamos postar aqui informações que existem na literatura espírita sobre a função de cada chacra, seus desequilíbrios e a forma de harmonizer cada um deles.

Sérgio Vencio

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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Entendendo os chakras – Parte I

Durante as próximas semanas falaremos sobre os chacras. Esses textos fazem parte do curso “Cuidadores da Alma” desenvolvido na Comunidade Espírita Ramatís em Goiânia, visando formar cuidadores com conhecimento em técnicas complementares, visando o acolhimento amoroso dos irmãos em sofrimento.

Os chakras são as portas ou portais de entrada e saída de energia do nosso corpo. A palavra chakra vem do sânscrito e significa “roda”, pois os chakras têm esta aparência – rodas girantes trocando energia com o meio ambiente físico e espiritual. Pode ser escrito como chacra, chakra, centro vital, centro de força, são diversos termos para definir a mesma coisa. Do ponto de vista de entendimento seria melhor definir como campo magnético da região laríngea do que como chacra laríngeo. Explicamos a frente.

Eles são “centros de força”, isto é, centros energéticos do nosso corpo que funcionam como portais de energia fazendo a captação, contenção e distribuição desta energia para todos os corpos que compõem a aura. São verdadeiros vórtices por onde os dinâmicos campos magnéticos dos corpos espirituais se ligam ao físico. De certa forma, eles parecem atuar como transformadores de energia, reduzindo sua forma e frequência para adequá-la ao nível de energia imediatamente inferior.

Vamos tentar fazer um paralelo entre o magnetismo que a Terra exerce sobre o sol e os chacras com nosso corpo físico. É sabido que o Sol é a estrela do nosso sistema solar. Sabemos também que ele emite milhões de partículas por segundo para todas as direções do espaço. Percebemos essas radiações eletromagnéticas, também chamadas de ventos solares, em forma de calor e luz.

A quantidade de radiação que chega até a Terra é menor por conta da proteção exercida pelo campo magnético terrestre. O campo magnético da Terra interage com as radiações eletromagnéticas fazendo com que elas sejam freadas e também atua desviando-as de sua trajetória inicial. Por esse motivo é que podemos dizer que a Terra se comporta como um ímã gigante.

Assim também funcionam os nossos chakras. Formados por centenas de milhares de canais de energias que circulam em velocidade altíssima pelo nosso corpo, eles se concentram em determinados lugares, formando plexos, exatamente da mesma forma que no nosso corpo físico temos os plexos nervosos, constituídos de neurônios e os plexos vasculares formados por artérias e veias que afluem para determinados locais do nosso corpo.  Voltando aos chakras, nesses locais de maior afluência energética, formam-se campos de força com características próprias, diferenciando os chakras entre si.

Sabemos que toda energia é matéria em movimento, em vibração. Essa vibração ocorre em determinado padrão de onda, de velocidade, com características que podem ser mensuráveis, conforme nos mostram as técnicas de bioenergia, de foto kirlian, etc…

Na tabela abaixo vemos que a depender do comprimento da onda desse campo magnético o chakra apresentará determinada cor. É por isso que os médiuns e videntes podem observar e relatar durante as assistências que o chakra tal está de tal jeito.

Nos próximos artigos vamos detalhar sobre o funcionamento de cada chakra, mas é sempre importante observar que a importância dos chakras é sempre relativa dentro do contexto holístico. Quem realmente é importante é o espírito, a centelha divina. Todo o resto, que incluem os corpos, os chakras, entre outros, é secundário dentro do todo.

Os chakras tem funcionamento automático, ou seja, não guardam em si a qualidade da energia, uma vez que essa é gerada pelo espírito. A função que executam, com primordial atenção para a concentração energética e distribuição dessa energia, é feita de forma autônoma, não havendo um raciocínio por trás dessa função. É exatamente como funciona nosso Sistema Nervoso Autônomo, que controla nossas funções vitais, como respirar, batimento cardíaco, funcionamento cerebral, glandular, e outros.

Os chakras se constituem em importante mecanismo de proteção automática da nossa energia e podem ser ativados pela nossa vontade, através da meditação, da oração, das terapias energéticas complementares. Da mesma forma pode ser agredido pelos nossos pensamentos, pelo excesso de comida, pela droga, cigarro e bebida alcoólica.

Entender o funcionamento dessas estruturas está na base do nosso processo de auto conhecimento, visando saber nos preservar para evoluir de forma mais tranquila.

Paz  e luz!

Postado por Sérgio Vencio

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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A homeopatia nas moléstias morais

Imagem de Revista Espírita 1867 - Vol. X

Allan Kardec – Revista Espírita

Jornal de Estudos Psicológicos

publicada sob a direção de ALLAN KARDEC

1867 > Março > A homeopatia nas moléstias morais

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Pode a homeopatia modificar as disposições morais? Tal é a pergunta feita por certos médicos homeopatas e à qual não hesitam em responder afirmativamente, apoiando-se em fatos. Considerando-se sua extrema gravidade, vamos examiná-la com cuidado, de um ponto de vista que nos parece ter sido negligenciado por aqueles senhores, por mais espiritualistas e mesmo espíritas que sejam, sem dúvida, porquanto há bem poucos médicos homeopatas que não sejam uma ou a outra coisa. Mas, para a compreensão de nossas conclusões, são necessárias algumas explicações preliminares sobre as modificações dos órgãos cerebrais, sobretudo para as pessoas alheias à fisiologia.

Um princípio que a simples razão torna admissível, que a Ciência constata diariamente, é que nada há de inútil na Natureza, que até nos mais imperceptíveis detalhes tudo tem um fim, uma razão de ser, uma destinação. Este princípio é particularmente evidente no que concerne ao organismo dos seres vivos.

Em todos os tempos, o cérebro tem sido considerado como o órgão da transmissão do pensamento e a sede das faculdades intelectuais e morais. É hoje reconhecido que certas partes do cérebro têm funções especiais e são afetadas por uma ordem particular de pensamentos e sentimentos, pelo menos no que concerne à generalidade; é assim que, instintivamente, na parte anterior se colocam as faculdades do domínio da inteligência e que uma fronte fortemente deprimida e retraída é para todo mundo um sinal de inferioridade intelectual. As faculdades afetivas, os sentimentos e as paixões estariam, consequentemente, sediados em outras partes do cérebro.

Ora, se considerarmos que os pensamentos e os sentimentos são excessivamente múltiplos, e partindo do princípio que tudo tem sua destinação e sua utilidade, é permitido concluir que não só cada feixe fibroso do cérebro corresponde à manifestação de uma faculdade geral distinta, mas que cada fibra corresponde à manifestação de uma das nuanças dessa faculdade, como cada corda de um instrumento corresponde a um som particular. Sem dúvida é uma hipótese, mas que tem todos os caracteres de probabilidade, e cuja negação não infirmaria as consequências que deduziremos do princípio geral. Ela nos ajudará em nossa explicação.

O pensamento é independente do organismo? Aqui não temos que discutir esta questão, nem que refutar a opinião materialista segundo a qual o pensamento é secretado pelo cérebro, como a bile pelo fígado; nasce e morre com esse órgão. Além de suas funestas consequências morais, essa doutrina tem contra si o fato de nada explicar.

Segundo as doutrinas espiritualistas, que são as da imensa maioria dos homens, não podendo a matéria produzir o pensamento, este é um atributo do Espírito, do ser inteligente que, quando unido ao corpo, serve-se dos órgãos especialmente encarregados da sua transmissão, como se serve dos olhos para ver e dos pés para andar. Sobrevivendo o Espírito ao corpo, o pensamento também a ele sobrevive.

Segundo a Doutrina Espírita, o Espírito não só sobrevive, mas preexiste ao corpo; ele não é um ser novo; ao nascer, ele traz ideias, qualidades e imperfeições que possuía; assim se explicam as ideias, as aptidões e as inclinações inatas. O pensamento é, pois, preexistente e sobrevivente ao organismo. Este ponto é capital e é por não o terem reconhecido que tantas questões permaneceram insolúveis.

Estando na Natureza todas as faculdades e aptidões, o cérebro encerra os órgãos, ou, pelo menos, o germe dos órgãos necessários à manifestação de todos os pensamentos. A atividade do pensamento do Espírito sobre um ponto determinado impele ao desenvolvimento da fibra ou, se se quiser, do órgão correspondente. Se uma faculdade não existir no Espírito, ou se, existindo, deve ficar em estado latente, estando inativo o órgão correspondente, ele não se desenvolve ou se atrofia. Se o órgão for atrofiado congenitamente, a faculdade não pode manifestar-se, e o Espírito parece dela privado, embora, em realidade, a possua, porquanto ela lhe é inerente. Enfim, se o órgão, primitivamente em seu estado normal, se deteriora no curso da vida, a faculdade, de brilhante que era, se reduz, depois se apaga, mas não se destrói; há apenas um véu que a obscurece.

