Os seriais killers, as doenças compulsivas e as obsessões espíritas

WILSON CZERSKI

wilsonczerski@brturbo.com.br

Saiba quais são os 7 serial killers que fizeram mais vítimas no mundo -  Fotos - R7 Internacional

Diferentemente dos EUA onde tais fatos se repetem com frequência, no Brasil apenas vez por outra surgem os casos denominados de serial killer ou assassinos seriais. Mesmo assim, até meados de 2004 já eram dois casos que chegavam ao conhecimento público. O primeiro, no início do ano, um presidiário foragido e recapturado no Rio Grande do Sul e que confessou a morte de 12 meninos entre oito e doze anos, a partir de agosto de 2002. O mais recente, em julho, o do mecânico maranhense acusado da morte de 41 meninos a partir de 1991.

Sociólogos, juristas, psicólogos e principalmente psiquiatras buscam respostas satisfatórias para explicar as motivações de criminosos como eles. Em depoimento, o primeiro disse que “sentia vontade interna, um vício”; já o segundo afirmou que ouvia vozes ordenando para matar e depois era tomado por uma “força exterior” e que “na hora não sentia nada, ficava neutro”. Seu relato é muito parecido com os da maioria desse tipo de assassino. Segundo a psiquiatra americana Helen Morrison, apesar de geralmente as aparências indicarem um forte componente sexual, “não dá para relacionar o surgimento de assassinos seriais ao sexo”. O que não parece ser compartilhado pela literatura e pelo cinema, repletos de enredos onde traumas sexuais, principalmente vivenciados durante a infância, acabam por gerar distúrbios psíquicos graves, mentes psicóticas autoras de barbáries de tal natureza. Desde Freud também não faltam teses acadêmicas conduzindo para idênticas soluções.

O que nos chama a atenção aqui, e sem desmerecer os diagnósticos dos especialistas no assunto, são as declarações dos acusados sobre vozes, impulsos ora exteriores, ora interiores, etc., o que pode ser indício daquilo que na terminologia espírita denomina-se de obsessões. Observemos dois detalhes. Não são apenas os seriais killers que fazem menção a fatores coercitivos exógenos, independentes de sua vontade, que os arrastam irresistivelmente à prática dos crimes. Muitos homicidas atribuem seus atos a agentes misteriosos, nomeando-os de Satanás ou Diabo, simbologia utilizada para expressar seres maléficos. Mesmo descontando espertezas próprias ou de advogados, uma análise mais profunda pode levar à conclusão de que muitos deles estejam sendo sinceros.

Não podemos também deixar de estabelecer um paralelo com os Transtornos obsessivo-compulsivos, mal que só no Brasil afeta sete milhões de pessoas. As vítimas são assediadas por “pensamentos intrusos” ou ideias recorrentes que causam medo e angústia e para evitá-los, como mecanismo de fuga, desenvolvem comportamentos repetitivos. A obsessão estaria caracterizada nos pensamentos e a compulsão nas atitudes e ações. Frequentemente a doença leva à depressão, ao alcoolismo e às fobias, causando enormes prejuízos à vida das pessoas. Áreas cerebrais foram apontadas como sua sede e finalmente a medicina admite sua incapacidade para eliminar o problema ao reconhecer a impossibilidade de cura. Antidepressivos e psicoterapia podem atenuar os sintomas em até 80%.

Ora, tudo isto tem a ver com o estudo das obsessões espirituais, em seus três graus, iniciado por Allan Kardec em meados do século XIX. Nosso mundo mental está em permanente intercâmbio com aqueles que já se despiram do corpo carnal pelo fenômeno da morte biológica. A interação social com os desencarnados é tão ou mais intensa do que entre os encarnados, embora quase sempre despercebida. Regida pela lei de afinidades e sintonia, atraímos ao nosso convívio mental almas que vibram em idêntica frequência em face do cultivo de ideias e sentimentos similares.

Como nosso planeta está ainda muito atrasado moralmente, é natural que prevaleçam os “encontros casuais” com entidades inferiores, num momento de raiva passageira, por exemplo. Mas os maus hábitos prolongados, as paixões desequilibradas, os vícios tornam estes Espíritos hóspedes permanentes da nossa psicosfera que se comprazem em nos causar desconfortos físicos e espirituais dos mais variados. Às vezes são seres vingadores, inimigos do passado, que perseguem suas vítimas na atual encarnação. Talvez seja o caso do mecânico maranhense, tido como pessoa afável, risonha e aparentemente inofensiva.

No dia em que – e caminhamos para isso, ainda que a passos lentos – no trato das problemáticas humanas íntimas, for levado em conta o caráter espiritual ali existente, a medicina se habilitará a fazer pelo seu bem-estar muito mais do que tem conseguido até agora. Milhares de indivíduos já foram auxiliados pela fluidoterapia e pelas atividades desobsessivas via atendimento mediúnico. Muitos pacientes psiquiátricos recebem o tratamento espiritual paralelo ao tradicional e por, não raro, superá-lo em eficácia, evita muitas internações e antecipa a alta em outros tantos. Também efetua a profilaxia preventiva de um número incalculável de outros comportamentos antissociais, ameniza sofrimentos, equilibra mentes, contribui na manutenção da estrutura familiar, enfim presta uma série superlativa de benefícios.

A violência pode ser diminuída, o homem pode ser mais feliz, podemos ter mais paz. Para tanto, basta à ciência oficial ousar e romper com certos paradigmas. O principal deles é tratar o homem como um espírito imortal temporariamente encarnado num corpo físico e não um corpo carnal governado por uma mente abstrata e quase desconhecida, produto de secreções cerebrais.

Fonte: O Consolador

Alguém Nasce Predestinado a Matar, a ser um Assassino?

Não, ninguém nasce para matar. Nascemos para evoluir. Se alguém nascesse predestinado a matar não estaria evoluindo. Portanto, ninguém nasce predestinado ao crime e todo crime ou qualquer ato, seja bom ou ruim, resulta sempre da vontade e do livre-arbítrio da pessoa. O Espírito pode escolher, ao encarnar, esta ou aquela prova “FÍSICA” para sofrer, como deformidades físicas e mentais. Mas, quanto às provas “MORAIS” e às “TENTAÇÕES”, o Espírito, conservando o livre-arbítrio para escolher se quer praticar o Bem ou o Mal, é quem decidirá ceder ou resistir. Exemplo: se aceitarmos o convite de alguém para usar drogas, não poderemos alegar que a culpa é de quem fez o convite. Aceitamos por livre e espontânea vontade e afinidade. Então, aceitar a idéia que alguém nasce predestinado a cometer um crime seria acreditar que o assassino não é um criminoso, e sim um instrumento que Deus utiliza para punir alguém, o que seria um absurdo.

DO QUE RESULTA A CRUELDADE?

A crueldade resulta sempre de uma natureza má, ela deriva da falta de desenvolvimento do senso moral, porque o senso moral existe como princípio, em todas as pessoas. É esse senso moral que fará dos seres cruéis, mais tarde, seres bons e humanos.

O HOMEM DE BEM É UMA PESSOA MAIS INTELIGENTE?

Não. Pois, há muitos que são superiores em inteligência, mas são maus. Temos o exemplo de Hitler. Já Chico Xavier tinha 4º ano de grupo, mas era bom.

EM ALGUNS CASOS DE MORTE VIOLENTA, HÁ ESPÍRITOS QUE AFIRMAM (EM COMUNICAÇÕES MEDIÚNICAS) QUE: “ESTAVA NA HORA DELE DESENCARNAR”. COMO EXPLICAR ESTA AFIRMATIVA?

Ele, provavelmente, deveria desencarnar de qualquer forma. Mesmo que, em outra encarnação, ele tenha cometido um crime, não quer dizer que ele deveria passar pelo mesmo sofrimento que fez outra pessoa passar. A lei não é do “olho por olho, dente por dente”.

COMO RESSARCIR NOSSO DÉBITO COM A LEI DIVINA? A LEI É “OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE”?

Não. Se fosse estaríamos num círculo vicioso, por exemplo: se eu matei alguém no passado, nesta encarnação alguém tem que nascer para me matar para eu quitar meu débito, e depois outro alguém terá que nascer para atirar no meu assassino, e assim sucessivamente. E na verdade o resgate acontece assim, por exemplo: quem matou uma pessoa a facadas na região do estômago, não necessita que alguém lhe dê facadas na mesma região para que ela resgate seu débito. Esta poderá reencarnar predisposto a desencadear uma úlcera ou um câncer no órgão que ele lesou no próximo. Os códigos divinos dispõem de mecanismos hábeis para regularizar os conflitos e os atentados às Leis, sem gerar novos devedores, e conforme muito bem acentuou Jesus: “O ESCÂNDALO É NECESSÁRIO, MAS AI DO ESCÂNDALOSO”, ou seja, A REGULARIZAÇÃO DE DÉBITO É NECESSÁRIA, MAS AI DO REGULARIZADOR. Portanto, ninguém tem o direito de tornar-se um desumano regularizador das Leis de harmonia, utilizando-se dos próprios e ineficazes meios.

ENTÃO, ESTAMOS SUJEITOS A QUALQUER TIPO DE MORTE PARA REGULARIZAR NOSSO DÉBITO?

A Terra é um planeta de provas e expiações. O simples fato de aqui vivermos significa que somos Espíritos comprometidos com débitos que justificam qualquer tipo de sofrimento ou morte que venhamos a enfrentar, como contingência evolutiva, sem que tenha ocorrido um planejamento dos superiores celestes nesse particular.

PODEMOS MUDAR NOSSO “CARMA”?

Sim, podemos mudar o nosso carma a cada minuto. O Bem que praticamos, diminui o mal praticado; todo mal que realizamos, aumenta a carga dos males que já fizemos. Então, se trazemos um carma muito pesado, com o Bem que fizermos, vamos diminuindo nosso débito, porque Deus não é cobrador de impostos, Deus é amor, e na sua lei o que vigora é o Bem.

COMO DEVE PROCEDER O ESPÍRITO ASSASSINADO, NO PLANO ESPIRITUAL?

As “pseudovítimas”, se conseguirem superar as reações de ódio e vingança, ganham muito. Regressam à Espiritualidade como alunos bem sucedidos em inesperado teste, habilitando-se a uma situação melhor no futuro. E aqueles que se tornarem verdugos (obsessores), um trágico futuro os aguarda, em virtude de seu comprometimento com o mal. Este conselho serve também aos encarnados. Toda vingança é contrária ao perdão. O assassino é um enfermo da alma. Fazer justiça com as próprias mãos, seria igualar-se ao irmão desequilibrado. O pedido de Jesus, não deve ficar no papel. É no momento de dor que somos testados. Como nos pediu Jesus: “Se alguém te bater numa face, apresenta-lhe a outra”. Explica Joanna de Ângelis: “A vida possui duas faces: a boa e a má. Uma é a face da violência, do orgulho ferido, da vaidade mesquinha, do medo. A outra é a da paz, da confiança no bem, da vitória do amor, da dignidade.” Então, se alguém nos ofender ou ferir, apresentemos a ele a outra face que ele desconhece, que é a da paz, do perdão . . .

