O abismo dos espíritos inferiores!

Espírito Lúcius

O ABISMO DOS ESPÍRITOS INFERIORES!

A fim de que possamos melhor avaliar a posição de inferioridade a que se aferram os espíritos que habitam as regiões umbralinas, é preciso entender que o ser humano é o somatório de seus atos, pensamentos e sentimentos.

Na estrutura de suas vibrações pessoais, está definido o padrão de sua personalidade, como a impressão digital magnética inconfundível, que atesta o nível de elevação, de compromisso como o espelho fiel do seu caráter geral.

Dessa maneira, uma vez perdido o envoltório carnal, os espíritos, que até a morte física estavam levando a sua vida de acordo com seus hábitos, seus costumes e com aquilo que se costuma chamar de “imposição do meio social”, despertam no lado espiritual ostentando em si próprio o padrão luminoso ou escuro de todos os seus comportamentos, sem poder evitar que, no caso da ausência de luz pessoal, isso tenha sido produzido pela sua adesão ao tipo comum da conduta da maioria das pessoas.

Ser normal como a maioria das pessoas, fazer o que todo mundo faz, andar pelos mesmos caminhos e se desculpar, nos erros cometidos, alegando que nada mais fez do que seguir o grande rebanho dos inconsequentes, não servirá a ninguém como escusa ou argumento capaz de melhorar a sua posição vibratória.

Na realidade do mundo espiritual, a questão da essência é fundamental. Seremos, efetivamente, aquilo que fizemos de nós próprios, ainda que o tenhamos feito tão somente para agradar aos outros ou para não destoarmos da maioria. Esteja certo que a maioria das pessoas também estará mal como aqueles indivíduos que imitou e se manteve sem melhoras significativas. Deste modo, surpreendido no plano do espírito, a maioria dos indivíduos se sente fustigada por essa aparente contradição, alegando de maneira infantil que conduziu sua existência por um caminho que lhe parecia justo e correto. Muitos costumam dizer: Eu não fiz mal a ninguém; nunca prejudiquei o meu semelhante, nunca tirei o que não me pertencia. Então, como é que vim parar aqui? Onde está o paraíso.

E, quando lhes é perguntado acerca do Bem que espalharam, se perdoaram os que os prejudicaram ou se dividiram o que lhes pertencia com os que nada possuíam, as respostas desaparecem e o desejo de encontrar o paraíso murcha diante da realidade da omissão, do egoísmo, da indiferença para com os que eram seus semelhantes.

Por isso, quando o espírito recém-chegado da Terra se conscientiza de que não será capaz de esconder coisa nenhuma de suas intenções mais vis, de seus pensamentos maus ocultos e de seus atos mais inferiores- coisa que todo mundo está acostumado a fazer num mundo físico que admite todo tipo de máscaras e disfarces,- se vê desnudado na sua maneira verdadeira de ser e, por mais que suas palavras digam o contrário- já que continuará tentando fantasiar a verdade com tênue véu da fantasia- seu perispírito, como espelho de sua alma, denunciará a sua realidade à vista de todas as pessoas.

Será como o bêbedo falando que não bebeu, mas sendo denunciado pelo próprio hálito.

Isso é o que espera pela maioria dos indiferentes, dos que se consideram razoáveis Indivíduos, que muitas vezes se têm até mesmo na conta dos que são eleitos de Deus.

Quando, no entanto, sobre a consciência do espírito pesam atos nocivos, erros clamorosos, deliberadamente cometidos sob a condescendência de um caráter ao mesmo tempo cruel e fraco, os efeitos de tais ações se cristalizam na estrutura sutil de seu envoltório energético e o deformam, desestruturando a sua harmonia pelo exercício de sentimentos contrários à lei de Amor que rege o Universo.

Espírito Lúcius

Psicografia José Luiz Ruiz

Da obra: “A Força da Bondade”

Fonte: G.E.Casa do Caminho de S. Vicente

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Noite Inigualável

Joanna de Ângelis

 NOITE INIGUALÁVEL

Sutil mudança ocorria nas paisagens terrestres, sempre adornadas pelos conflitos e desgraças de todo porte, que destroçavam as criaturas e as nações em intérminas guerras de extermínio.

O Império Romano estendera-se, impondo-se às nações que lhe padeciam a arbitrária dominação, pelas suas implacáveis legiões. O carro das matanças indiscriminadas avançava sempre aumentando a estatística vergonhosa das vítimas que ficavam para trás. Na Europa, as legiões tentavam aniquilar os denominados bárbaros, insubmissos e acostumados à liberdade nas suas florestas e comunidades independentes.

Era, aquele, um período sanguinário e de terror, em que a civilização estertorava na hediondez dos poderes transitórios alucinados.

Otaviano, o imperador, no entanto, conseguira pacificar muitos povos rebeldes que se levantavam com frequência na ânsia de ser livres.

Lentamente se estabelecera a Pax romana, e as lutas entre as diversas sofridas nações foram atenuadas e quase desaparecidas no imenso império durante mais de um século.

A sombra de Augusto fazia-se respeitada em toda parte.

A pequena Israel, sempre insurrecta, sofria a pressão do idumeu Herodes, denominado, ridiculamente, o Grande. Portador de distúrbios de conduta, especialmente atormentado pelo medo de perder o poder, mandava matar indiscriminadamente inimigos declarados, familiares suspeitos e amigos inseguros…

O sanguinário conseguira, na sua faina macabra, assassinar a própria esposa sob acusação indébita, receando-lhe a grandeza moral. As intrigas eram fulminantes, enredando personalidades nobres e igualando-as aos infelizes litigantes. A sobrevivência de cada um dependia da direção dos ventos palacianos.

A miséria socioeconômica atingira nível insuportável.

Os campos encontravam-se despovoados enquanto as cidades maiores, qual acontecia com Jerusalém, encontravam-se abarrotadas com desocupados, vagabundos, pessoas viciadas, aventureiros.

Israel esperava o Messias fazia muitos séculos, que o viesse libertar do jugo estrangeiro, pois que quase sempre estava sob dominação de outro país.