Conforme os indivíduos, há faculdades, aptidões, tendências que se manifestam desde o começo da vida, outras se revelam em épocas mais tardias, e produzem as mudanças de caráter e de disposições que se notam em certas pessoas. Neste último caso, geralmente não são disposições novas, mas aptidões preexistentes, que dormitariam até que uma circunstância as viesse estimular e despertar. Podemos ter certeza que as disposições viciosas que se manifestam, por vezes subitamente e tardiamente, tinham seu germe preexistente nas imperfeições do espírito, porque este, marchando sempre para o progresso, se for fundamentalmente bom, não pode tornar-se mau, ao passo que de mau pode tornar-se bom.

O desenvolvimento ou a depressão dos órgãos cerebrais segue o movimento que se opera no Espírito. Essas modificações são favorecidas em todas as idades, mas sobretudo na mocidade, pelo trabalho íntimo de renovação que se opera incessantemente no organismo, da seguinte maneira:

Os principais elementos do organismo são, como sabemos, o oxigênio, o hidrogênio, o azoto e o carbono que, por suas múltiplas combinações, formam o sangue, os nervos, os músculos, os humores e as diferentes variedades de substâncias. Pela atividade das funções vitais, as moléculas orgânicas são incessantemente expelidas do corpo pela transpiração, pela exalação e por todas as secreções, de sorte que se não fossem substituídas, o corpo reduzir-se-ia e acabaria deperecendo. O alimento e a aspiração incessantemente trazem novas moléculas, destinadas a substituir as que se vão, de onde se segue que, num tempo dado, todas as moléculas orgânicas são inteiramente renovadas, e que numa certa idade, não existe mais uma só das que formavam o corpo em sua origem. É o caso de uma casa, da qual se arrancassem as pedras uma a uma, substituindo-as sucessivamente por novas pedras da mesma forma e tamanho, e assim por diante até a última. Teríamos sempre a mesma casa, mas formada de pedras diferentes.

Assim é com o corpo, cujos elementos constitutivos são, dizem os fisiologistas, totalmente renovados de sete em sete anos. As diversas partes do organismo continuam existindo, mas os materiais são trocados. Dessas mudanças gerais ou parciais nascem as modificações que sobrevêm, com a idade, no estado de saúde de certos órgãos, as variações que sofrem os temperamentos, os gostos, os desejos que influem sobre o caráter.

As aquisições e as perdas não estão sempre em perfeito equilíbrio. Se as aquisições superam as perdas, o corpo cresce e engrossa; se se dá o contrário, o corpo diminui. Assim podemos entender o crescimento, a obesidade, o emagrecimento e a decrepitude.

A mesma causa produz a expansão ou a cessação do desenvolvimento dos órgãos cerebrais, conforme as modificações que se operam nas preocupações habituais, nas ideias e no caráter. Se as circunstâncias e as causas que agem diretamente sobre o Espírito, provocando o exercício de uma aptidão ou de uma paixão que até agora estava em estado de inércia, a atividade que se produz no órgão correspondente aí faz afluir o sangue, e com ele as moléculas constitutivas do órgão, que cresce e toma força na proporção dessa atividade. Pela mesma razão, a inatividade da faculdade produz o enfraquecimento do órgão, como também uma atividade muito grande e muito persistente pode levá-lo à desorganização ou ao enfraquecimento, por uma espécie de desgaste, como acontece com uma corda muito esticada.

As aptidões do Espírito, portanto, são sempre uma causa, e o estado dos órgãos, um efeito. Pode acontecer, entretanto, que o estado dos órgãos seja modificado por uma causa estranha ao Espírito, tal como doença, acidente, influência atmosférica ou climática; então os órgãos é que reagem sobre o Espírito, não alterando as suas faculdades, mas perturbando a manifestação.

Um efeito semelhante pode resultar das substâncias ingeridas, no estômago, como alimentos ou medicamentos. Essas substâncias aí se decompõem, e os princípios essenciais que elas encerram, misturados ao sangue, são levados, pela corrente da circulação, a todas as partes do corpo. É reconhecido pela experiência que os princípios ativos de certas substâncias são levados mais particularmente a tal ou qual víscera: o coração, o fígado, os pulmões, etc., e aí produzem efeitos reparadores ou deletérios, conforme sua natureza e propriedades especiais. Alguns, agindo desta maneira sobre o cérebro, podem exercer sobre o conjunto ou sobre determinadas partes, uma ação estimulante ou estupefaciente, conforme a dose e o temperamento, como, por exemplo, as bebidas alcoólicas, o ópio e outras.

Nós nos estendemos um pouco sobre os detalhes que precedem, a fim de facilitar a compreensão do princípio sobre o qual pode apoiar-se, com aparência de lógica, a teoria das modificações do estado moral por meios terapêuticos. Esse princípio é o da ação direta de uma substância sobre uma parte do organismo cerebral, tendo por função especial servir à manifestação de uma faculdade, de um sentimento ou de uma paixão, porque não pode ocorrer a ninguém que tal substância possa agir sobre o Espírito. Admitido, pois, que o princípio das faculdades está no Espírito e não na matéria, suponhamos que se reconheça numa substância a propriedade de modificar as disposições morais de neutralizar uma inclinação má, isto só poderia se dar por força de sua ação sobre o órgão correspondente a essa inclinação, ação que teria por efeito deter o desenvolvimento desse órgão, de atrofiá-lo ou paralisá-lo se ele for desenvolvido. É evidente que, neste caso, não se suprime a inclinação, mas a sua manifestação, absolutamente como se de um músico tirássemos o seu instrumento.

Provavelmente são efeitos dessa natureza que certos homeopatas observaram, e que os fizeram crer na possibilidade de corrigir, com o auxílio de medicamentos apropriados, vícios tais como o ciúme, o ódio, o orgulho, a cólera, etc. Uma tal doutrina, se fosse verdadeira, seria a negação de toda responsabilidade moral, a sanção do materialismo, porque então a causa de nossas imperfeições estaria apenas na matéria; a educação moral reduzir-se-ia a um tratamento médico; o mais perverso dos homens poderia tornar-se bom sem grandes esforços, e a Humanidade poderia ser regenerada com o auxílio de algumas pílulas. Se, ao contrário, e disto não resta dúvida, as imperfeições forem inerentes à inferioridade do Espírito, não será possível melhorá-lo pela modificação de seu envoltório carnal, como não se endireita um corcunda dissimulando sua deformidade sob o talhe de suas roupas.

Não duvidamos, entretanto, que tais resultados tenham sido obtidos nalguns casos particulares, porque, para afirmar um fato tão grave, é preciso ter observado, no entanto, estamos convictos que se enganaram sobre a causa e sobre o efeito. Os medicamentos homeopáticos, por sua natureza etérea, têm uma ação de certa forma molecular; mais do que outros, indubitavelmente, eles podem agir sobre certas partes elementares e fluídicas dos órgãos e modificar sua constituição íntima. Se, pois, como é racional admitir, todos os sentimentos da alma têm sua fibra cerebral correspondente para a sua manifestação, um medicamento que agisse sobre essa fibra, quer para paralisá-la, quer para exaltar sua sensibilidade, paralisaria ou exaltaria, por isso mesmo, a expressão do sentimento do qual ela fosse o instrumento, mas o sentimento não deixaria de subsistir. O indivíduo estaria na posição de um assassino a quem se tirasse a possibilidade de cometer homicídios cortando-lhes os braços, mas que não deixaria de conservar o desejo de matar. Seria, pois, um paliativo, mas não um remédio curativo.

Não se pode agir sobre o ser espiritual senão por meios espirituais. A utilidade dos meios materiais, se fosse constatado o efeito acima, talvez fosse de dominar mais facilmente o Espírito, de torná-lo mais flexível, mais dócil e mais acessível às influências morais; mas nos embalaríamos em ilusões se esperássemos de uma medicação qualquer um resultado definitivo e durável.

Seria diferente se se tratasse de dar suporte à manifestação de uma faculdade existente. Suponhamos um Espírito inteligente encarnado, mas tendo ao seu serviço um cérebro atrofiado e não podendo, pois, manifestar as suas ideias. Ele seria, para nós, um idiota. Admitindo-se – o que julgamos possível à homeopatia, mais do que a qualquer outro gênero de medicação – que se pudesse dar mais flexibilidade e sensibilidade às fibras cerebrais, o Espírito manifestaria seu pensamento, como o mudo ao qual se tivesse soltado a língua. Mas se o próprio Espírito fosse idiota, mesmo que tivesse ao seu serviço o cérebro do maior gênio, nem por isso seria menos idiota. Um medicamento qualquer, não podendo agir sobre o Espírito, não poderia nem dar-lhe o que ele não tem nem tirar o que ele tem. Mas agindo sobre o órgão de transmissão do pensamento, ele pode facilitar essa transmissão, sem que, em consequência disso, haja qualquer alteração na condição do Espírito. O que é difícil, e o mais da vezes impossível, no caso do idiota de nascença, porque há nele uma paralisação completa e quase sempre geral de desenvolvimento nos órgãos, torna-se possível quando a alteração é acidental e parcial. Nesse caso, não é o Espírito que é aperfeiçoado, são os seus meios de comunicação.