E QUANDO UM POLICIAL MATA ALGUÉM NO COMBATE?

Richard Simonetti responde: O policial que num combate com criminosos ferir ou matar um deles não assumirá responsabilidade desde que o tenha feito na legítima intenção de defender-se e defender a sociedade, sem jamais resvalar para a crueldade. Por exemplo, se após dominado o criminoso, ele o matar, grande será sua responsabilidade. É um ato de crueldade, não de defesa. Veja as questões 748 e 749, de O Livro dos Espíritos.

Hugo Lapa

Fonte: Associação Espírita Allan Kardec

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Sortilégios, Pactos Assombrosos, Possessões

Jorge Hessen

Há poucos meses, em São Paulo, um jovem de 19 anos foi morto por sua própria mãe, possivelmente, por força de um ritual de “magia negra”. Quando foi presa, estava em crise psicótica (loucura? ou “possessão”?); falava sobre demônios e assuntos satânicos, e seis policiais foram necessários para dominar aquela senhora que pertencia a comunidades religiosas não convencionais da internet que adotam o sacrifício humano. Conforme investigação policial, ela teria dito que o filho tinha que ser morto por um “bem maior” (…!?…) O fato nos conduziu ao capítulo 9 versículo 16 do livro Atos dos Apóstolos, onde lemos o seguinte “e o homem que estava possesso do espírito mau pulou sobre eles com tanta violência, que tiveram de fugir daquela casa, sem roupas e cobertos de ferimentos.” [1]

Nawaz Leghari, de 40 anos, um paquistanês adepto do ritual de “magia negra”, estrangulou seus cinco filhos por entender que o sacrifício conferiria a ele “poderes mágicos”. Leghari matou desse modo suas duas filhas e três filhos, com idades variando entre 3 e 13 anos, na madrugada de 9 de janeiro de 2015, na localidade de Saeed Jan, norte de Karachi. O assassino estudava magia negra e resolveu fazer o sacrifício para aumentar seus “poderes”. Leghari realizou uma “odisseia espiritual” de 40 dias chamada “Chilla”, prescrita por um líder religioso local, com quem estudava alquimia. O paquistanês tentou inicialmente envenenar sua família durante o jantar, mas sua mulher o impediu após uma violenta discussão. A esposa e o filho mais velho decidiram passar a noite na casa de parentes, deixando os outros filhos com o pai, que os estrangulou um a um. [2]

Historicamente, quando o homem era ainda fisicamente parecido com os primatas, suas manifestações de religiosidade eram as mais bizarras, até que, transcorridos os anos, no mistério dos séculos, surgem os primeiros organizadores do pensamento religioso que, de acordo com a mentalidade geral, não conseguiram escapar das concepções de ferocidade, que caracterizavam aqueles seres egressos do egoísmo animalesco da irracionalidade. O homem foi levado a crer que os sacrifícios humanos poderiam agradar a Deus, primeiramente por não compreenderem Deus como sendo a fonte da bondade. Os povos primitivos e politeístas adoravam os deuses através de oferendas, cultos, rituais que geralmente comportavam sacrifícios de animais ou de seres humanos.

Como nos esclarece a questão 669, de O Livro dos Espíritos, “Nos povos primitivos, a matéria sobrepuja o espírito; eles se entregam aos instintos do animal selvagem. Por isso é que, em geral, são cruéis; é que neles o senso moral ainda não se acha desenvolvido. Em segundo lugar, é natural que os homens primitivos acreditassem ter uma criatura animada muito mais valor, aos olhos de Deus, do que um corpo material. Foi isso que os levou a imolarem, primeiramente animais e, mais tarde, homens”.[3] De conformidade com a falsa crença que possuíam, pensavam que o valor do sacrifício era proporcional à importância da vítima.

O espírita convicto não acredita no poder irrestrito das forças dos espíritos maus nos pactos de “magia negra” com os mesmos. Há, no entanto, encarnados perversos, no limite da loucura, que simpatizam com os espíritos inferiores (violentíssimos) e solicitam que eles pratiquem o mal, ficando então obrigados a servi-los, porque estes também precisam da “recompensa” pelo empenho no mal. Nisso, apenas, é que consiste o tal pacto. Em O Livro dos Espíritos, os Benfeitores elucidam: “por exemplo – queres atormentar o teu vizinho e não sabes como fazê-lo; chamas então os Espíritos inferiores que, como tu, só querem o mal; e para te ajudar querem também que os sirva com seus maus desígnios. Mas disso não se segue que o teu vizinho não possa se livrar deles, por uma conjuração contrária ou pela sua própria vontade”.[4]

Nos sinistros casos analisados acima, podemos inferir sobre um processo de subjugação profunda, lembrando, porém, que a “possessão” é sempre temporária e intermitente, porque um desencarnado não pode tomar, definitivamente, o lugar de um encarnado. A rigor, o tema “magia negra” ainda não foi estudado de forma abundante pelos pesquisadores espíritas. Há pessoas que não acreditam na possibilidade da existência dos conjuros (“trabalhos feitos”), como é às vezes conhecida a “magia negra”. No entanto, um estudo cuidadoso do tema em O Livro dos Espíritos, e na Revista Espírita, comprova que essas manobras mediúnicas, com a finalidade de prejudicar o próximo, são perfeitamente possíveis. Como citamos acima, na questão 549, Kardec inquire: – Há alguma coisa de verdadeiro nos pactos com os maus Espíritos? Na resposta, os Benfeitores demonstram de maneira categórica que é possível uma criatura evocar maus Espíritos para ajudá-la a causar mal a outra pessoa. A resposta esclarece ainda que esse ato pode ser realizado por uma sequência de procedimentos conhecidos como conjuração (conluio com as trevas).

Nas práticas de “magia negra” os apetrechos materiais e os rituais são utilizados para fortalecer a má intenção nos maus propósitos projetados naqueles contra os quais se deseja prejudicar. A interferência espiritual é de Espíritos inferiores, que se identificam com seres encarnados, também de qualidades morais inferiores, desejosos por afligir, enfermar ou até matar o próximo, ou ainda, ver realizados os interesses de ordem material. Se as criaturas visadas estiverem sintonizadas em faixas de equivalência vibratória, não tenhamos dúvidas de que serão atingidas por elas.

O Espiritismo analisa a gênese do fenômeno da “possessão” como uma faculdade mediúnica desgovernada, e trata esse tipo de manifestação através do diálogo com o Espírito subjugador, buscando compreender suas razões para esclarecê-lo e libertá-lo da sua própria ignorância e confusão mental. É bem verdade que os bons Espíritos nos resguardam destes malefícios, mas não esqueçamos que urge termos mérito para tal assistência.

Jorge Hessen

Referências bibliográficas:

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Uma só coisa é necessária

Enviado em 15/06/2023

Orson Peter Carrara

Necessário - Dicio, Dicionário Online de Português

O lúcido e sempre profundo pensamento de Emmanuel nos traz sempre preciosos ensinos. Há sempre grande aproveitamento em suas lições, se soubermos ou conseguirmos adentrar seu pensamento, suas reflexões. Ainda que por agora este nosso entendimento seja precário e muitas lições estejam esquecidas nos livros, nunca será demais trazê-las de volta à divulgação para estimular em nós o gosto pelo pensar nesses magníficos conteúdos. A maioria delas disponíveis há mais de 50 anos e de uma atualidade impressionante.

É o caso do capítulo O Necessário, constante do livro Segue-me! (publicado em 1973 pela Casa Editora O Clarim), onde o autor usa a anotação de Lucas (10:42), para construir o precioso capítulo. Ideia é que o leitor conheça o compacto texto na íntegra. Mas, mesmo assim, seleciono alguns trechos para instigar a vontade desse conhecimento integral. Veja:

a) a morte te descerrará realidades com as quais nem sonhas de leve…

b) a maldade e a indiferença se insinuam em todas as tarefas, prejudicando o raio de ação de todos os missionários da elevação.

c) ignorarás, por muitos anos, a que região da vida te conduzirá o dinheiro.

d) desconheces as consequências de tuas palavras.

e) se não permaneceres vigilante no aproveitamento da luta, teus dissabores correrão inúteis.

Com a sabedoria que lhe é própria, Emmanuel situa várias circunstâncias do cotidiano (selecionei apenas as acima a título de amostragem e ainda parcialmente), para avaliarmos os patrimônios (no amplo sentido) e possibilidades que detemos, para, então, concluir sobre a “única só coisa que é necessária” (adaptamos), pois que, conforme enfatiza: “(…) Realizado esse “necessário”, cada acontecimento, cada pessoa e cada coisa se ajustarão, a nossos olhos, no lugar que lhes é próprio.”

Nessa nova compreensão, cessam as ansiedades, as torturas, ciúmes, agressões, disputas e outras banalidades, preconceitos e agressividades que tanto perturbam a vida. E, por falar em disputas, neste momento complexo da história, vale destacar uma das frases do mesmo capítulo, que merece muita atenção: “Exaltarás o direito com o verbo indignado e ardoroso, todavia, é provável não estejas senão estimulando a indisciplina e a ociosidade de muitos.” Precisamos todos discernir muito…. Somos muito apressados e precipitados na maioria das vezes. Esquecemos o bom senso…

Por isso, direciono o leitor ao texto na íntegra: http://bibliadocaminho.com/ocaminho/txavieriano/livros/Sg/Sg68.htm

Autor: Orson Peter Carrara

Fonte: Portal do Espírito

A SEGUIR O TEXTO A QUE SE REFERE O ARTIGO:

Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

Segue-me — Emmanuel

O necessário

“Mas uma só coisa é necessária.” — JESUS (Lucas, 10.42)

Terás muitos negócios próximos ou remotos, mas não poderás subtrair-lhes o caráter de lição, porque a morte te descerrará realidades com as quais nem sonhas de leve…

Administrarás interesses vários, entretanto, não poderás controlar todos os ângulos do serviço, de vez que a maldade e a indiferença se insinuam em todas as tarefas, prejudicando o raio de ação de todos os missionários da elevação.

Amealharás enorme fortuna, todavia, ignorarás, por muitos anos, a que região da vida te conduzirá o dinheiro.

Improvisarás preciosos discursos, contudo, desconheces as consequências de tuas palavras.

Organizarás grande movimento em derredor de teus passos, no entanto, se não construíres algo dentro dele para o bem legítimo, cansar-te-ás em vão.

Experimentarás muitas dores, mas, se não permaneceres vigilante no aproveitamento da luta, teus dissabores correrão inúteis.

Exaltarás o direito com o verbo indignado e ardoroso, todavia, é provável não estejas senão estimulando a indisciplina e a ociosidade de muitos.

