Espírito não sabe tudo

Orson Peter Carrara

E muita gente, inclusive médiuns e dirigentes despreparados sem conhecimento, também se enquadram nessa situação de não saber.

O fato de um espírito estar desencarnado não significa, em absoluto, que ele tem conhecimento de tudo. Muitos espíritos ignoram inclusive que já partiram desta vida material. Portanto, as comunicações vindas do plano espiritual via médiuns devem passar pelo crivo da razão e do bom senso antes de serem aceitas como verdade ou para serem divulgadas.

Isso também porque os médiuns igualmente podem estar iludidos e também fraudar. O espírito pode estar equivocado, o médium pode se enganar ou enganar propositalmente para impressionar e ambos podem criar uma situação constrangedora dentro de uma falsidade construída.

Espírito não sabe tudo, não tem informação à queima-roupa. E Espírito evoluído não fica respondendo perguntas fúteis. Perguntas frívolas são respondidas por espíritos frívolos e nem um pouco comprometidos com o bem das pessoas. E na mesma situação se encontram muitos médiuns, interessados em fraudar para impressionar ou conquistar autopromoção. E, infelizmente, isso também acontece com presidentes ou dirigentes de supostos centros espíritas que se colocam na condição de resolver todos os casos, num pedestal de vaidade e falsa humildade, colocando-se como pretensos orientadores, esquecidos que todos precisamos sim de orientação, que pode ser conquistada no estudo continuado e perseverante dos postulados espíritas, para não ficarmos por aí inventando à moda da casa.

“Cuidado, pois, como informações vindas de médiuns. Especialmente aquelas que fazem revelações bombásticas, que fixam datas, que preveem futuro ou citam acompanhamentos sombrios ou indesejáveis, ou mesmo revelam o passado. Cuidado! Muito cuidado. Os bons e sábios espíritos são discretos e jamais semeiam medo, censura, críticas ou se colocam como reveladores. Eles, os autênticos benfeitores, respeitam a vida e a liberdade das pessoas e jamais surgem como amedrontadores ou ameaçadores nas situações do cotidiano, jamais semeiam dúvidas. Não fazem prognósticos nem ficam atendendo desejos de curiosidades, não ordenam diretrizes, mas sim respeitam nossa liberdade de ação.”

Eles se comunicam? Claro que sim, mas são sempre discretos, não se preocupam com nomes e nas orientações que fazem, são sutis, sem alarde. Até porque as orientações estão fartas nos livros e pequenas mensagens avulsas, sempre à disposição.

Não precisamos ficar consultando espíritos a toda hora. Eles têm mais o que fazer, e nós já sabemos quais os caminhos do equilíbrio. Basta confiarmos em Deus e agirmos no bem, até porque não existe nenhuma pessoa que esteja desemparada. Todos somos muito amparados pela bondade anônima desses amigos espirituais.

“Existem, é claro, espíritos com muito conhecimento, bondade e sabedoria, mas não ficam à nossa mercê, atendendo a toda hora nossos caprichos e indicando mediocridades ou disputando destaques. Não! Eles atuam de maneira contínua, serena, equilibrada, e trabalham muito, sempre a nosso favor. Estão sempre a nos ajudar e não precisam ficar se comunicando a todo instante para dizer que ali estão ou despertando curiosidades vazias.”

Cuidado, muito cuidado, pois, com comunicações espirituais. Prudência e análise com as comunicações que vierem. Previsão de datas, indicação alarmante de acontecimentos, indicação de perseguições espirituais, semeaduras de medo e pavor, pedidos esdrúxulos e solicitações que não atendam ao mínimo de bom senso e razão (já imaginou o que cabe nessa expressão?), esqueça! Isso provém de mentes manipuladoras, inferiores, com intenções menos dignas. O que igualmente se aplica a médiuns e pretensos dirigentes, que, levianamente, se utilizam do adjetivo espírita em suas tarefas, sabe-se lá com quais objetivos.

Para saber o que seguir ou em quem confiar, analise antes se o bem é o que prevalece, ou se há outros interesses. Em havendo, esqueça! Mas para isso, estude o Espiritismo, você estará equipado para não se deixar enganar.

Para entender bem tudo isso, busque o capítulo 20 – Influência moral do médium – de O Livro dos Médiuns, de preciosas orientações. Dentre elas, essa preciosa pérola do item 230 no mesmo capítulo: “(…) vale mais repelir dez verdades do que admitir uma só mentira. (…)”.

Somos todos aprendizes, todos com parcelas bem miúdas da verdade, necessitados de humildade e respeito uns aos outros. Inclusive médiuns e espíritos, todos filhos de Deus no gigantesco processo de aprendizado e amadurecimento adquiridos nas experiências de vida.

Orson Peter Carrara

Fonte: Portal da Casa Espírita Nova Era – Blumenau – SC

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Abortos Aparentemente Espontâneos Provocados Mentalmente pela Mãe

Dr. Ricardo di Bernardi

Aborto - Biologia Enem | Educa Mais Brasil

Já comentamos o imenso potencial energético que nós seres humanos possuímos. O potencial psicocinético, que é capaz de mover objetos próximos ou à distância, pela força de nossos pensamentos, atua também sobre as energias sutis que unem o embrião à textura energética do psiquismo fetal.

Chevalier e Hardy dois eminentes pesquisadores franceses utilizaram um aparelho chamado “gotejador psicocinético” que comprovou em laboratório a ação mental sobre as moléculas da água. Trata-se de um aparelho onde uma fonte goteja sobre uma lâmina, dividindo a gota de tal forma que os dois compartimentos abaixo se enchem de água em tempos rigorosamente iguais. Portanto, um aparelho de precisão física. Verificou-se que “sensitivos” ou “sujets”, para utilizar a linguagem dos eminentes pesquisadores, ao se concentrarem mentalmente desviavam a gota, fazendo com que o compartimento à direita ou à esquerda conforme solicitado, crescesse mais em volume de água.

Experiência esta muito estudada, também, pelo psicobiofísico brasileiro Prof. Henrique Rodrigues.

As ações mentais de uma “gestante” também possuem propriedades psicocinéticas e podem ter profunda repercussão sobre as ligações energéticas do espírito reencarnante com o seu embrião.

Há mães que odeiam o fato de estarem grávidas. Seja pelas circunstâncias dolorosas que motivaram a gravidez, seja pela dificuldade de relacionamento com o esposo que a gestação lhes ocasiona, ou ainda pela situação de penúria econômica em que se situam, antevêem uma agravação da situação pelo estado em que se encontram.

Seja qual for o motivo, desde os mais complexos até a mais simples vaidade, o fato é que a situação existe com relativa freqüência. As experiências de regressão de memória efetuadas nas “Terapias de Vivências Passadas” – TVP ou por outros motivos, tem nos dado valiosos subsídios no estudo da influência mental da gestante sobre o feto.

Além de abortos, a postura monoideística (idéia fixa) materna pode determinar repercussões psicológicas diversas sobre o ser em vias de renascimento. Sentimento de abandono ou carência afetiva são comuns em crianças, jovens e até em adultos que sofreram este tipo de influência materna.

Muitos renascimentos tem origem na necessidade de harmonização de desafetos passados. A oportunidade do vínculo familiar, e do véu de esquecimento do pretérito é um recurso que os amigos espirituais utilizam para a reaproximação das criaturas. O intercâmbio energético materno-fetal será cada vez mais valorizado pela ciência médica que, excetuando alguns raros profissionais, não crêem que um “ser” em formação, sem cérebro desenvolvido, tenha capacidade de registrar as emoções maternas. Só o conhecimento da existência do Espírito abrirá as portas para a compreensão deste problema

Trabalhemos…

Dr. Ricardo Di Bernardi

 rhdb11@terra.com.br

Fonte: Medicina e Espiritualidade

ICEF –Instituto de Cultura Espírita de Florianópolis

Ricardo Di Bernardi é presidente do ICEF, palestrante espírita internacional e autor de vários livros, entre eles, Gestação – sublime intercâmbio, Dos Faraós a física quântica, Reencarnação e evolução das espécies.

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A Pedagogia da crença

Carmen Imbassahy

pedagogia - didática :) • PEDAGOGIA RENOVADA O professor assume o papel  de...

A Pedagogia nos diz que para uma boa aprendizagem é preciso que se tenha também um bom método de educação, por isso, torna-se necessário uma didática de ensino dentro da lógica e da razão.

Todavia, no que tange à educação religiosa, a Pedagogia deixa muito que desejar, a partir do dogma: O que não se pode discutir, aceita-se como verdade.

Foi uma médica, Maria de Montessori, italiana de Chiaravale que, no início do século XX, tratando de crianças excepcionais à época, idealizou um método de Pedagogia que, posteriormente foi utilizado para a educação de um modo geral: a Pedagogia científica.