Revista Espírita

Jornal de Estudos Psicológicos

publicada sob a direção de ALLAN KARDEC

1867 > Março > A homeopatia nas moléstias morais

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A homeopatia nas moléstias morais 2a. parte

Revista Espírita

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publicada sob a direção de ALLAN KARDEC

1867 > Junho > A homeopatia nas moléstias morais

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O artigo que publicamos no número de março sobre a ação da Homeopatia nas moléstias morais nos valeu, de um dos mais ardentes partidários desse sistema e ao mesmo tempo um dos mais fervorosos adeptos do Espiritismo, o doutor Charles Grégory, a seguinte carta que temos o dever de publicar, em razão da luz que a discussão pode trazer à questão:

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“Caro e venerado mestre,

“Vou tentar explicar-vos como compreendo a ação da Homeopatia sobre o desenvolvimento das faculdades morais.

“Como eu, admitis que todo homem com saúde possui rudimentos de todas as faculdades e de todos os órgãos cerebrais necessários à sua manifestação. Admitis, também, que certas faculdades vão se desenvolvendo sempre, ao passo que outras, as que indubitavelmente são rudimentares, depois de apenas terem emitido alguns lampejos, parecem extinguir-se completamente. No primeiro caso, em vossa opinião, os órgãos cerebrais que correspondem às faculdades em pleno desenvolvimento teriam sua livre manifestação, ao passo que os rudimentares, que o mais das vezes também se relacionam com aptidões rudimentares, se atrofiariam completamente, com o avançar da idade, por falta de atividade vital.

“Se, pois, por meio de medicamentos apropriados, eu agir sobre os órgãos imperfeitos; se aí desenvolver um acréscimo de atividade vital, se para aí indico uma nutrição mais poderosa, é evidente que aumentando o volume eles permitirão que a faculdade rudimentar melhor se manifeste, e que pela transmissão das ideias e dos sentimentos que tiverem colhido, pelos sentidos, no mundo exterior, eles imprimirão à faculdade correspondente uma influência salutar, e por sua vez a desenvolverão, porque tudo se liga e se mantém no homem; a alma influi sobre o físico, como o corpo influi sobre a alma. Então já observamos, por conseguinte, a primeira influência dos medicamentos, pelo do aumento dos órgãos sobre as faculdades correspondentes da alma, a possibilidade, portanto, do homem crescer em potencialidades e aptidões, por meio de forças tiradas do mundo material.

“Agora, para mim não está absolutamente provado que nossas pequenas doses, chegadas a um estado de sublimação e de sutileza que ultrapassam todos os limites, não tenham em si algo de espiritual, de certo modo, que por sua vez age sobre o Espírito. Nossos medicamentos, dados no estado de divisão a que a arte os submete, não são mais substâncias materiais, mas necessariamente são forças, ao menos em minha opinião, que devem agir sobre as faculdades da alma, que, também elas, são forças.

“E depois, como creio que o Espírito do homem, antes de se encarnar na Humanidade, sobe todos os degraus da escala e passa pelo mineral, pela planta e pelo animal e na maior parte dos tipos de cada espécie, onde preludia para seu completo desenvolvimento como ser humano, quem me diz que dando medicalmente o que não é mais nem mineral, nem planta, nem animal, mas o que se poderia chamar sua essência e de certo modo seu espírito, não agimos sobre a alma humana composta dos mesmos elementos? Porque, digam o que disserem, o Espírito certamente é alguma coisa, e porque ele se desenvolveu e se desenvolve incessantemente, deve ter haurido seus elementos nalguma parte.

“Tudo quanto posso dizer é que não agimos sobre a alma com as nossas 200ª e 600ª diluições, materialmente, mas virtualmente e de certo modo espiritualmente.

“Agora, aí estão os fatos, fatos numerosos, bem observados, e que bem poderiam demonstrar que não estou inteiramente errado. Para citar a mim mesmo, embora não goste muito de questões pessoais, direi que, experimentando em mim, há trinta anos, remédios homeopáticos, de certo modo criei novas faculdades, sem dúvida rudimentares, mas que na minha mais luxuriante mocidade jamais tinha conhecido, pois ignorava a Homeopatia, que hoje, aos cinquenta e dois anos, encontro bem desenvolvidas: a percepção da cor e das formas.

“Acrescentarei ainda que, sob a influência de nossos meios, vi caracteres mudarem completamente; à leviandade sucederam a reflexão e a solidez do raciocínio; à lubricidade, a continência; à maldade, a benevolência; ao ódio, a bondade e o perdão das injúrias. Evidentemente não é coisa para alguns dias; são necessários alguns anos de cuidados, mas se chega a esses belos resultados por meios tão cômodos, que não há nenhuma dificuldade em identificar os clientes que vos são devotados, e um médico os tem sempre. Eu mesmo observei que os resultados obtidos por nossos meios eram adquiridos para sempre, ao passo que os dados pela educação, os bons conselhos, as exortações seguidas, os livros de moral quase não resistiam ante a possibilidade de satisfazer uma paixão ardente, e as tentações em relação com nossas fraquezas, antes adormecidas e entorpecidas do que curadas. Se neste último caso o sucesso se manifestava, não era sem lutas violentas, que não era bom prolongar por muito tempo.

“Eis, caro mestre, as observações que desejava submeter-vos sobre esta tão grave questão da influência da Homeopatia sobre o moral humano.

“Para concluir: Quer seja pelo cérebro que o medicamento aja sobre as faculdades, quer aja ao mesmo tempo sobre a fibra cerebral e sobre sua faculdade correspondente, não está menos demonstrado para mim, por centenas de fatos, que a ação sutil e profunda de nossas doses sobre o moral humano é muito real. Além disso, é-me demonstrado que a Homeopatia deprime certas faculdades, certos sentimentos ou certas paixões muito exaltadas, para ativar outras muito reduzidas, e como que paralisadas e, por isto mesmo, conduz ao equilíbrio e à harmonia, de onde resulta a melhora real e o progresso do homem em todas as suas aptidões, e facilidade de vencer-se a si mesmo.

“Não julgueis que tal resultado anule a responsabilidade humana, e que se chegue a esse progresso tão desejado sem sofrimentos e sem lutas. Não basta tomar um medicamento e se dizer: “Vou triunfar de minha inclinação para a cólera, para o ciúme e para a luxúria.” Oh! não! O remédio apropriado, uma vez introduzido no organismo, não traz uma modificação profunda senão ao preço de violentos sofrimentos morais e físicos, e muitas vezes, de longa, de muita longa duração, sofrimentos que devem ser repetidos várias vezes, variando os medicamentos e as doses, e isto durante meses e às vezes anos, se quisermos chegar a resultados concludentes. Aí está o preço a pagar por seu melhoramento moral; aí a prova e a expiação pelas quais tudo se paga neste mundo inferior, e vos confesso que não é coisa fácil de se corrigir, mesmo pela Homeopatia. Não sei se, pelas angústias interiores que se sofre, não se paga mais caro esse progresso do que pela modificação mais lenta, é certo, mas sem dúvida mais suave e suportável da ação puramente moral de todos os dias, pela observação de si mesmo e o ardente desejo de vencer-se.

“Termino aqui. Mais tarde vos contarei inúmeros fatos que bem poderão convencer-vos.

“Recebei, etc.”

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Esta carta em nada modifica a opinião que emitimos sobre a ação da Homeopatia no tratamento das moléstias morais, que vêm confirmar, ao contrário, os próprios argumentos do Sr. Dr. Grégory. Portanto, persistimos em dizer que se os medicamentos homeopáticos podem ter uma ação sobre o moral, é agindo sobre os órgãos de sua manifestação, o que pode ter sua utilidade em certos casos, mas não sobre o Espírito; que as qualidades boas ou más e as aptidões são inerentes ao grau de adiantamento e de inferioridade do Espírito, e que não é com um medicamento qualquer que se pode fazê-lo avançar mais depressa, nem lhe dar as qualidades que não pode adquirir senão sucessivamente e pelo trabalho; que uma tal doutrina, fazendo depender as disposições morais do organismo, tira do homem toda responsabilidade, a despeito do que diz o Sr. Grégory, e o dispensa de todo trabalho sobre si mesmo para se melhorar, pois poderíamos torná-lo bom, malgrado seu, administrando-lhe tal ou qual remédio; que se, com a ajuda de meios materiais, podem ser modificados os órgãos das manifestações, o que admitimos perfeitamente, esses meios não podem mudar as tendências instintivas do Espírito, assim como, cortando a língua de um falador, não se lhe tira a vontade de falar. Um uso do Oriente vem confirmar nossa asserção por um fato material bem conhecido.