“Uma só coisa é necessária”, asseverou o Mestre, em sua lição a Marta, cooperadora ativa e dedicada.

Jesus desejava dizer que, acima de tudo, compete-nos guardar, dentro de nós mesmos, uma atitude adequada, ante os desígnios do Todo-Poderoso, avançando, segundo o roteiro que nos traçou a Divina Lei. Realizado esse “necessário”, cada acontecimento, cada pessoa e cada coisa se ajustarão, a nossos olhos, no lugar que lhes é próprio. Sem essa posição espiritual de sintonia com o Celeste Instrutor, é muito difícil agir alguém com proveito.

Emmanuel

Essa mensagem, diferindo nas palavras marcadas, foi publicada originalmente em 1952 pela FEB e é a 3ª lição do livro “Vinha de luz”

Fonte: Bíblia do Caminho

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Ética da Transformação

Ermance Dufaux

ÉTICA DA TRANSFORMAÇÃO

“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral”

(O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. XVII, Item 4)

A reforma íntima é um trabalho processual.

Processual significa aquilo que obedece a uma sequência. Em conceito bem claro, é a habilidade de lidar com as características da personalidade melhorando os traços que compõem suas formas de manifestação. Caráter, temperamento, valores, vícios, hábitos e desejos são alguns desses caracteres que podem ser renovados ou aprimorados.

Nessa saga de mutação e crescimento, o maior obstáculo a transpor é o interesse pessoal, o conjunto de viciações do ego repetido durante variadas existências corporais e que cristalizaram a mente nos domínios do personalismo.

O hábito de atender incondicionalmente as imposições dos desejos e aspirações pessoais levou-nos a cruel escravização, da qual muito será exigido nos esforços reeducativos para nos libertamos do “império do eu”.

Negar a si mesmo ou “despersonificar-se”, esvaziar-se de “si”, tirar a máscara é o objetivo maior da renovação espiritual. Esse o grande desafio a seguido por todos os que se comprometeram com seriedade nas nobres finalidades do Espiritismo com Jesus e Kardec.

Extenso será esse caminho reeducativo na vitória sobre nossa personalidade manhosa e talhada pelo egoísmo… O meio prático e eficaz de consegui-lo, conforme ensinam os bons Espíritos da Codificação, é o conhecimento de si mesmo (O LIVRO DOS ESPÍRITOS – Questão 919)

Entretanto, para levar o homem ao aprimoramento, o autodescobrimento exige uma nova ética nas relações consigo e com a vida: é a ética da transformação, sem a qual a incursão no mundo íntimo pode estacionar em mera atitude de devassar a subconsciência sem propósitos de mudança para melhor. O Espiritismo é inesgotável manancial no alcance desse objetivo. Seu conteúdo moral é autêntico celeiro de rotas para quantos desejam assumir o compromisso de sua transformação pessoal com segurança e equilíbrio. Sem psicologismo ou atitudes de superfície, a Doutrina Espírita é um tratado de crescimento integral que esquadrinha os vários níveis existenciais do ser na ótica imortalista.

Nem sempre, porém, verifica-se tanta clareza de raciocínios entre os espíritas acerca dessa questão. Conceitos mal formulados sobre o que seja a renovação interior têm levado muitos corações sinceros a algumas atitudes de puritanismo e moralismo, que não correspondem ao lídimo transformador da personalidade, em direção aos valores capazes de solidificar a paz, a saúde e a liberdade na vida das criaturas. Por esse motivo, será imperioso que as agremiações do mundo, erguidas em nome do Espiritismo ou aquelas outras que expandam a luz da espiritualização entre os homens, investiguem melhores noções sobre a ética da transformação, a fim de oferecer a seu profitentes uma base mais cristalina sobre os caminhos e percalços no serviço da iluminação de si mesmo.

A prática especial e meta fundamental dos ensinos dos bons Espíritos são a melhora da humanidade, a formação do homem de bem. O Espiritismo, em verdade, está nos elos que criamos, uns com os outros, e que passam a fazer parte da personalidade nova que estamos esculpindo com o buril da educação. Os “ritos” ou práticas doutrinárias são recursos didáticos para o aprendizado do amor – finalidade maior de nossa causa. Na falta do amor, as práticas perdem seu sentido divino e primordial.

Em face dessas reflexões, evidencia-se a urgência da edificação de laços de afetos nos grupamentos humanos, no intuito de fixarmos na intimidade as mensagens do Evangelho e do bem universal. Afeto é a seiva vitalizadora dos processos relacionais e o construtor de sentidos nobres para a existência dos homens.

O autoconhecimento, através das luzes de imortalidade que se espera dos fundamentos espíritas, é um mapa de como chegar ao “eu verdadeiro”, a consciência. Todavia, essa viagem não pode ser feita somente com o mapa, necessita de suprimentos morais preventivos e fortalecedores, necessita de uma ética de paz consigo próprio.

Somente se conhecer não basta, é necessário um intenso labor de autoaceitação para não sairmos nas garras de perigosas ameaças nessa “viagem de retorno a Deus”, cujas mais conhecidas são a culpa, a autopunição e a baixa autoestima, as quais estabelecem o clima psicológico do martírio. É preciso uma ética que assegure a transformação pessoal um resultado libertador de saúde e harmonia interior. Tomar posse da verdade sobre si mesmo é um ato muito doloroso para a maioria das criaturas.

À guisa de sugestões maleáveis, consideremos alguns comportamentos que serão efetivos roteiros de combate, vigília e treinamento para instauração das linhas éticas no processo autotransformador:

* Postura de aprendiz – jamais perder o vistoso interesse em buscar o novo, o desconhecido. Sempre há algo para aprender e conceitos a reciclar. A postura de aprendiz se traduz no ato da curiosidade incessante, que brota da alma como sendo a sede de entender o Universo e nossa parte “dança dos ritmos cósmicos”. Romper os preconceitos e fugir do estado doentio da autossuficiência.

* Observação de si mesmo – é o estudo atento de nosso mundo subjetivo, o conhecimento das nossas emoções, o não julgamento e a autoavaliação constante. Tendemos a avaliar o próximo e esquecer o serviço que nos compete, no entanto, relembremos que perante a imortalidade só responderemos por nós, no que tange ao serviço de edificação dos princípios do bem na intimidade.

* Renúncia – a mudança íntima exige uma seletividade social dos ambientes e costumes, em razão dos estímulos que produzem reflexos no mundo mental. No entanto, a renúncia deve ampliar-se também ao terreno das opiniões pessoais e valores institucionais para os quais, frequentemente, o orgulho nos ilude.

* Aceitação da sombra – sem aceitação da nossa realidade presente, poderemos instaurar um regime de cobranças injustas e intermináveis conosco e posteriormente como os outros. A mudança para a melhor não implica em destruir o que fomos, mas dar nova direção e maior aproveitamento a tudo que conquistamos, inclusive nossos erros.

* Autoperdão – a aceitação, para ser plena, precisa do perdão. Recomeço é a palavra de ordem nos serviços de transformação pessoal. Sem ela o sofrimento e a flagelação poderão estipular provas dolorosas para a alma. É uma postura de perdão às faltas que cometemos, mas que gostaríamos de não cometer mais.

* Cumplicidade com a decisão de crescer – o objetivo da renovação espiritual é gradativo e exige devoção. Não é serviço para fim de semana durante a nossa presença às tarefas do bem, mas serviço continuado a cada instante da nossa vida, onde estivermos. Somente assumindo com muita seriedade esse desafio o levaremos avante. Imprescindível a atitude de comprometimento com a meta de crescimento que assumimos. Somos egressos de experiências frustradas no desafio do aperfeiçoamento pessoal, portanto, muito facilmente somos atraídos para ilusões variadas. Somente com muita severidade e muita disciplina construiremos o homem novo e almejado.

* Vigilância – é a atitude de cuidar da vida mental. Cultivar o hábito de higiene dos pensamentos, da meditação no conhecimento de si, da absorção de nutrição mental digna nas boas leituras, conversas, diversões e ações sociais. Vigilância é a postura da mente alerta, ativa, sempre voltada a ideais enriquecedores.

* Oração – é a terapia da mente. Sem oração dificilmente recolheremos os germens divinos do bem que constituem as correntes de energia superior da vida. Através dela, igualmente, despertamos na intimidade forças nobres que se encontram adormecidas ou sufocadas pelos nossos descuidos de cada dia.

* Tolerância – toda evolução é concretizada na tolerância. Deus é tolerância. Há tempo para tudo e tudo tem seu momento. Os objetivos da melhoria requerem essa complacência conosco para que haja mais resultados satisfatórios. Complacência não significa conivência ou conformismo, mas caridade com nossos esforços.

* Amor incondicional – aprender o autoamor é o maior desafio de quem assume o compromisso da reforma íntima, porque a tendência humana é desgostar de sua história de evolução, quem toma consciência do ponto em que se encontra ante os estatutos universais da lei divina. Sem autoamor a reforma íntima reduz-se a “tortura íntima”. Aprender a gostar de si mesmo, independente do que fizemos no passado e do que queremos ser no futuro, é estima a si próprio, o estado interior de júbilo com nosso retorno lento, porém gradativo, para uma identificação plena com o pai.

* Socialização – seu interesse pessoal é o grande adversário de nosso progresso, então a ação em grupos de educação espiritual será excelente meditação contra o personalismo e a vaidade. Destaquemos assim o valor das tarefas doutrinárias regadas de afetividade e siso moral. São treinamentos na aquisição de novos impulsos.

* Caridade – se socializar pode imprimir novos impulsos e reflexões no terreno da vida mental, a caridade é o “dínamo de sentimentos nobres” que secundaram o processo socializador, levando-o ao nível de abençoada escola do afeto e revitalização dos ensinamentos espíritas.

* * *

Conviveremos bem com os outros na proporção em que estivermos bem conosco mesmo. A adoção de uma ética de paz, no transcorrer da metamorfose de nós próprios, será medida salutar no alcance das metas que almejamos, ao tempo em que constituirá garantia de bem-estar e motivação para a continuidade do processo.

O exercício de negar a si mesmo não inclui o descuido ou o descrédito pessoal, confundindo a sombra que precisamos reciclar com necessidades pessoais que não devemos desprezar, para o bem-estar e equilíbrio. Cuidemos apenas de atrelar essas necessidades de conformidade com os novos rumos que escolhemos.

Fazemos essa menção porque muitos corações queridos do ideal supõe que reformar é negar ou mesmo castigar a si, quando o objetivo do projeto de mudança espiritual é tornar o homem mais feliz é integrado a sua divina tarefa perante à vida.