Sem dúvida, as religiões têm que se opor a tal método quando se trata dos assuntos divinos e, infelizmente, ainda, os próprios religiosos preferem se deixar levar pelas teses da salvação para alçar a um mundo melhor ao lado de Deus, do que analisar a vida como de fato ela seja.

O cristão julga que Jesus sofreu na cruz para redimi-lo de suas culpas, e que, assim bastará aceitá-lo para se livrar dos erros cometidos.

Porém se foi o próprio Jesus quem teria dito “Assim como fizeres, assim acharás” como, então, ele iria ressarcir das conseqüências de seus atos os seus seguidores?

Aí é que a Pedagogia, racional, entra para destruir a razão apresentada: afinal, se ele Jesus, resgatasse da lei de causa e efeito os seus adeptos, então, por que, proferiria tal frase? Não seria mais justo dizer que quem o seguisse estaria salvo? Sim, mas salvo de quê?

No meio espírita surgiram novas interpretações alheias à codificação elaborada por A. Kardec, expondo uma nova linha evangélica de doutrina onde a Pedagogia também não tem vez, afinal, a lógica deixa de imperar para se impor a crença.

Até mesmo, pasma, fico a ver certos pregadores que se dizem espíritas chamarem Deus de “Criador”, evidentemente, baseados nos evangelhos ou na crença da Igreja de que Deus tenha tirado do nada, a seu bel prazer, os elementos para fazer a Terra como centro do Universo.

Erro duplo, ou então, o pobre do Antoine Laurente de Lavoisier, em fins do séc. XVIII, guilhotinado, praticamente, por dizer que “nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” jamais poderia ser levado a sério. Mas é lei química e, de acordo com a Pedagogia moderna, temos que analisá-la para definir a verdade do que se deva ensinar.

Bem fez A. Kardec em classificar Deus como causa primária e nunca, como criador embora os evangélicos do movimento espírita brasileiro insistam em contrariar o codificador e impingir, a duras penas, a verdade bíblica da Criação divina.

Aí, entra a lógica que indaga: e de onde Deus teria tirado a essência de tudo para formar o Universo? Se veio do nada, o nada existe. Entretanto, são os próprios defensores da Criação Divina que garantem que o nada não existe.

O que ocorre é que, no que tange à dita crença, o que se vê com o nome de Cristianismo, inicialmente, nada mais é do que a hipótese do velho Torah, de que, de repente, Deus, o Supremo e inexplicado Senhor da Vontade, resolveu criar a Terra e nela colocar os homens, só que, como tal, ela seria o centro do universo. Ora, nada disso é verdadeiro, então, como pedagogicamente, admitir que se possa ensinar tal coisa?

A Crença foge à razão.

Querer usar uma Pedagogia educativa para ensinar preceitos religiosos que não tenham apoio senão no dogma e na fé, não irá encontrar amparo em nenhuma técnica racional para impor aquilo que, por si só se contrapõe ao conhecimento humano.

Ainda hoje, teimam os evangélicos em afirmar que Deus criou Lúcifer como anjo de luz, e que este teria se rebelado contra seu criador. Peca duplamente tal assertiva: primeiro porque, Deus, supremo, onipotente não teria sabido criar seu dileto e amado anjo de luz; porque não o teria feito perfeito para amá-Lo como supremo criador? Segundo, onisciente, como não previu, que este iria se rebelar contra Ele.

E assim, justificam a existência do mal, o que, no caso, irá aprovar que Deus não seria o supremo criador porque também Lúcifer teria capacidade de criar, mesmo sendo o mal, ato portanto contrário aos desígnios superiores de um Deus de suprema bondade.

Pasmam-se, pois, os estudantes de Pedagogia quando tomam conhecimento de que o ensino do dogma religioso, seria uma forma de aplicar sua técnica educativa para ensinar coisas erradas ou fictícias

A Pedagogia não admite contradições.

Carmen Imbassahy

Fonte: http://www.aeradoespirito.net/ArtigosCI/A_PEDAGOGIA_DA_CRENCA_CI.html

Espiritualidade e Sociedade

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Fui até lá em espírito

Por Redação

Era comum Eurípedes Barsanulfo entrar em transe mediúnico, no curso de uma aula. Quando voltava, explicava aos alunos o que de bom fizera naqueles instantes. Certa vez, após o transe, ele, sorrindo, argumentou:

– Prestem atenção. Acabo de estar em uma residência, atrás da igreja do Ro­sário, fazendo um parto difícil. O marido não sabe que já é pai e está a caminho daqui. Vem a cavalo e com roupa de mon­taria. Ele está, neste momento, apeando em frente o colégio. Vai agora subir os degraus da escada. Quando ele entrar na sala os senhores devem ficar em pé e depois sentar. Atenção, ele vai entrar…

E o homem com chapéu e roupa de montaria entrou muito aflito, pedindo a Eurípedes Barsanulfo que fosse urgentemente fazer o parto, pois a mulher estava passando muito mal.

– Acalme-se, respondeu o médium, sorrindo. Fiz o parto há cinco minutos.

– Não é possível, ‘seu’ Eurípedes. Há cinco minutos eu teria visto o senhor pelo caminho.

– O senhor não me viu porque fui em espírito. Mas, eu vi o senhor. Pode voltar para sua casa, sossegado. A meni­na que nasceu é bonita e forte.

O homem, porém, duvidou e, temen­do pela vida da mulher, levou Eurípedes Barsanulfo de volta. Ao ver o médium, a esposa, com a filhinha deitada ao lado, exclamou:

– O senhor não precisava vir de no­vo, ‘seu’ Eurípedes… Eu e o bebê esta­mos passando bem!

Eurípedes Barsanulfo, então, regres­sou rapidamente ao colégio para continuar a aula interrompida.

 Fonte: Eurípedes Barsanulfo, o apóstolo da caridade, ed. Correio Fraterno.

Era comum Eurípedes Barsanulfo entrar em transe mediúnico, no curso de uma aula. Quando voltava, explicava aos alunos o que de bom fizera naqueles instantes. Certa vez, após o transe, ele, sorrindo, argumentou:

– Prestem atenção. Acabo de estar em uma residência, atrás da igreja do Ro­sário, fazendo um parto difícil. O marido não sabe que já é pai e está a caminho daqui. Vem a cavalo e com roupa de mon­taria. Ele está, neste momento, apeando em frente o colégio. Vai agora subir os degraus da escada. Quando ele entrar na sala os senhores devem ficar em pé e depois sentar. Atenção, ele vai entrar…

E o homem com chapéu e roupa de montaria entrou muito aflito, pedindo a Eurípedes Barsanulfo que fosse urgentemente fazer o parto, pois a mulher estava passando muito mal.

– Acalme-se, respondeu o médium, sorrindo. Fiz o parto há cinco minutos.

– Não é possível, ‘seu’ Eurípedes. Há cinco minutos eu teria visto o senhor pelo caminho.

– O senhor não me viu porque fui em espírito. Mas, eu vi o senhor. Pode voltar para sua casa, sossegado. A meni­na que nasceu é bonita e forte.

O homem, porém, duvidou e, temen­do pela vida da mulher, levou Eurípedes Barsanulfo de volta. Ao ver o médium, a esposa, com a filhinha deitada ao lado, exclamou:

– O senhor não precisava vir de no­vo, ‘seu’ Eurípedes… Eu e o bebê esta­mos passando bem!

Eurípedes Barsanulfo, então, regres­sou rapidamente ao colégio para continuar a aula interrompida.

Fonte: Eurípedes Barsanulfo, o apóstolo da caridade, ed. Correio Fraterno.

correio.news

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Estrutura do Corpo Espiritual em Espírito de Evolução Mediana

Ricardo Di Bernardi

Inicialmente, para que tenhamos uma visão mais clara do mecanismo da encarnação, faz-se necessário reportarmos ao estudo do corpo espiritual.

Quando as entidades espirituais se nos tornam visíveis, seja pela simples vidência mediúnica, seja pelo fenômeno de materialização ectoplasmática, observamos que elas possuem um corpo semelhante ao nosso corpo físico. No fenômeno da materialização, tão estudado pelo famoso físico inglês Willian Crookes [1] e pelo prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia, Charles Richet, os espíritos tornam-se visíveis e palpáveis a todos os presentes à sessão de estudos. São percebidos e tocados em seus corpos espirituais.

Inegável é, sem dúvida, que existem alhures, fraudes conscientes e inconscientes; no entanto a grande frequência dos fenômenos e o elevado nível cultural e ético das pessoas, seriamente envolvidas em determinados casos, atestam a sua realidade.

Embora a essência espiritual não tenha forma, pois é o princípio inteligente, os espíritos de mediana evolução, ou seja, aqueles relacionados ao nosso planeta, possuem um corpo espiritual anatomicamente definido e com uma fisiologia própria da dimensão extrafísica.