Certamente o estado patológico influi sobre o moral a certos pontos de vista, mas as disposições que tem essa fonte são acidentais e não constituem o fundo do caráter do Espírito. São essas, sobretudo, que uma medicação apropriada pode modificar. Há pessoas que só são benevolentes depois de haver jantado bem e às quais nada se deve pedir quando estão em jejum. Deve-se concluir que um bom jantar é um remédio contra o egoísmo? Não, porque essa benevolência, provocada pela plenitude da satisfação sensual, é um efeito do próprio egoísmo; é apenas uma benevolência aparente, um produto desse pensamento: “Agora que não mais preciso de nada, posso ocupar-me um pouco com os outros.”

Em resumo, não contestamos senão que certas medicações, e a Homeopatia mais que qualquer outra, produzem alguns efeitos indicados, mas contestamos mais do que nunca os resultados permanentes, e sobretudo tão universais, como alguns pretendem. Um caso em que a Homeopatia sobretudo nos pareceria particularmente aplicável com sucesso, é o da loucura patológica, porque aqui a desordem moral é a consequência da desordem física, e que agora é constatado, pela observação dos fenômenos espíritas, que o Espírito não é louco. Não há que modificá-lo, mas lhe dar os meios de se manifestar livremente. A ação da Homeopatia pode ser aqui muito eficaz porquanto age principalmente, pela natureza espiritualizada de seus medicamentos, sobre o perispírito, que representa papel preponderante nessa afecção.

Teríamos mais objeções a fazer sobre algumas das proposições contidas nesta carta, mas isto nos levaria muito longe. Contentamo-nos, pois, em considerar as duas opiniões. Como em tudo, os fatos são mais concludentes que as teorias, e são eles, em definitivo, que confirmam ou derrocam as últimas. Desejamos ardentemente que o Sr. Dr. Grégory publique um tratado especial prático de Homeopatia aplicada ao tratamento das moléstias morais, para que a experiência possa generalizar-se e decidir a questão. Mais que qualquer outro, ele nos parece capaz de fazer esse trabalho ex-professo.

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1867 > Junho > A homeopatia nas moléstias morais

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Segue-me — Emmanuel

O necessário

Uma só coisa é necessária - Portal do Espírito

“Mas uma só coisa é necessária.” — JESUS (Lucas, 10.42)

Terás muitos negócios próximos ou remotos, mas não poderás subtrair-lhes o caráter de lição, porque a morte te descerrará realidades com as quais nem sonhas de leve…

Administrarás interesses vários, entretanto, não poderás controlar todos os ângulos do serviço, de vez que a maldade e a indiferença se insinuam em todas as tarefas, prejudicando o raio de ação de todos os missionários da elevação.

Amealharás enorme fortuna, todavia, ignorarás, por muitos anos, a que região da vida te conduzirá o dinheiro.

Improvisarás preciosos discursos, contudo, desconheces as consequências de tuas palavras.

Organizarás grande movimento em derredor de teus passos, no entanto, se não construíres algo dentro dele para o bem legítimo, cansar-te-ás em vão.

Experimentarás muitas dores, mas, se não permaneceres vigilante no aproveitamento da luta, teus dissabores correrão inúteis.

Exaltarás o direito com o verbo indignado e ardoroso, todavia, é provável não estejas senão estimulando a indisciplina e a ociosidade de muitos.

“Uma só coisa é necessária”, asseverou o Mestre, em sua lição a Marta, cooperadora ativa e dedicada.

Jesus desejava dizer que, acima de tudo, compete-nos guardar, dentro de nós mesmos, uma atitude adequada, ante os desígnios do Todo-Poderoso, avançando, segundo o roteiro que nos traçou a Divina Lei. Realizado esse “necessário”, cada acontecimento, cada pessoa e cada coisa se ajustarão, a nossos olhos, no lugar que lhes é próprio. Sem essa posição espiritual de sintonia com o Celeste Instrutor, é muito difícil agir alguém com proveito.

Emmanuel

Essa mensagem, diferindo nas palavras marcadas, foi publicada originalmente em 1952 pela FEB e é a 3ª lição do livro “Vinha de luz”

Fonte: Bíblia do Caminho

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De onde viemos?

Roberto de Carvalho

“Que vosso coração não se perturbe. Crede em Deus, crede em mim também. Há muitas moradas na casa de meu Pai. Se assim não fosse, eu vos teria dito, pois vou para preparar-vos um lugar, e depois que me for, e que vos tiver preparado um lugar, eu retornarei, e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, vós aí também estejais. (João, 14; v. 1, 2, 3.).

O universo é formado por seres orgânicos e inorgânicos. Inorgânicos são os que não possuem vitalidade nem movimentos próprios, uma vez que são criados pela simples agregação da matéria. Dentre eles estão os minerais, a água, o ar etc. Já os seres orgânicos – plantas, animais e homens – possuem órgãos apropriados à suas necessidades de conservação.

A energia que une os elementos da matéria, tanto nos corpos orgânicos quanto nos inorgânicos é a mesma e se manifesta pela lei de atração. A matéria que cria todos os corpos também possui o mesmo princípio, porém nos corpos orgânicos ela é animalizada pelo princípio vital que é, por sua vez, originário do fluido universal.

O corpo humano, além de possuir o princípio vital, que anima a estrutura orgânica, abriga o Espírito, que tem a capacidade de pensar e que é detentor do livre-arbítrio, podendo fazer escolhas, mas sempre tendo de responder pelas consequências que delas advenham. Essa situação não ocorre com os animais, uma vez que esses não possuem a capacidade de refletir sobre suas ações e agem sempre de modo instintivo.

Assim, podemos dizer que há dois elementos gerais no universo: o elemento material, que cria os corpos físicos, e o elemento inteligente, que atua sobre o Espírito. Os Espíritos são a individualização do princípio inteligente, assim como os corpos são a individualização do princípio material e tanto um elemento quanto o outro são criações de Deus.

As formações orgânicas passam por transformações periódicas, podendo, de tempos em tempos, por meio de variações moleculares, apresentar aspectos completamente diferentes do aspecto inicial. Isso não ocorre com o Espírito, pois este, uma vez criado, será sempre Espírito e sua modificação ocorrerá apenas no campo moral e intelectual à medida em que for galgando novos degraus de conhecimento e evolução.

Desse modo podemos dizer que a formação física que envergamos para interagir no plano material tem sua origem no fluido universal; que a força anímica que nos move provém da combinação entre fluido universal e princípio vital. Já na condição de seres inteligentes originamos do Plano Espiritual, do qual somos parte inseparável e para o qual retornamos sempre ao fim de cada período reencarnatório.

Portanto a pergunta “de onde viemos?” pode ser respondida desse modo: Não apenas viemos, como seguimos vivendo no todo universal, pois Jesus afirmou que: “há muitas moradas na Casa de meu Pai”. Como Espíritos imortais criados por Deus, jamais deixamos de habitar algum lugar do espaço infinito, seja ele de ordem material ou espiritual.

O fato de não nos lembrarmos – uma vez que estamos protegidos pela lei do esquecimento – não significa que não existíamos antes de aportarmos na Terra para a atual reencarnação. E, assim como as aves de arribação retornam ao ponto de origem após o período em que se ausentaram por premente necessidade, também nós retornaremos à pátria de origem, depois de termos cumprido, por imposição da lei da reencarnação, mais uma fase de provação e aprendizagem.

Roberto de Carvalho

Fonte: Letra Espírita

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Referência

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes/RJ: Editora Letra Espírita. 2022.

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Microcefalia e Aborto: a ligação do espírito

Dr. Ricardo di Bernardi

Aborto nos EUA: como avanço no tratamento de prematuros torna debate mais  complexo - BBC News Brasil

Antes de abordarmos a questão espiritual ligada a condição da microcefalia, façamos algumas considerações gerais básicas para podermos inserir, adequadamente, as explicações espíritas.

Conceito de Microcefalia: Microcefalia é uma condição neurológica em que a cabeça e o cérebro da criança são bem menores do que os de outras da mesma idade e sexo. O  cérebro não cresce o suficiente durante a gestação ou após o nascimento. Dependendo da gravidade da má-formação, podem surgir complicações como déficit cognitivo grave, comprometimento visual, auditivo e da fala, hiperatividade, baixo peso e estatura (nanismo) e convulsões (epilepsia).

