Hipertensão: a causa está no espírito

Associação Médico-Espírita (AME-PR)

HIPERTENSÃO: A CAUSA ESTÁ NO ESPÍRITO

A Doutrina Espírita afirma que a causa das nossas doenças está no espírito e as lesões do corpo físico são projeções doentias do pensamento e dos sentimentos, mais especificamente do ego, da personalidade ou máscara.

“No caso da hipertensão arte rial, do ponto de vista da Medicina puramente materialista, suas causas podem ser renais, glandulares e cardio-circulatórias, porém a mais comum é de origem desconhecida, a chamada hipertensão essencial. Mas, no paradigma espírita, a causa está no espírito”, declara Júpiter Villoz Silveira, médico endocrinologista e vice-presidente da Associação Médico-Espírita (AME) de Londrina (PR), que tratou do tema no IV Congresso Nacional da Associação Médico-Espírita (Medinesp 2003), realizado em junho, em São Paulo (SP).

Júpiter lembra que o neurologista Antônio Carlos Costardi, de Taubaté (SP), autor de vários livros sobre a mente, entre eles um condomínio chamado família, faz essa afirmação há anos. “Costardi nos diz que a hipertensão arterial sistêmica ocorre em pacientes com personalidade controladora, que, ao perderem o controle de uma determinada situação, geram um sentimento de raiva que, descarregado sobre o seu próprio corpo somático, produz, entre outras coisas, a hipertensão arterial”, afirma.

Para provar a tese de que todas as pessoas hipertensas têm personalidade controladora e traçar um perfil psicoespiritual do hipertenso, Júpiter convidou, este ano, aleatoriamente, pacientes hipertensos, tanto de seu consultório, como da instituição Casa do Caminho, de Londrina, que estivessem dispostos a participar do trabalho de investigação. As pessoas escolhidas foram de ambos os sexos, de 20 a 50 anos. Posteriormente, elas foram encaminhadas ao Instituto Reviver, clínica do médico Cláudio Sproesser, que trabalha com as doutoras Eliane Alves de Andrade e Marilene Moreli Padoa, onde passaram por testes em que foi avaliada a história detalhada de suas doenças e promovidos testes psicológicos. “Após anamnese detalhada e aplicação de testes como o Warteg, eles encontraram os seguintes resultados: intolerância, pessoas dominadoras e baixa auto-estima”, relata (a anamnese é a informação sobre o princípio e evolução de uma doença até a primeira observação do médico, e os testes de Warteg são avaliações psicológicas do paciente). “Entre a população avaliada, a intolerância e o comportamento dominador obtiveram um perfil de 100%. Já em relação à baixa autoestima, o índice constatado foi de 90% e o nível de estresse dessa população está numa escala altíssima”, completa Júpiter.

De acordo com Júpiter, aqueles que apresentam faixa etária acima de 40 anos e/ou aqueles que fumam, independentemente da idade, segundo a literatura médica, já estão na probabilidade da ocorrência de apresentarem ou já estarem apresentando alterações cardio-vasculares. “Mas, podemos afirmar que, independentemente do grau de cultura, a conscientização quanto à espiritualidade é fator predominante no equilíbrio da qualidade de vida do paciente”, diz.

O vice-presidente da AME-Londrina também aponta que, através dos protocolos avaliados, é possível identificar características quanto ao “eu” do indivíduo na sua afetividade, a sua ambição, sexualidade e proteção. “Pode-se notar algumas características comuns entre essas pessoas, como insegurança, busca de proteção, negação da sua individualidade, repressão da angústia, objetivos indefinidos e dificuldades quanto a sua sexualidade. Cabe ressaltar que também foram constatadas outras características distintas, sendo algumas positivas”, lembra.

Centro coronário

Segundo André Luiz, no livro Evolução em Dois Mundos, temos particularmente no centro coronário o ponto de interação entre as forças determinantes do espírito e as forças fisiopsicos-somáticas organizadas. Dele, parte, desse modo, a corrente de energia vitalizante formada de estímulos espirituais com ação difusível sobre a matéria mental que o envolve, transmitindo aos demais centros da alma os reflexos vivos de nossos sentimentos, idéias e ações, tanto quanto esses mesmos centros, interdependentes entre si, imprimem semelhantes reflexos nos órgãos e demais implementos de nossa constituição particular, plasmando em nós próprios os efeitos agradáveis ou desagradáveis de nossa influência e conduta.

“A mente elabora as criações que lhe fluem da vontade, apropriando-se dos elementos que a circundam, e o centro coronário incumbe-se, automaticamente, de fixar a natureza da responsabilidade que lhes diga respeito, marcando no próprio ser as conseqüências felizes e infelizes de sua motivação consciencial no campo do destino”, finaliza Júpiter.

“Na obra de André Luiz, fica muito claro que o espírito é o responsável, através de seus sentimentos em desequilíbro, pelas lesões perispiríticas que se traduzem como doenças no corpo físico.”

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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Uma aparição horripilante

Antônio Carlos Navarro

Numa certa ocasião, durante o trabalho de evangelização infantil, fomos abordados por uma menina com aproximadamente dez anos de idade, que em tom confidencial relatou um fato que vinha ocorrendo com ela, pedindo orientação de como proceder diante de tal acontecimento.

Relatou-nos que há alguns dias, ao se deitar para o sono noturno, aparecia-lhe um espírito sentado aos pés de sua cama. Sua aparência era horripilante. Apresentava a cabeça e a face idêntica à de um lobo, com o corpo todo peludo, possuindo um rabo extenso e apresentando-se nu, com os pés iguais aos do cabrito. Para completar o quadro, segurava em uma das mãos um tridente de grandes proporções.

Interessante notar é que a garota não tinha medo no sentido de se sentir agredida, ou seja, no seu íntimo havia uma certeza de que a presença daquele ser não tinha a ver com ela.

Como a condição social da menina era de muita penúria, dividia ela o quarto com outros membros da família, que não enxergavam o quadro que se lhe apresentava.

Orientada no sentido de manter a calma e a orar, e esclarecida quanto à participação dos espíritos na vida dos encarnados, e também quanto à aparência mantida pela entidade espiritual, em poucos dias a situação se normalizou e ela não mais viu o espírito.

Em O Livro dos Espíritos encontramos as explicações necessárias para tal situação.

Na questão de número noventa e cinco, onde o assunto é o perispírito, Allan Kardec faz o seguinte questionamento: O envoltório semimaterial do Espírito tem formas determinadas e pode ser perceptível? E os espíritos superiores respondem: – Sim, tem a forma que lhe convém. É assim que se apresentam, algumas vezes, nos sonhos, ou quando estais acordados, podendo tomar uma forma visível e até mesmo palpável.

O que convém aos espíritos, estejam encarnados ou desencarnados, é sempre correspondente à sua condição moral. Consequentemente suas intenções e ações também.

Isso explica a terrível aparência do espírito ao se apresentar ao campo de visão mediúnica daquela menina.

Com relação à presença do espírito na residência da garota, encontramos duas explicações a respeito, também na obra citada.

A primeira no item cento e dois, que contém a definição das características da Décima Classe, a dos Espíritos Impuros: São inclinados ao mal e fazem dele o objeto de suas preocupações. Como Espíritos, dão conselhos falsos, provocam a discórdia e a desconfiança e se mascaram de todas as formas para melhor enganar. Eles se ligam às pessoas de caráter mais fraco, que cedem às suas sugestões, a fim de prejudicá-los, satisfeitos em poder retardar o seu adiantamento e fazê-las fracassar nas provas por que passam… Alguns povos fizeram desses Espíritos divindades malfazejas; outros os designaram sob o nome de demônios, maus gênios ou espíritos do mal.

A segunda na questão quinhentos e trinta “a”: Os Espíritos que provocam essas inquietações agem por consequência de uma animosidade pessoal ou atacam o primeiro que chega, sem motivo determinado, unicamente por malícia? Seguindo-se a resposta: – Ambos os casos. Algumas vezes são inimigos que fazeis durante essa vida ou em outra, e que vos perseguem; outras vezes, não há motivos.