Nesse período se encontrava sob a suserania da Síria, desde quando Pompeu, o triúnviro, entrara na capital vitoriosamente, deixando a nação sob o protetorado alienígena.

O descontentamento e os ódios entre as diversas classes, a começar na mais alta corte de justiça e de religião, o Sinédrio, gerava tremenda instabilidade interna sob a vigilância do temível governante.

Esperava-se, em consequência, que o Messias fosse um guerreiro sanguinário vingador que erguesse Israel à culminância da glória terrestre, dominando os demais povos.

Esse era o clima espiritual da Terra da Promissão.

Foi então que, numa noite inigualável de beleza, nasceu Jesus, tendo como berço as palhas úmidas de uma gruta-estrebaria de calcário na região de Belém.

***

Humilde como a erva do campo e nobre como um arquipélago de astros, a Sua jornada seria assinalada pela proteção dos anjos, vivendo em Nazaré na condição de modesto carpinteiro.

Apagou-se num anonimato incomum, e, no momento próprio, desvelou-se num arrebatamento espiritual que mudou o destino da Humanidade.

Nunca mais a Terra seria a mesma, porque a partir da Sua chegada surgiram os pródromos da plenitude futura para todas as gerações.

Dividiu os tempos e em poucos anos estabeleceu um Reino que se vem alongando na sucessão dos evos até os dias atuais do Consolador, quando novamente os luminares da Espiritualidade vêm transformar os conceitos do egoísmo, inaugurando a era da legítima fraternidade.

Por mais que haja amado, de forma que ofereceu a vida em holocausto para servir de exemplo, não foi correspondido na mesma intensidade, antes foi odiado e perseguido sem clemência, jamais desanimando ou descoroçoando, para que não faltassem diretrizes de segurança para a felicidade humana.

Instalando o amor nos painéis do pensamento terrestre, a Sua mensagem é hoje psicoterapia valiosa para libertar da desdita milhões de vítimas da ignorância e dos desastres morais.

Certamente sensibilizou milhões de existências na sucessão da História, não o suficiente, porém, para que se conseguisse o primado da imortalidade e do Bem. Entretanto, os alicerces por Ele colocados permanecem aguardando a construção da Verdade que em breve reinará entre as criaturas.

É necessário insculpir na mente e no coração os exemplos de Jesus que palpitam na psicosfera do planeta, aguardando oportunidade de dominar as vidas de modo a torná-las plenas, o que equivale dizer: instalar o Reino dos Céus no mundo terrestre.

Estes são dias difíceis que fazem parte do processo evolutivo do planeta e dos seus habitantes.

Necessário ouvi-lO no imo e vivê-lO no comportamento e na ação.

***

Celebra o teu Natal pensando nEle, sem pompa nem arrogância.

Natal é evocação do sublime amor de Deus, enviando Jesus ao mundo para dignificá-lO.

Comemora-Lhe o aniversário fazendo como Ele, ao lado dos que sofrem e anelam pela paz.

Reúne a tua família e ora exaltando-O, e transforma-te em embaixador da Sua bondade, espalhando bênçãos entre todos.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica da noite de 14 de setembro de 2015, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

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Comportamento

Divaldo P. Franco

COMPORTAMENTO

Alguns estudiosos do comportamento humano chegaram à conclusão que alguns fatores preponderantes na conduta hodierna são responsáveis pelos problemas da atualidade, como sejam: desconstrução da família, liberdade em excesso, perda do sentido existencial, excesso da parafernália tecnológica infantil, ausência dos pais no lar…

Iniciada essa nova maneira de viver-se, a partir dos anos sessenta, no século passado, a chamada revolução dos costumes produziu um grande vazio nos indivíduos, que procuraram preenchê-lo mediante gozos incessantes, como se a existência fosse um passeio à ilha da fantasia, sem responsabilidade nem respeito pela própria vida.

Desfrutar das múltiplas ocasiões ricas de gozo, o amor e a flor, num disfarce mal elaborado sobre o excesso do prazer sexual e da indiferença pelo mundo, os jovens perceberam-se órfãos de pais vivos, que também desejavam aproveitar o momento, libertando-se das castrações da cultura do passado, como único objetivo da existência.

A competição masculina/feminina, os vícios sociais, o tabaco, o álcool, as drogas aditivas e a libertinagem tomaram conta do planeta, inaugurando o período da irresponsabilidade.

Alastraram-se as fugas das grandes cidades para locais denominados paraísos e o mundo se tornou pequeno demais para os grupos de errantes, buscando praias encantadoras e lugares mágicos para curtir, para o embalo e a liberdade que, a esse tempo, transformou-se em libertinagem.

Subitamente, com a mesma acelerada mudança, John Lennon declarou: O sonho terminou!, e movimentos em favor da paz externa surgiram exóticos, sem a preocupação do equilíbrio interior, única maneira de viver-se em tranquilidade.

As guerras multiplicaram-se e voltaram as lutas entre Oriente e Ocidente, quando o atormentado Bin Laden inaugurou o período do terror, no fatídico 11 de setembro de 2001, cujos danos emocionais ainda perduram no medo que tomou conta da sociedade. Novos atos terroristas modificaram as paisagens humanas e vive-se, na atualidade, a ausência da ética, do amor, da fraternidade entre as criaturas.

Certamente, surgiram nobres movimentos, preocupações com a Mãe Terra, com os animais e todas as expressões de vida, direitos humanos…

Mas o amor ainda não encontrou guarida nos corações. E todos estamos sedentos de que o amor nos suavize a jornada e domine os atormentados comportamentos atuais. Somente o amor em todas as suas expressões possui a terapia própria para acabar com a onda de violência e ódio, de medo e solidão que tomam conta da Terra.

Um amor especial, sem dúvida, que é o retorno às tradições, ao respeito entre as criaturas e o cumprimento dos deveres em relação a tudo e a todos.

Divaldo Pereira Franco

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 5.5.2017.

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O segredo das curas

Por Roque Jacintho

O doutor Fortes era um médico generoso. Interessava-se pelos doentes, fosse qual fosse a sua condição social. Porém, a técnica precária da medicina na época, quase sempre o colocava em desvantagem diante das enfermidades.