Dos planos espirituais temos notícia, por inúmeros médiuns confiáveis, como Francisco Cândido Xavier (Chico) e Divaldo Pereira Franco, da organização de comunidades sociais que os espíritos constituem, comunidades essas às vezes semelhantes às terrestres.

A energia cósmica universal ou fluido cósmico que permeia todo o universo é a matéria-prima que o comando mental dos espíritos utiliza para a construção dos objetos por eles manuseados. As primeiras informações mais detalhadas foram dadas a Kardec em O Livro dos Médiuns [2], no capítulo: “Do Laboratório do Mundo Invisível”.

O corpo dos espíritos, já mencionado pelo apóstolo Paulo e conhecido nas diferentes religiões com os mais diferentes nomes, como perispírito, corpo astral, psicossoma e outros, é também constituído de um tipo de matéria derivada do fluido cósmico universal. Assim nos informam as entidades espirituais.

O corpo espiritual apresenta-se moldável conforme as emanações mentais do espírito. Cada espírito apresenta seu perispírito com aspecto correspondente ao seu estado psíquico. A maior elevação intelecto-moral vai determinar como consequência uma sutilização do próprio corpo espiritual. Em contrapartida, os espíritos, cujas vibrações mentais são mais inferiores, determinam inconscientemente que seu corpo espiritual se apresente mais denso e obscurecido, não tendo a irradiação luminosa dos primeiros.

Conforme se tem notícia por meio de inúmeros autores espirituais, o perispírito apresenta-se estruturado por aparelhos ou sistemas que se constituem de órgãos; esses órgãos são formados por tecidos que, por sua vez, são constituídos por células.

As células do corpo espiritual, em nível mais profundo, são formadas por moléculas constituídas de átomos. Os átomos do perispírito são formados por elementos químicos nossos conhecidos, além de outros desconhecidos do homem encarnado. Elementos aquém do Hidrogênio e além do Urânio, que na Terra representam os limites da matéria atômica conhecida.

Nas obras de Gustave Geley [3] e Jorge Andréa, encontramos referências a essas afirmações.

Os átomos e moléculas que constituem as células do perispírito possuem uma energia cinética própria que é a força determinante de sua vibração constante. Quanto mais evoluída a entidade espiritual, maior a velocidade com que vibram os átomos do perispírito.

Da mesma forma, conforme o adiantamento moral do espírito, maior o afastamento entre as moléculas que compõem o perispírito, por sua vibração, daí a menor densidade de seu corpo espiritual.

Uma analogia: a água em estado líquido, quando fervida, transforma-se em vapor pela maior energia cinética de suas moléculas, determinando um afastamento entre elas decorrente da vibração mais intensa que passa a ter. Neste exemplo simples nós mentalizamos o porquê da leveza do corpo espiritual das entidades cujo padrão vibratório é mais elevado.

No livro Mecanismos da Mediunidade [4], de André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier, encontramos elementos complementares a respeito dessa informação. Espíritos de alta hierarquia moral possuem vibrações de alta frequência. Isto é, as ondas que emitem ou irradiam são “finas”, ou de pequeno comprimento de onda.

As energias emanadas pelas vibrações das moléculas perispirituais se traduzem também por uma irradiação luminosa com cores típicas. Os espíritos são vistos pelos videntes ou descritos nas obras psicografadas emitindo cores e tons bastante peculiares ao seu grau de adiantamento.

Quanto mais primitivas forem as entidades espirituais, mais escuros os tons das cores e mais opacos se apresentam. À medida que galgam mais degraus na escada do progresso, mais sábios e amorosos, as entidades espirituais passam a emitir uma luminosidade mais clara e cada vez mais brilhante.

Salientamos, no entanto, que transitoriamente pela postura mental adotada, decorrente de situações momentâneas, as vibrações se aceleram ou se desaceleram, determinando modificações na estrutura do corpo espiritual, e todo o conjunto se altera. São descritos casos de zoantropia ou licantropia [5], em que as formas perispirituais tornam-se profundamente modificadas.

Exemplos práticos de modificações profundas e graves, no capítulo das patologias do corpo astral, seriam os casos descritos como os de zoantropia ou licantropia. Nessas situações as formas perispirituais se animalizam pela postura de ódio recalcitrante ou outros sentimentos inferiores, sentimentos que se tornam agentes deformantes do corpo espiritual.

Denomina-se zoantropia (zôo=animal e anthropos=homem) aos casos em que o corpo espiritual, pela deformação progressiva, passa a se assemelhar a um animal. Licantropia (lican=lobo e anthropos=homem) aos casos em que o corpo espiritual, pela alteração degenerativa da forma, lembra a figura de um lobo, o que nos remete à lenda do lobisomem que, talvez, tenha sua origem no fato de que, pelo fenômeno da vidência mediúnica, tenham sido vistos espíritos com esse tipo de deformidade anatômica no seu corpo astral.

Naturalmente, que essas deformidades são transitórias e relativas ao tempo em que a entidade espiritual ainda se mantém na atitude mental de ódio.

O tratamento reparador dessas deformidades efetua-se por meio de uma energização adequada dos Espíritos, de acordo com o que temos observado nas lides mediúnicas em que participamos.

Ousamos, inclusive, a criar o verbete perispiritoplastia para nos referir ao processo de recuperação anatômica observado nas entidades tratadas e recuperadas, em seu aspecto morfológico, nos grupos mediúnicos. Tanto energias do plano extrafísico, bem como energias extraídas da natureza, além de ectoplasma dos médiuns, fizeram parte da matéria-prima utilizada por nós, nessa restauração anatômica do perispírito licantropizado das entidades tratadas. Todavia, lembramos que nesse trabalho nós estamos, constantemente, sendo assistidos pelos mentores espirituais que nos amparam.

Ricardo Di Bernardi

Fonte: Medicina e Espiritualidade

  • [1] William Crookes – químico e físico inglês.
  • [2] KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. FEB, 1960, p.413.
  • [3] Gustave Geley – médico e pesquisador espírita francês.
  • [4] XAVIER, Francisco Cândido. Mecanismos da Mediunidade. FEB, 1959, p.188.
  • [5] Tipo de deformidade presente no corpo espiritual em que a forma chega a parecer não-humana.
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Lembrando Kardec – Vício

Nazareno Tourinho

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No artigo precedente dissertamos em torno da virtude. Neste, vamos nos ater ao predicado que lhe é oposto, ou seja, o vício.

Dizemos oposto, contrário, sem grande convicção, porque a palavra vício, como o termo moral, ultimamente ganhou do público um entendimento às vezes diverso do original, etimológico, semântico, que o liga necessariamente ao mal, assim como a virtude está sempre vinculada ao bem.

Hoje, qualquer tendência constante de conduta, qualquer inclinação natural para fazer isso ou aquilo ou qualquer costume compulsivo é designado vício, seja ou não maléfico, e é comum escutarmos críticas a pessoas viciadas em trabalhar.

As expressões verbais, por força dos novos tempos que fazem o progresso da sociedade, alterando os seus valores tanto quanto as suas estruturas, vão se tornando cada vez mais ambíguas, ensejando interpretações diferentes. Isso, no seio do nosso movimento ideológico, é utilizado pelos companheiros laicos e místicos, para distorcer como lhes apraz os conceitos de Allan Kardec, a fim de justificar suas teses sofísticas, agnósticas e aéticas.

Antigamente quando falávamos em moral todo mundo sabia que estávamos aludindo à louvável e indiscutível regra de bem viver; nos dias presentes para numerosos indivíduos, que não suportam preconceito por razões óbvias e justas, moralismo é sinônimo de comportamento hipócrita.

Nós, que podemos ser verdadeiramente espíritas (porque somos independentes e cristãos e não cristólatras), precisamos dispensar cuidadosa atenção à linguagem e não ter medo de tomar o partido do bem contra o mal, porquanto os dois existem e então sempre atuando um contra o outro; quem procura se colocar acima de ambos, como o fez Nietzsche, o papa do ateísmo acadêmico, não passa de um orgulhoso ilustrado mas insano. Cumpre-nos, consequentemente, na teoria e na prática, assumir a moral descartando toda espécie de anarquismo social ou filosófico que respalda o uso da liberdade de modo irresponsável, em busca do prazer com descaso pelo dever.

Impõe-se-nos distinguir o procedimento útil do nocivo ou neutro, o hábito do vício. Sobre este tema, há mais de cinquenta anos, quando ainda éramos jovens, escrevemos na revista, o Reformador, edição de setembro de 1963, uma crônica na qual salientamos que, de todos os nossos vícios, o pior é o de somente notar os defeitos dos semelhantes, não vendo os próprios. Terminamos a referida crônica assim:

“Aquilo que em nós seria um vício talvez seja apenas um hábito em nossos conhecidos. É difícil distinguir. De qualquer maneira, seja hábito ou seja vício, o que não ignoramos é que o hábito de condenar os vícios alheios é um vício pouco habitual nas criaturas virtuosas”.