A microcefalia pode ter como causa fatores genéticos e ambientais. Pode ser congênita, isto é, por fatores que atuaram via placentária, por  exposição à substâncias nocivas no decorrer da gravidez ou ser adquirida nos primeiros anos de vida  por diversos fatores. Sejam quais forem os fatores, sabemos que neste bebê está presente um Espírito que retorna ao mundo físico necessitando de amor e amparo, independentemente das origens espirituais do problema.

A microcefalia hereditária pode ser causada por diversas síndromes genéticas, conhecida como microcefalia verdadeira, vera ou primária, Para manifestar o transtorno, a criança precisa herdar uma cópia do gene defeituoso do pai e outra da mãe, que não manifestavam a doença, (genes recessivos).

Como espíritas, sabemos que os genes estavam contidos em células reprodutoras, mas foram atraídos pelo campo vibratório das matrizes perispirituais enfermas do Espírito reencarnante. Este está retornando ao mundo físico para drenar ao corpo biológico uma desarmonia, visando a resolução da mesma.

Existe, também, a microcefalia associada a causas secundárias, que determinam o fechamento prematuro das moleiras (fontanelas) e das suturas entre as placas ósseas do crânio, o que impede o crescimento normal do cérebro.  Esta condição denomina-se craniossinestose, que pode afetar o feto dentro do útero, ou depois do parto, quando o cérebro ainda está em acelerado processo de formação. O Espírito reencarnante sempre modela, inconscientemente, o corpo físico pelo perispírito, portanto a anomalia decorre de desestruturação energética do corpo astral que podem advir de traumas graves não bem assimilados pelo psiquismo do Espírito ou atitudes que geraram lesões em si ou em outrem e agora constituem campos perispirituais  modeladores da forma em desequilíbrio.

Outras causas secundárias da microcefalia são: durante a gravidez  consumo de cigarro, álcool e outras drogas ou de alguns medicamentos, doenças infecciosas como rubéola, toxoplasmose, citomegalovírus, herpes zoster  entre outras. Há ainda a possibilidade de se adquirir a microcefalia por intoxicação por mercúrio, fenilcetonúria materna não controlada, exposição à radiação, desnutrição materna, má-formação da placenta, traumatismo cranioencefálico e hipóxia grave (falta de oxigenação nos tecido e no sangue).

Atualmente, esta má-formação está sendo mais comumente resultado da infecção pelo zika vírus, transmitido pelo Aedes aegypti, o mosquito que também transmite a dengue e a febre chikungunya.

O conhecimento da ciência e filosofia espírita nos permite saber que  só renasce em um organismo nessas condições e apresentará essa má-formação, aquele Espírito que tem sintonia com a anomalia, ou seja, é magneticamente atraído pelo seu  padrão vibratório. Não há acaso biológico, nem processo punitivo, há Lei de causa e efeito, visando o aprendizado, visando a cura ou drenagem da dimensão astral para a dimensão física, O processo expiatório  é um mecanismo de libertação  do problema. Só  reencarnará  em um organismo  que será lesado por infecção, droga e outros fatores, um Espírito que tiver em seu corpo espiritual predisposições para esta lesão.

Bebê microcéfalo: o momento da reencarnação

Lembramos que; se o óvulo, geralmente, é um solitário a procura de um companheiro ideal, os pretendentes à sua posse definitiva e à união completa, são muitos espermatozoides.. Exatamente aquele óvulo, com aquele conjunto de genes, foi o liberado na ovulação pela influência das energias do Espírito. No caso de microcefalia primária ou verdadeira, o campo magnético do perispírito determina a liberação de um óvulo com o gene do problema  O Ser reencarnante mesmo inconsciente e à distância, já estava, pelos mentores especializados, unido à psicosfera materna, em função de uma longa história do passado…

Mais de duzentos milhões de espermatozoides; uma população igual a de muitos países somados, se acotovelarão na busca desenfreada de um só troféu. Consideram alguns biólogos que o mais apto vence a corrida e fecunda o óvulo. Mas como o mais apto? Por que, às vezes, um espermatozoide  portador das mais profundas anomalias supera todos os demais? Estudando a ciência espírita, encontramos a resposta satisfatória para este  aparente “capricho do acaso”.

Genes e Magnetismo

Cada espermatozoide traz em seu bojo os cromossomas que contém os genes para todas as características físicas do novo corpo a ser formado. Os genes, moléculas de DNA, são partículas de altíssima complexidade.

Os espermatozoides, conforme os genes que transportam, têm uma vibração energética peculiar. Conforme o padrão genético que levam, emitem uma frequência de onda correspondente. Dizemos, então, que cada espermatozoide possui uma aura energética peculiar ao conjunto de genes que carrega. No caso que estudamos, há entre esses espermatozoides os que carregam genes causadores de síndromes genéticas onde a microcefalia se manifestará.

O óvulo, como toda célula viva, possui um campo de fluido vital ao seu redor. Este fluido vital, ou energia vital, é o campo de força que atrai as energias da entidade reencarnante.  Este espírito ou entidade reencarnante, liga-se ou prende-se ao óvulo, passando, então,a irradiar  suas vibrações, cada vez mais intensamente,  em direção ao  fluido vital do óvulo.  O óvulo, ao irradiar as vibrações do espírito, passa a atrair, automaticamente, por sintonia de ondas, aquele espermatozoide que contém os genes que sintoniza, ou seja, que ele precisa e expressa sua realidade perispiritual, os genes da microcefalia  que necessita  para seu reequilíbrio e desenvolvimento espiritual.

Conforme o carma da entidade espiritual, expresso pelas suas matrizes perispirituais  e refletidas no óvulo, são atraídos os genes que sintonizam com a mensagem ou código, transmitida inconscientemente pelas unidades energéticas do perispírito, e recebidas pelas moléculas de DNA (ácido desoxirribonucleico) do espermatozoide correspondente.

São quase 300 milhões de opções diferentes para um novo organismo biológico, opções apresentadas pelos espermatozoides, razão por que, somos todos tão especiais, diferentes uns dos outros. Este aparente desperdício de espermatozoides é a sábia lei da natureza fornecendo múltiplas opções para que a justiça divina, oportunizando evolução, se cumpra através das leis biológicas.

Herança Cármica

Inconscientemente, eis que o espírito reencarnante que semeou livremente nas vidas passadas (e gravou os registros desta semeadura no seu perispírito), agora impregna o óvulo materno pelas vibrações de seus méritos e  deméritos.

O gameta masculino, adequado às suas necessidades cármicas, por sintonia magnética,  é rapidamente como que “puxado”, para o óvulo e ocorre a fecundação ou concepção. Não é, pois, o “acaso biológico” que determina um espermatozoide fecunde o óvulo, mas a lei do retorno, da colheita obrigatória,  lei de ação e reação, sempre visando a cura espiritual.

Espermatozoide mais apto, portanto, é aquele que melhor sintoniza com as vibrações da entidade reencarnante, previamente imantada ao óvulo. No entanto, até este momento, não houve a reencarnação propriamente dita. A união do espírito reencarnante diretamente com a matéria, ligado às moléculas físicas, se dá no instante em que ocorre o grande choque biológico: o espermatozoide penetra no interior do óvulo.

No momento da fecundação, milhões de átomos e moléculas das duas células entram em fervilhante atividade.  Essa grande atividade, verdadeira explosão de fenômenos, ocorre numa maravilhosa orquestra regida pela sabedoria universal. No instante da concepção, as moléculas do corpo espiritual (perispírito) do reencarnante entram, por assim dizer, na intimidade da célula ovo. Inicia-se agora, neste instante, a reencarnação propriamente dita,  em  termos  físicos.

Quando o espermatozoide fecunda o óvulo, ocorre como que uma grande “explosão” de reações entre os componentes destas células  reprodutoras e a interação entre os dois campos áuricos é que propiciam a abertura energética para a fixação dos fluidos perispirituais às moléculas orgânicas. Foi necessário um momento energético específico para que a outra dimensão interpenetrasse a matéria.

Microcefalia e aborto provocado mentalmente pela mãe.

Nosso espírito irradia ondas mentais que se expressam como ondas ultracurtas, curtas, médias, e longas conforme o tipo de pensamento que emitimos. Já é sobejamente conhecido o imenso potencial energético que nós, seres humanos, possuímos. Além disso, cada um de nós possui um magnetismo próprio e maior ou menor capacidade de irradiar e influenciar magneticamente ao seu redor.  A influência da força do pensamento é  exercida sobre as energias ao nosso redor, sobre as plantas, animais e sobre  outras pessoas, em especial embriões e fetos. Fetos diagnosticados como microcéfalos podem estar mais  sujeitos as energias do pai e da mãe, pelo susto da informação.