Clinicando, também, na enfermaria do Convento de Santo Antônio, passou a observar o enfermeiro Fabiano de Cristo, que vencia onde ele se sentia derrotado.

Daquelas mãos dedicadas vira doentes sem esperanças saírem recuperados e retornarem à vida comum, sem sinais das doenças que deveriam tê-los vitimado.

Deveria haver ali algum segredo – conjecturava muitas vezes. E certo de que esse segredo existia, passou a inspecionar cada um dos atos de Fabiano.

Talvez tudo estivesse na água!

Sim! É que a cada doente em estado grave, Fabiano ministrava uma porção de água. E até para aqueles portadores de feridas graves, ele aplicava gotas d’água na região enferma, obtendo cicatrizações espantosas.

Fortes queria dominar aquele conhecimento.

– Há dias te observo trabalhando na enfermaria, irmão Fabiano! – diz o médico, após Fabiano de Cristo haver distribuído porções d’água a diversos internados. – Por mais que queiras negar, colocas nessa água algum recurso medicamentoso que desconheço.

– Nada faço que qualquer um outro não possa fazer, doutor! – disse o interpelado.

– Desculpe-me, porém não creio! Afinal, eu te trouxe doentes irrecuperáveis e, três dias após, ei-los refeitos e a te ajudar! E vi que nada lhes deste além de água.

O médico insistia:

– Se guardas avaramente teu segredo, lembra-te de teu dever de humanidade! Muitas outras pessoas poderiam retornar à normalidade, se me revelasse o teu conhecimento.

– Mas, doutor, eu só apiedo-me diante de cada um que sofre. Eles chegam aqui e nada sei de enfermagem! Como socorrê-los? Apanho, então, as canecas com água e faço as minhas orações, para cada doente em particular.

E, diante do médico admirado, complementou:

– Sabendo que a vida vem de Deus, rogo ao Pai de misericórdia que abençoe a água que Ele próprio criou e que nela dê o seu sopro de vida, como dá à vida inicial ao homem.

Houve uma pausa longa, quebrada pelo reticente médico:

– E…?!

– E sabendo que o Pai atende a todas as súplicas desinteressadamente, sei que a água se transforma num santo remédio. O que Deus coloca nela, nunca perguntei! Só sei que, com muito amor e muita fé, vou ministrá-la aos doentes, em nome de Jesus Cristo!

E continuou:

– Se o senhor fizer isso, doutor, Deus por certo te atenderá, pois Ele me ouve a mim, que sou ignorante e pecador, e mais te ouvirá pelas tuas virtudes.

Sabe-se que algumas vezes, o doutor Fortes foi visto dando pequenas porções d’água a escravos enfermos!

Baseado no livro Fabiano de Cristo, o peregrino da caridade, de Roque Jacintho, Ed.Luz no Lar.

Fonte: correio.news

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Mamom e Jesus

Vianna de Carvalho

MAMOM E JESUS

Anelando pela felicidade dos fiéis católicos em Praga, capital da República Tcheca, então pertencente à Germânia, Jan Hus adotou a pregação do Evangelho de Jesus na simplicidade do idioma do povo necessitado e pobre do país, de modo a exaltar a vida e propiciar paz a todos.

A intolerância religiosa então vigente persegui-o com impiedade, por todos os meios possíveis, culminando em levá-lo ao Concílio de Constança, na Alemanha, engendrado pelos seus inimigos sob o comando do cardeal Antony, que o detestava, havendo sido queimado vivo no dia 6 de julho de 1415.

Estando enfermo com pneumonia, resultado dos maus-tratos sofridos na prisão, padeceu humilhações incomuns praticamente sem o direito a qualquer defesa.

Sob a fúria dos adversários da Verdade e usurpadores da fé cristã, um ano depois, no mesmo lugar, após sofrer as garras fortes do Concílio, um outro sacerdote que amava os seus coetâneos, Jerônimo de Praga, o principal discípulo do mártir Jan Hus, foi também julgado e queimado vivo em 30 de maio de 1416.

A inclemente perseguição era dirigida ao sacerdote inglês John Wycliffe, professor da Universidade de Oxford, grande teólogo e reformador religioso que abalou a Europa nos séculos XV e XVI, havendo tido a coragem de traduzir a Bíblia ao inglês que lhe guarda o nome como seu título.

Era muito difícil, então, seguirem os filhos de Deus os ensinamentos de Jesus.

A perseguição da ignorância estava em toda parte, resultante dos interesses escusos em que Mamom desempenhava o papel fundamental no poder e na glória terrenas.

Antes deles, incontáveis aprendizes do Evangelho foram imolados por optarem pelo caminho da simplicidade, da renúncia aos bens terrenos e pelo amor com abnegação.

Depois deles, igualmente muitos e afetuosos cristãos foram dilacerados e martirizados em razão da sua fidelidade ao Homem da Cruz, em desobediência do Senhor da mitra ou um dos seus áulicos em diversas partes do mundo.

As extravagâncias do poder temporal de Roma, com os seus sucessivos escândalos e ambições exageradas, tornaram a mensagem de Jesus difícil de ser compreendida e amada, não obstante os mártires prosseguirem exercendo o ministério do amor e doando suas preciosas existências aos crucificadores e exterminadores.

A Lei do Progresso, que é inevitável e impossível de se deter, alterou o processo da evolução sociocultural na Terra e, lentamente, veio igualando todos os seres humanos que foram separados na adoção da mentira e poderes terrenais e das verdades eternas, chegando-se ao período do total afastamento entre a Ciência e a Religião.

A dominante fé cega foi constrangida a ceder passo aos fatos que se tornaram constatados pelos investigadores da Ciência, ampliando os horizontes do Universo e da vida em si mesma com extraordinários benefícios para o planeta e as criaturas que o habitam.

As teorias absurdas, descendentes da ignorância e do obscurantismo, foram sendo abandonadas pelas pesquisas intérminas no organismo da sociedade e nos laboratórios especializados.

Espíritos nobres reencarnaram, a fim de contribuírem em favor da elevação dos costumes, mediante a cultura nas mais variadas expressões do sentimento.