Em O Livro dos Espíritos Allan Kardec faz criterioso e extenso estudo das leis morais, que ocupa mais de cem páginas do volume (toda a TERCEIRA PARTE). A fim de fechar com chave de ouro a porta deste artigo, que já se alongou suficientemente, leiamos este edificante trecho transcrito da página 412 da 80ª edição do mencionado livro feita pela FEB:

“895. Postos de lado os defeitos e os vícios acerca dos quais ninguém se pode equivocar, qual o sinal mais característico da imperfeição?

O interesse pessoal. Frequentemente, as qualidades morais são como, num objeto de cobre, a douradura que não resiste à pedra de toque. Pode um homem possuir qualidades reais, que levem o mundo a considerá-lo homem de bem. Mas, essas qualidades, conquanto assinalem um progresso, nem sempre suportam certas provas e às vezes basta que se fira a corda do interesse pessoal para que o fundo fique a descoberto. O verdadeiro desinteresse é coisa ainda tão rara na Terra que, quando se patenteia, todos o admiram como se fora um fenômeno.

O apego às coisas materiais constitui sinal notório de inferioridade, porque, quanto mais se aferrar aos bens deste mundo, tanto menos compreende o homem o seu destino. Pelo desinteresse, ao contrário, demonstra que encara de um ponto mais elevado o futuro.”

Amigos leitores, este artigo foi escrito em vida pelo já saudoso Nazareno Tourinho.

Fonte: Correio EspíritaConsagrado nome da literatura brasileira, Nazareno Tourinho completa 78 ...

(*) Nazareno Tourinho foi decano da Academia Paraense de Letras, premiado como escritor fora do Brasil, autor de vinte e oito obras espíritas, uma publicada também na Alemanha, outra em parceria com o dr. Carlos Imbassahy na obra O Poder Fantástico da Mente, editada há cinquenta anos, em 1967. Suas últimos obras foram publicadas e estão sendo distribuídas pela Editora LACHÂTRE.

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HPV – o que um olhar espiritualizado pode nos ensinar?

Dra Giselle Fachetti

HPV: o que é, transmissão, sintomas e como se prevenir

Uma pessoa querida perguntou-me se havia escrito algum artigo sobre HPV, sim, vários, mas todos sob a ótica estritamente cientifica.

Tenho estudado o assunto desde minha graduação quando fiz um curso de especialização em Colposcopia na UFMG em 1985. Faz tempo… Coincidentemente no ano em que Misels conseguiu estabelecer a correlação entre HPV e câncer de colo uterino.

Naquela época já sabíamos que o câncer de colo uterino era uma doença de transmissão sexual, mas o agente microbiológico ainda não havia sido identificado. Seguiu-se uma verdadeira caça ao HPV.

A ciência caminha progressivamente e muitas verdades se mostram falsas com o desenvolver do conhecimento. Apesar de sabermos disso, muito exagero foi cometido então, tanto em termos de diagnósticos quanto em termos de tratamentos.

Hoje os conhecimentos estão mais sedimentados e podemos traçar linhas gerais que tranquilizarão as mulheres que enfrentam um diagnóstico como esse. Como as fontes virtuais de conhecimento costumam ser apelativas, pois assim atraem mais olhares, procuraremos ser realistas.

Analisaremos, também, o aprendizado sobre nossa realidade íntima que uma experiência relacionada a uma doença sexualmente transmissível nos proporciona.

O primeiro dado que devemos tem em mente é que a infecção por HPV é altamente prevalente, as pesquisas com técnicas de pesquisa de DNA viral demonstram que 80% da população que teve pelo menos uma relação sexual em sua vida, já teve contato com o HPV.

Desse grande número de indivíduos uma pequena porcentagem vai desenvolver lesão pré-cancerígena. Frisando, lesão pré-cancerígena e não câncer. Câncer é ainda mais raro. No primeiro caso cerca de 100 em cada 100.000 mulheres, no segundo, cerca de 18 em cada 100.000 mulheres (Goiânia, 2007 – estatísticas variam conforme o local).

As lesões pré-cancerígenas são detectáveis pelo teste de Papanicolaou e, tratáveis com diversas técnicas modernas que praticamente não deixam sequela. Tais terapias não costumam interferir na fertilidade futura.

Apenas casos em que detectamos o câncer propriamente dito, lesão que invade o tecido subjacente ao epitélio do colo do útero, é que precisam de tratamentos mutilantes como a retirada do útero. Ainda assim, temos índices de cura bastante altos em estádios iniciais da doença.

As lesões pré-cancerígenas levam entre 5 e 15 anos para se transformarem em câncer invasor. Por isso teremos entre 5 e 15 oportunidades para detectarmos lesões ainda benignas ao analisamos os exames anuais de Papanicolaou. É um excelente grau de segurança.

O grande problema que enfrentamos é tornarmos o exame acessível a todas e, a cada uma, das mulheres do nosso planeta.

Tendo o diagnóstico de uma lesão pré-cancerígena do colo uterino sabemos que essa pessoa teve contato com o HPV, vírus de transmissão sexual, de alta prevalência. Fato esse que ocorreu também com 80% das demais mulheres.

Sabemos, ainda, que essa paciente sofreu, ainda com outros fatores os quais se somaram ao HPV para possibilitar a indução de uma mutação gênica em seu colo do útero. Ela certamente teve uma falha imunológica provavelmente associada ao fato de ou portar um vírus mais agressivo, ou fumar, ou estar mal alimentada. O stress é outro fator que igualmente sabota nossa imunidade.

Existe uma grande preocupação em relação aos parceiros sexuais, já que a paciente se vê diante de uma doença sexualmente transmissível e, imagina ser possível detectar quando foi infectada. Não é.

O primeiro ponto a ser considerado é que sim, é uma doença de transmissão sexual, mas que pode ficar latente, sem expressão clínica por vários anos, conforme a imunidade da paciente. Assim não significa, sempre, infidelidade.

Não julgueis, a fim de não serdes julgados;

– porquanto sereis julgados conforme houverdes julgado os outros;

empregar-se-á convosco a mesma medida

de que voz tenhais servido para com os outros.

Mateus, 7; 1 e 2.

Aí está um aprendizado ético e moral que as mulheres se deparam logo de cara. Não devem julgar mal e precipitadamente seu parceiro. Inicialmente, pergunto a elas se sabiam que seu parceiro havia tido outras parceiras sexuais em seu passado.

Elas invariavelmente sabiam, e algumas, até se orgulhavam da experiência prévia do amado. Não cogitavam que quanto mais experiente o parceiro maior a população de vírus que ele efetivamente entrou em contato durante seus relacionamentos anteriores.

No homem o vírus contamina pele, tecido maduro, pouco suscetível a transformação neoplásica. Eles, portanto, tem risco bem menor de desenvolverem lesões pré-cancerígenas do que as suas mulheres.

Livro dos Espíritos, questão 821

As funções às quais a mulher é destinada pela natureza

têm importância tão grande quanto as do homem?

– Sim, e até maiores;

é ela quem dá ao homem as primeiras noções da vida.

Disso decorre outra oportunidade de aprendizado. Quando tomam conhecimento desse fato logo dizem que é mais uma das inúmeras vantagens masculinas.

Faço, então, questão de ressaltar que apesar de nós mulheres termos mais freqüentemente pequenos problemas de saúde, nós temos uma expectativa de vida bem maior que a deles… Será que realmente estamos em desvantagem?

Em seguida vem a dúvida relativa à re-infecção. É claro que se o relacionamento não for monogâmico o casal corre sérios riscos de saúde. E o HIV é muito mais grave que o HPV. Qualquer suspeita, ou possibilidade de que existam mais de duas pessoas envolvidas no relacionamento, implica em obrigação do uso da camisinha.

Caso seja um relacionamento monogâmico, em algum momento o casal optará por aumentar a família e, aí, não poderá manter o uso da camisinha.

Não existe necessidade de maiores preocupações relativas ao HPV quando o casal é monogâmico. Uma vez que nos contaminemos com um tipo de HPV habitualmente nos tornamos imune a ele. E não re-infectaremos nosso parceiro, assim como nem ele nos re-infectará. Não ser trata de infecção em ping-pong!

A imunidade obtida naturalmente é menos eficiente que a induzida pela vacina, porém, o suficiente para que o casal viva sua intimidade com naturalidade.

Finalmente, nos deparamos com um ponto crucial que faço questão de ressaltar junto ás minhas pacientes: o preconceito. Como sofremos por estarmos portando um vírus de transmissão sexual!

Caso tivéssemos uma doença bem mais grave, como, por exemplo, um abscesso na faringe, na amígdala, não nos sentiríamos tão culpados e tão impuros.