Estes esclarecimentos são suficientes para o nosso entendimento.

Convém, por último, diante de tal fato, fazermos os seguintes questionamentos a nós mesmos:

“Ainda estou no campo da aquisição de inimigos?”

“Qual será a minha aparência, quando deixar o corpo físico pela desencarnação?”

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

Fonte: Associação Espírita Allan Kardec

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Sexo

Joanna de Ângelis

SEXO

Conceito

Os lexicógrafos conceituam o sexo como sendo a “conformação particular do ser vivo que lhe permite uma função ou papel especial no ato da geração”. Biologicamente, são os “caracteres estruturais e funcionais pelos quais um ser vivo é classificado como macho ou fêmea…”

A reprodução sexuada é condição inerente aos animais, e entre esses aos metazoários, sendo necessário particularizar como exceção alguns que são constituídos por organismos inferiores, cujos processos procriativos obedecem a leis especiais.

Esse processo de reprodução entre os animais sexuados se dá, obedecendo à faculdade de elaboração de células próprias, tendo a Escola de Morgan, nas suas pesquisas, classificado e diferenciado as sexuais das somáticas, que são muito diferentes na constituição do organismo.

Fundamental na espécie humana para o “milagre” procriativo, é dos mais importantes fatores constitutivos da personalidade, graças aos ingredientes estimulantes ou desarmonizantes do equilíbrio, de que se faz responsável.

Considerando as consequências eugênicas, que o desbordar do abuso vem produzindo nas sucessivas gerações, pensam alguns estudiosos quanto à necessidade de ser aplicada a Eutanásia nos “degenerados”, a fim de evitar-se um “crepúsculo genético”, incorrendo, consequentemente, na realização de um hediondo “crepúsculo ético” de resultados imprevisíveis. Isto, porque o sexo tem sido examinado, apenas, de fora para dentro, sem que os mais honestos pesquisadores estejam preocupados em estudá-lo de dentro para fora, o que equivale dizer: do espírito para o corpo.

Aferrados a crasso materialismo em que se fixam, não se interessam esses estudiosos pela observância das realidades espirituais, constitutivas da vida, no que incidem e reincidem, por viciação mental ou simples processo atávico, em relação aos cientistas do passado.

O sexo, porém, queira-se ou não, nas suas funções importantes em relação à vida, procede do espírito, cujo comportamento numa existência insculpe na vindoura as condições emocionais e estruturais necessárias à evolução moral.

Desdobramento

A princípio, considerado instrumento de gozo puro e simples, através do qual ocorria a fecundação sem maiores cuidados, passou, nas Civilizações do pretérito, a campo de paixões exorbitantes, que, de certo modo, foram responsáveis pela queda de grandes Impérios, cujos governantes e povos, alçados à condição máxima de dominadores, permitiram-se resvalar pelas rampas do exagero encarregado de corromper os costumes e hábitos, amolentando caracteres e sentimentos, que culminaram na desagregação das sociedades, que chafurdaram, então, em fundos fossos de sofrimento e anarquia.

Perseguido e odiado após a expansão da Igreja Romana, transformou-se em causa de desgraças irreparáveis, que por séculos sucessivos enlutaram e denegriram gerações.

Pelas suas implicações na emotividade humana, a ignorância religiosa nele viu adversário soez que deveria ser destruído a qualquer preço, facultando sucessivas ondas de crimes contra a Humanidade, crimes esses que ainda hoje constituem clamorosos abusos de que o homem mesmo se fez vítima inerme. Cultivado, depois, passou pelo período do puritanismo, em que a moral experimentou conceituação aberrante e falsa, dando lugar a nefandos conúbios de resultados funestos.

A Sigmund Freud, sem dúvida, o insigne médico vienense, deve-se a liberação do sexo, que vivia envolto em tabus e preconceitos, quando se propôs examiná-lo com vigorosa seriedade, tentando penetrar-lhe as nascentes, através do comportamento histérico e normal dos seus pacientes, tendo em vista a necessidade de elucidar as incógnitas de larga faixa dos neuróticos e psicóticos que lhe enxameavam a clínica, e desfilavam, desfigurados, padecendo sofrimentos ultrizes nos manicômios públicos.

Lutando tenazmente contra a ignorância dos doutos e a estultície dos ignorantes, arrostando as consequências da impiedade e da má-fé da maioria aferrada ao dogmatismo chão e às superstições a que se vinculavam, teve o trabalho grandemente dificultado, vendo-se obrigado ao refúgio no materialismo, transferindo para a libido a responsabilidade por quase todos os problemas em torno da neurose humana. Graças a isso, passou a ver o sexo em tudo, pecando, por ocasião da elaboração das leis da Psicanálise, pelo excesso de tolerância a respeito do comportamento sexual, no que classificou inibições, frustrações, castrações e complexos do homem como sendo seus próprios problemas sexuais… Os cooperadores de Freud alargaram um pouco mais os horizontes da análise, sem, contudo, detectarem no espírito as nascentes das distonias emocionais das variadas psicopatias…

Com a Era Tecnológica, ante as novas realidades sociais, graças à “civilização de consumo”, o sexo abandonou o recato, a pudicícia, para ser trazido à praça da banalização com os agravantes do grosseiro desgaste do seu valor real, num decorrente barateamento, incidindo na vida da comunidade ao impacto dos veículos de comunicação com o poder da sua ciciópica penetração, de maneira destruidora, aniquilante…

Elevado à condição de fator essencial em tudo, é agora razão de todos os valores, produzindo mais larga faixa de desajustados, enquanto se faz mais vulgar, mais mesquinho, mais brutalizado…

Problemas de exigência psiquiátrica, distonias de realidade esquizóide, gritando urgência de terapêutica especializada, defecções morais solicitando disciplina, educação e reeducação constituem manchetes da leviandade, como se fossem esses os reais processos da vida e a reflexão como o equilíbrio passassem a expressões de anomalia carecente de execração…

Transsexualismo e heterossexualidade expulsos dos porões sórdidos da personalidade humana doentia, deixaram as salas hospitalares e os pátios dos frenocômios para os desfiles das ruas, acolitados por desenfreada sensualidade, através de cujos processos mais aumentam as vagas do desequilíbrio.

Incontestavelmente impressos nos painéis do psicossoma os comprometimentos morais em que o ser se emaranhou, estes impõem a necessidade da limitação, como presídio de urgência, no homossexualismo, no hermafroditismo, na frigidez e noutros capítulos da Patologia Médica, nos casos dos atentados ao pudor, traduzindo todos eles o impositivo da Lei Divina que convoca os infratores ao imperioso resgate, de modo a que se reorganizem nesta ou naquela forma, masculina ou feminina, a fim de moralizar-se, corrigir-se e não se corromper, mergulhando em processos obsessivos e alucinatórios muito mais graves, que logo mais padecerão…

Sexo e Espiritismo

Ante quaisquer problemas de ordem sexual, merece considerar-se a importância da vida, das leis de reprodução, contribuindo para o fortalecimento das estruturas espirituais na construção da paz interior de cada um.

Frustração, ansiedade, exacerbação, tormento, tendências inversas e aflições devem ser solucionados, do espírito em processo de reajuste ao corpo em reparação.

Mediante a terapêutica da prece e do estudo, da aplicação dos passes e do tratamento desobsessivo, a par de assistência psicológica ou psiquiátrica correta, os que se encontram comprometidos com anomalias do corpo ou da emoção, recuperam a serenidade, reparam os tecidos ultra-sensíveis do perispírito, reestruturando as peças orgânicas para a manutenção do equilíbrio na conjuntura reencarnatória.