Vive-se a atualidade, apesar das indiscutíveis conquistas do pensamento e das ciências, mantendo-se a aparente obediência às Leis de Deus e, às ocultas, desprezando-as quando antes não se desvelavam.

Os conflitos permanecem na sociedade, cujos porões escondem as perseguições contínuas e inomináveis, mantendo a crueza dos sentimentos quais ocorreram no passado.

A pena de morte foi suspensa em muitas nações, que, no entanto, prosseguiram matando nas suas armadilhas bem disfarçadas.

Em consequência, os crimes hediondos continuam em estatísticas assustadoras, indefinidos, sem solução…

Nesse ínterim, Jesus retornou conforme prometera aos Seus discípulos como o Consolador, e o aparente silêncio das tumbas foi substituído pelas vozes proclamadoras da Imortalidade.

Médiuns e estudiosos sinceros do Espiritismo renasceram e saíram a demonstrar a grandeza de Deus ante as ofertas de Mamom, convidando vidas estioladas e laureadas à defesa da Vida.

Uma sinfonia incomum tomou conta da atmosfera e, em toda parte, essas vozes em triunfo prosseguem conclamando o novo tempo de Jesus para a Humanidade ansiosa por beleza, saúde e paz.

Periodicamente, as distrações do caminho, as artimanhas de Mamom convidam à falência e tombam alguns numa luta renhida de qualquer tipo, mesmo alcançando-se a vitória, o campo fique juncado de cadáveres…

Nesta longa batalha, cada lutador tombado é substituído por outros que prosseguem valorosos, sem temerem, incansáveis no seu devotamento ao Bem.

Eis porque estes são dias de difíceis comportamentos saudáveis.

A mentira assume autoridade pelo fascínio que exerce. Mas a verdade lentamente impõe-se e cria o reino de justiça e de alegria real, num prenúncio do futuro de bênçãos.

Enquanto isso não ocorre aumenta a loucura pessoal e coletiva.

Os ideais de solidariedade são substituídos pelo individualismo ególatra, e cada qual se propõe a usufruir do prazer imediato, como se a finalidade da existência fosse a exaustão, o sono para novo mergulho na fuga da realidade.

A verdade é imbatível e nada consegue vencê-la, embora a obnubilem em algumas ocasiões, mediante os artifícios e ilusões propiciados pela própria transitoriedade orgânica.

Qual Sol após noite, sempre se apresenta dominadora vencendo o ciclo.

Cuidado com as canções embriagadoras de Mamom e as suas empresas auxiliares, que marcham ao lado dos astutos ludibriadores do pensamento na sua constante busca do gozo físico.

Tudo passa, menos o Amor de Deus.

Não duvides do êxito que te está reservado pela Sabedoria Divina.

É irrefreável a sucessão das horas e invencível a lucidez da consciência, onde estão escritas as Leis de Deus…

Alegra-te, ante os desafios do existir e utiliza-te deles para cresceres em moral e sabedoria.

…E se algum dia sentires o teste da solidão, do sofrimento que te pareçam superiores às tuas forças, refugia-te em Jesus, que nunca nos deixa a sós.

Vianna de Carvalho

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica de 22 de novembro de 2021, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

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A omissão e as suas consequências espirituais

Anselmo Ferreira Vasconcelos

Toda criatura humana retorna à ribalta da vida material carregando em seu átrio um conjunto de metas a cumprir, isto é, fracassos e desajustes a reparar, virtudes e capacitações a desenvolver, aprendizados para aperfeiçoar o comportamento e os sentimentos, lições de vida para assimilar e situações de testemunho, que aferirão, por fim, o seu real progresso espiritual. As experiências redentoras serão mais ou menos acentuadas a depender dos seus compromissos e débitos perante as leis divinas.

Nesse sentido, cada um de nós tem a sua própria história de erros e desacertos. E por não termos alcançado a necessária elevação, tropeçamos, não raro, em nossas imperfeições e defeitos milenares.

No decorrer da vida, a maioria das pessoas tende a internalizar o dever de não praticar o mal e realizar o bem. Ocorre que, entre esses dois extremos, há um estágio intermediário representado pela omissão comportamental. Trata-se de uma postura igualmente comprometedora à evolução das criaturas, embora muito praticada, conforme atestam as evidências. Aliás, cabe destacar que muitas atrocidades foram cometidas ao longo da trajetória humana devido à omissão dos atores envolvidos. O próprio Jesus, nas horas mais pungentes do seu messianato, sentiu-a através do abandono dos seus seguidores e beneficiados.

O assunto merece profunda reflexão, já que vivemos num mundo onde a noção do bem não foi devidamente instalada não apenas por causa da prevalência do mal, mas também pela nossa omissão em sufocá-lo. Allan Kardec explorou o tema na questão 642 d’O Livro dos Espíritos ao indagar as entidades espirituais o seguinte: “Para agradar a Deus e assegurar a sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal? Não; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem”. Notem que a neutralidade aqui em nada contribuí para o bem-estar espiritual do indivíduo claudicante.

O assunto é retomado na obra O Céu e o Inferno no trecho: “[…] Não fazer o bem quando podemos é, portanto, o resultado de uma imperfeição. Se toda imperfeição é fonte de sofrimento, o Espírito deve sofrer não somente pelo mal que fez como pelo bem que deixou de fazer na vida terrestre”. Segue daí, portanto, que a ausência de atitudes concretas na direção do bem provoca consideráveis infortúnios ao Espírito tergiversante. Assim sendo, consoante a conclusão do Codificador, “A cada um segundo as suas obras, no Céu como na Terra — tal é a lei da Justiça divina”.

Quando olhamos a abundante imperfeição presente nas instituições, nos governos, nos ambientes de trabalho, no funcionamento das sociedades e sobretudo nas relações humanas, identificamos também que o imperativo do bem não é uma prioridade. Infelizmente, deixamos de praticá-lo em situações e contextos onde a nossa boa vontade e empatia são altamente requeridas. Não cogitamos que pequenas ações e iniciativas de nossa parte poderiam ser implementadas, o que certamente redundariam em benefícios aos nossos semelhantes. Com efeito, o nosso engajamento em fazer o bem, além de ajudar em nossa própria autoiluminação, atenua as agruras dos nossos irmãos. Desse modo, evitar a prática maléfica constitui apenas um dos nossos desafios. Mas não é suficiente à nossa evolução.