Julgamos que doenças sexualmente transmissíveis só acometem pessoas promiscuas e quando acontece conosco nos sentimos promíscuos, daí tanto sofrimento.

O erro está no preconceito e nas culpas. Essas foram sistematicamente introjetadas na mente de várias gerações pelo enfoque, antigo e equivocado, que marcava a sexualidade humana como originariamente pecaminosa.

Todas as atividades humanas envolvem riscos. Ao atravessarmos uma rua corremos o risco de morremos atropeladas. Ao amarmos nosso marido podemos construir uma família, e poderemos, simultaneamente, desenvolvermos alguns tipos de doenças.

Se, inversamente, optamos por não exercer a maternidade, teremos diante de nós outros riscos, como, por exemplo, a maior chance de desenvolvermos miomas uterinos…

Quaisquer opções que façamos em nossa existência terrena envolverão riscos. Temos, sim, que conhecê-los e gerenciá-los com inteligência e tranquilidade.

A mulher que inicia sua vida sexual deve saber que se desenvolverá profundamente como mulher, mãe, esposa, como ser humano.

Deverá saber que ao mesmo tempo assume responsabilidades: Deve cuidar de sua saúde. Deve passar a realizar exame de Papanicolaou anualmente. Deve planejar sua família conforme sua realidade e, com orientação profissional. Deve, ainda, escolher seus parceiros com critério.

Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração,

de toda a tua alma e de todo o teu espírito;

este o maior e o primeiro mandamento.

E aqui tendes o segundo, semelhante a esse:

Amarás o teu próximo, como a ti mesmo.

– Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos.”

Mateus, 22; 34-40

Amar-se antes de amar o próximo. Foi assim que Jesus nos ensinou, pois, não saberemos amar ao próximo se primeiramente não soubermos amarmos a nós mesmos.

Giselle Fachetti Machado

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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Cultura Espírita

José Herculano Pires

Herculano Pires | União Espírita Mineira

A Cultura Espírita, como observou Humberto Mariotti, filósofo e poeta espírita argentino, é uma realidade bibliográfica, edificada no plano das pesquisas e dos estudos. Socialmente se reduzia uma parte mínima do movimento espírita mundial, pois a maioria dos espíritas a desconhece. Compreende-se que isso acontece em consequência das campanhas deformadoras e difamatórias das Igrejas e das Instituições Científicas, especialmente as de Medicina, contra o Espiritismo. Mas grande parte da culpa cabe aos próprios espíritas cultos, que, em sua maioria, se mostraram displicentes, por acomodação indébita ou preguiça mental. Por outro lado, a vaidade e o pedantismo intelectual de muitos espíritas os afastaram das pesquisas sobre os mais importantes aspectos da doutrina, para se entregarem a elucubrações pessoais gratuitas, dispersivas e não raro absurdas. O desejo vaidoso de brilhar aos olhos vazios do mundo levou muitos deles a querer adaptar o Espiritismo às conquistas científicas modernas, ao invés de mostrarem a subordinação dessas conquistas ao esquema doutrinário. Outros quiseram atrevidamente atualizar a doutrina e outros ainda se aventuraram a corrigir Kardec. Essas atitudes não deram o proveito pessoal que desejavam e serviram apenas para incentivar as mistificações.

Toda nova cultura nasce da anterior. Das culturas anteriores nasceu a cultura moderna, carregada de contribuições antigas. Mas o aceleramento da evolução cultural a partir da II Guerra Mundial fez eclodir quase de surpresa a Era Tecnológica. O materialismo atingiu o seu ápice e explodiu para que as entranhas da matéria revelassem o seu segredo. E esse segredo confirmou a validade da Cultura Espírita marginalizada no plano bibliográfico. Começou assim o desabrochar de uma Nova Civilização, que é a Civilização do Espírito. “A finalidade da Educação — escreveu Hubert — é instalar na Terra, pela solidariedade de consciências, a República dos Espíritos”. Essa foi a proclamação da Nova Era, feita na França de Kardec, na Paris da sua batalha pelo Espiritismo.

Mas para que uma civilização se desenvolva é necessária a integração dos homens nos seus princípios e pressupostos. Uns e outros se encontram nos livros de Kardec, mas se esses livros não forem realmente estudados, investigados na intimidade pro­funda dos textos e transformados em pensamento vivo na realidade social, a civilização não passará de uma utopia ou de uma deformação da realidade sonhada. Por mais frágil e efêmero que seja o homem na sua existência, é ele que dá vida ao presente e ao futuro, é ele o demiurgo que modela os mundos. Para o homem espírita construir a Civilização do Espírito é necessário que a viva em si mesmo, na sua consciência e na sua carne, pois é nesta que a relação da consciência com o mundo se realiza. E para isso não bastam os livros, é necessário o concurso de todos os meios de comunicação: a palavra, a imprensa, o rádio, a televisão, e mais ainda, a prática intensiva e coletiva dos princípios doutrinários de maneira correta e fiel. Se o homem espírita de hoje não compreender isso e dormir sobre os louros literários, a Civilização Espírita abortará ou será transformada numa simples caricatura da fórmula proposta, como aconteceu com o Cristianismo. É disto que os espíritas precisam tomar consciência com urgência. Ou acordam para a gravidade do problema ou serão esmagados pelo avanço irrefreável dos acontecimentos no tempo.

A idéia comodista de que Deus faz e nós desfrutamos ou suportamos não tem lugar no Espiritismo. Pelo contrário, neste se sabe que o fazer de Deus no mundo humano se realiza através dos homens capazes de captar a sua vontade e executá-la. Não há milagres nem ações mágicas na Natureza, onde a vontade de Deus se cumpre através dos Espíritos, desde o controle das formações atômicas até o crescimento dos vegetais. Dizia Talles de Mileto, o filósofo vidente, que o mundo está cheio de deuses que trabalham em toda a Natureza, e deuses, para os gregos, eram espíritos. Kardec repetiu em outros termos e de maneira mais explícita e minuciosa essa mesma verdade. No mundo humano os Espíritos se encarnam, fazem-se homens para modelá-lo. Cada espírito encarnado trás consigo sua tarefa e a sua responsabilidade individual e intransferível. O que não cumpre o seu dever, fracassa. Não há outra alternativa. O fracasso da maioria dos cristãos resultou na falência quase total do Cristianismo. O que se salvou foi o pouco que alguns fizeram. E a partir desse pouco, dois mil anos depois da pregação do Cristo e do seu exemplo de abnegação total, foi que Kardec partiu para a arrancada espírita. O exemplo da França é uma advertência aos brasileiros. A hipnose materialista absorveu os franceses no imediato e o Espiritismo quase se apagou de todo nos campos arroteados por Kardec, Denis, Flammarion, Delanne e tantos outros. A intensa e comovente batalha de Léon Denis, na França e em toda a Europa, nos congressos espíritas e espiritualistas de fins do século XIX e primeiro quarto do nosso século foi contra as infiltrações de doutrinas estranhas, de espiritualismos rebarbativos, no meio espírita. Foi gigantesco o esforço do famoso Druida da Lorena, como Conan Doyle o chamava, para mostrar que o Espiritismo era uma nova concepção do homem e da vida, que não se podia confundir com as escolas espiritualistas ancestrais, carregadas de superstições e princípios individualmente afirmados ou provindos de tradições longínquas, sem nenhuma base de critério científico. O mesmo acontece hoje entre nós, sob a complacência de instituições representativas da doutrina e o apoio fanático de líderes carismáticos, piegos espirituais e alucinados mentais a dirigir multidões de cegos.

Todas as tentativas de correção dessa situação perigosa se chocam com a frieza irresponsável dos que se dizem responsáveis pelo desenvolvimento doutrinário. E a passividade da mas­sa espírita, anestesiada pelo sonho da salvação pessoal, do valor mágico da tolerância bastarda, da crença ingênua do valor sobrenatural das esmolas pífias (o óbolo da viúva dado por casais de contas comuns nos bancos), vai minando em silêncio o legado de Kardec. O medo do pecado que saí da boca, da pena ou das teclas — enquanto se come e bebe à farta, semeiam-se migalhas aos pobres e dorme-se na bem-aventurança das longas digestões — faz desaparecer do meio espírita o diálogo do passado recente, substituindo o coro dos debates pelo silêncio místico das bocas-de-siri. Ninguém fala para não pecar e peca por não falar, por não espantar pelo menos com um grito as aves daninhas e agoureiras que destroem a seara.

A imprensa espírita, que devia ser uma labareda, é um foco de infestação, semeando as mistificações de Roustaing, Ramatis e outras, ou chovendo no molhado com a repetição cansativa de velhos e surrados slogans, enquanto as terras secas se esterilizam abandonadas. O óbolo da viúva não cai nos cofres do Templo, mas nos desvãos do chão rachado pela secura maior dos corações, como lembrou Constâncio Vigil.