Nos celeiros de luz dos repositórios do Evangelho, verificamos um exemplo de rara beleza e oportunidade que servirá como diretriz segura para a “despersonificação” dos servidores do Cristo na obra do amor: Ananias, o apóstolo chamado para curar o Doutor de Tarso. Quando o Mestre o chama pelo nome, o colaborador humilde, com prontidão e livre dos interesses pessoais, responde sabiamente: “Eis-me aqui, Senhor”.( ATOS DOS APÓSTOLOS, 9:10) O nome dessa virtude no dicionário cristão é disponibilidade par a ser vir e aprender , o programa ético mais completo e eficaz para quantos desejam a autoiluminação.

Espirito Ermance Dufaux

Livro: Reforma Intima Sem Martirio –  Cap.2

Psicografia Wanderley S. de Oliveira

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O QUE É INTELECTUALIZAR A MATÉRIA?

Jáder dos Reis Sampaio

Na pergunta 25 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec está discutindo os princípios, e divide didaticamente o universo em duas substâncias (ousias) originais, essências ou princípios (alguma coisa primordial ou primitiva da qual se originam mudanças): espírito (princípio inteligente) e matéria (princípio material, que compreende as transformações de um fluido cósmico ou universal). Trata-se de posição muito similar à de René Descartes (1596-1650) adicionada a lei do progresso.

Kardec trabalhava com um conceito de matéria sem um átomo formado de prótons (isso surgiu em 1866 e foi apresentado à comunidade acadêmica por Rutherford em 1911), elétrons (surgiu com as pesquisas de Thompson em 1897, que mostrou que os raios catódicos eram formados de partículas com cargas negativas) e nêutrons (descobertos em 1932 por James Chadwick). Já existia o conceito de moléculas, que era entendido como associação de átomos (vistos como corpúsculos indivisíveis de várias formas, que se “encaixavam” uns nos outros). O átomo era conhecido como molécula elementar, ao lado das moléculas compostas, formadas de associações de diversas moléculas elementares. Moléculas elementares e compostas formavam a matéria. E aí parece termos chegado ao conceito de matéria empregado por Allan Kardec em seus escritos.

Como entender a intelectualização da matéria? Talvez tenhamos uma chave explicativa em uma pergunta geralmente mal interpretada: a questão 28, onde Kardec menciona “matéria inerte” e “matéria inteligente”. Os espíritos não se prendem à nomenclatura proposta, mas o que Kardec parece querer distinguir é, em primeiro lugar, a matéria que não tem sinal de inteligência, como uma pedra de sílex ou um arbusto, sendo que esse último reage física e quimicamente à luz, à água, e a elementos que se encontram na terra, à energia nuclear e à gravidade, por exemplo. Contudo, não há qualquer sinal de inteligência, nem de instinto.

Em segundo lugar há seres do reino animal, que apresentam instintos (os quais Allan Kardec explicou com uma frase interessante: “inteligência sem raciocínio”, questão 73) e a inteligência, que Kardec associa, em seu primeiro livro espírita ao “pensamento, a vontade de atuar, a consciência de que existem e de que constituem uma individualidade cada um, assim como os meios de estabelecerem relações com o mundo exterior e de proverem às suas necessidades”. (questão 71).

Para explicar seres, como as plantas mesmo, que têm vida, mas não têm instinto nem inteligência, os espíritos com os quais dialoga Kardec se servem de um conceito muito usado à época e meio abandonado nos dias de hoje pelas ciências naturais: o princípio vital.

A biologia de nossos dias não fala mais de um vitalismo (há pequenas exceções), porque desenvolveu-se o conhecimento no sentido de explicar a vida a partir da estrutura e funcionamento dos corpos e em associação com a física e a química, exclusivamente, tornando as argumentações metafísicas ou filosóficas, não baseadas em evidências, mas em princípios ideais, como não sendo conhecimento científico, de forma geral. Isso não significa que não exista algum princípio vital, apenas que a ciência decidiu mudar o rumo de sua nau e abandonou esse objetivo por considerá-lo metafísico.

Assim, as “pedras” são matéria com uma força inerte (questão 585) sem princípio vital, nem instinto, nem inteligência; as plantas têm matéria e princípio vital, algumas parecem mostrar algum instinto rudimentar, como a dionéia (questão 589), os animais têm a tal “força inerte”, o princípio vital, os instintos mais ou menos desenvolvidos e alguns têm uma inteligência rudimentar. Kardec explicita algumas características dos animais, como capazes de se comunicar, muitas vezes sem serem capazes de emitir sons (isso parece mais desenvolvido nos animais de reinos superiores na taxonomia de Lineu, do século 18), terem um livre arbítrio limitado às suas necessidades e instinto de imitação (como em papagaios, que imitam os sons, e macacos que imitam os gestos – questão 596).

Na questão 597 temos uma afirmação que se tornou polêmica, entre os espíritas que insistem em estudar frases soltas: Kardec diz que os animais têm um princípio independente da matéria que sobrevive ao corpo. Seria uma espécie de precursor do Espírito (questão 76), uma alma muito inferior à humana (questão 597-a), que conserva sua individualidade após a morte, mas não tem consciência de si mesmo (questão 598), que não pode fazer escolhas psicológicas, por não ter livre arbítrio propriamente dito (questão 599), que tem um intervalo curto entre a desencarnação e reencarnação, controlado por espíritos responsáveis por isso (questão 600), sujeita ao progresso pela força das coisas e não por sua própria vontade (questão 602).

A última distinção que Allan Kardec faz entre os animais e os homens diz respeito à inteligência. A inteligência que os animais (superiores) possam vir a desenvolver diz respeito exclusivo à “vida material” e a dos seres humanos abrange também a “vida moral”, entendida aqui como vida psicológica ou psíquica, que envolve escolhas morais e diversas escolhas que os animais não fazem.

Observando detidamente o todo da argumentação kardequiana, a matéria intelectualizada são os animais que apresentam inteligência rudimentar (lato sensu) e os seres humanos que se servem da inteligência (stricto sensu) e do livre-arbítrio para atender suas necessidades e escolher uma vida moral (no sentido mais amplo, de vida psicológica). Os espíritos deles têm acesso a corpos capazes de permitir a individualidade, o movimento e outras características necessárias à ação de inteligências no meio ambiente.

Os seres materiais que não são inertes, que apresentam vida, mas não têm uma vida psicológica, seriam matéria não-intelectualizada, e dentre esses, os que vivem e morrem, não teriam ainda um espírito individual, mas seriam portadores do princípio vital.

Hoje a biologia fala em cinco ou mais reinos, na medida em que com o avanço dos conhecimentos, se tem mais informações sobre os seres para classificá-los, mas isso não é necessário à compreensão do pensamento de Allan Kardec no ponto em questão.

Jáder dos Reis Sampaio

Fonte: espiritismo.net

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O que é o Espiritismo, segundo Kardec e os Espíritos

O que é espiritismo - Allan Kardec - Seboterapia - Livros

O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que decorrem dessas mesmas relações.

Podemos defini-lo assim: O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal. (Allan Kardec, O que é o Espiritismo, Preâmbulo.)

  ♦ ♦ ♦

 O Espiritismo é, sem dúvida, uma ciência de observação, mas é, talvez mais ainda, uma ciência de raciocínio, e o raciocínio é o único meio de fazê-lo progredir e triunfar de certas resistências. Este fato só é contestado porque não é compreendido. A explicação lhe tira todo o caráter maravilhoso, fazendo-o entrar nas leis gerais da Natureza. Eis por que vemos diariamente criaturas que nada viram e creem, apenas porque compreendem, enquanto outras viram e não creem, porque não compreendem. Fazendo entrar o Espiritismo na trilha do raciocínio, tornamo-lo aceitável para aqueles que querem conhecer o porquê e o como de todas as coisas, e o número deles é grande neste século, porque a crença cega já não está mais nos nossos costumes. Ora, se tivéssemos apenas indicado a rota, teríamos a consciência de haver contribuído para o progresso desta Ciência nova, objeto de nossos estudos constantes. (Allan Kardec, Revista Espírita, agosto de 1859, Mobiliário de Além-túmulo).

 ♦ ♦ ♦

O Espiritismo é uma doutrina moral que fortifica os sentimentos religiosos em geral e se aplica a todas as religiões. Ele é de todas, e não é de nenhuma em particular. Por isso não diz a ninguém que a troque. Deixa a cada um a liberdade de adorar Deus à sua maneira e de observar as práticas ditadas pela consciência, pois Deus leva mais em conta a intenção do que o fato. Ide, pois, cada um ao templo do vosso culto, e assim provai que vos caluniam, quando vos taxam de impiedade. (Revista Espírita, dezembro de 1863 – Utilidade do ensino dos Espíritos)

♦ ♦ ♦ 

Espiritismo é a ciência nova que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo. Ele no-lo mostra, não mais como coisa sobrenatural, porém, ao contrário, como uma das forças vivas e sem cessar atuantes da Natureza, como a fonte de uma imensidade de fenômenos até hoje incompreendidos e, por isso, relegados para o domínio do fantástico e do maravilhoso. É a essas relações que o Cristo alude em muitas circunstâncias e daí vem que muito do que ele disse permaneceu ininteligível ou falsamente interpretado. O Espiritismo é a chave com o auxílio da qual tudo se explica de modo fácil. (Allan Kardec, O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. I, item 5.)

 ♦ ♦ ♦

O Espiritismo está chamado a esclarecer o mundo, mas ne­cessita de um certo tempo para progredir. Existiu desde a Cria­ção, mas só era reconhecido por algumas pessoas, porque, em geral, a massa pouco se ocupa em meditar sobre questões espíritas. Hoje, com o auxílio desta pura doutrina, haverá uma luz nova. Deus, que não quer deixar a criatura na ignorância, permite que os Espíritos mais elevados nos venham em auxílio, para contrabalançarem o Espírito das trevas, que tende a envolver o mundo. O orgulho humano obscurece a razão e a faz cometer muitos erros. São necessários Espíritos simples e dóceis, para comunicarem a luz e atenuarem todos os males. Coragem! Per­sisti nesta obra, que é agradável a Deus, porque ela é útil para a sua maior glória, e dela resultarão grandes bens para a salva­ção das almas. (Francisco de Sales, Revista Espírita, abril de 1860.)

Fonte: IPEAK – Instituto de Pesquisas Allan Kardec

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BEZERRA DE MENEZES: O APÓSTOLO DA CIÊNCIA ESPÍRITA

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Vitor Ronaldo Costa

(vitorrc@brturbo.com.br)

O respeitado médico espírita brasileiro pode ser considerado o pioneiro das pesquisas sobre obsessão espiritual. No século retrasado, ele sustentava conceitos inovadores e se utilizava de técnicas avançadas no desafiador campo da desobsessão espírita

O Dr. Adolfo Bezerra de Menezes é tido na conta de um dos precursores da medicina espírita brasileira. Entre os inúmeros aspectos da doutrina, tão bem vivenciados por ele, destaca-se a sua participação no campo experimental da mediunidade. Ele era um estudioso sistemático da obsessão espiritual e, por ter sido médico, preocupava-se com a terrível repercussão dessa enfermidade pandêmica capaz de levar à loucura. Doença desconhecida dos psiquiatras, a obsessão, em todas as épocas, sempre acometeu incontável número de pacientes que se amontoavam nos hospícios, sujeitos às impregnações psicotrópicas, porém, desprovidos daquela assistência e orientação condizentes, puramente morais, assinaladas na codificação espírita.