Por isso, alerta-nos com propriedade o Espírito Emmanuel, no livro Justiça Divina (psicografia de Francisco Cândido Xavier):

“Asseveras não haver praticado o mal; contudo, reflete no bem que deixaste a distância.

“Não permitas que a omissão se erija em teu caminho, por chaga irremediável.

“Imagina-te à frente do amigo necessitado a quem podes favorecer.

“Não te detenhas a examinar processos de auxílio.

“[…]

“Não percas a divina oportunidade de estender a alegria.

“[…]

“Faze, em cada minuto, o melhor que puderes.”

Contudo, deixamos de fazer por inúmeras razões – até por pura indiferença, ou casuísmo – coisas boas e positivas que, em muitas ocasiões, estão ao nosso alcance e não exigem nenhum grande esforço de nossa parte em realiza-las. Mais ainda: não percebemos que elas poderiam aliviar a cruz dos nossos irmãos de jornada. Desperdiçamos, devido à nossa incúria e imaturidade espiritual, oportunidades excepcionais de fazer brilhar a nossa luz através dos sublimes mecanismos da solidariedade, compaixão e boa-fé. Não cogitamos que nessas ocasiões estamos sendo efetivamente testados pela providência divina. Não lembramos – muito menos deduzimos – que concordamos em assumir e executar tarefas benéficas em prol dos outros. No entanto, diante da oportunidade sagrada normalmente fracassamos. Lamentavelmente, o comportamento omisso continua causando consideráveis aflições em nosso mundo.

O Espírito Joanna de Ângelis, na obra Celeiro de Bênçãos (psicografia de Divaldo Pereira Franco), faz observações contundentes a respeito. Por exemplo, a elevada entidade afirma que “A omissão, no entanto, é responsável pelo desmoronamento de ideais enobrecedores com que a Humanidade sempre foi contemplada, porquanto estimula a desordem, no silêncio conivente; açula a ira, pela morbidez que dissemina; favorece a fuga dos dubitativos que se resolvem pela atitude mais fácil. Omissão, é, também, ausência de firmeza de caráter, covardia moral”.

Para ela ainda, “O cristão omisso é alguém em vias de decomposição emocional, que está em processo de morte sem o perceber. Desse modo, constrói sempre e convictamente o bem em toda parte, comunicando entusiasmo e otimismo, descobrindo, por fim, que o contágio do amor e da esperança…”

Por outro lado, é comum nos queixarmos dos problemas e obstáculos que surgem desafortunadamente em nosso caminho. São experiências – perfeitamente evitáveis, em muitos casos – sofríveis que adicionam mais transtorno às nossas vidas. Sendo essa a realidade, meditemos se, de nossa parte, também nós contribuímos para isso devido à nossa omissão e silêncio diante das coisas erradas. Vivendo num mundo onde a imperfeição tudo abarca, podemos, pelo menos em nossa esfera de ação, averiguar se o comportamento omisso ainda nos inspira. Com efeito, chegar no plano espiritual carregando tal passivo só nos fará mal.

Anselmo Ferreira Vasconcelos

Fonte: Espiritismo na Rede

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O racismo e o nosso compromisso como espíritas

Uma vez mais, a triste realidade do preconceito racial persiste e recebe as luzes do holofote mundial por atingir de forma cruel e repetida o jogador brasileiro Vinícius Júnior. Sem dúvida, temos escancarada, novamente, as chagas do preconceito que, por séculos, corroem quaisquer avanços morais que a humanidade venha realizar em sua lenta caminhada evolutiva.

Nosso espaço aqui não se dedicará a repetir os acontecimentos recentes, ou mesmo quaisquer discussões do ponto de vista dos recentes avanços na esfera criminal e o do desdobramento do caso citado ou de outros, pois nossa ideia é refletir, a partir desse contexto, sobre o que é essencial para cada um nós: reforçarmos ou despertarmos para a necessidade da propagação de uma mensagem de amor, igualdade e fraternidade. Para tanto, vamos tomar como base o que nos ensinou o Mestre Jesus e complementar com as mensagens de Emmanuel, que constantemente nos convida a pensar sobre as raízes do preconceito e como combatê-las.

Reuters/Violeta Santos Moura

“O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus” (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVII)

Egoísmo e vaidade, a origem do preconceito

A origem do preconceito repousa em nossas próprias características inferiores, como o egoísmo e a vaidade. É o egoísmo que nos cega a visão, ao considerarmos os outros como ameaças, buscando, constantemente, destacar nossa superioridade em relação a eles. Já a vaidade nos leva a criar barreiras e estereótipos que alimentam a ilusão de que somos melhores ou superiores com base em nossa aparência, origem, credo ou cultura.

Para extinguirmos o preconceito racial e outros males, é preciso que façamos diferente. E por onde começar? Jesus nos mostrou um caminho novo e diferente, o qual, mesmo passados mais de 2 mil anos, ainda não compreendemos e muito menos colocamos em prática. O Mestre, em sua época, transcendeu todas as divisões sociais, acolhendo a todos com amor e compaixão. Sim, foi preciso que ele desafiasse todos os padrões estabelecidos. Ele não fez distinção a ninguém e, verdadeiramente, nos ensinou que cada ser humano é filho de Deus e merece ser tratado com dignidade, respeito, tolerância e amor, independentemente de raça, origem ou qualquer outra coisa.

O benfeitor Emmanuel, com sua sabedoria espiritual, nos convida a refletir sobre a necessidade de uma mudança interior. Ele nos lembra que o preconceito tem suas raízes em nosso próprio egoísmo e vaidade, que obscurecem nossa visão para a verdadeira essência divina presente em cada ser humano. O caminho para superar o preconceito está na renovação de nossos corações, na busca pela humildade e na valorização da igualdade e da fraternidade.

São inúmeros os exemplos dolorosos de preconceito e discriminação que a humanidade coleciona ao longo de sua história. A escravidão, a colonização, a segregação racial, as perseguições religiosas e muitos outros eventos nos mostram as consequências devastadoras do preconceito. No entanto, nesta longa jornada, também encontramos indivíduos que se levantaram contra essas injustiças, como Martin Luther King Jr., Nelson Mandela e tantos outros que lutaram pela igualdade e justiça.