À margem dessa imprensa paroquial, feita para alimentar a família, os jornais que surgem em condições de mostrar ao grande público a grandeza e o esplendor da Doutrina morrem de inanição, enquanto jornais mistificadores, preparados com os condimentos da imprensa sensacionalista e louvaminheira, ou temperados com bocas-de-siri (quanto mais fechadas, mais gostosas) são mantidos pela renda de instituições comerciais ou por interesses marginais.

As escolas espíritas marcam passo na estrada comum. Os programas de rádio são sufocados por adulteradores e substituí­dos por improvisações acomodatícias. A televisão só se abre para sensacionalismos deturpadores. Os recursos financeiros se são empregados na caderneta de poupança da caridade visível, que no invisível rende juros e correções monetárias. As iniciativas editoriais corajosas – como o lançamento de toda a coleção da Revista Espírita (*) – morrem asfixiadas pelo encalhe, ante o desinteresse de um público apático. Os hospitais Espíritas trans­formam-se em organizações comuns, mantidos pelas verbas oficiais de socorro a doentes que podem carreá-las aos seus cofres, a antiga e legítima caridade espírita de anos atrás, sustentada por alguns abnegados que já passaram para o Além, murcha como flor de guanxuma em pastos ressequidos. Restam apenas, nessa paisagem desoladora, alguns pequenos oásis sustentados pelos últimos e pobres abencerragens (**) de uma velha estirpe desaparecida.

É necessário que se diga tudo isso, que se escreva e semeie essa verdade dolorosa, para que toque os corações, na esperança de uma reação que talvez não se verifique, mas que pelo menos se tenta despertar. Na hora decisiva da colheita, as geadas da indiferença e as parasitas do comodismo ameaçam as mínimas esperanças de antigos e cansados lavradores. Apesar disso, os que ainda resistem não podem abandonar os seus postos. É necessário lutar, pois o pouco que se possa salvar poderá ser a garantia de melhores dias. O homem, as gerações humanas morrem no tempo, mas o espírito, não. O tempo é o campo de batalha em que os vencidos tombam para ressuscitar. Quem poderia deter a evolução do espírito no tempo? A consciência humana amadure­ce na temporalidade. A esperança espírita não repousa na fragilidade humana, mas nas potencialidades do espírito, que se atualizam no fogo das experiências existenciais. Curta é a vida, longo é o tempo, e a Verdade intemporal aguarda a todos no impassível Limiar do Eterno. O homem é incoerência e paixão, labareda esquiva que se apaga nas cinzas, mas o espírito é a centelha oculta que nunca se apaga e reacenderá a chama quantas vezes for necessário, para que a serenidade, a coerência e o amor o resgatem na duração dos séculos e dos milênios.

Todas as Civilizações da Terra se desenvolveram, numa assombrosa sucessão de sombra e luz, para que um dia — o Dia do Senhor, de que falavam os antigos hebreus — a Civilização do Espírito se instale no planeta martirizado pelas tropelias da insensatez humana. Então teremos o Novo Céu e a Nova Terra da profecia milenar. Os que não se tornarem dignos da promessa continuarão a esperar e a amadurecer nas estufas dos mundos inferiores, purgando os resíduos da animalidade. Essa é a lei inviolável da Antropologia Espírita.

José Herculano Pires

Fonte: Espiritualidade e Sociedade

(*) Atualmentea coleção da Revista Espírita apresenta grande circulação face ao criterioso valor elucitativo e doutrinário. Conheça esta coleção – endereço eletrônico:
https://www.ipeak.net/site/conteudo.php?id=164&idioma=1

(**) Indivíduos que se mostram de extrema dedicação a uma causa; são os derradeiros paladinos de uma idéia.

Fonte: in O Espírito e o Tempo. 4.ª Parte. A Prática Mediúnica, Cap. III, 7.ª ed. Sobradinho: Edicel, 1995.

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Qual o Limite Entre Opinião e Julgamento?

Rafaela Paes de Campos

Não há entre nós um que acerte sempre, exceto os raros Espíritos encarnados que estejam aqui cumprindo uma missão que vise ao aprimoramento da humanidade.

Em assim sendo, os equívocos cometidos são muitos, sejam eles traduzidos em atitudes concretas, palavras e até maneiras de pensar. Mas é importante repetir: todos somos assim e estamos sujeitos a essas situações.

Além disso, é certo reiterarmos a informação de que estamos dentre muitos com níveis de evolução diferentes. Uns progrediram mais que outros e, por isso, sabem um pouco mais, seja intelectual ou moralmente falando. Nesse diapasão, a Lei de Sociedade vem nos ensinar que o convívio coletivo, a inserção em sociedade, tem o poder de nos fazer progredir.

Quando um sabe algo que o outro não sabe, ou no qual ainda está errando, este ensina, havendo o momento em que ele também poderá ser ensinado pelo conhecimento que outro tenha e que ainda lhe falte. Em questão de aprendizado, é a troca que nos torna cada vez mais ricos!

Diante disso, há vezes em que nos sentimos impelidos a opinar a respeito de atitudes ou decisões tomadas por aqueles que nos rodeiam. Mas há uma linha tênue entre opinar com o objetivo de auxiliar e, opinar culminando num julgamento que fere e irrita, mais do que auxilia.

Socorre-nos O Evangelho Segundo o Espiritismo:

“Amor, no sentido profundo da palavra, é ser leal, honrado, consciencioso, para fazer aos outros o que se quer para si mesmo. É procurar ao redor de si o sentido íntimo de todas as dores que atormentavam vossos irmãos, para abranda-las. É olhar a grande família humana como a sua, uma vez que reencontraríeis essa família num certo período, em mundos mais avançados. Pois os Espíritos que a compõem são, como vós, filhos de Deus, destinados à elevação ao infinito. Por isso não podeis recursar a vossos irmãos o que Deus prodigamente vos dá, porque, de vossa parte, estaríeis bem cômodos se vossos irmãos vos dessem aquilo de que teríeis necessidade. Portanto, dai a todos os sofredores uma palavra de esperança e de apoio, para que sejais todo amor, todo justiça.” (KARDEC, 2019, p. 120).

Dar uma opinião produtiva, um conselho que fará o outro pensar e rever seus possíveis erros, é branda, traz entranhada a vontade legítima de fazer o outro não incorrer em equívocos que talvez já conheçamos, ou que enxergamos melhor “olhando de fora”. Agir com este intento é ação de conversa tranquila, demonstração racional de pontos a serem analisados, atitude cheia de amor e acolhimento, que mostra ao invés de impor, que ensina ao invés de determinar. É olhar o outro com empatia, colocando-se em seu lugar e orientando como gostaria de ser orientado quando o equivocado fosse você.

Por outro lado, o julgamento vem recheado de rispidez, olhares condenatórios, palavras que são flechas lançadas e que ferem e machucam, causando afastamentos e sentimentos poucos nobres. Mais uma vez indica-nos O Evangelho Segundo o Espiritismo:

“É que toda palavra ofensiva exprime um sentimento contrário à lei de amor e caridade, que deve regular as relações dos homens e manter entre eles a concórdia e a união. Toda palavra ofensiva é um golpe contra a benevolência recíproca e a fraternidade” (KARDEC, 2019, p. 103).

Não há como dizer ‘eu só queria ajudar’, porque são nítidas as diferenças existentes entre uma opinião/conselho e uma opinião/julgamento. Lembremo-nos que somos em essência aquilo que fazemos, aquilo que reside verdadeiramente dentro do nosso coração. Podemos dissimular as reais intenções, na tentativa de se mascarar de bondade, mas Deus, este que nos olha e nos conhece como ninguém, sabe exatamente o que nos habita.

A diferença entre opinião e julgamento mora na real intenção daquele que a profere… e a real intenção, esta nós e Deus conhecemos, e por ela, não pelo ato externo, que colheremos os louros dos acertos ou as pedras que deixamos pelo caminho.

Rafaela Paes de Campos

Fonte: Letra Espírita

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REFERÊNCIA

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, tradução de Matheus R. Camargo. Capivari/SP: Editora EME. 2019.

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O Espiritismo na Bíblia

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O Espiritismo na Bíblia

O teólogo e professor universitário paraibano Severino Celestino da Silva não aceita críticas sem fundamentos lógicos. Cansado de ouvir falar que a Bíblia condena o Espiritismo consultou 16 Bíblias e ali encontrou disparidades de conteúdo. Lembrou-se das palavras de São Jerônimo: “A verdade não pode existir em coisas que divergem”. Decidiu mergulhar na fonte hebraica da Bíblia, comparou com as versões em grego e latim, e descobriu que as traduções apresentam conceitos políticos e pessoais dos seus tradutores, que comprometeram sua autenticidade. Debruçou-se na pesquisa, teve a idéia de reunir o resultado no livro Analisando as Traduções Bíblicasque aponta as distorções ocorridas nos textos sagrados de Moisés até hoje. A obra teve tamanha repercussão pelo Brasil afora e até no exterior (três edições em menos de dois anos), que já recebeu proposta para editá-lo em espanhol e esperanto.