No modo de ver do conceituado médico, dois fatores poderiam contribuir para deturpar o pensamento do alienado mental: lesão encefálica ou influência obsessiva dos desencarnados.

Bezerra de Menezes nasceu em 1831, mas, em 1886, diante de uma distinta platéia de aproximadamente duas mil pessoas da sociedade carioca, declarou-se espírita e passou a defender a tese que o imortalizaria na condição de lídimo pesquisador do campo científico da doutrina: “A Loucura Sob Novo Prisma”, à disposição dos leitores em consagrada edição da FEB.

Levando-se em conta, à época, a influência da religião dominante, a postura inflexível da ciência para com a espiritualidade, era preciso muita grandeza de alma para sustentar uma tese revolucionária, capaz de abalar não só os alicerces da Medicina, mas descortinar, sobretudo, novos horizontes para a ciência espírita. “A alma é quem possui, no homem, a faculdade de pensar, tendo, por suas relações com o corpo, enquanto lhe estiver presa, necessidade do cérebro, para transmiti-lo, donde a inevitável coação, toda a vez que o instrumento não estiver em boas condições” (1).

A codificação espírita acena com a realidade pluridimensional do ser encarnado ao admiti-lo constituído de alma, perispírito e organismo físico. Do espírito provém a energética propulsora da vida. O pensamento é atributo da alma, e não do cérebro, como entendem os neuro cientistas afeiçoados aos postulados materialistas. A alma, na qualidade de reflexo da divindade, mantém-se íntegra, jamais enlouquece, sendo assim, se o pensamento apresenta-se gravemente perturbado, deve-se a duas hipóteses: presença de lesão cerebral ou interferência externa no livre curso do pensamento, a exemplo do que acontece na loucura por obsessão espiritual. Uma disfunção do metabolismo neurotransmissor ou a presença de lesão congênita do encéfalo podem justificar o surgimento de transtornos psicóticos e de retardo mental. Todavia, o Dr. Bezerra de Menezes salientava em sua tese a existência de casos bem caracterizados de alienação mental na ausência de lesão encefálica, elucidando que os obsessores costumam lançar mãos de artifícios sofisticados contra as suas vítimas, a exemplo do emprego da sugestão hipnótica, cujo objetivo não é outro senão interferir no livre curso do pensamento, distorcendo-o a ponto de torná-lo incoerente, em tudo semelhante aos transtornos psicopatológicos descritos nos manuais de psiquiatria.

Aprofundando a exaustiva análise sobre o assunto, pondera o ilustre médico espírita que a obsessão de longa data não tratada adequadamente pode deixar como sequela, apreciável embotamento da atividade intelectual do sujeito. E com a humildade típica de um grande cientista, ele comenta o grave transtorno obsessivo que acometeu o seu próprio filho e as consequências decorrentes da ação nociva engendrada pelo vingador: “O moço era vítima de seus abusos noutra existência, continuou a sofrer a perseguição, e por tanto tempo a sofreu, que seu cérebro se ressentiu, de forma que, quando o obsessor, afinal arrependido, o deixou, ele ficou calmo, sem mais ter acessos, porém não recuperou a vivacidade de sua inteligência. O instrumento ainda não se restabeleceu.” (2) Tem-se aqui uma idéia da importância do diagnóstico espiritual precoce, pois, uma vez comprovada a existência de obsessão, o paciente vítima de alienação mental não ficará exposto à ingestão desnecessária e prolongada de psicotrópicos potentes, assim como envidar-se-ão esforços no sentido de reduzir a atuação fluídica nefasta, persistente e demorada a repercutir no campo orgânico, minando a capacidade intelectiva do sujeito. Mesmo que a obsessão espiritual seja um diagnóstico confirmado, qualquer sintoma ou sinal de enfermidade orgânica deverá ser imediatamente corrigido pelo clínico. Muita vez, um local de menor resistência no campo físico serve de porta de entrada para um obsessor. “Sendo assim, é sabido que os Espíritos malignos entram pela porta que lhes abrem as moléstias do corpo, desde que as do espírito concorram, é óbvio que, embora a cura daquelas nada influa sobre o que já entrou, embaraçará os que estão fora. E eis porque é de rigor curar-se a lesão de qualquer órgão doente dos obsidiados.” (3)

Felizmente existe uma alternativa capaz de evitar o desarranjo do instrumento cerebral em virtude da ação obsessiva: buscar o auxílio do Espiritismo com a finalidade de se promover o diagnóstico espiritual precoce, pois a medicina se encarregará de diagnosticar aquilo que se manifestar no corpo físico. “Vê-se, portanto, quanto importa, diante de um caso de loucura, fazer de pronto o diagnóstico diferencial, para que, se for obsessão, não chegue esta a desorganizar o cérebro, que é o órgão atacado pelo obsessor. Ora, não tendo a Ciência meio seguro de fazer aquele diagnóstico, mesmo porque só existe para ela a loucura, é óbvio que devemos procurar recursos, para verificarmos se existe a obsessão, no Espiritismo científico.” (4)

Na visão de Bezerra, a terapêutica medicamentosa é impositiva nos casos de lesão cerebral (foco epileptiforme, por exemplo), pois, se houver o devido controle do dano encefálico ou do metabolismo neurotransmissor, ficará minimizada a atuação obsessiva sobre a área encefálica. Poderá até permanecer a influência espiritual, porém sem os sintomas do transtorno neurológico ou psíquico. “Na maior parte dos casos, enquanto o Espírito obsessor não tem ainda dominado o Espírito ou a vontade de sua vítima, a cura do órgão doente fecha a porta à maléfica influência.” (5) Esse raciocínio é válido para qualquer outro órgão ou sistema do organismo; além do mais, serve de lembrete para aqueles que imaginam que os espíritos têm a obrigação de curar qualquer manifestação enfermiça ao alcance da medicina prática.

Levando-se em conta que a desobsessão espírita resulta de um esforço afinado entre as forças da Terra e do Céu, é desejável a nossa ligação com um mentor, uma inteligência que, do Plano Maior, se responsabilize pela supervisão adequada dos trabalhos desobsessivos. “O método que seguimos, sempre com resultado, é consultarmos, mediunicamente, a um Espírito, que do espaço faz a caridade de receitar para os homens doentes, sobre a natureza da alienação mental, no caso que se nos apresenta, e procedermos à contraprova do que recebemos em resposta.” (6)

Além da terapêutica médica, quando esta se impõe, e da desobsessão espiritual, objetivando a evangelização do Espírito vingativo, a outra iniciativa volta-se para o próprio obsidiado. É preciso moralizá-lo, orientá-lo, para que ele próprio, mediante circunstanciada revisão de suas atitudes, viciações e maus pendores, demonstre interesse em modificar-se. “…devem-se empregar todos os meios de moralizar o Espírito do obsidiado, fazendo-lhe ver que seus defeitos, seus vícios, seus maus sentimentos, tudo o que não é conforme com os preceitos do Evangelho, atrai para junto de si nuvens de Espíritos, que se aprazem com aqueles elementos do mal, assim como afasta de si os bons Espíritos, seus protetores, donde ficar ele a mercê dos que só não fazem mal quando não podem.” (7)

No entanto, alguém pode objetar a impossibilidade de um alienado mental comunicar-se verbalmente, o que nos impediria o diálogo moralizador. Diante de tal conjuntura, o que fazer para orientar o paciente? Bem, o bom senso nos diz que, primeiramente, deveremos cuidar do caso em caráter de emergência na tentativa de livrar o obsidiado da opressão imposta pelo obsessor. Caso consigamos afastá-lo, é bem provável que o paciente recobre, aos poucos, a sua integridade mental, tornando-se permeável às nossas sugestões moralizadoras. Porém, de acordo com Bezerra, a prática espírita nos permite alternativa, qual seja a de se evocar o Espírito do enfermo e tentar a sua moralização via mediúnica. “Já dissemos que o Espírito não enlouquece e que a loucura consiste, não na perturbação do pensamento, mas, sim, na sua manifestação. Sendo assim, e visto que os Espíritos, quer desencarnados, quer encarnados, acodem à evocação, sempre que é feita no intuito do bem, eis como se consegue moralizar um louco ou obsidiado. Em nossos trabalhos experimentais, temos tido inúmeras ocasiões de evocar o Espírito de pessoas obsidiadas, para moralizá-las, e sempre que as encontramos dóceis aos nossos conselhos, temos conseguido romper as trevas da inconsciência que as envolvia.” (8)

Como ficou visto, Bezerra de Menezes, em pretérito não muito distante, além de se distinguir na qualidade de estudioso da ciência espírita, buscava, no campo experimental, recursos significativos, tudo com o objetivo maior de bem atender os casos complexos de obsessões espirituais. Todavia, na contemporaneidade, é impositivo que os dirigentes de trabalho mediúnico se esmerem na pesquisa da obra kardeciana, para bem conhecer os meandros do assunto e as inúmeras possibilidades ao seu dispor. Estudos continuados, vontade de servir à causa do bem e honestidade de propósitos formam o trio de excelência na estrada infinita do conhecimento superior disponibilizado em favor da harmonia humana.

Vitor Ronaldo Costa

Fonte: Medicina e Espiritualidade

Bibliografia:

  • (1) MENEZES, Adolfo Bezerra de. A Loucura Sob Novo Prisma, cap. III, pág. 149, 4ª edição, FEB.
  • (2) Idem, pág. 175.
  • (3) Ibidem, pág. 179.
  • (4) Ibidem, pág. 175.
  • (5) Ibidem, pág. 178.
  • (6) Ibidem, pág. 177.
  • (7) Ibidem, pág.179.
  • (8) Ibidem, pág. 180.
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Autosugestão

Miramez

AUTOSUGESTÃO

A vida é um amontoado imensurável de sugestões que o Espírito recebe e transmite em todas as direções, capaz tanto de erguer pessoas, como de destruir vidas, de erguer nações, assim como de desmoralizá-las, de moralizar multidões, mas também de desviar legiões de companheiros do caminho harmonioso. No entanto, a vida depende de quem recebe as sugestões e, em certos casos, das fontes de onde emanam as luzes ou as trevas, que chegam em forma de ordem às mentes da multidão.

Um livro, podemos dizer, é uma sugestão que se divide em milhões, aclimatando-se às mentes que o lerem. O escritor tem um poder grandioso de sugestionar, às vezes, até nações, como a própria história nos faz entender.