A preservação da organização genésica na faculdade sublime das suas finalidades impõe-se como dever imediato para a lucidez do homem convocado ao erguimento do Novo Mundo de amor e felicidade a que se refere o Evangelho e o Espiritismo confirma, através do bem a espalhar-se hoje por toda parte, repetindo a moral do Cristo, insubstituível e sempre atual.

Joanna de Ângelis

Médium: Divaldo Pereira Franco

Livro: Estudos Espíritas – 20

Fonte: G.E. Casa do Caminho de S. Vicente

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A laicidade em Jaci Regis

Nelson Santos

Defensor aguerrido dos princípios espíritas, sua posição não-religiosa, o levou a repensar o próprio Espiritismo para adotar, definitivamente, uma proposta laica e livre pensadora.

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Defensor aguerrido dos princípios espíritas, Jaci Régis criticava a hegemonia não-racional do meio espírita brasileiro, marcantemente roustainguista e evangélico-cristão, citando, peremptoriamente, que os espíritas precisariam de “Espiritização”. Sua posição não-religiosa, o levou a repensar o próprio Espiritismo, para adotar, definitivamente, uma proposta laica e livre pensadora.

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Conheci o saudoso Jaci Régis em um fórum sobre religião espírita nos idos de 1984, na Federação Espírita do Estado de São Paulo. Sua dialética provocou em mim o encanto, provavelmente pelas similitudes interpretativas do pensamento kardeciano entre as suas manifestações e as minhas ideias. A partir de então, nunca me cansei de resgatar seus ensaios, crônicas, obras literatas e artigos [1]. Jaci era um homem de personalidade marcante, polêmico, crítico, ácido por vezes, porém indubitavelmente fundamentado.

Nesse mês de dezembro de 2022, onde se completam os doze anos de seu retorno à pátria espiritual, atrevo-me a traçar algumas linhas em uma singela crônica acerca de seu legado, ancorado, sobretudo, em três pilares fundamentais que definem seu pensamento: 1) a sua formação psicanalítica e a descoberta de Freud; 2) o aprofundamento e a contextualização do pensamento kardeciano, através da Revista Espírita; e, 3) a elaboração de uma proposta de releitura de Kardec, com uma reconceituação das atividades doutrinárias, de modo a adequá-las aos princípios e objetivos do Espiritismo, pois a principiologia Espírita não é estática, é progressiva e progressista, acompanhando a evolução moral e espiritual da sociedade humana através do tempo.

Defensor aguerrido dos princípios espíritas, Jaci Régis criticava a hegemonia não-racional do meio espírita brasileiro, marcantemente roustainguista e evangélico-cristão, citando, peremptoriamente, que os espíritas precisariam de “Espiritização”. Este, aliás, foi um movimento criado por ele e assim denominado, justamente para ampliar conceitos e análises no meio espírita. Como Herculano Pires e Deolindo Amorim, Jaci criticava o excesso de dogmatização e suas obras, conferências e tratados sempre abordavam a alienígena questão religiosa e sua inferência nos postulados Espíritas.

A culpa, o castigo, o sofrimento e a dor, com as punições divinas herdadas da cultura judaico-cristã, presentes na ambiência espírita, são para Jaci uma deformação, que consiste em transportar para a lei das vidas sucessivas a ideia do pecado original, e se apresentam tão contrárias ao pensamento espírita pós-cristão, uma vez que o ser no mundo encarna para a felicidade e o prazer.

Com isso, Régis defende a necessidade de um novo pensar sobre a atuação de Deus através das Leis Divinas ou Naturais em relação ao destino dos seres humanos na dinâmica existencial. Em em qualquer dos setores em que elas se manifestam, primam pela criação de ambientes de oportunidade, seleção e superação. De fato, o Universo gira em torno do amor, no sentido de prodigalizar meios e formas de oferecer ao Espírito (na forma humana, isto é, encarando) o acesso ao seu equilíbrio interno e também nas relações com o outro, isto é, a felicidade.

Aliás, um dos fundamentos de seu pensamento filosófico é a valorização do prazer e a adequada compreensão da sua necessidade na trajetória existencial, conduzindo à conquista de uma vida terrena relativamente feliz e exitosa. Esta visão estabelece um contraditório ao pensamento cristão e, também, ao pensamento espírita-cristão, que enaltecem o sofrimento como fator privilegiado de progresso e de crescimento espiritual. Em razão desta postura teórica, Jaci foi chamado de epicurista por alguns de seus opositores e, na obra “Novas Ideias”, ele os rebateu: “Revoltam-se alguns quando afirmo que o Universo está baseado no prazer e não na dor. Dedo em riste acusam-me de epicurista. Epicurista? Eu não sabia. Não tinha conhecimento da filosofia de Epicuro e fui saber quem era esse ilustre personagem, a quem fui ligado como um verdadeiro pecado”.

Sua posição não-religiosa, o levou a repensar o próprio Espiritismo, para adotar, definitivamente, uma proposta laica e livre pensadora, como podemos apreciar na obra “Introdução a Doutrina Kardecista” onde apreciamos:

“No espaço de 10 anos, de 1848 a 1858, o mundo foi abalado pelas propostas marxistas, pela intervenção darwinista e pela instalação do kardecismo.

Se Darwin punha por terra ancestrais conceitos religiosos sobre a criação e a posição do homem no quadro biológico, Marx propunha novos tipos de relacionamentos sociais e, por fim Kardec apresentava a natureza espiritual da criatura humana.

Essa extraordinária reconsideração sobre a natureza bio-sócio-espiritual do homem é a marca de uma era que se iniciava e que terá seguimento e contínua consolidação.

As mutações deste século XX mostram que, realmente, o que se supunha sólido escoou como areia pelos dedos da história.”

Questionador, contundente, consistente, contra hegemônico, polêmico… Assim era Jaci Régis. E é em suas próprias palavras, que temos a melhor definição de sua personalidade:

“Mas o que mais me satisfaz, em termos de doutrina espírita, é a liberdade de pensar fora do esquema religioso. Só quem libertou-se dos estritos caminhos do pensar religioso pode avaliar o que significa essa liberdade. Não é ser antirreligioso, maldizer as crenças. Nada disso. É ser livre para analisar os fatos sem preconceitos, aceitar ou rejeitar, duvidar e prosseguir. Um jogo fascinante na busca de um centro de referência e reflexão”. (Texto originário de 2010, publicado postumamente no jornal “Abertura”, número 375, de junho de 2021).

Nelson Santos

Fonte: Nova Era

Nota do ECK: [1] Nelson Santos, autor do presente artigo e membro do Conselho de Gestão do ECK e do Conselho Editorial da Revista Espírita Eletrônica Harmonia, tem costumeiramente resgatado os artigos e ensaios do saudoso escritor catarinense radicado em Santos (SP), no grupo “Espiritismo COM Kardec”.

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As Promessas na Visão Espírita

Marisa Fonte

Dentre as definições de promessa, encontradas em um dicionário da Língua Portuguesa, encontramos as seguintes: 1. Declaração em que se anuncia a outrem ou a si mesmo uma ação futura ou intenção de dar, cumprir, fazer ou dizer algo. 2. Oferta ou obrigação a que alguém se compromete perante uma divindade ou um santo para obtenção de uma graça.

Podemos, então, observar que a oferta ou a obrigação está diretamente ligada à condição de que algo será feito como uma troca pela obtenção de uma graça ou de um favor. Isso significa que, de certo modo, espera-se receber algo em benefício próprio a fim de que algo seja feito para pagar o que foi recebido. Acontece, ainda que pessoas façam algum tipo de promessa para que outra venha a cumpri-la, sem que por vezes tal pessoa tenha condições, ou mesmo vontade, de realizar o prometido.

Algumas pessoas prometem deixar de comer algo de que gostam por um período de tempo, algumas prometem acender velas e fazer orações, outras prometem dirigir-se a um determinado local, e outras fazem longas caminhadas ou sobem escadas de joelhos – mesmo que talvez não tenham condições físicas que as permita cumprir tais promessas.