Chico Xavier: igualdade, respeito e valorização da diversidade

Quando voltamos nossos olhos em busca de verdadeiros exemplos que demonstraram em sua vida uma luta de combate à discriminação, lutando pela fraternidade e igualdade, jamais podemos nos esquecer de Chico Xavier. Sua vida foi de completa e total dedicação ao próximo. Independentemente de raça, cor ou origem, foi um testemunho vivo da mensagem de amor e compaixão. Tanto é fato que o médium mineiro é respeitado por pessoas de diversos credos, brasileiros e estrangeiros. Chico nos mostrou o quanto é possível reconhecermos a divindade presente em cada ser humano e promoveu a igualdade, o respeito e a valorização da diversidade.

Diante dos acontecimentos recentes e das reflexões tão inspiradoras que não nos faltam, é preciso que reconheçamos que o momento de agora é um convite para agirmos em nossas vidas diárias para combater o preconceito. Não basta não sermos preconceituosos, temos que combater o preconceito. E o combate deve ser em nosso campo íntimo, nossos pensamentos, nossas palavras e atitudes. Devemos nos esforçar para desenvolver empatia, colocando-nos no lugar do outro, ouvindo suas histórias e experiências. É fundamental que nos eduquemos sobre essa triste história, sobre o preconceito racial e suas ramificações, para que possamos desmantelar estereótipos e compreender as consequências do racismo.

Vale dizer também que precisamos nos engajar em ações concretas. Apoiar organizações e projetos que promovam a igualdade racial, participar de eventos e manifestações pacíficas, levantar nossa voz contra o preconceito e influenciar mudanças em nossos círculos de convivência. Temos que buscar o diálogo, o entendimento mútuo e a valorização da diversidade, rompendo as barreiras que nos separam e construindo pontes de amor e respeito.

O combate ao preconceito, portanto, requer uma mudança profunda em nossos corações e em nossa sociedade. Devemos seguir inspirados pelo exemplo de Jesus, que vivenciou o amor universal e a fraternidade em favor daqueles que eram marginalizados em seu tempo. Recordemos também: o conhecimento trazido por Emmanuel e a vida dedicada ao amor de Chico Xavier nos mostram que podemos nos tornar agentes de transformação.

Que cada um de nós se comprometa a agir, a enfrentar seus próprios preconceitos, a educar-se e a promover atitudes de amor, respeito e igualdade em todas as esferas de vida. Somente assim poderemos construir um mundo onde o racismo seja coisa do passado e a fraternidade seja a base de nossas relações humanas.

Os acontecimentos recentes envolvendo o jogador de futebol Vinícius Júnior e a triste realidade do racismo que ainda persiste em nossa sociedade nos chamam a refletir sobre nossa responsabilidade pessoal nessa luta pela igualdade e justiça. Vinícius Júnior, como uma figura pública de destaque, despertou a atenção para uma causa que afeta não apenas ele, mas milhões de pessoas em todo o mundo, que não possuem a mesma visibilidade e voz para combater o racismo.

Mudança começa em cada um de nós

Chegou a hora, mais do que tardia, para reconhecermos que a mudança real começa dentro de cada um de nós. É necessário questionar nossas próprias atitudes e crenças, desafiando nossos preconceitos e estereótipos enraizados.

Como espíritas-cristãos, somos chamados a agir em consonância com os ensinamentos do Cristo e os princípios espíritas. Devemos ser agentes de transformação, disseminando o amor, a compreensão e o respeito entre todas as pessoas, sem distinção de raça ou origem étnica, mas isso de forma ativa.

Cada um de nós possui um papel fundamental nessa luta contra o racismo. É necessário engajar-se em ações concretas, como promover a conscientização, combater estereótipos prejudiciais, apoiar movimentos antirracismo e participar ativamente na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Dessa forma, dia chegará que viveremos em um mundo onde milhões de pessoas que não têm a mesma visibilidade de Vinícius Júnior não sejam mais vítimas do racismo. Um mundo onde cada indivíduo seja valorizado por sua essência, por suas contribuições e por sua humanidade, independentemente de sua cor de pele.

10 certezas de que o Espiritismo combate o racismo

  1. Amor ao próximo: Allan Kardec, em O livro dos Espíritos e em O Evangelho segundo o Espiritismo, destaca a importância do amor ao próximo como sendo um dos princípios fundamentais da Doutrina Espírita.
  2. Lei de Igualdade: A Lei de Igualdade, presente em O livro dos Espíritos, nos ensina que todos os Espíritos são criados simples e ignorantes, tendo as mesmas oportunidades de evolução.
  3. Fraternidade universal: Em O Evangelho segundo o Espiritismo, Kardec nos fala sobre a fraternidade universal como um dos pilares da Doutrina Espírita. Devemos cultivar a fraternidade, acolhendo e respeitando todas as pessoas, independentemente de sua raça.
  4. Justiça e caridade: O livro dos Espíritos e O Evangelho segundo o Espiritismo destacam a importância da justiça e da caridade em nossas relações com o próximo. Devemos buscar a justiça social, combatendo o racismo e promovendo a igualdade de oportunidades para todos.
  5. Lei de Progresso: A Lei de Progresso nos ensina que todos os seres estão em constante evolução espiritual. Devemos, portanto, respeitar e valorizar a jornada evolutiva de cada indivíduo, independentemente de sua raça ou origem étnica.
  6. Amor incondicional: Chico Xavier enfatizou em suas obras e na sua vida a importância do amor incondicional. Devemos amar todas as pessoas, independentemente de suas diferenças raciais, com o mesmo amor que Jesus nos ensinou.
  7. Caridade como prática: A caridade deve ser uma prática constante em nossas vidas. Devemos exercê-la em relação a todas as pessoas, incluindo aquelas que sofrem com o preconceito racial.
  8. Educação espírita: A educação espírita, conforme apresentada em diversas obras da codificação, tem como objetivo desenvolver valores morais, como o respeito, a igualdade e a solidariedade. Devemos promover a educação espírita como forma de combater o racismo e disseminar a cultura de igualdade.
  9. Evolução espiritual: O estudo das obras espíritas nos convida a refletir sobre a evolução espiritual e a compreender que todas as raças têm um papel importante nesse processo. Devemos valorizar a diversidade racial como parte do plano divino de evolução.
  10. Reforma íntima: A reforma íntima, amplamente abordada nas obras da codificação, nos convida a trabalhar em nós mesmos, combatendo nossas imperfeições morais, incluindo preconceitos raciais. Devemos buscar a transformação interior, cultivando o amor, o respeito e a igualdade em nossas atitudes diárias.