Um general comanda sua tropa também pela sugestão, sendo que os soldados são preparados para tal. Os padres, pastores, e mesmo os políticos usam com abundância essa força poderosa da palavra oral e escrita.

Vamos abrir a nossa mente, em obediência à palavra do Cristo e às mensagens dos benfeitores espirituais, para que o Evangelho do Senhor possa ser conhecido e vivido em toda a Terra e ela ser transformada em paraíso, onde reinarão o amor e a caridade, o perdão e a alegria cristã. E que todos os homens sejam benevolentes, uns para com os outros, para que a ternura cresça nos corações, moldando-os para o bem imortal.

O ser generoso tem a facilidade de animar o companheiro, mesmo na dor, dando-lhe novas forças para lutar intensamente pela conquista da fé, juntamente com o trabalho honesto.

Faze da tua boca um canal de sugestões, em que a educação seja uma realidade, o amor, um alimento e a caridade, ambiente de contentamento para o coração, sem esquecer as virtudes que se sucedem por força da lei. Começa com a autossugestão: acredita em ti mesmo e prossegue em teu caminho, que vencerás todos os obstáculos que queiram interromper-te, pois do alto vem ajuda, sem que possas perceber.

Sê afetuoso em todos os teus encontros, amável em todas as conversações e honesto em todos os teus trabalhos, que a luz começará a se acender na tua consciência, sem esquecer o coração.

Na alegria cristã, os teus canais da sugestão se abrem e, com isso, poderás ajudar os teus irmãos, que caminham contigo. A benevolência, quando nasce na intimidade, é marca dos Céus que se expressa pelas mãos do Cristo, e a soma destas qualidades mencionadas é o amor.

Passa a imprimir em ti mesmo mantras positivos, esquecendo os que te levaram à tristeza. Lembra-te de Jesus que distribuía, em toda a Sua fala, palavras de ânimo, de verdade e de fé, de maneira tão feliz, que a Sua própria sombra curava enfermos a Sua conversa levantava caídos e quando Sua mente ordenava “Levanta-te e anda”, isso bastava para curar o enfermo.

Aprendamos, pois, com Ele, esse divino Mestre, a saber conversar, com amor no coração, despejando luz em todas as direções, para restabelecer a harmonia, que é o clima da fé.

Pelo Espírito Miramez

De “Cura-te a ti mesmo”, de João Nunes Maia

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Espiritismo na Matta

Espiritismo na Matta

Por Leonardo Rodrigues

Do que me chamaram, mudou quem fui?

Do que me chamarem, mudará quem sou?

Espiritismo? Espírita? Chamem do que quiser!

Mas por favor, olhem pra essência!

Ana Lúcia

 

Era uma quinta-feira, de 5 de janeiro de 2023, véspera em que a igreja católica comemora o Dia de Reis, ou Festa de Santos Reis, em referência aos magos que visitaram o menino Yeshua, para reverenciar sua vinda, sua aparição neste mundo, no entanto, a palavra rei, ou reis, não consta em nenhum dos evangelhos. O termo usado é simplesmente magos, que vieram, diz o evangelista Mateus, do oriente, trazendo para o menino e seus pais, entre outras coisas, ervas para incenso.

Pouco sabemos sobre esses magos e que magias praticavam. Sabemos que as magias, e entre elas o uso de incensos, utilizados por certas pessoas, especialmente por um tipo de mulher, seria proibida com pena de morte, por homens, que séculos depois daqueles dias, diziam-se seguidores do mesmo menino, nascido, nas cercanias de Belém.

Naquela festa, no distrito de Mata Velha, pertencente a Dom Pedro, no Maranhão, na antiga região da Matta, encontrei um padre, ou melhor, um bispo concluindo o seu ritual celebrativo. O público era variado, uma cena linda de se ver, algumas senhoras e meninas usavam turbantes e homens com faixas de panos na cabeça, muitos de pés descalços e outras com crianças para serem batizadas, tornadas cristãs na tradição dos que ali estavam e do homem vestido em panos longos, e com a mesa cheia de aparatos, como óleos, água benta. O rito que era realizado no meio da rua, com pouca iluminação e na frente de uma casa que continha a inscrição:  Tenda Santa Bárbara. Laise, uma amiga, integrante do Centro Espírita Jesus de Nazaré, que foi conhecer aquela experiência, tira a foto e manda por watsapp para a companheira Zelina, que tinha ficado na cidade e me mostra sorrindo a sua resposta, que questiona: “Mas vocês não tinham ido pra uma festa de terreiro? E esse padre?”.

O padre, a mais de uma década celebra a missa naquele festejo, é amigo e compadre de Mãe Rita, uma senhora de 74 anos, que acompanhava a missa de pés descalços, usando uma linda saia verde de seda e uma blusa branca, com um lenço na cabeça, rezando e seguindo todo o rito do sacerdote presente. É ela (ou Tereza Légua), que ao fim da celebração, entra na tenda, enfeitada com fitas e  santos católicos, pouquíssimas cadeiras para sentar, chão de cimento queimado, uma janela para mirar uma lua, que naquela noite era cheia, e alumiava o tambor feito de oco de Pau D´arco e couro de boi, sendo esquentado na fogueira. Essa senhora de voz firme, pega o microfone e brada: Vai começar o Espiritismo! Os amigos do Centro Espírita Jesus de Nazaré, de Dom Pedro, se entreolham, eu provoco, claro! Onde estamos? Que Espiritismo é esse? Sorrimos todos!

Quem interromperia aquela força, vinda das matas, herdeira dos africanos escravizados, que ali fora em quantidade maior que todo o país, para lhe desmentir a qualificação de espiritismo o que ia acontecer?

Ali, na Tenda Santa Barbara, estavam presentes outras representações de terreiros, em sua maioria mulheres, mães de santo e seus filhos iniciados e em processo de iniciação. Funcionava o encontro como um seminário, onde cada uma levava a sua comunidade, espécie de conferência aberta dentro da mata onde tudo era relacional, e os encantados, incorporados, também conversam entre si e com os dançantes, tanto quanto com os visitantes, que podem pedir um dedinho de prosa com a entidade: “ Quando meu guia incorporar, você pode conversar melhor com ele, e ele vai te explicar tudo o que está acontecendo aqui”, me disse uma das mães de santo, conversando comigo na calçada, antes de entrar no salão. É uma acessibilidade de dois tipos, ao portador da mediunidade, e ao guia espiritual. Penso na acessibilidade no outro contexto, quando fui para um congresso espírita e vi o medianeiro e conferencista cercado de proteção, leio a atitude, posso estar equivocado, como um esquema de colocá-lo distante e de preservar uma aura de ser extraordinário.

Observando as danças circulares, um amigo questiona: Pra que dançar? Não entendo o sentido disso!

Rumi poderia responder: O amor eleva aos céus nossos corpos terrenos, e faz até os montes dançarem de alegria!”. Acostumados a mesas postas em destaque para que um tipo de autoridade, cadeiras enfileiradas, privando a relação, estranha-se quando desaparece o palco e a mesa, e acrescenta-se tambor, danças, gente pobre e negra como protagonistas do processo. E se isso for chamado de espiritismo, talvez fique ainda mais estranho. Por ser diferente as formas de fazer, também de acolher, será menos espiritismo?

Allan Kardec, confesso a vocês que naquela noite, em estado de oração, o convidei para ir na Mata Velha, ver tudo o que acontecia ali, traz um conceito de espiritismo muito interessante:

“Tanto a história sagrada quanto a profana provam a antiguidade e a universalidade dessa crença, que se perpetuou através de todas as vicissitudes por que tem passado o mundo, e se mostra, entre os mais selvagens povos, no estado de ideias inatas e intuitivas, e tão gravadas no pensamento como a do Ente supremo e a da existência futura. O Espiritismo, pois, não é uma criação moderna; tudo prova que os antigos o conheciam tão bem, ou talvez melhor que nós”.   ( KARDEC, 2013 P.66)

Três palavras me chamam a atenção, quatro na verdade, mas vamos começar por essas três: antiguidadeuniversalidade e moderna. De que antiguidade estava ele falando. Qual o alcance dessa antiguidade, a idade antiga, que pode ser entendida entre uns 4.000 anos antes de Cristo? Esse tempo pode estar ligado às práticas de comunicabilidade com os espíritos, como vai nos informar Leon Denis na sua obra Depois da Morte, ocorridas na Índia, Egito, Grécia, Gália, como podemos verificar em suas palavras: Os druidas comunicavam-se com o mundo Invisível; mil testemunhas o atestam. Nos recintos de pedra evocavam os mortos. As druidesas e os bardos proferiam oráculos (…) A ciência do mundo invisível constituía um dos ramos mais importantes – do ensino reservado. Por ela se havia sabido deduzir, do conjunto dos fenômenos, a lei das relações que unem o mundo terrestre ao mundo dos Espíritos;

Antiguidade pode também referir-se as  comunidades cristãs, como escreve Artur Conan Doyle: A primitiva igreja cristã viveu saturada de Espiritismo e não parece que tenha atendido às proibições do Velho Testamento, as quais objetivavam reservar esses poderes para uso e proveito do clero.

O outro termo, o moderno, foi usado por boa parte de investigadores do século XIX, para designar o conjunto das manifestações, e comunicabilidade com os Espíritos. “Moderno Espiritualismo” é a terminologia que vamos encontrar em vários livros daquele tempo. Mas, na publicação de O Livro dos Espíritos em 1857, Kardec argumenta que o termo espiritualismo seria muito genérico e propôs chamar de Espiritismo, ciente de que para coisas novas, como ele dizia, precisávamos de termos novos. Dois anos depois, na obra O Que é o Espiritismo, Kardec reconhece que não se tratava de coisa nova, moderna, mas de coisa antiga e universal. Ou seja, não pertencia ao domínio de uma cultura e de um tempo, e cada povo o vivenciou conforme seu entendimento. E que caracteriza o moderno, é o método usado para investigar os fenômenos e uma prática, conforme a cultural racional científica do seu tempo, fortemente influenciada pelas ideias iluministas, um movimento importante para uma ruptura de um domínio de um tipo religioso, que emperrava o livre pensamento e o desenvolvimento das ciências, mas que não deixou de lançar preconceitos sobre outros fazeres e formas de pensar o mundo, fora de um eixo de uma criticidade eminentemente europeia, qualificando como atrasado o pensamento de outras culturas, principalmente as culturas.

O mundo antigo nem é sinônimo de atraso, nem o moderno de evoluído, temos que refletir melhor o que temos chamado de evolução e se ela acontece numa linearidade de tipo cronológica. Uma prática antiga não é necessariamente um erro, nem uma pratica moderna é necessariamente um acerto. Não devemos pautar uma prática como verdadeira ou falsa, baseada na sua antiguidade e nem tão pouco na sua localidade, seja ela a cidade, ou a selva, a quarta palavra que eu queria trazer, para irmos concluindo essas provocações. A cidade por apresentar um aparato de construções diferenciadas, e intervenções que pudessem “melhorar” as condições de vida dos seus habitantes, com facilidades no deslocamento, na comunicabilidade entre as pessoas, foi chamada de evoluída, e a selva ficou como sinônimo de atraso. Apenas hoje, vamos percebendo as tecnologias selvagens, como as das árvores, que podem sinalizar o seu estado de saúde e adoecimento, para uma outra árvore que se encontra a mais de 5 mil quilômetros do seu território.