Vejamos alguns esclarecimentos que a Doutrina Espírita nos traz sobre este assunto, a partir de extratos dos livros da Codificação.

Para a pergunta 726 do capítulo V de O Livro dos Espíritos, encontramos a seguinte resposta: Os sofrimentos naturais são os únicos que elevam, porque vêm de Deus. Os sofrimentos voluntários de nada servem, quando não concorrem para o bem de outrem. Supões que se adiantam no caminho do progresso os que abreviam a vida, mediante rigores sobre-humanos, como o fazem os bonzos, os faquires e alguns fanáticos de muitas seitas? (KARDEC, 2022, p. 269).

Isso significa que buscar sofrimentos e privações voluntariamente não conta nada para o progresso do ser humano, uma vez que isso seria até uma espécie de desrespeito aos desígnios de Deus e aos caminhos já traçados para nós mesmo antes da nossa encarnação. É como a pessoa que se priva de dormir dentro da própria casa por existirem aqueles que não possuem um teto. Quando entendemos que recebemos da Providência Divina aquilo de que necessitamos, confiamos, então, que se temos mais, podemos contribuir de algum modo com aqueles que possuem menos.

Continuando a resposta para a pergunta já citada, temos: Por que de preferência não trabalham pelo bem de seus semelhantes? Vistam o indigente; consolem o que chora; trabalhem pelo que está enfermo; sofram privações para alívio dos infelizes e então suas vidas serão úteis e, portanto, agradáveis a Deus. Sofrer alguém voluntariamente, apenas por seu próprio bem, é egoísmo; sofrer pelos outros é caridade: tais os preceitos do Cristo (KARDEC, 2022, p. 269-270).

Este ensinamento afirma de maneira muito clara a necessidade de fazer ao próximo todo o bem que estiver ao nosso alcance, pois agrada a Deus e socorre os menos favorecidos dentro das dificuldades por eles atravessadas. E, naturalmente, não se trata aqui somente de distribuir bens materiais, mas também de vermos o nosso próximo como um irmão dentro da grande família humana. Essa ideia é reforçada também no capítulo V de O Livro dos Espíritos, onde temos a pergunta 720 sobre serem meritórias aos olhos de Deus as privações voluntárias com o objetivo de uma expiação igualmente voluntária. Mais uma vez, a resposta dada pelos espíritos é bem objetiva, quando eles nos recomendam fazer o bem ao nosso semelhante a fim de que tenhamos mais mérito (KARDEC, 2022, p. 268).

Concluímos, portanto, que a Deus sempre agrada o que é útil e justo, e que devemos ser coerentes em relação àquilo que fazemos e que pedimos para nós. Se desejamos que as outras pessoas sejam honestas conosco devemos agir com honestidade, se esperamos que os outros nos tratem bem devemos tratar bem as pessoas que nos cercam, se esperamos que a vida seja boa para nós devemos também desejar – e fazer – o possível para que a vida do próximo seja cada vez melhor.

Fazer promessas pode ser um meio fácil de tentar obter o que se quer, mas para merecer e conseguir aquilo que se almeja é necessário ter a alma o mais limpa possível, conforme recomenda Jesus: Se, portanto, quando fordes depor vossa oferenda no altar, vos lembrardes de que o vosso irmão tem qualquer coisa contra vós, deixai a vossa dádiva junto ao altar e ide, antes, reconciliar-vos com o vosso irmão; depois, então, voltai a oferecê-la. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo X, Mateus, 5:23 e 24.). Portanto, ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo X, Mateus, 5:23 e 24.).

Fonte: Letra Espírita

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Referências:

  • KARDEC, ALLAN. O Evangelho segundo o espiritismo. 3ª edição. São Paulo: Editora Petit, 1997
  • KARDEC, Allan; O Livro dos Espíritos, tradução de Guillon Ribeiro. Editora Letra Espírita. Campos dos Goytacazes/RJ. 2022.
  • https://dicionario.priberam.org/promessa
  • https://radioboanova.com.br/promessas-e-penitencias/
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Dinâmica Energética no Resgate coletivo

Dr. Ricardo Di Bernardi

Mensagem em Vídeo - Por que existem mortes coletivas na terra? O que são os  resgates coletivos?

Nestas semanas que se sucederam ao infeliz episódio de incêndio em uma boate, no Rio Grande do Sul, ocasionando o desencarne coletivo de 241 pessoas, nós temos lido, em conceituados jornais e revistas espíritas, conceitos e explicações extremamente tímidas no que concerne às causas do lamentável evento.

Desde as primeiras obras psicografadas por Chico Xavier no século passado já eram mencionados os fenômenos de fluxo das energias, as sintonias entre campos vibratórios do psicossoma e o magnetismo impresso nas moléculas do corpo espiritual. Campos energéticos que atraem outros semelhantes pelo automatismo da Lei de Ação e Reação.   Estamos em pleno século XXI e constrangidos, observamos o deficiente conhecimento desta fenomenologia por significativo segmento dos adeptos do Espiritismo.

Associando-se ao precário estudo, há uma excessiva preocupação a não atribuir-se o fenômeno da “culpa” às vítimas correlacionando o fato às vidas pretéritas. Prefere-se uma postura semelhante às religiões tradicionais, entendendo que o fenômeno decorreu do livre arbítrio de todos e de uma mera fatalidade. A Doutrina Espírita não é assim.

É verdade que a espiritualidade superior não arquiteta uma meticulosa ação que reúne num mesmo lugar, criminosos de ontem para se tornarem vítimas de iguais sofrimentos causados a terceiros. Sucede sim, é a Espiritualidade Superior amparar amorosamente àqueles que trazem em sua estrutura, em seus tecidos perispirituais o magnetismo que os ligará automaticamente a um determinado fato.   Os campos vibracionais do perispírito são geradores de ondas que exteriorizam arquivos pretéritos e essas energias buscam, pelo automatismo da natureza, situações pontuais.

Também, é verdade que atribuir a mera causalidade fatos de tamanha gravidade como desencarnes coletivos, seria demonstrar o desconhecimento da Lei Universal e do mecanismo perfeito e automático da dinâmica energética que todos seres geram com atos, pensamentos e sentimentos. Em função da falta de profundo mergulho em obras como “Mecanismos da Mediunidade” e “Evolução em Dois Mundos “lemos posturas, aparentemente modernas, de críticas às explicações do resgate coletivo, tais como no circo em Niterói R.J.,   quando o emérito Chico Xavier recebeu, psicograficamente, informações de que também em um circo romano aquelas pessoas participaram de atrocidades.

Existem no perispírito, de cada um de nós, trilhões de núcleos energéticos que armazenam os detalhes do “modus vivendi” das mais longínquas encarnações. Cada núcleo destes emite uma frequência de onda com características específicas. O conjunto dessas energias gera uma vibrante psicosfera que determinará fragilidades, tendências, vocações e valores, os quais pela “Lei de “Ação e Reação” proporcionam altíssimas probabilidades de sermos atraídos a determinados eventos.

A concepção de um Deus antropomórfico, pleno de emoções, embora esteja distante da real proposta da filosofia espírita é, infelizmente, ainda uma realidade em nosso meio.  Ainda existem entre nós os que imaginam Deus como interveniente em questões específicas e até mínimas de uma pessoa. Deus é Inteligência e Amor Universal, imutável e suas Leis são as Leis Naturais de um automatismo perfeito. Nós próprios somos co-criadores e construtores do nosso destino.

O papel dos espíritos superiores que supervisionam as reencarnações não é nem organizar incêndios em circos nem enviar para tais locais pessoas para pagarem o mal que fizeram, como uma pena de talião, “olho por olho dente por dente”.