A mais fácil evidência da força mental sobre a matéria pode ser observada  com experiências  com a água. Chevalier e Hardy, dois eminentes pesquisadores franceses, utilizaram um aparelho chamado “gotejador psicocinético” que comprovou em laboratório a ação mental sobre as moléculas da água. Trata-se de um aparelho onde uma fonte goteja sobre uma lâmina, dividindo a gota de tal forma que os dois compartimentos abaixo se enchem de água em tempos rigorosamente iguais. Portanto, um aparelho de precisão física.

Verificou-se que “sensitivos” ou “sujets”- para utilizar a linguagem dos eminentes pesquisadores, – ao se concentrarem mentalmente desviavam a gota, fazendo com que o compartimento à direita ou à esquerda conforme solicitado, crescesse mais em volume de água. Essa experiência foi muito estudada, também, pelo psicobiofísico brasileiro Prof. Henrique Rodrigues, também palestrante espírita.

O potencial psicocinético, que é capaz de mover objetos próximos ou à distância pela força de nossos pensamentos, atua também, sobre as energias sutis que unem o embrião à textura energética do psiquismo fetal, em outras palavras, que unem o Espírito ao corpo em formação. .

As ações mentais de uma gestante também possuem propriedades psicocinéticas e podem ter profunda repercussão sobre as ligações energéticas do espírito reencarnante com o seu embrião. O embrião por ser constituído em grande parte por água, por estar mergulhado em uma bolsa d’água é facilmente atingido pelas energias mentais da mãe que continuamente o envolvem. A molécula de água é uma grande condutora de energia mental.

Há mães que, ao receberem a notícia de estar albergando em seu ninho uterino um filho microcéfalo, podem ser tomadas de pânico, pavor, desespero e até recusarem fortemente o fato de estarem grávidas. Seja pelas circunstâncias dolorosas que motivaram a gravidez, seja pela dificuldade de relacionamento com o esposo despreparado e imaturo que recusa a gestação de um microcéfalo, ou ainda pela situação de penúria econômica em que se situam, anteveem uma agravação da situação inesperada em que se encontram. Sobretudo, a ausência do conhecimento espiritual, ou seja, desconhecer que o filho microcéfalo é alguém que ela tem ligação secular e agora estariam pai e mãe tendo a oportunidade de amar, resgatando vínculos anteriores, enfim, a falta de conhecimento espírita, pode  levá-la a rejeitar a gestação.

Seja qual for o motivo, desde os mais complexos e respeitáveis até a mais simples vaidade, o fato é que, a situação pode existir, com relativa frequência. As experiências de regressão de memória efetuadas nas “Terapias de Vivências Passadas” – TRVP ou por outros mecanismos, têm nos dado valiosos subsídios no estudo da influência mental da gestante sobre o feto.

Além de abortos, a postura monoideística (ideia fixa) materna pode determinar repercussões psicológicas diversas sobre o ser em vias de renascimento. Sentimento de abandono e carência afetiva são comuns em crianças, jovens e até em adultos que sofreram este tipo de influência materna.

Muitos renascimentos tem origem na necessidade de harmonização de desafetos passados. A oportunidade do vínculo familiar, e do véu de esquecimento do pretérito é um recurso que os amigos espirituais utilizam para a reaproximação das criaturas.

O intercâmbio energético materno-fetal será cada vez mais valorizado pela ciência médica que, (excetuando alguns raros profissionais), não crê que um “Ser” em formação, sem cérebro desenvolvido, tenha capacidade de registrar as emoções maternas. Seja num  microcéfalo  ou anencéfalo, os registros são efetuados  nas estruturas espirituais, portanto, impressos no inconsciente. Fica aqui a recomendação de se envolver o feto com sentimentos de amor, proteção, confiança e acolhimento, pois são ondas curtas e ultracurtas que envolveriam o feto amenizando as dificuldades naturais de uma reencarnação em organismo microcéfalo.

Só o conhecimento da existência do Espírito abrirá as portas para a compreensão de um problema de tal magnitude.

Trabalhemos…

Microcefalia e Assistência Espiritual na Gestação:

Todos os estudiosos da doutrina espírita tem conhecimento, através de inúmeras obras psicografadas, da existência do “Ministério da Reencarnação” nas colônias espirituais ligadas à esfera terrestre. Equipes especializadas no retorno ao mundo físico estudam, intensamente, e trabalham, procurando propiciar a situação mais adequada às necessidades evolutivas dos irmãos que necessitam voltar ao planeta.

Ao contrário do que se pensa, não são os mentores espirituais que determinam os defeitos físicos ou anomalias congênitas de um feto. NÃO É CORRETO Imaginar que  Seres de Luz, Amor e Sabedoria, determinem: “você vai renascer com microcefalia”, mas observam que a lei Universal de Causa e Efeito é inexorável.   O “modus vivendi” do Espírito, os traumas que sofreu ou fatos vivenciados no passado geraram campos de força, circuitos vibratórios, no seu corpo espiritual e esses sim  que determinam, agora,  campos modeladores nas matrizes perispirituais.

Os mentores especializados, profundos conhecedores da dinâmica das energias, sabem ser inexorável  a consequência e podem informar ao Espírito ou mesmo aos seus seres amados, da anomalia orgânica  que surgirá no seu novo  corpo físico, seja por via congênita ou genética. Um Espírito que renasce com microcefalia, está ainda com dolorosas marcas no seu corpo astral que necessitam ser drenadas, expiadas para um corpo físico, visando a sua cura. Há também, raras situações, de Espíritos superiores que se ofereceram para renascer assim, com objetivos de auxiliarem os envolvidos e também adquirirem uma grande experiência  nesta área. São exceções, mas existem.

As obras psicografadas por Francisco Cândido Xavier (Chico) descrevem com detalhes essa assistência. Entre outras obras, citaríamos o livro “Missionários da Luz”, obra que detalha a reencarnação do Espírito de Segismundo, mostrando a participação dos dois planos no processo.

Uma vez tendo sido escolhidos os pais, pelo critério considerado mais adequado à situação evolutiva do espírito, e o merecimento dos genitores, inicia-se uma laboriosa assistência espiritual às pessoas mais envolvidas na reencarnação. Habitualmente: pai, mãe e filho. Ninguém tem um filho microcéfalo por mera casualidade, por azar do destino. São histórias seculares ou até milenares que unem os envolvidos em reencontros construtivos e necessários para o desenvolvimento espiritual e superação de  antigas dificuldades.

O trabalho de assistência espiritual, por vezes, necessita estender-se a outros membros da família, cuja interferência na gestação se fazia de forma negativa como, por exemplo, mecanismo de pressão induzindo ao aborto, ou outras formas de interferência que prejudicariam a planificação superior. Através da sensibilidade espiritual das criaturas, como sensibilidade paranormal ou mediúnica, os mentores espirituais procurarão constantemente intuir para que sejam tomadas as decisões mais equilibradas e saudáveis, as quais refletirão no ser que se prepara para voltar ao convívio dos encarnados. No caso do microcéfalo, um ser que necessita muito de carinho e amparo em todos os níveis.

Quando a resistência dos assistidos (pai e mãe principalmente) é muito forte, no sentido de acatar as ideias que lhe são sugeridas, a espiritualidade passa a buscar formas indiretas para veicular a mensagem harmonizadora. São  enviadas   sugestões   mentais   a   parentes, vizinhos  ou profissionais, que poderão influir construtivamente no processo da aceitação do filho microcéfalo ou amparo com relação a  esta entidade reencarnante.

Durante o sono, habitualmente, sucede o desdobramento ou projeção astral dos encarnados. Nesta oportunidade, são fornecidos esclarecimentos ou informações preciosas aos pais.

Comumente, é feita a apresentação do espírito reencarnante aos futuros pais e se existir um desafeto importante por parte de algum deles, com relação ao futuro filho, passa a ser executado um intenso trabalho de doutrinação visando amenizar as dificuldades mútuas. A projeção astral consciente e inconsciente dos pais, tem um papel de relevo neste trabalho de amparo amoroso dos mentores espirituais.

A assistência recebida pela constelação familiar ocorre antes mesmo da fecundação, já nas fases de aproximação da entidade.  Nos lares onde reina o equilíbrio psíquico, no amparo dos Espíritos Superiores, é possível se preservar a intimidade do casal no momento íntimo que determinará e fecundação.

As vibrações de amor que envolve os cônjuges criam uma aura energética de alta frequência, estabelecendo um campo de sintonia com os mentores espirituais, propiciam o isolamento no recesso do lar e evitam a aproximação de entidades espirituais não participantes do processo reencarnatório.