Ao basear essas dicas nas obras da codificação da Doutrina Espírita, fortaleceremos os princípios e valores essenciais do Espiritismo, promovendo a igualdade, a fraternidade e a justiça social, combatendo assim o racismo em todas as suas formas.

Fonte: Folha Espírita

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A fraqueza dos bons

Milton Medran Moreira

“A anarquia social não se manifesta somente nas camadas inferiores da sociedade. Como todas as epidemias mentais, é uma moléstia essencialmente contagiosa.”. Gustave Le Bon, em “Psicologia Política”.

Foi a partir de sua redemocratização que o Brasil começou a perceber mais claramente o elevado nível de criminalidade existente em suas elites políticas e econômicas, historicamente protegidas pela impunidade.

A assim chamada “criminalidade do colarinho branco” passou a merecer, então, melhor atenção dos organismos de investigação, persecução criminal, submissão ao devido processo legal e julgamento. Ao mesmo tempo, pois, que o exercício democrático se abria para todas as camadas da população, ensejando mais amplamente o acesso ao poder também às classes sociais menos favorecidas, a criminalidade, de igual forma, mostrava-se presente na ação de representantes políticos de todos os segmentos sociais, incluindo aqueles antes tidos como “acima de qualquer suspeita”.

Na verdade, o crime não tem ideologia nem partido, não é característica deste ou daquele estrato social, político, religioso, civil ou militar. É doença contagiosa que se alastra, contaminando segmentos ricos e pobres, criando mecanismos complexos, estratégias para burlar a lei, e formando organizações poderosas com alto grau de especialização. Membros desses organismos criminosos paraestatais, provindos de todos os níveis, não raro, conquistam importantes fatias de poder, em todos os segmentos do estado, sob o hipócrita manto da democracia e mediante uma falsa retórica de promoção do bem comum.

Mesmo assim, a parte boa e sadia da sociedade é mais numerosa do que essa horda de criminosos que toma de assalto setores do poder estatal e econômico. A grande maioria dos brasileiros é constituída de homens e mulheres bem-intencionados, voltados a atividades honestas: pais e mães de família; empresários e trabalhadores; governantes, parlamentares, membros de Poderes, probos, imbuídos dos mais sãos princípios em favor da ordem, da justiça, da paz social. Todos querendo oferecer sua contribuição em prol de uma sociedade justa e harmônica.

Apesar disso, já ao tempo da estruturação filosófica do espiritismo, seu insigne fundador, Allan Kardec, percebeu que, como ocorre hoje, em amplos setores da política e das engrenagens que movem as relações sociais, a “influência dos maus sobrepuja a dos bons”, e questionou os espíritos sobre a razão desse fenômeno. Deles recebeu esta resposta, na questão 932 de O Livro dos Espíritos:

“Por fraqueza destes (os bons). Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão”.

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O crime não tem ideologia nem partido, não é característica deste ou daquele estrato social, político, religioso, civil ou militar.

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No cenário pátrio atual, a “fraqueza dos bons” tem se consubstanciado, às vezes, mais do que pela inação ou a timidez destes, pela própria incapacidade de reconhecerem que estão sendo enganados. Assim, por exemplo, quando um político prega o retorno à ditadura, acenando com a possibilidade de esta trazer a paz social, pessoas de boa índole, poderão sucumbir a essa retórica enganosa, totalmente distanciada da real experiência histórica.

A “fraqueza dos bons”, que tanto atraso já causou à humanidade, tem, pois, componentes de ingenuidade, de ignorância política, de ausência dos conhecimentos amealhados ao longo da formação política e social da espécie humana. Ditaduras, sejam de direita ou de esquerda, sempre foram altamente nocivas à sociedade. Ferem a dignidade do cidadão, atentando contra seus direitos naturais.

A democracia, mesmo que teoricamente concebida há séculos, pelos gregos, é, na prática, conquista recente da História, e consolida-se na medida que se protege dos embustes gerados em seu próprio seio. Ela requer, acima de tudo, persistência e coragem no seu exercício, que deverá ser iluminado pela ética do diálogo, da tolerância, do respeito, da sabedoria e da fraternidade, tendo por fim o bem comum.

(Texto publicado como editorial do jornal OPINIÃO, do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, edição 293 – março/2021)

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“Titanic” dos pretos no Mediterrâneo

José Lucas

Amistad - Filme de 1997 - YouTube

De tempos em tempos ocorrem situações críticas, mundialmente conhecidas, que estimulam a fraternidade, a colaboração e o espírito de entreajuda, como nos grandes terramotos, entre outras situações.

Neste mês de Junho de 2023, um pequeno submarino de turismo – o Titan – cujo objectivo era visitar os destroços do Titanic (navio afundado após colisão com um iceberg, no início do século XX), com 5 milionários a bordo (cada um pagou 250 mil dólares americanos pela aventura), perdeu as comunicações com a sua base de apoio e, desencadeou uma das maiores operações de busca naval.

Meios ultrassofisticados dos EUA, Inglaterra, França e Canadá, entre outros países, especialistas de todo o tipo, médicos, de tudo se fez (e bem) para tentar salvar os referidos passageiros que, acabaram por falecer nessa viagem catastrófica.

Sem dúvida que a situação a todos sensibilizou e é, sem sombra de dúvidas, digno de louvor todo o esforço internacional, a solidariedade, a fraternidade, a colaboração, a dedicação, o esforço, em prol da possível salvação daquela tripulação.

No Mar Mediterrâneo, morreram afogadas 26.000 pessoas nos últimos 10 anos.