Não há necessidade de se regatar o mal com sofrimento nem este é o mecanismo do Amor Universal, sem dúvida é trabalhando e amando que se resgata, preferencialmente. Só abrirá a porta da dor quem não buscou a porta do labor e do amor. Apesar disto, enquanto existirem catástrofes no nosso orbe, a dinâmica das energias determinará uma tendência a magneticamente atrair a esses locais os Seres que trazem em seus campos perispirituais as moléculas cujas vibrações tem a frequência, comprimento de onda, brilho, luminosidade, cor e odor específicos compatíveis com o evento. Cabe aos Espíritos de luz, nos intuir a modificarmos ou atenuarmos nossas energias levando a nos isentarmos das situações que não são inexoráveis, mas evitáveis por posturas psíquicas de elevado nível vibratório.

Amemos muito e estudemos mais.

Dr. Ricardo Di Bernardiwww.icefaovivo.com.br

Fonte: Medicina e Espiritualidade

NEOPE – VPCC – FEC

Núcleo de Estudo e Orientação da Pesquisa

Vice-presidência de Cultura e Ciência Espírita

Federação Espírita Catarinense

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Questões preocupantes em relação à regressão hipnótica

Ian Stevenson

Logo abaixo trecho comentado de Ademir Xavier, editor do website “A Era do Espírito” que publicou a declaração do Dr. Ian Stevenson, a qual republicamos aqui:

Espíritas já conhecem a opinião de muitas autoridades espirituais com relação à regressão de memória usada em buscas por vidas anteriores. Aqui apresentamos a tradução para o português de uma declaração do Dr. Ian Stevenson sobre o tema que vale a pena também ser considerada. As recomendações de Stevenson mostram seu interesse na pesquisa séria com regressão hipnóticas e são céticas com relação a resultados reportados usualmente.

Fonte: “Concerns about Hypnotic Regression. Hypnotic Regression to Previous Lives. A Short Statement by Ian Stevenson“, M.D;.:

Regressão hipnótica a vidas anteriores: uma breve declaração.

Ian Stevenson, M. D.

O seguinte texto foi escrito num esforço de resposta a um grande número de cartas que recebi de pessoas desejosas de serem levadas por mim, via hipnose, a vidas anteriores, que gostariam que eu as recomendasse a um hipnólogo ou que eu investigasse materiais que eventualmente tenham emergido de tais experiências.

Muitas pessoas que não dão qualquer importância ao que ocorrem em seus sonhos (imaginando não serem nada mais que imagens da mente subconsciente, sem correspondência com qualquer outra realidade) acreditam bastante que qualquer coisa que emerja durante uma sessão de hipnose pode ser tomado em seu valor de face. De fato, o estado de uma pessoa durante uma hipnose se assemelha bastante – embora não completamente – ao de uma pessoa enquanto sonha. Partes subconscientes da mente são liberadas das inibições ordinárias e podem se apresentar de forma dramática como uma nova “personalidade”. Se o paciente foi instruído pelo hipnotista – explicita ou implicitamente – a “voltar para um outro lugar e tempo” ou coisa parecida, a nova “personalidade” parecerá voltar a algum período da história. Tais “personalidades evocadas” podem se mostrarem bastante plausíveis tanto para a pessoa tendo a experiência com para aqueles que a assistem. Experimentos feitos por Baker [1] e Nicholas Spanos et al [2] mostraram como é fácil que sugestões diferentes do hipnotista influenciem as características da “outra personalidade”.

De fato, quase todas essas “personalidades anteriores” são totalmente imaginárias, assim como o conteúdo da maioria dos sonhos. Podem talvez retornar detalhes históricos precisos, mas esses são derivados da informação que o sujeito tinha de suas leituras, de programas de rádio e televisão, além de outras fontes. O sujeito pode não se lembrar onde ele obteve aquela informação, mas, muitas vezes, isso pode ser conseguido em outras sessões de hipnose feitas para buscar por tais fontes de informação. Experimentos feito por E. Zolic [3], R. Kampman e R. Hirvenoja [4] demonstraram esse fenômeno.

Uma experiência emocional marcante durante a regressão hipnótica não garante que as memórias de vidas anteriores tenham sido readquiridas. A impressão subjetiva de lembrança de uma existência anterior pode ser marcante para a pessoa que a experimenta, e, mesmo assim, a “vida anterior” uma fantasia, assim como muitos sonhos. Também, o benefício (mesmo na forma de uma melhora dramática) em sintomas físicos e psicológicos não é evidência que uma vida anterior tenha sido acessada.

Pessoas com sintomas psicossomáticos e psiconeuroses podem se reabilitar ao seguir uma grande variedade de procedimentos psicoterapêuticos. Há muitos efeitos relacionados a procedimentos psicoterapêuticos. Melhoras podem ser decorrentes exclusivamente dessas medidas e pouco se relacionarem com uma técnica específica, seja regressão hipnótica, psicoanálise ou qualquer outra aplicada pelo psicoterapeuta.

Vale a pena enfatizar que crianças muito novas que se lembram de vidas anteriores frequentemente apresentam fobias, tais como medo de água e se lembram do evento que parece ter gerado essa fobia, tal como morte por afogamento. Mesmo assim, a simples lembrança da causa de uma fobia ou outro sintoma não necessariamente irá removê-lo.

Pessoas que pretendem realizar regressão hipnótica devem se perguntar: que benefícios irei colher ao tentar facear minhas presentes dificuldades se eu me lembrasse de algo de alguma forma a ela relacionado em uma vida anterior? Será que minha lembrança, ainda que real, removeria essas dificuldades?

Após essa breve introdução, que não cobre completamente todos os aspectos complexos da questão, eu gostaria de mencionar que, muito raramente, algo de valor emerge de experimentos com regressão hipnótica a “vidas anteriores”. Exemplos são quando o indivíduo mostra ser capaz de falar em uma língua estrangeira que ele não aprendeu.

O procedimento de regressão hipnótica a “vidas anteriores” não acontece sem algum risco. Ocasiões houve em que a “personalidade anterior” não “foi embora” quando assim instruída, e o indivíduo permaneceu em um estado alterado de consciência por muitos dias ou mais antes de voltar ao seu estado normal.

Não estou presentemente engajado em experimentos de regressão hipnótica a vidas anteriores. Não faço recomendação de hipnólogos a pessoas que pretendem passar por tais experiências. Não aprovo a conduta de hipnotistas que fazem promessas a seus clientes de que esses voltarão a vidas anteriores reais sob tais procedimentos. Não aprovo quem quer que seja que cobre e se faça passar por um hipnotista para realizar tais experimentos.

Não realizo verificações de detalhes que emerjam de tais experiências, exceto em casos extremamente raros que me mostrem evidência clara de um processo paranormal. Ocasiões de xenoglossia responsiva (falar uma língua não aprendida) estão incluídos nesse pequeno número de casos que estou interessado em investigar.

Embora me oponha à exploração comercial de reivindicações sem garantias da regressão hipnótica, sou favorável à pesquisa séria com regressão hipnótica.

As observações acima aplicam-se com algumas modificações a experimentos amadores com pranchetas e escrita automática. Em tais experiências, as pessoas envolvidas nada mais fazem do que tocar as camadas subconscientes da mente de um ou mais participantes. A chance de engano ou auto engano são talvez maiores do que com experimentos de hipnose, especialmente quando as pessoas que fazem isso se convencem que estão sendo guiadas por personalidades desencarnadas. Aqui, de novo, em alguns casos, um processo paranormal está envolvido nos resultados e, raramente, produzem evidência sugestiva de contato com personalidades desencarnadas. Mas, na maioria dos casos, tais evidências estão ausentes.

Para mais informações e referências a artigos e livros baseados em investigações científica em apoio a minha posição com relação a tais casos, indico o meu livro “Children Who Remember Previous Lives” [5]. Também publiquei “A Case of the Psychotherapist’s Fallacy: Hypnotic Regression to ‘Previous Lives” [6]. Cópias desses artigos estão disponíveis em várias publicações.

Se este texto não responder adequadamente as questões do leitor, teremos prazer em responder cartas requisitando mais informação. Por favor, as questões devem ser escritas de forma bem específica.