Lembra-nos o autor espiritual, André Luiz, que a privacidade do casal é respeitada pelos mentores espirituais, e que o momento da fecundação ocorre algumas horas após o ato sexual, quando o espermatozoide alcança o óvulo em sua longa caminhada pelo interior dos ductos femininos.

Quando as encarnações se processam nos locais onde a gravidez é considerada como um acidente inconveniente, e o amor sexual deixou de ser uma expressão nobre entre duas criaturas para descer às profundezas de um triste comércio, há maiores dificuldades na recepção da assistência espiritual.

Embora os mentores espirituais estejam atuando sobre os envolvidos, nos casais desequilibrados, estabelece-se uma verdadeira capa energética impermeável ao auxílio mais efetivo. As vibrações mentais dos ambientes, às vezes sórdidos, constituem uma aura de baixa frequência, que não sintonizam com as vibrações mais sutis no plano espiritual mais elevado. Nesta situação,  torna-se difícil a proteção ao casal, que fica à mercê das entidades que convivem nestes locais.

No entanto, nas situações mais dolorosas e complexas, acaba reencarnando, por afinidade vibratória, aquele que necessita do meio em questão para o ressarcimento cármico correspondente.

Microcefalia de origem congênita e aborto

Existem microrganismos que, ao serem adquiridos pela gestante, tem ação letal sobre as células embrionárias determinando o aborto espontâneo.

Alguns outros micróbios, no entanto, não chegam a determinar a letalidade, mas ocasionam malformações congênitas de extrema gravidade, como a microcefalia.

A grande polêmica, que se estabelece em alguns círculos, é relativa à indicação ética ou moral dos abortos que visariam impedir a viabilização do nascimento de um ser com expressivas malformações congênitas.

Não nos referimos, neste trabalho, à postura legal, pois já passamos por diversas constituições e sem dúvida teremos outras no futuro. A abordagem  dar-se-á sob o ponto de vista filosófico, estribado nos conhecimentos da doutrina espírita e visão palingenésica (= reencarnacionista).

Do ponto de vista da ética médica, também encontramos em cada país uma flexibilidade de conduta, que vai desde a mais rígida até a mais permissiva. Há que se considerar neste mister, a influencia religiosa que, conforme as diferentes regiões do globo e grupos éticos se manifesta com diversos posicionamentos.

Sob o prisma reencarnacionista, ampliado pelos conhecimentos que o intercâmbio mediúnico nos faculta, teremos uma ótica mais ampla.A grande questão é compreender, perante a lei universal, o motivo pelo qual um pai e uma mãe receberão em seu ninho doméstico um ser deficiente físico.

Tomemos por exemplo o caso da rubéola congênita, cujo raciocínio aproximado poderemos estender às outras patologias. A rubéola, quando não relacionada à  gravidez, chega até a passar despercebida, pela pouca monta dos sintomas que ocasiona; durante o primeiro trimestre da gestação, é um verdadeiro terror para os pais.

Crianças que nascem sem visão, defeitos de natureza cardíaca e limitações neurológicas podem advir desta virose que poderia ser evitada com uma simples vacina feita desde dez meses de idade ou até a época pré-nupcial.

Sucede, no entanto, que a grande maioria das gestantes que contraem rubéola, mesmo no primeiro trimestre gestacional, não apresentam filhos com os defeitos citados; um percentual menor é que costuma ser  acometido. A que se deve este fato?  Raciocinemos, unindo conceitos da ciência espírita com a ciência médica. Sabemos que há uma individualidade de cada organismo, bem como  uma individualidade de cada espírito.

Cada ser proveio de um ovo diferente de qualquer outro na face do planeta. O manancial genético é específico e determinará maior ou menor resistência ou fragilidade do embrião à virulência do vírus.

Se for verdade que o dano físico decorre da programação da fragilidade, conferida pela estrutura dos DNA, também é verdade que a predisposição do espírito reencarnante está intimamente ligada a este processo. Já estudamos que a entidade reencarnante se fixa à energia vital do óvulo e atrairá entre os milhões de espermatozoides, aquele que sintoniza com o merecimento.

O espírito, que já viveu aqui na terra inúmeras vezes, traz gravado energeticamente, em núcleos de potenciação, os registros de suas  positivas aquisições anteriores bem como de seus desatinos. Ao se unir ao óvulo, espalhará no mesmo, o padrão energético de seu nível evolutivo. Com a frequência de onda resultante, o óvulo atrairá os genes contidos no espermatozoide os quais terão as predisposições orgânicas consequentes. Em resumo: o merecimento do espírito é que determinará sua imunidade.

Com relação aos pais, os amigos espirituais nos esclarecem que só terão filhos acometidos de malformações congênitas, aqueles que antes de renascer foram preparados para esta circunstância, e muitas vezes são novamente lembrados nos desdobramentos durante o sono..

Muitos pais, pela maior visão do processo evolutivo, solicitaram esta oportunidade para auxiliar alguém que necessitava passar pela prova da deficiência, como consequência dos atos dos passado.

Outros, não tão esclarecidos espiritualmente, foram alertados pelos seus benfeitores e amigos do plano extrafísico, do fato que deveria suceder pelos débitos comuns que os envolveram com aquele que, agora, retornaria ao seu convívio como filho. Mesmo no nível inconsciente, todos são trabalhados pela espiritualidade, principalmente durante o sono físico.

A expulsão da entidade reencarnante, pelo aborto, só determinará a agravação dos débitos perante a Lei Universal. Quando há necessidade, por razões cármicas, de a família viver a difícil situação de um filho microcéfalo deficiente físico e ou mental, só uma atitude poderá facilitar a assistência espiritual mais ampla: a aceitação do fato.

Os chamados abortos profiláticos ou preventivos, na situação enfocada aqui, desde que a gestação seja biologicamente viável, agrava profundamente a já difícil situação do trio familiar. Abordaremos, oportunamente, as consequências futuras geradas pelos abortos provocados.

Considerando que a tensão emocional é bastante influente sobre o psiquismo do espírito que está em vias de renascer, lembramos o fato de  inúmeras gestantes, que hoje são nossas clientes, tendo tido rubéola congênita no início da gravidez, trazem hoje seus filhos absolutamente saudáveis ao consultório pediátrico ou homeopático.

Tenhamos fé e amor.

e Consequências do aborto provocado para os Envolvidos (Evolução em dois Mundos, 2ª parte, cap. XIV). Lembrando que há atenuantes, conforme o grau de informação e  o tipo de sentimentos envolvidos.

Para o Pai:

Há a absorção das vibrações de angústia e desespero, e por vezes de vingança, do Espírito que a Lei lhe reservara para ser o filho do próprio sangue, na obra de restauração do destino.

Ocorre o desajuste das energias psicossomáticas com mais penetrante desequilíbrio do centro genésico, implantando, às vezes, no perispírito do pai as sementes que germinarão na existência imediata.

No próximo corpo poderão sobrevir moléstias testiculares ou distúrbios hormonais, agravados, frequentemente, com a obsessão do Espírito reencarnante, quando este for de nível espiritual mais necessitado.

 Para o Espírito reencarnante.

Nos casos mais frequentes, o Espírito toma-se de profundo desgosto pela perda da oportunidade. Muitas vezes, ele foi vítima ou algoz dos pais e nesta nova oportunidade estaria procurando, com o incansável trabalho dos Mentores Espirituais, reaproximar-se daqueles que no pretérito foram seus inimigos.

A máxima de Jesus – Amai os vossos inimigos iria ser cumprida, nesse caso, e a mãe iria acariciá-lo ao colo, dizendo “como te amo, meu filho…” Tudo desfeito, tudo destruído, um longo preparo espiritual, e o amor agora novamente convertido em ódio, pelo Espírito expulso, que irá, em muitos casos, atrasá-lo por longo tempo. O aborto provocado impediu a anestesia do passado, o reencontro entre aqueles Espíritos e a sua reconciliação. É verdade que em muitos casos o Espírito mais evoluído supera a situação, mas, também, não é rara a obsessão sofrida pelos pais por parte daquele que seria o elo de amor entre eles, caso a gravidez não fosse interrompida.

 Para a Mãe

Mães que no Plano Espiritual ou ainda nesta vida expressam angústias indefiníveis, presas a consultório psiquiátrico por desajustes do centro coronário, ao retornar ao plano espiritual, apesar da assistência dos benfeitores, sentem-se diminuídas, moralmente, perante si próprias.

Voltam, na próxima vida física, às vezes, com o centro genésico em desarmonia, vibrando em frequência baixa, produzindo ondas frágeis, sem tônus ou força. Essa característica do Chakra é denominada por André Luiz, Espírito, em Evolução em dois Mundos de Chakra atonizado. Tal peculiaridade pode determinar que a mãe padeça de toxemias gravídicas – as chamadas eclampsias.