Na mesma altura em que morreram os 5 tripulantes ricos, morreram 600 pretos, miseráveis, a sul da costa grega, migrantes em busca de um futuro melhor na Europa. Apenas foram resgatados com vida 110 homens.

Dezenas de mulheres e uma centena de crianças viajavam dentro do porão.

Os milhões que se gastaram na busca e salvamento de 5 muito ricos, contrastam com o abandono de 600 pessoas no cemitério em que se transformou o Mar Mediterrâneo.

O grande problema destas pessoas é que são “invisíveis”, são pretos, que vêm de África, sem nada, escravizados por gangues que comercializam carne humana e, que a Europa, tal como os EUA, Canadá, França e Inglaterra (que tanto se esforçaram no caso do Titan) nada fazem para resolver, numa situação dramática, à qual fecham os olhos e vão empurrando com a barriga.

A doutrina dos Espíritos (Espiritismo ou doutrina espírita), que não é mais uma religião ou seita, mas sim uma filosofia de vida espiritualista, universal e universalista, apresenta ao Homem em “O Livros dos Espíritos”, de Allan Kardec, as Leis Morais que são transversais ao Universo.

Entre outras, encontramos as Leis de Sociedade, Igualdade, Liberdade, Justiça, Amor e Caridade, que nos demonstram a nossa natureza divina, as obrigações sociais mútuas.

om o Espiritismo, nas suas componentes científica, filosófica e moral, encontramos as provas da imortalidade do Espírito, da comunicabilidade dos Espíritos, da Reencarnação, da Lei de Causalidade e a pluralidade dos mundos habitados.

A vida humana não vale mais de acordo

com a cor da pele ou do local do desastre:

somos todos filhos de Deus e irmãos em evolução.

Em essência, aprendemos com o Espiritismo a solidariedade, a fraternidade, a colaboração e o amor ao próximo nos seus índices máximos, já que sabemos que na próxima reencarnação podemos nascer num país qualquer, com um corpo de uma cor qualquer, numa condição social qualquer, num local bom ou difícil, na condição masculina ou feminina e, em locais degradados ou poupados, do ponto de vista ecológico.

Não se consegue entender esta dualidade de critérios, fruto do egoísmo humano, onde se empenham meios humanos e materiais que valem milhões, para salvar 5 vidas, por serem brancos e ricos e, se abandonam à sua sorte milhares de pessoas, por serem pretos e miseráveis, que apenas buscam um futuro melhor, uma luz ao fundo do túnel.

Lembramos o médico das almas, Jesus de Nazaré que, há 21 séculos nos deixou uma filosofia de vida para a felicidade de todos, sem excepção, no planeta Terra: “não fazer ao próximo o que não desejamos para nós e, fazer ao próximo o que desejaríamos que nos fizessem”.

O conceito é simples, eficaz, mas, de facto, é incompreensível que depois de 21 séculos ainda não tenhamos aprendido a base das bases da essência da fraternidade, da solidariedade, da caridade que eleva, do Amor ao próximo.

Se houvesse um Titanic no Mar Mediterrâneo, talvez os pretos tivessem melhor sorte.

Se calhar todos nós, ocidentais, enclausurados no nosso egoísmo doentio, somos titanics naufragados moralmente e, ainda não descobrimos isso.

A lei da evolução levar-nos-á adiante, quer queiramos ou não – são leis naturais ou divinas – sendo que essa evolução não sendo pelo amor, será inevitavelmente pela dor coletiva, fruto do egoísmo dos titanics humanos da atualidade.

“Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a Lei.”

José Lucas reside em Óbidos, Portugal.

Fonte: O Consolador

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Rita Lee, você é médium?

Por Redação

Fã da cantora Rita Lee, o escritor e pesquisador paulista Eduardo Carvalho Monteiro escreveu um artigo para o Correio Fraterno em 1983 comentando sobre a entrevista da cantora à revista Psicologia Atual, em que ela fazia inúmeras revelações sobre sua relação com a espiritualidade.

Ela diz:

“Quando faço letra, não escrevo muito consciente; é uma coisa meio ‘psicografada’. Primeiro baixa o santo, depois é que eu vou ler”.

Eduardo expõe que o fenômeno a que ela se refere pode ser enquadrado na mediunidade da psicografia direta ou na de inspiração, e sugere para o entendimento do fenômeno a questão 186, do capítulo 15 de O livro dos médiuns, que cita os artistas, sábios, literatos como “capazes por si mesmos de compreender e de conceber grandes coisas”, e que os espíritos os auxiliam e sugerem as ideias, sendo eles médiuns muitas vezes sem o saber. Lembra que um autor, um pintor, um músico, nos momentos de inspiração, com a alma mais livre e desembaraçada da matéria, recebe mais facilmente as comunicações dos espíritos que a inspiram.

A cantora não sabe explicar, mas diz na entrevista também: “fui eu quem quis nascer. E quis nascer com todas as barras que temos que enfrentar.”

O espiritismo explica que nada acontece por acaso. Tudo segue uma ordem dentro do universo, segundo a vontade do Criador.

Rita comenta ainda de forma despreocupada que às vezes “se mete na pele de outros personagens e modifica sua própria maneira de ser”. Diz que eles sempre a acompanharam. “São figuras que eu não sei explicar. As pessoas tentam teorizar: você é médium. Mas eu não quero entender. Eles simplesmente pintam. Aí o personagem ‘baixa’. Eu sempre falo baixa, mas é o não ter consciência e ao mesmo tempo ter”. E explica que tem a Gininha, tem o Gungum…

Eduardo então ‘dialoga’: “Sabe Rita, quem é médium sempre está exposto a atuações de outros espíritos. O médium possui um campo preparado para receber influências espirituais e quando seu ‘astral’ não está bom, aí, menina, você nem queira saber: obsessão na certa.

Por isso é que nós espíritas, somos chatos nisso. Lutamos sempre por manter a mente limpa para não nos expormos: estudamos muito os fenômenos para entendermos e não sermos surpreendidos… Entendeu agora, Rita? “

Fonte – Correio Fraterno, edição 147, março de 1983.

Publicado em correio.news

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