Fonte: Era do Espírito: Questões preocupantes em relação à regressão hipnótica 

Referências

[1] Baker, R.A. “The effect of suggestion on past-lives regression.” American Journal of Clinical Hypnosis, 25(1), 71-76, July 1982.

[2] Spanos, N.P., Menary, E., Gabora, N.J., DuBreuil, S.C., Dewhirst, B. “Secondary identity enactments during hypnotic past-life regression: A sociocognitive perspective.” Journal of Personality and Social Psychology, 61(2), 308-320, 1991.

[3] Zolik, E. “Reincarnation’ phenomena in hypnotic states.” International Journal of Parapsychology, 4(3), 66-78, 1962.

[4] Kampman, R. and Hirvenoja, R. “Dynamic relation of the secondary personality induced by hypnosis to the present personality” in Hypnosis at Its Bicentennial, edited by F.H. Frankel & H.S. Zamansky. New York: Plenum Press. 1978

[5] Jefferson, North Carolina: McFarland & Company, 2001.

[6] American Journal of Clinical Hypnosis. Volume 36, pages 188-193, 1994

(*) O Dr. Ian Stevenson (1918-2007) foi um psiquiatra que trabalhou para a School of Medicine da Universidade de Virgínia por 50 anos. Ele foi chair do departamento de psiquiatria de 1957 a 1967, professor Carson de psiquiatria de 1967 a 2001 e professor pesquisador em psiquiatria a partir de 2002 até sua morte. Foi fundador e diretor da “Divisão de estudos de percepção” da Universidade de Virgínia, que investiga fenômenos paranormais tais como reencarnação, experiências de quase morte, experiências fora do corpo, comunicações mediúnicas, visões de leito de morte, estados alterados de consciência e psi. Tornou-se internacionalmente reconhecido por sua pesquisa em reencarnação, ao descobrir evidências sugestivas de memórias e marcas de nascença que podem ser transferidas de uma vida a outra. Viajou bastante, por um período de 40 anos, investigando 3.000 casos de crianças em todo o mundo que se lembram de suas vidas anteriores. Sua pesquisa meticulosa apresentou evidências que tais crianças têm habilidades incomuns, doenças, fobias e gostos que não podem ser explicados pelo ambiente ou pela hereditariedade. (fonte:  Kevin Williams)

Leiam de Ian Stevenson:

  • Metade de uma carreira com a paranormalidade
  • Metade de uma carreira com a paranormalidade – autobiografia
  • Características dos Casos do Tipo Reencarnação entre os Igbos da Nigéria
  • O caso “perfeito” de Reencarnação
  • Crianças americanas que reivindicam lembrar de vidas passadas
  • Entrevista para a Revista Internacional de Espiritismo – Março/1972
  • Questões preocupantes em relação à regressão hipnótica
  • Stevenson, Ian; Haraldsson, Erlendur
  • The Similarity of Features of Reincarnation Type Cases over Many Years: A Third Study
  • Stevenson, Ian; Story, Francisseta dupla verde claro direita  Um Caso do Tipo Reencarnação no Ceilão: O Caso de Disna Samaras
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Escolhendo a sombra que nos cobre

No Salmo 91 do antigo testamento, vemos o seguinte texto, nos versos 1-2:

“Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará. Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei.”

A imagem de uma sombra sob a qual podemos descansar é um conceito forte, associado a proteção do corpo e do espírito.

Mas existe outro tipo de sombra que também pode nos cobrir. Essa não nos traz alento, ou proteção, mas pelo contrário, traz os efeitos da negatividade do que a produz.

A imagem da sombra que descansa pode ser extrapolada para nossos Pais, nossos amigos, ou qualquer pessoa na qual confiamos e nos sentimos bem ao abrir o coração, falar das ansiedades, preocupações e se deixar ser protegido e compreendido.

A sombra que turva e obscurece nosso viver, acontece sempre que permitimos que outras pessoas, ou sentimentos se tornem maiores do que nós.

Digo maiores, porque essa é a condição primordial para estar sob a sombra, ou seja, sermos menores. Uma árvore grande só faz sombra para as menores, não recebe a sombra delas.

Para que possamos usufruir da sombra de Deus, temos de nos colocar numa posição de filhos, de humildade, de entender que somos menores verdadeiramente. Se acharmos que podemos tudo, queremos estar numa posição superior, acima, e assim não aproveitamos a sombra do altíssimo, como nos diz o Salmo.

Da mesma forma, quando deixamos que alguém, ou alguma coisa ou sentimento faça sombra em nosso coração, temos de refletir porque estamos nos colocando nessa posição de inferioridade, permitindo que uma energia externa nos dite o que sentir e como agir.

É importante compreender que em última instância sou sempre eu quem deve decidir sob qual sombra quero estar. Às vezes é difícil impedir que algumas situações e pessoas nos turvem o horizonte, mas passado o primeiro momento, devemos agir de forma racional escolhendo nosso rumo.

Qualificar os acontecimentos no espectro de muito bom a muito ruim é uma prerrogativa nossa. Nossas crenças é que transformam situações normais em catastróficas ou o contrário. São justamente essas crenças que devemos modificar se não queremos estar sob a sombra sufocante de algumas situações ou pessoas.

Paz e luz.

         Por favor, não tente entender o outro

         Esse não é o seu caminho

         Tente entender você mesmo,

         Pois você é uma miniatura do Universo

         Em você há todo o mapa da existência.

    OSHO

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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A ACESSIBLIDADE NA CASA ESPÍRITA

Isabel Cristina Melo:

“A resistência para acessibilidade na Casa Espírita é ainda grande”

A educadora fluminense diz que na questão da acessibilidade e no atendimento aos especiais há muito a ser feito no meio espírita.

O CONSOLADOR

Isabel Cristina Melo (foto), radicada no Rio das Ostras-RJ, fala-nos nesta entrevista sobre sua larga experiência na educação das chamadas classes especiais e também da questão da acessibilidade nas Casas Espíritas e outros aspectos pertinentes à Educação Inclusiva que se observam na sociedade em geral.

Isabel, conte-nos um pouco de sua vivência espírita e de como ela cruzou os caminhos da educação especial.

Iniciei-me no Espiritismo pela dor, encaminhada por um senhor que me emprestou O Livro dos Espíritos. Nessa época eu era umbandista e, após alguns anos de leituras individuais, percebi que o Espiritismo me fornecia outras respostas, me permitia avançar nos questionamentos e me trazia um conforto grande. Optei por este último, mantendo um carinho e respeito grandes pela Umbanda. No movimento espírita, conheci o Centro Espírita de Jacarepaguá (Rio de Janeiro-RJ), no qual iniciei os estudos, e o Centro Espírita Eurípedes Barsanulfo (também em Jacarepaguá). Essas duas instituições de trabalho no bem me possibilitaram conhecer o trabalho de Evangelização da infância e juventude, que se estenderam em participações no que atualmente denomina-se SAPSE nas comunidades de Vila Sapê e Anil, ambas em Jacarepaguá, Rio de Janeiro. Como professora, um dia fui convidada a atuar com as Classes Especiais/ DM (como era denominado na época). Apesar de não ter formação específica, aceitei o desafio e iniciei estudos para me adequar à nova demanda. Percebi uma identificação quase imediata e um bem-estar evidente com esse trabalho. A classe foi crescendo em qualidade graças ao apoio recebido da direção da escola e do Instituto Helena Antipoff, do Rio de Janeiro, ao qual serei sempre grata. Nos anos oitenta, a USEERJ convidou pessoas ligadas à questão do companheiro especial para um encontro em que seriam discutidas questões voltadas a ele, segundo a visão espírita. Foi memorável aquele dia. Voltamos para Jacarepaguá animados e, ao lá chegarmos, já definimos um encontro no Eurípedes para o outro dia e a partir daí foi iniciado um grupo de estudos de saudosa lembrança que resultou no Grupo Dona Meca (http://www.osdm.org.br/quem_somos.htm) e GAPEB (http://gapeb.com.br/), atuantes até os dias atuais.