Essas mães possuem, por defeito deste Chakra que vibra de forma desarmônica, uma trompa uterina com células ciliadas sem a possibilidade de conduzirem o óvulo fecundado para o útero. E, grávidas, o ovo permanece na trompa, gerando a gravidez tubária que determina aborto “espontâneo”, ocasionado, como vimos anteriormente, pela atitude pretérita do aborto provocado.

Muitas outras patologias placentárias, ovarianas e uterinas podem decorrer de abortos em encarnações anteriores. Algumas mães que abortaram o quarto filho no passado gravam no perispírito esse fato, e a gravação se registra também em tempo. Nesta vida, com fator sanguíneo Rh negativo, podem perder seu quarto filho pelo aborto.

O que aconselhar àquelas que já abortaram? (Novo Testamento 1ª Epístola de Pedro, 4:8).

A caridade cobre uma multidão de pecados. E acrescentamos nós: Dedique-se à criança abandonada. Atenda ao Berço da Criança Pobre, por exemplo, no centro espírita.

Sabemos que é possível renovar nosso próprio destino, todos os dias. Quem, ontem, abandonou os próprios filhos, pode hoje se afeiçoar aos filhos alheios. Se puder, adote uma criança. Quem sabe não será ela própria aquela a quem você negou a vida?

Nunca é tarde para amar.

Aborto provocado e responsabilidade profissional

Embora haja atenuantes que reduzem a responsabilidade dos profissionais praticantes do aborto, como a intenção compassiva perante a miséria, fome e outros fatores que envolvem a gestante, pode haver uma reação natural do abortado e das entidades espirituais negativas que o acompanham. Desconhecer a existência do Espírito, infelizmente, ainda é comum na classe médica. Cada profissional da saúde colherá diferentes frutos de um aborto provocado, dependendo da real intenção e qualidade das energias que emite.

Quase sempre é um equívoco com graves consequências. :Todos nós, médicos, somos intuídos, constantemente, no entanto, nossa postura  permite, ou não, sintonia com as equipes de luz. Por outro lado, o assessoramento espiritual dos profissionais de saúde que comercializam o aborto  é composto de formas ideoplásticas aracneiformes, estruturas energéticas viscosas  e aderentes, elementos espirituais deformados  e animalizados (licantropia e zooantropia). Já nesta encarnação, costumam ocorrer fenômenos de desagregação psíquica nos envolvidos, alguns são mergulhados na aura escura dos “abutres espirituais” adoecem fisicamente ou desestabilizam seu ambiente afetivo. Pela interferência de obsessores. nas encarnações seguintes, podem ter sérios problemas por desequilíbrio do chakra genésico, coronário, cardíaco e esplênico.

Um caso mais grave que a microcefalia

Mais grave que a microcefalia seria a anencefalia..Lembremos que anencéfalo, embora seja considerado um ser sem cérebro, na realidade é portador de um segmento cerebral – faltam-lhe regiões do cérebro, o que impossibilitará uma sobrevivência prolongada pós-parto.

A fim de colocarmos a visão espírita acerca desse importante problema, exemplificaremos com um caso real e usaremos nomes e local fictícios.

João e Maria eram casados há dois anos. A felicidade havia batido à sua porta. Maria estava grávida. Exultantes, procuraram o médico Obstetra para as orientações iniciais. Planos mil ambos estabeleceram.

Ao longo dos meses, no entanto, foram surpreendidos, por meio do estudo ultrassonográfico, pela triste notícia de que seu bebê era anencéfalo.

Ao serem informados, caíram em prantos ao ouvirem a proposta do Obstetra propondo-lhes o abortamento. Posicionaram-se contrários explicando sua visão espírita.

– Trata-se de um ser humano que renasce precisando de muito amor e amparo. Nós estaremos junto com nosso filho (a) até quando nos for permitido.

– Mas, esta criatura não vai viver além de alguns dias ou semanas na incubadora, disse o Obstetra.

– Estamos cientes, mas até lá seremos seus pais, amaremos este bebê.

Guardavam, também, secretamente, a esperança de que houvesse algum equívoco de diagnóstico que lhes proporcionasse um filho saudável.

Durante nove meses dialogaram com seu bebê, intraútero. Disseram quanto o amavam. Realizaram, semanalmente, a reunião do Evangelho no Lar, solicitando aos Mentores a proteção e o amparo ao ser que reencarnava.

Chegara o grande momento. Em trabalho de parto, Maria adentra a maternidade com um misto de esperança e angústia. A criança nasce. O pai, ao ver o filho, sofre profundo impacto emocional, tendo uma crise de lipotimia.

O bebê anencéfalo sobrevive na incubadora, com oxigênio, 84 horas. Há um triste retorno ao lar. O casal, com o coração espiritual sangrando, arruma as malas olhando um berço vazio.

Passam-se, aproximadamente, dois anos do pranteado evento. João e Maria, trabalhadores do Instituto de Cultura Espírita de sua cidade, frequentavam na mencionada Instituição, reunião mediúnica, quando uma médium em desdobramento consciente informa ao coordenador do grupo:

– Há um espírito de uma criança que deseja se comunicar. Percebo nitidamente sua presença agradável e luminosa.

– Que os médiuns facilitem o transe psicofônico para atendermos este espírito, responde o dirigente.

Após alguns segundos, uma experiente médium dá a comunicação:

-Boa noite, meu nome é Shirley. Venho abraçar papai e mamãe.

– Quem são seu papai e sua mamãe?

-São aqueles dois – disse apontando João e Maria.

-Seja bem vinda Shirley, muita paz! Que tens a dizer?

– Quero agradecer a papai e a mamãe todo o amor que me dedicaram durante a gravidez.  Sim… Eu era aquele anencéfalo.

-Mas você está linda e lúcida, agora.Graças às energias de amor recebidas,  graças ao Evangelho no Lar, que banharam meu corpo espiritual durante todo aquele tempo.

-Como se operou esta mudança?

-Tive permissão para esta mensagem pelo alcance que a mesma       poderá ter junto a outras pessoas. Eu possuía meu corpo espiritual   muito doente, deformado pelo meu passado cheio de equívocos.

Após breve pausa continuou.

-Fui, durante nove meses, envolvida em luz, a luz do amor de meus pais. Uma verdadeira cromoterapia mental que, gradativamente, passou a modificar meu corpo astral (perispírito). Os diálogos que meus pais tiveram comigo foram uma intensa educação pré-natal e muito contribuíram para meu tratamento. Eu expiei, no verdadeiro sentido da palavra. Expiar é como expirar, colocar para fora o que não é bom. Eu drenei as minhas deformidades perispirituais para meu corpo físico e delas fui me libertando.

– Estamos felizes por você estar se comunicando com seus pais…

– Como meus pais foram generosos! Meu amor por eles será eterno.

– Por que estás na forma de uma criança, já que te expressas tão inteligentemente?

– Porque estou em preparo para o retorno. Dizem meus instrutores que tenho permissão para informar e, sobretudo, meus pais têm o merecimento de saber. Devo renascer como filha deles, normal, talvez no próximo ano.

– Após dois anos, renasceu Shirley, que hoje é uma linda menina de olhos verdes e cabelos castanhos, Espírito suave e encantador.

Conclusões:

1-    O Espírito inicia seu processo de reencarnação no momento da fecundação, portanto o embrião é um Ser Espiritual com um planejamento reencarnatório a cumprir, envolvendo, também, os familiares.

2-    O microcéfalo assim está por lesões nas matrizes do corpo espiritual, são inúmeras as causas, não devemos rotular  apressadamente, nem julgar, pois cada caso tem uma  origem diferente.

3-    A opção pelo aborto prejudicaria a todos os envolvidos, pai, mãe, médico, paramédicos e familiares que participem conscientemente da indicação do ato.

4-    O grande prejudicado seria o Espírito abortado que perde uma grande oportunidade de drenar energias, reequilibrar  em seus campos morfogéticos em desarmonia.  Uma vez abortado poderá sofrer muito e reagir de diversas maneiras conforme seu nível evolutivo.

5-    Pelo conhecimento baseado nas informações espirituais, alicerçadas no critério da universalidade de informações ( inúmeras fontes mediúnicas), utilidade e racionalidade não é recomendável o aborto do microcéfalo.

6-    Microcéfalo ou anencéfalo, em gestação, são irmãos nossos que necessitam de banhos energéticos de  amor.

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Bibliografia;

  • Livro do s Espíritos FEB
  • A Gênese FEB
  • Missionários da Luz – André Luiz / Chico Xavier FEB
  • Evolução em dois Mundos –  André Luiz/ Chico Xavier FEB
  • O consolador Emmanuel /Chico Xavier FEB
  • Gestação sublime Intercâmbio. Ricardo di Bernardi  Intelítera

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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