Ele consultou ainda 103 referências bibliográficas, que colocam o Espiritismo no seu devido lugar perante a Bíblia, provando também que os fenômenos mediúnicos, a reencarnação e as bases do Espiritismo, ressaltam dos textos sagrados. Precavido, ainda foi buscar o aval do israelense Gad Azaria, que revisou os textos em hebraico. Celestino revela que na Bíblia se encontra toda a crença da reencarnação, por parte dos profetas e do povo hebreu, em todas as épocas, e do próprio Cristo que pregava sobre o retorno do espírito noutro corpo, inclusive afirmando, textualmente, que João Batista era o Elias que já vivera no tempo dos Reis de Israel e que havia voltado reencarnado no corpo de João Batista. Dos 23 capítulos do livro, oito se referem à reencarnação na Bíblia.

Celestino considera a Bíblia o livro mais fantástico do universo, por possuir um conteúdo moral, religioso e de relacionamento do homem com Deus indiscutível, porém constata que ainda é muito incompreendida pelo homem. “A Bíblia hoje em português representa uma verdadeira ‘Torre de Babel’ e se perde aquele que busca entender a sua mensagem. Este foi o motivo que me levou a escrever este livro que traz verdades importantes para quem quer seguir um Deus único, misericordioso, infinitamente justo e bom e sobretudo Amor. É um livro que mostra ainda a inexistência de religiões na Bíblia, bem como a inexistência de condenação à Doutrina Espírita. Ele leva você a refletir sobre o amor, a prática da caridade, o amor ao próximo e que a fé sem obras em si é morta”, explica.

As religiões tradicionais costumam argumentar que a Bíblia não se refere ao Espiritismo, mas Celestino tem a resposta: “Realmente a Bíblia não apresenta, em nenhuma de suas páginas, referência ao Espiritismo, de onde logicamente se conclui que não poderia proibir a sua prática ou condená-lo. Seria até uma incoerência. A Doutrina Espírita foi codificada por Allan Kardec em 1857, já a Bíblia foi escrita há quatro mil anos atrás, como poderia condenar uma doutrina que surgiria tanto tempo depois? O que encontramos em todas as suas páginas são fenômenos mediúnicos incontestáveis e realizados pelos profetas que eram, na verdade, grandes médiuns”.

Esclarecendo Deuteronômio

Celestino ainda aponta o discurso dos opositores do Espiritismo, que se utilizam do Deuteronômio para ilustrar e justificar suas posições discriminatórias em relação à doutrina kardecista. Ele esclarece essa utilização do livro bíblico. “O Deuteronômio é um livro fantástico. É nele que existe um maravilhoso e incontestável legado para a humanidade: os Dez Mandamentos.
Foi nele que Deus registrou a Primeira Aliança. Mas, as pessoas querem ligar as recomendações de Moisés, feitas para o povo Judeu há quatro mil anos no deserto do Sinai, como se fossem dirigidas para os espíritas, que nem existiam naquela época. Eu tenho o maior respeito pelo Deuteronômio, mas é um livro do Judaísmo e sendo o Espiritismo uma religião cristã, como pode ser condenado por uma religião judaica?

“Examinando-se com atenção o Deuteronômio em sua língua original, você vai observar que ele apresenta, com relação à proibição de consulta aos mortos, o mesmo rigor e respeito apresentado por Alan Kardec no Livro dos Médiuns, (questões 273, 274 e 275). Portanto, qualquer coisa fora disto é desconhecimento ou má fé de quem assim se pronuncia”.

Para as pessoas que insistem em afirmar que o Espiritismo não é uma religião cristã, ele reage: “Só quem não conhece o Espiritismo pode fazer tal afirmativa. Os postulados da Doutrina Espírita são todos baseados em princípios cristãos. O Espiritismo complementa o Cristianismo e nos mostra ainda claramente de onde viemos, o que estamos fazendo na terra e para onde iremos. Toda a prática espírita é gratuita, dentro do princípio do Evangelho: ‘Dai de graça o que de graça recebeste’ (Mt. 10,8). A moral que o Espiritismo prega é a moral cristã, ditada pelo Cristo, o maior espírito que habitou o nosso planeta.

“O Espiritismo nos ensina que somos espíritos imortais e quer estejamos na terra, quer no mundo espiritual, trabalhamos ativamente para alcançar a perfeição. O Espiritismo respeita todas as religiões, valoriza todos os esforços para a prática do bem e trabalha pela confraternização entre todos os homens, independentemente de sua origem, cor, nacionalidade, crença, nível cultural ou social. Reconhece, ainda, que o verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei da justiça, do amor e da caridade, na sua maior pureza. O Espiritismo nos demonstra que a justiça divina é rigorosamente cumprida, havendo recompensa para os bons e cobrança para os maus. (Mt. 5,25; Efé. 6,8 e 9; Col 3,25; Tia.2,13; Gál. 6,6-8). E nos mostra também que não há penas eternas. O espírito culpado, logo que se arrependa do mal que praticou, obtém a condição de repará-lo. Neste sentido, é preciso trabalhar para corrigir o mal que foi praticado contra o semelhante”.

E ainda, com relação às confusões feitas pelos opositores do Espiritismo, Celestino esclarece: “O Espiritismo não possui hierarquia religiosa, não tem sacerdotes, nem rituais ou formas de culto exterior e nem queima de incenso ou velas, não usa amuletos ou similares, altares, imagens, andores, velas, procissões, sacramentos, concessões de indulgência, paramentos, bebidas alcoólicas ou alucinógenas, incenso, fumo, talismãs, amuletos, horóscopos, cartomancia, pirâmides, cristais, búzios ou quaisquer outros objetos. Em resumo, o Espiritismo é o Evangelho redivivo de Jesus”.

As provas da reencarnação

Dos 23 capítulos do livro de Celestino, oito se referem à reencarnação na Bíblia. Eis algumas considerações: “O rabino Arieh Kaplan afirma que: ‘Não é possível entender a Cabalá sem acreditar na eternidade da alma e suas reencarnações’.Com o nome de ‘Transmigração das Almas’, todo o povo judeu, inclusive a corrente ortodoxa hassídica, acredita que depois da morte a Alma reencarna numa nova forma física. Aqueles judeus hassídicos característicos, de chapéus pretos, tranças (peot) e longos casacos negros são pessoas que acreditam na reencarnação. O hassidismo é uma forma de Judaísmo fundada na Polônia em meados do século XVIII pelo rabino Israel Baal Shem Tov (1700-1760) que começou sob a liderança de Dov Baer De Mejirech. Israel Baal Shem Tov extraiu elementos da Cabalá e espalhou por toda Europa oriental.

“A reencarnação é uma crença fundamental do hassidismo. Seus conceitos constam dos livros Sefer Ha-Bahir(Livro da Iluminação), primeiro livro da Cabalá judaica e do Zohar (Livro do Esplendor). Ambos os livros atribuem grande importância à doutrina da reencarnação, usada para explicar que os justos sofrem porque pecaram em uma vida anterior. Nele, o renascimento é comparado a uma vinha que deve ser replantada para que possa produzir boas uvas.  A ‘Transmigração’ emprestou um significado novo a muitos aspectos da vida do povo judeu, pois o marido morto voltava literalmente à vida no filho nascido de sua mulher e seu irmão, num casamento por Levirato. A morte de crianças pequenas era menos trágica, pois elas estariam sendo punidas por pecados anteriores e renasceriam para uma vida nova. Pessoas malvadas eram felizes neste mundo por terem praticado o bem em alguma existência prévia”.

“Prosélitos do judaísmo eram almas judaicas que se haviam encarnado em corpos gentios ou pagãos. Ela também permitia o aperfeiçoamento gradual do indivíduo através de vidas diferentes. O Zohar afirma ainda que a redenção do mundo acontecerá quando cada indivíduo, através de ‘Transmigração das Almas’ (reencarnações), completar sua missão de unificação. Ele nos diz que o termo bíblico ‘gerações’ pode ser substituído por ‘encarnações’. Baseados nestes conceitos, os cabalistas desenvolveram a sua própria interpretação sobre a aliança que Deus fez com Abraão e sua semente. Deus disse: ‘Estabelecerei o meu concerto entre mim e ti, e a tua semente depois de ti, nas suas gerações, por concerto perpétuo’. Acreditavam que Deus havia feito esta aliança com a semente de Abraão não apenas por uma vida, mas por milhares de encarnações.