Ainda que as últimas três décadas tenham trazidos avanços inestimáveis nas discussões afetas à inclusão e à educação especial no campo da educação formal no Brasil, essa discussão parece caminhar a passos lentos no movimento espírita, como comprovam seus artefatos (cursos, livros, eventos, seminários). Que fatores, em sua opinião, contribuíram para esse cenário?

Questão bastante complexa e delicada essa que você me coloca. Um dos aspectos que me chama atenção é que, independente de estar nas fileiras espíritas, o homem está ainda atrelado às questões que aliam a deficiência à punição nos seus mais diversos matizes. Mesmo cientes os espíritas de que Jesus apresentou-nos Deus como Pai de Justiça, e acima de tudo de Amor e Misericórdia, o primeiro qualitativo vinculado à punição parece falar muito mais alto ainda em nossas mentes. Tem-se ainda a cultura dos mais diferentes povos que reforça causas ligadas à punição divina. Tudo isso, a meu ver, atravessa os movimentos religiosos. A resistência para acessibilidade em Casas Espíritas é ainda grande. Poucas Casas têm tradução simultânea para Libras em suas reuniões públicas e as justificativas carecem de consistência. Livros espíritas em braile ainda são muito poucos (felizmente já vemos os audiolivros, que suprem de maneira razoável os companheiros com dificuldades visuais). Rampas nos prédios, reflexões acerca das possibilidades de crianças e jovens com comprometimentos intelectuais e de transtornos do desenvolvimento (TGD) frequentarem encontros de evangelização infantil e juventude de forma efetiva e real – essas são questões que o movimento espírita precisa refletir e discutir. Os Espíritos superiores deixaram questões de inclusão no Pentateuco. Precisamos sair das verdades parciais que nos mantêm na zona de conforto e avançar. A Doutrina Espírita tem uma contribuição notável a oferecer, quando o movimento espírita se abrir aos avanços em Educação Inclusiva que estão se observando na sociedade em geral.

A discussão da acessibilidade passa pela produção de livros em Braile (ou audiolivros), a tradução de palestras para Libras, além de banheiros adaptados e rampas, entre outras práticas. Em sua opinião, como estamos nesses quesitos no movimento espírita atualmente?

Temos avançado, mas de maneira muito tímida, como colocado acima. Estão aí várias obras subsidiárias de autores abalizados (como Nancy Puhlmann Di Girolamo) que oferecem ótimas oportunidades para sairmos dessa posição que não se coaduna com os ensinamentos espíritas, o que nos pede ação com responsabilidade.

A ideia da reencarnação, indicando um aspecto provacional na questão da deficiência, não deveria trazer para nós, espíritas, uma abordagem diferenciada da questão do especial?

Penso que sim, pois não importa se o companheiro ombreado conosco está em prova ou em expiação, mas sim que todos nós estamos reencarnados para progredir. Exemplos não nos faltam de trabalhadores que, ao se defrontarem com provas acerbas das mais diversas, apenas apoiaram o companheiro e seguiram aprendendo. O companheiro reencarnado na condição de deficiente sensorial, do intelecto ou com transtornos não necessita de análises sobre as causas de sua condição, mas de oportunidades de usufruir daquilo que a Doutrina Espírita traz e que nos proporciona forças para caminhar neste mundo de provas e expiações de maneira mais ou menos equilibrada. Por que aquilo que me consola e fortalece não faria o mesmo com esse companheiro, envolvido nessa prova? Dá para pensar…

O convívio da pessoa com deficiência na mesma sala de aula de evangelização com as crianças e jovens ditos normais é o suficiente para se efetivar a inclusão, ou é preciso de algo mais em termos pedagógicos?

Penso que é preciso iniciar abrindo as portas das Casas Espíritas para acolher esse irmão e suas famílias. É preciso vencer as próprias barreiras, deixar de buscar ancoragem em falas ditas espíritas que carecem de sustentação doutrinária e convidar essas famílias, pois a partir daí a demanda levará a equipe da Casa a buscar respostas às inúmeras dúvidas que chegarão. Se Nancy Puhlmann tivesse fechado as portas à primeira pessoa que chegou à Instituição Beneficente Nosso Lar em São Paulo, por faltar estofo teórico a esse acolhimento, provavelmente não seria para nós hoje um ponto de luz a assinalar com possibilidades para esse trabalho. E, ainda olhando para seu exemplo, a equipe de trabalho não ficou nesse primeiro passo; buscou alicerces teóricos sempre e cada vez mais atuais na ciência e na pedagogia. Vejo que após o primeiro passo, tanto para a Casa Espírita como para o companheiro especial que chega, é necessária a busca junto à literatura espírita e acadêmica para alicerçar cada vez mais essa prática, a fim de que ela não fique apenas em aproximação, que no cotidiano da Casa Espírita configura-se em algumas situações à criança ou o jovem tendo apenas o convívio social. A Doutrina Espírita nos afirma que somos todos Espíritos imortais, com bagagem de muitas vidas, com conhecimento acumulado. Vamos falar ao Espírito nos encontros de Evangelização, à centelha que brilha ali naquele irmão limitado na presente encarnação, e esses princípios, bem como muitos outros da doutrina, nos ajudarão a crescer dentro da decisão de dar acesso a ele. Na questão pedagógica, devemos ter atenção às peculiaridades dessa pessoa e da deficiência que o caracteriza nesse momento e de como a pedagogia tem contribuído para criar canais de comunicação efetivos com ele. Não se trata de um deficiente, mas primeiramente de uma pessoa que traz uma deficiência, o que determina diferenças consideráveis no olhar pedagógico.

A casa espírita deve se preparar para lidar com as diferenças ou deve se estruturar apenas diante dos casos concretos que adentram as suas portas?

Vejo que quando a Casa Espírita se prepara apenas para os casos concretos que chegam estará restringindo a acessibilidade e trabalhando de forma a “apagar incêndios”. Há que planejar para receber essas pessoas, assim como para todas as peculiaridades humanas (a pessoa idosa, a criança e o jovem especial, aquele que sofreu limitações sensoriais durante a vida física, a pessoa surdo-cega, a pessoa obesa ou tetraplégica…). Para isso há que buscar também os princípios do Desenho Universal, tecnologia que prevê espaços para todos. Entende-se por Desenho Inclusivo ou Universal um conjunto de preocupações, conhecimentos, metodologias e práticas que visam à concepção de espaços, produtos e serviços, utilizáveis com eficácia, segurança e conforto pelo maior número de pessoas possível, independentemente de suas capacidades.

Nas visitas assistenciais a instituições especializadas no atendimento a pessoas com deficiência, que reflexões podemos suscitar aos trabalhadores que participam dessas visitas?

O que me ocorria em algumas visitas que fiz foram: “Trata-se de pessoas em primeiro lugar!”, “Não tenha intenções de descobrir seu passado olhando esse corpo.”, “O que ele (a) espera de mim? Se eu residisse aqui, o que gostaria de receber nesta visita fraterna?”. Ocorria-me que eu estava entrando no lar que muitos daqueles companheiros conheceram nesta encarnação, e isto balizava as minhas ações ali. Penso ser necessário procurar também orientar os pensamentos de forma positiva e otimista, trocar poucas ideias com os companheiros de visitação para olhar e buscar estar com eles (as) naqueles momentos. Em momento posterior, se possível fora da instituição, analisar o trabalho junto à equipe, evitando especulações e elevando um pouco mais a qualidade dessa visitação. O preconceito em relação à pessoa com deficiência se materializa em palavras e gestos. De que forma o ensinamento cristão pode nos ajudar a combater esse preconceito? O Evangelho não nos diz para não ver, mas que se tenham olhos de ver. Quando deixamos de estudar na Casa Espírita e de refletir particularmente nesse e em outros ensinamentos do Mestre Jesus, podemos cair na falácia de ver o argueiro no olho do outro e esquecermos a trave no nosso olhar, de apontar o dedo em direção ao outro permanecendo confortáveis com os nossos defeitos morais que muitas vezes nos são tão agradáveis!