Chamamos de colonialismo, não só o processo de invasão da Europa sobre outros continentes, não para desenvolver, mas para explorar e se apropriar de riquezas naturais dos continentes africanos e pindorâmicos , mas também a sua imposição de crença e cultura, sufocando e exterminando os saberes dos povos colonizados. Uma das estratégias do posseiro colonizador era dar nome às coisas já nomeada, apagar a língua local e implementar a sua, e apenas a sua. Como já nascemos sobre o império colonial, não percebemos que estamos colonizados de diferentes modos, achamos natural chamar essa terra de Brasil, quando em alguns lugares em tupi se chamava Pindorama, a terra das palmeiras (nome de um clube recreativo em Dom Pedro, que nunca soube o sentido e de onde vinha), chamamos genericamente de índios, povos que possuem seus nomes próprios, como Anacé, Kanindé, Tapeba, Gujajara, Yanomame. Se diz que a língua oficial do Brasil é o português, e é porque foi imposto, embora se fale mais de trezentos idiomas em Pindorama.

Esse processo foi tão danoso às nossas vidas, com um tipo de pensar unilateral, de uma verdade única, e de um poder que se impõe sobre outros saberes e culturas, que vamos encontrar uma grande dificuldade na comunidade dita Espírita Kardecista em aceitar que os termos Espiritismo e Espírita, sejam adotados fora de um tipo de prática convencional e pertencente a determinadas instituições formais denominadas centros espíritas. E dizendo isso, não quero carimbar as prática de outras tradições, e com esse carimbo impor um tipo de entendimento, é saber a relevância de um conceito de tipo sintético, que pode expressar a essência de uma coisa, embora possa ela manifestar-se diferente. É quando a coisa tem natureza própria, e sem dono e daí podemos chamar com nomes diferentes, ou com nomes iguais, sem que isso tire a natureza da coisa em si mesma.

A quem pertence o poder de nomear?  Será possível um tipo de autoridade legitimada para dar nomes às coisas materiais e imateriais? Que poder autoriza Hypolite Léon Denizard a chamar as tradições de Mãe Rita de Espiritismo, herdeira da ancestralidade afro-pindorâmica e, ao mesmo tempo, a desautoriza a reconhecer a sua prática como Espírita?

A senhora da mata, a guardiã da prática medianímica, herdeira daquela luta de que o próprio Kardec falou, resistiu bravamente às perseguições e apagamentos, está investida de autoridade de aceitar ou não o nome que se lhe dá, o termo novo, para sua prática antiga e o seu reconhecimento revela que a sua compreensão é sintética e remete a essência espírita. Se a adoção do nome, é um processo de tipo sintético, e não colonizado, se parte do olhar do estranhado e perseguido e não da imposição do colonizador, deveríamos antes nos alegrar com tal nominação, que pode igualmente ser um convite para um dialogo intermundos.

Mas para tanto, precisamos superar o espanto. Se a música de Sebastian Bach, que tocou em missas nas igrejas da Alemanha, no século XVIII  é reproduzida nos centros espíritas, parece tudo bem, todos fecham os olhos e se recolhem. Os corpos, se aconchegam nas cadeiras, em movimentos suaves, mas em movimentos. Mas se for Maria dos Anjos, uma negra, que também canta com voz melodiosa e abre os trabalhos na tenda, acompanhada de tambores, que remete às tradições da África e dos povos de Pindorama, e os corpos também se movimentam, em movimentos outros, que estranho!

O que chamamos de estranhamento também podemos chamar de preconceito e em alguns momentos mais graves, qualifica-lo de racismo. Formamos o nosso olhar baseado em heranças diferentes e entre elas está aquele de tipo colonial de que falamos, em que o saber é a verdade de tipo única e que deve se sobrepor à outras verdades, e o movimento espírita brasileiro não está isento dessa herança, por ser feito de gente, também de gente colonizada. Essa estranheza bem pode ser colonial, de verniz religioso, étnico, filosófico, científico, expressa em termos como místico, esotérico, atrasado, primitivo, selvagem. Temos que reconsiderar o lugar em que nos posicionamos, e admitir que o espiritismo não tem o nome para tudo, a última palavra para conceituar os saberes imanentes ou transcendentes, do contrário estaremos numa posição muito perigosa para dialogar com outros mundos, tanto os imanentes e oriundos da experiência da imersão do espírito na condição histórica desta terra, como os transcendentes que transem a diversidade de experiências dos espíritos em condições transistórica. Nesse sentido, é bom refletir com Boaventura, que também faz uma revisão de um lugar que foi ocupado pela nação onde encarnou: “O drama do universo cultural que se considera historicamente vencedor é não querer aprender nada dos universos culturais que se acostumou a derrotar e a ensinar”

Que nos reserva ainda os saberes da selva? Há mundos diferentes, universos culturais construídos também por desencarnados, como o da Encantaria e não apenas das Colônias Espirituais? (olha o termo colônia aparecendo de novo!).  É possível uma ciência das macumbas? Um que o passe, adoção de terapia pelos fluidos, seja dado em forma de giro ou soprado com fumaça como nos terreiros?

Uma coisa, pode se ter diversas formas de fazeres, também de entendimentos, sem deixar de ser ela mesma? A luz do sol não uma, e no entanto não se apresenta em multicores conforme seja a capacidade de retenção e reflexão de seus raios?

Toda palavra é de certo modo uma limitadora da realidade e insuficiente para expressar a sua totalidade. O que foi nomeado de Espiritismo, bem pode conter amplas verdades, ou melhor, uma diversidade de métodos, de fazeres, para entender e expressar uma realidade essencial, de centralidade na sobrevivência e comunicabilidade da individualidade que continua a existir após a morte, a desagregação de um tipo de corpo.

A realidade é complexa, e para alguns mestres sufis, pode ter dezoito mil universos, e para enxerga-los todos, diz-se:

Este homem veria os dezoito mil universos através de dezoito mil olhos. Vê cada universo com o olho apropriado. O universo dos sentidos, com o olho dos sentidos; as questões da inteligência, como olho da inteligência; as intenções, como o olho do coração (Ibn ARABI, 2012, páginas 26 e 27)

Será possível enxergarmos o Espiritismo sob diversas formas e admitir que pode ser ele mais complexo do que o que temos visto até agora? Aprendemos no Brasil que o Espiritismo foi codificado por Allan Kardec, apesar da investigação e a produção de saber espírita, estar acontecendo na Europa, como Itália, Russia, Inglaterra e na França, e nas Américas. Dizer isso, não é negar a grande influência de Kardec, mas reconhecer que o fenômeno não era centralizado, e segundo o lugar das manifestações, a cultura,  e um tipo de pesquisador e pesquisa, a produção de saber poderia se dar de maneira diferente, não conferindo unicidade, sem anular os conhecimentos elaborados. Em vista disso, é possível admitirmos que assim como as ciências e as filosofias, podemos ter espiritismos? Ou não temos olhos para tanto?

Olhando da condição de desencarnado, ou de encantamento (enchanté no francês, tem esse sentido de encantamento, talvez bem muito próximo da encantaria), Kardec refletiu: Supondo-se que os seus adeptos humanos desapareçam, que as obras que o erigiram em corpo de doutrina sejam destruídas, ele ainda sobreviveria por tão longo tempo quanto a existência dos mundos e das leis que os regem. ( Allan Kardec, 1868, página 431)

Se entendo esse pensamento, o espiritismo seria uma força da natureza, um fenômeno natural, como o vento que sopra onde quer. Aqueles que sentem o vento, podem estudar sua influência nos fenômenos meteorológicos, produzir energia elétrica, ou brincar, dançando e empinando arraia, papagaio, para continuar falando a partir da cultura naquele Maranhão.

Estou desembaçando do meu olhar de tudo que li e vi para vê a coisa em si mesma, o que ela pode me contar de si. Queria estar no Dom Pedro e ter visto que no aniversário de 33 anos do Centro Espírita Jesus de Nazaré, enquanto o atual presidente da Federação Espírita do Estado do Maranhão, Fabio Carvalho, falava, Mãe Rita, a guardiã da Tenda Santa Bárbara, entrou em cortejo com os seus filhos enfeitados em roupas brancas e turbantes e por alguns instantes, algumas estranhezas abateram-se sobre o público presente. O expositor interrompeu sua fala, desceu do púlpito e abraçou a convidada! Dias atrás, o sacerdote saíra da ilha para encontrá-la na mata para  comungar em sua tenda. Agora, outro homem, do novo espiritismo, silencia e acolhe o ancestral, que saiu da mata e abraçou o novo. São símbolos de encontros, quiçá de um novo tempo, de novos espiritismos.

CItações

01 Vivência em estado de transe em Ubajara-CE, em que minha irmã, já desencarnada, se apresentava para mim, indicando que me acompanhava na escrita desse texto. Ela, que foi chamada muitos nomes: doidinha, caridosa, desatenta, alegre, valente…

02 Desde muito, o distrito é nomeado Pedro II, mas todos conhecem por Mata Velha, acho importante essa resistência, acho mais interessante elogiar a mata que ao imperador.

03 Tereza Légua é uma encantada, guia de Mãe Rita, em outra ocasião, ao entramos na Tenda Santa Bárbara, fomos recebidos e envolvidos por cerca de meia hora entre boas vindas e brincadeiras com a construção de pontos, terminado o momento, Mãe Rita veio falar com cada uma pessoa visitante, como se não as tivesse cumprimentado no inicio, e não tinha, a recepcionista havia sito Tereza Légua.

04 Me chama a atenção de não encontrar nesse espaço nenhuma imagem referente à cultura afro-brasileiro, como Iemanjá, Pretos velhos, ou imagens referentes a orixás… Estou escrevendo outra reflexão naquele contesto, com o título: “Onde estão os Pretos Velhos?”

05 “No Maranhão, o termo encantado , é usado nos terreiros de Mina, tanto nos fundados por africanos quanto nos mais novos e sincréticos, e nos salões de curadores ou pajés. Refere-se a uma categoria de seres espirituais, recebidos em transe mediúnico”. Encantados e Encantarias no folclore brasileiro – Mundicarmo Ferretti

06 Maulana Jalaladim Maomé, conhecido como Al Rumi. Mestre sufi do século XIII, que criou o sama, um processo de oração, meditação e transe, através da dança circular.