– E para os que não acreditam na visão da Cabalá, como é que fica?

– O Antigo Testamento, responde Celestino, apresenta várias referências sobre a reencarnação. Citaremos aqui a passagem em que Deus diz ao profeta Jeremias que o conhecia antes dele ser concebido. Antes mesmo de te formar no ventre de tua mãe, eu te conheci; antes que saísses do seio, eu te consagrei; Eu te constitui profeta para as nações’. (Jer. 1,5). Esta passagem sugere que a alma de Jeremias já existia antes de seu nascimento no século VI antes de cristo. Na Bíblia, se encontra toda a crença na reencarnação por parte dos profetas, de David, do povo hebreu em todas as épocas e do próprio Cristo que nunca negou a reencarnação. Pelo contrário, em Mateus 11,13 e 14 Ele afirma textualmente que João Batista era o Elias que já vivera no tempo dos Reis de Israel e que havia voltado reencarnado no corpo de João Batista Veja os versículos na  íntegraPorque todos os profetas bem como a Lei profetizaram até João. E, se quiserdes dar crédito, ele é o Elias que devia vir’. Mt. 11,13 e 14. Palavras do Cristo. Quem quiser que as negue, eu não me atrevo. Temos ainda em toda a Bíblia passagens do Gênesis ao Apocalipse que mostram a certeza na volta da alma ou espírito em outro corpo e que tanto os profetas como os judeus ortodoxos até hoje ainda acreditam.

Passagens da Ressurreição

Segundo Celestino, a Ressurreição, em princípio, é definida como o retorno da alma ao corpo que parecia estar morto. “Na Bíblia existem oito casos de ressurreição. Três casos ocorrem no Velho Testamento, o primeiro é narrado no I livro dos Reis cap. 17 vers. 21 e 22, (a ressurreição do filho da viúva por Elias). O segundo no II livro dos Reis 4,32-37 (a ressurreição do filho da mulher Sunamita por Eliseu) e o terceiro também no II livro dos Reis 13,20 e 21. (ressurreição de um homem cujo cadáver tocou nos ossos de Eliseu) No Novo Testamento temos outros cinco casos de ressurreição. Três foram realizados por Jesus, o Cristo, como está narrado nos Evangelhos: ressurreição da filha de Jairo, o chefe da Sinagoga, narrado em Mateus 9,18-25; a ressurreição do filho da viúva de Naim (Lucas 7, 11-17) e a ressurreição de Lázaro (João 11, 1-43). As outras duas ressurreição foram realizadas por Pedro e por Paulo respectivamente, narrados nos Atos dos Apóstolos 9,36-42 e 20, 7-12. Existe uma corrente que prega a ressurreição como ocorrendo no último dia e com o mesmo corpo que se viveu. Isto não é verdadeiro.

“Na verdade, o que se traduz como ressurreição na Bíblia, com exceção dos casos citados, significa reencarnação, pois a ressurreição ocorre com o perispírito ou corpo espiritual como fala Paulo aos Coríntios na sua I carta, cap. 15, 35 a 53. A Igreja Católica recita todos os dias na missa, o Credo de Nicéia, que ao ser criado em 325 da nossa era, aceitava a reencarnação e por isso cita ‘creio na ressurreição da carne’. O mesmo ocorre com outras
passagem bíblicas que foram adaptadas aos conceitos e crenças pessoais de quem as traduziu. No entanto, Paulo de Tarso foi bem enfático ao afirmar que ‘a carne, e o sangue não podem herdar o Reino de Deus’. Orígenes, discípulo de São Clemente de Alexandria, analisando a Paulo, concluiu que quem ressuscita é o perispírito ou corpo espiritual. O corpo material é entregue a terra para ser destruído e o espírito ou alma vai a Deus”.

A sobrevivência do espírito

Celestino afirma que a imortalidade da alma também consta na Bíblia, sendo uma crença dos gregos, dos egípcios, hindus, chineses e outros povos. Nos Salmos de David existem muitas citações, que expressam sua crença no Sheolou Inferno, só que como uma passagem temporária, jamais como uma região de tormentos eternos. David lançou, juntamente com os profetas, o conceito de ‘Olam ha-bá’ que significa Mundo por Vir’, que era o mundo espiritual da alma, após a morte, no celestial Jardim do Éden. David foi ungido rei por Samuel, filho de Ana e de Elcana. No I livro de Samuel cap. 2,6, encontra-se o cântico de Ana onde está escrito: O Senhor dá a morte e a vida, faz descer ao Sheol e de lá voltar. David cita em vários dos seus Salmos este conceito. O Cristo nos Evangelhos mostra claramente e em muitas citações a certeza da existência e sobrevivência da alma após a morte. ‘Ora é esta a vontade daquele que me enviou: que Eu não deixe perecer nenhum daqueles que me deu, mas que os ressuscite no último dia’ (João 6,39). Existe, neste evangelho, de uma maneira geral, a promessa e a certeza de que todos chegarão um dia à Deus. A parábola do homem rico e Lázaro é uma prova da sobrevivência do espírito (Lc. 12,13). O juízo final em Mateus 25, 31-46 é outra, e assim sucessivamente.

O Evangelho Segundo o Espiritismo

Muitos questionam por que a Doutrina Espírita criou o livro O Evangelho Segundo o Espiritismo ao invés de seguir a Bíblia. Celestino tem a resposta: “Este é mais um conceito errôneo de quem não conhece o Espiritismo. O Evangelho Segundo o Espiritismo é uma coletânea de versículos extraídos da Bíblia e interpretados pelos espíritos. É um livro de orientações maravilhosas para as dificuldades da vida. Possui 28 capítulos, onde setenta por cento dos ensinamentos foram extraídos do Sermão do Monte, o maior legado que Cristo nos deixou e composto por ensinamentos que são aceitos por todos os cristãos. Os outros versículos são retirados dos Evangelhos e até da Primeira Aliança (Antigo Testamento), pois o seu XIV capítulo, ‘Honrar Pai e Mãe’, foi retirado do Êxodo 20,12. Portanto, não se trata de uma Bíblia dos Espíritas, mas de um roteiro moral e de muita luz retirados diretamente das páginas da Bíblia.

A Terceira Revelação

Sobre o fato do Espiritismo ser considerado a terceira revelação, Celestino explica que existem três revelações divinas no universo: “A primeira revelação foi feita através de Moisés no Monte Sinai que são os ‘Dez Mandamentos’. Na seqüência, os profetas predisseram a vinda do Cristo que nos legou a segunda revelação que foi o Evangelho. E foi o próprio Cristo quem predisse a terceira revelação: o Espiritismo. No capítulo 14 do Evangelho de João, em suas despedidas registrando nos versículos 15 a 17, Jesus deixa uma das suas mensagens finais‘Se me amais, guardareis os meus mandamentos. E eu
rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece: mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós’.Cita ainda o Cristo nos versículos 12 a 14 do capítulo 16 do Evangelho de João: ‘Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. As verdades do Espiritismo ainda não são aceitas por muitos. Quando vier o paráclito, o Espírito da verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vô-lo anunciará’.

O profeta Joel, que viveu 750 anos A.C. (cap. 3, 1 a 5) (algumas Bíblias traduzidas, trazem Joel 2,28) foi quem primeiro profetizou a chegada dos dons da profecia, ou seja, da mediunidade e do Espiritismo. O texto é o seguinte: ‘Depois disto derramarei o meu espírito sobre toda carne: vossos filhos e vossas filhas profetizarão; vossos velhos terão sonhos, e vossos jovens terão visões; e também derramarei o meu espírito sobre os escravos e as escravas. Tudo isto é predito também pelo Cristo, como vimos acima, e o fato
ocorre com os discípulos na reunião do Pentecostes e está narrado em Atos 2, 1-21”.

A salvação segundo o Espiritismo

Celestino analisa a questão da salvação sob a ótica espírita como sendo uma conquista diária. Esclarece: “Nós preparamos o nosso caminho todos os dias para o nosso reencontro com Deus. É lógico que, em princípio, a salvação é para todos, porém segundo o nosso proceder, uns chegam primeiro outros depois, porém todos chegam‘Abandone o ímpio o seu caminho, e o homem mau os seus pensamentos, e volte para Deus, pois terá compaixão dele, e para o nosso Deus, porque é rico em perdão’ (Is. 55,7). Cristo acrescenta: ‘Assim é a vontade de vosso Pai celeste que não se perca um só destes pequeninos’ (Mt. 18,14). ‘Em verdade vos digo, os publicanos e as meretrizes vos precedem no reino de Deus’ (Mt.21, 31). Aqui o Cristo deixa bem claro que todos entrarão no reino dos Céus, até os publicanos e as meretrizes. Entrarão depois, mas que entrarão não se tem
a menor dúvida”.

Fátima Farias

Fonte: Portal do Espírito

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