Conviver com o irmão especial de maneira a aprender com ele é nos defrontar (felizmente o tempo todo) com princípios como estes. Percebemos que o companheiro está em provas difíceis, mas essa análise não pode engessar o pensamento e a ação buscando justificativas que não se sustentam com o estudo doutrinário, reforçando atitudes puramente preconceituosas. Enquanto olhamos o outro, perdemos a oportunidade de nos examinar descobrindo pontos que precisam ser burilados através dessa e de outras atividades da Casa Espírita, que necessita de trabalhadores contentes!

Como palavras finais, que mensagem você gostaria de deixar para os que trabalham com a educação especial na seara espírita?

Que perseverem neste campo belíssimo de trabalho, buscando forças primeiramente no Cristo, que nos deu a oportunidade desta encarnação para que, através do livre-arbítrio, experimentássemos a bênção de aprender com o companheiro que um dia se encheu de coragem para retornar ao solo terreno e sabe no fundo de seu ser que necessita das mãos operosas, mas que também tem muito a ensinar. Somos parceiros nesta jornada. Ele não desistiu. Nós, de nossa parte, pedimos aos amigos espirituais que estejam conosco para conduzirmos este belo labor com toda a equipe de trabalho da Casa Espírita!

Fonte: O Consolador

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Lei de Causa e Efeito, reencarnação e os gêmeos siameses

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Brasília-DF

Um caso raro de gêmeos siameses causou espanto na Índia. Babita Ahirwar e seu marido, Jaswant Singh Ahirwar, já sabiam que esperavam xifópagos [1], mas o nascimento da criança fez com que os pais entrassem em choque. As duas crianças compartilhavam os mesmos órgãos internos, incluindo um só coração, porém com duas cabeças separadas. Os bebês nasceram no dia 23 de novembro de 2019. O caso é descrito como sendo dicephalus parapagus [2], tipo que engloba cerca de 11% dos casos de gêmeos siameses, de acordo com uma revisão histórica feita pelo Journal of Pediatric Surgery. [3]

Pela tradição, o termo siameses surgiu no século XIX, precisamente em 1811, com o primeiro caso acadêmico registrado no mundo, ocorrido com os irmãos tailandeses Chang e Eng Bunker – decorrendo daí o termo “gêmeos siameses” [4]. Os dois irmãos foram conduzidos para a Inglaterra e posteriormente para os Estados Unidos.

Por uma questão de programação espiritual, e nem poderia ser diferente, Chang e Eng Bunker desencarnaram em 17 de janeiro de 1874, com poucas horas de diferença, aos 63 anos, estabelecendo um recorde de sobrevida dentre gêmeos siameses. O que nos chama atenção é o fato de que “os dois tiveram 22 filhos, que através deles geraram mais de 1.500 descendentes, a maioria deles não-gêmeos e em condições ideais de saúde.” [5]

Pelas leis reencarnatórias, num só corpo não há como reencarnar mais que um Espírito. Todavia, no caso dos seres xifópagos, existem dois espíritos em corpos grudados biologicamente, possuindo dois cérebros (dicéfalos), portanto são dois indivíduos e duas mentes.

Se na xifopagia os Espíritos forem amigos se aproximarão por afinidade de sentimentos e sentirão menos desconforto por estarem acoplados fisicamente. Todavia, nos casos dos Espíritos que afetivamente não se aturam e se repelem, serão intensamente infelizes como inquilinos de corpos grudados.

Nestas circunstâncias reencarnatórias, quais razões induziriam as Leis de Deus consentirem tamanhas anormalidades corporais?

Por quais razões esses espíritos necessitam permanecer algemados corporalmente, compartilhando vísceras e funções orgânicas, compreendendo que nada nos é mais intrínseco (íntimo) e individual que a organização física?

Na maior parte dos casos os xifópagos são dois espíritos comprometidos por imensos ódios, erigidos ao longo de múltiplas reencarnações, e que reencarnam nestas condições por recomendações dos Benfeitores sem que se constitua um processo de punição divina, até porque as Leis de Deus não são punitivas; elas apenas nos convidam (amorosa ou dolorosamente) para a reparação dos erros, sob às luzes misericordiosas da Lei de Causa e Efeito que funciona a fim  de que nós nos protejamos de nós mesmos.

Alternando-se as posições como algozes e vítimas e, igualmente, nas dimensões físicas e espirituais, compelidos por irresistível atração de ódio e desejo de vingança, tais Espíritos pela divina Lei de Atração buscam-se continuamente e culminam se reaproximando em condições comovedoras, convidando-os a dividir amargamente o mesmo sangue vital e do ar que respiram.

Tal reencarnação dolorosa permitirá que ambos os espíritos, durante a experiência desafio no corpo carnal, ajustem os laços de união e sustentação moral, catalisando anseios de amizade, fraternidade e plausível começo de reconciliação pelo autoperdão e recíproco perdão.

Mesmo entre espíritos afins ou simpáticos, a experiência xifópaga deverá ser uma vivência muito desafiadora, inobstante ambos aceitarem, ou serem convidados a cumprirem a lei de amor, embora conectados biologicamente, tendo como meta diluir traumas morais do passado para robustecer a necessária reaproximação hoje para delinear um amanhã mais harmonioso.

Muitas vezes não é possível, de imediato, dissolverem-se essas vinculações anômalas, a fim de que haja total recuperação psíquica dos infelizes protagonistas. No decorrer dos anos, a imantação se avoluma, tangendo dimensões categóricas de alteração do corpo perispiritual de ambos. A analgesia transitória, pela comoção de consciência causada pela reencarnação expiatória, poderá impactar e recompor os sutis tecidos em desarranjo da mente doente.

Nessas reflexões doutrinárias não há como desconsiderar que os pais são invariavelmente coparticipantes do processo, até porque são os vínculos solidários do passado que os convidam a experienciar o drama da vida atual com os filhos. Não podemos afirmar que são vítimas ingênuas de uma lei natural injusta e arbitrária. O reencontro comum pelas afinidades que atraem pais e filhos por simbiose magnética apenas retrata os lídimos mecanismos da Lei de Causa e Efeito à qual todos estamos submetidos.

A proposta espírita da questão aponta para algumas soluções que podem contribuir com a psicologia e a medicina de hoje e de amanhã, considerando a terapêutica. A prática da prece e da doação de energias magnéticas através do passe, por exemplo, são recursos adequados e indispensáveis para despertar consciências e minimizar os traumas psicológicos. Soluções essas que para eles (xifópagos) se descortinam eficazes, eliminando-lhes a mente para a necessidade da efetiva reconciliação, enfrentando a união pelo laço indestrutível e saudável do amor.

Jorge Hessen

Fonte: Artigos Espíritas

Notas e referências:

  • [1] A nomenclatura provém de xifóide que é o apêndice terminal do osso esterno (com s ), situado na frente do tórax onde se unem as costelas, isto porque muitos dos xifópagos estudados eram unidos por esta parte do corpo.
  • [2] Gêmeos dicephalus parapagus são unidos lado a lado pela pelve e/ou em todo o abdômen e no peito, mas têm cabeças separadas. Os gêmeos podem ter dois, três (tribrachius) ou quatro (tetrabrachius) braços e duas ou três pernas.
  • [3] Disponível em https://www.metropoles.com/saude/bebe-indiano-nasce-com-duas-cabecas-e-tres-bracos   acesso em 06/12/2019
  • [4] Termo advindo do antigo reino de Sião (Tailândia).
  • [5] Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Chang_e_Eng_Bunker#cite_ref-mt-airy-news_3-0  acesso 04/12/2019
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