07 DENIS. Leon. Depois da Morte. São Paulo, 1994

08  Referencia

09  O Que é o Espiritismo é lançado em junho de 1859. Destaco que é importante seguir a flexibilidade do pensamento de Kardec ao longo de suas obras.

10  Pindorama, é a terra das palmeiras, nome que alguns povos destas terra adotavam antes que os invasores a chamassem de Brasil. Nêgo Bispo, chama a atenção do termo como uma atitude contracolonial, de resistência ao colonialismo.

11  SANTOS, Boaventura de Sousa. Decolonizar: Abrindo a história do presente. São Paulo: Boitempo, 2022

12 É significativo como naturalizamos a narrativa do espírito André Luiz sobre Nosso Lar, um tipo de cidade com perfil europeu construída por portugueses desencarnados, a partir de um lugar onde habitava povos originários do Brasil, também desencarnados. Uma narrativa em muito similar ao processo de colonização, com forte noção de eurocentrismo. “Onde se congregam hoje vibrações delicadas e nobres, edifícios de fino lavor, misturavam-se as notas primitivas dos silvícolas do país e as construções infantis de suas mentes rudimentares. ANDRÉ LUIZ (Espírito). Nosso Lar. Psicografado por  Francisco Cândido Xavier. Página 52

13 El Núcleo del Núcleo 5ª edición: noviembre 2002. EDITORIAL SIRIO, S.A.

Referências:

AHLERT,Martina «Carregado em saia de encantado: transformação e pessoa no terecô de Codó (Maranhão, Brasil)», Etnográfica [Online], vol. 20 (2) | 2016, posto online no dia 29 junho 2016, consultado o 09 fevereiro 2022. URL: http://journals.openedition.org/etnografica/4276; DOI: https:// doi

ANDRÉ LUIZ (Espírito). Nosso Lar. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. Rio de Janeiro. Federação Espírita Brasileira 45ª 1996

IBN ARABI. El Núcleo del Núcleo 5ª edición: noviembre 2002. EDITORIAL SIRIO, S.A

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Federação Espírita Brasileira.  93a edição 2013

KARDEC, Allan. O Que é o Espiritismo. Federação Espírita Brasileira, Brasília, FEB, 2013. 56 ed.

Kardec, Allan. Revista Espírita 1869. Federação Espírita Brasileira, Brasília (DF)  4ª edição 2019

RUMI, Jalaluddin, Masnavi

SANTOS, Boaventura de Sousa. Decolonizar: Abrindo a história do presente. São Paulo: Boitempo, 2022

By Grupo Ágora Espírita – junho 12, 2023

Fonte: ÁGORA ESPÍRITA

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Marco Temporal Indígena: Um mundo doente

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“Nos deram espelhos e vimos um mundo doente. Tentei chorar e não consegui” (Renato Manfredini).

Foto: Joédson Alves, Agência Brasil

Os povos originários do nosso território brasileiro são os indígenas. Os sul-ameríndios, mais propriamente. Primeiros habitantes de nosso território, numa época “pré-civilizatória” (para os padrões eurocêntricos), dotados de cultura, hábitos e religiosidade próprias – entre outros elementos característicos. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2022), eles representam 0,4% de nossa população, distribuída entre 305 povos.

Em 1988, nosso país recebeu uma nova ordem constitucional, que recebeu o apelido de “Constituição Cidadã”, pelo reconhecimento dos direitos individuais e sociais. Em especial, o novo ordenamento jurídico consagrou a organização social, bem como as tradições, crenças, costumes e linguagem, assim como o direito originário (Indigenato) das localidades ocupadas pelos indígenas. O reconhecimento – assim como a defesa – destes direitos é o principal fator impeditivo ao genocídio de nossos irmãos indígenas, muito embora, em muitos casos, se constate o etnocídio e do epistemicídio que é a “morte” cultural derivada das filosofias, conhecimentos e visão de mundo próprias destes coletivos.

Nos últimos anos, se tem enfrentado hiatos em relação à continuidade da demarcação das terras indígenas e sua proteção, inclusive nos quatro anos anteriores a 2023, em face de um governo marcantemente interessado nas questões econômicas, sobrepujando-as indevida e ilegalmente aos direitos constitucionais e de cidadania, precarizando e sucateando as políticas públicas destinadas a esta importante parcela do nosso povo.

No último dia 30 de maio, a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base do Projeto de Lei 490/2007, que trata do marco temporal para demarcação de terras indígenas. O tema, em verdade, já se arrasta há décadas, fruto da ineficiência do Estado, da ausência de políticas permanentes e da prevalência dos interesses econômicos. O objetivo da proposição é que as terras que não estejam ocupadas pelos indígenas, mas a eles pertençam, desde a promulgação da atual Constituição, muitas delas invadidas e depredadas, lhes sejam retiradas.

A matéria não é de exclusividade do Congresso Nacional – já que a proposição também será submetida ao Senado Federal – sendo que a mais alta corte judicial brasileira, o Supremo Tribunal Federal (STF) também realiza a apreciação da demarcação das terras indígenas. Vale dizer, juridicamente, que a matéria mesmo em caso de aprovação final pelo Legislativo, estará sujeita a interpelações e controvérsias, as quais serão dirimidas em caráter final pelo STF, que, neste caso, possui poder vinculante. A intenção legislativa, clara, é a de travar as demarcações em curso e antecipar o próprio julgamento em curso naquele tribunal, fazendo com que a análise judicial perca o seu objeto.

Entre as muitas excrescências presentes no malfadado texto, tem-se a permissão de contato com indígenas isolados, para intermediar ação estatal de utilidade pública – que nos remete a riscos de doenças ou de aculturação por inferência de terceiros; proíbe a ampliação de terras já demarcadas; prevê, igualmente, a retomada de territórios indígenas caso ocorra alteração dos traços culturais da comunidade, que pode ocorrer como citado; permite que, no caso de terras indígenas superpostas a unidades de conservação ambiental, a gestão fique com o órgão federal gestor da área protegida; estabelece a surreal dispensa de consulta prévia dos indígenas para, em suas terras, serem instaladas bases militares, implementadas rodovias, ferrovias e hidrovias, construídas hidrelétricas, assim como redes de comunicação, linhas de transmissão de energia elétrica. Também facilita, de modo inconstitucional, a contestação da demarcação de novos territórios indígenas, bem como, numa aculturação marcante, permite a celebração de contratos para a cooperação de indígenas e não-indígenas para agricultura e pecuária em suas terras, autorizando o cultivo de transgênicos. Na maioria das situações “legais”, o uso das terras indígenas mesmo sem a concordância dos povos indígenas.

Merece destaque que o atual governo, no último dia 28 de maio realizou a demarcação de seis terras indígenas – as primeiras desde o ano de 2008, representando a nítida intenção de regularizar a situação dos povos indígenas e motivando, assim, o “destravamento” do projeto de lei que é de 2007.

Brasília (DF) 30/05/2023 – Indígenas de varias etnias protestam nesta quarta feira na Esplanada dos Ministérios em Brasília contra a votação do Projeto de Lei (PL) 490/2007, que pretende estabelecer um marco temporal para a demarcação de terras indígenas Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Todo esse enredo e cenário nos faz lembrar de Renato Manfredini, o Russo, que, como poucos, conhecia profundamente os bastidores e os porões brasilienses. Citada na abertura deste texto, a sua canção, “Índios” (de 1986), é por nós evocada. Não que ela seja profética em relação ao que estejamos vivenciando quase quatro décadas depois, mas ela representa o reconhecimento prévio e posterior do estado de ignomínia na sociedade.  A letra remonta ao passado de atrocidades cometidas contra os índios brasileiros, em especial as praticadas durante a ditadura militar, como os atentados (ataques a tiros, esfaqueamentos e degolas violentas nas aldeias) praticados por homens fardados contra adultos e crianças sobreviventes; também em relação às inúmeras doenças “da civilização”, levadas para aquela população, sem a cobertura de saúde necessária para a imunização e o tratamento de milhares de pessoas; e, por fim, as atividades ilegais de garimpo a mineração nos territórios indígenas, impingindo violência, fome e outras doenças derivadas da contaminação química das terras.

Portanto, na condição de espíritas e cidadãos brasileiros, como calar? Como se posicionar diante do reaparecimento de reminiscências egoístas, materialistas e cruéis, permeando a atuação dos legisladores? Como espíritas, que somos calcados no legado humanista, livre pensador, progressista de Kardec, não podemos aceitar passivamente tais afrontas à tão cara liberdade, à igualdade – hoje mais bem definida como equidade – e à fraternidade.

Resgatemos o conteúdo expresso em “O evangelho segundo o Espiritismo”, Capítulo III, itens 13 a 15, considerando que todos os seres (humanos) são irmãos e, mesmo, naquele contexto do século XIX, com derivações para o presente, deve se ponderar acerca das então consideradas “raças selvagens”, como bem exposto por Agostinho de Hipona, naquele trecho, como formadas, em sua maioria, por “Espíritos que apenas saíram da infância”, cujo objetivo seria o de se desenvolverem a partir do contato com os mais adiantados. Contanto, convivência e desenvolvimento pressupõem o respeito às suas características essenciais, já destacadas neste ensaio. Então, diante disto, é de se perguntar: os espíritas em geral se consideram mais adiantados que os mencionados antes, a ponto de contribuírem efetivamente com o aperfeiçoamento deles? E, mesmo não sendo espíritas, mas ampliando-se o escopo para a natureza cristã da maioria de nossa população brasileira, ou do elemento espiritualidade que pressupõe a condição de irmandade ou fraternidade universal, como se posicionar diante de uma nova “experiência” direcionada pelo orgulho e pela vaidade, a ponto de patrocinar, com tal hediondo projeto legislativo, a repetição de uma tutela cruel, digna dos colonizadores do século XVI e subsequentes?

Kardec amplia o entendimento e nos alerta para esses males ainda presentes e atuantes na alma humana, na “Revue Spirite”, de fevereiro de 1862, apontando que o egoísmo e o orgulho são, efetivamente, as causas da falência das sociedades e da morte de povos, pois todos os encarnados acabam sucumbindo a estes dois inimigos, caso intimamente não empreendam uma luta permanente para vencê-los.

Assim, nós, do coletivo “Espiritismo COM Kardec – ECK”, nos posicionamos totalmente contrários ao conteúdo do projeto e à iniciativa legislativa de discutir a matéria, tentando esvaziar a competente discussão que já se alonga no STF mas que, por questões de segurança jurídica e especialidade do tribunal se revestem de maior pertinência para prosseguir no intento de garantir a preservação de TODOS os direitos dos povos indígenas brasileiros e de garantir que o espírito do legislador constituinte de 1988 seja mantido!

Como Renato Russo, entoamos, então, ainda que em tom de súplica e alento, para além do nosso posicionamento, a estrofe-estribilho da citada canção: “Quem me dera ao menos uma vez, Acreditar…”.

Fonte: Espiritismo com Kardec – ECK

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